sábado, 27 de agosto de 2016

Juan Manuel de Prada através de sua biblioteca


"Em uma rua central de Madrid vive e trabalha um literato em cujas obras permanecem a cultura e espírito da cristandade. Embora Juan Manuel de Prada (Baracaldo, 1970) deteste a adjetivação de católico depois do substantivo porque considera que "é como desvalorizar esse autor; é como dizer que não é verdadeiramente escritor".
Recebe o visitante de maneira afável: sentado em um sofá, e rodeado por estantes cheias de livros, começa a conversar sobre autores e obras. Mostra primeiro os quadrinhos de Tintim, que desde menino o acompanharam e dos quais se reconhece entusiasta. Depois assinala a presença em sua biblioteca da Enciclopédia Labor de cinema e das obras completas do escritor espanhol Ramón Gómez de la Serna, conhecido por sua irreverência.
O escritor chegou a Madrid no ano de 2000, e nesse tempo pretendia que sua biblioteca continuasse uma estrita ordem alfabética. Em Zamora, onde cresceu, já havia devorado livros desde menino nas bibliotecas públicas "tal como cabia ao filho de uma família humilde".
Ao perguntar-lhe que escritores são os que mais lhe interessam, começa a dissertar sobre poetas, romancistas e pensadores que lhe são especialmente agradáveis.
De Prada assinala o norte-americano James Ellroy como a figura de romance negro que mais lhe interessa, não por este subgênero narrativo, que não é de seus preferidos, mas sim pelo gancho que tem esse autor "perturbado, com um mundo interior depravado e culpável". Falando de "extraviados", Edgar Allan Poe, alcoólico incorrigível, e Marcel Proust, bom conhecedor da Paris mundana de fins do século XIX, foram escritores que também o marcaram.
Durante a conversa, reflete acerca da religiosidade dos escritores ingleses: "Todo anglicano sincero e consciente avança até o catolicismo. O anglicanismo é uma seita grotesca montada por interesses políticos". Para apoiar sua tese, cita o caso de autores britânicos cuja fé seguiu uma evolução similar: C.S. Lewis, Ronald Knox ou J.R.Tolkien. Também menciona G.K.Chesterton, criador do personagem do Padre Brown, um sacerdote que atua como eficaz detetive graças a sua capacidade para penetrar na natureza humana; ou Hilaire Belloc, a quem De Prada qualifica como "um escritor demolidor e impactante" que resumiu sua visão do mundo com uma frase: "A fé é a Europa e a Europa é a fé".
Os autores ingleses não são suas únicas referências. De Prada se confessa admirador da obra do escritor e jornalista francês Charles Péguy. Também menciona o romancista galo Léon Bloy, a quem descreve como um "escritor desgarrado e torturado, um autor maldito".
Em sua biblioteca, os escritores espanhóis de todas as épocas também ocupam um lugar de destaque. É o caso de São João da Cruz, místico espanhol do século XVI e autor de obras poéticas como Cântico Espiritual, e também de autores do Século de Ouro como Quevedo, Lope de Vega ou Cervantes. Já no século XX, De Prada destaca a figura de Miguel de Unamuno, escritor de origem basca cujas inquietudes restaram refletidas em sua obra São Manuel Bom, Mártir. Fora do âmbito estritamente literário, De Prada menciona outros espanhóis que deixaram marca em seu pensamento. Entre eles cita autores do século XIX, como o filósofo conservador Donoso Cortés ou o historiador Menéndez Pelayo.
De Prada lamenta que hoje não exista uma cultura católica, e considera que "vivemos em sociedades sem laços com a hsitória e a tradição". Por isso critica a forma de vida atual, já que afirma que "a Nova Ordem Mundial fez com que um fulano da Tailândia e outro de Albacete comam os mesmos hambúrgueres, leiam as mesmas porcarias na internet e se viciam aos mesmos programas de merda". Sustenta sua crítica com referências a Nicolás Gómez Dávila, filósofo colombiano do século XX e autor de aforismos "de inteligência acerada e ironia corrosiva", a quem admira por sua "penetração intelectual feroz", uma qualidade "que lhe permitiu desmontar a modernidade".
Preocupado pela deriva de nossas sociedades, De Prada menciona durante suas reflexões sua admiração pelo povo russo, formado por "um tipo de ser humano muito diferente do individualista e materialista ocidental". Assim o demonstram os personagens do romancista Fiodor Dostoievski, a quem qualifica de "verdadeiro profeta" com "uma incrível capacidade para penetrar no interior da alma humana". Prova disso são muitas de suas obras, como Os Demônios, Os Irmãos Karamazov ou Crime e Castigo. De Prada opina que os escritores russos são "visionários", dado que formam parte de uma nação "mística e com consciência de transcendência e missão histórica".
Segundo De Prada, a Europa ortodoxa representada pela Rússia guarda semelhanças com a Espanha, dado que em ambos os casos se trata de "impérios em luta com o Islã, o protestantismo e as revoluções". Contudo, o escritor se mostra crítico com nosso país. "A diferença a favor da Rússia é que mantém uma tradição, um vínculo com a história que lhe permite permanecer em pé diante da Nova Ordem Mundial", aponta.
A crise ocidental
De Prada não oculta seu pessimismo com a situação da Europa. Para ele, "Espanha e o mundo ocidental renegaram sua história e tradição". Quando explica o declínio de nossas sociedades, o escritor põe o acento sobre a perda da fé, e diz ver "uma Europa construída contra a cristandade e contra as raízes greco-latinas".
Segundo De Prada, o mundo ocidental chegou a seu ápice no século XIII. A crise que atualmente vive afunda suas raízes no século XVI. Por isso cita o pensador espanhol Elías de Tejada, que situou nessa época três acontecimentos essenciais para compreender a história européia posterior: a obra de Maquiavel, que separou a moral da política; a revolta contra a Igreja romana, encabeçada por Lutero e causa do nascimento do protestantismo; e a teoria política de Bodino, criador do conceito de Soberania que antepôs o Estado à unidade da cristandade em um império. Todas essas rupturas se cristalizaram na Revolução francesa de 1789, momento a partir do qual De Prada considera que "toda a filosofia moderna" se tornou "anticristã, antitomista e antiaristotélica".
"Os povos sem religião são absorvidos pelos povos com religião", explica o escritor, que considera que uma civilização que esquece suas origens e suas crenças está destinada a desaparecer. Para argumentá-lo, cita outros literatos que também refletiram sobre essa decadência. Um deles é Leonardo Castellani, escritor e sacerdote argentino autor de Os Papéis de Benjamin Benavides. Nessa obra, "um velho professor entra em grande amargura ao dar-se conta de que a última vez que a cristandade não perdeu uma batalha foi com Carlos V: cinco séculos de derrotas políticas, culturais e militares".
Entre a escrita e o cinema
Para De Prada, o escritor tem que ter uma "visão transcendente sem ser refém da moda nem dos fiscais da correção política". Nesse sentido, considera que seu trabalho é um "sacerdócio maldito", do qual as pessoas têm uma imagem profundamente equivocada, já que "a literatura não é um meio para enriquecer". "O triunfo literário não é um triunfo profissional", adverte, e recorda o caso de um jovem escritor que denunciou sua precariedade laboral em um artigo publicado em "El Semanal" de ABC. Por isso, De Prada cita o jornalista espanhol do século XIX, Mariano José de Larra, quando afirma que "escrever é chorar".
De Prada aconselha o jovem aspirante a literato que leia e viva, mas não "como muitos imbecis pensm. Não viver buscando experiências extremas. Viver vendo vir a vida". Com essa idéia, o escritor recorda que Júlio Verne, o autor francês de romance fantástico do século XIX, nunca saiu de sua biblioteca, mas graças a sua imaginação viajou à lua, desceu ao centro da terra, percorreu a Rússia como correio do Tzar e submergiu-se nas profundezas do oceano em um submarino. De Prada conclui que o verdadeiramente fundamental é "conhecer as grandezas e misérias da alma humana".
Nesse sentido, o escritor considera que na história do cinema podem-se encontrar pessoas com essa profundidade de visão. Exemplo disso é John Ford, sobre quem De Prada fala com devoção. Assim o demonstra quando cita o cineasta estadunidense Orson Welles, que respondeu, quando lhe perguntaram quais seus três diretores favoritos, com contundência: "John Ford, John Ford e John Ford".
De Prada, que dirigiu o programa de cinema "Lágrimas na Chuva", tem três filmes de referência: Ordet, do danês Carl Theodor Dreyer; Vertigo, de Alfred Hitchcock; e Forte Apache, de John Ford, a quem o escritor homenageou em seu último livro, Morrer sob Teu Céu. Nessa obra, De Prada narra a epopéia dos "últimos das Filipinas", como são conhecidos os soldados espanhóis que agüentaram o assédio dos tagalos – os indígenas do lugar – durante um ano na igreja de Baler, até 1899.
A incerteza do mundo que descreve Juan Manuel de Prada faz-lhe evocar a frase de uma das protagonistas de Forte Apache: "já não se os pode ver. Já só se vêem as bandeiras"."

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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Sobre o demônio

“Na vida da espécie humana, o princípio diabólico tem sua própria história. Sobre esta questão, existe séria literatura acadêmica – não relativa, contudo, às últimas décadas. No entanto, são as últimas décadas que lançam nova luz sobre os dois séculos passados. A era do Iluminismo Europeu (começando com os Enciclopedistas Franceses do século XVIII) solapou no interior do homem a crença na existência de um demônio pessoal. O homem instruído não pode acreditar na existência de um tal ser antropomórfico hediondo “com um rabo, garras e chifres” (segundo Zhukovsky), jamais visto por alguém mas retratado em baladas e quadros. Lutero ainda acreditava nele e até arremessava-lhe imundícies, mas os séculos mais recentes rejeitaram o demônio, e ele gradualmente “desapareceu” e apagou-se como um “preconceito ultrapassado”.
Mas foi precisamente então que a arte e a filosofia nele se interessaram. Ao europeu esclarecido só havia sobrado o casaco de satanás, com o qual, fascinado, ele começou a se vestir. Ardia o desejo de descobrir mais sobre o demônio, discernir sua “verdadeira forma”, conhecer seus pensamentos e desejos, “transformar-se” nele ou pelo menos andar entre os homens dele disfarçado...
Assim foi que a arte começou a imaginá-lo e retratá-lo, enquanto a filosofia tratava de sua justificação teórica. O demônio, é claro, “não teve sucesso”, porque a imaginação humana é incapaz de contê-lo, mas na literatura, música, e pintura começou uma cultura de demonismo. A partir do começo do século XIX, a Europa tem estado fascinada com suas formas antidivinas; aparece o demonismo da dúvida; negação; orgulho; rebelião; desapontamento; amargura; melancolia; desprezo; egoísmo; e até mesmo tédio. Os poetas mostram Prometeu, o Filho da Manhã, Caim, Don Juan, e Mefistófeles.
Byron; Goethe; Schiller; Chamisso; Hoffmann; Franz Liszt; e mais tarde Stuck, Baudelaire e outros apresentam uma galeria inteira de demônios ou homens e humores demoníacos. Ademais, esses demônios são inteligentes, espirituosos, instruídos, engenhosos, e temperamentais, numa palavra, charmosos e evocando simpatia, ao passo que os homens demoníacos são a encarnação da “angústia do mundo”, do “protesto nobre” e de certa “consciência maior revolucionária”.
Simultaneamente a doutrina mística defendendo que existe um “princípio negro”, até em Deus, foi ressuscitada. Os Românticos Alemães encontraram palavras poéticas em favor do “despudor inocente”, e o Hegeliano de Esquerda Max Stirner aparece abertamente pregando a autodeificação do homem e o egoísmo demoníaco. A negação de um demônio pessoal é gradualmente substituída pela justificação do princípio diabólico...
O abismo que se escondia além disso foi visto por Dostoievsky. Ele o identificou e com profético alarme procurou os meios de sobrepujá-lo durante toda sua vida.
Friedrich Nietzsche também se aproximou desse abismo, foi atraído por ele, e o exaltaria. Suas últimas palavras, A Vontade de Poder, O Anticristo, e Ecce Homo, contêm direta e aberta propaganda do mal...
Nietzsche designa a totalidade dos sujeitos religiosos (Deus, a alma, virtude, pecado, o além, verdade, vida eterna) como um “monte de mentiras, nascidas de maus instintos das naturezas doentias e daninhas no sentido mais profundo.” “A idéia cristã de Deus” é para ele “uma das idéias corruptas criadas na terra.” Aos seus olhos todo o Cristianismo é apenas uma “fábula grosseira de um taumaturgo e salvador”, e os cristãos “o partido dos ninguéns e idiotas rejeitados.”
O que ele exalta são “cinismo” e despudor, “o mais elevado que se pode alcançar na terra.” Ele invoca a fera no homem, o “animal superior” que deve ser libertado, sejam quais forem as conseqüências. Ele exige o “homem selvagem”, “cruel” com a “barriga feliz”. Tudo que é “cruel, a fera não disfarçada, o criminoso” o arrebata. “Só há grandeza onde houver um grande crime.” “Em cada um de nós o bárbaro e a besta selvagem afirmam-se a si mesmos.” Tudo na vida cria uma irmandade de homens – idéias de “culpa, castigo, justiça, honestidade, liberdade, amor etc” – “deveriam ser removidas da existência completamente.” “Avante”, ele exclama, “blasfemadores, imoralistas, independentes de todos os tipos, artistas, judeus, jogadores – todas as classes rejeitadas da sociedade!”...
E não há para ele maior alegria do que ver “a destruição dos melhores homens e seguir como, passo a passo, eles chegam à destruição”... “Conheço meu destino”, ele escreve,
Um dia meu nome será associado com a lembrança de algo assustador, uma crise tal que jamais se viu sobre a terra, a mais profunda colisão de consciência, uma sentença conjurada contra tudo que se tem acreditado, procurado, consagrado até hoje. Não sou um homem, sou dinamite.
Desta forma a justificação do mal encontrou suas fórmulas teóricas perfeitamente diabólicas, faltando apenas colocá-las em prática. Nietzsche encontrou seus leitores, discípulos, e admiradores; eles adotaram sua doutrina, combinando-a com a doutrina de Karl Marx, e levaram esse plano à execução 30 anos atrás.
“Demonismo” e “Satanismo” não são a mesma coisa. Demonismo é um assunto humano, enquanto Satanismo é um assunto do abismo espiritual. O homem demoníaco entrega-se a seus instintos selvagens e pode ainda arrepender-se e converter-se, mas o homem no qual, pelas palavras do Evangelho, “Satanás entrou”, é possuído por uma força estranha e sobre-humana e torna-se ele mesmo um demônio em forma humana.
Demonismo é um escurecimento espiritual transitório, sua fórmula sendo vida sem Deus; Satanismo é a escuridão total e final do espírito, sua fórmula a deposição de Deus. No homem demoníaco revolta-se o instinto sem rédeas apoiado pela fria razão; o homem satânico age como instrumento de outrem fazendo o mal, capaz de saborear sua ação repulsiva. O homem demoníaco gravita ao redor de Satanás: colaborando, festejando, sofrendo, fazendo pactos com ele (conforme a tradição popular), torna-se gradualmente o domicílio conveniente do demônio; o homem satânico perdeu-se a si mesmo e tornou-se o instrumento terreno de uma vontade diabólica. Quem jamais chegou a ver tais pessoas ou, vendo-as, não as reconheceu, não conhece o mal primordial aperfeiçoado e não tem entendimento do elemento verdadeiramente diabólico.
Nossas gerações estão dispostas diante de manifestações terríveis e misteriosas desse elemento e até hoje jamais resolveram expressar sua realidade de vida com as palavras certas. Poderíamos chamar esse elemento “fogo negro”, ou defini-lo como inveja eterna; ódio insaciável; banalidade militante; mentiras despudoradas; descaramento absoluto e desejo absoluto por poder; alegria com a ruína dos melhores homens, e Anticristianismo. O homem que sucumbiu a esse elemento perde a espiritualidade, o amor, e a consciência; dentro dele começa a degeneração e a dissolução. Ele se entrega ao vício consciente e à sede de destruição; e termina em sacrilégio desafiador e tormento humano.
A simples percepção desse elemento diabólico provoca, em uma alma saudável, repulsa e horror que podem se transformar em doença corporal genuína, um específico “desfalecimento” (o espasmo do sistema nervoso simpático, disritmia nervosa, e doença psicológica – que pode também levar ao suicídio). Os homens satânicos são reconhecidos pelos seus olhos, pelo seu sorriso, sua voz, suas palavras e atos. Nós, Russos, temo-los visto ao vivo e a cores; sabemos quem são e de onde vêm. Contudo, os estrangeiros até agora não entenderam esse fenômeno e não o querem entender, pois lhes traz julgamento e condenação.
E até este dia, certos teólogos reformistas continuam escrevendo sobre “a utilidade do demônio” e simpatizando com sua moderna insurreição.”
(Ivan Ilyin, On the Devil)

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

É a cultura que influencia o comportamento sexual e não o nível de renda

“No post sobre o texto "Me deixem ser pai da minha filha" (http://on.fb.me/1BplI2n), mostrei os problemas diretamente relacionados à ausência paterna na criação de filhos e, das poucas objeções nos comentários, destaco duas: exemplos de mães que criaram bem seus filhos sem pai e a idéia de que os números apresentados são resultado da pobreza e não da ausência paterna. Vamos esclarecer as duas.
Em primeiro lugar, um erro comum nesse tipo de discussão é achar que ciências sociais são exatas. Quando se diz que um fator contribui para um determinado resultado não quer dizer que toda vez acontecerá dessa forma, apenas que há uma tendência e é essa tendência que está sendo medida.
Sempre haverá um "ah, eu conheço o fulano que foi diferente", o que não invalida em nada as conclusões gerais ou os números apresentados. Uma pesquisa que mostre que crianças que usam drogas têm problemas escolares, por exemplo, não é invalidada porque alguém diz "ah, mas eu conheço um menino que cheirou cocaína e passou de ano". O importante em sociologia e nesse tipo de levantamento é entender a tendência geral do comportamento em uma determinada situação e não a busca de regras gerais que sejam aplicáveis a 100% dos casos.
Sobre os números e a pobreza, há uma mistura de ignorância e preconceito em relação aos pobres, como se pobreza e sexo livre fossem sinônimos. No gráfico do post você vai ver que em 1963, um ano antes de Lyndon Johnson lançar seu pacote de medidas assistencialistas batizado de "Great Society", 93% das crianças americanas nasciam em lares de pais casados contra apenas 40% hoje. Houve uma radical mudança cultural no país e não econômica. Repare também que na década de 30, período da Grande Depressão, praticamente não houve alteração do índice.
A queda vertiginosa do número de crianças nascidas em lares de pais casados em 50 anos nos EUA não tem nada a ver com a variação dos níveis de pobreza mas com as idéias disseminadas pela elite cultural ocidental a partir dos anos 60, que foram particularmente impactantes nas faixas de renda mais baixas da população. O aumento do índice de crianças geradas por mães solteiras não foi causado pela pobreza, pelo contrário, foi a pobreza, a falta de informação e uma tendência a mimetizar o comportamento das celebridades e elites que se mostraram um terreno fértil para a assimilação dessas idéias. É como o nome de crianças de celebridades e de pais ricos que, em cinco a dez anos, viram moda para o resto da população, como mostrado por Levitt e Dubner em "Freakonomics".
Existe uma relação entre casamento e padrão de vida, claro, o que já foi medido em diversas pesquisas. Crianças nascidas de mães solteiras nos EUA são pobres em 36,5% dos casos, enquanto apenas 6,4% das crianças criadas por pais casados são pobres, e é por isso que muitos defendem que o casamento é a maior arma contra a pobreza no país.
A educação é outro fator importante nessa tendência. Das mães que não completaram o ensino médio, 67,4% tiveram filhos sem estar casadas, enquanto apenas 8,1% das mães com curso superior completo tiveram o filho solteiras.
Outro dado que deve ser mencionado é que 71,2% das famílias pobres com crianças nos EUA são comandados por solteiros, um número que despenca para 26% entre os lares fora da linha da pobreza.
Quando se juntam os dados de educação e estado civil, os números ficam ainda mais gritantes. Lares com crianças em que o responsável pela casa é casado e tem curso superior estão na pobreza em apenas 1,5% dos casos, ou seja, se você tem curso superior completo e é casado com filhos nos EUA, sua chance de ser pobre é próxima de zero. Já se o responsável pelo lar é solteiro, não completou o ensino médio e tem filhos, sua chance de ser pobre é de 47%.
É claro que números como esses levam a uma leitura apressada de alguns que saem gritando "tá vendo? é a pobreza!" por não se darem ao trabalho de olhar as séries históricas e também checar dados de outros países do mundo não tão influenciados pelas idéias e valores da geração porralouca dos anos 60, que foi a Woodstock fazer filhos se drogando na lama e que hoje está no poder nos EUA.
Há também a questão racial. Enquanto a média nacional de crianças nascidas de pais não casados hoje é de 40% nos EUA, o número de crianças brancas nascidas assim é de 28,6% contra 52,5% dos hispânicos e 72,3% dos negros do país. Mas nem sempre foi assim.
Voltando à época de Lyndon Johnson, em 1964 o número de crianças negras nascidas de pais solteiros era de apenas 24,5%, pulando para 50,3% em 1976, chegando a 70,7% em 1994. Em apenas 30 anos, de 1 em cada 4 crianças negras que nasciam em lares com pais não-casados o número dispara para quase 3 em cada 4. Não há qualquer relação entre esses números e o nível sócio-econômico da população, mas tudo a ver com a mudança cultural do país com reflexos diretos nessa população.
Negros conservadores americanos, como Thomas Sowell, Larry Elder, Jason Riley, entre outros, estão cada vez mais batendo na tecla da cultura pop consumida pelos negros do país que, segundo eles, incentiva e aplaude todo tipo de comportamento socialmente repreensível com consequências sociais desastrosas, como o gangsta rap. Thomas Sowell culpa a “destruição da família negra americana” à criação do que chama de uma “subcultura” com todo tipo de comportamento sexualmente irresponsável sendo glorificado, inclusive pelas elites culturais do país, além da queda do padrão educacional. Veja Sowell comentando esse tema aqui: http://youtu.be/hs5qvovJkwI.
Outro argumento em favor da idéia de que é a cultura que influencia o comportamento sexual e não o nível de renda é olhar estes números em outros países do mundo. No Japão, apenas 2% das crianças que nascem são filhas de mães solteiras. Dados dos anos 90 falam em 3% para Israel e 5% para China. Na América Latina, diretamente influenciada pela cultura americana, os números são ainda maiores do que nos EUA: México 55%, Argentina 58%, Brasil 66%, Paraguai 70% e Colômbia 74%. A média na Europa é de 39%, variando de apenas 7,6% na Grécia, 15,4% na Croácia e 28% na Itália até 47,6% na Grã-Bretanha e Portugal, 54,5% na Suécia, 57,1% na França e 66% na Islândia.
A grande variedade desses números mostra que é a cultura específica de cada país que mais influencia o índice de crianças nascidas e criadas em lares de pais solteiros e não a pobreza como alguns ainda acham. Se a pobreza levasse a mais nascimentos de crianças sem pais casados, por que a Grécia (renda per capita de US$ 21 mil) tem menos de 8% da crianças nessa situação enquanto a Islândia (US$ 45 mil de renda per capita) tem 66%? Por que a Croácia (US$ 13,5 mil de renda per capita) tem 15,4% de crianças nascidas de mães solteiras contra os 57,1% da França (US$ 46 mil de renda per capita)? O Japão tem a terceira maior economia do mundo e quase todas as crianças nascem em lares de pais casados. O Brasil tem a sétima economia do planeta e 2 em cada 3 crianças nascem de mães solteiras.
O assunto é explosivo, politicamente incorreto e envolto em muito preconceito. Mesmo que muita gente não goste, é perfeitamente possível mostrar que o estado civil dos pais e a presença do pai na educação dos filhos tem uma influência no futuro da criança tão ou mais importante do que apenas seu nível de renda.”
(Alexandre Borges, em postagem no Facebook de 25.01.2015)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

De traições recentes e assuntos correlatos


Fico pensando na suprema ironia de Deus no caso do padre francês degolado na própria igreja por terrorista de Mafoma. Ele era militante do ecumenismo, este travestimento da fraternité maçônica para consumo cristão, e fazia de tudo para 'dialogar' com o Islamismo indialogável, chegando ao extremo de doar terreno de sua própria paróquia, destinado ao culto do único Deus verdadeiro, do Deus vivo, católico (por mais que não queira aceitá-lo como tal Seu irresponsável vigário na terra), para que os seguidores da “religião da paz” pudessem adorar seu falso deus lunar.
Também penso se, ouvindo a feroz diatribe final de seu executor pouco antes de morrer, esse padre finalmente não terá percebido o erro de suas ações inutilmente apaziguadoras, se não terá então entendido, ainda que tardiamente, que seu caminho ajudou a fomentar a violência futura contra suas ovelhas, desguarnecidas e prontas para o abate diante das legiões de “refugiados” com sede de sangue cristão, pelo qual Nosso Senhor deu o Seu na cruz. Se arrependeu-se e pediu o perdão de Deus nesses momentosos minutos finais, terá porventura salvado sua alma, mas não a vida dos confiados a seu cuidado por Cristo, que deverão pagar caro pela veleidade de seus atos ecumênicos.
O Cristianismo não pode continuar sendo entendido por seus descatequizados sacerdotes como uma capitulação contínua diante do mal em nome de uma tolerância que não é sequer uma virtude. Não se tolera o intolerável, o que veio para destruir o homem e toda sua esperança de salvação, tanto seu corpo como sua alma. E não é martírio, como bem expôs o Prof. Carlos Nougué, "entregar sua religião, suas igrejas, seu país, sua família, seus filhos a falsas religiões e à morte que estas promovam. E, com efeito, é longuíssima a distância entre martírio e recusa a lutar pela VERDADEIRA fé. Negar isto é negar a cristandade, é negar as cruzadas, é negar Lepanto – é cuspir na santa história de nossa Igreja."
Há uma ingenuidade suicida e nefasta mas infelizmente muito difundida que acredita que ações de desprendimento material serão entendidas como evidência da superioridade do Cristianismo por aqueles que não comungam de nossos valores e que os levariam à conversão ou no mínimo ao apaziguamento, mas, para os muçulmanos a quem são dirigidas, tais ações são entendidas como capitulações e demonstrações de fraqueza moral. Isso porque não há entendimento possível se o outro não acredita na regra de ouro ("cada um deve tratar os outros como gostaria que fosse ele próprio tratado"). Para o Islã, o próximo é muçulmano, jamais um infiel.
O Ocidente encontra-se idiotizado e infantilizado. Suas crianças recebem com flores e presentes seus próprios verdugos futuros. A mensagem que bombardeiam sobre as populações robotizadas e dessensibilizadas diuturnamente é que a civilização e sua defesa não têm valor; só tem valor parecer diante dos outros uma pessoa acolhedora e livre de preconceitos, que não ama sua pátria mas a humanidade inteira, que pouco ou nada faz por seus colegas e parentes mas ama o homem racionalizado, abstrato e pelagiano da Revolução. Os assassinos contudo não estão preocupados com tal imagem; ela é puramente para consumo interno e usada estrategicamente para silenciar e manietar os nativos, para minar-lhes qualquer reação organizada, rotulando-a com os adjetivos mais infames, para que se envergonhem de qualquer tentativa de sobrevivência.
É preciso, portanto, se o europeu ainda deseja sobreviver e manter seu estilo de vida e segurança em seus próprios países, que não mais caia nesse jogo de humilhar-se pelos epítetos com que o chamam seus inimigos; que aja conforme a lei natural e sua consciência cristã, o que dela ainda resta em seu espírito; que organize-se para defender sua pátria, seus valores e o Ocidente sem temor de estar agindo errado ou de parecer radical ou fanático, pois contra a legítima defesa não há sofismas que a desacreditem.
No entanto, se não deseja mais sobreviver o europeu e entregou-se moralmente, pois não tem mais por que viver, já que não tem nada por que morrer, então basta fingir que tudo continua como antes e que seu país não foi invadido com intenção de conquista, que apesar de algum contratempo pela perda do direito de ir e vir ainda pode tocar o restante de vida que lhe cabe viver com uma certa normalidade pendente basicamente de pura sorte; basta esquecer seu passado e seus valores e esperar que o matem por último, quando ao invés de sinos estiverem ecoando pelos céus os chamados dos imãs à oração nas mesquitas construídas com seu próprio dinheiro.
Talvez enfim os islâmicos estejam certos em sua percepção e os ocidentais desejem realmente capitular e fazer com que sua civilização desapareça. O desejo pode não ser consciente e vir com mil e uma justificativas forjadas com distorções de virtudes cristãs e malabarismos verbais; mas continua lá, fundo na alma, inquieto e impulsionando sempre à subjugação, girando vigorosamente ao redor de um complexo de culpa indevido, odiando tudo que se refere a seu modo de vida, nada vendo de positivo em suas instituições, em suas artes e ciências.
A pior perversão, o fundo do poço do desastre civilizacional é a distorção e contaminação da liturgia de sua religião fundadora, pois a partir dela irradia-se todo o câncer cultural. Penso no que ocorreu recentemente em Trastevere, na Itália. Quando você coloca versos do Alcorão na missa, isso significa que você já perdeu de vez a fé e as relações com outras religiões são mais importantes para você do que a verdade e a beleza da liturgia. A traição é mais ignóbil ainda, quando se sabe que a religião favorecida é responsável pelo assassinato de inocentes de nossa própria fé ao redor do mundo, em razão do odio fidei. Isso apenas confirma ser preciso extirpar o ecumenismo de nossa religião corrompida pelo liberalismo, mas arrancá-lo com força e junto com todos os outros principais erros, como a liberdade religiosa e a colegialidade; não deve ser deixada pedra sobre pedra, nem ramo na árvore de onde brotem outros erros futuros. Infelizmente, para isso acontecer não é mais possível confiar somente na ação humana; seria impossível sanar a religião corrompida usando-se apenas de meios naturais; nem mesmo a guerra mundial traria de volta o Ocidente a suas raízes metafísicas, mas muito provavelmente aceleraria o aparecimento do Anticristo.
O suicídio civilizacional que talvez deseje o europeu pode contudo não estar nos planos de Deus. Pode ser que surja nos próximos anos o defensor da Cristandade que restaure todas as coisas em Cristo e sob cuja influência povos inteiros se convertam e tenhamos um último e maior triunfo da Santa Igreja, como profetizado por inúmeros santos ao longo dos séculos. Mas pode também ser que a destruição da Europa seja a condição para o aparecimento do Anticristo, e Nosso Senhor não mais se importe, depois de ser tão traído e esquecido, em entregar a civilização que escolheu para a mais próxima possível realização de Seu Reino na terra a seus piores inimigos. Tudo, como sempre, depende daquilo que Cristo escolheu para a salvação do maior número possível. Isso no entanto não nos impede de pedir pela Europa, por toda sua tradição cristã que tanta maravilha deu e continuaria a dar ao mundo em todas as esferas de atividade humana. Eu de minha parte estarei rezando para que a Europa não se perca de vez e que retome seu caminho cristão, que volte para seu Criador, como filha pródiga, após tanta desgraça criada pela tentação e farra do non serviam tornada projeto de anticivilização.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A monomania terrorista


“A avaliar pelo número de autores de atentados terroristas que são rapidamente apresentados como casos de psiquiatria temos de admitir que vindas não se sabe donde legiões de doentes mentais, enquanto gritam “Allah Akbar” (Alá é grande), desataram a degolar, mutilar, alvejar ou atropelar aqueles que têm o azar de se cruzar com eles.
No passado os loucos queriam lavar-nos os vidros do carro na avenida do Brasil, subir ao zimbório da Estrela porque achavam que eram ágeis como os macacos ou mais prosaicamente tinham aquilo que o povo designava com ataques.
Depois a farmacopeia e a medicina fizeram esquecer os internamentos psiquiátricos de caracter perpétuo e os coletes-de-forças. Gente que se acha intelectualmente superior aproveitou o embalo para declarar que não podemos falar de normalidade ou de loucura porque a normalidade, dizem, é um preconceito… E estávamos neste dogma reconfortante até que o doente psiquiátrico que quer ser terrorista se tornou uma figura recorrente dos nossos noticiários.
Desconheço os procedimentos para classificar e identificar as doenças. À excepção, claro, daquelas, como acontece com a presente epidemia que afecta homens que pretendem assassinar os seus semelhantes, epidemia essa estudada não nas faculdades de Medicina mas sim nos estúdios de televisão, redacções e corredores do poder. Estas doenças, nadas e criadas entre políticos em desespero, jornalistas e activistas, não precisam de testes, exames ou descrição. Existem porque eles dizem que existem. A última destas doenças inscrita no compêndio político-jornalístico é o o terrorismo como uma manifestação da doença mental.
Quem seguir as notícias sobre atentados e tentativas de atentados na Europa descobre rapidamente que não há semana em que um homem, logo classificado como pessoa com problemas psiquiátricos, não tente degolar, atropelar ou mutilar alguém com quem se cruza na rua. Algumas testemunhas referem que a dita pessoa justificava o seu acto invocando a sua fé no Islão ou tinha em seu poder propaganda fundamentalista mas rapidamente esses detalhes são enquadrados do ponto de vista clínico. Aliás quer essa fixação em quererem separar-nos a cabeça do corpo, quer o reivindicar-se muçulmano ou, mais espantosamente ainda, declarar a sua fidelidade ao Daesh/Estado Islâmico são vistas como manifestações dessa mania do terrorismo, por assim dizer.
Em resumo os terroristas que não são verdadeiros terroristas porque são doentes psiquiátricos também não são verdadeiramente muçulmanos. Quanto à fidelidade ao Daesh também é só mais uma fantasia porque nunca existem provas que essa fidelidade seja real ou sequer reconhecida pelo Daesh. Presumo que se espera que o Daesh passe a emitir cartões de sócio e a distribuir cupões para, qual hipermercado, premiar os sues fiéis. Até lá nada feito.
Perante a sucessão de atentados temos necessariamente de admitir não só que o número de doidos furiosos está aumentar vertiginosamente como também que o terrorismo que durante décadas foi apresentado como o resultado da pobreza ou dos pecados originais (ou sem originalidade alguma) do mundo ocidental deixou de ser um capítulo dos estudos sócio-económicos para integrar o universo da psiquiatria. Chegámos aqui não porque se tenha tornado óbvio que o terrorismo nunca teve nada a ver com pobreza mas sim porque a aparente cegueira dos actuais terroristas na escolha dos seus alvos torna difícil o exercício habitual nestas coisas de transferir a culpa para as vítimas.
Convém não esquecer que a Europa dos grupos terroristas nascidos tantas vezes nos meios universitários e com enormes cumplicidades nos meios da cultura e do jornalismo, essa Europa habituou-se a justificar os atentados ora porque a vítima era polícia ou militar – logo defendia o sistema! – ou porque era patrão – nesse caso representava o próprio sistema – ou ainda porque o baleado tinha escrito ou dito algo que chocava a sensibilidade dos terroristas (um terrorista é um ser muito sensível não ao sangue mas sim às críticas.) Pois essa Europa bem pensante quando o alvo dos terroristas passou dos “do sistema” para “o todos e qualquer um” trasladou o terrorismo da Economia para a Psiquiatria. E assim não há dia, em que perante mais um atentado, não sejamos logo informados que o autor dos esfaqueamentos era um doente psiquiátrico ou, pasme-se, que tinha ido a consultas de Psiquiatria. Por este critério os potenciais terroristas são neste momento de milhões. Mas isso não parece causar perplexidade aos descobridores desta espécie de monomania terrorista.
A par dos doentes psiquiátricos temos também os lobos solitários. Estes caem mais no campo da Psicologia. Afinal os lobos solitários resolvem um belo dia levar a cabo um atentado. Porquê? Porque são solitários, porque ninguém os compreende, porque são um mistério, porque alguém lhes deu uma má resposta… Nunca se percebe ao certo o que pretendia o lobo solitário mas, pelo menos a avaliar pelo caso francês, o anúncio de que o autor do último atentado era um lobo solitário parece deixar todos mais tranquilos.
E assim entre doentes psiquiátricos, lobos solitários e outras figuras de encantar acabámos todos num manicómio.”
(Helena Matos, A Monomania Terrorista)

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terça-feira, 9 de agosto de 2016

A França salva do comunismo por Nossa Senhora

“Em L’Île-Bouchard, um pequeno subúrbio de Touraine, não longe de Chinon, desde a manhã de 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, até domingo, 14 de dezembro, quatro garotinhas disseram ter visto a Santa Virgem, que lhes apareceu na igreja paroquial. Não é nosso escopo descrever esses maravilhosos eventos, cuja autenticidade parece bastante provável, embora ainda não tenham sido sujeitos ao julgamento definitivo da Igreja.
Eis pelo menos a essência da mensagem, repetida várias vezes por Nossa Senhora:
“Peçam às criancinhas que orem pela França, ela precisa de muitas orações.”
“Orem pela França, que nestes dias está em grande perigo.”
“Não vim aqui para fazer milagres, mas para pedir-lhes que orem pela França.”
A perfeita coincidência dessas palavras com os graves eventos que as crianças certamente ignoravam é impressionante.
EM DIREÇÃO A UM GOLPE DE ESTADO SOVIÉTICO-COMUNISTA? “Todos falam do ‘golpe de Praga’ sem saber que outro golpe tinha sido planejado na França antes dele, ou em todo caso simultaneamente, e nas mesmas condições... Na primavera de 1947, tudo estava preparado.” Naquele momento os soviéticos tinham de 1.500 a 2.000 agentes pagos, sem falar das tropas do Partido Comunista Francês e da CGT. “Somente alguns poucos iniciados do antigo quadro nacional da FTPF sabiam desses eventos, assim como dois ou três membros do Politburo do Partido Comunista Francês. Ao todo, não chegavam a mais que dez ou doze personalidades comunistas. Entre eles e o aparato estrangeiro na França não havia dificuldade de relacionamento...”
Após a exoneração dos ministros comunistas em maio, continuaram as preparações para um golpe bolchevique usando a força, durante o verão e o outono. Logo chegaram as notícias de que na Polônia, em 22-23 de setembro, o Cominform, ou “Escritório de Informação Comunista”, havia sido criado. Duclos e Fajon haviam na ocasião representado o Partido Comunista Francês.
“Então começaram as greves. De Marselha, Grenoble, Saint-Etienne e Lyons elas gradualmente se estenderam a Toulouse, Saint Nazaire, Paris e então à bacia mineira do norte, e Pas-de-Calais... O país foi logo paralizado. Não havia mais transportes. Houve sabotagem também. Então grupos armados apareceram... A hora da “finalização” estava se aproximando, quando as armas realizariam a tomada do poder. Verdadeiros Partidos Comunistas insurgentes foram instalados, alguns em seus sindicatos, outros nas municipalidades adquiridas pelos comunistas, alguns em segredo... Um relatório enviado ao ministro do interior exprimiu preocupação sobre a efervescência dos círculos espanhóis “republicanos” na região de Toulouse-Pirineus, e até Aude. Ao todo, três milhões de grevistas subitamente paralizaram o país.”
Ao final de novembro, o embaixador americano em Paris obteve esta divulgação privada de sua fonte comunista:
“Moscou quer derrubar o gabinete Schuman. Em seu lugar, antes do fim do ano, quer instalar um governo completamente subserviente a si. Stalin deu uma ordem precisa a Maurice Thorez e Georges Dimitrov, os quais chamou a Sotchi, na Criméia: ‘Façam o Plano Marshall fracassar!’ A greve geral na França é organizada por um agente especial da NKVD! Os comunistas estão dando tudo de si.”
Nerin Gun continua,
“A informação alarmante está vindo de todos os lugares. Considere este despacho (D.S.850-20-102347) que cita as declarações feitas ao diplomata americano pelo General Revers, chefe do alto comando do exército francês: “O alto comando pensa que a URSS vai lançar o conflito no futuro muito próximo. As táticas do Partido Comunista Francês e do Cominform reforçam nossos receios...”
“Jules Moch, Ministro do Interior, um socialista conhecido por sua firmeza na repressão de greves e demonstrações subversivas, está mantendo o embaixador informado do que está sabendo através de suas próprias fontes de informação. Ele confirma que Thorez voltou de Moscou com uma ordem formal: ‘Faça tudo que puder para sabotar o Plano Marshall. A ajuda americana à França e à Itália deve ser neutralizada. O Partido deve mudar suas táticas e não se contentar em agir dentro da lei. Ele deve partir para a ação revolucionária. Stalin está convencido de que os Estados Unidos não intervirão militarmente.’”
UMA PROTEÇÃO MILAGROSA? Por que, finalmente, esse golpe de estado tão meticulosamente planejado não se materializou? Tanto quanto sabemos, foi por razões impossíveis de acessar. Terá sido pela previdência e firmeza – completamente inesperadas de sua parte – de socialistas como Jules Moch, que em 28 de março de 1948 anunciou haver descoberto uma conspiração comunista? Possivelmente. De acordo com Nerin Gun, as “antenas” soviéticas nos Estados Unidos aparentemente informaram o Kremlin que o Presidente Truman tinha decidido intervir. Mas teria ele realmente intervindo? Nada é menos certo. Em todo caso, Stalin certamente temeu essa eventualidade e desistiu, e o golpe de estado comunista não aconteceu. Isso foi precisamente em dezembro de 1947.
Podemos também acreditar que Deus permitiu-Se comover pelas orações que as criancinhas tinham-Lhe enviado no pedido urgente de Sua Mãe, que tinha vindo uma vez mais a Sua terra da França. Sem dúvida também Ele foi tocado pelas orações e louvor das multidões durante o Grande Retorno. Talvez tenha sido também tocado, por fim, pela saudação humilde mas fervente concedida alguns meses antes a Nossa Senhora de Fátima em Hendaye, Lourdes e até em Paris em frente à Notre Dame por muitos milhares de crentes, e alguns representantes do clero francês – apesar das proibições da República e das diretrizes da máfia progressista. Misericordiosamente, uma nova trégua fora concedida a esta terra, um novo espaço de tempo fora-lhe dado para sua conversão.”
(Ir. Michel de La Sainte Trinité, The Whole Truth About Fatima)

sábado, 6 de agosto de 2016

O verdadeiro e o belo se identificam


“Na realidade, o verdadeiro e o belo se identificam, distinguindo-se apenas por uma distinção de razão. O verdadeiro resulta da adequação da inteligência com a coisa, enquanto o belo resulta do deleite proporcionado por essa adequação. Com outras palavras, à noção de verdadeiro corresponde a conformidade do intelecto com a coisa, e à noção de belo corresponde o repouso agradável decorrente do conhecimento da coisa. Vê-se, portanto, que o conhecimento é condição indispensável do deleite que é constitutivo do belo. A agradabilidade, deleitação ou alegria, constitutivos do belo, podem ser descritas como um certo prazer experienciado pelo contemplante, como índice de felicidade ou repouso satisfatório; no caso do homem, em virtude de sua unidade substancial de matéria e espírito, este gozo nunca é puramente intelectual, ainda que a beleza contemplada seja supra-sensível, mas é um prazer que, referente em última instância ao intelecto, envolve o homem todo em suas dimensões corporal, psicológica e espiritual. Há como que um transbordamento do deleite, atingindo o homem em todas as suas dimensões.”
(Pe. Elílio de Faria Matos Júnior, Teoria Tomista da Beleza)

http://www.montfort.org.br

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Nuvens


“Deus disse: "Faça-se um firmamento entre as águas, e separe ele umas das outras".
Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento daquelas que estavam por cima.
E assim se fez. Deus chamou ao firmamento CÉUS. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o segundo dia.”
(Gênesis 1, 6-8)

domingo, 31 de julho de 2016

Francisco, os refugiados e a guerra de religião


"O papa Francisco disse mais uma vez que o mundo está em guerra. Mas disse também que não é uma guerra de religião, porque 'todas as religiões querem a paz', mas que a causa da guerra é a luta pelo poder e pelo controle dos recursos econômicos. No mesmo discurso, disse também que se deve acolher os refugiados que fogem da fome e da guerra.
Os católicos, como se sabe, consideramos que o papa é infalível quando define doutrinas de fé e moral no contexto concreto de uma 'solene declaração pontifícia' (o célebre 'ex cathedra'). Fora disso, e em matéria de julgamento, o papa é um homem como os outros, e portanto suas opiniões, embora fundadas na autoridade pessoal, são discutíveis. Não só são discutíveis, como é bom discuti-las em um ânimo de busca desinteressada da verdade.
Jorge Mario Bergoglio é um sacerdote argentino de quase 80 anos que passou quase toda sua vida em seu país natal. É um homem que – como todos – pertence inteiramente a sua circunstância, ou seja, a seu tempo e a seu espaço. Sua experiência pessoal sobre a imigração muçulmana é tipicamente hispano-americana, muito semelhante à que tínhamos os europeus há quarenta anos: os imigrantes vinham à Europa para ganhar a vida desempenhando os trabalhos que os autóctones desprezavam e procurando integrar-se na sociedade que os acolhia. Ainda hoje é assim em boa parte da América, onde os muçulmanos imigrados (apenas três milhões em uma população total de quase mil milhões) não constituem comunidades alheias à sociedade que os acolhe. No caso concreto da Argentina, que é um dos países com maior presença islâmica, falamos de umas 600.000 pessoas em uma população total de quase 42 milhões, ou seja, de 1,4 por cento: uma percentagem demograficamente irrelevante e socialmente ocasional. Com esta experiência vital, é fácil entender que não se perceba problema algum na imigração muçulmana. Também era assim na Europa há quarenta anos.
Hoje, no entanto, as coisas mudaram dramaticamente na Europa. Primeiro: a percentagem de população muçulmana cresceu exponencialmente. Segundo: essa população, em boa parte, criou suas próprias comunidades quebrando os velhos modelos de integração. Terceiro: em seu seio se expandiu uma radicalização identitária que desembocou na simpatia pelo jihadismo. Quarto: no ano passado, ademais, nos deparamos com uma afluência maciça de imigrantes falazmente importada sob a etiqueta de 'refugiados'. Quinto: a onda de violência que estamos vivendo neste último período define por si só a entidade do problema. Seguramente é difícil aceitá-lo com a mentalidade de quarenta anos atrás. Mas, hoje, é isso o que temos.
A mesma reflexão vale para essa outra hipótese de Francisco sobre as guerras e sua origem. A maior parte das escolas de pensamento do século XIX interpretaram sempre os conflitos sob o ângulo materialista da luta pelos recursos. Não era uma interpretação incorreta, mas era incompleta. As idéias, os princípios e as crenças (e também as religiões) têm sua importância. Sobretudo quando uma religião (ou uma determinada corrente dela) prega abertamente a guerra como via legítima para impor sua fé sobre as outras. Esse é exatamente o caso do Islã, e nisto o papa Bento XVI acertou plenamente em seu histórico discurso de Ratisbona. O Islã não é uma religião 'como as outras': é uma teologia política que leva implícita a busca e conquista do poder, como oportunamente acaba de recordar o cardeal Burke. Quer se queira, quer não, também isso, hoje, é o que temos. Menos mal que, nestas coisas, os católicos não estejamos obrigados a seguir o papa. Sabedoria da Igreja."

http://www.catolicidad.com