segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A paz universal é o melhor de todos os meios ordenados a nossa felicidade


“Proclamou-se suficientemente que o próprio da operação do gênero humano, considerado em sua totalidade, é sempre converter em ato a potência do intelecto possível, antes de tudo para especular, e em seguida para obrar em conseqüência. E como o que convém à parte convém ao todo, e no homem particular ocorre que, com a imobilidade e o descanso, adquire prudência e sabedoria, torna-se evidente que o gênero humano, na quietude e tranqüilidade da paz, mais fácil e livremente poderá dedicar-se a sua própria obra, que é quase divina (segundo está escrito: “Existe dele pouco que é menos que anjo”). Torna-se manifesto daí que a paz universal é o melhor de todos os meios ordenados a nossa felicidade. Assim, quando se ouviu uma voz por sobre os pastores, não se lhes falou de riquezas, nem de gozos, nem de honras, nem de longa vida, nem de saúde, nem de força, nem de beleza; porém de paz. A milícia celeste canta: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”. Assim também “A paz esteja convosco”, saudava o Salvador dos homens; convinha, sem dúvida, ao sumo Salvador expressar a suprema saudação. Costume que quiseram seus Discípulos conservar, como Paulo em suas mensagens, e todos podem verificar.”
(Dante Alighieri, De Monarchia)

Tradução de João Penteado E. Stevenson

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A superstição do espiritismo é o castigo da incredulidade


“A raiz do espiritismo é a condição moral doentia de nossa época. Insatisfeitos com o vazio do materialismo, e por demais dominados pelo orgulho intelectual para se submeterem à lei de Cristo, os homens procuram um outro mundo capaz de provas exemplares... Do ponto de vista do católico convicto, estes esforços por um conhecimento superior têm em si algo que é ao mesmo tempo lamentável e abjeto. Que os homens confiem questões de tal importância ao trabalho de uma imaginação desordenada e frequentemente doentia; que construam um sistema sobre fenômenos que fogem ao exame racional; que apostem suas esperanças de tempo e eternidade em manifestações que tanto têm em comum com as prestidigitações dos mágicos, e ao mesmo tempo fechem os olhos às provas de vida e poder sobrenaturais que o Cristianismo vivo lhes oferece, é um triste exemplo desta fátua superstição que é amiúde o castigo da incredulidade.”
(J. Godfrey Raupert, The Supreme Problem)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A participação dos judeus na Reforma Protestante


“Os judeus promoveram a causa reformista imprimindo bíblias protestantes baseadas em traduções não aprovadas e errôneas e providenciando seu transporte clandestino por toda a Europa. Os judeus se tornaram espiões e propagandistas para os reformadores, comercializando traduções corrompidas da Bíblia tomadas das escrituras judaicas.
Previsivelmente, a maioria dos heresiarcas e heréticos desse século, de acordo com Cabrera, eram vistos como judeus. Está fora de questão, continua Walsh, citando um historiador judeu, “que os primeiros líderes das seitas protestantes eram chamados semi-judaei, ou meio-judeus, em todas as partes da Europa, e que os homens de descendência judaica eram tão destacados entre eles quanto haviam sido entre os gnósticos e, posteriormente, seriam entre os Comunistas”.
Graetz similarmente retrata a Reforma como “o triunfo do Judaísmo”, uma alegação que muitos católicos fizeram nos dias de Lutero.
Walsh declara que os “pregadores mais tempestuosos” da Reforma eram de “origem judaica”. Miguel Servetus, o primeiro unitário, foi influenciado pelos judeus em seu ataque à Trindade. O Calvinismo se tornou uma “máscara conveniente” para os judeus na Antuérpia depois de sua expulsão da Espanha, confirmando que os protestantes eram meio-judeus e aumentando as suspeitas dos líderes católicos. O Dr. Lucien Wolf alega que “os marranos na Antuérpia tiveram uma parte ativa no movimento de Reforma e desistiram de sua máscara de Catolicismo por uma não menos vazia máscara de Calvinismo. A mudança seria prontamente entendida”.
(E. Michael Jones, The Jewish Revolutionary Spirit)

https://judaismoemaconaria.blogspot.com.br

sábado, 11 de novembro de 2017

Civilização


“Em discurso diante do parlamento francês após os vis atentados jihadistas de Paris, o presidente François Hollande afirmou: “A França não está participando de uma guerra de civilizações, pois estes assassinos não representam nenhuma civilização”. A frase foi reproduzida em manchetes de imprensa, glosada enfaticamente nos salões de encefalograma linear e subministrada como alfafa às massas; mas ninguém se atreveu a assinalar que se tratava de uma falácia lógica de livro, pois emprega uma premissa certa para desembocar numa explicação falsa com a secreta intenção de ocultar que a certeza da premissa se funda em razões mui distintas das que se enunciam.
A França, com efeito, não está participando de uma guerra de civilizações, porque para que se produza uma guerra deste tipo deve haver duas civilizações em luta; mas a dura verdade é que os assassinos que atacaram em Paris representam uma civilização, extremo que não se pode afirmar da França. A falácia lógica de Hollande jogava com a credulidade do ouvinte, tomando a palavra ‘civilização’ no sentido com que foi difundida no Ocidente, como sinônimo de ‘progresso’ democrático. Mas uma ‘civilização’ nada tem a ver com este conceito de fantasia, inventado com o propósito de enganar as massas, que deste modo pensam que existe uma ‘civilização ocidental’, como existiu uma ‘civilização cristã’. Mas uma civilização é “um conjunto de crenças e valores compartilhados que conformam uma comunidade”: daí que todas as civilizações que já existiram, existem e existirão no mundo tenham sido fundadas por religiões; daí que todas as civilizações, quando as religiões que as fundaram se debilitam e obscurecem, se desintegrem paulatinamente, até claudicarem. Não é possível conformar uma comunidade sem uma religião compartilhada, pela simples razão de que, quando não se reconhece uma paternidade comum, toda união humana se torna impossível. Na mal chamada ‘civilização ocidental’, que não está fundada sobre uma religião mas sobre uma apostasia e uma posterior idolatria (a do progresso democrático), as uniões são no melhor dos casos quebradiças, pois se baseiam no que Unamuno chamava “a liga aparente dos interesses”; e, como os interesses costumam ser egoístas e cambiantes, a demogresca campeia por toda parte.
Só pode haver civilização onde haja uma religião compartilhada; e quando se esfuma o fundamento religioso, ou quando tal fundamento se faz em cacos, a civilização desaparece lentamente, até ser substituída por outra. Assim ocorreu, por exemplo, com Roma, que ao perder a fé em seus deuses deixou de cultivar as virtudes que a haviam feito forte, para logo se entregar em sua decrepitude a um formigueiro de seitas asiáticas devoradoras, do qual a salvou o cristianismo. Mas que não haja possibilidade de civilização sem religião não quer dizer que toda forma de civilização seja boa ou digna de consideração: eis que temos na Antiguidade os cartagineses, que fundaram uma civilização aberrante e infanticida, venturosamente aniquilada pelos romanos; e temos, como um turvo rio de sombra percorrendo a História, a civilização islâmica, que desde suas mesmas origens se expandiu através da violência, lançando uma formidável ofensiva contra uma Cristandade pululante de heresias, que Carlos Martel deteve em Poitiers, para que logo Pelayo iniciasse uma difícil reconquista da Hispânia visigótica. E esta civilização islâmica continuou dando mostras de seu caráter expansivo e violentíssimo com os turcos, que tomaram com massacres Constantinopla para serem logo detidos, primeiro em Lepanto e depois às portas de Viena. Esta civilização islâmica é a que agora volta a atacar (depois da avareza democrática ter brincado insensatamente de depor ditadores que a continham); ocorre que à sua frente já não tem uma civilização cristã disposta a fazer-lhe frente, unida em torno de uma fé comum que funciona ao modo de antídoto e reconstituinte, mas somente uma multidão apóstata, débil e amorfa de pessoas incapacitadas para o sacrifício que pensam ingenuamente que defecando quatro bombinhas por controle remoto vão exorcizar o perigo.
Os povos que renegaram sua civilização sempre perdem a longo prazo as guerras contra os povos que conservam a sua. E acabam sendo seus escravos, porque seus governantes sem fé sempre os atraiçoam, primeiro deixando que o inimigo se instale em suas terras qual cavalo multicultural de Tróia, depois fazendo o mesmo que o covarde bispo Oppas, quando o emir Muza entrou em Toledo: entregando uma lista com as cabeças que havia de cortar.”
(Juan Manuel de Prada, Civilización)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Mons. Williamson sobre o valor da cultura não-católica


“Uma leitora dos “Comentários” questiona novamente o valor da cultura não católica, atacando-os por causa dos elogios a Wagner (EC 9) e a T.S. Eliot (EC 406, 411). Para ela, T.S. Eliot deve ser rejeitado como um protestante, ao passo que Wagner é um diabo jacobino apaixonado pelo budismo, cuja música está carregada de impureza gnóstica. Veja, ambos, Eliot e Wagner, têm suas faltas, graves faltas quando mensuradas em relação à plenitude da verdade católica, como os “Comentários” mencionados acima apontam. Entretanto, em nossa época doentia eles têm sua utilidade, a qual pode ser resumida pelas palavras atribuídas a Santo Agostinho: “Toda verdade pertence a nós, cristãos”.
Eliot e Wagner pertencem à “cultura” de outrora. Para nossa finalidade, definiremos cultura como as histórias, a música e as imagens que homens de todas as épocas necessitam para nutrir suas mentes e seus corações. Assim definida, a cultura reflete e revela, ensina e molda. Reflete porque é o produto de algum escritor, músico ou artista que tem o talento de dar expressão ao que se passa em sua alma e na de seus contemporâneos. Se foi popular em seu tempo, a cultura revelou parte do que acontecia em suas almas. Se se tornou um clássico a partir daí, como Eliot e Wagner, é porque reflete e revela parte do que acontece nas almas de homens de todos os tempos. Assim, da extrema pobreza de sua formação unitarista, Eliot foi capaz de desenhar seu assustador retrato do homem moderno, enquanto Wagner, para além de qualquer budismo ou gnosticismo, à custa de um imenso talento preencheu suas óperas com uma riqueza de verdadeira psicologia humana que milhares de comentadores não pararam de interpretar desde então.
A cultura também molda e ensina porque o escritor, ou o músico, ou o artista, dá expressão e forma a movimentos até então informes, nas mentes e nos corações de seus contemporâneos. Shelley chamou os poetas “os legisladores não reconhecidos do mundo”. Elvis Presley e os Beatles tiveram enorme influência sobre a juventude moderna, e sobre as gerações seguintes. Picasso quase criou a arte moderna e, em grande parte, projetou o modo como os modernos visualizam o mundo a seu redor. Esses exemplos modernos da grande influência da literatura, da música e da arte sobre os seres humanos raramente podem ser apreciados porque o homem moderno é deveras ímpio, e há nele pouco que valha a pena refletir ou expressar. Contudo, a imensa influência não pode ser negada.
Em resumo, a cultura é baseada e advinda das almas dos homens. E a Igreja Católica trabalha para a salvação dessas almas. Então, como poderia negligenciar a cultura? Seus próprios escritores direcionaram os pensamentos dos homens, e seus artistas e seus músicos preencheram suas igrejas com beleza, a fim de elevar suas almas a Deus, desde o início da Igreja. “É claro”, alguém poderá objetar, “que isto é verdade em relação à cultura católica, mas nem Eliot nem Wagner foram católicos. Então, que serventia têm para a Igreja?”
No homem, há três coisas: a graça, o pecado e a natureza. Proveniente de Deus, nossa natureza básica somente pode ser boa, mas, como foi maculada pelo pecado original, também é fraca e inclinada ao mal. A natureza é como o campo de batalha da eterna guerra entre a graça e o pecado, que lutam para possuí-la. A graça eleva e cura a natureza. O pecado a derruba. Eis a luta sem fim. A Eliot e a Wagner pode ter faltado a graça, mas Deus lhes permitiu serem mestres da natureza. A Igreja é a comandante-chefe no que diz respeito à salvação das almas. Como ela poderia falhar em estudar o campo de batalha e em extrair todos os possíveis benefícios dos mestres da natureza, para conhecer as almas do tempo e ensiná-las?”
(Mons. Richard Williamson, F.S.S.P.X, Again, Culture)

http://borboletasaoluar.blogspot.com

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Nikolai Rimsky-Korsakov: Capriccio Espagnol


Rafael Frühbeck de Burgos
Denmarks Radio SymfoniOrkestret

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A morte do marxismo revisitada


“Há cerca de dez anos, publiquei um livro, A Estranha Morte do Marxismo, que argumentava vigorosamente que a esquerda atual não é marxista, mas pós-marxista. Ao contrário dos marxistas tradicionais e dos socialistas democráticos europeus, o tipo de esquerda que ganhou terreno desde e até mesmo antes da queda do império soviético é culturalmente radical, mas apenas secundariamente interessada na mudança econômica.
Nossa esquerda atual faz as pazes com a iniciativa privada e até com as grandes corporações, de forma que ela possa impor sua ideia de transformação social e cultural a cidadãos cada vez mais impotentes e seus respectivos filhos, cada vez mais doutrinados.
Não que essa esquerda seja particularmente amigável com qualquer coisa que seja privada, incluindo transações econômicas. Mas ela trata a economia como algo que pode influenciar sem ter de nacionalizar, evitando, assim, aquelas políticas desastrosas que governos socialistas do passado tentaram decretar.
Nossa própria elite intelectual esquerdista concluiu com sensatez que é melhor permitir que as forças de mercado operem ao mesmo tempo que se asseguram de que a administração pública possa usurpar os lucros, sempre que houver um pretexto. Além disso, essa elite intelectual constantemente intimida o povo a acompanhá-la em orientações comportamentais cada vez mais complicadas, supostamente destinadas a lutar contra a “discriminação”.
É a cultura, e apenas instrumentalmente o governo, que a esquerda pós-marxista procura dominar; e o tipo de estado administrativo que se expandiu de forma explosiva em todos os países ocidentais desde a década de 1960 é um instrumento eficaz pelo qual engenheiros sociais e comissários da sensibilidade podem fazer o seu trabalho.
Embora eu não tenha mudado minha visão sobre como a esquerda se transformou desde que escrevi meu livro, parece que, de certa forma, tem havido mais continuidade entre o velho e o novo esquerdista, como sugeri.
Os antigos marxistas, aqui e na Europa, tornaram-se multiculturalistas quase que da noite para o dia, enquanto nossos esquerdistas atuais ainda admiram comunistas do passado (como Fidel Castro) e associam anticomunistas ao fascismo. Além disso, após assistir à histeria organizada anti-Trump, que tem cativado a indignação das massas, das autointituladas indústrias de entretenimento e da mídia desequilibrada, torna-se óbvio que a esquerda multicultural politicamente correta está seguindo a velha e mais cerebral esquerda marxista em três aspectos críticos.
1. Como os comunistas e também como os fascistas italianos, a esquerda multicultural nunca se vê ocupando posições de autoridade e/ou sendo capaz de forçar a falta de vontade em cumprir com suas exigências. Embora a esquerda compreenda a situação, está sempre se esforçando para tomar o poder. Também quando parece estar chegando a algum lugar (como na América de Obama), ainda corre o risco de ser esmagada por forças hostis. Exatamente como a (velha) esquerda certa vez argumentou, que nenhuma revolução socialista jamais havia sido plenamente realizada e que os países comunistas ainda estavam “no caminho para se tornarem socialistas”, também os regimes politicamente corretos de hoje, como vistos por seus defensores, são apenas os primeiros passos em direção à superação do passado. São os primeiros passos da longa marcha para o poder; mesmo que esses passos tenham sido ameaçados quando Hillary Clinton não conseguiu chegar à presidência.
2. Não há meios da esquerda abrir mão das mudanças que já implementou na sociedade sem que toda a estrutura de mudança esteja em perigo. Isto corresponde à fórmula de Trotsky de que se a revolução é feita para recuar do estágio D ao estágio C, então toda a marcha para a nova sociedade poderia ser revertida. Por conseguinte, a marcha para fora do passado sombrio e repressivo deve ser seguida incondicionalmente, e qualquer deslize será equivalente a uma contra-revolução — ou em um discurso esquerdista amedrontador, fazendo com que as mulheres sejam forçadas a fazer abortos em becos, re-impondo a segregação racial, e aprisionando homossexuais. Este tipo de pensamento faz todo sentido, se alguém começa a supor que está em uma situação de “tudo ou nada”.Também não importa que o presidente Obama tenha cancelado os voos do Iraque para os EUA em 2011 ou que Bill Clinton tenha falado em um discurso do Estado da União em 1994 sobre a interrupção da presença de ilegais nos EUA. Também não devemos perceber que o predecessor de Donald Trump tenha sido contrário ao “casamento” gay na época em que foi eleito para a presidência. É nosso, segundo os esquerdistas, o dever proteger qualquer revolução que esteja em andamento em seu estágio mais avançado.
3. Qualquer um que ameace o processo ainda frágil e reversível de mudança, deve ser desumanizado. Não pode haver desentendimentos honestos com aqueles que por desígnio ou por perigosa ignorância estejam trabalhando contra a “esperança e mudança”. Portanto, é justificado condenar esses reacionários como os mais vis e malignos dos seres. Como os comunistas, a esquerda atual, particularmente na Europa Ocidental, caracteriza seus oponentes como “fascistas”. Note que para a velha esquerda o “fascismo” tinha um significado quase científico. Referia-se aos defensores de uma forma de capitalismo tardio, que já havia atingido um ponto de crise mortal. “Fascistas” reprimiram a revolução socialista criando ditaduras nacionalistas de direita. No processo, os falsos revolucionários “fascistas” expulsaram os verdadeiros revolucionários de esquerda.
Para a esquerda multicultural, em contrapartida, o termo “fascista”, utilizado antigamente pelos marxistas foi reduzido a um borrão. Agora ele diz respeito àqueles que a esquerda está combatendo, isto é, aqueles que discordam de todos ou de algum aspecto da agenda social da esquerda. Aqueles que se opõem a essa agenda podem ou talvez devam ser atacados como nazistas e até mesmo negadores do Holocausto (que um conhecido meu recentemente me chamou por votar em Donald Trump). Se as pessoas sob ataque não negarem explicitamente os crimes nazistas, sua visão de “justiça social” será tão irremediavelmente negativa que se presumirá que eles teriam endossado entusiasticamente a Hitler. O que mais deve-se pensar de alguém que está tentando nos empurrar de volta para a idade das trevas, quem sabe para 2008?”
(Paul Gottfried, The Death of Marxism Revisited)

http://tradutoresdedireita.org

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Os princípios de 1789

“Muitos falam dos princípios de 1789, e quase ninguém sabe em que consistem. Não é estranho; as palavras com que os formularam são tão clássicas e indefinidas, que cada qual as interpreta a seu gosto. As pessoas honradas de curto alcance não vêem neles nada de precisamente mal; os demagogos, por sua vez, encontram neles o que lhes convém. Existe a favor desses princípios estranha emulação de carinho; estão escritos em vinte bandeiras rivais; cada qual os defende contra todos, e todos dizem que os demais os falseiam, ou os comprometem, ou fazem-lhes traição. Procuremos aqui, à luz indefectível da fé católica, não falseá-los, nem comprometê-los, nem fazer-lhes traição, senão compreendê-los bem, medir suas profundidades, e descobrir em seus recônditos mais ocultos a velha serpente, que é a alma verdadeira de tais princípios. Não exageraremos, mas procuraremos examiná-los inteiramente.
Contemplando as obras desses a quem se chama com orgulho de pais da liberdade e fundadores da sociedade moderna, veremos, segundo a expressão de Bossuet, “se aqueles que se nos apresentam como reformadores do gênero humano aumentaram ou diminuíram seus males; se é preciso vê-los como reformadores que o corrigem, ou como flagelos enviados por Deus para castigá-lo.”
A Assembléia constituinte, que em 1789 destruiu, pelo direito do mais forte, a antiga constituição da Igreja na França; que em 4 de agosto suprimiu os justos tributos com que subsistia; que em 27 de setembro despojou as Igrejas de seus vasos sagrados; que em 18 de outubro anulou as Ordens religiosas; e que, por fim, em 2 de novembro roubou as propriedades eclesiásticas, preparando assim o ato herético e cismático a que se deu o nome de Constituição civil do clero e foi promulgada no ano seguinte; essa mesma Assembléia formulou em dezessete artigos o que se chama a declaração dos direitos do homem, e que melhor deveria ter-se chamado a supressão dos direitos de Deus. Esses artigos encerram os princípios sociais que se fizeram célebres sob o nome de princípios de 1789.
Alguns católicos, com o louvável propósito de ganhar para a Igreja as simpatias das sociedades modernas, procuraram demonstrar, não sem algum trabalho, que os princípios daquela célebre declaração não estavam em oposição com a fé nem com os direitos da Igreja. Quiçá pudesse defender-se essa tese, se nessa questão, essencialmente prática, fosse dado ater-se rigorosamente ao valor gramatical das palavras, delas abstraindo o espírito que as anima, que as ditou, que as aplica, e que expressa seu genuíno sentido. Por desgraça os princípios de 1789 não são letra morta: manifestaram-se por fato, leis e crimes enormes que não podem deixar dúvida de seu verdadeiro caráter. A Revolução, a Revolução anticristã os proclama como seus princípios próprios, atribuindo-lhes a glória de suas pretensas façanhas; e os revolucionários não deixam de invocá-los contra a Igreja.
Como, pois, esses famosos princípios não horrorizam os homens honrados? É que neles se encontra a verdade habilmente confundida com a mentira, e esta passa agora, como sempre, à sombra daquela.
Com efeito, vários dos princípios de 1789 são verdades antigas do direito francês ou do direito político cristão, que os abusos do cesarismo galicano haviam relegado ao esquecimento e que a pueril ignorância dos constituintes fez tomar por um descobrimento admirável. Outros são verdades de sentido comum, que ninguém se atreveria hoje em dia a formular seriamente; mas todas essas verdades estão dominadas por um princípio, que dá o verdadeiro caráter a essa declaração, que é o princípio revolucionário da independência absoluta da sociedade: princípio que rejeita a seguir toda direção cristã, que quer que o homem só dependa de si mesmo e não tenha mais leis que sua vontade, sem ocupar-se do que Deus ensina e prescreve por meio de sua Igreja. A vontade do povo soberano substituindo a lei do Deus soberano; a lei humana pisoteando a verdade revelada; o direito puramente natural fazendo abstração do direito católico; em uma palavra, substituir os direitos eternos de Jesus Cristo por esses pretensos direitos do homem: tal é a declaração de 1789.
Até então se havia reconhecido a Igreja como o órgão de Deus em relação às sociedades e aos indivíduos; e se bem é verdade que de alguns séculos para cá não se queria reconhecer na prática esse direito de suprema direção moral, nunca chegou a ousadia até esse ponto de negá-lo formalmente.
Assim, pois, os princípios de 1789, considerados isoladamente distam muito de ser inteiramente revolucionários; mas em seu conjunto, e sobretudo na idéia que os domina, constituem uma audaz rebeldia do homem contra Deus, e um rompimento sacrílego entre a sociedade e nosso Senhor Jesus Cristo, Rei dos povos e Rei dos reis. Nos princípios de 1789, o que vituperamos é esse elemento de rebelião anticristã; longe de repudiá-las, defendemos como nossas as grandes máximas de verdadeira liberdade, de verdadeira igualdade e fraternidade universal, que a Revolução transtorna e pretende haver dado ao mundo.
Em consciência, não pode um católico admitir todos os princípios de 1789. Menos ainda lhe é permitido inspirar-se no espírito que os ditou, que os interpreta e os aplica desde seu aparecimento no mundo.”
(Mons. Louis-Gaston de Ségur, La Révolution)

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Relativismo “católico”


“Vamos ver. Pusemos um título propositadamente contraditório, já que evidentemente nem existe nem é possível que exista um relativismo católico; seria algo como pedir a existência de um círculo que fosse quadrado.
O catolicismo não é uma filosofia, o que é óbvio, mas uma religião, ou melhor dizendo é a Religião, com maiúscula. E embora não seja em si mesmo um sistema filosófico, é certo que se apóia em uma concepção do mundo que coincide com a que historicamente se denominou realista, ou aristotélico-tomista. E dela toma a fundamentação que sua teologia reclama, pois o sobrenatural supõe o natural.
E dentro de tal realismo não tem cabimento um sistema contraditório como o relativismo, para o qual, sobretudo em terreno moral, não existem verdades universais, absolutas e eternas, mas tudo depende da pessoa, da época ou do lugar. E não tem cabimento pelo fato mesmo de que o realismo consiste simplesmente em proclamar que existe, independentemente da mente e da vontade humana, um universo (incluindo o homem mesmo) cuja ordem natural não necessita do olhar da inteligência humana para existir e persistir, mas pelo contrário se impõe a tal inteligência, cujo trabalho é contemplá-la e compreendê-la com precisão para poder viver de acordo com o real.
Então por que falamos de um relativismo “católico”? Porque hoje em dia se está difundindo entre os católicos mal informados uma idéia distorcida da misericórdia e do amor fraterno. Vejamos.
Ao próximo deve-se amá-lo, é o segundo dos mandamentos que resumem toda a obrigação do católico: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Mas o que hoje não se diz é que do próximo devemos amar mais a alma que o corpo, ou seja, o primeiro amor ao próximo é o amor à saúde e ao bem-estar de sua alma. Sem querer dizer com isso que o socorro de suas necessidades materiais não seja obrigatório também, mas que somente estabelecemos uma ordem de prioridades, de acordo com a nobreza de cada coisa; uma é a nobreza da alma e outra, a nobreza da ordem material.
Então hoje se difunde entre muitos católicos uma tendência a colocar as coisas ao revés e atender acima de todas as coisas às necessidades materiais, a tal ponto que as espirituais são consideradas secundárias ou não se lhes dá nenhuma importância. Falo aqui desses católicos cujo “apostolado” se reduz única e exclusivamente a mero ativismo social, sem investir jamais nem o mínimo esforço, por exemplo, no chamado à conversão, ao arrependimento, a levar uma vida sacramental e de oração, etc. Tudo isso desapareceu no “apostolado” de muitos católicos, sacerdotes e bispos incluídos.
De maneira que hoje assistimos ao espetáculo trágico de um catolicismo, ou melhor dizendo, de alguns católicos que renunciaram à busca do bem da alma, própria e alheia, para concentrar-se com exclusividade nas obras de assistencialismo social.
Esclareçamos algo: a Igreja desde sempre recomendou, ensinou, aconselhou, urgiu, a obrigação de todo crente de compartilhar, de dar, de ajudar, de socorrer, etc, as necessidades dos mais fracos. Basta recordar a lista de obras de misericórdia que todos aprendemos quando pequenos: dar de comer ao faminto, dar de beber ao sedento, vestir o desnudo, dar pousada ao peregrino, visitar o enfermo, etc. Mas este ensinamento estava enquadrado em uma ordem, em uma hierarquia, que punha por cima as necessidades da alma, própria e alheia, de tal maneira que havia que ocupar-se destas, sem descuidar daquelas. E assim entendeu sempre a Igreja e assim praticaram sempre os católicos. É nisto que hoje presenciamos a mudança.
Hoje parece que ganhou terreno entre os “católicos” a idéia de que aquilo em que se creia, a religião a que se pertença, a ideologia que se professe (incluídos o ateísmo e toda raridade oriental que exista) é o de menos, e que o católico, longe de CONVERTER pessoas ao catolicismo, deve “FAZER O BEM”, entendendo a palavra BEM no sentido de bem material, bem físico, assistencialismo social, etc.
E ISTO TRANSFORMOU MUITOS “CATÓLICOS” EM FILANTROPOS E HUMANISTAS, NOS QUAIS O CATOLICISMO JÁ É SOMENTE UMA PÁLIDA SOMBRA DA QUAL SÓ SOBREVIVE O NOME.
Deste mal morre atualmente o apostolado católico, e é um mal que se difunde, desgraçadamente, a partir do clero mesmo, o qual, vítima de uma formação deficiente a nível teológico e filosófico, assumiu seu sacerdócio a partir da ótica da preocupação exclusiva pelo terreno. Adulteraram-se as fontes.
Urge recuperar o verdadeiro sentido do apostolado católico, e fazer certas coisas sem descuidar das outras.”

Original em http://itinerariummentis1.blogspot.mx

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Profecia do Mosteiro de Maria Laach (século XVI): era para ter ocorrido uma terceira guerra mundial no século XX


“O século XX trará morte e destruição, apostasia da Igreja, discórdia nas famílias, cidades e governos; será o século de três guerras com intervalo de poucas décadas. Elas serão cada vez mais devastadoras e sangrentas e deixarão em ruínas não apenas a Alemanha, mas por fim todos os países do Oriente e do Ocidente. Após uma terrível derrota da Alemanha virá uma outra grande guerra. Não haverá mais pão para as pessoas e forragem para os animais. Nuvens venenosas, manufaturadas por mãos humanas, afundarão e exterminarão tudo. A mente humana será dominada pela insanidade.”

http://catholicprophecy.org