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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O retorno do caos


“Já foi citado nestes “Comentários” um fascinante parágrafo do livro Iota Unum, escrito pelo leigo italiano Romano Amerio e muito admirado por Dom Lefebvre. Amerio desmonta magistralmente em sua obra todos os erros doutrinários do Vaticano II. Na terceira parte do capítulo 42 ele escreve: (1) Se a crise atual tende a desnaturar a Igreja, e se (2) essa tendência é interna à Igreja e não provém de um ataque externo, como o foi em outras ocasiões, então (3) nós estamos caminhando para uma escuridão disforme que impossibilitará o diagnóstico e o prognóstico, e (4) mediante a qual não haverá outro refúgio para o homem senão o silêncio (edição espanhola em e-book, pg. 560; edição inglesa, pg. 713; edição francesa, pg. 579; edição italiana, pg. 594).
Ao se refletir sobre ele, vê-se que contém palavras fortes. Amerio está a dizer que nos encontramos à beira do caos, porque fica claro que (1) a atual crise tanto tende a desnaturar a Igreja, bem como (2) é interna à Igreja, quando o próprio Papa faz declarações tais como: “Não há um Deus católico” e “É preciso que os homossexuais sejam reavaliados”; afirmações cuja deliberada ambigüidade abre as portas para a inversão de todos os dogmas e da moral católica. Mas por que (3) o diagnóstico e o prognóstico católicos se tornarão impossíveis, e (4) como pode não haver mais nada por ser dito? Como pode Amerio chegar a uma conclusão tão sombria?
(3) Porque Nosso Senhor disse: “Eu sou a luz do mundo. Aquele que me segue, não andará nas trevas” (Jo 8, 12), o que sugere fortemente que a massa da população mundial que não O segue já está nas trevas. Ele também diz àqueles que o seguem: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 14), o que sugere fortemente que se o número de católicos convictos reduz a cada dia, então as trevas na Igreja e no mundo estão a se intensificar dia após dia. Tudo bem, alguém pode dizer, mas “trevas” é apenas uma metáfora. Por que o diagnóstico e o prognóstico católicos serão impossíveis de ser feitos?
(3) Porque mais e mais pessoas hoje estão incapacitadas de pensar. Porque desde que Nosso Senhor por meio de Sua Encarnação trouxe a graça sobrenatural para resgatar a natureza ferida e em combate, essa natureza não mais é capaz de se manter em pé sem essa graça. Então, quando os homens viram as costas para Jesus Cristo e para Deus, eles estão a minar a sua própria natureza e a repudiar o senso comum com o qual são dotados pela natureza para pensar, tanto no que diz respeito à relação do conteúdo de seu pensamento com a realidade, quanto no tocante à forma de proceder em conformidade com a lógica. Eles querem se libertar da realidade e da lógica para desafiar Deus, a fim de refazerem o mundo de acordo com suas fantasias.
Segue-se a isso que se Jesus Cristo veio para o resgate da humanidade e da natureza humana através do estabelecimento de Sua Igreja Católica, e se pelo Vaticano II os gentios também acabaram por repudiar esta Igreja, então o processo de laceração do homem por si mesmo, de sua natureza e de seu pensamento deu um passo tão grande com o Concílio, que se tornou virtualmente irreversível. Aqui está, tal como Amerio vê, implícito no Vaticano II, uma “escuridão disforme”, da qual o caos beligerante de opiniões que hoje orgulhosamente cambalhotam na Internet serve como um exemplo e uma antecipação.
Mas, (4) por que não gritar nessa escuridão? Por que “não há outro refúgio para o homem senão o silêncio”? Porque em um estrondo caótico a Verdade simplesmente não pode ser ouvida, exceto, pode-se acrescentar, por umas poucas almas que Deus predestinou para ouvi-la (At 13, 48). Essas almas são eleitas por Deus, não pelos homens, e podem vir dos ambientes mais surpreendentes. Elas não gostam da “escuridão disforme”, e Nosso Senhor as leva para o Pai (Jo 14, 6). Serão um importante auxílio para a Igreja e uma esperança para o mundo.”
(Mons. Richard Williamson, Chaos Returned)

http://borboletasaoluar.blogspot.com.br

sábado, 5 de novembro de 2016

A doutrina tradicional do ecumenismo

“A doutrina tradicional do ecumenismo está estabelecida na Instructio de motione oecumenica promulgada pelo Santo Ofício em 20 de dezembro de 1949 (nos AAS, 31 de janeiro de 1950), que retoma o ensinamento de Pio XI na encíclica Mortalium animos. Estabelece-se portanto:
Primeiro: “a Igreja católica possui a plenitude de Cristo” e não tem que aperfeiçoá-la por obra de outras confissões.
Segundo: não se deve buscar a união por meio de uma progressiva assimilação das diversas confissões de fé nem mediante uma acomodação do dogma católico a outro dogma.
Terceiro: a única verdadeira unidade das Igrejas pode fazer-se somente com o retorno (per reditum) dos irmãos separados à verdadeira Igreja de Deus.
Quarto: Os separados que retornam à Igreja católica não perdem nada de substancial de quanto pertence a sua particular profissão, mas sim reencontram-no idêntico em uma dimensão completa e perfeita (“completum atque absolutum”).
Por conseguinte, a doutrina enfatizada pela Instructio supõe: que a Igreja de Roma é o fundamento e o centro da unidade cristã; que a vida histórica da Igreja, que é a pessoa coletiva de Cristo, não se leva a cabo em torno de vários centros, as diversas confissões cristãs, que teriam um centro mais profundo situado fora de cada uma delas; e finalmente, que os separados devem mover-se para o centro imóvel que é a Igreja do serviço de Pedro. A união ecumênica encontra sua razão e seu fim em algo que já está na história, que não é algo futuro, e que os separados devem recuperar.
Todas as cautelas adotadas em matéria ecumênica pela Igreja romana e principalmente sua não participação (ainda mantida) no Conselho Ecumênico das Igrejas têm por motivo esta noção da unidade dos cristãos e a exclusão do pluralismo paritário das confissões separadas. Finalmente, a posição doutrinal é uma reafirmação da transcendência do Cristianismo, cujo princípio (Cristo) é um princípio teândrico cujo vigário histórico é o ministério de Pedro.”
(Romano Amerio, Iota Unum)