segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O naufrágio do Estado brasileiro


“Convém insistir em que o divórcio entre o País legal e o País real será inevitável. Criar-se-á então uma daquelas situações históricas dramáticas, nas quais a massa da Nação sai de dentro do Estado, e o Estado vive (se é que para ele isto é viver) vazio de conteúdo autenticamente nacional.
Em outros termos, quando as leis fundamentais que modelam as estruturas e regem a vida de um Estado e de uma sociedade deixam de ter uma sincronia profunda e vital com os ideais, os anelos e os modos de ser da nação, tudo caminha nesta para o imprevisto. Até para a violência, em circunstâncias inopinadas e catastróficas, sempre possíveis em situações de desacordo, de paixão e de confusão.
Para onde caminha assim a nação? Para o imprevisível. Por vezes, para soluções sábias e orgânicas que seus dirigentes não souberam encontrar. Por vezes, para a improvisação, a aventura, quiçá o caos. (…)
É de encontro a todas essas incertezas e riscos que estará exposto a naufragar o Estado brasileiro, desde que a Nação se constitua mansamente, jeitosamente, irremediavelmente à margem de um edifício legal no qual o povo não reconheça qualquer identidade consigo mesmo.
Que será então do Estado? Como um barco fendido, ele se deixará penetrar pelas águas e se fragmentará em destroços. O que possa acontecer com estes é imprevisível.”
(Plínio Corrêa de Oliveira, Projeto de Constituição Angustia o País)

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Por que o multiculturalismo fracassa e leva ao estatismo

“A linguagem é a expressão externa de processos mentais humanos fundamentais externalizados durante a formação inicial de uma comunidade.
A linguagem inevitavelmente surge na comunidade ao lado da religião, da história do grupo e dos valores morais, ajudando não apenas a expressar, mas também a moldar essas forças.
Religião e história se manifestam como narrativa, que é baseada na linguagem. A linguagem e a narrativa são essenciais para a religião e a história, que são, por sua vez, essenciais tanto para a identidade pessoal quanto para a identidade grupal baseada em uma cultura, sem a qual não pode haver comunidade.
O governo, a lei e a noção de Estado não podem substituir a realidade orgânica de uma comunidade regulada por uma cultura enraizada em uma linguagem, religião e história compartilhadas.
À medida que a comunidade orgânica é diminuída, o estatismo, o domínio do governo e da lei, aumenta.
Sabendo disso, os estatistas atacam deliberadamente a religião, o patriotismo, a língua principal e a narrativa histórica tradicional de um povo em um esforço para subjugá-los.”
(Kights of Saint Michael the Archangel, em postagem no Facebook em 28.07.2019)

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Oração a Nossa Senhora da Saúde

"Ó Mãe de misericórdia, Senhora da saúde, que, servindo a tua prima Isabel em suas necessidades e permanecendo firme ao pé da cruz do teu Filho agonizante, manifestaste na bodas de Caná a tua grande sensibilidade para conosco, ouve a voz e o clamor de todos os teus filhos enfermos que recorrem a ti com a certeza de encontrar uma Mãe que os acolhe e os assiste com ternura.
Intercede, Mãe querida, para que o teu Filho cure as nossas enfermidades, transforme as nossas lágrimas em oração e os nossos sofrimentos em momentos de crescimento, converta a nossa solidão em contemplação e a nossa espera em esperança, nos fortaleça na hora da agonia e transforme a nossa morte em ressurreição. Amém.
Saúde dos enfermos, rogai por nós!"

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A expulsão dos judeus em 1492: a lenda que construíram os inimigos da Espanha

"Diante da hegemonia militar que impulsionou o Império espanhol durante os séculos XVI e XVII em toda a Europa, seus inimigos históricos só puderam contra-atacar através da propaganda. Um campo onde a Holanda, a França e a Inglaterra se moviam com habilidade e que desembocou em uma lenda negra sobre a Espanha e os espanhóis ainda presente na historiografia atual. Assim como com a Guerra de Flandres, a Conquista da América ou a Inquisição espanhola, a propaganda estrangeira intoxicou e exagerou o que realmente ocorreu na expulsão dos judeus dos reinos espanhóis pertencentes aos Reis Católicos em 1492. Em suma, os vencedores são os encarregados de escrever a história e a Espanha não estava incluída neste grupo.
As expulsões e agressões a populações judias foram uma constante durante toda a Europa medieval. Exceto na Espanha, os grandes reinos europeus haviam cometido rajadas de expulsões desde o século XII, em muitos casos de um volume populacional similar ao de 1492. Assim, o Rei Felipe Augusto da França ordenou o confisco de bens e a expulsão da população hebraica de seu reino em 1182. Uma medida que no século XIV foi imitada outras quatro vezes (1306, 1321, 1322 e 1394) por distintos monarcas. Não sem efeito, a primeira expulsão maciça foi ordenada por Eduardo I da Inglaterra em 1290. Também foram registradas as que tiveram lugar no Arquiducado da Áustria e no Ducado de Parma, já no século XV.
A expulsão dos judeus da Espanha foi assinada pelos Reis Católicos em 31 de março de 1492 em Granada. Longe das críticas que séculos depois recebeu na historiografia estrangeira, a decisão foi vista como um sintoma de modernidade e atraiu as felicitações de meia Europa. Nesse mesmo ano, também a Universidade de Sorbonne de Paris transmitiu aos Reis Católicos suas felicitações. De fato, a maioria dos afetados pelo edito eram descendentes dos expulsos séculos antes na França e na Inglaterra.
A razão que se escondia por trás da decisão era a necessidade de acabar com um grupo de poder que alguns historiadores, como William Thomas Walsh, qualificaram como "um Estado dentro do Estado". Seu predomínio na economia e na banca tornava os hebreus os principais prestamistas dos reinos hispânicos. Com o intento de construir um estado moderno pelos Reis Católicos, fazia-se necessário acabar com um importante poder econômico que ocupava postos chaves nas cortes de Castela e de Aragão. Apesar disso, os que abandonaram finalmente o país pertenciam às classes mais modestas; os ricos não duvidaram em converter-se.
Portanto, o caso espanhol não foi o único, nem o primeiro, nem certamente o último, mas sim o que mais controvérsia histórica continua gerando. Como o historiador Sánchez Albornoz escreveu em uma de suas obras, "os espanhóis não foram mais cruéis com os hebreus que os outros povos da Europa, mas contra nenhum outro deles foram tão sanhosos os historiadores hebreus."
Que teve de diferente então esta expulsão? A maioria dos historiadores aponta que, precisamente, o chamativo do caso espanhol está no caráter tardio em relação a outros países e na importância social de que gozavam os judeus em nosso país. Ainda que não estivessem isentos de episódios de violência religiosa, os judeus espanhóis haviam vivido com menos sobressaltos a Idade Média que em outros lugares da Europa. Na corte de Castela – não assim na de Aragão – os judeus ocupavam postos administrativos e financeiros importantes, como Abraham Senior, desde 1488 tesoureiro-mor da Santa Irmandade, um organismo chave no financiamento da guerra de Granada.
Uma grande odisséia para os expulsos
Não obstante, o número de judeus na Espanha era especialmente elevado em comparação com outros países da Europa. Nos tempos dos Reis Católicos, sempre segundo dados aproximados, os judeus representavam 5% da população de seus reinos com cerca de 200.000 pessoas. De todos estes afetados pelo edito, 50.000 nunca chegaram a sair da península pois se converteram ao Cristianismo e uma terça parte regressou poucos meses depois alegando haver sido batizados no estrangeiro. Alguns historiadores chegaram a afirmar que só partiram definitivamente 20.000 habitantes.
Embora a expulsão de 1492 tenha sido superdimensionada em relação a outras na Europa, dando à Espanha uma imerecida fama de país hostil aos judeus, nada atenua que a decisão provocou um drama social que obrigou milhares de pessoas a abandonarem o único lar que haviam conhecido seus antepassados. Segundo estabelecia o edito, os judeus tinham um prazo de quatro meses para abandonarem o país. O texto permitia que levassem bens móveis mas lhes proibia retirarem ouro, prata, moedas, armas e cavalos. Os hebreus afetados pelo edito que decidiram refugiar-se em Portugal se viram logo na mesma situação: desterro ou conversão. Apesar disso, sua sorte foi melhor que os que viajaram ao norte da África ou a Gênova, onde a maioria foi escravizada. Na França, Luís XII também os expulsou. Começava naqueles dias uma odisséia para os chamados judeus sefarditas que duraria séculos, e que gerou uma nostalgia histórica pela terra de seus avôs ainda presente."

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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Isaías 59

“Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir.
Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.
Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; os vossos lábios falam falsidade, a vossa língua pronuncia perversidade.
Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniqüidade.
Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora.
As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há nas suas mãos.
Os seus pés correm para o mal, e se apressam para derramarem o sangue inocente; os seus pensamentos são pensamentos de iniqüidade; destruição e quebrantamento há nas suas estradas.
Não conhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz.
Por isso o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão.
Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos.
Todos nós bramamos como ursos, e continuamente gememos como pombas; esperamos pelo juízo, e não o há; pela salvação, e está longe de nós.
Porque as nossas transgressões se multiplicaram perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós; porque as nossas transgressões estão conosco, e conhecemos as nossas iniqüidades;
Como o prevaricar, e mentir contra o Senhor, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade.
Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a eqüidade não pode entrar.
Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado; e o Senhor viu, e pareceu mal aos seus olhos que não houvesse justiça.
E vendo que ninguém havia, maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; por isso o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.
Pois vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete da salvação na sua cabeça, e por vestidura pôs sobre si vestes de vingança, e cobriu-se de zelo, como de um manto.
Conforme forem as obras deles, assim será a sua retribuição, furor aos seus adversários, e recompensa aos seus inimigos; às ilhas dará ele a sua recompensa.
Então temerão o nome do Senhor desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira.
E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o Senhor.
Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o Senhor: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o Senhor, desde agora e para todo o sempre.”

sábado, 3 de agosto de 2019

Dificuldades gerais da psicologia contemporânea para compreender a natureza do amor


“A psicologia atual, tanto em sua vertente experimental, como em sua vertente clinica e outras, surge no fim do século XIX de uma matriz materialista, pelo qual se designou, com razão, como uma psicologia sem alma. Sem alma foi a psicologia experimental de Wundt, foram as psicologias funcionalistas americanas, a reflexologia e o conducionismo, e também a psicanálise. Desde uma perspectiva influenciada pelo positivismo, e antes pela crítica kantiana da psicologia racional, estas formas de psicologia consideram a alma em geral como um principio de explicação da mente e da conduta humana arcaica e mítica. O homem não seria outra coisa que matéria organizada que não se distinguiria qualitativamente de outras formas de organização da matéria. A matéria é princípio potencial, não real e determinante, receptora de perfeição, mas imperfeita por natureza. Todas as variedades de materialismo são filosofias da potência e não do ato, e, nessa medida, são incapazes de compreender a perfeição e o bem. Por isso, para a psicologia materialista a perfeição é uma espécie de utopia, quase que diríamos de anomalia. O normal seria a inércia e a imperfeição.
Este materialismo, em que se fundava a psicologia clássica do fim do século XIX e principio do XX, era em geral mecanicista, mas sobretudo era um biologismo evolucionista. O ser humano, mera organização da matéria sem dimensão transcendente, teria surgido da mutação casual da matéria. Ao ser esta mutação casual, e não dirigida inteligentemente, seu resultado não seria um bem, porque o bem é algo apetecido, querido. O homem não seria alguém querido, nem muito menos querido por si mesmo. Para ser querido por si mesmo deveria ser algo dotado de intimidade, ou seja, alguém dotado da capacidade de voltar sobre si mesmo por reflexão, e por tanto, alguém que pode possuir o bem de modo estável. Se o homem não é um bem, nem capaz de possuir o bem, se não foi querido inteligente e pessoalmente, tampouco é alguém que pode ser querido por si mesmo, ou seja, não é suscetível de amor de amizade.
O ponto de vista biológico, aliás, sustentado por todas estas correntes, concebe o ser humano como um mero ser da natureza, imerso em seu meio ambiente, em intercâmbio com este com a finalidade de adaptar-se. Os organismos biológicos implicam uma pluralidade de componentes em equilíbrio. Quando esse equilíbrio se rompe, surgem as necessidades que se traduzem na consciência como impulso para a superação do desprazer e para a realização do prazer. Isto leva a relação com o meio a fim de obter o necessário para restaurar o equilíbrio interno e o equilíbrio com o meio. Nesta perspectiva, todo ato mental e toda conduta exterior se explicariam em ultima instância como movimento para a compensação de uma privação, de uma carência ou debilidade. Ou seja, todo amor é amor de concupiscência. Não há lugar para a ação que brota da perfeição, do bem difusível de si (porque tal bem não existiria), da doação desinteressada. Todo amor seria egoísta, possessivo, voraz, mesquinho. Não pode haver amizade. Este materialismo biologista e evolucionista elimina ou reduz as faculdades superiores do homem a meros instrumentos ordenados a adaptação. A inteligência não seria uma faculdade pela qual o ser humano se ordena a verdade como seu bem, senão o homem de todas as ações adaptativas que supõem a resolução de problemas não previstos por instinto. Deste modo, o verdadeiro dá lugar ao útil. O pragmatismo é um pressuposto consciente ou inconsciente em quase todas estas correntes. Também o construtivismo se apoia sobre estes pressupostos, como se vê tão claramente em seu precursor, Jean Piaget. O conhecimento seria a construção de ações que são esquema de transformação da realidade. Para esta concepção, conhecer é transformar a realidade, manipulá-la. No fundo, não há verdadeira cognição. Se não há cognição, não há contemplação do bem. Sem contemplação do bem, não há amizade em seu sentido pleno, senão concupiscência, amizade deleitável e amizade útil. Mas não amizade bela, não esse amor pelo qual se ama a pessoa como tal, como outro eu, como uma alma em dois corpos.
Ainda mais deteriorada que a inteligência são as concepções de vontade, o apetite racional despertado pela cognição da verdade. Sem vontade, não há amor de amizade, só pode haver amor de concupiscência, não só no sentido do amor que é para alguém, mas amor como ato do apetite concupiscível, amor do bem deleitável, e derivadamente do que é meio para a obtenção do bem deleitável. Não é, portanto, estranha a atitude geral de desconfiança da psicologia contemporânea para a amizade. É que, neste contexto teórico, as relações humanas não podem ser outra coisa que mútua instrumentalização: Os pais usariam seus filhos para prolongar seu narcisismo; namorados se usariam mutuamente para obterem satisfação física ou controle moral sobre os outros; o psicoterapeuta não poderia considerar-se amigo de seu paciente, porque poderia ficar entrelaçado nos conflitos do paciente. Isto é assim porque em todo amor nos estaríamos buscando a nós mesmos, e não iria dirigido ao outro conservando sua própria personalidade e bem. Não é estranho, por tudo isto, que, falando muito sobre o amor, o desejo, as relações objetais ou interpessoais, as influências familiares e sociais sobre a personalidade, etc., a psicologia contemporânea em geral tem negligenciado quase completamente o tema da amizade, ou a relegou ao plano da quimera. Evidentemente, nenhum espaço se dá aqui para a ordem sobrenatural e o amor de caridade.”
(Martín Federico Echavarría, El Amor y la Amistad en la Psicologia Aristotélico-Tomista y en el Psicoanálisis)

Tradução de Rafael de Abreu Ferreira

sábado, 27 de julho de 2019

Liesel Mueller: Horas Tardias

Nas noites de verão o mundo
se move ao alcance do ouvido
na interestadual com seus silvos
e rugidos, uma ocasional sirene
que nos provoca arrepios.
Às vezes, em noites claras e serenas,
vozes flutuam em nosso quarto,
lunares e fragmentadas,
como se o céu as houvesse liberado
bem antes de nosso nascimento.

No inverno fechamos as janelas
e lemos Tchekhov,
quase a chorar por seu mundo.

Que luxo, sermos tão felizes
que podemos nos afligir
por conta de vidas imaginárias.


https://blogdocastorp.blogspot.com

domingo, 21 de julho de 2019

O fim dos tempos


"Vigiem sobre a vida uns dos outros. Não deixem que sua lâmpada se apague, nem afrouxem o cinto dos rins. Fiquem preparados porque vocês não sabem a que horas nosso Senhor chegará.
Reúnam-se com frequência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhes servirá todo o tempo que viveram a fé se no último instante não estiverem perfeitos.
De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.
Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.
Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.
Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele". Então o mundo assistirá ao Senhor chegando sobre as nuvens do céu."
(Didaquê, Capítulo XVI)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Transgeneridade é um transtorno mental, afirma médico norte-americano


“Dr. McHugh, autor de seis livros e pelo menos 125 artigos médicos, fez essas afirmações em um comentário recente no Wall Street Journal, onde explicou que a cirurgia transexual não é a solução para as pessoas que sofrem dessa desordem – a noção de que a sua masculinidade ou feminilidade é diferente do que a natureza lhes atribuiu biologicamente.
Ele também falou sobre um novo estudo que mostra que a taxa de suicídio entre pessoas transexuais que fizeram a cirurgia de redesignação é 20 vezes maior do que a taxa de suicídio entre os não-transexuais. Dr. McHugh ainda mencionou que estudos da Universidade de Vanderbilt e da Portman Clinic, de Londres, observaram algumas crianças que haviam demonstrado comportamentos transexuais. Ao longo do tempo, de 70% a 80% dessas crianças deixaram espontaneamente esses comportamentos.
Enquanto o governo Obama, Hollywood e grandes meios de comunicação, como a revista Time, promovem o fenômeno transgênero como algo normal, disse o Dr. McHugh, “os legisladores e os meios de comunicação prestam um desfavor ao público e às pessoas transgêneras tratando suas confusões como um direito que precisa ser defendido e não como um transtorno mental que necessita de compreensão, tratamento e prevenção”.
Segundo o médico, a desordem do transgênero consiste na “suposição” de que eles são diferentes da realidade física de seu corpo, da sua masculinidade ou feminilidade, conforme atribuído pela natureza. É uma doença semelhante à de uma pessoa extremamente magra que sofre de anorexia, que se olha no espelho e pensa que está acima do peso.
Esta suposição de que o gênero é apenas uma condição mental, desprezando a anatomia, tem levado algumas pessoas transexuais a requerer que a sociedade aceite essa “verdade pessoal” subjetiva, disse o Dr. McHugh. Como resultado, alguns estados – Califórnia, New Jersey e Massachusetts – aprovaram leis barrando psiquiatras, mesmo com a autorização dos pais, de se esforçarem para restaurar os sentimentos de gênero naturais a um menor transgênero.
Os ativistas da causa transgênera não querem saber dos estudos que mostram que entre 70% e 80% das crianças que expressam sentimentos transexuais perdem espontaneamente esses sentimentos ao longo do tempo. Além disso, dos que fizeram a cirurgia de redesignação sexual, a maioria disse estar “satisfeita” com a operação, mas suas condições psico-sociais posteriores não são melhores do que aqueles que não fizeram a cirurgia.
“Assim, o Hospital Hopkins parou de fazer a cirurgia de redesignação sexual, uma vez que um paciente “satisfeito ” mas ainda perturbado parecia uma razão inadequada para amputar cirurgicamente os órgãos normais” disse o Dr. McHugh.
O ex-chefe do hospital também alertou contra permitir ou incentivar certos subgrupos, tais como os jovens, suscetíveis a apologia do “tudo é normal” presente na educação sexual, e aos “gurus da diversidade” que habitam as escolas, que, como “líderes culturais”, podem incentivar estes jovens a se distanciar de suas famílias e oferecer conselhos sobre como rebater argumentos contrários à cirurgia transexual.
“Mudança de sexo é biologicamente impossível”, disse McHugh. “As pessoas que se submetem à cirurgia de redesignação de sexo não mudam de homens para mulheres ou vice-versa. Em vez disso, eles se tornam homens feminilizados ou mulheres masculinizadas. Alegar que isso é uma questão de direitos civis e encorajar a intervenção cirúrgica é, na realidade, promover um transtorno mental.””

https://pautaprincipal.wordpress.com

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Corporativismo


“É uma doutrina político-econômica, que considera a sociedade humana naturalmente estruturada em grupos profissionais, concebidos como seus elementos básicos. Daí a ideia de constituir-se o governo não através de representantes de regiões geográficas, mas de representantes de agrupamentos profissionais ou corporações. Essa doutrina tem raízes nas ideias desenvolvidas pelas encíclicas Rerum Novarum (1891, Leão XIII) e Quadragesimo Anno (1931, Pio XI), que assinalaram e valorizaram o papel que a vida profissional desempenha na sociedade humana, acentuando que “o princípio de uma união para o conjunto das profissões, se acha no bem comum da sociedade, ao qual devem elas todas e cada uma por sua parte tender, pela coordenação de seus esforços” (Pio XI). No entanto, o moderno corporativismo se distanciou do pensamento da Igreja, estendendo o controle governamental a todas as esferas da vida e da atividade social, daí decorrendo a falta de autonomia e de liberdade em oposição às encíclicas citadas. “A ordem social exige que, no seio da sociedade civil, todas as comunidades inferiores possam desempenhar as funções que lhes são peculiares. Por isso, ao Estado compete não substituir-se aos grupos profissionais, e sim favorecer-lhes a expansão, quando necessário, a autoridade, no plano profissional, e coordenar-lhes as atividades para o bem comum nacional” (Pio XI). O corporativismo serviu como base ideológica para a política de controle, por parte do governo e do partido majoritário, das atividades patronais e do movimento operário, nos países de regime ditatorial, refletindo não a conjugação de esforços livres e conscientes de grupos profissionais, mas a imposição da vontade do ditador. No entanto, o corporativismo autêntico, baseado na organização de corporações livres, das quais participavam patrões e operários, tinha em vista institucionalizar as relações de classe, não à base da luta, mas do diálogo permanente. Por outro lado, porém, não pressupunha a extinção dos sindicatos, aos quais incumbia a defesa dos interesses dos operários de todas as corporações da mesma confissão. O tecido social devia assim ser urdido por linhas verticais, as corporações, e por linhas horizontais, os sindicatos.
O corporativismo seduziu o pensamento de Pio XI que o indicava como uma terceira via entre as democracias liberais, as quais lhe pareciam esgotadas, e os regimes totalitários de direita e de esquerda que cresciam com força ameaçadora. O corporativismo cristão foi de tal modo indevidamente identificado com as estruturas fascistas, que a derrocada do fascismo soterrou também a proposta alternativa cristã, que ainda Pio XII procurou resgatar. Só vários anos mais tarde, Paulo VI na Octogesima Adveniens, 1971, explicitava com clareza a ideia de que a Igreja renunciava a qualquer pretensão de propor modelos alternativos, considerando-os de responsabilidade das comunidades nacionais. Hoje o termo corporativismo vem assumindo o sentido pejorativo da defesa intransigente de interesses e privilégios cartoriais, sem nenhuma consideração com o bem comum.”
(Fernando Bastos de Ávila, Pequena Enciclopédia de Doutrina Social da Igreja)