sábado, 18 de fevereiro de 2017

Um dos maiores protagonistas do Vaticano II confessa ter escondido sua vida homossexual


17 de Fevereiro, 2017 (LifeSiteNews) – Gregory Baum, 93, famoso ex-padre católico, revelou em seu último livro que secretamente viveu uma vida homossexual ativa por décadas.
Baum, que foi um peritus ou especialista no Concílio Vaticano Segundo, supostamente redigiu o primeiro esboço do documento conciliar Nostra aetate, a Declaração sobre a Relação da Igreja com Religiões Não-Cristãs. Baum defendeu a eliminação dos esforços da Igreja para encorajar os judeus a reconhecerem Cristo como o Messias e desde então tem-se envolvido com justiça social e a teologia da libertação.
O influente clérigo revela francamente em The Oil Has Not Run Dry: The Story of My Theological Pathway, “Não professei minha própria homossexualidade em público porque tal ato de honestidade teria reduzido minha influência enquanto teólogo crítico.” “Estava ansioso por ser ouvido como um teólogo confiante em Deus como salvator mundi e comprometido com justiça social, teologia da libertação e solidariedade global.”
Baum também foi influente na Igreja Católica no Canadá apesar de suas posições abertamente heréticas sobre a sexualidade, as quais ele publicou em diversos jornais. Sua dissidência pública da declaração da Igreja de 1968 mantendo a proibição da contracepção – Humanae Vitae – foi decisiva na própria dissidência dos bispos canadenses em relação à encíclica do Papa Paulo VI. Como escreveu o principal especialista sobre a dissidência dos bispos canadenses, Monsenhor Vicente Fox, “Se não fosse pela sombra negra de Baum sobre Winnipeg, sua influência sobre alguns bispos, teólogos canadenses e grupos de pressão, a Declaração de Winnipeg dos Bispos Canadenses sobre Humanae Vitae não teria se recusado a endossar o ensinamento da encíclica tal como aconteceu.”
Em seu novo livro, Baum escreve, “Eu tinha 40 anos de idade quando tive meu primeiro encontro sexual com um homem. Encontrei-me com ele em um restaurante em Londres. Aquilo foi excitante e ao mesmo tempo decepcionante, pois eu sabia o que era o amor e o que eu realmente queria era dividir minha vida com um parceiro.”
Ele diz que considerou renunciar ao sacerdócio mas não foi até o fim com a formalidade, preferindo anunciá-la em um jornal de tiragem nacional. Posteriormente casou-se com uma ex-freira divorciada de quem diz que “não se importou, quando nos mudamos para Montreal em 1986, que me encontrasse com Normand, um ex-padre, por quem me apaixonei.” Normand, ele explica, “é gay e acolheu minha afeição sexual.”
Dr. Michael Higgins, vice-presidente da Missão e Identidade Católica na Universidade do Sagrado Coração em Fairfield, Connecticut, em homenagem a Baum publicada na Commonweal em 2011, ressaltou seu papel pivotal durante o Concílio Vaticano II. “O concílio foi feito por Gregory Baum”, escreveu. “Ele trabalhou em várias funções nas comissões encarregadas de preparar documentos... Começando seu trabalho em novembro de 1960, concluiu-o com o final do concílio em dezembro de 1965, um aprendizado que culminou na redação do primeiro esboço de Nostra aetate.”
Pe. Thomas Rosica, um famoso padre canadense e hoje consultor para o Vaticano, recebeu Baum em uma controvertida participação no Centro Católico Newman da Universidade de Toronto em 1996 e em 2012 trouxe-o como convidado especial em seu programa na estação de TV católica canadense Salt and Light Television.
Pe. Rosica, durante a entrevista aduladora com Baum, professou ter conhecido Baum há bastante tempo. “Tenho certamente admirado bastante sua teologia, suas obras, mas também seu amor pela Igreja, seu amor por Cristo, e você ajudou a manter vivo não apenas o espírito do Vaticano II, mas também o autêntico ensinamento do Concílio”, disse o Pe. Rosica sobre Baum.
“Você continua sendo um católico profundamente devoto e fiel, amando Jesus, a Igreja, a Eucaristia”, acrescentou.
Monsenhor Foy, por outro lado, considera que Baum “fez mais do que qualquer pessoa para prejudicar a Igreja no Canadá.”

https://www.lifesitenews.com

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Ex-espião da União Soviética: Nós criamos a Teologia da Libertação


“REDAÇÃO CENTRAL, 11 Mai. 15 / 12:06 pm (ACI).- Ion Mihai Pacepa foi general da polícia secreta da Romênia comunista antes de pedir demissão do seu cargo e fugir para os EUA no fim da década de 70. Considerado um dos maiores “detratores” de Moscou, Pacepa concedeu entrevista a ACI Digital e revelou a conexão entre a União Soviética e a Teologia da Libertação na América Latina. A seguir, os principais trechos da sua entrevista:
Em geral, você poderia dizer que a expansão da Teologia da Libertação teve algum tipo de conexão com a União Soviética?
Sim. Soube que a KGB teve uma relação com a Teologia da Libertação através do general soviético Aleksandr Sakharovsky, chefe do serviço de inteligência estrangeiro (razvedka) da Romênia comunista, que foi conselheiro e meu chefe até 1956, quando foi nomeado chefe do serviço de espionagem soviética, o PGU1; Ele manteve o cargo durante 15 anos, um recorde sem precedentes.
Em 26 de outubro de 1959, Sakharovsky e seu novo chefe, Nikita Khrushchev, chegaram à Romênia para as chamadas “férias de seis dias de Khrushchev”. Ele nunca tinha tomado um período tão longo de férias no exterior, nem foi sua estadia na Romênia realmente umas férias.
Khrushchev queria ser reconhecido na história como o líder soviético que exportou o comunismo à América Central e à América do Sul. A Romênia era o único país latino no bloco soviético e Khrushchev queria envolver os “líderes latinos” na sua nova guerra de “libertação”.
Eu investiguei sobre Sakharovsky, vi seus escritos, mas não pude encontrar nenhuma informação relevante sobre sua figura. Por quê?
Sakharovsky era uma imagem soviética dos anos quentes da Guerra Fria, quando os membros dos governos britânico e israelense ainda não conheciam a identidade dos líderes do Mossad e do MI-6. Mas Sakharovsky desempenhou um papel extremamente importante na construção da história da Guerra Fria. Ele ocasionou a exportação do comunismo a Cuba (1958-1961); ele manipulou de maneira perversa a crise de Berlim (1958-1961) criou o Muro de Berlim; a crise dos mísseis cubanos (1962) e colocou o mundo à beira de uma guerra nuclear.
A Teologia da Libertação foi de alguma maneira um movimento ‘criado’ pela KGB de Sakharovsky ou foi um movimento existente que foi exacerbado pela URSS?
O movimento nasceu na KGB e teve um nome inventado pela KGB: Teologia da Libertação. Durante esses anos, a KGB teve uma tendência pelos movimentos de “Libertação”. O Exército de Libertação Nacional da Colômbia (FARC –sic–), criado pela KGB com a ajuda de Fidel Castro; o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criado pela KGB com o apoio de “Che” Guevara; e a Organização para Libertação da Palestina (OLP), criado pela KGB com ajuda de Yasser Arafat, são somente alguns movimentos de “Libertação” nascidos em Lubyanka – lugar dos quartéis-generais da KGB.
O nascimento da Teologia da Libertação em 1960 foi a tentativa de um grande e secreto “Programa de desinformação” (Party-State Dezinformatsiya Program), aprovado por Aleksandr Shelepin, presidente da KGB, e pelo membro do Politburo, Aleksey Kirichenko, que organizou as políticas internacionais do Partido Comunista.
Este programa demandou que a KGB guardasse um controle secreto sobre o Conselho Mundial das Igrejas (CMI), com sede em Genebra (Suíça), e o utilizasse como uma desculpa para transformar a Teologia da Libertação numa ferramenta revolucionária na América do Sul. O CMI foi a maior organização internacional de fiéis depois do Vaticano, representando 550 milhões de cristãos de várias denominações em 120 países.
O nascimento de um novo movimento religioso é um evento histórico. Como foi construído este novo movimento religioso?
A KGB começou construindo uma organização religiosa internacional intermédia chamada “Conferência Cristã pela Paz”, cujo quartel general estava em Praga. Sua principal tarefa era levar a Teologia da Libertação ao mundo real. A nova Conferência Cristã pela Paz foi dirigida pela KGB e estava subordinada ao respeitável Conselho Mundial da Paz, outra criação da KGB, fundada em 1949, com seu quartel geral também em Praga.
Durante meus anos como líder da comunidade de inteligência do bloco soviético, dirigi as operações romenas do Conselho Mundial da Paz (CMP). Era estritamente KGB. A maioria dos empregados do CMP eram oficiais de inteligência soviéticos acobertados. Suas duas publicações em francês, “Nouvelles perspectives” e “Courier da Paix”, estavam também dirigidas pelos membros infiltrados da KGB –e da romena DIE2–. Inclusive o dinheiro para o orçamento da CMP chegava de Moscou, entregue pela KGB em dólares, em dinheiro lavado para ocultar sua origem soviética. Em 1989, quando a URSS estava à beira do colapso, o CMP admitiu publicamente que 90 por cento do seu dinheiro chegava através da KGB3.
Como começou a Teologia da Libertação?
Eu não estava propriamente envolvido na criação da Teologia da Libertação. Eu soube através de Sakharovsky, entretanto, que em 1968 a Conferência Cristã pela Paz criada pela KGB, apoiada em todo mundo pelo Conselho Mundial da Paz, foi capaz de manipular um grupo de bispos sul-americanos da esquerda dentro da Conferência de Bispos Latino-americanos em Medellín (Colômbia).
O trabalho oficial da Conferência era diminuir a pobreza. Seu objetivo não declarado foi reconhecer um novo movimento religioso motivando os pobres a rebelar-se contra a “violência institucionalizada da pobreza”, e recomendar o novo movimento ao Conselho Mundial das Igrejas para sua aprovação oficial. A Conferência de Medellín alcançou ambos objetivos. Também comprou o nome nascido da KGB “Teologia da Libertação”.
A Teologia da Libertação teve líderes importantes, alguns deles famosas figuras “pastorais” e alguns intelectuais. Sabe se houve alguma participação do bloco soviético na promoção da imagem pessoal ou dos escritos destas personalidades? Alguma ligação específica com os bispos Sergio Mendes Arceo do México ou Helder Câmara do Brasil? Alguma possível conexão direta com teólogos da Libertação como Leonardo Boff, Frei Betto, Henry Camacho ou Gustavo Gutiérrez?
Tenho boas razões para suspeitar que havia uma conexão orgânica entre a KGB e alguns desses líderes promotores da Teologia da Libertação, mas não tenho evidência para comprová-la. Nos últimos 15 anos que morei na Romênia (1963-1978), dirigi a espionagem científica e tecnológica do país, e também as operações de desinformação destinadas a aumentar a importância de Ceausescu no Ocidente.
Recentemente vi o livro de Gutiérrez “Teologia da Libertação: Perspectivas” (1971) e tive a intuição de que este livro foi escrito em Lubyanka. Não surpreende que ele seja considerado agora como o fundador da Teologia da Libertação. Porém, da intuição aos fatos, entretanto, há um longo caminho.”

http://www.acidigital.com

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O liberalismo é pecado


Entrevista com Javier Barraycoa, politólogo e sociólogo catalão.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Uma montanha de mentiras


“A comemoração do septuagésimo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial veio assentada, como não podia ser de outro modo, sobre uma montanha de mentiras e boatarias que voltam a nos confirmar que vivemos em um mundo incapacitado para qualquer regeneração; pois ali onde não há arrependimento, senão complacência no erro, só podem brotar frutos podres e venenosos. Com razão escrevia Georges Bernanos que “democracias e totalitarismos são os abscessos frios e os abscessos quentes de uma civilização degradada e desespiritualizada”.
Não poderíamos enumerar em um exíguo espaço de um artigo a ingente quantidade de mentiras que nestes dias são celebradas. Assim, por exemplo, trata-se de apresentar a derrota de Hitler como uma façanha das democracias aliadas, quando o certo é que a Hitler derrotou Stalin; e que só o desmoronamento da frente do Leste, conseguido em troca de uma mortandade incalculável de russos, favoreceu operações como o desembarque na Normandia, que o cinema depois magnificou de forma grotesca. Foi Stalin o grande vencedor daquela guerra; e em reconhecimento de sua vitória as democracias aliadas lhe entregaram meia Europa na Conferência de Yalta, para que fizesse com ela o que lhe desse na gana, como efetivamente fez.
Em troca, as democracias aliadas conseguiram que nunca se julgassem seus métodos de "libertação", consistentes em arrasar cidades até não deixar pedra sobre pedra e em bombardear populações civis do modo mais selvagem. Costuma-se recordar o caso extremo de Dresden (onde lançaram bombas de fósforo e napalm pelo gosto de aniquilar vidas inocentes), mas algo muito semelhante se fez com a maioria das cidades alemãs. E, depois deste genocídio indiscriminado, centenas de milhares de mulheres foram violadas pelos "libertadores"; e não somente, por certo, pelos soldados do Exército Vermelho (como pretendeu a propaganda oficial), mas também pelo "amigo americano", que acolhia e protegia em seu Exército as alimárias mais descontroladas.
Porém nenhuma das descomunais mentiras que nestes dias celebramos resulta tão grotesca como pretender que a derrota de Hitler constituiu a derrota de sua ideologia criminosa. Pois a metafísica que iluminava aquela ideologia criminosa correria a refugiar-se, sob disfarce democrático e pacifista, no bando dos vencedores, onde hoje campeia orgulhosa, transformada em Nova Ordem Mundial. Foi, com efeito, a Nova Ordem Mundial que tornou realidade o sonho do nazismo; foi a Nova Ordem Mundial que impôs o paganismo eufórico e endeusador do homem, o desprezo da lei natural e divina, a confiança cega e idolátrica no progresso, o desejo pseudomessiânico de alcançar uma unidade universal de formigueiro, a exaltação do individualismo e por sua vez a deificação alienante da "vontade geral", o triunfo do igualitarismo que conduz os povos à servidão, a aversão às sociedades naturais (unidas por laços de sangue e espírito) e sua substituição por sociedades de massas, a imposição de uma moral estatal, a subministração de prazeres plebeus e direitos de braguilha que mantenham controladas as massas, enquanto se tornam mais e mais egoístas. Foi a Nova Ordem Mundial que consumou, enfim, o sonho hitlerista de uma civilização degradada e desespiritualizada.
Talvez seja este triunfo do nazismo sob disfarce democrático o que a Nova Ordem Mundial celebra com tanto alvoroço, enquanto permite que as massas cretinizadas festejem na montanha de mentiras que criou para sua diversão e lazer."
(Juan Manuel de Prada, Una Montaña de Mentiras)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Juan Vázquez de Mella: A batalha que se aproxima


“Uma das frases feitas e dos lugares comuns que servem de recheio nas dissertações e escritos dos modernos charlatães e sociólogos é, sem dúvida, a de que estamos em um período de transição. Os mesmos que repetem de contínuo a frase não compreendem seu verdadeiro sentido, e procuram traduzi-la de um modo fartamente otimista, supondo que com ela se quer indicar a mudança que se está operando no seio das sociedades entre o antigo regime cristão, fundado no direito católico, e o regime moderno, fundado no direito novo, entendendo por este a democracia individualista ou harmônica que se vai lentamente estabelecendo sobre os restos do antigo mundo, já carcomido e decrépito.
Porém, na realidade, por pouco que se medite e observe, é outra a transição que estamos presenciando e outro muito distinto o combate que se trava no mundo.
O liberalismo individualista e eclético, radical e doutrinário, foi indubitavelmente durante grande parte do século, e ainda o é para alguns espíritos retardatários, o supremo ideal que pugnava por entronizar-se nos povos, e que explicava com suas contendas a convulsão da sociedade moderna, período angustiosíssimo que terminaria de um modo feliz quando as novas idéias houvessem passado dos espíritos aos fatos e graças a elas Cristo descesse do altar para ceder o posto à razão emancipada do jugo de sua Cruz.
Mas ocorreu justamente o contrário do que esperavam os modernos redentores da Humanidade. O mundo por eles combatido foi ao chão na ordem política, mantendo-se firme na social, apesar das violentas acometidas e dos sacudimentos com que trataram de remover seus alicerces seculares. Contudo, a nova criação revolucionária, dando mostras da consistência e solidez do princípio racionalista que lhe serviu de pedestal, não chegou a celebrar o primeiro centenário sem que já apareça fendida toda a fábrica, rachados os muros e a ponto de desmoronar-se com estrépito, apesar de haver empregado a maior parte do tempo, não em acrescentar-lhe novas dependências, mas em eliminar a fachada e colocar no edifício andaimaria, a fim de que pudesse prolongar sua mísera existência, retardando o mais possível o descrédito dos arquitetos. Tudo foi em vão. O edifício político e econômico aí está arruinando-se, como todos os edifícios, a partir do telhado, que é o primeiro que se deteriora e se destrói.
Coisa verdadeiramente notável! A revolução política termina sua evolução precisamente no momento em que começa a espalhar-se por toda parte seu descrédito. Dir-se-ia que Deus esperava que os trabalhadores da nova babel lançassem o primeiro grito de júbilo ao ver o adiantado de sua obra, para castigar sua soberba mostrando-lhes o estéril e miserável da empresa de que se orgulhavam.
Liberdade de pensamento e de palavra contra o dever de absoluta dependência que liga o homem a Deus; soberania individual e coletiva contra a natural subordinação do súdito à autoridade legítima; liberdade econômica contra a relação de caridade e justiça que liga os fortes e poderosos aos débeis e pobres; todas as liberdades revolucionárias estão aí de corpo presente, demonstrando-nos com seus desastrosos efeitos a aberração do princípio que as alimenta.
A luta de seitas, escolas e partidos, desgarrando os espíritos e acendendo a guerra nas inteligências e nos corações; a série interminável de oligarquias que com nomes diversos fazem passar sua vontade tirânica pela que se supunha que havia de brotar da massa social, e, por último, a multidão trabalhadora, que diz a seus libertadores que lhe devolvam a antiga regulamentação, porque tanta liberdade liberal a estrangula com o garrote da miséria; tudo isso constitui o grande processo da revolução, dando-se a morte com a picareta com que se havia proposto não deixar em seu lugar uma só pedra do antigo castelo, cuja beleza e majestade nem sequer quis compreender.
Não é, portanto, o mundo cristão o que se derruba para que sobre seus escombros se alce o paganismo restaurado.
A idéia católica, apesar de todas as propagandas revolucionárias, continua sendo a seiva da qual todavia recebem as nações a vida que lhes resta. Se perdeu seu influxo nos Estados, ainda conserva a divina virtualidade para voltar a exercê-la em tempo não distante com a mesma eficácia de outros séculos. O que cai e desmorona é o edifício liberal, apenas levantado.
Uma nova ordem social e econômica, que em tudo que contém de bom é a reprodução do antigo regime cristão, e que em tudo que contém de mal, que é muito, é a exageração do princípio liberal, cujos efeitos trata de evitar, é o que agora se levanta. A revolução liberal política desaparece, e vai-se começar a social. Seu triunfo será mais efêmero que a primeira, mas não o será o ensinamento que a sociedade deduzirá da catástrofe, porque o dia em que se exponha a última conseqüência social da revolução será o primeiro dia da verdadeira restauração cristã da sociedade.
Na nova luta, os liberalismos individualistas e ecléticos serão afastados pelos combatentes com desprezo, para que ambos adversários possam dirimir sem estorvos nauseantes a suprema questão. E é preciso estarem cegos para não verem que os novos e únicos contendentes serão o verdadeiro socialismo católico da Igreja, que proclama a escravidão voluntária da caridade e o sacrifício, e o socialismo ateu da Revolução, que afirma a escravidão pela força e a tirania do Deus Estado.”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Gustave Thibon e o sentido da história

“A virtude cristã da esperança não tem relação com o mito do progresso. Quando Mistral nos exorta “à fé num ano novo”, esta confiança no futuro, fundada na comunhão com as origens do ser, nada tem de comum com o “sentido da história” dos progressistas modernos. Não é a transposição no futuro das promessas da eternidade, é a fé na eternidade que se projeta sobre o futuro.
Eu creio também no ano novo. O que distingue a minha esperança da dos adoradores da história, é que eles crêem na virtude intrínseca e necessária da transformação, num futuro certamente melhor que o passado – e isto por efeito do poder criador de tudo o que perdura, ou, se são crentes, num plano divino da história, pelo que a vida terrestre ir-se-á aproximando cada vez mais da vida celeste. Eu, porém, não creio nem no passado nem no futuro como tais; acredito somente na eternidade que nos cinge e pode penetrar todas as horas do tempo, se soubermos acolhê-la. Porque Deus, que está presente em todos os pontos do espaço, está igualmente presente a todos os minutos da duração. Crer no futuro é crer que o amanhã está já contido no seu hoje eterno. Mas isto nada tem que ver com a fé num desenvolvimento contínuo da virtude e da felicidade sobre a terra. Eu não penso que o que vier a acontecer amanhã valerá necessariamente mais do que as eventualidades de hoje; penso, o que é diferente, que Deus não abandonará nunca aqueles que n'Ele crêem – suceda o que suceder.
É possível que o futuro nos reserve terríveis repressões, mas essas catástrofes temporais não fecharão as portas da eternidade (quem sabe, mesmo, se não ajudarão a abri-las?). O que importa não é que as coisas vão melhor ou pior no tempo, é o vinco que deixa no fundo eterno da alma este melhor ou pior: quid hoc ad aeternitatem?
A história tem, na verdade, um sentido, pois Deus não permite que o universo dure em vão; ora este sentido situa-se fora da história, isto é, não na seqüência dos acontecimentos temporais, mas no seu reflexo, no fundo do espelho móvel da eternidade. O tempo é como um caminho à beira do abismo da morte; após algumas horas de marcha, as gerações caem sucessivamente neste abismo. O que conta e dá à história o seu verdadeiro sentido não é o fato de o caminho ser mais sombreado ou árido, mais direto ou acidentado, mas o que o abismo divino acolhe ou rejeita das colheitas da morte.”

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Miguel Ángel Landa: A Venezuela desapareceu

“Confesso: não tenho idéia de onde estou nem sei para onde vou. As referências que eu tinha, e que me orientavam na Venezuela, desapareceram. É como voar em meio à neblina, sem rádio e sem instrumentos. Nasci e cresci em Caracas, mas não sou mais caraquenho: já não me acho mais neste lugar, hoje transformado em aterro sanitário e em manicômio, povoado por pessoas estranhas, imprevisíveis, sem taxonomia.
Ao longo da minha vida, percorri quase todo o país, sentindo-o, incorporando-o ao meu ser, tornando-me parte dele. Hoje não o reconheço, não o encontro. O estrangeiro sou eu. Oito gerações de antepassados venezuelanos não me fazem sentir-me em casa. Mudaram a nossa comida, os odores da nossa terra, as lembranças, os sons, os costumes sociais, os nomes das coisas, os horários, nossas palavras, nossos rostos e expressões, nossas piadas, nosso modo de amar, o comércio, as farras, a amizade. Nosso cérebro e nosso metabolismo foram para o inferno, ignoto lugar carente de coordenadas.
Hoje, somos zumbis, alheios a tudo; letras sem livros, biografias de ninguém. Perdemos a identidade e posses. Eis uma maneira bastante criativa de expatriação: em vez de nos arrancarem do país, arrancaram o país e nos deixaram. Hoje, a Venezuela agoniza em algum exílio, porém, não num exílio geográfico. Não, a Venezuela extingue-se rapidamente num exílio de antimatéria, sem tempo e sem espaço. Seja qual for o interstício quântico em que ela se extingue, não poderemos alcançá-lo.
O país desapareceu da memória das coisas universais; não existem unidades ou instrumentos capazes de medir sua estranha ausência. Não há cadáver a ser sepultado, nem sombra, nem vestígio ou testamento que comprovem a morte. Tudo se perdeu num críptico buraco negro. Mais do que uma morte, deu-se um deslocamento no espaço-tempo.
Logo dirão: “Venezuela? A Venezuela nunca existiu”. Ocorre-me que, na ausência de morte formal, dá-se a ausência de pranto. Aqui, não haverá velório. A coisa não vale nada. Os poucos sofredores potenciais irão, pouco a pouco, para o mesmo não-lugar em que o país escorregou para, nele, desvanecerem-se para sempre.
Estranho final para um país: sequer pudemos ser um Titanic e afundar com um tanto de tragédia e de romantismo. A elegância não foi precisamente uma de nossas características como povo. Não teremos a honra lúgubre de ser Pompéia. Não falarão de nós como de Nínive ou de Tróia. Nunca algum Homero poderá contar que tivemos um Aquiles. Não seremos lã para tecer lendas. Nosso final nos deixará apenas vergonha.”

Tradução de Belkiss Rabelo

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domingo, 22 de janeiro de 2017

Doris Lessing e a degradação da linguagem pelo comunismo


“EMBORA tenhamos visto a aparente morte do comunismo, modos de pensar que nasceram no comunismo ou foram fortalecidos pelo comunismo ainda governam nossas vidas. Mas nem todos eles são imediatamente perceptíveis como sendo um legado do comunismo. O exemplo mais evidente é o politicamente correto.
Primeira questão: a linguagem. Não é novidade a ideia de que o comunismo degradou a linguagem, e, com a linguagem, o pensamento. Há um jargão comunista reconhecível em cada frase. Pouca gente na Europa não fez piadas, em seu tempo, sobre “passos concretos”, “contradições”, “a interpenetração de opostos”, e o resto.
A primeira vez em que eu vi que slogans destruidores de mentes tinham a capacidade de criar asas e voarem para longe de suas origens foi nos anos 50, quando li um artigo no Times de Londres e constatei que estavam sendo utilizados. “A manifestação no Sábado passado foi prova irrefutável de que a situação concreta...” Palavras confinadas à esquerda como se fossem animais encurralados passaram para o uso geral. Junto com elas, vieram as ideias. Pode-se ler artigos inteiros na imprensa conservadora e liberal que foram marxistas sem que os escritores soubessem. Mas há um aspecto dessa herança que é muito mais difícil de perceber.
Até mesmo há cinco ou seis anos, o Izvestia, o Pravda e vários outros jornais comunistas eram escritos em uma linguagem que parecia planejada para ocupar o maior espaço possível sem, no entanto, dizer qualquer coisa. Porque, claro, era perigoso tomar posições que precisassem ser defendidas. Agora todos esses jornais redescobriram o uso da língua. Mas a herança de uma língua morta e vazia pode ser encontrada, atualmente, nos meios acadêmicos, particularmente em algumas áreas da sociologia e da psicologia.
Um jovem amigo meu, do Iêmen do Norte, economizou todo o dinheiro que tinha para viajar à Grã-Bretanha para estudar na área da sociologia que ensina a difundir os conhecimentos ocidentais a nativos sem conhecimento. Pedi para ver seu material de estudo e ele me mostrou uma verdadeira bíblia, tão mal escrita e com um jargão tão feio e vazio que era difícil de entender. Havia centenas de páginas, mas ideias expostas podiam ser facilmente resumidas a dez.
Sim, eu sei que o ofuscamento do meio acadêmico não começou com o comunismo – como Swift, por exemplo, nos informa – mas o pedantismo e o excesso de palavras do comunismo têm suas raízes no meio acadêmico alemão. E agora isso se tornou uma epidemia que contamina o mundo inteiro.
É um dos paradoxos de nosso tempo o fato de que ideias capazes de transformar nossas sociedades, cheias de visões sobre como o animal humano, de fato, se comporta e pensa, são frequentemente apresentadas num linguajar ilegível.
O segundo ponto é ligado ao primeiro. Ideias poderosas que afetam nosso comportamento podem ser visíveis até em poucas frases, ou até mesmo em uma frase ou um chavão. Todos os escritores ouvem essas perguntas de quem os entrevista: “Você acha que um escritor deveria...?” “Escritores deviam...?” A pergunta sempre tem a ver com uma posição política, e observe que a suposição por trás das palavras é de que todos os escritores devem fazer a mesma coisa, seja o que for. As frases “Um escritor deveria...?” “Escritores deviam...?” têm uma longa história que parece desconhecida para as pessoas que as utilizam tão arbitrariamente. Outra frase é “engajamento”, tão em voga em nossos dias. Fulano de tal é um escritor engajado?
Um sucessor de “engajamento” é “conscientizar.” Trata-se de uma faca de dois gumes. As pessoas a serem conscientizadas podem receber informações de que desesperadamente careçam e precisem, e podem receber o apoio moral que necessitem. Mas o processo quase sempre significa que o pupilo receberá somente a propaganda que o instrutor aprove. “Conscientizar”, como “comprometimento” e “politicamente correto”, é uma continuação da velha cantilena das diretrizes partidárias.
Um modo de pensar bastante comum na crítica literária não é visto como consequência do comunismo, embora o seja. Todos os escritores têm a experiência de ouvir que um conto ou história é “sobre” alguma coisa qualquer. Escrevi uma história, “O Quinto Filho,” que foi, ao mesmo tempo, definido como sendo sobre o problema palestino, pesquisas genéticas, feminismo, antissemitismo e por aí vai.
Uma jornalista da França entrou na minha sala e, antes mesmo de se sentar, disse: “Claro que "O Quinto Filho” é sobre a AIDS.”
É o tipo de coisa que interrompe qualquer conversa, eu lhe garanto. Mas o que é interessante é o hábito mental que leva a analisar um trabalho literário desse modo. Se você disser: “Se eu quisesse escrever sobre a AIDS ou o problema palestino, eu teria escrito um panfleto”, você normalmente recebe olhares embasbacados. A noção de que um trabalho imaginativo tenha de, “na verdade”, ser sobre algum problema é, novamente, herança do realismo socialista. Escrever uma história pela história é frívolo, sem falar em reacionário.
A exigência de que histórias devam ser “sobre” algo é típica do pensamento comunista e, mais longinquamente, do pensamento religioso, com sua vocação para livros de autoaprimoramento tão simplórios quanto suas mensagens.
A expressão “politicamente correto” nasceu quando o comunismo entrava em colapso. Não acho que foi por acaso. Eu não estou sugerindo que a tocha do comunismo tenha sido passada para os politicamente corretos. Estou sugerindo que os hábitos mentais foram absorvidos, frequentemente sem que fosse percebidos.
Obviamente há algo bastante atraente sobre dizer aos outros o que fazer: Estou colocando isso dessa forma infantil ao invés de numa linguagem mais intelectual porque vejo isso como um comportamento infantil. As artes em geral são sempre imprevisíveis, rebeldes e tendem a ser, em sua melhor forma, desconfortáveis. A literatura, em particular, sempre inspirou os comitês de Congressos, os Zhdanovs da vida, os arroubos moralizantes, e, na pior hipótese, a persecução. É perturbador que o politicamente correto não pareça saber quais são seus exemplos e predecessores; é mais perturbador ainda que ele possa saber e não se importar.
O politicamente correto tem um lado bom? Tem, sim, pois nos faz reexaminar atitudes, e isso sempre é útil. O problema é que, em todos os movimentos populares, os radicais lunáticos rapidamente saem da margem e vão para o centro; a cauda começa a balançar o cão. Para cada mulher ou homem que utiliza a ideia de maneira sensata para examinar nossas crenças, há vinte arruaceiros cujo motivo real é o desejo de poder sobre os outros, não menos arruaceiros por crerem que são antirracistas ou feministas ou o que quer que seja.
Um amigo meu que é professor de universidade descreve como, quando estudantes saíam de aulas de genética e boicotavam palestrantes visitantes cujos pontos de vista não coincidissem com sua ideologia, ele os convidou a seu estúdio para uma discussão e para assistir a um vídeo sobre os fatos reais. Meia dúzia de jovens em seu uniforme de jeans e camiseta entraram, se sentaram, ficaram em silêncio enquanto ele argumentava, mantiveram os olhos baixos enquanto ele exibia o vídeo e, como se fossem um bando, saíram do estúdio. Uma demonstração – e eles poderiam muito bem ter ficado chocados se tivessem ouvido isso – que espelhava o comportamento comunista, um “desabafo” que é uma representação visual das mentes fechadas de jovens ativistas comunistas.
Vemos o tempo todo na Grã-Bretanha, em câmaras municipais ou em conselhos diretores, diretoras ou professores sendo perseguidos por grupos e facções de caçadores de bruxas, usando as táticas mais sujas e cruéis. Eles afirmam que suas vítimas são racistas ou, de alguma maneira, reacionárias. Um apelo a autoridades maiores tem provado o tempo todo que cada uma dessas campanhas foi injusta.
Tenho certeza de que milhões de pessoas, depois de puxado o tapete do comunismo, procuram desesperadamente, e talvez sem perceber, por outro dogma.”
(Doris Lessing, Perguntas que Você Nunca Deve Fazer a Escritores)

Tradução de João Lucas G. Fraga

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

São Teodoro Estudita: Estejamos prontos a derramar nosso sangue pelo Senhor

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todas as tuas forças e de toda a tua mente. Alguém que ame assim não se sacia, não cai, não é dominado pelo desânimo; pelo contrário, acrescenta fogo ao fogo, e acende entusiasmo com entusiasmo, colocando rampas de virtudes em seu coração e passando de um a outro poder espiritual; e assim incessantemente. Não vês o quanto aqueles que se extenuam segundo a carne extenuam-se por algo vão e perecível? Não vês como aqueles que constroem navios aqui sob teus próprios olhos passam o dia inteiro trabalhando, não se permitindo qualquer relaxamento que seja? Para quê? Para que possam adquirir um pouco de ouro, de modo que possam levar para casa o que precisam para suas famílias; enquanto que, para nos tornarmos ricos com as coisas de Deus, para alcançarmos o reino dos céus, para gozarmos das felicidades eternas, para escaparmos às punições sempiternas, não devemos suportar tudo com todo entusiasmo e energia, se necessário até mesmo derramar nosso sangue, estar totalmente prontos para fazê-lo pelo Senhor?”