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sábado, 13 de novembro de 2021

Gustavo Corção: O valor do Concílio Vaticano II


“Parece-nos claro que o valor principal de um Concílio Ecumênico só pode ser medido com um critério essencialmente católico, o da aplicação do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo para a salvação das almas, e não com qualquer critério tirado do mundo e da história.
No caso presente, se quisermos aquilatar esse valor, devemos começar por ouvir as vozes mais autorizadas a falar em nome do Concílio. Ouçamos pois mais uma vez a parte do Discurso de Encerramento do Concílio, onde se encontra uma definição da espiritualidade que inspirou aquele sínodo. Eis o texto já mais de uma vez transcrito em nossas colunas:
“A Religião do Deus que se fez homem encontrou-se com a religião — porque é uma religião — do homem que se faz Deus. Que aconteceu? Um choque, uma luta, uma condenação? Poderia ter acontecido, mas não aconteceu. A antiga história do samaritano foi a pauta da espiritualidade do Concílio. Uma simpatia imensa o penetrou todo”.
Quanto mais vezes ouvimos estas interrogações: “Que aconteceu? Um choque, uma luta, uma condenação?”, mais pueril nos parece a exigência do contexto inteiro do discurso, e até dos vários pronunciamentos do Papa Paulo VI, para a reta interpretação deste final de discurso do encerramento do Concílio.
Essas interrogações são feitas, evidentissimamente, para lembrar que outros papas e concílios se chocaram, com tais impiedades erigidas em sistema, lutaram contra as várias formas desta religião do homem que se faz Deus, condenaram severamente a revolução anarquista, o comunismo, os diversos socialismos e as maçonarias.
E quanto mais vezes ouvimos estas palavras de resposta: “Poderia ter acontecido, mas não aconteceu”, mais clara nos parece a intenção de bem marcar a reviravolta antropocêntrica que separa o Concílio Vaticano II de toda a anterior tradição católica, e que assim pretende defini-lo em termos de contradição, de inovação e até de censura de tudo o que se fez na Igreja durante vinte séculos.
O contexto dos fatos ocorridos durante o Concílio, e multiplicados depois do Concílio, está aí na memória de todos para confirmar que o Concílio trouxe efetivamente uma “simpatia imensa” por todas as impiedades da soberba humana erigidos em sistema, e correlatamente ostentou uma estranha indiferença pelas vítimas de tais perversidades.
Desde as primeiras sessões do Concílio observou-se a escandalosa recusa de reafirmação das condenações do comunismo, tornadas mais necessárias do que nunca em vista da torrencial infiltração da ideologia “intrinsecamente perversa, ímpia, monstruosa e desumana” (Divini Redemptoris, Pio XI, 1937) nos recintos da Igreja.
Mais tarde, nos cansamos de ver os pronunciamentos das conferências episcopais em favor das idéias comunistas e hostis aos governos que ousavam praticar a política de repressão dessa perversidade. E mais doloroso do que nenhum outro nos acode à memória o caso dos cruéis terroristas espanhóis condenados por Franco: as autoridades eclesiásticas publicaram ostensivamente sua imensa simpatia pelos condenados, depois da glacial indiferença em relação às numerosas vítimas inocentes das bombas.
A alusão feita à “antiga história do samaritano”, que teria sido a pauta da “espiritualidade do Concílio” não nos parece feliz. Como todos nós sabemos, a parábola do bom samaritano (Lc 10, 30) põe sua tônica na compaixão pela vítima da perversidade dos salteadores: “Um homem descia de Jerusalém à Jericó quando caiu em mãos de salteadores que o despojaram de tudo e, cobrindo-o de ferimentos, desapareceram, deixando-o quase morto. Aconteceu que passavam pela mesma estrada um sacerdote e um levita que, ao vê-lo, continuaram seu caminho. Porém, um samaritano em viagem passou perto dele e teve compaixão: aproximando-se, enfaixou suas feridas e nelas verteu óleo e vinho…” Evidentemente seria preciso fazer uma reforma profunda nesta parábolas para adaptá-la, com palavras atribuídas a Jesus, a uma assembléia de sacerdotes e levitas que, esquecidos das vítimas, sentem imensa simpatia pelos salteadores.
* * *
Quando se ouvem mais uma vez aquelas palavras com que se encerrou o Concílio, é impossível evitar o estupor e o sofrimento que nos causa a reviravolta moral que, numa leitura superficial ou desatenta, poderá ter escapado. Insisto no termo “reviravolta moral” e não preciso buscar a elevada sabedoria da la Ilæ ou da lla llæ para respaldo de minha demonstração: colocando-a no nível do senso comum, creio poder cabalmente demonstrar a existência de uma reviravolta moral nesse texto que enaltece o Concílio pelo fato de não se haver condenado o comunismo, a maçonaria, o liberalismo e demais facetas da reviravolta antropocêntrica, ou da religião do homem que se faz Deus. Sim, o Concílio dito “pastoral” é elogiado precisamente por não ter cumprido o mais grave dos deveres pastorais: o dever de defender o depósito sagrado e o dever de zelar pela salvação das almas, os quais exigem dos pastores uma amorosa intolerância e uma disposição de dar a vida por seu rebanho (Jo 10). Nesse sentido pode-se dizer que todos os concílios da Igreja foram pastorais, exceto o Vaticano II, que começou por um passe de mágica, com o qual fez o mundo inteiro engolir o termo pastoral, para encobrir seu caráter evolucionista e experimental.
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Simpatia imensa pelas maldades erigidas em sistema, pretendendo ser uma forma superior de bondade, é na verdade uma forma requintada de perversidade, porque contém duas graves injustiças e dois graves pecados contra a caridade: o 1° reside no esquecimento do mal imenso que aquelas perversidades difundem e na injustiça e descaridade cometidas contra as vítimas; o 2°, um pouco mais escondido, está na injustiça e descaridade que cometemos contra os perversos, os transviados, os criminosos, aos quais devemos a caridade, não a caridade afetiva, mas a efetiva que consiste na repressão e na punição que, para eles, serão o meio de acordar a consciência e de salvar a alma. Ao contrário, se os acariciamos com declarações de “imensa simpatia” cometemos a horrível impiedade de os tranqüilizar e os confirmar no pecado.
A “igreja pós-conciliar” apregoa em todos os tons essa reviravolta moral que é a síntese de todas as reviravoltas antropocêntricas. Rememore, leitor, os louvores que já ouviu dessa “igreja” que deixou os anátemas e as condenações e pense deles o que quiser: ponha a tolerância no vértice de todas as virtudes, diga dessa filosofia e dessa religião o que quiser, esteja à vontade no comunismo e na maçonaria – a única e última exigência verbal e moral a que me apego é a que me obriga a dizer que tal amolecimento está nos antípodas do cristianismo.
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Na verdade, a chamada “igreja pós-conciliar” traz desde o berço todas as rugas e manchas de velhice de um mundo em decomposição. Na verdade, sua tolerância, sua imensa simpatia por todas as aberrações armadas em sistemas disfarçam uma única intolerância que capitaliza contra aqueles que, em tempo e contratempo, querem guardar o depósito sagrado e salvar as almas que Jesus teve tanta sede no alto da cruz.”

http://santamariadasvitorias.org

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Como será o Papado depois de Francisco?


“Nos próximos dias fará cinco anos a abdicação do Papa Bento XVI, um dos fatos mais graves e lamentáveis na história contemporânea da Igreja. Mal foi anunciada a renúncia, as usinas de progressismo começaram a propalar por todo lugar que o gesto de Bento era um ‘gesto revolucionário’ (entre os que utilizaram esta expressão estava o então Arcebispo de Buenos Aires que, contra toda previsão, seria o encarregado de substituir o papa demitente).
Em que consistia o ‘revolucionário’ do gesto? Em que Bento, finalmente, havia compreendido que representava o último resíduo do papado absolutista e ‘monárquico’ e com sua renúncia abria a porta aos novos ventos da história: já não mais um papa soberano absoluto cujas decisões eram lei suprema e inamovível, mas um Papado aberto à colegialidade que outorgaria ao Colégio Apostólico seu até agora negado papel no goveno da Igreja. De fato, os gestos iniciais do novo papa mostravam claramente esta mudança de rumo: Francisco, no dia de sua eleição, em sua primeira apresentação ao mundo, chamou-se a si mesmo ‘bispo de Roma’ e recordou, com a ajuda de Santo Inácio de Antioquia, que o bispo de Roma ‘preside na caridade’ às outras igrejas, obviando, chamativamente, que o Primado do Romano Pontífice não é só de caridade mas também de jurisdição e de governo como foi definido dogmaticamente no Concílio Vaticano I.
As já mencionadas usinas do progressismo se fartaram de trombetear sobre o ‘bispo de Roma’, a ‘colegialidade’ (nebulosa idéia jamais definida com precisão), o final irreversível do ‘Papado monárquico’ (o jesuíta argentino Ignacio Pérez del Viso publicou em um dos jornais de maior circulação da Argentina um artigo com esse ou parecido título), aclamou-se o fim do ‘autoritarismo romano’ fonte de tantos males e anunciou-se com grande júbilo a venturosa ‘primavera da Igreja’ sob a suave condução colegiada do Papa Francisco. Em definitivo, o que vinham a dizer os fautores do progressismo era que o único bem resgatável de Bento XVI – cujo Pontificado foi alvo impiedoso de toda sorte de ataques – havia sido sua renúncia. Muitos afirmaram isto recorrendo aos eufemismos mais variados e hipócritas; outros o manifestaram com todas as letras.
Por certo, as coisas não ocorreram exatamente da maneira como previa e anunciava a narrativa progressista. Em primeiro lugar, poucos papas como Francisco exerceram um poder tão absoluto, tão sem fissuras e até, segundo alguns observadores, despótico. De fato, desde sua ascensão ao Papado ocupou, de modo exclusivo, o cenário eclesial relegando por completo a um distante segundo plano seus mais fiéis colaboradores e homens de confiança. A anunciada colegialidade, se temos de ser sinceros, não se vê em canto nenhum; pelo contrário, a mais mínima dissidência é imediatamente eliminada; os poucos bispos que se animaram a formular algum protesto crítico foram, no melhor dos casos, desprezados, quando não afastados de suas funções ou dioceses. Sacerdotes e leigos que expressaram alguma desconformidade a respeito de questões doutrinárias pouco claras conheceram a demissão e a perda de suas cátedras ou postos de trabalho.
Porém, em contraste com este férreo modo de exercer a autoridade, Francisco tem se dedicado a colocar as bases do que no futuro, quando ele já não estiver, pode chegar a ser, nada mais e nada menos, que a demolição do Papado. Com efeito, já desde Evangelii gaudium se fala de dar às Conferências Episcopais o poder de definir questões doutrinárias; o Motu Proprio Magnum Principium outorga a essas mesmas Conferências uma inusitada faculdade na tradução dos textos litúrgicos com evidente míngua do papel da Santa Sé; em numerosos discursos, Francisco propôs o modelo de uma ‘igreja sinodal’ concebida como uma pirâmide invertida na qual o Magistério está embaixo e o sensuum fidelium, reinterpretado à luz da chamada ‘teologia do povo’, a coroa por cima. Todas estas coisas são, de fato, letra morta porque o feroz centralismo que impôs o Papa Bergoglio as torna impossíveis. Mas são as bombas-relógios que, a seu tempo, estarão fazendo voar pelos ares a verdadeira e autêntica soberania universal do Romano Pontífice sobre toda a Igreja.
A que ponto temos chegado. Por isso torna-se inevitável experimentar uma séria preocupação pelo futuro do Papado. Como será o papa que suceda a Francisco? Voltará sobre os passos deste e restabelecerá pelo menos o decoro da figura papal tão banalizada nestes dias? Que fará a respeito de Amoris laetitia e de suas gravíssimas consequências doutrinárias e pastorais? Que acontecerá com a legião de bispos nomeados por Francisco e que são todos de sua feitura? Haverá propriamente um magistério papal claro e inequívoco nos assuntos essenciais ou se continuará ou ainda se aprofundará este estilo ‘magisterial’ difuso e confuso imposto pelo atual Pontífice? Estas e muitas outras perguntas similares se impõem pela força dos mesmos fatos que transcorrem ante nossos olhos.
Por certo a resposta a todas estas interrogações nos dá o Senhor: Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam; et portae inferi non praevalebunt adversum eam (Mateus, 16, 18). O firme non praevalebunt de Cristo é a fonte de nossa esperança e de nossa certeza de que ao final o triunfo será do Senhor. Mas também sabemos que não nos faltarão tribulações e embora nos tenha sido revelado que essas tribulações se encurtarão não podemos escapar às angústias e inquietudes de nosso coração. Somos homens viajores e o próprio deste estado é a angústia de expectativa sustentada pela esperança.
Mas também é uma exigência deste estado viajor o combate espiritual: militia est vita hominis super terram (Jó, 7, 1). Significa que devemos travar batalha diante do avanço do mal; e a respeito do tema que nos ocupa estimo que é necessário prover-se de duas armas. A primeira, defender sem receios a verdade que a Fé ensina sobre a Igreja e o Papado. O primado de Pedro se funda na Sagrada Escritura, na Tradição da Igreja e no Magistério infalível. É uma verdade fundamental sustentada pelos Padres, pelos teólogos escolásticos e pacificamente aceita por todos os doutores e mestres que, para além das legítimas diferenças de escolas e de estilos, permaneceram fiéis aos ensinamentos de Cristo e da Igreja.
Contudo, os piores cismas e as máximas heresias têm negado esta verdade sublime. Por isso o Magistério a tem defendido sem concessões. A Constituição Dogmática Pastor aeternus do Concílio Vaticano I, assinada em 18 de julho de 1870, resume e sintetiza a doutrina do Primado de Pedro e de seus sucessores; não foi, em absoluto, como tem pretendido certa crítica malintencionada ou infundada, a imposição de um poderoso grupo de pais conciliares ferrenhamente ‘centralistas’ movido, inclusive, por interesses políticos. De nenhuma maneira: a Constitução não faz mais que recolher em seus fundamentos bíblicos, históricos, teológicos e magisteriais, uma doutrina aceita desde sempre mas formulada com singular firmeza precisamente em um tempo em que essa doutrina estava sob o ataque dos inimigos internos e externos. Assim o reconhece expressamente o texto da Constituição:
E como as portas do inferno se insurgem de todas as partes de dia para dia com crescente ódio contra a Igreja divinamente estabelecida, a fim de fazê-la ruir, se pudessem, Nós julgamos necessário para a guarda, para a incolumidade e para o aumento da grei católica, após a aprovação do Concílio, propor a crença dos fiéis a doutrina sobre a instituição, a perpetuidade e a natureza do santo primado Apostólico, no qual reside a força e a solidez de toda a Igreja, segundo a fé antiga e constante da Igreja universal, proscrevendo e condenando os erros contrários, tão perniciosos à grei do Senhor.
Não será ocioso recordar a firme e categórica definição dogmática a respeito do Primado contida no cânon da Constituição:
Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra, seja excomungado.
Recordemos que se trata de um dogma de nossa fé. No entanto, a partir do Concílio Vaticano II esta doutrina tem sido, direta ou indiretamente, questionada ou, pelo menos, reinterpretada. De fato, nenhum texto conciliar põe em dúvida o Primado; pelo contrário, a Constituição Dogmática Lumen Gentium ratifica plena e expressamente a doutrina do Vaticano I. O problema tem consistido na introdução, da parte do Vaticano II, da questão da chamada ‘colegialidade’, termo nunca definido com propriedade com o qual se fazia referência à doutrina acerca dos bispos que junto com o Papa governam a Igreja. É certo que o Vaticano I havia deixado sem tratar este vital ponto; mas não é menos certo que o Vaticano II não foi além de cunhar o termo colegialidade sem defini-lo e abrindo a porta a multidão de incertezas e equívocos. Esta colegialidade tem sido, de fato, uma fonte de constantes equívocos que nos levou a esta ‘Igreja sinodal’ mais próxima do protestantismo que da Fé Católica. Renovar e afiançar esta doutrina é, portanto, nossa primeira arma.
A segunda arma é renovar o amor ao Papa como sinal distintivo da identidade católica. Como dizia Dom Bosco, três amores definem essa identidade: o amor a Jesus Sacramentado, o amor à Santíssima Virgem e o amor ao Romano Pontífice. Mas é possível amar sempre ao Papa e, em todo caso, que sentido tem esse amor? É próprio de si que o amor ao Papa não se identifica exatamente com o maior ou menor afeto que possamos professar pela figura da pessoa que ocupa, acidentalmente, a cadeira de Pedro. Se fosse assim nem sempre seria possível amar ao Papa. Com efeito, ao longo da história sentaram-se na cadeira petrina homens de toda classe e condição: grandes doutores e sábios e homens de limitado intelecto, membros de nobres famílias e filhos de camponeses humildes, grandes santos e pecadores abomináveis, mártires que derramaram seu sague e pusilânimes que negaram Cristo. Toda esta multicolorida sucessão de personagens díspares responde, sem dúvida, à admirável pedagogia de Deus que podemos definir nestes termos: Deus quer que sua Onipotência brilhe na impotência dos homens; assim fica claramente manifesto que é Deus quem rege a Sua Igreja e a conserva apesar, muitas vezes, dos homens. No entanto, é também sua manifesta vontade que não quis prescindir destes homens.
Então se exige que amemos esses homens? Não exatamente: o que se nos exige é amar o mistério insondável de Cristo que habita neles além e por cima de suas qualidades pessoais. Neste homem concreto, neste Papa, se realiza o mistério da união de Cristo com sua Igreja e esplende visivelmente a invisível Cabeça que a rege e governa. O que amamos no Papa é a grandeza do Papado que se realiza em cada um daqueles que ao longo dos séculos Deus convocou para ser seus vigários na terra.
Não se trata, portanto, de afeto mas de amor. Que este amor seja a força que nos leve a resistir e a esperar nesta hora de tribulação da Esposa de Cristo.”
(Mario Caponnetto, ¿Cómo será el Papado después de Francisco?)

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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Destruir a Missa Nova


“Qual é a crise que estamos atravessando atualmente? Manifesta-se, no meu entender, sob quatro aspectos fundamentais para a Santa Igreja. Manifesta-se, à primeira vista, acredito eu, e me parece que é um dos aspectos mais graves, porque, para mim, se se estuda a história da Igreja, dá-se conta de que a grande crise que atravessou o século XVI, crise espantosa, que arrebatou à Santa Igreja milhões e milhões de almas, regiões inteiras, Estados na sua totalidade, esta crise foi, antes de tudo, uma crise do culto litúrgico; e que, se atualmente existem divisões entre aqueles que se dizem cristãos, há que se atribuir mais que a outras causas à forma de celebrar o culto litúrgico; e se os protestantes se separaram da Igreja, a causa principal é que os instigadores do protestantismo, como Lutero, disseram, desde o primeiro momento: "Se queremos destruir a Igreja temos que destruir a Santa Missa". Esta foi a chave de Lutero.
Tinha-se dado conta de que, se chegasse a por as mãos na Santa Missa, se conseguisse reduzir o Sacrifício da Missa a uma pura refeição, a uma comemoração ou recordação, a uma significação da comunidade cristã, a uma rememoração ou memorial da Paixão de Nosso Senhor e, como consequência, que ficasse mais débil o mais sagrado que há na Igreja, o mais santo que nos legou Nosso Senhor, o mais sacrossanto, ele conseguiria destruir a Igreja. E certamente, conseguiu, por desgraça, arrebatar à Igreja nações inteiras, obrando dessa forma.
A Missa, um sacrifício
Pois bem. Hoje existe uma tendência, que ninguém pode negar, de pôr as mãos sobre a Santa Missa. Chega-se a alterar coisas que são essenciais na Santa Missa. E quais são estas coisas essenciais, na Santa Missa? Em primeiro lugar, a Santa Missa é um sacrifício. Um sacrifício não é uma refeição. Mas, na atualidade, se quis desterrar até a palavra sacrifício. Fala-se de Ceia Eucarística, fala-se de comunhão eucarística..., fala-se de tudo o que se quer, com tal de não mencionar sequer a palavra sacrifício.
E, apesar disso, a Missa é, essencialmente, um sacrifício, o Sacrifício da Cruz; não é outra coisa. Substancialmente, o Sacrifício da Cruz e o Sacrifício da Missa são a mesma coisa e o mesmo e único Sacrifício.
Não há outra mutação que na forma de oblação. Nosso Senhor se ofereceu de uma forma sangrenta, cruenta, no altar da Cruz, sendo Ele mesmo o Sacerdote e a Vítima. E sobre nossos altares, se oferece, sendo igualmente o Sacerdote e a Vítima, por ministério dos sacerdotes.
Somente o sacerdote é o Ministro consagrado pelo Sacramento da Ordem, configurado, pelo Caráter, ao Sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecendo o Sacrifício da Missa, na pessoa de Cristo: "in persona Christi".
A presença real
Se se tira a Transubstanciação da Missa... Já que vos falei de Sacrifício, falemos agora da segunda coisa necessária, essencial, que é a Presença Real de Nosso Senhor, na Sagrada Eucaristia. Se se elimina a Transubstanciação... Esta palavra é de uma importância capital, porque, ao suprimi-la, se omite a presença real, e deixa, portanto, de haver Vítima.
Deixa de haver Vítima para o Sacrifício. E, portanto, deixa de haver Missa. Dizendo de outra maneira: deixa de existir Sacrifício e nossa Missa é vã. Ficamos sem Missa. (Deixou de ser o Sacrifício que nos deu Nosso Senhor, na Santa Ceia e na Cruz, e que mandou os Apóstolos o perpetuarem sobre o altar). É o segundo elemento indispensável. Primeiro, o Sacrifício, logo, a Presença Real. Falemos agora do Caráter sacerdotal do Ministro.
É o sacerdote, não os fiéis
É o sacerdote o que recebeu o encargo, de Deus Nosso Senhor, para continuar o Sacrifício. E de nenhuma forma os fiéis. É certo que os fieis têm de se unir ao Sacrifício, unir-se de todo coração, com toda a sua alma, à Vítima, que está sobre o altar, como deve fazer também o sacerdote. Mas os fiéis não podem oferecer, de forma alguma, o Santo Sacrifício, "in persona Christi", como o sacerdote.
O sacerdote está configurado ao Sacerdócio de Cristo, está marcado para sempre, para a eternidade. "Tu es sacerdos in aeternum"... Somente ele pode oferecer verdadeiramente o Sacrifício da Missa, o Sacrifício da Cruz. E, por conseguinte, somente ele pode pronunciar as palavras da Consagração.
De joelhos!
Não é normal que os leigos se coloquem ao redor do altar e que pronunciem todas as palavras da Missa, junto com o sacerdote. Porque eles não são sacerdotes no sentido próprio em que o é o sacerdote consagrado. Tampouco podemos considerar como coisa normal o ter suprimido todo sinal de respeito à Presença Real. À força de não ver nenhum respeito à Sagrada Eucaristia, acaba por não se crer na Presença Real. E quem se atreverá a chegar, por tal caminho, a coisa parecida, depois de meditar a divina Palavra, segundo a qual "ao nome de Jesus, que se dobre todo joelho, no céu, na terra e nos infernos"? Se somente ao nome há que ajoelhar-se, vamos permanecer de pé, quando está presente em realidade, na Sagrada Eucaristia?
Ao lugar onde se oferece um sacrifício, se dá o nome de altar. Por isso, não se pode aceitar, como substituto do altar, uma mesa comum, destinada às refeições, que, segundo recordava São Paulo, se encontram nos refeitórios das casas, para comer e beber. O altar tem que ser peça que não se traslade e onde se oferece e se derrama o sangue. No momento em que se converte o altar em mesa de refeitório se deixa de ser altar.
Tomado do protestantismo
Suprimir todos os altares que são verdadeiramente tais, pôr, em seu lugar, uma mesa de madeira, diante do altar que foi solenemente consagrado, é, precisamente, fazer desaparecer a noção de Sacrifício, que vimos é de importância capital para a Igreja Católica. E é desta forma como chegou e se consolidou o protestantismo. Por esta desaparição da ideia de Sacrifício, passou a Inglaterra inteira ao cisma e logo à heresia.
... Deslizando, deslizando, pouco a pouco, vamos tornar-nos protestantes, sequer sem dar-nos conta.”
(Mons. Marcel Lefebvre, La Misa Nueva)

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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Breves considerações sobre o Arcebispo Viganò

"O Arcebispo Carlo Maria Viganò, em um texto enviado ao blog Chiesa e post concílio, disse coisas muito importantes e que devem ser objeto de profundas considerações. Ainda que pese nele algo de liberal quanto à sua formação política e filosófica e certa ingenuidade quanto a Bento XVI, o que nos interessa aqui são as verdades que ele disse de maneira corajosa especialmente nesse texto. Ele inicia citando o Bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, D. Athanasius Schneider, que discorria em um artigo sobre os erros do documento da Fraternidade Universal firmado pelo Papa Francisco e um imã em Abu Dhabi, Emirados Árabes, ano passado. Nesse terrível documento, afirma-se que Deus quis, em sua infinita sabedoria, a pluralidade das religiões como quis as de raça e sexo, afirmação que o Papa Francisco atribuiu à vontade permissiva de Deus. D. Schneider, no referido artigo demonstrou o erro dessa afirmação e não apenas isso, atribuiu a ela uma relação de causa e efeito entre o Concílio Vaticano II e esse documento. 
Viganò inicia de forma elogiosa a refutação de D. Schneider ao documento de Abu Dhabi, sem deixar de lhe corrigir alguns pontos equivocados de sua argumentação quando, por exemplo, o Bispo de Astana afirma que o documento conciliar (Dignitatis Humanae), no qual se encontra em germe a ideia da fraternidade universal expressa em Abu Dhabi, poderá ser revisto por um outro papa no futuro, porque certos documentos de outros concílios também o foram ao longo da história, dando, como exemplo, certas disposições sobre judeus e muçulmanos. Ora, essas disposições não eram heréticas e visavam a salvaguardar a cidadela cristã, o que é bem diferente de Dignitatis Humanae, que contém elementos que levam à apostasia e à perda de fé. Após esse preâmbulo, Viganò passa, então, ao problema central da questão: o Concílio Vaticano II. Aqui ele destaca a afirmação dos defensores das novidades do Concílio em nome de um dito “espírito do Concílio”: “Nunca se falou de ‘espírito do Concílio de Nicéia’ ou de ‘espírito do Concílio de Ferrara-Florença’, muito menos do ‘espírito do Concílio de Trento’, assim como nunca tivemos uma era ‘pós-conciliar’ depois de Latrão IV ou Vaticano I. A razão é óbvia: esses Concílios eram todos, indiscriminadamente, a expressão em uníssono da voz da Santa Madre Igreja, e por essa mesma razão, a voz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Significativamente, aqueles que mantêm a novidade do Vaticano II também aderem à doutrina herética que coloca o Deus do Antigo Testamento em oposição ao Deus do Novo Testamento, como se pudesse haver contradição entre as Pessoas divinas da Santíssima Trindade. Evidentemente essa posição, que é quase gnóstica ou cabalística, é funcional para a legitimação de um novo sujeito voluntariamente diferente e oposto à Igreja Católica”. Nessas breves palavras, Dom Viganò reconhece que há uma oposição entre o Vaticano II e a Igreja Católica, e que quem adere ao Concílio se opõe a Nosso Senhor Jesus Cristo, porque proclama uma voz que não é a de Cristo e sim a de um “espírito do Concílio”.
Dom Viganò, em outras ocasiões, já havia assinalado a conspiração maçônica que movera o Concílio pelos bastidores e pela infiltração. No entanto, agora, ele próprio, em um gesto de profunda humildade, admite que também errou, ou por ingenuidade ou por falta de senso da realidade. Ele prossegue: “Também cometemos o erro, entre outros, de considerar nossos interlocutores como pessoas que, apesar das diferenças de ideias e fé, ainda eram motivadas por boas intenções e que estariam dispostas a corrigir seus erros se pudessem abrir-se para a nossa fé. Juntamente com numerosos padres do Concílio, pensamos no ecumenismo como um processo, um convite que chama dissidentes à única Igreja de Cristo; idólatras e pagãos ao único Deus verdadeiro; e o povo judeu ao Messias prometido. Mas a partir do momento em que foi teorizado nas comissões conciliares, o ecumenismo se configurou de uma maneira que estava em oposição direta à doutrina anteriormente expressa pelo Magistério. Pensamos que certos excessos eram apenas exageros daqueles que se deixaram levar pelo entusiasmo, pela novidade: acreditamos sinceramente que ver João Paulo II cercado por encantadores-curandeiros, monges budistas, imãs, rabinos, pastores protestantes e outros hereges, comprovava a capacidade da Igreja de reunir pessoas para pedir paz a Deus. Esta ação como exemplo oficial, iniciou uma sucessão desviante de Panteões que eram mais ou menos oficiais, a ponto de ver Bispos carregando sobre seus ombros o ídolo imundo da Pachamama, escondido de forma sacrílega sob o pretexto de ser uma representação da maternidade sagrada”. 
Eis aí, nada poderia estar mais de acordo com D. Lefebvre, que não foi tão ingênuo naquela época do panteão de Assis e viu com clarividência profética o desastre que se desenrolava diante de todos. Dom Viganò, embora não cite Dom Lefebvre, ao menos tem a humildade de admitir que errou em não ser capaz de ver que isso era o que estava preparado desde o início pelos inimigos de Deus e que penetrou na Igreja pelo “espírito do Concílio”, como ele corajosamente agora reconhece: “Se a Pachamama pôde ser adorada em uma igreja, devemos isso à Dignitatis Humanae, se temos uma liturgia protestante e às vezes paganizada, devemos isso à ação revolucionária de Dom Bugnini e às reformas pós-conciliares. Se a Declaração de Abu Dhabi foi assinada, é graças à Nostra Aetate. Se chegamos ao ponto de delegar decisões às Conferências Episcopais, mesmo em grave violação da Concordata, como aconteceu na Itália, devemos isso à colegialidade. Graças à sinodalidade, encontramo-nos com Amoris Laetitia tendo de procurar uma maneira de impedir que aparecesse o óbvio para todos: que esse documento, preparado por uma impressionante máquina organizacional, visava a legitimar a comunhão para os divorciados e os concubinários, assim como Querida Amazônia será usada para legitimar mulheres sacerdotes (caso muito recente o de uma “vigária episcopal” em Freiburg) e a abolição do santo celibato”. 
Como se vê, Viganò não mitiga os danos do Concílio, porque, longe de ser 5% ruim, o Concílio, em bloco, é uma oposição à doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, e como tal deve ser rejeitado até que a autoridade competente o condene juntamente com seus frutos envenenados. Mas continuemos com Viganò: “O Concílio foi usado para legitimar os desvios doutrinais mais aberrantes, as inovações litúrgicas mais ousadas e os abusos mais inescrupulosos, enquanto a autoridade permanecia calada. Esse Concílio foi tão exaltado que foi apresentado como a única referência legítima para católicos, clérigos e bispos, obscurecendo e conotando com um senso de desprezo a doutrina que a Igreja sempre ensinara com autoridade e proibindo a liturgia perene que, por milênios, nutriu a fé de uma linhagem ininterrupta de fiéis, mártires e santos”. E, finalmente, uma comovente confissão merecedora de todo nosso apoio: “Confesso com serenidade e sem controvérsia: fui uma das muitas pessoas que, apesar de muitas perplexidades e medos que hoje se revelam absolutamente legítimos, confiavam na autoridade da Hierarquia com obediência incondicional. Na realidade, penso que muitas pessoas, incluindo eu mesmo, não consideraram inicialmente a possibilidade de que pudesse haver um conflito entre obediência a uma ordem da Hierarquia e fidelidade à própria Igreja. O que tornou tangível essa separação antinatural, de fato, eu diria perversa, entre a hierarquia e a Igreja, entre a obediência e a fidelidade, foi certamente este mais recente pontificado”. 
Após diagnosticar o fracasso e engodo de uma tal hermenêutica da continuidade, ele acrescenta: “É inegável que a partir do Vaticano II foi constituída uma igreja paralela, sobreposta e diametralmente oposta à Igreja de Cristo. Essa igreja paralela obscureceu progressivamente a instituição divina fundada por Nosso Senhor, a fim de substituí-la por uma entidade espúria, correspondente à religião universal desejada, que foi primeiramente teorizada pela maçonaria”. 
Haveria muito mais para dizer sobre as palavras de Dom Viganò, mas deixamos que ele mesmo falasse com a propriedade de quem conhece profundamente bem as motivações reais dos que ocupam, desde mais de meio século, a hierarquia da Igreja. Ele conclui: “Assim como honesta e serenamente obedeci a ordens questionáveis sessenta anos atrás, acreditando que elas representavam a voz amorosa da Igreja, assim também hoje, com igual serenidade e honestidade, reconheço que fui enganado. Ser coerente hoje, mas perseverando no erro, representaria uma escolha miserável e me tornaria cúmplice dessa fraude (...). Todos sabíamos que o Concílio seria mais ou menos uma revolução, mas não poderíamos imaginar que isso seria tão devastador, mesmo para o trabalho daqueles que deveriam impedir isso (...). Domingo passado a Igreja celebrou a Santíssima Trindade, e o breviário nos oferece a recitação do Symbolum Athanasianum, agora proibido pela liturgia conciliar e já reduzido a apenas duas ocasiões na reforma litúrgica de 1962. As primeiras palavras desse Symbolum, agora desaparecido, permanecem inscritas em letras de ouro: “Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est ut teneat Catholicam fidem; quam nisi quisque integram inviolatamque servaverit, absque dubio in aeternum peribit.” – Todo aquele que quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica: porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade”. 
Que Deus o proteja, Excelência!" 
(Carlos Bezerra, Breves Considerações sobre o Arcebispo Carlo Maria Viganò)

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Contra as “missas animadas”


“A intrínseca perversidade do neomodernismo se comprova por sua inclinação malsã a entender o Rito divino da Missa como o resultado de perspectivas histórico-culturais que o fariam indefinidamente modificável segundo as diferentes sensibilidades dos destinatários.
A banalização da Religião, a tendência a confiná-la dentro de uma experiência psicológica oscilante entre as falsas alternativas representadas por um estéril intimismo consolador e por manifestações efusivas da assembleia, denotam as raízes da crise que insidia a integridade doutrinal e institucional da Igreja, submergindo-a nas proclamações de um ecumenismo confuso e antidogmático.
Quem quer que não se deixe condicionar pelos sofismas e pelos preconceitos ateológicos do progressismo não tardará a dar-se conta dos efeitos espiritualmente nocivos que se originam da pretensão de adaptar a Religião ao homem moderno, pretensão considerada como o resultado de um processo evolutivo natural e benéfico.
As reformas pós-conciliares facilitaram a dessacralização da liturgia, esvaziando-a de sua essência de ato sacrificial e propiciatório, cumprido pelo Senhor em benefício das almas e de sua salvação eterna.
A divina Liturgia, submetida pela agressão profanadora da pseudoteologia neomodernista a perder sua originária finalidade sobrenatural em uma atmosfera caracterizada pela sucessão de cantos e danças completamente estranhos à sacralidade do Rito, denuncia a presunçosa centralidade de uma assembleia que se autoafirma como artífice de uma nova consciência ‘religiosa’ apta a acolher os limitados horizontes do espírito mundano.
Devido às ambíguas atualizações ditadas pela inatural busca de um entendimento com os invasivos ‘idola mundi’, faz-se cada vez mais árduo aproveitar a imensa riqueza dos tesouros espirituais libertados pela Paixão redentora de Jesus. A desconsagração dos altares, imediatamente substituídos por mesas sem adornos, adaptadas à reevocação simbólica e narrativa da Ceia do Senhor, é a mais desconcertante manifestação da crise que repercute tragicamente nos diversos contextos do mundo contemporâneo, condenado ao suicídio por um ceticismo deformado e pela pertinaz vontade de institucionalizar a desordem moral e civil.
A isso se une a desvalorização do sacerdócio, ordenado por Deus para a reatualização do Sacrifício do Calvário, mas degradado pelo reformismo conciliar à direção ‘pastoral’ de uma assembleia que afirma seu arbitrário protagonismo, reduzindo a celebração eucarística a alegre ocasião convivial e desposando (segundo o conselho e a imposição de seu ‘presidente’) o já quase universal costume profanador da ‘Comunhão na Mão’.
Se a aberrante concepção da Missa como espetáculo que pressupõe uma adequada animação exibicionista é o que trouxe a culpável aquiescência à venenosidade apostática do neomodernismo, o sacrossanto dever de minar o influxo corrosivo não pode não se fundar em uma confiante devoção aos Dois Corações de Jesus e Maria, que guiam e unem os que professam a verdadeira Fé no caminho à bem-aventurança celeste.”

http://adelantelafe.com/las-misas-animadas

terça-feira, 17 de março de 2020

Que valor têm os cardeais ‘conservadores’?


“Um fato recente e revelador:
O cardeal Raymond Burke devia celebrar uma missa em latim antigo no dia 15 de fevereiro na catedral de Ostuni, na Itália.
Então a diocese de Brindisi começou a intrigar, conforme noticiou o site LaNuovaBq.it.
O reitor da catedral exigiu que a missa fosse celebrada em privado e a portas fechadas. Somente os organizadores, alguns empresários, foram autorizados a participar.
Foi aí que Burke decidiu cancelar a missa.
Este fato, trivial em si, revela o estado de espírito dos bispos ‘conservadores’. Não é assim que um combatente da Fé como Monsenhor Lefebvre teria agido. Relembremos brevemente este estado de espírito do mundo rallié:
1º Eles não querem seguir plenamente a Tradição.
2º Eles querem estar em obediência.
3º Eles querem estar na legalidade (situação canônica regular); estar livres de censura.
4º Eles querem estar na Igreja; a Igreja é visível.
5º Eles querem trabalhar na ‘Igreja’ para que a Tradição recupere seu direito de cidadania.
6º Eles querem se opor ao ‘espírito de partido’ e ao ‘cisma’.
Monsenhor Lefebvre respondeu na teoria e na prática a todas essas objeções:
1º Seguir plenamente a Tradição consiste em conservar a fé, denunciar os erros, preservar a missa antiga por motivos de fé, rejeitar o Concílio em razão de sua oposição ao reino de Jesus Cristo. Os ralliés querem apenas se concentrar na missa e no catecismo... e ao final eles abandonam até a Missa quando ela prejudica a unidade pastoral da diocese!
2º Mons. Lefebvre lembra os fundamentos da verdadeira obediência: ‘Não é isso que nos ensina a lei natural, nem o Magistério da Igreja. A obediência supõe uma autoridade que dá ordens ou promulga leis. Até as autoridades humanas, instituídas por Deus, têm autoridade apenas para atingir a meta designada por Deus e não se desviar dela. Quando uma autoridade usa seu poder contra a lei pela qual esse poder lhe é concedido, ela não tem direito à obediência e é preciso desobedecê-la.’ Mons. Lefebvre teria obedecido ao bispo de Brindisi nessas condições?
3º O argumento de legalidade é baseado em uma desordem. O que pertence à Igreja é antes de mais nada a fé, a adesão a todas as verdades ensinadas pela Igreja. A lei, o direito canônico (o de 1917, é claro!) está a serviço da fé e da santificação das almas, e não o inverso. O cardeal Burke abandona o combate da Fé para obedecer ao bispo local.
4º Argumento para permanecer na Igreja visível. Mons.Lefebvre: ‘Esta história de Igreja visível de Dom Gérard e de M. Madiran é infantil. É inacreditável que se possa falar de Igreja visível para a Igreja Conciliar, em oposição à Igreja Católica, que estamos tentando representar e continuar. Eu não disse que somos a Igreja Católica. Eu nunca disse isso. Ninguém pode me acusar de alguma vez ter querido me considerar um papa. Mas nós realmente representamos a Igreja Católica tal como ela era antes, porque continuamos a fazer o que ela sempre fez. Somos nós que temos as notas da Igreja visível: a unidade, a catolicidade, a apostolicidade, a santidade. É isso que torna a Igreja visível.’ (Mons. Lefebvre, Fideliter No. 70, p. 6)
5º Trabalhar na Igreja? Existem duas ilusões: a ilusão de estar na Igreja Católica permanecendo na Igreja Conciliar, sujeito aos bispos modernistas que se afastam da fé católica; e a concepção errônea de autoridade: não é o inferior que tem poder de mudar algo na Igreja, mas o superior.
6º Opor-se ao espírito de cisma? Quanto a esta objeção, ela só existe para os que não conhecem a diferença entre a desobediência necessária a uma autoridade e a recusa de reconhecer esta autoridade pelo que é (como fazem os sedevacantistas). Desobedecer ao Papa não é se separar da Igreja, é preciso juntar outra coisa: constituir-se sua própria autoridade independente. Mons. Lefebvre nunca quis constituir ou criar uma igreja paralela. Ele não se cansava de repetir que seus bispos e padres não tinham jurisdição ordinária...
Para concluir sobre essa Missa anulada pelo Cardeal Burke em Brindisi, Mons. Lefebvre, de sua parte, a teria mantido firmemente, mesmo que isso significasse celebrá-la em frente à catedral ou em um estádio! Esta é a diferença entre os combatentes da Fé e os liberais.”

Original em: https://cristiadatradicinalista.blogspot.com

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Será uma desgraça o Sínodo da Amazônia?


“Sem questionar absolutamente a conclusão a que chegaram alguns ilustres dignitários eclesiásticos em seu juízo condenatório do Instrumentum laboris do próximo Sínodo da Amazônia, os quais o classificaram como herético e apóstata, desejaria apenas desenvolver algumas reflexões sobre a possibilidade de a referida assembléia episcopal, a ser mantida a orientação contida no Instrumentum laboris, constituir efetivamente, como pensam alguns, uma desgraça para a Igreja e uma ameaça para a soberania dos Estados da Região Amazônica.
Não me parece que as diretrizes que vierem a ser emanadas do Sínodo da Amazônia, ainda que tenham mais tarde uma repercussão e aplicação sobre toda a Igreja pós-conciliar, possam representar uma obra devastadora da Vinha do Senhor, corrompendo a fé e a moral dos pobres fiéis que ainda frequentam as paróquias Novus Ordo, com seus diáconos permanentes, suas ministras extraordinárias da Eucaristia, suas leitoras, salmistas, e as diversas pastorais e movimentos, como, por exemplo, a pastoral dos recasados, aliás, já admitidos, em grande medida, à recepção da sagrada Eucaristia.
Não creio que os católicos aggiornati, que em sua imensa maioria há décadas se acostumaram à nova liturgia e apoiam docilmente a famigerada campanha da fraternidade, venham a escandalizar-se e abandonar suas paróquias, caso as ministras da Eucaristia venham a ser “ordenadas” diaconisas e os diáconos permanentes se tornem padres casados. E caso sejam reincorporados os padres défroqués casados, os padres da Associação Internacional dos Padres Casados, que tinham apoio do então cardeal de Buenos Aires Jorge Maria Bergoglio, certamente a maioria dos católicos Novus Ordo não se oporá. Os católicos das paróquias renovadas por mais de cinqüenta anos de mudanças pós-conciliares vão encarar tudo com a maior naturalidade. E a Igreja do Vaticano II vai continuar sua marcha de ruptura com a Igreja de sempre, a Igreja Católica Romana, imutável em sua perene tradição.
Na verdade, o Sínodo da Amazônia vai limitar-se a divulgar urbi et orbi o que tem sido a prática pastoral e litúrgica constante dos rincões onde predomina a religiosidade reformada pela teologia neo-modernista do Vaticano II e dos ideólogos da teologia da libertação. Deste modo, o próximo sínodo cumprirá a missão para a qual foi estabelecido periodicamente na Igreja por Paulo VI: manter a Igreja em movimento, à luz do Vaticano II e da moderna produção teológica.
De maneira que todas aquelas aberrações litúrgicas e pastorais para as quais faziam vista grossa os predecessores de Bergoglio (se é que no fundo do coração não as aprovavam) agora, por ocasião do sínodo, vão conquistar maior amplitude, porque o erro é sempre mais contagioso quando promovido do alto. Este talvez seja o único problema do sínodo.
Causa-me aborrecimento ver alguns católicos conservadores (que eu chamaria filo-tradicionalistas por causa de sua simpatia pela liturgia romana antiga e por causa de algumas críticas que formulam a algumas reformas decorrentes do Vaticano II) desancando o bispo de Roma pela organização do Sínodo da Amazônia e acusando-o de romper com o magistério de seus predecessores imediatos, sobretudo no que concerne à teologia da libertação e à abertura aos ritos das religiões pagãs. Francisco poderia responder-lhes, se quisesse, dizendo que age com base no precedente da célebre controvérsia em torno dos ritos chineses. Estes ritos sincretistas, que produziram enorme confusão em detrimento das missões jesuíticas no Oriente ao tempo do Pe. Mateus Ricci, a princípio foram condenados e depois da supressão da Companhia de Jesus acabaram readmitidos. Francisco Bergoglio poderia também dizer aos católicos conservadores que admiram tanto João Paulo II que os novos ritos que provavelmente serão aprovados no próximo sínodo não serão nada extravagantes se comparados com a liturgia adotada nas viagens de João Paulo II a Papua-Guiné, quando uma mulher em topless fez leitura em sua missa, ou quando recebeu de uma sacerdotisa pagã o sinal de adorador de Shiva. Por que canonizar João Paulo II e desancar Francisco?
Inegavelmente cumpre dizer que há uma ruptura na Igreja pós-conciliar, mas é inaceitável que, por covardia, por oportunismo, por medo de escandalizar os devotos de João Paulo II que agora estão chocados com Francisco, não se diga onde reside a ruptura. Francisco não rompe com João Paulo II (nem sequer na questão da teologia da libertação), não rompe com Ratzinger (nem sequer na questão da admissão dos recasados à mesa da comunhão), não rompe com Montini nem com Roncalli. São todos estes que, na verdade, romperam com a tradição precedente ao Vaticano II. O que ocorre é que, ao contrário dos outros papas pós-conciliares que governaram a Igreja explorando as ambiguidades do Vaticano II e com isso conseguiram manobrar os incautos, os idiotas úteis, os companheiros de viagem, os ambiciosos por subir na carreira eclesiástica, Francisco não faz esse jogo político, não tenta enganar ninguém, mas diz claramente o que quer e aonde quer chegar.
Quanto à soberania do Brasil sobre a Amazônia, sinceramente parece-me ridículo pensar que as intrigas políticas de que o Sínodo possa vir a ser o teatro representem um perigo para a integridade do território nacional. O nosso presidente da República e o Exército Brasileiro têm plena consciência e responsabilidade para cumprir com valor sua missão de defesa da nação. Foi-se o tempo que as querelas teológicas podiam ter tanto alcance. Qual chefe de governo, hoje, lê as encíclicas papais e as põe em prática? Poderá haver muita verborragia demagógica e interesseira em torno da preservação das florestas, mas o Brasil saberá defender seus direitos.
De modo que, se cabe falar em desgraça para a Igreja ou ameaça para o Brasil decorrentes do Sínodo da Amazônia, é preciso que se aponte a sua fonte mais longínqua. A fonte não é o nosso Amazonas, a fonte não é o Tibre que passa a poucas quadras de distância do Vaticano, a fonte é o Reno, a fonte é a Nouvelle Theologie, que dominou a mente de todos os papas pós-conciliares e hoje avança sob o pontificado de Francisco.
Mas tenho plena confiança de que, se Deus permite tanta confusão em sua Igreja, é porque dessa barafunda toda há de tirar um bem muito maior; é porque obrigará os católicos a tomar uma posição (ou são católicos fiéis à tradição ou são modernistas, não é possível meio termo); é porque Deus obrigará os homens de fé, os teólogos de grande descortino, a aprofundar ainda mais seus estudos para esclarecer todos os pontos controvertidos, para fazer triunfar sobre o erro insidioso a verdade imutável e, por fim, o dogma brilhar com mais fulgor em toda a Igreja, para glória do nosso Divino Salvador e de nossa Mãe Maria Santíssima e para o bem de todos os que os amam e servem.
Portanto, se há desgraça e ameaça no Sínodo da Amazônia, os atingidos por tal desgraça não seremos nós os católicos da tradição. Desgraçados e ameaçados serão os católicos funâmbulos, os católicos do Instituto João Paulo II reestruturado por Francisco, os católicos ditos conservadores que preferiram ficar em cima do muro nestes últimos anos, servindo a uma Igreja que não é plenamente tradicional nem plenamente modernista. Estes serão os desgraçados.”

http://santamariadasvitorias.org

domingo, 2 de junho de 2019

Por que a FSSPX está errada sobre a carta contra as heresias do Papa Francisco

“A FSSPX escreveu uma declaração sobre a carta, mencionada aqui várias vezes, que pede aos bispos que convidem Francisco a se retratar de suas muitas heresias ou o deponham. A declaração é bastante crítica. Penso que seja, também, um grande erro.
A Fraternidade obviamente ressalta as muitas heresias deste Pontificado. Eles destacam que Francisco é o resultado de um movimento, o Vaticano II, que vem acontecendo há décadas. Mas então eles condenam a carta baseados no argumento de que as chances de sucesso são inexistentes, e que os bispos destinatários não são suficientemente instruídos e afinal de contas não desejam agir.
Com este raciocínio, minha pergunta à FSSPX é por que eles mesmos pensam que deveriam existir, para início de conversa. A probabilidade de o Colégio dos Cardeais (para não falar dos bispos do mundo inteiro) se converter ao Catolicismo Tradicional é ainda menor que a probabilidade de eles acusarem o Papa de heresia.
Se é suficiente orar e não fazer nada, esperando que Deus modifique a situação, então a FSSPX poderia da mesma forma se dissolver e explicar a todos seus seguidores que “é bastante provável, até mesmo certo, que a maior parte dos bispos não irá reagir” a seu convite de abandonarem as inovações do Vaticano II.
Nem pode a FSSPX dizer, em sua defesa, que agem esperando que futuras gerações voltarão à sanidade; porque isto é exatamente o que os signatários da carta estão fazendo.
O princípio básico, que escapa completamente aos autores da declaração, é que as coisas são feitas porque são corretas. A probabilidade de sucesso não está aqui nem ali. Não consigo imaginar Atanásio, ou os guerrilheiros franceses lutando contra a ocupação nazista, ou tantos guerreiros em tantas guerras, físicas e espirituais, pensando na “probabilidade de sucesso” como elemento decisivo para lutar ou não.
Quando o Arcebispo Lefebvre se recusou a fechar seu seminário, ou quando nomeou seus bispos, ele assim o fez porque era a coisa correta a fazer. Esta foi a luz guia por trás das decisões que foram, de certo modo, inéditas na história da Igreja. Mas se olharmos para o mundo, não podemos certamente dizer que a FSSPX tem sido um “sucesso”, pois quase cinquenta anos depois a Igreja só ficou mais corrupta. Será que devemos, então, dizer, a respeito da FSSPX, que “o fracasso de uma tal iniciativa ridicularizou o autor (Lefebvre) e sua causa”?
Certamente que não.
Você faz o que tem que fazer. Se o resultado é zero nesta época em que vivemos, o céu ainda perceberá a ação. Além disso, todas estas iniciativas são como o fermento que, com a graça de Deus, trará resultados algum dia.
Um dia, a história vai registrar que vozes corajosas se levantaram exigindo ação em vista do espetáculo impressionante de um Papa herético. Eles saberão que nem todos ficaram silentes, e nem todos estavam prontos para aceitar a passividade dos bispos. Eles saberão que os assinantes da carta, com todos seus simpatizantes, quiseram desmascarar a vergonha da passividade de seus bispos para todas as futuras gerações. Eles saberão que tais iniciativas querem dar testemunho de que a Igreja é indefectível e, quaisquer que sejam os problemas, sempre haverá aqueles que permanecem leais à verdadeira fé.
Isto é, mais uma vez, o raciocínio por trás da existência mesma da FSSPX. Que eles a critiquem, e cheguem ao ponto de dizer que esta iniciativa “pode ridicularizar os autores e sua causa” é profundamente infeliz e deveria, se me perguntam, ser causa de um profundo constrangimento dentro da organização.
A FSSPX não deveria criticar esta carta. Eles deveriam ser os que a escreveram.
Não com alguma esperança de “sucesso”, é claro. Mas a fim de dar testemunho às futuras gerações da luta dos fiéis, e da vergonha dos mercenários.”

https://mundabor.wordpress.com

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Christopher Fleming: A fortaleza abandonada


"Pouco antes de sua execução por Henrique VIII, o rei da Inglaterra de infausta memória, o bispo São João Fisher pronunciou estas dramáticas palavras: A fortaleza foi abandonada pelos que a tinham que defender.
Não se referia a uma invasão de seu país por uma nação estrangeira ou uma horda de bárbaros; nem sequer se lamentava do cisma provocado por uma luxúria de seu rei. Seu pesar foi sobretudo pela TRAIÇÃO de seus irmãos bispos, que um após outro abençoaram o falso matrimônio entre Henrique VIII e Ana Bolena. Não só pisotearam o sacramento original, ao permitirem o divórcio do matrimônio válido e consumado com Catarina de Aragão, tia carnal do imperador Carlos I da Espanha, como também traíram a mesma Igreja a que Jesus Cristo fundou ao separarem-se de Roma, sob uma nova "Igreja da Inglaterra", cuja cabeça era o rei. Muitos hoje em dia se assombram que todo o episcopado inglês pudesse apostatar desta maneira, com a única exceção do mártir Fisher. Parece inverossímil que os bispos vendessem sua alma para manterem seus postos (e suas cabeças), sabendo perfeitamente o que estava em jogo. No entanto, não deveria nos surpreender o ocorrido na Inglaterra no século XVI, porque está ocorrendo outra vez hoje, diante de nossos próprios narizes.
No domingo passado tive que assistir à Missa do primeiro aniversário do falecimento de um familiar, com o infortúnio de que foi no templo dos jesuítas. Dado que os conheço e que procuro cuidar de minha alma, não costumo pisar em igreja jesuíta, mas me propus isolar-me mentalmente com meu Rosário, como cada vez que tenho que assistir a uma Missa moderna. Ia bem até a metade da homilia. Era uma homilia tipicamente modernista: o importante era a experiência de seguir Jesus. A religião católica se reduzia a uma emoção, a um subjetivismo absoluto, como se a revelação divina não tivesse conteúdo claro e imutável. Tudo era um caminho, uma vivência. Havia ouvido mil vezes a mesma estupidez e continuei rezando sem alterar-me. Logo o sacerdote disse algo que me deixou gelado, algo que não esperava, nem sequer de um jesuíta modernista, neomarxista. Entre uma heresia e outra, pôs-se a falar dos chamados "refugiados", que não são tal coisa, mas isso deixamos para outro artigo. O homem teve a ousadia de dizer, DO PÚLPITO, que quem quisesse fechar as fronteiras aos "refugiados" era porque não cria em Deus. Nesse momento me levantei e saí da igreja.
Dizia que conhecia os jesuítas. Em aula de catequese de confirmação escutei um jesuíta (não o da Missa de domingo passado, mas dá no mesmo, porque seguem o mesmo padrão) negar o dogma da Imaculada Conceição. Eu era muito mais jovem e bem mais ignorante que agora, mas ainda assim sabia que o que ele dizia estava errado. Quando tentava rebater seus argumentos, se enfurecia. Uma vez, por afirmar que era possível estar a favor da pena de morte e ser pró-vida, chegou a insultar-me aos gritos e me expulsou de sua aula. Agora me parece incrível que um jesuíta, com uns 12 anos de formação teológica, pudesse perder a calma pelas objeções de um jovem catecúmeno, que só defendia o que está em qualquer catecismo. Ao final, para poder crismar-me, tive que aprender a morder-me a língua e fingir. A experiência com os jesuítas me ensinou que a Igreja Católica estava seriamente enferma. Os que antes foram os mais ferozes e leais guardiães da fé haviam-se tornado uma quinta coluna. Em vez de lutar pela glória de Deus, como pregava seu fundador, Santo Inácio de Loyola, lutavam, com um ódio realmente diabólico, por destruir o que restava da ordem social cristã.
Nesse momento não entendia as razões desta traição da Companhia de Jesus. Doía-me enormemente comprovar como uma ordem que havia dado tão bons frutos para Deus havia-se apodrecido por completo. Vem-me à cabeça a máxima: "corruptio optima pessima" (a corrupção do melhor é o pior). À época, com o Papa João Paulo II, os jesuítas ultramodernistas, que desde pelo menos a metade do século XX haviam sido a ponta de lança da infiltração modernista na Igreja, ainda eram mal vistos na maioria dos círculos eclesiais. No entanto, desde a eleição do jesuíta Jorge Bergoglio como Papa, viraram a mesa. Já gozam de liberdade absoluta para difundir seu veneno por toda a Igreja, porque a máxima autoridade é um dos seus. Pode-se dizer sem medo de errar que a Companhia de Jesus traiu a fortaleza que tinha que defender, mas a maior traição comete quem está no comando. Vejamos as traições de Francisco.
A primeira visita do Papa Francisco fora de Roma em 2013 foi à ilha siciliana de Lampedusa, onde celebrou uma Missa para os imigrantes que haviam morrido tentando cruzar o Mediterrâneo. Teve o detalhe de felicitar o Ramadã aos muçulmanos presentes. Denunciou a dureza de coração da Europa frente ao sofrimento dos países em guerra e apelou à solidariedade para com os "refugiados". Durante a campanha presidencial estadunidense, disse que o candidato republicano Donald Trump não era cristão, por querer construir um muro na fronteira com o México, em vez de estender pontes. Não perdeu a oportunidade de atacar qualquer grupo político que pleiteia defender suas fronteiras da imigração massiva e descontrolada. Quanto ao maior perigo que ameaça o Ocidente, o Islã, que fez este Papa para proteger a civilização cristã? Não só não a protege, como tem insistido repetidas vezes na grande mentira de que o Islã é uma religião de paz, e nos insta a abrir-lhe as portas da Europa. Em lugar de pregar o Evangelho, prega o indiferentismo religioso. Toda vez que se reúne com seus amigos rabinos e muftis para plantar uma oliveira da paz, poucos dias depois se comete uma nova atrocidade em nome de Alá. Não sai uma só palavra de denúncia de sua boca contra o terrorismo islâmico, porque o alvo de suas invectivas sempre somos os poucos católicos que ainda cremos nos dogmas de fé: os rígidos e intolerantes tradicionalistas. É um homem contagiado com o vírus liberal: o ódio a si mesmo.
Enquanto Francisco se lamenta pelo sistema econômico desumano que existe no mundo, alia-se com os mesmos globalistas que o construíram. Repreende os católicos por "obcecarem-se" com o tema do aborto, enquanto recebe com sorrisos e adulações a marxista e abortista Emma Bonino. Dói-lhe terrivelmente a morte de Fidel Castro, e distribui abraços a todo tipo de indesejáveis no Vaticano. No entanto, nega-se a receber a família de Asia Bibi, uma pobre mulher paquistanesa, sentenciada à morte por ser católica. Permite que se questione a indissolubilidade do matrimônio, e insulta os poucos bispos que lhe formulam perguntas respeitosas a respeito. Frente à ofensiva do lobby gay para legalizar o sodomônio em todo o Ocidente, sua única resposta é "quem sou eu para julgar?" Diante do inverno demográfico da Europa, ocorre-lhe insultar os católicos que querem receber a todos os filhos que Deus lhes queira dar, como sempre se fez, dizendo que "não faz falta parir como coelhos". Ri-se dos católicos que preferem a Missa tradicional, enquanto aplaude vergonhosos espetáculos de tango na liturgia ou lava os pés de uma muçulmana no rito da quinta-feira santa. Quer que todo mundo o veja como um homem humilde, por viajar de ônibus e viver em um apartamento simples, mas se nega redondamente a ajoelhar-se ante o Senhor na Eucaristia.
Até teve a desfaçatez de comparar a evangelização católica das Américas com a expansão sangrenta do Islã. Quem quer que tenha um mínimo conhecimento histórico sabe que o Islã sempre expandiu suas fronteiras com a espada, tal como o fez em seu tempo Maomé. A religião católica também se expandiu com sangue, mas com o sangue de seus mártires. Como jesuíta, Francisco deve conhecer a história de Santo Isaac Jogues, o evangelizador dos índios iroqueses do Canadá. Esse mártir foi torturado tão cruelmente pelos iroqueses que apenas o reconheceram quando conseguiu voltar à civilização e foi proclamado um "mártir em vida" pelo Papa Urbano VIII. Apesar dos evidentes perigos, o santo quis retornar ao Canadá, onde finalmente foi assassinado pelos Mohawks. Se esse mártir tivesse seguido os conselhos do Papa Francisco, que considera o proselitismo "uma solene bobagem", nunca se teria movido de sua França natal. As palavras de Francisco são um insulto à memória de todos os missionários que arriscaram (e em muitas ocasiões perderam) sua vida para trazer almas à Igreja. Equiparar o Islã e outras falsas religiões à religião católica é pior que um insulto: é uma blasfêmia.
Por acaso é melhor esse Papa que os bispos desertores da Inglaterra no século XVI? NÃO, É PIOR. Muito pior. Porque há um agravante importante no caso de Francisco. Ele não corre o perigo de ser torturado e decapitado por agir e falar como deveria. Se dissesse a verdade sobre o Islã, se pregasse a favor da civilização cristã, se defendesse a família e o direito à vida, não lhe aconteceria nada. Simplesmente não gozaria do status de superestrela midiática que tem atualmente. Deixaria de ser um ídolo de todos os progressistas, de todos os inimigos do Ocidente. Os meios de comunicação de massas já não o adulariam como fazem agora. Os futebolistas e diversas celebridades liberais deixariam de visitá-lo no Vaticano. Vê-se que isso é mais importante para ele que seu destino eterno. Deus queira que se arrependa enquanto ainda há tempo."

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domingo, 31 de março de 2019

Uma triste efeméride: a reforma litúrgica de Paulo VI


"No dia 3 de abril p.f. transcorrerá uma triste efeméride: o cinquentenário da promulgação do missal de Paulo VI, uma obra que representa a criação de um rito litúrgico novo, composto ao sabor da mentalidade moderna, sob a influência da heresia modernista e da maçonaria, feito para agradar aos “irmãos separados” e, consequentemente, em flagrante contradição com a tradição bimilenar da Igreja.
Como se sabe, há uma vasta e douta literatura sobre a reforma litúrgica de Montini, que provocou uma indignação e um clamor, não só entre os católicos, mas também entre os intelectuais em geral, ao menos entre os que reconheciam o altíssimo valor cultural da tradição litúrgica romana que influenciou os costumes e padrões estéticos da mais fina civilização.
No que concerne ao problema teológico gerado pelo rito moderno da missa promulgado por Paulo VI, que suscitou um drama de consciência para os católicos, especialmente para os sacerdotes (um falecido bispo uma vez me disse: “Eu queria continuar com o missal antigo, mas Paulo VI impôs o novo missal a ferro e fogo e, depois, a obediência…), cumpre recordar algumas obras que apontaram os erros e ambiguidades do novus ordo missae, como, por exemplo, o Breve Exame Crítico dos cardeais Ottaviani e Bacci (no qual os autores dizem que o novo rito representa um impressionante afastamento da teologia católica da Santa Missa tal como definida pelo Concílio de Trento), o interessantíssimo estudo Le mouvement liturgique, do Pe. Bonneterre, La reforme liturgique en question, de mons. Gamber, que diz que a reforma de Paulo VI foi mais radical que a de Lutero (a referida obra conta com um prefácio do cardeal Ratzinger), O problema da reforma litúrgica, publicado pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que examina o problema da influência da teologia do mistério pascal sobre o novo rito (a qual teologia empanou o caráter sacrificial da missa no rito moderno). Citaria ainda Temoignage d’un expert au Concile, coletânea de conferências do cardeal Stickler, bem como a trilogia de Michael Davies. Há ainda muitas outras obras excelentes sobre o tema.
Salta aos olhos de qualquer católico que conheça o catecismo que a reforma litúrgica de Paulo VI representa um desastre completo para a preservação da fé. Seria fastidioso mencionar aqui as profanações e sacrilégios perpetrados diariamente na celebração da Santa Missa segundo o rito moderno. Basta pensar na intercomunhão ecumênica promovida na Alemanha, com aval da conferência episcopal daquele país, onde pastores evangélicos e padres católicos “concelebram a Eucaristia” lado a lado, diante da mesa da “ceia” e a comunhão é distribuída entre luteranos e católicos, levando-se em conta apenas a crença de cada um no mistério eucarístico. Aqui no Brasil, como se sabe, houve algo semelhante há alguns meses, no Rio Grande do Sul. E não consta que tenha havido nenhuma censura canônica dirigida aos responsáveis por tamanho sacrilégio. Com efeito, seria uma ingenuidade esperar uma pena, uma advertência que fosse, uma vez que o próprio bispo de Roma, durante uma visita a uma igreja evangélica na Cidade Eterna, de forma sutil, defendeu a intercomunhão. Declarou na mesma oportunidade que no Norte da Argentina, em um território de missão junto aos indígenas, católicos e protestantes se alternam no serviço religioso aos domingos, quando faltam ministros. E com aprovação da Congregação para a Doutrina da Fé.
Entretanto, é preciso reconhecer que a reforma litúrgica é um sucesso absoluto, se considerado o fim que se propôs ao fazê-la. Com efeito, Paulo VI disse a seu amigo Jean Guitton que era seu desejo reformar a liturgia católica expurgando-a de todos elementos, orações e sinais, que não fossem palatáveis aos protestantes. Dito e feito. Por exemplo, as orações do ofertório da missa que Lutero considerava abomináveis foram retiradas e substituídas pela oração da apresentação das oferendas (o fruto da terra e do trabalho do homem, que, segundo eruditos, tem origem na Cabala judaica). Tudo isto sem dizer que o famoso ponto 7 da Institutio generalis do novus ordo dá uma definição protestante da missa, definição que foi remendada, mas não corrigida, diante das críticas que levantou. Tudo só para tranquilizar os católicos que se sentiam angustiados; tudo só para neutralizar qualquer resistência à missa nova.
Considerado apenas o objetivo dos seus autores, a reforma litúrgica de 1969 foi um sucesso, porque logo após a promulgação do novo missal, houve uma declaração da parte dos protestantes dizendo que um dos frutos da “benfazeja” reforma era que os pastores evangélicos poderiam utilizar-se do novus ordo para celebrar a “ceia do Senhor”.
Sabe-se que uma das razões alegadas em defesa da reforma litúrgica era uma suposta necessidade de adaptar os ritos sagrados à mentalidade moderna. Aqui reside o sofisma. Ninguém contesta que o rito da missa conheceu um desenvolvimento orgânico ao longo dos séculos. À medida que surgiam os erros e heresias, a Igreja os debelava por meio da liturgia que expressava a verdade impugnada pelos inovadores. Acontece que na reforma de Paulo VI foi justamente o contrário que se verificou; foi uma reforma para incorporar à vida da Igreja, à sua doutrina, as novidades heterodoxas. Uma reforma feita, na verdade, para agradar aos protestantes, como o confidenciou Paulo VI a seu amigo Guitton.
No século XIX, o padre Roca, sacerdote apóstata e satanista, provavelmente filiado a uma seita maçônica, declarou:
“Creio que o culto divino tal como o regulam a liturgia, o cerimonial, o ritual e os preceitos da Igreja romana, sofrerá proximamente, em um concílio ecumênico, uma transformação que, ao mesmo tempo que lhe devolverá a venerável simplicidade da idade de ouro apostólica, o porá em harmonia com o novo estado da consciência e da civilização moderna.”
“O que quer construir a cristandade não é um pagode, é um culto universal onde estarão englobados todos os cultos.”
Transcorridos 50 anos da reforma litúrgica de Paulo VI, muita coisa mudou na Igreja e no mundo.
Para o bem da Igreja e das almas Deus serve-se de causas segundas. Permitiu que seus servos bons e fiéis como Dom Lefèbvre e Dom Mayer levassem o labéu de uma excomunhão, proferida por um papa que, provavelmente, morreu angustiado por tamanha injustiça que tinha cometido. Tudo isto, certamente, teve um peso enorme para que Bento XVI publicasse o motu proprio Summorum pontificum que, apesar daquela expressão inaceitável ”forma extraordinária do rito romano”, acabou incentivando muitos sacerdotes a abraçar o rito romano de sempre. Com isso, Bento XVI foi obrigado a reconhecer, ainda que implicitamente, que Paulo VI cometia um abuso de poder proibindo o uso do chamado missal de São Pio V e perseguindo os católicos que o queriam seguir. E agora, mais recentemente, Francisco suprime a Comissão Ecclesia Dei Adflicta, que, além de recordar a iníqua condenação de Dom Lefèbvre, tinha o único escopo de trabalhar para promover o sincretismo entre o rito romano tradicional e o rito moderno da igreja ecumenista. Algum bem Deus há de tirar desse enorme desastre que se abateu sobre a Igreja. Um desses possíveis bens seja, talvez, um aprofundamento da teologia católica sobre o magistério da Igreja, como, por exemplo, toda a questão da infalibilidade pontifícia no que diz respeito às leis universais da Igreja.
Passados 50 anos da reforma litúrgica de Paulo VI, a mentalidade moderna e mundana que Montini queria afagar invadiu a Igreja e mudou muito. O feminismo, por exemplo, recrudesceu até mesmo dentro da Igreja. As candidatas a diaconisas que o digam. As mulheres que querem “presidir a eucaristia”, como se viu em recente documento do Regional Norte da CNBB, em preparação para o Sínodo da Amazônia, que o confirmem. E Francisco pregando a diversidade e o pluralismo religioso nas pegadas de seu ilustre predecessor João Paulo II que inaugurou o espírito de Assis, cumpre as palavras do padre apóstata Roca e nos convence da clarividência de Mons. Henri de Lassus em sua obra A conjuração anticristã.
Contudo, non prevalebunt."

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Um cristianismo “desviado”


“A espiritualidade do Vaticano II é uma desviação da espiritualidade cristã. Com efeito, é completamente orientada para o homem e não, como a espiritualidade tradicional, para Deus.
A espiritualidade do Vaticano II é um “pentecostes” pelo avesso: enquanto no primeiro pentecostes o céu e o Espírito Santo se derramaram sobre a terra e sobre os apóstolos, durante o Vaticano II o céu retirou-se da terra, abandonou-a, porque o homem moderno e o clérigo modernista já tinham abandonado o Deus transcendente pelo homem “onipotente”. De fato, “Deus não abandona se primeiro não é abandonado” (Santo Agostinho, citado pelo Concílio de Trento).
Assistimos no pós-concílio a uma desviação ou desmoronamento do cristianismo, que de teocêntrico passa a ser antropocêntrico. O fim último do neo-cristianismo conciliar é a paz entre as nações, a união entre as religiões, o diálogo entre os homens, o bem-estar, a harmonia ecológica, não mais a paz entre o homem e Deus, o culto de Deus, a pregação do Evangelho a todas as nações.
As promessas do Vaticano II revelaram-se falsas e ilusórias, como as que faz Satã ou o mundo. Realmente, a partir de 1962: 1) no mundo reina a guerra; 2) o homem é explorado, não há trabalho nem aposentadoria, perdeu todo ideal, é transviado, desorientado e desesperado; 3) o Evangelho é ignorado e desprezado, os pastores envergonham-se dele ou o camuflam filantropicamente.
Hoje os pastores não sabem e não querem falar em nome de Deus, negligentes quanto às opiniões e aos falsos dogmas da modernidade. E não só isso: hoje, quem ensina a verdade corre o risco do martírio midiático, do linchamento cultural e clerical.
Quando os cristãos se deixam atrair pela moda do mundo e se curvam ante ela e as fábulas (“ad fabulas autem convertentur” 2ª Tim. 4,4) para não serem perseguidos, abandonaram a via régia da Santa Cruz, que é a única a conduzir ao céu. Entretanto, também a maior parte dos tradicionalistas o fez. Nossa época é, verdadeiramente, uma época apocalíptica e anticristã, mas há quem queira iludir-nos dizendo que tudo vai bem e que os compromissos fortalecem a Igreja… o ambiente eclesial  não compreende mais qual seja a estrada a percorrer para ir ao céu: a larga ou a estreita. E contudo, Nosso Senhor no-lo ensinou (Mt. 26, 14) e deu-nos o exemplo.
Paulo VI proclamou ao 7 de dezembro de 1965 (Discurso de encerramento do Concílio Vaticano II): “A Igreja do Concílio ocupou-se suficientemente do homem como se apresenta em nossa época. O homem todo ocupado de si mesmo, que se faz o centro de tudo e ousa ser o princípio e o fim último de todas as realidades”. Não obstante, todo o discurso é um hino e este homem que desejaria ocupar o lugar de Deus, assinala o primado da antropologia sobre a teologia, é blasfemo e luciferino. O Vaticano II não é explicável sem o influxo nele da ação preternatural de Satã e dos seus acólitos (judaísmo talmúdico, maçonaria, marxismo, freudismo, panteísmo..). Como pensar poder conciliar Deus e Lúcifer? É impossível.
Parece que à terceira tentação de Satã dirigida a Cristo: “Dar-te-ei todo o mundo se prostrado por terra me adorares” (Lc. 4, 6), o Vaticano II não respondeu como Cristo “Aparta-te, Satanás. Está escrito: Adorarás somente a Deus” (Lc. 4, 8), mas “Eis me a teus pés e aos pés do homem que despreza a Deus para ser admirado e acolhido por ti”.
O ensinamento do Vaticano II não é mais o Evangelho de Deus ao homem mas a mensagem do “homem ao homem” (assim disse Paulo VI, discurso em Belém, aos 6 de janeiro de 1964).
Mas que coisa é o homem? Para São Bernardo de Claraval o homem reduzido a sua dimensão terrena “é um sêmen fedorento, é um saco de esterco e será alimento dos vermes”, ao passo que para Paulo VI é tudo, é a nova divindade do mundo moderno que – com Cartésio, Kant e Hegel – põe o Eu no lugar de Deus. Disse, outrossim, Paulo VI: “Honra ao homem, honra à ciência (…) honra ao homem rei da terra e hoje príncipe do céu” (Discurso por ocasião do Angelus de 7 de fevereiro de 1971). O Evangelho, ao contrário, nos diz que o “Príncipe (não do céu mas) deste mundo é Satanás” (Jo. 12. 31; 14, 30; 31, 11).
Este é o resultado ruinoso do diálogo do Vaticano II com o mundo moderno, como o resultado do diálogo de Eva e Adão com a serpente infernal foi o pecado original. O velho axioma sobre o qual se baseia toda a espiritualidade cristã (patrística, escolástica e neo-escolástica) “Não se discute com Satã” está fora de moda: cumpre, ao contrário “aggiornarsi” e converter-se ao mundo que “está entregue ao poder do Maligno” (1 Jo. 5, 19); esquecendo-se de que “Amar o mundo significa odiar a Deus” (Tg. 4, 4).
Para o cristianismo a última esperança não morre jamais porque se funda em Deus onipotente e próvido, enquanto para Paulo VI “os povos olham para as Nações Unidas como para a última esperança de concórdia e paz” (Discurso por ocasião do Angelus de 7 de fevereiro de 1971) e por isso que em todo o mundo reina a discórdia e a guerra que ameaça tornar-se atômica e mundial (cf. Síria 2016). O Pe. Dossetti, que participou do Vaticano II como teólogo do cardeal Giacomo Lercaro, disse: “Se fracassa o Evangelho, temos a Constituição!” (Ritorno a Monte Sole. Attualitá e autenticitá di don Giuseppe Dossetti, in Conquiste del lavoro, 27 de outubro de 2012, a cura de F. Lauria). Assim, a esperança teologal e sobrenaturalmente cristã torna-se naturalmente e materialmente demo-cristã.
Por que Deus se incarnou? Não para estabelecer a paz entre as nações, que é uma utopia. Não para eliminar a pobreza e a doença do mundo, outra utopia. Não para dar a saúde, o bem-estar, ao homem neste mundo, mas no céu.
A crise do ambiente eclesial hoje é gravíssima, mas Jesus vencerá também esta como venceu sempre. Nós devemos fazer nossa pequena parte: oração e penitência.”

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domingo, 25 de novembro de 2018

Religião revelada ou “religião dialogada”?


"O demolidor plano lucidamente projetado pelo neomodernismo desde os inícios do concílio Vaticano II chegou à sua completa maturação: sua decisiva instalação nos vértices da Catolicidade reforçou seu devastador influxo, concorrendo a desqualificar como intolerável desobediência à Hierarquia e a seus decretos a devida negação a uma “pastoral” fundada em falsos princípios ideológicos, que implicam a inatural redução das verdades do Depositum Fidei às variadas inclinações psicológicas de alguns fiéis cada vez mais desorientados pela desenvolta práxis inovadora difundida na suposta “igreja conciliar”.
Cremos inoportuno insistir na necessidade de desentranhar as insídias implícitas nas reiteradas referências neomodernistas à tranquilizadora predisposição conciliadora do diálogo, que contribui a enraizar os interlocutores na persuasão injustificada da impossibilidade de deduzir valorações e crenças de fontes superiores ao pretendido e indiscutido valor do conhecimento individual.
A arma psicológica empregada com altiva falta de escrúpulos pelos fautores do falso pressuposto da relatividade de toda afirmação e da conseguinte proibição de violar sua afirmada respeitabilidade é dada pela envilecedora repetição do sofisma agnóstico que considera a aspiração ao conhecimento e à posse da verdade como resíduo de um dogmatismo contrário à razão; a este respeito, não se pode deixar de perceber o curioso paradoxo pelo qual o pensamento laicista, por um lado, reivindica a presunçosa autossuficiência da razão, e por outro se apressa a libertá-la do dever de reconhecer a lei natural e a Verdade revelada em Cristo e em Sua Igreja.
* * *
No "diálogo" celebrado por quem afirma o “aggiornamento” conciliar, a verdade religiosa sofre distorções que derivam da forçada relativização à qual a racionalidade moderna submete toda proposição de tipo dogmático; se a philosophia perennis reconhecia no diálogo uma possível aproximação à busca de um conhecimento mais elevado e mais livre de preocupações subjetivistas, a cultura negadora da noção mesma de verdade ambicionou criar por sua vez um cômodo sucedâneo oportunamente predisposto para afirmar a tão trombeteada tolerância que se materializa na mais ampla abertura ao erro e no mais rigoroso ostracismo da Verdade.
A confrontação, concebida com base nos termos acima descritos, determina a regressão da razão a mero instrumento capaz de convalidar as turvas paixões que alimentam a opinião pública, persuadida de substituir a culpável deserção da Fé pelas pequenas ou grandes mentiras sancionadas pelo aplauso democrático da maioria.
Estas considerações permitem entender a direção fundamental do pontificado bergogliano, que, não obstante os juízos que tendem a situá-lo no prosaico marco dos tons modestos e improvisados de numerosas intervenções papais, revela-se caracterizado por uma decidida e precisa vontade de superar as barreiras e as incompreensões entre as religiões, facilitando assim a constituição daquela "superigreja" firmemente desejada pelos seculares inimigos do catolicismo.
Em conversa que remonta a junho passado, o Papa, comentando a passagem bíblica relativa ao mandamento dado por Deus aos pais de abster-se de comer o fruto da árvore do conhecimento no Paraíso terreno, afirmou que a Palavra divina não tem nenhuma conotação autoritária, que a salvaria do risco de cair na armadilha de uma perspectiva agradável a quem persevera desonesta e contraditoriamente no apontar o relativismo como a única verdade incontroversa.
Torna-se claro que, cedendo aos condicionamentos da perdurante mentalidade iluminista, as instâncias vinculantes e inderrogáveis da Fé e do Decálogo se desvanecem nas interpretações relativizantes de um renovado e infrutífero exercício hermenêutico.
A preparada e humilhante subjacência do Dogma e da moral aos ditames do saber profano obriga a falar de um cumprimento dos auspícios prévios à convocação e aos desenvolvimentos do concílio Vaticano II.
Durante uma alocução, ao final daquela histórica reunião e dirigida a expor um global reconhecimento de seu desenvolvimento e de seus resultados, o papa Paulo VI delineava o apavorante cumprimento da desejada convergência entre a religião do Deus que se fez homem e a contrarreligião do homem que se faz Deus; ao citado e funesto acordo são reconduzíveis as desconsideradas "aberturas" e as desoladoras capitulações que prepararam a catastrófica situação em ato na Igreja.
Igualmente distante da congelante avidez de maus humores pessimistas e das pueris aventadas euforias, o realismo cristão nos exorta a viver os presentes e dolorosos acontecimentos na certeza de que – como admoestavam inclusive os grandes pensadores anteriores à Revelação Divina – a verdade, enquanto eterna e absoluta, não pode adequar-se ao variar dos tempos."

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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A alteração da doutrina da Igreja sobre a pena de morte


"Com uma mensagem ex audientia Sanctissimi, a Congregação da Doutrina da Fé nos informou que um outro elemento da religião católica deve se considerar modificado oficialmente: a doutrina sobre a licitude da pena de morte.
O Catecismo publicado por João Paulo II, mesmo contendo inovações conciliares, ainda admitia (ainda que de maneira mais teórica) que a autoridade estatal pudesse cominar a pena capital em casos gravíssimos. Ao contrário, a modificação do número 2267 do referido catecismo nos diz que, contrariamente ao afirmado no passado, “a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que ‘a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa’ e se empenha com determinação na sua abolição em todo o mundo”. Especifica-se, seguindo a doutrina conciliar, que a dignidade humana nunca se perde, nem mesmo por crimes gravíssimos (Santo Tomás ensinava o oposto).
Tal inovação fora anunciada no Discurso de 11 de outubro de 2017 aos participantes do encontro promovido pelo Pontifício Conselho para a Promoção da nova Evangelização, por nós comentado no Convegno di Rimini de outubro de 2017. Por ser gravíssima uma alteração da doutrina católica mesmo no menor dos pontos, toca-nos sublinhar os princípios evocados para tanto, princípios especialmente sublinhados pelo Papa Francisco no discurso aqui mencionado. De onde pode vir o conhecimento de uma doutrina diferente daquela transmitida? As fontes da Revelação foram lidas de modo mais acurado, por acaso? Ou será que, até agora, a infalibilidade cochilava? Papa Francisco responde enunciando a típica doutrina modernista sobre a evolução do dogma, apesar de fazer um apelo de todo retórico ao “Evangelho”. Vejamos o que diz o referido discurso.
Papa Francisco diz, claramente, a propósito do Catecismo que “não é suficiente encontrar uma linguagem nova para dizer a fé de sempre; é necessário e urgente que diante dos novos desafios e perspectivas que se abrem à humanidade, a Igreja possa exprimir a novidade do Evangelho de Cristo, que, apesar de contida na Palavra de Deus, não veio ainda à luz.” Não se iluda quem vê no novo curso eclesial uma simples mutação de linguagem. A fé de sempre não basta, nem basta encontrar um modo de exprimir adaptado ao homem de hoje: deve-se realizar um verdadeiro e próprio processo profético que tenha as necessidades do homem moderno (“desafios”) como verdadeira fonte de revelação divina. Francisco se faz mais explícito: “conhecer a Deus, como sabemos, não é em primeiro lugar um exercício teórico da razão humana, mas um desejo inextinguível impresso no coração de cada pessoa. É o conhecimento que vem do amor porque o Filho de Deus se encontrou no nosso caminho (Enc. Lumen Fidei, 28)”. Palavras aparentemente fascinantes, mas que revelam o pensamento modernista sobre a fé: não há verdades reveladas para aceitar, mas um “desejo” do divino que existe dentro do homem. Obviamente, tal desejo não está ligado a revelação de verdades externas ao homem (para serem acatadas pela razão iluminada pela fé – e, por isso mesmo, imutáveis), mas pode ser explicitado de muitos modos, conforme as circunstâncias de tempo e de lugar: assim nasceram as várias religiões e assim são possíveis infinitas modificações da doutrina, de acordo com as necessidades e sensibilidade dos tempos. Uma sociedade religiosa organizada como a Igreja Católica não poderá obviamente ignorar as mudanças na sensibilidade e, em tempo oportuno, deverá assimilar a experiência do seu momento histórico que, relendo o Evangelho, descobre “coisas novas”. Quem não o fizesse, estaria indubitavelmente resistindo ao Espírito Santo, que outra coisa não é que o espírito do mundo e da história. A operação, levada a termo para liberdade religiosa e o ecumenismo no Concílio Vaticano II, e para a “família” no Sínodo do Papa Bergoglio, foi estendida agora ao tema sensível da pena de morte.
O Papa prossegue de modo ainda mais explícito: “Esta problemática (da pena de morte) não pode ser reduzida a uma mera recordação do ensinamento histórico sem fazer emergir não apenas o progresso na doutrina pela obra dos últimos Pontífices, mas também a modificada consciência do povo cristão, que recusa uma atitude de consentimento diante de uma pena que lesa pesadamente a dignidade humana. Deve-se afirmar com força que a condenação à pena de morte é uma medida desumana que humilha, em qualquer modo, a dignidade pessoal”. Aqui a “modificada consciência do povo” é claramente apresentada como uma “fonte” da doutrina católica. E continua: “A Tradição é uma realidade viva e só uma visão parcial pode pensar o ‘depósito da fé’ como algo de estático. A Palavra de Deus não pode ser conservada com naftalina como se tratasse de uma velha coberta a ser protegida dos parasitas! Não. A Palavra de Deus é uma realidade dinâmica, sempre viva, que progride e cresce porque se volta a um cumprimento que os homens não podem parar”. É claro o chamado a uma permanente revelação: não se deve transmitir (seria "conservar com naftalina") mas progredir a um “cumprimento” inexorável, sob pena de pecado contra o Espírito Santo, explicitamente invocado pouco abaixo:
“Não se pode conservar a doutrina sem fazê-la progredir, nem se pode atá-la a uma leitura rígida e imutável sem humilhar a ação do Espírito Santo. ‘Deus, que muitas vezes e em diversos modos nos tempos antigos havia falado aos pais’ (Heb 1,1), não cessa de falar com a Esposa de Seu Filho (Dei Verbum). Somos chamados a fazer nossa essa voz, com uma atitude de ‘religiosa escuta’, para permitir à nossa existência eclesial progredir com o mesmo entusiasmo dos inícios, em direção aos novos horizontes que o Senhor pretende nos fazer alcançar”.
Dificilmente se poderia esperar uma exposição mais clara da doutrina modernista sobre a evolução do dogma, ainda que Papa Francisco repita muitas vezes que “não se trata de uma mudança de doutrina”. Quem raciocina como católico e pensa que a doutrina da Igreja corresponde a uma revelação concluída que deva ser transmitida só poderá ver uma contradição insanável, e se deverá perguntar se a Igreja errou até hoje ou se é o Papa Francisco que erra; em última análise se, para Cristo, a pena de morte é lícita ou não.
O modernista não verá contradições: Deus não revelou uma doutrina, mas está dentro de nós, e o impulso dado pelo “Cristo histórico” (Quem sabe o que disse? Não havia gravadores...) nos faz viver uma experiência religiosa que vivenciamos em comum na Igreja, com fórmulas acordadas entre nós. Essa é a ação “profética” do “Espírito Santo”, que nunca termina, ainda mais quando procuramos reviver “o entusiasmo dos inícios”. Assim harmonizaremos com novas fórmulas as nossas renovadas necessidades e desejos, inspirados por aquele espírito da história que é o próprio Deus, e ao qual não se deve resistir (e que de qualquer modo ‘não se pode parar’). É exatamente a doutrina que São Pio X condenou na Encíclica Pascendi.
No momento em que tal variação doutrinal vem imposta aos fiéis de modo oficial, é dever de cada um permanecer fiel à doutrina tradicional definida pela Igreja e professá-la nos modos e nos tempos apropriados, como fez Dom Marcel Lefebvre contra os erros do Concílio."
(Pe. Mauro Tranquillo, FSSPX, Pena de Morte, Modernismo e Papa Francisco)

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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Cai em Roma o teto da igreja titular do Cardeal Coccopalmerio


"Se tens duvidado de nossa tese de que a Igreja do Vaticano II está implodindo, agora podemos oferecer uma confirmação literal disso. Informa-se na mídia italiana e internacional que o teto da igreja de São José Artesão (San Giuseppe dei Falegnami), em Roma, caiu. Esta igreja foi construída sobre a chamada Prisão Mamertina, onde os Santos Pedro e Paulo estiveram encarcerados antes de seus respectivos martírios. Mais interessante ainda é que esta é a igreja titular do Cardeal Francesco Coccopalmerio.
Um artigo inicial da Reuters afirma: "O teto de uma igreja construída sobre uma antiga prisão na qual se diz que esteve preso São Pedro antes de sua crucificação caiu na quinta-feira em Roma. Não há notícia de feridos." A foto mostrada acima foi publicada pelo site italiano askanews.it. (...)
O Pe. Cocopalmerio, agora com 80 anos, foi criado cardeal Novus Ordo por Bento XVI em 2012 e se aposentou no princípio deste ano como presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos. Coccopalmerio é um notório defensor de Amoris Lætitia, sugeriu que os sacramentos não deveriam ser considerados válidos ou inválidos, e foi notícia em 2017 quando seu secretário, um tal Mons. Luigi Capozzi, foi preso pela polícia do Vaticano por "organizar uma orgia homossexual na qual se consumiu cocaína em um apartamento dentro de um edifício exatamente ao lado da Basílica de São Pedro". Ontem mesmo foi revelado que o Papa Francisco "havia sido informado com antecedência por alguém sobre os problemas de Luigi Capozzi", mas de qualquer modo permitiu-lhe ter o apartamento próximo a São Pedro."

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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

De volta ao básico


“Leio sobre pessoas que se opõem à mais recente heresia de Francisco relativa à Pena de Morte enquanto ainda são factualmente contra ela de uma certa e menor maneira.
Vamos deixar algo claro: o problema com a palavra ‘inadmissível’ não tem nada a ver com a questão de se esta falta de legitimidade é proclamada para todas as situações ou não. Tem, isto sim, a ver com a rejeição de sua legitimidade fundamental.
O Papa Francisco nega que a Pena de Morte seja legítima em princípio; no que, penso eu, resta uma heresia tão grande quanto a Muralha Leonina, e que seria reconhecida imediatamente e sem hesitação por qualquer um em tempos cristãos pretéritos. Mas realmente não ajuda em nada se alguém diz que se opõe a Francisco por declarar que a Pena de Morte é um mal, enquanto ainda pensa que ela não deveria ter lugar em sociedades modernas. Simplesmente não há maneira de reconciliar isto com a doutrina católica.
Afirmar que a psicologia moderna ou métodos de reeducação tornam a Pena de Morte supérflua é o mesmo que dizer que remédios modernos e mundanos atingem partes da natureza humana que o Cristianismo jamais pôde atingir e que ensinou não existirem. Também envia uma clara mensagem de que não apenas a Pena de Morte, mas qualquer outro ensinamento da Igreja pode ser sabotado porque a moderna psicologia nos permitiu um entendimento mais profundo da natureza humana, que pode ser facilmente aplicado, digamos, ao suicídio, à gula, ou ao adultério.
Honestamente, não dou a mínima para supostas defesas da ortodoxia que estão profundamente incorporadas no pensamento do Vaticano II, o qual, para começo de conversa, solapa esta ortodoxia. O desgraçado pontificado de Francisco deve servir como encorajamento para recuperar as verdadeiras raízes do pensamento católico, e não simplesmente dar alguns passos para trás no que é e continua sendo a direção errada.
A solução para flagrante heresia é a verdade de sempre, não a velada heresia de décadas passadas. Já chega do veneno do Vaticano II. Precisamos voltar ao básico e aceitá-lo sem meios-termos.”

https://mundabor.wordpress.com