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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
A mente do coletivista

“A FSP informa que Jair Bolsonaro já nomeou metade de seus ministros, mas nenhum deles é do Norte-Nordeste. E o faz em tom de "denúncia". O autor da matéria é Gustavo Maia, o mesmo que em 5 de novembro "denunciou" que todos os membros da equipe de transição eram homens.
A mente do coletivista é interessantíssima. Extrapolando o conceito de consciência de classe, o coletivista do século XXI só consegue raciocinar em termos de grupos, categorias ou classes. A sociedade, assim, seria o ajuntamento não de indivíduos e famílias, mas de milhares de pequenos sindicatos de gente que nunca se viu nem se conheceu, mas que rema unida pelo fato de partilharem não só uma declaração de renda similar, mas também um local de nascimento, uma determinada cor de pele, um gênero ou uma orientação sexual.
Logo, o coletivista espera genuinamente que eu, sendo homem, branco, heterossexual e paulistano, direcione todos os meus atos a defender essa específica classe de seres humanos parecidos comigo, e a atacar gratuitamente qualquer um que não seja meu próprio reflexo no espelho. Assim é que o Neymar é mais rico e mais famoso que a Marta não porque em boa parte do mundo as pessoas estão mais dispostas a pagar pra assistir homens, e não mulheres, jogando futebol, e sim porque em algum momento o sindicato dos homens se reuniu e decretou em ata que, a partir daquele momento, todos iriam sabotar o esporte feminino em detrimento do masculino. E se porventura a maioria das mulheres também prefere ver o Neymar à Marta jogando, e se a maioria das mulheres vota em candidatos homens, mesmo tendo à disposição candidaturas de outras mulheres para escolher, é porque foram coagidas pelo sindicato dos homens, também conhecido por "patriarcado". Aliás, o pouco interesse que grande parte das mulheres naturalmente nutre pelos dois assuntos (futebol e política) só pode ser uma construção social, um veneno inoculado pelos homens na cabecinha de cada menina desde a mais tenra idade, cabendo aos bondosos engenheiros sociais a tarefa de "desconstruir" paradigmas forçando uma igualdade que as próprias partes supostamente beneficiadas nunca pediram.
Evidentemente o coletivista é muito seletivo quanto aos setores em que quer impor suas "cotas" de representatividade. 99% dos pedreiros são homens, mas o coletivista não tem interesse em equalizar as chances das mulheres nessa área. Interessam posições de poder apenas.
Obviamente ninguém nunca explicou a vantagem concreta de se impor representatividade em cargos de chefia. Ninguém nunca se deu ao trabalho de elaborar porque uma mulher, um negro, ou um gay, ou qualquer membro de qualquer minoria imaginável, é objetivamente um líder melhor que, digamos, um homem branco. Trata-se de um daqueles truísmos politicamente corretos que você deve aceitar bovinamente como auto-demonstrável, e evitar questionar a menos que queira ser taxado como misógino, supremacista branco ou homofóbico.
Se tivesse que escolher, o coletivista preferiria afundar o país com um governo que representasse as minorias de acordo com o censo do IBGE, que prosperar com um governo em que as minorias que ele cafetina não estivessem representadas, ainda que, na prática, essas minorias fossem beneficiadas por essa prosperidade. O gabinete de Trump, por exemplo, é composto por 16 pessoas, sendo 15 secretários (equivalentes aos nossos ministros) e mais o vice-presidente. 4 são da Florida, 2 são de Indiana, só um é da California (o estado mais rico) e não há ninguém de Nova Iorque ou do Texas, também estados ricos e populosos. Apenas 3 são mulheres, a despeito de elas serem 51% da população. Apenas um é negro, apesar de 12% da população daquele país ser negra. Mas gente comum está pouco se lixando se os secretários de Trump são homens, mulheres ou cosplays do Pablo Vittar, porque a taxa de desemprego do país é a menor em 49 anos, as Forças Armadas estão sendo reequipadas com um orçamento extra de US$ 700 bilhões e o crime está em franca queda.
TODOS estão vivendo melhor, e pra gente normal é isso que interessa. Menos para os engenheiros sociais. Esses não vão descansar enquanto não formos todos iguais. Mesmo que pra isso precisemos nos tornar igualmente miseráveis.”
(Rafael Rosset, em postagem no Facebook de 21.11.2018)
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
A cultura pós-moderna é uma cultura sem amor
“A forma humana é sagrada para nós porque tem a marca da nossa corporalidade. A profanação intencional da forma humana tornou-se, para muitas pessoas, uma espécie de compulsão. E essa profanação é também uma negação do amor. É uma tentativa de refazer o mundo como se o amor não fizesse mais parte dele. E isso, certamente, é a característica mais importante da cultura pós-moderna: é uma cultura sem amor, que tem medo da beleza porque se perturba com o amor.”
(Roger Scruton, Beauty)
(Roger Scruton, Beauty)
domingo, 22 de julho de 2018
De cabeça para baixo

“É engraçado, mas de um modo trágico, pensar nos paradoxos do nosso tempo.
Vivemos uma época na qual toda a sociedade civil na Europa Ocidental está, confusa mas já notavelmente, começando a prestar atenção a sua herança cristã enquanto o Papa e o Vaticano tentam islamizar o Continente Europeu.
Estamos testemunhando um esforço agressivo para conter o aborto nos EUA, e talvez livrar-se dele completamente, enquanto o Papa reinante nos diz para não nos obcecarmos com o aborto.
Estamos testemunhando um Papa chamando não-cristão o que os cristãos de todas as épocas têm feito – erguer muralhas para defender suas fronteiras e controlar entradas – enquanto ele vive cercado por muros que levam o nome de um Papa.
Vivemos uma época de absurdos, na qual a Santa Igreja se encontra desfigurada, ainda que obviamente não destruída por sessenta anos de sodomia e apaziguamento, e reduzida à maior força planetária a favor do Socialismo, enquanto países como a Venezuela são devastados pela mesma estupidez propagada pelo Papa, à vista de todos.
A ironia está no seguinte: que a forte Igreja do passado podia mudar o curso da história, iniciar cruzadas, deter os otomanos, moldar o Ocidente; ao passo que a igreja homossexual de hoje mal consegue manter seus cardeais sodo-predadores fora das grades, e na verdade só consegue fazer com que as pessoas fiquem contra sua recém-fundada ideologia socialista e ambientalista.
Os sodomitas dentro da Igreja deslocam-na em direção a um entendimento laico e terreno da vida. Mas o mundo a rejeita. De fato, ele lentamente se move na direção oposta, para aqueles mesmos valores que ela não protege ou sequer condena: defesa da vida nos EUA, defesa da herança cristã na Europa.
Que trágico e completo fracasso. Mas que glorioso e pequeno raio de esperança estamos vendo chegar dos EUA e de partes da Europa, firmemente decididos a marchar na direção oposta de um Papa que só podem, e com razão, desprezar.
Em um mundo de cabeça para baixo, muitos estão aprendendo a lutar por decência sozinhos; devagar e confusamente, é verdade, mas sem sequer o apoio daqueles que mais os deveriam ajudar.
Orem pela recuperação da sanidade dentro da Igreja. Quando tivermos isso, seremos imparáveis.”
https://mundabor.wordpress.com
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sexta-feira, 13 de outubro de 2017
A peste separatista

"Assim como o demônio faz as panelas mas esquece as tampas, os organizadores da nauseabunda intentona secessionista na Catalunha devem ter omitido o caráter da data escolhida para iniciar a marcha até a ruptura: o 1º de outubro, desde os tempos do papa Leão XII e por petição do infausto rei dom Fernando VII já livre do cativeiro napoleônico, tem sido o da comemoração do Anjo Custódio da Espanha.
Que haja anjos protetores das nações como os há dos indivíduos é coisa que está em nosso acervo religioso, com suficiente fundamento escriturístico no capítulo X de Daniel, onde se fala de Miguel como protetor da nação israelense, e onde se faz também alusão ao anjo da Pérsia. A partir deste dado revelado e das posteriores e fecundas indicações paulinas, a angeologia tributária do Aeropagita situará no sétimo coro angélico os principados como guardiães das nações. Que esta lição tenha sido esquecida, soterrada sob múltiplos estratos de indiferença, ignorância, estupidez e vacuidade, é consequência mais que apropriada a tempos como os que correm, de consumada idolatria das paixões e de um transbordamento da superbia vitae que ignora o governo providencial do universo, do qual os anjos são agentes os mais eficazes. Não menos providencial (fazemos votos) pode tornar-se a amnésia que a este respeito têm demonstrado os demolidores da unidade da Espanha, com o anjo instigado a lidar, envolto em pele de touro, contra o antigo inimigo e seus atuais representantes. E embora nos pareça bem pouca coisa apelar à constituição e à democracia para opor-se adequadamente à Revolução, e embora dissone não pouco a presença de um Vargas Llosa como orador da salutífera reação, a convocação a 'recobrar a sensatez' torna-se pouco menos que balsâmica nestes dias que são os da colheita dos frutos do solipsismo cultivado ao longo de toda uma época histórica, dias do nec plus ultra da atomização das sociedades, nos quais a autoafirmação conflui com a autodestruição em paradoxo mais aparente que real.
Pressagia-se um 'efeito de contágio' em muitas outras regiões do globo afetadas por semelhante morbo secessionista, justamente no tempo em que os mísseis intercontinentais se tornaram objeto de exibição. As 'guerras e rumores de guerras' em todas as esferas, desde a doméstica até a supranacional, tornaram-se o sinal invariável da demência antropolátrica. Aquém de toda remissão fácil do caso à natureza humana, resta claríssimo, a quem escrute a história com um mínimo de acuidade, que as guerras se têm multiplicado extraordinariamente desde que as elites no poder decidiram o mesmo que os judeus há dois mil anos: 'não queremos que Este reine sobre nós'. Não é utópico afirmá-lo, porque terá lugar com a Parusia: deste horror se sai instaurando tudo em Cristo."
https://in-exspectatione.blogspot.com.br
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Animalismo

“Para os que consideramos que o respeito aos animais é uma obrigação humana irrenunciável, as reivindicações dos chamados ‘animalistas’ ou defensores dos direitos dos animais constituem uma constante interpelação. Segundo o movimento animalista, os animais não só merecem um trato ético e uma proteção legal, mas devem ser sujeitos de direitos. Talvez o primeiro animalista tenha sido o filósofo Jeremy Bentham, que escreveu em sua ‘Introdução aos princípios da moral e da legislação’ (1789): “Um cavalo ou um cachorro adulto é, para além de toda comparação, um animal mais racional e mais comunicativo que uma criança de um dia, ou de uma semana, ou até de um mês. Mas ainda que se supusesse que fosse de outra forma, que importaria? A questão não é se os animais podem raciocinar nem tampouco se podem falar, mas se podem sofrer”. E, em época muito mais recente, o australiano Peter Singer, em sua obra ‘Libertação animal’ (1975), postulou que a resistência a reconhecer direitos aos animais é comparável a fenômenos históricos tão reprováveis como a escravidão racial ou a discriminação sexual. Singer se opõe ao que denomina ‘especismo’; isto é, a que um ser vivo seja titular de direitos pelo mero fato de pertencer à espécie humana. Para Singer, deve-se tratar com igual consideração todos os seres capazes de sofrer; daí que, a seu juízo, a vida de um feto ou a de uma criança com problemas cerebrais não seja mais valiosa que a vida de um chimpanzé. Esta é a razão pela qual quase todos os animalistas são defensores mais ou menos entusiastas do aborto.
O animalismo se assentaria, pois, em uma ética radicalmente empirista, que transforma em sujeito de direitos qualquer ser com capacidade para sofrer, independentemente de que seja ou não racional. Não entraremos aqui a discutir se o sofrimento tal como humanamente o entendemos pode ser experimentado no mesmo grau sem consciência racional; pois a ninguém escapa que uma reação instintiva à dor (que é a que pode experimentar um animal) em nada se parece com o sofrimento do homem, que faz da dor uma experiência moral. A falha filosófica do animalismo é muito mais evidente: só pode ser titular de direitos quem possua uma correlativa capacidade para obrigar-se. Quando proclamamos que ao homem assiste um inalienável direito à vida, estamos proclamando também que o obriga o dever de respeitar a vida dos demais homens; quando defendemos o direito à propriedade, estamos condenando o furto, e assim sucessivamente. Todo direito exige uma obrigação correlativa; e os animais, como seres carentes de razão e de liberdade, não podem ser sujeitos de direitos e obrigações. Isto não significa, por suposto, que os animais devam ficar fora da esfera de proteção jurídica. O homem tem direito a ‘domínio justo’ sobre a natureza, posto ser o único ser que pode aproveitar racionalmente seus recursos; e, ao mesmo tempo, tem o dever de proteger essa natureza e os seres vivos que a povoam.
Aqui se pode opor que tampouco as crianças no ventre, ou as pessoas com deficiências psíquicas, podem assumir obrigações. Mas os reconhecemos como membros de nossa espécie, a quem cobrimos com o mesmo manto da proteção que outorgamos aos humanos plenamente conscientes. Para Singer isto é ‘especismo’; e, desde uma lógica puramente materialista, seu raciocínio é congruente. Pois o que o animalismo pretende, em última instância (utilizando mui astutamente álibis compassivos diante do sofrimento dos animais) é negar a unicidade do ser humano, que é considerado o resultado aleatório de uma evolução natural, e apagar os traços distintivos que o tornam uma criatura única, misteriosamente singular, entre todas as criaturas que povoam a Terra. Essa singularidade é a que permite ao homem justo olhar para os animais que povoam a terra e descobrir que são ‘bons’, esforçando-se em consequência por protegê-los; essa singularidade se denomina alma.
Quando essa singularidade que existe entre o homem e o restante das criaturas se elude ou se escamoteia (quase sempre por complexos e respeitos humanos) é impossível defender cabalmente certas causas; pois a lógica materialista acaba se impondo, implacável. Por medo de defender a existência da alma se perdeu a batalha contra o aborto, por exemplo; e pela mesma razão se imporão, inevitavelmente, as teses animalistas.”
(Juan Manuel de Prada, Animalismo)
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Os que trabalham para Satanás

“É verdade que, hoje, tantas coisas más e perversas que os homens cometem ganham gentilmente outros nomes. Hoje sequer se ouvem mais as palavras “pecado" ou “erro". Todas as ações humanas transitam entre o “conveniente" e o “socialmente inapropriado", entre o “agradável" e o “politicamente correto". Só que nem mil jogos de palavras podem mudar ou desfazer a realidade das coisas. Conscientemente ou não, quem quer que trabalhe para implantar no mundo um “sistema de pecado" – como é o caso de organizações que financiam o aborto, de grupos que querem a destruição da família e de religiosos que pedem a implantação de uma religião única e mundial, sem Cristo e sem a Igreja – está trabalhando para Satanás.”
(Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, A Destruição Arquitetada por Um Anjo)
https://padrepauloricardo.org
quinta-feira, 8 de junho de 2017
Racismo antibranco nas universidades americanas

“O professor de biologia do Evergreen State College, Bret Weinstein, aprendeu as graves conseqüências da oposição aos esquerdistas do campus nesta semana.
Weinstein causou inicialmente um alvoroço em sua extremamente esquerdista universidade do estado de Washington quando se opôs sensatamente a um evento que exigiu que todos os brancos deixassem o campus por um dia. Ele chamou a idéia de "demonstração de força e ato de opressão".
Por expressar essa opinião e ser branco, Weinstein foi marcado como racista e perseguido por agitadores do campus que exigiram sua demissão. Na quinta-feira, o professor de biologia teve que dar sua aula fora do campus porque a polícia lhe disse que não era seguro para o pacífico acadêmico aparecer em seu local de trabalho.
Um estudante disse que esse tipo de comportamento ameaçador era "necessário" porque "é uma questão de vida ou morte para nós".
Este incidente não é, naturalmente, um caso isolado e campi em todo o país sofreram ataques semelhantes de agitação racial. Várias universidades têm testemunhado exigências de estudantes por habitação segregada para que os estudantes minoritários possam viver sem o terror das microagressões brancas. Algumas universidades, como a California State University em Los Angeles, cederam a essas exigências de exclusão.
Outros alunos foram mais ousados e exigiram matrícula gratuita para todos os alunos de cor – por causa da "supremacia branca".
E tem havido a bem conhecida exibição de violência e intimidação contra qualquer palestrante que conteste o dogma predominante da educação superior. Os ativistas freqüentemente citam o perigo de permitir que suposto "discurso de ódio" (um conceito nebuloso usado apenas para calar qualquer discurso do qual o acusador discorde) permaneça incontestado no campus e como ele vai de alguma forma prejudicar fisicamente as minorias. Esse argumento permite que violência e ameaças sejam usadas contra a oposição, como estamos vendo atualmente no Evergreen State.
Não admira que alguém tenha escrito um livro inteiro sobre esses desenvolvimentos intitulado "No Campus for White Men"...
O calvário do professor Weinstein exemplifica as perturbadoras tendências raciais na educação. Os estudantes queriam afastar todos os caucasianos durante um dia de ressentimento simbólico e o acadêmico corretamente pensou que era uma idéia estúpida para reforçar a opressão. Isso só o fez aparecer como um branco malvado e racista que merecia ser esmagado por expressar dissidência.
As bem estabelecidas credenciais progressistas de Weinstein foram descartadas em favor de vê-lo apenas pela cor de sua pele. Para os ativistas, sua brancura é seu principal atributo; tudo o mais sobre ele é secundário em importância.
O desprezo por todos os brancos mostrado por esses estudantes é simplesmente racismo, e essa visão parece ser a motivação predominante para as manifestações, em vez de um compromisso com os princípios tradicionais de esquerda.
Eventos como este só continuarão a acontecer enquanto a política de identidade minoritária continuar a dominar a vida no campus e a culpa branca for pregada por professores e administradores. Evergreen State é universidade pública e depende de contribuintes para sobreviver. Washington é um estado bastante liberal, mas tenho certeza que o eleitor médio – seja ele democrata ou republicano – não ficaria satisfeito pelo fato de que seu dinheiro está sendo usado para apoiar o cerceamento de expressão e para forçar estudantes e professores brancos para fora do campus.
Os estados que fornecem o dinheiro para este absurdo ocorrer também têm o poder de freá-lo. Com a palavra, o legislativo de Washington.”
(Scott Greer, No Campus for Professors Opposed to Anti-White Racism)
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Suicídio do Ocidente
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Gustave Thibon: Revolta, a dominante de nossa época

“Existem, nas idéias e nos costumes, dominantes que são peculiares a cada época — como, por exemplo, a libertinagem durante a Regência, o culto da Razão no tempo do humanismo, a apologia da sensibilidade e do irracional no século do romantismo etc. Ora, uma das dominantes de nossa época é a revolta, em todos os domínios, contra os valores tradicionais; revolta que se traduz pela exaltação e prática da violência.
Esse fenômeno se observa em todas as ordens do humano e do social.
Na ordem da amizade, por exemplo. Em muitos meios, a amizade degenerou em camaradagem vulgar e brutal. A integração na turma (e tal palavra não significa necessariamente uma associação de malfeitores) substitui a intimidade entre as pessoas e o intercâmbio de idéias e sentimentos. Ora, a turma busca muito freqüentemente distrações e aventuras mais ou menos sofisticadas de agressividade, e essa violência se multiplica em virtude do gregarismo. O aumento da delinqüência juvenil (blusões pretos ou amarelos) prende-se a essa corrupção do vínculo social. Um fenômeno tipicamente moderno é o dos delitos coletivos cuja multiplicação causa apreensão aos criminologistas. Até no vício e no crime, observa-se essa absorção do indivíduo pela turma…
No plano da sexualidade, muitos jovens se presumem insensíveis, “libertos”, e desprezam indistintamente não apenas a exaltação romântica ou o sentimentalismo sem graça das épocas precedentes, como também tudo o que se relaciona com a ternura ou com o ideal. O coração e a alma afiguram-se-lhes anacronismos e as relações sexuais reduzem-se, para eles, a “conjunções carnais” sem amor e sem mistério ou a manifestações elementares do desejo de potência. Seu ideal é o do macho, não o do amoroso. Observa-se evolução análoga entre certo número de moças cínicas e desavergonhadas, para as quais a rejeição incondicionada dos preconceitos substitui e suprime toda reflexão.
O entusiasmo pelos esportes brutais e perigosos (praticados freqüentemente sem preparação e sem prudência) provém do mesmo estado de espírito. Penso aqui nos riscos gratuitos que assumem — com inconcebível leviandade — tantos jovens “mordidos” pelo alpinismo, pela espeleologia, pela natação, pela navegação a vela, e também nos perigos mortais a que eles expõem seus eventuais salvadores. E nesse delírio de velocidade (a porcentagem dos acidentes causados por jovens é de uma cruel eloqüência) que viola (entre pessoas aliás inofensivas) o mandamento eterno: “não matarás”.
A moda artística e literária não escapa a essa falsa norma. Seu imperativo essencial é surpreender, chocar, desnudar, ultrapassar todo limite e infringir toda regra. Assistimos, em todos os domínios, ao desencadeamento da violência e da disformidade: danças selvagens, música epiléptica, cenas de histeria coletiva nas manifestações duma “vedette” da canção, sacrifício da palavra na poesia e da imagem e da cor na pintura, etc. Nem esqueçamos esse fenômeno sociológico sem precedente que constitui o sucesso sempre crescente da literatura policial e dos filmes de terror, nos quais os instintos sádicos que habitam o coração do homem encontram cada dia que passa novo alimento.”
https://blognabuco.wordpress.com
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
É a cultura que influencia o comportamento sexual e não o nível de renda
“No post sobre o texto "Me deixem ser pai da minha filha" (http://on.fb.me/1BplI2n), mostrei os problemas diretamente relacionados à ausência paterna na criação de filhos e, das poucas objeções nos comentários, destaco duas: exemplos de mães que criaram bem seus filhos sem pai e a idéia de que os números apresentados são resultado da pobreza e não da ausência paterna. Vamos esclarecer as duas.
Em primeiro lugar, um erro comum nesse tipo de discussão é achar que ciências sociais são exatas. Quando se diz que um fator contribui para um determinado resultado não quer dizer que toda vez acontecerá dessa forma, apenas que há uma tendência e é essa tendência que está sendo medida.
Sempre haverá um "ah, eu conheço o fulano que foi diferente", o que não invalida em nada as conclusões gerais ou os números apresentados. Uma pesquisa que mostre que crianças que usam drogas têm problemas escolares, por exemplo, não é invalidada porque alguém diz "ah, mas eu conheço um menino que cheirou cocaína e passou de ano". O importante em sociologia e nesse tipo de levantamento é entender a tendência geral do comportamento em uma determinada situação e não a busca de regras gerais que sejam aplicáveis a 100% dos casos.
Sobre os números e a pobreza, há uma mistura de ignorância e preconceito em relação aos pobres, como se pobreza e sexo livre fossem sinônimos. No gráfico do post você vai ver que em 1963, um ano antes de Lyndon Johnson lançar seu pacote de medidas assistencialistas batizado de "Great Society", 93% das crianças americanas nasciam em lares de pais casados contra apenas 40% hoje. Houve uma radical mudança cultural no país e não econômica. Repare também que na década de 30, período da Grande Depressão, praticamente não houve alteração do índice.
A queda vertiginosa do número de crianças nascidas em lares de pais casados em 50 anos nos EUA não tem nada a ver com a variação dos níveis de pobreza mas com as idéias disseminadas pela elite cultural ocidental a partir dos anos 60, que foram particularmente impactantes nas faixas de renda mais baixas da população. O aumento do índice de crianças geradas por mães solteiras não foi causado pela pobreza, pelo contrário, foi a pobreza, a falta de informação e uma tendência a mimetizar o comportamento das celebridades e elites que se mostraram um terreno fértil para a assimilação dessas idéias. É como o nome de crianças de celebridades e de pais ricos que, em cinco a dez anos, viram moda para o resto da população, como mostrado por Levitt e Dubner em "Freakonomics".
Existe uma relação entre casamento e padrão de vida, claro, o que já foi medido em diversas pesquisas. Crianças nascidas de mães solteiras nos EUA são pobres em 36,5% dos casos, enquanto apenas 6,4% das crianças criadas por pais casados são pobres, e é por isso que muitos defendem que o casamento é a maior arma contra a pobreza no país.
A educação é outro fator importante nessa tendência. Das mães que não completaram o ensino médio, 67,4% tiveram filhos sem estar casadas, enquanto apenas 8,1% das mães com curso superior completo tiveram o filho solteiras.
Outro dado que deve ser mencionado é que 71,2% das famílias pobres com crianças nos EUA são comandados por solteiros, um número que despenca para 26% entre os lares fora da linha da pobreza.
Quando se juntam os dados de educação e estado civil, os números ficam ainda mais gritantes. Lares com crianças em que o responsável pela casa é casado e tem curso superior estão na pobreza em apenas 1,5% dos casos, ou seja, se você tem curso superior completo e é casado com filhos nos EUA, sua chance de ser pobre é próxima de zero. Já se o responsável pelo lar é solteiro, não completou o ensino médio e tem filhos, sua chance de ser pobre é de 47%.
É claro que números como esses levam a uma leitura apressada de alguns que saem gritando "tá vendo? é a pobreza!" por não se darem ao trabalho de olhar as séries históricas e também checar dados de outros países do mundo não tão influenciados pelas idéias e valores da geração porralouca dos anos 60, que foi a Woodstock fazer filhos se drogando na lama e que hoje está no poder nos EUA.
Há também a questão racial. Enquanto a média nacional de crianças nascidas de pais não casados hoje é de 40% nos EUA, o número de crianças brancas nascidas assim é de 28,6% contra 52,5% dos hispânicos e 72,3% dos negros do país. Mas nem sempre foi assim.
Voltando à época de Lyndon Johnson, em 1964 o número de crianças negras nascidas de pais solteiros era de apenas 24,5%, pulando para 50,3% em 1976, chegando a 70,7% em 1994. Em apenas 30 anos, de 1 em cada 4 crianças negras que nasciam em lares com pais não-casados o número dispara para quase 3 em cada 4. Não há qualquer relação entre esses números e o nível sócio-econômico da população, mas tudo a ver com a mudança cultural do país com reflexos diretos nessa população.
Negros conservadores americanos, como Thomas Sowell, Larry Elder, Jason Riley, entre outros, estão cada vez mais batendo na tecla da cultura pop consumida pelos negros do país que, segundo eles, incentiva e aplaude todo tipo de comportamento socialmente repreensível com consequências sociais desastrosas, como o gangsta rap. Thomas Sowell culpa a “destruição da família negra americana” à criação do que chama de uma “subcultura” com todo tipo de comportamento sexualmente irresponsável sendo glorificado, inclusive pelas elites culturais do país, além da queda do padrão educacional. Veja Sowell comentando esse tema aqui: http://youtu.be/hs5qvovJkwI.
Outro argumento em favor da idéia de que é a cultura que influencia o comportamento sexual e não o nível de renda é olhar estes números em outros países do mundo. No Japão, apenas 2% das crianças que nascem são filhas de mães solteiras. Dados dos anos 90 falam em 3% para Israel e 5% para China. Na América Latina, diretamente influenciada pela cultura americana, os números são ainda maiores do que nos EUA: México 55%, Argentina 58%, Brasil 66%, Paraguai 70% e Colômbia 74%. A média na Europa é de 39%, variando de apenas 7,6% na Grécia, 15,4% na Croácia e 28% na Itália até 47,6% na Grã-Bretanha e Portugal, 54,5% na Suécia, 57,1% na França e 66% na Islândia.
A grande variedade desses números mostra que é a cultura específica de cada país que mais influencia o índice de crianças nascidas e criadas em lares de pais solteiros e não a pobreza como alguns ainda acham. Se a pobreza levasse a mais nascimentos de crianças sem pais casados, por que a Grécia (renda per capita de US$ 21 mil) tem menos de 8% da crianças nessa situação enquanto a Islândia (US$ 45 mil de renda per capita) tem 66%? Por que a Croácia (US$ 13,5 mil de renda per capita) tem 15,4% de crianças nascidas de mães solteiras contra os 57,1% da França (US$ 46 mil de renda per capita)? O Japão tem a terceira maior economia do mundo e quase todas as crianças nascem em lares de pais casados. O Brasil tem a sétima economia do planeta e 2 em cada 3 crianças nascem de mães solteiras.
O assunto é explosivo, politicamente incorreto e envolto em muito preconceito. Mesmo que muita gente não goste, é perfeitamente possível mostrar que o estado civil dos pais e a presença do pai na educação dos filhos tem uma influência no futuro da criança tão ou mais importante do que apenas seu nível de renda.”
(Alexandre Borges, em postagem no Facebook de 25.01.2015)
Em primeiro lugar, um erro comum nesse tipo de discussão é achar que ciências sociais são exatas. Quando se diz que um fator contribui para um determinado resultado não quer dizer que toda vez acontecerá dessa forma, apenas que há uma tendência e é essa tendência que está sendo medida.
Sempre haverá um "ah, eu conheço o fulano que foi diferente", o que não invalida em nada as conclusões gerais ou os números apresentados. Uma pesquisa que mostre que crianças que usam drogas têm problemas escolares, por exemplo, não é invalidada porque alguém diz "ah, mas eu conheço um menino que cheirou cocaína e passou de ano". O importante em sociologia e nesse tipo de levantamento é entender a tendência geral do comportamento em uma determinada situação e não a busca de regras gerais que sejam aplicáveis a 100% dos casos.
Sobre os números e a pobreza, há uma mistura de ignorância e preconceito em relação aos pobres, como se pobreza e sexo livre fossem sinônimos. No gráfico do post você vai ver que em 1963, um ano antes de Lyndon Johnson lançar seu pacote de medidas assistencialistas batizado de "Great Society", 93% das crianças americanas nasciam em lares de pais casados contra apenas 40% hoje. Houve uma radical mudança cultural no país e não econômica. Repare também que na década de 30, período da Grande Depressão, praticamente não houve alteração do índice.
A queda vertiginosa do número de crianças nascidas em lares de pais casados em 50 anos nos EUA não tem nada a ver com a variação dos níveis de pobreza mas com as idéias disseminadas pela elite cultural ocidental a partir dos anos 60, que foram particularmente impactantes nas faixas de renda mais baixas da população. O aumento do índice de crianças geradas por mães solteiras não foi causado pela pobreza, pelo contrário, foi a pobreza, a falta de informação e uma tendência a mimetizar o comportamento das celebridades e elites que se mostraram um terreno fértil para a assimilação dessas idéias. É como o nome de crianças de celebridades e de pais ricos que, em cinco a dez anos, viram moda para o resto da população, como mostrado por Levitt e Dubner em "Freakonomics".
Existe uma relação entre casamento e padrão de vida, claro, o que já foi medido em diversas pesquisas. Crianças nascidas de mães solteiras nos EUA são pobres em 36,5% dos casos, enquanto apenas 6,4% das crianças criadas por pais casados são pobres, e é por isso que muitos defendem que o casamento é a maior arma contra a pobreza no país.
A educação é outro fator importante nessa tendência. Das mães que não completaram o ensino médio, 67,4% tiveram filhos sem estar casadas, enquanto apenas 8,1% das mães com curso superior completo tiveram o filho solteiras.
Outro dado que deve ser mencionado é que 71,2% das famílias pobres com crianças nos EUA são comandados por solteiros, um número que despenca para 26% entre os lares fora da linha da pobreza.
Quando se juntam os dados de educação e estado civil, os números ficam ainda mais gritantes. Lares com crianças em que o responsável pela casa é casado e tem curso superior estão na pobreza em apenas 1,5% dos casos, ou seja, se você tem curso superior completo e é casado com filhos nos EUA, sua chance de ser pobre é próxima de zero. Já se o responsável pelo lar é solteiro, não completou o ensino médio e tem filhos, sua chance de ser pobre é de 47%.
É claro que números como esses levam a uma leitura apressada de alguns que saem gritando "tá vendo? é a pobreza!" por não se darem ao trabalho de olhar as séries históricas e também checar dados de outros países do mundo não tão influenciados pelas idéias e valores da geração porralouca dos anos 60, que foi a Woodstock fazer filhos se drogando na lama e que hoje está no poder nos EUA.
Há também a questão racial. Enquanto a média nacional de crianças nascidas de pais não casados hoje é de 40% nos EUA, o número de crianças brancas nascidas assim é de 28,6% contra 52,5% dos hispânicos e 72,3% dos negros do país. Mas nem sempre foi assim.
Voltando à época de Lyndon Johnson, em 1964 o número de crianças negras nascidas de pais solteiros era de apenas 24,5%, pulando para 50,3% em 1976, chegando a 70,7% em 1994. Em apenas 30 anos, de 1 em cada 4 crianças negras que nasciam em lares com pais não-casados o número dispara para quase 3 em cada 4. Não há qualquer relação entre esses números e o nível sócio-econômico da população, mas tudo a ver com a mudança cultural do país com reflexos diretos nessa população.
Negros conservadores americanos, como Thomas Sowell, Larry Elder, Jason Riley, entre outros, estão cada vez mais batendo na tecla da cultura pop consumida pelos negros do país que, segundo eles, incentiva e aplaude todo tipo de comportamento socialmente repreensível com consequências sociais desastrosas, como o gangsta rap. Thomas Sowell culpa a “destruição da família negra americana” à criação do que chama de uma “subcultura” com todo tipo de comportamento sexualmente irresponsável sendo glorificado, inclusive pelas elites culturais do país, além da queda do padrão educacional. Veja Sowell comentando esse tema aqui: http://youtu.be/hs5qvovJkwI.
Outro argumento em favor da idéia de que é a cultura que influencia o comportamento sexual e não o nível de renda é olhar estes números em outros países do mundo. No Japão, apenas 2% das crianças que nascem são filhas de mães solteiras. Dados dos anos 90 falam em 3% para Israel e 5% para China. Na América Latina, diretamente influenciada pela cultura americana, os números são ainda maiores do que nos EUA: México 55%, Argentina 58%, Brasil 66%, Paraguai 70% e Colômbia 74%. A média na Europa é de 39%, variando de apenas 7,6% na Grécia, 15,4% na Croácia e 28% na Itália até 47,6% na Grã-Bretanha e Portugal, 54,5% na Suécia, 57,1% na França e 66% na Islândia.
A grande variedade desses números mostra que é a cultura específica de cada país que mais influencia o índice de crianças nascidas e criadas em lares de pais solteiros e não a pobreza como alguns ainda acham. Se a pobreza levasse a mais nascimentos de crianças sem pais casados, por que a Grécia (renda per capita de US$ 21 mil) tem menos de 8% da crianças nessa situação enquanto a Islândia (US$ 45 mil de renda per capita) tem 66%? Por que a Croácia (US$ 13,5 mil de renda per capita) tem 15,4% de crianças nascidas de mães solteiras contra os 57,1% da França (US$ 46 mil de renda per capita)? O Japão tem a terceira maior economia do mundo e quase todas as crianças nascem em lares de pais casados. O Brasil tem a sétima economia do planeta e 2 em cada 3 crianças nascem de mães solteiras.
O assunto é explosivo, politicamente incorreto e envolto em muito preconceito. Mesmo que muita gente não goste, é perfeitamente possível mostrar que o estado civil dos pais e a presença do pai na educação dos filhos tem uma influência no futuro da criança tão ou mais importante do que apenas seu nível de renda.”
(Alexandre Borges, em postagem no Facebook de 25.01.2015)
terça-feira, 7 de junho de 2016
Thomas Sowell: Pensar está se tornando obsoleto
“Embora seja humanamente impossível responder a todos os e-mails e cartas que os leitores me enviam, muitos deles são bastante interessantes e intelectualmente instigantes, tanto no sentido positivo quanto no sentido negativo.
Por exemplo, um jovem me enviou um e-mail pedindo as fontes em que eu havia me baseado para citar alguns fatos negativos sobre o desarmamento em um artigo recente. É sempre bom checar os fatos — especialmente se você checar os fatos de ambos os lados da questão.
Em contraste, um outro sujeito simplesmente me criticou por tudo o que eu havia dito nesse artigo. Ele não pediu as minhas fontes e nem quis saber se elas existiam; ele simplesmente saiu fazendo afirmações em contrário, como se essas suas assertivas fossem automaticamente corretas pelo simples fato de estarem sendo pronunciadas por ele, algo que, em sua mente, invalidaria automaticamente tudo o que eu havia escrito.
Ele se identificou como médico, e as alegações que ele fez sobre armas eram as mesmas que haviam sido feitas anos atrás em uma revista médica — alegações que já foram inteiramente desacreditadas desde sua publicação. Ele poderia ter aprendido isso caso houvesse me dado a oportunidade de responder às suas provocações, de um modo que nos engajássemos em um debate. Porém, ele próprio deixou claro desde o início que sua carta não tinha o objetivo de gerar um debate, mas sim apenas de me acusar e me denunciar.
Esse tipo de comportamento se tornou um procedimento padrão no mundo atual.
É sempre surpreendente — e apavorante — constatar quantos assuntos extremamente sérios não são discutidos seriamente hoje em dia; as pessoas simplesmente saem emitindo afirmativas e contra-afirmativas, tudo de maneira generalizada. Seja em debates de internet ou até mesmo em programas de televisão, as pessoas simplesmente tentam calar seu opositor falando mais alto do que ele ou simplesmente recorrendo a frases de efeito de cunho emotivo.
Há inúmeras maneiras de fazer parecer que se está argumentando sem que na realidade se esteja produzindo absolutamente nenhum argumento coerente.
Décadas de educação escolar e universitária simplificada — para não dizer idiotizante — certamente têm algo a ver com a atual situação, mas isso não explica tudo. A educação não somente foi negligenciada no sistema educacional atual, como também já foi quase que completamente substituída pela doutrinação ideológica. A doutrinação que hoje é feita por professores e instituições supostamente educacionais é amplamente baseada na simples vocalização das mesmas pressuposições básicas e não-comprovadas de sempre.
Se as instituições educacionais de hoje — desde escolas a universidades — estivessem tão interessadas em diversidade de ideias quanto estão obcecadas com diversidade racial e sexual, os estudantes ao menos adquiririam experiência ao ver as pressuposições que existem por trás de diferentes visões, e entenderiam a função da lógica e da evidência ao debaterem tais diferenças. No entanto, a realidade é que um estudante pode passar por todo o seu ciclo educacional, desde o jardim de infância até seu doutoramento, sem entrar em contato com absolutamente nenhuma visão de mundo que seja fundamentalmente diferente daquela que prevalece dentro do espectro de opiniões autorizadas e politicamente corretas que domina o nosso sistema educacional.
No que mais, a perspectiva moral da visão ideológica predominante é completamente maniqueísta: as pessoas imbuídas dessas ideias realmente se veem como anjos combatendo todas as forças do mal — seja o assunto em questão o desarmamento, o ambientalismo, o racismo, o homossexualismo, o feminismo ou qualquer outro ismo.
Um monopólio moral é a antítese de um livre mercado de ideias. Um indicativo desta noção de monopólio moral dentre a intelligentsia esquerdista é o fato de que as instituições que estão majoritariamente sob seu controle — escolas, faculdades e universidades — são justamente aqueles que usufruem muito menos liberdade de expressão do que o resto da sociedade.
Por exemplo, ao passo que a defesa e até mesmo a promoção da homossexualidade é comum nos campi universitários — e comparecer a palestras e aulas que fazem tal promoção é frequentemente algo obrigatório nos cursos introdutórios —, qualquer crítica ao comportamento homossexual é imediatamente rotulada de "reacionarismo", "preconceito" e "incitação ao ódio", sujeita a imediata punição.
Enquanto porta-vozes de vários grupos raciais e étnicos são livres para denunciar com veemência "os brancos" por seus pecados passados e presentes, verdadeiros ou imaginários, qualquer estudante branco que similarmente venha a denunciar as transgressões ou os desvarios de grupos não-brancos garantidamente será punido, se não expulso.
Até mesmo estudantes que não defendem ou não promovem absolutamente nada podem ter de pagar um preço caso não concordem com a lavagem cerebral que ocorre nas salas de aula. Recentemente, nos EUA, um aluno da Florida Atlantic University que se recusou a pisotear um papel em que estava escrito a palavra "Jesus", a mando de seu professor, foi suspenso pela universidade. Felizmente, a história veio a público e gerou uma onda de protestos fora do mundo acadêmico.
A atitude deste professor pode ser descartada e ignorada como sendo um caso isolado de extremismo, mas o fato é que o establishment universitário saiu solidamente em sua defesa e atacou implacavelmente o estudante. Tal atitude mostra que a podridão moral que impera na academia vai muito mais além do que um simples professor adepto da doutrinação e da lavagem cerebral.
Estamos hoje vivenciando todo o esplendor do anti-intelectualismo que se espalhou por metástase ao longo de todo o mundo acadêmico. As universidades se tornaram tão dominadas por uma insistência na inviolabilidade de um determinado pensamento grupal, que qualquer professor "forasteiro", que não compactue com a predominância deste pensamento gregário, não mais pode falar a respeito de um determinado assunto sem antes ter sido devidamente credenciado por seus pares. Uma simples pesquisa sobre o tratamento dispensado a acadêmicos que ousam questionar a santidade do aquecimento global mostra bem esse ponto.
Já houve uma época em que um curso universitário era considerado um meio de introduzir as pessoas a uma ampla gama de assuntos que lhes permitiria pensar e falar inteligentemente sobre várias questões que estivessem afetando suas vidas. O pensamento coletivista — que hoje é predominante no meio universitário — rejeita tal ideia, conferindo o monopólio de determinadas questões apenas àquelas pessoas que são reconhecidas como "especialistas" por seus pares.
Este método educacional que recorre à intimidação e à simples repetição de frases de efeito de cunho emocional evidencia a completa falência do sistema educacional. Se professores universitários — teoricamente a nata intelectual da sociedade, pessoas que por vocação e profissão deveriam ser as mais rígidas seguidoras do rigor intelectual — agem assim, como podemos esperar que o restante da população apresente discernimentos mais profundos?
Para sobreviver e progredir, seres humanos precisam saber pensar. Porém, estamos cada vez mais terceirizando esta função para acadêmicos, que por sua vez pautam o conteúdo da mídia. Tal terceirização de pensamento ajuda a explicar por que há hoje uma escassez de pensamentos originais e significativos.
O fracasso do sistema educacional vai muito além da ausência de um aprendizado útil. O real fracasso está naquilo que de fato é ensinado — ou melhor, doutrinado — nas salas de aula, algo evidenciado pelos formandos que as universidades cospem para o mundo, seres incapazes de apresentar qualquer resquício de pensamento original.
Jamais se preocupe em se aprofundar em qualquer assunto: os "especialistas" cujos empregos se resumem a promover a agenda do establishment político e cultural já têm tudo explicado para você.”
http://www.mises.org.br
Por exemplo, um jovem me enviou um e-mail pedindo as fontes em que eu havia me baseado para citar alguns fatos negativos sobre o desarmamento em um artigo recente. É sempre bom checar os fatos — especialmente se você checar os fatos de ambos os lados da questão.
Em contraste, um outro sujeito simplesmente me criticou por tudo o que eu havia dito nesse artigo. Ele não pediu as minhas fontes e nem quis saber se elas existiam; ele simplesmente saiu fazendo afirmações em contrário, como se essas suas assertivas fossem automaticamente corretas pelo simples fato de estarem sendo pronunciadas por ele, algo que, em sua mente, invalidaria automaticamente tudo o que eu havia escrito.
Ele se identificou como médico, e as alegações que ele fez sobre armas eram as mesmas que haviam sido feitas anos atrás em uma revista médica — alegações que já foram inteiramente desacreditadas desde sua publicação. Ele poderia ter aprendido isso caso houvesse me dado a oportunidade de responder às suas provocações, de um modo que nos engajássemos em um debate. Porém, ele próprio deixou claro desde o início que sua carta não tinha o objetivo de gerar um debate, mas sim apenas de me acusar e me denunciar.
Esse tipo de comportamento se tornou um procedimento padrão no mundo atual.
É sempre surpreendente — e apavorante — constatar quantos assuntos extremamente sérios não são discutidos seriamente hoje em dia; as pessoas simplesmente saem emitindo afirmativas e contra-afirmativas, tudo de maneira generalizada. Seja em debates de internet ou até mesmo em programas de televisão, as pessoas simplesmente tentam calar seu opositor falando mais alto do que ele ou simplesmente recorrendo a frases de efeito de cunho emotivo.
Há inúmeras maneiras de fazer parecer que se está argumentando sem que na realidade se esteja produzindo absolutamente nenhum argumento coerente.
Décadas de educação escolar e universitária simplificada — para não dizer idiotizante — certamente têm algo a ver com a atual situação, mas isso não explica tudo. A educação não somente foi negligenciada no sistema educacional atual, como também já foi quase que completamente substituída pela doutrinação ideológica. A doutrinação que hoje é feita por professores e instituições supostamente educacionais é amplamente baseada na simples vocalização das mesmas pressuposições básicas e não-comprovadas de sempre.
Se as instituições educacionais de hoje — desde escolas a universidades — estivessem tão interessadas em diversidade de ideias quanto estão obcecadas com diversidade racial e sexual, os estudantes ao menos adquiririam experiência ao ver as pressuposições que existem por trás de diferentes visões, e entenderiam a função da lógica e da evidência ao debaterem tais diferenças. No entanto, a realidade é que um estudante pode passar por todo o seu ciclo educacional, desde o jardim de infância até seu doutoramento, sem entrar em contato com absolutamente nenhuma visão de mundo que seja fundamentalmente diferente daquela que prevalece dentro do espectro de opiniões autorizadas e politicamente corretas que domina o nosso sistema educacional.
No que mais, a perspectiva moral da visão ideológica predominante é completamente maniqueísta: as pessoas imbuídas dessas ideias realmente se veem como anjos combatendo todas as forças do mal — seja o assunto em questão o desarmamento, o ambientalismo, o racismo, o homossexualismo, o feminismo ou qualquer outro ismo.
Um monopólio moral é a antítese de um livre mercado de ideias. Um indicativo desta noção de monopólio moral dentre a intelligentsia esquerdista é o fato de que as instituições que estão majoritariamente sob seu controle — escolas, faculdades e universidades — são justamente aqueles que usufruem muito menos liberdade de expressão do que o resto da sociedade.
Por exemplo, ao passo que a defesa e até mesmo a promoção da homossexualidade é comum nos campi universitários — e comparecer a palestras e aulas que fazem tal promoção é frequentemente algo obrigatório nos cursos introdutórios —, qualquer crítica ao comportamento homossexual é imediatamente rotulada de "reacionarismo", "preconceito" e "incitação ao ódio", sujeita a imediata punição.
Enquanto porta-vozes de vários grupos raciais e étnicos são livres para denunciar com veemência "os brancos" por seus pecados passados e presentes, verdadeiros ou imaginários, qualquer estudante branco que similarmente venha a denunciar as transgressões ou os desvarios de grupos não-brancos garantidamente será punido, se não expulso.
Até mesmo estudantes que não defendem ou não promovem absolutamente nada podem ter de pagar um preço caso não concordem com a lavagem cerebral que ocorre nas salas de aula. Recentemente, nos EUA, um aluno da Florida Atlantic University que se recusou a pisotear um papel em que estava escrito a palavra "Jesus", a mando de seu professor, foi suspenso pela universidade. Felizmente, a história veio a público e gerou uma onda de protestos fora do mundo acadêmico.
A atitude deste professor pode ser descartada e ignorada como sendo um caso isolado de extremismo, mas o fato é que o establishment universitário saiu solidamente em sua defesa e atacou implacavelmente o estudante. Tal atitude mostra que a podridão moral que impera na academia vai muito mais além do que um simples professor adepto da doutrinação e da lavagem cerebral.
Estamos hoje vivenciando todo o esplendor do anti-intelectualismo que se espalhou por metástase ao longo de todo o mundo acadêmico. As universidades se tornaram tão dominadas por uma insistência na inviolabilidade de um determinado pensamento grupal, que qualquer professor "forasteiro", que não compactue com a predominância deste pensamento gregário, não mais pode falar a respeito de um determinado assunto sem antes ter sido devidamente credenciado por seus pares. Uma simples pesquisa sobre o tratamento dispensado a acadêmicos que ousam questionar a santidade do aquecimento global mostra bem esse ponto.
Já houve uma época em que um curso universitário era considerado um meio de introduzir as pessoas a uma ampla gama de assuntos que lhes permitiria pensar e falar inteligentemente sobre várias questões que estivessem afetando suas vidas. O pensamento coletivista — que hoje é predominante no meio universitário — rejeita tal ideia, conferindo o monopólio de determinadas questões apenas àquelas pessoas que são reconhecidas como "especialistas" por seus pares.
Este método educacional que recorre à intimidação e à simples repetição de frases de efeito de cunho emocional evidencia a completa falência do sistema educacional. Se professores universitários — teoricamente a nata intelectual da sociedade, pessoas que por vocação e profissão deveriam ser as mais rígidas seguidoras do rigor intelectual — agem assim, como podemos esperar que o restante da população apresente discernimentos mais profundos?
Para sobreviver e progredir, seres humanos precisam saber pensar. Porém, estamos cada vez mais terceirizando esta função para acadêmicos, que por sua vez pautam o conteúdo da mídia. Tal terceirização de pensamento ajuda a explicar por que há hoje uma escassez de pensamentos originais e significativos.
O fracasso do sistema educacional vai muito além da ausência de um aprendizado útil. O real fracasso está naquilo que de fato é ensinado — ou melhor, doutrinado — nas salas de aula, algo evidenciado pelos formandos que as universidades cospem para o mundo, seres incapazes de apresentar qualquer resquício de pensamento original.
Jamais se preocupe em se aprofundar em qualquer assunto: os "especialistas" cujos empregos se resumem a promover a agenda do establishment político e cultural já têm tudo explicado para você.”
http://www.mises.org.br
quarta-feira, 11 de maio de 2016
5 razões pelas quais o "casamento" homossexual é mau para as crianças
“Os defensores do "casamento" homoerótico acreditam que a única coisa que as crianças precisam é de amor. Tendo como base esta crença, eles concluem que é igualmente benéfico as crianças serem educadas por dois pais homossexuais amorosos, tal como o é serem educadas por dois pais heterossexuais amorosos. Infelizmente, esta pressuposição básica - e tudo o que procede da mesma - é falsa uma vez que só o amor não basta!
Em igualdade de circunstâncias, as crianças educadas por um pai e por uma mãe dentro de um casamento desenvolvem-se melhor. É dentro deste ambiente que as crianças são mais susceptíveis de ficar expostas a experiências psicológicas e emocionais que são necessárias para o seu desenvolvimento. Os homens e as mulheres trazem diversidade para a paternidade; cada um faz contribuições únicas para a educação das crianças - contribuições essas que não podem ser replicadas pelo outro. As mães e os pais pura e simplesmente não são permutáveis. Duas mulheres podem ambas ser boas mães, mas nenhuma delas pode ser um bom pai.
Eis aqui, portanto, cinco razões do porquê ser do melhor interesse das crianças elas serem educadas tanto pela mãe como pelo pai:
Primeiro: o amor de mãe e o amor de pai - embora ambos importantes - são qualitativamente distintos e produzem tipos de ligação pai-filho distintos. Especificamente, é a combinação do amor de tendência incondicional da mãe e o amor de tendência condicional do pai que é essencial para o desenvolvimento da criança. A presença de uma destas formas de amor sem a presença da outra pode ser problemático visto que o que a criança precisa é do equilíbrio complementar que os dois tipos de amor paternal e apego possibilitam.
Só pais heterossexuais oferecem à criança a oportunidade de desenvolver relacionamentos com um pai do mesmo sexo, e outro do sexo oposto. Relacionamentos com ambos os sexos cedo na vida facilitam os relacionamento com ambos os sexos mais tarde na vida. Para a menina, ela irá entender melhor e interagir melhor com o mundo dos homens e sentir-se mais confortável no mundo das mulheres. Para os rapazes, o contrário é também verdade. Ter um relacionamento com o "outro" - pai do sexo oposto - aumenta também a probabilidade da criança ser mais empática e menos narcisista.
Segundo: as crianças crescem segundo etapas de desenvolvimento previsíveis e necessárias. Algumas etapas requerem mais da mãe, ao mesmo tempo que outras requerem mais do pai. Por exemplo, durante a infância, os bebês de ambos os sexos tendem a se desenvolverem melhor sob os cuidados da mãe. As mães estão mais sintonizadas com as necessidades sutis dos seus filhos, e desde logo, são apropriadamente mais sensíveis. No entanto, a dada altura, se queremos que o jovem rapaz se torne num homem competente, ele tem que se desligar da sua mãe e identificar-se mais com o seu pai. Um rapaz sem pai não tem um homem com quem se identificar e é desde logo mais susceptível de ter problemas na formação duma identidade masculina saudável.
O pai ensina o rapaz a forma como canalizar de forma certa a sua agressividade e os seus impulsos sexuais. Uma mãe não pode ensinar a um filho como controlar os seus impulsos porque ela não é um homem e não tem os mesmos impulsos que um homem. O pai também coloca em prática uma forma de disciplina junto do filho que a mãe não coloca - um tipo de disciplina e respeito mais prováveis de manter o rapaz controlado. Estas são as razões principais que fazem com que os rapazes que crescem sem pai sejam mais suscetíveis de se tornarem delinqüentes e serem, conseqüentemente, colocados na prisão.
A necessidade do pai também está embutida na psicologia das meninas. Existem momentos da vida das meninas onde só o pai tem lugar. Por exemplo, o pai oferece um ambiente seguro não-sexual onde ela pode ter a sua primeira relação homem-mulher e ter a sua essência feminina afirmada. Quando a menina não tem um pai para preencher esse lugar, ela é mais susceptível de se tornar promíscua numa tentativa equivocada de tentar satisfazer a sua natural necessidade por atenção e validação masculina.
De forma geral, os pais homens desempenham um papel moderador na vida dos filhos. Eles restringem os filhos de agir de forma anti-social, e as filhas de agir de forma sexual. Quando não há um pai para levar a cabo estas funções, terríveis conseqüências ocorrem tanto para as crianças sem um pai, como para a sociedade onde estas crianças agem segundo os seus instintos não-controlados por um pai.
Terceiro: os rapazes e as garotas precisam da figura paterna do sexo oposto para os ajudar a moderar as inclinações naturais associadas ao seu sexo. Por exemplo, os rapazes normalmente colocam a razão acima da emoção, as regras acima dos relacionamentos, correr riscos acima da precaução, e padrões acima da compaixão; as garotas normalmente fazem o contrário. Pais de sexos opostos ajudam as crianças a manter as suas tendências naturais controladas, ao lhes ensinarem - verbalmente ou não - o valor das tendências do sexo oposto. Esse ensino não só facilita a moderação, mas expande também o mundo da criança - ajudando o rapaz ou a garota a olhar para além do seu limitado ponto de vista.
Quarto: o "casamento" homossexual irá aumentar a confusão sexual e as experiências sexuais entre os jovens. A mensagem explícita e implícita do "casamento" homossexual é que todas as escolhas são igualmente válidas e desejáveis. Portanto, mesmo as crianças dos lares tradicionais - educadas pela mensagem de que todas-as-opções-sexuais-são-iguais - crescerão a pensar que não importa com quem se relaciona sexualmente ou com quem a pessoa se casa. Adotar tal crença irá levar alguns - se não muitos - jovens impressionáveis a considerar arranjos sexuais e maritais que de outra forma eles nunca iriam contemplar. E as crianças de lares homossexuais, que já são mais susceptíveis de levar a cabo mais experiências sexuais, irão levar a cabo estas experiências sexuais em números ainda maiores visto que a sua sexualidade não só teve o exemplo dos seus "pais", como também foi aprovada pela sociedade dentro da qual elas cresceram.
Não existem dúvidas de que a sexualidade humana é maleável. Levemos em conta a Grécia antiga, ou a Roma antiga - entre muitas outras sociedades antigas - onde a homossexualidade masculina e a bissexualidade eram quase onipresentes. Isto não acontecia porque estes homens nasciam com o "gene homossexual", mas sim porque nessas civilizações o homossexualismo era tolerado. Aquilo que a sociedade sanciona, a sociedade obtém em maior número.
Quinto: se a sociedade permitir os "casamentos" homossexuais, ela terá também que permitir os outros tipos de "casamento". A lógica legal é simples: se proibir o "casamento" homossexual é discriminação, então proibir "casamentos" polígamos, poliamorosos, ou qualquer outro tipo de agrupamento marital é também considerado discriminação. As ramificações emocionais e psicológicas destes arranjos variados na psique e na sexualidade das crianças serão desastrosas.
E o que acontecerá às crianças quando um destes "casamentos" alternativos se dissolver e cada um dos "pais" voltar a "casar"? As crianças podem dar por si com 4 pais, ou dois pais e 4 mães, ou...coloquem a vossa sugestão.
Certamente que as duplas homossexuais podem ser tão amorosas como as duplas heterossexuais, mas a crianças precisam de muito mais do que isso. Elas precisam de disciplina e das naturezas complementares do pai e da mãe. A sabedoria acumulada de mais de 5.000 anos revela que a configuração marital e paternal ideal é composta por um homem e por uma mulher. Colocar de lado arrogantemente esta sabedoria validada pelo tempo, e usar as crianças como cobaias numa radical experiência é, na melhor das hipóteses, arriscado, e, na pior das hipóteses, cataclísmico.
O "casamento" homossexual certamente que não é no melhor interesse das crianças, e embora nós possamos ter empatia pelos homossexuais que anseiam casar e ter filhos, não podemos deixar que a nossa compaixão por eles seja colocada acima da nossa compaixão pelas crianças. Numa luta entre os desejos dos homossexuais e as necessidades das crianças, não podemos deixar que as crianças percam.”
(Trayce Hansen, Love Isn’t Enough: 5 Reasons Why Same-Sex Marriage Will Harm Children)
http://ohomossexualismo.blogspot.com.br
Em igualdade de circunstâncias, as crianças educadas por um pai e por uma mãe dentro de um casamento desenvolvem-se melhor. É dentro deste ambiente que as crianças são mais susceptíveis de ficar expostas a experiências psicológicas e emocionais que são necessárias para o seu desenvolvimento. Os homens e as mulheres trazem diversidade para a paternidade; cada um faz contribuições únicas para a educação das crianças - contribuições essas que não podem ser replicadas pelo outro. As mães e os pais pura e simplesmente não são permutáveis. Duas mulheres podem ambas ser boas mães, mas nenhuma delas pode ser um bom pai.
Eis aqui, portanto, cinco razões do porquê ser do melhor interesse das crianças elas serem educadas tanto pela mãe como pelo pai:
Primeiro: o amor de mãe e o amor de pai - embora ambos importantes - são qualitativamente distintos e produzem tipos de ligação pai-filho distintos. Especificamente, é a combinação do amor de tendência incondicional da mãe e o amor de tendência condicional do pai que é essencial para o desenvolvimento da criança. A presença de uma destas formas de amor sem a presença da outra pode ser problemático visto que o que a criança precisa é do equilíbrio complementar que os dois tipos de amor paternal e apego possibilitam.
Só pais heterossexuais oferecem à criança a oportunidade de desenvolver relacionamentos com um pai do mesmo sexo, e outro do sexo oposto. Relacionamentos com ambos os sexos cedo na vida facilitam os relacionamento com ambos os sexos mais tarde na vida. Para a menina, ela irá entender melhor e interagir melhor com o mundo dos homens e sentir-se mais confortável no mundo das mulheres. Para os rapazes, o contrário é também verdade. Ter um relacionamento com o "outro" - pai do sexo oposto - aumenta também a probabilidade da criança ser mais empática e menos narcisista.
Segundo: as crianças crescem segundo etapas de desenvolvimento previsíveis e necessárias. Algumas etapas requerem mais da mãe, ao mesmo tempo que outras requerem mais do pai. Por exemplo, durante a infância, os bebês de ambos os sexos tendem a se desenvolverem melhor sob os cuidados da mãe. As mães estão mais sintonizadas com as necessidades sutis dos seus filhos, e desde logo, são apropriadamente mais sensíveis. No entanto, a dada altura, se queremos que o jovem rapaz se torne num homem competente, ele tem que se desligar da sua mãe e identificar-se mais com o seu pai. Um rapaz sem pai não tem um homem com quem se identificar e é desde logo mais susceptível de ter problemas na formação duma identidade masculina saudável.
O pai ensina o rapaz a forma como canalizar de forma certa a sua agressividade e os seus impulsos sexuais. Uma mãe não pode ensinar a um filho como controlar os seus impulsos porque ela não é um homem e não tem os mesmos impulsos que um homem. O pai também coloca em prática uma forma de disciplina junto do filho que a mãe não coloca - um tipo de disciplina e respeito mais prováveis de manter o rapaz controlado. Estas são as razões principais que fazem com que os rapazes que crescem sem pai sejam mais suscetíveis de se tornarem delinqüentes e serem, conseqüentemente, colocados na prisão.
A necessidade do pai também está embutida na psicologia das meninas. Existem momentos da vida das meninas onde só o pai tem lugar. Por exemplo, o pai oferece um ambiente seguro não-sexual onde ela pode ter a sua primeira relação homem-mulher e ter a sua essência feminina afirmada. Quando a menina não tem um pai para preencher esse lugar, ela é mais susceptível de se tornar promíscua numa tentativa equivocada de tentar satisfazer a sua natural necessidade por atenção e validação masculina.
De forma geral, os pais homens desempenham um papel moderador na vida dos filhos. Eles restringem os filhos de agir de forma anti-social, e as filhas de agir de forma sexual. Quando não há um pai para levar a cabo estas funções, terríveis conseqüências ocorrem tanto para as crianças sem um pai, como para a sociedade onde estas crianças agem segundo os seus instintos não-controlados por um pai.
Terceiro: os rapazes e as garotas precisam da figura paterna do sexo oposto para os ajudar a moderar as inclinações naturais associadas ao seu sexo. Por exemplo, os rapazes normalmente colocam a razão acima da emoção, as regras acima dos relacionamentos, correr riscos acima da precaução, e padrões acima da compaixão; as garotas normalmente fazem o contrário. Pais de sexos opostos ajudam as crianças a manter as suas tendências naturais controladas, ao lhes ensinarem - verbalmente ou não - o valor das tendências do sexo oposto. Esse ensino não só facilita a moderação, mas expande também o mundo da criança - ajudando o rapaz ou a garota a olhar para além do seu limitado ponto de vista.
Quarto: o "casamento" homossexual irá aumentar a confusão sexual e as experiências sexuais entre os jovens. A mensagem explícita e implícita do "casamento" homossexual é que todas as escolhas são igualmente válidas e desejáveis. Portanto, mesmo as crianças dos lares tradicionais - educadas pela mensagem de que todas-as-opções-sexuais-são-iguais - crescerão a pensar que não importa com quem se relaciona sexualmente ou com quem a pessoa se casa. Adotar tal crença irá levar alguns - se não muitos - jovens impressionáveis a considerar arranjos sexuais e maritais que de outra forma eles nunca iriam contemplar. E as crianças de lares homossexuais, que já são mais susceptíveis de levar a cabo mais experiências sexuais, irão levar a cabo estas experiências sexuais em números ainda maiores visto que a sua sexualidade não só teve o exemplo dos seus "pais", como também foi aprovada pela sociedade dentro da qual elas cresceram.
Não existem dúvidas de que a sexualidade humana é maleável. Levemos em conta a Grécia antiga, ou a Roma antiga - entre muitas outras sociedades antigas - onde a homossexualidade masculina e a bissexualidade eram quase onipresentes. Isto não acontecia porque estes homens nasciam com o "gene homossexual", mas sim porque nessas civilizações o homossexualismo era tolerado. Aquilo que a sociedade sanciona, a sociedade obtém em maior número.
Quinto: se a sociedade permitir os "casamentos" homossexuais, ela terá também que permitir os outros tipos de "casamento". A lógica legal é simples: se proibir o "casamento" homossexual é discriminação, então proibir "casamentos" polígamos, poliamorosos, ou qualquer outro tipo de agrupamento marital é também considerado discriminação. As ramificações emocionais e psicológicas destes arranjos variados na psique e na sexualidade das crianças serão desastrosas.
E o que acontecerá às crianças quando um destes "casamentos" alternativos se dissolver e cada um dos "pais" voltar a "casar"? As crianças podem dar por si com 4 pais, ou dois pais e 4 mães, ou...coloquem a vossa sugestão.
Certamente que as duplas homossexuais podem ser tão amorosas como as duplas heterossexuais, mas a crianças precisam de muito mais do que isso. Elas precisam de disciplina e das naturezas complementares do pai e da mãe. A sabedoria acumulada de mais de 5.000 anos revela que a configuração marital e paternal ideal é composta por um homem e por uma mulher. Colocar de lado arrogantemente esta sabedoria validada pelo tempo, e usar as crianças como cobaias numa radical experiência é, na melhor das hipóteses, arriscado, e, na pior das hipóteses, cataclísmico.
O "casamento" homossexual certamente que não é no melhor interesse das crianças, e embora nós possamos ter empatia pelos homossexuais que anseiam casar e ter filhos, não podemos deixar que a nossa compaixão por eles seja colocada acima da nossa compaixão pelas crianças. Numa luta entre os desejos dos homossexuais e as necessidades das crianças, não podemos deixar que as crianças percam.”
(Trayce Hansen, Love Isn’t Enough: 5 Reasons Why Same-Sex Marriage Will Harm Children)
http://ohomossexualismo.blogspot.com.br
domingo, 17 de janeiro de 2016
Mudança
“Qualquer pessoa com a mínima capacidade de análise da História descobrirá que o traço mais característico (constitutivo, na realidade) de nossa época é o afã de 'mudança'; e também que se trata de uma 'mudança' que age sempre na mesma direção. Bastaria analisar, por exemplo, a evolução política dos trinta ou quarenta últimos anos para descobrir, por exemplo, que os chamados 'conservadores' fizeram próprias e defendem com orgulho teses que faz umas poucas décadas os 'progressistas' apenas se atreviam a defender vergonhosamente. Este fenômeno nos confirma que os conservadores são tão somente os que se encarregam de conservar e consolidar os 'avanços' progressistas; e nos revela um desígnio mui profundo que, por medo, não conseguimos explicar; ou que explicamos ingenuamente como um “sinal dos tempos” - que repetimos como papagaios – exigem “renovar-se ou morrer”, adequar-nos a novas idéias como quem se adequa a novas modas indumentárias.
Mas o certo é que o próprio do ser humano não é andar mudando de idéias a todo momento, ou submetendo-as a um constante processo evolutivo, para além das mudanças de percepção que nos proporciona a experiência da vida e o acúmulo de sabedoria (e estas mudanças de percepção, para a mentalidade moderna, são antes de natureza 'involutiva'). Escrevia Santo Agostinho em suas Confissões que a alma não encontra descanso nas coisas que não são firmes; e, no entanto, a alma do homem de nossa época está sendo constantemente fustigada para que abandone as convicções firmes e se entregue ao desassossego dos pareceres voltários, como se a lei do pensamento não fosse a verdade, mas a opinião flutuante. Aquele “tudo flui” que enunciou Heráclito, para referir-se às mudanças biológicas e naturais, tornou-se um “devir” que afeta também o pensamento, submetido a um constante processo de mutação. Todavia o senso comum dita à gente simples que quem anda mudando constantemente de idéias, ou amoldando-as à conjuntura, é um 'vira-casaca'; mas entre as chamadas 'elites' (que são as oligarquias encarregadas de matar o sentido comum da gente simples) esta mudança constante é mostrada como a forma suprema de sabedoria e a prova máxima de “inteligência emocional”. Quem, pelo contrário, mantém-se leal a suas convicções é mostrado como um retrógrado perigoso, um imobilista que convém deixar parado na sarjeta, para que não aja como lastro nos processos de mudança que continuam sendo produzidos sem cessar.
Certamente toda mudança tem uma direção, um 'até onde'; mas nossa época esconde tal elemento, que em todo caso disfarçará com os ouropéis do 'progresso'. Pois o que interessa à nossa época é, antes de mais nada, que as massas avancem para 'novos horizontes', sem saber qual é a meta, sem pensar sequer se tal meta é na verdade um precipício ou um depósito de lixo, um cemitério ou um patíbulo. Como se uma força cega e mecânica nos estivesse dirigindo constantemente a uma espécie de terra prometida (por quem?) onde desfrutaremos de uma vida mais plena, coroada pelo desfrute de novos 'direitos'. Certamente tal terra prometida nunca se alcança, como ocorria com a tartaruga no paradoxo de Zenão de Eléia; mas sua perseguição quimérica permite que os homens não adiram a nenhuma convicção definitiva, e assim possam extraviar-se mais facilmente.
Em certa ocasião, Chesterton se referiu a um progressismo nefasto que consiste em “alterar a alma humana para que se adapte a suas condições, em lugar de alterar as condições para que se adaptem à alma humana”; e que, em seu desalmado labor, sempre se apóia no mecanismo do precedente: “Como nos metemos em confusão, temos que nos meter em outra ainda maior para nos adaptarmos; como fizemos uma volta equivocada faz algum tempo, temos que seguir em frente e não para trás; como perdemos o caminho, devemos também perder o mapa; e, como não realizamos nosso ideal, devemos esquecê-lo”. Tudo menos nos arrependermos e retrocedermos, que é uma heresia que nossa época não admite; pois, ao nos arrependermos e retrocedermos, descobriríamos que há certezas fixas, verdades imutáveis e palavras perenes. E até poderíamos parar e escutar aquele que disse: “O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão”! E isto é o que o afã de mudança não pode permitir de modo algum; pois, no fim das contas, toda esta maquinaria que descrevemos foi concebida para combater quem pronunciou essas insultantes palavras.”
(Juan Manuel de Prada, Cambio)
Mas o certo é que o próprio do ser humano não é andar mudando de idéias a todo momento, ou submetendo-as a um constante processo evolutivo, para além das mudanças de percepção que nos proporciona a experiência da vida e o acúmulo de sabedoria (e estas mudanças de percepção, para a mentalidade moderna, são antes de natureza 'involutiva'). Escrevia Santo Agostinho em suas Confissões que a alma não encontra descanso nas coisas que não são firmes; e, no entanto, a alma do homem de nossa época está sendo constantemente fustigada para que abandone as convicções firmes e se entregue ao desassossego dos pareceres voltários, como se a lei do pensamento não fosse a verdade, mas a opinião flutuante. Aquele “tudo flui” que enunciou Heráclito, para referir-se às mudanças biológicas e naturais, tornou-se um “devir” que afeta também o pensamento, submetido a um constante processo de mutação. Todavia o senso comum dita à gente simples que quem anda mudando constantemente de idéias, ou amoldando-as à conjuntura, é um 'vira-casaca'; mas entre as chamadas 'elites' (que são as oligarquias encarregadas de matar o sentido comum da gente simples) esta mudança constante é mostrada como a forma suprema de sabedoria e a prova máxima de “inteligência emocional”. Quem, pelo contrário, mantém-se leal a suas convicções é mostrado como um retrógrado perigoso, um imobilista que convém deixar parado na sarjeta, para que não aja como lastro nos processos de mudança que continuam sendo produzidos sem cessar.
Certamente toda mudança tem uma direção, um 'até onde'; mas nossa época esconde tal elemento, que em todo caso disfarçará com os ouropéis do 'progresso'. Pois o que interessa à nossa época é, antes de mais nada, que as massas avancem para 'novos horizontes', sem saber qual é a meta, sem pensar sequer se tal meta é na verdade um precipício ou um depósito de lixo, um cemitério ou um patíbulo. Como se uma força cega e mecânica nos estivesse dirigindo constantemente a uma espécie de terra prometida (por quem?) onde desfrutaremos de uma vida mais plena, coroada pelo desfrute de novos 'direitos'. Certamente tal terra prometida nunca se alcança, como ocorria com a tartaruga no paradoxo de Zenão de Eléia; mas sua perseguição quimérica permite que os homens não adiram a nenhuma convicção definitiva, e assim possam extraviar-se mais facilmente.
Em certa ocasião, Chesterton se referiu a um progressismo nefasto que consiste em “alterar a alma humana para que se adapte a suas condições, em lugar de alterar as condições para que se adaptem à alma humana”; e que, em seu desalmado labor, sempre se apóia no mecanismo do precedente: “Como nos metemos em confusão, temos que nos meter em outra ainda maior para nos adaptarmos; como fizemos uma volta equivocada faz algum tempo, temos que seguir em frente e não para trás; como perdemos o caminho, devemos também perder o mapa; e, como não realizamos nosso ideal, devemos esquecê-lo”. Tudo menos nos arrependermos e retrocedermos, que é uma heresia que nossa época não admite; pois, ao nos arrependermos e retrocedermos, descobriríamos que há certezas fixas, verdades imutáveis e palavras perenes. E até poderíamos parar e escutar aquele que disse: “O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão”! E isto é o que o afã de mudança não pode permitir de modo algum; pois, no fim das contas, toda esta maquinaria que descrevemos foi concebida para combater quem pronunciou essas insultantes palavras.”
(Juan Manuel de Prada, Cambio)
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
A inteligência corrompida pela tecnologia
“Comprova-se entre os homens de nosso século um nervosismo doentio, provocado por uma atividade dos sentidos desproporcional às forças físicas que Deus nos deu. O rádio, o cinema e, em geral, as invenções modernas são em grande medida a causa disso.
Mas elas seriam um mal menor se se soubesse usá-las com moderação. Ora, não vemos, pelo contrário, a precipitação e a avidez com a qual se perseguem estas sensações e estas impressões violentas? As conseqüências se fazem sentir muito claramente na inteligência, que depende em sua atividade de nosso sistema nervoso.
É assim que as crianças e os jovens mostram uma grande dificuldade para manter uma atenção contínua em classe, que as pessoas maduras mostram repugnância a um trabalho intelectual contínuo, a um esforço de atenção prolongado.
Que será então quando se trate de questões religiosas, nas quais os sentidos têm mais que uma parte reduzida, onde será necessário, desde as coisas sensíveis, elevar-se até as realidades espirituais?”
(Arcebispo Marcel Lefebvre, Carta Pastoral nº 1, A Ignorância Religiosa)
Mas elas seriam um mal menor se se soubesse usá-las com moderação. Ora, não vemos, pelo contrário, a precipitação e a avidez com a qual se perseguem estas sensações e estas impressões violentas? As conseqüências se fazem sentir muito claramente na inteligência, que depende em sua atividade de nosso sistema nervoso.
É assim que as crianças e os jovens mostram uma grande dificuldade para manter uma atenção contínua em classe, que as pessoas maduras mostram repugnância a um trabalho intelectual contínuo, a um esforço de atenção prolongado.
Que será então quando se trate de questões religiosas, nas quais os sentidos têm mais que uma parte reduzida, onde será necessário, desde as coisas sensíveis, elevar-se até as realidades espirituais?”
(Arcebispo Marcel Lefebvre, Carta Pastoral nº 1, A Ignorância Religiosa)
terça-feira, 25 de agosto de 2015
As causas profundas dos males do homem moderno
“As causas profundas dos males do homem de hoje são justamente esses disfarces niilistas dos valores supremos que caíram (como tais) no esquecimento. A meu ver, tais males e os vários disfarces niilistas dos valores perdidos a eles vinculados podem ser resumidos nos dez itens apresentados a seguir:
1- o cientificismo e o redimensionamento da razão do homem em sentido tecnológico;
2- o ideologismo absolutizado e o esquecimento do ideal do verdadeiro;
3- o praxismo, com a exaltação da ação pela ação e o esquecimento do ideal da contemplação;
4- a proclamação do bem-estar material como sucedâneo da felicidade;
5- a difusão da violência;
6- a perda do sentido da forma;
7- a redução do Eros à dimensão do físico e o esquecimento da ‘escala do amor’ platônica (e do verdadeiro amor);
8- a redução do homem a uma única dimensão e o individualismo levado ao extremo;
9- a perda do sentido do cosmos e da finalidade de todas as coisas;
10- o materialismo em todas as suas formas e o esquecimento do ser, a ele vinculado”.
(Giovanni Reale, O Saber dos Antigos)
1- o cientificismo e o redimensionamento da razão do homem em sentido tecnológico;
2- o ideologismo absolutizado e o esquecimento do ideal do verdadeiro;
3- o praxismo, com a exaltação da ação pela ação e o esquecimento do ideal da contemplação;
4- a proclamação do bem-estar material como sucedâneo da felicidade;
5- a difusão da violência;
6- a perda do sentido da forma;
7- a redução do Eros à dimensão do físico e o esquecimento da ‘escala do amor’ platônica (e do verdadeiro amor);
8- a redução do homem a uma única dimensão e o individualismo levado ao extremo;
9- a perda do sentido do cosmos e da finalidade de todas as coisas;
10- o materialismo em todas as suas formas e o esquecimento do ser, a ele vinculado”.
(Giovanni Reale, O Saber dos Antigos)
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Desvarios materialistas
“A tragédia aérea recente nos permite uma reflexão sobre os desvarios das sociedades que negam as realidades sobrenaturais. Trata-se de uma reflexão que sem dúvida soará estranha a positivistas, materialistas, empiristas e, definitivamente, a todos aqueles que, por preconceitos filosóficos, escrúpulos metodológicos ou simples desinteresse rejeitam toda tentativa metafísica de explicar a realidade através de suas causas últimas e recorrendo a entidades cuja substância (falamos de Aristóteles!) não se submete ao método científico. Desnecessário dizer que isto exclui a maioria de nossos contemporâneos; mas uma das vantagens de envelhecer é que, como o personagem do romance, só se diz a própria canção a "quem comigo vai", deixando os demais tão contentes com sua surdez; e também que se aprende a escrever sem respeitos humanos.
O primeiro desvario é de natureza trágica. A negação da realidade substancial e permanente da alma transformou a psicologia em uma barafunda informe que só estuda "acidentes", percepções ou fenômenos psíquicos, sãos ou avariados. Mas, uma vez negada a existência da alma, resulta de todo impossível compreender (e muito menos combater) enfermidades como a que pôde levar o piloto Andreas Lubitz a precipitar o avião com todos seus passageiros dentro, que não são meras enfermidades dos "acidentes" psíquicos, mas enfermidades da substância anímica, invadida e gangrenada pelo preternatural. Quando nos negamos a considerar as enfermidades da alma, nosso destino inevitável é sofrer cada vez mais enfermos deste tipo, como a experiência (viva o empirismo!) demonstra. Cada vez teremos mais destes tipos que precipitam aviões, mais destes tipos que metralham crianças nas escolas, mais destes tipos que esquartejam mulheres, etcétera. Antigamente, quando se cria na existência da alma, eram chamados de endemoniados; hoje, mais refinada e erroneamente, denominamo-los psicopatas.
O segundo desvario é mais de natureza tragicômica. Nas sociedades religiosas, a vida é uma preparação para a morte, na qual o principal empenho do homem é a salvação de sua alma (que, ao final, permitirá que seu corpo desfrute algum dia da glória). Nas sociedades materialistas, ao contrário, a vida se ensimesma na conservação de sua pobre realidade material; e é-nos prometido que a ciência, a técnica, a democracia, a ginástica e a dietética (o sacrossanto progresso!) velam pela glória dessa vida material (ainda que, ao final, tais promessas bajuladoras se resumam a um saudabilíssimo cadáver com a alma apodrecida). Em uma sociedade religiosa, uma tragédia aérea como a que acabamos de sofrer serviria para escutar sermões formidáveis sobre o poder igualitário da morte, sobre a obrigação de manter nossa lâmpada acesa (porque não sabemos nem o dia nem a hora) e sobre a necessidade de acumular tesouros no céu, onde não há traça nem ferrugem que os corroa, nem ladrões que os roubem; e com isto e com rezar pela alma dos mortos, as pessoas encontrariam consolo e alegria. Em uma sociedade materialista, ao invés, andamos como estouvados buscando caixas pretas, convocando minutos de silêncio ("a casca vazia da oração", chamou-os Foxá) e disparando responsabilidades civis e penais em todo lugar; mas nenhuma destas palhaçadas nos vai devolver os mortos, nem, muito menos, vai buscar a salvação de suas almas.
E telejornais, muitos telejornais, que são os sermões cretinizantes e aturdidores com os quais são adormecidas as sociedades materialistas."
(Juan Manuel de Prada, Desvaríos Materialistas)
O primeiro desvario é de natureza trágica. A negação da realidade substancial e permanente da alma transformou a psicologia em uma barafunda informe que só estuda "acidentes", percepções ou fenômenos psíquicos, sãos ou avariados. Mas, uma vez negada a existência da alma, resulta de todo impossível compreender (e muito menos combater) enfermidades como a que pôde levar o piloto Andreas Lubitz a precipitar o avião com todos seus passageiros dentro, que não são meras enfermidades dos "acidentes" psíquicos, mas enfermidades da substância anímica, invadida e gangrenada pelo preternatural. Quando nos negamos a considerar as enfermidades da alma, nosso destino inevitável é sofrer cada vez mais enfermos deste tipo, como a experiência (viva o empirismo!) demonstra. Cada vez teremos mais destes tipos que precipitam aviões, mais destes tipos que metralham crianças nas escolas, mais destes tipos que esquartejam mulheres, etcétera. Antigamente, quando se cria na existência da alma, eram chamados de endemoniados; hoje, mais refinada e erroneamente, denominamo-los psicopatas.
O segundo desvario é mais de natureza tragicômica. Nas sociedades religiosas, a vida é uma preparação para a morte, na qual o principal empenho do homem é a salvação de sua alma (que, ao final, permitirá que seu corpo desfrute algum dia da glória). Nas sociedades materialistas, ao contrário, a vida se ensimesma na conservação de sua pobre realidade material; e é-nos prometido que a ciência, a técnica, a democracia, a ginástica e a dietética (o sacrossanto progresso!) velam pela glória dessa vida material (ainda que, ao final, tais promessas bajuladoras se resumam a um saudabilíssimo cadáver com a alma apodrecida). Em uma sociedade religiosa, uma tragédia aérea como a que acabamos de sofrer serviria para escutar sermões formidáveis sobre o poder igualitário da morte, sobre a obrigação de manter nossa lâmpada acesa (porque não sabemos nem o dia nem a hora) e sobre a necessidade de acumular tesouros no céu, onde não há traça nem ferrugem que os corroa, nem ladrões que os roubem; e com isto e com rezar pela alma dos mortos, as pessoas encontrariam consolo e alegria. Em uma sociedade materialista, ao invés, andamos como estouvados buscando caixas pretas, convocando minutos de silêncio ("a casca vazia da oração", chamou-os Foxá) e disparando responsabilidades civis e penais em todo lugar; mas nenhuma destas palhaçadas nos vai devolver os mortos, nem, muito menos, vai buscar a salvação de suas almas.
E telejornais, muitos telejornais, que são os sermões cretinizantes e aturdidores com os quais são adormecidas as sociedades materialistas."
(Juan Manuel de Prada, Desvaríos Materialistas)
terça-feira, 31 de março de 2015
O solitário Andreas
“Sempre que se comete um crime, preferivelmente monstruoso, os noticiários televisivos incluem uma reportagem especialmente grotesca na qual vizinhos e conterrâneos do criminoso tratam de esboçar seu retrato. Naturalmente, são retratos atoleimados, cheios de vacuidades e necedades orgulhosíssimas de haver-se conhecido. “Era um rapaz muito calado”, dizem; ou ainda: “Falava de preferência pouco, mas sempre me cedia o lugar no elevador”; ou ainda: “Todas as manhãs cruzava com ele fazendo footing, e nunca deixava de saudar-me”; ou ainda, com uma pitada de patetismo: “Não consigo entender que tenha podido matar cento e cinqüenta pessoas! Se até se negava a fumigar o edifício, por amor aos cupins!”. Naturalmente, uma vez que se soube que o louco Andreas Lubitz havia assassinado com premeditação os passageiros do avião que pilotava, os repórteres viajaram até sua aldeia, para entupir os noticiários com um enxame de vacuidades e necedades de seus vizinhos e conterrâneos.
O que, ao final, resulta diáfano é que Lubitz era um solitário que ninguém conhecia deveras; só que sua vida solitária nem sequer chamava a atenção de seus vizinhos e conterrâneos, pela simples razão de que eles levam uma vida tão solitária quanto ele. E aqui chegamos ao cerne que nos importa. Nada foi criado desde os átomos até os anjos para sobreviver em solidão; e das três tendências naturais do ser humano, a conservação própria, a propagação da espécie e a vida comunitária, no mínimo as duas últimas estão ordenadas a evitá-la. Querer a solidão pela solidão em si mesma (quero dizer, sem anelar um fim mais alto) talvez seja o modo mais aberrante de desobedecer nossa vocação natural; e, talvez para justificar esta desobediência, costuma-se imbuir na pobre gente a crença maluca de que se pode ser eminente contemplativo, místico sutil, filósofo genial e artista arrebatado tão somente com buscar a solidão, que deste modo se apresenta como uma grande medicina espiritual. Mas o certo é que, salvo para uns poucos privilegiados (e mesmo para estes), a solidão é um terrível veneno que cedo ou tarde gangrena as almas, engendrando acídia, abulia, tédio, desespero e angústia, além de transtornos e condutas aberrantes, por ensimesmamento e falta de afetos humanos. É que a vida comunitária, ademais de velar pela saúde física e espiritual do homem, atua como freio moral insubstituível e sentinela daqueles demônios que buscam se aninhar na alma do solitário, para primeiro destruí-la e depois imbuir-lhe idéias criminosas que atentem contra a comunidade.
Refletindo sobre o Quixote, Thomas Mann contrapõe a liberdade cervantina com a liberdade do homem contemporâneo, assinalando a aziaga mania que nosso atual conceito de liberdade tem de “começar pelo eu, pelo espírito, pela solidão”. E enfatiza Mann: “Este processo deve se considerar mórbido, pois termina fazendo do homem um ser enfermo, solitário, melancólico, isolado, incompreendido”. Este afã de desvincular e isolar os homens, transformando-os em mônadas auto-suficientes, tem sido sem dúvida uma das maiores “conquistas” do mundo moderno; pois, desvinculando e isolando os homens, conseguiu adoecê-los, debilitá-los e fazê-los mais manipuláveis. E, inevitavelmente, em um mundo de homens solitários, melancólicos, isolados e incompreendidos é inevitável que surjam monstros como este Lubitz; como é inevitável que seus vizinhos fossem por completo incapazes de detectar sua enfermidade e agora também o sejam de fazer outro retrato seu que não seja um enxame de necedades e vacuidades. É a maldição que caiu sobre um mundo de solitários.”
(Juan Manuel de Prada, El Solitario Andreas)
O que, ao final, resulta diáfano é que Lubitz era um solitário que ninguém conhecia deveras; só que sua vida solitária nem sequer chamava a atenção de seus vizinhos e conterrâneos, pela simples razão de que eles levam uma vida tão solitária quanto ele. E aqui chegamos ao cerne que nos importa. Nada foi criado desde os átomos até os anjos para sobreviver em solidão; e das três tendências naturais do ser humano, a conservação própria, a propagação da espécie e a vida comunitária, no mínimo as duas últimas estão ordenadas a evitá-la. Querer a solidão pela solidão em si mesma (quero dizer, sem anelar um fim mais alto) talvez seja o modo mais aberrante de desobedecer nossa vocação natural; e, talvez para justificar esta desobediência, costuma-se imbuir na pobre gente a crença maluca de que se pode ser eminente contemplativo, místico sutil, filósofo genial e artista arrebatado tão somente com buscar a solidão, que deste modo se apresenta como uma grande medicina espiritual. Mas o certo é que, salvo para uns poucos privilegiados (e mesmo para estes), a solidão é um terrível veneno que cedo ou tarde gangrena as almas, engendrando acídia, abulia, tédio, desespero e angústia, além de transtornos e condutas aberrantes, por ensimesmamento e falta de afetos humanos. É que a vida comunitária, ademais de velar pela saúde física e espiritual do homem, atua como freio moral insubstituível e sentinela daqueles demônios que buscam se aninhar na alma do solitário, para primeiro destruí-la e depois imbuir-lhe idéias criminosas que atentem contra a comunidade.
Refletindo sobre o Quixote, Thomas Mann contrapõe a liberdade cervantina com a liberdade do homem contemporâneo, assinalando a aziaga mania que nosso atual conceito de liberdade tem de “começar pelo eu, pelo espírito, pela solidão”. E enfatiza Mann: “Este processo deve se considerar mórbido, pois termina fazendo do homem um ser enfermo, solitário, melancólico, isolado, incompreendido”. Este afã de desvincular e isolar os homens, transformando-os em mônadas auto-suficientes, tem sido sem dúvida uma das maiores “conquistas” do mundo moderno; pois, desvinculando e isolando os homens, conseguiu adoecê-los, debilitá-los e fazê-los mais manipuláveis. E, inevitavelmente, em um mundo de homens solitários, melancólicos, isolados e incompreendidos é inevitável que surjam monstros como este Lubitz; como é inevitável que seus vizinhos fossem por completo incapazes de detectar sua enfermidade e agora também o sejam de fazer outro retrato seu que não seja um enxame de necedades e vacuidades. É a maldição que caiu sobre um mundo de solitários.”
(Juan Manuel de Prada, El Solitario Andreas)
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Os malefícios dos reality shows (II)
“Outro fator que contribui para a permanência dos indivíduos em seus espaços pessoais é a questão dos espaços públicos que outrora se prestavam à reunião social, mas hoje se tornaram adversos e estranhos, principalmente nas grandes cidades, pelo aumento da criminalidade, do trânsito intenso de veículos, da poluição, da descaracterização arquitetônica, etc.
Diante de tal cenário, fica a indagação sobre os tipos de elementos representacionais com os quais o sujeito contemporâneo poderá identificar-se.
Os reality-shows
uma alternativa?
Vivemos hoje a alienação decorrente de um sistema econômico que incita ao consumo constante de objetos cada vez mais descartáveis, estabelece relações rápidas e descontínuas, e torna-se "embotadora da cognição, da simples observação do mundo, do conhecimento do outro" (Bosi, 2003, p.24).
Touraine (1999) relaciona a fragmentação de nossa cultura à desagregação social e ao do mercado, das comunidades e de suas próprias pulsões. Sem parâmetros definidos socialmente de espaço e tempo, perdeu-se a noção de continuidade histórica de uma nação ou de uma coletividade territorial.
O fio da História amarra-se no presente contínuo em tempo real, que abate o passado e despreza o futuro. À hegemonia do presente, correspondem as informações ininterruptas veiculadas pela mídia que, por sua rapidez e quantidade, impedem que o indivíduo possa digeri-las e pensá-las.
Por sua vez, Baudrillard (2001) lembra que o século XX presenciou toda a sorte de crimes: Auschwitz, Hiroshima e genocídios, mas o único e verdadeiro crime perfeito foi a queda do homem na banalidade, violência mortífera, que, justamente pela indiferença e pela monotonia, é a forma mais sutil de exterminação. Vivemos hoje numa sociedade que mistura todos em um imenso ser indivisível, em total promiscuidade.
É possível relacionar tal banalização à quantidade de estimulação sensorial a que somos expostos de maneira ininterrupta, sem oportunidade de processar, elaborar e pensar criticamente sobre o que nosso aparato perceptivo é capaz de absorver. Há, então, um empobrecimento do contato com nossa própria subjetividade e a concomitante alienação das experiências cognitivas e afetivo-emocionais. Permanecemos no nível mais superficial da senso-percepção, abdicando das sofisticadas potencialidades de nosso aparato psíquico.
Assolado pela angústia frente à perda de contato com sua própria subjetividade, pressionado pela velocidade do mundo da produção, destituído de seu lugar de agente nas relações sociais sem contrato, sem regras ou sistema de valores definido e impelido ao consumo desenfreado, o ser humano busca eco para suas vivências em "reality shows".
Como disse Novaes (1996), somos atraídos pelo fútil, pela curiosidade ávida de sensacionalismo e pela excitação banal, deixando de lado nossa potência de pensar e agir. Os "reality shows" nos proporcionam tudo isso, adormecendo nossa capacidade crítica já tão abalada pela alienação de nossas consciências.
A versão pós-moderna do teatro grego aparece destituída da profundidade do drama e do impacto da tragédia. As experiências humanas ficam reduzidas a uma gama de pequenos conflitos que retratam a superficialidade e o caráter fugidio das relações sociais. O que se vê é a pulverização dos relacionamentos em atitudes impulsivas, intrigas e falas desarticuladas, denotando manifestações emocionais caricatas e previsíveis.
Segundo Baudrillard (2001), o Big Brother é o espelho e o desastre de toda uma sociedade presa da insignificância que se curva diante de sua própria banalidade. É uma farsa integral, uma imagem reflexa de sua própria realidade. Para o autor, a audiência é grande graças à debilidade e nulidade do espetáculo: ou as pessoas assistem porque ali se reconhecem e/ou assistem para se sentirem menos idiotas que os protagonistas.
Reafirmando essas colocações, pode-se dizer que, em um estilo "fast food", engolimos as ações-reações de personagens vazios, que lutam cegamente por sua sobrevivência individual.
Consumimos a exposição de pessoas que, ávidas por exibirem-se e ganharem fama, ainda que fugaz, submetem-se à superexposição. O narcisismo explícito promove o aparecimento de relações imaturas, permeadas pela escotomização e pela negação das experiências emocionais mais profundas.
Enquanto espectadores, também retornamos a um funcionamento psíquico primitivo, na medida em que ter acesso à vida de outras pessoas em tempo integral confere-nos a realização da onipresença, da onipotência e da onisciência, qualidades essas inerentes às experiências emocionais dos bebês e que mimetizam os atributos imanentes dos deuses. Se, na infância, encarnamos os super-heróis com seus ilimitados poderes, nesse momento, tornamo-nos os "super-espectadores", que realizam o desejo de participar de tudo, negando a exclusão e o limite.
Por outro lado, assistir a tais programas confere-nos a ilusão de que estamos vendo a vida real, tal qual a vivemos. Como vimos anteriormente, toda a técnica está a serviço de tornar o programa o mais real possível. O "como se", que inclui o simbólico e a abstração, dá lugar ao "é agora", numa tentativa de substituir o personagem da ficção pelo indivíduo real. O hiato entre personagem e ator desaparece, numa busca desenfreada pela verdade última das experiências humanas.
Segundo Gullo (2004), os "reality shows" são a versão moderna dos grandes circos romanos. Exploram a necessidade do ser humano de ver e participar dos problemas alheios, movido por sua incessante curiosidade, muitas vezes mórbida. Para o autor, quando o cotidiano é retratado nesses programas, torna-se uma farsa, porque tudo é programado, planejado e racionalizado: "o reality show" é o mais baixo nível do cotidiano, mostrado com tecnologia altamente elaborada com o objetivo de captar o telespectador para interesses da produção que visam ao lucro"(Gullo, 2004, p. 1).
Do mesmo ponto de vista, Couldry (2002) e Jones (2003) afirmam que o espectador é iludido ao acreditar que está vendo a realidade, o que lhe confere uma sensação prazerosa. Porém, na verdade, o que se vê é o resultado do desenvolvimento de estratégias da técnica televisiva, que visam a mimetizar o real, produzindo um programa repleto de ambigüidades, que mais se aproxima dos mitos e da novela-documentário ("docu-soap").
Diante disso, parece que já não somos capazes de mergulhar na fantasia, no jogo de sombra e luz da ficção e que vai demandar a ação do pensamento enquanto abstração, análise e síntese. Assim, não há o que pensar, há apenas o que consumir.
Os brinquedos ganharam vida pela magia sedutora das câmeras escondidas do Big Brother. Além de todos os artefatos tecnológicos, desejamos agora brincar com "gente de verdade".
O prazer de assistir também advém da crença de que o outro vive o drama da sobrevivência em nosso lugar: tornamo-nos ingênuos e pueris, por um lado, e sádicos e triunfantes, por outro.
O caráter bufo e satírico do teatro do passado permanece: cada integrante que perde e sai do jogo comemora, paradoxalmente, de maneira esfuziante, seu próprio fracasso, negando qualquer vislumbre de dor. Em uma celebração coletiva, personagem e espectadores compartilham sentimentos de triunfo e desprezo, sinais evidentes da falta de contato com os aspectos inerentes à subjetividade.
É curioso observar que cada integrante que deixa o programa provoca tristeza nos concorrentes que ficam e alegria na torcida uniformizada que os espera do lado de fora. O "non sense" da situação é patente: quem está ganhando chora e quem perde comemora - uma clara inversão de valores que desloca afetos, turva consciências e banaliza a experiência humana. O herói perdedor sai triunfante, com ares de celebridade, é entrevistado pelo apresentador e conversa com os telespectadores via internet, com o intuito de relatar sua grande aventura. É lamentável que essa espécie de Dom Quixote pós-moderno não traga consigo qualquer indagação ou pensamento profundo e, ao contrário do original, nada busque a não ser o exibicionismo e a fama.
Mais surpreendente ainda é que as pessoas em geral não questionam, simplesmente assistem e consomem com voracidade, esperando sempre a próxima versão do programa porque o anterior já foi esquecido, como um dos tantos objetos descartáveis que usamos e dispensamos.
Concluindo, mencionamos a necessidade de o indivíduo representar suas vivências como meio de elaboração e desenvolvimento psicossocial. Consideramos os "reality shows" como uma das versões pós-modernas do teatro grego, surgidas a partir do crescente desenvolvimento tecnológico e das transformações ocorridas no cenário socioeconômico mundial desde o século passado.
Diante do que foi dito, tais programas são retratos fiéis do mundo em que vivemos. A morte do sujeito, a fugacidade das experiências, a desvalorização da história e o culto à imagem são difundidos sem crítica ou reflexão.
Houve um achatamento do hiato existente entre a ficção e a realidade, o que impede os processos de simbolização e abstração inerentes ao pensar. Somos hoje consumidores por excelência, sem capacidade para questionar o que ingerimos, adormecidos em uma passividade aviltante.
O sucesso do "Big Brother" confirma a volatilidade da experiência humana pós-moderna: não queremos sentir, pensar ou agir, abdicamos da angústia existencial para que outros, nem atores e nem personagens, vivam por nós, hipomaniacamente, o que restou do verdadeiro e profundo sentido de nossa existência.
A subjetividade desvalorizada e satirizada é substituída pela superficialidade do real in natura, em que a imagem é soberana.
Portanto, a função desse tipo de programa é aprofundar a alienação, impedindo os processos de pensamento crítico. Para isso, mobilizam-se aspectos primitivos do psiquismo humano através da sedução do espectador, ou seja, acreditando-se poderoso e capaz de decidir o destino dos participantes, o público deixa-se levar pela imagem narcísica refletida na tela. O prazer advém do triunfo e da onipotência, o que acaba criando um círculo vicioso de consumo e audiência.
Apesar de considerações pouco promissoras sobre os espectadores do presente, podemos ainda, como expectadores, antever novos estudos sobre esse tema que visem ao aprofundamento e à reflexão crítica, contribuindo para a conscientização de todos nós.”
(Marília Pereira Bueno Millan, Reality Shows - Uma Abordagem Psicossocial)
Diante de tal cenário, fica a indagação sobre os tipos de elementos representacionais com os quais o sujeito contemporâneo poderá identificar-se.
Os reality-shows
uma alternativa?
Vivemos hoje a alienação decorrente de um sistema econômico que incita ao consumo constante de objetos cada vez mais descartáveis, estabelece relações rápidas e descontínuas, e torna-se "embotadora da cognição, da simples observação do mundo, do conhecimento do outro" (Bosi, 2003, p.24).
Touraine (1999) relaciona a fragmentação de nossa cultura à desagregação social e ao do mercado, das comunidades e de suas próprias pulsões. Sem parâmetros definidos socialmente de espaço e tempo, perdeu-se a noção de continuidade histórica de uma nação ou de uma coletividade territorial.
O fio da História amarra-se no presente contínuo em tempo real, que abate o passado e despreza o futuro. À hegemonia do presente, correspondem as informações ininterruptas veiculadas pela mídia que, por sua rapidez e quantidade, impedem que o indivíduo possa digeri-las e pensá-las.
Por sua vez, Baudrillard (2001) lembra que o século XX presenciou toda a sorte de crimes: Auschwitz, Hiroshima e genocídios, mas o único e verdadeiro crime perfeito foi a queda do homem na banalidade, violência mortífera, que, justamente pela indiferença e pela monotonia, é a forma mais sutil de exterminação. Vivemos hoje numa sociedade que mistura todos em um imenso ser indivisível, em total promiscuidade.
É possível relacionar tal banalização à quantidade de estimulação sensorial a que somos expostos de maneira ininterrupta, sem oportunidade de processar, elaborar e pensar criticamente sobre o que nosso aparato perceptivo é capaz de absorver. Há, então, um empobrecimento do contato com nossa própria subjetividade e a concomitante alienação das experiências cognitivas e afetivo-emocionais. Permanecemos no nível mais superficial da senso-percepção, abdicando das sofisticadas potencialidades de nosso aparato psíquico.
Assolado pela angústia frente à perda de contato com sua própria subjetividade, pressionado pela velocidade do mundo da produção, destituído de seu lugar de agente nas relações sociais sem contrato, sem regras ou sistema de valores definido e impelido ao consumo desenfreado, o ser humano busca eco para suas vivências em "reality shows".
Como disse Novaes (1996), somos atraídos pelo fútil, pela curiosidade ávida de sensacionalismo e pela excitação banal, deixando de lado nossa potência de pensar e agir. Os "reality shows" nos proporcionam tudo isso, adormecendo nossa capacidade crítica já tão abalada pela alienação de nossas consciências.
A versão pós-moderna do teatro grego aparece destituída da profundidade do drama e do impacto da tragédia. As experiências humanas ficam reduzidas a uma gama de pequenos conflitos que retratam a superficialidade e o caráter fugidio das relações sociais. O que se vê é a pulverização dos relacionamentos em atitudes impulsivas, intrigas e falas desarticuladas, denotando manifestações emocionais caricatas e previsíveis.
Segundo Baudrillard (2001), o Big Brother é o espelho e o desastre de toda uma sociedade presa da insignificância que se curva diante de sua própria banalidade. É uma farsa integral, uma imagem reflexa de sua própria realidade. Para o autor, a audiência é grande graças à debilidade e nulidade do espetáculo: ou as pessoas assistem porque ali se reconhecem e/ou assistem para se sentirem menos idiotas que os protagonistas.
Reafirmando essas colocações, pode-se dizer que, em um estilo "fast food", engolimos as ações-reações de personagens vazios, que lutam cegamente por sua sobrevivência individual.
Consumimos a exposição de pessoas que, ávidas por exibirem-se e ganharem fama, ainda que fugaz, submetem-se à superexposição. O narcisismo explícito promove o aparecimento de relações imaturas, permeadas pela escotomização e pela negação das experiências emocionais mais profundas.
Enquanto espectadores, também retornamos a um funcionamento psíquico primitivo, na medida em que ter acesso à vida de outras pessoas em tempo integral confere-nos a realização da onipresença, da onipotência e da onisciência, qualidades essas inerentes às experiências emocionais dos bebês e que mimetizam os atributos imanentes dos deuses. Se, na infância, encarnamos os super-heróis com seus ilimitados poderes, nesse momento, tornamo-nos os "super-espectadores", que realizam o desejo de participar de tudo, negando a exclusão e o limite.
Por outro lado, assistir a tais programas confere-nos a ilusão de que estamos vendo a vida real, tal qual a vivemos. Como vimos anteriormente, toda a técnica está a serviço de tornar o programa o mais real possível. O "como se", que inclui o simbólico e a abstração, dá lugar ao "é agora", numa tentativa de substituir o personagem da ficção pelo indivíduo real. O hiato entre personagem e ator desaparece, numa busca desenfreada pela verdade última das experiências humanas.
Segundo Gullo (2004), os "reality shows" são a versão moderna dos grandes circos romanos. Exploram a necessidade do ser humano de ver e participar dos problemas alheios, movido por sua incessante curiosidade, muitas vezes mórbida. Para o autor, quando o cotidiano é retratado nesses programas, torna-se uma farsa, porque tudo é programado, planejado e racionalizado: "o reality show" é o mais baixo nível do cotidiano, mostrado com tecnologia altamente elaborada com o objetivo de captar o telespectador para interesses da produção que visam ao lucro"(Gullo, 2004, p. 1).
Do mesmo ponto de vista, Couldry (2002) e Jones (2003) afirmam que o espectador é iludido ao acreditar que está vendo a realidade, o que lhe confere uma sensação prazerosa. Porém, na verdade, o que se vê é o resultado do desenvolvimento de estratégias da técnica televisiva, que visam a mimetizar o real, produzindo um programa repleto de ambigüidades, que mais se aproxima dos mitos e da novela-documentário ("docu-soap").
Diante disso, parece que já não somos capazes de mergulhar na fantasia, no jogo de sombra e luz da ficção e que vai demandar a ação do pensamento enquanto abstração, análise e síntese. Assim, não há o que pensar, há apenas o que consumir.
Os brinquedos ganharam vida pela magia sedutora das câmeras escondidas do Big Brother. Além de todos os artefatos tecnológicos, desejamos agora brincar com "gente de verdade".
O prazer de assistir também advém da crença de que o outro vive o drama da sobrevivência em nosso lugar: tornamo-nos ingênuos e pueris, por um lado, e sádicos e triunfantes, por outro.
O caráter bufo e satírico do teatro do passado permanece: cada integrante que perde e sai do jogo comemora, paradoxalmente, de maneira esfuziante, seu próprio fracasso, negando qualquer vislumbre de dor. Em uma celebração coletiva, personagem e espectadores compartilham sentimentos de triunfo e desprezo, sinais evidentes da falta de contato com os aspectos inerentes à subjetividade.
É curioso observar que cada integrante que deixa o programa provoca tristeza nos concorrentes que ficam e alegria na torcida uniformizada que os espera do lado de fora. O "non sense" da situação é patente: quem está ganhando chora e quem perde comemora - uma clara inversão de valores que desloca afetos, turva consciências e banaliza a experiência humana. O herói perdedor sai triunfante, com ares de celebridade, é entrevistado pelo apresentador e conversa com os telespectadores via internet, com o intuito de relatar sua grande aventura. É lamentável que essa espécie de Dom Quixote pós-moderno não traga consigo qualquer indagação ou pensamento profundo e, ao contrário do original, nada busque a não ser o exibicionismo e a fama.
Mais surpreendente ainda é que as pessoas em geral não questionam, simplesmente assistem e consomem com voracidade, esperando sempre a próxima versão do programa porque o anterior já foi esquecido, como um dos tantos objetos descartáveis que usamos e dispensamos.
Concluindo, mencionamos a necessidade de o indivíduo representar suas vivências como meio de elaboração e desenvolvimento psicossocial. Consideramos os "reality shows" como uma das versões pós-modernas do teatro grego, surgidas a partir do crescente desenvolvimento tecnológico e das transformações ocorridas no cenário socioeconômico mundial desde o século passado.
Diante do que foi dito, tais programas são retratos fiéis do mundo em que vivemos. A morte do sujeito, a fugacidade das experiências, a desvalorização da história e o culto à imagem são difundidos sem crítica ou reflexão.
Houve um achatamento do hiato existente entre a ficção e a realidade, o que impede os processos de simbolização e abstração inerentes ao pensar. Somos hoje consumidores por excelência, sem capacidade para questionar o que ingerimos, adormecidos em uma passividade aviltante.
O sucesso do "Big Brother" confirma a volatilidade da experiência humana pós-moderna: não queremos sentir, pensar ou agir, abdicamos da angústia existencial para que outros, nem atores e nem personagens, vivam por nós, hipomaniacamente, o que restou do verdadeiro e profundo sentido de nossa existência.
A subjetividade desvalorizada e satirizada é substituída pela superficialidade do real in natura, em que a imagem é soberana.
Portanto, a função desse tipo de programa é aprofundar a alienação, impedindo os processos de pensamento crítico. Para isso, mobilizam-se aspectos primitivos do psiquismo humano através da sedução do espectador, ou seja, acreditando-se poderoso e capaz de decidir o destino dos participantes, o público deixa-se levar pela imagem narcísica refletida na tela. O prazer advém do triunfo e da onipotência, o que acaba criando um círculo vicioso de consumo e audiência.
Apesar de considerações pouco promissoras sobre os espectadores do presente, podemos ainda, como expectadores, antever novos estudos sobre esse tema que visem ao aprofundamento e à reflexão crítica, contribuindo para a conscientização de todos nós.”
(Marília Pereira Bueno Millan, Reality Shows - Uma Abordagem Psicossocial)
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Os malefícios dos reality shows (I)
“Desde a Antigüidade, temos notícia da necessidade de o ser humano representar seus dramas pessoais, suas vicissitudes existenciais ou, simplesmente, os fatos comuns do seu cotidiano. O teatro grego foi, por excelência, a manifestação máxima de tal necessidade, conduzindo a encenação das famosas tragédias que, até os dias de hoje, são admiradas por milhares de espectadores (Bertheld, 2000; Brandão, 2001).
Com o desenvolvimento tecnológico ocorrido fundamentalmente do século XX em diante, a combinação de enredo, imagem e representação ganhou novas roupagens através do cinema, da televisão e, mais recentemente, do computador. Um fenômeno atual que ganhou notoriedade, sobretudo na última década, foi o "reality show", filmagem ao vivo de pessoas comuns convivendo em um espaço fechado durante um tempo determinado.
O programa televisivo que pretendemos discutir é a versão brasileira de um "reality show" que também foi produzido em outros países. Foi criado originalmente por John de Mol e Joop van den Ende em 1999, na Holanda, e recebeu o título de "Big Brother". Tal termo já fora usado por George Orwell, em seu livro "1984", para designar um olho eletrônico que espionava as pessoas com o intuito de manter o domínio de um Estado totalitário sobre tudo e todos.
Trata-se de um programa de entretenimento que consiste no confinamento voluntário de pessoas em uma casa, que se dispõem a ser filmadas durante todo o tempo que ali permanecerem. A duração é de cerca de dois meses e, semanalmente, um dos participantes é eliminado de acordo com votações feitas pelo público e pelos outros integrantes do grupo. A finalidade última do jogo é que apenas uma pessoa consiga permanecer, o que lhe dará o direito de receber um prêmio em dinheiro.
O telespectador acompanha o programa assistindo diariamente a imagens, ao vivo ou previamente editadas, de tudo o que ocorre entre os participantes, desde os atos mais cotidianos até conflitos, brigas e namoros.
A idéia e mesmo o nome do programa apontam na direção da busca da realidade in natura. Sendo assim, a estratégia discursiva central é a criação de efeitos que mimetizem, ao máximo, a realidade (escolha de pessoas comuns, imagens de atos cotidianos, linguagem coloquial, técnicas de filmagem, etc).
Para atrair a atenção do público, enriquecer as imagens e adequar-se à lógica televisiva, a construção simbólica do programa é feita a partir de tarefas e desafios propostos aos participantes que desencadeiam reações, atitudes e conflitos entre eles.
Há, também, a presença de um apresentador que tem a função de organizar o programa, interagindo com os participantes, direcionando os julgamentos e opiniões dos telespectadores e mediando as diversas situações apresentadas (Marcondes Filho, 2002; Curvelo, 2004).
Por tratar-se de uma produção televisiva recente, observa-se que ainda não há literatura abundante a respeito do tema. Entre os trabalhos existentes, encontra-se o de Bucci (2002), que desenvolveu um importante estudo crítico sobre a televisão enquanto meio de comunicação na atualidade do capitalismo superindustrial e da crise do sujeito contemporâneo. Relaciona comunicação, Sociologia e psicanálise para embasar sua teoria a respeito da fabricação de significações sociais pela exploração do trabalho e pela apropriação capitalista do olhar social. Afirma que a televisão, por meio do recurso da imagem ao vivo, constitui-se no telespaço público da contemporaneidade.
Em linha semelhante, abordando diretamente os "reality shows", Olórtegui (2000) também analisa a dissolução das fronteiras entre o público e o privado, provocada, sobretudo, pela televisão, o que marca profundamente a atual crise de sociabilidade. Sugere que os "reality shows" são programas que revelam um indivíduo-telespectador espetacularizado e banalizado em suas relações mediadas pela TV, em que o vazio e a sedução são preponderantes.
Baudrillard (2001), em sua contundente crítica sobre os "reality shows", afirma que o homem moderno, sem um destino objetivo ou metas de vida, lança-se em uma experimentação sem limites de si mesmo. A reclusão voluntária é uma espécie de laboratório de uma "sociedade telegeneticamente modificada". Sugere que, a partir do momento em que a TV e as mídias se tornam incapazes de dar conta dos acontecimentos insuportáveis do mundo, descobre-se a banalidade existencial como o fato mais mortal, como a atualidade mais violenta, como o lugar do crime perfeito. As pessoas ficam, ao mesmo tempo, fascinadas e aterrorizadas pela indiferença de sua própria existência: não há nada a dizer nem nada a fazer.
Por outro lado, alguns autores questionam a utilização do termo "reality", uma vez que se trata de uma representação fora do contexto de vida dos participantes, ou seja, são pessoas que se encontram em um ambiente artificialmente criado e, portanto, não existe a autenticidade propalada (Hill, 2002; Kujundzic; Dorrell, 2002).
Vê-se, portanto, a relevância do tema aqui proposto, pois, sendo os "reality shows" um fenômeno contemporâneo mundial, é mister que seja analisado criticamente do ponto de vista psicossocial, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o existir humano na pós-modernidade.
O objetivo deste artigo é analisar, do ponto de vista psicológico e social, o significado dos programas televisivos denominados "reality shows", mais especificamente o Big Brother Brasil.
O sentido da encenação
Os processos de identificação parecem estar na base do sucesso das representações da vida real, ou seja, a possibilidade de encontrar eco para as próprias experiências pode ser um meio de sentir-se incluído no mundo dos humanos, de encontrar elementos que auxiliem na elaboração de vivências e de amenizar a solidão intrínseca à própria existência humana.
Buscamos, nas manifestações artísticas, o familiar, aquilo que nos conecta com a subjetividade, com experiências emocionais que se reatualizam e ganham forma através da representação do artista.
A imitação da vida nos permite compartilhar a essência humana com os outros: o estritamente pessoal ganha o terreno social. Já não somos os únicos; é possível compreender as situações humanas à luz da esfera cultural. Não estamos completamente sós, pois os outros participam do drama que julgávamos exclusivamente nosso.
Por outro lado, assistir a um espetáculo cênico significa ausentar-se da própria vida, abandonando provisoriamente o lugar ativo de gerir a própria existência. O ator passa a representar a cena real na ficção, assumindo a atividade do viver. A suspensão da atividade permite o descanso necessário à elaboração das experiências vividas. No entanto, à aparente passividade do espectador, corresponde a atividade de observação de si mesmo no outro, o movimento afetivo-cognitivo de compreensão da essência humana.
A lembrança do caráter fictício da encenação tranqüiliza o espectador, oferecendo-lhe condições de experimentar emoções e sentimentos, mantendo-o sob controle, além de poder pensar a respeito do que vê e sente. Do ponto de vista psicológico, podemos dizer que o quantum de energia psíquica mantém-se em um nível suportável, permitindo ao ego colocar seus recursos a serviço da percepção, conscientização, rememoração e elaboração das experiências vividas.
Além de todos os processos psíquicos envolvidos, a encenação promove a reunião de pessoas que compartilham o mesmo espaço-tempo da representação. A convivência une e configura um fenômeno social que propicia, por um lapso de tempo, certo sentimento de cumplicidade capaz de mover os espectadores em manifestações coletivas, que vão do êxtase à decepção, da alegria esfuziante à profunda tristeza, do riso aberto ao choro incontido. Mais do que um movimento catártico, há aqui a possibilidade de tornar público o privado, de socializar o individual, dando-lhe novo sentido.
O cenário contemporâneo
As últimas décadas vêm sendo caracterizadas por profundas mudanças no campo das ciências e das artes, cujas sementes já haviam sido lançadas no final do século XIX e início do século XX. Tais transformações caracterizam o que se denomina pós-modernidade, que, para alguns autores, é a amplificação do paradigma moderno em nossos dias. Sua marca registrada é a revolução tecno-eletrônica, que vem alterando sensivelmente o modo de produção do conhecimento e as relações humanas. Tais avanços tecnológicos têm como ícone a velocidade que está a serviço da otimização das performances, no que tange à produtividade, ao consumo e ao ganho de capital.
A aceleração dos processos e procedimentos da produção e do consumo acaba alterando as formas de pensar e de agir do indivíduo, e, em conseqüência, dos agrupamentos sociais. Hoje é possível obter informações em tempo real e manter contato com o mundo todo a qualquer momento. A conexão rápida dos artefatos eletrônicos vem acompanhada do enorme fluxo de informações e de contatos humanos fugazes e superficiais.
Em outra oportunidade (Millan, 2000), já havíamos discutido tais aspectos:
A aceleração de giro na produção e no consumo vem influenciando a forma de pensar e agir do indivíduo. Como conseqüência, presenciamos a crescente volatilidade e efemeridade de modas, produtos, idéias, valores e práticas sociais.
O instantâneo e o descartável permeiam nossa experiência, desde os utensílios que empregamos no dia a dia até nossa maneira de pensar, viver e nos relacionar (p.64).
Observa-se que a estética superou a ética enquanto foco de interesse intelectual e social; as imagens dominaram as narrativas; o efêmero e o fragmentário triunfaram sobre os valores perenes e universais. Em outras palavras, ocorreu a hegemonia do significante sobre o significado, o que deslocou a importância da História para um segundo plano e imprimiu valor à forma e à imagem.
Assim, a televisão e o computador são, por excelência, os representantes do ideal pós-moderno na medida em que priorizam a velocidade absoluta, tornam desnecessários os deslocamentos espaciais e anulam a importância do tempo e da duração (Pelbart,1996). Ambos disponibilizam a interatividade (sobretudo com a TV digital), convidando as pessoas a se relacionarem, cada vez mais, por meio dos artefatos eletrônicos. Os relacionamentos sociais mediados pelas máquinas concorrem para a redução dos encontros ao vivo e alimentam aqueles de natureza virtual.”
(Marília Pereira Bueno Millan, Reality Shows - Uma Abordagem Psicossocial)
Com o desenvolvimento tecnológico ocorrido fundamentalmente do século XX em diante, a combinação de enredo, imagem e representação ganhou novas roupagens através do cinema, da televisão e, mais recentemente, do computador. Um fenômeno atual que ganhou notoriedade, sobretudo na última década, foi o "reality show", filmagem ao vivo de pessoas comuns convivendo em um espaço fechado durante um tempo determinado.
O programa televisivo que pretendemos discutir é a versão brasileira de um "reality show" que também foi produzido em outros países. Foi criado originalmente por John de Mol e Joop van den Ende em 1999, na Holanda, e recebeu o título de "Big Brother". Tal termo já fora usado por George Orwell, em seu livro "1984", para designar um olho eletrônico que espionava as pessoas com o intuito de manter o domínio de um Estado totalitário sobre tudo e todos.
Trata-se de um programa de entretenimento que consiste no confinamento voluntário de pessoas em uma casa, que se dispõem a ser filmadas durante todo o tempo que ali permanecerem. A duração é de cerca de dois meses e, semanalmente, um dos participantes é eliminado de acordo com votações feitas pelo público e pelos outros integrantes do grupo. A finalidade última do jogo é que apenas uma pessoa consiga permanecer, o que lhe dará o direito de receber um prêmio em dinheiro.
O telespectador acompanha o programa assistindo diariamente a imagens, ao vivo ou previamente editadas, de tudo o que ocorre entre os participantes, desde os atos mais cotidianos até conflitos, brigas e namoros.
A idéia e mesmo o nome do programa apontam na direção da busca da realidade in natura. Sendo assim, a estratégia discursiva central é a criação de efeitos que mimetizem, ao máximo, a realidade (escolha de pessoas comuns, imagens de atos cotidianos, linguagem coloquial, técnicas de filmagem, etc).
Para atrair a atenção do público, enriquecer as imagens e adequar-se à lógica televisiva, a construção simbólica do programa é feita a partir de tarefas e desafios propostos aos participantes que desencadeiam reações, atitudes e conflitos entre eles.
Há, também, a presença de um apresentador que tem a função de organizar o programa, interagindo com os participantes, direcionando os julgamentos e opiniões dos telespectadores e mediando as diversas situações apresentadas (Marcondes Filho, 2002; Curvelo, 2004).
Por tratar-se de uma produção televisiva recente, observa-se que ainda não há literatura abundante a respeito do tema. Entre os trabalhos existentes, encontra-se o de Bucci (2002), que desenvolveu um importante estudo crítico sobre a televisão enquanto meio de comunicação na atualidade do capitalismo superindustrial e da crise do sujeito contemporâneo. Relaciona comunicação, Sociologia e psicanálise para embasar sua teoria a respeito da fabricação de significações sociais pela exploração do trabalho e pela apropriação capitalista do olhar social. Afirma que a televisão, por meio do recurso da imagem ao vivo, constitui-se no telespaço público da contemporaneidade.
Em linha semelhante, abordando diretamente os "reality shows", Olórtegui (2000) também analisa a dissolução das fronteiras entre o público e o privado, provocada, sobretudo, pela televisão, o que marca profundamente a atual crise de sociabilidade. Sugere que os "reality shows" são programas que revelam um indivíduo-telespectador espetacularizado e banalizado em suas relações mediadas pela TV, em que o vazio e a sedução são preponderantes.
Baudrillard (2001), em sua contundente crítica sobre os "reality shows", afirma que o homem moderno, sem um destino objetivo ou metas de vida, lança-se em uma experimentação sem limites de si mesmo. A reclusão voluntária é uma espécie de laboratório de uma "sociedade telegeneticamente modificada". Sugere que, a partir do momento em que a TV e as mídias se tornam incapazes de dar conta dos acontecimentos insuportáveis do mundo, descobre-se a banalidade existencial como o fato mais mortal, como a atualidade mais violenta, como o lugar do crime perfeito. As pessoas ficam, ao mesmo tempo, fascinadas e aterrorizadas pela indiferença de sua própria existência: não há nada a dizer nem nada a fazer.
Por outro lado, alguns autores questionam a utilização do termo "reality", uma vez que se trata de uma representação fora do contexto de vida dos participantes, ou seja, são pessoas que se encontram em um ambiente artificialmente criado e, portanto, não existe a autenticidade propalada (Hill, 2002; Kujundzic; Dorrell, 2002).
Vê-se, portanto, a relevância do tema aqui proposto, pois, sendo os "reality shows" um fenômeno contemporâneo mundial, é mister que seja analisado criticamente do ponto de vista psicossocial, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o existir humano na pós-modernidade.
O objetivo deste artigo é analisar, do ponto de vista psicológico e social, o significado dos programas televisivos denominados "reality shows", mais especificamente o Big Brother Brasil.
O sentido da encenação
Os processos de identificação parecem estar na base do sucesso das representações da vida real, ou seja, a possibilidade de encontrar eco para as próprias experiências pode ser um meio de sentir-se incluído no mundo dos humanos, de encontrar elementos que auxiliem na elaboração de vivências e de amenizar a solidão intrínseca à própria existência humana.
Buscamos, nas manifestações artísticas, o familiar, aquilo que nos conecta com a subjetividade, com experiências emocionais que se reatualizam e ganham forma através da representação do artista.
A imitação da vida nos permite compartilhar a essência humana com os outros: o estritamente pessoal ganha o terreno social. Já não somos os únicos; é possível compreender as situações humanas à luz da esfera cultural. Não estamos completamente sós, pois os outros participam do drama que julgávamos exclusivamente nosso.
Por outro lado, assistir a um espetáculo cênico significa ausentar-se da própria vida, abandonando provisoriamente o lugar ativo de gerir a própria existência. O ator passa a representar a cena real na ficção, assumindo a atividade do viver. A suspensão da atividade permite o descanso necessário à elaboração das experiências vividas. No entanto, à aparente passividade do espectador, corresponde a atividade de observação de si mesmo no outro, o movimento afetivo-cognitivo de compreensão da essência humana.
A lembrança do caráter fictício da encenação tranqüiliza o espectador, oferecendo-lhe condições de experimentar emoções e sentimentos, mantendo-o sob controle, além de poder pensar a respeito do que vê e sente. Do ponto de vista psicológico, podemos dizer que o quantum de energia psíquica mantém-se em um nível suportável, permitindo ao ego colocar seus recursos a serviço da percepção, conscientização, rememoração e elaboração das experiências vividas.
Além de todos os processos psíquicos envolvidos, a encenação promove a reunião de pessoas que compartilham o mesmo espaço-tempo da representação. A convivência une e configura um fenômeno social que propicia, por um lapso de tempo, certo sentimento de cumplicidade capaz de mover os espectadores em manifestações coletivas, que vão do êxtase à decepção, da alegria esfuziante à profunda tristeza, do riso aberto ao choro incontido. Mais do que um movimento catártico, há aqui a possibilidade de tornar público o privado, de socializar o individual, dando-lhe novo sentido.
O cenário contemporâneo
As últimas décadas vêm sendo caracterizadas por profundas mudanças no campo das ciências e das artes, cujas sementes já haviam sido lançadas no final do século XIX e início do século XX. Tais transformações caracterizam o que se denomina pós-modernidade, que, para alguns autores, é a amplificação do paradigma moderno em nossos dias. Sua marca registrada é a revolução tecno-eletrônica, que vem alterando sensivelmente o modo de produção do conhecimento e as relações humanas. Tais avanços tecnológicos têm como ícone a velocidade que está a serviço da otimização das performances, no que tange à produtividade, ao consumo e ao ganho de capital.
A aceleração dos processos e procedimentos da produção e do consumo acaba alterando as formas de pensar e de agir do indivíduo, e, em conseqüência, dos agrupamentos sociais. Hoje é possível obter informações em tempo real e manter contato com o mundo todo a qualquer momento. A conexão rápida dos artefatos eletrônicos vem acompanhada do enorme fluxo de informações e de contatos humanos fugazes e superficiais.
Em outra oportunidade (Millan, 2000), já havíamos discutido tais aspectos:
A aceleração de giro na produção e no consumo vem influenciando a forma de pensar e agir do indivíduo. Como conseqüência, presenciamos a crescente volatilidade e efemeridade de modas, produtos, idéias, valores e práticas sociais.
O instantâneo e o descartável permeiam nossa experiência, desde os utensílios que empregamos no dia a dia até nossa maneira de pensar, viver e nos relacionar (p.64).
Observa-se que a estética superou a ética enquanto foco de interesse intelectual e social; as imagens dominaram as narrativas; o efêmero e o fragmentário triunfaram sobre os valores perenes e universais. Em outras palavras, ocorreu a hegemonia do significante sobre o significado, o que deslocou a importância da História para um segundo plano e imprimiu valor à forma e à imagem.
Assim, a televisão e o computador são, por excelência, os representantes do ideal pós-moderno na medida em que priorizam a velocidade absoluta, tornam desnecessários os deslocamentos espaciais e anulam a importância do tempo e da duração (Pelbart,1996). Ambos disponibilizam a interatividade (sobretudo com a TV digital), convidando as pessoas a se relacionarem, cada vez mais, por meio dos artefatos eletrônicos. Os relacionamentos sociais mediados pelas máquinas concorrem para a redução dos encontros ao vivo e alimentam aqueles de natureza virtual.”
(Marília Pereira Bueno Millan, Reality Shows - Uma Abordagem Psicossocial)
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Don Curzio Nitoglia: Io Non Sono Charlie
“O homem, segundo Aristóteles, é um “animal racional”, feito para conhecer a verdade (princípio especulativo, por si evidente, de identidade e não contradição: “sim=sim, não=não; sim≠não”), e “livre”, feito para amar o bem (princípio prático da sindérese: “faz o bem e evita o mal”). Hoje, os intelectualóides pós-iluministas são todos “Charlie”, quer dizer, intelectualmente sofistas (negação da contradição: “bem=mal”) e moralmente degenerados (perda da sindérese: “malum faciendum, bonum vitandum”), como os caricaturistas parisienses de Charlie Hebdo (“parce defunctis”).
Milhões de pós-europeus finalmente americanizados saem às ruas, arrastados pela sinarquia globalista, para continuar insultando implicitamente a Santíssima Trindade, Jesus, a Virgem Maria, o Papa. Quanto a nós, tratemos de ser homens verazes, que conhecem a verdade e amam o bem, sem ofender e profanar a Divindade.
A ironia* e a sátira são boas, mas devem ser educadas; a vulgaridade, a blasfêmia, o insulto são objetivamente um mal (segundo o oitavo mandamento).
O Ocidente americanista é capaz de matar pela bola, pelo concerto de rock, pela discoteca, pela transgressão, pelas gravidezes não desejadas, pelas enfermidades não suportadas, para importar a democracia, e tudo isso não surpreende a ninguém. Só Deus pode – e mais, deve – ser insultado. A única “religião” que não admite dúvidas, perguntas, demonstrações é a “Shoá”. Certamente, devem-se evitar os excessos da legítima defesa, mas tampouco cumpre animar os que maldizem a Deus e às coisas sagradas.
O iluminismo idealista nos levou a estes paradoxos: 1) a acolhida de etnias e religiões diametralmente opostas à européia (mediterrânea, greco-romana e católica); 2) o insulto que fere e ofende ao que se quis acolher para depois feri-lo, o qual, não havendo perdido sua identidade, responde de maneira agressiva e desproporcional, embora não completamente desprovida de fundamento: “não mistures o sagrado com o profano”.
É mister sermos realistas. O atual estado de degradação do homem (e os fatos parisienses de janeiro de 2015 nos permitem apalpá-lo com as mãos), finalizado pelo niilismo em troca do Deus que o Super-homem havia querido matar – como teorizou Nietzsche – não pode curar-se com remédios naturais. Só a ajuda da Onipotência divina pode remediar tanta ruína. Nem muito menos com as vinhetas, as rajadas de metralhadora e as marchas iluministas e iluminadas. “Esse tipo de demônios só se expulsa com o jejum e a oração”.
Conclusão: sê tu mesmo, animal racional e livre. Faz o bem e evita o mal, isso é todo o homem. Não sejas Charlie ou Charlot, mas um filho de Deus criado à sua imagem e – se vives na graça – à sua semelhança. “Agnosce christiane dignitatem tuam!” Do contrário, “passeia e ri, ó palhaço, e todos aplaudirão”. Cada um escolha o seu caminho.
_________________________________________
*Ironia vem do grego èiròn: aquele que interroga os demais fingindo socraticamente não saber para fazer com que descubram a verdade. Sátira vem do latim sátura e alude a uma composição poética que critica com agudeza as debilidades humanas. Agudeza vem do latim arguere, indicar, demonstrar, e significa espírito sutil, pronto, inteligente, delicado, agradavelmente mordaz. Pelo que, em rigor de lógica, Charlie não é irônico, nem satírico, nem sequer agudo. É ofensivo e insultante, vulgar e desagradável.”
http://chiesaepostconcilio.blogspot.com.ar
Milhões de pós-europeus finalmente americanizados saem às ruas, arrastados pela sinarquia globalista, para continuar insultando implicitamente a Santíssima Trindade, Jesus, a Virgem Maria, o Papa. Quanto a nós, tratemos de ser homens verazes, que conhecem a verdade e amam o bem, sem ofender e profanar a Divindade.
A ironia* e a sátira são boas, mas devem ser educadas; a vulgaridade, a blasfêmia, o insulto são objetivamente um mal (segundo o oitavo mandamento).
O Ocidente americanista é capaz de matar pela bola, pelo concerto de rock, pela discoteca, pela transgressão, pelas gravidezes não desejadas, pelas enfermidades não suportadas, para importar a democracia, e tudo isso não surpreende a ninguém. Só Deus pode – e mais, deve – ser insultado. A única “religião” que não admite dúvidas, perguntas, demonstrações é a “Shoá”. Certamente, devem-se evitar os excessos da legítima defesa, mas tampouco cumpre animar os que maldizem a Deus e às coisas sagradas.
O iluminismo idealista nos levou a estes paradoxos: 1) a acolhida de etnias e religiões diametralmente opostas à européia (mediterrânea, greco-romana e católica); 2) o insulto que fere e ofende ao que se quis acolher para depois feri-lo, o qual, não havendo perdido sua identidade, responde de maneira agressiva e desproporcional, embora não completamente desprovida de fundamento: “não mistures o sagrado com o profano”.
É mister sermos realistas. O atual estado de degradação do homem (e os fatos parisienses de janeiro de 2015 nos permitem apalpá-lo com as mãos), finalizado pelo niilismo em troca do Deus que o Super-homem havia querido matar – como teorizou Nietzsche – não pode curar-se com remédios naturais. Só a ajuda da Onipotência divina pode remediar tanta ruína. Nem muito menos com as vinhetas, as rajadas de metralhadora e as marchas iluministas e iluminadas. “Esse tipo de demônios só se expulsa com o jejum e a oração”.
Conclusão: sê tu mesmo, animal racional e livre. Faz o bem e evita o mal, isso é todo o homem. Não sejas Charlie ou Charlot, mas um filho de Deus criado à sua imagem e – se vives na graça – à sua semelhança. “Agnosce christiane dignitatem tuam!” Do contrário, “passeia e ri, ó palhaço, e todos aplaudirão”. Cada um escolha o seu caminho.
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*Ironia vem do grego èiròn: aquele que interroga os demais fingindo socraticamente não saber para fazer com que descubram a verdade. Sátira vem do latim sátura e alude a uma composição poética que critica com agudeza as debilidades humanas. Agudeza vem do latim arguere, indicar, demonstrar, e significa espírito sutil, pronto, inteligente, delicado, agradavelmente mordaz. Pelo que, em rigor de lógica, Charlie não é irônico, nem satírico, nem sequer agudo. É ofensivo e insultante, vulgar e desagradável.”
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