terça-feira, 25 de julho de 2017

Para que lado é o "Ocidente"?


"Do Establishment, uma notícia de última hora. A maior ameaça de nossos dias, escreve Andrew Michta, decano da Faculdade de Estudos Internacionais e de Segurança no Centro Europeu George C. Marshall para Estudos sobre Segurança, é a "auto-induzida desconstrução do Ocidente".
Em coluna complementar intitulada "A Crise da Civilização Ocidental", David Brooks, do New York Times, identifica assim o impulso pela autodestruição: "Começando várias décadas atrás, muitas pessoas, especialmente nas universidades, perderam fé na narrativa da civilização ocidental. Elas pararam de ensiná-la, e a grande correia de transmissão cultural se partiu."
O que imediatamente impressiona nestas observações é a implicação de que este colapso generalizado e dentro do "Ocidente" ou sua "narrativa" foram algo espontâneo.
Brooks escreve: "São surpreendentes os efeitos de longo alcance que isso produziu. É como se um vento predominante, que impulsionasse todos os navios no mar, tivesse subitamente parado de soprar."
Seria certamente impressionante se o que ambos descrevem fosse o fenômeno natural que querem fazer crer. Mas a história (não a "história da corte") nos diz tudo que precisamos saber sobre como exatamente este colapso aconteceu. Para começo de conversa, não foi nada natural. A caminho já há bastante tempo, por quase três quartos de século, o Marxismo-Leninismo estava em guerra contra o Ocidente, seu quadro principal de pessoal em Moscou e outras capitais comunistas, seus oficiais e soldados rasos em todo lugar, especialmente nas capitais não-comunistas. Essa guerra foi travada por verdadeiros exércitos da polícia secreta soviética e redes militares, completas com controladores, agentes de influência, "parceiros de viagem" pró-comunistas e idiotas, que, em meio a sua mais convencional espionagem militar, diplomática e industrial, tomaram conta, ocuparam e também colonizaram vastas faixas do pensamento ocidental, algumas das quais bastante hospitaleiras. Lembram-se de "corroer por dentro"?* Michta e Brooks não se lembram.
Acontece que um dos mais brilhantes golpes comunistas foi fazer com que os agentes de subversão desaparecessem da memória coletiva. Isso explicaria sua ausência nos relatos de Michta e Brooks? Este último parece não perceber que cometeu o perfeito lapso leninista ao lamentar a passagem interrompida dos ideais ocidentais de uma geração à seguinte como uma quebra na "correia de transmissão" – o nome dado por Lênin para o mecanismo que os bolcheviques usam para transmitir a linha do partido às "massas".
Esses indicadores mostram que a conquista marxista do Ocidente se tornou, na verdade, invisível. É como se as faculdades e universidades em toda esta nação que "venceu" a Guerra Fria, por exemplo, tenham automaticamente se tornado postos avançados de Marx; a "perda de fé" veio em seguida. Lembre-se (ou melhor, não) do que o chefe do Comintern, Georgi Dimitrov, supostamente disse: "Um professor de universidade que, sem ser membro do partido, dá seu apoio aos interesses da União Soviética, tem mais valor do que cem homens com carteiras do partido." Enquanto isso, segundo detalhadas e metódicas investigações federais e estaduais da metade do século passado – todas completamente esquecidas/descartadas – houve vários comunistas de carteira secretamente "bolchevizando" as salas de aula e os laboratórios americanos décadas antes que os "anos 60" sequer tivessem começado. Segundo a mitologia (história falsa), os anos 60 deram supostamente início ao desenlace espontâneo do Ocidente. A mesma espécie de sabedoria convencional diz que é destino manifesto que a medicina americana terminará sendo controlada pelo Estado.
Michta se anima ao perceber "o despertar da política de identidade de grupo"; como também "as narrativas de elite substituindo orgulho por vergonha"; contudo, não vê conexões históricas entre as divisões incitadas ou as campanhas de desmoralização e as estratégias comunistas de longo alcance.
É como se uma coisa não levasse e não pudesse levar à outra. A saber: "Após décadas da proverbial 'longa marcha' de Gramsci pelas instituições educacionais e culturais", escreve Michta, "as sociedades ocidentais mudaram em formas que tornam a mobilização ao redor de uma idéia comum de nação cada vez mais problemática." Verdadeiro, embora oblíquo. Apesar disso, o decano conclui que o colapso resultante é "auto-induzido."
Há de fato um tempo em que o colapso, a perda de fé e todo o resto são "auto-induzidos"; autoperpetuados, certamente – quando a podridão ideológica é sistêmica. Há muito já passamos deste estado de crise. Agora, o ponto de entrada e o curso da doença estão simplesmente esquecidos.
Então, outra vez, eu penso que eles e eu estamos falando de duas noções completamente diferentes do "Ocidente" em perigo".
(Diana West, Which Way Is “West”?)

*N. do T.: A expressão "corroer por dentro" ("bore from within") significa juntar-se a um partido oposto ou a um grupo que defende uma visão política a que você se opõe, com a intenção de subvertê-los ou convertê-los à sua opinião. A expressão foi usada em um manifesto do Partido dos Trabalhadores da América em 1921.

sábado, 22 de julho de 2017

A democracia é antibíblica


"Os pressupostos subjacentes da democracia são contrários à visão bíblica do homem. Se nos reconhecemos como criaturas caídas, então não podemos acreditar que cada homem sabe o que é melhor para si e se inclina a escolher de forma apropriada. A democracia só é aceitável se aceitamos a visão “iluminista” (maçônica) do século XVIII de que os seres humanos nascem puros e imbuídos pela natureza de todos os conhecimentos e virtudes necessários.
O amor da América pela democracia está diretamente ligado à heresia de que todo homem é seu próprio sacerdote, um livre agente espiritual que pode interpretar as Escrituras sozinho e não precisa da intercessão de um sacerdócio formal ou santos. Isso, obviamente, contradiz o fato de que Jesus escolheu doze apóstolos dotados de ensinamentos e autoridade especiais para liderar suas centenas de discípulos.
A democracia também é antibíblica na medida em que substitui a verdade absoluta, universal e imutável revelada por Deus pela "vontade da maioria" subjetiva e mutável. Se a palavra de Deus diz uma coisa e a vontade da maioria diz o contrário, a maioria humana ganha em uma democracia. Isto é visto nas duas únicas "eleições" na Bíblia - no Antigo Testamento, as pessoas pediram que Aarão fizesse um bezerro de ouro para que adorassem. No Novo Testamento, as pessoas gritaram "crucifiquem Jesus, dêem-nos Barrabás!" O Senhor não tem nenhum voto e nenhum veto em uma democracia. É por isso que o Senhor nunca submeteu as leis dos antigos israelitas ao voto, nunca lhes pediu que elegessem profetas e nunca fez a monarquia ou a classe sacerdotal depender da vontade da maioria.
Deus sempre designou patriarcas, profetas, juízes, sacerdotes e reis para governar seu povo. Cristo considerou adequado equipar sua Igreja com um governante e príncipes. A monarquia é a única forma de governo que a Igreja tem apoiado consistentemente há milhares de anos. Ironicamente, quando lhe é dada a democracia, a maioria eventualmente elege um tirano muito pior do que qualquer monarca, pois os monarcas são, pelo menos, responsáveis perante a Igreja, seus herdeiros e seus nobres rivais.
Muitos apontarão para os reis ruins da história. Isso é parecido com a condenação do sistema de governo dos Estados Unidos com base em alguns presidentes ruins. Além disso, os piores reis da história apenas agiram despoticamente quando romperam com a influência atenuante da Igreja e esmagaram o poder dos nobres, dois controles tradicionais sobre o poder de um monarca.
A democracia também pode destruir o patriotismo a partir do momento em que a maioria dos cidadãos vem a consistir de estrangeiros que recusam-se a se integrar culturalmente e de marxistas culturais que detestam a si mesmos e que sofreram uma lavagem cerebral para odiar o patrimônio de sua nação. A maioria também pode falir um país, votando naqueles que lhes concederão infinitos benefícios sociais e cortes nos impostos, pagando por isso com dinheiro emprestado de nações inimigas.
Deus é o autor da natureza, e a natureza torna os homens desiguais. Alguns homens são mais virtuosos, fortes, imaginativos, inteligentes, corajosos e trabalhadores. A maioria geralmente está equipada para trabalho manual não qualificado ou qualificado, não para decisão. Apenas um pequeno número de homens é naturalmente adequado para assumir a responsabilidade pelo bem-estar da comunidade. Mas em uma democracia, um homem que busca ser eleito precisa apenas de riqueza e carisma, qualidades mais comuns entre criminosos do que em santos. E para o candidato ou partido ao qual falta riqueza, o dinheiro é facilmente emprestado ao custo de vender sua alma a banqueiros estrangeiros e empresas corruptas que desejam escravizar os cidadãos em dívidas.
A democracia transforma cada homem em membro de um partido rival, atacando o vizinho. Os partidos ganham adeptos zelosos, agravando as tensões entre grupos étnicos, classes sociais e castas. Isso resultou em terror e até mesmo genocídio. Como um deus da mitologia grega, a democracia mata seu pai e come seus filhos. Quando o homem se eleva ao trono de Deus, tudo o que ele pode trazer é o inferno na terra".
(Postagem anônima do Facebook na página Legion of St. Michael the Archangel)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A marca infalível da heresia


"Por influência dos “velhos” modernistas, em suma, os novos teólogos — Lubac à frente — por seu naturalismo e seu relativismo não se limitavam a negar uma ou outra verdade de fé, mas atacavam as raízes sobrenaturais da Igreja, acabando por destruí-la por via de inflação, ou seja, através da sua identificação progressiva com toda a humanidade.
Mas o que espanta mais nessa sopa de cultura de fermentos maléficos, que são os meios do novo modernismo, é sem dúvida a soberba destes pseudo “reformadores”, fundada na pretensão de ter nem mais nem menos redescoberto o “cristianismo autêntico” (perdido pela “velha” Igreja ao longo dos séculos).
Eu saúdo antes de tudo — escrevia em 1945 Blondel a Lubac — sua grande obra O Natural, pois se é útil e até necessário destruir os erros, é ainda mais importante expor a fundo a verdade do cristianismo autêntico...”. (e, como por acaso, o que pretendem hoje os partidários do Concílio Vaticano II, senão ter finalmente descoberto, depois de dois mil anos, o “cristianismo autêntico”?).
Esta pretensão se repete constantemente na história das heresias, trata-se de um sinal infalível para reconhecermos o herético: dos gnósticos dos séculos II e III até os Cátaros medievais, de Ário de Alexandria até Lutero, de Nestório até os modernistas e os “novos teólogos”, todos pretendem ser os descobridores e restauradores do “verdadeiro cristianismo”.
O Senhor... dissipou aqueles que se orgulhavam com os pensamentos do seu coração”: mesmo a condenação ulterior da nova teologia pelo Soberano Pontífice Pio XII não conseguirá dobrar o orgulho presunçoso dos novos teólogos, nem convencê-los a abandonar seu plano pretensioso de reformar a Igreja."

http://permanencia.org.br

domingo, 16 de julho de 2017

O inimigo


“Esse inimigo se encontra em todo lugar e no meio de todos; sabe ser violento e astuto. Nestes últimos séculos tentou realizar a desagregação intelectual, moral, social da unidade no corpo misterioso de Cristo. Quis a natureza sem a graça; a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; às vezes a autoridade sem a liberdade. É um 'inimigo' que se tornou cada vez mais concreto, com uma ausência de escrúpulos que ainda surpreende: Cristo sim, a Igreja não. Depois: Deus sim, Cristo não. Finalmente o grito ímpio: Deus está morto; e até: Deus jamais existiu. E eis, agora, a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre bases que não hesitamos em indicar como as principais responsáveis pela ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus. O 'inimigo' tem trabalhado e trabalha para que Cristo seja um estranho na universidade, na escola, na família, na administração da justiça, na atividade legislativa, na assembléia das nações, lá onde se determina a paz ou a guerra."
(Pio XII, Discorso agli Uomini di Azione Cattolica, 12 de outubro de 1952)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

William Butler Yeats: Os Cisnes Selvagens de Coole


Em sua outonal beleza estão as árvores,
Secas as veredas do bosque;
No crepúsculo de Outubro as águas
Reflectem um céu tranquilo;
Nessas transbordantes águas sobre as pedras
Banham-se cinquenta e nove cisnes.

Dezenove outonos se passaram desde que
Os contei pela primeira vez;
E, enquanto o fazia, vi
Que de repente todos se erguiam
E em largos círculos quebrados revolteavam
As clamorosas asas.

Contemplei esses seres resplandecentes,
E agora há uma ferida no meu coração.
Tudo mudou desde o dia em que ouvindo ao crepúsculo,
Pela primeira vez nesta costa,
A alta música dessas asas sobre a minha cabeça,
Com mais ligeiro passo caminhei.

Infatigáveis, amante com amante,
Movem-se nas frias
E fraternas correntes ou elevam-se nos ares;
Os seus corações não envelheceram;
Paixão ou conquista solicitam ainda
Seu incerto viajar.
Mas vagueiam agora pelas quietas águas,
Misteriosos, belos;
Entre que juncos edificarão sua morada,
Junto a que lago, junto a que charco,
Deliciarão o olhar do homem quando um dia eu despertar
E descobrir que voando se foram?


Tradução de José Agostinho Baptista

segunda-feira, 10 de julho de 2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Cardeal Merry del Val: Litania da Humildade

“Ó Jesus, manso e humilde de coração,
Escuta-me.

Do desejo de ser estimado,
Liberta-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado,
Liberta-me, ó Jesus.
Do desejo de ser enaltecido,
Liberta-me, ó Jesus.
Do desejo de receber honrarias,
Liberta-me, ó Jesus.
Do desejo de ser elogiado,
Liberta-me, ó Jesus.
Do desejo de ser preferido a outros,
Liberta-me, ó Jesus.
Do desejo de ser consultado,
Liberta-me, ó Jesus.
Do desejo de ser aprovado,
Liberta-me, ó Jesus.

Do medo de ser humilhado,
Liberta-me, ó Jesus.
Do medo de ser desprezado,
Liberta-me, ó Jesus.
Do medo de ser repreendido,
Liberta-me, ó Jesus.
Do medo de ser caluniado,
Liberta-me, ó Jesus.
Do medo de ser esquecido,
Liberta-me, ó Jesus.
Do medo de ser ridicularizado,
Liberta-me, ó Jesus.
Do medo de estar errado,
Liberta-me, ó Jesus.
Do medo de ser considerado suspeito,
Liberta-me, ó Jesus.

Que outros sejam mais amados que eu,
Jesus, concede-me a graça de desejar isto.
Que outros sejam mais estimados que eu,
Jesus, concede-me a graça de desejar isto.
Que na opinião do mundo, outros possam crescer e eu diminuir,
Jesus, concede-me a graça de desejar isto.
Que outros sejam escolhidos e eu deixado de lado,
Jesus, concede-me a graça de desejar isto.
Que outros sejam elogiados, e que eu não seja notado,
Jesus, concede-me a graça de desejar isto.
Que outros sejam preferidos a mim em todas as coisas,
Jesus, concede-me a graça de desejar isto.
Que outros se tornem mais santos do que eu
e que eu me torne tão santo quanto deveria ser,
Jesus, concede-me a graça de desejar isto.”

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Assassinos de almas da Nova Ordem Mundial


“Algumas vezes, as notícias do dia são demasiado dolorosas para serem consideradas. Tenho filhos pequenos e, francamente, esta história me parte o coração. Não olhem para o travesti. Todos já temos visto antes estes pobres, confusos gritos de auxílio (e desesperada busca de atenção). Olhem para as crianças... olhem seus rostos... imaginem que são seus filhos, seus netos.
Só de pensar que as crianças estão sendo submetidas ao que acontece nessa biblioteca pública me enche de uma tristeza desesperadora. Suas pequenas mentes – tão inocentes, tão curiosas, tão confiantes – atacadas subitamente por uma carga de artilharia ideológica disparada pelos adultos em suas vidas, inclusive mães e pais em quem confiam implicitamente. Sem importar que opinião tenhamos sobre o tema da homossexualidade, tem que haver uma parte interior que reconheça algo muito mau em lavar o cérebro de crianças pequenas com uma questão que a maioria dos adultos não compreende por completo. Pode alguma civilização da história ser acusada de conduzir semelhante experimentação psicológica em suas próprias crianças?
Não faz muito, fazer isso com as crianças teria sido contra a lei, a de Deus e a dos homens. Costumávamos compreender o valor e a fragilidade da inocência, a tragédia da inocência perdida e o precioso equilíbrio da infância. As crianças eram protegidas, defendidas do que eram demasiado jovens para compreender e do que, se expostos cedo demais, teria destruído sua inocência e causado um dano psicológico permanente.
Costumávamos compreender isso, como o fez toda civilização da história. E então, um dia, decidimos começar a sacrificar nossos filhos no altar do politicamente correto. Começamos até mesmo a matar nossos bebês nos ventres de suas mães. Muitos deles, milhões, de fato. E evidentemente isto não se pode realizar sem maciças consequências psicológicas e morais. Assim, hoje desenvolvemos uma necessidade quase insaciável de corromper os pequenos que escaparam do aborto.
“Mas”, dirão nossos críticos, “nós, como sociedade, evoluímos para além de tais preocupações morais arcaicas”. Deveras? Estão certos disso? A civilização que desenvolveu as máquinas de assassinato mais eficientes da história – capazes de arrasar nações inteiras somente com o apertar de um botão – simultaneamente desenvolveu um melhor guia moral? Nós, que abusamos das crianças, coisificamos as mulheres, drogamos jovens aos milhões, desenvolvemos de alguma maneira um sentido mais agudo de moralidade que o que possuíam nossos avôs – uma consciência social evoluída que nos informa que está bem expor crianças inocentes (cujos corpos ainda não se desenvolveram plenamente) a exibicionistas sexuais travestis? Bem, e se nos informaram mal? E se nos equivocamos a respeito? E se perdemos a capacidade de conhecer a diferença entre o correto e o incorreto? E se na realidade estamos danificando nossos filhos – permanentemente?
A ninguém interessa a ciência e a psicologia que há por trás do que fazemos com nossos filhos em nome do politicamente correto? Porque, se não nos interessa sequer buscar os possíveis efeitos a longo prazo, então não se poderia dizer de nós – não que somos moralmente evoluídos – mas que não nos interessa o que acontece com nossos filhos? Arriscar sua saúde psicológica vale a pena para nós, se isso quer dizer que podemos justificar o que seja que estejamos fazendo aqui e agora.
Semelhantes sessões de controle mental orwelliano em bibliotecas públicas sugerem no mínimo que nos tornamos tão retorcidos – em mente, coração e alma – que simplesmente não suportamos a visão do que é bom, nem sequer nas crianças. Temos fobia à inocência e aos inocentes, e a maneira de nos sentirmos melhor em relação aos monstros nos quais nos transformamos é pedindo às crianças sua absolvição, aprovação e louvor. Novamente, se há algum precedente disto na história humana, gostaria de conhecê-lo.
Como vampiros alimentando-se do sangue de virgens, extraímos a inocência dos menores e mais puros dentre nós, para que em pouco tempo não reste nada de bom no mundo – só vício, morte e escuridão. Todos a nosso redor estarão morrendo ou estarão já mortos, e não será difícil para nós olhar no espelho e ver os zumbis espirituais em que nos tornamos. Quando todos se pareçam e fedam como nós, não haverá mais culpa e o processo de desumanização se terá completado.
Que Deus nos ajude. Que Deus nos perdoe. Somos piores que Sodoma, piores que a Roma pagã – somos assassinos cristofóbicos de almas na Nova Ordem Mundial.”
(Michael Matt, Soul-Killers of The New World Order)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Povo e ralé


"Karl Marx podia ter todos os defeitos do mundo, desde a vigarice intelectual até as hemorróidas, mas ele sabia que a palavra “proletário” significa “gente que trabalha” e não qualquer Zé-Mané.
Ele combatia o capitalismo porque achava que os ricos enriqueciam tomando o dinheiro dos pobres, o que é talvez a maior extravagância matemática que já passou por um cérebro humano, mas, reconheça-se o mérito, ele nunca confundiu trabalhador com vagabundo, povo com ralé.
Alguns discípulos bastardos do autor de “O Capital”, uns riquinhos muito frescos e pedantes, fundaram um instituto em Frankfurt com o dinheiro de um milionário argentino e resolveram que valorizar antes o trabalho honesto do que os vícios e o crime era uma deplorável concessão de Marx ao espírito burguês.
Usando dos mais requintados instrumentos da dialética, começaram ponderando que o problema não era bem o capitalismo e sim a civilização, e terminaram tirando daí a conclusão lógica de que para destruir a civilização o negócio era dar força aos incivilizados contra os civilizados.
Os frankfurtianos não apostavam muito no paraíso socialista, mas acreditavam que a História era movida pela força do “negativo” (uma sugestão de Hegel que eles tomaram ao pé da letra), e que, portanto, o mais belo progresso consiste em destruir, destruir e depois destruir mais um pouco.
Tentar ser razoável era apenas “razão instrumental”, artifício ideológico burguês. Séria mesmo, só a “lógica negativa”.
A destruição era feita em dois planos.
Intelectualmente, consistia em pegar um a um todos os valores, símbolos, crenças e bens culturais milenares e dar um jeito de provar que no fundo era tudo trapaça e sacanagem, que só a Escola de Frankfurt era honesta, precisamente porque só acreditava em porcaria – coisa que seu presidente, Max Horkheimer, ilustrou didaticamente pagando salários de fome aos empregados que o ajudavam a denunciar a exploração burguesa dos pobres.
Isso levou o nome hegeliano de “trabalho do negativo”. A premissa subjacente era:
– Se alguma coisa sobrar depois que a gente destruir tudo, talvez seja até um pouco boa. Não temos a menor ideia do que será e não temos tempo para pensar em tamanha bobagem. Estamos ocupados fazendo cocô no mundo.
No plano da atividade militante, tudo o que é bom deveria ser substituído pelo ruim, porque nada no mundo presta, e só a ruindade é boa. A norma foi seguida à risca pela indústria de artes e espetáculos. A música não podia ser melodiosa e harmônica, tinha de ser no mínimo dissonante, mas de preferência fazer um barulho dos diabos.
No cinema, as cenas românticas foram substituídas pelo sexo explícito. Quando todo mundo enjoou de sexo, vieram doses mastodônticas de sangue, feridas supuradas, pernas arrancadas, olhos furados, deformidades físicas de toda sorte – fruição estética digna de uma platéia high brow.
Nos filmes para crianças, os bichinhos foram substituídos por monstrengos disformes, para protegê-las da idéia perigosa de que existem coisas belas e pessoas boas. Na indumentária, mais elegante que uma barba de três dias, só mesmo vestir um smoking com sandálias havaianas — com as unhas dos pés bem compridas e sujas, é claro.
A maquiagem das mulheres deveria sugerir que estavam mortas ou pelo menos com Aids. Quem, na nossa geração, não assistiu a essa radical inversão das aparências? Ela está por toda parte.
Logo esse princípio estético passou a ser também sociológico. O trabalhador honesto é uma fraude, só bandidos, drogados e doentes mentais têm dignidade. Abaixo o proletariado, viva a ralé. De todos os empreendimentos humanos, os mais dignos de respeito eram o sexo grupal e o consumo de drogas.
De Gyorgy Lukacs a Herbert Marcuse, a Escola de Frankfurt ilustrou seus próprios ensinamentos, descendo da mera revolta genérica contra a civilização à bajulação ostensiva da barbárie, da delinquência e da loucura.
Vocês podem imaginar o sucesso que essas idéias tiveram no meio universitário. Desde a revelação dos crimes de Stálin, em 1956, o marxismo ortodoxo estava em baixa, era considerado coisa de gente velha e careta.
A proposta de jogar às urtigas a disciplina proletária e fazer a revolução por meio da gostosa rendição aos instintos mais baixos, mesmo que para isso fosse preciso a imersão preliminar em algumas páginas indecifráveis de Theodor Adorno e Walter Benjamin, era praticamente irresistível às massas estudantis que assim podiam realizar a coincidentia oppositorum do sofisticado com o animalesco.
Com toda a certeza, a influência da Escola de Frankfurt, a partir dos anos 60 do século passado, foi muito maior sobre a esquerda nacional que a do marxismo-leninismo clássico.
Sem isso seria impossível entender o fenômeno de um partido governante que, acuado pela revolta de uma população inteira, e não tendo já o apoio senão da ralé lumpenproletária remunerada a pão com mortadela e 35 reais, ainda se fecha obstinadamente na ilusão de ser o heróico porta-voz do povão em luta contra a “elite”.
Dois anos atrás, já expliquei neste mesmo jornal que uma falha estrutural de percepção levava a esquerda nacional a confundir sistematicamente o povo com o lumpenproletariado, de tal modo que, favorecendo o banditismo e praticando-o ela própria em doses continentais, ela acreditava estar fazendo o bem às massas trabalhadoras, as quais, em justa retribuição de tamanha ofensa, hoje mostram detestá-la como à peste.
O Caderno de Teses do V Congresso do PT é um dos documentos mais reveladores que já li sobre o estado subgalináceo a que os ensinamentos de Frankfurt podem reduzir os cérebros humanos."

http://www.olavodecarvalho.org

domingo, 25 de junho de 2017

O Ocidente obcecado pelo gênero se prepara para a ascensão do Islã


"Bem-vindo à “próxima fronteira da libertação“ progressista, onde o problema mais urgente nas democracias ocidentais é o “machismo”.
A Carolina do Norte sofreu um ano de boicotes, até vetar a lei do banheiro transgênero. No mês passado, a União Nacional dos Professores da Grã-Bretanha pediu ao governo para ensinar as crianças, a partir de dois anos de idade, as novas teorias dos transgêneros. Nova York apresentou recentemente a primeira “boneca trans”. As universidades americanas estão atormentadas com a histeria dos pronomes neutros. Até a National Geographic, em vez de escrever sobre leões e elefantes, começou a cobrir a “Revolução do Gênero”. Uma das primeiras medidas anunciadas por Emmanuel Macron, já como presidente eleito da França, foi a de que ele nomearia funcionários de uma lista para que houvesse um número “igual de homens e mulheres“.
Qual o significado dessa mania de gênero que está permeando todos os cantos da cultura e das sociedades ocidentais? Segundo Camille Paglia, crítica ao feminismo, trata-se de um sinal do declínio da civilização ocidental.
Em seu novo livro, Free Women, Free Men (Mulheres Livres, Homens Livres), ela assinala:
As civilizações passaram por ciclos recorrentes. Experimentação extravagante de gênero às vezes precede o colapso cultural, como certamente ocorreu na República de Weimar (Alemanha). Hoje como ontem, há forças se alinhando nas fronteiras, multidões de fanáticos dispersos onde o culto da masculinidade heroica ainda tem apelo gigantesco”.
Ela então pergunta:
Como é possível que tantos dos jovens mais ousados e radicais de hoje se definem apenas segundo a sua identidade sexual? Estamos diante de um colapso de perspectiva que certamente terá consequências destoantes na nossa arte e cultura, que talvez venha minar a capacidade das sociedades ocidentais de compreenderem ou reagirem às crenças veementemente contrárias de outros que não nos querem bem. Os fenômenos transgêneros se multiplicam e se espalham em fases ‘tardias’ da cultura, à medida que as tradições religiosas, políticas e familiares enfraquecem e as civilizações entram em declínio”.
Não é coincidência que essa obsessão com gênero tenha surgido na cultura ocidental na década de 1990, década de paz e prosperidade antes do 11 de setembro. A década estava livre de angústias existenciais, consumida pelo escândalo de Monica Lewinski e embevecida pelo “Fim da História” de Francis Fukuyama. De acordo com Rusty Reno, editor de First Things, a ideologia de gênero é um símbolo da nossa época de “enfraquecimento”, apontando para um futuro globalizado “governado pelos deuses do bem-estar da saúde, riqueza e do prazer”. Os sumos sacerdotes desta ideologia, no entanto, não levaram em conta a ascensão do Islã radical.
Antes das cidades francesas de Paris, Nice e Rouen serem atacadas por grupos jihadistas, o governo socialista francês tinha apenas uma prioridade cultural: o “ABC da igualdade de gênero“. O nome foi tirado de um programa polêmico que a ministra dos direitos da mulher da França, Najat Vallaud-Belkacem, havia lançado em 500 escolas.
Depois de aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o governo francês, ao que tudo indica, também achou por bem que deveria promover uma revolução cultural. De acordo com o Ministro da Educação, Benoît Hamon, que perdeu de forma humilhante as últimas eleições presidenciais, as escolas são “um campo de batalha. Metade dos alunos boicotaram as aulas de “teoria de gênero”. Na sequência as autoridades francesas impuseram aos alunos livros ridículos como Papai Usa Vestido. Seria engraçado se os anos seguintes não tivessem sido tão trágicos. O que de fato acabou com essas ilusões francesas foi o terrorismo islâmico.
O efeito sobre a cultura ocidental desta ideologia de gênero é o repúdio ao espírito crítico somado a um “apelo chinfrim ao sentimento contra a razão“. Essa é a cultura obcecada pelo gênero que se recusa a ver o burquíni como ferramenta islâmica e não só isso, ainda o transforma num símbolo dos direitos humanos. A consequência é que a ameaça jihadista é vista apenas como um transtorno inaceitável ao estilo de vida ocidental. A Europa corre o risco de perder todas as suas dádivas históricas: dignidade humana, livre arbítrio, liberdade de religião, liberdade de expressão e a sua colossal cultura.
As elites erotocráticas francesas não estavam preparadas para o que se mostrou ser o ataque terrorista mais violento desde o 11 de setembro. A França, obcecada com o “ABC da igualdade”, pronta para se desarmar, foi pega de surpresa quando terroristas a atacaram no dia em que ela comemorava a igualdade. Na França, simplesmente não havia resistência popular à Lei Islâmica (Sharia) e à ideologia jihadista. Intoxicados pela obsolescência da identidade, o único inimigo que essas elites francesas conheciam eram os privilégios patriarcais, uma vez que para elas o “domínio” era empreendido somente pelos homens brancos europeus.
A presidência de Emmanuel Macron já foi festejada por ativistas do gênero. “Macron é um sopro de ar fresco neste país”, ressaltou Natacha Henry, escritora de obras sobre o gênero, no New York Times. “Acho que ele venceu as eleições porque não fez nenhum tipo de comentário machista e é disso que precisamos”.
A anestesia oriunda de uma obsessão pelos direitos de gênero parece ter se tornado uma fixação de certos países quando ocorrem ataques terroristas. Logo depois que os jihadistas atacaram a Espanha em 2004 e a obrigaram a retirar suas tropas do Iraque, o governo socialista de José Luis Zapatero abraçou o estímulo da ideologia de gênero, incluindo-a nas aulas de “diversidade” benévolas aos gays nas escolas de ensino fundamental. O “Projeto Zapatero” baseava-se no desprezo da natureza, reinvenção do que é humano, exaltação do desejo. Os anos do ex-presidente dos EUA Barack Obama também foram marcados por uma “obsessão” com os direitos dos transgêneros. A obsessão com gênero é uma forma conveniente de desviar a atenção para evitar ter que enfrentar problemas mais complicados e menos agradáveis.
Há um ditado popular que diz que as civilizações podem ser destruídas de dentro em vez de serem destruídas por exércitos de fora. Se o Ocidente não se comprometer em preservar as sociedades e os valores ocidentais, ele cairá. E seu progresso extraordinário será coberto pela escuridão, junto com todos os direitos de gênero.
Segundo Camille Paglia, “uma cultura puramente secular corre o risco de cair no vazio e, paradoxalmente, se sujeitar à ascensão de movimentos fundamentalistas que ameaçam garantir purificar e disciplinar”. Tais como – digamos – o Islã radical."
(Giulio Meotti, The Gender Obsessed West Sets Itself Up for the Rise of Islam)

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