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domingo, 4 de outubro de 2020

Oswald Spengler e a decadência do Ocidente

"O mais famoso teórico do declínio é Oswald Spengler, o "doutor-profeta" que previu a queda da Alta Cultura Ocidental em seu magnum opus, O Declínio do Ocidente. Segundo Spengler, toda Alta Cultura tem sua própria "alma" (isto se refere ao caráter essencial da Cultura) e passa por ciclos previsíveis de nascimento, crescimento, ápice, declínio e morte que se assemelham aos da vida de uma planta. Citando Spengler:
"Uma Cultura nasce no momento em que uma grande alma desperta da proto-espiritualidade da humanidade eternamente infantil, e destaca-se, uma forma vinda do informe, algo limitado e mortal vindo do ilimitado e permanente. Ela desabrocha no solo de uma paisagem exatamente definível, à qual como uma planta ela permanece ligada. Ela morre quando a alma atualizou a soma total de suas possibilidades na foma de povos, línguas, dogmas, artes, ciências, e reverte à proto-alma."
Há uma importante distinção nesta teoria entre Kultur ("Cultura") e Zivilisation ("Civilização"). Cultura refere-se à fase inicial de uma Alta Cultura que é caracterizada pela vida rural, religiosidade, vitalidade, vontade de poder, e instintos ascendentes, enquanto Civilização refere-se à fase tardia que é caracterizada pela urbanização, irreligião, intelecto puramente racional, vida mecanizada, e decadência. Spengler focou particularmente em três Altas Culturas entre as quais ele fez comparações: a Mágica, a Clássica, e a atual Alta Cultura Ocidental. Ele defendia a idéia de que o Ocidente, que estava em sua fase de Civilização tardia, logo entraria em um estágio final imperialista e "cesarista" – um estágio que, segundo Spengler, marcaria o clarão derradeiro antes do fim da Alta Cultura.
Talvez a mais importante contribuição de Spengler para a Revolução Conservadora, contudo, seja sua teoria do "Socialismo Prussiano" que ele expressou em Prussianismo e Socialismo, e que formou a base de sua visão de que os conservadores e os socialistas deveriam se unir. Neste livro curto ele afirmou que o caráter prussiano, que era o caráter alemão par excellence, era essencialmente socialista. Para Spengler, o verdadeiro socialismo era primordialmente um assunto de ética em vez de economia.
Esse socialismo ético prussiano significava o desenvolvimento e a prática da ética do trabalho, disciplina, obediência, um sentido do dever para o bem maior e o estado, auto-sacrifício, e a possibilidade de alcançar qualquer posição pelo talento. O socialismo prussiano se diferenciava do marxismo e do liberalismo. O marxismo não era verdadeiro socialismo porque era materialista e baseado em conflito de classes, que estava em contraste com a ética prussiana do estado. Também em contraste com o socialismo prussiano estavam o liberalismo e o capitalismo, que negavam a idéia de dever, praticavam um "princípio de pirataria", e criavam o governo do dinheiro."
(Lucian Tudor, The German Conservative Revolution & Its Legacy)

domingo, 9 de agosto de 2020

O socialismo conservador de Werner Sombart

"As tendências socialistas, nacionalistas e conservadoras de autores como Paul Lensch, Johann Plenge, Werner Sombart, Arthur Moeller van den Bruck, e Oswald Spengler levaram à ascensão de um novo conservadorismo nacional e socialista. Naturalmente, deve ser lembrado que um socialismo antimarxista já tinha uma longa história na Alemanha, incluindo pessoas tais como os Kathedersozialisten ("socialistas da cadeira"), Adolf Stocker, e Ferdinand Tönnies. O próprio Werner Sombart começou como marxista, mas depois se desiludiu com a teoria marxista, que ele percebeu como tão ou mais destrutiva do espírito humano e da comunidade orgânica quanto o capitalismo.
Sombart é lembrado principalmente por seu trabalho sobre a natureza do capitalismo, especialmente por seus trabalhos associando o caráter materialista dos judeus ao capitalismo. A obsessão pelo lucro, as práticas comerciais brutais, a indiferença à qualidade, e "as características meramente racionalizantes e abstratizantes do comerciante", que são produtos-chave do capitalismo, destroem qualquer "comunidade de trabalho" e desintegram laços entre as pessoas que foram mais comuns na sociedade medieval. Sombart escreveu, "Antes que o capitalismo pudesse se desenvolver, o homem natural teve que ser transformado para além de qualquer reconhecimento, e um mecanismo racionalmente pensado teve que ser introduzido em seu lugar. Deveu haver uma transvaloração de todos os valores econômicos."
As principais objeções de Sombart ao Marxismo consistiam no fato de que o Marxismo visava à supressão de todos os sentimentos religiosos assim como dos sentimentos nacionalistas e dos valores da cultura enraizada e indígena; o Marxismo visava não a uma humanidade superior mas a uma mera e básica "felicidade". Em contraste com o Marxismo e com o capitalismo, Sombart defendia um Socialismo Alemão no qual as políticas econômicas seriam "direcionadas de maneira corporativa", a exploração terminaria, e a hierarquia e o bem-estar de todo o estado seriam apoiados."
(Lucian Tudor, The German Conservative Revolution & Its Legacy)

segunda-feira, 22 de junho de 2020

30 razões por que você deveria ter vergonha de apoiar o regime de Nicolás Maduro


"Do PSOL ao PT, passando pelo PSB, PCdoB e um emaranhado de pês ligados à mentalidade progressista brasileira, não foram poucos os grupos, militantes, sindicatos, ongs, coletivos, formadores de opinião, partidos e veículos de imprensa que nos últimos meses organizaram passeatas, manifestações, comícios in loco, dancinhas, publicações e notas de apoio à revolução bolivariana de Nicolás Maduro.
Denunciado, porém, por inúmeros grupos de proteção aos direitos humanos ao redor do mundo – da Anistia Internacional a Humans Right Watch – não são poucos os motivos para condenar seu governo. Maduro vem atuando como um almanaque do que não se deve fazer para conduzir uma economia no século vinte e um.
Se você, no entanto, ainda não se convenceu disso, está no lugar certo. Temos aqui 30 razões por que você deveria ter vergonha de apoiar um presidente que:
1.Finge que conversa com seu padrinho político morto. E através de um passarinho.
2.Finge que esse mesmo padrinho político morto também aparece de vez em quando nas paredes de um túnel de metrô e nas montanhas da capital do país.
3.Chama o seu principal opositor político de viado em comício.
4.Fez um apelo público para que as mulheres deixassem de usar secador de cabelo porque “mulher bonita é aquela que deixa o cabelo secar naturalmente”.
5.Colocou um narcotraficante, com uma fortuna avaliada em 3 bilhões de dólares, para ser seu vice-presidente.
6.Revelou que “às vezes” dorme ao lado da tumba do seu padrinho político morto para “se inspirar”.
7.Criou um “Pai Nosso” oficial, substituindo o nome de um messias religioso pelo de seu padrinho político morto.
8.Antecipou por decreto, sem nenhum motivo, o Natal, do dia 25 de dezembro para o dia 1° de novembro. Porque quis.
9.Criou um Ministério da Suprema Felicidade e um Ministério das Redes Sociais.
10.Criou o feriado do Dia do Amor e Lealdade ao seu padrinho político morto – que coincidentemente cai no dia das eleições.
11.Assassinou manifestantes, fechou jornais e emissoras de tv (ganhou o prêmio de “Predador da Liberdade de Imprensa”, da organização francesa Repórteres Sem Fronteira), mandou prender os principais nomes da oposição, encarcerou juízes, suspendeu as funções do parlamento, criou uma lei que lhe concede poderes especiais para que possa governar por decreto e ainda é acusado por inúmeras organizações internacionais de fraudar os resultados eleitorais (a própria Smartmatic, a empresa responsável por calcular os votos no país, acaba de denunciar, “sem nenhuma sombra de dúvida”, que houve fraude na última constituinte).
12.Instituiu um decreto que estabelece que nenhum habitante de seu país, quando convocado para isso, pode negar trabalhar no campo por um mínimo de 60 dias. Por esse motivo, foi denunciado pela Anistia Internacional e pela Human Rights Watch de violação aos direitos humanos por legalizar o trabalho escravo.
13.Lidera o décimo governo mais corrupto do mundo, segundo a organização alemã Transparência Internacional – o mais corrupto de todo continente americano.
14.Acusou o Homem-Aranha de ser o principal culpado pelo aumento da violência em seu país – o segundo mais violento do mundo.
15.Apresenta inúmeros shows de rádio e tv (de um programas sobre salsa, o “La Hora de la Salsa”, até o noticiário da semana), onde já apareceu no ar, até esse momento, exatas 781 horas, 21 minutos e 40 segundos desde que virou presidente – transmitindo todo esse conteúdo, a todo volume, nos metrôs da capital do país – criando a maior máquina de propaganda política do planeta.
E um governo que:
1.Fez a moeda do país valer literalmente menos que um guardanapo – e assumiu não ter mais dinheiro para produzir dinheiro.
2.Teve que importar petróleo, mesmo em se tratando do país com as maiores reservas de petróleo do mundo.
3.Confiscou 5,2 milhões de hectares em 1,2 mil unidades de produção na última década, gerando uma queda, só em 2016, de 87% da produção alimentar do país.
4.Fez, com isso, que 87% da população assumisse não ter dinheiro para adquirir alimentos, gerando a maior crise de fome da história do país. Hoje, três em cada quatro habitantes relatam perda involuntária de peso de quase 10 quilos nos últimos doze meses.
5.Fez com que a pobreza extrema atingisse 49,9% da população – mais do que o dobro das taxas de 1998, um ano antes do atual partido assumir o poder e iniciar uma revolução, quando 18,7% das pessoas viviam sob esta condição. Os números são da principal universidade pública do país.
6.Gerou a maior debandada de habitantes da história. Segundo a ONU, nos últimos anos, mais de 30 mil pessoas já fugiram para o Brasil, outras 300 mil foram para a Colômbia, 40 mil para Trinidad e Tobago e 40 mil para a Argentina. Há outras centenas de milhares espalhadas por todo continente. Até o presente momento, 8% da população já fugiu do país para escapar dos abusos do governo.
7.Gerou 85% de escassez de remédios nos hospitais e farmácias, fazendo a população ter que apelar para medicamentos veterinários para seus tratamentos de saúde.
8.Gerou uma escassez de 85% dos medicamentos contraceptivos, criando um surto de gravidez entre mulheres adolescentes – e revelando, através do Ministério da Saúde, apenas no último ano ter aumentado em 65,79% os casos de mortalidade materna, graças aos descasos nos hospitais (segundo a Federação Médica do país, os hospitais estão funcionando com apenas 3% dos medicamentos e produtos necessários).
9.Proibiu policiais gays de assumirem suas orientações sexuais.
10.Gerou um surto de sarna entre a população graças à escassez de água.
11.Gerou uma crise de malária pelo país que, segundo o próprio governo, já é epidêmica em 13 de seus 24 estados.
12.Transformou o país no segundo lugar mais violento do mundo.
13.Fez com que o abandono de animais domésticos aumentasse 30% em 2016 (um pacote de comida de ração para cachorro, que também sofre de escassez, chega a custar até 11 dias de trabalho de um habitante médio). Por todo país, milhares de animais estão morrendo de fome – só o maior zoológico público da capital, já contabilizou a morte de pelo menos 50 animais em poucos meses.
14.Fez com que 40% das aulas, em média, em 2016, fossem perdidas por feriados forçados causados pelo racionamento de energia. Cerca de 40% dos professores também não estão comparecendo às aulas por estarem nas filas de supermercados em busca de alimentos.
15.Expropriou fábricas de bebidas e gerou escassez de cerveja."

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domingo, 7 de junho de 2020

Venezuela: a seita vermelha e o silêncio assassino da esquerda


“Os tristes acontecimentos que vêm ocorrendo na Venezuela, sob o delirante regime de Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chávez, que chamou seu tenebroso projeto de Socialismo do Século XXI, com uma democracia falsificada, exportando-o a outros países, confirmam que a singradura desse estado castro-chavista – se não acontecer um milagre – se encaminha com rapidez à consolidação de um comunismo totalitário.
O regime castro-chavista, enlameado em um sistema corrupto, busca manter-se no poder a qualquer custo nessa disfarçada e falsa democracia, sinecurista e embusteira que engana o povo, corrompe o melhor, e enquanto isso, os que mais pensam e os jovens fartos da corrupção vão-se sentindo cada dia mais frustrados e enganados.
De raízes ideológicas perversas, o socialismo unicamente gera opressão e miséria. Nosso Senhor Jesus Cristo disse que a árvore má não pode dar bons frutos.
Sob o princípio de que quem não está conosco é nosso inimigo, Maduro e seu regime não permitem que ninguém tenha uma visão diferente, ou a mais mínima expressão de rebeldia.
Vemos como uma Assembléia Constituinte títere foi armada pela tirania venezuelana sem a menor vergonha. Carlos Alberto Montaner assinala a respeito da escandalosa fraude de tal eleição: 'Maduro obteve 1.795.144 votos. Nenhum a mais, nenhum a menos. A fonte é Rondón (CNE). A fraude para chegar a mais de 8 milhões é a maior da história.'
Assim é que uma das primeiras medidas de tal Assembléia Constituinte foi destituir a Fiscal Geral Luisa Ortega Díaz, que após haver sido fervorosa chavista se afastou do narcogoverno.
Há muito que já se vive na Venezuela um regime esmagador e cerceador dos direitos mais elementares das pessoas, uma tirania que por isso mesmo carece de legitimidade.
Maduro controla todo o aparato estatal, salvo o Parlamento. 'Segundo o major general Clíver Alcalá, que ajudou a restituir Chávez durante um fugaz golpe de Estado em 2002, a Força Armada tem 1.000 generais, quando só precisaria de 200 e há 800 esperando.'
Eladio Aponte, ex-magistrado da Venezuela e ex-Presidente da Sala Penal do Tribunal Supremo de Justiça, que enfrenta o regime castro-chavista, denunciou os vínculos do regime com o narcotráfico, com as FARC, e com as manobras para encarcerar os opositores que se transformaram assim em presos políticos.
Erika Rivas, diretora para as Américas da Amnesty International, assinala: 'Na Venezuela se violenta toda a gama de direitos humanos. Direitos econômicos, sociais, culturais, as liberdades fundamentais, o direito à associação, a liberdade de expressão. Está-se dando um contexto repressivo e militarizado diante das mostras de descontentamento social, onde além disso se fazem detenções arbitrárias como ferramenta de controle, para calar as vozes da dissidência.'
É surpreendente constatar o silêncio 'colaboracionista' dos governos sulamericanos e dos organismos internacionais. Fingem que nada vêem e que nada escutam. E pelo contrário, quanto empenho põem em assegurar o avanço das ações psicopolíticas da esquerda, quanta impunidade diante de seus abusos, seus golpes contra a lei, o estado e as instituições.
Tal como ensinou o célebre pensador católico e homem de ação, Plínio Corrêa de Oliveira, esta neo-revolução se torna capaz de vencer mais pelo aniquilamento do adversário que pela multiplicação de seus amigos. Interessa-lhe mais adormecer, desconcertar, ou simplesmente acabar com as oposições, que estimular seus adeptos ostensivos.
No caso da grave crise venezuelana os governos sulamericanos colaboraram com este desígnio.
No final de dezembro de 2016, em uma crescente onda de protestos multitudinários, o governo de Maduro convidou o Vaticano a agir como mediador entre aquele e a oposição, processo que abortou em um fracasso total e que possibilitou contrariamente aos marxistas no poder ganhar tempo e chegar à situação atual.
É que o diálogo é uma palavra talismânica para encobrir um mecanismo desonesto utilizado pela esquerda em seu proveito.
Assim, enquanto os bispos venezuelanos foram claros em denunciar o tirano, o Vaticano, mediante o Cardeal Secretário de Estado, emitiu tímidas declarações a respeito, às quais Maduro respondeu com virulência.
O regime de Maduro sustenta suas bases nos chamados movimentos sociais, que Francisco acolhe com especial benevolência na Santa Sé.
'Os inimigos da sociedade e da religião usam frequentemente a tática do pânico. É uma tática positiva e negativa; infundem medo e o retiram. Quando estão no poder ameaçam, atropelam, encarceram, impõem multas, desterram. Tudo para infundir o medo no restante dos cidadãos. Quando não podem abusar da força, fazem correr os mais absurdos disparates, cada dia novos, cada dia mais temerosos. É uma tática sagaz, que faz vítimas inumeráveis. Antes que chegue a hecatombe é preciso reagir. Como? Tendo serenidade para não crer em perigos imaginários. Tendo ânimo para desafiar e enfrentar os perigos verdadeiros. Atuando sem cessar e organizando-se em todas as ordens da vida.'
Douglas Hyde, o célebre convertido do comunismo à Igreja Católica, afirmou que a uma exigência de heroísmo corresponde sempre uma resposta heróica, especialmente quando a liberdade e a verdade são reprimidas. E, se se apodera do povo um espírito martirial, qualquer totalitarismo pode cair.”
(Germán Mazuelo-Leytón, Venezuela: La Secta Roja y el Silencio Asesino de la Izquierda)

Original em http://www.alertadigital.com

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Estupidez endêmica


"Algumas ideias espalham-se com grande sucesso não apesar de serem estúpidas, mas precisamente porque o são. A estupidez maciça exerce um poder anestésico e paralisante sobre a inteligência humana, detendo o seu movimento natural e fazendo-a girar em falso em torno de alguma crença idiota por anos, décadas ou séculos, incapaz de livrar-se do seu magnetismo perverso ou de pensar o que quer que seja fora do círculo de ferro da idiotice consagrada.
O exemplo mais assombroso é este:
É impossível descobrir ou traçar qualquer conexão lógica entre as liberdades civis e a estatização dos meios de produção. São esquemas não somente heterogêneos, mas antagônicos. Antagônicos lógica e materialmente.
Qualquer garoto de ginásio pode compreender isso tão logo lhe expliquem o sentido dos dois conceitos. A candura com que tantos homens adultos falam em “socialismo com liberdade” – isto quando não chegam a acreditar que essas duas coisas são a mesma, ou que uma decorre da outra com a naturalidade com que as bananas nascem das bananeiras – é a prova inequívoca de uma deficiência intelectual alarmante, que desde há um século e meio se espalha sem cessar pelas classes cultas, semicultas e incultas com a força avassaladora de uma contaminação viral, sem dar sinais de arrefecer mesmo depois que a experiência histórica comprovou, de maneira universal e repetida, aquilo que poderia ser percebido antecipadamente por mera análise lógica e sem experiência histórica alguma.
A pergunta é simples e brutal: como é possível que a centralização do poder econômico, expandindo-o automaticamente sobre toda a sociedade e investindo-o da força suplementar do aparelho repressivo do Estado, venha a torná-lo menos opressivo e tirânico do que milhares de poderes econômicos parciais e limitados, espalhados como farelo, desprovidos do poder de polícia e em perpétua concorrência uns com os outros?
Ninguém deveria precisar de mais de alguns segundos para atinar com a resposta óbvia: Não, não pode. Nem se pode negar que os próprios clássicos do “socialismo científico” tenham ajudado a tornar essa resposta ainda mais patente, quando declararam alto e bom som que o que se seguiria ao capitalismo não seria uma democracia, de qualquer tipo que fosse, e sim a ditadura do proletariado.
O que eles não explicaram jamais, nem nenhum de seus seguidores pediu jamais que o fizessem, foi como essa ditadura, uma vez vitoriosa e consolidada, poderia transmutar-se numa democracia exceto pelo método de liquidar-se a si mesma, dissolvendo o monopólio estatal e distribuindo o poder econômico entre os particulares – outra impossibilidade lógica ilustrada por uma longa e sangrenta experiência histórica que um pouco de inteligência tornaria perfeitamente dispensável.
Em suma, a fé nas virtudes libertárias do socialismo, mesmo quando tênue e matizada, é sinal de uma deficiência cognitiva grave, que se espalha como praga e se arraiga no fundo dos cérebros por virtude da própria estupidez originária que a produz e determina.
Mas, como uma vez aprisionado na idiotice o cérebro humano nada consegue conceber fora dela ou sem referência a ela, o sucesso propagandístico da idéia socialista trouxe consigo uma multidão de cretinices derivadas e secundárias, cujo poder de persuasão não se rende nem mesmo ante a evidência dos fatos mais constantes e repetidos.
Uma delas é a crença, hoje um dogma de evangelho, de que a educação universal obrigatória tem o poder de aplanar as diferenças socioeconômicas. Pois deveria ser lógico e intuitivo que, se a exigência de credenciais escolares se impõe até nas profissões mais simples e modestas, credenciais mais altas e difíceis de obter se espalharão de maneira concomitante e automática entre as profissões mais prestigiosas e rentáveis, deslocando para cima, sem alterá-lo, o quadro inteiro da estratificação social.
O sociólogo Randall Collins, no clássico estudo The Credential Society. An Historical Sociology of Education and Stratification (New York, Academic Press, 1979), demonstrou que, exceto por um curto período durante o New Deal, foi exatamente isso o que se passou nos EUA: o reino das credenciais escolares não democratizou nada, apenas instituiu, nos andares mais altos da sociedade, a república das sinecuras milionárias, corrompendo de quebra o zé-povinho ao inocular na sua mente a ambição inalcançável da ociosidade bem remunerada.
Mas, assim como toda idéia estúpida tem o condão de paralisar a intuição lógica, mais ainda ela debilita e por fim suprime a capacidade de aprender com a experiência histórica, que não é senão a longa e dolorosa demonstração indutiva daquilo que, para uma inteligência normal, já estava demonstrado antes por mera análise dos conceitos envolvidos.
Pouco importando o seu nível formal de instrução, pessoas contaminadas por essa paralisia endêmica das inteligências naufragam num oceano tão escuro e denso de erros de percepção e raciocínio que terminam incapazes de conhecer a sua própria posição na sociedade e os efeitos mais óbvios das suas próprias ações, mesmo e sobretudo quando receberam treinamento universitário em ciências sociais.
O exemplo mais óbvio é o dos sociólogos, economistas, juristas e cientistas políticos de esquerda, quando alardeiam que as universidades são o “aparato ideológico da burguesia”, construído para perpetuar a hegemonia cultural do capitalismo. Pois proclamam isso nas mesmas universidades estatais que eles próprios dominam sem a menor interferência da burguesia e nas quais toda objeção capitalista ao império do marxismo é punida com boicotes, chacotas e notas baixas, se não com o fim abrupto de uma carreira universitária.
É óbvio que essas pessoas, literalmente, não sabem onde estão nem percebem o que fazem. Estão perdidas no espaço e no tempo — o que não impede que o restante da população continue confiando nelas para que lhe expliquem como a sociedade funciona."

http://www.olavodecarvalho.org

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Os desajustados

“Que o advento do capitalismo colocou a economia no centro e no topo da existência é algo que ninguém pode negar, e é óbvio que a esse tipo de vida só se amoldam com algum conforto interior os entusiastas do dinheiro e os conformistas mais medíocres e sonsos.
Todos os outros, por mais gratos ao progresso técnico e ao conforto material, sentem que no mundo capitalista algo de muito essencial e precioso lhes foi roubado: não adianta você dispor de todos os meios se a vida não tem outra finalidade senão produzir mais meios.
Se o capitalismo obteve mais sucesso nos EUA do que em qualquer outro lugar foi apenas porque aí, desde o início, o esforço de produzir e lucrar veio associado à ética cristã da ajuda ao próximo e ao sonho heróico da conquista do território – dois objetivos de vida mais do que suficientes para animar o espírito de um povo.
O capitalismo puro, reduzido ao esquematismo de uma fórmula econômica, tal como se viu nos romances de Balzac e nas análises de Karl Marx que eles inspiraram, jamais existiu nos EUA até o fim da II Guerra.
O que existiu foi um capitalismo vivificado e embelezado pela religião cristã e pelo espírito de aventura. Tão logo o primeiro desses fatores começou a debilitar-se no cenário cultural, e o segundo perdeu todo sentido no território já integralmente dominado, o capitalismo americano deixou de ser um ideal para se tornar uma máquina de auto-reprodução que prescinde de qualquer outra justificativa além da própria capacidade de reproduzir-se e crescer ilimitadamente.
David Riesman, no clássico The Lonely Crowd (1950), assinala que, a partir desse momento, um novo tipo de personalidade-padrão passou a predominar na sociedade americana em substituição ao homem devoto da era colonial e ao self made man dos tempos heróicos: o homenzinho trêmulo e obediente, perfeitamente ajustado ao mecanismo do qual espera proteção e segurança – o Organization Man (1956), como o chamou William H. Whyte Jr. em outro livro clássico.
Não espanta que desde então a burocracia estatal interferisse cada vez mais na economia e até na vida pessoal dos cidadãos, descaracterizando o capitalismo americano e transformando-o cada vez mais num tipo incipiente de socialismo, onde os interesses do Estado convergem com o das grandes corporações no sentido de realizar, por via burocrática, o império da organização econômica como único padrão e critério de julgamento, a que todos os valores religiosos, morais e culturais devem se submeter.
Na mesma medida, uma ética coletivista passa a predominar sobre o ideal da responsabilidade individual, e a crítica cultural de esquerda ao capitalismo, forçando sob esse pretexto a redução de tudo às exigências da economia que ela mesma condena, se torna uma profecia autorrealizável.
Nos EUA, essa situação construiu-se sobre os escombros da tradição cristã e do espírito aventureiro. Nos países onde não encontrou semelhantes fatores de resistência, esse resultado se obteve de maneira muito mais rápida e direta, em muitos deles com o agravante do subdesenvolvimento, onde o misto de capitalismo incipiente, ineficiência e permanente exasperação socialista reduz a vida a uma “luta contra a pobreza”, que é a versão favelada da luta pela prosperidade.
Seja nesses países, seja no capitalismo americano esvaziado de seus valores culturais, onde quer que a economia subjugue dessa maneira as outras dimensões da vida social, o resultado é aquele tipo de existência sem sentido, no qual só se sentem à vontade, de um lado, os mais materialistas, que regem o espetáculo e, de outro lado, os mais burrinhos, incapazes de aspirar a qualquer coisa mais alta que uma sobrevivência protegida.
É aí que começam a brotar, em número cada vez maior, os desajustados, os revoltados, os outsiders.
Há basicamente três tipos de outsiders. Para abreviar, vou chamá-los de “o fracassado”, “o gênio” e “o militante”.
O primeiro é o desajustado em sentido estrito, incapaz de jogar o jogo e até de assimilar as regras. Por mais que tentem ajudá-lo, fracassa nos estudos, no trabalho e na vida social, caindo logo para a loucura, o vício, o crime. Em muitos países – o Brasil, por exemplo – esse tipo representa mais de dez por cento da população.
O segundo compreende muito bem as regras e sabe usá-las, mas prefere jogar o seu próprio jogo. Buscando no interior da sua alma a raiz do espírito que vivifica e fortalece, ele pode enfrentar no início o isolamento e a rejeição, mas acaba sempre obrigando a sociedade a aceitá-lo como ele é, e não raro a render-lhe homenagem, mesmo a contragosto.
Gênios, sobretudo literários, existiram antes do capitalismo, é claro, mas não eram outsiders. Passaram a sê-lo no tempo de Baudelaire e Flaubert, ou, nos EUA, uns poucos a partir da I Guerra e em massa a partir da II.
O terceiro é um misto, feito de versões diluídas e atenuadas dos outros dois. Tem a fraqueza do primeiro, sem o seu derrotismo, e a ambição do segundo, sem a sua força.
Não compreende a sociedade, mas não aceita que ela o esmague. Junta-se portanto a outros milhares iguais a ele, buscando no apoio do grupo as forças que o gênio encontra em si próprio. Incapaz de transformar-se, jura que vai transformar o mundo.
O número de correligionários é o fator decisivo na vida dos militantes. Quando em minoria, reúnem-se para compensar o isolamento grupal com a reiteração histérica do discurso crítico, que lhes infunde um sentimento forçado de superioridade.
Quando se tornam maioria dominante, esse sentimento se transmuta em critério de normalidade, impondo-se à sociedade inteira e marginalizando como doentes ou criminosos aqueles que ainda permanecem normais no sentido antigo.
A pletora de gênios literários que floresceu no mundo desde o século XIX conferiu ao outsider um prestígio quase sacral, que dos gênios se estendeu por osmose aos loucos e aos militantes, como se a doença de uns e a auto-hipnose grupal dos outros fossem formas de genialidade.
As modalidades de existência mais capengas que existem tornaram-se modelos de perfeição humana.
***
Talvez o sinal mais patente de que a militância revolucionária é uma forma inferior e mórbida de existência é a absoluta impossibilidade que um escritor revolucionário tem de enxergar como seres humanos normais, sem deformações sádicas ou grotescas, os que não compartilham das suas crenças.
A literatura mundial está repleta de personagens revolucionários tratados com simpatia e compreensão por escritores conservadores e reacionários, como Balzac, Dostoiévski, Bernanos, Joseph Conrad ou o nosso Octávio de Faria.
Um reacionário que não seja mau ou ridículo é algo que simplesmente inexiste na literatura comunista. Isso mostra, da maneira mais patente, que a visão do mundo revolucionária é uma fantasia histérica, em que a percepção direta do ser humano, tal como ele aparece na vida real, é sufocada sob o peso do estereótipo ideológico.”

http://www.olavodecarvalho.org

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O fim da liberdade de expressão nos campi americanos


"No Wall Street Journal do final de semana passado, Heather MacDonald escreve o seguinte sobre o atual problema das universidades americanas cancelando palestras de conferencistas cujas opiniões não concordam com as delas:
A intolerância no campus é em sua origem não um fenômeno psicológico, mas ideológico. Em seu centro está uma visão de mundo que percebe a cultura ocidental como endemicamente racista e sexista. O objetivo preponderante do sistema educacional é ensinar jovens que se encontram em uma lista sempre crescente de classificações de vítimas oficiais a se considerarem existencialmente oprimidos.
MacDonald está 100% correta – eu fiquei cara a cara com este fato apenas duas semanas atrás quando discursei no Bard College em Nova York.
Antes, um pouco de contexto. Em outubro de 2015, fui convidada pelo Williams College – depois desconvidada, e em seguida convidada de novo (eu recusei) – para falar em nome do programa "Aprendizado Desconfortável". Após o cancelamento do convite, a Fox News publicou o discurso que eu tinha planejado dar, e a partir daí outras redes de notícias ao redor do país começaram a se interessar sobre o assunto.
Desde então, tem havido cobertura contínua sobre a insanidade que os chamados palestrantes controversos são forçados a suportar quando concordam em falar sobre Coisas Que São Verdadeiras Mas Jamais Devem Ser Ditas.
Depois de saber do fiasco no Williams College, um estudante do Bard College começou um programa semelhante ao do Williams e o chamou de "Conversas Difíceis". Quando me pediu para discursar, esse estudante me garantiu que o convite não seria cancelado. "Os estudantes do Bard não fazem essas coisas", escreveu em um e-mail.
E ele estava certo. Não houve nenhum cancelamento, e não houve protestos. Ninguém se feriu, nem fui interrompida enquanto falava. Foi tudo muito civilizado.
Quem dera esse fosse o final da história, mas não foi. Não pode ser. Pois embora eu louve o Bard College por me convidar e por ser civilizado, isso não basta para ser digno de aplauso. O propósito de ter um palestrante é que os estudantes aprendam alguma coisa, e não acredito que os estudantes tenham aprendido algo. Não é que eu não tenha defendido direito meu ponto de vista – falei sobre os fracassos do feminismo – mas por causa do que MacDonald escreveu.
O sistema educacional e seus lacaios impressionáveis vêem a cultura ocidental como inerentemente sexista. Desta forma, tudo que eu disse a favor da América, e em particular dos homens americanos, caiu em ouvidos surdos.
Eu desconfiei desde o momento que adentrei a sala que tal seria o caso, pois havia mais estudantes de cor do que estudantes brancos. E o feminismo é um jogo de mulher branca.
Seja como for, fui em frente. Que mais poderia fazer?
Minha mensagem geral sobre igualdade de gênero foi que esta era fútil por uma razão: ela ignora a biologia. Citei até mesmo a feminista dissidente Camille Paglia e mostrei aos estudantes um vídeo dela e Christina Sommers dizendo a mesma mensagem.
No entanto, de algum modo a seção de perguntas e respostas descambou numa discussão sobre raça, privilégio branco e "fluidez" de gênero. E ao invés de redirecionar os estudantes, tomei uma decisão imediata e respondi às questões de frente.
Quando lhes disse que é impossível mudar o sexo de alguém, que o sexo não é um sentimento mas um fato biológico, houve um arquejo coletivo na audiência. Afinal, está na moda acreditar que ser homem ou mulher é um rótulo arbitrário que enfia a pessoa dentro de uma caixa. Os estudantes acreditam nisso tão enfaticamente que era eu que parecia estar fora de órbita.
Não foi diferente quando a conversa se moveu para o conceito em voga conhecido como "masculinidade tóxica". Essa é a teoria de que "homens jovens carregam uma semente demoníaca dentro de si mesmos a qual apenas feministas sabem como remover", conforme escreve Chris Beck em "Feminismo Agora É Tóxico".
É exatamente isso o que os estudantes queriam que eu aceitasse. Uma mulher jovem foi direta em sua alegação de que os pais ensinam seus meninos a não expressarem suas emoções, e, como resultado disso, a masculinidade se torna "tóxica".
Depois de dar a entender que seu argumento seria melhor recebido se ela mesma fosse mãe, eu disse a essa estudante que os garotos e os homens tendem a ser estóicos por natureza – e que esta característica tinha vantagens pois havia tempos quando era melhor não ser emocional. Lutar nas guerras de nossa nação é um exemplo, eu disse.
Isso foi recebido com um espanto maior ainda. Era como se eu fosse um alienígena de outro planeta que não pudesse entender como as coisas funcionavam na terra. Era tarefa dos estudantes me esclarecerem, em outras palavras, e não o oposto.
E assim me achei em conflito sobre meu tempo passado no Bard. Sim, o silenciamento da expressão é um problema enorme nos campi nos dias de hoje – e o Bard realmente se destaca acima da confusão. Mas como MacDonald acrescenta, e como minha visita ao Bard o comprova, o silenciamento da expressão é apenas um sintoma de um fenômeno muito maior nos campi das faculdades: uma "profunda distorção da realidade".
No fim das contas, então, não importa se palestrantes são silenciados ou não. Porque as universidades estão tão divorciadas da realidade que elas não podem imaginar uma palavra do que aqueles palestrantes iriam dizer."
(Suzanne Venker, Campus Free Speech Is The Least Of It: What I Learned From My Visit To Bard)

Original em: http://dailycaller.com

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Como entender a Esquerda brasileira


“Antes de entrar numa discussão envolvendo política no Brasil, você precisa saber que as palavras aqui não significam o mesmo que em outras partes do mundo civilizado. Assim, rasgue seus manuais de filosofia política e acompanhe os ensinamentos do mestre João Santana:
1- "Esquerda", no Brasil, é o PT. Tudo que se alie ao PT ganha o direito de ser chamado de "progressista", como, por exemplo, o PMDB, o PP, Sarney, Collor, a Igreja Universal, o Ahmadinejad e as Farc. Não existe algo como “extrema esquerda”: a esquerda é SEMPRE moderada.
2- Por via reflexa, tudo o que se oponha ao PT é "direita", "extrema direita" e "ultra direita", incluindo o Partido Socialista do Brasil e o Partido Verde. Gente como Marina Silva, Fernando Gabeira, Ferreira Gullar e Luiza Erundina se tornam "conservadores", pra não dizer apóstatas mesmo, traidores da única e verdadeira fé (que é o petismo ortodoxo). Você só pode fazer oposição legítima ao PT se, antes de cada frase, anunciar que está fazendo oposição "à esquerda da presidenta", como faz o Jean Wyllys.
3- Usar o estado, através do BNDES, pra transferir 6% do PIB nacional para 700 grandes compadres escolhidos a dedo costumava ser chamado de "clientelismo" quando os militares faziam. Mas se a esquerda faz, é "nacional-desenvolvimentismo". E se você aponta que é tudo igual, então você é "reaça".
4- Fazer leis separando as pessoas em virtude da cor da pele costumava ser chamado de "racismo" quando Hitler e os sul africanos faziam, mas se a esquerda faz é "discriminação positiva". E se você critica, o racista é VOCÊ! (vide “reversal russa”).
5- Usar assistencialismo pra cooptar grandes porções do eleitorado costumava se chamar "voto de cabresto", quando os coronéis de norte a sul faziam. Mas se a esquerda faz é "justiça social". E se você discorda é porque você é "fascista".
6- Todo mundo que é de esquerda (ver item 1) é super favorável a liberdade de expressão e de comunicação (vide “tolerância”, adiante). Mas desde que seja pra elogiar o governo. Porque se falar mal, é "tentativa de golpe" (ver item 8), da "direita" (ver item 2) e do "PIG" (ver item 9).
7- “Tolerância” é um conceito que se aplica apenas a quem é de “esquerda” (vide item 1). Os guerreiros da justiça social abraçam o conceito de “tolerância repressiva” do Marcuse: se você não estiver no seu “local de fala” (na opinião revolucionária corrente), você será sumariamente censurado sem que se veja nisso qualquer ofensa ao princípio democrático. Em países em que a esquerda tenha conseguido obliterar qualquer oposição, “censura” é sinônimo de “paredão”.
8- O próprio conceito de "golpe", no Brasil, é relativo. Apear um governo de esquerda, sem dúvida alguma, é "golpe". Inclusive se for democraticamente, via eleições ou impeachment, já que nesse caso o povo é "alienado" (quando o povo alienado elege um governo de "esquerda", ele instantaneamente adquire consciência política. Nem precisa ler ou estudar, basta digitar "13 confirma" que a pessoa, no mesmo instante, se torna politizada). Agora, derrubar um governo de direita, mesmo que seja pela guerrilha armada e pelo terrorismo, nunca é "golpe". Nesse caso, é "luta popular”. Ainda que o povo não tenha nem queira ter nada a ver com isso.
9- "Partido da imprensa golpista", também conhecido como "PIG", são os jornalões como a Folha que, apesar de publicarem as colunas de Guilherme Boulos, Vladimir Safatle, Antonio Prata, Juca Kfouri, Janio de Freitas, Gregório Duvivier, Carlos Heitor Cony, Mario Sergio Conti e Ricardo Melo (e do Xico Sá, antes de ele dar piti porque não pôde declarar voto a Dilma em seu comentário sobre a 29ª rodada do Brasileirão de 2014), são "reacionários, "fascistas" e "coxinhas", tudo junto e misturado. A Globo, apesar do “Esquenta” vender o funk como alta cultura, e apesar de colocar casal gay até na Malhação, é “conservadora” e de “direita”.
10- "Atentado terrorista" é sempre coisa da "direita raivosa". Quando um cara da "esquerda" explode bombas e mata inocentes, ele é "revolucionário" (também conhecido como "herói" - vide o verbete "Cesare Battisti").
11- Chamar alguém pelo gentílico (por exemplo, “mineiro”, “cearense” ou “pernambucano”) é "preconceito de origem" e “xenofobia”. Mas chamar alguém de "elite branca paulista", não. E eu não sei explicar o porquê. Próximo tópico.
12- "Privatizar", assim entendido como transferir para a iniciativa privada o controle de uma companhia estatal deficitária e cujas diretorias são utilizadas para a prática de prevaricação, lavagem de dinheiro e tráfico de influência, é um crime hediondo. Quem defende privatização é "coxinha". Quem aponta que a sociedade em geral ganha com as privatizações é “entreguista”. A não ser que o governo que privatiza seja de "esquerda". Aí é "concessão", que é uma coisa muito progressista feita em benefício do povo. Mas só a “esquerda” sabe como fazer “concessões”. Quando outro governo faz concessões, ele também é “entreguista”. E não vamos discutir mais isso, por favor.”
(Rafael Rosset, Como Entender a Esquerda Brasileira (?!))

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

As grandes realizações da militância esquerdista


“Não existe algo como "esquerda democrática". A partir do momento em que você erige a igualdade material como único objetivo político, e admite a ação direta como instrumento para atingir esse objetivo, não existe nem democracia nem respeito à alteridade, na medida em que quem se opõe ao que você qualifica como BEM TOTAL só pode ser a pura expressão da maldade, da perversidade. Uma pessoa que eu considero perversa não pode ser tratada como adversária política, e sim como inimiga, e você não negocia com o inimigo, você o tratora.
Você só pode igualar pessoas que são essencialmente diferentes através da centralização política num ente que detenha poder suficiente para a consecução de seus fins, e para tanto este ente precisa ser um partido único operando num estado absoluto (como foram todos os regimes socialistas, sem exceção). Para atingir a igualdade material você pode tanto propor impostos progressivos pela renda e cotas baseadas em critérios sócio econômicos e de raça, como execução sumária e confisco de bens da "elite", mas a diferença entre essas duas proposições não é na essência, e sim no grau.
Dito isso, uma das grandes realizações da militância esquerdista foi conseguir atribuir ao inimigo (nós) todos os seus crimes e pecados. Os maiores genocídios politicamente motivados foram cometidos por regimes socialistas, mas "ditadura" é um termo impossível de ser associado à esquerda política, principalmente entre os mais jovens. Ao longo do século XX nada produziu mais fome e carestia que o socialismo, mas é ao capitalismo que se atribui o sofrimento material, onde quer que ele seja visto. Regimes socialistas SEMPRE contam com uma elite dirigente rica e parasita vivendo às custas do empobrecimento do povo, mas são os empreendedores num regime capitalista, os que geram empregos e pagam impostos, os vilanizados como exploradores do proletariado.
A segunda grande realização da militância esquerdista é a desinformação sistemática sobre o que é socialismo. Segundo o Gallup, 43% dos norte-americanos acham que o socialismo seria bom para os EUA, sendo que, destes, 25% afirmam que socialismo significa justiça social, enquanto que apenas 17% definem socialismo como propriedade estatal dos meios de produção (a definição correta). Ou seja, na cabeça de boa parte da população, numa era em que dados históricos, inclusive na forma de fotografias e vídeos dos horrores do socialismo, estão amplamente disponíveis e acessíveis, socialismo seria algo como o paraíso na Terra, enquanto que o capitalismo é nada menos que o inferno.
Todos aqueles que privilegiam a realidade empírica sobre a fabulação (ou seja, o que funciona na prática sobre as ideias brilhantes de intelectuais e "especialistas") têm a obrigação moral de denunciar esse engodo sempre que puderem.
Isso não é uma questão política, é uma questão de sobrevivência.”
(Rafael Rosset, em texto no Facebook de 02.08.2019)

sexta-feira, 19 de abril de 2019

As dificuldades para se doar ao governo no Brasil


"Sabem por que até agora já foram doados mais de 800 milhões de euros para a restauração de Notre-Dame, mas quase nada para a restauração do Museu Nacional? Eu explico:
1- Doações em dinheiro pagam até 8% de imposto no Rio de Janeiro;
2- Doações de bens e serviços (digamos que você tenha uma marcenaria ou uma empresa de construção civil e deseje doar bens de consumo ou prestar serviços gratuitamente) recolhem IPI, ICMS, PIS e Cofins;
3- Doações para universidades públicas (o Museu Nacional é administrado pela UFRJ) dependem de aprovação prévia do Conselho Técnico-Administrativo, do Conselho Deliberativo, e do Conselho Gestor, em processo administrativo que pode durar MESES; se a doação for em dinheiro, há necessidade de aprovação pela Procuradoria Geral; apesar de não haver vedação legal, as universidades em geral recusam doação de acessões artificiais (reformas) pela complexidade do processo administrativo exigido por lei;
4- Se o Procurador Geral entender que a doação implica em alguma contrapartida (por exemplo, a colocação de uma placa com o nome do doador, prática comum em todo o mundo civilizado), pode recomendar a abertura de procedimento licitatório (sim, você leu direito - se você quiser DOAR DINHEIRO AO GOVERNO PRECISA ENTRAR NUMA LICITAÇÃO);
5- Você pode contribuir pela Lei Rouanet, abatendo o valor da doação da base de cálculo do seu imposto de renda, mas isso depende da abertura de edital específico pela Secretaria de Cultura - se não há edital, não há como doar por esse caminho;
6- Não importa qual a forma escolhida, se a Polícia Federal, a Receita Federal ou o Ministério Público Federal entenderem que a sua doação importa em desvio de finalidade ou evasão fiscal, você ainda se sujeita a um processo crime, e pode ser preso por doar dinheiro ao governo.
A maior parte da diretoria do Museu Nacional é filiada ao PSOL, partido de gente que, nos últimos 40 anos, trabalhou pra criar a distopia acima descrita.
Vocês passaram a vida semeando ódio contra a "elite" e a classe média, e entuchando imposto sobre tudo o que dava. Agora, não reclamem da falta de solidariedade."
(Rafael Rosset, em postagem no Facebook de 18.04.2019)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A reserva dos derrotados


“Claro que há muita burrice e rabugice no que tantos profissionais da comunicação vêm escrevendo e dizendo. Assim como o uso do cachimbo entorta a boca, o hábito de falar sozinho sem ser contestado desenvolve deformações políticas. E faz carreira nos totalitarismos.
Não podemos esquecer que em todas as eleições presidenciais havidas entre 1994 e 2014, completando 20 anos e seis pleitos consecutivos, a nação foi constrangida a escolher entre dois partidos de esquerda – PSDB e PT. Contados os períodos dos respectivos mandatos, tem-se quase um quarto de século durante o qual a sociedade foi submetida a uma dieta política servida por legendas que apreciavam o mesmo cardápio. Não se discutiam outros pratos, outras receitas e, na maioria dos casos, o tempero era o mesmo: conversa fiada populista.
Liberais e conservadores, ou a direita (como queiram), ficaram sem pai nem mãe todo esse tempo. Situação inusitada. Algo análogo só se encontrará em países comunistas, creio. Pessoas e partidos que poderiam falar pela direita de modo orgânico no Congresso Nacional estavam, geralmente, capturados, ora por um, ora por outro dos dois projetos de poder em curso. A retórica política tornou-se monótona. Governo e oposição, ambos “de esquerda”, usavam o mesmo vocabulário, o mesmo glossário, se alinhavam com o infame “politicamente correto”, com o globalismo, com intervencionismo estatal, com o populismo de esquerda e suas articulações, com a Escola de Frankfurt, com George Soros e a Open Society. Consequentemente, tinham e têm o mesmo compromisso com a degradação das estruturas que sustentam a civilização ocidental e com uma ordem econômica não capitalista.
O rolar do tempo e a falta de concorrência no mercado das ideias foram criando uma espécie de pseudoconsenso em que qualquer expressão de base conservadora ou liberal era automaticamente repelida e expelida. Por não encontrar eco, sumia. Foi assim que o Brasil, empurrado pela política conforme era jogada, mas também pelas entidades representativas da tal “sociedade civil organizada” – OAB, CNBB, ABI, sindicatos e suas centrais, conselhos – aprendeu a falar a mesma linguagem e fez sumir as mesmas palavras. Quais? Pois é, será bom lembrá-las. Entre outras: ordem, tradição, honra, família, virtudes, princípios, fé, autoridade, capitalismo, propriedade. E mais: liberdade/responsabilidade e direitos/deveres, como binômios não fracionáveis.
O papel destruidor do que descrevo não poupou sequer a nação e sua história. Veio para cima das mesas, nas salas de aula, como refinado produto do saber, o lixo dos acontecimentos. Qualquer modo de contar a história do Brasil servia, desde que lhe suprimisse toda nobreza, todo sentimento de amor à pátria e valorização dos seus elementos unitivos, suas esplêndidas raízes, seus fundadores, suas grandes figuras humanas. Cobranças com vencimento à vista de supostas dívidas ancestrais são úteis a essa máquina de moer cidadania. Nenhuma nação de “credores” deu certo, mas a ideia nunca foi fazer dar certo. A ideia sempre foi trabalhar com os sentimentos menos nobres porque é com eles que se elegem os piores. Se me faço entender. E assim, nossas crianças – pasmem! –, há anos, ouvem a história do Brasil como quem testemunha uma delação premiada na qual o vício é narrado até onde não existe. E na qual toda virtude, merecimento, bem, gratidão e reverência são castigadas com silêncio. Escaneiam a consciência dos mortos e esquecem a própria!
O prêmio por falar mal do Brasil, pela delação histórica, vai para jornalistas, professores e intelectuais militantes. Cabe a eles, nestes dias, como braços do mesmo corpo, a tarefa de substituir, temporariamente, os políticos vencidos pelo descrédito. Para quase todos os efeitos visíveis, são os protagonistas da oposição nesta alvorada de 2019. E eles estão, já se vê, cumprindo seu papel, ostentando as vestes alvas de uma superioridade moral que ninguém confirma.”

http://www.puggina.org

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O socialismo é o irmão mais jovem do despotismo


"O socialismo é o fantasioso irmão mais jovem do quase decrépito despotismo, do qual quer herdar; suas aspirações, são, portanto, no sentido mais profundo, reacionárias. Pois ele deseja uma plenitude de poder estatal como só a teve alguma vez o despotismo, e até mesmo supera todo o passado por aspirar ao aniquilamento formal do indivíduo: o qual lhe aparece como um injustificado luxo da natureza e deve ser transformado e melhorado por ele em um órgão da comunidade adequado a seus fins.
Em virtude de seu parentesco, ele aparece sempre na proximidade de todos os excessivos desdobramentos de potência, como o antigo socialista típico, Platão, na corte do tirano siciliano: ele deseja (e propicia sob certas cirscunstâncias) o Estado ditatorial cesáreo deste século, porque, como foi dito, quer ser seu herdeiro.
Mas mesmo essa herança não bastaria para seus fins, ele precisa da mais servil submissão de todos os cidadãos ao Estado incondicionado como nunca existiu algo igual; e como nem sequer pode contar mais com a antiga piedade religiosa para com o Estado, mas antes, sem querer, tem de trabalhar constantemente por sua eliminação – a saber, porque trabalha pela eliminação de todos os Estados vigentes -, só pode ter esperança de existência, aqui e ali, por tempos curtos, através do extremo terrorismo.
Por isso prepara-se em surdina para dominar pelo pavor e inculca nas massas semicultas a palavra ‘justiça’ como um prego na cabeça, para despojá-las totalmente de seu entendimento (depois que esse entendimento já sofreu muito através da semicultura) e criar nelas, para o mau jogo que devem jogar, uma boa consciência.
O socialismo pode servir para ensinar, bem brutal e impositivamente, o perigo de todos os acúmulos de poder estatal e, nessa medida, infundir desconfiança diante do próprio Estado.
Quando sua voz rouca se junta ao grito de guerra ‘o máximo possível de Estado’, este, em um primeiro momento, se torna mais ruidoso que nunca. Porém logo irrompe também o oposto, com força ainda maior: ‘o mínimo possível de Estado’."
(Friedrich Nietzsche, Menschliches, Allzumenschliches)

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

No socialismo não há diferença entre os poderes político e econômico


"O ideal socialista é, em essência, a atenuação ou eliminação das diferenças de poder econômico por meio do poder político. Mas ninguém pode arbitrar eficazmente diferenças entre o mais poderoso e o menos poderoso sem ser mais poderoso que ambos: o socialismo tem de concentrar um poder capaz não apenas de se impor aos pobres, mas de enfrentar vitoriosamente o conjunto dos ricos. Não lhe é possível, portanto, nivelar as diferenças de poder econômico sem criar desníveis ainda maiores de poder político. E como a estrutura de poder político não se sustenta no ar mas custa dinheiro, não se vê como o poder político poderia subjugar o poder econômico sem absorvê-lo em si, tomando as riquezas dos ricos e administrando-as diretamente. Daí que no socialismo, exatamente ao contrário do que se passa no capitalismo, não haja diferença entre o poder político e o domínio sobre as riquezas: quanto mais alta a posição de um indivíduo e de um grupo na hierarquia política, mais riqueza estará à sua inteira e direta mercê: não haverá classe mais rica do que os governantes. Logo, os desníveis econômicos não apenas terão aumentado necessariamente, mas, consolidados pela unidade de poder político e econômico, terão se tornado impossíveis de eliminar exceto pela destruição completa do sistema socialista. E mesmo esta destruição já não resolverá o problema, porque, não havendo classe rica fora da nomenklatura, esta última conservará o poder econômico em suas mãos, simplesmente trocando de legitimação jurídica e autodenominando-se, agora, classe burguesa. A experiência socialista, quando não se congela na oligarquia burocrática, dissolve-se em capitalismo selvagem. Tertium non datur. O socialismo consiste na promessa de obter um resultado pelos meios que produzem necessariamente o resultado inverso."
(Olavo de Carvalho, Que É Ser Socialista?)

http://www.olavodecarvalho.org

domingo, 22 de julho de 2018

De cabeça para baixo


“É engraçado, mas de um modo trágico, pensar nos paradoxos do nosso tempo.
Vivemos uma época na qual toda a sociedade civil na Europa Ocidental está, confusa mas já notavelmente, começando a prestar atenção a sua herança cristã enquanto o Papa e o Vaticano tentam islamizar o Continente Europeu.
Estamos testemunhando um esforço agressivo para conter o aborto nos EUA, e talvez livrar-se dele completamente, enquanto o Papa reinante nos diz para não nos obcecarmos com o aborto.
Estamos testemunhando um Papa chamando não-cristão o que os cristãos de todas as épocas têm feito – erguer muralhas para defender suas fronteiras e controlar entradas – enquanto ele vive cercado por muros que levam o nome de um Papa.
Vivemos uma época de absurdos, na qual a Santa Igreja se encontra desfigurada, ainda que obviamente não destruída por sessenta anos de sodomia e apaziguamento, e reduzida à maior força planetária a favor do Socialismo, enquanto países como a Venezuela são devastados pela mesma estupidez propagada pelo Papa, à vista de todos.
A ironia está no seguinte: que a forte Igreja do passado podia mudar o curso da história, iniciar cruzadas, deter os otomanos, moldar o Ocidente; ao passo que a igreja homossexual de hoje mal consegue manter seus cardeais sodo-predadores fora das grades, e na verdade só consegue fazer com que as pessoas fiquem contra sua recém-fundada ideologia socialista e ambientalista.
Os sodomitas dentro da Igreja deslocam-na em direção a um entendimento laico e terreno da vida. Mas o mundo a rejeita. De fato, ele lentamente se move na direção oposta, para aqueles mesmos valores que ela não protege ou sequer condena: defesa da vida nos EUA, defesa da herança cristã na Europa.
Que trágico e completo fracasso. Mas que glorioso e pequeno raio de esperança estamos vendo chegar dos EUA e de partes da Europa, firmemente decididos a marchar na direção oposta de um Papa que só podem, e com razão, desprezar.
Em um mundo de cabeça para baixo, muitos estão aprendendo a lutar por decência sozinhos; devagar e confusamente, é verdade, mas sem sequer o apoio daqueles que mais os deveriam ajudar.
Orem pela recuperação da sanidade dentro da Igreja. Quando tivermos isso, seremos imparáveis.”

https://mundabor.wordpress.com

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Do bom selvagem ao bom revolucionário


"A história da América Latina é, até hoje, a história de um fracasso. A afirmação está nas primeiras páginas do livro Do bom selvagem ao bom revolucionário (UNB, 1981) do diplomata e jornalista venezuelano Carlos Rangel. A obra foi originalmente publicada em 1974 mas foi, infelizmente, tornada ainda mais atual pela ascensão dos governos neopopulistas da América Latina, notadamente o do também venezuelano Hugo Chávez.
Em menos de 300 páginas, Rangel traça as características da nossa formação, de personagens políticos importantes, discute o marxismo e a igreja na América Latina, e ainda diz incômodas verdades sobre nós. Abrange em poucas páginas um longo período histórico sem recorrer a generalizações nem a conclusões rasteiras.
É por demais lembrado que os colonizadores anglo-saxões buscaram no novo continente terra e liberdade, enquanto o hispano ia em busca de ouro e escravos. Um foi para ficar, outro para saquear e voltar à corte. A sociedade latino-americana é formada, então, por conquistadores e mulheres violadas. “O mito do Bom Selvagem nos concerne pessoalmente; é, ao mesmo tempo, nosso orgulho e nossa vergonha.” Esse bom selvagem vira o bom revolucionário, personificado em Che Guevara e Fidel Castro, os guerreiros das selvas, sem a contaminação stalinista, que vão redimir o povo subjugado por uma ditadura.
Claro que isso é uma construção mitológica, sem base real. Mas a sociedade latino-americana aprecia a mentira. Em vez de enfrentar seus próprios erros, construímos (com a ajuda da tese leninista do imperialismo) a idéia de que somos pobres porque eles (principalmente os Estados Unidos) são ricos. O corolário é que precisaríamos romper essa “dependência” e instaurar governos revolucionários.
Os defensores desta forma esquemática de interpretação da riqueza americana fecham os olhos para o fato de que as características notáveis do povo norte-americano, de sua inventividade e as suas bases de crescimento (como a inovação) não se deram no século XX, mas antes. São verdadeiramente notáveis as passagens, citadas por Rangel, do diário de Francisco de Miranda, um venezuelano que realizou a proeza de lutar em três grandes revoluções: a independência dos EUA, a Revolução Francesa e a emancipação hispano-americana. Pois em 1783 ele chega aos EUA e descreve uma sociedade que valoriza a lei, que borbulha de invenções técnicas e que era conduzida ao desenvolvimento pelo espírito de liberdade. “Estas simples verdades sobre a origem da prosperidade e do poder dos EUA, antes de toda relação com a América Latina, foram hoje substituídas por esfarrapadas explicações sobre como o auge norte-americano estava (?) em relação direta com o atraso do resto do hemisfério, cuja exploração pelos ianques seria a causa principal, e até única, tanto da riqueza norte-americana como da pobreza latino-americana, do êxito deles e do nosso fracasso. E se alguém lê essa parte do diário de Miranda deve ser em segredo, porque ninguém o cita, ninguém o comenta. É incômodo, quando se vive de mitos, dar de cara com a verdade, dita de forma tão simples, tão clara, tão irrefutável. E para cúmulo, por um dos autênticos heróis e um dos maiores homens da América Espanhola”, completa Rangel.
A obra aborda ainda as principais formas de governo que existiam no Continente, indo desde o modelo brasileiro nacional-desenvolvimentista militar, o caudilhismo do PRI mexicano, o militarismo de esquerda do Peru à catástrofe do governo Allende, no Chile.
Corretamente, Jean-François Revel conclui da leitura do livro de Rangel (que prefacia) de que o subdesenvolvimento desta parte do continente é político, antes de ser econômico. Não há escassez de recursos naturais nem mercado consumidor (a proximidade com os Estados Unidos ajudaria muito nisso), mas uma falta de ética do trabalho, uma mistificação sobre as próprias qualidades e origens e uma inveja que se transformou em ódio ao sucesso americano.
O resultado é que, 34 anos depois da edição deste livro, novos governos na região insistem que a democracia representativa não é a adequada para a América Latina, que o poder deve ser concentrado no presidente e que tampouco a economia de mercado serviria aos interesses da região. Beneficiados com alto preço das commodities, principalmente o petróleo, os países que voltaram a defender tais políticas suicidas conseguem parciais êxitos econômicos na superfície (redução de dívida externa, crescimento do PIB). Mas, na parte estrutural, reduzem sua industrialização, aprofundam a dependência do principal produto de exportação, reduzem a confiança nas regras do jogo e inibem o investimento privado. Quando a boa maré do crescimento acelerado mundial virar, os resultados para esses países poderão ser catastróficos.
“Tradicionalmente, temos sido países explorados. Rapidamente nem isso seremos: não será necessário explorar-nos, porque a tecnologia terá podido – em grande medida já o pode – substituir industrialmente nossas ofertas monoprodutivas. Seremos então um vasto continente de mendigos?”, perguntava Rangel.
Sua obra faz lembrar uma frase de “1984”, de George Orwell, que apontava que “the best books are those that tell you what you know already” (“os melhores livros são aqueles que dizem o que você já sabe”). Sim, qualquer um pressente que tudo o que está escrito é verdade, que não surpreende a alma latina, mas é notável como Carlos Rangel interrelaciona tais aspectos da nossa formação, nossos modelos políticos e os resultados que são continuamente obtidos.
Em tempo, há de se registrar que o fracasso na região não é completo. Há um país que cresce, respeita as instituições, abre-se ao mercado exterior e vem batendo recordes em índices internacionais de liberdade política, econômica e desenvolvimento. É o Chile. O que infelizmente, não é copiado como modelo pelos demais países. Talvez porque, como lembra Rangel, “A América Latina é constantemente tentada a definir sua independência e unidade por meio de oposição aos EUA”, e, na mentalidade latino-americana, só o confronto, mesmo que produza miséria, é exemplar."

https://www.institutomillenium.org.br

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Racismo antibranco nas universidades americanas


“O professor de biologia do Evergreen State College, Bret Weinstein, aprendeu as graves conseqüências da oposição aos esquerdistas do campus nesta semana.
Weinstein causou inicialmente um alvoroço em sua extremamente esquerdista universidade do estado de Washington quando se opôs sensatamente a um evento que exigiu que todos os brancos deixassem o campus por um dia. Ele chamou a idéia de "demonstração de força e ato de opressão".
Por expressar essa opinião e ser branco, Weinstein foi marcado como racista e perseguido por agitadores do campus que exigiram sua demissão. Na quinta-feira, o professor de biologia teve que dar sua aula fora do campus porque a polícia lhe disse que não era seguro para o pacífico acadêmico aparecer em seu local de trabalho.
Um estudante disse que esse tipo de comportamento ameaçador era "necessário" porque "é uma questão de vida ou morte para nós".
Este incidente não é, naturalmente, um caso isolado e campi em todo o país sofreram ataques semelhantes de agitação racial. Várias universidades têm testemunhado exigências de estudantes por habitação segregada para que os estudantes minoritários possam viver sem o terror das microagressões brancas. Algumas universidades, como a California State University em Los Angeles, cederam a essas exigências de exclusão.
Outros alunos foram mais ousados e exigiram matrícula gratuita para todos os alunos de cor – por causa da "supremacia branca".
E tem havido a bem conhecida exibição de violência e intimidação contra qualquer palestrante que conteste o dogma predominante da educação superior. Os ativistas freqüentemente citam o perigo de permitir que suposto "discurso de ódio" (um conceito nebuloso usado apenas para calar qualquer discurso do qual o acusador discorde) permaneça incontestado no campus e como ele vai de alguma forma prejudicar fisicamente as minorias. Esse argumento permite que violência e ameaças sejam usadas contra a oposição, como estamos vendo atualmente no Evergreen State.
Não admira que alguém tenha escrito um livro inteiro sobre esses desenvolvimentos intitulado "No Campus for White Men"...
O calvário do professor Weinstein exemplifica as perturbadoras tendências raciais na educação. Os estudantes queriam afastar todos os caucasianos durante um dia de ressentimento simbólico e o acadêmico corretamente pensou que era uma idéia estúpida para reforçar a opressão. Isso só o fez aparecer como um branco malvado e racista que merecia ser esmagado por expressar dissidência.
As bem estabelecidas credenciais progressistas de Weinstein foram descartadas em favor de vê-lo apenas pela cor de sua pele. Para os ativistas, sua brancura é seu principal atributo; tudo o mais sobre ele é secundário em importância.
O desprezo por todos os brancos mostrado por esses estudantes é simplesmente racismo, e essa visão parece ser a motivação predominante para as manifestações, em vez de um compromisso com os princípios tradicionais de esquerda.
Eventos como este só continuarão a acontecer enquanto a política de identidade minoritária continuar a dominar a vida no campus e a culpa branca for pregada por professores e administradores. Evergreen State é universidade pública e depende de contribuintes para sobreviver. Washington é um estado bastante liberal, mas tenho certeza que o eleitor médio – seja ele democrata ou republicano – não ficaria satisfeito pelo fato de que seu dinheiro está sendo usado para apoiar o cerceamento de expressão e para forçar estudantes e professores brancos para fora do campus.
Os estados que fornecem o dinheiro para este absurdo ocorrer também têm o poder de freá-lo. Com a palavra, o legislativo de Washington.”
(Scott Greer, No Campus for Professors Opposed to Anti-White Racism)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

As podridões de Simone de Beauvoir

“Conforme os setores não feministas da sociedade vão se tornando cada vez mais expressivos e claros, os setores ainda não conscientes da natureza venenosa dessa ideologia reagem com um conjunto de argumentos que apenas revelam que a realidade fatual não é ainda inteiramente conhecida pelo público.
Algum tempo atrás, um grupo de feministas de cafeteria tentava me convencer que o feminismo não é tão mau quanto eu digo que é e que se eu apenas lesse mais sobre feminismo, eu eventualmente entenderia. Como um exemplo para apoiar essa tese, as citadas feministas me recomendaram que lesse os escritos de Simone de Beauvoir, a Marxista-feminista conhecida por seu livro O Segundo Sexo. Naturalmente aquelas feministas foram incapazes de conceber que alguém tivesse levado sua ideologia a sério o suficiente para ler sua literatura e então, racionalmente, acabar por rejeitá-la. Como para qualquer outro culto, tal coisa é inconcebível para os verdadeiros crentes da seita.
No cabeçalho desta postagem, uma série de alegações foi feita sobre a eminente feminista e é justo que se apresentem provas – o que é exatamente o que será feito nas linhas a seguir.
Entre 1943 e 1944, quando a França estava sob ocupação nazista, Simone de Beauvoir trabalhou como diretora de sonografia para a Rádio Vichy. Radio Vichy era a estação de rádio estatal na assim chamada zone libre (zona livre) da França, após a capitulação da República Francesa diante da Alemanha nazista em 1940. Dizemos “assim chamada” porque o regime de Vichy, embora teoricamente neutro do ponto de vista militar, era de fato um colaborador ativo do regime nazista e hoje é fato reconhecido por todos os lados envolvidos que a Rádio Vichy era porta-voz de fato da propaganda nazista nas ondas de rádio francesas.
Defensores de Beauvoir podem dizer que ela foi obrigada pelas circunstâncias a trabalhar lá, assim como muitos indivíduos agora alegam ter sido forçados a colaborar com a “Securitate” durante o regime comunista. Mas os manuscritos de Beauvoir durante o período, revelados posteriormente, contam uma história diferente.
Mesmo autores feministas, como a Dra. Ingrid Galster, que dedicou anos de sua vida a estudar Simone de Beauvoir, têm que admitir, mesmo a contragosto, que a atitude manifesta por Beauvoir como diretora de sonografia na máquina de propaganda nazista era, no mínimo, de colaboracionismo sutil e a forma pela qual ela chegou àquele trabalho não foi via coerção – mas sim por uma escolha perfeitamente consciente. Beauvoir já era membro do sindicato de funcionários públicos e poderia ter optado por trabalhar numa prefeitura, por exemplo. Mas ela tinha que escolher trabalhar em algo que não fosse ensinar, pois sua carreira como professora estava encerrada – apesar de já ter as qualificações e o prestígio necessário para ensinar, dado que ela tinha tido o segundo melhor desempenho como estudante de doutorado em sua geração, ficando apenas atrás de seu amante de toda a vida, Jean-Paul Sartre.
A razão pela qual ela não podia mais lecionar está relacionada exatamente à pedofilia e a Sartre. Em 1943, Simone de Beauvoir foi demitida por comportamento que levara a corrupção de menor.
Novamente, os apologistas de Beauvoir poderão apressar-se em dizer que o momento em 1943 foi um incidente singular ou, como já me disseram, um incidente simplesmente inventado pelos nazistas que não podiam suportá-la após entenderam que ela uma mulher marxista independente e empoderada. Mas isso está longe da verdade.
O interesse sexual de Beauvoir por crianças é um tema recorrente em toda sua vida. Ela estava entre os primeiros filósofos que tentaram unificar o gênero literário que se iniciou nos anos 1930 (e durou até os anos 1980 na Europa Ocidental) chamado pedofilia pedagógica feminina. Ela tentou essa unificação com seu ensaio “Brigitte Bardot e a Síndrome de Lolita”, publicada pela primeira vez na revista Esquire em 1959 e republicada várias vezes até meados dos anos 1970. Nesse ensaio, Beauvoir glorifica Brigitte Bardot por seu aspecto físico infantil, que retém a perfeita inocência inerente no mito da infância e então a apresenta como uma Houdini para meninas, que as liberaria e empoderaria para além das correntes que as subjugavam.
O ensaio de 1959 foi só o começo. Em 1977, Beauvoir, juntamente com a maior parte da intelligentsia marxista francesa, assinou uma petição exigindo nada mais, nada menos que a legalização da pedofilia e a libertação imediata de três indivíduos condenados a cumprir longas sentenças de prisão por explorar sexualmente vários meninos e meninas com idades entre 11 e 14 anos. A petição assinada por Beauvoir e Sartre, entre outros, foi publicada no Le Monde e dizia, entre outras coisas:
Um tempo tão longo de prisão para investigar um simples caso “vicioso” em que as crianças não foram vítimas de qualquer violência, mas ao contrário, testemunharam perante os magistrados que consentiram – embora a lei atualmente negue-lhes o direito de consentir – um tempo tão longo na prisão nós consideramos escandaloso em si. Hoje eles estão em risco de ser sentenciados a uma longa pena de prisão, por terem tido relações sexuais com menores, tanto meninos quanto meninas, ou por terem encorajado e tirado fotografias de suas brincadeiras sexuais. Nós acreditamos que há uma incongruência entre a designação como “crime”, que serve para legitimar tal severidade, e os fatos próprios; mais ainda entre a lei antiquada e a realidade cotidiana em uma sociedade que tende a conhecer sobre a sexualidade de crianças e adolescentes […].
Assim, na opinião de Beauvoir, crianças de 11 anos na França do final dos anos 1970 tendiam a ser seres sexuais. Desde que a puberdade não acontecia e até hoje ainda não ocorre naquela idade para a grande maioria das crianças, é condizente nomear a defesa feita por Beauvoir como nada além de uma advocacia da pedofilia, a despeito da definição escolhida para a palavra.
A petição de 1977 deflagrou toda uma discussão em nível da sociedade na França sobre as leis relativas à idade do consentimento, uma discussão em que os abolicionistas (entre os quais Beauvoir e seu amante) se uniram no Front de Libération des Pédophiles (FLIP – a Frente de Liberação dos Pedófilos) e as intenções dos membros da FLIP eram explicadas claramente por eles próprios na discussão transmitida em abril de 1978 pela Radio France Culture. A FLIP seria lembrada como uma pioneira no movimento dos pedófilos franceses, embora a organização em si não tenha durado muito devido a suas discordâncias internas.
Além de Beauvoir e Sartre, houve outras pessoas envolvidas na advocacia da pedofilia naquele período, inclusive pessoas que então acabaram por liderar os destinos da França – a exemplo de Bernard Kouchner e Jack Lang, respectivamente o Ministro da Saúde e o Ministro da Educação (!) no início dos anos 2000, no primeiro mandato de Jacques Chirac.
Tudo isso torna Beauvoir não apenas uma apologista da pedofilia, mas uma apoiadora atuante. Porém, o que faz dela uma abusadora é sua atividade de recrutar alunas, abusando-as e passando-as para Jean-Paul Sartre, às vezes separadamente, às vezes em ménage à trois integrado. O Telegraph escreve, numa crítica do livro de Carole Seymour-Jones, Simone de Beauvoir? Meet Jean-Paul Sartre (“Simone de Beauvoir? Conheça Jean-Paul Sartre”), um livro dedicado a analisar o relacionamento de Beauvoir com Sartre, o seguinte:
Por longos períodos, o casal se tornou um “trio”, embora os arranjos raramente funcionassem bem para a terceira parte envolvida: ao menos duas das ex-alunas de Beauvoir se viram a tornar-se primeiro suas amantes, então de Sartre, apenas para o casal fechar-lhes as portas, quando a diversão perdia a graça.[…]
Para Seymour-Jones, os casos de Beauvoir com suas estudantes não eram lésbicos, mas pedófilos em origem: ela as estava “preparando” para Sartre, na forma de “abuso infantil”
.
Para Beauvoir (assim como para Sartre), a idade não importava, contanto que as parceiras fossem mais jovens do que ela e Sartre. A possibilidade de que as outras pudessem se ferir ou ser exploradas não passava nem remotamente pelo radar da eminente feminista, que pensava que “preparar” garotas para Sartre lhes tirar a virgindade (palavras de Sartre, não minhas) era em si e por si um ato de empoderamento sexual para aquelas meninas.
Mas se as escapadas com sabor de nazismo e pedofilia não convencem você do caráter questionável de Beauvoir, vamos dar uma olhada em seus escritos feministas, que estão tão repletos de misoginia que é difícil encontrar equivalente em outros setores da sociedade. Este aspecto por si não é surpreendente, visto que feminismo é em si uma ideologia misógina. Mas, não vamos tergiversar.
O livro de cabeceira de Beauvoir, O Segundo Sexo, considerado por feministas contemporâneas “notavelmente atual” – tinha o seguinte a dizer sobre mulheres casadas:
A esposa se alimenta dele como um parasita; mas um parasita não é um mestre triunfante.
Mais de um quarto de século depois, em 1975, em um diálogo com outra feminista, Betty Friedan, Beauvoir esclareceria sua posição além de qualquer dúvida razoável. Em uma discussão sobre a forma de compensar as mães que ficam em casa e cuidam de crianças, Beauvoir respondeu de forma inequívoca:
Não, nós não cremos que qualquer mulher deva ter essa escolha. Nenhuma mulher deveria ser autorizada a ficar em casa para criar crianças. A Sociedade deveria ser totalmente diferente. As mulheres não deveriam ter essa escolha, exatamente porque se houver tal opção, mulheres demais irão fazê-la. É uma forma de forçar as mulheres em uma certa direção.
Está claro? Na visão da eminente feminista, as mulheres são um monte de criaturas inertes, incapazes de escolher o que é bom para elas como adultos responsáveis. De fato, ninguém além de Simone de Beauvoir e sua ideologia marxista-feminista sabe o que é melhor para as mulheres. Portanto, nenhuma mulher deveria ser autorizada a escolher qualquer coisa que contrarie Beauvoir.
No mesmo diálogo, ela é ainda mais clara:
Em minha opinião, enquanto a família e o mito da família e o mito da maternidade e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a ser oprimidas.
Realmente o ódio de Beauvoir em relação à maternidade e às mães em geral é muito óbvio ao longo de todo o seu livro. Vejamos alguns exemplos:
A maternidade relega a mulher a uma existência sedentária; é natural para ela ficar em casa enquanto os homens caçam, pescam e vão à guerra.
[A mãe] é planta e animal, uma coleção de colóides, uma incubadora, um ovo; ela assusta as crianças que estão envolvidas com seus próprios corpos e provoca risos disfarçados de homens jovens, porque ela é um ser humano, consciência e liberdade, que se tornou um instrumento passivo da vida
.
E quando essa importante feminista começou a atacar os corpos das mulheres, ninguém a pôde parar:
A atitude física evocada pela servidão menstrual constitui um pesado aleijamento.
[…] o corpo de uma mulher – e especificamente uma menina – é um corpo “histérico” no sentido de que não há, por assim dizer, distância alguma entre a vida física e sua realização fisiológica. O turbilhão trazido pela descoberta, pela menina, dos problemas da puberdade, as exacerba. Porque seu corpo é suspeito para ela, ela o escrutina com ansiedade e o vê como doente: ele é doente.
As glândulas mamárias que se desenvolvem na puberdade não têm papel na economia individual da mulher: elas podem ser removidas a qualquer momento em sua vida
.
Beauvoir então passa a explicar em seu livro como é maligna e opressiva a família para o desenvolvimento de uma menina. Se o pai tem a audácia de ter orgulho e reconhecimento pelos sucessos de sua filha, isso é outra evidência da opressão e imposição de vassalagem para a filha em relação ao pai. Mas se os pais são relativamente poupados, as mães que ousam disciplinar suas filhas têm uma reprovação pior ainda da renomada feminista:
As mães – veremos – são cegamente hostis ao liberar suas filhas e, mais ou menos deliberadamente, atuam em persegui-las ainda mais; para o menino adolescente, o esforço para se tornar um homem é respeitado e ele já recebe grande liberdade. A menina é obrigada a ficar em casa; suas atividades externas são monitoradas.
Então, está claro? O fato de que alguns pais e mães não deixavam suas filhas saírem após certos horários na França ocupada por nazistas no meio da Segunda Guerra Mundial constitui opressão. E tenha em mente que Beauvoir minimiza este aspecto – sobre o qual ficam sérias dúvidas de que era generalizado – enquanto meninos de 13 e 14 anos estavam lutando na guerra, inclusive para mantê-la a salvo para poder escrever sua infame “filosofia” e produzir propaganda para o regime nazista – um regime que também mantinha meninos de 14 e 15 anos de idade em suas tropas. Fico quase tentado a dizer que ela deveria ter reconhecido seus privilégios. Mas não vou dizer.
A hipocrisia dessa mulher é fascinante em termos de estudo e revoltante ao mesmo tempo. Simone de Beauvoir, venerada até hoje como um grande ícone do “bom” feminismo dos anos 1960 e estudada nos “diálogos feministas” da Escola Nacional de Ciência Política e Administração Pública de Bucareste, defendeu com grande fervor o regime revolucionário de Ioseb Dzhugashvili (também chamado de Iosif Vissarionovich Stalin) até muito tempo após os horrores do Stalinismo terem se tornado conhecidos na Europa Ocidental.
Em outras palavras, enquanto tantos romenos deixados na URSS estavam sendo deportados para os Gulags, enquanto a elite intelectual do meu país estava sendo dizimada em campos de concentração como Râmnicu Sărat, Pitești ou Aiud e enquanto até mesmo meninos de 12 anos eram torturados em prisões comunistas por conspiração contra a ordem socialista, Simone de Beauvoir publicava O Segundo Sexo em que ela explicava como a liberação das mulheres estava intimamente relacionada ao destino do socialismo – ao mesmo tempo negando veementemente, juntamente com seu parceiro, as atrocidades stalinistas que ocorriam naquele mesmo momento. E nós, pagadores de impostos romenos, agora pagamos para estudantes irem àquela Escola de Ciência Política e Administração Pública e estudar essa pessoa desprezível, como se ela fosse alguém a se admirar. Bom, esse é um exemplo real de misoginia patrocinada pelo Estado! Mas eu tenho a impressão de que a elite feminista sente-se muito confortável com isso.
Prezadas feministas de cafeteria, se vocês nos recomendam ler Simone de Beauvoir como um exemplo de feminista “do bem”, então vocês ou não a leram e a estão mencionando apenas para parecer cultas, ou, ao contrário, vocês a leram e concordam com o que ela defendeu e nesse caso, qualquer ser humano normal e não feminista teria que ser, no mínimo do mínimo, insano, para acreditar que vocês têm as melhores intenções em mente.
A ousadia com que Beauvoir propõe nada menos que a proibição sumária de certas escolhas para mulheres por essas escolhas não caberem em sua linha ideológica é o exemplo absoluto de utopia doentia para quem água quente é um conceito novo e para quem o planeta gira em torno dela. E se não girar assim, então há um problema com o planeta e ele deve ser proibido. A verdade deve ser proibida se ela for “incorreta”.
Se essas feministas fossem realmente sinceras quando dizem que querem combater a misoginia e ampliar o espectro de escolhas para as mulheres, então começariam por jogar na lata de lixo da História todo o arsenal ideológico vindo de Simone de Beauvoir. Mas, não fazem isso e nunca farão, porque feminismo é hipócrita em seus melhores dias e totalitário por natureza e prática em seus dias comuns. E nos seus piores dias, o feminismo exige o extermínio dos homens.
Prezadas feministas, sua declaração pública de admiração por Simone de Beauvoir diz muito mais sobre vocês mesmas do que qualquer coisa que qualquer um pudesse jamais dizer. Vocês mais uma vez provam que os melhores argumentos antifeministas vêm diretamente das próprias feministas. E por isso, nós lhes estendemos nossos agradecimentos!”
(Lucian Vâlsan: Simone de Beauvoir: Nazista, Pedófila, Misândrica e Misógina)

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segunda-feira, 17 de abril de 2017

O Brasil que o PT criou


"Volto a explicar, agora ponto por ponto, a catástrofe estratégica monstruosa com que o PT destruiu a si mesmo e à nação.
1. No incipiente capitalismo brasileiro, as grandes empresas são quase sempre sócias do Estado, o único cliente que pode remunerá-las à altura dos serviços que prestam.
2. Por isso elas acabam se incorporando ao “estamento burocrático” de que falava Raymundo Faoro: o círculo dos “donos do poder”, que fazem da burocracia estatal o instrumento dócil dos seus interesses grupais em vez da máquina administrativa impessoal e científica que ela é nas democracias normais.
3. Nesse sentido, o sistema econômico brasileiro não é capitalista nem socialista, mas sim patrimonialista, como destacaram, além do próprio Faoro, vários estudiosos de orientação liberal, entre os quais Ricardo Velez Rodriguez, Antonio Paim e o embaixador J. O. de Meira Penna.
4. Nos anos 70 do século passado os intelectuais de esquerda que sonhavam em formar um grande partido de massas tomaram conhecimento do livro de Raymundo Faoro, Os Donos do Poder. Formação do Patronato Político Brasileiro, então lançado em aumentadíssima segunda edição, e entenderam que o curso normal da revolução brasileira não deveria ser propriamente anticapitalista, mas antipatrimonialista: o ponto focal do combate já não seria propriamente “o capitalismo”, e sim – com nomes variados -- o “estamento burocrático”.
5. A definição do alvo era corretíssima, mas, ao mesmo tempo, o partido, como aliás toda a esquerda nacional, estava intoxicado de gramscismo e ansioso por tomar o poder por meio dos métodos do fundador do Partido Comunista Italiano, que preconizavam a infiltração generalizada e a “ocupação de espaços” destinadas a criar a “hegemonia”, isto é o controle do imaginário popular, da cultura, de modo a fazer do partido “o poder onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.
6. A aplicação do esquema gramscista obteve mais sucesso no Brasil do que em qualquer outro país do mundo. Por volta dos anos 80 o modo comunopetista de pensar já havia se tornado tão habitual e quase natural entre as classes falantes no país, que os liberais e conservadores, inimigos potenciais dessa corrente, abdicaram de todo discurso próprio e, para se fazer entender, tinham de falar na linguagem do adversário, reforçando-lhe a hegemonia ideológica mesmo quando obtinham sobre ele alguma modesta vitória eleitoral em troca. Entre os anos 90 e a década seguinte, toda política “de direita” havia desaparecido do cenário público, deixando o campo livre para a concorrência exclusiva entre frações da esquerda, separadas pela disputa de cargos apenas, sem nenhuma divergência séria no terreno ideológico ou mesmo estratégico.
7. O sucesso da operação produziu sem grandes dificuldades a vitória eleitoral de Lula numa eleição presidencial na qual, como ele próprio reconheceu, todos os candidatos eram de esquerda, o que canalizava os votos quase espontaneamente na direção daquele que personificasse o esquerdismo da maneira mais consagrada e mais típica.
8. Com Lula na Presidência, intensificou-se formidavelmente a “ocupação de espaços”, fortalecendo a hegemonia ao ponto de levar ao completo aparelhamento da máquina estatal pelo comando comunopetista, que ao mesmo tempo precisava da ajuda das grandes empresas para cumprir o compromisso assumido no Foro de São Paulo, coordenação estratégica da política comunista no continente, no sentido de amparar e salvar do naufrágio os regimes e movimentos comunistas moribundos espalhados por toda parte.
9. Inevitavelmente, assim, o próprio partido governante se transformou no “estamento burocrático” que ele havia jurado destruir. E, imbuído da fé cega nos altos propósitos que alegava, atribuiu-se em nome deles o direito de trapacear e roubar em escala incomparavelmente maior que a de todos os seus antecessores, sem admitir acima de si nenhuma autoridade moral à qual devesse prestar satisfações. O próprio sr. Lula expressou esse sentimento com candura admirável, afirmando-se o mais insuperavelmente honesto dos brasileiros, ao qual ninguém teria o direito de julgar – e isso no momento em que seu partido, abalado por uma tremenda sucessão de escândalos, já era conhecido no país todo como o partido-ladrão por excelência.
10. Assim, não apenas o PT fortaleceu o patrimonialismo, como frisou o cientista político Ricardo Velez Rodriguez, mas se transformou ele próprio na encarnação mais pura e aparentemente mais indestrutível do poder patrimonialista, soldando numa liga indissolúvel a ilimitada pretensão esquerdista ao monopólio da autoridade moral, os anseios do movimento comunista continental, os interesses de grandes grupos industriais e bancários, o aparato cultural amestrado (mídia, show business, universidades) e, last not least, o instinto de sobrevivência da classe política praticamente inteira.
11. Tal foi o resultado da síntese macabra que denominei faoro-gramscismo -- a tentativa de realizar por meio da estratégia de Antonio Gramsci a revolução antipatrimonialista preconizada por Raymundo Faoro: na medida em que, ao mesmo tempo, instigava o ódio popular ao “estamento burocrático” e, por meio da “ocupação de espaços”, se transfigurava ele próprio no inimigo odiado, personificando-o com traços repugnantes aumentados até o nível do absurdo e do inimaginável, o PT acabou por atrair contra si próprio, em escala ampliada, a hostilidade justa e compreensível da população aos “donos do poder”, aos príncipes coroados do Estado cleptocrático.
12. Ao longo do processo, a “ocupação de espaços” reduziu o sistema de ensino e o conjunto das instituições de cultura a instrumentos para a formação da militância e a repressão ao livre debate de idéias, destruindo implacavelmente a alta cultura no país e, na mesma medida, estupidificando a opinião pública para desarmar sua capacidade crítica. Ao mesmo tempo, no desejo de agradar a vários “movimentos de minorias” enxertados no Brasil por organismos internacionais, o governo petista fez tudo o que podia para desmantelar o sistema dos valores mais caros à maioria da população, contribuindo para espalhar a confusão moral, a anomia e a criminalidade, esta última particularmente favorecida por legislações que não se inspiravam propriamente em Antonio Gramsci, mas numa fonte mais remota do pensamento esquerdista, a apologia do Lumpenproletariat como classe revolucionária, muito em voga nos anos 60 do século XX.
O Brasil que o PT criou é feio, miserável, repugnante, tormentoso e absolutamente insustentável. Cumprida a sua missão histórica de encarnar, personificar e amplificar o mal que denunciava, o único partido da História que fomentou uma revolução contra si mesmo tem a obrigação de ser coerente e desaparecer do cenário o mais breve possível.
Por isso a mensagem que o povo lhe envia nas ruas, nos panelaços, nas vaias e nas sondagens de opinião é hoje a mesma que, em circunstâncias muito menos deprimentes e muito menos alarmantes, surpreendeu o desastrado e atônito presidente João Goulart em 1964:
-- Basta! Fora!"
(Olavo de Carvalho, Basta! Fora!)

http://olavodecarvalho.org