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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Transgeneridade é um transtorno mental, afirma médico norte-americano


“Dr. McHugh, autor de seis livros e pelo menos 125 artigos médicos, fez essas afirmações em um comentário recente no Wall Street Journal, onde explicou que a cirurgia transexual não é a solução para as pessoas que sofrem dessa desordem – a noção de que a sua masculinidade ou feminilidade é diferente do que a natureza lhes atribuiu biologicamente.
Ele também falou sobre um novo estudo que mostra que a taxa de suicídio entre pessoas transexuais que fizeram a cirurgia de redesignação é 20 vezes maior do que a taxa de suicídio entre os não-transexuais. Dr. McHugh ainda mencionou que estudos da Universidade de Vanderbilt e da Portman Clinic, de Londres, observaram algumas crianças que haviam demonstrado comportamentos transexuais. Ao longo do tempo, de 70% a 80% dessas crianças deixaram espontaneamente esses comportamentos.
Enquanto o governo Obama, Hollywood e grandes meios de comunicação, como a revista Time, promovem o fenômeno transgênero como algo normal, disse o Dr. McHugh, “os legisladores e os meios de comunicação prestam um desfavor ao público e às pessoas transgêneras tratando suas confusões como um direito que precisa ser defendido e não como um transtorno mental que necessita de compreensão, tratamento e prevenção”.
Segundo o médico, a desordem do transgênero consiste na “suposição” de que eles são diferentes da realidade física de seu corpo, da sua masculinidade ou feminilidade, conforme atribuído pela natureza. É uma doença semelhante à de uma pessoa extremamente magra que sofre de anorexia, que se olha no espelho e pensa que está acima do peso.
Esta suposição de que o gênero é apenas uma condição mental, desprezando a anatomia, tem levado algumas pessoas transexuais a requerer que a sociedade aceite essa “verdade pessoal” subjetiva, disse o Dr. McHugh. Como resultado, alguns estados – Califórnia, New Jersey e Massachusetts – aprovaram leis barrando psiquiatras, mesmo com a autorização dos pais, de se esforçarem para restaurar os sentimentos de gênero naturais a um menor transgênero.
Os ativistas da causa transgênera não querem saber dos estudos que mostram que entre 70% e 80% das crianças que expressam sentimentos transexuais perdem espontaneamente esses sentimentos ao longo do tempo. Além disso, dos que fizeram a cirurgia de redesignação sexual, a maioria disse estar “satisfeita” com a operação, mas suas condições psico-sociais posteriores não são melhores do que aqueles que não fizeram a cirurgia.
“Assim, o Hospital Hopkins parou de fazer a cirurgia de redesignação sexual, uma vez que um paciente “satisfeito ” mas ainda perturbado parecia uma razão inadequada para amputar cirurgicamente os órgãos normais” disse o Dr. McHugh.
O ex-chefe do hospital também alertou contra permitir ou incentivar certos subgrupos, tais como os jovens, suscetíveis a apologia do “tudo é normal” presente na educação sexual, e aos “gurus da diversidade” que habitam as escolas, que, como “líderes culturais”, podem incentivar estes jovens a se distanciar de suas famílias e oferecer conselhos sobre como rebater argumentos contrários à cirurgia transexual.
“Mudança de sexo é biologicamente impossível”, disse McHugh. “As pessoas que se submetem à cirurgia de redesignação de sexo não mudam de homens para mulheres ou vice-versa. Em vez disso, eles se tornam homens feminilizados ou mulheres masculinizadas. Alegar que isso é uma questão de direitos civis e encorajar a intervenção cirúrgica é, na realidade, promover um transtorno mental.””

https://pautaprincipal.wordpress.com

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

É a cultura que influencia o comportamento sexual e não o nível de renda

“No post sobre o texto "Me deixem ser pai da minha filha" (http://on.fb.me/1BplI2n), mostrei os problemas diretamente relacionados à ausência paterna na criação de filhos e, das poucas objeções nos comentários, destaco duas: exemplos de mães que criaram bem seus filhos sem pai e a idéia de que os números apresentados são resultado da pobreza e não da ausência paterna. Vamos esclarecer as duas.
Em primeiro lugar, um erro comum nesse tipo de discussão é achar que ciências sociais são exatas. Quando se diz que um fator contribui para um determinado resultado não quer dizer que toda vez acontecerá dessa forma, apenas que há uma tendência e é essa tendência que está sendo medida.
Sempre haverá um "ah, eu conheço o fulano que foi diferente", o que não invalida em nada as conclusões gerais ou os números apresentados. Uma pesquisa que mostre que crianças que usam drogas têm problemas escolares, por exemplo, não é invalidada porque alguém diz "ah, mas eu conheço um menino que cheirou cocaína e passou de ano". O importante em sociologia e nesse tipo de levantamento é entender a tendência geral do comportamento em uma determinada situação e não a busca de regras gerais que sejam aplicáveis a 100% dos casos.
Sobre os números e a pobreza, há uma mistura de ignorância e preconceito em relação aos pobres, como se pobreza e sexo livre fossem sinônimos. No gráfico do post você vai ver que em 1963, um ano antes de Lyndon Johnson lançar seu pacote de medidas assistencialistas batizado de "Great Society", 93% das crianças americanas nasciam em lares de pais casados contra apenas 40% hoje. Houve uma radical mudança cultural no país e não econômica. Repare também que na década de 30, período da Grande Depressão, praticamente não houve alteração do índice.
A queda vertiginosa do número de crianças nascidas em lares de pais casados em 50 anos nos EUA não tem nada a ver com a variação dos níveis de pobreza mas com as idéias disseminadas pela elite cultural ocidental a partir dos anos 60, que foram particularmente impactantes nas faixas de renda mais baixas da população. O aumento do índice de crianças geradas por mães solteiras não foi causado pela pobreza, pelo contrário, foi a pobreza, a falta de informação e uma tendência a mimetizar o comportamento das celebridades e elites que se mostraram um terreno fértil para a assimilação dessas idéias. É como o nome de crianças de celebridades e de pais ricos que, em cinco a dez anos, viram moda para o resto da população, como mostrado por Levitt e Dubner em "Freakonomics".
Existe uma relação entre casamento e padrão de vida, claro, o que já foi medido em diversas pesquisas. Crianças nascidas de mães solteiras nos EUA são pobres em 36,5% dos casos, enquanto apenas 6,4% das crianças criadas por pais casados são pobres, e é por isso que muitos defendem que o casamento é a maior arma contra a pobreza no país.
A educação é outro fator importante nessa tendência. Das mães que não completaram o ensino médio, 67,4% tiveram filhos sem estar casadas, enquanto apenas 8,1% das mães com curso superior completo tiveram o filho solteiras.
Outro dado que deve ser mencionado é que 71,2% das famílias pobres com crianças nos EUA são comandados por solteiros, um número que despenca para 26% entre os lares fora da linha da pobreza.
Quando se juntam os dados de educação e estado civil, os números ficam ainda mais gritantes. Lares com crianças em que o responsável pela casa é casado e tem curso superior estão na pobreza em apenas 1,5% dos casos, ou seja, se você tem curso superior completo e é casado com filhos nos EUA, sua chance de ser pobre é próxima de zero. Já se o responsável pelo lar é solteiro, não completou o ensino médio e tem filhos, sua chance de ser pobre é de 47%.
É claro que números como esses levam a uma leitura apressada de alguns que saem gritando "tá vendo? é a pobreza!" por não se darem ao trabalho de olhar as séries históricas e também checar dados de outros países do mundo não tão influenciados pelas idéias e valores da geração porralouca dos anos 60, que foi a Woodstock fazer filhos se drogando na lama e que hoje está no poder nos EUA.
Há também a questão racial. Enquanto a média nacional de crianças nascidas de pais não casados hoje é de 40% nos EUA, o número de crianças brancas nascidas assim é de 28,6% contra 52,5% dos hispânicos e 72,3% dos negros do país. Mas nem sempre foi assim.
Voltando à época de Lyndon Johnson, em 1964 o número de crianças negras nascidas de pais solteiros era de apenas 24,5%, pulando para 50,3% em 1976, chegando a 70,7% em 1994. Em apenas 30 anos, de 1 em cada 4 crianças negras que nasciam em lares com pais não-casados o número dispara para quase 3 em cada 4. Não há qualquer relação entre esses números e o nível sócio-econômico da população, mas tudo a ver com a mudança cultural do país com reflexos diretos nessa população.
Negros conservadores americanos, como Thomas Sowell, Larry Elder, Jason Riley, entre outros, estão cada vez mais batendo na tecla da cultura pop consumida pelos negros do país que, segundo eles, incentiva e aplaude todo tipo de comportamento socialmente repreensível com consequências sociais desastrosas, como o gangsta rap. Thomas Sowell culpa a “destruição da família negra americana” à criação do que chama de uma “subcultura” com todo tipo de comportamento sexualmente irresponsável sendo glorificado, inclusive pelas elites culturais do país, além da queda do padrão educacional. Veja Sowell comentando esse tema aqui: http://youtu.be/hs5qvovJkwI.
Outro argumento em favor da idéia de que é a cultura que influencia o comportamento sexual e não o nível de renda é olhar estes números em outros países do mundo. No Japão, apenas 2% das crianças que nascem são filhas de mães solteiras. Dados dos anos 90 falam em 3% para Israel e 5% para China. Na América Latina, diretamente influenciada pela cultura americana, os números são ainda maiores do que nos EUA: México 55%, Argentina 58%, Brasil 66%, Paraguai 70% e Colômbia 74%. A média na Europa é de 39%, variando de apenas 7,6% na Grécia, 15,4% na Croácia e 28% na Itália até 47,6% na Grã-Bretanha e Portugal, 54,5% na Suécia, 57,1% na França e 66% na Islândia.
A grande variedade desses números mostra que é a cultura específica de cada país que mais influencia o índice de crianças nascidas e criadas em lares de pais solteiros e não a pobreza como alguns ainda acham. Se a pobreza levasse a mais nascimentos de crianças sem pais casados, por que a Grécia (renda per capita de US$ 21 mil) tem menos de 8% da crianças nessa situação enquanto a Islândia (US$ 45 mil de renda per capita) tem 66%? Por que a Croácia (US$ 13,5 mil de renda per capita) tem 15,4% de crianças nascidas de mães solteiras contra os 57,1% da França (US$ 46 mil de renda per capita)? O Japão tem a terceira maior economia do mundo e quase todas as crianças nascem em lares de pais casados. O Brasil tem a sétima economia do planeta e 2 em cada 3 crianças nascem de mães solteiras.
O assunto é explosivo, politicamente incorreto e envolto em muito preconceito. Mesmo que muita gente não goste, é perfeitamente possível mostrar que o estado civil dos pais e a presença do pai na educação dos filhos tem uma influência no futuro da criança tão ou mais importante do que apenas seu nível de renda.”
(Alexandre Borges, em postagem no Facebook de 25.01.2015)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O inverno demográfico


“Se as tendências atuais se mantiverem, não vamos ficar sem energia ou outros recursos naturais no futuro próximo. Vamos ficar sem pessoas. Essa catástrofe global será o resultado da fertilidade rapidamente declinante, conhecida como Inverno Demográfico.
Em 1960, no mundo inteiro, toda mulher em média tinha 5 filhos. Agora, esse número é 2.6 e está caindo – em outras palavras, um declínio de quase 50 por cento em pouco mais de 50 anos. Hoje, 59 países com 44 por cento da população mundial têm fertilidade abaixo da reposição. Muitas nações desenvolvidas têm taxas de fertilidade de 1.5 ou menores, sendo necessária uma taxa de 2.1 para somente repor a população atual.
Isso não aconteceu espontaneamente. O Inverno Demográfico é o resultado direto da Revolução Sexual – que começou a aparecer no final dos anos 60, quando, não por coincidência, as taxas de nascimento começaram a cair.
O dogma da Revolução Sexual – que se transformou em sabedoria social enraizada no Ocidente – pode ser resumido como segue:
1. O sexo é o aspecto mais importante da existência;
2. Quando o sexo é consensual, é sempre bom;
3. O principal propósito do sexo é o prazer, não a procriação ou a expressão física do amor;
4. O principal propósito da vida é o prazer;
5. As inibições levam a neuroses e devem ser superadas;
6. O sexo não tem nada a ver com a moralidade; e
7. O sexo deveria ser não apenas livre de culpa, mas livre de conseqüências – daí a contracepção, daí o aborto, daí o abandono do casamento.
Os profetas da Revolução Sexual incluem Sigmund Freud, “pesquisadores” como Alfred Kinsey e Masters e Johnson, pornógrafos como o fundador da Playboy, Hugh Hefner, e feministas como Margaret Sanger, Betty Friedan e Simone de Beauvoir. Nos Estados Unidos, a Revolução Sexual é liderada por grupos como a Planned Parenthood [Planejamento Familiar], a National Organization for Women [Organização Nacional pelas Mulheres], a (homossexual) Human Rights Campaign [Campanha pelos Direitos Humanos], e o Sexuality Information and Education Council of the U.S (SIECUS) [Conselho de Informação e Educação sobre Sexualidade dos EUA].
O impacto da Revolução Sexual sobre a fertilidade não pode ser subestimado.
Pela primeira vez na história, pouco menos da metade da população mundial em idade fértil faz uso de alguma forma de controle de natalidade. Em 2015, o mercado de contraceptivos vai gerar uma renda estimada de 17.2 bilhões de dólares por ano.
De forma espantosa, isso é financiado por governos, empresas e agências de ajuda internacionais. Outras espécies se extinguiram. A nossa pode ser a primeira a financiar sua própria extinção.
No mundo inteiro, há aproximadamente 42 milhões de aborto por ano. Isso é mais do que o dobro do número de militares mortos na Segunda Guerra Mundial.
De um ponto de vista demográfico, não estamos apenas perdendo 42 milhões de pessoas anualmente, mas também seus filhos, netos e outros descendentes através dos tempos. Estamos, literalmente, abortando nosso futuro.
A fuga do casamento afetou a fertilidade ainda mais profundamente do que os contraceptivos. Na França, em 2010, mais pessoas começaram a viver juntas do que casadas.
Nos Estados Unidos, em 1960, 59 por cento das pessoas entre 18 e 29 anos de idade (os que estavam no ápice de seus anos férteis) estavam casados, em comparação com apenas 20 por cento hoje.
Outrora uma realidade central da existência, o casamento está se tornando cada vez mais opcional. Em seu lugar veio a coabitação, as relações casuais e os nascimentos fora do matrimônio. Não surpreende que menos casamentos – especialmente os contraídos mais cedo – resultem em menos filhos.
Assim como o Inverno Demográfico é o resultado da Revolução Sexual, esta é o resultado do que se chama Marxismo Cultural – um movimento associado com Antonio Gramsci, a Escola de Frankfurt e Herbert Marcuse.
O Marxismo Cultural foi sua resposta ao fracasso da revolução mundial após a Primeira Guerra Mundial. Gramsci acreditava que família e igreja davam aos trabalhadores o que os comunistas chamavam uma “falsa consciência de classe” que os fazia imunes aos encantos do Marxismo.
A solução, então, era destruir a família e a religião – e que melhor meio de fazê-lo do que promover a licenciosidade sexual e uma sociedade orientada ao prazer irrefletido e longe de lareira e lar?
Embora não haja prova de que a fertilidade dramaticamente declinante seja o que o Marxismo Cultural desejava, é a conseqüência natural de se criar uma sociedade altamente erotizada onde a família é vista como um obstáculo à satisfação pessoal e as crianças, como um fardo.
Não encontraremos a saída da floresta do Inverno Demográfico até que a Revolução Sexual seja destruída – seus profetas, desmascarados e seu dogma, ridicularizado.
Em última análise, a Revolução Sexual tem a ver com morte – aborto, contracepção, doenças sexualmente transmissíveis, pornografia e promiscuidade, em lugar de casamento, fidelidade, procriação e responsabilidade.
Para combatermos tanto a Revolução Sexual quanto o Inverno Demográfico, devemos abraçar uma filosofia de vida. Pois não nos diz a Bíblia: “ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade”?”
(Don Feder, The Only Way to Beat Our Demographic Crisis Is to Confront the Sexual Revolution)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Controle populacional e Nova Ordem Mundial (II)

“Planejamento familiar”: A linguagem do inimigo
A família numerosa era sinônimo de família cristã durante o pontificado de Pio XII e antes dele. Mas os anos 60 trouxeram uma mudança. As profundas mudanças sociais representadas pela revolução sexual foram tão profundas que nem a Igreja Católica as evitou. A propósito, a nova orientação eclesiástica depois do Concílio Vaticano II não será também definida pelas mudanças e novidades? Até na Igreja, tudo deve ser apresentado de uma maneira nova — temos a Nova Missa (o novo rito da Missa), a nova evangelização, o novo Código de Direito Canônico, temos mudanças na maneira como a Igreja encara as falsas religiões e o mundo moderno, etc., etc.
Neste contexto, não surpreende que também com respeito à procriação encontremos uma linguagem e uma metodologia semelhantes às que são usadas pelos nossos inimigos. Embora a famosa encíclica Humanae Vitae mantivesse os ensinamentos tradicionais contra a contracepção artificial, neste importante documento papal encontramos as palavras seguintes:
As mudanças que se têm verificado são de importância considerável e variadas na sua natureza. Em primeiro lugar, há um rápido aumento da população, que fez com que muitos receiem que a população mundial irá crescer mais depressa do que os recursos disponíveis.
O fato de poder ter havido um crescimento demográfico com resultados potencialmente desastrosos não é posto em causa na encíclica. Desde então, continuamos a ler ou a ouvir dos púlpitos comentários sobre a “paternidade responsável”, sobre como é sinal de responsabilidade limitar o número dos filhos, mesmo não havendo razões sérias para evitar a gravidez e ter mais um filho. Nos círculos católicos conservadores, que não aprovam o uso da contracepção, popularizam uma prática largamente aceite pelos jovens católicos de hoje, os programas de “planejamento familiar natural” (PFN).
Pela minha experiência pessoal de há alguns anos, posso atestar o fato de que nunca me disseram nada sobre as condições em que é legítimo limitar as relações maritais aos dias de infertilidade. Quando li a literatura do PFN, vi que tratava sobretudo de como evitar a gravidez, em vez de ajudar a compreender melhor o ciclo da mulher para facilitar a concepção. O que é perturbador é que encontrei a mesma linha de pensamento do PFN numa literatura, escrita em tcheco, a favor de contracepção. O PFN é ali apresentado como um meio de os casais de mentalidade religiosa ou ecológica evitarem a gravidez!
Não estou a dizer que o PFN é idêntico à contracepção artificial; estou a dizer que pode ser mal usado com grande facilidade para fins condenáveis.
Como se conseguiu esta mudança de mentalidade, uma mudança da abertura perante a vida para evitar o nascimento sem haver uma razão séria para tal? Devemos compreender que a Igreja Católica era o maior obstáculo aos programas de controle da população e ao seu sucesso em todo o mundo. A Igreja e os seus ensinamentos sobre a procriação tinham, portanto, de ser atacados, e atacados de dentro, pelos próprios católicos. Os revolucionários precisavam desesperadamente de alguns católicos bem conhecidos que trabalhassem a favor da mudança de mentalidade a partir do interior das estruturas católicas.
John Rock e a Pílula
Por detrás do projeto de eugenia da população encontram-se nomes famosos pelo que eles chamam “filantropia”: os Rockefellers, a Fundação Ford, e outros financeiros bem conhecidos da revolução moderna. Isto certamente já saberão. Mas sabiam que foram estas bolsas que alimentaram um obstetra católico, o Dr. John Rock, no seu trabalho, coroado de sucesso, de fabricar a Pílula? Sim, a Pílula foi inventada por um católico!
Rock estudou a função, o tempo e o desencadeamento químico da ovulação e da concepção. O seu trabalho levou a uma compreensão mais clara dos ciclos de fertilidade, o que forneceu um ponto de partida para o desenvolvimento do método do “ritmo” do controle da natalidade. Em 1939, fundou a primeira “clínica de ritmo” nos Estados Unidos, para pacientes do Hospital Livre de Boston para Mulheres. Rock sublinhou que a sua “clínica de ritmo” tinha por fim ajudar as mulheres não-férteis, permitindo-lhes que identificassem a melhor altura para a concepção. A sua intenção — no tempo em que era jovem — era auxiliar os casais a atingirem a gravidez, não a evitá-la.
O seu trabalho sobrepunha-se ao de Gregory Pincus, outro investigador de Boston, que estava a experimentar o efeito da progesterona em coelhos. Nesta altura, porém, Pincus e Rock tinham objetivos diferentes. Pincus não desejava aumentar a possibilidade da gravidez, mas evitá-la. Queria desenvolver uma pílula que detivesse a ovulação nos seres humanos.
Em 1951, Margaret Sanger, que há muito fazia uma campanha a favor do controle da natalidade, apresentou Gregory Pincus a Katharine McCormick, uma viúva rica que se tinha dedicado à causa do controle da natalidade. Katharine McCormick deu a Pincus um cheque de 40.000 dólares para desenvolver o seu trabalho. Acabaria por contribuir com mais de um milhão de dólares para ajudar uma investigação que era demasiado controversa para ser subsidiada por fontes convencionais. Mas Pincus tinha um problema. Como não era médico acreditado, não podia fazer legalmente experiências com fármacos. Lembrou-se de colaborar com o seu conterrâneo de Boston, John Rock. Sabia que Rock tinha tido algum sucesso com um tratamento hormonal para controlar os tempos e frequências da ovulação nas mulheres não-férteis.
Em 1952 Gregory Pincus pediu a John Rock que trabalhasse com ele para fazer com que o tratamento fosse eficaz como contraceptivo oral. O Dr. Rock já tinha mais de 60 anos e estava a aproximar-se da aposentadoria quando Pincus lhe fez a sua proposta controversa. Como acreditava tão firmemente na necessidade do controle mundial da população e de as mulheres casadas poderem evitar gravidezes indesejadas, John Rock concordou. Esta história trágica não tem um fim feliz. Não foi só o caso de um católico ter ajudado a espalhar a praga da mentalidade contraceptiva; Rock acabou por abandonar a religião e morreu apóstata.
Mesmo assim, o seu envolvimento direto na produção da pílula contraceptiva teve um grave impacto mental na população católica. A revolução sexual dos anos 60 foi, podemos afirmá-lo, um ataque demográfico, não só contra outras nações em todo o mundo, mas também contra os católicos. E teve tal sucesso que, numa década ou duas, neutralizou efetivamente a única oposição eficaz ao regime eugênico demo-liberal, a Igreja Católica.
Há gente a mais? Ratos a mais?
Como nós todos já sabemos, o cenário da bomba da população era falso. Não só não há um verdadeiro problema de crescimento da população, mas o que se tem tornado um problema grave, pelo menos nos países do Ocidente, é a falta de nascimentos e não o excesso. Recentemente, a União Européia deu o alarme sobre a taxa de natalidade, que está perigosamente baixa, e que terá como resultado uma quebra de 20 milhões de trabalhadores em 2030. Não havia países europeus com uma taxa de fertilidade inferior a 1,3 filhos por mulher em 1990. Em 2002, havia 15 países, e mais seis estavam abaixo de 1,4. Atualmente, nenhum país europeu está a manter a sua população através da natalidade, e só a França — com uma taxa de 1,8 — ainda tem potencial para tal. Os países do antigo bloco soviético tiveram grandes reduções nas taxas de natalidade durante a última época, com uma média alarmante de 1,2 filhos por mulher na República Tcheca, Eslovênia, Letônia e Polônia — ainda mais baixa do que nos países recordistas da Europa Ocidental, a Espanha, Grécia e Itália, todos eles mantendo uma taxa de 1,3 partos por mulher há pelo menos uma década. Nunca nos últimos 650 anos, desde o tempo da Peste Negra, as taxas de natalidade e fertilidade caíram tanto, tão depressa, para tão baixo, por tanto tempo, em tantos países.
Uma pessoa verdadeiramente católica é incapaz de dizer que há “gente a mais”. Isso quereria dizer que há alguém, um grupo, ou toda uma nação, que é supérfluo, e que seria melhor se não vivessem. Isto é produto de uma mentalidade materialista. Os seres humanos afetam as vidas uns dos outros, às vezes ajudando, outras vezes prejudicando, e não podemos debruçar-nos sobre os nossos números com um tal distanciamento. Contam para alguma coisa. Mas e os ratos? Há ratos a mais quando incomodam o bem- estar dos humanos, não é? Poderemos usar a mesma frase se se tratar de gente? Isso fazia com que houvesse pessoas que afirmassem a sua primazia sobre outras pessoas, da mesma maneira como os homens afirmam a sua primazia sobre os animais. Mas é este, precisamente, o espírito das conferências sobre o crescimento da população: que há algumas nações que se multiplicam como ratos e que incomodam o bem-estar destas elites ricas, sem filhos e hedonistas do regime do Iluminismo.
A ideologia do controle da população reduz o valor da vida humana à produtividade material e à eficiência. É assim que se mede a qualidade de vida, pelo grau de utilidade que possa ter para a sociedade. Esta citação do famoso livro de Dennis Meadows Limites do Crescimento fala claramente: “O ponto da questão não é apenas se a raça humana irá sobreviver, mas ainda mais se poderá sobreviver sem cair num estado de existência sem préstimo.” Ah, e nós somos tão humanistas que, em vez de deixar que uma pessoa viva nesse estado, fazemos todo o possível para que não chegue a viver. O fato de não existir é melhor para ela. O nada é, portanto, melhor do que o Ser, no mundo pervertido da modernidade maniquéia.
Mas Deus não pode ter “gente a mais”. A única atitude totalmente cristã em relação à maternidade é esta: “O Senhor poderá dar ou não; o Senhor poderá tirar ou não; bendito seja o Nome do Senhor.” Esta conversa de “gente a mais” usurpa uma prerrogativa divina.
Contra-Contracepção
Os pecados e as más ações têm conseqüências. A carência populacional e os problemas econômicos que vamos todos sofrer num futuro próximo são uma delas. Mas o que é muito pior é o preço espiritual que estamos a pagar. A falta de crianças nas nossas sociedades reflete a falta de confiança na Providência de Deus e, por conseguinte, um afastamento cada vez maior do nosso Criador e Redentor e da ordem da salvação.
Até o Cardeal Ratzinger, no livro da sua entrevista com Vittorio Messori, atestou o fato de que o período que se seguiu ao Concílio Vaticano II não trouxe a revivificação da Igreja que se esperava, mas, em vez disso, trouxe o caos. Assim, em vez de multiplicarmos as graças que correm, enfrentamos uma situação em que este fluxo de graças foi bloqueado. Há obstáculos que são colocados a obstruir o fluxo de graças — falta de oração, falta de formação religiosa como deve ser, e os pecados contra os Mandamentos (entre eles o Sexto, de que estamos a tratar nesta palestra), tudo isto leva à desorientação diabólica de que falou a Irmã Lúcia de Fátima. Isto significa que há menos graças a penetrar nos corações do rebanho dos batizados. E porque é que eu falo disto numa palestra sobre o controle da população?
Há uma relação entre o grau ou intensidade da vida sobrenatural da alma e a perfeição ou virtudes da vida natural — a graça desenvolve-se a partir da natureza. Quando não se segue a lei natural, as graças deixam de ter um efeito positivo. As mudanças liberalizantes trazidas pelas “reformas” do Concílio Vaticano II são para a vida sobrenatural e para o elemento humano da Igreja o que a contracepção é para a vida natural de uma família.
O que nós, católicos, devemos fazer é declarar guerra à mentalidade contraceptiva que é uma praga do nosso tempo. Separemo-nos do “espírito da época”, sejamos contra- revolucionários ao abrirmo-nos à vida, confiando em Deus e em Nossa Senhora, Que amam todos e cada um dos Seus filhos, e para Quem não há uma só alma imortal que não seja desejada.”
(Michal Semin, Para Onde Foram Todos os Católicos?)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Controle populacional e Nova Ordem Mundial (I)

“Na minha palestra anterior, na sexta-feira, falei dos aspectos diabólicos da mentalidade moderna, o espírito do Iluminismo, a Revolução moderna e os desafios que representam para os católicos em todo o mundo. Hoje quero concentrar-me num aspecto particular da Revolução, que tem a ver com a sexualidade humana e a sua regulação social — o controle da população. Não podemos compreender o fenômeno do controle da população sem termos em conta a revolução sexual do Século XX.
No número de maio de 2006 de Chronicles, Thomas Fleming apresentou um ensaio sobre os resultados da revolução sexual, chamado Vinho Novo em Odres Velhos. Escreveu que “A revolução que nos fez o que somos começou durante a grande revolta contra o Cristianismo que se chama o Renascimento, e entrou numa fase aguda com a Revolução Francesa. Embora tenha assumido muitas formas e tenha sido apontada a uma variedade de alvos... quase não se desviou do seu objetivo mais básico: a libertação do que um dos revolucionários mais virulentos chamou a libido...”
Quando Nossa Senhora nos avisou em Fátima sobre os erros da Rússia, estaria também a falar dos erros relativos ao campo da sexualidade humana? Provavelmente, porque foi a União Soviética comunista o primeiro país a legalizar o aborto e promover abertamente a contracepção e outros pecados contra o Sexto Mandamento. A Europa Ocidental, influenciada pelas idéias do Iluminismo e do Liberalismo, trouxe também um grande ataque contra os ensinamentos da Moral Cristã, com a legalização do divórcio e a luta para separar o Estado da Igreja. Hoje estamos a observar uma disseminação em escala mundial destes mesmos erros da Rússia e há muito pouca oposição a eles.
Mas a liberalização da libido será apenas um assunto pessoal, um fruto natural da ética hedonista, ou haverá algo de mais sinistro nos bastidores? Claro que o hedonismo é parte de todo o cenário, porque o hedonismo é um produto natural da rejeição da metafísica no pensamento ético. Quando o comportamento humano não é regulado por normas morais objetivas, que possam ser descobertas e conhecidas pelos seres humanos, os apetites acabam por dominar a razão e a vontade.
A ética hedonista é um dos muitos frutos envenenados do Iluminismo, com a sua noção pervertida de “liberdade”, no sentido de licença, que é o direito de fazer tudo o que se quer. A libertação sexual não começou na década de 1960; aquela década só representa o clímax de forças desencadeadas muitas décadas antes. E. Michael Jones, no seu livro Libido Dominandi: Libertação Sexual e Controle Político, apresenta de forma sólida e bem documentada o seguinte cenário: a liberalização da sexualidade humana durante e depois da queda da Cristandade é um ato consciente e orquestrado da parte de quem o quer usar como meio para controlar as massas. A filosofia materialista e mecanicista da modernidade fez nascer a vontade nua, emancipada das normas morais fundamentadas transcendentalmente. Mas o materialismo não pode inspirar, e o problema de como controlar o homem e dirigir a sociedade na ausência das restrições morais tradicionais manteve-se.
Libido Dominandi é, em grande parte, uma denúncia da desonestidade intelectual da modernidade, começando com a idéia de que libertação sexual é igual a liberdade. Pelo contrário, a libertação sexual significou, e continua a significar, um aumento enorme do poder dos governos, dirigidos pelas elites do dinheiro, assim como um aumento cada vez maior do controle subliminal.
“Só há duas opções,” escreveu Jones:
“Ou nos controlamos segundo a lei moral, ou as nossas paixões passam a controlar-nos — ou alguém passa a controlar-nos através da manipulação das nossas paixões. Ou há o governo da razão e do auto-controle, ou há a revolução sexual e a tirania. O regime moderno sabe isto, e explora esta situação para seu proveito. Por outras palavras, a ‘liberdade sexual’ é, de fato, uma forma de controle social, uma maneira de manter o regime no poder através da exploração das paixões de pessoas que, em seguida, se identificam com o regime que ostensivamente lhes permite gratificar essas mesmas paixões.
“Assim sendo, não nos deve surpreender que o proponente mais importante da libertação sexual no Iluminismo tivesse sido também o primeiro a descrever o sexo como uma forma de controle político. Estou a referir-me ao Marquês de Sade, que estava preso na Bastilha no verão de 1789, a escrever novelas pornográficas e a engordar com a comida que ele pagava para lhe ser trazida do exterior. A partir de julho, construiu um megafone primitivo a partir de uma folha de papel, e incitou a multidão que rodeava a prisão a assaltá-la e a libertá-lo e a mais seis outros presos. As suas novelas posteriores, escritas durante o período da Revolução, explicam que, se a república revolucionária quiser vencer a Cristandade, as paixões humanas devem ser totalmente libertadas, para que possam derrubar a ordem social.
“O potencial para o controle e a insurreição sofre uma mudança quântica quando a sexualidade deixa de ser regulada e tem liberdade para atuar como estimulante de perpétua agitação. De fato, como o regime revolucionário se baseia na subversão da moral, só pode existir se explorar a sexualidade desta maneira. O que propõe às massas como se fosse a liberdade é, na realidade, apenas uma forma de controle social e político. É a partir deste ângulo que devemos ver a legalização da pornografia. Não é só uma espécie de efeito secundário infeliz do regime revolucionário, que deve ser tolerado se quisermos todos gozar de liberdade, o que é o argumento dos liberais em todo o mundo.
“A pornografia é a essência de um regime político revolucionário, porque só controlando as paixões dos cidadãos consegue manter o seu controle sobre eles. Gratificando os desejos ilícitos, evoca a gratidão dos escravos e cria o controle político a partir dessa gratidão.”
Mas o que tem isto a ver com o controle da população, que é o foco principal da minha palestra? O controle da população é um programa de regulação dos nascimentos, orquestrado pelo regime, por meio da libertação sexual. O controle do número dos nascimentos só é possível se se subverter e perverter o objetivo da sexualidade humana, que é a procriação, fazendo das paixões o rei do corpo e alma de cada um.
O controle da população é, portanto, o sine qua non da Nova Ordem Mundial, sobre a qual Marylin Ferguson, luminária da Nova Era, disse:
“Pela primeira vez na história, a humanidade tem acesso ao painel de controle da mudança, à compreensão da maneira como se produzem as transformações … O paradigma da Conspiração do Aquário concebe a humanidade como enraizada na natureza e encoraja o indivíduo autônomo numa sociedade descentralizada, considerando-nos como feitores de todos os nossos recursos, interiores e exteriores. Vê- nos como herdeiros das riquezas da evolução, capazes de imaginação, invenção e experiências que temos mas ainda mal lobrigamos.”
Mudança, novidade, transformação, evolução — são tudo palavras de código do regime liberal moderno. Baseado nos dogmas da filosofia moderna, não há uma natureza humana fixa, nada que defina a humanidade e a finalidade da vida humana, independentemente do tempo, cultura e costumes locais. A vida humana, o homem, é apenas um elemento no continuum panteísta do processo evolutivo. Esta é a fonte ideológica da “cultura da morte” — aborto, contracepção, experimentação com embriões, fertilização in vitro, mas também as políticas dos gêneros ou a roupa unisexo, e, claro, o controle da população de inspiração eugênica.
As Nações Unidas e o controle da população
Desde a sua criação em 1945, altura em que substituiu o Vaticano como árbitro internacional de influência, as Nações Unidas tornaram-se a sede de um futuro governo mundial. E o sine qua non deste estado coletivista mundial é, como já indiquei, o controle total da população mundial. Não foi por coincidência que, um mês depois da criação do Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) na primavera de 1945, as Nações Unidas estabeleceram uma Comissão da População para recolher dados demográficos e estudar as relações demográficas com os fatores econômicos e sociais. Semearam influências poderosas da Nova Era em todas as agências especializadas e interligadas da ONU, incluindo a Organização Internacional do Trabalho (ILO), a Organização Alimentar e Agrícola (FAO), a Organização Econômica, Científica e Cultural das Nações Unidas (UNESCO), a Organização Mundial da Saúde (WHO), o Fundo Internacional de Emergência das Crianças das Nações Unidas (UNICEF), e o Banco Mundial, todos eles subscrevendo institucionalmente a ideologia da sobrepopulação.
Este “novo paradigma” não se limita, de modo nenhum, a estas organizações supra-nacionais, elas também dominam os centros de poder de muitas nações-estados; trabalham lado a lado para fazer do “novo paradigma” a estrutura política e legal de toda a humanidade. A razão para imporem programas de controle da população, como condição para a ajuda humanitária e de desenvolvimento aos países mais pobres, não é apenas para limitar o número dos menos ricos ou alegadamente mais atrasados (os programas eugênicos de controle da população foram, desde o princípio, inspirados por um racismo declarado), mas sobretudo como meio de controle político e social. Os poderes estabelecidos sabem que, no fim de contas, o crescimento da população é um fato positivo, e não um embaraço, e sentem-se ameaçados, tanto política como militarmente, devido à confrontação crescente entre o Ocidente rico mas moribundo e os chamados países subdesenvolvidos, com taxas de natalidade muito mais altas.
Assim, depois de ter causado a quebra da população nos países do Ocidente através do movimento da libertação sexual, o regime do Iluminismo precisa minar o crescimento populacional noutros países, para manter em equilíbrio as estruturas globais do poder. Foi do receio de que estas nações ou culturas, que não seguem o plano ideológico do Iluminismo, pudessem sobrepovoar as nações que sucumbiram à mentalidade darwiniana, que nasceu a idéia do controle da população.
Na sua fase inicial, chamava-se movimento eugênico, mas, como Hitler deu má fama ao nome, depois da 2ª Guerra Mundial a Sociedade de Eugenia mudou o nome para Planejamento Familiar. Mas os objetivos continuam a ser os mesmos; só os meios é que mudaram. As mesmas pessoas que apoiavam e financiavam o programa da eugenia capturaram os meios de comunicação e começaram a apresentar o controle demográfico como uma preocupação com a “saúde” e a libertação.
Até que ponto, devíamos perguntar a nós próprios, foram os católicos de hoje seduzidos por esta sereia falsa e perigosa da necessidade de “limitar o crescimento demográfico”? Como todos sabemos, a Igreja lutou sempre contra a relutância maniquéia em relação à procriação, apelando aos católicos para que fossem generosos a dar vida a novos seres humanos. Como disse Pio XII na sua alocução de 1958:
Onde quer que se encontrem famílias numerosas em grande número, elas apontam para: a saúde física e moral de um povo cristão; uma fé viva em Deus e confiança na Sua Providência; a santidade fecunda e feliz do casamento católico.
(Michal Semin, Para Onde Foram Todos os Católicos?)

sábado, 5 de novembro de 2011

Revolução sexual e bem comum

“Por que não permitir que dois homens que sentem atração sexual um pelo outro finjam que estão casados? O próprio fato de estarmos fazendo essa pergunta já mostra que aceitamos a premissa da revolução sexual, ou seja, essencialmente, que é assunto somente delas o que duas pessoas fazem com seus corpos, contanto que não prejudiquem ninguém. Por “ninguém” entendemos as pessoas envolvidas no ato sexual e, algumas vezes, embora com menos segurança e sem maiores preocupações, um cônjuge distraído que por acaso não esteja na cama naquele momento, mas talvez fazendo compras para o jantar ou instalando canos em um canteiro de obras. Por “prejudicar” entendemos óbvia violência física ou psíquica. Franzimos o cenho ao estupro e, depois de duas gerações de sorrisos e piscadelas, à pedofilia. Tudo o mais é permitido.
O estranho dessa premissa é que, apesar de tão amplamente aceita, ela é surpreendentemente fraca. A pessoa que a proclama se separa, de fato, de todas as considerações das virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Pois ela diz, “quanto ao comportamento sexual, contanto que ninguém seja forçado ao ato, e, talvez, que nenhum cônjuge seja traído, as exigências de virtude não são aplicáveis.” A justificativa do ato sexual está localizada no desejo mesmo, e o desejo é considerado um fato bruto, um pressuposto. Mas essa é uma premissa que rejeitaríamos imediatamente em qualquer outra esfera da ação humana. De fato, sabemos que a verdadeira razão de infundirmos virtudes em nós mesmos e em nossos filhos é fazermos a coisa certa apesar do que viermos a desejar, e mais, aprendermos a desejar o que é certo por ser certo, assim como devemos desejar conhecer a verdade por ser verdadeira. Jamais diríamos, mesmo para um homem de saúde perfeita, “seu desejo de passar doze horas por dia jogando videogame deve ser respeitado, porque é seu desejo.” Ao invés, diríamos, “você não deveria estar fazendo isso; é um truncamento da sua humanidade; é fazer a coisa errada, e você deveria aprender a desejar outra coisa.” Não diríamos a uma pessoa que gastou mil dólares por mês em sapatos, “se isso é o que você quer, eu devo respeitá-lo.” Ao invés, diríamos, “você está dilapidando seu dinheiro, que poderia ser usado de uma forma melhor. Isso também é um truncamento de sua humanidade. É claro que eu sei que você quer fazer isso; e aí é que está o problema. Você deveria aprender a desejar algo melhor.”
A diversão com jogos sem sentido e a compra de toneladas de sapatos são coisas triviais em comparação com nosso comportamento sexual. Em relação a trivialidades, a lei deveria ter pouco a dizer. Mas nosso comportamento sexual está longe de ser uma trivialidade. Na verdade, as mesmas pessoas que, por um lado, pretendem que ele seja tão trivial que deva passar despercebido pela lei, por outro exaltam-no enquanto magneto da vida humana, e tanto, que qualquer impedimento de autonomia sexual atingiria o próprio cerne do nosso ser. Mas não podemos ter as duas coisas ao mesmo tempo. Na verdade, posso imaginar poucas coisas mais profundamente determinantes do modo como será uma sociedade, ou mesmo se será de algum modo uma sociedade genuína, do que nossos costumes a respeito de homens e mulheres, seu namoro, seu casamento, seus deveres um para com o outro e a criação de seus filhos. O sexo – tanto a distinção entre homem e mulher, como o ato que une homem e mulher no abraço que é essencialmente orientado para o futuro – é uma consideração fundacional de toda pessoa. Quando perguntamos, “será permitido a um homem ter mais de uma esposa?” ou “será permitido que homens e mulheres se divorciem à vontade?”, estamos perguntando, quer entendamos completamente ou não, “que tipo de cultura, se for o caso, queremos compartilhar?”
E esse compartilhamento de uma cultura traz-me ao ponto essencial. É fato evidente que aquilo que duas pessoas fazem no quarto não está confinado ao quarto. A prova mais óbvia desse fato pode ser vista ao nosso redor em todo lugar, andando com duas pernas. São as criaturas conhecidas como crianças. Depois de várias investigações científicas conduzidas por pessoas de impecável honestidade, diligência e inteligência, hoje em dia já se pode afirmar, com certeza absoluta, que a relação sexual entre um homem e uma mulher saudáveis tem a conseqüência previsível e natural, inserida na própria estrutura do ato, de produzir crianças – é o significado biológico evidente do fato. É bem possível que, em épocas menos esclarecidas, as pessoas acreditassem que fosse o prelúdio para a chuva ou para a guerra entre as nações, mas hoje em dia já temos certeza que quando João e Maria se encontram, um bebê está esperando para formar um trio.
Também é fato óbvio que as crianças merecem ser criadas conjuntamente por uma mãe e por um pai. Isso não deveria ser mais controverso que afirmar que elas merecem ser alimentadas bem, agasalhadas e amadas. O menino precisa de um pai para ensiná-lo como ser um homem; a menina precisa de um pai que a proteja e que afirme sua dignidade de ser amada por um homem; e, quanto à necessidade da criança por uma mãe, ela é tão óbvia que somente os loucos e os modernos educadores ousariam negá-la. Se negarmos que as crianças devam ser criadas em famílias estáveis, com mãe e pai, basta que olhemos para nossas prisões superlotadas e perguntemos quantos dos homens aprisionados cresceram em lares desfeitos. Em outras palavras, quando estamos falando de sexo, nós devemos falar sobre o bem comum. A maneira como tratamos nossos corpos quando adoecemos – essa é certamente uma questão de bem comum, o bem que é tal em virtude de ser compartilhado, gozado por todos não somente como indivíduos, mas também como pessoas unidas, uma sociedade genuína. Somos um povo fundamentalmente diferente – não somente como indivíduos, mas como povo – se preferimos jogar nossos doentes nas valas para morrer a cuidarmos deles com a dignidade que merecem, não porque eles poderiam viver para nos trazer lucro ou a si mesmos, mas simplesmente porque são seres humanos e, portanto, sagrados. Assim, também o modo como tratamos nossos desejos corporais – isso é também uma questão de bem comum.
E é aqui que os revolucionários fracassam. Eles começaram, nos velhos e grisalhos dias de Herbert Marcuse, justificando as novas “virtudes” da expressão sexual sob o argumento de que seríamos uma sociedade mais solta, amigável, suave, menos violenta e mais bonita. Bem, isso certamente não aconteceu. Aquarius tinha um pote quebrado. Dê uma olhada em Baltimore, em Detroit, nas famílias sem pai, na praga do divórcio, no desprezo feroz de um sexo pelo outro, nas prisões, no esgoto dos entretenimentos de massa, nas crianças “instruídas” e esgotadas, nas doenças venéreas, no completo tédio das revistas para mulheres, ostentando a última dica para o sexo mais ardente ou as cinco maneiras novas e aprimoradas de conseguir o que você quiser de seu parceiro de cama. Os revolucionários do sexo já estão há muito tempo pedindo a pergunta. Eles dizem, “nós deveríamos poder fazer isto, porque todos os desejos sexuais, a não ser o estupro e (algumas vezes) o adultério, deveriam ser tolerados – não só tolerados, mas encorajados, até mesmo homenageados nas leis.” Mas isso é justificar a revolução sexual dizendo que a revolução sexual é justificada. Que eles façam mais. Que aleguem que a revolução sexual – em sua inteireza – conduziu ao bem comum. Que aleguem que uma sociedade, se é que se pode chamar assim, onde um menino de dez anos sabe tudo sobre sodomia, é um lugar melhor do que uma sociedade em que ele não tem a menor idéia daquilo, mas está muito ocupado colecionando figurinhas de baseball. Que aleguem que uma sociedade na qual uma menina de dez anos deve esperar uma vez todo mês para ver seu pai, se a nova parceira de cama deste não se interpuser, é um lugar melhor do que uma sociedade na qual jamais lhe passará pela cabeça que sua mãe e seu pai venham algum dia a se separar.
Em outras palavras, que a revolução sexual se justifique em razão do bem comum. Acredito que ela falha no teste miseravelmente, com evidências de peso, óbvias, múltiplas, lógica e antropologicamente deduzíveis e claramente previsíveis pela sabedoria tanto de pagãos quanto de cristãos. Que eles defendam sua posição ao invés de afirmarem um princípio que, na verdade, destruiria a própria noção de bem comum. Pois se não pudermos apelar para o bem comum em matéria tão fundamental, não vejo como poderíamos apelar para ele em qualquer outra situação.”
(Anthony Esolen, Sexual Revolution: Defend It, If You Can)