sábado, 27 de maio de 2017

A tragédia do endeusamento da história


"Aprendemos que as essências são determinadas e que os atos, os acontecimentos são contingentes. Na atualidade nos é ensinado o contrário, a saber: que a natureza humana (se é que se tolera ainda o emprego desta palavra) é fundamentalmente contingente, indeterminada, maleável, enquanto os acontecimentos são necessários e que esses nos ‘informam’, nos recriam sem cessar. Para esses pseudometafísicos tudo é obscuro no homem (seu ser, que não é definido jamais, se dissolve no econômico e no social), mas tudo é claro na história. Nós não sabemos o que somos, mas sim, sabemos para onde o tempo nos conduz. É o caminho que cria não apenas o objetivo, mas o próprio viajante... Para tal concepção não é o homem quem faz a história, é a história quem faz o homem. O tempo já não é uma tela a preencher, um instrumento oferecido ao homem para exercer sua liberdade, quer dizer, para realizar seu destino temporal e preparar seu destino eterno; não, o homem é instrumento do tempo, a matéria informe e caótica que recebe sua forma e seu fim desse demiurgo... A história, assim erigida em ato puro e em potência criadora, ressuscita em seu proveito as mais obscuras ideologias das idades bárbaras; nessa perspectiva, todos os sacrifícios humanos são permitidos e exigidos: contanto que a carruagem divina prossiga sua rota luminosa, que importam os seres obscuros triturados por suas rodas? Se, com efeito, tudo que é verdadeiro e tudo o que é o bem residem no porvir, os piores horrores do presente estão justificados: é bom tudo o que conduz a esse porvir, tudo o que se encontre conforme o ‘sentido da história'."
(Gustave Thibon, Revista Itinéraires, julho-agosto de 1956)

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quarta-feira, 24 de maio de 2017

A falha do romance brasileiro (segundo Manuel Bandeira e Nelson Ascher)


"Dentre os artigos de Nelson Ascher na Folha de S. Paulo, sempre recordo de “O grande romance brasileiro”, publicado em 11 de outubro de 2004.
Partindo de um suposto encontro com certa escritora, finlandesa ou búlgara, Ascher constrói rara, irônica reflexão sobre o nosso romance.
Meses depois do encontro, em que o articulista expôs à escritora os “esplendores de nosso vernáculo”, esta lhe escreve, pedindo-lhe não “obras historiográficas ou tratados sociológicos”, mas romances que retratassem o Brasil. Ascher envia, então, alguns livros à curiosa escritora: “Machado, Mário, Oswald, Graciliano, Guimarães Rosa e Clarice”.
Passado algum tempo, ele recebe novo e-mail: “Obrigada. Os autores que você me mandou são magníficos e, se tivessem escrito em inglês ou francês, seriam universalmente reconhecidos. Lendo-os com atenção e concentrando-me nas entrelinhas fui capaz de vislumbrar algo da especificidade de seu país. Não me entenda mal: mesmo quem não saiba nada sobre sua terra pode se deliciar com eles. Mas aí é que está o problema, pois, embora eu tenha me deliciado, nem por isso creio saber hoje mais a respeito do Brasil do que antes de lê-los”.
Coloca-se, dessa forma, o problema do romance brasileiro, a sua falha: onde estão as “narrativas que, sem prejuízo da qualidade estética, oferecem um painel amplo e razoavelmente explícito do período histórico e da sociedade em que se ambientam”?
E a escritora insiste: “Quais são os melhores romances brasileiros sobre a era Vargas, a construção de Brasília, o golpe de 64, a ditadura militar e a transição para a democracia? Onde estão as sagas que descrevem a trajetória de diversas gerações de uma família italiana, árabe, japonesa ou judia desde sua chegada a Santos no início do século 20 até os anos 90? E as histórias de ascensão e queda individual cujo pano de fundo sejam as transformações de São Paulo ou do Rio?”.
Ela também observa que não há, no Brasil, “uma única variante local notável de um subgênero tipicamente latino-americano, o romance sobre ditadores como O Outono do Patriarca, de García Márquez, ou O Senhor Presidente, de Miguel Angel Asturias”. E completa, indignada: “Impossível, afinal vocês tiveram o ditador mais interessante de todo o subcontinente: quem são Perón, Trujillo, Pinochet e Castro comparados a Getúlio?”.
A resposta de Ascher expõe, com ironia, uma das nossas fissuras culturais: “O dr. Samuel Johnson disse certa vez a um jovem autor que seu manuscrito era bom e original, mas a parte boa não era original e a parte original não era boa. Pois bem: o Brasil produziu ficção boa e realista, mas a ficção boa não é especialmente realista e a ficção realista…”.
Nelson Ascher, que é poeta, tradutor e ensaísta, reflete um pouco mais sobre a questão e faz interessantes suposições sobre os motivos dessas lacunas: “[…] Talvez o país seja demasiadamente extenso e incompreensível, talvez o material necessário para estudá-lo nem sempre estivesse à mão, talvez os autores se sentissem intimidados pelos mestres europeus e norte-americanos ou se dirigissem a um público que, além de reduzido, conhecia o contexto tão bem quanto eles, talvez achassem o país maçante, repetitivo, imutável”.
O artigo não se esgota aí — e, tenham certeza, é muito mais perspicaz do que o injusto resumo que tentei construir.
Fantasia e imaginação no romance brasileiro
Hoje, passados quase dez anos, o que poderíamos responder às justas cobranças da personagem de Nelson Ascher? É o que me pergunto desde que li e guardei o artigo. E até hoje só penso num autor que talvez pudesse satisfazer a insistente escritora: Érico Veríssimo — e seu O tempo e o Vento.
Mas, como em tantos outros casos, a exceção confirma a regra. Uma só obra é muito pouco para a literatura que tem mais de três séculos.
À parte os nomes que, porventura, estejam me escapando, a pergunta central ainda não tem resposta: que outras razões poderiam existir, além das sugeridas por Ascher, para nossos escritores não produzirem o grande romance brasileiro?
Sete décadas antes desse artigo, Manuel Bandeira, numa crônica publicada no Estado de Minas, no dia 9 de setembro de 1933, tratou do mesmo problema.
Bandeira diferencia “imaginação” de “fantasia”, citando o filólogo e crítico literário João Ribeiro, para quem a “pura imaginação” é “aptidão a reproduzir no espírito as sensações, na ausência das causas exteriores que as provocaram”, enquanto define “fantasia” como a “capacidade de organizar as imagens na unidade de uma obra”.
Sobraria imaginação aos romancistas brasileiros, segundo Bandeira. E eles teriam lá o seu tanto de fantasia, suficiente para “representar uma vida, algumas vidas”. Mas o poeta completa: “Desde, porém, que elas são numerosas e as relações se multiplicam e complicam, falta-nos a força do contraponto para compô-las, e nem mesmo se tentará a obra”.
Nossos bons romancistas, salienta Bandeira, apresentam mais “as qualidades de observação e crítica, de introspecção ou de construção e estilo”, mas com um “trabalho da imaginação pouco sensível”.
Bandeira esclarece: “Sem dúvida, os brasileiros somos bem imaginosos. Mas falta-nos a aptidão de combinar tanta abundância de imagens e, sobretudo, de as exteriorizar artisticamente num entrecho que nos dê a ilusão da vida em toda a sua rica versatilidade”.
Manuel Bandeira, contudo, também não tem certeza sobre os motivos desse defeito, ainda que aposte em alguns: “Será por falha fundamental da capacidade criadora ou simples vício de composição, falta de aplicação ou ausência de estímulo?”.
De minha parte, descarto uma “falha fundamental da capacidade criadora”, pois isso seria nos condenar a um atavismo próprio dos piores naturalistas. Aposto mais no “vício de composição” e na “falta de aplicação” — problemas, aliás, que o minimalismo das últimas décadas só acentuou, desculpando a lacuna com justificativas pretensamente estéticas.
Os questionamentos da escritora de Nelson Ascher talvez tenham sido parcialmente respondidos por Manuel Bandeira. Mas as insistentes cobranças dessa “finlandesa ou búlgara” continuam de pé: onde estão os nossos romances “espessos, cerrados, florestais”? “Não há nenhum”, responde Bandeira, “ainda que péssimo”."

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domingo, 21 de maio de 2017

A ideologia de gênero a serviço do mal e do dinheiro


“Muitos se perguntaram por que todos os grandes meios de comunicação e os principais partidos políticos do Ocidente promovem a ideologia de gênero, o chamado “matrimônio igualitário” entre gays, lésbicas, transexuais e as adoções de crianças por parte deles e a educação sexual nas escolas; em suma, a instituição da contranatureza.
Buscaram informação mas nem sempre encontraram a necessária para ter uma resposta objetiva e exata.
Para satisfazer dita necessidade, publicamos informação empírica veraz, assinalando que por trás da promoção e legalização da aberração abominável que objetivam ditas idéias há duas forças poderosas:
1) A ideologia de Gênero que busca atacar, modificar e substituir todos os parâmetros antropológicos nos quais se baseia a sociedade humana desde seus inícios; sustenta-se em idéias e práticas de intelectuais como Marcuse, Adorno e outros, integrantes da Escola de Frankfurt, o pansexualismo freudiano e a revolução sexual de Wilhelm Reich. Todos confessos destruidores da adoração à Santíssima Trindade.
2) Os grandes interesses econômico-financeiros que são beneficiados por:
a. Mecanismo de inseminação artificial. De acordo com os dados fornecidos pelo instituto líder em negócios, Research and Markets, esta indústria gerou aproximadamente 9,3 milhares de milhões de dólares em 2012 e, em 2020, poderá chegar a angariar 21,6 mil milhões.
b. Operações de mudança de sexo. Segundo a agência de notícias Reuters, pelo menos 25.000 pessoas mudam de sexo todo ano na Europa e o número está crescendo em todos os países do Ocidente.
Segundo diversas fontes, a intervenção cirúrgica de modificação de “sexo” faturaria anualmente no mundo um pouco mais de 557 milhões de dólares, sem contar o custo dos tratamentos hormonais e as drogas antes e depois da operação.
c. Anticoncepcionais: Research and Markets nos informou que as receitas da dita indústria foram de 15,5 mil milhões de dólares em 2010 e, mui provavelmente, em 2017 os ganhos chegariam a 19,2 mil milhões de dólares.
d. Pornografia: É difícil encontrar estatísticas precisas na indústria da pornografia por como e onde opera, mas segundo numerosas fontes, tais como a NBC, o negócio da pornografia no mundo havia faturado 97 mil milhões de dólares em 2006 e as estimativas para o ano de 2010 registraram 145 mil milhões de dólares. E os cálculos probabilísticos mais razoáveis dizem que no presente ano – 2015 – o capital gerado por dita indústria estaria próximo dos 200 mil milhões de dólares.
Então, tendo em vista tais números, pode-se compreender por que os diretórios de 379 empresas multinacionais escreveram à Corte Suprema dos Estados Unidos para que a mesma aprovasse a legalização da aberração intitulada “matrimônio homossexual”.
Também os dados empíricos demonstram a razão da desconstrução em geral da ordem natural em todo o Ocidente.”

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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Olavo de Carvalho: Contradições do laicismo


“A moral laica do mundo burguês reconhece e até proclama com orgulho “científico” sua própria relatividade, em teoria. Mas nenhuma ordem social pode contentar-se com uma obediência relativa, que desembocaria fatalmente no conflito geral e no caos. Daí a distinção prática, tipicamente moderna e burguesa, entre moral privada e ordem pública. A primeira pode multiplicar-se em variações infinitas, desde que não perturbe a segunda. É a informalidade da escolha moral, limitada pela formalidade estrita da ordenação jurídica.
Esse arranjo de ocasião disseminou-se tão universalmente que adquiriu foros de sabedoria eterna e imagem por excelência da “normalidade”, ao ponto de que já ninguém percebe o que ele tem de instável e problemático; e, não o percebendo, tem de improvisar hipóteses rebuscadas para explicar por uma sucessão imaginária de acidentes as crises e percalços que um exame sério deveria ter revelado à primeira vista como desenvolvimentos lógicos e inevitáveis de contradições iniciais não conscientizadas em tempo.
De um lado, aquela distinção constitutiva do Estado laico foi estabelecida como ato de uma minoria revolucionária contra um consenso anterior fundado na homogeneidade moral da sociedade cristã. Uma vez vitorioso, o Estado laico passa a corroer necessariamente o que possa restar dessa homogeneidade, que para ele representa a origem mesma de toda obstinação “reacionária” erguida contra sua obra modernizante. Dissolvida pouco a pouco a unidade moral do povo, a única maneira de evitar a autodestruição da sociedade pelo caos é transferir para a esfera jurídica os mecanismos reguladores antes operados pelo simples automatismo das tradições arraigadas no senso comum. O que era obediência espontânea torna-se assim controle estatal forçado. Na proporção mesma do sucesso obtido pelo Estado leigo em seu esforço de “modernização”, o número, a complexidade e a abrangência dos controles jurídico-burocrático-policiais vão crescendo, avançando para dentro de todos os campos da existência social e invadindo por fim a vida privada e até a intimidade dos pensamentos, regulando a linguagem, a educação doméstica, etc. Tão logo deixa de ser uma promessa e se torna uma realidade, aquilo que surgiu sob o pretexto de resguardar a liberdade individual revela ser um mecanismo opressivo incomparavelmente mais exigente do que a velha autoridade religiosa jamais teria sonhado ser.
A essa primeira contradição soma-se outra pior. Não é possível controlar a sociedade sem regulamentar a economia. À medida que os controles morais embutidos na cultura do velho regime cedem sua autoridade ao aparato judicial, burocrático e policial, amplia-se na mesma medida a intervenção do Estado na economia. O estatismo econômico indefinidamente expansionista é inerente, portanto, à dialética do Estado leigo. Mas este não se impôs justamente mediante a promessa de resguardar a liberdade econômica? Sim. O que não se deve é confundir as intenções declaradas do discurso ideológico com a fórmula política substantiva cuja implantação elas legitimam. A contradição pode escapar até mesmo aos mais sinceros propugnadores da nova política, mas, que ela existe, existe. O moderno Estado leigo pode, com a maior sinceridade do mundo, prometer a liberdade econômica – o que ele não pode é realizá-la, a não ser de maneira capenga, permanentemente ameaçada pelo avanço da mentalidade socialista, que a expansão mesma do laicismo oficial fomenta.
Não é coincidência que o país que defendeu com mais eficácia a liberdade econômica tenha sido justamente aquele que só adotou o laicismo como mecanismo secundário de autocontrole do próprio Estado, sem a ambição de fazer dele um princípio regente de toda a vida social e política, antes conservando vivo e embutindo em suas instituições o máximo que podia das antigas tradições religiosas. Muito menos é coincidência que, hoje em dia, aqueles que desejam radicalizar o princípio laicista, expelindo a religião da vida pública, não sejam de maneira alguma amigos da liberdade econômica, mas todos, em mais ou em menos, adeptos do intervencionismo estatal – socialistas confessos ou enrustidos.”

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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Jeffrey Nyquist: A violação da linguagem


“Em sua obra 'A Quarta Teoria Política', Alexander Dugin diz algumas coisas profundas, que precisam ser conhecidas (mesmo por alguém que se opõe a sua convocação pela destruição dos EUA). “Na política pós-antropológica”, ele escreve, “tudo é invertido: lazer e trabalho (a ocupação mais séria, verdadeiro trabalho, é assistir televisão), conhecimento e ignorância... Os papéis tradicionais macho e fêmea estão invertidos. Ao invés de serem anciãos estimados e experientes, os políticos são escolhidos por sua juventude, glamour, aparência e inexperiência. Vítimas se tornam criminosos e vice versa...”
Dugin vê corretamente que um tipo de inversão tem acontecido. E esta inversão é fundamental. É um sintoma de enorme transformação dentro da alma. A humanidade, como era, tinha dois polos. E estes polos estão sendo desorganizados, negados e invertidos. Tão estranho como possa parecer, ao escrever sobre o equilíbrio de poder entre os dois grandes atores bipolares (Rússia e América), estamos agora acostumados a negar a bipolaridade que simplesmente promete o inverso da mesma polaridade. Isto pode ter a ver com neurose em massa e a negação da morte, ou é o resultado de algum processo alquímico sinistro.
Na semana passada a Suprema Corte dos EUA validou o casamento gay como direito a nível nacional. Deixando de lado o nonsense que perpassa o debate em ambos os lados desta questão, a coisa mais perturbadora é que o casamento é agora definido sem considerar o masculino e o feminino. De acordo com os ensinamentos da maioria das tradições espirituais, gênero é um princípio universal que tem a ver com regeneração. Apenas a união de masculino e feminino tem significado regenerativo. O juiz Kennedy rejeitou esta ideia quando escreveu: “Na formação de uma união matrimonial, duas pessoas tornam-se algo maior do que foram certa vez. Como alguns requerentes nestes casos demonstraram, o casamento personifica um amor que pode resistir até mesmo além da morte. Seria interpretar mal estes homens e mulheres dizer que eles desrespeitam o casamento. Seu apelo é que de fato o respeitam, respeitam tão profundamente que buscam encontrar sua realização para eles próprios”.
Mas meritíssimo juiz Kennedy, a realização do casamento se efetiva em crianças. E tal como o juiz Roberts, que argumentou que a decisão da Corte era um curto-circuito no processo democrático, receio que mesmo que a maioria vote a favor do casamento gay isto não tornará possível que homens produzam descendência sem mulheres. Tudo o que tais decisões ou votos podem fazer é eliminar a definição prévia da palavra “casamento”, que o dicionário de meu avô, o Webster's International Dictionary de 1943, define assim:
casamento, n.1 Estado de estar casado, ou estar unido a uma pessoa do sexo oposto como marido ou esposa; também a relação mútua entre marido e esposa; abstratamente, a instituição pela qual homens e mulheres são unidos num tipo especial de dependência legal, para o propósito de fundar e manter uma família”.
Como você pode ver, a Suprema Corte violou a língua inglesa, isto é, a Corte assumiu um poder que nenhuma autoridade governamental pode, com prudência, assumir. É o poder mais arbitrário imaginável; pois a Suprema Corte pode agora dizer que “em cima” é “embaixo”, e que “preto” é “branco”. Não podemos dizer o que tal Corte fará a seguir, pois agora é certo que nenhuma propriedade está segura, nenhum contrato está protegido. Qualquer coisa pode acontecer. Não somos mais governados por leis, pois leis são feitas de palavras e agora, a partir deste momento, as palavras são feitas de nada, não possuindo significado intrínseco. São apenas sons, com significados que podem ser atribuídos e reatribuídos politicamente. Foi isto que nossa Suprema Corte fez, e ao fazê-lo, transformou toda a lei em algaravia. E isto, sustento, é a coisa mais perigosa de todas. Não é apenas o casamento que tem sido debilitado. É o estado, a Constituição, a língua inglesa e a sensatez pública. Esta, na verdade, é a mesma prática que aparece na neutralização de nosso poder militar e econômico. É um sintoma de uma dissolução interna, um colapso do instinto e um declínio na anarquia. O que tenho escrito estes muitos anos nunca foi primariamente a respeito da ameaça de Rússia ou China. Meus textos têm sido a respeito da progressiva falsificação da realidade, autoengano nacional e corrupção que servem ao nosso declínio social. Simplesmente selecionei os elementos mais claramente suicidas em nosso autoengano nacional como temas principais. A mesma linguagem distorcida que usamos para referirmo-nos a inimigos como “parceiros” é aqui replicada em nosso uso do termo “casamento homossexual”.
Os inimigos da América podem ver isto. Eles o revelam, apesar de suas sociedades estarem repletas de perversão. Os russos foram os primeiros a serem vitimizados por líderes insanos. Lênin e Stalin foram psicopatas que modelaram o estado russo de acordo com seu próprio distúrbio mental. Porém, os americanos nunca foram governados por Lênin ou Stalin. Então, qual a nossa desculpa? Como chegamos a algo que é pior que o leninismo ou o stalinismo? Pois a maldade de ditadores é algo que podemos relatar. É uma velha história, remontando aos césares. Mas um mal que inverte a realidade, que viola a linguagem e falsifica conceitos fundamentais, não é um mal que possa ser entendido da mesma maneira. Trata-se uma perversão espiritual que nos conduz às portas do oculto; a algo não visto, a algo conectado com as artes sombrias.
No dia da decisão fatídica o juiz Scalia observou: “O que realmente surpreende é a arrogância do golpe judicial de hoje. Estes juízes sabem que limitar o casamento a um homem e uma mulher é contrário à razão; eles sabem que uma instituição tão antiga como o próprio governo, e aceita por cada nação na história até quinze anos atrás, não pode ser apoiada por outra coisa a não ser ignorância e intolerância. E eles estão querendo dizer que cada cidadão que não concorda com isso, que adere ao que era, até quinze anos atrás, o juízo unânime de todas as gerações e todas as sociedades, fica contra a Constituição”.
Este novo conhecimento, que ataca o dicionário inglês, que ataca o próprio fundamento da legalidade, significa a destruição de toda lei. A Suprema Corte dos EUA cometeu um ato de desconsideração, de desagregação, de autoeliminação. Esta decisão não diz respeito realmente à questão da tolerância e intolerância a determinada minoria. Esta questão apenas nominalmente diz respeito a homossexuais. Na verdade, a comunidade gay tem sido usada como um joguete político para realizar um tipo de alquimia sinistra. Agora, a partir deste ponto, qualquer violência poderá ser cometida contra qualquer um. Cada uma das várias causas pode ser ativada contra as outras; pois que reservas tem a lei agora? Que reverência? Que credibilidade? Perdeu o senso de suas próprias palavras, decaindo em insanidade por si.
Não pode haver justiça quando as palavras são usadas em sentido perverso. Quando os significados podem ser invertidos e o mundo virado de ponta cabeça. Nenhuma ideologia pode transformar uma mentira em verdade. Nenhuma alegação especial vai abalar o eixo da terra. As Leis Universais prevalecem. O niilista que nega esta lei é o arauto de sua própria destruição. A sociedade que saúda este niilista, que o eleva à Suprema Corte, que elege congressistas e presidentes deste tipo, não pode ser salva.”

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sexta-feira, 12 de maio de 2017

A ingratidão


“A ingratidão é o atestado de óbito da amizade por lesão gravíssima, seja qual for o grau de intencionalidade com que é levada a cabo: da fraqueza moral chamada comumente de “covardia” à cegueira da mente pura e simples — por cujo intermédio os benefícios recebidos vão esmaecendo, vão desaparecendo de maneira culpável da consciência do ingrato. Para este, o esquecimento mais ou menos voluntário dos bens com os quais foi aquinhoado serve de ferramenta para as mais sofisticadas autojustificativas, maligna indulgência relativa ao seu imoral proceder. Trata-se de muletas psíquicas pelas quais uma pessoa tenta desculpar-se a si própria e acaba por inculpar a quem lhe fez o bem. Como se pode adivinhar, o fim da carreira do ingrato é se transformar num mau-caráter de estrita observância.
À luz do que se disse acima, é importante prestar atenção a um detalhe: não é que o ingrato deixe de enxergar os benefícios auferidos nalgum momento de sua relação com um amigo, mas tende a minimizá-los acalentando a imagem de que ou não eram tão excelentes, ou de alguma maneira já estavam devidamente retribuídos. Esta radical incapacidade de ajuizar objetivamente os bens permutados numa amizade faz da ingratidão um pecado contra a ordem da justiça, ars boni et aequi. Na prática, o ingrato tende a desespiritualizar a amizade e sucumbe a diferentes tipos de materialismo, em geral camuflados. A propósito, não nos custa lembrar que Judas Iscariotes, o ingrato-mor, era administrador da bolsa comum dos apóstolos.
O ingrato não emerge do nada, nem surge por partenogênese. No Brasil contemporâneo — no qual a ingratidão é multitudinária —, não me parece ocioso lembrar que ninguém dorme São João e acorda Brutus: o ingrato começa a se desencaminhar a partir de mecanismos sutis que, aos poucos, o levam a perder o senso de proporções, a enfraquecer a capacidade de aquilatar a hierarquia de bens e males que há na realidade. O nutriente básico desta sua atitude desagradecida é um secreto complexo de inferioridade moral, permeado da conseqüente sensação errônea de ser injustiçado porque imagina dar mais do que recebe. Como se vê, o ingrato é péssimo psicólogo e instintivamente propenso a se aproximar dos medíocres. Propenso a tornar-se medíocre. Um escolástico diria que o pecado capital da acídia o fez recusar a excelência.
Outra nota distintiva do caráter do ingrato é a eriçada susceptibilidade, capaz de fazê-lo, por exemplo, jogar fora uma amizade por circunstâncias provenientes das mazelas humanas. Em síntese, ele é implacável nas miudezas e relapso nas coisas mais importantes; não por outro motivo, uma palavra dita em qualquer contexto um pouco mais tenso pode fazer esta criatura gelatinosa sentir-se mortalmente atingida, razão pela qual quem lida com gente assim não pode esquecer as luvas de pelica para o trato habitual. Ora, em vista desta invencível prontidão para se ofender, compreende-se porque o ingrato é, o mais das vezes, vingativo. Ou melhor, é o vingador das ofensas imaginárias ou superdimensionadas que o desequilibram, e este seu obscuro universo onírico é o samsara do qual não consegue se livrar. Não exageraria quem dissesse o seguinte: o ingrato tem morte psíquica ao apaixonar-se pela própria dor.
Vale ainda dizer que o arrependimento não é algo normalmente observável nas pessoas ingratas. Por quê? Bem, a explicação é simples: arrepender-se, e por conseguinte pedir perdão, implicaria extirpar os mecanismos de autovitimização com os quais o ingrato alimenta a sua alma. Seria, literalmente, curar-se. Ocorre que o vetor moral do ingrato é no sentido do remorso, realidade psíquica distinta — em gênero — do arrependimento. Em breves palavras, digamos que ao remordido de consciência falta a coragem de ir às causas do seu dramático estado; ele se condói porque os efeitos de alguma maneira o atingem. Por sua vez, o arrependido abre os olhos para as causas e busca removê-las, suportando com grande dificuldade a dor de contemplá-las. A dor de um mata; a dor de outro cura.
É atribuída a Alexandre Dumas a seguinte frase: “Grandes favores só podem ser pagos com a ingratidão”. Ela reflete, de maneira perfeita, o complexo de inferioridade moral que carcome a alma do ingrato, ao qual se fez alusão acima.
Não recorramos a circunlóquios e encerremos este breve texto sem dar margem a dúvidas de nenhum tipo: o ingrato é, sim, covarde, e a sua covardia é uma picada de escorpião.”

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terça-feira, 9 de maio de 2017

O coquetel infernal do liberalismo

“Desde o princípio, a Revolução se fez venenosa, mas com arte, com habilidade, ela recorda e ultrapassa as maquinações de Agripina e Locusta.
Vamos um instante à Roma pagã: Locusta é uma famosa envenenadora dos tempos dos Césares. Ela primeiro deve assassinar o imperador Cláudio por ordem de Agripina. Ela é chamada ao conselho; pedem-lhe que ponha engenho em sua destreza. Um veneno demasiado rápido poria de manifesto o assassinato de Cláudio; um veneno demasiado lento lhe daria tempo de reconhecer e restabelecer os direitos de Britânico, seu filho. Locusta compreende, e encontra o que procura em um veneno que transformará a razão e extinguirá lentamente a vida. Um eunuco faz com que o desventurado César tome o veneno em um cogumelo, o qual saboreia deliciado: Morre embrutecido!
Um ano depois, Locusta livra Nero de Britânico, que o perturbava. Desta vez, ele não pede um veneno lento, tímido, secreto, como o que fez com tanto refinamento para Cláudio; mas um veneno ativo, rápido, fulminante. Britânico cai morto na mesa imperial.
Locusta teve alunos, Nero lhe permitiu formar seus discípulos em uma escola de envenenamento. A história, com efeito, e a pintura, a representam provando seus venenos em escravos desgraçados, uns retorcendo-se a seus pés, e outros tornando-se loucos.
Regressemos a nossa época.
Quem teria podido pensar que Locusta seria ultrapassada? A Revolução se encarregou deste sinistro progresso.
Com efeito, desde o aparecimento do cristianismo no mundo, tudo tomou uma forma mais elevada, mais espiritualizada, inclusive o mal, inclusive o envenenamento. Envenenam-se os espíritos e a moral como antes se envenenava o corpo: com engenho! Não dizemos nos séculos cristãos, o veneno da heresia, o veneno do erro? A sombra de Locusta sem dúvida já rondava os conciliábulos do maniqueísmo, do arianismo, do calvinismo, do voltairenismo: mas em 1789 a Revolução, inspirando-se na envenenadora e ávida de ultrapassá-la, imaginará na ordem intelectual e social um veneno que transtornará a razão e extinguirá lentamente a vida nos povos cristãos: que é o que ela imaginou?
O liberalismo.
Com efeito, para chegar a transtornar a razão em um povo como o da França e chegar a extinguir lentamente sua vida, é necessária uma beberagem que seja ao mesmo tempo veneno, poção e narcótico:
- o veneno mata;
- a poção embriaga;
- o narcótico adormece.
Trata-se de matar nela as idéias cristãs; ao mesmo tempo embriagar as almas generosas; e ao mesmo tempo adormecer a gente honesta: tudo isso, ao mesmo tempo. O liberalismo será esta mistura hábil, esta terrível beberagem. Se ele é decomposto, encontramos ali os três elementos, veneno, poção e narcótico.
- O veneno primeiro: assim como encontramos, nos campos, plantas venenosas, encontramos também, na ordem intelectual, más doutrinas, opiniões perniciosas. Pode-se dizer que a Igreja sempre as tem extirpado, mas elas reaparecem com a facilidade e a tenacidade das ervas más: por exemplo, a negação do pecado original, também a onipotência da razão à qual tudo se deve submeter, a suficiência das forças sociais para conduzir os povos. Produções venenosas de todos os séculos, o filosofismo do século XVIII as fez ressurgir e as propagou. A Revolução só terá que agachar-se para recolhê-las. Elas formarão o primeiro elemento de sua terrível beberagem.
- Além do veneno, a poção: Há, no tesouro das línguas humanas, palavras que têm o poder de arrebatar, de embriagar, de apaixonar, estas são: as palavras mágicas de liberdade, de fraternidade, de igualdade. O Evangelho, havendo purificado estas palavras, as explicou e, pondo-lhes um fermento divino, as ampliou tanto que elas expressaram idéias novas. Durante muito tempo permaneceram apegadas ao Evangelho, penetraram e trabalharam o mundo de uma maneira tão segura e saudável como eram doces, ponderadas, respeitosas. Mas eis que no século XVIII o filosofismo se apoderou destas palavras. Imediatamente perderam seu fermento divino e se tornaram poção. A Assembléia Nacional, na célebre noite de 4 de agosto de 1789, que será uma embriaguez sem precedentes na história dos povos, experimentará esta poção. Entram então como segundo elemento na beberagem encantadora e funesta que prepara a Revolução.
- O narcótico, finalmente, encontra-se como o terceiro elemento. Entre todos os sentimentos dos quais o coração do homem foi dotado, há um que se distingue por sua grande nobreza quando a verdade é seu guia, mas que se torna um perigo extremo quando se inspira só em si mesmo: é o sentimento de tolerância, de indulgência. Com efeito, quando ela toma por guia a verdade, a tolerância se traduz em compaixão pela pessoa, reprovação do erro; tal é a expressão da tolerância católica. Pelo contrário, quando só se inspira em si mesma, a tolerância, extraviando-se na brandura das crenças ou em uma sensibilidade falsa e exagerada, torna-se indulgência pelos erros tanto quanto pelas pessoas, e desculpa tudo sem consideração: atos de debilidade e doutrinas culpáveis.
A Igreja sempre uniu cuidadosamente este sentimento à verdade. O filosofismo do século XVIII o separa. É então que na sociedade tomam a forma de máximas como estas:
“A tolerância é a mãe da paz” - “Só a tolerância pôde conter o sangue que jorrava de um lado a outro da Europa” - “Se Deus quisesse, todos os homens teriam a mesma religião, assim como têm o mesmo instinto moral. Sejamos então tolerantes”. Este sistema de tolerância alentado e propagado será o ópio, o narcótico de que necessita a Revolução. Ela se servirá dele para adormecer todas as querelas religiosas e inclusive, se fosse possível, as próprias religiões. Uma multidão de gente honesta, de gente boa, não pedirá mais que letargiar-se, dormitar e permanecer neutra, apesar da severidade da teologia. Terceiro elemento da beberagem revolucionária!
E assim:
- Onipotência da razão como tribunal ao qual tudo deve se submeter; suficiência das forças humanas para fazer seu caminho, e suficiência das forças sociais para conduzir os povos (veneno).
- Grandes palavras de liberdade, igualdade e fraternidade (poção).
- Sentimento de tolerância recíproco não somente para as pessoas, mas para as doutrinas (narcótico).
Esta é a pérfida beberagem que, como nos tempos de Locusta, deve transtornar a razão e extinguir lentamente a vida. Uns serão embriagados, outros adormecidos, e outros em grande número serão mortos no decorrer do tempo. Esta mistura receberá, mais tarde, seu nome característico: o liberalismo.”
(Joseph Lémann, Les Juifs dans la Révolution Française)

sábado, 6 de maio de 2017

Google redefine o fascismo como movimento “de direita”


“Google, o mecanismo de busca mais popular do mundo, mudou a definição da palavra "fascismo" a fim de proteger as multidões esquerdistas que usam de violência para silenciar aqueles que discordam politicamente delas? A evidência sugere que sim.
Você vê isso em cartazes em cada protesto ou manifestação – os esquerdistas acusam o presidente Donald Trump de ser um fascista. A associação da palavra com Adolf Hitler e seu uso agora não é acidental, serve para instigar o medo da tirania nos corações das pessoas.
O dicionário Merriam-Webster define a palavra “fascismo” como “uma filosofia política, movimento, ou regime (como dos Fascisti) que exalta nação e muitas vezes raça acima do indivíduo e que representa um governo autocrático centralizado liderado por um líder ditatorial, severa arregimentação econômica e social e supressão forçada da oposição". A definição secundária é "uma tendência ou exercício real de forte controle autocrático ou ditatorial".
Essa definição reflete o fato de que os nazistas eram, de fato, tanto fascistas como da esquerda política. Eles eram o "Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães", que favoreceu um governo pesado nos negócios e na vida pessoal de seus cidadãos.
O governo autoritário da Alemanha nazista não só oprimiu opiniões políticas opostas e usou a violência para se impor, como apoiou um poderoso governo central que prodigalizou benefícios sociais para seus cidadãos. A segunda parte do nazismo é a parte "socialista", que é muito semelhante ao que a esquerda política americana moderna defende. Apesar de toda vociferação deles em contrário, Hitler era um homem de extrema-esquerda, assim como Benito Mussolini, parceiro fascista e membro do Eixo.
Mas se você digitar a palavra no Google, a definição que fornecem é bastante diferente.
O maior motor de busca do mundo põe o fascismo na direita política, não na esquerda.
Google define o fascismo como “um sistema de governo e organização social autoritário e nacionalista de direita.” (Grifo nosso)
A definição secundária é "(em uso geral) extrema-direita, autoritário, ou pontos de vista e prática intolerantes".
Essa é uma notável diferença de como a palavra foi definida por décadas.
Os conservadores políticos defendem um governo pequeno e menos intrusivo, onde o poder recai sobre os Estados e indivíduos e o governo federal vive dentro de suas restrições constitucionais. Os esquerdistas progressistas defendem exatamente o oposto: um poderoso governo central com autoridade confiada a um líder forte que tem a capacidade de impor decretos de Washington sobre tudo, desde cuidados de saúde à educação.
Google curiosamente acrescenta "direita" à sua definição e omite a parte da "severa arregimentação econômica e social e supressão forçada da oposição".
Pela definição tradicional do dicionário Merriam-Webster de "severa arregimentação econômica e social e supressão forçada da oposição", as multidões violentas que protestam e provocam tumultos contra as ações do Presidente Trump são as que se envolvem em táticas fascistas.
A razão exata por que o Google mudou a definição de fascismo para refletir sobre a direita política ao invés da esquerda é desconhecida. No entanto, o co-fundador do Google, Sergey Brin, um dos homens mais ricos do mundo, tem sido um crítico implacável do presidente Trump e é um ativista de esquerda que protestou contra a ordem executiva do presidente sobre imigração.
Muitos membros da mídia convencional adotaram, sem questionar, o novo significado do Google sem explicar por quê, deixando sua platéia com a impressão de que discurso ou defesa de interesse contra a ortodoxia esquerdista é fascista quando, por definição, não é.”
(Derek Hunter, Google Redefines The Word ‘Fascism’ To Smear Conservatives, Protect Liberal Rioters)

Original em: http://dailycaller.com

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Santo Agostinho: Na oração exercita-se a nossa vontade

“Por que havemos de nos perder em tantas considerações, procurando saber como devemos orar e temendo que as nossas orações não sejam como devem ser? Digamos antes com o salmo: Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para gozar da suavidade do Senhor e contemplar o seu santuário. Nesta morada não se sucedem os dias um após outro, nem o início de um dia assinala o fim do outro dia; ali todos os dias estão simultaneamente presentes e não têm fim, porque também a vida ali não tem fim.
Para conseguir esta vida bem-aventurada, a própria Vida verdadeira nos ensinou a orar; mas não nos ensinou que devíamos pronunciar muitas palavras, como se fôssemos tanto mais facilmente atendidos quanto mais loquazes nos mostrássemos, porque na oração, como diz o próprio Senhor, dirigimo-nos Àquele que sabe perfeitamente o que nos é necessário, mesmo antes de Lho pedirmos.
Pode parecer estranho que nos exorte a orar Aquele que sabe perfeitamente o que nos é necessário ainda antes de Lho pedirmos. Devemos compreender, porém, que Deus Nosso Senhor não pretende que Lhe demos a conhecer os nossos desejos, que aliás não Lhe podem ser ocultos, mas que exercitemos a nossa vontade, para nos tornarmos capazes de receber o que Ele está disposto a dar-nos. Os seus dons são muito grandes e a nossa capacidade de receber é pequena e muito limitada. Por isso nos é dito: Dilatai o vosso coração; não vos sujeiteis ao mesmo jugo dos infiéis.
Quanto mais fielmente acreditarmos, mais firmemente esperarmos e mais ardentemente desejarmos este dom, mais capazes seremos de o receber... Assim, portanto, havemos de orar, na fé, esperança e caridade, exercitando continuamente a nossa vontade... Quanto mais ardente for o afeto, tanto maior será o efeito. Por isso, quando diz o Apóstolo: Orai sem cessar, que outra coisa quer ele dizer senão que devemos desejar incessantemente a vida bem-aventurada, que só pode ser a vida eterna, pedindo-a Àquele que é o único que a pode dar?”
(Santo Agostinho, Epístola 130)

domingo, 30 de abril de 2017

Um ex-maçom explica detalhadamente a relação entre o demônio e a maçonaria

“MADRI, 04 Mai. 15/07:14 pm (ACI)- Serge Abad-Gallardo foi membro da maçonaria durante mais de 25 anos, chegou a ser mestre de 14º grau. Depois de uma peregrinação ao Santuário de Lourdes tudo mudou e começou seu caminho de conversão, que logo o levou a escrever um livro. Na entrevista ao grupo ACI ele explica também a relação que existe entre o demônio e a organização.
“Fiz parte da maçonaria e pensei que tinha que escrevê-lo primeiro para me entender mais e depois para contar às pessoas. Cada pessoa tem a liberdade para fazer o que ela quiser, mas na maçonaria não se fala francamente”, relata o autor do livro “Por que deixei de ser maçom”, editado apenas em espanhol.
“Através do meu livro quero demonstrar que o catolicismo e a maçonaria não podem ser praticados juntos”, explica o ex-maçom.
Serge é arquiteto e entrou na loja maçônica através de um amigo, tentando encontrar nela as respostas às perguntas mais profundas do homem.
“Eu não pensava deixar a maçonaria. Tive alguns problemas sérios na minha vida e me perguntava qual a resposta que a maçonaria poderia me dar a esses problemas, porém não encontrei nenhuma resposta. Entretanto no caminho com Cristo sim as encontrei”, afirmou.
Abad-Gallardo contou que o caminho para deixar a Maçonaria foi difícil: “durante um ano ou ano e meio estava convencido que tinha encontrado a fé e não sabia se deveria permanecer na maçonaria, esse podia ser um lugar onde falaria aos maçons do Evangelho. Mas conversando com um sacerdote, ele me explicou que não adianta tentar falar-lhes da Palavra de Deus, porque eles não estavam dispostos a escutar”.
Após os repetidos comentários anticlericais de vários altos graus da Maçonaria, Serge não podia ficar calado e defendia a Igreja. Além das críticas à Igreja e ao Papa descobriu que no ritual do início do ano maçônico "se dava glória a Lúcifer". “Eles não dizem que se trata do diabo, mas usam a etimologia da palavra e dizem que é ‘o portador de luz’”, explica o espanhol ao grupo ACI.
Algo parecido também ocorreu quando viu que entre os altos graus da maçonaria elogiam a serpente do livro do Gênesis, a mesma que tentou Adão e Eva a cometerem o pecado original. “Dizem que a serpente trouxe a luz e o conhecimento que Deus não queria conceder ao homem. Isto é uma perversão muito grave”, declara.
Conforme afirma Serge: “entre a maçonaria e o demônio há uma relação, mas não é tão direta. A maioria dos maçons não percebem a influência do demônio nos rituais maçônicos. Eles pensam, com a melhor das intenções, que estão trabalhando pela 'Felicidade da Humanidade' ou pelo 'Progresso da Humanidade', isto é, “não existe um culto abertamente ao diabo, mas elogiam com palavras e devemos perceber o quanto é perigoso para um católico estar dentro de uma sociedade assim”.
O ex-maçom relata: "embora poucos maçons saibam claramente da relação que a maçonaria tem com o demônio, cumprem estes ritos sabendo perfeitamente o que estão fazendo. Mas, segundo minha experiência, a maioria deles não percebem", "não devemos esquecer que o demônio é o 'pai da mentira'".
Conforme explica, esta relação indireta com o demônio se manifesta de muitas maneiras, mas todas confluem em afastar as pessoas que entram na maçonaria da fé e especialmente da Igreja Católica. "A maçonaria tenta convencer que a fé e a Igreja são superstições e obscurantismo", recordou Serge.
Nesse sentido Serge Abad-Gallardo também explica: "o ritual maçônico influi na mente, no subconsciente e na alma das pessoas. O maçom olha para os símbolos e os rituais maçônicos como se fossem verdades profundas e esotéricas".
Apesar de que "na maçonaria não existam ritos diretamente satânicos, estas cerimônias constituem uma porta de entrada para o demônio".
Uma das palavras secretas e sagradas dos mestres maçons, conforme explica Serge, é “Tubalcain”, traduzida como “descendente direto de Caim”. "Já sabemos o que ele, Caim, fez. Ele foi inspirado pelo demônio a matar o seu irmão por ciúmes e ele é o modelo para os mestres maçons", afirma Serge.
"Os rituais não mudaram, somente tiveram pequenas mudanças. De fato, nos Altos Graus é onde se encontram as referências mais esotéricas e ocultas, por volta do ano 1800, 70 anos depois que nasceu a Maçonaria em 1717”.
Nessa relação entre a maçonaria e o satanismo, Serge indica ao grupo ACI: "a maioria dos maçons estão iludidos por palavras altruístas e mentirosas e por isso não percebem a relação entre ambos".
De fato, explica que numa das tábuas maçônicas, isto é, um trabalho escrito e apresentado por um maçom, é explicado que "quem fundou o satanismo moderno foi o americano Anton Szantor Lavey, um irmão (maçom) que fundou em 1966 a Igreja de Satanás que atualmente é a principal organização satânica e de modelo para as demais".
"A maçonaria afasta de Cristo. Porque embora fale-se sobre Jesus Cristo no 18º grau dos Altos Graus maçônicos, não há nada a ver com o Jesus Cristo da Igreja Católica, pois o mencionam como um sábio ou filósofo qualquer", insiste.
"Existem maçons que vão ainda mais longe nesta blasfêmia, pois excluem a divindade a Cristo e dizem que ele foi o primeiro maçom, um homem iniciado. Explicam que José e Jesus foram carpinteiros. E que a palavra 'carpinteiro' é a etimologia da palavra 'arquiteto' e todos os maçons, especialmente nos Altos Graus, são Grandes Arquitetos", afirmou Serge.
Fazendo menção ao tema: "na maçonaria acreditam no 'Grande arquiteto do Universo', querem que acreditemos que este é o mesmo Deus do catolicismo, mas não é verdade. Às vezes conseguem enganar os católicos dizendo que ser maçom e ser católico é compatível por esta referência a Cristo".
Há dois anos Serge largou totalmente a maçonaria, mas afirma que o controle que esta organização tem sobre a sociedade francesa é crescente. “No meu primeiro trabalho o prefeito era maçom, mas ninguém sabia, o diretor do seu gabinete, o encarregado de urbanismo e eu também éramos maçons, e outros dois arquitetos da prefeitura onde trabalhava”, recorda.
“Quando tentaram aprovar a última lei sobre a eutanásia, há um parágrafo que faz menção à ‘sedação profunda’ que é a mesma expressão que aparece numa tábua maçônica de 2004, onde mencionam este tema. Quer dizer, as leis atuais na França estão sendo feitas nas lojas maçônicas, dez ou quinze anos antes de serem votadas”, conta ao grupo ACI.
Nesse sentido afirma que “na maçonaria não existe fraternidade, nem amizade, porque tudo são redes. Todos ambicionam o poder político, social e econômico”.”

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