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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Não percamos a oportunidade


"Parece que, infelizmente, há muitos brasileiros, sobretudo entre os católicos, que ainda não se deram conta do momento favorável que vivemos no Brasil hoje. Quando digo momento favorável, não me refiro apenas à esperança bem fundada de que a nossa economia melhore a partir do próximo ano graças às reformas que a nova equipe econômica deve realizar, mas ao clima espiritual que se introduziu na sociedade brasileira e vem se consolidando após a vitória do Bolsonaro. Esse clima espiritual representa, com efeito, um vasto campo para um trabalho de apostolado e de formação doutrinária para debelar de vez, do seio da nossa sociedade, o veneno da mentalidade revolucionária.
A meu ver, chegou a hora de esclarecer uma grande parcela da opinião pública, que nas últimas eleições manifestou não só um descontentamento com a malversação do dinheiro público e o descalabro econômico da era petista mas também uma simpatia pelo discurso conservador sobre os valores morais da religião, da família e da pátria, um apreço por toda a tradição; chegou a hora de esclarecê-la sobre o grande embuste da democracia moderna com tudo que esta tem de ruim: o igualitarismo, a libertinagem, o sufrágio universal, o individualismo, a soberania popular etc.
Chegou a hora dizer claramente que a democracia é o vestíbulo do inferno e os profissionais da grande mídia são quase todos diabos diplomados, conforme aquela figura do velho diabo criada por C. S. Lewis em sua obra As cartas do coisa ruim. Imagina Lewis um velho diabo, bem astuto, paraninfando uma turma de novos diabos, concluintes do curso de tentador, prestes a partir pelo mundo afora para enredar os homens. E diz o velho diabo em seu discurso: “Democracia é a palavra com a qual segurais os homens pelo nariz. O bom serviço, já realizado pelos nossos peritos filólogos na corrupção da linguagem humana, torna desnecessário advertir que jamais deveis ajudar a criatura humana a obter dessa palavra um significado claro e definitivo.”
Por essa alegoria de Lewis vê-se claramente que a democracia moderna é o reino da mentira, o regime do Pai da Mentira, e os jornalistas que a vivem exaltando como o único regime compatível com a dignidade humana na verdade são diabos diplomados pelo velho Diabo e estão a seu serviço para infelicidade dos homens.
Todo o discurso em defesa da democracia, a pretexto de combater regimes totalitários desumanos, na realidade só tem promovido a difusão do erro, como a corrupção dos costumes, o desprestígio da autoridade e o igualitarismo, a tal ponto que hoje desapareceu o respeito devido à autoridade paterna. Hoje em dia os pais mão conseguem mais impor aos seus filhos a disciplina necessária para a vida doméstica e um professor não pode sequer corrigir um erro gramatical cometido por seu aluno porque não se admite mais que a linguagem do professor seja mais escorreita que a do seu aluno. Não se aceita nenhuma forma de superioridade. Cria-se uma mentalidade de ignorância orgulhosa e invejosa. E tudo isto decorre, é claro, do sufrágio universal igualitário. Eu mesmo tive uma vez uma oportunidade de ouvir um soberbo ignorante expressar sua satisfação invejosa porque tanto os ricos quanto os pobres, tanto os inteligentes quanto os burros, na hora da morte e na hora do voto valem a mesma coisa! Quer dizer, o imbecil não temia o juízo de Deus e muito menos tinha consciência do que significa concorrer para os destinos da nação por meio de um voto.
Mas graças a Deus parece que a parte ainda sã da sociedade brasileira está despertando e reagindo. Aqueles que viviam numa letargia foram obrigados a acordar para a realidade nas últimas eleições. Observou-se que muitas famílias que só estavam apreensivas com a crise econômica e com a corrupção tomaram consciência de que o problema do Brasil é de outra ordem, é um confronto com os inimigos de toda a tradição cristã das nossas raízes históricas.
Essa tomada de consciência de que há um confronto com os inimigos da ordem social cristã tradicional está apenas começando. E são pessoas das mais diversas condições sociais que se aproximam de nós, ávidas por ouvir e aprender a verdade, ávidas por redescobrir uma grande tradição espiritual. Para ilustrar a realidade que vivemos hoje no Brasil, vale a pena compará-la com dois momentos históricos do século passado.
Em princípio do século passado havia na França uma juventude já um tanto farta do discurso positivista e cientificista, avesso a qualquer metafísica e hostil às virtudes militares. Raïssa Maritain retrata admiravelmente bem esse ambiente cultural em Grandes amizades. Muitos daqueles jovens franceses se interessaram pela filosofia de Bergson, que, a despeito de suas deficiências, já representava uma abertura para a metafísica, e começaram a querer servir a França no Exército. Foi quando, por assim dizer, redescobriram a grandeza espiritual da França católica. Um desses jovens, Ernest Psichari, neto do célebre escritor Renan, foi servir a França na Mauritânia. O contato com místicos muçulmanos, a consciência moral de que ele tinha de agir com toda a justiça naquela terra miserável de infiéis, foi o meio de que se serviu a Providência para ajudá-lo a voltar para a fé católica, para voltar a amar a verdadeira França, a França de São Luís, a França de Santa Joana d’Arc, a França que qualquer homem educado ama.
Outro momento histórico significativo ocorreu há quase quarenta anos atrás, durante a guerra do Afeganistão; houve então algo semelhante à presença do exército francês na Mauritânia. Os soldados russos, confrontados com um povo que vivia até recentemente sob um regime monárquico quase feudal, um povo profundamente apegado a sua fé e identidade nacional, redescobriram suas próprias tradições e valores religiosos espezinhados pelo comunismo. Há quem diga que isto contribuiu muito para o fim da União Soviética. Que esta não teria ruído apenas em consequência da política armamentista de Ronald Reagan.
Como se vê, parece que a polarização da sociedade brasileira, a radicalização política provocada pelas últimas eleições, poderão ter um efeito benéfico. Mas dependerá do nosso trabalho de esclarecimento, de combate doutrinário, a produção de frutos duradouros. Na França, infelizmente, o momento oportuno vivido no começo do século passado não produziu frutos mais duradouros porque houve a estúpida condenação da Ação Francesa e não se aproveitou a instabilidade política gerada pela crise econômica de 1929 para dar um golpe de estado e derrubar a república como pretendia Charles Maurras.
Não percamos, pois, a oportunidade que a Providência nos oferece para trabalharmos para instaurar um regime de ordem. Para instaurar todas as coisas em Cristo na Terra da Santa Cruz."

http://santamariadasvitorias.org

domingo, 17 de dezembro de 2017

Democracia e totalitarismo

"Sempre há pessoas que se revoltam quando um escritor se atreve a desafiar as convenções do pensamento hegemônico. Chesterton e Belloc, por exemplo, tornavam frenéticos certos leitores do G. K's Weekly cada vez que escreviam que capitalismo e comunismo eram heresias que, sob sua aparência dialética, encobriam uma meta comum; e os leitores mandavam aos periódicos cartas furiosas nas quais os apelidavam de "papistas", ante o que Chesterton e Belloc empunhavam o rosário e os espantavam. Hoje há pessoas que continuam se aborrecendo se um escritor se atreve a equiparar capitalismo e comunismo; mas já ninguém utiliza o insulto de "papista", talvez porque o Papado perdeu ascendência espiritual, ou porque convém fazer que o Papa seja um tipo estupendo. Assim que, quando alguém se irrita contra ti por repetires exatamente o mesmo que Chesterton e Belloc denunciavam há um século, já não te chamam papista, mas "integrista" (e nem sequer faz falta que empunhes o rosário!), que é insídia que, em um mundo tão esquerdopata como o nosso, lança uma condenação indelével sobre o réprobo.
Também se tende a apelidar um escritor de "integrista" quando se atreve a denunciar a deriva totalitária da democracia. Já nos advertia Ortega, esse feroz integrista, que "a democracia, como democracia, ou seja, estrita e exclusivamente como norma do direito político, parece uma coisa ótima. Mas a democracia exasperada e fora de si é a mais perigosa doença de que pode padecer uma sociedade"; pois "quanto mais reduzida seja a esfera de ação própria de uma idéia, mais perturbadora será sua influência, se se pretende projetá-la sobre a totalidade da vida". É que, com efeito, a democracia, nesta fase da história, deixou de ser uma forma de governo para tornar-se uma religião antropoteísta que, enquanto esfuma ou prostitui o mandato representativo, proclama-se instância última para estabelecer o bem e o mal, o justo e o injusto, entregando à aritmética das maiorias toda a regulação da vida humana. Esta "vontade de regular a totalidade da vida humana" – nos recordava Malraux, outro integrista descomunal e lefevriano – é o que caracteriza o totalitarismo; e da deriva totalitária da democracia já nos advertia Tocqueville, sumo pontífice do integrismo, em A Democracia na América: "Cadeias e verdugos eram os instrumentos grosseiros que no passado empregava a tirania, mas em nossos dias a civilização aperfeiçoou até o mesmo despotismo. Os príncipes haviam, por assim dizer, materializado a violência; mas as repúblicas democráticas de nossos dias tornaram-na tão intelectual como a vontade humana que querem reduzir. Sob o governo absoluto de um só, o despotismo, para chegar à alma, golpeava vigorosamente o corpo; e a alma, escapando a seus golpes, se elevava gloriosa por cima dele. Mas nas repúblicas democráticas a tirania deixa o corpo e vai direto à alma. O amo já não diz: "Pensai como eu ou morrereis", mas: "Sois livres de não pensar como eu. Vossa vida, vossos bens, tudo conservareis, mas a partir deste dia sereis estranhos entre nós. Permanecereis entre os homens, mas perdereis vossos direitos de humanidade. Quando vos aproximardes de vossos semelhantes, fugirão de vós como de empestados e até aqueles que creiam em vossa inocência vos abandonarão. Deixo-vos a vida, mas a que vos deixo é pior que a morte".
Esse inferno totalitário já está entre nós. E nele se enlanguescem os empestados, enquanto as massas desprevenidas não estão nem aí e arrotam felicíssimas os vapores da alfafa sistêmica que engolem sem reclamar."
(Juan Manuel de Prada, Democracia y Totalitarismo)

sábado, 22 de julho de 2017

A democracia é antibíblica


"Os pressupostos subjacentes da democracia são contrários à visão bíblica do homem. Se nos reconhecemos como criaturas caídas, então não podemos acreditar que cada homem sabe o que é melhor para si e se inclina a escolher de forma apropriada. A democracia só é aceitável se aceitamos a visão “iluminista” (maçônica) do século XVIII de que os seres humanos nascem puros e imbuídos pela natureza de todos os conhecimentos e virtudes necessários.
O amor da América pela democracia está diretamente ligado à heresia de que todo homem é seu próprio sacerdote, um livre agente espiritual que pode interpretar as Escrituras sozinho e não precisa da intercessão de um sacerdócio formal ou santos. Isso, obviamente, contradiz o fato de que Jesus escolheu doze apóstolos dotados de ensinamentos e autoridade especiais para liderar suas centenas de discípulos.
A democracia também é antibíblica na medida em que substitui a verdade absoluta, universal e imutável revelada por Deus pela "vontade da maioria" subjetiva e mutável. Se a palavra de Deus diz uma coisa e a vontade da maioria diz o contrário, a maioria humana ganha em uma democracia. Isto é visto nas duas únicas "eleições" na Bíblia - no Antigo Testamento, as pessoas pediram que Aarão fizesse um bezerro de ouro para que adorassem. No Novo Testamento, as pessoas gritaram "crucifiquem Jesus, dêem-nos Barrabás!" O Senhor não tem nenhum voto e nenhum veto em uma democracia. É por isso que o Senhor nunca submeteu as leis dos antigos israelitas ao voto, nunca lhes pediu que elegessem profetas e nunca fez a monarquia ou a classe sacerdotal depender da vontade da maioria.
Deus sempre designou patriarcas, profetas, juízes, sacerdotes e reis para governar seu povo. Cristo considerou adequado equipar sua Igreja com um governante e príncipes. A monarquia é a única forma de governo que a Igreja tem apoiado consistentemente há milhares de anos. Ironicamente, quando lhe é dada a democracia, a maioria eventualmente elege um tirano muito pior do que qualquer monarca, pois os monarcas são, pelo menos, responsáveis perante a Igreja, seus herdeiros e seus nobres rivais.
Muitos apontarão para os reis ruins da história. Isso é parecido com a condenação do sistema de governo dos Estados Unidos com base em alguns presidentes ruins. Além disso, os piores reis da história apenas agiram despoticamente quando romperam com a influência atenuante da Igreja e esmagaram o poder dos nobres, dois controles tradicionais sobre o poder de um monarca.
A democracia também pode destruir o patriotismo a partir do momento em que a maioria dos cidadãos vem a consistir de estrangeiros que recusam-se a se integrar culturalmente e de marxistas culturais que detestam a si mesmos e que sofreram uma lavagem cerebral para odiar o patrimônio de sua nação. A maioria também pode falir um país, votando naqueles que lhes concederão infinitos benefícios sociais e cortes nos impostos, pagando por isso com dinheiro emprestado de nações inimigas.
Deus é o autor da natureza, e a natureza torna os homens desiguais. Alguns homens são mais virtuosos, fortes, imaginativos, inteligentes, corajosos e trabalhadores. A maioria geralmente está equipada para trabalho manual não qualificado ou qualificado, não para decisão. Apenas um pequeno número de homens é naturalmente adequado para assumir a responsabilidade pelo bem-estar da comunidade. Mas em uma democracia, um homem que busca ser eleito precisa apenas de riqueza e carisma, qualidades mais comuns entre criminosos do que em santos. E para o candidato ou partido ao qual falta riqueza, o dinheiro é facilmente emprestado ao custo de vender sua alma a banqueiros estrangeiros e empresas corruptas que desejam escravizar os cidadãos em dívidas.
A democracia transforma cada homem em membro de um partido rival, atacando o vizinho. Os partidos ganham adeptos zelosos, agravando as tensões entre grupos étnicos, classes sociais e castas. Isso resultou em terror e até mesmo genocídio. Como um deus da mitologia grega, a democracia mata seu pai e come seus filhos. Quando o homem se eleva ao trono de Deus, tudo o que ele pode trazer é o inferno na terra".
(Postagem anônima do Facebook na página Legion of St. Michael the Archangel)

terça-feira, 12 de julho de 2016

A esquerda odeia referendos


“Uma das queixas mais comuns dos comentaristas de esquerda na Europa e nos Estados Unidos a respeito do Brexit é que a realização de referendos é uma má ideia.
O exemplo mais recente é o desprezo que a esquerda tem dispensado ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, por ter sugerido a realização do referendo.
Mas por que a esquerda odeia os referendos? Não é a esquerda que se diz a representante do povo? Não é “o poder pertence ao povo” uma das frases mais repetidas pela esquerda? A esquerda americana não está tentando abolir o “Colégio Eleitoral” justamente porque ele não está representando a vontade direta do povo?
Poderia se imaginar, sendo assim, que se existe alguém que gostaria de realizar referendos seria a esquerda.
Então, o que está acontecendo?
A resposta explica muita coisa sobre a esquerda.
Em primeiro lugar, a esquerda se preocupa com “o povo” tanto quanto o Partido Comunista da União Soviética se preocupava com “os trabalhadores.” Para a esquerda, ou o povo é massa de manobra política ou, quando eles apoiam a esquerda, idiotas úteis. A Esquerda ama o poder, não as pessoas.
Repito: A esquerda ama o poder, não as pessoas.
Se isso não for compreendido, a esquerda não será compreendida.
A União Europeia é um exemplo perfeito. É um teste da esquerda de controle das pessoas – ou melhor, de nações inteiras. Principal fonte de deterioração da sociedade, o burocrata sem rosto e sem nome – sediado em Bruxelas – busca controlar o máximo possível da vida de cada indivíduo europeu. Não há um limite para a quantidade e a abrangência das leis aprovadas na UE.
Para a esquerda, as nações são instituições arcaicas, empecilhos para o mundo ideal sem identidades nacionais dos esquerdistas. Essa utopia, que seria governada em última instância por uma Bruxelas mundial – pela ONU ou algo parecido – seria gerida por um clero secular e totalitário, composto por partidos de esquerda, intelectuais de esquerda na academia e na mídia, grandes corporações que disputam os subsídios do governo e grandes sindicatos trabalhistas, cujos líderes encarnam o amor ao poder. Outros parceiros incluiriam as organizações ambientalistas e feministas e a esquerda religiosa (supondo que ainda existirá alguma religião ocidental organizada num mundo governando pela esquerda).
Desde sempre, o principal, senão o único, interesse que a esquerda teve pelas pessoas é o de controlá-las. Essa é a razão pela qual a esquerda tem medo e aversão aos referendos. Cada referendo dá às pessoas que ainda não são controlados pela esquerda a oportunidade cada vez mais rara de exercer o poder.
É isso o que o povo da Califórnia fez quando votou uma emenda para alterar a Constituição do seu Estado, para definir o casamento como uma união entre um homem e uma mulher. A esquerda abominou a proposta em si, rotulando-a como “discurso de ódio”. E, depois que ela foi aprovada, a esquerda fez o que ela sempre faz quando pode – usou o judiciário para revogar a vontade popular.
O povo britânico fez, na semana passada, a mesma coisa que os cidadãos da Califórnia fizeram. Eles exerceram sua vontade independentemente da esquerda. Aqueles britânicos cujas mentes ainda não foram influenciados pela esquerda disseram que eles preferem que a Grã-Bretanha permaneça britânica e autogovernada do que se torne um país europeu sem identidade e governado por Bruxelas.
Agora, a esquerda está furiosa: ninguém pode contrariá-la e sair impune. Assim como quase todo mundo que de alguma forma apoiou a Emenda na Califórnia acabou sendo punido (como o CEO da Mozilla Firefox, que, apesar de ser universalmente reconhecido por tratar bem todos os gays, foi demitido simplesmente por apoiar a noção de que o casamento deveria permanecer definido como sempre foi, como entre os dois sexos).
Os Estados Unidos deveriam ter um referendo sobre a possibilidade de sair da ONU, um deserto moral amado pela esquerda. No embalo do Brexit, os republicanos deveriam apoiar fortemente essa ideia, mesmo que os resultados não sejam vinculantes.
O Brexit representa um fio de esperança. Mas, no longo prazo, até mesmo os referendos podem perder sua importância. Enquanto a esquerda controlar a educação, a mídia e a indústria do entretenimento, as pessoas com lavagem cerebral irão votar para destruir suas nações e a civilização ocidental – como já vem ocorrendo na instituição mais controlada pela esquerda, a universidade.
Por enquanto, viva o referendo! A última alternativa restante para que quem não pertence às elites e nem à esquerda possa se expressar.”
(Dennis Prager, Why the Left Hates Referendums)

http://tradutoresdedireita.org

domingo, 5 de julho de 2015

A ideologia do gênero e a deusa democracia


“Há algo de desconcertante no debate que se tem travado nos últimos dias sobre a ideologia do gênero que os esquerdistas, aliados aos liberais, tentam impingir por todos os meios às nossas crianças da rede pública de ensino, após o Congresso Nacional ter recusado incluir no plano nacional de educação o vocabulário próprio desse discurso insano sobre o homem.
Com efeito, alguns articulistas parecem mais preocupados em denunciar a artimanha de que se valem os degenerados em sua empreitada de promover a revolução dos costumes e valores como uma violação das regras do jogo democrático do que em argumentar contra a tal ideologia do gênero como uma ameaça à sobrevivência da humanidade e uma gravíssima ofensa à ordem moral estabelecida pelo Criador. A impressão que se tem é que o valor supremo, que querem defender de qualquer ataque, de qualquer afronta é a democracia que se viu violada pela estratégia empregada pelo governo federal, ficando relegados a segundo plano a crítica e o combate à ideologia do gênero.
A esta lamentável insuficiência discursiva acresce outro problema: a patente incapacidade de alguns articulistas católicos de ver que há uma relação de causa e efeito entre o democratismo moderno e a rápida e crescente degenerescência da humanidade nos últimos anos desde quando a subcultura do democratismo, do “inclusivismo” e do discurso antidiscriminação passou a predominar em todos os âmbitos da sociedade.
Ora, é incontestável que a ideologia do gênero é apenas um fruto sazonado desse jardim do democratismo, no qual qualquer canalha atrevido, gozando da liberdade e da igualdade asseguradas pela constituição “cidadã”, sem sentir-se vinculado a nada e a ninguém a não ser à vontade própria, se julga soberano e a própria lei, acima de todo o resto da sociedade, que deve “respeitar” seu comportamento, porque cada um pode viver como quiser, com tal que não perturbe a “ordem democrática” ou o “Estado democrático de direito”.
É evidente que a democracia laica, fundada no dogma da soberania popular e inspirada pela nova religião cientificista, tem de aprovar a ideologia do gênero. Está na lógica dos seus princípios. A ideologia do gênero está em perfeita harmonia com a ideologia democratista moderna na medida em que ambas advogam em favor da soberania do indivíduo. É um grande equívoco pensar que a democracia é o regime da lei que organiza a sociedade em vista do bem comum, estabelecendo direitos e deveres dos homens segundo suas condições. A verdade é que não temos nenhuma garantia jurídica; basta ver que o Supremo Federal legisla, o Executivo atropela o Legislativo, e este último só negocia seus próprios interesses. O resultado é que não há autoridade política séria que governe a nação com prudência e conforme a lei.
Dentro dessa triste realidade é uma rematada tolice querer, na luta contra a implantação da ideologia do gênero, argumentar em defesa da legalidade democrática, não ousar afrontar os sentimentos democráticos do homem moderno e deixar de denunciar que a liberdade de “opção sexual”, o transexualismo, enfim a ideologia do gênero, é um dos sintomas de uma patologia moderna ainda maior chamada democratismo que fez do homem o Ser Supremo no lugar de Deus Nosso Senhor Rei das Nações.
Se Deus não existe, ou se cada um inventa o seu deus, se a sociedade não reconhece uma ordem moral objetiva, porque o poder emana do povo, se a liberdade individual não tem outro limite senão a própria conciliação dos arbítrios, é claro que tem de haver não só eutanásia, aborto, “casamento” homossexual, necrofilia, zoofilia, mas também mudança de “sexo”. Quem pode o mais pode o menos. Quem pode a eutanásia, por que não pode também a mudança de sexo? Se nas escolas se deve ensinar que a eutanásia é uma coisa normal diante do sofrimento físico, por que não se poderá ensinar a licença absoluta dos costumes?
Diante desse niilismo ético da democracia moderna, que deriva do dogma da soberania popular e da transmutação do dogma fora da Igreja não há salvação para o dogma fora da democracia não há salvação, só há um remédio: os católicos declararem um combate intrépido não só à ideologia do gênero, mas a sua causa natural, o democratismo. Um combate doutrinário que esclareça o verdadeiro sentido da política, como organização da cidade formada por um conjunto de famílias e não simples soma de indivíduos soltos, como a arte de promover o bem comum, a vida virtuosa em ordem ao fim último. É preciso também deslindar o erro que se formou em torno da noção de cultura e de sua relação com a natureza. Infelizmente, também neste ponto há vários jornalistas católicos que não têm sabido explicar essa questão ao tratar do erro da ideologia de gênero.
O fundamental, porém, é que se desmascare o erro da religião moderna: a tentativa que se verifica, desde o Vaticano II, de conciliar o inconciliável: a visão teocêntrica e a visão antropocêntrica do mundo, a concepção do mundo fundada na lei de Deus, na vontade de Deus, e a concepção do mundo em que o homem é soberano, “cidadão”, uma concepção de mundo em que só o homem é rei e Cristo, no máximo, será presidente por um mandato, sem direito à reeleição, de uma república universal, eclética, em que todas as religiões e indivíduos, sem nenhuma distinção, viverão como quiserem na nova Babilônia. Não haverá mais homens e mulheres procedentes de famílias e linhagens, mas só indivíduos. Só assim, não havendo mais homens nem mulheres, mas só indivíduos, em pé de igualdade, haverá liberdade absoluta. Sob a batuta do Anticristo, é claro.”

http://santamariadasvitorias.org

sábado, 25 de abril de 2015

Dinheiro e democracia

“Para entender o mal-estar que prostra as sociedades democráticas – expresso às vezes como desalento e ceticismo, às vezes como ira e indignação – deveríamos começar por esclarecer que a democracia, tal como nos foi pintada, é uma quimera irrealizável. Existe uma realidade histórica irrefutável: todas as sociedades humanas, com independência da forma de governo que impere nelas, estão regidas de fato por minorias. Sempre tem sido assim e sempre será. E são estas minorias as que realmente decidem, de forma efetiva direta ou indiretamente, sem reservas ou com disfarces, o destino das nações.
Ilusoriamente, às pessoas se fez crer que a democracia acabava para sempre com esta idéia hierárquica subjacente em toda ordem política; quando, na verdade, só se fez esconder, escamotear este elemento (e já se sabe que, quando algo se oculta, é porque não convém mostrá-lo). Assim, apresentou-se uma sociedade regida pela mais absoluta igualdade política, na qual os governantes não o eram em virtude de um princípio hierárquico, mas representativo; e deste modo se conseguiu encobrir um fato gigantesco e inquestionável, que é a rebelião da economia contra a política. Fato que começou a forjar-se no Renascimento, para desencadear-se na Revolução Francesa e alcançar o paroxismo em nossa época, na qual o poder político não só deixou de ser aguerrido defensor do povo contra essas forças econômicas desatadas, mas se tornou serviçal de tais forças, organizado em oligarquias encarregadas de pauperizar o povo, seguindo as ordens da plutocracia internacional (...).
Este poder oculto de uma minoria plutocrática é o que decide no destino das nações, de maneira sempre impiedosa e às vezes em sua desmedida voracidade sem incomodar-se sequer em dissimular a natureza monstruosa de seus desígnios. Assim se explica, por exemplo, como o Fundo Monetário Internacional (apenas um dia depois das eleições européias nas quais as oligarquias que mais servilmente trabalharam a serviço do poder econômico foram arrasadas!) teve a calma de reclamar condições ainda mais inclementes nas demissões, e também subidas nas taxas impositivas; reclamações que as oligarquias acabarão atendendo. Todo este latrocínio institucionalizado conseguiu dissimular-se nos anos anteriores mediante a instauração de um reinado das delícias universais (a busca da felicidade!) que aspirava a conseguir uma sociedade humana animalizada, passiva e covarde, “cidadania” submetida mediante o hipnotismo ideológico à mais depravada servidão espiritual, agarrada ao desfrute frenético dos benefícios democráticos, que podem resumir-se em alegrias paras as braguilhas e enxurrada de subvenções. As alegrias para as braguilhas nos deixaram em um par de gerações sem contribuintes que paguem nossas pensões; e à enxurrada de subvenções sucedeu uma pertinaz estiagem que, ademais, nos pega com as reservas exaustas."
(Juan Manuel de Prada, Dinero y Democracia)

sábado, 6 de dezembro de 2014

Os discursos maçônicos de Francisco em Estrasburgo

“Em 25 de novembro Francisco realizou uma viagem relâmpago à cidade francesa de Estrasburgo, durante a qual pronunciou dois discursos, um no Parlamento Europeu e outro no Conselho da Europa, duas das principais instituições laicas e maçônicas que fabricam leis contrárias à lei de Deus e que difundem a ideologia direito-humanista que anima todas as leis, diretivas, instituições e tratados europeus. O tom dos mesmos consistiu em uma peroração tipicamente bergogliana expondo uma série de lemas e de idéias força intrinsecamente subversivos e revolucionários, em total consonância com os sofismas fundadores da “civilização” moderna, maçônica e anticristã: naturalismo, deísmo, laicismo, humanismo, pluralismo e utopismo. Não farei uma análise exaustiva de todos os temas evocados em seus discursos, dado que se prestariam a um amplo desenvolvimento que excederia o marco destas breves linhas: selecionei somente algumas de suas declarações em relação ao papel que atribui às instituições européias, e que se situam nos antípodas da visão cristã do ser humano e da sociedade. Começo pelo discurso no Parlamento Europeu:
O centro do “ambicioso projeto político” da comunidade européia se baseia “na confiança no homem, não tanto como cidadão ou sujeito econômico” mas “no homem como pessoa dotada de uma dignidade transcendente (...). A dignidade é uma palavra chave que caracterizou o processo de recuperação” européia depois da segunda guerra mundial. “A percepção da importância dos direitos humanos (...) contribuiu para formar a consciência do valor de cada pessoa humana, única e irrepetível (...). A promoção dos direitos humanos desempenha um papel central no compromisso da União Européia, com o fim de favorecer a dignidade da pessoa (...). Trata-se de um compromisso importante e admirável.”
O regime revolucionário maçônico, liberal, laico e democrático foi constituído pela arrogância do homem que despreza a Jesus Cristo e à Igreja, que se pretende autônomo e isento de observar a lei divina e que não reconhece outra lei que não seja a que o “povo soberano” prescreve-se a si mesmo. Essa “civilização” anticrística, no sentido escatológico do termo, é aprovada, elogiada e promovida por Francisco, que recorda aos eurodeputados “a exigência de encarregar-se de manter viva a democracia, a democracia dos povos da Europa”, para explicar-lhes em seguida que “manter viva a realidade das democracias é um desafio deste momento histórico”, assegurando-lhes depois que a esperança para a Europa reside em “reconhecer a centralidade da pessoa humana”, no “compromisso em favor da ecologia”, em “favorecer as políticas de emprego” e em realizar a construção européia em torno da “sacralidade da pessoa humana”.
No segundo discurso, pronunciado no Conselho da Europa, agradece a seus membros por sua “promoção da democracia, dos direitos humanos e do estado de direito”, com o que legitima o regime democrático, revolucionário e liberal, baseado na “soberania popular” e na exclusão de Deus e da Igreja da vida pública. Ficam assim excluídos do “estado de direito”, por princípio, as monarquias cristãs ou os regimes políticos católicos refratários aos sofismas liberais e aos utopismos “progressistas”, assimilados pelo sistema direito-humanista a “tiranias” e a “ditaduras” intrinsecamente reprováveis. Disse-lhes que para obter a paz tão ansiada “é necessário antes de tudo educar para ela, abandonando uma cultura do conflito, que tende ao medo do outro, à marginalização de quem pensa e vive de maneira diferente”, fórmula totalmente naturalista que prescinde da ordem sobrenatural, da missão civilizadora da Igreja e da redenção operada por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Isso é muito diferente do que nos ensina a Igreja a respeito: “Só no dia em que os Estados e governos estimem ser um dever sagrado o ater-se aos ensinamentos e às prescrições de Jesus Cristo em suas relações interiores e exteriores é que chegarão a gozar de uma paz proveitosa, manterão relações de confiança recíproca e resolverão pacificamente os conflitos que possam surgir (...). Segue-se então que não poderá existir nenhuma paz verdadeira, a saber, a tão desejada paz de Cristo, enquanto os homens continuarem na vida pública e privada a não seguir com fidelidade os ensinamentos, os preceitos e os exemplos de Cristo. Uma vez assim constituída ordenadamente a sociedade, pode por fim a Igreja, desempenhando sua divina missão, fazer valerem todos e cada um dos direitos de Deus tanto sobre os indivíduos como sobre as sociedades. Nisso consiste a breve fórmula: o reino de Cristo (...). De tudo isso resulta claro que não há paz de Cristo sem o reino de Cristo.” (Encíclica Ubi Arcano, Pio XI, 1922)
Mas escusado será dizer que na visão naturalista de Francisco essas palavras de Pio XI não têm qualquer significado. Depois faz a seus ouvintes a seguinte pergunta retórica: “Como alcançar o objetivo ambicioso da paz?”, à qual responde do seguinte modo: “O caminho escolhido pelo Conselho da Europa é antes de tudo o da promoção dos direitos humanos, ao qual junta o desenvolvimento da democracia e o estado de direito. É uma tarefa particularmente valiosa, com significativas implicações éticas e sociais, visto que de uma correta compreensão desses termos e de uma reflexão constante sobre eles depende o desenvolvimento de nossas sociedades, sua convivência pacífica e seu futuro.”
Concluindo esta breve resenha: Toda a mensagem de Francisco se fundamenta no reconhecimento e na legitimação da ideologia iluminista e revolucionária dos “direitos humanos”, substituta do Evangelho e dos Mandamentos, e na promoção da falaz “dignidade da pessoa humana” que oculta a natureza caída do homem e a conseqüente necessidade na qual este se encontra de ser resgatado do pecado e salvo da condenação eterna pela graça divina comunicada por Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador, através da Igreja, seu Corpo Místico e única Arca de Salvação.
Essa verdade teológica básica foi expulsa da constituição política moderna do Estado liberal e revolucionário, que repousa no livre “contrato social” contraído entre indivíduos “autônomos” e “soberanos”, os quais, obedecendo à “vontade geral”, imaginam-se emancipados de toda lei superior diferente daquela que eles mesmos decidam atribuir-se: lei natural, lei eclesiástica, lei divina. É a atitude do homem rebelde que, renunciando a sua condição de criatura, dependente moral e ontologicamente de seu Criador, constitui-se origem do bem e do mal, adorando sua “dignidade transcendente e inalienável” como seu fim último e declarando-se a razão de ser da sociedade e do Estado.
A democracia moderna não é nada mais que a concretização social dessa atitude de rebeldia. Ela encarna eminentemente o “sereis como deuses” do Éden, traduzido em espúria teoria política pelos “filo-sofistas” da “Ilustração” e do “Século das Luzes”... O regime democrático é o eco temporal do “non serviam” pronunciado por Satanás nas origens da Criação. A democracia moderna não é pois senão a “Demoncracia”, a “Besta” do Apocalipse, que aguarda impaciente a chegada de seu líder derradeiro, aquele cuja missão será a de consumar a rebelião da humanidade contra Deus. Mas sabemos que a besta política será ajudada por uma segunda besta, que corresponde à religião adulterada, prostituída e prevaricadora, a qual também contará com um chefe emblemático, que fará com que os moradores da terra se submetam incondicionalmente à primeira, adorando-a. E é necessário reconhecer que Francisco, através de seus discursos de Estrasburgo, se situa inequivocamente na linha do falso profeta descrito por São João em sua visão escatológica, apresentando-se aos olhos do mundo como um cordeiro, mas falando como um dragão...”

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sábado, 17 de maio de 2014

Os defeitos da democracia política

“Os defeitos da democracia política como sistema de governo são tão óbvios, e têm sido tantas vezes catalogados, que não preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia política foi criticada porque conduz à ineficiência e fraqueza de direção, porque permite aos homens menos desejáveis obter o poder, porque fomenta a corrupção. A ineficiência e fraqueza da democracia política tornam-se mais aparentes nos momentos de crise, quando é preciso tomar e cumprir decisões rapidamente. Averiguar e registrar os desejos de muitos milhões de eleitores em poucas horas é uma impossibilidade física. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer: ou os governantes decidem apresentar o fato consumado da sua decisão aos eleitores – em cujo caso todo o princípio da democracia política terá sido tratado com o desprezo que em circunstâncias críticas ela merece; ou então o povo é consultado e perde-se tempo, freqüentemente, com conseqüências fatais. Durante a guerra todos os beligerantes adotaram o primeiro caminho. A democracia política foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita de ser abolido todas as vezes que surge um perigo dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.”
(Aldous Huxley, Sobre a Democracia e Outros Estudos)

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sexta-feira, 28 de março de 2014

A corrupção é inerente à democracia

“Pode-se dizer, sem medo de exagerar nem de equivocar-se, que a “corrupção” é gerada pelo próprio “Sistema democrático” e que ela opera como uma espécie de “óleo” que lubrifica e mantém em funcionamento as peças do Sistema. Em sua própria essência se encontra a origem ou germe dessa enfermidade moral, particularmente em tudo que se relaciona com o “dinheiro” ou com o “poder do dinheiro”, conforme o seguinte raciocínio:
- Na sociedade política moderna o Poder Político se fundamenta na vontade geral do povo, que resulta da soma indiferenciada das vontades individuais (maioria) e cujas decisões se caracterizam por serem ilimitadas, inapeláveis e infalíveis (onipotência do número). Somente o número, a quantidade anônima e impessoal, decide – como suposto soberano – sobre o bem e o mal, o justo e o injusto etc, além de eleger os que o representam e governarão. Dessa forma se consagra a primazia da quantidade sobre a qualidade.
- Em termos práticos, a expressão da vontade geral requer – para os políticos que querem ser eleitos – contar com a opinião favorável das multidões. A formação de uma opinião favorável, na sociedade moderna, se realiza através dos meios de comunicação (rádio, TV, internet, jornais e revistas, livros, propaganda das ruas etc). O elemento indispensável para poder ter acesso aos meios de comunicação é o dinheiro. Sem dinheiro não há meios de comunicação nem propaganda. Por sua vez, sem meios de comunicação nem propaganda não há opinião. Sem opinião não há eleitores ou votos favoráveis.
- Por outro lado, incentiva-se a opinião favorável, mui freqüentemente, mediante a demagogia e a adulação à multidão, a qual se transforma – e se comprova em todas as civilizações e épocas históricas – em matéria pronta para ser conduzida por aquele que mais a corrompa e prometa.
- Em conseqüência, o dinheiro é o gerador “nas sombras” de todo poder eleito na sociedade moderna, de todo poder baseado na vontade geral e de todo poder mantido na dependência da opinião.
Conforme o raciocínio exposto, deduz-se por simples lógica que os políticos e a partidocracia têm uma necessidade vital em relação ao “dinheiro”, primeiro para serem eleitos e depois para manterem-se no poder mediante uma nova reeleição. E essa “necessidade vital de dinheiro” ou “caixa” foi-se incrementando com o avanço da modernidade e dos desenvolvimentos tecnológicos e o aumento da complexidade social, só podendo ser satisfeita se o “dinheiro” é obtido por alguma destas três fontes:
- De sua riqueza pessoal, conseguida previamente a ser eleito.
- De alguém (empresa, amigo, agiota etc) que o doa, presenteia ou empresta sob determinadas “condições” que deverão ser cumpridas desde o posto alcançado na função pública.
- Do roubo no exercício da função pública (malversações, propinas, comissões, participação na propriedade etc através dos processos licitatórios ou de concessões etc); ou do roubo ou assalto usando a violência física (carros-fortes, bancos, comércios, particulares etc).
Além dessas três alternativas e alguma eventual variante, os políticos e a partidocracia não têm outras opções para obterem o que é a “matéria prima” para a obtenção de um cargo ou posto eletivo, em qualquer dos níveis do Estado.
Em conseqüência, se nos perguntamos qual é a relação entre o Poder Político e o Poder do Dinheiro, conclui-se o seguinte: enquanto o Poder Político predomina em termos ideais e teóricos sobre o Poder do Dinheiro, na prática e da observação da realidade histórica surge que o Poder Político é servil e subordinado ao Poder do Dinheiro, porque é influenciado por este último. (…)
Ora, essa situação de servidão e subordinação do Poder Político em relação ao Poder do Dinheiro continua no exercício do poder. A razão é simples e responde à ambição humana: os que estão no poder querem manter-se nele durante todo o tempo que possam, para o qual devem ser reeleitos. Chegados a este ponto, vêem-se novamente obrigados a reiniciarem o ciclo perverso descrito anteriormente. Dessa maneira, necessariamente, estarão subordinados ao “Poder do Dinheiro” durante o exercício de seu mandato – porque aquele é a fonte de seu poder e tem capacidade para confirmá-los em cada eleição – e, portanto, deverão ser dóceis a suas ingerências ou ordens. (…)
Os que amam e morrem pela “democracia” inexoravelmente devem se acostumar a conviver com a “corrupção”. Basta de simulação e hipocrisia barata.”
(Santiago Roque Alonso, Dinero, Democracia, Control y Corrupción)

domingo, 2 de março de 2014

O Cristianismo é contrário à democracia

“Se em matéria política há algo claro na Sagrada Escritura e na doutrina do Magistério eclesiástico é a verdade de que o cristianismo é contrário à democracia. Nada na história do povo de Deus nem na história da Igreja leva a crer que na vida pública deve-se fazer a vontade do povo – o democrático -; e, pelo contrário, tudo leva a crer que na vida pública deve-se fazer a vontade de Deus. Está claro que se, na mente de Deus, o melhor regime fosse a democracia, Deus teria proposto a Moisés e Jesus Cristo teria proposto à sua Igreja o regime democrático. E no que concerne ao regime das ordens religiosas, no qual alguns quiseram ver o início da democracia moderna, como se vê em “Le principe de la majorité” de C. Leclerq, inicialmente, nas ordens religiosas e nos mosteiros decidia a “sanior pars” - a parte mais sã ou seleta -, não a “maior pars” - a maioria -. Só se chegou na organização religiosa à democracia “monacal”, como diria Menéndez Pelayo, quando “a parte mais sã” coincidiu com “a maioria”: pois a maioria numa comunidade religiosa é boa, e o mal numa comunidade religiosa é a minoria; ou seja, quando a vontade da maioria de uma coletividade – religiosa ou civil – coincide de fato com a vontade de Deus, não é inconveniente, mas conveniente o regime democrático. Pelo contrário, quando a vontade da maioria dos cidadãos é distinta e contrária à vontade de Deus, desconforme à Lei de Deus, é má a democracia, não é conveniente a democracia, na medida em que contraria a Lei natural, o direito natural. Por isso, o regime democrático é bom para uma coletividade de verdadeiros cristãos, de católicos que pensam e querem e agem conforme a vontade de Deus, na mesma medida que é um regime mal numa sociedade pluralista, numa sociedade onde os cidadãos fazem caso omisso do saber e do querer de Deus.
Há outro discurso perfeitamente claro e conclusivo: a democracia liberal, o que vulgar e comumente se chama democracia, se baseia no liberalismo filosófico, quer dizer, no racionalismo – a crença de que nada há válido se não for racional – e no naturalismo – a crença de que se deve rejeitar tudo aquilo que se apresente com pretensões de sobrenatural. De fato, a democracia espanhola atual, tal como a francesa, a britânica, a sueca, a estadunidense, a italiana etc, está baseada em princípios puramente racionalistas e naturalistas, ateus ou, o que equivale na prática, laicistas, laicos. É assim que o liberalismo filosófico (como se vê na encíclica “Libertas”, de Leão XIII, e no “Syllabus”, de Pio IX) é contrário à fé e à filosofia e teologia políticas do catolicismo; logo, a democracia liberal é contrária e incompatível com o catolicismo, com o cristianismo autêntico. Isto quer dizer que quem deseja ser substantivamente católico só pode ser democrata adjetivamente, secundariamente, acessoriamente, ou seja, falsamente. E vice-versa. Vemo-lo já na Lei mosaica: “Não te deixes arrastar ao mal pela multidão” (Ex. 23,2); o fiel a Deus não pode aceitar a lei que lhe imponha democraticamente a multidão, se for contrária à Lei de Deus. E na mesma Lei mosaica se considera a possibilidade de “a assembléia toda do povo” fazer “algo que os mandamentos de Javé proíbem”, dado que na Bíblia “a voz do povo não é a voz de Deus”. Ali se diz qual deve ser o sacrifício que o povo deve oferecer “pelo pecado da assembléia” (Lev. 4, 13-21). Daí que o filho de Deus deve ser um resistente e objetor de consciência constante na democracia laica. E, por isso, Pio XII, em sua rádio-mensagem de Natal em 1944, aceita somente a “democracia sã”, a que respeita a Lei de Deus. Luís M. Ansón, diretor geral da agência de notícias EFE, publicou no ABC de Madrid (13/10/59) um belo artigo intitulado “Pio XII e a democracia” com textos de vários papas demonstrando que o cristianismo é contrário à democracia.
Por isso, os que se declaram pró-democratas, “ipso facto” se colocam em contradição com a doutrina católica ensinada pela Tradição, as Escrituras e os Papas.”
(Rafael Gambra, Cristianismo contra Democracia)

sábado, 29 de junho de 2013

Menos democracia, mais civilização

“A CANAILLE toma as ruas, faz terrorismo guarani-kaiowá e pede que o estado seja democrático e conceda passe-livre. O estado democrático, por sua vez, eleito pelos mesmos sacripantas que hoje tomam as ruas, faz valer o poder coercitivo supostamente assinado por vocês e por nós outros naquele suspeitíssimo negócio que chamam de ‘contrato social’ (nunca vi) e solta os cavalos e desce os porretes. A imprensa mainstream – uns poucos contra, outros muitos a favor da balbúrdia – denuncia que o estado democrático não foi democrático de verdade quando soltou os cavalos e desceu os porretes. E cobra democracia. E nós outros sabemos, ou deveríamos saber, que pedir democracia é pedir para apanhar.
Você divide seu voto por, quantos?, cento e não sei quantos milhões. Seu voto vale zerozerozerozerozero-etc-um. Não vale nada, enfim. Daí você pede, chora, sapateia: passe livre, direito de ser vadia e não ser tratada como puta, direito de ser puta e não ser tratada como vadia, divórcio, casamento gay, divórcio gay, aborto, adoção gay, meia entrada pros, aspas, estudantes, lei não sei das quantas que garanta que a meia entrada dos, aspas, estudantes não atrapalhe o orçamento dos artistas (com ou sem aspas), e bolsa isso e bolsa aquilo, que o estado permita, que o estado proíba, que o estado ao menos prometa que vai pensar, que o estado discuta relação e tudo o mais que lhe der na veneta. Democracia é realismo fantástico.
O estado democrático faz o que? Atende seus pedidos. Daquele jeito dele, sabe-se bem, mas de algum modo ele atende. E seus representantes dizem na tv que você é um cidadão e tem de votar. O cidadão acredita piamente nos milagres do sufrágio universal e digita os números do celerado da vez e da camarilha correspondente. O celerado da vez, para ser eleito, promete aquelas coisas todas que já se sabe quais são, mais algumas outras que nem sequer foram cogitadas, e diz que pretende ‘aprofundar a democracia’. E você fica feliz.
Mas aqui começam os problemas. O estado, para atender às demandas, meu caro eleitor, manda mais e mais em você e se mete mais e mais na sua vida. E não porque ele seja necessariamente mau. Mas é sua natureza, seu modus operandi: para cumprir o que se espera o estado tem de crescer, tem de ampliar seu campo de atuação e dilatar e estender o alcance de suas competências.
Ele passa a ter mais poder – que lhe foi outorgado – justamente porque você, que o sustenta, quer ter mais poder. O estado tira mais do seu dinheiro, diz o que é moral você fazer ou deixar de fazer, regulamenta cada ato, cada falta de ato. Se a bancada evangélica ou cristã é maior, durante quatro, oito, doze anos veremos uma atuação política toda cheia de preocupações com a moral e os bons costumes (farisaica). Mas os cristãos, ficamos felizes. O problema é que quatro, oito, doze anos mais tarde tipinhos inacreditáveis como Jean Wyllys chegam ao poder – legitimamente, considerado o sistema representativo – e temos então a bancada gay, o discurso gay, as preocupações gays.
Se o estado serve para alguma coisa (e não estou certo sobre), serve precisamente para equalizar as relações entre os cidadãos – à parte todo o peso de suas diferenças – perante a lei e o direito. Se o estado serve para alguma coisa, serve como arcabouço jurídico que garanta a isonomia, a equanimidade nos julgamentos.
Esperar do estado muito mais do que isso – salvo em questões emergenciais – é esperar que os pretendidos direitos e mimos que você exige compensem as restrições progressivas à sua liberdade. Nunca compensam. E a quem você vai reclamar quando o estado suprimir suas liberdades (voltar ao início do texto: ‘faz valer o poder coercitivo etc’)? Ao estado novamente, para que seja mais democrático e mais isso e mais aquilo. Samsara.
Precisamos de menos estado. Precisamos de menos democracia – muito menos democracia – e mais civilização. Democracia é só um arranjo muito vagabundo que de uns tempos pra cá nós enfiamos na cabeça que é a única coisa que funciona. E não é. Mas dá preguiça pensar, não é mesmo? Democracia é passe-livre. Mas também é gás-pimenta.”
(Gustavo Nogy, Democracia: Modos de Usar)

http://www.adhominem.com.br/2013/06/democracia-modos-de-usar.html

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Os paradoxos da democracia

“Três paradoxos fundamentais, além de alguns outros de menor importância, viciam o chamado ideal democrático.
O primeiro é o seguinte: a democracia exalta, duma forma especial, a liberdade. À liberdade são dirigidos os mais frenéticos ditirambos e manifestados sentimentos de uma devoção extraordinária. Houve até quem aludisse (Croce) à religião da liberdade como algo em extremo meritório e de aplaudir.
Ora bem! Se a liberdade é um valor, que a ninguém é lícito negar, então a liberdade surge como um imperativo que não suporta contestações. E é isso admissível? A liberdade, nesta altura, constitui qualquer coisa que se sobrepõe às vontades dos homens. Simplesmente, que cada homem faça o que quer não é o que define a liberdade?
Quer dizer: a liberdade, tomada qual norma obrigatória, nega afinal o que é a sua essência.
Admitamos, agora, que a liberdade não é obrigatória, não pretende que todos a respeitem. Eis, então, que é lícito destruir a liberdade. Esta, para não se transformar em regra coercitiva (recordamos o lema não há liberdade contra a liberdade, lema que é flagrante contradição nos próprios termos), passa a dar por legítimo o seu aniquilamento. E eis que também se nega a si própria, porque aceita, qual direito, o combate (acaso vitorioso) contra a liberdade.
Por conseguinte, em qualquer das duas hipóteses (e não há outras) que formulamos, a liberdade auto-aniquila-se. Ela é, portanto, encarada como valor, um erro.
O segundo paradoxo democrático reside no chamado respeito pela eminente dignidade da pessoa humana. Esta é considerada um fim em si, que ninguém tem o direito de desrespeitar. Mas quem é capaz de desrespeitar a pessoa humana? Obviamente, as pessoas humanas e só elas. Os animais ferozes podem ferir de morte a pessoa humana, a natureza pode esmagá-la, mas desrespeitar implica uma tomada de posição ética, que, unicamente, é possível seja assumida por pessoas humanas.
Quem não vê, contudo, que chegamos a um nítido paralogismo? Faz-se da pessoa um objeto de respeito, quando a pessoa é o único ente que desrespeita tal objeto.
Claro que talvez se invoque a tese de que é obrigatório, para as pessoas, o respeito da pessoa. Em tal conjuntura passa-se algo de análogo ao que se passa com a liberdade. O respeito da pessoa, sendo um imperativo irrecusável, para subsistir leva ao desrespeito pelas pessoas pois que as força a aceitar o que elas porventura querem repelir (exatamente o respeito pela pessoa).
Donde se segue que, numa ou noutra eventualidade, a tese do respeito conduz à sua própria eliminação.
O terceiro paradoxo da democracia está no governo do povo pelo povo. Conexiona-se ele, patentemente, com a liberdade e a dignidade da pessoa humana. Sustenta-se que quem se não governar a si não é livre, não sendo respeitada a sua dignidade pessoal.
Segue-se, daí, que a liberdade e a dignidade da pessoa exigem o autogoverno dos homens, logo, coletivamente, o governo do povo pelo povo. Acontece, todavia, que o governo do povo pelo povo é concepção insustentável.
Se o povo governa não há governados. E se não há governados, de que modo falar em governo?
Objetar-se-á, porventura, que em democracia, não é o povo quem diretamente governa, mas os seus representantes.
Admitamo-lo. Esses representantes devem ser quem melhor expressa a vontade do povo e para isso, diz-se, é que são por ele escolhidos.
Só que para o povo escolher os melhores precisa de ter mais competência do que aqueles que escolhe (o maior jamais deriva do menor). E nessa altura os escolhidos nunca serão os melhores, ao invés do que se pretende.
E se se sustentar que ao povo não interessa escolher os melhores? Nessa altura, é ele sempre mal representado.
Num ou noutro, pelo mecanismo da eleição, a vontade popular não conseguirá ser adequadamente manifestada. E resta então voltar ao governo direto do povo, que é insustentável.
De tudo quanto dissemos, uma conclusão se extrai. O chamado ideal democrático é o mais aberto e declarado absurdo.”
(António José de Brito, Os Paradoxos da Democracia)

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Efeitos da democracia sobre as famílias

“Não é preciso dizer que a família sofreu cruelmente nas mãos da democracia. Depois que todos os homens foram declarados iguais, a família deixou de existir juridicamente como a unidade política básica de governo e foi substituída pelo indivíduo, o que pulverizou a sociedade como um todo ao privá-la de seu princípio natural de coesão. Hoje uma família extensa de parentes e serviçais é uma raridade. A democracia desferiu um golpe particularmente certeiro na família ao igualar os sexos como indivíduos, sem levar em conta sua complementaridade natural como “uma só carne” diante da lei, onde um sexo funcionava como a cabeça da família e o outro como seu coração. O casamento se tornou uma parceria entre iguais, e os homens passaram a usar alianças de casamento, como suas esposas.
Em virtude do sufrágio universal, das classes mistas, do feminismo e do unissexismo, os sexos que Deus projetou para cooperação íntima foram não apenas configurados para operar independentemente um do outro, mas transformados em rivais amargos tanto no mundo em geral quanto no lar, onde sob a lei civil as esposas não estão mais sujeitas à autoridade de seus maridos. Em nome da liberdade individual, o divórcio e a contracepção rapidamente foram aceitos como componentes normais da vida conjugal, e sob o pretexto da defesa dos “direitos das crianças”, os pais já podem até perder o que restava da autoridade dada por Deus que tinham sobre sua descendência. Hoje em dia um pai não tem poder para evitar o aborto de seu filho ainda não nascido caso sua esposa decida matá-lo.
Os católicos há muito tempo deixaram de considerar a família uma unidade política, mas até sua estrutura sacramental foi afetada depois que o Concílio e a encíclica de Paulo VI Humanae vitae igualaram as duas finalidades do casamento – a unitiva e a procriativa – colocando o amor conjugal mútuo no mesmo nível da geração de filhos, que até então havia sido seu principal propósito. Isso não apenas abriu caminho ao “divórcio Católico” sob o disfarce de anulações facilmente concedidas por motivos psicológicos, mas levou a uma verdadeira promoção do controle de natalidade disfarçado daquele velho método de prevenção de nascimentos maniqueu-malthusiano hoje vendido como “planejamento familiar natural”. Até então considerado lícito apenas em casos excepcionais, esse método pecaminoso e psicologicamente nocivo, já denunciado por Santo Agostinho, hoje é obrigatório nas instruções pré-nupciais da maioria das dioceses, a fim de que, nas palavras da Humanae vitae, os casais que não desejem filhos por quaisquer motivos sérios possam ser capazes de “manifestar sua afeição e garantir sua fidelidade mútua” durante os períodos inférteis da mulher.
Isso estava inteiramente de acordo com a restrição do Concílio de que “segundo o inalienável direito ao casamento e à procriação da prole, a decisão acerca do número de filhos depende do reto juízo dos pais,” que “devem ser judiciosamente informados acerca dos progressos científicos alcançados na investigação dos métodos que ajudam os esposos na determinação do número de filhos.” Assim, a ciência moderna e a democracia trabalham em conjunto, e permanecendo proibido apenas o controle de natalidade “artificial”, o prazer sem descendência foi introduzido no próprio seio da família Católica, uma abominação a favor da qual não pode ser citado nenhum santo, nenhum doutor da Igreja ou qualquer outra autoridade canonizada anteriormente a Pio XII.
No mundo secular até mesmo a básica estrutura trinitária da família está dando lugar à democracia, pois a família está sendo redefinida como qualquer grupo de indivíduos, de qualquer orientação sexual, que escolham viver juntos sob o mesmo teto. Já se permite que homossexuais ativos adotem crianças ou as produzam sozinhos, com o auxílio do laboratório, fora da relação heterossexual normal. Não é preciso dizer que o casamento há muito deixou de constituir uma união sacramental dentro do Corpo Místico que se contrai primeiramente entre famílias. De acordo com os princípios democráticos, o casamento tornou-se simplesmente um negócio privado entre dois indivíduos agindo inteiramente sozinhos e servindo a seus próprios fins e preferências pessoais. Com bastante freqüência as famílias assim unidas são completamente estranhas umas às outras, encontrando-se pela primeira vez, se é que se encontram, somente depois do casamento.”
(Solange Strong Hertz, The Sixth Trumpet)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A democracia não visa o interesse da comunidade

"Dado que regime e governo significam a mesma coisa, sendo o governo o elemento supremo em toda a cidade, necessariamente será supremo um indivíduo, ou sê-lo-ão poucos, ou muitos. Quando o único, ou os poucos, ou os muitos, governam em vista do interesse comum, esses regimes serão necessariamente retos. Os regimes em que se governa em vista do único, dos poucos, ou dos muitos são transviados. Ou bem que o nome de cidadão não pode ser atribuído a quem participa no regime, ou, se o nome é atribuído, todos devem participar nas vantagens.
De entre as formas de governo por um só, chamamos realeza à que visa o interesse comum. Chamamos aristocracia à forma de governo por poucos (mas sempre mais do que um), seja porque governam os melhores ou porque se propõe o melhor para a cidade e os seus membros. Finalmente, quando os muitos governam em vista ao interesse comum, o regime recebe o nome comum a todos os regimes: “regime constitucional”. Existe uma boa razão. É possível para um, ou poucos, distinguir-se pela excelência; mas dificilmente um maior número de cidadãos poderá atingir a perfeição em todos os tipos de virtude. Esta perfeição, contudo, é atingida no valor militar que se evidencia nas massas. Esta é a razão pela qual as forças de defesa são o elemento supremo do regime, e nele participam os possuidores de armas.
Os três desvios correspondentes são: a tirania em relação à realeza; a oligarquia em relação à aristocracia; a democracia em relação ao regime constitucional.
A tirania é o governo de um só com vista ao interesse pessoal; a oligarquia é a busca do interesse dos ricos; a democracia visa o interesse dos pobres. Nenhum destes regimes visa o interesse da comunidade."
(Aristóteles, Política)

http://nacional-cristianismo.blogspot.com/2010/11/aristoteles-democracia-nao-visa-o.html

domingo, 30 de maio de 2010

Democracia e totalitarismo


“O sonho do socialismo é ingênuo porque a simples igualdade não destrói automaticamente a opressão. O igualitarismo pode ser tão opressor como qualquer tirania. Tocqueville há muito tempo já observara que o totalitarismo democrático não é uma contradição em termos, e que os americanos são ingênuos se acham que por si mesma a estrutura política da democracia os protegerá do totalitarismo. Pois democracia e totalitarismo não são respostas opostas a uma mesma pergunta e sim, respostas a duas perguntas diferentes, e como tais podem ser compatíveis. Democracia é uma resposta à questão: Em quem está localizado o poder sócio-político? A resposta é: no povo em geral. Totalitarismo é uma resposta à questão: Quanto poder devem ter as autoridades sócio-políticas? A resposta é: poder total, poder de remodelar a vida humana, o pensamento humano, a própria natureza humana.”
(Peter Kreeft, C. S. Lewis for the Third Millennium)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A antítese entre o liberalismo e a palavra de Deus


“Prega-se a democracia como um valor que transcende a pessoa e a sociedade em todas as suas dimensões, como uma marca que imprime caráter não só à política, mas a todas as manifestações do espírito humano: à educação, à cultura, à ciência, à economia, à arte, à moda. Trata-se, em uma palavra, de criar algo sagrado, intocável, dogmático, em escala universal, de tal maneira que chegue a substituir a Deus como explicação última do sentido da vida. Por isso dizia acertadamente Donoso Cortés que a democracia é o eco humano da rebelião do anjo caído. Esse eco se reflete na antítese que formula a doutrina liberal contra a palavra de Deus no Evangelho de São João, capítulo 8, versículo 32: "a verdade vos fará livres." Quer dizer, a verdade gera a liberdade, palavras que o liberalismo vira pelo avesso com estas outras: a liberdade gera a verdade. E como os efeitos participam da natureza de suas causas, e a liberdade é pessoal, subjetiva, variável, a verdade que ela fabrica e elabora terá seus mesmos caracteres. Não será portanto objetiva, mas subjetiva, não será absoluta, mas relativa, não será imutável, mas variável, não será "a verdade", mas "minha verdade", "tua verdade", "sua verdade". Dessa maneira, a faculdade intelectiva fica subordinada à volitiva, o entendimento à vontade, a luz às trevas, a ordem objetiva à ordem subjetiva. Alcançamos o relativismo, e com o relativismo o ceticismo. Essa é a origem corrosiva e devastadora do liberalismo, cuja expressão polifacética é a democracia.
Seus efeitos são denunciados pelo mesmo Donoso Cortés nestes termos: “Assim como a palavra de Deus retamente interpretada é a única capaz de dar a vida, assim também essa mesma palavra desfigurada, mal interpretada, é capaz de produzir a morte.” Recordar, por exemplo, a transformação de conceitos sagrados que opera o progressismo eclesiástico: o Salvador se transforma em libertador do proletariado, a salvação da alma em salvação de servidões econômicas, a caridade, virtude teologal, em amor humano e filantropia, o reino espiritual de Cristo em reino temporal e terreno, a dimensão vertical até Deus em dimensão horizontal até a humanidade, o teocentrismo em antropocentrismo. Pois bem, o liberalismo, igualmente, ao desfigurar, ao inverter o sentido das palavras de Jesus Cristo, ao fundar a verdade na liberdade e não a liberdade na verdade, produz a morte da ordem real objetiva e, como conseqüência, a morte da ordem política, social e econômica.”
(Julián Gil de Sagredo, La Democracia como Fuente de Subversión)

http://www.istoecatolico.com.br/index.php/Artigos/Diversos/Por-Julian-Gil-Sagredo.html