quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dylan Thomas: Elegia

Orgulhoso demais para morrer, morreu cego e alquebrado
Da maneira mais sombria, sem olhar para trás,
Um homem corajoso, frio e amável, em seu ardente orgulho

No mais sombrio dos dias. Oh, que para sempre ele possa
Viver em plena luz, afinal, ao cruzar a última colina,
E ali, sob a relva, apaixonado, rejuvenesça

Entre os rebanhos infindáveis, e jamais repouse perdido
Ou imóvel durante todos os dias de sua morte, ainda que,
Acima de tudo, suspirasse em sua treva pelo seio materno

Que era descanso e pó, e na terra indulgente
Pela mais sombria justiça da morte, cega e profana.
Que não lhe caiba outro descanso senão se protegido e achado,

Rezava eu no quarto de joelhos, junto ao seu leito cego,
Na casa emudecida, um minuto antes do meio-dia,
E da noite, e da luz. Os rios dos mortos fluíam

Em sua pobre mão que eu apertava, enquanto via
Até as raízes do mar através de seus olhos já sem brilho.
Segue em paz rumo à tua colina crucificada, disse eu

Ao ar que dele se afastava.


Tradução de Ivan Junqueira

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Anne-Catherine Emmerich e a visão da nova igreja

“Durante o pontificado de Pio VII, Anne-Catherine Emmerich teve uma visão da nova igreja feita pelo homem sendo construída sob inspiração satânica. Ela disse, “Eu não vi nenhum anjo ajudando na construção, mas muitos dos espíritos planetários mais revolucionários arrastando todo tipo de coisas para a nave, onde pessoas com pequenos mantos eclesiásticos as recebiam e depositavam em seus vários lugares. Nada se trazia de cima; tudo vinha da terra e das regiões escuras, tudo era construído pelos espíritos planetários”, os quais ela diz em outro lugar serem anjos caídos, mas não demônios do inferno.
“Eu vi um número enorme de instrumentos sendo trazidos para dentro da igreja, e muitas pessoas, inclusive crianças, tinham ferramentas diferentes, como se tentassem fazer alguma coisa; mas tudo era obscuro, absurdo, morto! Divisão e destruição reinavam em todo lugar... No porão algumas pessoas amassavam pão, mas não conseguiam fazê-lo; ele não crescia. Os homens que vestiam pequenos mantos traziam madeira até os degraus do púlpito para fazer fogo... mas o fogo não queimava; tudo que eles produziam era fumaça... Tudo nessa igreja pertencia à terra e retornava à terra; tudo estava morto, o trabalho do engenho humano, uma igreja da última moda, uma igreja de invenção humana, como a nova igreja heterodoxa em Roma.”
Continua Ir. Emmerich, “Eu vejo essa igreja negra e falsa ganhando terreno, vejo sua influência fatal sobre o público... Vejo muitos pastores acalentando idéias perigosas contra a Igreja.” E mais adiante: “Eles ergueram uma igreja enorme, estranha e extravagante destinada a abarcar todos os credos com direitos iguais: os evangélicos, os católicos e todas as denominações, uma verdadeira comunhão dos ímpios com um só pastor e um só rebanho. Havia também um papa, um papa assalariado e sem posses. Tudo estava pronto, muitas coisas acabadas; mas ao invés de um altar havia apenas abominação e desolação. Tal era a nova igreja que virá.”
O que Anne-Catherine Emmerich anteviu não era inédito, pois já havia sido previsto séculos atrás por São João em seu Apocalipse, onde ele descreve a igreja universal e mundana do Anticristo sob a figura da “prostituta da Babilônia”, a grande meretriz com a qual “os reis da terra pecaram e os mercadores da terra se enriqueceram com o excesso de seu luxo” (18:3). Fazendo-se passar pela verdadeira Igreja desde o início, ela obtém a totalidade de seu poder depois que soa a Sexta Trombeta, quando São João a vê “assentada à beira de muitas águas” (17:1), as quais um anjo explica que representam “povos e multidões, nações e línguas” (17:15). Descansando sobre “sete montanhas” como Roma sobre suas sete colinas, ela é descrita como “revestida de linho, púrpura e escarlate” (18:16), que são as vestes da santidade, da realeza e do sacerdócio, enquanto controla e administra todas as riquezas e bens da terra.”
(Solange Strong Hertz, The Sixth Trumpet)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dylan Thomas: E a Morte não Terá Nenhum Domínio

E a morte não terá nenhum domínio.
Nus, os mortos irão se confundir
Com o homem no vento e a lua no poente;
Quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó,
Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos;
Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos,
Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir;
Ainda que os amantes se percam, o amor persistirá;
E a morte não terá nenhum domínio.

E a morte não terá nenhum domínio.
Aqueles que há muito repousam sob as dobras do mar
Não morrerão com a chegada do vento;
Contorcendo-se em martírios quando romperem os tendões,
Acorrentados à roda da tortura, jamais se partirão;
Em suas mãos, a fé irá fender-se em duas,
E as maldades do unicórnio os atravessarão;
Espedaçados por completo, eles não se quebrarão.
E a morte não terá nenhum domínio.

E a morte não terá nenhum domínio.
Não mais irão gritar as gaivotas aos seus ouvidos
Nem se quebrar com fragor as ondas nas areias;
Onde uma flor desabrochou não poderá nenhuma outra
Erguer sua corola para as rajadas da chuva;
Ainda que estejam mortas e loucas, suas cabeças
Haverão de enterrar-se como pregos através das margaridas,
Irrompendo no sol até que o sol se ponha.
E a morte não terá nenhum domínio.


Tradução de Ivan Junqueira

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Na prática, Roma não considera a FSSPX cismática

“Durante todo esse tempo da condenação, das excomunhões, e até mesmo depois, existem documentos oficiais que dizem que não existimos, que nossos sacramentos são inválidos etc. Mas ao mesmo tempo, em Roma, na prática as coisas são diferentes. Eles nos tratam como sendo totalmente católicos. Isso complica as coisas. Por exemplo, Roma trata com os sacerdotes que nos deixaram de um modo particular. Há um princípio em ação na Igreja Católica que se um católico é ordenado, seja para o diaconato ou para o sacerdócio, em um movimento cismático (por exemplo, os ortodoxos ou quem quer que tenha ordens válidas), quando retorna à Igreja Católica, ele não pode jamais exercer os poderes que roubou fora da Igreja. É um princípio geral que se aplica até os dias de hoje.
Ora, quando éramos supostamente cismáticos, quando sacerdotes recebiam ordens na Sociedade mas iam para Roma, se fôssemos realmente cismáticos, eles deveriam ter proibido o exercício de seus poderes. Mas o fato de que eles permitiram-lhes retornar como sacerdotes prova que eles não nos vêem como cismáticos. Essa tem sido a política constante de Roma. Em um determinado caso, alguém tinha sido ordenado pelo bispo Rangel, que havia sido consagrado bispo pelos bispos Tissier, Williamson e de Galaretta. Em Roma, quando esse sacerdote apareceu, eles perceberam que ele tinha sido ordenado por um bispo consagrado por bispos “cismáticos”. Eles enviaram o caso para a Congregação para a Doutrina da Fé. A resposta que receberam foi que ele deveria ser tratado como todos os outros. Assim, de novo, na prática, não existe cisma.”
(Dom Bernard Fellay, F.S.S.P.X, em palestra proferida em homenagem aos 40 anos de fundação da Fraternidade)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Dylan Thomas: Não Entres nessa Noite Acolhedora com Doçura

Não entres nessa noite acolhedora com doçura,
Pois a velhice deveria arder e delirar ao fim do dia;
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.

Embora os sábios, ao morrer, saibam que a treva lhes perdura,
Porque suas palavras não garfaram a centelha esguia,
Eles não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os bons que, após o último aceno, choram pela alvura
Com que seus frágeis atos bailariam numa verde baía
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

Os loucos que abraçaram e louvaram o sol na etérea altura
E aprendem, tarde demais, como o afligiram em sua travessia
Não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os graves, em seu fim, ao ver com um olhar que os transfigura
Quanto a retina cega, qual fugaz meteoro, se alegraria,
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

E a ti, meu pai, te imploro agora, lá na cúpula obscura,
Que me abençoes e maldigas com a tua lágrima bravia.
Não entres nessa noite acolhedora com doçura,
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.


Tradução de Ivan Junqueira

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Um trecho profético de Dostoiévski em Os Possessos

“No esquema dele cada membro da sociedade vigia o outro e é obrigado a delatar. Cada um pertence a todos, e todos a cada um. Todos são escravos e iguais na escravidão. Nos casos extremos recorre-se à calúnia e assassinato, mas o principal é a igualdade. A primeira coisa que fazem é rebaixar o nível da educação, das ciências e do talento. O nível elevado das ciências e das aptidões só é acessível aos talentos superiores, e os talentos superiores são dispensáveis. Os talentos superiores sempre tomaram o poder e foram déspotas. Os talentos superiores não podem deixar de ser déspotas, e sempre trouxeram mais depravação que utilidade; eles serão expulsos ou executados. A um Cícero corta-se a língua, a um Copérnico furam-se os olhos, um Shakespeare mata-se a pedradas – eis o chigaliovismo. Ah, ah, ah, está achando estranho? Sou a favor do chigaliovismo! (...) No mundo só falta uma coisa: obediência. A sede de educação já é uma sede aristocrática. Basta haver um mínimo de família ou amor, e já aparece o desejo de propriedade. Vamos eliminar o desejo de propriedade. Vamos eliminar o desejo: vamos espalhar a bebedeira, as bisbilhotices, a delação; vamos espalhar uma depravação inaudita; vamos exterminar todo e qualquer gênio na primeira infância. Tudo será reduzido a um denominador comum, é a plena igualdade. (...) Mas precisamos também de convulsões; disso cuidaremos nós, os governantes. Os escravos devem ter governantes. Plena obediência, ausência total de personalidade, mas uma vez a cada trinta anos Chigalióv lançará mão também de convulsão, e de repente todos começam a devorar uns aos outros, até um certo limite, unicamente para não cair no tédio. O tédio é uma sensação aristocrática; no chigaliovismo não haverá desejos. Desejo e sofrimento para nós, para os escravos o chigaliovismo. (...) Os nossos não são apenas aqueles que degolam e ateiam fogo, e ainda fazem disparos clássicos ou mordem. Gente assim só atrapalha. Não concebo nada sem disciplina. Ora, sou um vigarista e não um socialista, eh, eh! Ouça, tenho uma relação de todos eles: o professor de colégio que ri com as crianças do Deus delas e do berço delas; já é dos nossos. O advogado que defende o assassino culto que por essa condição já é mais evoluído que suas vítimas e que, para conseguir dinheiro, não pode deixar de matar, já é dos nossos. Os colegiais que matam um mujique para experimentar a sensação, são dos nossos. Os jurados que absolvem criminosos a torto e a direito são dos nossos. O promotor que treme no tribunal por não ser suficientemente liberal é dos nossos. Os administradores, os escritores, oh, os nossos são muitos, um horror, e eles mesmos não sabem disso! (...) O Deus russo já se vendeu à ‘vodca barata’. O povo está bêbado, as mães estão bêbadas, as crianças estão bêbadas, as igrejas estão vazias, e ouve-se nos tribunais ‘um balde de vodca ou duzentas chibatadas’. Oh, deixem crescer a geração! Só lamento que não haja tempo para esperar, senão só para deixá-la mais beberrona. Ah, que pena que não haja proletários! Mas haverá, haverá, para isso caminhamos... (...) Ouça, eu mesmo vi uma criança de seis anos levando a mãe bêbada para casa, e esta a insultava com palavras indecentes. Você pensa que estou contente com isso? Quando essa coisa estiver em nossas mãos, talvez os curemos... Se for necessário, nós os mandaremos para o deserto por quarenta anos... Mas hoje precisamos de depravação por uma ou duas gerações; de uma depravação inaudita, torpe, daquela que o homem se transforma num traste abjeto, covarde, cruel, egoísta – eis de que precisamos!”
(Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, Os Possessos)

Tradução de Paulo Bezerra

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

As portas do inferno contra a família

“O movimento feminista moderno teve sua origem nos Estados Unidos, quando da publicação do livro “The Feminine Mystique” (O Mito da Feminilidade), de autoria de Betty Friedan, que muitos consideram “A Mãe” do atual movimento feminista. Ao adotar a nova filosofia do “eu primeiro”, ela propôs às mulheres que somente poderiam sentir-se “verdadeiramente realizadas” e felizes se alcançassem vitórias fora do lar, e que ser esposa e mãe era o mais indigno e degradante de todos os trabalhos que a mulher poderia realizar.
O novo feminismo chegou à conclusão de que a mulher somente poderia chegar ao máximo potencial caso se liberasse da “carga” da maternidade. O primeiro passo era que aceitassem como prioridades novos objetivos materialistas e egocêntricos. As feministas buscaram o modo de remover todos os “obstáculos” para poder triunfar, e entre esses se encontrava a possibilidade de uma gravidez que podia interromper a obtenção de triunfos no mundo dos homens. Como as novas feministas buscavam a igualdade com o homem e a capacidade de ser mãe é precisamente o que mais distingue a mulher do homem, a maternidade se transformou para elas no maior obstáculo. A partir de então a sexualidade e a reprodução já não foram consideradas pelas feministas radicais como dons de Deus; os filhos passaram a ser vistos como uma carga e não uma bênção, e as relações sexuais sem medo da gravidez como um “direito” absoluto. Por isso as novas feministas começaram a exigir, primeiro, o “direito” à contracepção e, mais tarde, seguindo o mesmo raciocínio falso, o aborto a qualquer momento e por qualquer motivo.
Um resumo da teoria de Friedan seria o seguinte:
1. Uma revolução social, uma reforma da imagem feminina deve acontecer, para que não haja conflitos de satisfação sexual.
2. A cultura existente não permite à mulher ser um ser humano pleno.
3. A personalidade humana deve se desenvolver sem regras morais ou religião.
4. O matrimônio não é uma vocação.
5. Ser esposa e mãe é um “papel”.
6. O conceito cristão de feminilidade deve ser descartado.
7. A mãe que trabalha é melhor mãe que as 100% dedicadas aos filhos.
8. A mulher deve enfrentar os “preconceitos religiosos”.
9. A religião usa “a técnica manipuladora da psicoterapia” para que a mulher não se libere; o inimigo a vencer e a destruir é a Igreja Católica.
10. Que fazer para destruir a Igreja? Surge o feminismo espiritual – e é aqui que se encontra a base das exigências das mulheres a respeito do sacerdócio, em uma idéia errada do feminismo religioso – segundo o qual o conceito de liberdade deve incluir uma reforma a favor da ordenação das mulheres sacerdotisas. É por isso que se acusa a Igreja de ser sexista e patriarcal.
Uma ideologia marxista
No começo da década de sessenta, a mulher norte-americana começou a batalha para adquirir os mesmos direitos dos homens, o mesmo acesso à educação e o mesmo salário pelo mesmo trabalho, metas valiosas que continuam sendo respaldadas hoje em dia pela grande maioria das mulheres. Porém, no final daquela década, esse mesmo movimento passou às mãos de um grupo radical que adotou a análise marxista de poder e transformação social.
Em seu livro “The Dialectic of Sex” (A Dialética do Sexo), a feminista radical Shulamith Firestone aplicou a ideologia marxista clássica às relações entre os gêneros. Segundo a ideologia marxista, a família patriarcal foi a primeira opressão e a causa de todas as demais opressões. Essa ideologia propunha então a eliminação da propriedade privada (para debilitar a base econômica da família encabeçada pelo pai), a legalização do divórcio, a aceitação dos filhos ilegítimos, a integração de toda mulher na força laboral, o estabelecimento de creches grátis 24 horas por dia e a eliminação da religião, para assim (misturando diversos aspectos, nem todos necessariamente maus) destruir a família e eliminar as classes e demais forças “opressoras”.
Contudo, segundo Firestone, Marx não foi às últimas conseqüências de seu argumento. Se a família é a causa de toda opressão, então é necessário, dizia, atacá-la diretamente. De acordo com sua análise, é na família que os filhos ficam expostos pela primeira vez ao dualismo de classes. Na figura do pai os filhos vêem a classe opressora, que se beneficia do trabalho (reprodução) da classe oprimida, a “mãe”. Os “filhos” são a classe mais oprimida. Portanto, os filhos nascidos em famílias tradicionais, segundo Firestone, estão socialmente condicionados a aceitar a distinção de classes.
Firestone entendia claramente que sua guerra era uma guerra contra a natureza e, embora reconhecesse que a família está enraizada em realidades biológicas, como o fato de que somente a mulher pode engravidar, ainda assim acreditava que a mulher poderia conseguir sua “liberação”. Isso se faria através: 1) da absoluta revolução sexual de classes, não somente através da eliminação do privilégio masculino, mas também eliminando a distinção mesma do sexo; 2) do absoluto “controle da reprodução” da mulher, incluindo o aborto a qualquer momento e por qualquer motivo; 3) da total liberação sexual, que inclui o direito absoluto do indivíduo de ter relações sexuais com outros indivíduos sem importar a idade, o número de pessoas, o estado civil ou as relações familiares (incesto) ou o gênero. Alguns estimam que 40% das mulheres que compõem o movimento feminista são lésbicas.
Os direitos das lésbicas
Como se isso não bastasse, constatou-se como o atual movimento feminista fez dos direitos das lésbicas uma de suas prioridades principais, incluindo o de adotar filhos e constituir família, com todos os direitos legais dos quais a família tradicional desfruta. Em 1998, durante a Conferência Nacional dos Direitos das Lésbicas, patrocinada pela principal organização feminista dos Estados Unidos, a “N.O.W” (Organização Nacional da Mulher), a referida instituição não somente adotou os direitos das lésbicas como prioridade, como seus dirigentes afirmaram em uma publicação oficial de tal instituição: “Toda mulher deve estar disposta a identificar-se como lésbica, se for uma verdadeira feminista... mulher nenhuma está livre para ser mulher até que todas as lésbicas tenham a liberdade de ser lésbicas.”
As lésbicas, que não podem conceber, aceitaram ajudar as mulheres heterossexuais a exigir seu “direito ao aborto” e, uma vez obtido este, a conservá-lo a todo custo. Em troca dessa ajuda, as feministas heterossexuais pró-abortistas se comprometeram a lutar pelos “direitos” das lésbicas. Estabeleceu-se uma “aliança” que bem poderia ter sido planejada no próprio inferno.
Uma das organizações militantes mais radicais de homens homossexuais, “AIDS Coalition to Unleash Power” (Coalição da AIDS para Desencadear o Poder), oferece às pró-abortistas a ajuda de seus membros contra os que protestam contra o aborto em frente às clínicas, em troca do apoio das feministas na campanha de terror dirigida contra as igrejas nos Estados Unidos. Em muitos casos, os homossexuais e as lésbicas ativistas, segundo se noticiou, são os mais violentos defensores do aborto, dão pontapés, cospem ou mordem os que vão aos centros de aborto manifestar sua oposição a este. A coalizão de homossexuais já mencionada ganhou fama quando seus membros se uniram aos pró-abortistas para gritar insultos e obscenidades aos paroquianos que foram à missa de 10 de dezembro de 1989 na Catedral de São Patrício em New York. Quando começou o sermão do cardeal John O'Connor, os homossexuais interromperam a celebração da Santa Missa, pondo-se de pé nos bancos, gritando, levantando os punhos ameaçadoramente e atirando preservativos ao altar. Um dos ativistas homossexuais apoderou-se da comunhão, rompeu a hóstia em duas e a atirou ao chão.
Estas são algumas das causas que levaram à crise da sociedade, minando o sagrado seio da família, que se converteu verdadeiramente em uma das instituições mais atacadas por Satanás.”
(Luis Eduardo López Padilla, Movimiento Feminista vs. Familia)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Catolicismo e ioga

“A ioga é uma rotina complexa de posições físicas, trazida das religiões orientais do budismo e do hinduísmo, direcionada a práticas meditativas também aprendidas dessas religiões. Em épocas passadas não teria havido qualquer dúvida quanto a católicos praticarem uma disciplina aprendida das falsas religiões orientais. Contudo, uma propaganda intensa tem apresentado a ioga como uma simples técnica de relaxamento, não necessariamente relacionada a qualquer espiritualidade, mas muito útil na obtenção da harmonia de corpo e alma.
Além disso, o desenvolvimento do ecumenismo na Igreja pós-conciliar nos últimos 50 anos deu origem a uma tentativa de incorporar certas práticas não-católicas à espiritualidade católica, entre as quais está a ioga. Surge, então, a pergunta de se isso é um enriquecimento lícito de espiritualidade ou de fato um sincretismo, uma união de diferentes religiões em uma só, claramente oposta à fé católica.
Para reconhecer que a ioga não é apenas um exercício físico de relaxamento corporal, mas realmente uma atividade espiritual, basta observar as tentativas de católicos para reconciliar ambos, como no portal da Arquidiocese de Chicago (www.holynamecathedral.org). Lá pode-se encontrar uma página inteira intitulada “Ioga Católica” que começa da seguinte maneira:
Tendo origem em várias tradições de fé, a ioga evoluiu através dos tempos como um modo de sintonizar o corpo a fim de obter uma melhor comunhão com Deus por meio de oração e meditação. Junte-se a nós e explore conosco os múltiplos benefícios espirituais e físicos da prática de ioga enquanto explicitamente integramos orações e temas espirituais de nossa fé católica. As sessões normalmente incluem uma oração inicial, depois movimentos inspirados e fortalecimento, e por fim uma oração contemplativa.
As afirmações de iogues “católicos” tais como a instrutora da Catedral do Santo Nome, Ali Niederkorn, contradizem o mito de que a ioga é um exercício físico, pois ela “oferece aulas de ioga baseadas na fé que encorajam à prática de ioga como forma de oração e meditação.” A legitimidade da prática de ioga por católicos é conseqüentemente não a de um exercício físico, mas de uma prática espiritual.
A ioga não é uma prática, teoria ou filosofia unificada e para nenhum de seus praticantes ela é um exercício exclusivamente físico. Ela é parte integral das práticas meditativas de três religiões diferentes: hinduísmo, jainismo e budismo, cada uma dando sua própria e distinta explicação do valor da meditação ióguica. A prática de ioga no Ocidente, em conseqüência, não mostra mais coerência do que no Oriente, mas em todo caso é herdeira de uma espiritualidade pagã que promete realizar uma espécie de comunhão com o divino. Ela é, portanto, parte integral do movimento da Nova Era, que pretende construir uma espiritualidade pós-cristã de acordo com a qual o homem chegaria ao divino por meio de uma comunhão com a natureza.
Roma já se declarou contra a prática de ioga por católicos em dois documentos pouco conhecidos. O primeiro, da Congregação para a Doutrina da Fé, intitulado Orationis Formas, ou Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre Alguns Aspectos da Meditação Cristã, datada de 15 de outubro de 1989, destaca as diferenças e as incompatibilidades entre a meditação cristã e os estilos de meditação usados nas religiões orientais, inclusive a ioga, alertando para “os riscos de se tentar fundir a meditação cristã com abordagens orientais, o que pode levar a confusão e erro e resultar na perda da natureza essencialmente cristocêntrica da meditação cristã”. Que eufemismo! Ela ressalta uma oposição radical: a meditação oriental é uma técnica de concentração em si mesmo, uma auto-absorção, enquanto a oração cristã é uma fuga de si mesmo, uma conversão de si a Deus.
Alertas semelhantes estão contidos em um livreto de 2003, um relatório publicado como resultado de reflexões de um grupo de trabalho composto de membros dos Conselhos Pontifícios para a Cultura e para o Diálogo Inter-religioso, da Congregação para a Evangelização dos Povos e do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade Cristã, intitulado Jesus Cristo, Portador da Água da Vida: Uma Reflexão Cristã sobre a Nova Era, como resposta a pedidos de esclarecimento a respeito dos fenômenos da Nova Era, tais como a ioga (www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils). Entre as muitas críticas à Nova Era, o que nos interessa aqui é o ensinamento de que as práticas da Nova Era não são compatíveis com a oração cristã:
As práticas da Nova Era não são realmente oração, no sentido de serem geralmente uma questão de introspecção ou fusão com a energia cósmica, em oposição à oração cristã, que envolve introspecção, mas é essencialmente um encontro com Deus.
Reitera-se o ensinamento católico fundamental de que Jesus Cristo, única fundação da Igreja, deve estar no coração de toda ação cristã, o que não é certamente o caso da Nova Era. Ressalta-se também que a espiritualidade da Nova Era deliberadamente obscurece a distinção essencial entre Criador e criação, entre realidade subjetiva e objetiva. Essa é uma perversão bem mais profunda do que a confusão moderna entre natureza e graça, pois destrói todo o sentido da realidade e o lugar do homem na criação de Deus, levando ao panteísmo.
Contudo, a prática de ioga entre católicos continua crescendo. Certamente isso se deve em parte ao vácuo espiritual criado pela perda da verdadeira espiritualidade após o Vaticano II e também porque esses relatórios jamais se transformaram em ensinamentos morais oficiais com punições canônicas para quem os infringisse. O movimento ecumênico proíbe qualquer condenação de falsas espiritualidades anticristãs.
É por essas razões que encontramos, surpreendentemente, afirmações mais claras vindas de alguns protestantes do que de bispos católicos. O Dr. Albert Mohler, por exemplo, Presidente do Seminário Teológico dos Batistas do Sul, fez um estudo sobre a ioga, analisando o livro recentemente publicado por Stefanie Syman, uma devota da ioga há 15 anos, intitulado O Corpo Sutil: A História da Ioga na América. Eis algumas de suas observações:
Syman descreve a ioga como uma prática variada, mas deixa claro que a ioga não pode ser totalmente separada de suas raízes espirituais no hinduísmo e no budismo. Ela também é direta quando explica o papel da energia sexual em praticamente todos os tipos de ioga, e da ritualização do sexo em algumas tradições da ioga... A maioria (dos cristãos americanos) parece não se aperceber de que a ioga não pode ser dividida na dimensão física e na espiritual. O físico é o espiritual na ioga, e os exercícios e disciplinas na ioga servem para conectar com o divino...
... Quando os cristãos praticam a ioga, eles devem ou negar a realidade do que a ioga representa ou não conseguir ver as contradições entre seus compromissos cristãos e sua aceitação da ioga. As contradições não são poucas, nem são periféricas. O fato é que a ioga é uma disciplina espiritual na qual o adepto é treinado para usar o corpo como veículo a fim de alcançar a consciência do divino...
(www.albertmohler.com)
Quais são exatamente essas contradições? Há certamente uma atitude diferente quanto ao corpo, que para o católico é um instrumento para nossa santificação apenas quando mortificado, quando espiritualmente entregue à morte, para que as inclinações da natureza humana decaída não sejam seguidas, enquanto que para o praticante de ioga é um meio de contato, de consciência do divino que está no homem, superando, como dizem, a dualidade entre o Criador e a criatura. O Dr. Mohler diz o seguinte, citando o Prof. Doug Groothuis:
O objetivo da ioga não é a purificação do corpo ou o embelezamento da psique; o fim da ioga é uma mudança na consciência, uma transformação da consciência na qual o homem se vê um com a realidade última que no hinduísmo é Brahman... maior impacto no Ocidente teve a escola vedântica ou não-dualista, que diz que em última análise tudo é um, ou seja, não dual, e tudo é divino. Assim, ao invés da perspectiva bíblica de que existe uma relação entre o Criador e a criatura, esta é uma idéia monista ou não-dualista de que tudo que existe é Brahma... e Brahma está além das palavras e além do pensamento. (Ibid)
Concluindo, não se pode negar que a prática de ioga é uma negação implícita da fé católica na divindade de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e de uma verdadeira espiritualidade centrada em Cristo. Qualquer prática de ioga deve ser considerada um pecado mortal contra a fé chamado de indiferentismo. As pessoas que participam de tais instruções colocam em sério risco sua fé, e os que as praticam devem ser suspeitos de heresia, pois implicitamente promovem uma visão de mundo que é direta e explicitamente anticristã.”
(Pe. Peter Scott, May Catholics Practice Yoga?)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tradição católica e tradições protestantes

“Os protestantes são enfáticos em afirmar que somente a Bíblia é bastante para nortear a fé do homem. Alegam que o Espírito Santo dá a cada um o dom de interpretá-la. Esquecem eles que cada uma das dezenas de milhares de doutrinas hoje existentes, distintas entre si, são resultado da inconseqüente iniciativa de cada um de seus fundadores em atribuir para si o poder de interpretar plenamente as Sagradas Escrituras. Mas como é possível que o Espírito Santo possa fazer com que se interprete um mesmo texto de diversas formas? E, diante de tantas interpretações diferentes, qual deve ser seguida?
Eis que tendo formulada toda uma linha doutrinária, cada fundador busca expô-la através de não poucos escritos, para, assim, fazer expandir sua mais nova igreja, pregando toda a "verdade que só ela contém". Os seguidores dessa doutrina, os seus pastores e líderes de comunidades afiliadas recorrem a tais escritos e os têm como guia para caminhar de acordo com a linha teológica que define as verdades a serem pregadas. Ora, é tão óbvio deduzir-se que em tal situação se consuma o uso de uma tradição seguida com base nos ensinamentos desses homens e, por conseqüência, busca-se absorver os ensinamentos da Bíblia guiados por exposições contidas fora dela.
Partindo desse fato, temos duas afirmações, das quais apenas uma pode ser dada como verdadeira: ou os protestantes mantêm submissão aos ensinos doutrinários de seus fundadores, o que caracteriza manter sua tradição; ou desviam-se dos ensinos destes homens ao longo da história e culminam na infeliz conclusão de que tais ensinamentos não eram verdadeiros, portanto, sem razão de terem acontecido.
Sendo a última opção o desmoronamento dessa doutrina, nos detenhamos à primeira hipótese: pois, se os seguidores dessa denominação religiosa mantêm tais ensinamentos doutrinários e os têm como esclarecedores e auxiliares na interpretação da Bíblia mas que foram formulados muitos séculos após o início do Cristianismo, por que não haveremos de reconhecer os escritos daqueles que estiveram com o próprio Jesus, presenciando os milagres, caminhando com Ele em sua missão? Se os escritos de Lutero, Calvino, Ellen White e demais cisores são estudados e levados em consideração na manutenção das doutrinas de suas correspondentes denominações religiosas dos dias de hoje, por que se reluta em afirmar que apenas os católicos seguem ensinamentos não explícitos na Bíblia?
De fato, nenhuma doutrina sobrevive sem sua tradição. É este conceito de tradição que aplicamos à Sagrada Tradição dos ensinamentos dos Apóstolos e seus sucessores, que não estão consignados diretamente na Bíblia, mas que nós, católicos, reconhecemos como dignos de fé, pois se é inevitável que se deva seguir alguma tradição, com certeza esta deve ser a Sagrada Tradição daqueles que receberam do próprio Jesus a missão de perpetuar o "Depósito da Fé" e a cumprem em todos os tempos. Eles foram incumbidos por Jesus para expandir toda a Revelação Divina e demais ensinamentos advindos por sugestão do Espírito Santo a todas as gerações ao longo da História.
Diante deste horizonte, há que se perguntar se esta sã Tradição possa ter sido corrompida no tempo. Em tempos de grande apostasia, de fato, não é tão difícil se verificar que somam um grande número as pessoas da Igreja que se deixaram afastar da imemorial tradição advinda de Cristo e dos apóstolos. Não caberia, entretanto, afirmar aqui que a Tradição bimilenar da Santa Igreja já não seja possível ser encontrada em seu seio nos tempos atuais; isto seria mais uma inconseqüente suposição, pois se estaria afirmando que Cristo foi incapaz de cumprir sua promessa de que estaria com sua Igreja até a consumação dos tempos. Nesses tempos difíceis de encontrar a verdadeira fé, é pelos consagrados ensinamentos contidos na Sagrada Tradição da Igreja Católica que mais eficazmente se visualiza o caminho por onde se deva trilhar em busca do céu.”
(Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho, Tradição Católica e Tradições Protestantes: os Ensinamentos Seguidos fora da Bíblia)

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