segunda-feira, 18 de junho de 2018

Pe. Manuel Bernardes sobre a hipocrisia


“É hipócrita o mercador que dê esmolas em público e leva usuras em oculto; é hipócrita a viúva que sai mui sisuda no gesto e no hábito, e dentro em casa vive como ela quer e Deus não quer; é hipócrita o sacerdote que, sendo pontual e miúdo nos ritos e cerimônias, é devasso nos costumes; é hipócrita o julgador que onde falta a esperança do interesse é rígido observador do direito; é hipócrita o prelado que diz que faz o seu ofício por zelo da honra e glória de Deus, não sendo senão pela honra e glória própria. Hipócrita é o que não emenda em si o que repreende nos outros; o que cala como humilde, não calando senão como ignorante; o que dá como liberal, não dando senão como avarento solicitador das suas pretensões; o que jejua como abstinente, não se abstendo senão como miserável. Assim é. Porém não cuide alguém que, à conta deste desengano, lhe é lícito contrair a doutrina a pessoas ou ações determinadas, dizendo ou julgando que fulano é hipócrita ou esta esmola deu por vanglória. Estes juízos são reservados a quem vê os corações que é só Deus, onde podemos chegar sem pecado e com prudência. É não nos fiar levemente do que aparece e onde podemos assentar com singeleza e sem prejuízo; é entender que todos são bons, conforme a graça de Deus se lhes comunicar.”

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quarta-feira, 13 de junho de 2018

A trapaça do "antissemitismo"


“Há palavras traiçoeiras que parecem significar uma coisa, mas que são empregadas para significar outra completamente diferente. Uma das mais traiçoeiras de todas é a palavra “antissemitismo”. Esta parece significar oposição a todos os judeus pura e simplesmente porque são judeus; nesse sentido, ela condena corretamente algo mau, porque alguns judeus são perversos, mas é certo que nem todos o são. Por outro lado, é frequentemente utilizada para condenar qualquer oposição a tudo que os judeus fazem, e então a palavra está erradamente condenando algo bom, porque sempre que os judeus fizerem algo ruim, então a oposição a eles é boa. Mas os judeus fazem coisas ruins? Obviamente. Eles criaram o islã para os árabes, a maçonaria para os gentios e o comunismo para o mundo moderno, todos os três, primeiramente, para lutar contra Jesus Cristo e o Cristianismo e, então, enviar almas para o inferno.
Um livro que todos os católicos deveriam ler, os que querem defender a Igreja contra o islã, a maçonaria e o comunismo, agora globalismo, é Complô Contra a Igreja, de Maurice Pinay. O livro foi escrito pouco antes do Vaticano II para ser posto nas mãos de todos os padres conciliares e alertá-los sobre o grande perigo no qual a Igreja se encontraria no Concílio. Efetivamente. Os padres do Concílio acabaram por louvar o islã (Unitatis Redintegratio), adotar princípios maçônicos (Dignitatis Humanae) e nunca mencionar, e menos ainda condenar, o maléfico sistema comunista. Eis como em seu capítulo “Antissemitismo e Cristianismo”, Maurice Pinay analisa a traição da palavra “antissemitismo”:
Ao longo dos tempos, os judeus sempre utilizaram palavras vagas com uma gama de significados, escreve o autor, para emboscar as mentes gentias e impedi-las de se defenderem contra as manobras judaicas em direção à dominação do mundo nessa guerra de dois mil anos contra o Cristianismo, guerra que ele cuidadosamente documenta ao longo de todo o livro. Assim, num primeiro estágio, por meio de três argumentos, eles procuram persuadir os líderes gentios a condenarem o “antissemitismo” no primeiro sentido mencionado acima, de oposição a todos e a tudo o que é judeu: em primeiro lugar, Cristo, estabelecendo a igualdade de todos os homens diante de Deus, condenou qualquer degradação de toda uma raça; em segundo lugar, Cristo disse a todos os homens para “amarem-se uns aos outros”; em terceiro lugar, Cristo e sua Mãe eram ambos judeus.
Mas, num segundo estágio, os judeus, tendo já obtido dos gentios a condenação de um vago “antissemitismo”, prosseguem dando à palavra um significado bem diferente, o segundo sentido mencionado acima, de toda e qualquer oposição a tudo o que os judeus façam. Assim, são “antissemitas”: todos os patriotas que exercem seus direitos de autodefesa contra a subversão judaica em seus países; todos os defensores da família contra os erros e os vícios de toda sorte fomentados por judeus para dissolvê-la (como o aborto e a pornografia); todos os católicos que defendem sua santa religião contra toda forma de corrupção que é aberta ou secretamente promovida por judeus para destruí-la; todos os que dizem a verdade ao desmascarar os judeus como os criadores da maçonaria e do comunismo (agora do globalismo, do feminismo, etc.); e todas as pessoas em geral que se opõem à subversão judaica da Igreja e da civilização cristã. E pelo controle que possuem da política, das finanças, dos filmes e de tudo mais por meio de sua mídia, os judeus seguem dando tal carga elétrica nesta única palavra: “antissemita”, que já é suficiente para eletrocutar qualquer um que ela toque.
Mas quem foi tolo o suficiente para tê-los permitido controlar a política e as finanças? Quem os permitiu virtualmente monopolizar a indústria cinematográfica e os meios de comunicação? Quem pensa que é inteligente rejeitar toda censura e agora está cooperando com eles, permitindo que censurem a internet? Liberais gentios, em todos os casos, que estão sendo escravizados, a cada minuto, na Nova Ordem Mundial dos judeus. Doutor, cura-te a ti mesmo! Para aquele que lê seus jornais e assiste aos seus programas de televisão, tem outro a quem culpar mais que a si mesmo, por deixar que eles controlem sua mente e sua civilização?
Católicos, leiam Complô Contra a Igreja. Se alguém lhes está acusando de serem “antissemitas”, é bem provável que vocês tenham razão para se orgulhar. ”
(Mons. Richard Williamson, “Anti-Semitism” Trickery)

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domingo, 10 de junho de 2018

Liberdade de pensamento


"Em 1984, explicando as artimanhas empregadas pelo Partido para transformar o pensamento das pessoas, George Orwell conta que ocupava um lugar preferencial fazer crer que “tanto o passado como o mundo exterior existem somente na mente”. Diante do que Winston Smith, o protagonista do romance, se rebela, dizendo: “O mundo material existe, suas leis não mudam. As pedras são duras, a água é líquida, os objetos largados no ar caem sobre a crosta da terra. A Liberdade significa liberdade para dizer que dois mais dois são quatro. Se isso se admite, tudo o mais se dá por acréscimo". A Liberdade, para Orwell, se funda na verdade; e já se sabe que nada ofende tanto (sobretudo em épocas de engano universal) como a verdade. Por isso todos os tiranos que houve no mundo trataram de escamotear a verdade das coisas; e o homem livre aspirou a desentranhá-la. Nisto deveria consistir a "liberdade de pensamento". Mas... será esta a 'liberdade de pensamento' que hoje proclamamos?
Não pode sê-lo pela simples razão de que nossa época não reconhece a existência da verdade, que Orwell considerava premissa da liberdade. O subjetivismo nega que a verdade das coisas possa ser conhecida, pois considera que o entendimento está limitado pela experiência. O relativismo afirma que o que as coisas são desde nossa perspectiva e conjuntura não o seriam se a perspectiva e a conjuntura fossem distintas. O ceticismo, por fim, nos impõe duvidar de tudo, pois considera que somos incapazes de alcançar a verdade. A verdade certa das coisas evaporou-se de tudo, realizando aquele desejo do Partido que exigia que tanto o passado como o mundo exterior só existissem como figuras mentais. Curiosamente, isto não ocorre sob um poder ditatorial como o que imaginou Orwell, mas sob regimes democráticos. Mas talvez, como afirmava Kelsen em Da essência e valor da democracia, "a causa democrática apareceria desesperada se se partisse da idéia de que se pode aceder a verdades e captar valores absolutos."
Ao não se reconhecer a existência da verdade (ou diante da impossibilidade de aceder a ela), já não pode existir adequação do intelecto às coisas (que era a definição aristotélica de verdade). Abolida a verdade, invocou-se como princípio a objetividade, que pressupõe imparcialidade; mas ninguém pode crer seriamente que um sujeito que não reconhece a existência da verdade possa ser outra coisa senão subjetivo. Logo, o conceito de objetividade foi substituído pelos de sinceridade ou autenticidade, que já só podem presumir "dizer o que alguém pensa (ou sente)". A verdade se torna, então, coerência com as próprias idéias, que naturalmente terão de ser subjetivas; mas, uma vez subtraída a adequação do intelecto às coisas, como sabemos que essas idéias que cremos próprias não são em realidade idéias induzidas por outros? Como sabemos que estamos dizendo o que pensamos e não o que outros nos 'predispuseram' ou 'ensinaram' a pensar? Como sabemos que estamos pensando e não tão somente 'sentindo'? No fim das contas, nada há tão 'sincero', tão 'autêntico', como a expressão de sentimentos. E nada tampouco tão fácil de excitar, de estimular e, em definitivo, de induzir: basta comprovar a facilidade com que algumas imagens lançadas através da televisão conseguem nos indignar ou nos comover; ou a celeridade com que conseguem 'mobilizar-nos' através das redes sociais. Quando a verdade foi subtraída, nada mais simples que 'subministrar' pensamentos que nos façam sentir autênticos. Assim acreditava Adam Smith, quando afirmava que, "nas sociedades opulentas, pensar é uma operação muito especial, reservada a um reduzido número de pessoas, que subministram todo o pensamento de que deve dispor a multidão dos que penam." Assim também Rousseau, quando explicava como se 'criava' a chamada cinicamente 'opinião pública': "Corrigi as opiniões dos homens e seus costumes se depurarão por si mesmos". Em Admirável mundo novo, a fábula futurista de Huxley, esta 'liberdade de pensamento' era criada durante o sono, mediante um mecanismo repetitivo que falava sem interrupção ao subconsciente; em nossa época, isto se consegue através dos métodos, conhecidos de todos, de controle social e condicionamento dos espíritos, que nos ensinam o que podemos pensar e o que devemos rejeitar, o que convém dizer e o que convém calar, para podermos continuar sendo aceitos na manada e acolhidos no redil, onde nos aguardam no cocho os pensamentos permitidos que podemos ruminar e deglutir tranquilamente, para alívio de nossas penas."
(Juan Manuel de Prada, Liberdad de Pensamiento)

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Injustiça rápida: o caso de Tommy Robinson


"A primeira vez que estive em Londres, aos vinte e poucos anos, tive um surto de adrenalina que durou a semana inteira da minha visita à cidade. Jamais, nos anos seguintes, outro lugar teve tanto impacto em mim, nem Paris, nem Roma. Sim, Roma, berço da civilização ocidental e Paris, centro da cultura ocidental, mas foi na Grã-Bretanha que os valores do mundo anglo-saxônico, acima de tudo a dedicação à liberdade, haviam tomado forma integral. Sem a Grã-Bretanha, não teria havido a Declaração de Independência, Constituição ou Carta de Direitos dos EUA.
Lamentavelmente, nos últimos anos, a Grã-Bretanha deu as costas ao seu compromisso com a liberdade. Críticos estrangeiros do Islã, como o estudioso norte-americano Robert Spencer e, por um tempo, até o parlamentar holandês Geert Wilders foram barrados de entrarem no país. Agora, pelo menos um proeminente crítico autóctone da Grã-Bretanha em relação ao Islã, Tommy Robinson, tem sido recorrentemente assediado pela polícia, coagido pelos tribunais, desprotegido pelos funcionários da prisão que permitiram que os presos muçulmanos o espancassem até ele ficar inconsciente. Indubitavelmente, as autoridades britânicas consideram Robinson um encrenqueiro e gostariam nada menos que vê-lo desistir de sua luta, deixar o país (como Ayaan Hirsi Ali deixou a Holanda) ou ser morto por um jihadista (como aconteceu com o cineasta holandês Theo van Gogh).
Na sexta-feira, conforme relatado aqui, a saga de Tommy Robinson entrou em um novo capítulo. Policiais britânicos o tiraram de circulação de uma rua em Leeds, onde, desempenhando seu papel de jornalista amador, estava transmitindo ao vivo um evento no Facebook do lado de fora de um tribunal. Dentro, vários réus estavam sendo julgados por fazerem parte de uma assim chamada "gangue de abusadores de crianças", grupo de homens, quase todos muçulmanos, que sistematicamente estupram crianças não-muçulmanas, em alguns casos centenas delas, em um espaço de tempo de anos ou até décadas. Cerca de dez mil usuários do Facebook ao redor do mundo viram com os próprios olhos a prisão de Robinson, ao vivo.
A polícia prontamente arrastou Robinson colocando-o na frente de um juiz, onde, impedido de contatar seu advogado, foi imediatamente julgado e condenado a 13 meses atrás das grades. Na sequência, ele foi levado para a Hull Prison.
Enquanto isso, o juiz que o sentenciou também ordenou à mídia britânica que não divulgasse nada sobre o caso. Jornais que já haviam postado reportagens sobre a prisão as retiraram rapidamente. Até mesmo cidadãos comuns que escreveram sobre a prisão nas redes sociais retiraram as postagens, com medo de acabarem tendo o mesmo destino de Robinson. Tudo isso aconteceu no mesmo dia.
Um julgamento com 'cartas marcadas' depois uma ordem de mordaça. No Reino Unido, onde os estupradores desfrutam do direito a um julgamento justo com plenas garantias, direito à representação legal de sua escolha, direito de ter tempo suficiente para preparar a defesa e o direito de ir para casa sob fiança entre as sessões dos julgamentos. No entanto, nenhum desses direitos foi dado a Tommy Robinson.
É impressionante a rapidez com que a injustiça foi imposta a Robinson. Não, mais do que isso: é aterrorizante. Em diversas ocasiões ao longo dos anos eu fiquei diante de ameaças iminentes de violência islâmica, tive uma faca encostada em mim por um jovem de uma gangue, fui cercado por uma multidão de homens beligerantes vestidos com jebalas (robe muçulmano) do lado de fora de uma mesquita radical. Mas isso não era assustador. Isto é assustador: esta violação total das liberdades britânicas básicas.
De um ponto de vista, com certeza, a detenção de Robinson, o julgamento e o encarceramento na velocidade da luz não deveriam ter surpreendido ninguém. "Há uma campanha para 'pegar Tommy' ou algo muito parecido com isso, já faz algum tempo", uma fonte no Reino Unido, que eu vou chamar de Scheherazade me confidenciou no final da manhã de sábado.
A aparente justificativa para a prisão de Robinson é que ele estava gozando do benefício da SURSIS Penal. Em maio do ano passado, ele foi colocado em prisão preventiva enquanto reportava do lado de fora de um tribunal em Kent, onde outro grupo de réus muçulmanos estava sendo julgado, também acusado de fazer parte de "gangues de abusadores de crianças". Essa prisão também foi injustificada. Pelo menos Robinson gozou da SURSIS Penal. Desta vez, ao que tudo indica, foi determinado que o mero ato de reportar de novo em frente de outro tribunal constituía uma violação dos termos da sua SURSIS Penal.
O cinismo oficial neste caso é flagrante. Scheherazade realçou uma questão vital: que muitas vezes, quando um desses julgamentos de "gangues de abusadores de crianças" está em andamento, as famílias e amigos dos réus ficam do lado de fora do tribunal e "hostilizam e intimidam" as vítimas do estupro, bem como suas famílias e simpatizantes. "Eu tenho relatos de crianças de até cinco anos que atiraram pedras em familiares das vítimas", ressaltou Scheherazade.
"Essa intimidação perpetrada por grupos de familiares da comunidade dos réus também compreende ir às residências e assediar as pessoas". Ela já ouviu falar de testemunhas de acusação que precisaram de proteção policial para usarem o banheiro dentro de um tribunal. Desnecessário dizer que este assédio e intimidação raramente é denunciado e jamais punido.
Um aspecto, ao que tudo indica, positivo nessa grotesca reviravolta inesperada na evolução dos acontecimentos é que ela chamou a atenção de pessoas que deveriam ter observado o que está acontecendo há muito tempo. Scheherazade observou que muitos de seus contatos no Twitter "estavam tuitando que eles não necessariamente apoiavam Tommy em tudo, mas ficaram chocados com o fato de alguém ter denunciado esses crimes (gangues de abusadores de crianças) ter sido preso". Alguns de seus conhecidos, segundo ela, "estão estupefatos e aflitos". No sábado, milhares de simpatizantes de Robinson se aglomeraram em Westminster. Esses protestos farão alguma diferença? Um ex-policial britânico reagiu ao encarceramento de Robinson com um vídeo exortando os compatriotas não apenas a marcharem ou se aglomerarem, mas para se juntarem ao partido de Ann Marie Waters For Britain e fazer pela liberdade de expressão na Grã-Bretanha o que o UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) fez para tirar os britânicos da UE.
Scheherazade tinha mais informações interessantes. Enquanto Robinson está sendo punido por chamar a atenção para as gangues de estupradores muçulmanos, a Sikh Awareness Society, que também denunciou os julgamentos dos "estupradores", é deixada em paz. "Eles são uma dádiva de Deus", disse Scheherazade, "porque eles não têm papas na língua, ainda assim não são intimidados como Tommy ou pessoas como ele o são". Obviamente, a polícia britânica não ousaria prender um homem barbado usando turbante. Scheherazade também mencionou um imã que foi preso recentemente e logo liberado assim que "um grupo enorme de simpatizantes exigiu sua libertação". Pelo menos um policial reconheceu que o imã havia sido liberado porque, do contrário, "haveria distúrbios em todo o país". Scheherazade resumiu a atual abordagem das autoridades britânicas em relação à situação islâmica da seguinte maneira: perderam o controle... e estão do lado daqueles que eles acham que darão menos dor de cabeça. O valentão da sala de aula aterrorizou o professor que acabou punindo as crianças que sofrem o bullying dele".
Supõe-se que as autoridades acreditam que perpetrar esse tipo de injustiça de alguma forma manterá a paz. Se eu fosse uma autoridade não teria tanta certeza. As pessoas naquela concentração em Westminster no sábado estavam com raiva. Quantos súditos britânicos sentem a mesma raiva? Scheherazade manifestou preocupação de que a situação neste verão na Grã-Bretanha poderá se tornar incontrolável. Bem, talvez tudo isso seja positivo.
De minha parte, por mais que eu me esforce, não consigo entender por que ninguém com certa notoriedade ou com alguma influência em todo o Reino Unido não se apresentou para contestar os maus-tratos dispensados a Tommy Robinson e por tabela defender a liberdade de expressão.
Será que o establishment britânico virou um bando de covardes? Acho que teremos a resposta a essa pergunta em breve, se é que ainda não a temos."
(Bruce Bawer, Swift Injustice: The Case of Tommy Robinson)

https://pt.gatestoneinstitute.org

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O que realmente está em jogo na imposição da teoria de gênero

"Como de costume, a tirania sempre vem disfarçada de "direitos civis".
A última manifestação desta regra geral é a diretriz do Presidente Obama que procura impor uma política de banheiro, vestiário e dormitório transgênero à nação inteira, começando com as crianças na escola. Muitos de nós ficamos pasmos com tal notícia, mas na verdade não deveríamos. A ordem é simplesmente a última encarnação de uma longa linha de engenharia social. A meta, como é sempre o caso com tais movimentos, é refazer a humanidade. O que as pessoas por trás desta última versão não contarão para você é que o projeto delas exige que todos e cada um de nós neguemos nossa própria humanidade.
Deixem-me explicar.
O movimento transgênero jamais teve a ver com "gênero". Ele só tem a ver com sexo. Sexo é o verdadeiro alvo. "Gênero" é simplesmente um veículo linguístico politizado que facilita um banimento legal de distinções sexuais. Não há muitos pontos a juntar para descobrir aonde logicamente se pretende chegar: se você abolir distinções sexuais na lei, poderá abolir o reconhecimento estatal de laços biológicos de família, e o estado poderá regular relacionamentos pessoais e consolidar poder como nunca antes.
Verifiquemos a Realidade
A realidade física existe independente da lei de "não-discriminação de identidade de gênero" – ou de qualquer lei humana. Leis não têm o poder de afastar a realidade, mas podem alterar a maneira como as pessoas se comportam em resposta à realidade. Elas podem impor o desprezo à realidade por meio de protocolos de discurso, pressões econômicas e sociais, invasões de privacidade, e policiamento do pensamento. E é somente disso que o decreto-lei de Obama se trata.
Ele servirá para criminalizar o discurso que identifique homens como homens e mulheres como mulheres. No momento pode não parecer assim, pois vemos pessoas esforçando-se para serem reconhecidos como um ou outro sexo específico. Mas, creiam-me, todos estamos sendo forçados à "transição" para a conformidade de pensamento. Em Nova York, você já pode ser multado se não reengenharizar seu discurso (e pensamentos) para se alinhar com os novos protocolos pronominais em constante mudança.
Estamos sendo forçados a "evoluir" rapidamente de leis que parecem permitir distinções entre homens e mulheres para leis que rejeitarão categoricamente tais distinções em um futuro não muito distante. Formulários federais já estão refletindo essas mudanças, excluindo termos como "mãe" e "pai". E a cada passo, estamos vendo o termo específico "sexo" ser substituído pelo termo "gênero", inexpressivo e ambíguo. Isso nos coloca a caminho de banir o reconhecimento da realidade de que cada ser humano existe devido à união de um homem e de uma mulher. Não há exceções a essa realidade. Você existe como a união de dois opostos por meio dos quais foi criado.
O ato da administração é portanto uma ordem que visa a uma modificação de comportamento de um tipo um tanto quanto suicida: tenta fazer-nos negar a realidade de nossa humanidade. Na prática, isso significa a negação de nossa própria existência. Todas as negações de realidade semelhantes exigem uma censura pesada. Já vimos os governos da Dakota do Sul e da Geórgia se dobrarem em face de ameaças de que recursos federais seriam suspensos e grandes empresas se retirariam desses estados se tentassem impor vestiários de mesmo sexo.
Sem Sexo, Não Há Famílias
Que acontecerá quando toda a sociedade for assexuada tanto na linguagem quanto na lei? Se a lei não reconhecer o corpo de alguém fisicamente como homem ou mulher, aplicando apenas a palavra "gênero" a sua autopercepção interna e autodeclarada, como é que sequer reconhecerá o corpo dessa pessoa? Cada uma de suas células tem escrito "homem" ou "mulher" em seu DNA, mas a lei recusa-se a reconhecer tais categorias. Tais leis reconhecerão somente um "espectro de gênero" infinito e imensurável, e o lugar nele de cada indivíduo será determinado apenas pelo seu pensamento. O que exatamente cada um de nós será depois que a lei nos dessexualizar? Em que sentido seu corpo será um ente legal?
E que acontecerá com suas relações familiares depois que a lei o dessexualizar? Serão legalmente reconhecidas? Não vejo como poderiam ser. Certamente não automaticamente, certamente não pelo reconhecimento de que cada criança vem de uma união de dois pais de sexos opostos.
Em uma sociedade dessexualizada por lei, o estado reconheceria o relacionamento de alguém como esposo ou esposa? Mãe ou pai? Filha ou filho? Esses são todos termos sexuados. Um sistema que não reconhece a existência de homem e mulher estaria livre para ignorar os pais de qualquer criança. Você poderia ser reconhecido como “guardião legal” de seu filho, mas apenas se o estado concordasse. Qualquer pessoa poderia ser guardião de seu filho se o estado decidisse que seria “para o maior bem” da criança. Nesta perspectiva, não há nada que evite que o estado quebre o vínculo entre mãe e filho à vontade.
Em tal cenário, o estado controla todas as relações pessoais diretamente na fonte: a família biológica. A abolição da autonomia familiar seria completa, porque a família biológica deixaria de existir como arranjo padrão. A "família" seria qualquer coisa que o estado assim definisse. Repita-se que, no mundo dessexualizado da políitca de gênero, todas as relações pessoais terminariam controladas e reguladas pelo estado.
Martha Fineman, uma teórica jurídica de gênero, tocou neste ponto em seu livro de 2004, O Mito da Autonomia. Nele, ela defende a abolição do casamento reconhecido pelo estado porque permite privacidade familiar, escrevendo que "assim que a proteção institucional for removida, o comportamento será julgado pelos padrões estabelecidos para regular interações entre todos os membros da sociedade" (ênfase adicionada).
A ideologia de gênero é uma ferramenta estatista eficaz. Marxistas culturais usam-na para corromper a linguagem e semear confusão, especialmente entre crianças. Ela abre caminho para a remoção das proteções institucionais a liberdade de associação e privacidade familiar que impedem "regular interações entre todos os membros da sociedade".
Como Poderia Uma Sociedade Rejeitar Sua Própria Liberdade?
Fazer com que pessoas livres rejeitem a liberdade pode parecer um pedido exagerado. Como seria possível convencer, você poderia perguntar, que as pessoas deixassem suas famílias e consentissem com uma tal estrutura distópica da sociedade? Como se faria com que a opinião pública apoiasse uma agenda que levasse à negação da realidade de sua própria humanidade?
Há muitas peças neste quebra-cabeças, inclusive a erosão da confiança social, a destruição da família, polarização social, e crescente ignorância de história. Mas os fundamentos foram colocados há muito tempo.
Em primeiro lugar, virtualmente todos os canais de comunicação tiveram que estar a bordo – Hollywood, academia, a mídia. Confere. Todo o quadro de pessoal médico, particularmente o de saúde mental, teve que ser "educado" a obedecer o programa transgênero ou arriscar-se a perder suas licenças. Confere. O sistema educacional teve que infundir a ideologia entre as crianças na escola. Confere. Grandes corporações tiveram que subir a bordo como partes interessadas e fiscais. Confere. E, naturalmente, o impulso para dessexualizar legalmente a sociedade teve que ser incorporado – estilo Cavalo de Tróia – a uma idéia um pouco menos estrangeira, com o pegajoso lema da "igualdade matrimonial". Confere. As igrejas tiveram que ser trazidas a bordo para que até a religião se tornasse conduto à antiverdade. Confere. Pressões sociais, emocionais e econômicas tiveram que ser estabelecidas para censurar qualquer um que ousasse questionar a sabedoria de todo o esquema. Confere. Tais pessoas tiveram que ser tachadas de fanáticas, odientas e não-pessoas. Cheque-mate.
Nesta altura, o mais primitivo e universal dos medos humanos entra em cena: o medo de ser socialmente rejeitado. A autocensura toma conta. As pessoas começam a falsificar aquilo em que acreditam, até que eventualmente nem sabem mais no que acreditam. Ninguém pode mais falar abertamente com o outro. No final, é como se estivéssemos sendo conduzidos para uma cela isolada de confinamento solitário. É o que acontece quando a livre associação é atingida, quando o estado quebra relações particulares em nome da união coletiva. Então, quando não podemos mais verificar a realidade uns com os outros – por termos tanto medo de sermos excluídos – acabamos vivendo em uma era de ilusão em massa.
A única saída é afirmar a realidade. Devemos recuperar nossa humanidade inteira. Comecemos reinjetando em nossa linguagem uma palavra muito boa que aponta a realidade: sexo. Sim, vamos reviver a palavra "sexo" e usá-la generosamente sempre que nos referirmos à realidade biológica de nossa natureza física. (E natureza espiritual também.) Ao mesmo tempo, vamos recusar – sempre – o uso da palavra "gênero" quando queiramos dizer sexo. É uma palavra envenenada e armamentizada que tem sido usada para legalmente dessexualizar e assim desumanizar a nós todos. Devemos trabalhar juntos para resistir a seus enganos."
(Stella Morabito, A De-Sexed Society is a De-Humanized Society)

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Olavo de Carvalho sobre o Estado e a unidade nacional


“Faço aqui, mutatis mutandis, uma analogia com o que Eric Voegelin observou sobre o Estado alemão nos anos 30 do século passado. Os modelos de convivência e associação vigentes na sociedade civil determinam a estrutura real do poder de Estado, independentemente das normas legais consagradas oficialmente. Ou estas últimas refletem aqueles modelos, e aí temos uma sociedade política funcional, ou se sobrepõem a eles como um verniz, encobrindo sob uma camada de adornos jurídicos as relações reais de poder. Neste caso, tudo na vida política é farsa e língua dupla, às vezes sem que os personagens envolvidos se dêem plena conta disso. O deslocamento entre a racionalidade aparente do discurso político e a substância dos fatos traduz-se em ineficiência administrativa e corrupção, e a revolta popular contra os maus governantes, ao expressar-se na linguagem institucional vigente, erra o alvo por muitos metros, apegando-se a soluções aparentes que, no fim das contas, agravam a situação.
Um breve exame dos modelos de convivência existentes na sociedade brasileira revela comunidades atomizadas, onde cada um age de maneira imediatista, sem ter a menor consciência dos efeitos das suas ações sobre os seus próximos e às vezes nem sobre o seu próprio futuro. A mesma conduta observa-se em grupos formados por interesses corporativos, sem muita noção do seu papel na sociedade como um todo e na convivência com outros grupos (os professores são o exemplo mais enfático: defendem bravamente os seus interesses de classe sem sentir-se, no mais mínimo que seja, responsáveis pelos efeitos devastadores que a educação que fornecem produz sobre os seus alunos). Um senso de unidade popular só aparece na dissolução dos indivíduos na massa carnavalesca alucinada, e um rudimento de identidade nacional nos campeonatos de futebol.
Não é de espantar que, por baixo do belo quadro institucional e de todos os discursos, a política não passe da disputa animal entre interesses grupais e corporativos, ora sob o pretexto dos direitos humanos e da igualdade, ora sob o da legalidade e da ordem, conforme os agentes se considerem “progressistas” ou “liberal-conservadores”. Mas até os pretextos são intercambiáveis, conforme as conveniências do momento. A linguagem dos debates públicos não serve para descrever a situação, mas para “dar impressão”.
Um princípio de identidade nacional, o sinal da emergência de um autêntico povo brasileiro apareceu nas manifestações de protesto a partir de março de 2015, mas logo a energia ali reunida foi desviada para as “soluções institucionais” em favor da elite política e da “pacificação nacional”. Pela enésima vez a elite salvou-se pela mágica da “conciliação”, repetindo o mecanismo tão bem descrito em dois clássicos dos estudos brasileiros, A Consciência Conservadora no Brasil, de Paulo Mercadante, e Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro. A linguagem do fingimento, ameaçada por uns instantes, restaurou-se triunfalmente, sufocando uma vez mais a realidade.
*
Eric Voegelin diz que na Alemanha o apelo à “raça” surgiu como substitutivo de uma identidade nacional inexistente e fez sucesso justamente porque parecia preencher uma lacuna. Mas é impossível haver uma unidade nacional fundada na pura biologia.
No Brasil, uma unidade nacional pareceu emergir em quatro momentos da nossa História: a guerra do Paraguai, o governo Getúlio Vargas (com a II Guerra Mundial, a campanha “O Petróleo é Nosso” e a promoção governamental do Rio de Janeiro a símbolo condensado do país) e os movimentos de protesto a partir de 2015. Em todos esses casos o fundamento escolhido era temporário, ou então, pior ainda, baseado na pura geografia.
Uma verdadeira unidade nacional nasce quando as formas de associação e convivência reais da sociedade civil de consolidam em instituições e leis, como o senso comunitário da América colonial se consolidou na Declaração da Independência, na Constituição e no Bill of Rights, ou como, na Inglaterra, as relações tradicionais entre o povo e o “gentleman farmer” se consolidaram nas formas do Direito consuetudinário.
Quando há um hiato, para não dizer um abismo, entre as formas de associação popular e a esfera das instituições, a sociedade política não tem verdadeira representatividade, vive de fingimento em fingimento e de crise em crise, até que apareça algum substitutivo forçado da ordem faltante (por exemplo, o mito da raça superior ou o mero senso da propriedade territorial, o “nosso petróleo”).
Se, por seu lado, as formas populares de associação são toscas e não fornecem base suficiente para uma ordem institucional fundada nelas, então o problema se agrava formidavelmente.”

http://www.midiasemmascara.org

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O novo evangelho do mundo está sendo escrito em um presídio


“Os governos não são competentes para impor uma pena ao homem senão na qualidade de delegados de Deus. Só em nome de Deus podem ser justos e fortes. E quando começam a secularizar-se ou apartar-se de Deus, afrouxam na penalidade, como se sentissem que diminui seu direito. As teorias laxas dos criminalistas modernos são contemporâneas da decadência religiosa, e seu predomínio nos códigos é contemporâneo da secularização das potestades políticas. Os racionalistas modernos chamam ao crime desventura: dia virá em que o governo passe aos desventurados; e, então, não haverá outro crime senão a inocência. O novo evangelho do mundo se está escrevendo em um presídio. O mundo não terá senão o que merece, quando for evangelizado pelos novos apóstolos”.
(Juan Donoso Cortés, Ensayo sobre el Catolicismo, el Liberalismo y el Socialismo)

http://muralhasdacidade.blogspot.com.br

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Messianismo político, civilização terminal


“Quando Pôncio Pilatos volta-se à furiosa turba de judeus e pergunta quem ela quer que seja solto, Cristo ou Barrabás, está falando a homens de todos os tempos. Por trás da indagação do præfectus romano da Judéia se oculta um profundo dilema: cimentar a base social em ardilosos estratagemas humanos ou erigi-la sobre a pedra angular das leis divinas, fonte inalienável dos poderes terrenos, conforme assinala o próprio Cristo quando diz ao vacilante algoz à Sua frente que não teria nenhum poder de libertá-Lo ou de condená-Lo, se não lhe tivesse sido dado do alto. A escolha ali simbolizada é entre construir a Pólis depositando total confiança em homens facciosos — hoje o eufemismo social vigente os considera “democratas” integrantes de partidos políticos — ou na sabedoria eterna. Entre tomar como modelo das ações humanas, e portanto da política, o verdadeiro Messias ou os falsos.
Ora, toda sociedade decadente descamba para o messianismo político. Não há exceções históricas. Por esta razão, no caso de Cristo — situado entre uma Roma imperial corrompida, já afastada dos elevados princípios republicanos que a erigiram, e o elitizado e pretensioso judaísmo farisaico —, a escolha não poderia recair senão sobre Barrabás, o revolucionário zelote. Cristo já o sabia por presciência divina, como também tinha a pleníssima noção de que, com o Seu sacrifício, traria ao mundo a possibilidade de reestruturar-se noutros paradigmas: a caridade, e não a cupidez, passaria a servir de fermento para o corpo social, dos estratos mais humildes e desvalidos aos governantes. O caminho foi longo até a Cristandade gerar as autoridades públicas mais sábias e prudentes de que se tem notícia. Mas ela, de acordo com os desígnios da Providência, também estava marcada para decair, e a queda foi lentamente agônica.
Nenhuma sociedade se desfaz sem perder substância espiritual — e o primeiro grande degrau nesta direção é o farisaísmo religioso, a um só tempo formalista e confiante no seu próprio saber. Tal atitude em geral consagra a letra e mata o espírito do qual ela é apenas símbolo; assim, a religião corrompe-se paulatinamente e os estudiosos das coisas divinas começam a sofisticar o discurso a ponto de se sentirem hermeneutas privilegiados das Sagradas Escrituras, embora sem haver recebido nenhum carisma para tanto. Incapazes de humildemente conservar a tradição recebida, reformam-na fazendo uso de palavras e conceitos de sua própria lavra, e após a sofisticação vem sempre a degradação. Em síntese, toda e qualquer civilização começa a ser destruída por maus teólogos, ou seja, por estudiosos novidadeiros das coisas divinas, e com a cristã não poderia ser diferente. A propósito, ponha-se na conta de dois frades franciscanos o lançamento das longínquas sementes do caos espiritual que se espraiou para o terreno da política e, séculos depois, acabou por gerar a modernidade: Duns Scot e Guilherme de Ockham.
Para se ter idéia, na opinião do Doutor Sutil o homicídio, a traição e a mentira não são coisas intrinsecamente más; elas são más tão-somente porque Deus as proibiu — e o fez por Sua libérrima vontade. Para Scot, no horizonte da moral a vontade divina é a única e exclusivíssima fonte do bem e do mal, e, por esta razão, segundo o seu tresloucado parecer, apenas os dois primeiros mandamentos das Tábuas da Lei entregues a Moiséis no Sinai — referentes a Deus — são indispensáveis e universais. Todos os demais são bons apenas porque Deus quis que fossem, mas poderiam ser maus se Ele assim decidisse. Em Scot não existe nenhuma lei necessária na natureza, nem mesmo uma lei eterna da qual provenha, mas só a vontade divina a pairar como que tiranicamente acima de tudo; Ockham repetirá estes princípios voluntaristas e os aprimorará em várias passagens de sua obra. Na perspectiva deste famoso autor insubmisso ao Papado, nada pode ser propriamente inteligível na criação, já que as coisas não se predicam umas das outras, mas apenas predicam-se convencionalmente os conceitos.
Entre os entes de razão e a realidade das coisas criara-se um pântano impossível de atravessar. Ora, não demoraria muito para a política ser inoculada por esta disteleologia irracionalista que foi tomando as universidades e fazendo as cabeças, geradora de um novo tipo de farisaísmo teológico insubordinado à tradição apostólica e ao Magistério da Igreja. A partir deste período, com o hiato estabelecido entre as coisas temporais e as espirituais, primeiramente sobrevirão as revoluções luterana e calvinista, com as suas inumeráveis guerras sangrentas; mais tarde virão as revoluções francesa (liberal-maçônica) e russa (comunista). O mundo escolhera definitivamente a Barrabás, malgrado as reações magisteriais da Igreja; estas porém se foram tornando impotentes perante o novo vetor materialista, libertário e humanista da história.
Os messianismos políticos multiplicam-se na exata medida em que inexistem autoridades espirituais que, de forma solene, custodiem as verdades eternas. A sagração da consciência individual dos homens como instância intocável é concomitante à dessacralização de todas as coisas, e, neste contexto, a débâcle do Magistério da Igreja a partir do Concílio Vaticano II é o acontecimento culminante do século XX, mais que as duas Grandes Guerras, pois representa o odiento fechar de olhos para as coisas políticas tomadas de assalto pelo que há de pior no gênero humano. Falseado e deturpado, o conceito de “dignidade da pessoa humana” se transforma em motor da política pós-moderna ocidental, e de todos os lados é mencionado para justificar os pleitos mais absurdos.
Hoje alguns querem fazer-nos imaginar que estamos perante uma escolha de Sofia: ou o projeto eurasiano russo, em parceria com cismáticos ortodoxos, ou os neocomunismos imperantes sobretudo na América Latina, ou o avanço europeu do Islã, religião a respeito da qual o abade Pedro, o Venerável, escrevera no distante século XII o estupendo Liber contra sectam sive haeresim sarracenorum. Como pano de fundo de todas essas possibilidades, encontram-se as premissas liberais dos que odeiam a Igreja e a querem ver afastada da instância política a todo custo, pois do contrário o reinado material do Anticristo nunca seria possível.
Em tal configuração, convém ter em vista o seguinte: todos os que põem a confiança no Senhor não serão confundidos, como afirma o Salmo que serve de epigrafe a este breve texto. Portanto, é melhor a derrota política com a cruz espiritual às costas do que a vitória política infamante.
Tal confiança verdadeiramente heróica pressupõe que os católicos não abandonem a Igreja, mesmo com a sua Hierarquia fazendo de tudo para os melhores apostatarem, e também não adiram a nenhum desses messianismos políticos, pois se trata de tentáculos do mesmo demônio.
Seja à esquerda ou à direita da depravação.”

http://contraimpugnantes.blogspot.com.br

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Paul Celan: Distantes


Olho no olho, no frescor,
comecemos também algo:
juntos
respiremos o véu
que nos esconde um do outro
quando a noite se dispõe a medir
a distância que ainda existe
entre cada forma que ele adota
e cada forma
que ele nos deu.


https://copodemar.wordpress.com

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Dietrich von Hildebrand e os falsos profetas


"Quem nega o pecado original e a necessidade de redenção do gênero humano, anula o significado da morte de Cristo na cruz e é um falso profeta.
Quem esquece que a redenção do mundo através de Cristo é a única fonte de verdadeira felicidade e que nada no mundo pode ser comparado a este único fato glorioso, este não é mais um verdadeiro cristão.
Quem não aceita mais a absoluta supremacia do primeiro mandamento de Cristo – ama a Deus acima de todas as coisas – e sustenta ao invés que o amor de Deus se expressa somente no amor ao próximo, este é um falso profeta.
Quem já não sabe entender que desejar uma íntima união com Cristo e uma transformação em Cristo é o verdadeiro significado de nossa vida, este é um falso profeta.
Quem proclama que toda moral basta-se a si mesma, e portanto não principalmente na relação do homem com Deus mas nas coisas que concernem ao bem-estar da humanidade, este é um falso profeta.
Quem no dano infligido a nosso próximo vê somente o mal causado a este e não vê a ofensa a Deus que está implícita no mesmo dano, este é vítima do ensinamento de um falso profeta.
Quem já não percebe a radical diferença existente entre caridade e benevolência humanitária, este se tornou surdo à mensagem de Cristo.
Quem se encontra impressionado e comovido pelas "conquistas cósmicas" e pela "evolução" e pelas especulações científicas mais que pela luz da Sagrada Humanidade de Cristo refletida em um santo, ou pela vitória sobre o mundo representada pela vida de um santo, este já não está compenetrado de espírito cristão.
Quem se preocupa pelo bem-estar material do homem mais que por sua santificação, este perdeu o sentido cristão do Universo."

http://in-exspectatione.blogspot.com.br