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domingo, 7 de julho de 2019

França criminaliza sites pró-vida


“A lei de “interferência digital” dirige-se, segundo o texto da mesma, a impedir o funcionamento de sites que “deliberadamente enganem, intimidam e/ou exerçam pressão psicológica ou moral para desencorajar o recurso ao aborto” e prevê multas até 30 mil euros para quem os operar.
A lei foi aprovada pelos partidos de esquerda, os de direita votaram contra, com Bruno Retailleau, do Partido Republicano, a criticar a lei como sendo “totalmente contrária à liberdade de expressão”. O senador diz ainda que a nova lei contradiz o diploma que legalizou o aborto, em 1975, e que pede que as mulheres sejam informadas das alternativas a esta prática.
Do Partido Democrata Cristão também chegaram críticas, com Jean-Frédéric Poisson a apontar para a ironia de o Governo estar apostado em encerrar sites pró-vida enquanto se recusa a fazer o mesmo a páginas de internet que promovam uma visão fundamentalista e violenta do Islão, por exemplo.
Pelo menos dois bispos também condenaram a nova lei, nomeadamente o cardeal Vingt-Trois, de Paris que acusa o Governo de estar “obcecado” com o aborto e o arcebispo Georges Pontier, de Marselha, a dizer que a lei constitui um sério ataque aos princípios da democracia.
A nova lei surge poucos dias depois de o Governo ter proibido a transmissão de um anúncio dirigido a mulheres grávidas de crianças diagnosticadas com trissomia 21. No vídeo aparecem vários jovens com trissomia que explicam tudo o que as pessoas com esta condição podem alcançar na vida e na família, mas a entidade que regulamenta os conteúdos televisivos e, após recurso, o Conselho de Estado, consideram que o visionamento do anúncio pode perturbar a consciência de mulheres que tenham optado, na mesma situação, por abortar.”

http://rr.sapo.pt

domingo, 22 de julho de 2018

De cabeça para baixo


“É engraçado, mas de um modo trágico, pensar nos paradoxos do nosso tempo.
Vivemos uma época na qual toda a sociedade civil na Europa Ocidental está, confusa mas já notavelmente, começando a prestar atenção a sua herança cristã enquanto o Papa e o Vaticano tentam islamizar o Continente Europeu.
Estamos testemunhando um esforço agressivo para conter o aborto nos EUA, e talvez livrar-se dele completamente, enquanto o Papa reinante nos diz para não nos obcecarmos com o aborto.
Estamos testemunhando um Papa chamando não-cristão o que os cristãos de todas as épocas têm feito – erguer muralhas para defender suas fronteiras e controlar entradas – enquanto ele vive cercado por muros que levam o nome de um Papa.
Vivemos uma época de absurdos, na qual a Santa Igreja se encontra desfigurada, ainda que obviamente não destruída por sessenta anos de sodomia e apaziguamento, e reduzida à maior força planetária a favor do Socialismo, enquanto países como a Venezuela são devastados pela mesma estupidez propagada pelo Papa, à vista de todos.
A ironia está no seguinte: que a forte Igreja do passado podia mudar o curso da história, iniciar cruzadas, deter os otomanos, moldar o Ocidente; ao passo que a igreja homossexual de hoje mal consegue manter seus cardeais sodo-predadores fora das grades, e na verdade só consegue fazer com que as pessoas fiquem contra sua recém-fundada ideologia socialista e ambientalista.
Os sodomitas dentro da Igreja deslocam-na em direção a um entendimento laico e terreno da vida. Mas o mundo a rejeita. De fato, ele lentamente se move na direção oposta, para aqueles mesmos valores que ela não protege ou sequer condena: defesa da vida nos EUA, defesa da herança cristã na Europa.
Que trágico e completo fracasso. Mas que glorioso e pequeno raio de esperança estamos vendo chegar dos EUA e de partes da Europa, firmemente decididos a marchar na direção oposta de um Papa que só podem, e com razão, desprezar.
Em um mundo de cabeça para baixo, muitos estão aprendendo a lutar por decência sozinhos; devagar e confusamente, é verdade, mas sem sequer o apoio daqueles que mais os deveriam ajudar.
Orem pela recuperação da sanidade dentro da Igreja. Quando tivermos isso, seremos imparáveis.”

https://mundabor.wordpress.com

domingo, 24 de junho de 2018

A Argentina aprova a lei do aborto com o silêncio do papa argentino


“Faltando ainda a sanção do Senado, e em um dia fatídico, a Argentina aprovou o assassinato de crianças, liberando o aborto legal, em uma votação de 129 votos a favor, 125 contra e uma abstenção. O projeto aprovado, que legaliza o aborto, passará agora a discussão no Senado.
Haverá caminho livre para o assassinato até a 14ª semana de gestação; e o aborto poderá ser praticado sem limitação alguma até os 9 meses, levando-se em conta as causas de estupro, risco de vida e saúde da mãe e inviabilidade fetal (com possibilidade de aborto para todos os bebês que apresentem qualquer deficiência).
Desde que em fevereiro o presidente Macri liberou o debate, o processo foi rápido, e com muito poucas vozes institucionais que o enfrentaram; com a exceção dos deputados que foram animados pela maré humana em batalha constante pela vida, que em nenhum momento baixou os braços. Além disso muito poucas vozes potentes na Igreja se opuseram a esta barbárie, entre as quais se destacou a do Monsenhor Aguer, até o passado dia 2 de junho Arcebispo de La Plata, que afirmou que o governo de Macri “é um governo sem princípios de ordem moral e natural.”
Um trabalho, o de Aguer, seus sacerdotes, e dos outros prelados de sã doutrina, que foi admirável, apoiando as inúmeras intervenções contrárias ao projeto de lei abortista, por parte de juristas, médicos, representantes de grupos pró-vida etc, assim como das muitas marchas multitudinárias, em Buenos Aires e nas principais cidades argentinas, em favor de manter a legislação vigente e contrárias à legalização do aborto.
O mais triste: liberação para assassinar crianças na Argentina, que se soma à ordem mundial imposta; e que, salvo milagre no Senado, será aprovada definitivamente.
E o segundo grande motivo de tristeza: que não tenha havido nem uma palavra de alento ou consolo para os defensores da vida que proviesse de Roma. Silêncio. Como na Irlanda. Silêncio. Silêncio vergonhoso e cúmplice com a Nova Ordem Mundial, a ONU, a barbárie, o assassinato de inocentes em massa, o feminismo radical e as ideologias de gênero.
Nestes dias o Papa Francisco falava de futebol, e brincava com o mundial e com a seleção argentina. Sem dúvida mais nos teria valido a todos, e principalmente a sua alma, que tivesse falado dando apoio à seleção de lutadores pela vida na Argentina. Que têm sido muitos. Muitos! Mas que têm estado quase sozinhos.
Senhor, tem piedade de nós.”

https://infovaticana.com

sábado, 7 de abril de 2018

O início da vida humana


“A defesa da vida, cujos maiores inimigos atuais são os favoráveis ao aborto, passa pela compreensão de quando inicia a vida humana. A resposta a esta pergunta é dada pela própria ciência biológica, através da Embriologia Humana, e não é necessário que se recorra a argumentos teológicos para lidar com a questão. O objeto da Teologia, que também é uma ciência, é outro, apenas isto. O mesmo acontecendo com a Filosofia, o Direito, etc.. - são ciências, com seus objetos próprios, mas que não têm a contribuir para a questão do conhecimento de quando inicia a vida humana.
A questão do aborto está diretamente ligada a esta compreensão do início da vida humana. É exatamente neste ponto, no início de uma nova vida, que a retórica abortista mais se sente à vontade para dar vazão ao seu discurso de termos pejorativos ao nascituro: “amontoado de células”, “simples tecido”, “parasita”, etc. Esta fase da vida humana é a mais fácil de ser utilizada por estes grupos para seus rotulamentos. Tais termos são usados com um único objetivo: desumanizar o nascituro, negando-lhe aquilo que já está presente desde sua concepção e que lhe é mais importante, sua humanidade.
Porém, dizer que o fruto da concepção não é uma vida humana, como inúmeros abortistas dizem, não encontra qualquer respaldo científico. O afirmado pela Embriologia Humana é exatamente o contrário, que a vida humana tem seu início na concepção. As citações abaixo, em tradução livre, são retiradas de livros que são referência na área de Embriologia Humana.
Keith Moore and T. V. N. Persaud, The Developing Human: Clinically Oriented Embryology (6th ed. only) (Philadelphia: W. B. Saunders Company, 1998):
"O desenvolvimento humano é um processo contínuo que inicia quando um oócito (óvulo) de uma fêmea é fertilizado pelo esperma (ou espermatozóide) de um macho"
"... mas o embrião começa a se desenvolver logo que o oócito é fertilizado" (p. 2)
"Zigoto: esta célula resulta da união de um oócito e um esperma. Um zigoto é o início de um novo ser humano (ou seja, um embrião)." (p. 2)
"O desenvolvimento humano inicia na fertilização, processo durante o qual o gameta masculino ou esperma (...) une-se com um gameta feminino ou oócito (...) para formar uma célula única, chamada zigoto. Esta célula altamente especializada e totipotente marca o início de cada um de nós como um ser individual" (p. 18)
William Larsen, Human Embryology (New York: Churchill Livingstone, 1997):
"Neste texto iniciamos nossa descrição do desenvolvimento humano com a formação e diferenciação das células femininas e masculinas ou gametas, que unir-se-ão na fertilização para iniciar o desenvolvimento embrionário de um novo indivíduo. (...) A fertilização ocorre nas Trompas de Falópio (...) resultando na formação de um zigoto contendo um único núcleo diplóide. Considera-se que o desenvolvimento embrionário inicia-se neste ponto" (p. 1)
"Este momento da formação do zigoto pode ser considerado como o início ou momento zero do desenvolvimento embrionário" (p. 17)
Ronan O'Rahilly and Fabiola Muller, Human Embryology & Teratology (New York: Wiley-Liss, 1994):
"A fertilização é uma etapa importante, pois, sob condições normais, um novo e distinto organismo humano é assim formado" (p. 5)
"A fertilização é o processo de eventos que inicia quando um espermatozóide faz contato com um oócito (...)" (p. 19)
"O zigoto (...) é um embrião unicelular" (p. 19)

Ou seja, a ciência, representada aqui pela Embriologia Humana, já sabe muito bem quando uma nova vida é iniciada: na concepção, na fertilização, que nada mais é que o encontro entre os gametas masculino e feminino. É neste exato ponto que a ciência pode dizer que há a formação de um novo ser humano.
Não existe dúvida quanto a isto, mas o que há atualmente é uma tentativa de politização da questão, criando-se figuras estranhas ao processo, tal como um estágio de “pré-embrião”, para que o aborto torne-se aceitável, mesmo nas primeiras etapas da gravidez.
Então, quando um abortista vier com um discurso de que não se sabe quando a vida começa como forma de preparar o terreno para sua defesa do aborto, é só dizer-lhe que a ciência já deu esta resposta há tempos e que ele deveria se atualizar. Se ele o fizer e não mudar de opinião, pode-se bem ver o quanto ele se importa com a vida humana. Mas se ele nem mesmo procurar se inteirar sobre o assunto, é para se perguntar quem afinal são os obscurantistas?”

http://contra-o-aborto.blogspot.com.br

terça-feira, 19 de maio de 2015

A questão do aborto

“A espinhosa questão do aborto voluntário pode ser tratada de maneiras muito diversas. Entre os que consideram a inconveniência ou ilicitude do aborto, o tratamento mais freqüente é o religioso. Mas costuma-se responder que não se pode impor a uma sociedade inteira uma moral “particular”. Há outro tratamento que pretende ter validade universal, e é o científico. As razões biológicas, concretamente genéticas, são consideradas demonstráveis, conclusivas para qualquer um. Mas suas provas não são acessíveis à imensa maioria dos homens e mulheres, que as admitem “por fé”: quer dizer, por fé na ciência.
Creio que faz falta um tratamento elementar, acessível a todos, independente de conhecimentos científicos ou teológicos, que poucos possuem, de uma questão tão importante, que afeta milhões de pessoas e a possibilidade de vida de milhões de crianças que nascerão ou deixarão de nascer.
Esta visão há de fundar-se na distinção entre “coisa” e “pessoa”, tal como aparece no uso da língua. Todo mundo distingue, sem a menor possibilidade de confusão, entre “que” e “quem”, “algo” e “alguém”, “nada” e “ninguém”. Se se ouve um grande barulho estranho, me assustarei e perguntarei: “que aconteceu?” ou “que foi isso?”. Mas se ouço baterem à porta, nunca perguntareis “que é?”, mas “quem é?”.
Perguntar-se-á que tem isto a ver com o aborto. O que aqui me interessa é ver em que consiste, qual é sua realidade. O nascimento de uma criança é uma radical “inovação da realidade”: o aparecimento de uma realidade “nova”. Dir-se-á que deriva ou vem dos pais. Sim, de seus pais, de seus avôs e de todos seus antepassados; e também do oxigênio, nitrogênio, carbono, cálcio, fósforo e todos os demais elementos que intervêm na composição de seu organismo. O corpo, o psíquico, até o caráter, vem daí e não é rigorosamente novo.
Diremos que “o que” o filho é deriva de tudo isso que enumerei, é “redutível” a isso. É uma “coisa”, certamente animada e não inerte, em muitos sentidos “única”, mas afinal uma coisa. Sua destruição é irreparável, como quando se quebra uma peça que é exemplar único. Mas não é isso o que importa.
“O que” é o filho pode reduzir-se a seus pais e ao mundo; mas “o filho” não é “o que” é. É “alguém”. Não um “quê”, mas um “quem”, a quem se diz “tu”, que dirá em seu momento “eu”. E é “irredutível a tudo e a todos”, desde os elementos químicos até seus pais, e a Deus mesmo, se pensamos nele. Ao dizer “eu” enfrenta todo o universo. É um “terceiro” absolutamente novo, que se junta ao pai e à mãe.
Quando se diz que o feto é “parte” do corpo da mãe se diz uma insigne falsidade porque não é parte: está “alojado” nela, implantado nela (nela e não meramente em seu corpo). Uma mulher dirá: “estou grávida”, nunca “meu corpo está grávido”. É um assunto pessoal por parte da mãe. Uma mulher diz: “vou ter um filho”; não diz “tenho um tumor”.
A criança não nascida ainda é uma realidade “vindoura”, que chegará se não o detivermos, se não o matarmos no caminho. E se é dito que o feto não é um quem porque não tem uma vida pessoal, deveria ser dito o mesmo da criança já nascida durante muitos meses (e do homem durante o sono profundo, a anestesia, a arteriosclerose avançada, a extrema senilidade, o coma).
Às vezes se usa uma expressão de refinada hipocrisia para denominar o aborto provocado: diz-se que é a “interrupção da gravidez”. Os partidários da pena de morte têm resolvidas suas dificuldades. A forca ou o garrote podem chamar-se “interrupção da respiração”, e bastam uns poucos minutos. Quando se provoca o aborto ou se enforca, mata-se alguém. E é uma hipocrisia ainda considerar que haja diferença segundo o lugar do caminho em que se encontra a criança que vem, a que distância de semanas ou meses do nascimento vai ser surpreendido pela morte.
Com freqüência se afirma a licitude do aborto quando se julga que provavelmente o que vai nascer (o que ia nascer) seria anormal física ou psiquicamente. Mas isto implica que o que é anormal “não deve viver”, já que essa condição não é provável, mas certa. E dever-se-ia estender a mesma norma ao que chega a ser anormal por acidente, enfermidade ou velhice. E se alguém tem essa convicção, deve mantê-la com todas as suas conseqüências; outra coisa é agir como Hamlet no drama de Shakespeare, que fere Polônio com sua espada quando está escondido atrás da cortina. Há quem só se atreva a ferir a criança quando está escondida – se pensaria protegida – no seio materno.
E é curioso como se prescinde inteiramente do pai. Atribui-se a decisão exclusivamente à mãe (mais adequado seria falar da “fêmea grávida”), sem que o pai tenha nada a dizer sobre se deve-se matar ou não seu filho. Isto, logicamente, não se diz, passa-se por cima. Fala-se da “mulher objeto” e agora se pensa na “criança tumor”, que se pode extirpar como um crescimento nojento. Trata-se de destruir o caráter pessoal do humano. Por isso se fala do direito a dispor do próprio corpo. Porém, à parte que a criança não faz parte do corpo de sua mãe, mas é “alguém corporal implantado na realidade corporal de sua mãe”, esse suposto direito não existe. A ninguém se permite a mutilação; os demais, e em último caso o poder público, o impedem. E se eu quiser pular de uma janela, acodem a polícia e os bombeiros e pela força me impedem.
O cerne da questão é a negação do caráter pessoal do homem. Por isso se esquece a paternidade e se reduz a maternidade a suportar um crescimento intruso, que se pode eliminar. Descarta-se todo uso do “quem”, dos pronomes tu e eu. Tão logo aparecem, toda a construção erguida para justificar o aborto desmorona como uma monstruosidade.
Não se tratará precisamente disto? Não estará em curso um processo de “despersonalização”, quer dizer, de “desominização” do homem e da mulher, as duas formas irredutíveis, mutuamente necessárias, em que se realiza a vida humana? Se as relações de maternidade e paternidade restam abolidas, se a relação entre os pais resta reduzida a uma mera função biológica sem duração além do ato de geração, sem nenhuma significação pessoal entre as três pessoas implicadas, que resta de humano em tudo isso? E se isto se impõe e generaliza, se ao final do século XX a Humanidade vive de acordo com esses “princípios”, não terá comprometido, quem sabe até quando, essa mesma condição humana? Por isto me parece que a aceitação social do aborto é, sem exceção, o mais grave que aconteceu neste século que vai se aproximando de seu final.”
(Julián Marías, La Cuestión del Aborto)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Malminorismo

““Quando se trata de dois males morais, a obrigação é de rejeitar a ambos, porque o mal não pode ser objeto de escolha”, diz Mons. Elio Sgreccia. E prossegue: “e isso também quando, rejeitando aquele que se apresenta como mal menor, se provocasse um mal maior”.
O bioeticista italiano dá o seguinte exemplo. Alguém recebe a ordem de cometer um furto ou falsificar documentos com a ameaça de que, se não o fizer, haverá violência sexual ou morte de outras pessoas. O furto não deve ser cometido, porque é moralmente mal. Se da rejeição do furto resultar uma vingança, com um mal moral ainda maior, isso não será imputado a quem decidiu não fazer o mal.
A doutrina acima exposta é freqüentemente descurada por alguns defensores da vida. Na Itália os políticos aprovaram a lei 174 de 1978 (lei do aborto) a fim de impedir as práticas terroristas (mal maior?) que se previa que iriam ocorrer caso o tema fosse proposto a um referendo popular solicitado pelo Partido Radical. “A quem ainda tentava recordar a gravidade da legalização do aborto, respondia-se: Maiora premunt”.
No Brasil há quem pense que, para conter a ânsia dos que querem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, deve-se aceitar algum reconhecimento jurídico (diverso do casamento) às duplas de homossexuais. Essa posição é contrária à da Congregação para a Doutrina da Fé, que já declarou que tais uniões não merecem nenhum tipo de reconhecimento legal:
Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. [...]
Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria.

Há quem pense ainda em aceitar (com emendas) o PLC 122/2006 (projeto de lei anti-“homofobia”), a fim de frear outras investidas do movimento homossexualista contra a Igreja Católica. Mas como aceitar uma lei que dá direitos ao vício contra a natureza?
Em 28 de maio de 2008, no julgamento dos embriões humanos (ADI 3510), o Ministro Menezes Direito, em vez de declarar inconstitucional o artigo 5º da Lei de Biossegurança, resolveu, em seu voto, “interpretar” o texto de modo a salvá-lo, fazendo concessões ao uso de células embrionárias humanas. O embrião não poderia ser morto, mas uma ou duas de suas células poderiam ser retiradas (o que é moralmente inaceitável, pois pode acarretar danos ou a morte do embrião) para fins de pesquisa ou terapia. Essa opção de ceder ao “mal menor” – já em si inaceitável – teve conseqüências desastrosas. Primeiro: prevaleceu o mal maior, ou seja, a lei foi considerada constitucional sem restrições. Segundo: a tentativa de mudar a lei a pretexto de “interpretá-la” abriu caminho para que, alguns anos mais tarde, o STF usasse do mesmo artifício para reconhecer a “união estável” de pessoas do mesmo sexo e para aprovar o aborto de crianças anencéfalas.
A tentativa de ceder à prática de um “mal menor” para evitar um mal maior não é nova. Pôncio Pilatos, verificando a inocência de Jesus, em vez de soltá-lo imediatamente, procurou satisfazer parcialmente o desejo dos acusadores, a fim de evitar a sua condenação à morte: “Este homem nada fez que mereça a morte. Por isso eu o soltarei, depois de castigá-lo” (Lc 23,15-16). Essa decisão, além de imoral, foi inútil. De nada adiantou a flagelação e a coroação de espinhos. Depois de apresentar à multidão Jesus flagelado e coroado de espinhos, dizendo “Eis o homem”, os chefes dos sacerdotes e os guardas gritaram “Crucifica-o! Crucifica-o!” (Jo 19,6). E Pilatos acabou decretando a sentença de morte.
Para ilustrar tudo quanto foi dito, vale a pena transcrever um texto de Mons. Juan Sanahuja, em seu livro Poder global e religião universal, de leitura obrigatória para todos os defensores da vida:
A pressão social, o medo de sermos qualificados de fundamentalistas e um sincero, ainda que equivocado, espírito de salvar o que pode ser salvo frente à avalanche de projetos, leis e costumes iníquos, podem fazer-nos cair na tentação de negociar o que é inegociável e, portanto, ceder quanto ao que não nos pertence — a ordem natural e a doutrina de Jesus Cristo. Essa atitude nos fará cair na opção do mal menor, num malminorismo moralmente inadmissível.
Que sirva para ilustrar o exemplo do Servo de Deus Jerôme Lejeune. Aos 33 anos, em 1959, Lejeune publicou sua descoberta sobre a causa da síndrome de Down, a “trissomia do 21”, e isto o transformou em um dos pais da genética moderna. Em 1962 foi designado como especialista em genética humana na Organização Mundial da Saúde (OMS) e, em 1964, foi nomeado Diretor do Centro Nacional de Investigações Científicas da França; no mesmo ano, é criada para ele, na Faculdade de Medicina da Sorbonne, a primeira cátedra de Genética fundamental. Transforma-se assim em candidato número um ao Prêmio Nobel de Medicina.
Aplaudido e lisonjeado pelos grandes do mundo, deixa de sê-lo em 1970, quando se opõe ferozmente ao projeto de lei do aborto eugênico. Lejeune combateu o
malminorismo que infectou os católicos na França; estes supunham que cedendo no aborto eugênico freavam as pretensões abortistas e evitavam uma legislação mais permissiva. Os argumentos de Lejeune eram muito claros: não podemos ser cúmplices, o aborto é sempre um assassinato, quem está doente não merece a morte por isso e, mais ainda, longe de frear males maiores o aborto eugênico abre as portas para a liberalização total desse crime. Sua postura lhe rendeu uma real perseguição eclesial que se juntou à perseguição civil, acentuada por sua defesa do nascituro nas Nações Unidas.
Também em 1970, participou de uma reunião na OMS, na qual se tentava justificar a legalização do aborto para evitar abortos clandestinos. Foi nesse momento, quando se referindo à Organização Mundial, que disse: “eis aqui uma instituição de saúde que se tornou uma instituição para a morte”. Nessa mesma tarde, ele escreveu para sua esposa e filha dizendo: “Hoje eu joguei fora o prêmio Nobel”.
Em nenhum momento deu ouvidos aos prudentes, que o aconselhavam calar-se para chegar mais alto e assim poder mais influir.

(Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, Malminorismo)

http://www.providaanapolis.org.br/index1.htm

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A reengenharia social anticristã dos Kirchner

“Na Argentina, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007;+2010) impulsionou a reengenharia social anticristã. Nos últimos anos, com a presidente Cristina F. de Kirchner (2007-2011; 2011-2015) estão se aprofundando essas políticas de destruição de toda legislação que reflita, ainda que de modo imperfeito, a ordem natural.
O anteprojeto do novo Código Civil
Em 27 de março, duas semanas depois de se conhecer a decisão da Suprema Corte da Nação que firmou jurisprudência a favor do aborto, a presidente Cristina Kirchner recebeu das mãos do presidente do mesmo tribunal, Ricardo Lorenzetti, o texto que pretende ser o novo Código Civil da Nação. A comissão redatora do anteprojeto foi integrada pelo mesmo Lorenzetti, pela vice-presidente da Corte, Elena Highton de Nolasco e pela jurista Aída Kemelmajer de Carlucci.
Alguns de seus conteúdos que atentam mais gravemente contra a ordem natural:
- Em relação à vida humana, o anteprojeto diz que “a existência da pessoa humana começa com a concepção no corpo da mulher ou a implantação nela do embrião formado mediante técnicas de reprodução humana assistida”, institucionalizando assim uma discriminação injusta entre os embriões fruto de uma relação natural e os obtidos por técnicas de fecundação extracorpórea, o que dá azo a qualquer experimentação e outros atentados contra os “embriões de laboratório”. Ao mesmo tempo, parece situar o começo da pessoa na implantação do embrião, abrindo caminho ao aborto por meios químicos e mecânicos, que atuam antes da implantação do embrião no útero.
- Por sua vez, legaliza a fecundação artificial, inclusive a doação de gametas (óvulos e/ou espermatozóides). Legaliza o aluguel de ventres ou maternidade sub-rogada e a inseminação “post mortem”. Introduz o que chama de “vontade procriacional” como elemento determinante para obter um filho por qualquer método de fecundação “assistida”. A “vontade procriacional” é alheia à realidade genética, o que contradiz o direito da criança à identidade. A criança se converte em uma “coisa” obtenível por qualquer técnica de laboratório, inclusive as mais aberrantes.
- Confirma o suposto “matrimônio” entre pessoas do mesmo sexo, permitido pela lei chamada de “matrimônio igualitário”, de julho de 2010. Legaliza a adoção por parte de homossexuais, a “homoparentalidade”, ou seja, a possibilidade, sem restrições, de que as crianças tenham duas mães ou dois pais.
- Legaliza o chamado divórcio “express”, a pedido de um dos dois cônjuges, desaparecendo a atribuição de culpa na dissolução do vínculo matrimonial. A fidelidade deixa de ser um dever conjugal. O adultério não existe mais como causa de divórcio. Cessa o dever de coabitação, mantendo-se somente a “assistência e alimentos”. O conceito de pátrio poder se dilui até quase desaparecer.
Outros projetos e leis iníquas
Em 21 de julho de 2010, Cristina Kirchner, em um ato público, promulgou a lei chamada de “matrimônio igualitário” (Lei nº 26.618), ou seja, de pseudo-matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Nessa ocasião, a presidente declarou: “não promulgamos uma lei, promulgamos uma construção social”.
Em 30 de novembro de 2011, a Câmara de Deputados aprovou o projeto de lei de “identidade de gênero”, por 167 votos a favor, 17 contra e 7 abstenções, o que significa que não apenas o partido governante está infiltrado pelo desprezo à ordem natural.
O projeto sanciona que os cidadãos têm o “direito” de mudar legalmente o “sexo que se lhes atribuiu ao nascer”, adequando à “mudança de sexo” a certidão de nascimento e os documentos de identidade por outros que refletem a “identidade de gênero autopercebida”, sem necessidade de submeter-se a cirurgias ou terapias hormonais. No caso de optar por adequações terapêuticas “para adequar seu corpo, inclusive sua genitalidade, a sua identidade de gênero autopercebida”, estas serão incluídas no Plano Médico Obrigatório e os provedores do sistema de saúde – públicos ou privados – deverão garantir as práticas. O projeto seguiu para ser apreciado pelo Senado da Nação.
Entre muitos outros exemplos, pode-se mencionar também o Programa Naconal de Educação Sexual Integral e suas Diretrizes Curriculares para a Educação Sexual Integral.
Por suas políticas e por suas declarações pode-se concluir que a presidente Kirchner está evidentemente construindo uma nova sociedade, submetendo a Argentina a uma profunda reengenharia social anticristã.”
(Juan C. Sanahuja, Argentina: la Reingeniería de los Kirchner)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A persistência da idéia eugênica

“Os últimos dias trouxeram notícias terríveis sobre a ética pública. Notamos uma radicalização das teses sobre o aborto e o infanticídio praticado contra seres vistos como anormais ou monstruosos. No fundo de tais propostas temos a sempiterna eugenia, idéia arcaica já presente em Platão e defendida por todas as formas tirânicas de poder, antigas e modernas.
O símile usado por Platão é brutal, mas serve até hoje aos depuradores do mundo: existem raças de cachorros e pássaros, nas quais surgem indivíduos ótimos ou péssimos. Naturalmente, os reprodutores devem ser apenas os melhores e os mais jovens. Usando cachorros, gatos, pássaros, cavalos, Platão explica o caso humano, sendo o mundo das bestas amestradas um símile a seguir na cria dos melhores.
Como chegar à excelência na gênese dos seres? Os governantes devem imitar os médicos que usam remédios ousados. O fármaco exato encontra-se na eugenia. "É preciso que a elite dos homens se una com mais freqüência à elite das mulheres e, com menor intensidade, que os piores dentre os homens se unam às piores mulheres. Os filhos dos primeiros devem ser criados, não os dos segundos, se desejamos que o rebanho mantenha sua qualidade eminente." Até aqui, o rebaixamento dos governados à condição bestial, algo que foi transmitido a todos os governantes assassinos do Ocidente.
A seguir vem o pior no "remédio" platônico: "Todas as disposições relativas a tal procedimento devem ser ignoradas pela maioria das pessoas, salvo pelos magistrados". Preste atenção à frase, leitor idôneo. O hábito, ao discutir esse trecho de A República, é nos fixarmos no "remédio", o infanticídio. Mas a maneira de aplicar tal medida é o segredo, técnica que gerou a razão de Estado e a censura, cujo ápice se encontra no totalitarismo, nazista ou stalinista.
Eric Voegelin indica o quanto é assustadora a prática recomendada por Platão, segundo a qual os magistrados garantem o sigilo do governo. "Em abril de 1941, todos os procuradores de Justiça chefes e os presidentes das Cortes de Apelação tinham declarado seu apoio ao programa da eutanásia (...) o secretário de Estado do Ministério da Justiça, dr. Franz Schlegelberger, fez uma preleção (...) em que declarou que a ação 'T4' era legal. Nenhum dos mais de cem membros mais antigos, entre os quais estava o presidente da Suprema Corte, Erwin Bumke, apresentou objeções. Os pormenores da campanha 'T4' (...) foram submetidos aos juristas. Explicou-se mais tarde que Hitler não queria uma lei para as medidas de eutanásia, mas que elas continuariam com fundamento em seu decreto legal pessoal. A campanha, notificados os juristas, foi executada como 'segredo do Reich'" (E. Voegelin: Hitler e os Alemães).
Sobre a 'T4', falemos do lugar secreto: Tiergartenstrasse 4 (Rua do Jardim Zoológico), prédio onde as atrocidades eugênicas foram cometidas, no apuro do rebanho. Bem platônico o ambiente, basta reler A República (livro 5, 459). Naquele e noutros edifícios seriam destruídos os "piores" em prol dos "melhores". Os primeiros seriam judeus, ciganos, alemães incuráveis. Assim, milhares de pessoas foram assassinadas, pela fome e por remédios. A 'T4' foi o prelúdio do Holocausto. Ela começou em 1939, quando Hitler mandou seu médico pessoal, Karl Brandt, avaliar o pedido de certa família para dar "morte piedosa" ao filho, defeituoso físico e mental. O ato bondoso ocorreu em julho de 1939. Platão recomendava seu "remédio" para o bem dos governados. A nobre mentira repete-se em todos os lábios assassinos, filosóficos ou não.
Parte do mundo vive em regime democrático. Nele o segredo dos Poderes é atenuado pela imprensa. Mas subsistem mitos eugênicos. As pesquisas médicas, de engenharia e genética podem seguir (não é algo definido na essência do saber científico) a renitente história do "aperfeiçoamento". É possível tomar vias diversas, na ética e na ciência, pois esta última não se destina apenas à tarefa que frutificou na eugenia. Mas o nazismo está vivo e o veneno anti-semita foi propagado de mil modos. É preciso cautela diante de doutrinadores que preparam massacres.
Ao ler um panfleto, exposto como "artigo científico" no Journal of Medical Ethics, ficamos pasmos. Após os escritos de Alfred Rosenberg e similares, jamais foi impresso algo tão frio e tão pleno de charlatanismo como o texto de Alberto Giubilini e Francesca Minerva, professores de Filosofia em Milão e Melbourne, After-birth abortion: why should the baby live? (Aborto pós-nascimento: por que o bebê deveria viver?). Dizem eles que o feto e o recém-nascido são "moralmente equivalentes" porque são "apenas" potencialmente pessoas. Aristóteles é pilhado e sua filosofia serve, com a idéia de potência e ato (o homem é o ato para o qual tende o infante) como instrumento para racionalizar o infanticídio. A potência supõe uma perfeição final que ninguém, nem mesmo os sofistas da ética, pode prever quando ocorrerá. Entes de 1, 2, 20 anos podem ser eliminados, seguindo as premissas dos autores.
No Brasil as propostas de crimes são feitas sob a capa de "progressismo" e "liberdade de escolha". Surgem doutas desculpas jurídicas em comissões oficiais, que aventam a incapacidade de manter um filho para permitir o aborto. Logo, o Estado não poderá, seguindo a mesma lógica, sustentar seres indesejados, sobretudo se "monstruosos" (discuti o ponto em meu livro Moral e Ciência, a Monstruosidade no Século 18). Graças à democracia, tais receitas letais são parcialmente conhecidas pela opinião pública. O perigo é eminente, no entanto. Uma diminuta censura contra a liberdade de imprensa e todas as permissões serão concedidas aos assassinos disfarçados de políticos, filósofos, juristas, psicólogos ou médicos. Eles agirão, seguindo o ensino platônico, em segredo. Quem tiver consciência grite, para depois não se espojar na lama dos rebanhos.”
(Roberto Romano, Não Matarás)

http://m.estadao.com.br/noticias/impresso,nao-mataras-,849936.htm

terça-feira, 8 de março de 2011

A multinacional da morte

As respostas são extraídas do livro “IPPF: a multinacional da morte”, de Jorge Scala.
1) O que significa IPPF?
Federação Internacional de Planejamento Familiar (International Planned Parenthood Federation).
2) O que é “planejamento familiar”?
Planejamento familiar (“family planning”) é um eufemismo para controle de natalidade (“birth control”). Em 1942 a “Birth Control Federation of America” (Federação de Controle de Natalidade da América) mudou seu nome para “Planned Parenthood Federation of America” (Federação de Planejamento Familiar da América). “A razão da mudança de nome é simples: a derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial e o conhecimento maciço de sua loucura eugenésica e racista fazem perder adeptos a seus seguidores norte-americanos. Por isso substituem o termo controle de natalidade pelo de planejamento familiar e se afastam exteriormente das teorias racistas e eugenésicas.” (p. 20-21).
3) Por que Jorge Scala chama a IPPF de “a multinacional da morte”?
Porque ela, com sede em Londres e filiais em 180 países, converteu-se “na maior instituição antivida, melhor financiada e com maior força em nível internacional, existente na atualidade” (p. 21). Suas filiais “aglutinam e dirigem toda a atividade privada em torno do planejamento familiar. Para isso abrem clínicas onde se realiza todo tipo de atividade contraceptiva (incluindo abortos e esterilizações, se a legislação local o permite; caso contrário, lutam pela despenalização de ambos)” (p. 16). Jorge Scala cita um documento do Pontifício Conselho para a Família chamado “A serviço da vida”, de 22/04/1991: “O movimento pró-aborto, em nível internacional, baseia-se, sobretudo, na atividade da IPPF [...] e sobre outros organismos que atuam na perspectiva neomalthusiana do controle demográfico obtido também através da promoção do aborto” (p. 17).
4) Quem fundou a IPPF?
Margaret Sanger (1883-1966), norte-americana, filha de pais irlandeses. De ideologia eugenista, “Sanger abre em 1916 sua primeira clínica para o controle de natalidade, com slogans como ‘Os seres sãos devem procurar procriar abundantemente e os ineptos devem abster-se... este é o principal objetivo do controle da natalidade’ e ‘o controle dos nascimentos facilitará a criação de uma raça superior’. Também dizia: ‘mais crianças dos capacitados, menos dos incapacitados’” (p. 19).
Em 1921 funda a Liga Norte-americana para o Controle da Natalidade (mais conhecida como Birth Control). Em 1922 publica seu livro ‘Pivô da civilização’, onde suas idéias racistas se destacam plenamente, ao queixar-se que ‘os filantropos que proporcionam cuidados gratuitos de maternidade estimulam os segmentos mais sadios e normais do mundo a suportar a carga da fecundidade irreflexiva e indiscriminada dos demais: o que traz consigo um peso morto de desperdício humano; em lugar de diminuir e dedicar-se a eliminar as estirpes que mais prejudicam o futuro da raça e do mundo, tendem a torná-las dominantes em um grau ameaçador’” (p. 19-20).
Em 1939 a Liga Norte-americana para o Controle de Natalidade se transformou na Federação para o Controle da Natalidade” (p. 20). Como já vimos, em 1942, esse nome mudaria para “Federação de Planejamento Familiar da América”. “Em 1952, com o auspício do multimilionário norte-americano John D. Rockefeller III, fundem-se 8 associações de vários países e constituem em Londres a Federação Internacional de Paternidade Planificada (IPPF), da qual a Paternidade Planificada norte-americana é uma de suas [...] filiais nacionais” (p. 21).
A criação dos termos “planned parenthood” (paternidade planificada) e “family planning” (planejamento familiar) em substituição a “birth control” (controle de natalidade) foi apenas uma mudança de fachada. O único “apoio” que a IPPF dá aos pobres é impedir que eles tenham descendência. E para isso vale tudo, principalmente o aborto.
5) Qual é o objetivo da IPPF?
Fazer diminuir as taxas de natalidade dos países pobres, até alcançar a dos países ricos, com o objetivo de manter o atual equilíbrio econômico e político e, por conseguinte, a continuidade da submissão do Terceiro Mundo aos países desenvolvidos” (p. 16).
6) Mas o alto crescimento demográfico dos países pobres não é um empecilho ao seu desenvolvimento?
Essa é uma das grandes mentiras demográficas, que Jorge Scala desmente no capítulo 12 de seu livro (p. 277-296). As verdades demográficas estão listadas no capítulo 5 (p. 61-82): 1. É antinatural separar a sexualidade da procriação. 2. A humanidade sempre cresceu. 3. A diminuição da população é prejudicial para a sociedade. 4. A população dos países em desenvolvimento cresceu exponencialmente durante o século XX. 5. Os países desenvolvidos dirigem-se rapidamente ao “suicídio demográfico” e pretendem que o resto das nações os acompanhe. Segundo o autor, “os grandes avanços na história européia e em sua cultura coincidem com épocas de forte incremento populacional. Por exemplo: a Itália passa de 7.500.000 habitantes no ano 1450 para 10.500.000 no ano 1500, coincidindo com o esplendor cultural e econômico do Renascimento Italiano. Outro caso: a Revolução Industrial começa na Inglaterra, que passa de 10.900.000 habitantes no ano 1800 para 36.900.000 no ano 1900” (p. 70-71).
Para que a população fique estagnada, ou seja, não cresça nem diminua, é necessário que uma geração pelo menos reponha a outra. “Para isso, nos países com melhor atenção sanitária e alimentação, requer-se uma taxa de 2,1 filhos por mulher [em idade fértil]” (p. 73). Ora, há muito tempo os países europeus têm uma taxa bem menor que essa. Como conseqüência, a população sofre um envelhecimento, com cada vez mais cidadãos inativos por um ativo, o que acarreta uma crise no sistema de seguridade social (cf. p. 14). Isso leva a um colapso da economia, como ocorreu com o Império Romano, que caiu depois que sua população começou a decrescer vertiginosamente (cf. p. 69).
7) A IPPF é a única organização internacional de controle de natalidade?
Não. Ela conta com numerosos e fortes aliados: 1. Os organismos multilaterais de crédito, como a USAID (Agência Internacional para o Desenvolvimento), o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, que “condicionam toda ajuda econômica ao cumprimento de metas demográficas pautadas em cada empréstimo” (p. 16). 2. Alguns organismos das Nações Unidas, como a OMS, o PNUMA, o FNUAP, a UNESCO, a FAO e a UNICEF. “Exercem coação em nível de governo, a fim de que adotem políticas de controle de natalidade. Supervisionam os programas financiados nacional ou internacionalmente, destinados a saúde ‘reprodutiva’ – ou seja, a implantação do planejamento familiar nos hospitais públicos – e a educação em matérias de saúde, população e sexo. ‘Capacitam’ funcionários, agentes sanitários e sociais e educadores, para que executem os programas ditos acima” (p. 16). 3. Por fim, o Grupo Parlamentar Internacional (GPI), que é o braço legislativo da IPPF, de que o autor trata no capítulo 9 (p. 175-184). “A I Conferência de Parlamentares sobre População e Desenvolvimento se efetuou em Brasília em dezembro de 1982. No ano seguinte se fundou o GPI, como fruto de tal reunião” (p. 176). O GPI se divide em grupos nacionais, que são “verdadeiros lobbies integrados por legisladores e ex-legisladores dos países, cuja função é coagir seus pares e os funcionários dos poderes executivo e judiciário, a fim de que adotem em seus respectivos âmbitos as políticas de controle populacional” (p. 16).
8) No Brasil existe alguma filial da IPPF ou algum grupo de parlamentares membro do GPI?
No Brasil, a filial da IPPF chama-se BEMFAM (Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil), fundada em 1965 (p. 194-195), grande fomentadora da anticoncepção, da esterilização e, atualmente, do aborto. Há também em nosso país o Grupo Parlamentar de Estudos em População e Desenvolvimento (GPEPD), que durante a Assembléia Nacional Constituinte, que iria elaborar a Constituição de 1988, “recebeu a generosa quantia de US$ 112.755,00 para inserir o tema ‘planejamento familiar’ em nossa Carta Magna” (p. 334). O resultado foi o parágrafo 7° do artigo 226 da Constituição Federal, que trata do “planejamento familiar”.
9) Qual foi a conseqüência da introdução do “planejamento familiar” na Constituição Federal Brasileira?
Bem depressa um deputado do Partido dos Trabalhadores (PT), Eduardo Jorge (PT/SP), entrou com um Projeto de Lei (PL 209/91) para ‘regulamentar’ esse dispositivo constitucional. E, como não podia deixar de ser, tal regulamentação incluía a legalização da esterilização, como meio legítimo de ‘planejamento familiar’. Aprovado, o projeto transformou-se na lei 9263/96, que ‘regula o § 7º do art. 226 da Constituição Federal, que trata do planejamento familiar, estabelece penalidades e dá outras providências’” (p. 335). Foi assim legalizada a esterilização no Brasil.
10) A IPPF costuma respeitar as leis dos países onde ela tem filiais?
De maneira alguma. A IPPF assim instrui suas filiais espalhadas por todo o mundo: “As Associações de Planejamento Familiar e outras organizações não-governamentais não deveriam usar a ausência de leis ou a existência de uma lei desfavorável como uma escusa para a inação; a ação fora da lei e até a violação da mesma é parte do processo de mudança” (p. 185). Uma outra estratégia importante é a re-interpretação da lei de modo a favorecer o aborto. Leiamos o trecho seguinte, extraído de uma declaração de março de 1991, feita por dois comitês especializados da IPPF: o Grupo Internacional para Assessoramento Médico (International Medical Advisory Panel — IMAP) e o Grupo Internacional para Assessoramento de Programas. As recomendações se dirigem especificamente às associações “em países onde há restrições legais ao aborto e/ou ao planejamento familiar”: “Estabelecer laços com advogados que estejam dispostos a defender nos tribunais o pessoal de saúde ou usuários acusados de haver levado a cabo ou tentado um aborto seguro. Eles poderiam também aceitar defender casos polêmicos para exercer pressão em prol de uma interpretação mais liberal de certas leis” (p. 188).
11) O que Jorge Scala propõe para fazer frente à IPPF e a seus aliados?
a)Associar-se em organismo com peso local, nacional e internacional. Para opor-se à “multinacional da morte” é preciso desenvolver a “multinacional da vida” [...] Há vinte anos as famílias tinham o direito de associar-se; hoje têm o dever de fazê-lo; sua sobrevivência o requer” (p. 313). b)Multiplicar grupos e instituições de estudo, em nível científico e acadêmico” (p. 314). c) Investir nos meios de comunicação social. d) Fazer lobby com as autoridades. “Este é um ponto fundamental, que se não se trabalha responsavelmente, pode malograr uma enorme quantidade de esforços. As associações, instituições educativas e meios de comunicação devem ter um objetivo principalmente Político – com maiúscula e isento de toda bandeira ou partidarismo: influir nos governos, parlamentares, magistrados, membros de organismos internacionais e organismos não governamentais, para integrá-los à ‘cultura da vida’” (p. 314).
A tudo isso, devemos acrescentar as armas espirituais do cristão, em especial a oração e os sacramentos.”
(Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, A IPPF em Perguntas e Respostas)

http://www.providaanapolis.org.br/index1.htm