domingo, 10 de outubro de 2021

Fazer a vontade de Deus

"Entendamos bem o que significa fazer Sua vontade. Se buscamos, por exemplo, que um homem não roube outro, para que a sociedade ande bem, e não para que se cumpra a vontade de Deus, não podemos dizer que nossa atitude é cristã. Esse descuido da fé sobrenatural nos mostra que há uma maneira atéia de cumprir os mandamentos sem prestar a Deus a homenagem de reconhecimento e obediência, que é o que Ele exige. Quantas vezes os homens que o mundo chama honrados costumam cumprir um ou outro preceito moral por puras razões humanas sem dar-se conta que o primeiro e maior dos mandamentos é amar a Deus com todo nosso ser!"
(Mons. Johannes Straubinger, Comentários a Mateus 7,21)

sábado, 28 de agosto de 2021

Somente a verdade é tolerante

"Somente a verdade é tolerante e jamais persegue ninguém, ela se limita a impedir que se faça o mal. O erro é essencialmente intolerante, e desde o momento em que se sente forte, uma escola, um partido ou uma seita tende a manifestar seu poder suprimindo seus adversários, injuriando-os, sobretudo impedindo-os de falar. O direito de falar, elogiadíssimo pelos liberais – a ponto de o consignarem na constituição e dele fazerem o elemento privilegiado do parlamentarismo – não lhes parece aceitável enquanto não lhes assegure as imunidades do monólogo e impeça toda crítica. Sua maior aspiração, aquilo de que mais gostam, é o incensário para eles e, para os adversários, as cadeias e as mordaças."
(Justin Louis Pierre Fèvre, Histoire Critique du Catholicisme Libéral en France Jusqu’au Pontificat de Léon XIII: Complément de Toutes les Histoires de l'Église)

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Como será o Papado depois de Francisco?


“Nos próximos dias fará cinco anos a abdicação do Papa Bento XVI, um dos fatos mais graves e lamentáveis na história contemporânea da Igreja. Mal foi anunciada a renúncia, as usinas de progressismo começaram a propalar por todo lugar que o gesto de Bento era um ‘gesto revolucionário’ (entre os que utilizaram esta expressão estava o então Arcebispo de Buenos Aires que, contra toda previsão, seria o encarregado de substituir o papa demitente).
Em que consistia o ‘revolucionário’ do gesto? Em que Bento, finalmente, havia compreendido que representava o último resíduo do papado absolutista e ‘monárquico’ e com sua renúncia abria a porta aos novos ventos da história: já não mais um papa soberano absoluto cujas decisões eram lei suprema e inamovível, mas um Papado aberto à colegialidade que outorgaria ao Colégio Apostólico seu até agora negado papel no goveno da Igreja. De fato, os gestos iniciais do novo papa mostravam claramente esta mudança de rumo: Francisco, no dia de sua eleição, em sua primeira apresentação ao mundo, chamou-se a si mesmo ‘bispo de Roma’ e recordou, com a ajuda de Santo Inácio de Antioquia, que o bispo de Roma ‘preside na caridade’ às outras igrejas, obviando, chamativamente, que o Primado do Romano Pontífice não é só de caridade mas também de jurisdição e de governo como foi definido dogmaticamente no Concílio Vaticano I.
As já mencionadas usinas do progressismo se fartaram de trombetear sobre o ‘bispo de Roma’, a ‘colegialidade’ (nebulosa idéia jamais definida com precisão), o final irreversível do ‘Papado monárquico’ (o jesuíta argentino Ignacio Pérez del Viso publicou em um dos jornais de maior circulação da Argentina um artigo com esse ou parecido título), aclamou-se o fim do ‘autoritarismo romano’ fonte de tantos males e anunciou-se com grande júbilo a venturosa ‘primavera da Igreja’ sob a suave condução colegiada do Papa Francisco. Em definitivo, o que vinham a dizer os fautores do progressismo era que o único bem resgatável de Bento XVI – cujo Pontificado foi alvo impiedoso de toda sorte de ataques – havia sido sua renúncia. Muitos afirmaram isto recorrendo aos eufemismos mais variados e hipócritas; outros o manifestaram com todas as letras.
Por certo, as coisas não ocorreram exatamente da maneira como previa e anunciava a narrativa progressista. Em primeiro lugar, poucos papas como Francisco exerceram um poder tão absoluto, tão sem fissuras e até, segundo alguns observadores, despótico. De fato, desde sua ascensão ao Papado ocupou, de modo exclusivo, o cenário eclesial relegando por completo a um distante segundo plano seus mais fiéis colaboradores e homens de confiança. A anunciada colegialidade, se temos de ser sinceros, não se vê em canto nenhum; pelo contrário, a mais mínima dissidência é imediatamente eliminada; os poucos bispos que se animaram a formular algum protesto crítico foram, no melhor dos casos, desprezados, quando não afastados de suas funções ou dioceses. Sacerdotes e leigos que expressaram alguma desconformidade a respeito de questões doutrinárias pouco claras conheceram a demissão e a perda de suas cátedras ou postos de trabalho.
Porém, em contraste com este férreo modo de exercer a autoridade, Francisco tem se dedicado a colocar as bases do que no futuro, quando ele já não estiver, pode chegar a ser, nada mais e nada menos, que a demolição do Papado. Com efeito, já desde Evangelii gaudium se fala de dar às Conferências Episcopais o poder de definir questões doutrinárias; o Motu Proprio Magnum Principium outorga a essas mesmas Conferências uma inusitada faculdade na tradução dos textos litúrgicos com evidente míngua do papel da Santa Sé; em numerosos discursos, Francisco propôs o modelo de uma ‘igreja sinodal’ concebida como uma pirâmide invertida na qual o Magistério está embaixo e o sensuum fidelium, reinterpretado à luz da chamada ‘teologia do povo’, a coroa por cima. Todas estas coisas são, de fato, letra morta porque o feroz centralismo que impôs o Papa Bergoglio as torna impossíveis. Mas são as bombas-relógios que, a seu tempo, estarão fazendo voar pelos ares a verdadeira e autêntica soberania universal do Romano Pontífice sobre toda a Igreja.
A que ponto temos chegado. Por isso torna-se inevitável experimentar uma séria preocupação pelo futuro do Papado. Como será o papa que suceda a Francisco? Voltará sobre os passos deste e restabelecerá pelo menos o decoro da figura papal tão banalizada nestes dias? Que fará a respeito de Amoris laetitia e de suas gravíssimas consequências doutrinárias e pastorais? Que acontecerá com a legião de bispos nomeados por Francisco e que são todos de sua feitura? Haverá propriamente um magistério papal claro e inequívoco nos assuntos essenciais ou se continuará ou ainda se aprofundará este estilo ‘magisterial’ difuso e confuso imposto pelo atual Pontífice? Estas e muitas outras perguntas similares se impõem pela força dos mesmos fatos que transcorrem ante nossos olhos.
Por certo a resposta a todas estas interrogações nos dá o Senhor: Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam; et portae inferi non praevalebunt adversum eam (Mateus, 16, 18). O firme non praevalebunt de Cristo é a fonte de nossa esperança e de nossa certeza de que ao final o triunfo será do Senhor. Mas também sabemos que não nos faltarão tribulações e embora nos tenha sido revelado que essas tribulações se encurtarão não podemos escapar às angústias e inquietudes de nosso coração. Somos homens viajores e o próprio deste estado é a angústia de expectativa sustentada pela esperança.
Mas também é uma exigência deste estado viajor o combate espiritual: militia est vita hominis super terram (Jó, 7, 1). Significa que devemos travar batalha diante do avanço do mal; e a respeito do tema que nos ocupa estimo que é necessário prover-se de duas armas. A primeira, defender sem receios a verdade que a Fé ensina sobre a Igreja e o Papado. O primado de Pedro se funda na Sagrada Escritura, na Tradição da Igreja e no Magistério infalível. É uma verdade fundamental sustentada pelos Padres, pelos teólogos escolásticos e pacificamente aceita por todos os doutores e mestres que, para além das legítimas diferenças de escolas e de estilos, permaneceram fiéis aos ensinamentos de Cristo e da Igreja.
Contudo, os piores cismas e as máximas heresias têm negado esta verdade sublime. Por isso o Magistério a tem defendido sem concessões. A Constituição Dogmática Pastor aeternus do Concílio Vaticano I, assinada em 18 de julho de 1870, resume e sintetiza a doutrina do Primado de Pedro e de seus sucessores; não foi, em absoluto, como tem pretendido certa crítica malintencionada ou infundada, a imposição de um poderoso grupo de pais conciliares ferrenhamente ‘centralistas’ movido, inclusive, por interesses políticos. De nenhuma maneira: a Constitução não faz mais que recolher em seus fundamentos bíblicos, históricos, teológicos e magisteriais, uma doutrina aceita desde sempre mas formulada com singular firmeza precisamente em um tempo em que essa doutrina estava sob o ataque dos inimigos internos e externos. Assim o reconhece expressamente o texto da Constituição:
E como as portas do inferno se insurgem de todas as partes de dia para dia com crescente ódio contra a Igreja divinamente estabelecida, a fim de fazê-la ruir, se pudessem, Nós julgamos necessário para a guarda, para a incolumidade e para o aumento da grei católica, após a aprovação do Concílio, propor a crença dos fiéis a doutrina sobre a instituição, a perpetuidade e a natureza do santo primado Apostólico, no qual reside a força e a solidez de toda a Igreja, segundo a fé antiga e constante da Igreja universal, proscrevendo e condenando os erros contrários, tão perniciosos à grei do Senhor.
Não será ocioso recordar a firme e categórica definição dogmática a respeito do Primado contida no cânon da Constituição:
Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra, seja excomungado.
Recordemos que se trata de um dogma de nossa fé. No entanto, a partir do Concílio Vaticano II esta doutrina tem sido, direta ou indiretamente, questionada ou, pelo menos, reinterpretada. De fato, nenhum texto conciliar põe em dúvida o Primado; pelo contrário, a Constituição Dogmática Lumen Gentium ratifica plena e expressamente a doutrina do Vaticano I. O problema tem consistido na introdução, da parte do Vaticano II, da questão da chamada ‘colegialidade’, termo nunca definido com propriedade com o qual se fazia referência à doutrina acerca dos bispos que junto com o Papa governam a Igreja. É certo que o Vaticano I havia deixado sem tratar este vital ponto; mas não é menos certo que o Vaticano II não foi além de cunhar o termo colegialidade sem defini-lo e abrindo a porta a multidão de incertezas e equívocos. Esta colegialidade tem sido, de fato, uma fonte de constantes equívocos que nos levou a esta ‘Igreja sinodal’ mais próxima do protestantismo que da Fé Católica. Renovar e afiançar esta doutrina é, portanto, nossa primeira arma.
A segunda arma é renovar o amor ao Papa como sinal distintivo da identidade católica. Como dizia Dom Bosco, três amores definem essa identidade: o amor a Jesus Sacramentado, o amor à Santíssima Virgem e o amor ao Romano Pontífice. Mas é possível amar sempre ao Papa e, em todo caso, que sentido tem esse amor? É próprio de si que o amor ao Papa não se identifica exatamente com o maior ou menor afeto que possamos professar pela figura da pessoa que ocupa, acidentalmente, a cadeira de Pedro. Se fosse assim nem sempre seria possível amar ao Papa. Com efeito, ao longo da história sentaram-se na cadeira petrina homens de toda classe e condição: grandes doutores e sábios e homens de limitado intelecto, membros de nobres famílias e filhos de camponeses humildes, grandes santos e pecadores abomináveis, mártires que derramaram seu sague e pusilânimes que negaram Cristo. Toda esta multicolorida sucessão de personagens díspares responde, sem dúvida, à admirável pedagogia de Deus que podemos definir nestes termos: Deus quer que sua Onipotência brilhe na impotência dos homens; assim fica claramente manifesto que é Deus quem rege a Sua Igreja e a conserva apesar, muitas vezes, dos homens. No entanto, é também sua manifesta vontade que não quis prescindir destes homens.
Então se exige que amemos esses homens? Não exatamente: o que se nos exige é amar o mistério insondável de Cristo que habita neles além e por cima de suas qualidades pessoais. Neste homem concreto, neste Papa, se realiza o mistério da união de Cristo com sua Igreja e esplende visivelmente a invisível Cabeça que a rege e governa. O que amamos no Papa é a grandeza do Papado que se realiza em cada um daqueles que ao longo dos séculos Deus convocou para ser seus vigários na terra.
Não se trata, portanto, de afeto mas de amor. Que este amor seja a força que nos leve a resistir e a esperar nesta hora de tribulação da Esposa de Cristo.”
(Mario Caponnetto, ¿Cómo será el Papado después de Francisco?)

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segunda-feira, 26 de julho de 2021

Me ne frego

“É uma velha expressão italiana fascista (ouvem as sirenes?) que Mussolini apontou como definindo em grande medida o tipo de atitude que tinha de ser abraçada. Veio-lhe à ideia ao ver a fotografia de um soldado italiano da 1ª guerra mundial que escrevera “me ne frego” (“pouco me importa”…) nas ligaduras das suas feridas com o seu próprio sangue. Canções foram feitas… insígnias, crachás e pins foram desde então arrojadamente marcados com as palavras “me ne frego” sob uma caveira com uma faca (ou uma rosa) entre os dentes.
Independentemente do que se pense sobre as suas origens, é uma expressão inspiradora – estas três palavras resumem o espírito de vitória, a tenacidade do guerreiro. É uma atitude com a qual mais pessoas deveriam crescer. Não permanecer caído. Simplesmente levantar-se, avançar, enfrentando a desesperante noite consciente do fim que se aproxima e, mesmo assim, seguir em frente intrepidamente.
Lembro-me que todas as circunstâncias difíceis que o meu pai conheceu na sua luta por um emprego decente foram enfrentadas com essa atitude – algumas coisas estão fora do nosso controlo, às vezes caímos com a cara no chão… me ne frego!
A hipersensibilidade e a vitimização que as pessoas cultivam põem-me doente.
Em tempos difíceis por que nos voltamos para o Estado? Por que é que procuramos uma esmola? Por que desejamos histórias de compaixão? Não há dignidade em atitudes inativas e de auto-comiseração. Não há dignidade na passividade.
Se nós, humanos, somos também animais, germinados a partir do caos e brutalidade do “Reino da Besta”, como é que chegamos a um ponto tal em que ficamos desprovidos do nosso espírito de luta?
A vida deve ser doce por vezes, mas há também a hora do sangue, a luta pela sobrevivência, a força de seguir em frente na cara da oposição e de sentir a coragem do nosso próprio desespero.
É como Henrik Ibsen escreveu na sua peça “Inimigo do Povo”: o homem mais forte é aquele que permanece mais sozinho e não se importa com o apoio dos outros mas sim com a certeza da sua própria razão e legitimidade para enfrentar as massas indolentes.
Nenhum respeito pelo conformista silencioso que segue a linha dominante de pensamento, aconchegado em segurança no meio de um grupo de que não faz realmente parte. Nenhum respeito pelas massas silenciosas que se deslocam lentamente, como gado, para as tumbas a que todas as nossas vidas conduzem.
Então nasceste gay, então tens uma deficiência, então estás pobre, ou cansado ou vencido. O que importa? Por que vitimizares-te e acusares outros pela tua situação? – Por que não lutar pelo que queres, ignorando as tuas feridas? Por que não lembrá-lo tatuando-o nos teus pulsos, usá-lo numa insígnia da tua manga – por que não seres “Tu” frente aos “Normais”, o coração cheio de orgulho, os olhos cheios de raiva?
Estou farto de histórias de compaixão e farto de pessoas que fingem que a humanidade foi feita para caminhar em bicos de pés sobre cascas de ovo, mimando todas as partes da nossa sociedade.
Estou farto de paz. Estou farto de pessoas que capitulam perante as forças do mal – um bom homem sem coluna vertebral é tão útil como um cavalo coxo. Como é que alguém pode aceitar resignadamente limitações e fraquezas na sua vida pessoal – serão tão patéticos e desprovidos de orgulho ao ponto de viverem de favores, de pão e circo?
As nações morrem quando aceitam a servidão silenciosa e prendas.
Devemos ser prestáveis e solidários para com os outros…mas a noção de sentir pena de si mesmo é desprezível. A pessoa que ajuda e é solidária torna-se o vencedor, o poderoso…aqueles que recebem, parados, sendo ajudados, esses são as criaturas patéticas que precisam de reajustar os seus objetivos e reacender a sua chama.
Deveria existir no ser humano um desejo inato de enfrentar a oposição impossível apenas para provar-se a si mesmo, para se auto-superar, para alcançar o sentimento de triunfo. Acharia difícil acordar sem ver esta vida como uma guerra contra forças desconhecidas e uma longa campanha contra a natureza do próprio mundo…
É triste pensar que estamos numa sociedade que vive de condolências piedosas, oferecendo esmolas de simpatia e subsídios estatais.
Não estou feliz a não ser quando sofro o meu triunfo ou enfrento a minha batalha.
Ganha a tua parte, não peças por nada mais; permanece desafiador na face da derrota. Não peças por nada mais.
Desdenho os pedintes cegos, percorrendo o metro de alto a baixo, à procura de esmolas… há outros, que são cegos, que forjam os seus futuros desafiando as suas deficiências. Entrego-te os meus trocos mas espero que entendas que isso não é forma de viveres a tua vida. Quando recebes a minha simpatia e a minha esmola, deverias sentir vergonha e não satisfação.
Fico enojado por legislação destinada a acriançar e proteger, destinada a criar um terno sentimento de “tolerância” porque tu te sentes isolado ou alienado.
Alguns de nós procuram a alienação social e a fraternidade tribalista porque sentimos que é isso que constrói as nossas identidades e a nossa força, que alimenta o animal dentro de nós e nos garante, na nossa juventude, o nosso espírito fogoso e determinação.
Esta é a tua vida e ao perseguires objetivos tão patéticos provas a tua própria natureza patética.
Me ne frego!
Não consigo respeitar nenhuma pessoa que não me consiga olhar nos olhos e falar com honestidade sobre si mesma, que esconde factos e evita situações desagradáveis preferindo desistir.
Todos deveriam ambicionar ser tão duros quanto possível.
Queixas é o que tu ouves de crianças pré-adolescentes. Olhares duros e obstinada recusa em ser ajudado, determinação estóica e olhares gélidos é o que recebes de pessoas que valorizam as suas vidas e os seus esforços ao ponto de não procurarem a tua ajuda.
Respeito criminosos e gangsters mais do que respeito beneficiários da assistência social.
Quando a vida te dá limões… compra tequilla, esfrega algum sal nas tuas feridas e aperta o teu capacete.
Chega de gerações agarradas às saias das mães, a chorar por leite derramado e a queixarem-se de alienação social.
Não te pedirei que lutes as minhas lutas – mas posso pedir que me emprestes a tua faca.
Desde a mais tenra idade que não receio trocar murros e procurar o conflito com os que me rodeiam. Não preciso de nenhuma lei para me proteger, não preciso de qualquer consideração de burocratas de gravata, não preciso de ser salvo de nada que tenha origem humana.
Me ne frego!”

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domingo, 11 de julho de 2021

O pacifismo não é cristão

“Pacifismo é sentimentalismo internacional – e definitivamente não é cristão. Certas seitas religiosas tais como os Menonitas e os Quakers são casos especiais que se sujeitam à regra do privilégio clerical: certos homens podem afastar-se dos deveres comuns da sociedade a fim de buscarem algum objetivo mais elevado que não vai contra a natureza da sociedade. Tolerância sujeita à regra da objeção de consciência é um luxo ao qual uma sociedade rica pode-se dar. Mas o Cristianismo não é uma idéia, uma teoria ou um privilégio especial. É um fato. E permanece o fato de que a história das nações cristãs tem sido continuamente militar. Os pacifistas cristãos têm que negar a prática real e universal de dois mil anos de Cristianismo, e para além da história até a eternidade com as guerras dos Tronos e Dominações, Principados e Potestades. ‘A guerra é o inferno’, disse Sherman; e o inferno por exata analogia teológica é um lugar de punição justa e eterna.”
(John Senior, The Death of Christian Culture)

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Destruir a Missa Nova


“Qual é a crise que estamos atravessando atualmente? Manifesta-se, no meu entender, sob quatro aspectos fundamentais para a Santa Igreja. Manifesta-se, à primeira vista, acredito eu, e me parece que é um dos aspectos mais graves, porque, para mim, se se estuda a história da Igreja, dá-se conta de que a grande crise que atravessou o século XVI, crise espantosa, que arrebatou à Santa Igreja milhões e milhões de almas, regiões inteiras, Estados na sua totalidade, esta crise foi, antes de tudo, uma crise do culto litúrgico; e que, se atualmente existem divisões entre aqueles que se dizem cristãos, há que se atribuir mais que a outras causas à forma de celebrar o culto litúrgico; e se os protestantes se separaram da Igreja, a causa principal é que os instigadores do protestantismo, como Lutero, disseram, desde o primeiro momento: "Se queremos destruir a Igreja temos que destruir a Santa Missa". Esta foi a chave de Lutero.
Tinha-se dado conta de que, se chegasse a por as mãos na Santa Missa, se conseguisse reduzir o Sacrifício da Missa a uma pura refeição, a uma comemoração ou recordação, a uma significação da comunidade cristã, a uma rememoração ou memorial da Paixão de Nosso Senhor e, como consequência, que ficasse mais débil o mais sagrado que há na Igreja, o mais santo que nos legou Nosso Senhor, o mais sacrossanto, ele conseguiria destruir a Igreja. E certamente, conseguiu, por desgraça, arrebatar à Igreja nações inteiras, obrando dessa forma.
A Missa, um sacrifício
Pois bem. Hoje existe uma tendência, que ninguém pode negar, de pôr as mãos sobre a Santa Missa. Chega-se a alterar coisas que são essenciais na Santa Missa. E quais são estas coisas essenciais, na Santa Missa? Em primeiro lugar, a Santa Missa é um sacrifício. Um sacrifício não é uma refeição. Mas, na atualidade, se quis desterrar até a palavra sacrifício. Fala-se de Ceia Eucarística, fala-se de comunhão eucarística..., fala-se de tudo o que se quer, com tal de não mencionar sequer a palavra sacrifício.
E, apesar disso, a Missa é, essencialmente, um sacrifício, o Sacrifício da Cruz; não é outra coisa. Substancialmente, o Sacrifício da Cruz e o Sacrifício da Missa são a mesma coisa e o mesmo e único Sacrifício.
Não há outra mutação que na forma de oblação. Nosso Senhor se ofereceu de uma forma sangrenta, cruenta, no altar da Cruz, sendo Ele mesmo o Sacerdote e a Vítima. E sobre nossos altares, se oferece, sendo igualmente o Sacerdote e a Vítima, por ministério dos sacerdotes.
Somente o sacerdote é o Ministro consagrado pelo Sacramento da Ordem, configurado, pelo Caráter, ao Sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecendo o Sacrifício da Missa, na pessoa de Cristo: "in persona Christi".
A presença real
Se se tira a Transubstanciação da Missa... Já que vos falei de Sacrifício, falemos agora da segunda coisa necessária, essencial, que é a Presença Real de Nosso Senhor, na Sagrada Eucaristia. Se se elimina a Transubstanciação... Esta palavra é de uma importância capital, porque, ao suprimi-la, se omite a presença real, e deixa, portanto, de haver Vítima.
Deixa de haver Vítima para o Sacrifício. E, portanto, deixa de haver Missa. Dizendo de outra maneira: deixa de existir Sacrifício e nossa Missa é vã. Ficamos sem Missa. (Deixou de ser o Sacrifício que nos deu Nosso Senhor, na Santa Ceia e na Cruz, e que mandou os Apóstolos o perpetuarem sobre o altar). É o segundo elemento indispensável. Primeiro, o Sacrifício, logo, a Presença Real. Falemos agora do Caráter sacerdotal do Ministro.
É o sacerdote, não os fiéis
É o sacerdote o que recebeu o encargo, de Deus Nosso Senhor, para continuar o Sacrifício. E de nenhuma forma os fiéis. É certo que os fieis têm de se unir ao Sacrifício, unir-se de todo coração, com toda a sua alma, à Vítima, que está sobre o altar, como deve fazer também o sacerdote. Mas os fiéis não podem oferecer, de forma alguma, o Santo Sacrifício, "in persona Christi", como o sacerdote.
O sacerdote está configurado ao Sacerdócio de Cristo, está marcado para sempre, para a eternidade. "Tu es sacerdos in aeternum"... Somente ele pode oferecer verdadeiramente o Sacrifício da Missa, o Sacrifício da Cruz. E, por conseguinte, somente ele pode pronunciar as palavras da Consagração.
De joelhos!
Não é normal que os leigos se coloquem ao redor do altar e que pronunciem todas as palavras da Missa, junto com o sacerdote. Porque eles não são sacerdotes no sentido próprio em que o é o sacerdote consagrado. Tampouco podemos considerar como coisa normal o ter suprimido todo sinal de respeito à Presença Real. À força de não ver nenhum respeito à Sagrada Eucaristia, acaba por não se crer na Presença Real. E quem se atreverá a chegar, por tal caminho, a coisa parecida, depois de meditar a divina Palavra, segundo a qual "ao nome de Jesus, que se dobre todo joelho, no céu, na terra e nos infernos"? Se somente ao nome há que ajoelhar-se, vamos permanecer de pé, quando está presente em realidade, na Sagrada Eucaristia?
Ao lugar onde se oferece um sacrifício, se dá o nome de altar. Por isso, não se pode aceitar, como substituto do altar, uma mesa comum, destinada às refeições, que, segundo recordava São Paulo, se encontram nos refeitórios das casas, para comer e beber. O altar tem que ser peça que não se traslade e onde se oferece e se derrama o sangue. No momento em que se converte o altar em mesa de refeitório se deixa de ser altar.
Tomado do protestantismo
Suprimir todos os altares que são verdadeiramente tais, pôr, em seu lugar, uma mesa de madeira, diante do altar que foi solenemente consagrado, é, precisamente, fazer desaparecer a noção de Sacrifício, que vimos é de importância capital para a Igreja Católica. E é desta forma como chegou e se consolidou o protestantismo. Por esta desaparição da ideia de Sacrifício, passou a Inglaterra inteira ao cisma e logo à heresia.
... Deslizando, deslizando, pouco a pouco, vamos tornar-nos protestantes, sequer sem dar-nos conta.”
(Mons. Marcel Lefebvre, La Misa Nueva)

http://www.nossasenhoradasalegrias.com.br

sábado, 12 de junho de 2021

Imigração à beira de destruir a Suécia


“O paraíso feminista, secularista, multicultural e anticristão com o nome de Suécia está à beira de se tornar num país falhado. Para além da mundialmente famosa taxa de violações, este país, que era apontado pelos menos informados como exemplo de "sucesso" das políticas esquerdistas, tem também uma crescente taxa de tiroteios e ataques à bomba.
Sem surpresa alguma, o motivo para o lento declínio da qualidade de vida dos suecos está associado às políticas migratórias e ao asfixiante politicamente correto (que pode destruir a vida profissional de quem defende o que a elite não quer que seja defendido).
Mas agora, e como seria de esperar, a polícia local está a perder o controle do que resta do país; não só eles estão a ser atacados como já não se sentem seguros para levar a cabo as suas funções. No início deste ano as forças polícias emitiram um grito de socorro, e no mês passado um oficial admitiu que o medo tomou conta dos operacionais.
No dia 18 de outubro houve um ataque à bomba na estação da polícia de Helsingborg e mais tarde uma chuva de balas atingiu casa de família dum policial. Em novembro houve outro ataque sério à polícia. Uma granada de mão foi atirada à estação de polícia em Uppsala.
Mas os policiais receberam também ameaças. Uma policial disse que teve sua vida ameaçada por um suspeito que publicou na internet a sua informação privada, fotos de si, do cônjuge, e do filho. Segundo ela, nada poderia ter sido feito para remediar a situação, e como tal, ela viu-se forçada a mudar de casa.
Há algum tempo atrás, foi perguntado ao jornalista sueco Peter Imanuelsen sobre a situação no país e ele afirmou:
Na minha opinião, a solução óbvia para parar esta epidemia é o governo sueco enviar os militares para as zonas "No-Go", e expulsar esses grupos criminosos migrantes.
Mas ele não é o único. Políticos do Partido Moderado da Suécia querem também que o exército seja enviado, o que para eles é gesto perfeitamente justificado. Por exemplo, na semana passada as equipes SWAT foram necessárias para dar apoio a bombeiros que trabalhavam num subúrbio migrante em Uppsala. Segundo um antigo habitante deste subúrbio, este local era um local tranquilo. Emanuel Imanuelsen, o pai de Peter, afirma:
Eu vivi em Gottsunda no ano de 1991. O mesmo era um subúrbio tranquilo de Uppsala, onde nada acontecia. Todas as pessoas podiam andar pelas ruas sem ter qualquer tipo de medo. Lembro-me duma jovem mulher que vivia num apartamento perto do meu e que não receava nada. Ninguém poderia imaginar que 25 anos mais tarde as coisas teriam mudado tanto que seria preciso escolta policial.
Claramente, a Suécia está a mudar rapidamente e a polícia está a perder o controle. Há duas maneiras de continuar: uma é a velha, com o politicamente correto e com o devaneio surrealista. A outra é encarar a realidade: a polícia está a perder o controle e é necessário restaurar a lei e a ordem em várias grandes cidades e em zonas "No-Go". Só o exército tem o equipamento e as habilidades necessárias para dominar e subjugar os grupos migrantes que estão a causar problemas.
***
Quem sabe da agenda do Marxismo Cultural, sabe que o apelo para o "restauro da ordem" é o objetivo de quem abriu as portas da imigração aos maometanos. Os globalistas que trouxeram os imigrantes para a Europa fizeram-no tendo como um dos propósitos gerar caos suficiente de modo a que o povo nativo apelasse para uma maior militarização da sociedade.
Depois dos militares terem sido colocados nas ruas, os mesmos não vão ser usados para acabar com a violência dos migrantes, mas sim como forma de controlar a população nativa. A Suécia pode ser vista como um tubo de ensaio para o que vai acontecer noutros países da Europa Ocidental à medida que a violência islâmica e o caos vão aumentado, e à medida que o povo nativo vai ansiando cada vez mais por ordem e tranquilidade.
Claro que a outra opção para se acabar com a violência dos imigrantes é levar a cabo deportações pacífica dos mesmos. Mas como isso iria de fato funcionar e aumentar a tranquilidade dos europeus, os globalistas nunca irão aceitar esta opção. Portanto, podemos prever que ou a Suécia se torna num estado policial, ou se torna num país cada vez mais violento e cada vez menos funcional.
Outra coisa que se pode prever é que, com o passar do tempo, cada vez menos feministas apontem para a Suécia como exemplo dum país feminista de sucesso, cada vez menos ateus apontem para a Suécia como "país ateu" de sucesso, e cada vez menos esquerdistas se lembrem de que a Suécia existe.”

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domingo, 30 de maio de 2021

Paradoxos dos “Direitos do Homem”


“Afastando estes tópicos, perguntemos porque é que o homem possui direitos inalienáveis enquanto homem, unicamente por ser homem?
A resposta assemelha-se simples. Exactamente porque o homem é um sujeito com consciência de si e, sobretudo, com uma natureza racional.
Simplesmente, uma dificuldade surge aqui. Se por natureza se entende essência, como o faz S. Tomás de Aquino [cf. Suma Teológica], torna-se patente que a essência do homem não é a racionalidade. Porventura será o homem só razão? Se assim fosse, o homem não poderia enganar-se, nem praticar o mal. Tudo quanto o homem fizesse seria verdadeiro e, então, seria verdade que o homem não tem dignidade nenhuma e meritório tratá-lo como um desvalor sem direitos.
Mas, observar-se-á, o homem não será só razão, por certo. No entanto, para além de Deus e dos anjos, é o único ente dotado de razão. E isso não bastará para lhe dar dignidade e direitos intrínsecos? Obviamente não, porque a razão é apenas um atributo do homem entre outros, existindo, ao lado dela, a capacidade de errar, de se abandonar ao que é vil e extremamente mesquinho, de agir irracionalmente, em suma. Onde estarão, nessa altura, a sua dignidade e direitos intrínsecos?
Sublinhar-se-á, a seguir, que é ele o único ente (além dos anjos e Deus) que pode praticar o Bem, coisa que não está na alçada dos gatinhos ou das pedras. Mas em contrapartida, também pode praticar infâmias, o que não acontece com os gatinhos ou as pedras.
Sem dúvida o homem, ontologicamente, é diferente dos animais e dos minerais; todavia, tal situação não equivale a ter dignidade e direitos enquanto homem, porque dignidade e direitos são categorias éticas, que não se confundem tout court com as categorias ontológicas.
Anotar-se-á que os homens, e apenas os homens, podem conseguir a Salvação e atingir a beatitude? Bem! Já que estamos, agora, numa perspectiva teológica, replicar-se-á que os homens também podem ir para o Inferno, que é o contrário da beatitude.
De resto, se há homens perfeita e cabalmente indignos, como nos dizem e repetem, em especial a propósito da guerra de 1939-1945, de que forma sustentar que o homem tem uma dignidade e direitos intrínsecos só por ser homem?
E examinemos outro problema. Qual o limite dos direitos inalienáveis de cada homem, uma vez que, tratando-se de elementos de uma multiplicidade, – cada homem – não se concebe como ilimitado?
Se utilizarmos um critério objectivo, superior ao próprio homem, para fixação daquele limite, estamos perante uma ambiguidade patente. Os direitos do homem serão delimitados por algo de extrínseco ao homem que, porventura, praticamente os reduzirá a nada.
Os direitos do homem, portanto, só poderão ser fixados pelos próprios homens. Mas isso não levantará conflitos entre estes? Talvez se responda que não, porque os homens, sendo finitos por definição, têm limites que não ultrapassam.
Simplesmente, até onde vão esses limites? A sua simples existência não impede eventuais conflitos. Um ente finito pode, indiscutivelmente, visar a eliminação de outro ente finito sem perder a sua finitude.
É preciso encontrar um critério de delimitação recíproca dos direitos do homem que não seja função de nada de exterior ao próprio homem. O problema parece difícil de resolver, mas em realidade não o é.
Basta considerar que cada um estabelecerá os direitos que lhe aprouver, desde que não viole os iguais direitos dos outros.
A fórmula, aliás, é antiga. Encontra-se no artigo IV da Déclaration des droits de l'homme et du citoyen, de 1789. "L'exercice des droits naturels de chaque homme n'a de bornes que celles qui assurent aux autres membres de la société la jouissance de ces mêmes droits".
À primeira vista, isto parece o mais claro possível. Os direitos do homem põem-se a si mesmos, juntamente com os seus próprios limites. Cada homem tem todos os direitos concebíveis, só não deve ir além do ponto em que se situam os direitos dos restantes.
Estamos perante uma concepção que representa a mais sólida razoabilidade e que, sem recorrer a nada de extrínseco, consegue pôr as barreiras necessárias aos direitos de cada um.
Contudo de Cila passamos a Caríbdis.
Com efeito, se o direito de A só é limitado pelo direito de B e o direito de B só é limitado pelo direito de A, para conhecermos até onde vai o direito de A – isto é, para conhecermos o direito de A – temos de conhecer, previamente, até onde vai o direito de B – isto é, temos de conhecer o direito de B. Mas, em contrapartida, para conhecermos o direito de B, temos de conhecer já o direito de A, que vimos depender do conhecimento do direito de B e assim sucessivamente.
Estamos num círculo vicioso ou dialelo nítido.
A fim de se saber até onde pode ir a vontade de A, é preciso saber até onde pode ir a vontade de B, e para saber até onde pode ir a vontade de B, é preciso saber até onde pode ir a vontade de A.
Anotar-se-á que isso é plenamente descabido. Basta esclarecer, inicialmente, o direito de A e de B, cada um de per si.
Todavia, estabelecer o direito de A é defini-lo, e definir, consoante a palavra indica, é marcar os fins, os contornos, logo, os limites. Não é possível uma definição anterior à delimitação, acontecendo que, neste caso, a única regra que se apresenta para a delimitação é uma devolução recíproca.
Não tem, pois, consistência a observação que nos fizeram e o círculo vicioso mantém-se.”
(António José de Brito, Alguns Paradoxos das Doutrinas sobre os Direitos dos Homens)

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quinta-feira, 13 de maio de 2021

Um católico não deve celebrar Martinho Lutero


“-Por que razão iria um Católico celebrar Martinho Lutero, quando toda a sua rebelião se baseia no ódio à Fé Católica?
Lutero Ataca o Papado
Um ponto central da sublevação de Lutero em 1517 foi um ataque em grande escala contra o Papado estabelecido por Cristo. Lutero não se opôs contra a política deste ou daquele Papa — que seria algo que até muitos santos fizeram. Em vez disso, Lutero delirava contra a instituição da Santa Sé no seu livro Contra o Papado Romano: Uma Instituição do Demônio.
Ele também denunciou o Papado quando o Papa Leão X lhe condenou a doutrina, na sua Bula Exurge Domine, de 1520. Lutero respondeu assim:
“-Digo e mantenho que o autor desta Bula é o Anticristo: Eu amaldiçôo-a por ser uma blasfêmia contra o Filho de Deus…Tenho confiança em que todas as pessoas que aceitarem esta Bula sofrerão as penas do Inferno… Onde estais vós, imperadores, reis e príncipes da terra que tolerais a voz infernal do Anticristo? A vós, Leão X, e a vós, Cardeais Romanos, eu vos digo na cara: -Renunciai à vossa blasfêmia satânica contra Jesus Cristo!”
Então, Lutero queimou a Bula pontifícia, gabando-se disso logo no dia seguinte:
“-Queimei ontem a obra demoníaca do Papa, e oxalá tivesse sido o Papa, ou seja, que tivesse sido a Sé Pontifícia que se tivesse consumido pelas chamas. Se não vos separardes de Roma, não há salvação para as vossas almas.”
Lutero Ataca a Santa Missa
Contra o Santo Sacrifício da Missa, a oração mais sagrada da Igreja, Lutero derramou sobre ela o seu vulgar desprezo.
Dizia ele que nenhum pecado de imoralidade, nem mesmo “o homicídio involuntário, o roubo, o assassinato ou o adultério é mais prejudicial do que esta abominação da Missa Papista.” Rosnava além disso que antes queria ter sido “dono de um bordel ou ladrão, do que ter blasfemado e difamado a Cristo durante 15 anos, pelo facto de ter celebrado a Missa.”
No seu opúsculo A Abrogação da Missa, que tinha por fim destruir a Missa, Lutero escreveu:
“-Estou plenamente convencido de que, com estes três argumentos [que antes invocara], todas as consciências piedosas se persuadirão de que este padre de Missa e o Papado não passam de obras de Satanás, e ficarão suficientemente advertidas contra a ideia de que, com estes sacerdotes, se faria alguma coisa piedosa ou boa. Agora todos ficarão a saber que está demonstrado que estas Missas sacrificiais são injuriosas para com o Testamento de Nosso Senhor; por isso, nada no Mundo inteiro deve ser tão odiado e detestado como os espetáculos hipócritas deste sacerdócio, as suas Missas e o seu culto, piedade e religião. Seria melhor ser conhecido publicamente como proxeneta ou ladrão do que ser um destes sacerdotes.”
O grande São João Fisher, que viveu no tempo de Lutero, expressou o seu horror perante a impiedade deste: “-Meu Deus!” — escrevia ele — “Como é possível ficar tranquilo quando se ouvem tais mentiras blasfemas contra os mistérios de Cristo? Como é possível ouvir sem ressentimento estes insultos ultrajantes arremessados contra os sacerdotes de Deus? Quem poderá ler tais blasfêmias sem chorar com profunda dor, se conservar no seu coração uma fagulha sequer, por mais pequenina que seja, de piedade cristã?”
A Perversão das Sagradas Escrituras
Um princípio basilar da rebelião de Lutero é ter “Somente a Bíblia” como única base da nossa crença. No sistema de Lutero, não há uma Igreja fundada pela Autoridade Divina para ensinar em Nome de Cristo; há simplesmente a Bíblia como a única fonte da Revelação Divina. Lutero ensinou isso, apesar de o princípio “Só a Bíblia” não existir em lugar nenhum da Bíblia – estando ele assim, paradoxalmente, a promover um princípio que não é bíblico!...
Ao mesmo tempo, Lutero manifestou desprezo pelas Sagradas Escrituras ao alterar textos sagrados para os adaptar às suas ideias pessoais. Assim, ele rejeitou a ideia de que as boas obras são necessárias para a salvação. Ele teve a audácia de alterar o 28º versículo do Capitulo III da Epístola de São Paulo aos Romanos em que se lê: “Assim, concluímos ser o homem justificado sem as obras, só pela fé na Lei.” Lutero acrescentou a palavra ‘só’ ao texto sagrado para reforçar a sua opinião herética. E a qualquer dos seus seguidores que se opusesse à perversão que fizera ao texto, Lutero fulminá-lo-ia:
“-Se qualquer Papista vos incomodar por causa da palavra [“só”], dizei-lhe sem hesitar: ‘-É o Dr. Martinho Lutero que assim o quer. Papista e asno são uma e a mesma coisa.”
Como é óbvio, o orgulho era um dos seus principais defeitos. Alardeando a infalibilidade e superioridade da sua própria doutrina, Lutero vangloriava-se:
“-Quem quer que ensine diferente de mim, mesmo que seja um anjo do Céu, que esse seja anátema!” Além disso, afirmou ainda: “-Sei que sou mais erudito que todas as universidades!…”
Lutero prosseguiu, rejeitando vários livros da Bíblia por os julgar inaceitáveis. Denunciou a Epístola de São Tiago por ser “uma epístola de palha”.
“Não mantenho” — dizia ele — “que sejam escritos autênticos de São Tiago nem posso incluí-los entre os livros principais”. O fato é que ele rejeitou a Epístola de São Tiago, porque proclama a necessidade das boas obras e isso estava em oposição com a sua heresia.
Lutero também rejeitou o Livro do Apocalipse:
“Há muitas coisas censuráveis neste livro; na minha opinião não tem qualquer característica apostólica ou profética…Toda a gente pode atingir uma compreensão pessoal deste livro; mas, quanto a mim, sinto aversão a ele — o que é, para mim, motivo suficiente para o rejeitar.”
De seguida, Lutero rejeitou a força obrigatória da lei moral:
“Devemos remover o Decálogo da vista e do coração.”
E além disso, afirmou:
“Se Moisés tentar intimidar-vos com os seus imbecis Dez Mandamentos, dizei-lhe sem hesitar: ‘-É melhor afastares-te dos Judeus!’”
Lutero Perverte a Moralidade
Lutero, um religioso Agostinho ordenado padre, quebrou o seu voto de celibato para se casar com uma freira, também sujeita a um voto de celibato. Lutero incentivou muitos outros padres e religiosos a quebrarem os seus votos de celibato e a casarem-se.
A abordagem de Lutero era, afinal de contas, uma entrega à sensualidade e ao mundanismo num tempo de lassidão moral. Como explica o professor Thomas Neil, o apelo de Lutero ao clero do seu tempo foi bem-sucedido: “Ofereceu-lhes esposas e eles queriam esposas. Tirou-os dos mosteiros e pô-los na praça pública, e eles queriam viver na sociedade mundana.”
O eminente convertido David Goldstein escreveu: “Os escritos de Lutero sobre as relações sexuais são o oposto daquilo que é decente. Só vamos encontrar a sua aprovação em escritos socialistas sobre o amor livre. É aí que os escritos libidinosos de Lutero lhe ganharam a distinção de ser considerado o ‘expoente clássico’ do ‘sensualismo saudável’. Muitas vezes através dos séculos, infelizmente, as imoralidades desacreditaram o ministério cristão; mas Lutero possui a distinção pouco invejável de ter mesmo defendido os pecados impuros como sendo ‘necessários’.” E porque Lutero ensinava que o homem é inerentemente corrupto e que os seus pecados nunca são realmente perdoados, mas apenas cobertos pelo sangue de Cristo sob a condição de ele fazer um ato de “fé” na salvação de Cristo, instou junto do seu amigo Melanchton:
“-Sê um pecador e peca com audácia, mas acredita com mais audácia ainda!”
-Como é contrária a isto a verdadeira Doutrina Católica, que nos manda não só evitar o pecado, mas também as ocasiões de pecar!
A Crueldade de Lutero
Apesar de Lutero se ter aproveitado dos camponeses do seu tempo para popularizar a sua sublevação que, inadvertidamente, provocou as classes proletárias a fazerem uma rebelião que tinha já vindo a ulcerar os seus corações, depois Lutero aliou-se aos príncipes contra os camponeses. Como exemplo da sua desumana crueldade, Lutero aconselhava os príncipes, no caso de os camponeses “roubarem e se tornarem vorazes como cães enfurecidos … -cortai-os em pedaços, estrangulai-os e apunhalai-os, tal como nós temos o dever de matar um cão raivoso.”
O Estilhaçamento da Cristandade
Na obra The Protestant Reformation, o Padre Thomas Scott Preston esboça as consequências do argumento de Lutero de que cada homem é livre de interpretar como quiser as Sagradas Escrituras.
“Em teoria” — escreve o Padre Preston — “o juízo privado destrói tanto o credo como a possibilidade de fé. Não pode haver um credo em que cada individuo é autor da sua própria fé. Não pode haver uma unicidade de fé quando todas as questões de crença são deixadas ao juízo do individuo. Cada homem é tão capaz como o outro no descobrimento da sua própria fé e na interpretação das Sagradas Escrituras, da Tradição ou da História; além disso, este juízo privado não é simplesmente um privilégio seu, mas um seu dever. Todos são obrigados – até os ignorantes e analfabetos – a decidir por si próprios quando não há autoridade e testemunhos divinos, e por isso há tantos credos quantos os indivíduos.”
Até o escritor não-Católico Friedrich Paulson assinalou corretamente: “O termo correto para descrever a Reforma deve ser ‘Revolução’ … A obra de Lutero não era uma Reforma, uma ‘re-formação’ da Igreja existente por meio das suas próprias instituições, mas sim a destruição da forma antiga e, na realidade, a negação fundamental de toda e qualquer Igreja.”
O resultado final foi o fato de milhões de almas se terem afastado da única verdadeira Igreja estabelecida por Cristo — o que, consequentemente, provocou o estilhaçamento da unicidade da Cristandade.
Como assinalou Monsenhor Joseph Clifford Fenton, eminente teólogo americano, a alegada Reforma da Igreja Católica por Martinho Lutero “consistiu num esforço para fazer com que as pessoas abandonassem a Fé Católica, e renunciassem à sua filiação à única verdadeira Igreja militante do Novo Testamento, para seguirem o ensinamento de Lutero e entrarem na sua organização.”
Apesar da desonestidade ecumênica e sentimental de eclesiásticos de altos cargos, não se pode disfarçar a arrogância de Lutero e os seus graves erros contra a Fé. Na verdade, a atual colaboração ecumênica entre Católicos e Luteranos é, nas palavras de Papa Pio XI, uma “falsa religião cristã, totalmente alheia à única e verdadeira Igreja de Cristo.”
Não Há Nada para Celebrar!
Os erros de Martinho Lutero — e do Protestantismo que ele iniciou — não poderiam ser mais contrários às lindas verdades católicas reiteradas por Nossa Senhora de Fátima.
Em Fátima, Nossa Senhora reafirmou doutrinas basilares católicas que Lutero negara, tais como a Missa e a Eucaristia, a realidade do pecado pessoal, a necessidade da Confissão e da reparação, a realidade e centralidade do Papado estabelecido por Cristo, a humildade da submissão à doutrina perene da Igreja Católica, e a caridade que deve mostrar-se ao próximo em vez da ordem de Lutero de “estrangular” e apunhalar” os camponeses, caso fiquem fora do controle das classes sociais superiores.
No dia 13 de Outubro de 1917, para comprovar a veracidade das Suas palavras, Nossa Senhora de Fátima operou o assombroso Milagre do Sol perante 70.000 testemunhas. Não há nenhuma comparação entre as formosas verdades proferidas por Nossa Senhora e o veneno herético vomitado por Martinho Lutero.
É por isso que é impossível condescender com o fato de um Católico ir celebrar Lutero de qualquer maneira que seja! Só os que têm uma mentalidade protestante e modernista farão isso. Martinho Lutero não deveria ser nem admirado nem imitado! Tal como a Igreja ensinou consistentemente ao longo de quatro séculos, a doutrina dele, e o movimento que ele começou são apenas dignos de condenação.
O 500º aniversário da sublevação destrutiva de Lutero deve antes ser um tempo em que os Católicos celebrem o centenário de 1917 de Nossa Senhora de Fátima, e em que rezem e trabalhem pela conversão dos Protestantes à única verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Católica.”

http://www.fatima.org

domingo, 2 de maio de 2021

Ou o Estado paternal, ou o Estado das feras tirânicas


“As nações ocidentais, perdida a religiosidade, vão-se tornando aos poucos as “Feras” da Escritura. O Estado moderno se torna aos poucos tirano. O “Estado” é uma consequência do pecado original, não é uma criação direta de Deus, é a “criação maior da razão prática” do homem, ensina Santo Tomás. No Paraíso Terrestre, se Adão não tivesse caído, teria havido governo, por certo; mas não governo estatal, e sim familiar e paterno. Isso já não se pode mais obter com perfeição. Entre os extremos do governo tirânico e do governo paterno, oscilam todos os regimes políticos humanos, depois do Pecado.
Nos grandes séculos cristãos tendeu-se a realizar o ideal do governo paterno: São Luís rei da França, São Fernando da Espanha, São Eduardo o Confessor. Havia um monarca que vinha ao trono com a naturalidade da fruta nas árvores, que tentava fazer-se respeitar e amar por todos, e que dava conta de suas ações só a Deus; e havia uma quantidade de forças políticas e sociais que tendiam a mantê-lo dentro da retidão; das quais a religião era a principal. Isso se chamou a Monarquia Cristã: durou dez séculos, fez a Europa; e caiu. O ideal tendia a “uma família”: ideal inexequível em sua totalidade, porque sempre haverá díscolos, a massa sempre será obscura, e o Estado sempre tenderá a usar da força; mas pelo menos havia um conato contínuo para sujeitar a força à razão e a razão ao amor; e para fazer chegar a nação a algo como “uma família”. Por isso justamente há mais sublevações nos países católicos que nos outros, e são mais difíceis de governar; o ideal atávico da “nação como uma família” trabalha terrivelmente nos franceses, nos italianos, nos hispânicos. “Os países protestantes são mais fáceis de conduzir, mas se são conduzidos mal, não têm remédio” – disse o líder irlandês Parnell.
Os homens hoje em dia preferem ter por cima tiranetes irresponsáveis, agitados e passageiros, que os oprimam em nome da “liberdade”. As condições mudaram, os homens já não podem confiar tanto uns nos outros para pôr à cabeça do bem público uma família permanente e inamovível, com poderes absolutos. Portanto ficou mais fácil o advento da “Fera”, que é o outro extremo do eixe político, o polo oposto ao “Pai”. Os grandes impérios pagãos que precederam a Cristo: Assíria, Pérsia, Grécia macedônica e Roma, foram pintados pelo profeta Daniel na figura de quatro feras; e com muita razão.
Na atual economia do mundo, a rejeição a Cristo leva necessariamente ao outro extremo da ordenação política; quer dizer, ao Estado pagão duro e implacável. Da quarta fera, o Império Romano, que Daniel descreve como uma mescla das outras e a mais terrível de todas, profetizou o vidente que surgirá, depois de muitos séculos e diversos avatares, a “Besta do Mar”, ou seja o Anticristo: um poder pequeno que se fará grande, um poder morto que ressuscitará, um poder iníquo que por causa da apostasia do mundo chegará a assenhorear-se de todo o mundo; afortunadamente, por pouco tempo.
Entretanto temos que ir vivendo e tendendo ao governo paternal no político e à obediência nobre e cavalheiresca; embora sejam ideais hoje em dia quase inexequíveis – pelo menos neste país sem esqueleto; quero dizer sem “estruturação política”; sem “instituições”.”
(Pe. Leonardo Castellani, El Evangelio de Jesucristo)