“A blasfêmia é tão antiga quanto a religião; na verdade, tão antiga quanto a criação. A serpente do Paraíso é o primeiro blasfemador da história – e obteve êxito. Na segunda criação do homem, a ofensa a Deus também estava presente. Além de ter sido acusado de blasfemar pelas autoridades religiosas de sua época, Jesus Cristo foi vítima de blasfêmias no momento em que estava pregado à cruz, sofrendo dores lancinantes: “Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele!” (Mt. 27; 42) Por isso, não me escandalizo com as blasfêmias contemporâneas. Só sinto uma profunda pena, uma invencível vontade de rezar pelos blasfemadores. Acham-se ousados, não sabem como são típicos. Um dia terão consciência do erro que cometeram.
A mais antiga imagem pictórica do cristianismo é um ato de blasfêmia. Trata-se do grafite de Alexamenos, encontrado durante escavações no Monte Palatino, em Roma, no ano de 1875. Calcula-se que o grafite seja do século III da era cristã. O desenho em gesso mostra a crucificação de um burro, tendo a seus pés um fiel em atitude de adoração. A legenda, em grego, diz: “Alexamenos adora seu deus”. Imagine-se que Alexamenos seja um cristão dos primeiros tempos, ridicularizado por seus colegas.
Nos tempos modernos, um dos maiores alvos dos blasfemadores é a família. Os novos colegas de Alexamenos fazem isso porque sabem que o núcleo familiar sempre foi a maior força de resistência contra as arbitrariedades do Estado e da ideologia. Marx, Trotski, Stalin, Mao e Fidel estavam conscientes dessa força. Tanto é que fizeram tudo para destruir as famílias de seus contemporâneos – e acabaram destruindo as suas próprias.
Um dos truques da blasfêmia moderna é esconder-se sob as palavras. Os ideólogos querem agora promover a sexualização das crianças disfarçada com o nome “ideologia de gênero”. De minha parte, acho um milhão de vezes pior a blasfêmia que pode atingir nossos filhos na escola do que aquela feita meramente para atrair manchetes na mídia. A serpente que se esconde é mais perigosa do que a serpente que se mostra. Vigiai e orai!”
(Paulo Briguet, Blasfêmia)
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quinta-feira, 20 de abril de 2017
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
A oposição blasfema do Cardeal Kasper à imutabilidade de Deus
“O Deus que está entronizado sobre o mundo e a história como ser imutável é uma ofensa ao homem. Deve-se rejeitá-lo pelo bem do homem, porque ele pede para si mesmo a dignidade e a honra que pertencem por direito ao homem... Devemos resistir a este Deus, contudo, não apenas pelo bem do homem, mas também por amor a Deus. Ele não é de modo algum o verdadeiro Deus, mas sim um ídolo miserável. Pois um Deus que está apenas ao lado e acima da história, que não é ele mesmo história, é um Deus finito. Se chamamos uma tal coisa de Deus, então pelo bem do Absoluto devemos nos tornar ateístas. Um tal Deus nasce de uma rígida visão de mundo; ele é fiador do status quo e inimigo do que é novo.”
(Cardeal Walter Kasper, Mercy: The Essence of the Gospel and the Key to Christian Life)
(Cardeal Walter Kasper, Mercy: The Essence of the Gospel and the Key to Christian Life)
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Do báculo modernista à cruz “foice e martelo” de Francisco
“O sacrílego presente ofertado pelo presidente da República da Bolívia ao bispo de Roma causou perplexidade e revolta entre os católicos, não só porque a foice e martelo são o símbolo do comunismo, o regime político diabólico que perseguiu os católicos com mais crueldade do que a antiga Roma pagã, mas sobretudo porque o mimoseado com o esdrúxulo regalo, segundo informou o porta-voz do Vaticano, não manifestou nenhum desagrado.
A Roma dos césares perseguia os cristãos porque estes eram intolerantes, não aceitavam a política ecumênica do império que punha nos nichos do panteão todos os deuses da gentilidade, ao passo que o comunismo tentou a ferro e fogo apagar do coração do homem qualquer crença em Deus e na vida eterna, bem como destruir todas as instituições sociais da cristandade, sobretudo a família e a propriedade privada.
Como bem sabemos, as mais diversas seitas gnósticas e satanistas sempre se distinguiram pelo gosto perverso de profanar a cruz, enquanto a Igreja e seus filhos sempre a exaltaram e se refugiaram sob a sua poderosa proteção. E nós brasileiros somos, com orgulho, filhos da Terra da Santa Cruz.
Contudo, cumpre dizer que, infelizmente, desde o Vaticano II, com sua fracassada reforma litúrgica, a santa cruz passou a ser objeto de trabalhos “artísticos”, não só de inegável mau gosto, mas de manifesta intenção de escárnio da fé. O mais deplorável desses trabalhos “artísticos” foi o famoso báculo de Paulo VI, utilizado por João Paulo ao longo de todo seu pontificado, aposentado por Bento XVI e ressuscitado adrede por Francisco.
Com efeito, não se pode negar o propósito de escárnio da fé nestas modernas representações da cruz, pois há altos dignitários eclesiásticos que declaram que está ultrapassada a crença em um sacrifício redentor da cruz. A cruz representaria apenas o sofrimento, a opressão, de que o homem moderno, mais maduro e consciente de suas próprias forças, certamente se libertará. De modo que se deve representar a cruz, não como o instrumento da salvação do mundo, como libertação do pecado e do poder do diabo (não se crê mais neste ser mitológico segundo o modernismo), mas como o mal a ser vencido pela revolução do homem moderno emancipado de qualquer autoridade humana ou divina.
Lembro-me de que há uns trinta anos houve um grande evento no Brasil, semelhante ao Encontro Mundial dos Movimentos Sociais promovido pelo Vaticano na Bolívia, em que centenas de católicos das famigeradas comunidades eclesiais de base, na presença de bispos, celebraram o ritual “Pisoteio da Cruz”. Para gente desse jaez, do drama do calvário a única lição que se deve tirar é o grito de Cristo “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparastes”, interpretado como um grito de desespero a fim de que o homem se convença de que do céu não se deve esperar nada, mas só lutar (a praxis) para revolucionar o mundo. As palavras do Redentor “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” não têm sentido, porque não crêem na existência da alma imortal e muito menos na vida eterna.
No episódio recente do encontro entre o bispo de Roma e o cacique bolivariano, o que me pareceu lamentável foi verificar mais uma vez a falta de informação de muitos católicos sobre o pontificado de João Paulo II, considerado por eles como um modelo de conservadorismo e ortodoxia em contraposição ao revolucionário e libertário pontificado de Francisco.
Ora, sabe-se perfeitamente que a encíclica social Laborem exercens de João Paulo II emprega categorias marxistas para analisar o mundo moderno. Isto foi dito pelo prof. Buttiglione, da Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. A referida encíclica exalta tanto o trabalho como se isto não fosse uma espécie de idolatria e condena o capital como se apenas este fosse uma idolatria instigada pelo diabo. Pois eu digo que a idolatria do trabalho pode rebaixar e infelicitar mais o homem do que a idolatria do dinheiro à medida que lhe impede o necessário ócio (não a preguiça) para a contemplação e o aprimoramento do espírito. E não foi apenas o professor Buttiglione, mas também o redator da edição polaca do Osservatore Romano, Pe. Boniecki, amigo pessoal de João Paulo II, que disse que a encíclica Laborem exercens está mais próxima do pensamento de Marx que ao de Leão XIII. Ademais, sabe-se que João Paulo II não queria censurar Leonardo Boff e só o fez porque Ratzinger lhe disse que renunciaria a seu cargo se o processo contra o teólogo da libertação ficasse em vão.
Não bastasse tudo isso, tanto João Paulo II quanto Ratzinger se esforçaram por operar uma síntese entre a tradição católica e a modernidade e nisto se mostraram adeptos do método dialético e de um conceito de verdade evolutiva.
Realmente, se não fosse assim, Francisco não teria canonizado João Paulo II e não teria “ressuscitado” o seu báculo que tem um crucificado próprio das seitas gnósticas medievais.
Portanto, pode-se falar de uma relação de causa e efeito entre o espantoso báculo dos papas da Igreja Conciliar e a cruz “foice e martelo” regalada ao bispo de Roma. E não nos iludamos: este novo modelo de cruz será colocado nos altares “Novus Ordo” de muitas igrejas que adotam a nova teologia da misericórdia revolucionária!”
http://santamariadasvitorias.org
A Roma dos césares perseguia os cristãos porque estes eram intolerantes, não aceitavam a política ecumênica do império que punha nos nichos do panteão todos os deuses da gentilidade, ao passo que o comunismo tentou a ferro e fogo apagar do coração do homem qualquer crença em Deus e na vida eterna, bem como destruir todas as instituições sociais da cristandade, sobretudo a família e a propriedade privada.
Como bem sabemos, as mais diversas seitas gnósticas e satanistas sempre se distinguiram pelo gosto perverso de profanar a cruz, enquanto a Igreja e seus filhos sempre a exaltaram e se refugiaram sob a sua poderosa proteção. E nós brasileiros somos, com orgulho, filhos da Terra da Santa Cruz.
Contudo, cumpre dizer que, infelizmente, desde o Vaticano II, com sua fracassada reforma litúrgica, a santa cruz passou a ser objeto de trabalhos “artísticos”, não só de inegável mau gosto, mas de manifesta intenção de escárnio da fé. O mais deplorável desses trabalhos “artísticos” foi o famoso báculo de Paulo VI, utilizado por João Paulo ao longo de todo seu pontificado, aposentado por Bento XVI e ressuscitado adrede por Francisco.
Com efeito, não se pode negar o propósito de escárnio da fé nestas modernas representações da cruz, pois há altos dignitários eclesiásticos que declaram que está ultrapassada a crença em um sacrifício redentor da cruz. A cruz representaria apenas o sofrimento, a opressão, de que o homem moderno, mais maduro e consciente de suas próprias forças, certamente se libertará. De modo que se deve representar a cruz, não como o instrumento da salvação do mundo, como libertação do pecado e do poder do diabo (não se crê mais neste ser mitológico segundo o modernismo), mas como o mal a ser vencido pela revolução do homem moderno emancipado de qualquer autoridade humana ou divina.
Lembro-me de que há uns trinta anos houve um grande evento no Brasil, semelhante ao Encontro Mundial dos Movimentos Sociais promovido pelo Vaticano na Bolívia, em que centenas de católicos das famigeradas comunidades eclesiais de base, na presença de bispos, celebraram o ritual “Pisoteio da Cruz”. Para gente desse jaez, do drama do calvário a única lição que se deve tirar é o grito de Cristo “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparastes”, interpretado como um grito de desespero a fim de que o homem se convença de que do céu não se deve esperar nada, mas só lutar (a praxis) para revolucionar o mundo. As palavras do Redentor “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” não têm sentido, porque não crêem na existência da alma imortal e muito menos na vida eterna.
No episódio recente do encontro entre o bispo de Roma e o cacique bolivariano, o que me pareceu lamentável foi verificar mais uma vez a falta de informação de muitos católicos sobre o pontificado de João Paulo II, considerado por eles como um modelo de conservadorismo e ortodoxia em contraposição ao revolucionário e libertário pontificado de Francisco.
Ora, sabe-se perfeitamente que a encíclica social Laborem exercens de João Paulo II emprega categorias marxistas para analisar o mundo moderno. Isto foi dito pelo prof. Buttiglione, da Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. A referida encíclica exalta tanto o trabalho como se isto não fosse uma espécie de idolatria e condena o capital como se apenas este fosse uma idolatria instigada pelo diabo. Pois eu digo que a idolatria do trabalho pode rebaixar e infelicitar mais o homem do que a idolatria do dinheiro à medida que lhe impede o necessário ócio (não a preguiça) para a contemplação e o aprimoramento do espírito. E não foi apenas o professor Buttiglione, mas também o redator da edição polaca do Osservatore Romano, Pe. Boniecki, amigo pessoal de João Paulo II, que disse que a encíclica Laborem exercens está mais próxima do pensamento de Marx que ao de Leão XIII. Ademais, sabe-se que João Paulo II não queria censurar Leonardo Boff e só o fez porque Ratzinger lhe disse que renunciaria a seu cargo se o processo contra o teólogo da libertação ficasse em vão.
Não bastasse tudo isso, tanto João Paulo II quanto Ratzinger se esforçaram por operar uma síntese entre a tradição católica e a modernidade e nisto se mostraram adeptos do método dialético e de um conceito de verdade evolutiva.
Realmente, se não fosse assim, Francisco não teria canonizado João Paulo II e não teria “ressuscitado” o seu báculo que tem um crucificado próprio das seitas gnósticas medievais.
Portanto, pode-se falar de uma relação de causa e efeito entre o espantoso báculo dos papas da Igreja Conciliar e a cruz “foice e martelo” regalada ao bispo de Roma. E não nos iludamos: este novo modelo de cruz será colocado nos altares “Novus Ordo” de muitas igrejas que adotam a nova teologia da misericórdia revolucionária!”
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terça-feira, 14 de julho de 2015
O "crucifixo" marxista com que Evo Morales presenteou o papa
“Evo Morales, depois de condecorá-lo com o Condor dos Andes e a distinção Luis Espinal, presenteou o papa Francisco com uma réplica do “crucifixo” elaborado pelo padre Luis Espinal – jesuíta espanhol simpatizante da teologia da libertação, crivado de balas pelos paramilitares em 22 de março de 1980 – no qual este mostrou e esculpiu em madeira sua ideologia ao representar um Cristo crucificado sobre o símbolo marxista da foice e do martelo. O papa chegou a dizer “não sabia disso”, referindo-se a que desconhecia a história desse crucifixo, depois que escutou a explicação do presidente da Bolívia. Alguns meios de informação católicos tergiversaram a frase de Francisco e disseram erroneamente que o papa condenou – de imediato – a desrespeitosa imagem e disse a Evo: “não está bem isso”.
No trajeto de El Alto a La Paz, Francisco já havia se detido no caminho para homenagear o jesuíta, no lugar onde foi executado. Destacou: “Detive-me aqui para saudá-los e sobretudo para recordar. Recordar um irmão, um irmão nosso, vítima de interesses que não queriam que se lutasse pela liberdade da Bolívia”.
Muita tinta correu em todo o mundo pelo presente de Evo Morales ao Papa. Criticou-se o “presente” (o obséquio) com diferentes qualificativos, desde inapropriado até blasfemo, pois no “crucifixo” se substitui a Cruz redentora pela foice e o martelo marxistas. Inclusive, muitos estranharam que o papa Francisco, passada a surpresa, o tenha aceitado sem dizer algo contra essa deformação da Cruz. Daí terem até inventado que disse “não está bem isso” em lugar do que realmente afirmou: “não sabia disso”.
Morales quer agora matizar sua postura por conveniência circunstancial e capitalizar algumas declarações do Papa sobre a Bolívia. Na realidade o presidente Evo é um marxista radical que em 24 de junho de 2009 declarou: “A Igreja Católica é um símbolo do colonialismo europeu e portanto deve desaparecer da Bolívia”. De onde lhe vem, agora, a “cordialidade” para com a Igreja?
A carga ideológica do “presente” entregado por Morales é evidente, por mais explicações – de um ou de outro lado – com que queiram diplomaticamente suavizá-la. O paradoxal é que o simbolismo de cravar Cristo na foice e no martelo pode-se voltar para Evo, pois realmente a intenção marxista é acabar com a religião de paz e amor que Jesus veio pregar e crucificá-lo de novo no símbolo do ódio e da luta de classes, pois consideram – com Marx – que a religião é “o ópio do povo” e deve desaparecer. No desenho acima encontramos o número de vítimas que o marxismo cobrou e que bem poderíamos considerar como o verdadeiro significado do falso e irreverente “crucifixo”.”
http://www.catolicidad.com
No trajeto de El Alto a La Paz, Francisco já havia se detido no caminho para homenagear o jesuíta, no lugar onde foi executado. Destacou: “Detive-me aqui para saudá-los e sobretudo para recordar. Recordar um irmão, um irmão nosso, vítima de interesses que não queriam que se lutasse pela liberdade da Bolívia”.
Muita tinta correu em todo o mundo pelo presente de Evo Morales ao Papa. Criticou-se o “presente” (o obséquio) com diferentes qualificativos, desde inapropriado até blasfemo, pois no “crucifixo” se substitui a Cruz redentora pela foice e o martelo marxistas. Inclusive, muitos estranharam que o papa Francisco, passada a surpresa, o tenha aceitado sem dizer algo contra essa deformação da Cruz. Daí terem até inventado que disse “não está bem isso” em lugar do que realmente afirmou: “não sabia disso”.
Morales quer agora matizar sua postura por conveniência circunstancial e capitalizar algumas declarações do Papa sobre a Bolívia. Na realidade o presidente Evo é um marxista radical que em 24 de junho de 2009 declarou: “A Igreja Católica é um símbolo do colonialismo europeu e portanto deve desaparecer da Bolívia”. De onde lhe vem, agora, a “cordialidade” para com a Igreja?
A carga ideológica do “presente” entregado por Morales é evidente, por mais explicações – de um ou de outro lado – com que queiram diplomaticamente suavizá-la. O paradoxal é que o simbolismo de cravar Cristo na foice e no martelo pode-se voltar para Evo, pois realmente a intenção marxista é acabar com a religião de paz e amor que Jesus veio pregar e crucificá-lo de novo no símbolo do ódio e da luta de classes, pois consideram – com Marx – que a religião é “o ópio do povo” e deve desaparecer. No desenho acima encontramos o número de vítimas que o marxismo cobrou e que bem poderíamos considerar como o verdadeiro significado do falso e irreverente “crucifixo”.”
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domingo, 18 de janeiro de 2015
Liberdade de expressão
“Muitos leitores me expressaram sua perplexidade ante a exaltação e defesa absolutista da liberdade de expressão que nestes dias se fez, vinda inclusive de meios de inspiração cristã ou declaradamente confessionais, para justificar as caricaturas do pasquim “Charlie Hebdo” nas quais se blasfemava contra Deus de modos aberrantes. A esses leitores digo que não se deixem confundir: os que fizeram tais defesas não professam a religião católica, nem se inspiram na filosofia cristã, embora finjam fazê-lo, aproveitando a consternação causada pelos vis assassinatos dos caricaturistas; mas são fanáticos da “religião democrática”, perversão que consiste em substituir a sã defesa da democracia como forma de governo que, mediante a representação política, facilita a participação popular no exercício do poder pela defesa da democracia como fundamento de governo, como religião demente que subverte qualquer princípio moral, amparando-se em supostas maiorias, na realidade massas cretinizadas e sugestionadas pela repetição de sofismas.
Os fanáticos dessa religião necessitam que as massas cretinizadas aceitem como axiomas (proposições que parecem evidentes por si mesmas) seus sofismas, entre os quais se encontra a chamada “liberdade de expressão” em sua versão absolutista. Para criar tais axiomas recorrem ao método antecipado por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo, que consiste na repetição, por milhares ou milhões de vezes, de uma mesma afirmação. No romance de Huxley, tal repetição se conseguia mediante um mecanismo repetitivo que falava sem interrupção ao subconsciente, durante as horas do sono; em nossa época se consegue através da saturação mental por meio da bazófia que nos servem os mass media, infestados de fanáticos da religião democrática que defendem uma liberdade de expressão absolutista: liberdade sem responsabilidade; liberdade para prejudicar, injuriar, caluniar, ofender e blasfemar; liberdade para semear o ódio e estender a mentira às massas cretinizadas; liberdade para condicionar os espíritos e incliná-los ao mal. Os que defendem essa “liberdade de expressão” como direito ilimitado são os mesmos que também defendem uma “liberdade de consciência” entendida não como liberdade para escolher moralmente e agir com retidão, mas como liberdade para escolher as idéias mais perversas, as paixões mais torpes e as ambições mais egoístas e pô-las em prática, pretendendo ademais que o Estado garanta sua realização. Não nos deixemos enganar: os que defendem a liberdade para publicar caricaturas blasfemas estão defendendo uma liberdade destrutiva que só leva à decadência e ao niilismo.
O pensamento cristão nos ensina que a liberdade não é um fim em si mesma, mas um meio para alcançar a verdade. Se à palavra liberdade não se acrescenta um “para quê”, transforma-se em uma palavra sem sentido, uma palavra asquerosamente ambígua que pode amparar as maiores aberrações. Como dizia Castellani, “a liberdade não é um movimento, mas um poder mover-se; e no poder mover-se o que importa é o para onde, o para quê.” Não pode haver uma liberdade para ofender, para provocar ódios, para instigar baixas paixões; não pode haver liberdade para ultrajar a fé do próximo e blasfemar contra Deus. Os cristãos se distinguem porque rezam uma oração na qual se pede: “Santificado seja vosso Nome”. Os fanáticos da liberdade de expressão querem que esse Nome seja eliminado, aviltado e escarnecido, para maior honra de sua religião democrática. Não lhes dêem atenção: quer vistam-se com paletó e gravata, quer com batina e solidéu, estão enganando-os, querem transformá-los em massa cretinizada.”
(Juan Manuel de Prada, Liberdad de Expresión)
Os fanáticos dessa religião necessitam que as massas cretinizadas aceitem como axiomas (proposições que parecem evidentes por si mesmas) seus sofismas, entre os quais se encontra a chamada “liberdade de expressão” em sua versão absolutista. Para criar tais axiomas recorrem ao método antecipado por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo, que consiste na repetição, por milhares ou milhões de vezes, de uma mesma afirmação. No romance de Huxley, tal repetição se conseguia mediante um mecanismo repetitivo que falava sem interrupção ao subconsciente, durante as horas do sono; em nossa época se consegue através da saturação mental por meio da bazófia que nos servem os mass media, infestados de fanáticos da religião democrática que defendem uma liberdade de expressão absolutista: liberdade sem responsabilidade; liberdade para prejudicar, injuriar, caluniar, ofender e blasfemar; liberdade para semear o ódio e estender a mentira às massas cretinizadas; liberdade para condicionar os espíritos e incliná-los ao mal. Os que defendem essa “liberdade de expressão” como direito ilimitado são os mesmos que também defendem uma “liberdade de consciência” entendida não como liberdade para escolher moralmente e agir com retidão, mas como liberdade para escolher as idéias mais perversas, as paixões mais torpes e as ambições mais egoístas e pô-las em prática, pretendendo ademais que o Estado garanta sua realização. Não nos deixemos enganar: os que defendem a liberdade para publicar caricaturas blasfemas estão defendendo uma liberdade destrutiva que só leva à decadência e ao niilismo.
O pensamento cristão nos ensina que a liberdade não é um fim em si mesma, mas um meio para alcançar a verdade. Se à palavra liberdade não se acrescenta um “para quê”, transforma-se em uma palavra sem sentido, uma palavra asquerosamente ambígua que pode amparar as maiores aberrações. Como dizia Castellani, “a liberdade não é um movimento, mas um poder mover-se; e no poder mover-se o que importa é o para onde, o para quê.” Não pode haver uma liberdade para ofender, para provocar ódios, para instigar baixas paixões; não pode haver liberdade para ultrajar a fé do próximo e blasfemar contra Deus. Os cristãos se distinguem porque rezam uma oração na qual se pede: “Santificado seja vosso Nome”. Os fanáticos da liberdade de expressão querem que esse Nome seja eliminado, aviltado e escarnecido, para maior honra de sua religião democrática. Não lhes dêem atenção: quer vistam-se com paletó e gravata, quer com batina e solidéu, estão enganando-os, querem transformá-los em massa cretinizada.”
(Juan Manuel de Prada, Liberdad de Expresión)
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Eu não sou Charlie Hebdo
“Durante os últimos dias, temos ouvido qualificarem os periodistas vilmente assassinados do pasquim Charlie Hebdo de “mártires da liberdade de expressão”. Também temos assistido a um movimento de solidariedade póstuma com os assassinados, mediante proclamações inassumíveis do tipo: “Eu sou Charlie Hebdo”. E, chegados ao cúmulo do dislate, temos ouvido defenderem um pretenso “direito à blasfêmia”, inclusive em meios católicos. Sirva este artigo para dar voz aos que não se identificam com esse acúmulo de disparates filhos da debilidade mental.
Por volta de setembro de 2006, Bento XVI pronunciou um grandioso discurso em Ratisbona que provocou a ira dos maometanos fanáticos e a censura aleivosa e covarde da maioria dos líderes e meios de comunicação ocidentais. Aquele espetáculo de vileza infinita era facilmente explicável: pois em seu discurso, Bento XVI, além de condenar as formas de fé patológica que tratam de impor-se com a violência, condenava também o laicismo, essa expressão demente da razão que pretende confinar a fé no subjetivo, transformando o âmbito público em um mercado onde a fé pode ser ultrajada e escarnecida até o paroxismo, como expressão da sacrossanta liberdade de expressão. Essa razão demente é a que levou a civilização ocidental à decadência e promoveu os antivalores mais pestilentes, desde o multiculturalismo à pansexualidade, passando logicamente pela aberração sacrílega; essa razão demente é a que defende o pasquim Charlie Hebdo, que, além de publicar sátiras provocadoras e gratuitamente ofensivas contra os muçulmanos, publicou em reiteradas ocasiões caricaturas aberrantes que blasfemam contra Deus, começando por uma capa que mostrava as três pessoas da Santíssima Trindade sodomizando-se entre si. Escrevia Will Durant que uma civilização não é conquistada de fora até que não se tenha destruído a si mesma por dentro; e o desenho sacrílego ou gratuitamente ofensivo que publicava o pasquim Charlie Hebdo, como os antivalores pestilentes que defende, são a melhor expressão dessa deriva autodestrutiva.
Devemos condenar esse vil assassinato; devemos rezar pela salvação da alma desses periodistas que em vida contribuíram para aviltar a alma de seus compatriotas; devemos exigir que as feras que os assassinaram sejam castigadas como merecem; devemos exigir que a patologia religiosa que inspira essas feras seja erradicada da Europa. Mas, ao mesmo tempo, devemos recordar que as religiões fundam as civilizações, que por sua vez morrem quando apostatam da religião que as fundou; e também que o laicismo é um delírio da razão que só logrará que o islamismo erija seu culto ímpio sobre os escombros da civilização cristã. Aconteceu no norte da África no século VII; e acontecerá na Europa do século XXI, por pouco que continuemos defendendo aberrações como as que alardeia o pasquim Charlie Hebdo. Nenhuma pessoa que conserve uma migalha de sentido comum, assim como um mínimo temor a Deus, pode mostrar-se solidária com tais aberrações, que nos têm conduzido ao abismo.
E não esqueçamos que o Governo francês – como tantos outros governos ocidentais –, que amparava a publicação de tais aberrações, é o mesmo que tem financiado em diversos países (e em especial na Líbia) os islamitas que têm massacrado a milhares de cristãos, muito menos pranteados que os periodistas do pasquim Charlie Hebdo. Pode parecer ilógico, mas é irrepreensivelmente lógico: é a lógica do mal na qual o Ocidente tem-se instalado, enquanto espera a chegada dos bárbaros.”
(Juan Manuel de Prada, Yo No Soy Charlie Hebdo)
Por volta de setembro de 2006, Bento XVI pronunciou um grandioso discurso em Ratisbona que provocou a ira dos maometanos fanáticos e a censura aleivosa e covarde da maioria dos líderes e meios de comunicação ocidentais. Aquele espetáculo de vileza infinita era facilmente explicável: pois em seu discurso, Bento XVI, além de condenar as formas de fé patológica que tratam de impor-se com a violência, condenava também o laicismo, essa expressão demente da razão que pretende confinar a fé no subjetivo, transformando o âmbito público em um mercado onde a fé pode ser ultrajada e escarnecida até o paroxismo, como expressão da sacrossanta liberdade de expressão. Essa razão demente é a que levou a civilização ocidental à decadência e promoveu os antivalores mais pestilentes, desde o multiculturalismo à pansexualidade, passando logicamente pela aberração sacrílega; essa razão demente é a que defende o pasquim Charlie Hebdo, que, além de publicar sátiras provocadoras e gratuitamente ofensivas contra os muçulmanos, publicou em reiteradas ocasiões caricaturas aberrantes que blasfemam contra Deus, começando por uma capa que mostrava as três pessoas da Santíssima Trindade sodomizando-se entre si. Escrevia Will Durant que uma civilização não é conquistada de fora até que não se tenha destruído a si mesma por dentro; e o desenho sacrílego ou gratuitamente ofensivo que publicava o pasquim Charlie Hebdo, como os antivalores pestilentes que defende, são a melhor expressão dessa deriva autodestrutiva.
Devemos condenar esse vil assassinato; devemos rezar pela salvação da alma desses periodistas que em vida contribuíram para aviltar a alma de seus compatriotas; devemos exigir que as feras que os assassinaram sejam castigadas como merecem; devemos exigir que a patologia religiosa que inspira essas feras seja erradicada da Europa. Mas, ao mesmo tempo, devemos recordar que as religiões fundam as civilizações, que por sua vez morrem quando apostatam da religião que as fundou; e também que o laicismo é um delírio da razão que só logrará que o islamismo erija seu culto ímpio sobre os escombros da civilização cristã. Aconteceu no norte da África no século VII; e acontecerá na Europa do século XXI, por pouco que continuemos defendendo aberrações como as que alardeia o pasquim Charlie Hebdo. Nenhuma pessoa que conserve uma migalha de sentido comum, assim como um mínimo temor a Deus, pode mostrar-se solidária com tais aberrações, que nos têm conduzido ao abismo.
E não esqueçamos que o Governo francês – como tantos outros governos ocidentais –, que amparava a publicação de tais aberrações, é o mesmo que tem financiado em diversos países (e em especial na Líbia) os islamitas que têm massacrado a milhares de cristãos, muito menos pranteados que os periodistas do pasquim Charlie Hebdo. Pode parecer ilógico, mas é irrepreensivelmente lógico: é a lógica do mal na qual o Ocidente tem-se instalado, enquanto espera a chegada dos bárbaros.”
(Juan Manuel de Prada, Yo No Soy Charlie Hebdo)
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
A força insuportável
"As Sete Últimas Palavras de Cristo de Haydn apresentada por um homem nu diante de uma platéia ao vivo. Um outdoor representando o papa beijando um imã do Cairo na boca. Papel-moeda enchendo o lado trespassado de Jesus crucificado. Excrementos despejados na face de Cristo. Hambúrgueres nojentos espalhados no chão parodiando a multiplicação dos pães....
Mas em nome da expressão artística é proibido protestar e rezar publicamente. Pois, segundo os anti-cristãos, a fé é uma provocação e a oração, uma forma de violência.
Fabrizio Cannone, escrevendo em Correspondance Européenne, analisa essa recente rotina contra o Cristianismo: "Na verdade, o que está acontecendo hoje é que todos os católicos, e não só os mais intransigentes, são os que experimentam uma marginalização feroz por parte das autoridades seculares." E ele adverte: "O fenômeno tende a se intensificar, a menos que haja protestos em reação aos ataques contínuos e tirânicos lançados contra a Igreja, o papa e da fé cristã."
Os anti-cristãos exigem um "direito de blasfemar". Nós afirmamos que temos um dever de orar em reparação pelas blasfêmias. Oração, essa força insuportável."
(Pe. Alain Lorans, The Unsupportable Force)
Mas em nome da expressão artística é proibido protestar e rezar publicamente. Pois, segundo os anti-cristãos, a fé é uma provocação e a oração, uma forma de violência.
Fabrizio Cannone, escrevendo em Correspondance Européenne, analisa essa recente rotina contra o Cristianismo: "Na verdade, o que está acontecendo hoje é que todos os católicos, e não só os mais intransigentes, são os que experimentam uma marginalização feroz por parte das autoridades seculares." E ele adverte: "O fenômeno tende a se intensificar, a menos que haja protestos em reação aos ataques contínuos e tirânicos lançados contra a Igreja, o papa e da fé cristã."
Os anti-cristãos exigem um "direito de blasfemar". Nós afirmamos que temos um dever de orar em reparação pelas blasfêmias. Oração, essa força insuportável."
(Pe. Alain Lorans, The Unsupportable Force)
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