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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Sagração de Dom Faure: entrevista com o prof. Carlos Nougué


Entrevista com o professor Carlos Nougué feita pelo confrade Eugênio Lima, fiel da Resistência, conforme publicada no blog Borboletas ao Luar.

"Fiz algumas perguntas simplórias ao Prof Carlos Nougué, para auxílio dos fiéis da tradição e certeza do combate aos fiéis da resistência. Simplórias não pela capacidade do Prof. em responder, mas pela incapacidade dos fiéis, às vezes, de compreender.
1) Quais as conseqüências desta sagração?
RESPOSTA. O fortalecimento da Resistência à abominação da desolação instalada no lugar santo e às tentativas de entregar qual Judas, por 30 dinheiros, a tradição aos hereges instalados na hierarquia da Igreja. Trata-se, claro, das tentativas da Neo-FSSPX.
2) Os bispos e os fiéis sofrerão pena de excomunhão justa de fato?
RESPOSTA. Uma excomunhão feita por hereges não só não é justa, mas é inválida; inexiste. Esta é tão inválida como a feita contra Dom Lefebvre e seus quatros bispos.
3) O estado de necessidade, como se aplica nessa situação?
RESPOSTA. Como sempre se aplicou: enquanto a hierarquia for herética, temos por necessidade de salvaguardar a fé e o sacerdócio. E fazemo-lo, como diz o Mandato Apostólico escrito e lido na sagração por Dom Williamson, com a esperança de um dia depositar todos os nossos atos nas mãos de um papa outra vez verdadeiramente católico.
4) Qual o caminho futuro da Igreja?
RESPOSTA. Creio que só Deus o sabe.
5) Existe esperança de Roma abdicar do modernismo e voltar a fé?
RESPOSTA. Humanamente falando, não. Mas, se Deus submergir o mundo no terrível castigo que este merece já há muitos séculos e cada vez mais, quem sabe?
6) Ou esse é um caminho sem volta?
RESPOSTA. São segredos da providência divina. Mas dou-lhe meu parecer (apenas uma opinião): já se cumpriram os sinais que, como profetizado nos Evangelhos, antecedem o último e terrível Anticristo: a apostasia geral das nações e a abominação da desolação instalada no lugar santo (ou seja, a heresia instalada na hierarquia católica). Mas atenção: isto não quer dizer que devamos ficar parados. Ao contrário, e digo-lhe o que vemos todos por aqui: a Resistência cresce a um ritmo inesperado; o que Deus nos prepara, só ele obviamente o sabe. Mas não devemos, como quer que seja, entristecer-nos pelo fim dos tempos. Ao contrário, devemos rezar com os apóstolos: Maranata, Vinde Senhor Jesus – mas vinde logo, para levar-nos enfim à nossa verdadeira Pátria, a Jerusalém Celeste.
Um abraço, espero ter ajudado de alguma forma, e fique com Deus.
Carlos Nougué”

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O retorno do caos


“Já foi citado nestes “Comentários” um fascinante parágrafo do livro Iota Unum, escrito pelo leigo italiano Romano Amerio e muito admirado por Dom Lefebvre. Amerio desmonta magistralmente em sua obra todos os erros doutrinários do Vaticano II. Na terceira parte do capítulo 42 ele escreve: (1) Se a crise atual tende a desnaturar a Igreja, e se (2) essa tendência é interna à Igreja e não provém de um ataque externo, como o foi em outras ocasiões, então (3) nós estamos caminhando para uma escuridão disforme que impossibilitará o diagnóstico e o prognóstico, e (4) mediante a qual não haverá outro refúgio para o homem senão o silêncio (edição espanhola em e-book, pg. 560; edição inglesa, pg. 713; edição francesa, pg. 579; edição italiana, pg. 594).
Ao se refletir sobre ele, vê-se que contém palavras fortes. Amerio está a dizer que nos encontramos à beira do caos, porque fica claro que (1) a atual crise tanto tende a desnaturar a Igreja, bem como (2) é interna à Igreja, quando o próprio Papa faz declarações tais como: “Não há um Deus católico” e “É preciso que os homossexuais sejam reavaliados”; afirmações cuja deliberada ambigüidade abre as portas para a inversão de todos os dogmas e da moral católica. Mas por que (3) o diagnóstico e o prognóstico católicos se tornarão impossíveis, e (4) como pode não haver mais nada por ser dito? Como pode Amerio chegar a uma conclusão tão sombria?
(3) Porque Nosso Senhor disse: “Eu sou a luz do mundo. Aquele que me segue, não andará nas trevas” (Jo 8, 12), o que sugere fortemente que a massa da população mundial que não O segue já está nas trevas. Ele também diz àqueles que o seguem: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 14), o que sugere fortemente que se o número de católicos convictos reduz a cada dia, então as trevas na Igreja e no mundo estão a se intensificar dia após dia. Tudo bem, alguém pode dizer, mas “trevas” é apenas uma metáfora. Por que o diagnóstico e o prognóstico católicos serão impossíveis de ser feitos?
(3) Porque mais e mais pessoas hoje estão incapacitadas de pensar. Porque desde que Nosso Senhor por meio de Sua Encarnação trouxe a graça sobrenatural para resgatar a natureza ferida e em combate, essa natureza não mais é capaz de se manter em pé sem essa graça. Então, quando os homens viram as costas para Jesus Cristo e para Deus, eles estão a minar a sua própria natureza e a repudiar o senso comum com o qual são dotados pela natureza para pensar, tanto no que diz respeito à relação do conteúdo de seu pensamento com a realidade, quanto no tocante à forma de proceder em conformidade com a lógica. Eles querem se libertar da realidade e da lógica para desafiar Deus, a fim de refazerem o mundo de acordo com suas fantasias.
Segue-se a isso que se Jesus Cristo veio para o resgate da humanidade e da natureza humana através do estabelecimento de Sua Igreja Católica, e se pelo Vaticano II os gentios também acabaram por repudiar esta Igreja, então o processo de laceração do homem por si mesmo, de sua natureza e de seu pensamento deu um passo tão grande com o Concílio, que se tornou virtualmente irreversível. Aqui está, tal como Amerio vê, implícito no Vaticano II, uma “escuridão disforme”, da qual o caos beligerante de opiniões que hoje orgulhosamente cambalhotam na Internet serve como um exemplo e uma antecipação.
Mas, (4) por que não gritar nessa escuridão? Por que “não há outro refúgio para o homem senão o silêncio”? Porque em um estrondo caótico a Verdade simplesmente não pode ser ouvida, exceto, pode-se acrescentar, por umas poucas almas que Deus predestinou para ouvi-la (At 13, 48). Essas almas são eleitas por Deus, não pelos homens, e podem vir dos ambientes mais surpreendentes. Elas não gostam da “escuridão disforme”, e Nosso Senhor as leva para o Pai (Jo 14, 6). Serão um importante auxílio para a Igreja e uma esperança para o mundo.”
(Mons. Richard Williamson, Chaos Returned)

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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Duas doutrinas opostas sobre a família

“Mas vós não representais quaisquer famílias; vós sois e representais famílias numerosas, aquelas que foram grandemente abençoadas por Deus e que são especialmente amadas e apreciadas pela Igreja como seu tesouro mais precioso. Pois estas famílias oferecem um testemunho particularmente claro de três coisas que servem para assegurar ao mundo da verdade e da doutrina eclesiástica e a sensatez de sua prática, e que redundam, pelo bom exemplo, em grande benefício de todas as outras famílias e da sociedade civil mesma.
Onde quer que se encontrem famílias numerosas, estas são sinal da saúde física e moral de um povo cristão; de uma fé viva em Deus e de confiança em sua Providência; da feliz e proveitosa santidade do matrimônio católico.”
(S.S. Pio XII, no Discurso à Associação de Famílias Numerosas, 20 de janeiro de 1958)

“Eu creio que o número de três filhos por família, segundo o que dizem os técnicos, é o número importante para manter a população. A palavra-chave para responder é a paternidade responsável, e cada pessoa, no diálogo com seu pastor, procura como levar a cabo essa paternidade... Perdoem, mas há alguns que crêem que para sermos bons católicos devemos ser como coelhos, não? Paternidade responsável: por isso na Igreja há grupos matrimoniais; os especialistas nestas questões, e há pastores. Eu conheço muitas vias lícitas, que ajudaram nisso. E outra coisa: para as pessoas mais pobres, o filho é um tesouro; é certo que há que ser prudentes, mas o filho é um tesouro. Paternidade responsável, mas também considerar a generosidade desse papai ou dessa mamãe que vê no filho ou na filha um tesouro.”
(S.S. Francisco, na Coletiva de imprensa durante o vôo de regresso de Manila, Vatican Insider, 19 de janeiro de 2015)

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

A proposta esquecida de Hilaire Belloc

“Em seu grande livro A crise de nossa civilização, Hilaire Belloc abandona sutilmente o fio de seu relato para fazer uma digressão muito incisiva, propondo à minoria católica inglesa a fundação de um periódico, cujo plano e condições expõe em seguida de forma minuciosa. Belloc afirma que deve ser um periódico de interesse geral, não clerical, com um diretor capaz, remunerado convenientemente, e mantido por uma fundação que lhe assegurasse permanência. Na visão de Belloc, uma publicação tal não deveria ocupar-se de informação religiosa, mas de todas as grandes questões políticas, culturais ou econômicas, vistas “com critério católico mas não com óculos católicos”; quer dizer, não com a tônica devota do paroquiano, mas com o teor do pensador acostumado. Considerava Belloc que um periódico assim era o melhor que se podia fazer para promover a fé católica na Inglaterra; e, naturalmente, postulava-se a si mesmo como diretor. É óbvio que sua proposta nunca chegou a materializar-se: quando quis fundar esse periódico, negaram-lhe os fundos, que se gastaram em obras de duvidosa beneficência e em financiar publicações insulsas. Já passou quase um século desde então. Mas aquela petição nunca atendida de Belloc continua nos interpelando.
Uma das razões primordiais do esgotamento da minoria católica espanhola (pois minoria ela é, ainda que as estatísticas triunfalistas que se propagam desde âmbitos oficiais pretendam o contrário) é a inexistência de meios de comunicação que expliquem a realidade com critério católico. Porque (deixando de lado aqueles meios que se ocupam de assuntos religiosos, cuja existência é muito necessária e benemérita, mas insuficiente para que uma cabeça se mantenha católica) na Espanha todos os meios de comunicação “generalistas” que analisam a situação política e econômica, tanto nacional como internacional, longe de explicar a realidade com critérios católicos, fazem-no com critérios por completo alheios, quando não adversos, ao pensamento católico, com submissões ideológicas vergonhosas que estão transformando os católicos que os freqüentam em híbridos de tal ou qual facção política. Trata-se de uma questão extraordinariamente grave e de muito difícil recomposição; e, sem dúvida, de uma das causas mais evidentes do esfriamento ou resfriamento da fé. Sempre, quando se abordam as causas da secularização dos países católicos, trazem-se à colação muitos “ismos” (quer seja o relativismo, quer o hedonismo...) e nunca se fala do “ismo” que estraga mais, que não tem uma procedência exógena, mas que está inserido no coração mesmo do corpo católico, que é o “farisaísmo”, definido por Péguy como o esvaziamento da fé e seu posterior preenchimento com borra ideológica. Quando um católico está recebendo constantemente, através dos meios de comunicação, doutrina econômica ou política contrária à doutrina social católica, acaba desencarnando sua fé, esvaziando-a de sentido, pois a fé só é tal quando se derrama sobre as realidades naturais; e inevitavelmente termina transformado em um fariseu (ou talvez em um cínico, se é que ambas as coisas não são a mesma).
Talvez este esvaziamento da fé não provoque apostasias estrondosas, nem abandonos massivos da Igreja, pois o católico que deixa que sua fé se corrompa com doutrinas políticas, sociais ou econômicas adversas nem sequer o percebe. Mas é uma via de propagação massiva da “apostasia silenciosa”, que deixou paralítica e resignada à extenuação a que antigamente se chamava “Igreja militante”, termo que hoje suspeito que se consideraria de mau gosto.”
(Juan Manuel de Prada, Sin Criterio Católico)

domingo, 15 de novembro de 2015

Quem planta, colhe


“O democratismo que invadiu a Igreja com a colegialidade instaurada a partir do Concílio Vaticano II continua dando os seus frutos podres. Hoje, é fato insofismável que as conferências episcopais desobedecem a várias determinações papais, na medida em que fazem e desfazem ao seu bel-prazer um conjunto de coisas que, noutra época, seriam motivo de gravíssimas advertências por parte da Suprema Autoridade. Um exemplo? O pro multis consacratório, que foi criminosamente traduzido pelas palavras “por todos”, quando na verdade o texto diz que Cristo derramou o seu sangue “por vós e por muitos” (pro vobis et pro multis). O que um dia foi considerado heresia apocatástica origenista, hoje está no texto da Missa.
Agora, o episcopado francês aprontou uma dessas que a gente ouve por aí. O Arcebispo de Toulouse, Mons. Robert Le Gall, presidente da Comissão Episcopal da Liturgia, na França, acaba de dar o imprimatur para o Missal 2010, que traz as seguintes novidades:
1- A supressão dos santos padroeiros da França (Nossa Senhora da Assunção, Santa Joana D’Arc e Santa Teresinha do Menino Jesus). Simplesmente isto!
2- A inclusão de novas festas no calendário “litúrgico”. Festas muçulmanas e judaicas!!!! Por exemplo (retirado do blog Oblatvs):
29 de novembro de 2009: “Na comunidade muçulmana, Aid al Kabir, festa do sacrifício do carneiro que Abraão imolou no lugar de seu filho”.
12 a 19 de novembro: “Festa judaica de Hanucá que comemora a vitória dos Macabeus e a nova dedicação do altar do templo de Jerusalém depois de sua profanação no ano 160 antes de nossa era”.
18 de dezembro: “Festa de ano-novo para a comunidade muçulmana”.
27 de fevereiro de 2010: “Festa judaica de Purim em que a comunidade faz memória do jejum de Ester, quando o povo foi libertado do projeto de extermínio dos hebreus no exílio na Pérsia”.
21 de março: “Coleta para a CCFD” [o bastante politizado Comitê Católico contra a Fome e para o Desenvolvimento].
19 de maio: “Festa judaica de Shavuot, festa das colheitas e do dom da Lei”.
12 de agosto: “começa para os muçulmanos o mês de jejum do Ramadã”.
18 de setembro: “a comunidade judaica celebra o grande perdão, Yom Kippur, o dia mais solene do ano consagrado à expiação dos pecados”.
23 de setembro a 1º de outubro: “na comunidade judaica, festa de Sucot ou dos Tabernáculos que comemora a estada no deserto durante o Êxodo”.
Último domingo de outubro: “Festa da Reforma” [reforma protestante, naturellement].
Agora o mais incrível, que consta da página 192 do referido Missal Francês: “Faz catorze séculos, em 610, Maomé, então simples mercador, começou a pregar a fim de reconduzir o povo de Meca à religião do único Deus e ensiná-los a submissão à vontade divina”.
Caros leitores, a autodemolição da Igreja continuará até o dia em que Cristo decidir pôr fim a essa farra dos infernos — cujas portas não prevalecerão sobre a doutrina do Evangelho. Vinde, Senhor! É o que nos resta implorar...”

http://contraimpugnantes.blogspot.com.br

sábado, 8 de agosto de 2015

A fé verdadeira desapareceu na Igreja conciliar

“Os clérigos não tomarão medidas verdadeiras porque eles não querem problemas. Eles não querem ser impopulares. Eles não querem ser mártires. Muitos bispos e padres perderam a sua fé. Eles não são mais católicos. Eles se tornaram uma espécie de neo-católicos, que é meio caminho entre os anglicanos e os clubes rotarianos. No campo da educação, a situação é ainda pior. Não há dúvida de que o ensinamento do catecismo, o ensino da religião, desapareceu. Os jesuítas, dominicanos, carmelitas e franciscanos se tornaram secularizados. E você não pode mais falar sobre faculdades católicas. Não há como estimar o dano que tem sido feito. Hoje em dia, os marxistas, lésbicas e homossexuais têm direitos iguais nos campi católicos. Eles ensinam sobre preservativos, o estilo de vida homossexual e a eutanásia. Os estabelecimentos católicos de ensino querem ser como os outros. Querem se adaptar ao sistema, mas infelizmente o sistema é imoral. Assim, a condição da Igreja é muito triste a partir desse ponto de vista. Além desses problemas existe o fato de que a Igreja está dilacerada por facções. A grande maioria dos católicos nos países ocidentais agora foram afastados da Igreja como ela era. Eles não rezam mais da mesma maneira. Eles não pensam mais da mesma maneira. O jejum e a abstinência acabaram. Nossa Igreja está sendo completamente secularizada porque a fé verdadeira desapareceu”.
(Pe. Malachi Martin, S.J, em uma entrevista de 1991)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A apostasia de Roma

“Os escritores da Igreja nos contam como nos últimos dias a cidade de Roma vai provavelmente apostatar da Igreja e do vigário de Jesus Cristo; e que Roma será de novo punida, pois Ele se afastará dela; e o julgamento de Deus cairá sobre o lugar do qual Ele havia reinado sobre as nações do mundo. Pois que faz de Roma sagrada, senão a presença do vigário de Jesus Cristo? Que tem ela que a faz querida aos olhos de Deus, que não a presença do vigário de Seu Filho? Saia de Roma a Igreja de Cristo, e Roma não será mais aos olhos de Deus do que a Jerusalém de outrora.
A apostasia da cidade de Roma em relação ao vigário de Cristo, e sua destruição pelo Anticristo, pode ser um pensamento tão novo para muitos católicos, que tenho por bem recitar o texto de teólogos da maior reputação. Em primeiro lugar Malvenda, que escreve expressamente sobre a matéria, afirma como sendo a opinião de Ribera, Gaspar Melus, Viegas, Suárez, Belarmino e Bosius que Roma vai apostatar da fé, expulsar o vigário de Cristo e retornar a seu antigo paganismo. São palavras de Malvenda: — 'Mas a própria Roma, nos últimos tempos do mundo, retornará a sua antiga idolatria, poder, e grandeza imperial. Ela expulsará seu pontífice, apostatará completamente da fé cristã, perseguirá terrivelmente a Igreja, derramará o sangue dos mártires mais cruelmente que nunca, e recobrará seu estado anterior de abundante riqueza, ou até maior do que teve sob seus primeiros governantes.’
Lessius diz: — ‘No tempo do Anticristo, Roma será destruída, como vemos abertamente no décimo-terceiro capítulo do Apocalipse;’ e em seguida: — ‘A mulher que viste é a grande cidade, que tem reinado sobre todos os reis da terra, na qual está simbolizada Roma em sua impiedade, tal como era no tempo de São João, e será de novo no fim do mundo.’ E Belarmino: — ‘No tempo do Anticristo, Roma será desolada e queimada, como aprendemos no décimo-sexto verso do décimo-sétimo capítulo do Apocalipse.’ Sobre tais palavras comenta o jesuíta Erbermann o seguinte: — ‘Todos confessamos, com Belarmino, que o povo de Roma, um pouco antes do fim do mundo, retornará ao paganismo, e expulsará o Pontífice Romano.’
Então a Igreja vai-se dispersar, fugindo para o deserto, e será durante algum tempo como era no começo, escondida invisível nas catacumbas, em cavernas, em montanhas, em esconderijos; por algum tempo parecerá como que varrida da face da terra. Tal é o testemunho universal dos Padres da Igreja primitiva.”
(Cardeal Henry Manning, The Present Crisis of the Holy See)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Duplicidade

Seja vosso falar sim, sim; não, não. Tudo o que disso passa vem do Maligno” (Mt 5, 37)

“Um caso de bilingüismo, como de serpente. Ontem foi fustigar o fantasma das famílias católicas e numerosas de antanho, como se os fantasmas perturbassem em algo a mudança – que parece definitiva e irrevogável – dos hábitos e dos princípios sobre os quais aqueles se cimentam; hoje foi “dá consolo e esperança ver tantas famílias numerosas que acolhem os filhos como um verdadeiro dom de Deus”. Cremos haver falado alguma vez desta surpreendente virtualidade – já que não virtude – da glote de Francisco. A graça gratis data da bilocação, de que dão testemunho as biografias de vários santos, transforma-se nele em notória bilocução. São habilidades adquiridas na escola daquele santo doutor e fundador de ímpar progênie: são Perón.
Mas não somos tão simplórios para aceitar as desculpas de um farsante consumado. Primeiro, porque não cremos – como tantos que se esmeram em cobrir as vergonhas do rei desnudo – que suas palavras sobre a família cunicular devam ser situadas no contexto de sua recente viagem às Filipinas, com o drama da pobreza extrema diante de suas retinas, etc. etc. O verdadeiro contexto das palavras de Bergoglio são seus irritantes dislates de cada dia, que autorizam a presunção de que sua demasia (esse “mais” que excede a límpida locução esperada de um pontífice) vem do subterrâneo. E suas palavras aludiam a famílias católicas, numerosas, como se costumava outrora, filhas daquela Igreja que todavia não havia abraçado as novidades conciliares, a mesma que incita as habituais e coléricas repreensões do pontífice. Como o fez na ocasião desta última viagem, por farta vez:
Faz tempo se dizia que os budistas iam ao inferno. Mas também que os protestantes, quando eu era menino, iam ao inferno, é o que nos ensinavam. E recordo a primeira experiência de ecumenismo que tive: tinha quatro anos ou cinco e ia caminhando pela rua com minha avó, que me levava pela mão, e na outra calçada iam duas mulheres do Exército da Salvação, com esse chapéu que já não se usa e com esse coque. Eu perguntei: “Vovó, essas são monjas?” E ela me respondeu: “Não, são protestantes, mas são boas!” Foi a primeira vez que ouvi falar bem das pessoas que pertencem a outras confissões. A Igreja cresceu muito no respeito às demais religiões, o Concílio Vaticano II falou sobre o respeito a seus valores. Houve tempos obscuros na história da Igreja, deve-se dizê-lo sem vergonha...
Certamente, disse-o sem vergonha. Mas o mais grave do discurso sobre as famílias numerosas, pouco notado em geral e bem apontado em um comentário que nos enviaram a nossa entrada anterior, estriba-se na reinterpretação trapaceira que Bergoglio propicia da Humanae vitae, aquela Encíclica tão resistida de Paulo VI cujo objeto foi assinalar a ilicitude dos métodos contraceptivos, e que Bergoglio refunde como mera condenação do neomalthusianismo. “Havendo relativizado este pronunciamento magisterial, procede a levar a questão [do uso de contraceptivos] ao foro interno”. Já o havia feito seu finado amigo íntimo, o turbulento cardeal Mejía, desde as páginas de sua infame revista Critério nos mesmos dias da publicação daquela Encíclica: “o ensinamento da Sé romana não é um absoluto” porque o da bioética “é a zona mais crepuscular e delicada do exercício do Magistério”, pois embora a Igreja “tenha o direito de proclamar ensinamentos que se refiram à lei natural (...) entramos em uma zona onde o progresso dos conhecimentos humanos, as limitações culturais e as transformações da história têm sua parte”. “O limite – termina Mejía – não é imposto à consciência, mas brota, no ensinamento da Encíclica, das raízes da consciência mesma”. Francisco recolheu o motivo: “a recusa de Paulo VI não se referia a problemas pessoais, sobre os quais pedirá depois aos confessores que sejam misericordiosos e que compreendam as situações”, mas ao neomalthusianismo. Não só têm a ousadia de afirmar que a lei não está nas coisas mas no sujeito, que a consciência é infalível e que um ato mau por seu objeto pode deixar de sê-lo segundo as circunstâncias (e que o pecado está nas ideologias e nos programas, mas não nos atos pessoais), mas pretendem fazer cúmplice desses mesmos e venenosos erros o Magistério. E de passagem, para alívio da multidão, entreabrem-se as comportas de uma mudança de doutrina a respeito dos contraceptivos.
Isso sim: no dia seguinte, elogiando as famílias numerosas.”

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sábado, 24 de janeiro de 2015

Duas doutrinas opostas sobre a família

“Mas vós não representais quaisquer famílias; vós sois e representais famílias numerosas, aquelas que foram grandemente abençoadas por Deus e que são especialmente amadas e apreciadas pela Igreja como seu tesouro mais precioso. Pois estas famílias oferecem um testemunho particularmente claro de três coisas que servem para assegurar ao mundo da verdade e da doutrina eclesiástica e a sensatez de sua prática, e que redundam, pelo bom exemplo, em grande benefício de todas as outras famílias e da sociedade civil mesma.
Onde quer que se encontrem famílias numerosas, estas são sinal da saúde física e moral de um povo cristão; de uma fé viva em Deus e de confiança em sua Providência; da feliz e proveitosa santidade do matrimônio católico.”
(S.S. Pio XII, no Discurso à Associação de Famílias Numerosas, 20 de janeiro de 1958)

“Eu creio que o número de três filhos por família, segundo o que dizem os técnicos, é o número importante para manter a população. A palavra-chave para responder é a paternidade responsável, e cada pessoa, no diálogo com seu pastor, procura como levar a cabo essa paternidade... Perdoem, mas há alguns que crêem que para sermos bons católicos devemos ser como coelhos, não? Paternidade responsável: por isso na Igreja há grupos matrimoniais; os especialistas nestas questões, e há pastores. Eu conheço muitas vias lícitas, que ajudaram nisso. E outra coisa: para as pessoas mais pobres, o filho é um tesouro; é certo que há que ser prudentes, mas o filho é um tesouro. Paternidade responsável, mas também considerar a generosidade desse papai ou dessa mamãe que vê no filho ou na filha um tesouro.”
(S.S. Francisco, na Coletiva de imprensa durante o vôo de regresso de Manila, Vatican Insider, 19 de janeiro de 2015)

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A descristianização do Canadá

“O Pew Forum, um instituto de pesquisa em ciências sociais baseado em Washington, publicou em 27 de junho um estudo intitulado Alterações no Panorama Religioso do Canadá. Esse último estudo revela que jamais houve tantos canadenses pertencendo a religiões minoritárias, e ao mesmo tempo há um aumento constante no número de canadenses sem filiação religiosa, enquanto a prática regular está em declínio.
É verdade que o hino nacional do Canadá faz referência a Deus (Ó Canadá... Deus mantenha nossa pátria gloriosa e livre) e dois terços dos canadenses ainda se identificam como membros de religiões majoritárias – Católica e Protestante – mas as duas confissões cristãs sofreram uma substancial erosão durante quatro décadas: os protestantes passaram em 40 anos de 41% para 27%, e os católicos de 47% para 39%.
Os que não têm filiação religiosa passaram de 4% em 1971 para quase um quarto da população (24%) em 2011. O aumento nos religiosamente não-filiados no Canadá é semelhante, em certos aspectos, ao crescimento desse grupo – às vezes chamados de “Nenhuns” - nos Estados Unidos. Nos dois países, aproximadamente um dentre vinte adultos, ou 5%, eram religiosamente não-filiados no começo dos anos 70. A desfiliação começou a aumentar fortemente no Canadá durante os anos 80 e nos Estados Unidos nos anos 90. E na última década, os dois países experimentaram um rápido crescimento no número de adultos que dizem não ter nenhuma filiação religiosa.
Atualmente, cerca de 20% da população do Canadá nasceu em outro país. Nos anos 70 e 80, a população de origem estrangeira era menor, vinda principalmente da Europa e a maioria era de cristãos. Nos últimos anos, o crescente número de imigrantes – cerca de metade da população imigrante do Canadá – vinda da Ásia, África, e do Oriente Médio, reforçou a categoria de “outras religiões” com sua filiação ao Islã, Hinduísmo, Siquismo e Budismo. A partir de 2001, quase quatro dentre dez (39%) dos novos imigrantes canadenses pertencem a essas religiões minoritárias, em comparação com a mesma proporção de novos imigrantes (39%) que se identificam como católicos ou protestantes.”

http://www.dici.org/en/news/canada-rapid-transformation-of-the-religious-landscape