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terça-feira, 30 de maio de 2017

Desnazificação e a destruição demográfica da Alemanha


“Não sou nazista, mas agora está claro que a “desnazificação” foi realmente uma campanha para permanentemente garantir que a Alemanha jamais ameaçasse a Europa, e a forma como ela foi realizada foi fazer com que os alemães odiassem a si mesmos e destruir qualquer possibilidade de os alemães darem preferência aos alemães ou à Alemanha. É por isso que eles estão escancarando os portões para todo selvagem da África ou do Oriente Médio, e simplesmente dão de ombros quando tais selvagens, gritando Allahu Akhbar, dirigem caminhões em alta velocidade atropelando suas vítimas nas feiras de Natal.
O que os aliados fizeram com a Alemanha pode ter resolvido o problema da militância alemã, mas veio ao custo do esmagamento da alma alemã e da destruição demográfica da Alemanha, que acredito seja um problema muito maior do que uma potência beligerante na Europa Central.”
(Alex Hill, em postagem no Facebook)

sábado, 6 de maio de 2017

Google redefine o fascismo como movimento “de direita”


“Google, o mecanismo de busca mais popular do mundo, mudou a definição da palavra "fascismo" a fim de proteger as multidões esquerdistas que usam de violência para silenciar aqueles que discordam politicamente delas? A evidência sugere que sim.
Você vê isso em cartazes em cada protesto ou manifestação – os esquerdistas acusam o presidente Donald Trump de ser um fascista. A associação da palavra com Adolf Hitler e seu uso agora não é acidental, serve para instigar o medo da tirania nos corações das pessoas.
O dicionário Merriam-Webster define a palavra “fascismo” como “uma filosofia política, movimento, ou regime (como dos Fascisti) que exalta nação e muitas vezes raça acima do indivíduo e que representa um governo autocrático centralizado liderado por um líder ditatorial, severa arregimentação econômica e social e supressão forçada da oposição". A definição secundária é "uma tendência ou exercício real de forte controle autocrático ou ditatorial".
Essa definição reflete o fato de que os nazistas eram, de fato, tanto fascistas como da esquerda política. Eles eram o "Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães", que favoreceu um governo pesado nos negócios e na vida pessoal de seus cidadãos.
O governo autoritário da Alemanha nazista não só oprimiu opiniões políticas opostas e usou a violência para se impor, como apoiou um poderoso governo central que prodigalizou benefícios sociais para seus cidadãos. A segunda parte do nazismo é a parte "socialista", que é muito semelhante ao que a esquerda política americana moderna defende. Apesar de toda vociferação deles em contrário, Hitler era um homem de extrema-esquerda, assim como Benito Mussolini, parceiro fascista e membro do Eixo.
Mas se você digitar a palavra no Google, a definição que fornecem é bastante diferente.
O maior motor de busca do mundo põe o fascismo na direita política, não na esquerda.
Google define o fascismo como “um sistema de governo e organização social autoritário e nacionalista de direita.” (Grifo nosso)
A definição secundária é "(em uso geral) extrema-direita, autoritário, ou pontos de vista e prática intolerantes".
Essa é uma notável diferença de como a palavra foi definida por décadas.
Os conservadores políticos defendem um governo pequeno e menos intrusivo, onde o poder recai sobre os Estados e indivíduos e o governo federal vive dentro de suas restrições constitucionais. Os esquerdistas progressistas defendem exatamente o oposto: um poderoso governo central com autoridade confiada a um líder forte que tem a capacidade de impor decretos de Washington sobre tudo, desde cuidados de saúde à educação.
Google curiosamente acrescenta "direita" à sua definição e omite a parte da "severa arregimentação econômica e social e supressão forçada da oposição".
Pela definição tradicional do dicionário Merriam-Webster de "severa arregimentação econômica e social e supressão forçada da oposição", as multidões violentas que protestam e provocam tumultos contra as ações do Presidente Trump são as que se envolvem em táticas fascistas.
A razão exata por que o Google mudou a definição de fascismo para refletir sobre a direita política ao invés da esquerda é desconhecida. No entanto, o co-fundador do Google, Sergey Brin, um dos homens mais ricos do mundo, tem sido um crítico implacável do presidente Trump e é um ativista de esquerda que protestou contra a ordem executiva do presidente sobre imigração.
Muitos membros da mídia convencional adotaram, sem questionar, o novo significado do Google sem explicar por quê, deixando sua platéia com a impressão de que discurso ou defesa de interesse contra a ortodoxia esquerdista é fascista quando, por definição, não é.”
(Derek Hunter, Google Redefines The Word ‘Fascism’ To Smear Conservatives, Protect Liberal Rioters)

Original em: http://dailycaller.com

segunda-feira, 24 de abril de 2017

As podridões de Simone de Beauvoir

“Conforme os setores não feministas da sociedade vão se tornando cada vez mais expressivos e claros, os setores ainda não conscientes da natureza venenosa dessa ideologia reagem com um conjunto de argumentos que apenas revelam que a realidade fatual não é ainda inteiramente conhecida pelo público.
Algum tempo atrás, um grupo de feministas de cafeteria tentava me convencer que o feminismo não é tão mau quanto eu digo que é e que se eu apenas lesse mais sobre feminismo, eu eventualmente entenderia. Como um exemplo para apoiar essa tese, as citadas feministas me recomendaram que lesse os escritos de Simone de Beauvoir, a Marxista-feminista conhecida por seu livro O Segundo Sexo. Naturalmente aquelas feministas foram incapazes de conceber que alguém tivesse levado sua ideologia a sério o suficiente para ler sua literatura e então, racionalmente, acabar por rejeitá-la. Como para qualquer outro culto, tal coisa é inconcebível para os verdadeiros crentes da seita.
No cabeçalho desta postagem, uma série de alegações foi feita sobre a eminente feminista e é justo que se apresentem provas – o que é exatamente o que será feito nas linhas a seguir.
Entre 1943 e 1944, quando a França estava sob ocupação nazista, Simone de Beauvoir trabalhou como diretora de sonografia para a Rádio Vichy. Radio Vichy era a estação de rádio estatal na assim chamada zone libre (zona livre) da França, após a capitulação da República Francesa diante da Alemanha nazista em 1940. Dizemos “assim chamada” porque o regime de Vichy, embora teoricamente neutro do ponto de vista militar, era de fato um colaborador ativo do regime nazista e hoje é fato reconhecido por todos os lados envolvidos que a Rádio Vichy era porta-voz de fato da propaganda nazista nas ondas de rádio francesas.
Defensores de Beauvoir podem dizer que ela foi obrigada pelas circunstâncias a trabalhar lá, assim como muitos indivíduos agora alegam ter sido forçados a colaborar com a “Securitate” durante o regime comunista. Mas os manuscritos de Beauvoir durante o período, revelados posteriormente, contam uma história diferente.
Mesmo autores feministas, como a Dra. Ingrid Galster, que dedicou anos de sua vida a estudar Simone de Beauvoir, têm que admitir, mesmo a contragosto, que a atitude manifesta por Beauvoir como diretora de sonografia na máquina de propaganda nazista era, no mínimo, de colaboracionismo sutil e a forma pela qual ela chegou àquele trabalho não foi via coerção – mas sim por uma escolha perfeitamente consciente. Beauvoir já era membro do sindicato de funcionários públicos e poderia ter optado por trabalhar numa prefeitura, por exemplo. Mas ela tinha que escolher trabalhar em algo que não fosse ensinar, pois sua carreira como professora estava encerrada – apesar de já ter as qualificações e o prestígio necessário para ensinar, dado que ela tinha tido o segundo melhor desempenho como estudante de doutorado em sua geração, ficando apenas atrás de seu amante de toda a vida, Jean-Paul Sartre.
A razão pela qual ela não podia mais lecionar está relacionada exatamente à pedofilia e a Sartre. Em 1943, Simone de Beauvoir foi demitida por comportamento que levara a corrupção de menor.
Novamente, os apologistas de Beauvoir poderão apressar-se em dizer que o momento em 1943 foi um incidente singular ou, como já me disseram, um incidente simplesmente inventado pelos nazistas que não podiam suportá-la após entenderam que ela uma mulher marxista independente e empoderada. Mas isso está longe da verdade.
O interesse sexual de Beauvoir por crianças é um tema recorrente em toda sua vida. Ela estava entre os primeiros filósofos que tentaram unificar o gênero literário que se iniciou nos anos 1930 (e durou até os anos 1980 na Europa Ocidental) chamado pedofilia pedagógica feminina. Ela tentou essa unificação com seu ensaio “Brigitte Bardot e a Síndrome de Lolita”, publicada pela primeira vez na revista Esquire em 1959 e republicada várias vezes até meados dos anos 1970. Nesse ensaio, Beauvoir glorifica Brigitte Bardot por seu aspecto físico infantil, que retém a perfeita inocência inerente no mito da infância e então a apresenta como uma Houdini para meninas, que as liberaria e empoderaria para além das correntes que as subjugavam.
O ensaio de 1959 foi só o começo. Em 1977, Beauvoir, juntamente com a maior parte da intelligentsia marxista francesa, assinou uma petição exigindo nada mais, nada menos que a legalização da pedofilia e a libertação imediata de três indivíduos condenados a cumprir longas sentenças de prisão por explorar sexualmente vários meninos e meninas com idades entre 11 e 14 anos. A petição assinada por Beauvoir e Sartre, entre outros, foi publicada no Le Monde e dizia, entre outras coisas:
Um tempo tão longo de prisão para investigar um simples caso “vicioso” em que as crianças não foram vítimas de qualquer violência, mas ao contrário, testemunharam perante os magistrados que consentiram – embora a lei atualmente negue-lhes o direito de consentir – um tempo tão longo na prisão nós consideramos escandaloso em si. Hoje eles estão em risco de ser sentenciados a uma longa pena de prisão, por terem tido relações sexuais com menores, tanto meninos quanto meninas, ou por terem encorajado e tirado fotografias de suas brincadeiras sexuais. Nós acreditamos que há uma incongruência entre a designação como “crime”, que serve para legitimar tal severidade, e os fatos próprios; mais ainda entre a lei antiquada e a realidade cotidiana em uma sociedade que tende a conhecer sobre a sexualidade de crianças e adolescentes […].
Assim, na opinião de Beauvoir, crianças de 11 anos na França do final dos anos 1970 tendiam a ser seres sexuais. Desde que a puberdade não acontecia e até hoje ainda não ocorre naquela idade para a grande maioria das crianças, é condizente nomear a defesa feita por Beauvoir como nada além de uma advocacia da pedofilia, a despeito da definição escolhida para a palavra.
A petição de 1977 deflagrou toda uma discussão em nível da sociedade na França sobre as leis relativas à idade do consentimento, uma discussão em que os abolicionistas (entre os quais Beauvoir e seu amante) se uniram no Front de Libération des Pédophiles (FLIP – a Frente de Liberação dos Pedófilos) e as intenções dos membros da FLIP eram explicadas claramente por eles próprios na discussão transmitida em abril de 1978 pela Radio France Culture. A FLIP seria lembrada como uma pioneira no movimento dos pedófilos franceses, embora a organização em si não tenha durado muito devido a suas discordâncias internas.
Além de Beauvoir e Sartre, houve outras pessoas envolvidas na advocacia da pedofilia naquele período, inclusive pessoas que então acabaram por liderar os destinos da França – a exemplo de Bernard Kouchner e Jack Lang, respectivamente o Ministro da Saúde e o Ministro da Educação (!) no início dos anos 2000, no primeiro mandato de Jacques Chirac.
Tudo isso torna Beauvoir não apenas uma apologista da pedofilia, mas uma apoiadora atuante. Porém, o que faz dela uma abusadora é sua atividade de recrutar alunas, abusando-as e passando-as para Jean-Paul Sartre, às vezes separadamente, às vezes em ménage à trois integrado. O Telegraph escreve, numa crítica do livro de Carole Seymour-Jones, Simone de Beauvoir? Meet Jean-Paul Sartre (“Simone de Beauvoir? Conheça Jean-Paul Sartre”), um livro dedicado a analisar o relacionamento de Beauvoir com Sartre, o seguinte:
Por longos períodos, o casal se tornou um “trio”, embora os arranjos raramente funcionassem bem para a terceira parte envolvida: ao menos duas das ex-alunas de Beauvoir se viram a tornar-se primeiro suas amantes, então de Sartre, apenas para o casal fechar-lhes as portas, quando a diversão perdia a graça.[…]
Para Seymour-Jones, os casos de Beauvoir com suas estudantes não eram lésbicos, mas pedófilos em origem: ela as estava “preparando” para Sartre, na forma de “abuso infantil”
.
Para Beauvoir (assim como para Sartre), a idade não importava, contanto que as parceiras fossem mais jovens do que ela e Sartre. A possibilidade de que as outras pudessem se ferir ou ser exploradas não passava nem remotamente pelo radar da eminente feminista, que pensava que “preparar” garotas para Sartre lhes tirar a virgindade (palavras de Sartre, não minhas) era em si e por si um ato de empoderamento sexual para aquelas meninas.
Mas se as escapadas com sabor de nazismo e pedofilia não convencem você do caráter questionável de Beauvoir, vamos dar uma olhada em seus escritos feministas, que estão tão repletos de misoginia que é difícil encontrar equivalente em outros setores da sociedade. Este aspecto por si não é surpreendente, visto que feminismo é em si uma ideologia misógina. Mas, não vamos tergiversar.
O livro de cabeceira de Beauvoir, O Segundo Sexo, considerado por feministas contemporâneas “notavelmente atual” – tinha o seguinte a dizer sobre mulheres casadas:
A esposa se alimenta dele como um parasita; mas um parasita não é um mestre triunfante.
Mais de um quarto de século depois, em 1975, em um diálogo com outra feminista, Betty Friedan, Beauvoir esclareceria sua posição além de qualquer dúvida razoável. Em uma discussão sobre a forma de compensar as mães que ficam em casa e cuidam de crianças, Beauvoir respondeu de forma inequívoca:
Não, nós não cremos que qualquer mulher deva ter essa escolha. Nenhuma mulher deveria ser autorizada a ficar em casa para criar crianças. A Sociedade deveria ser totalmente diferente. As mulheres não deveriam ter essa escolha, exatamente porque se houver tal opção, mulheres demais irão fazê-la. É uma forma de forçar as mulheres em uma certa direção.
Está claro? Na visão da eminente feminista, as mulheres são um monte de criaturas inertes, incapazes de escolher o que é bom para elas como adultos responsáveis. De fato, ninguém além de Simone de Beauvoir e sua ideologia marxista-feminista sabe o que é melhor para as mulheres. Portanto, nenhuma mulher deveria ser autorizada a escolher qualquer coisa que contrarie Beauvoir.
No mesmo diálogo, ela é ainda mais clara:
Em minha opinião, enquanto a família e o mito da família e o mito da maternidade e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a ser oprimidas.
Realmente o ódio de Beauvoir em relação à maternidade e às mães em geral é muito óbvio ao longo de todo o seu livro. Vejamos alguns exemplos:
A maternidade relega a mulher a uma existência sedentária; é natural para ela ficar em casa enquanto os homens caçam, pescam e vão à guerra.
[A mãe] é planta e animal, uma coleção de colóides, uma incubadora, um ovo; ela assusta as crianças que estão envolvidas com seus próprios corpos e provoca risos disfarçados de homens jovens, porque ela é um ser humano, consciência e liberdade, que se tornou um instrumento passivo da vida
.
E quando essa importante feminista começou a atacar os corpos das mulheres, ninguém a pôde parar:
A atitude física evocada pela servidão menstrual constitui um pesado aleijamento.
[…] o corpo de uma mulher – e especificamente uma menina – é um corpo “histérico” no sentido de que não há, por assim dizer, distância alguma entre a vida física e sua realização fisiológica. O turbilhão trazido pela descoberta, pela menina, dos problemas da puberdade, as exacerba. Porque seu corpo é suspeito para ela, ela o escrutina com ansiedade e o vê como doente: ele é doente.
As glândulas mamárias que se desenvolvem na puberdade não têm papel na economia individual da mulher: elas podem ser removidas a qualquer momento em sua vida
.
Beauvoir então passa a explicar em seu livro como é maligna e opressiva a família para o desenvolvimento de uma menina. Se o pai tem a audácia de ter orgulho e reconhecimento pelos sucessos de sua filha, isso é outra evidência da opressão e imposição de vassalagem para a filha em relação ao pai. Mas se os pais são relativamente poupados, as mães que ousam disciplinar suas filhas têm uma reprovação pior ainda da renomada feminista:
As mães – veremos – são cegamente hostis ao liberar suas filhas e, mais ou menos deliberadamente, atuam em persegui-las ainda mais; para o menino adolescente, o esforço para se tornar um homem é respeitado e ele já recebe grande liberdade. A menina é obrigada a ficar em casa; suas atividades externas são monitoradas.
Então, está claro? O fato de que alguns pais e mães não deixavam suas filhas saírem após certos horários na França ocupada por nazistas no meio da Segunda Guerra Mundial constitui opressão. E tenha em mente que Beauvoir minimiza este aspecto – sobre o qual ficam sérias dúvidas de que era generalizado – enquanto meninos de 13 e 14 anos estavam lutando na guerra, inclusive para mantê-la a salvo para poder escrever sua infame “filosofia” e produzir propaganda para o regime nazista – um regime que também mantinha meninos de 14 e 15 anos de idade em suas tropas. Fico quase tentado a dizer que ela deveria ter reconhecido seus privilégios. Mas não vou dizer.
A hipocrisia dessa mulher é fascinante em termos de estudo e revoltante ao mesmo tempo. Simone de Beauvoir, venerada até hoje como um grande ícone do “bom” feminismo dos anos 1960 e estudada nos “diálogos feministas” da Escola Nacional de Ciência Política e Administração Pública de Bucareste, defendeu com grande fervor o regime revolucionário de Ioseb Dzhugashvili (também chamado de Iosif Vissarionovich Stalin) até muito tempo após os horrores do Stalinismo terem se tornado conhecidos na Europa Ocidental.
Em outras palavras, enquanto tantos romenos deixados na URSS estavam sendo deportados para os Gulags, enquanto a elite intelectual do meu país estava sendo dizimada em campos de concentração como Râmnicu Sărat, Pitești ou Aiud e enquanto até mesmo meninos de 12 anos eram torturados em prisões comunistas por conspiração contra a ordem socialista, Simone de Beauvoir publicava O Segundo Sexo em que ela explicava como a liberação das mulheres estava intimamente relacionada ao destino do socialismo – ao mesmo tempo negando veementemente, juntamente com seu parceiro, as atrocidades stalinistas que ocorriam naquele mesmo momento. E nós, pagadores de impostos romenos, agora pagamos para estudantes irem àquela Escola de Ciência Política e Administração Pública e estudar essa pessoa desprezível, como se ela fosse alguém a se admirar. Bom, esse é um exemplo real de misoginia patrocinada pelo Estado! Mas eu tenho a impressão de que a elite feminista sente-se muito confortável com isso.
Prezadas feministas de cafeteria, se vocês nos recomendam ler Simone de Beauvoir como um exemplo de feminista “do bem”, então vocês ou não a leram e a estão mencionando apenas para parecer cultas, ou, ao contrário, vocês a leram e concordam com o que ela defendeu e nesse caso, qualquer ser humano normal e não feminista teria que ser, no mínimo do mínimo, insano, para acreditar que vocês têm as melhores intenções em mente.
A ousadia com que Beauvoir propõe nada menos que a proibição sumária de certas escolhas para mulheres por essas escolhas não caberem em sua linha ideológica é o exemplo absoluto de utopia doentia para quem água quente é um conceito novo e para quem o planeta gira em torno dela. E se não girar assim, então há um problema com o planeta e ele deve ser proibido. A verdade deve ser proibida se ela for “incorreta”.
Se essas feministas fossem realmente sinceras quando dizem que querem combater a misoginia e ampliar o espectro de escolhas para as mulheres, então começariam por jogar na lata de lixo da História todo o arsenal ideológico vindo de Simone de Beauvoir. Mas, não fazem isso e nunca farão, porque feminismo é hipócrita em seus melhores dias e totalitário por natureza e prática em seus dias comuns. E nos seus piores dias, o feminismo exige o extermínio dos homens.
Prezadas feministas, sua declaração pública de admiração por Simone de Beauvoir diz muito mais sobre vocês mesmas do que qualquer coisa que qualquer um pudesse jamais dizer. Vocês mais uma vez provam que os melhores argumentos antifeministas vêm diretamente das próprias feministas. E por isso, nós lhes estendemos nossos agradecimentos!”
(Lucian Vâlsan: Simone de Beauvoir: Nazista, Pedófila, Misândrica e Misógina)

http://br.avoiceformen.com

terça-feira, 20 de maio de 2014

Adolph Hitler sobre o Cristianismo

Para os que ainda acham que Hitler era cristão, algumas frases escolhidas onde o ditador nacional-socialista dá plena vazão a seu ódio ao Cristianismo:
“O golpe mais pesado que já atingiu a humanidade foi o aparecimento do Cristianismo. O Bolchevismo é filho ilegítimo do Cristianismo. Ambos são invenções do judeu. A mentira deliberada em matéria de religião foi introduzida no mundo pelo Cristianismo. O Bolchevismo pratica uma mentira da mesma natureza, quando afirma trazer liberdade ao homem, quando na verdade busca apenas escravizá-lo. No mundo antigo, as relações entre os homens e os deuses fundavam-se em um respeito instintivo. Era um mundo iluminado pela idéia de tolerância. O Cristianismo foi o primeiro credo do mundo que exterminou seus inimigos em nome do amor. Sua nota característica é a intolerância. Sem o Cristianismo, não teríamos tido o Islã. O Império Romano, sob influência germânica, ter-se-ia desenvolvido em direção à dominação mundial, e a humanidade não teria extinguido quinze séculos de civilização com um golpe só. Que não se diga que o Cristianismo trouxe ao homem a vida da alma, pois essa evolução estava na ordem natural das coisas.”
“As leis da seleção natural justificam essa luta incessante, permitindo a sobrevivência dos mais aptos. O Cristianismo é uma rebelião contra a lei natural, uma proteção contra a natureza. Levado a suas últimas conseqüências, o Cristianismo significaria o cultivo sistemático do fracasso humano.”
“Sem o Cristianismo, quem sabe como a história da Europa teria se desenvolvido? Roma teria conquistado toda a Europa, e a invasão dos hunos teria se espedaçado contra as legiões. Foi o Cristianismo que levou à queda de Roma e não os germanos ou os hunos.”
“Jamais chegarei a aceitar pessoalmente a mentira cristã.”
“Nossa época verá com certeza o fim da doença do Cristianismo.”
“O Cristianismo é uma invenção de cérebros doentes: não se pode imaginar nada mais sem sentido, nem maneira mais indecente de transformar a idéia de divindade em piada. Um negro com seus tabus é esmagadoramente superior ao ser humano que acredita seriamente na Transubstanciação.”
“O fato de que os japoneses mantiveram sua filosofia política, uma das razões essenciais de seu sucesso, deve-se a terem sido poupados em tempo das visões do Cristianismo. Assim como no Islã, não há nenhuma espécie de terrorismo na religião de estado japonesa, mas ao contrário, uma promessa de felicidade. Esse terrorismo em religião é o produto, em poucas palavras, de um dogma judeu que o Cristianismo universalizou e cujo efeito é semear problemas e confusões nas mentes dos homens.”
(H. R. Trevor-Roper, Hitler's Table Talk 1941-1944: His Private Conversations)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O que os nazistas copiaram de Marx

“O marxismo afirma que a forma de pensar de uma pessoa é determinada pela classe a que pertence. Toda classe social tem sua lógica própria. Logo, o produto do pensamento de um determinado indivíduo não pode ser nada além de um "disfarce ideológico" dos interesses egoístas da classe à qual ele pertence. A tarefa de uma "sociologia do conhecimento", segundo os marxistas, é desmascarar filosofias e teorias científicas e expor o seu vazio "ideológico". A economia seria um expediente "burguês" e os economistas são sicofantas do capital. Somente a sociedade sem classes da utopia socialista substituirá as mentiras "ideológicas" pela verdade.
Este polilogismo, posteriormente, assumiu várias outras formas. O historicismo afirma que a estrutura lógica da ação e do pensamento humano está sujeita a mudanças no curso da evolução histórica. O polilogismo racial atribui a cada raça uma lógica própria.
O polilogismo, portanto, é a crença de que há uma multiplicidade de irreconciliáveis formas de lógica dentro da população humana, e estas formas estão subdivididas em algumas características grupais.
Os nazistas fizeram amplo uso do polilogismo. Mas os nazistas não inventaram o polilogismo. Eles apenas criaram seu próprio estilo de polilogismo.
Até a metade do século XIX, ninguém se atrevia a questionar o fato de que a estrutura lógica da mente era imutável e comum a todos os seres humanos. Todas as interrelações humanas são baseadas nesta premissa de que há uma estrutura lógica uniforme. Podemos dialogar uns com os outros apenas porque podemos recorrer a algo em comum a todos nós: a estrutura lógica da razão.
Alguns homens têm a capacidade de pensar de forma mais profunda e refinada do que outros. Há homens que infelizmente não conseguem compreender um processo de inferência em cadeias lógicas de pensamento dedutivo. Mas, considerando-se que um homem seja capaz de pensar e trilhar um processo de pensamento discursivo, ele sempre aderirá aos mesmos princípios fundamentais de raciocínio que são utilizados por todos os outros homens. Há pessoas que não conseguem contar além de três; mas sua contagem, até onde ele consegue ir, não difere da contagem de Gauss ou de Laplace. Nenhum historiador ou viajante jamais nos trouxe nenhuma informação sobre povos para quem A e não-A fossem idênticos, ou sobre povos que não conseguissem perceber a diferença entre afirmação e negação. Diariamente, é verdade, as pessoas violam os princípios lógicos da razão. Mas qualquer um que se puser a examinar suas deduções de forma competente será capaz de descobrir seus erros.
Uma vez que todos consideram tais fatos inquestionáveis, os homens são capazes de entrar em discussões e argumentações. Eles conversam entre si, escrevem cartas e livros, tentam provar ou refutar. A cooperação social e intelectual entre os homens seria impossível se a realidade não fosse essa. Nossas mentes simplesmente não são capazes de imaginar um mundo povoado por homens com estruturas lógicas distintas ente si ou com estruturas lógicas diferentes da nossa.
Mesmo assim, durante o século XIX, este fato inquestionável foi contestado. Marx e os marxistas, entre eles o "filósofo proletário" Dietzgen, ensinaram que o pensamento é determinado pela classe social do pensador. O que o pensamento produz não é a verdade, mas apenas "ideologias". Esta palavra significa, no contexto da filosofia marxista, um disfarce dos interesses egoístas da classe social à qual pertence o pensador. Por conseguinte, seria inútil discutir qualquer coisa com pessoas de outra classe social. Não seria necessário refutar ideologias por meio do raciocínio discursivo; ideologias devem apenas ser desmascaradas, denunciando a classe e a origem social de seus autores. Assim, os marxistas não discutem os méritos das teorias científicas; eles simplesmente revelam a origem "burguesa" dos cientistas.
Os marxistas se refugiam no polilogismo porque não conseguem refutar com métodos lógicos as teorias desenvolvidas pela ciência econômica "burguesa"; tampouco conseguem responder às inferências derivadas destas teorias, como as que demonstram a impraticabilidade do socialismo. Dado que não conseguiram demonstrar racionalmente a validade de suas idéias e nem a invalidade das idéias de seus adversários, eles simplesmente passaram a condenar os métodos lógicos. O sucesso deste estratagema marxista foi sem precedentes. Ele tornou-se uma blindagem contra qualquer crítica racional à pseudo-economia e à pseudo-sociologia marxistas. Ele fez com que todas as críticas racionais ao marxismo fossem inócuas.
Foi justamente por causa dos truques do polilogismo que o estatismo conseguiu ganhar força no pensamento moderno.
O polilogismo é tão inerentemente ridículo, que é impossível levá-lo consistentemente às suas últimas consequências lógicas. Nenhum marxista foi corajoso o suficiente para derivar todas as conclusões que seu ponto de vista epistemológico exige. O princípio do polilogismo levaria à inferência de que os ensinamentos marxistas também não são objetivamente verdadeiros, mas sim apenas afirmações "ideológicas". Mas isso os marxistas negam. Eles reivindicam para suas próprias doutrinas o caráter de verdade absoluta.
Dietzgen ensina que "as idéias da lógica proletária não são idéias partidárias, mas sim o resultado da mais pura e simples lógica". A lógica proletária não é "ideologia", mas sim lógica absoluta. Os atuais marxistas, que rotulam seus ensinamentos de sociologia do conhecimento, dão provas de sofrerem desta mesma inconsistência. Um de seus defensores, o professor Mannheim, procura demonstrar que há certos homens, os "intelectuais não-engajados", que possuem o dom de apreender a verdade sem serem vítimas de erros ideológicos. Claro, o professor Mannheim está convencido de que ele mesmo é o maior dos "intelectuais não-engajados". Você simplesmente não pode refutá-lo. Se você discorda dele, você estará apenas provando que não pertence à elite dos "intelectuais não-engajados", e que seus pensamentos são meras tolices ideológicas.
Os nacional-socialistas alemães tiveram de enfrentar o mesmo problema dos marxistas. Eles também não foram capazes nem de demonstrar a veracidade de suas próprias declarações e nem de refutar as teorias da economia e da praxeologia. Consequentemente, eles foram buscar abrigo no polilogismo, já preparado para eles pelos marxistas. Sim, eles criaram sua própria marca de polilogismo. A estrutura lógica da mente, diziam eles, é diferente para cada nação e para cada raça. Cada raça ou nação possui sua própria lógica e, portanto, sua própria economia, matemática, física etc. Porém, não menos inconsistente do que o Professor Mannheim, o professor Tirala, seu congênere defensor da epistemologia ariana, declara que a única lógica e ciência verdadeiras, corretas e perenes são as arianas. Aos olhos dos marxistas, Ricardo, Freud, Bergson e Einstein estão errados porque são burgueses; aos olhos dos nazistas, estão errados porque são judeus. Um dos maiores objetivos dos nazistas é libertar a alma ariana da poluição das filosofias ocidentais de Descartes, Hume e John Stuart Mill. Eles estão em busca da ciência alemã arteigen, ou seja, da ciência adequada às características raciais dos alemães.
Como hipótese, podemos supor que as capacidades mentais do homem sejam resultado de suas características corporais. Sim, não podemos demonstrar a veracidade desta hipótese, mas também não é possível demonstrar a veracidade da hipótese oposta, conforme expressada pela hipótese teológica. Somos forçados a admitir que não sabemos como os pensamentos surgem dos processos fisiológicos. Temos vagas noções dos danos causados por traumatismos ou por outras lesões infligidas em certos órgãos do copo; sabemos que tais danos podem restringir ou destruir por completo as capacidades e funções mentais dos homens. Mas isso é tudo. Seria uma enorme insolência afirmar que as ciências naturais nos fornecem informações a respeito da suposta diversidade da estrutura lógica da mente. O polilogismo não pode ser derivado da fisiologia ou da anatomia, e nem de nenhuma outra ciência natural.
Nem o polilogismo marxista e nem o nazista conseguiram ir além de declarar que a estrutura lógica da mente é diferente entre as várias classes ou raças. Eles nunca se atreveram a demonstrar precisamente no quê a lógica do proletariado difere da lógica da burguesia, ou no quê a lógica ariana difere da lógica dos judeus ou dos ingleses. Rejeitar a teoria das vantagens comparativas de Ricardo ou a teoria da relatividade de Einstein por causa das origens raciais de seus autores é inócuo. Primeiro, seria necessário desenvolver um sistema de lógica ariana que fosse diferente da lógica não-ariana. Depois, seria necessário examinar, ponto por ponto, estas duas teorias concorrentes, e mostrar onde, em cada raciocínio, são feitas inferências que são inválidas do ponto de vista da lógica ariana mas corretas do ponto de vista não-ariano. E, finalmente, seria necessário explicar a que tipo de conclusão a substituição das erradas inferências não-arianas pelas corretas inferências arianas deve chegar. Mas isso jamais foi e jamais será tentado por ninguém. Aquele gárrulo defensor do racismo e do polilogismo ariano, o professor Tirala, não diz uma palavra sobre a diferença entre a lógica ariana e a lógica não-ariana. O polilogismo, seja ele marxista ou nazista, jamais entrou em detalhes.
O polilogismo possui um método peculiar de lidar com opiniões divergentes. Se seus defensores não forem capazes de descobrir as origens e o histórico de um oponente, eles simplesmente taxam-no de traidor. Tanto marxistas quanto nazistas conhecem apenas duas categorias de adversários. Os alienados — sejam eles membros de uma classe não-proletária ou de uma raça não-ariana — estão errados porque são alienados. E os opositores que são de origem proletária ou ariana estão errados porque são traidores. Assim, eles levianamente descartam o incômodo fato de que há divergências entre os membros daquela que dizem ser sua classe ou sua raça.
Os nazistas gostam de contrastar a economia alemã com as economias judaicas e anglo-saxônicas. Mas o que chamam de economia alemã não difere em nada de algumas tendências observadas em outras economias. A economia nacional-socialista foi moldada tendo por base os ensinamentos do genovês Sismondi e dos socialistas franceses e ingleses. Alguns dos mais velhos representantes desta suposta economia alemã apenas importaram idéias estrangeiras para a Alemanha. Frederick List trouxe as idéias de Alexander Hamilton à Alemanha; Hildebrand e Brentano trouxeram as idéias dos primeiros socialistas ingleses. A economia alemã arteigen é praticamente igual às tendências contemporâneas observadas em outros países, como, por exemplo, o institucionalismo americano.
Por outro lado, o que os nazistas chamam de economia ocidental — e, portanto, artfremd [estranho à raça] — é em grande medida uma conquista de homens a quem que nem mesmo os nazistas podem negar o termo 'alemão'. Os economistas nazistas gastaram muito tempo pesquisando a árvore genealógica de Carl Menger à procura de antepassados judeus; não conseguiram. É um despautério querer explicar o conflito que há entre a genuína teoria econômica e o institucionalismo e o empiricismo histórico como se fosse um conflito racial ou nacional.
O polilogismo não é uma filosofia ou uma teoria epistemológica. É apenas uma postura de fanáticos de mentalidade estreita que não conseguem conceber que haja pessoas mais sensatas ou mais inteligentes que eles próprios. Tampouco é o polilogismo algo científico. Trata-se da substituição da razão e da ciência pela superstição. É a mentalidade característica de uma era caótica.”
(Ludwig von Mises, Omnipotent Government: The Rise of Total State and Total War)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A persistência da idéia eugênica

“Os últimos dias trouxeram notícias terríveis sobre a ética pública. Notamos uma radicalização das teses sobre o aborto e o infanticídio praticado contra seres vistos como anormais ou monstruosos. No fundo de tais propostas temos a sempiterna eugenia, idéia arcaica já presente em Platão e defendida por todas as formas tirânicas de poder, antigas e modernas.
O símile usado por Platão é brutal, mas serve até hoje aos depuradores do mundo: existem raças de cachorros e pássaros, nas quais surgem indivíduos ótimos ou péssimos. Naturalmente, os reprodutores devem ser apenas os melhores e os mais jovens. Usando cachorros, gatos, pássaros, cavalos, Platão explica o caso humano, sendo o mundo das bestas amestradas um símile a seguir na cria dos melhores.
Como chegar à excelência na gênese dos seres? Os governantes devem imitar os médicos que usam remédios ousados. O fármaco exato encontra-se na eugenia. "É preciso que a elite dos homens se una com mais freqüência à elite das mulheres e, com menor intensidade, que os piores dentre os homens se unam às piores mulheres. Os filhos dos primeiros devem ser criados, não os dos segundos, se desejamos que o rebanho mantenha sua qualidade eminente." Até aqui, o rebaixamento dos governados à condição bestial, algo que foi transmitido a todos os governantes assassinos do Ocidente.
A seguir vem o pior no "remédio" platônico: "Todas as disposições relativas a tal procedimento devem ser ignoradas pela maioria das pessoas, salvo pelos magistrados". Preste atenção à frase, leitor idôneo. O hábito, ao discutir esse trecho de A República, é nos fixarmos no "remédio", o infanticídio. Mas a maneira de aplicar tal medida é o segredo, técnica que gerou a razão de Estado e a censura, cujo ápice se encontra no totalitarismo, nazista ou stalinista.
Eric Voegelin indica o quanto é assustadora a prática recomendada por Platão, segundo a qual os magistrados garantem o sigilo do governo. "Em abril de 1941, todos os procuradores de Justiça chefes e os presidentes das Cortes de Apelação tinham declarado seu apoio ao programa da eutanásia (...) o secretário de Estado do Ministério da Justiça, dr. Franz Schlegelberger, fez uma preleção (...) em que declarou que a ação 'T4' era legal. Nenhum dos mais de cem membros mais antigos, entre os quais estava o presidente da Suprema Corte, Erwin Bumke, apresentou objeções. Os pormenores da campanha 'T4' (...) foram submetidos aos juristas. Explicou-se mais tarde que Hitler não queria uma lei para as medidas de eutanásia, mas que elas continuariam com fundamento em seu decreto legal pessoal. A campanha, notificados os juristas, foi executada como 'segredo do Reich'" (E. Voegelin: Hitler e os Alemães).
Sobre a 'T4', falemos do lugar secreto: Tiergartenstrasse 4 (Rua do Jardim Zoológico), prédio onde as atrocidades eugênicas foram cometidas, no apuro do rebanho. Bem platônico o ambiente, basta reler A República (livro 5, 459). Naquele e noutros edifícios seriam destruídos os "piores" em prol dos "melhores". Os primeiros seriam judeus, ciganos, alemães incuráveis. Assim, milhares de pessoas foram assassinadas, pela fome e por remédios. A 'T4' foi o prelúdio do Holocausto. Ela começou em 1939, quando Hitler mandou seu médico pessoal, Karl Brandt, avaliar o pedido de certa família para dar "morte piedosa" ao filho, defeituoso físico e mental. O ato bondoso ocorreu em julho de 1939. Platão recomendava seu "remédio" para o bem dos governados. A nobre mentira repete-se em todos os lábios assassinos, filosóficos ou não.
Parte do mundo vive em regime democrático. Nele o segredo dos Poderes é atenuado pela imprensa. Mas subsistem mitos eugênicos. As pesquisas médicas, de engenharia e genética podem seguir (não é algo definido na essência do saber científico) a renitente história do "aperfeiçoamento". É possível tomar vias diversas, na ética e na ciência, pois esta última não se destina apenas à tarefa que frutificou na eugenia. Mas o nazismo está vivo e o veneno anti-semita foi propagado de mil modos. É preciso cautela diante de doutrinadores que preparam massacres.
Ao ler um panfleto, exposto como "artigo científico" no Journal of Medical Ethics, ficamos pasmos. Após os escritos de Alfred Rosenberg e similares, jamais foi impresso algo tão frio e tão pleno de charlatanismo como o texto de Alberto Giubilini e Francesca Minerva, professores de Filosofia em Milão e Melbourne, After-birth abortion: why should the baby live? (Aborto pós-nascimento: por que o bebê deveria viver?). Dizem eles que o feto e o recém-nascido são "moralmente equivalentes" porque são "apenas" potencialmente pessoas. Aristóteles é pilhado e sua filosofia serve, com a idéia de potência e ato (o homem é o ato para o qual tende o infante) como instrumento para racionalizar o infanticídio. A potência supõe uma perfeição final que ninguém, nem mesmo os sofistas da ética, pode prever quando ocorrerá. Entes de 1, 2, 20 anos podem ser eliminados, seguindo as premissas dos autores.
No Brasil as propostas de crimes são feitas sob a capa de "progressismo" e "liberdade de escolha". Surgem doutas desculpas jurídicas em comissões oficiais, que aventam a incapacidade de manter um filho para permitir o aborto. Logo, o Estado não poderá, seguindo a mesma lógica, sustentar seres indesejados, sobretudo se "monstruosos" (discuti o ponto em meu livro Moral e Ciência, a Monstruosidade no Século 18). Graças à democracia, tais receitas letais são parcialmente conhecidas pela opinião pública. O perigo é eminente, no entanto. Uma diminuta censura contra a liberdade de imprensa e todas as permissões serão concedidas aos assassinos disfarçados de políticos, filósofos, juristas, psicólogos ou médicos. Eles agirão, seguindo o ensino platônico, em segredo. Quem tiver consciência grite, para depois não se espojar na lama dos rebanhos.”
(Roberto Romano, Não Matarás)

http://m.estadao.com.br/noticias/impresso,nao-mataras-,849936.htm

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Martin Heidegger e o nazismo (II)

“A minha leitura e interpretação pessoal das provas é esta. Como milhões de outros alemães e alemãs, e de um bom número de espíritos eminentes fora da Alemanha, Heidegger foi colhido pelo transe eletrizante da promessa nacional-socialista. Viu nela a única esperança para um país nas garras do desastre econômico e social. Além disso, o nazismo a que Heidegger aderiu ainda estava mascarando sua barbárie essencial. Foi o erro e a vaidade de Heidegger, tão característicos do acadêmico, acreditar que poderia influenciar a ideologia nazista, que poderia levar sua própria doutrina de futuridade existencial a influir sobre o programa hitlerista enquanto, ao mesmo tempo, preservava o prestígio e a parcial autonomia da instituição acadêmica. Estava redondamente enganado. Mas se a fotografia a que me referi antes é algo que nos sirva de guia, Heidegger já em novembro de 1933 se sentia profundamente contrafeito entre seus colegas nazistas. A sua implicação oficial no movimento durou apenas nove meses e saiu – este ponto vale a pena ser reiterado – antes de Hitler ter assumido poderes totais. Muitos intelectuais eminentes fizeram pior.
Mas é o caudal de artigos e discursos de 1933-34 que fala, em voz alta, contra Martin Heidegger. É aí que ele vai muito além da obrigação oficial, para não falar do endosso provisório. A evidência é, penso eu, incontrovertível; existem conexões nítidas entre a linguagem e a visão de Sein und Zeit, especialmente as últimas seções, e as do nazismo. Quem negar isso é cego ou embusteiro. Em ambos – como em tão considerável parte do pensamento alemão, depois de Nietzsche e Spengler – existe o pressuposto de, simultaneamente magnetizado por e complacente com, um apocalipse iminente, de uma crise moral tão profunda nos assuntos humanos que as normas de moralidade pessoal e institucional devem ser – serão inevitavelmente – varridas. Havia no pseudomessianismo do fenômeno Hitler uma confirmação de algumas das mais sombrias mas profundamente enraizadas apreensões de Heidegger. O nazismo e a antropologia ontológica de Sein und Zeit enfatizam o caráter concreto da função do homem no mundo, a santidade primordial da ação e do corpo. Ambos exaltam o parentesco místico entre o trabalhador manual e sua ferramenta na inocência existencial que deve ser expurgada das pretensões e ilusões do intelecto abstrato. Essa ênfase é estreitamente vinculada à importância que se atribui às raízes, às intimidades do sangue e à lembrança que um ser humano autêntico cultiva com seu chão nativo. A retórica heideggeriana de “patriosofia”, de continuidade orgânica que liga a vida aos ancestrais mortos e enterrados perto uns dos outros, ajusta-se sem esforço ao culto nazista de “sangue e solo”. Concomitantemente, as denúncias hitleristas de “cosmopolitas sem raízes”, da ralé urbana e da intelligentsia irrequieta que vive, parasitária, na superfície convencional da sociedade, condizem facilmente com a crítica heideggeriana da “alteridade”, da modernidade tecnológica, do desassossego fervilhante do inautêntico.
A “resolução” (Entschlossenheit) heideggeriana tem mais do que uma sugestão da mística do compromisso, da abnegação, do sacrifício pessoal e do élan autoprojetivo pregados pelo Führer e seus acólitos. Em ambos os casos está representado o realçamento do destino pessoal em vocação nacional e étnica que é analisado em Sein und Zeit. Em ambos, lógica e essencialmente, há uma exaltação da morte como o apogeu e plena realização da vida. Também neste caso há antecedentes hegelianos e nietzscheanos comuns. Se, como Heidegger argumenta, a história, no sentido tradicional e criticamente avaliado, é destituída de significado, então essa falta de significado deve ser nitidamente delineada e mostrar que é um beco sem saída. Na recomposição hitlerista do passado histórico, no imperativo apocalíptico de um começo totalmente novo no destino alemão, Heidegger pôde encontrar uma confirmação de seu anti-historicismo mais técnico e mais esotérico.
Mas, acima de tudo, há o idioma de Sein und Zeit e o do jargão nacional-socialista. Ambos, embora em níveis obviamente diferentes, exploram o gênio do alemão para a escuridão sugestiva, seu talento para dar às abstrações (freqüentemente vazias ou meio cruas) presença e intensidade físicas. Há na suposição de Heidegger, simultaneamente metafórica e mesmérica, de que não é o homem que fala, quando a linguagem possui sua máxima eficácia, mas é a “própria linguagem através do homem”, uma sinistra sugestão da marca de inspiração de Hitler, no uso nazista da voz humana, como uma trombeta tocada por imensas e sobrenaturais entidades, para além da vontade ou julgamento mesquinho do homem racional. Esse motivo de desumanização é fundamental. O nazismo envolve Heidegger precisamente naquele momento, em seu pensamento, em que a pessoa humana está sendo desalojada do centro do significado e do ser. O idioma do puramente ontológico mistura-se ao do desumano.
Mas, apesar de repugnantes, os gestos e os pronunciamentos de Heidegger durante 1933-34 são admissíveis em sua maleabilidade. O seu completo silêncio depois de 1945 sobre o hitlerismo e o holocausto é que foi quase intolerável.
Toda a comunidade de pensamento sério de meados do século XX, tanto liberal como conservadora, secular ou teológica, social ou psicológica, procurou analisar os fenômenos de genocídio e o campo de concentração, com a brusca irrupção no calendário do homem das estações no inferno. O postulado de que Auschwitz e Belsen significam algum ponto zero na condição e definição de homem é hoje um lugar-comum. Para um filósofo, para uma testemunha alemã, para um ser humano pensante e sensível envolvido numa parte, pelo menos, dos eventos do período, não dizer absolutamente nada é equivalente a cumplicidade. Pois somos sempre cúmplices daquilo que nos deixa indiferentes. Existe, pois, alguma coisa que se possa argumentar como justificação para o total silêncio de alguém cujas últimas obras, de acordo com Martin Buber, “devem pertencer aos séculos”?
Só conjeturas são possíveis. Alegações de anti-semitismo são, no tocante à magnitude do caso, triviais, mas também, acredito eu, falsas. Fui incapaz de localizar sentimentos ou declarações antijudaicas nas obras de Heidegger, inclusive nas de natureza pública e política – um fato que, desde o início, o isola da corrente principal do nazismo. Se Heidegger foi, em certos níveis óbvios, um grande homem, um mestre cuja atividade filosófico-lingüística se ergue literalmente acima de vários aspectos da especulação contemporânea, ele também foi, ao mesmo tempo, um pequeno homem. Passou sua existência no meio de um círculo de admiradores incondicionais e, sobretudo em seus últimos anos, atrás de uma barreira de adulação. Suas incursões pelo mundo eram poucas e cuidadosamente orquestradas. É possível que ele não tivesse a coragem e a magnanimidade necessárias para enfrentar o seu próprio passado político e a questão da aliança da Alemanha com o barbarismo. Embora engajado na derrubada da metafísica tradicional, embora comprometido com uma concepção radical e anti-acadêmica de pensamento, Heidegger era, simultaneamente, um Ordinarius alemão, o detentor vitalício de uma cátedra prestigiosa, incapaz, emocional ou intelectualmente, de enfrentar, de “meditar em profundidade”, como ele diria, sobre o fácil colapso das instituições acadêmicas e culturais alemãs diante do desafio nazista.
Além disso, quando se reflete sobre a carreira de Heidegger, com sua maravilhosa economia de movimento e capacidade para gerar lendas (existem, neste aspecto, pontos definidos de contato com a carreira de Wittgenstein), o traço que se destaca preponderantemente é o de astúcia, de “esperteza campesina”. A boca apertada e os olhos pequenos parecem espreitar o interlocutor desde o fundo de um legado milenar de reticência sagaz. Em vista dos fatos e de sua própria participação neles, Heidegger pode ter intuído que uma recusa em dizer fosse o que fosse – mesmo quando, especialmente quando estivesse pontificando sobre política mundial e o materialismo americano-soviético – seria, de longe, a postura mais eficaz. Ao que se deve acrescentar, com toda a justiça, a possibilidade de que a enormidade do desastre e de suas implicações para a continuidade do espírito ocidental tenha parecido a Heidegger, como a outros escritores e pensadores, absolutamente além de qualquer comentário racional. Mas ele poderia, no mínimo, ter dito isso, e o interesse que manifestou pela poesia de Celan mostra que ele estava plenamente cônscio dessa opção.
Uma outra hipótese merece também ser examinada. O envolvimento de Heidegger com a Alemanha e a língua alemã, no que ele considera a afinidade ímpar de ambas com a aurora do ser e da fala do homem na Grécia arcaica, é um elemento determinante. A preeminência da Alemanha justamente naquelas atividades que podem ser as mais elevadas ao alcance do homem, a filosofia e a música, é um tema constante no pensamento e na autoconsciência alemães. De Bach a Webern, de Kant a Heidegger e Wittgenstein, é na esfera germânica que o gênio do homem parece tocar as culminâncias e sondar as últimas profundezas. Dada essa Geschick, essa “singularidade marcada pelo destino”, também é concebível que deva ser das entranhas do mundo germânico que brote a inumanidade suprema, os experimentos finais do homem com a sua própria potencialidade de destruição. Haveria um sentido, embora resistente, na verdade ofensivo, para a explicação pragmática ou analítica, em que a possibilidade de um Bach e de um Beethoven, de um Kant e de um Goethe, acarretaria – tão seguramente quanto a de um Wagner e de um Nietzsche – a probabilidade de uma catástrofe. Consubstanciando “homem e super-homem” ou o fenômeno da identidade humana em seu completo espectro de extremidades dialéticas, a Alemanha e a história alemã teriam o “destino” de autodestruição, de negação (abstrações para as quais Hegel e Heidegger encontraram termos de drástica expressão). Oferecer uma crítica dessa vocação “desde baixo”, tentar circunscrevê-la dentro dos limites do senso comum e da moralidade, seria tarefa inútil. Seria uma trivialização do trágico mas exemplar Dasein.
Talvez tenha sido de acordo com algumas dessas linhas-mestras (e elas não são inteiramente carentes de força de prova) que Heidegger pensou quando optou por ficar silencioso. Talvez a argúcia faça parte da ontologia fundamental. Não sei. O que resta é o silêncio frio e as evasivas abjetas dos seguidores de Heidegger (entre os quais os judeus constituem um implausível mas destacado contingente). O que também subsiste é a questão de como o silêncio, ao qual Celan parece aludir em seu enigmático poema “Todtnauberg”, harmoniza-se com a humanidade lírica dos últimos escritos de Heidegger.”
(George Steiner, Heidegger)

Tradução de Álvaro Cabral

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Martin Heidegger e o nazismo (I)

“Embora volumosa, a literatura sobre o envolvimento de Heidegger com o nazismo não parece insistir sobre as duas questões que precisam ser formuladas. O que é que relaciona a ontologia fundamental de Sein und Zeit com esse envolvimento, se é que tal relacionamento existe? O que é que pode ser dito para explicar o total silêncio público de Heidegger (com uma escassa exceção póstuma), depois de 1945, a respeito do holocausto e de suas próprias atitudes em relação à política e às bestialidades do Reich? A restrição a “público” pode ser relevante ou não; pode ser que existam ou não pronunciamentos privados no arquivo, por exemplo, na correspondência com Hannah Arendt.
Abrir caminho através do material pertinente é um trabalho ingrato. Na medida em que podem ser reconstituídos, os fatos são estes.
Em abril de 1933, o Professor von Möllendorf, um social-democrata, foi impedido de assumir a reitoria da universidade de Freiburgo. Ele, com seus colegas mais antigos, pediram a Heidegger que assumisse o cargo. A sua fama podia ser de uso salutar para a universidade em tempos ameaçadores. Heidegger não pertence a nenhum partido e não teve qualquer papel na política. Ele hesita, mas é persuadido. Heidegger foi eleito reitor com um único voto discordante e tomou posse a 21 de abril. Esse ato equivale a tornar-se um funcionário sob o novo regime e ele filia-se ao Partido Nacional-Socialista nos primeiros dias de maio. Logo no início de seu reitorado, Heidegger proíbe a disseminação de folhetos anti-semíticos por estudantes nazistas nos edifícios da universidade. Proíbe uma programada queima de livros “decadentes”, “judaicos” e “bolchevistas” em frente da universidade e tenta impedir o expurgo de volumes “indesejáveis” da biblioteca da universidade. É mais ou menos neste ponto que chegamos a um dos mais notórios itens de todo o dossiê: a alegada autorização de Heidegger para que fosse interditado o uso da biblioteca pelo seu mestre e predecessor “não-ariano”, Edmund Husserl. Até onde chegam meus conhecimentos, tal autorização nunca foi expedida. Se os dois homens não se viam um ao outro nesses dias sombrios e conturbados, a razão estava em que eles já se haviam afastado por motivos pessoais e filosóficos (a omissão de Heidegger, não intervindo positiva e publicamente a favor de Husserl é, evidentemente, uma outra questão muito diferente).
Recusando-se a ratificar a demissão de dois decanos da universidade, os antinazistas Wolf e von Möllendorf, Heidegger renuncia ao reitorado em fins de fevereiro de 1934. É vital recordar que Hitler só assumirá o completo domínio do Estado em 19 de agosto de 1934, após a morte de Hindenburgo. Ao exonerar-se, ou imediatamente depois, Heidegger deixa o partido. Os sabujos nazistas, como o Professor Ernst Krieck, denunciam agora Heidegger como um obscurantista cuja visão do mundo, apesar de aparências momentâneas, é o completo oposto da do Führer. Existem algumas provas de que as aulas de Heidegger, sobretudo sobre Nietzsche, estão sob vigilância a partir do semestre do inverno de 1934-35 em diante. Uma nova edição de Sein und Zeit é publicada em 1942. A dedicatória a Edmund Husserl é omitida. Até onde pude averiguar, foi o editor que insistiu nessa omissão, sem a qual a publicação do livro não seria permitida. Todas as referências elogiosas a Husserl, incluindo a famosa nota de rodapé da página 38, permanecem como antes. No verão de 1944, as autoridades universitárias declaram Heidegger “o professor cujos serviços podem ser mais facilmente dispensados”. Em conseqüência disso, Heidegger é enviado para um período de trabalho compulsório na construção de entrincheiramentos nas margens do Reno. Dá sua aula final de 8 de novembro de 1944. As potências aliadas proíbem Heidegger de lecionar. Essa interdição vigora de 1945 a 1951.
Os textos-chaves para esse período são o discurso de Heidegger a colegas e estudantes por ocasião da cerimônia de juramento de fidelidade ao novo regime, em março de 1933; a sua lição de sapiência como reitor sobre a “Autodeterminação da Universidade Alemã”, em maio de 1933; a sua declaração de apoio ao referendo de 12 de novembro de 1944, em que Hitler conclamou a Alemanha a ratificar a saída da Liga das Nações; a comemoração por Heidegger, a 1° de junho de 1933, da morte de Albert Leo Schlageter, um mártir nacionalista executado pelas forças francesas de ocupação no Ruhr; o discurso sobre “Serviço de Mão-de-Obra e Universidade”, de 20 de junho de 1933, e o estreitamento afim “Ruf zum Arbeitsdienst” (“Convocação para os Batalhões de Trabalho”), de 23 de janeiro de 1934. Um outro documento é fornecido por uma foto do Reitor Heidegger, rodeado de oficiais e capangas nazistas uniformizados, numa celebração de recusa e vingança no Dia do Armistício de 1933.
Se observarmos esses textos e os pronunciamentos mais breves que foram feitos durante o reitorado de Heidegger, não pode haver qualquer dúvida; é a prova ignóbil, túrgida e brutal em que o jargão oficial da época se mistura de forma inconsútil com o idioma de Heidegger, em sua expressão mais hipnótica. O Volk recuperou a “verdade” de sua “vontade de ser”, de seu Daseinswillen. O gênio de Hitler conduziu seu povo para fora das idolatrias e corrupções do “pensamento sem raízes e impotente”. A revolução nacional-socialista é que habilitará os filósofos, agora reunidos ao povo (Volk) como um todo, a retornarem com “implacável clareza” (uma expressão característica do idioma ontológico-nazista) à questão do significado da existência humana. É “privilégio supremo” da comunidade acadêmica servir a vontade nacional. A única justificação para “a chamada ‘mão-de-obra’” é o investimento dessa mão-de-obra nas necessidades e nos objetivos históricos e nacionais donde ela promana. Para um estudante universitário, ingressar nos batalhões de trabalho do novo Reich não é um desperdício ou uma traição à sua vocação. Pelo contrário, é dar a essa vocação seus alicerces éticos e sociais sem o que, como Sein und Zeit mostrou, não pode haver destino autêntico.
Ao romper com o passado, ao esmagar a pseudo-irmandade da Liga das Nações, ao entregar-se “à guarda do Führer e do movimento histórico mundial que ele encarna”, a Alemanha está exemplificando, como nenhum outro povo jamais fez, aquela projeção do ser para o futuro, que é o ato supremo de autenticação. (A afinidade do vocábulo com o da Parte III de Sein und Zeit é orgânica.) Um plebiscito a favor de Hitler é “um voto para o futuro” – um futuro que é o “mais verdadeiro” por ser a herança há muito esperada, o ser-passado (Erbe e Gewesenheit) do povo alemão. “O próprio Führer”, proclama Heidegger no Freiburger Studenten Zeitung, de 3 de novembro de 1933, “é a única consubstanciação atual e consubstanciação futura da ação alemã e sua lei”. Opor-se ao Führer seria uma traição contra o ser.
Entretanto, deve-se assinalar que existem, no meio dessas brutais impudências e servilismos, certas “indiretas” veladas mas persistentes. O discurso na cerimônia de juramento de lealdade fala de um sistema que “rechaçará a lei da força”. O notório Rektorats-Rede contém sugestões de que a revolução que está sendo aclamada é, ou deve tornar-se, uma revolução de essência espiritual, mais do que política, em seu sentido normal. O ataque contra a Liga das Nações reclama a necessidade de uma concepção muito mais profunda de paz entre os povos, de que todas as nações, não só a Alemanha, devem encontrar para si mesmas a grandeza e a verdade de seu Bestimmung (sua “determinação”, de sua “missão através de sua vocação”). Examinadas minuciosamente, numerosas passagens-chaves dissolvem-se numa curiosa névoa de quietismo que as coloca, de algum modo, do outro lado da política.
A Introdução à Metafísica, de Heidegger, remonta às preleções proferidas em 1935. Heidegger reedita o trabalho em 1953. Conserva a seguinte afirmação:
As obras que estão sendo hoje em dia impingidas como a filosofia do Nacional-Socialismo – mas nada têm a ver com a verdade essencial e a grandeza desse movimento (a saber, o encontro entre tecnologia global e homem moderno) – foram todas escritas por homens pescando nas águas turvas de “valores” e “totalidades”.
Assim, a “verdade essencial e a grandeza” do movimento nazista continua sendo afirmada. Como R. Minder mostrou, o estudo de Heidegger sobre Hebel, Dichter in der Gesellschaft (“O Poeta em Sua Sociedade”), de 1966, está repleto de jargão nazista de Blut und Boden e de alusões à missão sacrossanta do Volk. A 23 de setembro de 1966, Martin Heidegger deu uma extensa entrevista à revista Der Spiegel (um foro singularmente trivializante...), na condição de que fosse publicada postumamente. Ela saiu em junho de 1976. É magistral em sua urbanidade felina e evasões. Heidegger reconhece que não via nenhuma alternativa para o nazismo em 1933, se a Alemanha quisesse sobreviver. Mas antes que as suas declarações mais grosseiras de 1933-34 fossem julgadas, elas deviam ser “meditadas em profundidade”. Quando ele pedia uma auto-renovação das universidades alemãs sob a égide do partido, não era a segunda parte que devia ser enfatizada mas as conotações ontológicas de auto (selbst). Os compromissos, os acomodamentos conciliatórios na fraseologia e na postura pública eram inevitáveis, caso se quisesse que a educação superior fosse salvaguardada. Fossem quais fossem suas lamentáveis divergências pessoais, Heidegger continuava apoiando-se nos ensinamentos de Husserl em suas próprias exposições de fenomenologia. As conferências sobre Hölderlin de 1934-35, o seminário sobre Nietzsche de 1936, “espionado por informantes oficiais”, deviam, em essência, ser consideradas como uma contestação codificada e uma confrontação polêmica com o nazismo (eine Aussein-andersetzung). O que os recatados entrevistadores não perguntaram foi isto: existe em qualquer ponto da obra de Heidegger um repúdio ao nazismo, existe em qualquer texto, de 1945 até sua morte, uma única sílaba que seja sobre as realidades, sobre as implicações filosóficas do mundo de Auschwitz? Estas são as perguntas que contam. E a resposta teria que ser: “Não”.”
(George Steiner, Heidegger)

Tradução de Álvaro Cabral