domingo, 9 de agosto de 2020

O socialismo conservador de Werner Sombart

"As tendências socialistas, nacionalistas e conservadoras de autores como Paul Lensch, Johann Plenge, Werner Sombart, Arthur Moeller van den Bruck, e Oswald Spengler levaram à ascensão de um novo conservadorismo nacional e socialista. Naturalmente, deve ser lembrado que um socialismo antimarxista já tinha uma longa história na Alemanha, incluindo pessoas tais como os Kathedersozialisten ("socialistas da cadeira"), Adolf Stocker, e Ferdinand Tönnies. O próprio Werner Sombart começou como marxista, mas depois se desiludiu com a teoria marxista, que ele percebeu como tão ou mais destrutiva do espírito humano e da comunidade orgânica quanto o capitalismo.
Sombart é lembrado principalmente por seu trabalho sobre a natureza do capitalismo, especialmente por seus trabalhos associando o caráter materialista dos judeus ao capitalismo. A obsessão pelo lucro, as práticas comerciais brutais, a indiferença à qualidade, e "as características meramente racionalizantes e abstratizantes do comerciante", que são produtos-chave do capitalismo, destroem qualquer "comunidade de trabalho" e desintegram laços entre as pessoas que foram mais comuns na sociedade medieval. Sombart escreveu, "Antes que o capitalismo pudesse se desenvolver, o homem natural teve que ser transformado para além de qualquer reconhecimento, e um mecanismo racionalmente pensado teve que ser introduzido em seu lugar. Deveu haver uma transvaloração de todos os valores econômicos."
As principais objeções de Sombart ao Marxismo consistiam no fato de que o Marxismo visava à supressão de todos os sentimentos religiosos assim como dos sentimentos nacionalistas e dos valores da cultura enraizada e indígena; o Marxismo visava não a uma humanidade superior mas a uma mera e básica "felicidade". Em contraste com o Marxismo e com o capitalismo, Sombart defendia um Socialismo Alemão no qual as políticas econômicas seriam "direcionadas de maneira corporativa", a exploração terminaria, e a hierarquia e o bem-estar de todo o estado seriam apoiados."
(Lucian Tudor, The German Conservative Revolution & Its Legacy)

domingo, 2 de agosto de 2020

Corpo incorrupto de Santa Bernadette: o que os médicos forenses viram nas exumações


“A incorruptibilidade do corpo de Santa Bernadette Soubirous é um dos casos mais assombrosos e estudados pela medicina.
A grande festa de Lourdes se comemora em 11 de fevereiro e a festa de Santa Bernadette em 18 de fevereiro na França, e em 16 de abril alhures.
Desde 3 de agosto de 1925, o corpo intacto da Santa se encontra exposto numa urna de cristal na capela do convento de Saint-Gildard, na cidade de Nevers, França. A cidade fica na Borgonha, a 260 km ao sul-suleste de Paris.
Assim informa uma inscrição ao lado do corpo da Santa na mesma capela:
“O corpo de Santa Bernadette repousa nesta capela desde 3 de agosto de 1925.
Ele está intacto e “como se estivesse petrificado” segundo foi reconhecido pelos médicos juramentados e pelas autoridades civis e religiosas por ocasião das exumações de 1909, 1919 e 1925.
O rosto e as mãos, que escureceram no contato com o ar, foram recobertos com ligeiras camadas de cera, moldadas segundo os modelos recolhidos diretamente.
A posição inclinada para o lado esquerdo foi assumida pelo corpo no túmulo.”
Vejamos, entretanto, o que disseram os médicos responsáveis pelas perícias praticadas sobre o corpo da Santa nas diversas ocasiões mencionadas na inscrição.
Primeira exumação
Em 22 de setembro de 1909, trinta anos após o velório, seu cadáver foi exumado pela primeira vez e o corpo encontrado intacto.
Os Drs. Ch. David e A. Jordan, que conduziram esta primeira exumação, escreveram no relatório da perícia:
“O caixão foi aberto na presença do Bispo e do Prefeito de Nevers, seus principais representantes e diversos religiosos.
“Não notamos nenhum odor.
“O corpo estava vestido com o Hábito da Ordem a que pertencia Bernadette. O Hábito estava úmido.
“Apenas a face, mãos e antebraços estavam descobertos.
“A cabeça estava inclinada para a esquerda. A face estava lânguida e branca. A pele estava apegada aos músculos e estes apegados aos ossos.
“As cavidades oculares estavam cobertas pelas pálpebras […]
“Nariz dilatado e enrugado. Boca levemente aberta e se podia ver os dentes no lugar.
“As mãos, cruzadas sobre o peito, estavam perfeitamente preservadas, bem como suas unhas. As mãos seguravam um terço. Podia se observar as veias no antebraço.
“Os pés estavam enrugados e as unhas intactas.
“Quando o Hábito foi removido e o véu levantado de sua cabeça, pode se observar um corpo rígido, pele esticada […]
“Seu cabelo estava com um corte curto e bem preso à cabeça. As orelhas estavam em perfeito estado de conservação […]
“O abdome estava esticado, assim como o resto do corpo. Ao ser tocado, tinha um som como de papelão.
“O joelho direito estava mais largo que o esquerdo.
“As costelas e músculos se observavam sob a pele […]
“O corpo estava tão rígido que podia ser virado para um lado e para o outro […]
“Em testemunho de que temos corretamente escrito esta presente declaração, a qual representa a verdade em sua totalidade.
Nevers, 22 de setembro de 1909, Drs. Ch. David, A. Jourdan.”
Segunda exumação
Em 1919, dez anos depois da primeira exumação, realizou-se uma segunda exumação do corpo de Santa Bernadette, conduzida desta vez pelos Doutores Talon e Comte, com a presença do Bispo da cidade de Nevers, bem como do Delegado de Polícia e representantes da Prefeitura e da Igreja.
A situação encontrada foi exatamente a mesma da primeira exumação.
Eis alguns excertos do relatório final do Dr. Comte, sobre esta segunda perícia:
“Deste exame, concluo que permanece intacto o corpo da Venerável Bernadette, esqueleto completo, músculos atrofiados, mas bem preservados; apenas a pele, que estava enrugada, pelos efeitos da umidade do caixão.[…]
“O corpo não estava em putrefação nem decomposição, o que seria esperado como normal, após quarenta anos de seu sepultamento.
“Nevers, 3 de abril de 1919, Dr. Comte.”
Terceira exumação
Por fim, a 18 de novembro de 1923, Sua Santidade o Papa Pio XI assinou decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Bernadette.
Após a beatificação da Santa, foi efetivada uma terceira exumação em 12 de Junho de 1925. O objetivo era a retirada de “relíquias” de seu corpo. A canonização viria oito anos mais tarde, em 1933.
Sobre esta última exumação, escreveu o Dr. Comte em seu relatório, em termos forenses que por vezes espantam aos leigos, mas que nos permitem medir com exatidão o grau da incorruptibilidade do corpo da vidente de Lourdes:
“Eu queria abrir o lado esquerdo do tórax para retirar algumas costelas e então remover o coração, o qual eu tinha certeza que estaria intacto.
“Porém, como o tronco estava levemente apoiado no braço esquerdo, haveria dificuldade em ter acesso ao coração.
“Como a Madre Superiora expressou o desejo de que o coração de Santa Bernadette não fosse retirado, bem como também este era o desejo do Bispo, mudei de idéia de abrir o lado esquerdo do tórax e apenas retirei duas costelas do lado direito, que estavam mais acessíveis.
“O que mais me impressionou durante esta exumação foi o perfeito estado de conservação do esqueleto, tecidos fibrosos, musculatura flexível e firme, ligamentos e pele após quarenta e seis anos de sua morte.
“Após tanto tempo, qualquer organismo morto tenderia a desintegrar-se, a se decompor e adquirir uma consistência calcária.
“Contudo, ao cortar, eu percebi uma consistência quase normal e macia.
“Naquele momento, eu fiz esta observação a todos os presentes de que eu não via aquilo como um fenômeno natural.”
Naquela época foi confeccionada a urna de cristal que guarda o corpo de Santa Bernadette.
As freiras cobriram seu rosto e as mãos com uma camada fina de cera.
A urna se encontra hoje numa bela capela fora da clausura para que possa ser visitada.
O corpo milagrosamente preservado de Santa Bernadette encoraja os visitantes a imitarem a vida de Santa Bernadette e levarem a sério as mensagens transmitidas pela vidente da Imaculada Conceição.”

https://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Zbigniew Herbert: Jonas


Jonas filho de Amithai
fugindo de uma missão perigosa
embarcou numa nau que navegava
de Joppen a Tharsis

depois se deram as coisas sabidas
um grande vento uma tempestade
a tripulação joga Jonas nas profundezas
e o mar se aquieta de seu furor
vem nadando o peixe previsto
três dias e três noites
Jonas ora nas entranhas do peixe
que por fim o vomita
na terra seca

o Jonas contemporâneo
afunda como uma pedra na água
se topa com uma baleia
não tem tempo nem de suspirar

salvo
procede mais astutamente
que o seu colega bíblico
pela segunda vez não aceita
a missão perigosa
deixa a barba crescer
e longe do mar
longe de Nínive
sob um nome falso
é comerciante de gado e antiguidades

os agentes do Leviatã
se deixam subornar
não têm o sentido do destino
são funcionários do acaso

num hospital asseado
morre Jonas de câncer
ele mesmo sem saber bem
quem era na verdade

a parábola
aplicada na sua cabeça
se extingue
e o bálsamo da alegoria
não afeta o seu corpo


Tradução de Piotr Kilanowski

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Se o nosso ar é o lugar da pena dos demônios


“Parece que o nosso ar não é o lugar da pena dos demônios.
1. Pois o demônio é de natureza espiritual. Ora, a natureza espiritual não é afetada pelo lugar. Logo, não há nenhum lugar de pena para os demônios.
2. Demais. O pecado do homem não é mais grave que o do demônio. Ora, o lugar da pena do homem é o inferno. Logo, muito mais o do demônio. Logo, não o é o ar caliginoso.
3. Demais. Os demônios são punidos pela pena do fogo. Ora, no ar caliginoso não há fogo. Logo, esse ar não é o lugar a pena dos demônios.
Mas, em contrário, diz Agostinho que o ar caliginoso é um quase cárcere para os demônios, até o tempo do juízo.
SOLUÇÃO. Os anjos, por natureza, são medianeiros entre Deus e os homens. Ora, está na ordem da divina providência que o bem dos seres inferiores seja obtido pelos superiores. O bem do homem, porém, pode ser obtido duplamente pela divina providência. De um modo, diretamente; induzindo ao bem e retraindo do mal, o que convenientemente se faz pelos anjos bons. De outro modo, indiretamente: p. ex., quando alguém se exerce atacado pela impugnação de um contrário. E era conveniente que esta obtenção do bem humano se realizasse pelos maus anjos, a fim de que não fossem eliminados totalmente, depois do pecado, da utilidade da ordem natural. Assim, pois, duplo lugar de pena é devido aos demônios. Um, em razão da culpa, e esse é o inferno. Outro, porém, em razão da exercitação humana e esse é o ar caliginoso. Mas, como a busca da salvação humana se prolongará até o dia do juízo, até então durará o ministério dos anjos e a exercitação causada pelos demônios. Por isso, até então, também os bons anjos nos serão para cá mandados, e os demônios hão-de exercitar-nos neste ar caliginoso; embora alguns destes estejam também agora no inferno, para atormentar os que induziram ao mal, assim como alguns bons anjos estão com as almas santas no céu. Mas depois do dia do juízo, todos os maus, homens e anjos, estarão no inferno; os bons, porém, no céu.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. Um lugar não é de pena, para o anjo, nem para a alma, porque lhes afete a natureza, alterando-a; mas porque lhes afeta a vontade, contristando-a, enquanto o anjo ou a alma compreende estar num lugar, que não lhe convém à vontade.
RESPOSTA À SEGUNDA. Uma alma, na ordem da natureza, não é superior a outra, como os demônios, na ordem da natureza, são superiores aos homens. Por isso a razão não é a mesma.
RESPOSTA À TERCEIRA. Alguns disseram que a pena sensível dos demônios e das almas, bem como a beatitude dos santos, serão diferidas até o dia do juízo; o que é errôneo e repugna à sentença do Apóstolo: Se a nossa casa terrestre desta morada for desfeita, temos um edifício no céu. Outros, porém, embora não sejam da mesma opinião quanto às almas, são-no quanto aos demônios. Mas é melhor sentir que se deve fazer o mesmo juízo das almas más e dos maus anjos, de um lado, e das almas boas e dos bons anjos, de outro. Donde, assim como o lugar celeste pertence à glória dos anjos e, contudo, esta não diminui por virem eles a nós, porque consideram esse lugar como seu, do mesmo modo pelo qual dizemos que a honra do bispo não diminui quando não se assenta atualmente na cátedra; semelhantemente, embora os demônios não estejam atualmente ligados ao fogo da Geena, quando estão no ar caliginoso, contudo, por isso mesmo que sabem que essa prisão lhes é devida, a pena não se lhes diminui. Por isso diz uma certa Glossa que eles levam consigo o fogo da Geena para onde quer que vão. Nem vai contra o dito da Escritura, que pediram ao Senhor que não os mandasse ir para o abismo; porque assim o pediram reputando por pena se fossem excluídos do lugar em que podem prejudicar aos homens. Por onde em outra passagem se diz que pediam-lhe instantemente que os não lançasse fora do país.”
(Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae)

http://permanencia.org.br

terça-feira, 14 de julho de 2020

Max Reger: Basso Ostinato


Bernhard Schneider, órgão

domingo, 5 de julho de 2020

Philia


“Conceito aristotélico que significa 'amizade' – consenso étnico-cultural entre os membros da mesma Cidade.
Para Aristóteles, a democracia somente é possível em grupos étnicos homogêneos, ao passo que os déspotas sempre têm reinado sobre sociedades altamente fragmentadas.
Uma sociedade multiétnica é portanto necessariamente antidemocrática e caótica, pois falta-lhe philia, esta profunda fraternidade de carne e sangue dos cidadãos. Tiranos e déspotas dividem e governam, eles querem a Cidade dividida por rivalidades étnicas. A condição indispensável para garantir a soberania de um povo reside assim em sua unidade. O caos étnico evita que toda philia se desenvolva. Uma sociedade se forma com base na proximidade – ou não se forma de jeito nenhum. As doutrinas abstratas e integracionistas da Revolução Francesa concebem o homem como simplesmente um 'homem', um residente, um consumidor. O espírito cívico, assim como a segurança pública, a harmonia social, e a solidariedade, baseia-se não apenas na educação ou na persuasão, mas na unanimidade cultural – em valores, estilos de vida, e comportamentos inatos em comum.”
(Guillaume Faye, Why We Fight – Manifesto of The European Resistance)

terça-feira, 30 de junho de 2020

Jean Sibelius


“(Tavastehus, 1865 - Järvenpäa, 1957) Compositor finlandês, iniciador da escola moderna de composição musical de seu país. Órfão de pai desde os três anos de idade, pertencia a uma família de ascendência sueca, pelo que em seu lar se falava neste idioma. Mais tarde aprendeu finlandês na escola e se interessou mais profundamente por diversos aspectos da cultura de seu país, que até 1917 pertencia à Rússia.
Adquiriu suas primeiras noções de piano por meio de sua tia Júlia, e mais tarde, em 1885, começou seus estudos de direito na Universidade de Helsinki, para abandoná-los um ano mais tarde e assim poder concentrar-se na música. Estudou composição com Wegelius e violino com Csillag na capital finesa até 1889. Wegelius descobriu rapidamente os grades dons musicais do jovem Sibelius, que por aqueles anos já havia composto obras entre as quais se encontram um Trio para piano em dó maior e uma Sonata para violino em fá maior. Durante sua época como estudante no Conservatório de Helsinki, Sibelius entrou em contato com algumas das pessoas que mais tarde influiriam tanto em sua vida como em sua obra: o pianista e compositor Ferruccio Busoni e o também compositor Armas Järnefelt, com cuja irmã se casaria Sibelius anos mais tarde.
Foi seu professor Wegelius quem o animou a pedir uma boisa de estudos para Berlim e, ao ser-lhe concedida esta, se transladou à cidade alemã em setembro de 1889. Ali estudou composição de forma privada com Albert Becker e, se bem não ficou muito contente com os ensinamentos que recebeu dele, desfrutou intensamente da vida cultural berlinense. No verão do ano seguinte voltou à Finlândia, onde escreveu seu Quarteto de cordas em si bemol menor. De novo obteve uma ajuda do governo de seu país para estudar no estrangeiro, e desta vez foi Viena a capital escolhida. Ali se formou com Robert Fuchs e com o húngaro Karl Goldmark, e foi na capital austríaca onde começou a centrar-se na escrita para orquestra graças à influência das obras de Bruckner e Wagner.
Seu primeiro projeto de ressonâncias nacionalistas foi Kullervo, uma composição de idéias melódicas finlandesas e de tom escuro e grave. A obra foi concebida em Viena e finalizada após regressar a seu país natal em 1891. Sua exitosa estréia se deu no ano seguinte em Helsinki. Nessa época Sibelius se uniu ao movimento carelianista, um grupo de artistas interessados em se aprofundar nas raízes da Finlândia por meio do estudo da epopéia nacional, o Kalevala. Em 1892 compôs outra obra de inspiração finesa: o poema sinfônico En saga. Nesse mesmo ano se casou com Aino Järnefelt e realizou uma viagem à região da Carélia, onde teve oportunidade de transcrever melodias populares do local. Na década dos anos noventa nasceram suas primeiras três filhas e em 1892, devido às necessidades econômicas de sua família, Sibelius começou a dar aulas de música no Instituto Musical de Helsinki. Afortunadamente, o governo de seu país concordou em conceder-lhe em 1897 uma pensão vitalícia de 3.000 marcos anuais que lhe proporcionou certa folga econômica, pelo menos durante os primeiros anos.
Após a estréia em 1898 da obra teatral Kung Kristian II de Adolf Paul, cuja música incidental compôs Sibelius, surgiram-lhe ofertas para publicar sua obra tanto em seu país como na Alemanha, onde firmou um contrato com a prestigiosa editora Breitkopf. Em julho de 1900 realizou uma exitosa turnê pela Europa (Escandinávia, Alemanha, Holanda e França) que lhe serviu para adquirir fama e prestígio nestes países.
Apesar dos sucessos musicais obtidos, Sibelius continuava bebendo até extremos preocupantes; sua esposa Aino decidiu adquirir uma casa de campo no bosque de Järvenpää e assim distanciar o compositor da vida urbana de Helsinki. Em setembro de 1904 se transladou junto com sua mulher e suas quatro filhas à nova vivenda, chamada Ainola, na qual residiu durante o resto de sua vida.
No ano seguinte conseguiu publicar sua obra na editora Schlesinger de Berlim, propriedade de Robert Lienau. Assinou com ele um contrato no qual se comprometia a entregar vários trabalhos por ano. O primeiro que veio à luz na editora foi Pélleas e Mélisande, uma partitura de música incidental. Também em 1905 se deu sua primeira viagem à Inglaterra, onde regeu várias de suas obras e adquiriu grande popularidade. Continuou compondo e em 1907 terminou sua Terceira sinfonia em dó maior, uma obra mais recatada que suas duas sinfonias anteriores. Nesse mesmo ano esteve em Helsinki com Gustav Mahler, e pôde conversar com ele sobre temas musicais.
Após o nascimento de suas duas últimas filhas, em 1908 e 1911 respectivamente, Sibelius afundou em uma crise pessoal e econômica na qual o álcool se tornou seu companheiro inseparável. Neste período se deu sua aproximação à música de câmara, que fica refletida em seu Quarteto em ré menor de 1909 e em obras vocais como as Oito canções op. 57 baseadas em textos do escritor sueco Ernst Josephson ou as Dez peças para piano op. 58.
Em 1909 e de novo em 1912 voltou à Inglaterra. Ali continuava sendo um compositor admirado, enquanto na Europa central começava a haver opiniões que o relegavam a um segundo plano, já que haviam surgido grandes figuras da música, como Claude Debussy ou Arnold Schoenberg, que apresentavam propostas estilísticas mais avançadas. Sua Quarta sinfonia foi um fracasso de público na Alemanha e na França, mas ele continuou explorando a linguagem composicional que vinha realizando até o momento, resistindo a adotar as tendências musicais do restante da Europa.
Em 1914 teve lugar um acontecimento importante para sua carreira musical: realizou uma viagem aos Estados Unidos da América convidado pelo também compositor Horatio Parker. Ali estreou seu poema sinfônico As Oceânidas, composto a pedido do Festival de Música de Norfolk, e recebeu um doutorado honorífico que lhe concedeu a prestigiosa Universidade de Yale.
Uma vez de volta à Finlândia acabou de escrever a Quinta sinfonia em mi bemol, que revisou meticulosamente até dá-la por terminada em 1919. Em 1921 rejeitou o posto de diretor da Eastman School of Music dos Estados Unidos que lhe foi oferecido e, lamentavelmente, continuou bebendo em excesso até o ponto de chegar a reger ébrio sua Sexta sinfonia em um concerto celebrado em Göteborg (Suécia) durante a primavera de 1923. No ano seguinte concluiu sua Sétima sinfonia, uma obra prima do gênero escrita em um só movimento; e em 1926, a pedido da Sociedade Filarmônica de Nova York, acabou o poema sinfônico Tapiola, baseado em um personagem mitológico finês chamado Tapio.
Após a citada obra, Sibelius afundou numa depressão que o impediu de compor grandes obras. Sua oitava sinfonia, na qual aparentemente trabalhava até 1933, nunca chegou a ver a luz. Em 20 de setembro de 1957 faleceu devido a uma hemorragia cerebral. O Museu Sibelius de Turku conserva diversos materiais sobre a vida e obra do compositor finlandês, assim como a biblioteca da Universidade de Helsinki, que guarda um grande número de manuscritos e esboços de suas obras.
Obras de Jean Sibelius
A obra de Sibelius bebe diretamente da grande epopéia literária de seu país, o Kalevala, cujos textos e motivos rítmicos lhe serviram como material para sua música. Sua obra destila amor pela natureza, é algo sombria e harmonicamente conservadora, embora empregue nela acordes convencionais com grande liberdade. Na década de 1890 compôs três poemas sinfônicos de matiz nacionalista: Finlândia, O cisne de Tuonela e En saga. Este último utiliza o tema principal de um octeto de cordas composto quando era estudante e gerou grande controvérsia após sua estréia em Berlim em 1902. Apesar da influência da música popular finesa na obra de Sibelius, não é fácil encontrar em suas composições melodias folclóricas reconhecíveis. A influência de compositores como o norueguês Edvard Grieg, o russo Borodin ou mesmo Tchaikovsky se escuta em suas primeiras partituras.
A partir de sua estada em Viena centrou seu interesse na música orquestral, campo no qual desenvolveu seu talento com maior facilidade. A primeira de suas sete sinfonias foi publicada em 1899 e a última em 1924. Desde a publicação de Tapiola no ano seguinte, o compositor finês não voltou a realizar uma obra de envergadura. Apesar disso, continuou sendo um compositor reconhecido em seu país. Sua Primeira sinfonia em mi menor (1899) mescla seu próprio estilo com certos matizes românticos procedentes de Tchaikovsky. A Segunda, composta em 1902 na tonalidade de ré maior, contém ressonâncias folclóricas especialmente na parte final, e nela aparecem já os motivos melódicos breves tão característicos do estilo de Sibelius.
Suas sinfonias terceira e quarta estão escritas em uma linguagem que combina o modernismo com o clássico, e foi a partir de sua Quarta sinfonia (1911) quando decidiu afastar-se de certa maneira das estruturas musicais dependentes da música tradicional. Fruto destes avanços é sua Quinta sinfonia em mi bemol maior, de caráter triunfalista e majestoso. A obra foi revisada em várias ocasiões; sua versão definitiva data de 1919.
Sua penúltima sinfonia, a Sexta (1923), possui rasgos claramente finlandeses e um temperamento pastoral e meditativo. Está composta em quatro movimentos e nela encontramos escalas modais como a Dórica. Mas sua obra mais audaciosa é sem dúvida a Sétima sinfonia (1924); escrita em um só movimento, nela Sibelius consegue uma grande expressividade através do desenvolvimento sinfônico sem interrupções.
Seu Concerto para violino em ré menor é uma das obras que mais popularidade lhe deu, e que continuou interpretando-se amiúde ainda quando sua figura havia caído em certo olvido devido ao interesse que despertava na Europa a música de vanguarda. Nele tratou de fundir o virtuosismo próprio de uma obra para instrumento solista com a profundidade carente de ostentação pela qual se caracterizava sua música. O concerto foi revisado em diversas ocasiões com a minuciosidade própria de Sibelius, até que em outubro de 1905 estreou em Berlim sob a batuta de Richard Strauss.
Além de seu interesse pela música sinfônica, também dedicou parte de seu tempo à criação de obras vocais. Escreveu canções para soprano com textos em sueco, com frequência interpretadas pela cantora finlandesa Ida Ekman. Alguns exemplos deste tipo de obras são suas Sete canções de Runeberg op. 13, publicadas em 1892 e baseadas em textos do poeta finês Johan Ludvig Runeberg, ou suas canções dos op. 36, 37 e 38. A linguagem musical de Sibelius influiu na obra de alguns compositores britânicos do século XX como Ralph Vaughan Williams, além de servir de inspiração para o movimento minimalista, integrado por compositores como Philip Glass ou Steve Reich."

Original em: https://www.biografiasyvidas.com

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Sobre a morte dos jovens


“O que fazer quando a morte bate à porta de pessoas queridas? O que dizer então para os pais quando perdem filhos jovens e em plena efervescência da vida? Na dor, todos estão sós. Cada um sofre na sua forma pessoal, não há como comparar dores. Você pode ser mais forte ou contido, mas isso não quer dizer de sua dor, mas da forma como a expressa ou não. Você pode chorar rios de lágrimas, maldizer o Senhor e duvidar de sua fé, mas esse é o seu jeito. Talvez seja até o caminho da possível cura ou da conformação. A morte é uma trilha desconhecida pela qual todos passarão. Ela vem silenciosa, pungente e não poupa ninguém. Tem seus próprios tempos e modos. Escolhe e ceifa, não há como entender esse mistério. Se escolhe, elege. Se elege, deve ter alguma razão insondável. Mas vá dizer isso para pais inconsoláveis que, abruptamente, recebem a notícia da morte de seus filhos. Creio que devo invocar o filósofo Sócrates: “Pois bem, é hora de ir; eu para morrer, e vós para viver. Quem de nós irá para o melhor é obscuro, menos a Deus”. O que virá depois da morte? Como somos pecadores e não temos onisciência é que nos afligimos pelos que morrem, especialmente se jovens. O poeta russo Maiakovski achava que “não é difícil morrer nessa vida, viver é muito mais difícil”. Já se disse que os jovens que morrem são mais estimados pelo Céu e por tal razão seguem antes. Xenofonte, filósofo e historiador grego, ao receber a notícia da morte de seu filho, falou: “Eu sabia que meu filho era mortal”. Todos sabemos disso, mas como entender a ordem que ela escolhe? Svevo, escritor italiano do século passado, afirmava que “os mortos nunca foram pecadores”. Faz sentido. Os vivos são os pecadores. Se a morte é o encontro da paz, pensemos como Heine, poeta alemão, que dizia que a função de Deus é perdoar os mortos. A vida, penso eu, não tem grandes respostas, vive de perguntas. Essas perguntas, por exemplo, nos levam a admitir que a morte não faz sentido para os vivos. Por outro lado, será que a vida tem significação para os que deixaram de existir? Assim, em meio ao que escrevi ou transcrevi é que do meu jeito, meio sem jeito, me solidarizo com os que não encontram respostas prontas para as mortes de seus jovens filhos.”

http://www.joaosoaresneto.com.br

segunda-feira, 22 de junho de 2020

30 razões por que você deveria ter vergonha de apoiar o regime de Nicolás Maduro


"Do PSOL ao PT, passando pelo PSB, PCdoB e um emaranhado de pês ligados à mentalidade progressista brasileira, não foram poucos os grupos, militantes, sindicatos, ongs, coletivos, formadores de opinião, partidos e veículos de imprensa que nos últimos meses organizaram passeatas, manifestações, comícios in loco, dancinhas, publicações e notas de apoio à revolução bolivariana de Nicolás Maduro.
Denunciado, porém, por inúmeros grupos de proteção aos direitos humanos ao redor do mundo – da Anistia Internacional a Humans Right Watch – não são poucos os motivos para condenar seu governo. Maduro vem atuando como um almanaque do que não se deve fazer para conduzir uma economia no século vinte e um.
Se você, no entanto, ainda não se convenceu disso, está no lugar certo. Temos aqui 30 razões por que você deveria ter vergonha de apoiar um presidente que:
1.Finge que conversa com seu padrinho político morto. E através de um passarinho.
2.Finge que esse mesmo padrinho político morto também aparece de vez em quando nas paredes de um túnel de metrô e nas montanhas da capital do país.
3.Chama o seu principal opositor político de viado em comício.
4.Fez um apelo público para que as mulheres deixassem de usar secador de cabelo porque “mulher bonita é aquela que deixa o cabelo secar naturalmente”.
5.Colocou um narcotraficante, com uma fortuna avaliada em 3 bilhões de dólares, para ser seu vice-presidente.
6.Revelou que “às vezes” dorme ao lado da tumba do seu padrinho político morto para “se inspirar”.
7.Criou um “Pai Nosso” oficial, substituindo o nome de um messias religioso pelo de seu padrinho político morto.
8.Antecipou por decreto, sem nenhum motivo, o Natal, do dia 25 de dezembro para o dia 1° de novembro. Porque quis.
9.Criou um Ministério da Suprema Felicidade e um Ministério das Redes Sociais.
10.Criou o feriado do Dia do Amor e Lealdade ao seu padrinho político morto – que coincidentemente cai no dia das eleições.
11.Assassinou manifestantes, fechou jornais e emissoras de tv (ganhou o prêmio de “Predador da Liberdade de Imprensa”, da organização francesa Repórteres Sem Fronteira), mandou prender os principais nomes da oposição, encarcerou juízes, suspendeu as funções do parlamento, criou uma lei que lhe concede poderes especiais para que possa governar por decreto e ainda é acusado por inúmeras organizações internacionais de fraudar os resultados eleitorais (a própria Smartmatic, a empresa responsável por calcular os votos no país, acaba de denunciar, “sem nenhuma sombra de dúvida”, que houve fraude na última constituinte).
12.Instituiu um decreto que estabelece que nenhum habitante de seu país, quando convocado para isso, pode negar trabalhar no campo por um mínimo de 60 dias. Por esse motivo, foi denunciado pela Anistia Internacional e pela Human Rights Watch de violação aos direitos humanos por legalizar o trabalho escravo.
13.Lidera o décimo governo mais corrupto do mundo, segundo a organização alemã Transparência Internacional – o mais corrupto de todo continente americano.
14.Acusou o Homem-Aranha de ser o principal culpado pelo aumento da violência em seu país – o segundo mais violento do mundo.
15.Apresenta inúmeros shows de rádio e tv (de um programas sobre salsa, o “La Hora de la Salsa”, até o noticiário da semana), onde já apareceu no ar, até esse momento, exatas 781 horas, 21 minutos e 40 segundos desde que virou presidente – transmitindo todo esse conteúdo, a todo volume, nos metrôs da capital do país – criando a maior máquina de propaganda política do planeta.
E um governo que:
1.Fez a moeda do país valer literalmente menos que um guardanapo – e assumiu não ter mais dinheiro para produzir dinheiro.
2.Teve que importar petróleo, mesmo em se tratando do país com as maiores reservas de petróleo do mundo.
3.Confiscou 5,2 milhões de hectares em 1,2 mil unidades de produção na última década, gerando uma queda, só em 2016, de 87% da produção alimentar do país.
4.Fez, com isso, que 87% da população assumisse não ter dinheiro para adquirir alimentos, gerando a maior crise de fome da história do país. Hoje, três em cada quatro habitantes relatam perda involuntária de peso de quase 10 quilos nos últimos doze meses.
5.Fez com que a pobreza extrema atingisse 49,9% da população – mais do que o dobro das taxas de 1998, um ano antes do atual partido assumir o poder e iniciar uma revolução, quando 18,7% das pessoas viviam sob esta condição. Os números são da principal universidade pública do país.
6.Gerou a maior debandada de habitantes da história. Segundo a ONU, nos últimos anos, mais de 30 mil pessoas já fugiram para o Brasil, outras 300 mil foram para a Colômbia, 40 mil para Trinidad e Tobago e 40 mil para a Argentina. Há outras centenas de milhares espalhadas por todo continente. Até o presente momento, 8% da população já fugiu do país para escapar dos abusos do governo.
7.Gerou 85% de escassez de remédios nos hospitais e farmácias, fazendo a população ter que apelar para medicamentos veterinários para seus tratamentos de saúde.
8.Gerou uma escassez de 85% dos medicamentos contraceptivos, criando um surto de gravidez entre mulheres adolescentes – e revelando, através do Ministério da Saúde, apenas no último ano ter aumentado em 65,79% os casos de mortalidade materna, graças aos descasos nos hospitais (segundo a Federação Médica do país, os hospitais estão funcionando com apenas 3% dos medicamentos e produtos necessários).
9.Proibiu policiais gays de assumirem suas orientações sexuais.
10.Gerou um surto de sarna entre a população graças à escassez de água.
11.Gerou uma crise de malária pelo país que, segundo o próprio governo, já é epidêmica em 13 de seus 24 estados.
12.Transformou o país no segundo lugar mais violento do mundo.
13.Fez com que o abandono de animais domésticos aumentasse 30% em 2016 (um pacote de comida de ração para cachorro, que também sofre de escassez, chega a custar até 11 dias de trabalho de um habitante médio). Por todo país, milhares de animais estão morrendo de fome – só o maior zoológico público da capital, já contabilizou a morte de pelo menos 50 animais em poucos meses.
14.Fez com que 40% das aulas, em média, em 2016, fossem perdidas por feriados forçados causados pelo racionamento de energia. Cerca de 40% dos professores também não estão comparecendo às aulas por estarem nas filas de supermercados em busca de alimentos.
15.Expropriou fábricas de bebidas e gerou escassez de cerveja."

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terça-feira, 16 de junho de 2020

Uma proposta exequível para o problema racial na América

A Teoria Crítica marxista diz que os negros não podem ser racistas até que detenham mais poder que os brancos. Até lá podem depredar, vandalizar, saquear e incendiar qualquer propriedade, estuprar, esfaquear, matar quem eles quiserem, que suas ações não serão tachadas de crime de ódio. No entanto, na África do Sul, onde detêm mais poder que os brancos, diz-se que os negros não podem ser racistas por causa da “opressão histórica”. Isso significa que, em qualquer situação em que os negros se encontrarem, a Teoria Crítica desculpará quaisquer atos dos negros contra os brancos.
Ou a diáspora européia nos Estados Unidos desperta sua consciência tribal agora, ou perderá para sempre sua civilização para os que a parasitam e odeiam de morte.
A deportação forçada em massa de volta à África não seria uma solução, por ser injusta e inexequível. O problema só pode ser resolvido pacificamente com a divisão do país, onde cada parte teria uma porção contígua de terra proporcional ao tamanho de sua população, incluindo uma justa quantidade de cidades e portos. É uma solução razoável pelos seguintes motivos:
- afirma o direito de todos os grupos à autodeterminação;
- permite que as partes se afastem intactas e em paz;
- quando a diáspora européia estiver sozinha, poderá instituir leis que façam sentido a si mesma, ao invés de ser levada a situações difíceis por ter que impor leis, que fazem sentido a um grupo, a outro ao qual estas mesmas leis não fazem sentido;
- a diáspora européia poderá lidar com os problemas que dizem respeito a suas comunidades com total controle e sem o impedimento da sectarização;
Uma outra solução é a segregação interna, mas já foi testada e não funcionou.
Outro modo de resolver o problema é considerar que não há diferenças entre as pessoas ou, como dizem na América, a agenda “colorblind”, que é a proposta do liberalismo, obviamente falsa e extremamente desonesta se examinada a fundo. Ela fere todas as partes envolvidas, pois recusa-se a reconhecer tais diferenças. Essa solução, como mostram os recentes acontecimentos, provou ter fracassado completamente.