domingo, 11 de julho de 2021

O pacifismo não é cristão

“Pacifismo é sentimentalismo internacional – e definitivamente não é cristão. Certas seitas religiosas tais como os Menonitas e os Quakers são casos especiais que se sujeitam à regra do privilégio clerical: certos homens podem afastar-se dos deveres comuns da sociedade a fim de buscarem algum objetivo mais elevado que não vai contra a natureza da sociedade. Tolerância sujeita à regra da objeção de consciência é um luxo ao qual uma sociedade rica pode-se dar. Mas o Cristianismo não é uma idéia, uma teoria ou um privilégio especial. É um fato. E permanece o fato de que a história das nações cristãs tem sido continuamente militar. Os pacifistas cristãos têm que negar a prática real e universal de dois mil anos de Cristianismo, e para além da história até a eternidade com as guerras dos Tronos e Dominações, Principados e Potestades. ‘A guerra é o inferno’, disse Sherman; e o inferno por exata analogia teológica é um lugar de punição justa e eterna.”
(John Senior, The Death of Christian Culture)

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Destruir a Missa Nova


“Qual é a crise que estamos atravessando atualmente? Manifesta-se, no meu entender, sob quatro aspectos fundamentais para a Santa Igreja. Manifesta-se, à primeira vista, acredito eu, e me parece que é um dos aspectos mais graves, porque, para mim, se se estuda a história da Igreja, dá-se conta de que a grande crise que atravessou o século XVI, crise espantosa, que arrebatou à Santa Igreja milhões e milhões de almas, regiões inteiras, Estados na sua totalidade, esta crise foi, antes de tudo, uma crise do culto litúrgico; e que, se atualmente existem divisões entre aqueles que se dizem cristãos, há que se atribuir mais que a outras causas à forma de celebrar o culto litúrgico; e se os protestantes se separaram da Igreja, a causa principal é que os instigadores do protestantismo, como Lutero, disseram, desde o primeiro momento: "Se queremos destruir a Igreja temos que destruir a Santa Missa". Esta foi a chave de Lutero.
Tinha-se dado conta de que, se chegasse a por as mãos na Santa Missa, se conseguisse reduzir o Sacrifício da Missa a uma pura refeição, a uma comemoração ou recordação, a uma significação da comunidade cristã, a uma rememoração ou memorial da Paixão de Nosso Senhor e, como consequência, que ficasse mais débil o mais sagrado que há na Igreja, o mais santo que nos legou Nosso Senhor, o mais sacrossanto, ele conseguiria destruir a Igreja. E certamente, conseguiu, por desgraça, arrebatar à Igreja nações inteiras, obrando dessa forma.
A Missa, um sacrifício
Pois bem. Hoje existe uma tendência, que ninguém pode negar, de pôr as mãos sobre a Santa Missa. Chega-se a alterar coisas que são essenciais na Santa Missa. E quais são estas coisas essenciais, na Santa Missa? Em primeiro lugar, a Santa Missa é um sacrifício. Um sacrifício não é uma refeição. Mas, na atualidade, se quis desterrar até a palavra sacrifício. Fala-se de Ceia Eucarística, fala-se de comunhão eucarística..., fala-se de tudo o que se quer, com tal de não mencionar sequer a palavra sacrifício.
E, apesar disso, a Missa é, essencialmente, um sacrifício, o Sacrifício da Cruz; não é outra coisa. Substancialmente, o Sacrifício da Cruz e o Sacrifício da Missa são a mesma coisa e o mesmo e único Sacrifício.
Não há outra mutação que na forma de oblação. Nosso Senhor se ofereceu de uma forma sangrenta, cruenta, no altar da Cruz, sendo Ele mesmo o Sacerdote e a Vítima. E sobre nossos altares, se oferece, sendo igualmente o Sacerdote e a Vítima, por ministério dos sacerdotes.
Somente o sacerdote é o Ministro consagrado pelo Sacramento da Ordem, configurado, pelo Caráter, ao Sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecendo o Sacrifício da Missa, na pessoa de Cristo: "in persona Christi".
A presença real
Se se tira a Transubstanciação da Missa... Já que vos falei de Sacrifício, falemos agora da segunda coisa necessária, essencial, que é a Presença Real de Nosso Senhor, na Sagrada Eucaristia. Se se elimina a Transubstanciação... Esta palavra é de uma importância capital, porque, ao suprimi-la, se omite a presença real, e deixa, portanto, de haver Vítima.
Deixa de haver Vítima para o Sacrifício. E, portanto, deixa de haver Missa. Dizendo de outra maneira: deixa de existir Sacrifício e nossa Missa é vã. Ficamos sem Missa. (Deixou de ser o Sacrifício que nos deu Nosso Senhor, na Santa Ceia e na Cruz, e que mandou os Apóstolos o perpetuarem sobre o altar). É o segundo elemento indispensável. Primeiro, o Sacrifício, logo, a Presença Real. Falemos agora do Caráter sacerdotal do Ministro.
É o sacerdote, não os fiéis
É o sacerdote o que recebeu o encargo, de Deus Nosso Senhor, para continuar o Sacrifício. E de nenhuma forma os fiéis. É certo que os fieis têm de se unir ao Sacrifício, unir-se de todo coração, com toda a sua alma, à Vítima, que está sobre o altar, como deve fazer também o sacerdote. Mas os fiéis não podem oferecer, de forma alguma, o Santo Sacrifício, "in persona Christi", como o sacerdote.
O sacerdote está configurado ao Sacerdócio de Cristo, está marcado para sempre, para a eternidade. "Tu es sacerdos in aeternum"... Somente ele pode oferecer verdadeiramente o Sacrifício da Missa, o Sacrifício da Cruz. E, por conseguinte, somente ele pode pronunciar as palavras da Consagração.
De joelhos!
Não é normal que os leigos se coloquem ao redor do altar e que pronunciem todas as palavras da Missa, junto com o sacerdote. Porque eles não são sacerdotes no sentido próprio em que o é o sacerdote consagrado. Tampouco podemos considerar como coisa normal o ter suprimido todo sinal de respeito à Presença Real. À força de não ver nenhum respeito à Sagrada Eucaristia, acaba por não se crer na Presença Real. E quem se atreverá a chegar, por tal caminho, a coisa parecida, depois de meditar a divina Palavra, segundo a qual "ao nome de Jesus, que se dobre todo joelho, no céu, na terra e nos infernos"? Se somente ao nome há que ajoelhar-se, vamos permanecer de pé, quando está presente em realidade, na Sagrada Eucaristia?
Ao lugar onde se oferece um sacrifício, se dá o nome de altar. Por isso, não se pode aceitar, como substituto do altar, uma mesa comum, destinada às refeições, que, segundo recordava São Paulo, se encontram nos refeitórios das casas, para comer e beber. O altar tem que ser peça que não se traslade e onde se oferece e se derrama o sangue. No momento em que se converte o altar em mesa de refeitório se deixa de ser altar.
Tomado do protestantismo
Suprimir todos os altares que são verdadeiramente tais, pôr, em seu lugar, uma mesa de madeira, diante do altar que foi solenemente consagrado, é, precisamente, fazer desaparecer a noção de Sacrifício, que vimos é de importância capital para a Igreja Católica. E é desta forma como chegou e se consolidou o protestantismo. Por esta desaparição da ideia de Sacrifício, passou a Inglaterra inteira ao cisma e logo à heresia.
... Deslizando, deslizando, pouco a pouco, vamos tornar-nos protestantes, sequer sem dar-nos conta.”
(Mons. Marcel Lefebvre, La Misa Nueva)

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sábado, 12 de junho de 2021

Imigração à beira de destruir a Suécia


“O paraíso feminista, secularista, multicultural e anticristão com o nome de Suécia está à beira de se tornar num país falhado. Para além da mundialmente famosa taxa de violações, este país, que era apontado pelos menos informados como exemplo de "sucesso" das políticas esquerdistas, tem também uma crescente taxa de tiroteios e ataques à bomba.
Sem surpresa alguma, o motivo para o lento declínio da qualidade de vida dos suecos está associado às políticas migratórias e ao asfixiante politicamente correto (que pode destruir a vida profissional de quem defende o que a elite não quer que seja defendido).
Mas agora, e como seria de esperar, a polícia local está a perder o controle do que resta do país; não só eles estão a ser atacados como já não se sentem seguros para levar a cabo as suas funções. No início deste ano as forças polícias emitiram um grito de socorro, e no mês passado um oficial admitiu que o medo tomou conta dos operacionais.
No dia 18 de outubro houve um ataque à bomba na estação da polícia de Helsingborg e mais tarde uma chuva de balas atingiu casa de família dum policial. Em novembro houve outro ataque sério à polícia. Uma granada de mão foi atirada à estação de polícia em Uppsala.
Mas os policiais receberam também ameaças. Uma policial disse que teve sua vida ameaçada por um suspeito que publicou na internet a sua informação privada, fotos de si, do cônjuge, e do filho. Segundo ela, nada poderia ter sido feito para remediar a situação, e como tal, ela viu-se forçada a mudar de casa.
Há algum tempo atrás, foi perguntado ao jornalista sueco Peter Imanuelsen sobre a situação no país e ele afirmou:
Na minha opinião, a solução óbvia para parar esta epidemia é o governo sueco enviar os militares para as zonas "No-Go", e expulsar esses grupos criminosos migrantes.
Mas ele não é o único. Políticos do Partido Moderado da Suécia querem também que o exército seja enviado, o que para eles é gesto perfeitamente justificado. Por exemplo, na semana passada as equipes SWAT foram necessárias para dar apoio a bombeiros que trabalhavam num subúrbio migrante em Uppsala. Segundo um antigo habitante deste subúrbio, este local era um local tranquilo. Emanuel Imanuelsen, o pai de Peter, afirma:
Eu vivi em Gottsunda no ano de 1991. O mesmo era um subúrbio tranquilo de Uppsala, onde nada acontecia. Todas as pessoas podiam andar pelas ruas sem ter qualquer tipo de medo. Lembro-me duma jovem mulher que vivia num apartamento perto do meu e que não receava nada. Ninguém poderia imaginar que 25 anos mais tarde as coisas teriam mudado tanto que seria preciso escolta policial.
Claramente, a Suécia está a mudar rapidamente e a polícia está a perder o controle. Há duas maneiras de continuar: uma é a velha, com o politicamente correto e com o devaneio surrealista. A outra é encarar a realidade: a polícia está a perder o controle e é necessário restaurar a lei e a ordem em várias grandes cidades e em zonas "No-Go". Só o exército tem o equipamento e as habilidades necessárias para dominar e subjugar os grupos migrantes que estão a causar problemas.
***
Quem sabe da agenda do Marxismo Cultural, sabe que o apelo para o "restauro da ordem" é o objetivo de quem abriu as portas da imigração aos maometanos. Os globalistas que trouxeram os imigrantes para a Europa fizeram-no tendo como um dos propósitos gerar caos suficiente de modo a que o povo nativo apelasse para uma maior militarização da sociedade.
Depois dos militares terem sido colocados nas ruas, os mesmos não vão ser usados para acabar com a violência dos migrantes, mas sim como forma de controlar a população nativa. A Suécia pode ser vista como um tubo de ensaio para o que vai acontecer noutros países da Europa Ocidental à medida que a violência islâmica e o caos vão aumentado, e à medida que o povo nativo vai ansiando cada vez mais por ordem e tranquilidade.
Claro que a outra opção para se acabar com a violência dos imigrantes é levar a cabo deportações pacífica dos mesmos. Mas como isso iria de fato funcionar e aumentar a tranquilidade dos europeus, os globalistas nunca irão aceitar esta opção. Portanto, podemos prever que ou a Suécia se torna num estado policial, ou se torna num país cada vez mais violento e cada vez menos funcional.
Outra coisa que se pode prever é que, com o passar do tempo, cada vez menos feministas apontem para a Suécia como exemplo dum país feminista de sucesso, cada vez menos ateus apontem para a Suécia como "país ateu" de sucesso, e cada vez menos esquerdistas se lembrem de que a Suécia existe.”

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domingo, 30 de maio de 2021

Paradoxos dos “Direitos do Homem”


“Afastando estes tópicos, perguntemos porque é que o homem possui direitos inalienáveis enquanto homem, unicamente por ser homem?
A resposta assemelha-se simples. Exactamente porque o homem é um sujeito com consciência de si e, sobretudo, com uma natureza racional.
Simplesmente, uma dificuldade surge aqui. Se por natureza se entende essência, como o faz S. Tomás de Aquino [cf. Suma Teológica], torna-se patente que a essência do homem não é a racionalidade. Porventura será o homem só razão? Se assim fosse, o homem não poderia enganar-se, nem praticar o mal. Tudo quanto o homem fizesse seria verdadeiro e, então, seria verdade que o homem não tem dignidade nenhuma e meritório tratá-lo como um desvalor sem direitos.
Mas, observar-se-á, o homem não será só razão, por certo. No entanto, para além de Deus e dos anjos, é o único ente dotado de razão. E isso não bastará para lhe dar dignidade e direitos intrínsecos? Obviamente não, porque a razão é apenas um atributo do homem entre outros, existindo, ao lado dela, a capacidade de errar, de se abandonar ao que é vil e extremamente mesquinho, de agir irracionalmente, em suma. Onde estarão, nessa altura, a sua dignidade e direitos intrínsecos?
Sublinhar-se-á, a seguir, que é ele o único ente (além dos anjos e Deus) que pode praticar o Bem, coisa que não está na alçada dos gatinhos ou das pedras. Mas em contrapartida, também pode praticar infâmias, o que não acontece com os gatinhos ou as pedras.
Sem dúvida o homem, ontologicamente, é diferente dos animais e dos minerais; todavia, tal situação não equivale a ter dignidade e direitos enquanto homem, porque dignidade e direitos são categorias éticas, que não se confundem tout court com as categorias ontológicas.
Anotar-se-á que os homens, e apenas os homens, podem conseguir a Salvação e atingir a beatitude? Bem! Já que estamos, agora, numa perspectiva teológica, replicar-se-á que os homens também podem ir para o Inferno, que é o contrário da beatitude.
De resto, se há homens perfeita e cabalmente indignos, como nos dizem e repetem, em especial a propósito da guerra de 1939-1945, de que forma sustentar que o homem tem uma dignidade e direitos intrínsecos só por ser homem?
E examinemos outro problema. Qual o limite dos direitos inalienáveis de cada homem, uma vez que, tratando-se de elementos de uma multiplicidade, – cada homem – não se concebe como ilimitado?
Se utilizarmos um critério objectivo, superior ao próprio homem, para fixação daquele limite, estamos perante uma ambiguidade patente. Os direitos do homem serão delimitados por algo de extrínseco ao homem que, porventura, praticamente os reduzirá a nada.
Os direitos do homem, portanto, só poderão ser fixados pelos próprios homens. Mas isso não levantará conflitos entre estes? Talvez se responda que não, porque os homens, sendo finitos por definição, têm limites que não ultrapassam.
Simplesmente, até onde vão esses limites? A sua simples existência não impede eventuais conflitos. Um ente finito pode, indiscutivelmente, visar a eliminação de outro ente finito sem perder a sua finitude.
É preciso encontrar um critério de delimitação recíproca dos direitos do homem que não seja função de nada de exterior ao próprio homem. O problema parece difícil de resolver, mas em realidade não o é.
Basta considerar que cada um estabelecerá os direitos que lhe aprouver, desde que não viole os iguais direitos dos outros.
A fórmula, aliás, é antiga. Encontra-se no artigo IV da Déclaration des droits de l'homme et du citoyen, de 1789. "L'exercice des droits naturels de chaque homme n'a de bornes que celles qui assurent aux autres membres de la société la jouissance de ces mêmes droits".
À primeira vista, isto parece o mais claro possível. Os direitos do homem põem-se a si mesmos, juntamente com os seus próprios limites. Cada homem tem todos os direitos concebíveis, só não deve ir além do ponto em que se situam os direitos dos restantes.
Estamos perante uma concepção que representa a mais sólida razoabilidade e que, sem recorrer a nada de extrínseco, consegue pôr as barreiras necessárias aos direitos de cada um.
Contudo de Cila passamos a Caríbdis.
Com efeito, se o direito de A só é limitado pelo direito de B e o direito de B só é limitado pelo direito de A, para conhecermos até onde vai o direito de A – isto é, para conhecermos o direito de A – temos de conhecer, previamente, até onde vai o direito de B – isto é, temos de conhecer o direito de B. Mas, em contrapartida, para conhecermos o direito de B, temos de conhecer já o direito de A, que vimos depender do conhecimento do direito de B e assim sucessivamente.
Estamos num círculo vicioso ou dialelo nítido.
A fim de se saber até onde pode ir a vontade de A, é preciso saber até onde pode ir a vontade de B, e para saber até onde pode ir a vontade de B, é preciso saber até onde pode ir a vontade de A.
Anotar-se-á que isso é plenamente descabido. Basta esclarecer, inicialmente, o direito de A e de B, cada um de per si.
Todavia, estabelecer o direito de A é defini-lo, e definir, consoante a palavra indica, é marcar os fins, os contornos, logo, os limites. Não é possível uma definição anterior à delimitação, acontecendo que, neste caso, a única regra que se apresenta para a delimitação é uma devolução recíproca.
Não tem, pois, consistência a observação que nos fizeram e o círculo vicioso mantém-se.”
(António José de Brito, Alguns Paradoxos das Doutrinas sobre os Direitos dos Homens)

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quinta-feira, 13 de maio de 2021

Um católico não deve celebrar Martinho Lutero


“-Por que razão iria um Católico celebrar Martinho Lutero, quando toda a sua rebelião se baseia no ódio à Fé Católica?
Lutero Ataca o Papado
Um ponto central da sublevação de Lutero em 1517 foi um ataque em grande escala contra o Papado estabelecido por Cristo. Lutero não se opôs contra a política deste ou daquele Papa — que seria algo que até muitos santos fizeram. Em vez disso, Lutero delirava contra a instituição da Santa Sé no seu livro Contra o Papado Romano: Uma Instituição do Demônio.
Ele também denunciou o Papado quando o Papa Leão X lhe condenou a doutrina, na sua Bula Exurge Domine, de 1520. Lutero respondeu assim:
“-Digo e mantenho que o autor desta Bula é o Anticristo: Eu amaldiçôo-a por ser uma blasfêmia contra o Filho de Deus…Tenho confiança em que todas as pessoas que aceitarem esta Bula sofrerão as penas do Inferno… Onde estais vós, imperadores, reis e príncipes da terra que tolerais a voz infernal do Anticristo? A vós, Leão X, e a vós, Cardeais Romanos, eu vos digo na cara: -Renunciai à vossa blasfêmia satânica contra Jesus Cristo!”
Então, Lutero queimou a Bula pontifícia, gabando-se disso logo no dia seguinte:
“-Queimei ontem a obra demoníaca do Papa, e oxalá tivesse sido o Papa, ou seja, que tivesse sido a Sé Pontifícia que se tivesse consumido pelas chamas. Se não vos separardes de Roma, não há salvação para as vossas almas.”
Lutero Ataca a Santa Missa
Contra o Santo Sacrifício da Missa, a oração mais sagrada da Igreja, Lutero derramou sobre ela o seu vulgar desprezo.
Dizia ele que nenhum pecado de imoralidade, nem mesmo “o homicídio involuntário, o roubo, o assassinato ou o adultério é mais prejudicial do que esta abominação da Missa Papista.” Rosnava além disso que antes queria ter sido “dono de um bordel ou ladrão, do que ter blasfemado e difamado a Cristo durante 15 anos, pelo facto de ter celebrado a Missa.”
No seu opúsculo A Abrogação da Missa, que tinha por fim destruir a Missa, Lutero escreveu:
“-Estou plenamente convencido de que, com estes três argumentos [que antes invocara], todas as consciências piedosas se persuadirão de que este padre de Missa e o Papado não passam de obras de Satanás, e ficarão suficientemente advertidas contra a ideia de que, com estes sacerdotes, se faria alguma coisa piedosa ou boa. Agora todos ficarão a saber que está demonstrado que estas Missas sacrificiais são injuriosas para com o Testamento de Nosso Senhor; por isso, nada no Mundo inteiro deve ser tão odiado e detestado como os espetáculos hipócritas deste sacerdócio, as suas Missas e o seu culto, piedade e religião. Seria melhor ser conhecido publicamente como proxeneta ou ladrão do que ser um destes sacerdotes.”
O grande São João Fisher, que viveu no tempo de Lutero, expressou o seu horror perante a impiedade deste: “-Meu Deus!” — escrevia ele — “Como é possível ficar tranquilo quando se ouvem tais mentiras blasfemas contra os mistérios de Cristo? Como é possível ouvir sem ressentimento estes insultos ultrajantes arremessados contra os sacerdotes de Deus? Quem poderá ler tais blasfêmias sem chorar com profunda dor, se conservar no seu coração uma fagulha sequer, por mais pequenina que seja, de piedade cristã?”
A Perversão das Sagradas Escrituras
Um princípio basilar da rebelião de Lutero é ter “Somente a Bíblia” como única base da nossa crença. No sistema de Lutero, não há uma Igreja fundada pela Autoridade Divina para ensinar em Nome de Cristo; há simplesmente a Bíblia como a única fonte da Revelação Divina. Lutero ensinou isso, apesar de o princípio “Só a Bíblia” não existir em lugar nenhum da Bíblia – estando ele assim, paradoxalmente, a promover um princípio que não é bíblico!...
Ao mesmo tempo, Lutero manifestou desprezo pelas Sagradas Escrituras ao alterar textos sagrados para os adaptar às suas ideias pessoais. Assim, ele rejeitou a ideia de que as boas obras são necessárias para a salvação. Ele teve a audácia de alterar o 28º versículo do Capitulo III da Epístola de São Paulo aos Romanos em que se lê: “Assim, concluímos ser o homem justificado sem as obras, só pela fé na Lei.” Lutero acrescentou a palavra ‘só’ ao texto sagrado para reforçar a sua opinião herética. E a qualquer dos seus seguidores que se opusesse à perversão que fizera ao texto, Lutero fulminá-lo-ia:
“-Se qualquer Papista vos incomodar por causa da palavra [“só”], dizei-lhe sem hesitar: ‘-É o Dr. Martinho Lutero que assim o quer. Papista e asno são uma e a mesma coisa.”
Como é óbvio, o orgulho era um dos seus principais defeitos. Alardeando a infalibilidade e superioridade da sua própria doutrina, Lutero vangloriava-se:
“-Quem quer que ensine diferente de mim, mesmo que seja um anjo do Céu, que esse seja anátema!” Além disso, afirmou ainda: “-Sei que sou mais erudito que todas as universidades!…”
Lutero prosseguiu, rejeitando vários livros da Bíblia por os julgar inaceitáveis. Denunciou a Epístola de São Tiago por ser “uma epístola de palha”.
“Não mantenho” — dizia ele — “que sejam escritos autênticos de São Tiago nem posso incluí-los entre os livros principais”. O fato é que ele rejeitou a Epístola de São Tiago, porque proclama a necessidade das boas obras e isso estava em oposição com a sua heresia.
Lutero também rejeitou o Livro do Apocalipse:
“Há muitas coisas censuráveis neste livro; na minha opinião não tem qualquer característica apostólica ou profética…Toda a gente pode atingir uma compreensão pessoal deste livro; mas, quanto a mim, sinto aversão a ele — o que é, para mim, motivo suficiente para o rejeitar.”
De seguida, Lutero rejeitou a força obrigatória da lei moral:
“Devemos remover o Decálogo da vista e do coração.”
E além disso, afirmou:
“Se Moisés tentar intimidar-vos com os seus imbecis Dez Mandamentos, dizei-lhe sem hesitar: ‘-É melhor afastares-te dos Judeus!’”
Lutero Perverte a Moralidade
Lutero, um religioso Agostinho ordenado padre, quebrou o seu voto de celibato para se casar com uma freira, também sujeita a um voto de celibato. Lutero incentivou muitos outros padres e religiosos a quebrarem os seus votos de celibato e a casarem-se.
A abordagem de Lutero era, afinal de contas, uma entrega à sensualidade e ao mundanismo num tempo de lassidão moral. Como explica o professor Thomas Neil, o apelo de Lutero ao clero do seu tempo foi bem-sucedido: “Ofereceu-lhes esposas e eles queriam esposas. Tirou-os dos mosteiros e pô-los na praça pública, e eles queriam viver na sociedade mundana.”
O eminente convertido David Goldstein escreveu: “Os escritos de Lutero sobre as relações sexuais são o oposto daquilo que é decente. Só vamos encontrar a sua aprovação em escritos socialistas sobre o amor livre. É aí que os escritos libidinosos de Lutero lhe ganharam a distinção de ser considerado o ‘expoente clássico’ do ‘sensualismo saudável’. Muitas vezes através dos séculos, infelizmente, as imoralidades desacreditaram o ministério cristão; mas Lutero possui a distinção pouco invejável de ter mesmo defendido os pecados impuros como sendo ‘necessários’.” E porque Lutero ensinava que o homem é inerentemente corrupto e que os seus pecados nunca são realmente perdoados, mas apenas cobertos pelo sangue de Cristo sob a condição de ele fazer um ato de “fé” na salvação de Cristo, instou junto do seu amigo Melanchton:
“-Sê um pecador e peca com audácia, mas acredita com mais audácia ainda!”
-Como é contrária a isto a verdadeira Doutrina Católica, que nos manda não só evitar o pecado, mas também as ocasiões de pecar!
A Crueldade de Lutero
Apesar de Lutero se ter aproveitado dos camponeses do seu tempo para popularizar a sua sublevação que, inadvertidamente, provocou as classes proletárias a fazerem uma rebelião que tinha já vindo a ulcerar os seus corações, depois Lutero aliou-se aos príncipes contra os camponeses. Como exemplo da sua desumana crueldade, Lutero aconselhava os príncipes, no caso de os camponeses “roubarem e se tornarem vorazes como cães enfurecidos … -cortai-os em pedaços, estrangulai-os e apunhalai-os, tal como nós temos o dever de matar um cão raivoso.”
O Estilhaçamento da Cristandade
Na obra The Protestant Reformation, o Padre Thomas Scott Preston esboça as consequências do argumento de Lutero de que cada homem é livre de interpretar como quiser as Sagradas Escrituras.
“Em teoria” — escreve o Padre Preston — “o juízo privado destrói tanto o credo como a possibilidade de fé. Não pode haver um credo em que cada individuo é autor da sua própria fé. Não pode haver uma unicidade de fé quando todas as questões de crença são deixadas ao juízo do individuo. Cada homem é tão capaz como o outro no descobrimento da sua própria fé e na interpretação das Sagradas Escrituras, da Tradição ou da História; além disso, este juízo privado não é simplesmente um privilégio seu, mas um seu dever. Todos são obrigados – até os ignorantes e analfabetos – a decidir por si próprios quando não há autoridade e testemunhos divinos, e por isso há tantos credos quantos os indivíduos.”
Até o escritor não-Católico Friedrich Paulson assinalou corretamente: “O termo correto para descrever a Reforma deve ser ‘Revolução’ … A obra de Lutero não era uma Reforma, uma ‘re-formação’ da Igreja existente por meio das suas próprias instituições, mas sim a destruição da forma antiga e, na realidade, a negação fundamental de toda e qualquer Igreja.”
O resultado final foi o fato de milhões de almas se terem afastado da única verdadeira Igreja estabelecida por Cristo — o que, consequentemente, provocou o estilhaçamento da unicidade da Cristandade.
Como assinalou Monsenhor Joseph Clifford Fenton, eminente teólogo americano, a alegada Reforma da Igreja Católica por Martinho Lutero “consistiu num esforço para fazer com que as pessoas abandonassem a Fé Católica, e renunciassem à sua filiação à única verdadeira Igreja militante do Novo Testamento, para seguirem o ensinamento de Lutero e entrarem na sua organização.”
Apesar da desonestidade ecumênica e sentimental de eclesiásticos de altos cargos, não se pode disfarçar a arrogância de Lutero e os seus graves erros contra a Fé. Na verdade, a atual colaboração ecumênica entre Católicos e Luteranos é, nas palavras de Papa Pio XI, uma “falsa religião cristã, totalmente alheia à única e verdadeira Igreja de Cristo.”
Não Há Nada para Celebrar!
Os erros de Martinho Lutero — e do Protestantismo que ele iniciou — não poderiam ser mais contrários às lindas verdades católicas reiteradas por Nossa Senhora de Fátima.
Em Fátima, Nossa Senhora reafirmou doutrinas basilares católicas que Lutero negara, tais como a Missa e a Eucaristia, a realidade do pecado pessoal, a necessidade da Confissão e da reparação, a realidade e centralidade do Papado estabelecido por Cristo, a humildade da submissão à doutrina perene da Igreja Católica, e a caridade que deve mostrar-se ao próximo em vez da ordem de Lutero de “estrangular” e apunhalar” os camponeses, caso fiquem fora do controle das classes sociais superiores.
No dia 13 de Outubro de 1917, para comprovar a veracidade das Suas palavras, Nossa Senhora de Fátima operou o assombroso Milagre do Sol perante 70.000 testemunhas. Não há nenhuma comparação entre as formosas verdades proferidas por Nossa Senhora e o veneno herético vomitado por Martinho Lutero.
É por isso que é impossível condescender com o fato de um Católico ir celebrar Lutero de qualquer maneira que seja! Só os que têm uma mentalidade protestante e modernista farão isso. Martinho Lutero não deveria ser nem admirado nem imitado! Tal como a Igreja ensinou consistentemente ao longo de quatro séculos, a doutrina dele, e o movimento que ele começou são apenas dignos de condenação.
O 500º aniversário da sublevação destrutiva de Lutero deve antes ser um tempo em que os Católicos celebrem o centenário de 1917 de Nossa Senhora de Fátima, e em que rezem e trabalhem pela conversão dos Protestantes à única verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Católica.”

http://www.fatima.org

domingo, 2 de maio de 2021

Ou o Estado paternal, ou o Estado das feras tirânicas


“As nações ocidentais, perdida a religiosidade, vão-se tornando aos poucos as “Feras” da Escritura. O Estado moderno se torna aos poucos tirano. O “Estado” é uma consequência do pecado original, não é uma criação direta de Deus, é a “criação maior da razão prática” do homem, ensina Santo Tomás. No Paraíso Terrestre, se Adão não tivesse caído, teria havido governo, por certo; mas não governo estatal, e sim familiar e paterno. Isso já não se pode mais obter com perfeição. Entre os extremos do governo tirânico e do governo paterno, oscilam todos os regimes políticos humanos, depois do Pecado.
Nos grandes séculos cristãos tendeu-se a realizar o ideal do governo paterno: São Luís rei da França, São Fernando da Espanha, São Eduardo o Confessor. Havia um monarca que vinha ao trono com a naturalidade da fruta nas árvores, que tentava fazer-se respeitar e amar por todos, e que dava conta de suas ações só a Deus; e havia uma quantidade de forças políticas e sociais que tendiam a mantê-lo dentro da retidão; das quais a religião era a principal. Isso se chamou a Monarquia Cristã: durou dez séculos, fez a Europa; e caiu. O ideal tendia a “uma família”: ideal inexequível em sua totalidade, porque sempre haverá díscolos, a massa sempre será obscura, e o Estado sempre tenderá a usar da força; mas pelo menos havia um conato contínuo para sujeitar a força à razão e a razão ao amor; e para fazer chegar a nação a algo como “uma família”. Por isso justamente há mais sublevações nos países católicos que nos outros, e são mais difíceis de governar; o ideal atávico da “nação como uma família” trabalha terrivelmente nos franceses, nos italianos, nos hispânicos. “Os países protestantes são mais fáceis de conduzir, mas se são conduzidos mal, não têm remédio” – disse o líder irlandês Parnell.
Os homens hoje em dia preferem ter por cima tiranetes irresponsáveis, agitados e passageiros, que os oprimam em nome da “liberdade”. As condições mudaram, os homens já não podem confiar tanto uns nos outros para pôr à cabeça do bem público uma família permanente e inamovível, com poderes absolutos. Portanto ficou mais fácil o advento da “Fera”, que é o outro extremo do eixe político, o polo oposto ao “Pai”. Os grandes impérios pagãos que precederam a Cristo: Assíria, Pérsia, Grécia macedônica e Roma, foram pintados pelo profeta Daniel na figura de quatro feras; e com muita razão.
Na atual economia do mundo, a rejeição a Cristo leva necessariamente ao outro extremo da ordenação política; quer dizer, ao Estado pagão duro e implacável. Da quarta fera, o Império Romano, que Daniel descreve como uma mescla das outras e a mais terrível de todas, profetizou o vidente que surgirá, depois de muitos séculos e diversos avatares, a “Besta do Mar”, ou seja o Anticristo: um poder pequeno que se fará grande, um poder morto que ressuscitará, um poder iníquo que por causa da apostasia do mundo chegará a assenhorear-se de todo o mundo; afortunadamente, por pouco tempo.
Entretanto temos que ir vivendo e tendendo ao governo paternal no político e à obediência nobre e cavalheiresca; embora sejam ideais hoje em dia quase inexequíveis – pelo menos neste país sem esqueleto; quero dizer sem “estruturação política”; sem “instituições”.”
(Pe. Leonardo Castellani, El Evangelio de Jesucristo)

domingo, 25 de abril de 2021

São Marcos

"São Marcos Evangelista foi um discípulo de São Pedro. Foi o autor do Evangelho Segundo São Marcos e o fundador da Igreja de Alexandria.
São Marcos era de origem hebraica, da tribo de Levi. Como era costume entre os hebreus, São Marcos recebeu dois nomes, um hebreu – João e outro romano – Marcos.
Sua mãe é mencionada na Bíblia em Atos dos apóstolos (12-12): “Pedro então refletiu e foi para a casa de Maria, mãe de João, também chamado de Marcos, onde muitos se haviam reunido para rezar”.
Marcos fazia parte dos setenta apóstolos que propagavam a fé cristã. Era primo de Barnabé, um companheiro de viagem de Paulo. Na primeira viagem apostólica de Paulo, Marcos o acompanhou, momento em que desenvolveu o gosto pelas atividades apostólicas, mas depois se afastou da fé.
Discípulo de Pedro
Posteriormente, Marcos foi um dos primeiros discípulos de Pedro, que lhe restituiu a fé após ele ter deixado Jesus.
Na festa de Pentecostes recebeu o santo Batismo das mãos do Príncipe dos Apóstolos, uma vez que em sua primeira epístola, Pedro o chama de filho: (I Pedro, 5 – 13) “A comunidade que vive na Babilônia, escolhida como vocês, manda saudações. Marcos, meu filho, também manda saudações”.
Evangelho de São Marcos
No ano de 42, quando Pedro teve que se ausentar de Roma, entregou a vigilância da jovem Igreja a seu discípulo Marcos.
Atendendo aos pedidos dos primeiros cristãos de Roma, de deixar-lhes um documento escrito, que contivesse tudo que ouviram da doutrina, dos milagres e da morte de Jesus, São Marcos escreveu o Evangelho que recebeu seu nome com a finalidade precisa de responder à pergunta: “Quem é Jesus”.
O evangelista, porém não responde com doutrinas teóricas ou discursos de Jesus. Ele apenas relata a prática ou atividade de Jesus, fazendo compreender que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. Marcos deixa claro que sua obra não é completa e que o leitor, através de sua própria vida, torne-se discípulo de Jesus.
Igreja de Alexandria
Depois de ter passado alguns anos em Roma, São Marcos foi enviado por Pedro para evangelizar Aquileia, cidade de considerável tamanho, onde ele conseguiu formar uma grande cristandade.
Em seguida foi enviado para evangelizar o Egito. Marcos desembarcou em Cirene na Pentápolis, esteve na Líbia e em Tebaida, e finalmente chegou a Alexandria, onde fixou residência e permaneceu durante 19 anos.
Nessa época, edificou uma igreja dedicada a São Pedro, a Igreja de Alexandria.
Depois de várias perseguições e dois anos ausente da cidade, ao retornar foi perseguido pelos pagãos que estavam ressentidos com a propagação da religião cristã.
Ao prendê-lo, colocaram uma corda em seu pescoço e o arrastaram pelas ruas da cidade até sua morte.
Em 828, seus restos mortais foram transportados para Veneza e colocados em um edifício construído para guardar as relíquias do apóstolo. Hoje, no local, se encontra erguida a Basílica de São Marcos, na Praça de São Marcos em Veneza, em sua homenagem."

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quinta-feira, 22 de abril de 2021

A desfiguração da França


“A França pode morrer progressivamente no início do século XXI, e o pode fazer muito mais rápido do que demorou a nascer. Deve-se restabelecer uma verdade incessantemente escarnecida: o território francês das Gálias não conheceu até a metade do século XX nenhuma imigração de importância e as únicas imigrações provinham de populações européias aparentadas. Sempre se havia preservado uma homogeneidade étnica. Agora a ruptura se produziu, como em outras partes da Europa ocidental durante as décadas catastróficas dos 60 e dos 70, quando começou um fluxo migratório ininterrupto e massivo (algo nunca visto na história desde milênios) junto com um decréscimo dramático da natalidade dos franceses e europeus de pura cepa. Essa imigração trouxe consigo o milenário islã, totalmente incompatível com a civilização européia e em conflito com ela desde o século VII. Frente a esse fenômeno invasor, as elites francesas e européias não só se têm mostrado passivas, mas o têm favorecido. As elites européias colaboram com a invasão. Isto é absolutamente incompreensível para um chinês, um japonês, até um africano.
Vejam os filmes e as fotos da França dos anos 60. A paisagem humana mudou. E o processo está em seus inícios. Um fotógrafo amigo meu fez uma brincadeira: montou uma exposição sobre a vida diária na África equatorial e no Magreb. Na verdade, as fotos foram tiradas na região parisina.
Em numerosas zonas já não se trata de “minorias” mas de uma maioria. Se nada muda, demograficamente, serão os franceses autóctones (ou seja, de origem européia) os que podem tornar-se minoritários. Já o estamos vendo: com o fracasso da integração, são os autóctones os que devem adaptar-se. Isso vai-se agravar. Os sintomas clínicos do desaparecimento da identidade francesa européia, ou seja da mesma França, já estão presentes.
Assistimos ao apequenamento do substrato humano dos franceses de pura cepa, daqueles que se sentem étnica, histórica e afetivamente franceses e europeus. O sistema educativo já não ensina a história do país como fazia antes a “educação republicana”. Está em ação um movimento geral de “desfrancesação”, tanto étnico como cultural. Os que protestam contra a americanização se equivocam totalmente. O problema real é a submissão às culturas dos novos imigrantes, muçulmanos, africanos...
Salvo exceções e minorias, não se vê nenhum sinal de integração à nação francesa entre as massas de jovens das novas populações imigradas. Pelo contrário, nota-se uma rejeição massiva, associada a uma secessão, a um princípio de reações insurrecionais, sob todos os pretextos. O islã é o principal combustível desse fenômeno. Trata-se de um processo de destruição viral do organismo, a partir do interior mais que do exterior. Não há integração nem assimilação, logo não há aculturação das minorias à maioria, já que essas minorias estão se tornando maiorias, e são mais jovens que os autóctones. São estes últimos os que se aculturam. É o movimento inverso o que tem lugar. Os que se querem integrar e se sentem franceses não representam mais que uma minoria, apenas os 5%. Os demais: os indiferentes (asiáticos e outros, imigração econômica) e os hostis, que são uma grande maioria, para os quais o islã é o motor central da revanche e da conquista.
A nova França, Françarábia, será uma simples prolongação do mundo árabe-muçulmano ao final de um processo invasivo por baixo? A mudança de idioma, de religião, de cultura está em marcha e as elites cobrem os olhos. A verdade é demasiado simples para ser entendida pelo espírito intelectual que prefere a complicação da escolástica e sua sábia organização de mentiras e erros. O intelectual é incapaz de adivinhar o futuro. Ademais, uma ideologia presentista, que nega o enraizamento, é incapaz de prever o futuro.”
(Guillaume Faye, ¿Puede Francia morir en el siglo XXI?)

domingo, 11 de abril de 2021

Governo global

“A expressão "governo global" é uma figura de linguagem, uma metonímia. Designa um poder global informal pelo nome de uma instituição que não existe, que talvez não venha a existir nunca, mas de cujas funções ideais ele já exerce algumas na realidade.
Nenhum presidente do mundo ou parlamento global decretou oficialmente a agenda abortista, feminista, racialista ou gayzista, nem o controle politicamente correto da linguagem, nem o favorecimento legal aos criminosos, nem o desarmamentismo civil, nem o boicote geral ao cristianismo, nem a abertura das fronteiras à imigração em massa.
No entanto, todas essas medidas vêm sendo impostas em escala global com uma rapidez e uma eficiência avassaladoras, assim como a política de intimidação aos adversos e refratários, rotulados, com uniformidade mundial, de fascistas, neonazistas ou, na mais branda das hipóteses, de paranóicos e teóricos da conspiração.
Negar a existência de um poder global sob a alegação da dificuldade de constituir um governo mundial como entidade legalmente reconhecida é negar a existência de crimes sob a desculpa de que não são permitidos pelo Código Penal. É a apoteose do formalismo jurídico em oposição à realidade dos fatos.
O fato de que todas essas agendas estejam sendo impostas simultaneamente em toda parte, exceto no Islam e na Rússia, é a prova definitiva da concorrência entre os três esquemas globalistas, que mencionei no debate com o prof. Duguin.
Dizer que nenhuma dessas agendas foi imposta pela força, que os governos nacionais as aceitaram espontaneamente, só prova uma coisa: que em inúmeros países a classe governante já aderiu à ideologia globalista e a impõe a seu próprio povo por vontade própria. Isso é a prova cabal de que o globalismo já possui a HEGEMONIA, e uma hegemonia não se impõe sem o trabalho de inumeráveis agentes de influência, com muito planejamento e investimentos colossais. ISSO é o poder global.”
(Olavo de Carvalho, em postagens no Facebook)

domingo, 28 de março de 2021

Igualitarismo, imoralidade, injustiça e impiedade

“No centenário da Revolução Comunista Russa e das Aparições de Nossa Senhora de Fátima, desejaria registrar a publicação de duas obras muito boas que contribuem notavelmente para a compreensão do erro do igualitarismo, um dos erros espalhados pela Rússia comunista, conforme profetizou Nossa Senhora.
Com efeito, o igualitarismo representa um atentado, que diria de inspiração satânica, contra a obra da criação. Deus estabeleceu uma ordem hierárquica no reino da criação. No reino mineral há minerais mais preciosos ou nobres e outros mais vis; igualmente no reino vegetal onde se vêem, por exemplo, árvores mais nobres como o carvalho e o cedro e outras mais baixas. Assim também no reino animal. Nenhum criador de cavalo da raça manga-larga diria que um cavalo desta raça substitui perfeitamente a outro da mesma raça e muito menos pode ser substituído por um pangaré. Nenhum chefe de família, nenhum pai, dirá que um filho seu substitui a outro ou que sua mulher amada pode ser substituída por outra. Cada um é único e insubstituível com suas qualidades e defeitos próprios.
O que quero dizer é que igualdade plena só pode haver entre os artefatos humanos produzidos em série: um parafuso pode ser igual a outro e ser substituído por outro, uma fechadura pode ser trocada por outra igual que venha a ocupar o seu lugar e desempenhar perfeitamente sua função. Mas nas criaturas de Deus não há jamais igualdade.
O igualitarismo denunciado pelas obras que passarei a resenhar em seguida tem consequências perniciosas, produzindo um caos em todas as instituições sociais a partir da família, comprometendo o progresso cultural e sócio-econômico de toda uma civilização, na medida em que impede o desenvolvimento das qualidades e aptidões humanas que se encontram distribuídas pelo Criador de forma escalonada e harmoniosa, de maneira que cada criatura concorra para o bem comum. É por isto que Santo Agostinho diz Ubi enim nulla est invidentia, concors est differentia (Onde não há inveja a diferença gera a concórdia). E como não há sociedade sem autoridade, o igualitarismo, se não destrói a autoridade, ao menos lhe diminui o prestígio, o que a impede de coordenar as atividades e esforços de todos os membros da sociedade em prol do bem comum.
Uma das boas contribuições para entender os malefícios do igualitarismo no centenário da Revolução Comunista (que prometeu o paraíso da igualdade na terra e instaurou o pior regime de escravidão que jamais houve na história do mundo) é o livro Utopia igualitária – Aviltamento da dignidade humana, do Eng. Adolpho Lindenberg, publicado pela editora Ambientes e Costumes.
De leitura amena e rica de informações e conceitos, a referida obra trata do problema do igualitarismo em uma perspectiva, diria, histórico-sociológica, tantos são os exemplos tirados da história e do dia-a-dia. Recordando inicialmente a igualdade essencial entre os homens decorrente da mesma natureza humana, o autor em seguida desenvolve uma boa explicação das razões pelas quais as desigualdades acidentais são justas e benfazejas. O autor refuta um erro muito comum em nossos dias, segundo o qual a proximidade física entre ricos e pobres é fator de desunião e conflito. O Eng. Adolpho Lindenberg mostra que, pelo contrário, tal proximidade, quando bem concebida, promove a cooperação. E a título de ilustração recordo um fato da vida do grande pintor brasileiro Batista da Costa. Quando era menino pobre, retratava paisagens nos carreadores das fazendas no interior Estado do Rio de Janeiro. Um belo dia um fazendeiro passeando a cavalo encontrou o menino, reconheceu-lhe o talento e a partir de então tornou-se seu benfeitor. Depois que se tornou um artista afamado, Batista da Costa expressava ao benfeitor sua gratidão, presenteando-o com suas belas obras. É um exemplo de uma mentalidade nobre anti-igualitária que vê sempre no superior um benfeitor.
O autor se reporta também a grandes historiadores franceses que estudaram a fundo o Antigo Regime e mostraram como as desigualdades acidentais entre os homens, quando vividas em uma sociedade realmente cristã, não ferem mas sempre concorrem para o bem e aperfeiçoamento de toda a sociedade. O autor analisa como o igualitarismo moderno está destruindo a noção do respeito e da reverência devidos aos mais velhos e aos mestres que se sacrificaram pelas novas gerações. Explica também que defender a autoridade em nome da desigualdade entre os homens não significa defender um regime centralizado, autoritário e muito menos ainda totalitário. Para tanto, o autor explana muito bem o conceito de sociedade orgânica, traçando um paralelo entre a monarquia orgânica medieval e o regime absolutista centralizador. Na minha modesta opinião, poderia ter acrescentado que tal tendência à centralização só fez crescer após a Revolução Francesa como observa Alexis de Tocqueville em O Antigo Regime e a Revolução. Quem sabe, em uma desejável segunda edição, se acrescente esta observação além de uma revisão de alguns lapsos de digitação.
Vale assinalar que o Eng. Adolpho Lindenberg faz ver uma arguta relação de causa e efeito entre o igualitarismo e o ateísmo contemporâneo citando um teórico marxista francês. Com efeito, o igualitarismo, o sufrágio universal, o republicanismo revolucionário, a meu ver, sempre impediram que o homem visse a bondade de Deus no mistério da Encarnação do Verbo. Como um igualitarista poderá reconhecer o aniquilamento de um Deus que se faz homem? Achará que o Verbo Encarnado e ele são iguais.
Por fim, cumpre dizer que são saborosas as recordações do autor com relação a algumas personalidades marcantes que foram exemplos de autoridade moral depois de uma vida de servidos prestados à nação. O autor refere-se ao prestígio do Presidente Wenceslau Brás, à gratidão de toda uma cidade de que gozava a Professora Mimi (que golpeou com sua sombrinha um milico bajulador do Getúlio Vargas) e o respeito de que era cercado o Presidente Washington Luís Pereira de Sousa. deposto em 1930. De fato, as pessoas mais velhas testemunham como o melhor da sociedade paulistana acorreu ao Pacaembu em 1946 para saudá-lo quando o estadista retornou do exílio.
A outra obra que me parece recomendável para compreender o problema do igualitarismo é Le dérèglement moral de l’Occident, de Philippe Bénéton. Infelizmente, até o momento, conheço-a apenas por meio de uma entrevista concedida pelo autor à revista Valeurs Actuelles. Em uma perspectiva filosófica o autor disseca o igualitarismo, dizendo que a igualdade moderna é vazia de substância: “O outro é meu igual, não porque tenhamos em comum algo de substancial que nos distingue como seres humanos, mas porque nós não temos nada em comum senão a liberdade de não ter nada em comum. Os indivíduos são iguais porque eles são livres de ser diferentes e as diferenças não fazem a diferença (…) A orientação geral é clara: trata-se de despojar a natureza para guarnecer o cesto da vontade. Todos somos senhores. Nenhuma ordem criada, nenhuma natureza das coisas que fixe uma hierarquia nas maneiras de viver, nenhuma diferença de natureza que seja uma diferença significativa.”
Na mesma entrevista Philippe Bénéton mostra o absurdo da nova ideologia dos direitos humanos: “Os direitos do homem tornaram-se essencialmente os direitos do indivíduo e esses direitos individuais multiplicaram-se. Não há, no fundo, senão duas categorias legítimas: o indivíduo e a humanidade. Desaparecem então os direitos do cidadão, os direitos da nação e os dos corpos intermediários (em particular os da família), entrementes a lista dos direitos não cessou e não cessa de crescer: direito ao aborto, à criança, à igualdade de gêneros, às diversas 'orientações sexuais'.”
Desenvolvendo sua reflexão, Bénéton diz que o que mudou é o fundamento dos direitos: “Todos esses direitos novos podem basicamente ser agrupados em duas categorias: o direito à autonomia pessoal, o direito a não discriminação. Os princípios que os justificam são as novas versões da liberdade e da igualdade. Em consequência, os novos direitos estão no fundamento de uma nova moral que se substituiu por completo à moral tradicional. A moral das virtudes cede lugar à moral dos que podem tudo (la morale des ayants droit). Sirvam de exemplo as coisas da carne (empregando uma linguagem dos tempos obscuros): a falta não está mais na impureza, ela se encerra, confunde-se doravante com a violação dos direitos do outro. A libertinagem é uma excelente coisa contanto que nenhuma suspeita de desigualdade lance uma sombra sinistra sobre os entretenimentos que se deseja sejam os mais livres possível.”
E conclui Bénéton: “A consciência moral tende, pois, a confundir-se com a consciência jurídica. O permitido e o proibido delimitam o bem e o mal. O direito dos direitos do homem tornou-se nossa nova bússola. Por outro lado, ele é hoje um direito metapolítico que se impõe aos cidadãos sem que os cidadãos possam dizer sua palavra. Os juízes (na Europa, os juízes da Corte europeia dos direitos do homem) desempenham um papel chave em consonância com as minorias ativas. O pequeno número decide pelo grande número.”
Como se vê pela análise do filósofo Philippe Bénéton, o igualitarismo é um dos pilares da democracia totalitária moderna. Esta, baseada no igualitarismo, no individualismo e no relativismo, vem destruindo a sociedade orgânica tradicional. A família tradicional, instituída conforme o direito natural e divino pela união de um homem e de uma mulher para a propagação da espécie, está sacrificada nas aras dos direitos e garantias individuais. Não pode mais haver homens membros de uma família com história e glória próprias. Só pode haver indivíduos. Não pode haver mais cidadãos de uma república e muito menos ainda súditos de um reino. Só pode haver indivíduos representantes da humanidade, membros de uma república maçônica universal. É esta ideologia dos direitos humanos que está destruindo a Europa com a invasão de muçulmanos que conta com as bênçãos de Francisco I. É esta ideologia, tão bem denunciada por Philippe Bénéton, que influenciou o Vaticano II (Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa e Gaudium et spes sobre a Igreja e o mundo contemporâneo) que está originando uma nova religião do igualitarismo que não reconhece mais a diferença entre o Criador e a criatura, não dá mais glória à Majestade Divina e zomba do Onipotente. Mas de Deus não se zomba.
A primeira parte das profecias de Fátima já se cumpriu (A Rússia espalhará seus erros pelo mundo). Aguardemos com fé e esperança o cumprimento da segunda parte: Por fim, meu Imaculado Coração triunfará.”

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