sábado, 18 de agosto de 2018

Bênção do lar católico


"A bênção de Deus desça sobre esta casa e sobre todos que vivem nela. E a graça do Espírito Santo santifique a todos.
O Santíssimo e doce nome de Jesus, no qual está toda salvação, derrame copiosamente saúde e bênção sobre esta casa.
A Santíssima Virgem e Mãe de Deus cuide de todos com sua maternal proteção e livre a todos dos males da alma e do corpo.
A poderosa intercessão do bem-aventurado São José dê a nossos trabalhos prosperidade e muitos méritos a nossos sofrimentos.
Os anjos da guarda protejam a quantos haja nesta casa das emboscadas do maligno inimigo e nos conduzam à pátria eterna.
Desça sobre nós a bênção de Deus, do + Pai, e do + Filho e do + Espírito Santo e permaneça sempre conosco. Amém."

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Marina Tsvetaeva: Insinuar-se


Talvez a melhor vitória seja
sobre o tempo e a atração,
passar sem deixar ondas,
passar sem deixar sombras

nas paredes...

Talvez renunciando
vencer? Quem do espelho se apaga?
Tal como Lermontov no Cáucaso
entrar sem inquietude nas fragas.

É talvez a melhor diversão
com os dedos de Sebastian Bach
do órgão provocar o som?
Despedaçar-se sem deixar

cinzas para a urna...

Talvez por engano
vencer? De toda latitude dar-se alta?
Assim no tempo tal oceano
entrar sem inquietar as águas...

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Religião líquida

"Alguns dias atrás, Jack Tollers escreveu uma postagem na qual destacou algo de que às vezes nos esquecemos ou que, pelo menos no meu caso, não terminamos de dimensionar. Refiro-me ao indeclinável dever que tem a Igreja, e que temos nós seus filhos, de manter e defender a doutrina católica até a última vírgula. Os leitores do blog dirão: "É óbvio", e efetivamente o é, mas pelas características do mundo contemporâneo e dos acontecimentos que nos tocam viver, tendemos a ser muito cuidadosos com as vírgulas da moral – o que está muito bem -, e ser mais relaxados ou desentendidos com as da dogmática. Além disso, tendemos a considerá-las detalhes ou passatempos de especialistas ociosos que não fazem mais que distrair-nos do verdadeiro combate que hoje devemos travar. É um fato que quando nestas mesmas páginas tratamos de temas de liturgia, por exemplo, vários leitores reclamam porque perdemos tempo discutindo coisas tão pouco transcendentes. Trata-se, segundo eles, de discussões bizantinas que não aportam nada à gravidade da hora atual.
O artigo de Tollers, pelo contrário, e seguindo Castellani, considerava que tais detalhes são mais graves que o próprio pecado. Não me vou meter nessa discussão, mas me parece sim fundamental que tomemos consciência da importância impostergável da luta pela pureza, até a última vírgula, da doutrina.
Já sabemos que o pontífice aereamente reinante despreza os teólogos. Publicamente tem dito – e o temos reproduzido neste blog – que deve-se deixar que os teólogos discutam entre eles as diferenças doutrinais que nos separam, por exemplo, dos luteranos, enquanto que o restante dos fiéis devemos trabalhar ecumênica e mancomunadamente sem nos preocuparmos com essas minúcias. Tem dito inclusive, em tom de brincadeira, que gostaria de encerrar todos os teólogos em uma ilha para que ali se cansassem de discutir suas questões doutrinais e deixassem em paz os pastores com odor de ovelha que fazem o trabalho importante. E a verdade é que muitas vezes somos tentados a seguir timidamente o mesmo critério. É que já não têm demasiada importância as modalidades das processões trinitárias, ou se Nosso Senhor gozou ou não da visão beatífica durante sua vida terrena. Em vez de perder tempo com isso, melhor dedicar-se a lutar contra o aborto ou a esclarecer as aventuras de Letícia. E é um erro. Um erro grave em que muitos católicos "vacas de presépio" caem facilmente.
Tomemos um só exemplo histórico dos muitos que poderíamos mencionar. No século IV se realizou o concílio de Calcedônia cujo objetivo foi confirmar a doutrina da Igreja a respeito da natureza de Cristo, já que Eutiques e Dióscoro – dois importantes bispos e teólogos – entendiam que sua natureza humana estava subsumida na natureza divina. Ou seja, no Senhor havia uma só natureza: a divina, e esta é a doutrina que se chamou monofisismo. Um detalhe; uma distinção de teólogos que não mudava em absoluto a pastoral, nem diminuía a pobreza, nem contribuía para a paz social e tampouco contaminava o odor ovino dos pastores da época. No entanto, esta heresia, ao ser condenada por Calcedônia, provocou a separação da comunhão católica do patriarcado de Alexandria, e portanto de todo o Egito, da igreja armênia e da igreja jacobita ou siríaca. Tamanha conseqüência ocasionada pela ranhetice dos bispos calcedônicos! E no entanto nem eles, nem o papa de Roma eram ingênuos ou incapazes de calcular as conseqüências mas, igualmente, consideraram que era preferível perder três grandes igrejas a modificar uma vírgula da doutrina ortodoxa.
Hoje pareceria que a unidade é mais valiosa que a verdade e que, deste modo, torna-se mais importante, ou quase só o que importa, realizar atos ecumênicos, trabalhar juntos pela promoção do homem e rezar juntos em Assis ou qualquer outro lugar, em vez de discutir e esclarecer as vírgulas de nossa fé. A muitos católicos parece mais importante determinar exatamente as condições precisas da moral matrimonial – e que Letícia não se esgueire para o quarto – que afirmar com certeza todos e cada um dos artigos do Credo. E isso tem um nome: joãopaulismo puro, porque o papa João Paulo II foi o primeiro emergente do Vaticano II neste sentido: descuido da dogmática e concentração em moral. Bergoglio, o segundo, e creio o último emergente do mesmo Concílio, tem-se manifestado como o descuido e desprezo de toda a teologia – moral e dogmática – em favor da pastoral. Uma vez mais o dizemos: a ablação do intelecto especulativo e reinado absoluto do intelecto prático.
Este novo conceito de religião que inaugurou o Concílio Vaticano II e que foi referendado por todos os pontífices seguintes propõe, no fundo, uma religião líquida, ou seja, um fluido capaz de ser vertido em qualquer recipiente adotando sem resistências a forma que este tenha. É por isso que os Padres Conciliares falaram de um concílio pastoral que rejeitava qualquer intento de definição, e é por isso que Francisco se nega não somente a definir, mas também a repetir as definições mais óbvias; porque, se define, a religião começa a solidificar-se e já não pode derramar-se em qualquer recipiente e muitos deles ficarão vazios.
Mas o problema desta concepção é que o líquido é incapaz de sustentar estruturas. Ninguém edifica sua casa sobre um lago, sem antes haver fixado firmemente os alicerces no leito firme e rochoso. Os progressistas e neoconservadores pensam que com a doutrina líquida é suficiente simplesmente porque os tempos mudaram e, por isso, pretendem manter tudo o que a Igreja teve e conseguiu durante os duros séculos das estruturas dogmáticas com a tranquilizadora canção de ninar do fluido das ondas. E por manter tudo me refiro a manter os curas celibatários, manter templos e colégios dispendiosíssimos, manter as coletas e todo o aparato necessário que requer a religião. Mas é impossível. Dificilmente um cura conseguirá manter-se celibatário se dá no mesmo ser cura católico ou pastor calvinista; escassamente se encontrarão jovens dispostos a defender sua pureza se Letícia tem permissão pontifícia para regozijar-se e se os católicos estamos impedidos de julgar certas condutas; com muita dificuldade os fiéis contribuirão para a manutenção do culto, se sabem que o trabalho social a que se reduziram as atividades da paróquia da esquina é feito com maior eficácia pela ONG da outra esquina; será quase impossível encontrar jovens que queiram consagrar sua vida às missões se, desde cima, se determina que o proselitismo é daninho, que não se deve converter os judeus e que o ideal pontifício é que os cristãos vivam como irmãos com os muçulmanos.
Dizia Chesterton há várias décadas que é como se o caule de uma roseira murchasse até desaparecer de vista e as pétalas da rosa continuassem ondulando. "É como se pudesse haver raios de sol depois de desaparecer o sol. Não é só a coisa maior de uma coisa, mas a maior e mais forte a que se sacrifica à parte pequena e secundária." Tiraram-se as fundações mas se pretende que o castelo se mantenha em pé. Em outras palavras, o Concílio Vaticano II e os pontífices seguintes infectaram a Igreja com uma enfermidade que só destrói os ossos. A pergunta é quanto tempo mais estes bons homens pretendem que se mantenham os músculos em tensão e a carne com forma humana sem vir abaixo em uma massa informe. Quase uma pergunta retórica; Bergoglio está se encarregando de ir jogando em um caldeirão as cartilagens, órgãos, pelos e pedaços de carne que ficaram informes quando se lhes retirou a estrutura óssea.
Há solução? Humanamente falando, não vejo nenhuma. Já mais de uma geração tem vindo a sofrer este câncer que acabou por carcomer seus ossos. E o problema não é que não possam voltar a regenerar-se; o problema é que a carne atual não os suportaria."

http://caminante-wanderer.blogspot.com.br

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Pseudofilosofia


“A pseudofilosofia consiste em elucubrações que se apresentam como filosóficas mas que são ineptas, incompetentes, que carecem de seriedade intelectual e que refletem um compromisso insuficiente com a procura da verdade. Em particular, abrange discussões que usam os instrumentos racionais da reflexão filosófica com outros fins que não a investigação séria — como o favorecimento de interesses relacionados com o poder, a influência ideológica, a pompa literária ou algo desse gênero. (Sem dúvida que os filósofos em geral têm tendência para fazer esta acusação de insuficiente seriedade intelectual e falta de força persuasiva aos que aderem a escolas de pensamento rivais, que diferem da sua própria posição em questões de princípios fundamentais.)
Tal inaptidão raramente é professada pelos seus próprios praticantes, mas emerge com as objecções dos oponentes. Alguns exemplos centrais são a teoria da inexistência de verdades atribuída pelo Sócrates platônico aos sofistas da antiguidade clássica, a teoria conflituosa da verdade atribuída pelos acadêmicos medievais aos chamados averroístas, o niilismo radical por vezes atribuído aos céticos renascentistas, e o irracionalismo e relativismo imputado aos existencialistas e pós-modernistas pelos filósofos mais ortodoxos de hoje em dia. Os entusiastas mais radicais do desconstrucionismo inspirado em Derrida constituem uma ilustração vívida — pois não faz sentido tecer elaboradas teias textuais para demonstrar que os textos nunca têm uma construção interpretativa estável. Se os textos são incapazes de transmitir uma mensagem fixa, não faz claramente sentido qualquer diligência no sentido de transmitir esta lição por meio de textos.
O rótulo “pseudo” é particularmente adequado para aplicar aos que usam os recursos da razão para substanciar a afirmação de que a racionalidade é inalcançável em questões de investigação — pois a sua prática trai claramente a sua doutrina. Sobre o que não se pode tratar com força persuasiva filosófica, os filósofos têm de se manter em silêncio.”
(Nicholas Rescher, texto retirado do Oxford Companion to Philosophy)

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

No socialismo não há diferença entre os poderes político e econômico


"O ideal socialista é, em essência, a atenuação ou eliminação das diferenças de poder econômico por meio do poder político. Mas ninguém pode arbitrar eficazmente diferenças entre o mais poderoso e o menos poderoso sem ser mais poderoso que ambos: o socialismo tem de concentrar um poder capaz não apenas de se impor aos pobres, mas de enfrentar vitoriosamente o conjunto dos ricos. Não lhe é possível, portanto, nivelar as diferenças de poder econômico sem criar desníveis ainda maiores de poder político. E como a estrutura de poder político não se sustenta no ar mas custa dinheiro, não se vê como o poder político poderia subjugar o poder econômico sem absorvê-lo em si, tomando as riquezas dos ricos e administrando-as diretamente. Daí que no socialismo, exatamente ao contrário do que se passa no capitalismo, não haja diferença entre o poder político e o domínio sobre as riquezas: quanto mais alta a posição de um indivíduo e de um grupo na hierarquia política, mais riqueza estará à sua inteira e direta mercê: não haverá classe mais rica do que os governantes. Logo, os desníveis econômicos não apenas terão aumentado necessariamente, mas, consolidados pela unidade de poder político e econômico, terão se tornado impossíveis de eliminar exceto pela destruição completa do sistema socialista. E mesmo esta destruição já não resolverá o problema, porque, não havendo classe rica fora da nomenklatura, esta última conservará o poder econômico em suas mãos, simplesmente trocando de legitimação jurídica e autodenominando-se, agora, classe burguesa. A experiência socialista, quando não se congela na oligarquia burocrática, dissolve-se em capitalismo selvagem. Tertium non datur. O socialismo consiste na promessa de obter um resultado pelos meios que produzem necessariamente o resultado inverso."
(Olavo de Carvalho, Que É Ser Socialista?)

http://www.olavodecarvalho.org

terça-feira, 31 de julho de 2018

O canibalismo moral dos tolerantes


"Só se tolera o que não é bom, e isto circunstancialmente, seja para evitar um mal maior, seja em ordem a um bem mais valioso. Assim, por exemplo, podemos tolerar os defeitos de um amigo para manter a amizade, do cônjuge para não se desfazer o casamento e os nossos próprios para não enlouquecermos, por excesso de escrúpulos.
Tolerância não é algo que se ostente, pois além de tudo não é sequer princípio moral.
A tolerância será boa apenas quando estiver conformada pela virtude da prudência. Em todos os demais casos ela é falha grave ou gravíssima, razão por que tem comumente outros nomes: tolerar o vício é permissividade; tolerar a mentira, cumplicidade; tolerar a maldade, covardia; tolerar o erro, estupidez; tolerar a tirania, suicídio político; tolerar a louvação da mediocridade, assassinato civilizacional.
Apresentar-se como tolerante é velhacaria típica do caráter sucumbido ao espírito de rebanho. O balido dos tolerantes autoproclamados é, pois, o das ovelhas carnívoras prontas a canibalizar quem não adere ao seu grupo.
A intolerância, por sua vez, será boa sempre que representar a adesão a princípios inegociáveis: a verdade, o bem, a beleza moral...
O mundo que quer enfiar a tolerância goela abaixo de todos, como se ela fora dever moral, tem um nome: inferno. Esta é a mais terrível maneira de ser intolerante.
Onde é proibido proibir, impera o mal."

http://contraimpugnantes.blogspot.com.br

sábado, 28 de julho de 2018

Marxismo no Direito e a nossa insegurança


“Você provavelmente se criou assumindo como verdadeiras algumas premissas, entre as quais a de que pagamos impostos para que o Estado nos proporcione serviços, ou a de que os poderes de Estado priorizam o interesse público.
O tempo e a vida lhe ensinaram, contudo, que há grande distância entre tais premissas e a realidade. No mundo dos fatos, é para manter o Estado que pagamos impostos. A prioridade número um dele é cuidar de si mesmo. E a preocupação maior dos poderes de Estado é com sua manutenção e com a qualidade de vida de seus membros.
Desnecessário provar o que afirmo. Prefiro dar um passo além e desnudar outro mal que se instalou no Estado brasileiro e, mais intensamente no nosso Direito. Refiro-me a uma visão marxista da criminologia, dita criminologia crítica. Ela vê o ato criminoso como consequência da estrutura de dominação e como reflexo de uma luta de classes da qual a própria lei penal é instrumento. A criminalização de condutas seria, então, a forma pela qual o grupo social superior sanciona e reprime certas ações do grupo social inferior. Dito isso, você começa a entender, por exemplo, a origem do uso permanente que as esquerdas fazem do verbo "criminalizar" quando se referem aos repúdios à invasão e à destruição de bens públicos e privados: "Vocês estão criminalizando os movimentos sociais!". Confere?
Pode não parecer muito (quando o bem agredido não nos pertence), mas se trata de algo com seriíssimos reflexos na criminalidade, na ordem pública e na nossa segurança pessoal. Quando estas ideias saem dos livros, descem com canudo na mão as escadarias das universidades e ganham vida nos tribunais e nos parlamentos, nossa segurança pessoal começa a perder a tutela do Estado e de suas instituições. Perde-a, pela convicção ideológica dos mais altos níveis institucionais. E perde-a, nos níveis inferiores, pela total incapacidade de corresponder à demanda social. Faltam vagas nos estabelecimentos penais e são insuficientíssimos os contingentes policiais. A estes, falta verba, viatura, armamento e munição. E ainda caem impiedosas sobre seus ombros acusações de brutalidade, preconceito, despreparo e cobranças incompatíveis com o cotidiano de quem ganha o pão com o sangue, a saúde, o medo e a vida.
Como o leitor destas linhas deve ter percebido, a questão que aqui abordo tem tudo a ver com seu dia a dia! Parte significativa da insegurança em que todos vivemos decorre dessa insidiosa penetração do marxismo no nosso Direito e na nossa Política. E ainda temos que assistir os defensores dessa ideologia em orgulhosa contemplação de si mesmos e de sua virtuosa benignidade para com os malfeitores que nos atacam...
Não haverá policiamento suficiente enquanto os mesmos criminosos, ainda que presos incontáveis vezes, continuarem retornando às ruas pelas mãos gentis do Estado. Nem enquanto a regra for a de prender pelo menor tempo possível. Quem disse que o sistema penal deve ser um carrossel sem fim, com mais gente fora do que dentro? A mesma mão que nos escorcha nos tributos estende a sua para quem nos toma a vida e o patrimônio. Por quê? Porque escolheram inverter os polos, fazendo de cada um de nós os verdadeiros autores do suposto ato criminal, culposo ou doloso, de não vivermos e não querermos viver numa sociedade socialista. Como se não nos bastassem os exemplos bem próximos da Venezuela e de Cuba!”

http://puggina.org

quarta-feira, 25 de julho de 2018

domingo, 22 de julho de 2018

De cabeça para baixo


“É engraçado, mas de um modo trágico, pensar nos paradoxos do nosso tempo.
Vivemos uma época na qual toda a sociedade civil na Europa Ocidental está, confusa mas já notavelmente, começando a prestar atenção a sua herança cristã enquanto o Papa e o Vaticano tentam islamizar o Continente Europeu.
Estamos testemunhando um esforço agressivo para conter o aborto nos EUA, e talvez livrar-se dele completamente, enquanto o Papa reinante nos diz para não nos obcecarmos com o aborto.
Estamos testemunhando um Papa chamando não-cristão o que os cristãos de todas as épocas têm feito – erguer muralhas para defender suas fronteiras e controlar entradas – enquanto ele vive cercado por muros que levam o nome de um Papa.
Vivemos uma época de absurdos, na qual a Santa Igreja se encontra desfigurada, ainda que obviamente não destruída por sessenta anos de sodomia e apaziguamento, e reduzida à maior força planetária a favor do Socialismo, enquanto países como a Venezuela são devastados pela mesma estupidez propagada pelo Papa, à vista de todos.
A ironia está no seguinte: que a forte Igreja do passado podia mudar o curso da história, iniciar cruzadas, deter os otomanos, moldar o Ocidente; ao passo que a igreja homossexual de hoje mal consegue manter seus cardeais sodo-predadores fora das grades, e na verdade só consegue fazer com que as pessoas fiquem contra sua recém-fundada ideologia socialista e ambientalista.
Os sodomitas dentro da Igreja deslocam-na em direção a um entendimento laico e terreno da vida. Mas o mundo a rejeita. De fato, ele lentamente se move na direção oposta, para aqueles mesmos valores que ela não protege ou sequer condena: defesa da vida nos EUA, defesa da herança cristã na Europa.
Que trágico e completo fracasso. Mas que glorioso e pequeno raio de esperança estamos vendo chegar dos EUA e de partes da Europa, firmemente decididos a marchar na direção oposta de um Papa que só podem, e com razão, desprezar.
Em um mundo de cabeça para baixo, muitos estão aprendendo a lutar por decência sozinhos; devagar e confusamente, é verdade, mas sem sequer o apoio daqueles que mais os deveriam ajudar.
Orem pela recuperação da sanidade dentro da Igreja. Quando tivermos isso, seremos imparáveis.”

https://mundabor.wordpress.com

quinta-feira, 19 de julho de 2018

As sete trombetas


“Escrevia Leon Bloy que, toda vez que queria inteirar-se das últimas notícias, lia o Apocalipse. É que, com efeito, no Apocalipse, sob sua aparente linguagem críptica, encontramos uma explicação profunda das vicissitudes da História humana. Ocorre assim, por exemplo, na narrativa das "sete trombetas". Um anjo toca a trombeta e sobre a humanidade se abatem pragas horrendas e arrasadoras; mas os homens, ao invés de se escarmentarem, perseveram no erro: "E os homens que não foram mortos com estas pragas, não se arrependeram das obras saídas de suas mãos, nem deixaram de adorar os demônios, e os ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, os quais não podem ver, nem ouvir, nem andar; e não se arrependeram de seus homicídios, nem de suas feitiçarias, nem de sua fornicação, nem de seus furtos." Com o que, à praga sofrida, sobrevém outra praga todavia maior. Esta pertinácia no erro é uma das notas mais constantes da História humana: inexplicável se não considerássemos a intervenção do mistério da iniquidade.
Estamos vendo-o no desenvolvimento do que os semiletrados chamam 'crise econômica', autêntica praga bíblica que, como ocorre sempre, tem sua origem em uma obra saída de mãos humanas: o 'dinheiro fantasma' a que aludimos em um artigo anterior, a transformação do dinheiro em um 'ídolo' que deixou de ser um símbolo que representa o valor das coisas para multiplicar-se de maneira mágica, desligado da riqueza real. Bastaria somar o produto interno bruto de todas as nações da terra, por um lado, e o valor – muito maior! - que se atribui ao dinheiro fantasma que flui pelos mercados financeiros, por outro, para que concluíssemos que, com efeito, essa multiplicação é uma 'feitiçaria' e um 'furto'; e para que compreendêssemos que, toda vez que se trata de tornar efetivo esse 'dinheiro fantasma' toda vez que um Estado paga a parcela de sua dívida aos 'investidores' financeiros, toda vez que se realiza uma operação bursátil que torna milionários tais 'investidores', o que na realidade se está fazendo é subtrair dinheiro da espoliada economia real. Pois, não sendo o dinheiro um espírito, senão um símbolo que representa o valor das coisas, só pode fazer-se 'real' encarnando-se nas coisas que existem; ou, como ocorre nas mágicas financeiras, vampirizando-as, arrebatando-lhes a vitalidade, até deixá-las espremidas e exaustas. Por isso sobem nossos impostos, baixam nossos salários ou reduzem as chamadas 'prestações' sociais (que não são senão 'contraprestações', pois previamente as pagamos): porque o 'dinheiro fantasma', para não ser um mero cômputo que passeia errabundo pelos terminais informáticos dos mercados financeiros, necessita "corporizar-se', aniquilando a vítima que lhe presta seu sustento.
Para exorcizar esta praga, bastaria que renunciássemos à obra saída de nossas mãos; ou seja, que deixássemos de 'adorar' esse daimon que é o dinheiro fantasma. Bastaria, enfim, que renegássemos a 'feitiçaria' (a multiplicação fantasmagórica do dinheiro) e o 'furto' (a depredação da economia real, perpetrada através das exações acima mencionadas), instaurando uma economia na qual o dinheiro voltasse a ser um símbolo da riqueza real das nações, recuperando aquela noção de economia como 'administração razoável dos bens necessários à própria vida' que preconiza Aristóteles, frente a essa noção funesta de crematística ou 'arte de enriquecer sem limites' que o mesmo Aristóteles considerava perversão da economia, consistente em fazer crer que o dinheiro pode ser ordenhado como se fosse uma vaca. Mas o dinheiro não pode ser ordenhado, só pode ser consumido; e toda vez que a 'feitiçaria' dos mercados financeiros finge que o está ordenhando, o que na realidade faz é consumi-lo, consumindo-nos. Tudo que até hoje se tentou como paliativo à crise nada mais fez que agravá-la: os 'salvamentos' à banca, os 'ajustes fiscais', a 'flexibilização' do mercado laboral, os 'cortes' nas prestações, etcétera, nada mais são que expressões eufemistas do consumo da economia real, com o qual se pretende inutilmente alimentar o buraco negro gerado pelo dinheiro fantasma. Buraco que nunca será saciado, porque, toda vez que recebe uma nova transfusão de sangue, multiplica seu frenesi vampírico; e toda tentativa estéril de saciá-lo só provocará que, à praga que estamos padecendo, se suceda outra praga ainda maior, como nos ensina a narrativa das sete trombetas."
(Juan Manuel de Prada, Las Siete Trombetas)