segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mais sobre a Skull & Bones

“Voltemos nossa atenção agora para uma organização poderosa dos Illuminati nos Estados Unidos, a ordem Skull & Bones.
Seus próprios membros a denominavam The Order (A Ordem).
Ela é conhecida há mais de 150 anos como grupo local 322 de uma sociedade secreta alemã. Outros a denominam de Brotherhood of Death (Fraternidade da Morte). A ordem secreta Skull & Bones (Crânio e Ossos) foi introduzida na Universidade de Yale por William Huntington Russel e Alphonso Taft em 1833. Foi Russel que a trouxe, após seus estudos em 1832, da Alemanha para Yale. A ordem foi incorporada no Russel Trust em 1856.
William Russel tornou-se, em 1846, membro da assembléia do estado de Connecticut e em 1862 foi nomeado General da Guarda Nacional.
Alphonso Taft tornou-se Ministro da Guerra em 1870, depois Procurador Geral em 1876 e Embaixador dos Estados Unidos na Rússia em 1884. Seu filho tornou-se mais tarde Juiz Presidente da Suprema Corte e depois Presidente dos Estados Unidos.
Uma velha tradição pede que se represente sobre os túmulos dos franco-maçons com grau de mestre um crânio e ossos dispostos em forma de cruz. Isso remonta também a um rito dos templários em 1227 d.C. O nome da ordem vem provavelmente de uma dessas tradições.
Yale é a única universidade com sociedades secretas onde são admitidos somente os seniors, ou seja, os veteranos. As duas outras sociedades secretas são os Scroll & Key (Rolo e Chave) e Wolf's Head (Cabeça de Lobo).
Os candidatos são exclusivamente brancos, homens, protestantes e são originários, habitualmente, de famílias muito ricas. Freqüentemente, seus pais já eram membros da mesma ordem. Durante o último ano de estudo, são denominados cavaleiros e mais tarde eles se tornam patriarcas vitalícios.
Os patriarcas encontram-se para as reuniões no Deer Island Club em Nova Iorque. Esse clube deve sua existência desde 1907 ao patriarca George Douglas. O Deer Island Club assim como o Russel Trust são administrados e dirigidos somente pelos patriarcas.
É espantoso verificar que os membros mais eminentes do Eastern Liberal Establishment (o Establishment da costa leste) sempre foram membros de uma dessas sociedades. Segundo Gary Allen, o Establishment da costa leste é a perífrase da máfia financeira, política, acadêmica e da mídia controlada pelos Rockefeller.
A propósito, um banco digno de ser mencionado é o “W. A. Harriman Co.” Seu fundador, William Averall Harriman, foi iniciado na ordem Skull & Bones em 1913. Nos anos 20, W. A. Harriman foi aquele que mais sustentou os russos com dinheiro e auxílios diplomáticos. Seu sustento financeiro vinha do “Ruskombank”, o primeiro banco comercial soviético. Max May, vice-presidente do Guaranty Trust e membro da Skull & Bones, tornou-se o primeiro vice-presidente do “Ruskombank”.
A Guaranty Trust estava sob o controle do banco “J. P. Morgan & Co.” (banco associado ao banco N. M. Rothschild), e alguns dos associados de “J. P. Morgan” eram membros da Skull & Bones. Aí foram iniciados: Harold Stanley em 1908 e Thomas Cochran em 1904. O capital inicial para o Guaranty Trust vinha de Whitney, Rockefeller, Vanderbilt e Harriman; todas essas famílias tinham membros na ordem Skull & Bones.
Percy Rockefeller foi o único de sua família a ser aí admitido.
Ele representava os investimentos Rockefeller na Guaranty Trust e foi seu diretor de 1915 a 1930.”
(Jan van Helsing, Geheimgesellschaften und ihre Macht im 20. Jahrhundert)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Napoleão Bonaparte e a maçonaria

“A Revolução francesa tinha deixado claro o considerável papel da maçonaria como elemento de erosão de qualquer poder constituído. Pode-se argumentar que é possível que a própria maçonaria tenha sido superada pelo monstro que criou e que alguns irmãos maçons pagaram por isto – literalmente – com a cabeça. No entanto, a capacidade subversiva dessa sociedade secreta é inegável. Poucos souberam extrair melhor as lições pertinentes da Revolução que um general de origem corsa chamado Napoleão Bonaparte.
Há especulações sobre uma possível iniciação de Napoleão na maçonaria, que teria ocorrido em 1798, na ilha de Malta e no seio de uma loja maçônica formada majoritariamente por militares. As provas não são de todo conclusivas, mas não há dúvida de que Bonaparte utilizou conscientemente a maçonaria como um instrumento político.
Os dados a respeito são bem significativos. Quatro dos irmãos de Napoleão – bem como seu pai – foram maçons. Este foi o caso de José, que seria rei da Espanha; de Luís, rei da Holanda; de Luciano, príncipe de Cannino; e de Jerônimo, rei da Westfália. Não terão sido exceções. Joaquín Murat, cunhado de Napoleão e marechal, e seu enteado Eugênio de Beauharnais também foram maçons. Em relação aos marechais de Napoleão – e este é um dado bem significativo da penetração maçônica no exército – , vinte e dois entre os mais importantes eram “filhos da viúva”.
Napoleão tinha o firme propósito de controlar as lojas maçônicas e, com certeza, conseguiu. Quando Bonaparte tomou o poder, a maçonaria francesa encontrava-se dividida entre o Grande Oriente e o Rito escocês. Ele conseguiu, assim, que José Bonaparte fosse eleito grão-mestre do Grande Oriente, enquanto Luís conseguia o mesmo cargo no Rito escocês. Em dezembro de 1804, ambas as obediências se fundiram, com José como grão-mestre. Em sua imbricação com a maçonaria, Napoleão chegou ao ponto de forçar a entrada das mulheres nas lojas maçônicas para outorgar a Josefina o cargo de grã-mestra.
Dificilmente pode-se dizer que Napoleão fosse defensor da liberdade, mas ele era, sim, consciente da utilidade da maçonaria. Esta lhe permitia – como manifestaria no seu Memorial de Santa Elena – contar com um exército que lutava “contra o papa”, manter, com vigor, as forças armadas sob controle e a polícia em suas mãos, além de proporcionar-lhe um instrumento de captação e propaganda favorável ao domínio francês da Europa.
Não é de se estranhar, portanto, que os maçons se identificassem com a ditadura napoleônica que estava retalhando o mapa europeu a sangue e fogo. Um maçom, claro, compôs o seguinte hino de louvor a Napoleão:
Eis aqui o que conseguem o ouro e a traição:
Sozinho te vês, orgulhoso ilhéu!
Vais prolongar tua luta temerária?
Treme. Os deuses apóiam Napoleão.
Cede ou muito em breve este nobre grito de guerra
Ressoará nas entranhas de Albion:
Viva Napoleão!

É difícil acreditar que espanhóis, austríacos, russos ou prussianos compartilhassem o entusiasmo maçônico por Napoleão e não foram poucos aqueles que se sentiram indignados quando ele, em 1810, fez o papa prisioneiro e anexou os Estados Pontifícios. Mas se este episódio provocou horror nos católicos e em muitos que não o eram, causou regozijo entre os maçons. Napoleão não só estava vencendo as trevas clericais como, além disso, estava expandindo o ideário da Revolução francesa. Não causa surpresa que, quando os prefeitos franceses levaram ao fim uma investigação para saber se os maçons eram leais, o resultado foi que todas as lojas maçônicas identificavam-se com Napoleão. A única exceção encontrava-se no cantão de Genebra, que tinha sido invadido em 1798 por tropas francesas.
No resto dos países invadidos por Napoleão, a maçonaria também estava desempenhando papel de significativa importância. As forças invasoras e de ocupação foram criando, no seu caminho, lojas maçônicas nas quais tentavam integrar as elites nacionais, que, desta forma, ficavam submetidas a Napoleão. Foi assim, pela mão dos invasores franceses, que a maçonaria chegou à Espanha.”
(César Vidal, Los Masones: La Historia De La Sociedad Secreta Más Poderosa Del Mundo‏)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um falso dilema

“A objeção deles à nossa posição, em suma, é que o único magistério vivo digno desse nome é o magistério de hoje, não o de ontem. Apenas o magistério de hoje pode dizer o que se conforma à Tradição e o que lhe é contrário, pois somente ele representa o magistério vivo, o intérprete da Tradição. Portanto, devemos escolher uma de duas coisas: ou rejeitamos o Vaticano II, julgando-o contrário à Tradição, mas ao mesmo tempo contradizendo o único magistério possível, o magistério vivo, que é o de hoje (o magistério de Bento XVI), e não somos católicos mas protestantes; ou pelo contrário decidimos não ser protestantes e somos obrigados a aceitar o Vaticano II para obedecer ao magistério vivo, que é o de hoje, declarando que o Concílio está em conformidade com a Tradição. Isto é um dilema, em outras palavras, um problema com nenhuma solução visível além das duas que foram indicadas: se tentarmos evitar um dos dois chifres, não evitaremos o outro. Mas na realidade esse dilema é falso. Pois existem também os falsos dilemas...
As duas alternativas podem ser evitadas, ambas ao mesmo tempo, porque existe uma terceira solução. É possível rejeitar o Vaticano II sem ser protestante e obedecendo ao magistério; é possível não ser protestante e obedecer ao magistério sem aceitar o Vaticano II... O dilema é falso porque uma distinção indispensável é omitida. Se fizermos a distinção, encontraremos a saída do dilema, porque mostraremos que há uma terceira alternativa. Nossa resposta, portanto, consiste em fazer essa distinção.
... [a expressão] “magistério vivo” não significa “contrário ao magistério passado”; significa “contrário ao magistério póstumo”. O magistério vivo é o magistério do presente, mas também o do passado. A objeção à nossa posição consiste em combinar “magistério vivo” e “magistério presente” e estabelecer esse “magistério vivo” em oposição ao magistério passado. Essa combinação ocorre porque eles situam-se a si mesmos exclusivamente dentro do ponto de vista do sujeito. Eles não mais distinguem entre dois pontos de vista: o do ofício ou função (no qual o magistério vivo é ao mesmo tempo presente e passado) e o ponto de vista do sujeito (no qual o magistério vivo é apenas presente). Os dois se confundem e assim reduzem o magistério vivo ao magistério presente.
O argumento sofista usado contra nós consiste em confundir os dois significados do adjetivo “vivo” quando atribuído ao magistério. Nós dizemos que o magistério inclui todo o magistério do passado e do presente, e desta forma tomamos o ponto de vista correto, que é a perspectiva de uma função constante que está sempre em vigor, uma função cujo ato é definido por seu objeto. Os que objetam tomam o ponto de vista do sujeito e afirmam que o magistério vivo coincide exclusivamente com o magistério de um indivíduo presentemente vivo.
Por que essa confusão? Por que reduzir o magistério ao magistério do presente? Porque desde o Vaticano II eles estão tentando inventar um novo magistério. O magistério é redefinido, porque sua tarefa [agora] é exprimir a continuidade de um sujeito e não mais a continuidade de um objeto. A continuidade de um sujeito, Bento XVI nos diz em seu discurso de 2005 [à Cúria Romana], “que aumenta no tempo e se desenvolve, mas permanecendo sempre o mesmo e único sujeito do Povo de Deus em caminho”. Para Roma, o magistério vivo é exatamente o magistério de Bento XVI, ao contrário do magistério de São Pio X ou de Pio XII. E esse magistério é corrente porque é subjetivo, porque expressa a continuidade de um sujeito. Esse é um dos pressupostos da Tradição viva no discurso de 2005.
O magistério não mais se define em termos da verdade eterna e perene da revelação (que permanece a mesma, seja no passado, no presente ou no futuro). Esse novo magistério redefine-se em termos do atual sujeito de autoridade, que é ele mesmo o porta-voz de outro sujeito mais fundamental que é o único povo de Deus em sua jornada através dos tempos. O magistério vivo é sempre o magistério deste tempo presente, porque se situa em relação ao Povo de Deus que vive neste tempo presente. O papel do magistério é garantir a continuidade de uma experiência, é o instrumento do Espírito que alimenta a comunhão “assegurando a conexão entre a experiência da fé apostólica, vivida na comunidade original dos discípulos, e a experiência atual [i.e corrente] de Cristo em sua Igreja” (Bento XVI, “Comunhão no tempo: Tradição”, Discurso à Audiência Geral, 26 de abril de 2006).”
(Pe. Jean-Michel Gleize, F.S.S.P.X, Magisterium or Living Tradition, trechos da conferência proferida em 25 de janeiro de 2012 em Sion, na Suíça)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ato de amor perfeito e contrição perfeita atribuído a São Francisco Xavier

“Não me move, meu Deus, para querer-te,
O Céu que me tens prometido,
Nem me move o inferno, tão temido,
Para deixar por isso de ofender-te.
Tu me moves, Deus meu, move-me o ver-te
Cravado em uma cruz, escarnecido;
Move-me o ver teu Corpo tão ferido,
Movem-me tuas afrontas e tua morte;
Move-me, enfim, teu amor e de tal maneira
Que, ainda que não houvesse Céu, te amaria,
E, ainda que não houvesse inferno, te temeria.
Nada tens que dar-me porque te quero;
Porque, se não esperasse o que espero,
Te queria o mesmo que te quero.”

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ato de contrição do Venerável Marcos de Aviano

“Eu, ruim e indigna criatura, me lanço a Vossos pés, Deus meu, e, com o coração contrito e aflito, reconheço e confesso diante de Vós, Redentor de minha alma, que, desde o instante em que nasci até agora, tenho cometido inumeráveis negligências e pecados.
Tenho-Vos ofendido, Deus meu! Pequei, Senhor! Porém, detesto os meus pecados e me arrependo do íntimo do coração. Por isso, prometo solenemente não mais pecar. Porém, se Vós, em Vossa altíssima sabedoria, preveis que posso novamente ofender-Vos e cair outra vez no Vosso desagrado, de todo o coração Vos peço que me leveis agora desta vida, em Vossa graça.
Oxalá a minha dor fosse tão grande que o propósito de não mais Vos ofender permanecesse sempre imutável! Porque Vos devo infinito agradecimento pela Vossa divina bondade e porque mereceis que Vos ame sobre todas as coisas, arrependo-me de meus pecados, não tanto para livrar-me dos tormentos eternos que por eles mereci, nem para gozar das delícias do Céu, que tão inconsideradamente desprezei, como porque Vos desagradam a Vós, Deus meu, que, por Vossa bondade e infinitas perfeições, sois digno de infinito amor.
Oxalá todas as criaturas Vos mostrem sem interrupção amor, reverência e agradecimento. Amém.”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A verdade sobre Galileu (II)

“O Pe. Grassi sustentou duas acusações fundamentais contra Galileu.
O nominalismo de Ockham, segundo o qual as qualidades das coisas são apenas nomes, mas não existem na realidade. Se vejo a cor vermelha no objeto, essa cor está na minha percepção, mas não realmente no objeto. Se vejo a luz do sol, ela está na minha percepção, mas não no sol. Com efeito, é um absurdo.
O “atomismo” de Demócrito: se os átomos ou corpúsculos ou “mínima” constituem a substância do objeto, então as percepções sensíveis, que são o produto dessas partículas, fazem também parte da substância da coisa.
Se, pois, nas espécies eucarísticas, as formas sensíveis do pão e do vinho subsistem após a consagração, é que a substância das mesmas continua presente. Por conseguinte, não ocorre transubstanciação, mas consubstanciação e a tese de Galileu não faz senão retomar a de Lutero e dos protestantes. Galileu, o filósofo oficial da corte pontifícia e o grande amigo do papa, não passa de um protestante camuflado...
Com efeito, as congregações gerais dos jesuítas sempre condenaram o “atomismo” em voga entre os humanistas e proibiram que fosse ensinado nos colégios da Companhia. Condenação renovada no curso do século XVII com uma notável insistência.
A 1º de abril de 1623, a Companhia de Jesus havia interdito o ensinamento da doutrina do atomismo nos colégios. Não se deve identificar a substância com a extensão e as qualidades. As partículas são apenas as medidas da matéria. O atomismo não passa de uma forma sutil de materialismo. Se é a matéria que produz as formas sensíveis e as qualidades das coisas, então ela é a criadora dessas formas; ela é então de natureza divina...
Essa condenação foi renovada em 1641, em 1643 e 1649.
Eis a forma protestante: “O pão e o Corpo de Cristo estão realmente, mas não substancialmente nem essencialmente presentes, porque se o pão não tivesse mais substância, ele não seria mais nada e por conseguinte não seria nem sequer um sacramento.” Vê-se aí a velha tentação nominalista.
Por onde se vê que os ensinamentos filosóficos, contrários ao bom senso e à razão, provocam conseqüências desastrosas nas afirmações da doutrina católica. O filósofo cristão não pode, pois, ensinar o nominalismo nem o atomismo sem atacar a fé.
A acusação era grave, e Galileu o compreendeu logo. Ficou com medo. Tentaram tranqüilizá-lo. Seu livro havia recebido imprimatur e aprovação entusiasta do papa. Ele creu poder esperar impunidade, mas a suspeita de heresia começava a circular pela cidade, não obstante a proteção do papa. Aconselhou-se a Galileu que não retrucasse, que guardasse silêncio; diríamos hoje, vulgarmente, que “enfiasse a viola no saco”; pois Galileu bem sabia que a acusação estava fundamentada e que o Pe. Grassi havia compreendido bem a intenção subjacente do autor.
A funda dos cardeais
Aos 18 de abril de 1631, na Capela Sixtina, em presença do papa Urbano VIII e durante a liturgia da Sexta-Feira Santa, o Pe. Grassi, eminente jesuíta, pronunciou uma oração solene que deve ter soado desagradavelmente aos ouvidos do papa:
“Devemos deplorar, Reverendos Padres, uma terrível destruição e uma imensa ruína. O edifício que a Sabedoria Divina havia erigido com suas próprias mãos, esse templo eterno da paz entre Deus e os homens foi demolido por saqueadores ímpios, destruído, reduzido a pó.
Com efeito, como é atroz assistir à cena da ruína iminente. Esses instrumentos, essas alavancas, esses operários, tudo está pronto para a espantosa empreitada de destruição...Os guardiães do templo, novos levitas, dormem um profundo sono. Mas o terror os desperta agora do profundo sono. A turba dos saqueadores avança. O véu do templo já está arrancado, quando a alma se separa de Cristo; toda a estrutura tomba e um tal ruído semelhante ao da morte, mesmo que estejam dormindo, os obriga a acordar. As coisas sagradas são tripudiadas, os altares profanados, o templo em ruína. Onde nos refugiaremos, onde, pergunto eu?”
Que se passava então? O exército sueco de Gustavo Adolfo percorria a Europa, destruindo, incendiando, assassinando tudo em sua passagem. Os exércitos imperiais estavam desamparados e impotentes diante de tal fúria. Gustavo Adolfo aproximava-se dos Alpes. A 7 de abril ele estava na Baviera, pilhando e saqueando os colégios dos jesuítas, condenando-os a fugir ou a esconder-se. A situação era grave e, entretanto, “os levitas dormiam”. O papa, evidentemente, estava designado. Gustavo Adolfo ameaçava Roma. Reinava a insegurança. Era preciso dar um basta.
Várias vezes já os cardeais haviam censurado ao papa sua complacência com os hereges em Roma. Reclamava-se uma ação enérgica, uma cruzada católica contra a heresia e as novidades subversivas.
A 8 de março de 1632, o cardeal Borgia levantou-se, denunciou as fraquezas do papa e começou a ler um memorial “de grande importância para a religião e a fé”. Repreendeu ao papa sua atitude conciliatória em face do rei da Suécia. Urbano VIII quis cortar-lhe a palavra e ameaçou-o de deposição. O próprio irmão do papa quis apanhá-lo à força, mas os outros cardeais agruparam-se em torno dele para protegê-lo. Foi um tumulto, um escândalo em pleno consistório.
O fato chegou ao conhecimento de todas as chancelarias. A Espanha reagiu imediatamente, protestou diplomaticamente contra as fraquezas do papa diante dos inimigos da religião, apoiou energicamente o cardeal Borgia, que se tornara o verdadeiro senhor do consistório. Cogitou-se a deposição do papa.
Alguns dias mais tarde, o imperador Habsburgo enviou a Roma seu conselheiro, o cardeal jesuíta Peter Pazmani, que veio repetir ao papa as mesmas ameaças de Madri. O papa teve de prometer um maior rigor para a defesa da ortodoxia. “A admirável conjuntura” estava terminada.
O falso processo
Em março de 1632, Galileu publicava o Diálogo, honrado com um breve do papa e munido de imprimatur. Galileu aí retomava as teses de Copérnico sobre os movimentos da terra e as marés, com a autorização do Vaticano, sob a condição de não mesclar considerações sobre as Escrituras e apresentando-as como hipótese.
Galileu aproveitou o ensejo para retornar ao atomismo de Demócrito e atacar Aristóteles. Identificou a substância corporal com seus componentes materiais e quantitativos, reduzindo o real a seu valor numérico. Mas evitou empregar o vocábulo “átomo”, bem como falar em “substância”. Seu amigo e cúmplice, Campanella, cuja reputação de herético era notória, felicitou-o em uma carta de 3 de abril de 1632 por renovar os antigos pitagóricos e os adeptos de Demócrito. A carta tornou-se pública. A cumplicidade era evidente.
Uma denúncia foi enviada ao cartório do Santo Ofício. Imediatamente, o papa confiou o assunto a seu sobrinho, o cardeal Barberini. Ele não podia deixar o affaire em mãos do cardeal Borgia, prefeito do Santo Ofício, que o acusava abertamente de indulgência culpável e de falta de firmeza na obra da Contra-Reforma. Levar o caso ao Santo Ofício teria sido um verdadeiro suicídio político para o papa, um enorme escândalo, a prova da sua cumplicidade com os inovadores.
O cardeal sobrinho formou uma comissão especial independente do Santo Ofício. Assegurou-se a Galileu acerca das intenções benévolas do papa, seu grande amigo, e o cardeal sobrinho explicou ao núncio de Florença, em uma carta de 25 de setembro de 1632: “As obras de Galileu foram entregues a uma comissão particular com o cuidado de examinar e de ver se se poderia evitar seu envio à Sagrada Congregação do Santo Ofício”. O papa precisou ao mesmo núncio que ele havia feito um grande favor a Galileu não submetendo tal matéria ao tribunal, mas a uma congregação particular, criada expressamente, o que era muito significativo.
Galileu foi intimado pelo cardeal sobrinho, incumbido da sua defesa. Ele devia reconhecer haver defendido a teoria de Copérnico, mostrar-se conciliador, não protestar: “O tribunal então poderá ser clemente com o acusado e Sua Santidade ficará satisfeito”. Assim se fez. Galileu foi obrigado a proclamar publicamente em uma igreja a condenação do heliocentrismo já formulada antes contra Copérnico. Ele fez essa declaração a 22 de junho de 1633, para satisfação de todos. O papa deu-lhe um castelo como residência vigiada.
Mas o cardeal Borgia, indignado com a manobra, havia-se recusado a assinar o processo verbal. No dia seguinte, o Pe. Grassi foi exilado para Savóia. Impôs-se-lhe interdito de publicar qualquer material; como jesuíta fiel e obediente, submeteu-se. O texto da segunda denúncia contra o Diálogo desapareceu dos arquivos, assim como as atas das assembléias da Comissão Especial. A limpeza foi geral e bem feita.
Ponto final. O caso Galileu estava encerrado. O resto não passa de lenda, mito, mentira, impostura.
O fiasco de um pontificado
A última façanha, se assim se pode dizer, do papa Urbano VIII foi a fuga bem sucedida de Campanella.
Tomás Campanella, dominicano nascido na Calábria, em Stilo, possuía uma imaginação fecunda, conhecimentos extensos em cabala e alquimia, idéias tomadas de empréstimo a Joaquim de Fiore, uma atividade desordenada e furibunda.
Fazia-se chamar de “Messias”, anunciava as catástrofes do fim dos tempos. Como suas predições tardavam a cumprir-se, imaginou urdir uma conspiração para expulsar os espanhóis do Reino de Nápoles. Ele havia comprometido numerosos fidalgos e trezentos monges. Mas foi detido a tempo e condenado à prisão em Nápoles.
Campanella havia continuado a cruzada contra a escolástica e contra Aristóteles. Mas Urbano VIII veio em seu socorro. Durante três anos, ele negociou sua libertação com a corte de Madri. Em vão. Finalmente, prometeu ao rei da Espanha que o faria julgar pelo Santo Ofício. O rei, sem desconfiança, entregou-lho em 1626, após 25 anos de prisão. Imediatamente, o papa concedeu-lhe a liberdade e admitiu-o em sua intimidade.
Campanella publicou uma Apologia por Galileu e uma Defesa do Sistema de Copérnico, não Contrário à Escritura em 1634. Sua obra-prima, se se pode dizer, foi a A Cidade do Sol em que ele pregava uma comunidade total de bens e de pessoas, na esteira da Utopia de Thomas Morus.
Mas suas heresias eram conhecidas. Sofria ameaças, recorria-se ao Santo Ofício. Em desespero de causa, Urbano VIII entendeu-se com o conde de Noilles, embaixador da França, para ajudá-lo a fugir, disfarçado de cavalheiro. Ele foi calorosamente recomendado a Richelieu e ao rei Luís XIII. Deste obteve uma pensão de 3.000 libras e fixou-se em Paris onde trabalhava na biblioteca do rei. Gabriel Naudé, bibliotecário chefe, agradeceu publicamente a Urbano VIII, “em nome da ciência”, por haver protegido Campanella com sua autoridade. Ora, Naudé era membro da “Fraternidade Rosacruz”, cujo palavra de ordem era: “Guerra ao papa, abolição do culto”.
Quando a inquisição real de Nápoles se deu conta do subterfúgio, exigiu que lhe fosse devolvido seu prisioneiro. O papa recusou.
Conclusão
Em toda esta história há círculo vicioso. Humanistas, rosacruzes, lincei e outros formavam entre eles como uma vasta teia de aranha recobrindo toda a Europa. Esses homens estavam ligados por correspondências regulares e cumplicidades ativas, como acabamos de vê-lo.
O caso Galileu só pode ser compreendido realmente à luz de uma tragédia mais vasta, a tragédia do combate do protestantismo contra os dogmas da fé católica e contra a filosofia escolástica que é seu suporte necessário. Dava-se aparência de um ataque a Aristóteles e aos jesuítas do Colégio Romano. Na verdade, e de uma maneira astuta, trabalhava-se com encarniçamento por matar a fé nas almas.
Quando um papa é o eleito de um conchavo, quando sua eleição resulta de manobras subterrâneas, para dar o poder hierárquico a um amigo e cúmplice, este se acha em uma situação muito desconfortável.
Urbano VIII não pode declarar sua intenção profunda. Uma vez instalado na cátedra de Pedro, é obrigado, por sua função magisterial, a continuar ensinando as verdades de fé em que não crê mais e gostaria de destruir. Ele deve manobrar sutilmente entre aqueles que “fizeram” sua eleição, e lhe recordam sem cessar o que esperam dele, e o conjunto do clero romano fiel, que ignora essas manobras e se acha perplexo e ressabiado, diante de situações mal compreendidas.
É necessária uma singular aptidão para utilizar as fórmulas da fé católica, esvaziadas de suas substâncias, e colocá-las a serviço do panteísmo e da gnose.
Os mais perspicazes compreenderam. Foram os jesuítas do Colégio Romano, publicamente e violentamente atacados, também os cardeais indignados. Houve, em Roma, na ocasião, homens muito corajosos e enérgicos para dirigir-se firmemente contra um papa prevaricador. Mas houve também dois príncipes cristãos, o rei Filipe IV da Espanha e o imperador Fernando II de Habsburgo, que puseram todo o prestígio de sua autoridade e de seu poder contra Urbano VIII, até ameaçando-o de deposição.”
(Étienne Couvert, A Verdade sobre Galileu)

Tradução do Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A verdade sobre Galileu (I)

“O caso Galileu pertence ao arsenal de mentiras e imposturas que os historiadores modernos forjaram com todas as peças por ódio a Jesus Cristo e a sua Igreja, com a intenção declarada de destruir a fé. Desde o começo de nossas pesquisas sobre a gnose, não cessamos de deparar com mentiras de tal maneira enraizadas nos espíritos que nossos estudos e argumentos provocam ainda reações de desconfiança e ceticismo da parte de cristãos sinceros que têm dificuldade de se libertar dos modismos intelectuais do “politicamente correto, do cientificamente correto, do religiosamente correto”.
Este estudo sobre Galileu inscreve-se na seqüência daquilo que dissemos sobre os humanistas da Renascença, no capítulo II do nosso segundo volume: A Gnose contra a Fé, intitulado Gnose e Humanismo. De maneira que é útil relê-lo antes de abordar nosso trabalho e ter presente o que desenvolvemos sobre o caráter fundamentalmente anti-cristão de tal humanismo.
A condenação do heliocentrismo
Reproduzimos nosso texto.
"Sabemos que o culto de Mitra foi contraposto, desde os primeiros séculos cristãos, ao culto de Jesus Cristo. Mitra é o sol invencível (Sol Invictus). Quase que se tornou o culto oficial do Império Romano sob Aureliano. Ora, os humanistas do Renascimento restauraram esse culto, mas em segredo, em seus conventículos íntimos. O sistema heliocêntrico, ensinado por Copérnico e retomado por Galileu, é uma manifestação da adoração do sol. Copérnico escreveu em De Revolutionibus Orbium Coelestium: “In mundo vere omnium residet Sol. Quis enim in hoc pulcherrimo templo lampadem hanc in alio vel meliori loco poneret, quam unde totum simul possit illuminare. Si quidem non inepte quidam lucernam mundi, alii mentem, alii rectorem vocant, Trismegitum visibilem deum.”
O Sol é, pois, para Copérnico, o Espírito do mundo, o Reitor dos mundos, um deus visível. A referência a Hermes Trismegisto é significativa. O Sol tem, em sua morada, sede em todas as coisas do mundo e o mundo é seu templo. Não se trata de uma definição do panteísmo?
Galileu precisa: “Parece-me que na natureza se acha uma substância muito volátil, muito tênue, muito rápida, que, espalhando-se pelo universo, penetra tudo sem obstáculo, aquece, dá vida e torna fecundas todas as criaturas animadas. Parece que os sentidos nos mostram que o corpo do Sol é o receptáculo desse “espírito”, fora do qual se difunde sobre todo o universo uma imensa luz acompanhada desse espírito calorífico e, penetrando todos os corpos capazes de ser animados, dá-lhes vida e fecundidade.”
O sol é um deus visível no centro do universo. Imóvel, ele penetra todas as criaturas, ele é a fonte da vida, ele anima todas as coisas. Sem sombra de dúvida é um culto solar que Copérnico e Galileu praticavam. À luz desses textos os juízes do Santo Ofício condenaram Galileu. Assim, abrem-se novas perspectivas sobre o intrincado caso Galileu.”
Encerra-se a citação do nosso texto. Compreende-se, desse modo, que as considerações sobre os movimentos da terra e do sol são apenas pretextos para desenvolver um ensinamento fundamentalmente panteísta e as autoridades romanas não se enganaram a respeito. Aos 24 de fevereiro de 1616, o heliocentrismo de Copérnico era condenado pelo Santo Ofício. A justo título, como se viu. E para manifestar que os censores não eram patetas caídos em armadilhas, eles esclareceram que as proposições condenadas eram “absurdos em filosofia e formalmente heréticas”, mas que eles não prejulgavam as considerações puramente astronômicas ou físicas.
O caso deveria estar encerrado. Sem outras conseqüências. Mas eles tinham diante dos olhos uma verdadeira seita, muito bem organizada.
A Academia dos Lincei
Essa academia funcionava como um clube maçônico, com uma fachada mundana, oficial, que atraía a alta sociedade romana promovendo conferências, concertos, banquetes e recepções diversas, e um núcleo operacional na casa de campo de Pedro Cesi, em Acquaspartia, próximo a Urbino. Os três mentores da seita são Pedro Cesi, Cesarini, mas sobretudo monsenhor Ciampoli, o grão-mestre dos lincei, que veremos em ação mais adiante.
O programa é claríssimo. Eis a fórmula: “estabeleceremos por silogismos e experiências os paradoxos que aparecem completamente contrários aos dogmas sagrados.”
Retenhamos bem a fórmula. As experiências ditas científicas, os raciocínios chicaneiros só têm um fim: destruir a fé, mudar a religião. A confissão é aguda.
Trata-se de lançar, tomando pretextos de ordem científica, como a disputa dos cometas, um ataque de grande estilo contra as bases intelectuais da cultura tradicional que prevalece em Roma. O que está em jogo é o prestígio e a legitimação intelectual dos lincei. Ela será, pois, confrontada com a resistência do Colégio Romano dos Jesuítas, onde reinava o respeito à tradição aristotélica em filosofia e a vigilância sobre os princípios da fé católica.
Galileu é um membro eminente da Academia. Aos 17 de julho de 1620, durante uma sessão secreta em Acquaspartia, decidiu-se a denominada operação “Sarseide”. Galileu, que devia preparar uma obra para denunciar a física aristotélica, tratada de puro “nominalismo”, lançara o slogan: “O livro da natureza não foi escrito para ser lido somente por Aristóteles. Esse grande livro do mundo está ao alcance de todos. Os comentários de Aristóteles são como uma prisão da razão”. Ele devia pôr sua autoridade a serviço da Academia para assegurar seu prestígio e sua legitimidade intelectual. Ele se pôs a trabalhar.
Entretanto, aos 17 de setembro de 1621, o cardeal Belarmino, enérgico prefeito do Santo Ofício, falecia. Enfim, podia-se aproveitar de uma grande liberdade para as “novidades”.
Em 1622, o manuscrito do Saggiatore está em mãos dos lincei. Ele foi revisto e corrigido por Cesarini, depois pelo príncipe Cesi, e o texto definitivo foi redigido por monsenhor Ciampoli, o grão-mestre. É uma máquina de guerra contra “os adoradores obstinados da Antigüidade”, contra os jesuítas do Colégio Romano. A obra está plena de sarcasmo e zombarias contra eles. Maneja a arma do ridículo, apontada contra o Colégio Romano e contra o acatamento do princípio de autoridade da tradição, com as fórmulas fustigantes e insultantes contra “os patos incapazes de seguir os vôos das águias...”
Ora, para os jesuítas, o princípio de autoridade é mais sagrado que uma citação criticável. Era um valor de caráter religioso e um ponto fundamental da luta contra a heresia. Por isso, reagiram.
Achavam-se – disseram eles –, na obra, os átomos de Epicuro, as idéias de Demócrito, o nominalismo de Ockham, as elucubrações confusas de matriz pitagórica. Um panegírico dos autores pagãos com odor de ateísmo e dos autores católicos com odor de heresia. Um verdadeiro escândalo, portanto.
Um papa “inovador”, Urbano VIII
Em 1623, ocorre um novo conclave... Monsenhor Ciampoli “trabalha” os cardeais, intriga e “faz” o papa Urbano VIII, na pessoa de Maffeo Barberini, o papa dos “inovadores”, o amigo de Galileu. É uma explosão de alegria para os membros da Academia dos Lincei. Maffeo Barberini é um jovem, poeta, esportivo; diríamos hoje pop. Ele se apressa a colocar os lincei nos cargos mais importantes da corte. Monsenhor Ciampoli continua sendo um conselheiro íntimo e discreto.
O jovem sobrinho do novo papa, Francisco Barberini, é feito cardeal e dirige o pontificado. Ele será a alma penada do seu tio.
Ao longo das grandes festas e manifestações de júbilo organizadas pelos lincei para promover o novo papa, Galileu é recebido oficialmente como filósofo do Vaticano, em uma bela cerimônia, a 23 de abril de 1624. Barberini sabe que deve sua eleição ao grão-mestre dos lincei, Monsenhor Ciampoli. Este conhece “os sinais dos tempos”. Para ele, esse pontificado é uma “admirável conjuntura”.
Graças a ele, o mundo de Aristóteles está liquidado. Galileu é “o filósofo cristão moderno” que substitui o pagão Aristóteles no cume da nova cultura católica. Ele nomeia seus amigos e os de Galileu para a Sapientia, nova universidade romana, que ele dirige contra o Colégio Romano dos jesuítas.
A nova filosofia é apresentada à corte, do púlpito, nas academias e famílias da sociedade romana. Revolução cultural que permitia esperar para logo poder relançar a campanha em defesa de Copérnico condenado.
Urbano VIII dirigiu-se contra os jesuítas. Em 1627, recusou a canonização do cardeal Belarmino e impôs na ocasião a obrigação de esperar cinqüenta anos antes de iniciar um processo. Nomeou o cardeal Pedro de Berule, “o novo teólogo”, o místico reformador da fé, grande inimigo dos jesuítas e grande amigo de Saint-Cyran. É ele que vai orientar os oratorianos da França na direção do jansenismo por dois séculos.
Ora, a 3 de novembro de 1624, em seu discurso inaugural do Colégio Romano, o Pe. Spinola condena fortemente as “tentativas de edificar um novo monumento humano de sabedoria”. Ele compara a nova filosofia pagã dos inovadores à construção da torre de Babel. Os inovadores querem subir ao céu. São rebeldes contra Deus e a fé. Querem provocar a ruína da Igreja. Esse discurso teve grande repercussão.
Mas, nessa admirável conjuntura, não era fácil denunciar Galileu, o sábio católico oficial, o amigo íntimo do papa, o maior filósofo da Europa, amado, acariciado, adulado, respeitado e temido.
E enquanto o novo papa e seus amigos da Academia dos Lincei preparavam essa revolução cultural, os jesuítas continuavam através da Europa sua obra de reconquista das províncias protestantes.
Nesse contexto, parece-nos conveniente reproduzir uma bela página do livro de Pedro Redondi que seguimos aqui passo a passo:
“Não são as petulantes e ruidosas manifestações de alegria de literatos inovadores e aristocratas progressistas romanos, galvanizados pela eleição de um papa amigo de Galileu e intelectual refinado, que preocupam os jesuítas. Mas é uma linha geral de abertura cultural e política improvisada, cujos efeitos são contrários à linha de renovação e de luta da Igreja da Contra-Reforma fixada pelo Concílio de Trento. A Companhia de Jesus, que é o instrumento mais eficaz dessa linha de conduta, não é a vítima de uma estreita visão provincial e romana dos problemas que condiciona a maior parte dos seus inimigos na cúria. O fronte principal da luta contra a Reforma não são os corredores da cúria, nem os salões da academia, são as planícies e as cidades da Hungria e da Boêmia, onde os padres da Companhia, após os regimentos imperiais, alcançam a vitória; eles reconquistaram para Roma as igrejas profanadas pelos ritos protestantes, içaram os estandartes ornados do símbolo da eucaristia sobre os mosteiros das ordens religiosas decadentes e corruptas e confiscaram-nos para transformá-los em centros de reeducação religiosa, sem incomodar-se com reclamações romanas dos monges. O êxito dos jesuítas é impressionante, sobre o teatro principal da guerra de religião. Nos territórios há pouco resgatados dos protestantes, populações inteiras regressam em massa ao catolicismo, por todos os meios, a todo preço...
Consolidada pelas suas vitórias e pela consciência política e religiosa das suas dimensões mundiais, a Companhia de Jesus sabe que a fidelidade ao Império é a melhor garantia contra a Reforma. Ela desconfia das perigosas aberturas diplomáticas do novo pontífice em direção de um aventureiro sem escrúpulo como Richelieu, novo astro nascente da política européia.”
O verdadeiro processo
Quando o livro do Saggiatore apareceu nas livrarias de Roma, o primeiro exemplar vendido foi comprado pelo Pe. Grassi, eminente professor do Colégio Romano. Ele era um homem de caráter irascível e explodiu de raiva na livraria. Depois anunciou uma resposta que jamais publicou.
Como se viu, Galileu havia sido recebido com grande pompa pelo papa em abril de 1624. Ora, no verão de 1624, o Pe. Grassi depositou no protocolo do Santo Ofício uma denúncia contra o Saggiatore por heresia contra a Eucaristia.
O texto dessa denúncia foi reencontrado por Pedro Redondi em um arquivo anexo ao processo de Galileu. Ele havia sido desentranhado desde o início do processo.”
(Étienne Couvert, A Verdade sobre Galileu)

Tradução do Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Jorge Luis Borges: Um Cego

Não sei qual é a face que me mira
quando miro essa face que há no espelho;
e desconheço no reflexo o velho
que o escruta, com silente e exausta ira.
Lento na sombra, com a mão exploro
meus traços invisíveis. Um lampejo
me alcança. O seu cabelo, que entrevejo,
é todo cinza ou é ainda de ouro.
Repito que perdi unicamente
a superfície vã das simples coisas.
Meu consolo é de Milton e é valente,
porém penso nas letras e nas rosas.
Penso que se pudesse ver meu rosto
saberia quem sou neste sol-posto.


Tradução de Renato Suttana

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Profecia do Pe. Bernard Maria Clausi (+1849)

“Antes que venha o triunfo da Igreja, Deus vai primeiro se vingar dos maus, principalmente dos ímpios. Será um novo julgamento, como jamais aconteceu antes, e será universal. Será tão terrível que os sobreviventes pensarão ser os únicos que se salvaram. Então todas as pessoas se tornarão boas e contritas. Esse julgamento virá subitamente e será de curta duração. Então virá o triunfo da Santa Igreja e o reinado do amor fraterno. Felizes, na verdade, serão os que estiverem vivos e virem aqueles dias abençoados. Contudo, antes disso, o mal terá feito tanto progresso que parecerá que todos os demônios do inferno foram soltos sobre a terra, tão terrível será a perseguição dos maus contra os justos, que deverão sofrer um verdadeiro martírio.”
(Rev. R. Gerald Culleton, The Prophets and Our Times)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sigmund Freud e os Illuminati

“A carreira de Sigmund Shlomo Freud mostra como um culto satânico, os Illuminati, lançou seu feitiço mórbido sobre a humanidade.
Os Illuminati se originaram da heresia judaica sabatiana do século XVII.
Sigmund Freud (1856-1939) foi um sabatiano que vendeu suas crenças satânicas pervertidas ao mundo como se fossem ciência e medicina. Os meios de comunicação e o sistema educacional controlados pelos Illuminati aclamaram-no como um grande profeta.
Os sabatianos cultuavam o sexo e se entregavam a todas as perversões sexuais imagináveis como forma de cuspir no olho de Deus. Isto é o que os satanistas fazem: incesto, pedofilia, orgias, homossexualidade, tudo que for contra a natureza e a saúde.
Freud e seus patrocinadores da B’nai Brith (Illuminati) convenceram o mundo de que o desejo sexual (libido) é a motivação primordial da vida humana e que o sexo é uma panacéia universal. Ele ensinava que a repressão dos desejos sexuais é prejudicial e resulta em neuroses e que os homens sentem ansiedade de castração e as mulheres sofrem de inveja do pênis.
Como introdução ao incesto e à pedofilia, Freud ensinava que os filhos têm sentimentos sexuais pelo genitor do sexo oposto e sentem hostilidade ao do mesmo sexo. Chegou ao extremo de afirmar que, em razão do “Complexo de Édipo”, um garoto deseja subconscientemente matar o próprio pai e estuprar a própria mãe.
O filósofo Karl Popper estava convencido de que a psicanálise freudiana tinha tão pouco método científico como a leitura da palma da mão. Para Popper, o Complexo de Édipo freudiano não tinha absolutamente nenhum fundamento científico.
Freud negava, como é típico dos satanistas, a dimensão espiritual do homem, nossa fome de Deus representado nos absolutos espirituais de harmonia, amor, verdade e beleza. A Cabala ensina que Deus não tem características. Influenciado pela Cabala, Freud ensinava que Deus é simplesmente a projeção de uma figura paterna imaginária destinada a fazer-nos reprimir nossos desejos sexuais.
Segundo a Wikipédia, Freud “é considerado um dos principais pensadores da primeira metade do século XX, em termos de originalidade e influência intelectual.”
Aprendendo com um satanista
Após entrar para a maçônica B’nai Brith em 1897, a carreira abortada de Freud começou a subir vertiginosamente.
O professor de psicologia David Bakan descreve a psicanálise freudiana como uma derivação da Cabala Luriânica e do Zohar. A Cabala Luriânica é uma formulação gnóstica do século II que foi retomada pelo herege judeu Sabbatai Levi. [Sigmund Freud e a Tradição Mística Judaica. Beacon Press, Boston 1958]
Freud conversou sobre a Cabala com um certo rabi Chaim Bloch em 1920. O rabi disse ao Prof. Bakan que os dois homens discutiram quando Freud propôs que Moisés tinha sido um faraó egípcio e não um judeu. Freud se levantou e saiu, deixando o rabi sozinho em seu estúdio. Foi aí que Bloch viu livros nas prateleiras que identificavam Freud como um seguidor de Sabbatai Levi (o fundador dos sabatianos).
Freud agradeceu aos membros da loja da B’nai Brith por seu apoio. De fato, muitos membros da loja formaram o quadro de iniciados que fundaram o charlatanismo da psicanálise.
Segundo E. Michael Jones, a Associação Psicanalítica de Freud foi estruturada como uma sociedade secreta. (Libido Dominandi, p. 122) É provável que tivesse os mesmos objetivos secretos da B’nai Brith, de subverter, explorar e escravizar.
As cartas de Freud revelam que ele considerava seus clientes como idiotas.
Ele se comparava a um leão que tinha visto em um cartum. O leão ficava olhando o relógio na hora de comer e perguntava: “onde estão meus negros?” Freud dizia que seus pacientes eram seus negros. (Jones, p. 116)
Recusando um convite de viagem, Freud escreveu que uma de suas clientes ricas “talvez se curasse durante minha ausência.”
“Meu humor depende bastante de meus ganhos. O dinheiro é um gás hilariante para mim”, escreveu (116).
Chamada de “cura pela fala”, a psicanálise era uma fraude. No dizer de Michael Jones, em troca de uma taxa, as pessoas ricas recebiam a absolvição de seus prazeres culpados e a permissão para prosseguir.
Jones acredita que a psicanálise se baseou no ritual iniciático dos Illuminati e é uma forma de controle mental.
“Ambos se baseavam em conseguir do paciente ou adepto “exames de consciência” profundos e quase confessionais, durante os quais este contava ao controlador iluminista ou ao psicoterapeuta detalhes de sua vida pessoal que poderiam ser mais tarde usados contra si. Tanto o Iluminismo como a psicanálise acabaram sendo formas disfarçadas de controle psicológico, através das quais o controlador aprendia qual era a paixão dominante dos adeptos e conseqüentemente os manipulava.” (p. 127)
No fim das contas, os psiquiatras, quer saibam ou não, fazem parte dessa sociedade secreta satânica. A verdadeira meta dos Illuminati é manter as pessoas doentes e tomar seu dinheiro. Isso explicaria por que os psiquiatras estão dopando milhões de pessoas, inclusive crianças.
O modelo de sociedade secreta pode aplicar-se à profissão médica como um todo, assim como a outras profissões.
Freud foi um precursor de Alfred Kinsey, o pervertido que se matou enquanto tentava se masturbar. Kinsey encheu seu famoso estudo, que foi patrocinado pelos Rockefellers, com padrões de comportamento de seus amigos homossexuais. Foi assim que ele convenceu os americanos de que promiscuidade e aberração eram a norma.
De modo semelhante, Freud teve um caso com a irmã de sua mulher, Minna Bernays, que dele engravidou. Suas teorias psiquiátricas sobre incesto e sexo eram tentativas de inocentar-se a si mesmo. Ironicamente, Adam Weishaupt, o organizador dos Illuminati, também engravidou a cunhada.
Freud passou por um período em que se enamorou das qualidades salutares da cocaína. Quando alguns de seus amigos ficaram viciados, ele supostamente abandonou o hábito. Contudo, segundo a Wikipédia, “alguns críticos sugeriram que a maior parte da teoria psicanalítica de Freud foi um produto colateral do seu uso de cocaína.”
Conclusão
Sigmund Freud é um exemplo de como a cultura moderna está controlada por um culto satânico cujo objetivo é degradar e escravizar a humanidade. Fomos ludibriados em nome da ciência e da medicina.
Os satanistas promovem excessos sexuais e aberrações para escravizar a humanidade. “Vale tudo” é a divisa satânica. Freud deu à sociedade permissão para se esbaldar.
O sexo livre esmaga o casamento e a família, instituições necessárias para a estabilidade e saúde da sociedade. Ele rebaixa todo relacionamento humano ao mínimo denominador comum, que é o sexo. Ele apresenta o sexo e “relacionamentos” como o único caminho para o desenvolvimento pessoal e a felicidade.
Nos últimos 200 anos, progresso e esclarecimento foram medidos em termos de aumento de licença sexual, até o ponto em que hoje nos ajoelhamos às palhaçadas dos manifestantes nus e obesos das paradas do “orgulho gay”.
Isso é “progresso” em termos satânicos. Nós somos vítimas de uma conspiração diabólica multigeracional que a cada dia fica mais desavergonhada.”
(Henry Makow, Freud's Part in Our Satanic Possession)