segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Discurso do Presidente Donald Trump sobre a crise migratória


“Esta noite, estou falando com você porque existe uma crescente crise humanitária e de segurança em nossa fronteira sul. Todos os dias agentes de patrulha de fronteira e alfândega encontram milhares de imigrantes ilegais tentando entrar em nosso país. Estamos sem espaço para alojá-los e não temos como devolvê-los ao seu país. A América orgulhosamente recebe milhões de imigrantes legais que enriquecem nossa sociedade e contribuem para nossa nação. Mas todos os americanos são prejudicados pela migração ilegal descontrolada. Ela sobrecarrega recursos públicos e reduz empregos e salários. Entre os mais atingidos estão afro-americanos e hispano-americanos. Nossa fronteira sul é um canal para vastas quantidades de drogas ilegais, incluindo metanfetamina, heroína, cocaína e fentanil. Toda semana, 300 dos nossos cidadãos são mortos apenas com heroína, 90% da qual transborda pela fronteira sul. Mais americanos morrerão de drogas este ano do que foram mortos em toda a Guerra do Vietnã.
Nos últimos dois anos, os oficiais da ICE fizeram 266.000 detenções de estrangeiros com antecedentes criminais, incluindo os acusados ou condenados por 100.000 agressões, 30.000 crimes sexuais e 4.000 assassinatos violentos. Ao longo dos anos, milhares de americanos foram brutalmente mortos por aqueles que entraram ilegalmente em nosso país e milhares de outras vidas serão perdidas se não agirmos agora. Esta é uma crise humanitária, uma crise do coração e uma crise da alma.
No mês passado, 20.000 crianças migrantes foram levadas ilegalmente para os Estados Unidos, um aumento dramático. Essas crianças são usadas como joguetes por coiotes viciosos e gangues implacáveis. Uma em cada três mulheres é agredida sexualmente na perigosa caminhada pelo México. Mulheres e crianças são, de longe, as maiores vítimas do nosso sistema disfuncional. Esta é a trágica realidade da imigração ilegal na nossa fronteira sul. Este é o ciclo do sofrimento humano que estou determinado a terminar.
Meu governo apresentou ao Congresso uma proposta detalhada para proteger a fronteira e impedir as gangues de criminosos, contrabandistas de drogas e traficantes de seres humanos. É um tremendo problema. Nossa proposta foi desenvolvida por profissionais da lei e agentes de fronteira no departamento de segurança interna. Estes são os recursos que eles solicitaram para realizar sua missão e manter a América segura. Na verdade, mais segura do que nunca. A proposta da Homeland Security inclui tecnologia de ponta para detectar drogas, armas, contrabando ilegal e muitas outras coisas. Solicitamos mais agentes, juízes de imigração e espaço para leitos para processar o forte aumento da migração ilegal alimentada por nossa forte economia. Nosso plano também contém um pedido urgente de assistência humanitária e assistência médica. Além disso, pedimos ao Congresso que feche as brechas de segurança nas fronteiras para que as crianças imigrantes ilegais possam voltar segura e humanamente para casa. Finalmente, como parte de uma abordagem geral à segurança nas fronteiras, os profissionais da lei solicitaram US$ 5,7 bilhões para uma barreira física. A pedido dos democratas, será uma barreira de aço em vez de um muro de concreto.
Essa barreira é absolutamente essencial para a segurança das fronteiras. É também o que nossos profissionais da fronteira querem e precisam. Isso é apenas senso comum. O muro da fronteira se pagaria muito rapidamente. O custo das drogas ilegais ultrapassa US$ 500 bilhões por ano. Muito mais que os US$ 5,7 bilhões que pedimos ao Congresso. O muro será pago indiretamente pelo grande novo acordo comercial que fizemos com o México. O senador Chuck Schumer, de quem se ouvirá mais tarde hoje à noite, apoiou repetidamente uma barreira física no passado junto com muitos outros democratas. Eles mudaram de idéia somente depois de eu ser eleito presidente. Os democratas no Congresso se recusaram a reconhecer a crise. E eles se recusaram a fornecer aos nossos corajosos agentes de fronteira as ferramentas de que precisam desesperadamente para proteger nossas famílias e nossa nação. O governo federal permanece fechado por uma única razão: porque os democratas não querem financiar a segurança na fronteira. Meu governo está fazendo tudo ao nosso alcance para ajudar as pessoas afetadas pela situação. Mas a única solução é que os democratas passem um projeto de gastos que defenda nossas fronteiras e reabra o governo. Esta situação poderia ser resolvida em uma reunião de 45 minutos. Convidei a liderança do Congresso para a Casa Branca amanhã para fazer isso. Esperançosamente, podemos nos elevar acima da política partidária para apoiar a segurança nacional.
Alguns sugeriram que uma barreira é imoral. Então, por que políticos ricos constroem muros, cercas e portões ao redor de suas casas? Eles não constroem muros porque odeiam as pessoas do lado de fora, mas porque amam as pessoas do lado de dentro. A única coisa que é imoral é que os políticos não façam nada e continuem permitindo que mais pessoas inocentes sejam tão horrivelmente vitimizadas. O coração dos Estados Unidos se partiu no dia seguinte ao Natal, quando um jovem policial na Califórnia foi brutalmente assassinado a sangue frio por um estrangeiro ilegal que acabara de cruzar a fronteira. A vida de um herói americano foi roubada por alguém que não tinha o direito de estar em nosso país.
Dia após dia, vidas preciosas são interrompidas por aqueles que violaram nossas fronteiras. Na Califórnia, um veterano da Força Aérea foi estuprado, assassinado e espancado com um martelo até a morte por um estrangeiro ilegal com uma longa história criminal. Na Geórgia, um estrangeiro ilegal foi recentemente acusado de assassinato por matar, decapitar e desmembrar seu vizinho. Em Maryland, membros da gangue MS-13 que chegaram aos Estados Unidos como menores desacompanhados foram presos e acusados no ano passado, depois de terem espancado violentamente uma garota de 16 anos. Nos últimos anos, encontrei-me com dezenas de famílias cujos entes queridos tiveram sua vida roubada pela imigração ilegal. Segurei as mãos das mães chorando e abracei os pais aflitos. Tão triste. Tão terrível. Jamais esquecerei a dor em seus olhos, o tremor em suas vozes e a tristeza que agarra suas almas. Quanto mais sangue americano devemos derramar antes que o Congresso faça seu trabalho?
Para aqueles que se recusam a se comprometer em nome da segurança da fronteira, eu pergunto, imagine se fosse seu filho, seu marido ou sua esposa cuja vida tivesse sido tão cruel e totalmente destruída. Para todos os membros do Congresso, peço que aprovem um projeto de lei que encerre esta crise. Para todos os cidadãos, que liguem para o Congresso e digam-lhes para finalmente, após todas essas décadas, garantir nossa fronteira. Esta é uma escolha entre o certo e o errado, a justiça e a injustiça. É sobre cumprirmos nosso dever sagrado para com os cidadãos americanos que servimos. Quando fiz o juramento de posse, jurei proteger nosso país. E é isso que sempre farei, com a ajuda de Deus. Obrigado e boa noite.”

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Um pensamento sobre a paz

“A paz é um bem nobilíssimo e útil se for acompanhada do respeito à justiça, mas unida à covardia e à crueldade é entre todos os males o mais torpe e nocivo.”
(Políbio, Histórias)

sábado, 5 de janeiro de 2019

Esclarecimentos sobre a Resistência


“Aquilo que se passou a designar com o nome de Resistência parece-me que nem todos têm uma ideia precisa da noção real do que ela consiste. Parece-me que muitos pensam que é um grupo de bispos, padres e leigos que se afastaram voluntariamente da Fraternidade São Pio X na qualidade de “livres atiradores”.
A isso convém opor os seguintes fatos esclarecedores: alguns padres da Fraternidade começaram a fazer críticas públicas a seu superior pela posição pró-acordo que este começou a manifestar. Outros membros da Fraternidade (inclusive três bispos) fizeram o mesmo, ou em particular ou em público. Comunidades religiosas amigas também manifestaram seu desacordo. O resultado foi que, mantendo-se Dom Fellay no seu propósito acordista, expulsou da Fraternidade aqueles que o criticaram publicamente (de modo especial um dos bispos sagrados por Dom Lefebvre) e rejeitou aqueles que, não pertencendo à Fraternidade, também levaram a público seu repúdio. Entre estes menciono de modo especial os Mosteiros de Nossa Senhora da Fé e o da Santa Cruz. Assim, o que deu nascimento à “Resistência” foi a “foice” de Dom Fellay, e não a vontade explícita dos “resistentes” de se separarem.
Agora, poder-se-ia perguntar se essa oposição pública não foi imprudente e/ou desrespeitosa. Respondo que não, apoiado na doutrina da Igreja e na história, mestra da vida. Sabemos que um superior pode e, às vezes, deve ser arguido publicamente se ele põe em perigo a fé e a salvação das almas. Sabemos, igualmente, que assim o fez São Paulo com São Pedro; Dom Lefebvre com Paulo VI e João Paulo II, para não citar muitos mais exemplos que poderia aduzir. E a atitude de Dom Fellay põe em perigo a fé e a salvação das almas? Certamente, pois o exemplo do que já aconteceu com as comunidades que se uniram com a Roma modernista mostra o perigo que essa aproximação significa: aumento progressivo de uma nova mentalidade, que não é de Deus. Em outras palavras, estamos diante de um problema de grave importância, o qual não é para ser tido em pouca conta.
Poder-se-ia ainda levantar uma outra objeção: depois das primeiras reações, houve outras que não tiveram como resultado a expulsão dos que se opuseram à “nova política de Menzingen”. Penso que a resposta a isso seria uma semelhança entre as atitudes de Paulo VI e João Paulo II com relação à Tradição, e as de Dom Fellay com relação aos “resistentes”. Explico-me: Paulo VI, para impor as reformas conciliares, usou da punição, pois os membros da Igreja ainda tinham a cabeça bem tradicional. Mas no pontificado de João Paulo II, em que o Concílio Vaticano II já era bem aceito, pôde-se tentar “absorver” os “do contra”, sem perigo para a estabilidade da Igreja Conciliar. Assim, agora que Dom Fellay deve estar sentindo-se seguro no prosseguimento de seu intento, ele não expulsa um ou outro que se levante contra ele na Fraternidade.
Resta ainda deixar bem claro que a legitimidade da causa da “Resistência” não exime de haver membros da mesma que não honrem como deviam o “movimento” ao qual pertencem. Nosso Senhor mesmo já nos advertira que em Sua Igreja sempre haveria o joio. Por isso, a existência de dissensões e coisas semelhantes não é argumento contra a atitude que julgamos ser a mais correta a ser tomada na situação crítica em que passa a família da Tradição, ou seja, opor-se publicamente ao que Dom Fellay está fazendo.
Ainda uma reflexão: se a “regularização” da Fraternidade se fizer de um modo “unilateral”, sem nenhuma assinatura da mesma, isso não implica consequências diferentes; o perigo continua: a aproximação com os progressistas. E a presença de reações sem, no entanto, serem públicas e/ou consequentes nos fatos, está destinada ao desaparecimento total: a diplomacia vaticana conhece bem a eficácia do fator tempo: aos poucos ele fará calar todas as vozes discordantes, pela morte, gradual mas infalível…
Queira Deus se utilizar dessas pobres palavras do último dos filhos Seus para ajudar alguma boa alma que procurava se esclarecer sobre esses pontos.
Mãe de misericórdia, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!”

http://beneditinos.org.br

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Sobre o Estado


“Todo mundo já leu em algum lugar a famosa frase do francês Frédérik Bastiat:  “O Estado é a grande ficção pela qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo”.  Ele escreveu essa frase sarcástica no final do século XIX e a realidade desde então só piorou. Nos albores do século XX no mundo todo o Estado não se apropriava de mais do que 4% do PIB e, mesmo nos EUA, hoje em dia já leva para mais de 30% do PIB. No entanto, essa frase não é verdadeira por um simples motivo: o Estado é mais do que uma realidade distribuidora de renda. Muito mais. É o Poder. Temos, para explicar o Estado, que sair do sarcasmo de Bastiat e penetrar nas suas entranhas.
Quando digo que o Estado é o Poder quero dizer que ele tem em si um elemento numinoso que não pode ser esquecido. O Estado tem a função legisladora e aqui começa a trama infernal. Os antigos sabiam que a lei brotava essencialmente de sua fonte transcendente, daí falarem em lei natural e em direito natural. Os modernos transpuseram e esqueceram essa realidade e fizeram da razão humana a fonte legisladora, construindo um sistema legislativo inteiramente idealista. Aqui começa toda a confusão. Antes havia um balizamento claro e a lei nascia diretamente de Deus; agora o arbítrio do governante do dia e suas idiossincrasias é que legislam, transformando o Estado em fábrica de injustiça. São os novos tempos de Maquiavel e Gramsci.
É o Estado moderno (diferente do Estado antigo) um usurpador das coisas divinas e a tentação de querer produzir maná como Deus e de eliminar os problemas existenciais é mais do que um discurso. Os sacerdotes estatais (sim, o Estado é uma igreja de Satanás e tem a sua liturgia. Basta ver uma sessão do nosso STF) fazem o discurso seriamente e tentam de todas as formas alcançar suas metas impossíveis colocadas nas promessas vãs ao populacho. Quanto mais tentam superar a escassez, sua velha inimiga invencível, mais atolam o mundo em crises econômicas e políticas. Não conseguem superar a realidade de que o homem tem que ganhar a vida com o suor do próprio rosto. O Estado distributivista é um ladrão que sufoca aqueles que trabalham em nome do suposto bem estar social. Do vício jamais poderá brotar qualquer virtude ou bondade.
Eu quero dar minha própria definição de Estado. Ele é uma realidade organizacional (não uma ficção) que legisla e faz valer sua vontade sobre todos. A magia da legislação estatal acaba quando vemos que suas leis falsas e injustas só valem porque têm atrás de si polícias para todos os gostos, a começar pelas Forças Armadas que enquadram os recalcitrantes, passando pelos fiscais da Receita, Polícia Federal, Agências Controladoras, pelos fiscais das prefeituras até a delegacia de Polícia da esquina. É uma enorme máquina de repressão que não deixa brecha para a liberdade ou, melhor dizendo, a liberdade virou uma concessão em respiros estreitos naquilo que o Estado ainda não quis estender seu poder organizacional.
Essa realidade de organização repressora permite ao Estado manter a unidade de vontade de cima para baixo, aparecendo o legislador impessoal no topo da pirâmide. A Constituição é uma espécie de Bíblia que norteia seus movimentos como se lei sagrada fosse. A legislação ordinária também segue a trilha numinosa do poder transcendente. Qualquer esbirro da lei, seja militar, fiscal, delegado, juiz ou o que seja, se sente muito feliz de fazer valer sua letra, mesmo que mais das vezes se trate de uma flagrante injustiça e cassação plena da liberdade individual. A começar pelo escorchante sistema tributário, que sufoca e tunga aqueles que ganham a própria vida.
[É bom lembrar que, querendo ou não, há que se cumprir a lei natural, que desaba sobre a cabeça dos rebeldes como uma tijolo na cabeça. A isso chamamos de crise, econômica, política e social ou qualquer nome que a ela se queira dar. Guerras são o desdobramento mais catastrófico do império da lei natural contra os rebeldes. A natureza sempre irá agir.]
É claro que a classe política e a vasta burocracia se locupletam com a massa de impostos. Claro também que o sistema de legitimação impõe o discurso populista, que o povo miúdo em geral não compreende mas aceita, ansioso por receber um quinhão das verbas estatais. Bolsa família, aposentadoria, Saúde e Educação supostamente de graça, assim como Transporte estão na ordem do dia do discurso dos que querem se fazer governantes. A campanha eleitoral em curso é um resumo laboratorial dessa enorme loucura nascida da mentira.
Obviamente que o Estado não gera recursos e, antes de dar algo a alguém, precisa tirar de outro. É a fábrica de crises. No Estado antigo apenas uma pequena elite militar vivia às custas do contribuinte; agora é uma vasta chusma de parasitas que grita em praça pública pelo direito de viver às custas dos outros. Foi isso que Bastiat viu, um relance apenas de uma realidade mais vasta.
Toda uma produção supostamente teórica foi criada para justificar essa pletora estatal. Um exemplo é a obra de Karl Marx e seus discípulos, que radicalizaram na proposta de exercitar o poder no limite de todos virarem servos do Estado, renunciando à própria individualidade. Onde se construiu Estado sob a ótica marxista, eliminando o elemento natural da organização social, a sociedade das livres trocas, produziu-se a mais profunda escassez, a fome artificial, a pobreza desnecessária e por isso mais cruel. O caso atual da Venezuela é eloquente demais, fazendo lembrar o que houve na antiga URSS, em Cuba, na Coréia do Norte e em toda parte em que o credo marxista se fez presente. Sem esquecer a China de Mao Tse Tung, que matou muita gente de fome pelo artificialismo econômico.
Outra linha é a proposta por Keynes e seus apaixonados seguidores. Keynes se fez de sonso, esquecendo-se das lições que recebeu dos economistas clássicos. Viu falsamente que o Estado poderia interferir legitimando-se para combater as crises econômicas recorrentes. Crises são dados da realidade humana e não podem ser eliminadas com o voluntarismo, mas podem ser agravadas. No Ocidente, Keynes foi muito mais pernicioso do que Marx, pois sua obra influenciou a administração de praticamente todos os Estados nacionais contemporâneos. É o teórico preferido dos socialistas que empolgaram o poder em toda parte. Se tivesse um mínimo de senso não teria proposto a emissão de moeda falsa como caminho para superar a escassez. Moeda falsa nunca será transformada em maná. O keynesianismo é uma doença que está carcomendo todo o Ocidente.
O Estado se move como Poder e seus administradores querem apenas o poder. Se apossar de rendimentos é apenas uma consequência da posse do poder. Ocorre que os tempos de golpes de Estado para empossar novos príncipes já foram superados, com o triunfo da democracia moderna. Para se chegar ao poder é necessário cortejar as massas, que sempre invejaram aqueles que tinham renda estatal. Então os novos príncipes não têm pejo de propor a elas mais e mais serviços e rendimentos grátis, como se isso fosse possível. Estamos vendo agora a discussão sobre a Previdência Social no Brasil. A superação da sua crise se dará por cortes nos benefícios, pela elevação de contribuições e pela elevação da idade mínima, ou seja, seu financiamento só pode acontecer às custas dos próprios beneficiários. É simples assim.
O Estado é essa realidade organizacional construída verticalmente, que só sobrevive pelo poder de polícia e pelo poder militar. O braço estatal é sempre impiedoso contra aqueles que não cumprem a sua vontade, vale dizer, contra aqueles que infringem a lei. As distopias que visualizam o futuro próximo com a mais completa escravidão das pessoas relatam uma ameaça real. As novas tecnologias deram os meios para que o controle estatal alcance os recantos mais íntimos da vida das pessoas. As frestas de liberdade tendem rapidamente a desaparecer. Satã é o governante de fato dos reinos desse mundo.
Quem viver verá.”

www.nivaldocordeiro.net

sábado, 29 de dezembro de 2018

O valor sagrado da justiça


“Quero que me ensinem também o valor sagrado da justiça — da justiça que apenas tem em vista o bem dos outros, e para si mesma nada reclama senão o direito de ser posta em prática. A justiça nada tem a ver com a ambição ou a cobiça da fama, apenas pretende merecer aos seus próprios olhos. Acima de tudo, cada um de nós deve convencer-se de que temos de ser justos sem buscar recompensa. Mais ainda: cada um de nós deve convencer-se de que por esta inestimável virtude devemos estar prontos a arriscar a vida, abstendo-nos o mais possível de quaisquer considerações de comodidade pessoal. Não há que pensar qual virá a ser o prêmio de um ato justo; o maior prêmio está no fato de ele ser praticado. Mete também na tua idéia aquilo que há pouco te dizia: não interessa para nada saber quantas pessoas estão a par do teu espírito de justiça. Fazer publicidade da nossa virtude significa que nos preocupamos com a fama, e não com a virtude em si. Não queres ser justo sem gozares da fama de o ser ? Pois fica sabendo: muitas vezes não poderás ser justo sem que façam mau juízo de ti! Em tal circunstância, se te comportares como sábio, até sentirás prazer em ser mal julgado por uma causa nobre!”
(Sêneca, Cartas a Lucílio)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

O globalismo infiltrado no cristianismo


“Eu tenho que rir quando os líderes cristãos de hoje afirmam que “diversidade é força e divisão é fraqueza” quando o que ocorre é demonstrável e exatamente o oposto. Se em todas as aldeias e cidades européias existem medidas de proteção postas em prática para evitar que ataques terroristas terríveis ocorram nos mercados de Natal, como é que a diversidade é uma força? Nossos países não estão em perigo por causa daqueles “nazistas desagradáveis” que a mídia fica dizendo que causam “divisão”; nossas sociedades foram divididas pela imigração em massa e pela importação em massa de culturas hostis e pessoas que não têm interesse ou desejo em ver preservados nosso modo de vida e nossa cultura e muito menos nossa identidade étnica.
Não haverá cenário de cumbaiá com multiculturalismo e diversidade, só haverá conflitos, porque a natureza determina que diferentes grupos entram em conflito quando em proximidade. O ódio e o tribalismo são reações naturais a qualquer coisa que ameace o que você ama e o que você vê como sendo um perigo para a sobrevivência de si mesmo, sua família e seu grupo nacional/étnico.
O que eles chamam de "ódio" é essencialmente a percepção do que está sendo feito contra as nações ocidentais. Você deve permanecer dócil e apático. Atreva-se a sair do feitiço globalista lançado sobre você e será tachado como odiento, racista, intolerante etc.
O cristianismo não sobreviverá em uma sociedade assolada pela imigração em massa de não-cristãos, não sobreviverá em uma sociedade que está terminalmente doente com a doença do marxismo cultural. Líderes cristãos podem adotar o mantra do amor, da unidade e da irmandade dos homens o quanto quiserem; eles estão simplesmente facilitando a destruição de sua religião e cultura devido a um abjeto fracasso em entender as leis da natureza e o instinto tribalista humano.”
(Occidental Revival, em postagem no Facebook de 26.12.2018)

domingo, 23 de dezembro de 2018

David Mourão-Ferreira: Ladainha dos Póstumos Natais


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multidão


“Se nós nada fizermos senão de acordo com os ditames da razão, também nada evitaremos senão de acordo com os ditames da razão. Se quiseres escutar a razão, eis o que ela te dirá: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multidão! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do espírito, que só servem para amolecer as energias; deixa a ambição que não passa de uma coisa artificialmente empolada, inútil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, tão interessada em não ter superiores como em evitar até os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. Vê como de fato é infeliz quem, objeto de inveja ele próprio, tem inveja por outros.
Não estás a ver essas casas dos grandes senhores, as suas portas cheias de clientes que se atropelam na entrada? Para lá entrares, terias de sujeitar-te a inúmeras injúrias, mas mais ainda terias de suportar se entrasses. Passa frente às escadarias dos ricos senhores, aos seus átrios suspensos como terraços: se lá puseres os pés será como estares à beira de uma escarpa, e de uma escarpa prestes a ruir. Dirige antes os teus passos na via da sapiência, procura os seus domínios cheios de tranquilidade, mas também de horizontes ilimitados. Tudo quanto entre os homens é tomado como coisa eminente, muito embora de valor reduzido e só notável em comparação com as coisas mais rasteiras, mesmo assim só é acessível através de difíceis e duros atalhos. A via que conduz ao cume da dignidade é extremamente árdua; mas se te dispuseres a trepar até estas alturas sobre as quais a fortuna não tem poder, então poderás ver a teus pés tudo quanto a opinião vulgar considera eminentíssimo, e desse ponto em diante o teu caminho será plano até ao supremo bem.”
(Sêneca, Cartas a Lucílio)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Escravos por natureza


"Um dos trechos mais odiados e vilipendiados da literatura filosófica é aquele parágrafo da Política no qual Aristóteles afirma, sem pestanejar, que alguns homens são escravos por natureza: ainda que você os liberte e os cubra de direitos civis, pouco a pouco voltarão à condição escrava, pois nasceram com espírito servil e nada poderá curá-los.
O que já se escreveu contra isso daria para lotar bibliotecas inteiras. Alguns vêem naquela afirmativa um sinal do autoritarismo congênito da tradição aristotélico-escolástica, que em boa hora Bacon e Descartes exorcizaram, abrindo as portas para a era da democracia e da liberdade. José Guilherme Merquior chega a celebrar essa mudança como um fato de dimensões antropológicas, no qual os seres humanos teriam passado de uma existência determinada pelo fatalismo irrecorrível aos bons tempos do “destino livremente escolhido” (comentarei um dia esse argumento, que me parece completamente maluco). Até os admiradores mais devotos de Aristóteles tentam atenuar as culpas do trecho vexaminoso, atribuindo-o a preconceitos de época pelos quais o filósofo não deve ser responsabilizado pessoalmente.
No entanto, cada vez mais a asserção de Aristóteles vai me parecendo uma verdade incontestável.
Comecei a pensar nisso quando, ao ler o resumo biográfico de Michel Foucault por Roger Kimball*, me ocorreu a pergunta fatal: Se ninguém é escravo por natureza, por que raios existem clubes de sadomasoquismo? O sujeito está bem de vida, é respeitado e paparicado, tem sua liberdade e uma boa renda anual asseguradas pelo Estado paternal, mas de vez em quando volta as costas a tudo isso e desembolsa uma quantia considerável para ser chicoteado, esbofeteado e humilhado por garotões musculosos vestidos com roupas de tiras de couro semelhantes em tudo às dos soldados romanos. Mais que a nostalgie de la boue, é a saudade da escravidão.
Estamos tão acostumados à idéia da condição escrava como um destino imposto de fora, que interpretamos a afirmativa de Aristóteles às avessas, entendendo-a no sentido moderno de um determinismo exterior, e a rejeitamos precisamente por isso. Mas a natureza de um ente, para o filósofo do Liceu, era o que havia nele de mais íntimo, encontrando sua expressão imediata e espontânea no desejo. Nada mais inevitável, portanto, que, numa sociedade da qual a escravatura desapareceu como instituição e onde todo desejo explícito de submissão é estigmatizado como baixeza indigna, o instinto escravo só subsista como fantasia sexual, provando por meios obscenos a existência daquilo que o senso das conveniências nega.
Mas há outra expressão desse instinto, mais visível e por isso mesmo ainda mais necessitada de camuflagem. As hordas de arruaceiros que hoje espalham o caos pelas ruas de Londres, como fizeram em Paris em 1968, em Oslo em 2009 e em dezenas de outras capitais do Ocidente em datas diversas, constituem-se daqueles indivíduos que, invariavelmente, prezam e enaltecem os governos mais tirânicos do mundo. Em Cuba, no Irã, no Zimbábue, no Sudão ou na China, aceitariam docilmente o trabalho escravo e, nas grandes festividades cívicas, cantariam louvores ao regime. Seriam modelos de conduta disciplinada. Soltos numa democracia moderna, tornam-se rancorosos e anti-sociais, desprezam a ordem constitucional que os protege, e, inflados de arrogância sem fim, saem derrubando e queimando tudo o que encontram em torno.
Que é isso? Mentalidade escrava. Inaptos para viver em liberdade, respeitam somente o chicote, que obedecem quando está perto e celebram em prosa e verso quando está longe.
Se há um instinto da escravidão, é lógico que ele determina somente condutas gerais e não a busca de uma posição social determinada. As formas da inferioridade variam nas diferentes estruturas sociais, mas um mero instinto não pode escolher as vias específicas pelas quais vai se expressar conforme as circunstâncias variadas de momento e lugar. O mesmo impulso que leva à submissão num país induz à revolta em outro. É por isso que há mais rebeldes nas nações livres e prósperas do que nos países mais miseráveis, governados pelos tiranos mais sangrentos. Miséria e opressão raramente produzem rebeliões. Uma ascensão social parcial, suficiente para prover o indispensável mas não para aplacar todas as ambições e todas as invejas – eis a fórmula infalível para a fabricação de uma massa de fracassados odientos. Mas, por definição, é impossível satisfazer a todas as ambições, que mudam de conteúdo conforme o progresso gera novas formas de riqueza e, com elas, novos motivos de frustração e inveja. Por isso, o crescimento da previdência social não produz nunca um ambiente de gratidão e paz: produz ódio, inveja e rancor em doses centuplicadas. O simples fato de receber assistência estatal faz o sujeito espumar de ódio a quem não precise dela. Na mentalidade escrava, essa reação é praticamente incoercível. O indivíduo que, na sua miserável nação de origem, pedia esmolas de cabeça baixa, é o mesmo que, transplantado a um ambiente de liberdade, democracia e assistencialismo estatal, recebe como um chamamento dos céus a convocação dos demagogos para um bom quebra-quebra em nome da “justiça social”.
Quando você ler num filósofo antigo alguma afirmação que choque as convenções modernas que você toma como verdades inabaláveis, refreie a pressa de explicá-la, com um reconfortante sentimento de superioridade, pelos preconceitos de uma época extinta. Verifique se não é você quem está projetando sobre ela uma interpretação anacrônica, colocando na boca do filósofo uma bobagem de sua própria invenção."

*http://uwacadweb.uwyo.edu/Ashleywy/foucault.htm
http://www.olavodecarvalho.org

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O estilo rebuscado é próprio das almas fúteis


“Quando vires alguém com um estilo rebuscado e cheio de adornos podes ter a certeza de que a sua alma apenas se ocupa igualmente de bagatelas. Uma alma verdadeiramente grande é mais tranquila e senhora de si a falar, e em tudo quanto diz há mais firmeza do que preocupação estilística. Tu conheces bem os nossos jovens elegantes, com a barba e o cabelo todo aparado, que parecem acabadinhos de sair da fábrica! De tais criaturas nada terás a esperar de firme ou sólido. O estilo é o adorno da alma: se for demasiado penteado, maquiado, artificial, em suma, só provará que a alma carece de sinceridade e tem em si algo que soa falso. Não é coisa digna de homens o cuidado extremo com o vestuário! Se nos fosse dado observar 'por dentro' a alma de um homem de bem — oh! que figura bela e venerável, que fulgor de magnificente tranquilidade nós contemplaríamos, que brilho não emitiriam a justiça, a coragem, a moderação e a prudência! E não só estas virtudes, mas ainda a frugalidade, o autodomínio, a paciência, a liberalidade, a gentileza e essa virtude, incrivelmente rara no homem, que é a humanidade — também estas fariam jorrar sobre a alma o seu sublime esplendor! E mais ainda, a presciência, o juízo crítico e, acima de todas, a magnanimidade — oh! deuses, quanta beleza, quanta severa dignidade não acrescentariam à figura, quanta autoridade e graça se não juntariam nela! Ninguém contemplaria tal figura sem a declarar tão digna de amor como de respeito.”
(Sêneca, Cartas a Lucílio)