segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A deificação do homem pelo Concílio

“O Vaticano II é o Concílio da religião do homem. Declarou-o, com euforia triunfal, seu autor, Paulo VI, na alocução de encerramento do grande sínodo (n° 8): “Nós também, e mais do que ninguém, somos promotores do homem” foi a conclusão do encontro entre a “Religião de Deus que se fez homem, com a do homem que se fez Deus” (n° 9).
Na perspectiva de semelhante deificação do homem, enquadra-se a afirmação de que o homem tem o direito de ser ateu, e mesmo direito natural (Declaração “Dignitatis Humanae”, 2). Pois o Concílio define explicitamente: “O direito à imunidade de coação, em matéria religiosa, permanece naqueles que não cumprem a obrigação de buscar a verdade e de a ela aderir” (ib.). Em outras palavras, ninguém pode censurar o homem porque não acredita em Deus embora culpavelmente não procure a verdade para a ela aderir, porquanto ninguém pode ser censurado porque faz uso de seu direito, principalmente tratando-se de direito natural, como é, segundo o Concílio, o da imunidade em matéria religiosa.
Desta deificação do homem, conclui-se – e o mesmo Concílio o diz – que “a verdade só se impõe ao homem, mediante a evidência intrínseca, ou seja, mediante a manifestação da própria verdade que penetra suave e fortemente as almas” (Dignitatis Humanae, n° 1).
Com efeito, somente considerando-se deus tem o homem o direito de ser ateu, ou seja, de não reconhecer outro Senhor Supremo. Conseqüentemente, tendo-se como deus soberano e absoluto, autor da verdade e do erro, só admitirá a evidência intrínseca que dele mesmo procede.
Quando não por outras razões, já por estas se veja o abismo de irreligião e blasfêmia que encerra o Vaticano II. Impô-lo aos fiéis com ameaça de punição é caso nítido de perseguição religiosa.”
(Dom Antônio de Castro Mayer, O Concílio da Religião do Homem)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O papa que excomungou a Tradição

“João Paulo II foi o papa do Vaticano II, o concílio que introduziu uma ruptura com o passado da Igreja pela primeira vez em sua história. Ele desenvolveu, segundo a análise do Pe. Johannes Dörmann, a estranha teologia que propaga a idéia da salvação universal (e conseqüentemente de um inferno vazio). Ele apresentou todas as religiões como meios de agradar a Deus, especialmente com gestos ecumênicos espetaculares como o de Assis em 1986. Ele foi o primeiro papa a visitar uma sinagoga e uma mesquita. Lá não apenas não pregou Jesus Cristo, como deixou entendido que essas religiões que negam explicitamente a mediação de Nosso Senhor Jesus Cristo podem ser agradáveis a Deus. Além disso, ele beijou em público o Corão, manifestando seu respeito por um livro que nega a divindade de Jesus Cristo e apresenta um homem anquilosado em seus vícios como mensageiro de Deus; e enfiou uma mensagem de arrependimento no Muro das Lamentações em Jerusalém, como se fosse Isaac o perseguidor de Ismael e não o contrário. Novamente ele manifestou seu arrependimento no ano 2000 por todo o passado glorioso da Igreja, especialmente as cruzadas. Seria também necessário citar seus excessos em inculturação – ele aceitou participar de cultos pagãos e misturou-os com o ritual católico; sua moralidade descentrada, baseada na dignidade do homem e não mais na lei de Deus; sua propagação de um catolicismo superficial, principalmente durante as Jornadas Mundiais da Juventude; o exagerado número de viagens, de beatificações e de canonizações (ele canonizou mais santos do que todos seus predecessores juntos); sua gestão liberal, permitindo a propagação de movimentos duvidosos ou escandalosos (por exemplo, ele tinha uma grande admiração pelo Pe. Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo); e assim por diante.
Doravante todos podem ver por si mesmos os frutos desse pontificado: a apostasia das nações cristãs e a autodemolição da Igreja.
Se se busca a origem de todos esses erros, encontra-se imediatamente o abandono da Tradição em favor de uma “nova teologia” neomodernista, que tem sido amplamente analisada nestas colunas.
Na verdade, João Paulo II passará para a história da Igreja como o papa que excomungou o Arcebispo Lefebvre e com ele a Tradição bimilenar da Igreja. Essa mancha em sua reputação é indelével. E se, Deus o livre, a beatificação e a canonização de João Paulo II se realizarem, será necessário rezar para que Deus encurte a paixão de Sua Igreja e faça surgir um verdadeiro pastor que anulará esse ato escandaloso e restaurará a Tradição a seu lugar de honra.”
(Sel de La Terre, Primavera de 2011)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A salvação dos "bons protestantes"

“Um leitor faz uma pergunta vital: “Se um bom protestante viveu uma boa vida mas ainda acredita firmemente que a Fé Católica está errada, de tal modo que ele sequer considera entrar para a Igreja Católica, então ele ainda pode se salvar?” A pergunta é vital (do latim “vita”, que significa “vida”), porque é uma questão de vida ou morte eterna para inúmeras almas.
Como resposta, a primeira coisa a ser dita é que toda alma que após a morte aparece instantaneamente diante do tribunal de Deus será julgada por Ele com perfeita justiça e com perfeita misericórdia. Só Deus conhece as profundezas do coração de um homem, que ele pode bem esconder de si mesmo e melhor ainda dos outros homens. Os homens podem julgar errado, mas Deus jamais. Portanto, o “bom protestante” será condenado por seus próprios atos ou será salvo por Deus, exatamente como Deus sabe que ele mereceu.
Apesar disso, é lógico que se Deus quer que todos sejamos salvos (1 Tm II, 4), e exige de nós que acreditemos sob pena de condenação (Mc XVI, 16), Ele nos permitirá a nós homens sabermos em que devemos crer e o que devemos fazer para salvar nossas almas. Em que deverá acreditar então o “bom protestante”?
No mínimo, toda alma, para salvar-se, deve acreditar que Deus existe e que Ele recompensa os bons e pune os maus (Heb XI, 6). Se um “bom protestante” que viveu uma “boa vida” não acredita nisso, ele não pode ser salvo. Mas muitos teólogos católicos vão mesmo além e dizem que para alguém se salvar deve também crer na Santíssima Trindade e em Cristo como Redentor. Se esses teólogos estão certos, então o número de “bons protestantes” que não salvarão suas próprias almas poderá ser bem maior.
E Deus pode exigir deles que acreditem além dos fundamentos essenciais, dependendo de quantas oportunidades eles tiveram em vida de aprender a Fé que dEle procede. Se são ignorantes de todo o restante da Fé Católica, não é porventura porque jamais chegaram a encontrá-la? Pode ser, mas pode também não ser. Lembro-me de que minha mãe me contava, com admiração, como certa vez um sacerdote católico respondeu a todas as perguntas sérias feitas por seu pai, um “bom protestante”; mas isso, que eu saiba, não o converteu. Se os “bons protestantes” pelo menos uma vez na vida deparam-se com a verdade católica, por qual motivo então não a seguem? A menos que ela lhes tenha sido apresentada de modo incorreto, eles estavam de fato rejeitando a verdade. Poderiam tê-la rejeitado sem culpa alguma? Então eles a rejeitaram inocente ou deliberadamente? Os “bons protestantes” facilmente consideram-se inocentes, como todos nos consideramos, mas nenhum de nós pode enganar a Deus.
Contudo, há também aquilo que um “bom protestante” deve fazer para ser salvo. Ele pode não conhecer tudo que a Igreja Católica infalivelmente exige de nós em termos de moral, mas tem pelo menos a luz natural de sua consciência inata. Ora, pode parecer realmente difícil com o pecado original e sem o auxílio dos sacramentos católicos seguir a luz natural da própria consciência, mas se ela é violada ou deformada é fácil viver e morrer em pecado mortal, um estado no qual alma nenhuma pode ser salva. Novamente o “bom protestante” poderá se declarar ignorante da totalidade das leis de Deus como os católicos as conhecemos, mas é verdadeiramente “invencível”, i.e inocente, sua ignorância? Por exemplo, ele realmente não sabia, ou na verdade não quis saber, que os métodos artificiais de controle de natalidade desagradam seriamente a Deus?
Deus sabe. Deus julga. Que Ele tenha misericórdia de todos os “bons protestantes” e de todos nós.”
(Mons. Richard Williamson, F.S.S.P.X, Innocent Ignorance?)

sábado, 20 de agosto de 2011

Carl Gustav Jung e a sacralização da psicologia

"Em sua obra The Aquarian Conspiracy, “A conspiração do Aquário”, Marilyn Ferguson dedicou um capítulo aos precursores da Era de Aquário, aqueles que haviam tecido uma visão transformadora baseada na expansão da consciência e na experiência da auto-transcendência. Dois dos mencionados são o psicólogo americano William James e o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. James definiu a religião como experiência, não como dogma, e ensinou que os seres humanos podem mudar suas atitudes mentais a fim de converter-se em arquitetos de seu próprio destino. Jung destacou o caráter transcendente da consciência e introduziu a idéia do inconsciente coletivo, uma espécie de depósito de símbolos e recordações partilhadas com pessoas de diversas épocas e culturas diferentes. Segundo Wouter Hanegraaff, ambas personagens contribuíram para a “sacralização da psicologia”, que se converteu em um elemento fundamental do pensamento e da prática da Nova Era. De fato, Jung “não só psicologizou o esoterismo, mas também sacralizou a psicologia, enchendo-a dos conteúdos da especulação esotérica. O resultado foi um corpo de teorias que permite falar de Deus quando na realidade se quer falar da própria psique, e falar da própria psique quando na realidade se quer falar do divino. Se a psique é “mente”, e Deus também é “mente”, então falar de uma coisa significa falar da outra”. À acusação de ter “psicologizado” o cristianismo responde que “a psicologia é o mito moderno e só podemos entender a fé nestes termos”. Certamente, a psicologia de Jung lança luz sobre muitos aspectos da fé cristã, especialmente sobre a necessidade de enfrentar a realidade do mal. Porém suas convicções religiosas são tão diferentes ao longo das diversas etapas de sua vida, que a imagem de Deus que se depreende é sumamente confusa. Um elemento central de seu pensamento é o culto ao sol, onde Deus é a energia vital (libido) do interior da pessoa. Segundo afirmou ele mesmo, “esta comparação não é um mero jogo de palavras”. Este é “o Deus interior” ao que se refere Jung, a divindade essencial que ele acreditava existir em todo o ser humano. O caminho para o universo interior passa através do inconsciente e a correspondência do mundo interior com o exterior reside no inconsciente coletivo."
(Pontifício Conselho Cultural e Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Jesus Cristo, Portador da Água Viva: Uma Reflexão Cristã sobre a "Nova Era")

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Três guerras mundiais para o triunfo universal da maçonaria

“Weishaupt morreu em 1830 com a idade de 82 anos. Em 1834, Giuseppe Mazzini tomou o encargo da direção da ordem dos Iluminados da Baviera até sua morte em 1872.
Durante sua presidência nessa ordem, ele correspondeu-se com o satanista Albert Pike, Grão-mestre Soberano do Antigo e Honroso Rito Escocês dos franco-maçons na jurisdição do sul dos Estados Unidos e futuro fundador da Ku Klux Klan.
Pike foi nomeado por Mazzini dirigente das operações para os Iluminados da Baviera nos Estados Unidos. Todos os dois colaboraram enquanto Iluminados de alto nível.
Pike encarregou-se dos aspectos teosóficos das operações; Mazzini, daqueles que estavam ligados com a política. Quando as lojas franco-maçônicas do Grande Oriente foram desacreditadas após as atividades revolucionárias de Mazzini na Europa, este apresentou um plano genial a Pike.
Eis aqui um trecho da carta que Mazzini escreveu a Pike em 22 de janeiro de 1870:
Nós devemos permitir a todos os agrupamentos que continuem a exercer como o fizeram até o presente seus sistemas, suas organizações centrais, sua maneira de corresponder-se entre os graus elevados do mesmo ritual, mantendo sua forma de organização atual. Mas ser-nos-á necessário criar um super-ritual, que deverá manter-se desconhecido e será constituído somente de maçons de alto grau que nós mesmos escolheremos. Esses homens devem ser colocados em absoluto segredo com relação aos nossos irmãos. Esse rito supremo permitir-nos-á reger a franco-maçonaria em seu conjunto, que se tornará ainda mais poderosa, uma vez que se ignorará quem é o cabeça. (Lady Queensborough: Occult Theocracy, p. 208-209 e Gary Allen: Die Insider)
Trata-se provavelmente da elite do 33.º grau do Rito Escocês. (...)
Numa carta de 15 de agosto de 1871, Pike apresentou a Mazzini, dirigente dos Iluminados, um plano grosseiramente traçado, visando à conquista do mundo por meio de três guerras mundiais, para erigir a “Nova Ordem Mundial”.
A Primeira Guerra Mundial seria colocada em cena para que os Iluminados da Baviera tivessem um controle direto sobre a Rússia dos czares. Em seguida, para que a Rússia pudesse ser utilizada como a “besta negra”, que serviria aos desígnios dos Iluminados da Baviera em escala mundial.
A Segunda Guerra Mundial seria criada inteiramente manipulando-se as opiniões divergentes que reinavam entre os nacionalistas alemães e os sionistas politicamente engajados. Isso levaria a Rússia a ampliar sua zona de influência e causaria a criação do Estado de Israel na Palestina.
O plano para a Terceira Guerra Mundial seria baseado nas divergências de opiniões que os Iluminados criariam entre os sionistas e os árabes. Programar-se-ia uma extensão do conflito em uma escala mundial.
Uma parte da Terceira Guerra consistiria em confrontar niilistas e ateus para provocar uma desordem social, que se iniciaria logo após confrontos de uma brutalidade e de uma bestialidade jamais vistas. Após o cristianismo e o ateísmo serem reduzidos a nada, seria apresentada aos seres humanos a verdadeira “doutrina luciferiana”, o que permitiria matar dois coelhos com um só golpe.”
(Jan van Helsing, Geheimgesellschaften und ihre Macht im 20. Jahrhundert)

domingo, 14 de agosto de 2011

Marc-Antoine Charpentier: Missa Assumpta Est Maria


I. Simphonie
II. Kyrie I
III. Christe
IV. Kyrie II


V. Gloria

VI. Credo (1ª parte)

VI. Credo (2ª parte)

VII. Sanctus
VIII. Agnus Dei
IX. Domine Salvum


William Christie
Les Arts Florissants

Oração a Nossa Senhora da Assunção

“Ó dulcíssima soberana, rainha dos Anjos, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de vos possuir neste vale de lágrimas, mas sabemos que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria e, no meio de tanta glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais para conosco. Do alto desse trono em que reinais sobre todos os anjos e santos, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos; vede a quantas tempestades e mil perigos estaremos, sem cessar, expostos até o fim de nossa vida. Pelos merecimentos de vossa bendita morte, obtende-nos o aumento da fé, da confiança e da santa perseverança na amizade de Deus, para que possamos, um dia, ir beijar os vossos pés e unir as nossas vozes às dos espíritos celestes, para louvar e cantar as vossas glórias eternamente no céu. Assim seja!
Oremos:
Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.
Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós.”

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Martinho Lutero e a veneração à Santíssima Virgem

“Terminemos a resposta à primeira objeção, pela voz insuspeita de Lutero: A Santíssima Virgem foi honrada e invocada desde o princípio do cristianismo, como provam as numerosas imagens encontradas nas catacumbas e nos monumentos dos primeiros séculos.
Os primeiros escritores e santos falam dela com veneração e amor, excitando o povo cristão a orar-lhe, a invocá-la, como sendo a Mãe de Jesus Cristo e a Mãe dos homens.
O próprio Lutero, antes da sua queda vergonhosa e sua vida lúbrica, honrava, amava, orava à pura Mãe de Jesus, e escreveu sobre o seu culto páginas admiráveis, que até hoje figuram como monumento de glória em honra da Mãe de Deus. “A Virgem Maria, escreve o herege, dizendo que todas as gerações haverão de chamá-la bem-aventurada, quer dizer que o seu culto passaria de geração em geração, de tal modo que não houvesse época nenhuma em que não ressoassem os louvores. É o que ela exprime dizendo que doravante todas as gerações hão de aclamá-la, isto é: Desde esta hora começa esta corrente de louvores que deve estender-se a todas as gerações e à posteridade.”
Eis como o próprio Lutero confessa que o culto da Virgem Santa começou na hora mesma em que ela cantou o seu primeiro Magnificat... Até lá era Virgem desconhecida, porém de lá em diante ela há de ser a Virgem exaltada, louvada, orada, no universo inteiro.
Não é, pois, uma invenção de Roma, a de orar e louvar a SS. Virgem; é uma invenção divina, colocada, por Deus mesmo, no berço do cristianismo, gravada em letras de fogo nos alicerces e na abóbada da Igreja verdadeira, e isto antes mesmo que Cristo aparecesse visivelmente neste mundo.
Ele está ainda escondido no seio da Virgem Imaculada e antes mesmo que ele exija a adoração de sua pessoa divina, ele já exige a veneração daquela que lhe serve de santuário e de Mãe!
É ele que inspirava Maria SS., é ele que falava pelos seus lábios; é que ordena, como se dissesse que não receberia a homenagem das criaturas, senão depois de elas terem honrado aquela que ele escolheu como Mãe... É a primeira aplicação do adágio, hoje clássico: Tudo por Jesus, nada sem Maria.
Refleti sobre isso, pobres protestantes, e se não quiserdes escutar a voz do sacerdote católico, nem da Igreja, nem do Evangelho, escutai, pelo menos, a voz do vosso próprio fundador, Lutero.”
(Pe. Júlio Maria de Lombaerde, Luz nas Trevas)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O fim último do ecumenismo

“Um dos elementos mais perturbadores do movimento ecumênico é que mesmo os líderes de nossa Igreja parecem estar dentro de um nevoeiro, sem saber para onde estão se dirigindo.
O próprio Cardeal Ratzinger admitiu-o quando afirmou:
“... o fim de todo esforço ecumênico é alcançar a verdadeira unidade da Igreja... No presente momento, eu não me arriscaria a sugerir qualquer realização concreta, possível ou imaginária, desta futura Igreja... Estamos ainda em um estágio intermediário de unidade na diversidade.”
Essa afirmação é aterrorizante. Na essência, o que ele diz é: “Nós não sabemos para onde estamos indo”.
Perceba-se também que nenhum desses documentos ecumênicos, inclusive o Diretório de 1993, nos diz claramente qual é a construção final para onde tendem seus esforços. Dizem-nos que devemos nos envolver com o ecumenismo, mas jamais nos dizem como será essa futura Igreja ecumênica. Somos mantidos totalmente no escuro.
Em 1910, contudo, o Papa S. Pio X certamente não estava no escuro. Ele sabia exatamente o que estava sendo planejado. Quando Pio X condenou o Sillon, um movimento católico que defendia muitos dos erros modernos - em particular a respeito da unidade interdenominacional - , Pio X alertou que essa operação inteira era parte de
“... um grande movimento de apostasia organizado em todos os países para o estabelecimento de uma igreja mundial que não terá dogmas, nem hierarquia, nem disciplina para a mente, nem continência das paixões, e que, sob o pretexto de liberdade e dignidade humana, trará de volta ao mundo o reino de astúcia e força legalizadas, da opressão aos mais fracos e àqueles que mais trabalham e sofrem.”
São Pio X, um Papa realmente profético, previu isso em 1910.
E que temos hoje? Temos forças trabalhando abertamente pelo estabelecimento dessa igreja mundial da apostasia. E um dos maiores apóstolos dessa igreja mundial (que amalgama todas as religiões) é o chamado “teólogo católico” Hans Küng, um dos principais arquitetos da grande atualização ecumênica acontecida no Vaticano II. A igreja mundial da apostasia é a conclusão lógica do ecumenismo inter-religioso.”
(Pe. Paul Kramer, The Suicide of Altering the Faith in the Liturgy)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Karl Marx e o proletariado

“Marx tinha um sonho impossível. Ele e apenas ele podia mudar a natureza humana, porque somente para ele foi revelado o conhecimento cataclísmico do materialismo dialético. “Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos! Nada tendes a perder senão vossas cadeias!” Ele uniria o proletariado e os faria ditadores. Engorde os seres humanos como animais de raça; então tudo será um mar de rosas. Mas até mesmo o Prof. Larski admitiu que a história da raça humana não começou nem iria terminar na barriga.
Trotsky descreveu como funciona essa ditadura. Por sua natureza ela deve ser e é de um único homem, que divide uma parte de seu poder com um punhado de outros, como no Politburo da URSS.
Não há dúvida que Marx sabia que estava planejando a escravidão. Mas ele tinha suas suspeitas a respeito dos ingleses. Não podia confiar que eles se comportariam como esperado. Disse que os ingleses jamais fariam uma revolução, que estrangeiros teriam que fazer a revolução por eles. Se o fantasma de Marx pudesse ao menos fazer uma visita à atual Grã-Bretanha! Lá ele descobriria que o proletariado tornou-se uma vasta classe média, vivendo em suas casas plenas do tipo de conforto que mesmo os parentes ricos de sua época teriam invejado. Eles dirigem seus próprios carros e os agentes de viagem fazem grandes negócios, enviando-os como formigueiros ao ensolarado Mediterrâneo durante a maior parte do ano. Lá eles se esbaldam: bronzeiam-se, fumam charutos, têm suas refeições nos melhores hotéis. Os parentes ricos de Marx jamais experimentaram essas coisas.
Como foi possível tudo isso? Por meio da dedicação de homens talentosos que se sentaram e ainda se sentam às suas pranchetas de desenho, lutando para tirar a carga do trabalho manual das costas dos homens, deixando a máquina fazer todo o trabalho pelo aperto de um simples botão. As máquinas que eles inventaram e aperfeiçoaram trouxeram liberdade e lazer para muitos milhões, trazendo-lhes confortos impensáveis até mesmo para as classes altas de poucas gerações atrás. Isso tanto é válido para todas as nações ocidentais desenvolvidas como para a Grã-Bretanha. Os trabalhadores se desvencilharam das cadeias da necessidade sem qualquer ajuda de Karl Marx. É somente no paraíso marxista que os trabalhadores não têm nada a perder senão suas cadeias.
Se os trabalhadores ocidentais têm que trabalhar muitas horas quando podiam estar pescando, é porque devem pagar impostos cobrados deles como juros de empréstimos que custam apenas papel e tinta e os salários de escriturários, cobrados pelos mesmos financistas que pagaram a Marx para escrever o Manifesto. Essa manipulação é a farsa que torna insignificantes todas as farsas da história. Se não fossem tais impostos, os trabalhadores do Ocidente poderiam prover a todas suas necessidades trabalhando talvez somente dois dias por semana. O excedente serve para pagar impostos injustos. Assim é que o primeiro Rotschild pôde dizer: “Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importarei com quem redige suas leis.
Agora que sua gangue cria e controla o dinheiro mundial, vemos os efeitos desastrosos de suas políticas sobre os povos do Terceiro Mundo, onde as exportações dessas pessoas pobres não são nem mesmo suficientes para cobrir os juros que têm de pagar sobre empréstimos que nada mais são que um lançamento no livro razão.
Não há mais um proletariado como tal no Ocidente desenvolvido, mas apenas uma vasta classe média que engloba trabalhadores, artesãos e profissionais; decerto ainda há diferenças de renda, mas um bom encanador pode ser, e freqüentemente é, mais próspero que um profissional. Ainda há também alguns que são muito pobres e outros muito ricos, mas nenhum deles é numericamente significativo. Os mais pobres contudo não morrem de fome, como o fazem em países comunistas como a Etiópia.
Em contraste, em todos os países comunistas uma pequena malta no topo dispõe de tudo, lojas exclusivas, resorts de férias reservados, todo privilégio conhecido do homem corrupto quando chega ao poder. Em todos os países comunistas, as demais pessoas não podem sequer dizer que dispõem da própria alma. Esqueça liberdade, igualdade, fraternidade. Lyons diz: “Enquanto os pobres mortais passam horas nas filas esperando obter algumas de suas necessidades diárias, os novos aristocratas divertem-se comprando em lojas exclusivas abarrotadas com o melhor que o país produz e produtos importados. Enquanto funcionários superiores e diretores ganham centenas de rublos por mês – além de um conjunto de mordomias, como carros com motoristas e apartamentos de luxo – milhões nos níveis inferiores da sociedade lutam para sobreviver com o mínimo permitido legalmente... Nas fábricas e instituições, os refeitórios são divididos socialmente: os melhores lugares para as pessoas importantes, os piores para os trabalhadores. Os trens possuem de três a quatro classes... Os melhores hospitais são exclusivos das “melhores pessoas”. As classes altas têm seus símbolos de status: casas suburbanas particulares construídas em terrenos públicos, apartamentos de cooperativa nas cidades, carros, geladeiras e outros produtos difíceis de conseguir, roupas feitas por alfaiates – tudo desesperadamente fora do alcance da maior parte da população. Eles gozam suas férias como um direito em resorts elegantes, aos quais um número simbólico de trabalhadores especializados tem acesso somente como recompensa por serviços extraordinários. Até mesmo a matrícula em instituições educacionais superiores é mais fácil para os filhos das famílias com influência política ou que usam de propinas para passar por cima dos critérios acadêmicos de admissão. Então existe o que se pode chamar de símbolo estatal de status coletivo... os metrôs são tão decorados como palácios... O trabalhador vai de uma luxuriante e marmórea estação subterrânea até seu apartamento sórdido de quarto único ou sua favela imunda. Para uma mente normal, uma sociedade sem classes significa igualdade política, econômica e social. Mas na URSS, o próprio princípio da igualdade é tabu: “um absurdo pequeno-burguês digno de uma seita primitiva de ascetas, mas não de uma sociedade organizada segundo princípios marxistas”. As palavras são de Stalin e ainda expressam a doutrina oficial.
Após haver visitado a Rússia, o ministro do trabalho britânico, George Bevin, tinha o seguinte a dizer: “As desigualdades, a infelicidade e a opressão simplesmente não podem ser escondidas ou ignoradas... há uma minoria burocrática que vive, inquestionavelmente, de modo bastante confortável.” Lyons acrescenta que há restaurantes de luxo nas maiores cidades que estão repletos de homens e mulheres bem vestidos, com preços que afastam automaticamente o comum dos mortais... são oásis de abundância e vanglória em um soturno deserto de necessidades.
Christian Rakowsky, um seguidor de Trotsky e inimigo de Stalin, disse: “Por meio de métodos desmoralizantes que transformam comunistas inteligentes em máquinas, destruindo a vontade, o caráter e a dignidade humana, os círculos governantes tiveram sucesso em converter-se a si mesmos em uma irremovível e inviolável oligarquia que substitui a classe e o partido.
Segundo Djilas, o desiludido comunista iugoslavo, para encontrar um sistema parecido ter-se-ia que voltar quinze séculos antes de Cristo, à época do Egito antigo: “Os comunistas não inventaram a propriedade coletiva, mas deram-lhe um caráter de total abrangência bem mais vasto que em épocas passadas, mais até que no Egito dos faraós.
Lyons conclui: “Desde os ukase de Stalin contra a ‘podre igualdade liberal’... uma nova classe tão esnobe quanto arrogante manda no galinheiro, e abaixo dela há outras classes, esperando e fazendo intrigas para obter o mesmo conforto e vantagens que inspiram os homens desde o começo dos tempos. Somente nas mais baixas profundezas, nos campos de concentração e nas regiões de exílio, entre os trabalhadores de mais baixo posto dos colcozes e obreiros não especializados, existe uma certa igualdade, sobre a qual Dostoiévski comentou por meio de um dos seus personagens do romance Os Possessos: ‘Todos são escravos e iguais em sua escravidão... Os escravos devem ser miseravelmente iguais.’
(Deirdre Manifold, Karl Marx: True or False Prophet?)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O absurdo do materialismo

“Segundo a acepção filosófica da palavra stultitia, ou seja, o oposto da sabedoria, não há nada mais tolo do que o materialismo ou o mecanicismo... Se, portanto, não houvesse um criador inteligente dirigindo o mundo, a ordem e a inteligibilidade existentes nas coisas, que a ciência nos revela, seriam o efeito de uma causa ininteligível e, além disso, nossa própria inteligência se originaria de uma causa cega e ininteligível, e de novo teríamos que dizer que o maior se origina do menor, o que é um absurdo.”
(Réginald Garrigou-Lagrange, Dieu, Son Existence et Sa Nature)