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sábado, 31 de março de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
Cronologia da beatificação do Imperador Carlos da Áustria
“1895 – Quando Carlos tinha apenas oito anos de idade, uma religiosa estigmatizada, Madre Vinzentia, do convento das Ursulinas de Sopron, Hungria, aconselha que o jovem Arquiduque seja envolvido em orações, pois haveria de se tornar Imperador, sofrer muito e ser um alvo do Inferno. Um pequeno grupo, então, começa a rezar por ele e por suas intenções. Posteriormente, este grupo se torna a Kaiser Karl-Gebetsliga für den Völkerfrieden (Liga de Oração do Imperador Carlos para a Paz dos Povos).
1922 – O Imperador morre, no dia 1º de abril, na Ilha da Madeira.
1923 – Guilherme Miklas (Presidente da República da Áustria de 1928-1938) apresenta ao Cardeal Arcebispo de Viena, Dom Frederico Gustavo Piffl, o pedido solicitando que os passos necessários para iniciar o Processo de Canonização do Imperador sejam empreendidos.
1925 – O Bispo Sigmund Waitz (posteriormente, Bispo de Salzburgo) concede a aprovação eclesiástica à Kaiser Karl-Gebetsliga für den Völkerfrieden. Inicia-se o processo diocesano para reunir provas e depoimentos, entrevistar testemunhas e compilar uma biografia definitiva.
1949 – A Causa de Canonização do Imperador Carlos é introduzida no Vaticano. Carlos recebe a denominação eclesiástica de “Servo de Deus”.
1953 – Inicia-se a publicação do Jahrbuch da Kaiser Karl-Gebetsliga. Além de publicar artigos sobre o Servo de Deus, a revista descreve as atividades da Gebetsliga durante o ano que passou e relata os testemunhos dos fiéis que, tendo pedido a intercessão do Servo de Deus, acreditam terem recebido graças.
1972 – No dia 1º de abril, qüinquagésimo aniversário de sua morte, o sarcófago do Imperador Carlos é aberto e seu corpo é examinado – tal como é pedido pela Congregação para a Causa dos Santos. Este procedimento é para garantir que o corpo está custodiado e para assegurar possíveis relíquias. A comissão é presidida por Sua Excelência Dom Bruno Wechhner, Bispo de Feldkirch. Inclui, como outros membros, o Bispo de Funchal e seu secretário; um professor de arqueologia – Professor Romoli – e sua equipe; um notário e dois médicos. Também está presente um grande número de austríacos, de tiroleses do sul, de suíços, alemães, alguns portugueses e um sueco. A Gebetsliga foi representada pelo Padre jesuíta Henry Segur. Representando os membros da família estão presentes: o filho mais velho do Imperador, Arquiduque Otto, sua esposa Regina e três de suas filhas – Michaela, Walburga e Gabriela –, e o filho mais novo do Imperador, Arquiduque Rodolfo. Quando o esquife foi aberto, o corpo do Servo de Deus foi encontrado notavelmente bem conservado, apesar de que um vidro do esquife tenha se quebrado, permitindo a entrada tanto de umidade, como de ar tropical insalubre. Embora Carlos tenha sido embalsamado quando morreu, o processo foi feito às pressas e de maneira rudimentar, não podendo, assim, justificar completamente o estado em que o corpo foi achado. Ainda que a incorrupção seja uma das manifestações da santidade (corpos de muitos santos foram conservados incorruptos), a Igreja não interpreta tal manifestação como uma prova de santidade ipso facto. O corpo do Imperador é vestido com um novo uniforme trazido especialmente para isso, colocado num novo ataúde, e o sarcófago foi novamente lacrado.
1994 – A Positio do Servo de Deus Carlos da Áustria é publicada em Roma. Detalha a vida de Carlos, contendo uma completa e pormenorizada biografia, seus escritos e os testemunhos arquivados de todas as pessoas vivas que o conheceram. Compõe-se de dois volumes, somando mais de 2.650 páginas.
1995 – Os Consultores Históricos da Congregação para a Causa dos Santos examinam todo o material da Positio e são encarregados de dar a resposta à questão fundamental: “O Imperador Carlos da Áustria foi virtuoso em grau heróico?” O grupo de seis teólogos respondeu à questão afirmativamente. Os resultados de suas deliberações são publicados pela Congregação.
2002 – No dia 29 de outubro, as virtudes heróicas do Servo de Deus são aprovadas por um grupo de nove teólogos e encaminhadas para os Bispos e Cardeais da Congregação para a Causa dos Santos para a sua aprovação, a fim de apresentar um decreto de Virtudes Heróicas ao Santo Padre.
2003 – O Santo Padre João Paulo II proclama as virtudes heróicas do Servo de Deus aos 12 de abril, dando ao Imperador Carlos o título de “Venerável”.
2003 – No dia 20 de dezembro, um decreto promulgando um milagre atribuído ao Venerável Servo de Deus foi lido diante de João Paulo II. O milagre relaciona-se com uma religiosa polonesa encarregada de um grande hospital no Brasil. Ela sofria de graves problemas em suas pernas e foi obrigada a ficar acamada. Depois de várias operações sem êxito, suas pernas não se curaram, mas ficaram infectadas e causavam-lhe muitas dores. Uma de suas Irmãs sugeriu-lhe que rezasse para o Servo de Deus Carlos da Áustria. A Irmã, contudo, recusou tal sugestão, em favor de outro santo mais familiar e popular. No entanto, as dores e a infecção só aumentavam. Finalmente, no desespero, a Irmã rezou para o Imperador Carlos. No dia seguinte, ela estava completamente curada. Em virtude de seu trabalho no hospital e das numerosas cirurgias, seu caso está bem documentado por vários médicos e enfermeiras.
2004 – O Papa João Paulo II proclama “Beato” o Imperador Carlos da Áustria, na Praça de São Pedro – Cidade do Vaticano –, no domingo, 3 de outubro, diante de uma multidão estimada em 50.000 pessoas. O evento foi transmitido ao vivo pela televisão para toda a Europa e, posteriormente, retransmitido em outras partes do mundo.
Atualmente – A Liga de Oração está crescendo no seu número de membros e promovendo a Causa de Canonização. Igrejas de todo o antigo Império Austro-húngaro estão dedicando capelas e altares ao Beato Imperador Carlos. Relatos de orações atendidas e possíveis milagres atribuídos à sua intercessão estão sendo verificados e investigados.”
(Ir. Nathan Cochran, O.S.B, Beato Carlos da Áustria: Passos rumo à Santidade)
http://emperorcharles.org/Portuguese/steps.shtml
1922 – O Imperador morre, no dia 1º de abril, na Ilha da Madeira.
1923 – Guilherme Miklas (Presidente da República da Áustria de 1928-1938) apresenta ao Cardeal Arcebispo de Viena, Dom Frederico Gustavo Piffl, o pedido solicitando que os passos necessários para iniciar o Processo de Canonização do Imperador sejam empreendidos.
1925 – O Bispo Sigmund Waitz (posteriormente, Bispo de Salzburgo) concede a aprovação eclesiástica à Kaiser Karl-Gebetsliga für den Völkerfrieden. Inicia-se o processo diocesano para reunir provas e depoimentos, entrevistar testemunhas e compilar uma biografia definitiva.
1949 – A Causa de Canonização do Imperador Carlos é introduzida no Vaticano. Carlos recebe a denominação eclesiástica de “Servo de Deus”.
1953 – Inicia-se a publicação do Jahrbuch da Kaiser Karl-Gebetsliga. Além de publicar artigos sobre o Servo de Deus, a revista descreve as atividades da Gebetsliga durante o ano que passou e relata os testemunhos dos fiéis que, tendo pedido a intercessão do Servo de Deus, acreditam terem recebido graças.
1972 – No dia 1º de abril, qüinquagésimo aniversário de sua morte, o sarcófago do Imperador Carlos é aberto e seu corpo é examinado – tal como é pedido pela Congregação para a Causa dos Santos. Este procedimento é para garantir que o corpo está custodiado e para assegurar possíveis relíquias. A comissão é presidida por Sua Excelência Dom Bruno Wechhner, Bispo de Feldkirch. Inclui, como outros membros, o Bispo de Funchal e seu secretário; um professor de arqueologia – Professor Romoli – e sua equipe; um notário e dois médicos. Também está presente um grande número de austríacos, de tiroleses do sul, de suíços, alemães, alguns portugueses e um sueco. A Gebetsliga foi representada pelo Padre jesuíta Henry Segur. Representando os membros da família estão presentes: o filho mais velho do Imperador, Arquiduque Otto, sua esposa Regina e três de suas filhas – Michaela, Walburga e Gabriela –, e o filho mais novo do Imperador, Arquiduque Rodolfo. Quando o esquife foi aberto, o corpo do Servo de Deus foi encontrado notavelmente bem conservado, apesar de que um vidro do esquife tenha se quebrado, permitindo a entrada tanto de umidade, como de ar tropical insalubre. Embora Carlos tenha sido embalsamado quando morreu, o processo foi feito às pressas e de maneira rudimentar, não podendo, assim, justificar completamente o estado em que o corpo foi achado. Ainda que a incorrupção seja uma das manifestações da santidade (corpos de muitos santos foram conservados incorruptos), a Igreja não interpreta tal manifestação como uma prova de santidade ipso facto. O corpo do Imperador é vestido com um novo uniforme trazido especialmente para isso, colocado num novo ataúde, e o sarcófago foi novamente lacrado.
1994 – A Positio do Servo de Deus Carlos da Áustria é publicada em Roma. Detalha a vida de Carlos, contendo uma completa e pormenorizada biografia, seus escritos e os testemunhos arquivados de todas as pessoas vivas que o conheceram. Compõe-se de dois volumes, somando mais de 2.650 páginas.
1995 – Os Consultores Históricos da Congregação para a Causa dos Santos examinam todo o material da Positio e são encarregados de dar a resposta à questão fundamental: “O Imperador Carlos da Áustria foi virtuoso em grau heróico?” O grupo de seis teólogos respondeu à questão afirmativamente. Os resultados de suas deliberações são publicados pela Congregação.
2002 – No dia 29 de outubro, as virtudes heróicas do Servo de Deus são aprovadas por um grupo de nove teólogos e encaminhadas para os Bispos e Cardeais da Congregação para a Causa dos Santos para a sua aprovação, a fim de apresentar um decreto de Virtudes Heróicas ao Santo Padre.
2003 – O Santo Padre João Paulo II proclama as virtudes heróicas do Servo de Deus aos 12 de abril, dando ao Imperador Carlos o título de “Venerável”.
2003 – No dia 20 de dezembro, um decreto promulgando um milagre atribuído ao Venerável Servo de Deus foi lido diante de João Paulo II. O milagre relaciona-se com uma religiosa polonesa encarregada de um grande hospital no Brasil. Ela sofria de graves problemas em suas pernas e foi obrigada a ficar acamada. Depois de várias operações sem êxito, suas pernas não se curaram, mas ficaram infectadas e causavam-lhe muitas dores. Uma de suas Irmãs sugeriu-lhe que rezasse para o Servo de Deus Carlos da Áustria. A Irmã, contudo, recusou tal sugestão, em favor de outro santo mais familiar e popular. No entanto, as dores e a infecção só aumentavam. Finalmente, no desespero, a Irmã rezou para o Imperador Carlos. No dia seguinte, ela estava completamente curada. Em virtude de seu trabalho no hospital e das numerosas cirurgias, seu caso está bem documentado por vários médicos e enfermeiras.
2004 – O Papa João Paulo II proclama “Beato” o Imperador Carlos da Áustria, na Praça de São Pedro – Cidade do Vaticano –, no domingo, 3 de outubro, diante de uma multidão estimada em 50.000 pessoas. O evento foi transmitido ao vivo pela televisão para toda a Europa e, posteriormente, retransmitido em outras partes do mundo.
Atualmente – A Liga de Oração está crescendo no seu número de membros e promovendo a Causa de Canonização. Igrejas de todo o antigo Império Austro-húngaro estão dedicando capelas e altares ao Beato Imperador Carlos. Relatos de orações atendidas e possíveis milagres atribuídos à sua intercessão estão sendo verificados e investigados.”
(Ir. Nathan Cochran, O.S.B, Beato Carlos da Áustria: Passos rumo à Santidade)
http://emperorcharles.org/Portuguese/steps.shtml
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O último imperador da Áustria e a Rainha da Paz (II)
“As intenções da Rainha do Rosário
Carlos havia colocado seus planos de paz sob a proteção da Virgem Maria, cuja imagem decorava as bandeiras dos regimentos imperiais. Em 15 de abril de 1917, ele foi à Catedral de Santo Estêvão em Viena fazer voto de construir uma igreja dedicada à Rainha da Paz, e oferecer-se a ela como seu instrumento, se ela assim o desejasse.
Por sua vez, o Papa Bento XV, que acreditava “na força moral do que é correto”, adicionou às Litanias de Loretto, em 5 de maio de 1917, a invocação “Regina Pacis, ora pro nobis”. “Ele pediu”, escreve nosso Pai, “que houvesse orações pela paz para que Deus pudesse dá-la ao mundo apesar dos beligerantes que nem queriam rezar nem se desarmar.” (CCR n° 272, p. 4)
Como resposta, a 13 de maio Nossa Senhora apareceu às crianças de Fátima para mostrar as condições desta paz tão desejada:
“Recitem o Rosário todos os dias para obter a paz para o mundo e o fim da guerra.”
- “Pode me dizer”, perguntou Lúcia, “se esta guerra ainda vai continuar por muito tempo ou se vai acabar logo?”
- “Não posso ainda lhe dizer isso, até que lhe tenha dito também o que quero.”
“Assim, a humanidade pede primeiramente seu bem imediato e temporal. Nossa Senhora, adiando-o para mais tarde, faz lembrar à humanidade que ele não é o bem mais necessário, nem o melhor, e sim a conversão, tendo o Céu como seu objeto. O grande mal não é a guerra, mas o pecado, que leva as pobres almas ao Inferno e desencadeia guerras e revoluções.” (G. de Nantes, Carta a Meus Amigos n° 247) Em 13 de julho de 1917, a Virgem Maria revelou seus planos secretos de misericórdia, cuja realização homens ingratos e rebeldes iriam adiar indefinidamente: “A guerra vai acabar, mas se não pararem de ofender a Deus, uma outra pior começará no reinado de Pio XI...”
Já em 1917, uma falsa paz e um período pós-guerra calamitoso estavam sendo preparados, dos quais Carlos da Áustria seria uma das primeiras vítimas, enquanto das partes desarticuladas de seu Império, separadas da cabeça, brotaria a fagulha da outra guerra “pior”.
A conspiração demoníaca
Os primeiros a recusarem a mão estendida do Imperador Carlos foram os republicanos franceses. Sévillia, seguindo o historiador François Fejtö em seu “Requiem pour un Empire défunt” (Paris, 1988), detalha as fases dessa cegueira criminosa, desde a supressão das propostas austríacas pelo socialista radical Alexander Ribot e seu cúmplice italiano Sonnino em Abril-Maio de 1917, até a primavera de 1918 quando o “ignóbil Clemenceau”, como nosso Pai o chama, comunicou à imprensa a carta secreta de Carlos datada de 24 de março de 1917. Ele repudiou os compromissos assumidos e só por isso contribuiu para jogar a Áustria nos braços da Alemanha definitivamente.
Havia redes em Paris e Londres, como o “Conselho Nacional Tchecoslovaco”, criado pelos maçons Benes e Masaryk, cujo lema era “destrua a Áustria-Hungria”. Em junho de 1917, deu-se uma conferência internacional maçônica dos países aliados e neutros em Paris. Entre suas resoluções, as pretensões “tchecoslovacas” e “iugoslavas” à autonomia visavam a destruição da Monarquia Dual, o último obstáculo à revolução maçônica na Europa, bastião da detestada Contra-Reforma e do Catolicismo político.
“Foi em 1918 que o vento virou”, afirma Sévillia. O presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, concordou com tais resoluções ao publicar, em 8 de janeiro de 1918, seus “catorze pontos para o estabelecimento da paz universal”. As barreiras econômicas deveriam ser suprimidas, a Rússia bolchevique deveria ser apoiada e, em nome do direito dos povos à autodeterminação, a Áustria-Hungria deveria ser desmanchada (Artigo 10) e a Alemanha, poupada...
Ah! Eis o belo programa, elaborado pelo parceiro de Wilson no crime, o pseudo-coronel House, um dos mais influentes defensores da nova ordem mundial. O ano de 1918 não terminaria sem que o programa estivesse totalmente realizado.
Pobre Carlos, que pensou seria uma boa idéia escrever para o presidente americano e não recebeu resposta! Para qualquer lado que se voltasse, só encontrava desprezo e repulsa. Uma campanha de difamação contra o casal real no inverno de 1918 causou estragos no Império; na investigação, descobriu-se que partira do embaixador alemão em Viena e da Liga Evangélica do Norte!
Sob a égide do Ralliment
“Não basta que eu seja o único a desejar a paz”, confessou Carlos a Polzer-Hoditz, “mas devo também ter todo o povo e os ministros ao meu lado”.
O povo certamente era seu desde o começo; nunca uma monarquia angariou tão rapidamente o apoio de seus súditos. Suas maneiras simples, suas reformas sociais – ele foi o primeiro na Europa a instituir um ministério da saúde e da assistência social – e a presença a seu lado da Imperatriz Zita, que multiplicava as obras de caridade, contribuíram bastante para isso.
Os “representantes” do povo, por outro lado, só lhe causaram dificuldades, e é surpreendente que uma das primeiras medidas de Carlos tenha sido a convocação do parlamento austríaco, fechado desde 1914. “O jogo democrático na Áustria-Hungria”, pensava o soberano, “é mais necessário ainda, porque as potências ocidentais vangloriam-se de empreender uma guerra entre estados legalmente constitucionais e estados reacionários. Fazer da Áustria-Hungria um estado moderno é neutralizar a propaganda aliada.” (p. 108) Foi um passo em falso. Como se Carlos não tivesse dito a Polzer-Hoditz: “O finado Imperador Francisco José sempre repetia para mim, para que eu não esquecesse, que esta história de responsabilidade ministerial é só uma piada. Na realidade, somos nós que temos a responsabilidade.”
Havia poucos homens de talento que o ajudassem a governar, enquanto as rivalidades de partido e nacionais obstruíam suas reformas justas, em particular seu projeto federalista. Se há uma lição a se aprender desse fato, é que a vida parlamentar é incompatível com a condução da guerra. O mais desconcertante nessas páginas é ver que a benevolência natural de Carlos, por falta de uma doutrina política sólida, freqüentemente se tornava uma confiança excessiva em seus inimigos políticos. Ao mesmo tempo, ele professava uma tocante fé nas aspirações dos povos, que “eliminam os exageros por si mesmos” [sic!]. Nisso ele se mostrava mais um discípulo de Leão XIII e Bento XV do que de Pio X.
No momento crítico, os bispos austríacos furtaram-se a seu tradicional papel de apoiar o trono. Em 12 de novembro de 1918, os deputados socialistas-cristãos, que compunham a maioria da assembléia e haviam jurado fidelidade ao monarca poucos dias antes, uniram-se pela república. “Uma república sem republicanos” era a manchete do Arbeiterzeitung, o jornal social-democrata, tão evidente era que a mudança de regime não fora desejada pelo povo, mas pela classe política.
Foram marcadas eleições para o dia 16 de fevereiro de 1919. Sévillia relembra: “Mons. Seydl, em Eckartsau, onde a família real se refugiara, tinha em mãos o texto de uma carta pastoral do Arcebispo de Viena, Cardeal Piffl, a ser publicada em nome do episcopado austríaco, pedindo que os Católicos votassem. Era o reconhecimento do novo regime pela Igreja.
“Em 15 de janeiro de 1919, Carlos escreveu a Mons. Piffl que conseguisse dos padres a recomendação, a seus rebanhos, do voto em deputados não somente Cristãos, mas também fiéis ao trono. Nessa carta o monarca insiste que o ensinamento de Leão XIII, chamando à ação dentro dos limites das instituições estabelecidas, não podia ser invocado no caso austríaco, onde a república havia sido obra de uma revolução... Esforço em vão: em 23 de janeiro, a carta do episcopado foi lida em todos os púlpitos. Era um apelo para trabalhar pelo futuro da sociedade e da pátria e reconhecer a forma de estado no espírito da Epístola de São Paulo aos Romanos – ‘todo poder vem de Deus’ – e da encíclica Immortale Dei de Leão XIII.” (p. 228) Uma nauseante e mortal conjuração!
Quanto ao Papa Bento XV, em resposta à magnífica carta que Carlos lhe endereçou a 28 de fevereiro de 1919, na véspera de partir para o exílio, instou ao Imperador que achasse “na Fé e no abandono a Deus a força de consentir no sacrifício que dele se exigia”. Roma havia virado a página. No mesmo momento, contudo, o comunista Béla Kun estava infligindo fogo e banho de sangue na Hungria.
A morte de um santo
O imperador, que não havia abdicado, tentou por duas vezes, em março e outubro de 1921, restaurar seu trono na Hungria, onde fora ungido e coroado “Rei Apóstolo”, e onde o próprio regente, Horthy, tinha-lhe dado uma certa esperança. Foram duas tentativas infortunadas, que bem lembram Luís XVI em Varennes ou o Conde de Chambord em Versalhes e nos fazem lamentar, junto com nosso Pai, à leitura dessas lastimáveis páginas, que nos momentos decisivos, quando se precisava mostrar audácia e forçar o destino, a legitimidade não estava armada com a virtude da fortaleza.
Relegado com sua família à ilha da Madeira, abandonado e destituído de qualquer ajuda, Carlos da Áustria, que jamais reclamava e que perdoava seus inimigos – sinal de um verdadeiro cristão! - morreu como um santo no Sábado de Aleluia, em 1º de abril de 1922, oferecendo a própria vida em sacrifício por seu povo. Tinha então trinta e quatro anos. "Estamos sofrendo agora, mas depois virá a ressurreição", murmurou sua heróica esposa junto a seu leito de morte. A aurora de sua ressurreição começou a irromper no dia 3 de outubro de 2004, quando Carlos da Áustria assumiu seu lugar entre os Abençoados. Uma "grande bênção" se derramou então sobre seu país.”
(Irmão Thomas de Notre-Dame du Perpétuel Sécours, The Last Emperor of Austria and The Queen of Peace)
Carlos havia colocado seus planos de paz sob a proteção da Virgem Maria, cuja imagem decorava as bandeiras dos regimentos imperiais. Em 15 de abril de 1917, ele foi à Catedral de Santo Estêvão em Viena fazer voto de construir uma igreja dedicada à Rainha da Paz, e oferecer-se a ela como seu instrumento, se ela assim o desejasse.
Por sua vez, o Papa Bento XV, que acreditava “na força moral do que é correto”, adicionou às Litanias de Loretto, em 5 de maio de 1917, a invocação “Regina Pacis, ora pro nobis”. “Ele pediu”, escreve nosso Pai, “que houvesse orações pela paz para que Deus pudesse dá-la ao mundo apesar dos beligerantes que nem queriam rezar nem se desarmar.” (CCR n° 272, p. 4)
Como resposta, a 13 de maio Nossa Senhora apareceu às crianças de Fátima para mostrar as condições desta paz tão desejada:
“Recitem o Rosário todos os dias para obter a paz para o mundo e o fim da guerra.”
- “Pode me dizer”, perguntou Lúcia, “se esta guerra ainda vai continuar por muito tempo ou se vai acabar logo?”
- “Não posso ainda lhe dizer isso, até que lhe tenha dito também o que quero.”
“Assim, a humanidade pede primeiramente seu bem imediato e temporal. Nossa Senhora, adiando-o para mais tarde, faz lembrar à humanidade que ele não é o bem mais necessário, nem o melhor, e sim a conversão, tendo o Céu como seu objeto. O grande mal não é a guerra, mas o pecado, que leva as pobres almas ao Inferno e desencadeia guerras e revoluções.” (G. de Nantes, Carta a Meus Amigos n° 247) Em 13 de julho de 1917, a Virgem Maria revelou seus planos secretos de misericórdia, cuja realização homens ingratos e rebeldes iriam adiar indefinidamente: “A guerra vai acabar, mas se não pararem de ofender a Deus, uma outra pior começará no reinado de Pio XI...”
Já em 1917, uma falsa paz e um período pós-guerra calamitoso estavam sendo preparados, dos quais Carlos da Áustria seria uma das primeiras vítimas, enquanto das partes desarticuladas de seu Império, separadas da cabeça, brotaria a fagulha da outra guerra “pior”.
A conspiração demoníaca
Os primeiros a recusarem a mão estendida do Imperador Carlos foram os republicanos franceses. Sévillia, seguindo o historiador François Fejtö em seu “Requiem pour un Empire défunt” (Paris, 1988), detalha as fases dessa cegueira criminosa, desde a supressão das propostas austríacas pelo socialista radical Alexander Ribot e seu cúmplice italiano Sonnino em Abril-Maio de 1917, até a primavera de 1918 quando o “ignóbil Clemenceau”, como nosso Pai o chama, comunicou à imprensa a carta secreta de Carlos datada de 24 de março de 1917. Ele repudiou os compromissos assumidos e só por isso contribuiu para jogar a Áustria nos braços da Alemanha definitivamente.
Havia redes em Paris e Londres, como o “Conselho Nacional Tchecoslovaco”, criado pelos maçons Benes e Masaryk, cujo lema era “destrua a Áustria-Hungria”. Em junho de 1917, deu-se uma conferência internacional maçônica dos países aliados e neutros em Paris. Entre suas resoluções, as pretensões “tchecoslovacas” e “iugoslavas” à autonomia visavam a destruição da Monarquia Dual, o último obstáculo à revolução maçônica na Europa, bastião da detestada Contra-Reforma e do Catolicismo político.
“Foi em 1918 que o vento virou”, afirma Sévillia. O presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, concordou com tais resoluções ao publicar, em 8 de janeiro de 1918, seus “catorze pontos para o estabelecimento da paz universal”. As barreiras econômicas deveriam ser suprimidas, a Rússia bolchevique deveria ser apoiada e, em nome do direito dos povos à autodeterminação, a Áustria-Hungria deveria ser desmanchada (Artigo 10) e a Alemanha, poupada...
Ah! Eis o belo programa, elaborado pelo parceiro de Wilson no crime, o pseudo-coronel House, um dos mais influentes defensores da nova ordem mundial. O ano de 1918 não terminaria sem que o programa estivesse totalmente realizado.
Pobre Carlos, que pensou seria uma boa idéia escrever para o presidente americano e não recebeu resposta! Para qualquer lado que se voltasse, só encontrava desprezo e repulsa. Uma campanha de difamação contra o casal real no inverno de 1918 causou estragos no Império; na investigação, descobriu-se que partira do embaixador alemão em Viena e da Liga Evangélica do Norte!
Sob a égide do Ralliment
“Não basta que eu seja o único a desejar a paz”, confessou Carlos a Polzer-Hoditz, “mas devo também ter todo o povo e os ministros ao meu lado”.
O povo certamente era seu desde o começo; nunca uma monarquia angariou tão rapidamente o apoio de seus súditos. Suas maneiras simples, suas reformas sociais – ele foi o primeiro na Europa a instituir um ministério da saúde e da assistência social – e a presença a seu lado da Imperatriz Zita, que multiplicava as obras de caridade, contribuíram bastante para isso.
Os “representantes” do povo, por outro lado, só lhe causaram dificuldades, e é surpreendente que uma das primeiras medidas de Carlos tenha sido a convocação do parlamento austríaco, fechado desde 1914. “O jogo democrático na Áustria-Hungria”, pensava o soberano, “é mais necessário ainda, porque as potências ocidentais vangloriam-se de empreender uma guerra entre estados legalmente constitucionais e estados reacionários. Fazer da Áustria-Hungria um estado moderno é neutralizar a propaganda aliada.” (p. 108) Foi um passo em falso. Como se Carlos não tivesse dito a Polzer-Hoditz: “O finado Imperador Francisco José sempre repetia para mim, para que eu não esquecesse, que esta história de responsabilidade ministerial é só uma piada. Na realidade, somos nós que temos a responsabilidade.”
Havia poucos homens de talento que o ajudassem a governar, enquanto as rivalidades de partido e nacionais obstruíam suas reformas justas, em particular seu projeto federalista. Se há uma lição a se aprender desse fato, é que a vida parlamentar é incompatível com a condução da guerra. O mais desconcertante nessas páginas é ver que a benevolência natural de Carlos, por falta de uma doutrina política sólida, freqüentemente se tornava uma confiança excessiva em seus inimigos políticos. Ao mesmo tempo, ele professava uma tocante fé nas aspirações dos povos, que “eliminam os exageros por si mesmos” [sic!]. Nisso ele se mostrava mais um discípulo de Leão XIII e Bento XV do que de Pio X.
No momento crítico, os bispos austríacos furtaram-se a seu tradicional papel de apoiar o trono. Em 12 de novembro de 1918, os deputados socialistas-cristãos, que compunham a maioria da assembléia e haviam jurado fidelidade ao monarca poucos dias antes, uniram-se pela república. “Uma república sem republicanos” era a manchete do Arbeiterzeitung, o jornal social-democrata, tão evidente era que a mudança de regime não fora desejada pelo povo, mas pela classe política.
Foram marcadas eleições para o dia 16 de fevereiro de 1919. Sévillia relembra: “Mons. Seydl, em Eckartsau, onde a família real se refugiara, tinha em mãos o texto de uma carta pastoral do Arcebispo de Viena, Cardeal Piffl, a ser publicada em nome do episcopado austríaco, pedindo que os Católicos votassem. Era o reconhecimento do novo regime pela Igreja.
“Em 15 de janeiro de 1919, Carlos escreveu a Mons. Piffl que conseguisse dos padres a recomendação, a seus rebanhos, do voto em deputados não somente Cristãos, mas também fiéis ao trono. Nessa carta o monarca insiste que o ensinamento de Leão XIII, chamando à ação dentro dos limites das instituições estabelecidas, não podia ser invocado no caso austríaco, onde a república havia sido obra de uma revolução... Esforço em vão: em 23 de janeiro, a carta do episcopado foi lida em todos os púlpitos. Era um apelo para trabalhar pelo futuro da sociedade e da pátria e reconhecer a forma de estado no espírito da Epístola de São Paulo aos Romanos – ‘todo poder vem de Deus’ – e da encíclica Immortale Dei de Leão XIII.” (p. 228) Uma nauseante e mortal conjuração!
Quanto ao Papa Bento XV, em resposta à magnífica carta que Carlos lhe endereçou a 28 de fevereiro de 1919, na véspera de partir para o exílio, instou ao Imperador que achasse “na Fé e no abandono a Deus a força de consentir no sacrifício que dele se exigia”. Roma havia virado a página. No mesmo momento, contudo, o comunista Béla Kun estava infligindo fogo e banho de sangue na Hungria.
A morte de um santo
O imperador, que não havia abdicado, tentou por duas vezes, em março e outubro de 1921, restaurar seu trono na Hungria, onde fora ungido e coroado “Rei Apóstolo”, e onde o próprio regente, Horthy, tinha-lhe dado uma certa esperança. Foram duas tentativas infortunadas, que bem lembram Luís XVI em Varennes ou o Conde de Chambord em Versalhes e nos fazem lamentar, junto com nosso Pai, à leitura dessas lastimáveis páginas, que nos momentos decisivos, quando se precisava mostrar audácia e forçar o destino, a legitimidade não estava armada com a virtude da fortaleza.
Relegado com sua família à ilha da Madeira, abandonado e destituído de qualquer ajuda, Carlos da Áustria, que jamais reclamava e que perdoava seus inimigos – sinal de um verdadeiro cristão! - morreu como um santo no Sábado de Aleluia, em 1º de abril de 1922, oferecendo a própria vida em sacrifício por seu povo. Tinha então trinta e quatro anos. "Estamos sofrendo agora, mas depois virá a ressurreição", murmurou sua heróica esposa junto a seu leito de morte. A aurora de sua ressurreição começou a irromper no dia 3 de outubro de 2004, quando Carlos da Áustria assumiu seu lugar entre os Abençoados. Uma "grande bênção" se derramou então sobre seu país.”
(Irmão Thomas de Notre-Dame du Perpétuel Sécours, The Last Emperor of Austria and The Queen of Peace)
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
O último imperador da Áustria e a Rainha da Paz (I)
““Pedindo aos Céus graças e bênçãos para mim e minha casa, assim como para meus amados povos... juro diante do Todo-Poderoso administrar fielmente os bens que meus antecessores me legaram. Farei tudo em meu poder para banir, com o menor atraso possível, os horrores e sacrifícios que a guerra nos traz e levar a meu povo os benefícios da paz.”
É com essa oração e promessa solene que o Imperador Carlos da Áustria, o primeiro com esse nome, inaugura seu reinado em 21 de novembro de 1916, que mal irá durar dois anos, associado às agonias da Grande Guerra e brutalmente interrompido pela revolução. Jean Sévillia acaba de dedicar um trabalho fascinante a seu respeito: Le dernier empereur, Charles d’Autriche, 1887-1922 (Perrin 2009), que completa o que já escreveu sobre a admirável esposa de Carlos: Zita, Impératrice courage (Perrin, 1997).
Nós o lemos em comunidade com mais interesse ainda, pois o relato satisfaz uma expectativa que nosso Pai (N. do t – o Abbé de Nantes) criara no número especial dedicado aos heróis da Grande Guerra. Nem os políticos, nem os historiadores, nem mesmo os teólogos jamais entenderam realmente o significado de seu sacrifício: “Permanecem como os únicos confiáveis, os únicos audíveis, mas nem ouvidos nem acreditados, os santos da Igreja que tiveram revelações e visões indubitavelmente proféticas, e as acompanharam de lições religiosas e morais a fim de que o holocausto não fosse sem mérito, sem valor aos olhos de Deus, mas, pelo contrário, que pudesse obter dEle misericórdia e graça sobre graça, até a plenitude da vitória e uma santa paz Católica que ainda não vieram para nossas multidões de heróis sacrificados...” (Georges de Nantes, Memorial dos Heróis da Grande Guerra. “Tenho compaixão pela multidão”, CCR n° 272, Dezembro de 1994, p. 1)
Carlos da Áustria não foi “do nosso lado”, dos povos latinos e católicos defrontados com a barbárie germânica e luterana; não foi favorecido com nenhuma revelação, mas hoje é abençoado e sua vida se inscreve na ortodromia “que leva todas as coisas na Cristandade até o maior bem de todos os homens, sua verdadeira conversão, e – uma vez paga a dívida – sua paz na terra e a vida eterna em Cristo.” (CRC n° 302, p. 36)
“Uma bênção para a Áustria”
Nascido a 17 de agosto de 1887, Carlos demonstrou ter desde seus mais tenros anos um caráter benevolente e sensível, um coração verdadeiro como ouro e uma profunda piedade. Destinado, como todos os príncipes de sua família, à profissão militar, tornou-se oficial aos dezoito anos e distinguiu-se pelo senso de dever, austeridade e alegria. Nada, contudo, fazia supor que o sobrinho-neto do velho imperador Francisco José seria um dia seu sucessor.
Em 21 de outubro de 1911, Carlos casou-se com Zita de Bourbon-Parma, uma bela princesa de educação e tradição francesas, de fé católica íntegra e monárquica – sua avó, a Duquesa Louise de Parma, era a irmã do Conde de Chambord. Em cada fibra de seu ser Zita era austríaca: “Jamais teria pensado na Áustria como algo estrangeiro”, escreveu. “Mesmo antes de me casar, já conhecia grande parte do país como a palma da minha mão. Era simplesmente minha pátria.” No dia de seu casamento, Carlos confidenciou à esposa: “Agora, nossa tarefa é nos ajudarmos um ao outro a ir para o Céu.”
Poucos meses antes do casamento, a princesa foi recebida com sua mãe em audiência pelo Papa Pio X, que lhe disse: “Irás casar-te com o herdeiro do trono.” Surpresa e intimidada, não ousou objetar que o herdeiro ao trono dos Habsburgos era então o Arquiduque Francisco Ferdinando e não Carlos, seu futuro marido. Pio X, no entanto, continuou: “Alegro-me bastante nisso, pois uma grande bênção será derramada em seu país por sua causa. Ele será a recompensa da Áustria pela fidelidade da nação.”
O assassinato em Sarajevo no dia 28 de junho de 1914 confirmou, embora com lágrimas e sangue, a profecia do santo. No momento que Carlos tornou-se o herdeiro presumido da coroa imperial e real, começou a espiral mortal que levaria os povos a um terrível conflito.
Ao embaixador de Francisco José, que viera pedir, em nome de seu senhor, a bênção para os exércitos austríacos, São Pio X, que tivera uma espécie de visão profética da horrorosa “guerrone” - a grande guerra – na qual o mundo se precipitara como castigo por sua impiedade, respondeu:
“Diga ao Imperador que não posso abençoar nem a guerra, nem os que a desejam: eu abençôo a paz.”
Um líder humano e cristão
Declarada a guerra, devia-se cumprir com o próprio dever e ir à linha de fogo. O Arquiduque e herdeiro podia ser visto visitando às pressas todos os frontes; ele estava em todo lugar: no fronte oriental, enfrentando os exércitos russos de Brusilov, e no sudoeste, no Tirol, onde comandou durante algum tempo as tropas de elite do Edelweiss Korps, com uma óbvia preocupação em poupar o derramamento de sangue de seus homens, que nos leva a pensar irresistivelmente no General Pétain do mesmo período.
Se a Monarquia Dual estava a ponto de se desintegrar, como era repetido ad nauseam depois da guerra para justificar os tratados de 1919 que a desmembraram, isso teria acontecido em 1914. Contra todas as expectativas, contudo, a mobilização aconteceu sem dificuldades. E mais: os regimentos lutaram valorosamente. Em outubro de 1917, os exércitos da Áustria-Hungria ainda foram capazes de infligir um desastre às tropas italianas em Caporetto.
Uma tal fidelidade e um tal valor podem ser explicados por um motivo bastante simples e positivo. O exército imperial era um cadinho onde se misturavam os sentimentos profundos, compartilhados pelos povos da bacia do Danúbio, de pertencerem a uma comunidade de destino, encarnada em uma família, a casa dos Habsburgos, e cimentada pela Fé Católica – o apoio ancestral ao trono.
Carlos, que rezava o rosário todos os dias, seja sozinho no fronte ou com seus filhos quando de regresso a Viena, viu tudo. Ele descia às trincheiras e falava à vontade com seus soldados. Armas, oficiais, campos de batalha, tudo lhe era familiar, e ele fazia um relato fiel de tudo ao Imperador, deplorando, por exemplo, que os alemães estivessem cada vez mais nas posições de comando e na condução das operações.
Contudo, como se livrar de um aliado que estava animado com fúria tão belicosa?
Um soberano amante da paz
Quando o imperador Francisco José morreu em 21 de novembro de 1916, após um reinado de sessenta e oito anos, alguém se perguntaria se a Áustria imperial teria também chegado ao fim. Durante seu funeral, todos suspeitavam disso.
“O imperador, contudo, estava lá. Ele tinha agora o rosto de um homem que mal tinha trinta anos de idade, ao lado do qual andava uma mulher jovem, já mãe de quatro filhos, coberta de luto da cabeça aos pés.”
Carlos e Zita foram coroados em 30 de dezembro de 1916, em Budapeste, de acordo com tradicional pompa e ritual. “Do ponto de vista religioso”, escreve Sévillia, “os soberanos, devotos Católicos, foram tocados pela dimensão espiritual da coroação. Do ponto de vista político, o ato apenas os obrigou, estritamente falando, na Hungria. Apesar disso, educados no fervor monárquico, julgaram que a unção por eles recebida lhes conferia o significado definitivo da missão na qual foram investidos: enquanto rei e rainha, eram os responsáveis diante de Deus por seus povos e sua coroa.” (p. 70)
A bem da verdade, sua responsabilidade em tais circunstâncias era esmagadora. Carlos a cumpriu no exercício diário das virtudes de seu estado em grau heróico. Tomando ele mesmo o supremo comando do exército, teve sucesso em impor sua própria visão das coisas: nenhum combate de infantaria sem longa e intensa preparação da artilharia. Uma nova vida começou a animar todo o exército. De sua parte, as populações civis começaram a sofrer penosamente as conseqüências do bloqueio: o reabastecimento de suprimentos começou a ficar cada vez mais difícil e a escassez de alimentos, a ocorrer... A piedade que inundou o coração do imperador, junto com seu ardente sentido de dever como soberano, obrigaram-no a procurar por todo e qualquer meio pôr um fim às hostilidades que já estavam durando demais.
Tentou, em vão, opôr-se ao plano alemão de combates submarinos em excesso, que causaram a entrada dos Estados Unidos, defensores da liberdade nos mares, no conflito. “É terrível! A Alemanha subestima a América e superestima suas forças. Berlim foi tomada pela cegueira e nos empurrará a todos nós no abismo”, confidenciou Carlos a Polzer-Hoditz, chefe do gabinete civil.
Da mesma forma, considerou loucura o apoio dado pelo quartel-general do Kaiser a Lênin em 1917, permitindo-o atravessar a Suíça até a Rússia com o único propósito de deflagrar sua revolução.
Se, em seu coração e em suas conversas, ele era oposto a seus “aliados”, na prática estava privado dos meios de pressioná-los. “Esse é todo o drama do soberano”, nota Sévillia.
Foi assim até o dia que decidiu entrar em negociações secretas com a Entente, ou seja, com a França e a Inglaterra, com vistas a concluir a paz entre soldados, com honra.
Negociações de paz
Após contato com a mãe, a Duquesa de Parma, os dois irmãos da Imperatriz Zita, Sixtus e Xavier de Bourbon-Parma, que tinham-se alistado desde o início do conflito no exército belga, entraram incógnitos na Suíça e de lá foram até Viena, onde se encontraram com o Imperador. No relato dessa tentativa de diplomacia dinástica, poder-se-ia começar a sonhar: era então possível a paz na primavera de 1917?
Em 24 de março, o Imperador Carlos confiou a seu cunhado uma carta manuscrita a ser entregue às autoridades francesas, na qual podia-se ler:
“A França tem mostrado uma força magnífica de resistência e de ímpeto. Nós todos admiramos, sem reservas, a esplêndida bravura tradicional de seu exército e o espírito de sacrifício de todo o povo francês [a batalha de Verdun acabara de ser vencida!]. É-me também particularmente agradável perceber que, embora no momento sejamos adversários, nenhuma real divergência de visões ou aspirações separa meu império da França, e que tenho o direito de esperar que minhas intensas simpatias pela França, associadas às que reinam por toda a Monarquia, evitarão para sempre o retorno do estado de guerra pelo qual nenhuma responsabilidade pode ser-me imputada... ”
Carlos ofereceu à Entente termos consideráveis: reconhecimento da neutralidade belga, reestabelecimento da Sérvia com acesso ao Adriático, apoio às “justas reivindicações francesas” na Alsácia-Lorena; em troca, pediu apenas que a integridade do estado austríaco se mantivesse. Reiterou sua oferta em uma segunda carta de 9 de maio. Seu objetivo, conforme confessou ao Conde Czernin, seu ministro de assuntos estrangeiros, era, “depois da paz, estar aliado à França como um contrapeso à Alemanha.”
Ele foi na verdade o único chefe de estado de seu tempo que desejou e propôs a paz honestamente. Outro motivo também o apressava: a revolução que acabara de eclodir em São Petersburgo podia por sua vez espalhar-se pelos impérios centrais. Carlos revelou seus pensamentos a esse respeito ao núncio em Viena, que não os levou a sério. O Imperador se entristeceu com isso: “O núncio acredita que falo pela minha própria casa, mas nada é menos correto. Na verdade, trata-se de coisas que são muito mais importantes do que manter o trono; trata-se da segurança e da paz da Igreja, assim como da salvação eterna de muitas almas que estão em perigo.””
(Irmão Thomas de Notre-Dame du Perpétuel Sécours, The Last Emperor of Austria and The Queen of Peace)
É com essa oração e promessa solene que o Imperador Carlos da Áustria, o primeiro com esse nome, inaugura seu reinado em 21 de novembro de 1916, que mal irá durar dois anos, associado às agonias da Grande Guerra e brutalmente interrompido pela revolução. Jean Sévillia acaba de dedicar um trabalho fascinante a seu respeito: Le dernier empereur, Charles d’Autriche, 1887-1922 (Perrin 2009), que completa o que já escreveu sobre a admirável esposa de Carlos: Zita, Impératrice courage (Perrin, 1997).
Nós o lemos em comunidade com mais interesse ainda, pois o relato satisfaz uma expectativa que nosso Pai (N. do t – o Abbé de Nantes) criara no número especial dedicado aos heróis da Grande Guerra. Nem os políticos, nem os historiadores, nem mesmo os teólogos jamais entenderam realmente o significado de seu sacrifício: “Permanecem como os únicos confiáveis, os únicos audíveis, mas nem ouvidos nem acreditados, os santos da Igreja que tiveram revelações e visões indubitavelmente proféticas, e as acompanharam de lições religiosas e morais a fim de que o holocausto não fosse sem mérito, sem valor aos olhos de Deus, mas, pelo contrário, que pudesse obter dEle misericórdia e graça sobre graça, até a plenitude da vitória e uma santa paz Católica que ainda não vieram para nossas multidões de heróis sacrificados...” (Georges de Nantes, Memorial dos Heróis da Grande Guerra. “Tenho compaixão pela multidão”, CCR n° 272, Dezembro de 1994, p. 1)
Carlos da Áustria não foi “do nosso lado”, dos povos latinos e católicos defrontados com a barbárie germânica e luterana; não foi favorecido com nenhuma revelação, mas hoje é abençoado e sua vida se inscreve na ortodromia “que leva todas as coisas na Cristandade até o maior bem de todos os homens, sua verdadeira conversão, e – uma vez paga a dívida – sua paz na terra e a vida eterna em Cristo.” (CRC n° 302, p. 36)
“Uma bênção para a Áustria”
Nascido a 17 de agosto de 1887, Carlos demonstrou ter desde seus mais tenros anos um caráter benevolente e sensível, um coração verdadeiro como ouro e uma profunda piedade. Destinado, como todos os príncipes de sua família, à profissão militar, tornou-se oficial aos dezoito anos e distinguiu-se pelo senso de dever, austeridade e alegria. Nada, contudo, fazia supor que o sobrinho-neto do velho imperador Francisco José seria um dia seu sucessor.
Em 21 de outubro de 1911, Carlos casou-se com Zita de Bourbon-Parma, uma bela princesa de educação e tradição francesas, de fé católica íntegra e monárquica – sua avó, a Duquesa Louise de Parma, era a irmã do Conde de Chambord. Em cada fibra de seu ser Zita era austríaca: “Jamais teria pensado na Áustria como algo estrangeiro”, escreveu. “Mesmo antes de me casar, já conhecia grande parte do país como a palma da minha mão. Era simplesmente minha pátria.” No dia de seu casamento, Carlos confidenciou à esposa: “Agora, nossa tarefa é nos ajudarmos um ao outro a ir para o Céu.”
Poucos meses antes do casamento, a princesa foi recebida com sua mãe em audiência pelo Papa Pio X, que lhe disse: “Irás casar-te com o herdeiro do trono.” Surpresa e intimidada, não ousou objetar que o herdeiro ao trono dos Habsburgos era então o Arquiduque Francisco Ferdinando e não Carlos, seu futuro marido. Pio X, no entanto, continuou: “Alegro-me bastante nisso, pois uma grande bênção será derramada em seu país por sua causa. Ele será a recompensa da Áustria pela fidelidade da nação.”
O assassinato em Sarajevo no dia 28 de junho de 1914 confirmou, embora com lágrimas e sangue, a profecia do santo. No momento que Carlos tornou-se o herdeiro presumido da coroa imperial e real, começou a espiral mortal que levaria os povos a um terrível conflito.
Ao embaixador de Francisco José, que viera pedir, em nome de seu senhor, a bênção para os exércitos austríacos, São Pio X, que tivera uma espécie de visão profética da horrorosa “guerrone” - a grande guerra – na qual o mundo se precipitara como castigo por sua impiedade, respondeu:
“Diga ao Imperador que não posso abençoar nem a guerra, nem os que a desejam: eu abençôo a paz.”
Um líder humano e cristão
Declarada a guerra, devia-se cumprir com o próprio dever e ir à linha de fogo. O Arquiduque e herdeiro podia ser visto visitando às pressas todos os frontes; ele estava em todo lugar: no fronte oriental, enfrentando os exércitos russos de Brusilov, e no sudoeste, no Tirol, onde comandou durante algum tempo as tropas de elite do Edelweiss Korps, com uma óbvia preocupação em poupar o derramamento de sangue de seus homens, que nos leva a pensar irresistivelmente no General Pétain do mesmo período.
Se a Monarquia Dual estava a ponto de se desintegrar, como era repetido ad nauseam depois da guerra para justificar os tratados de 1919 que a desmembraram, isso teria acontecido em 1914. Contra todas as expectativas, contudo, a mobilização aconteceu sem dificuldades. E mais: os regimentos lutaram valorosamente. Em outubro de 1917, os exércitos da Áustria-Hungria ainda foram capazes de infligir um desastre às tropas italianas em Caporetto.
Uma tal fidelidade e um tal valor podem ser explicados por um motivo bastante simples e positivo. O exército imperial era um cadinho onde se misturavam os sentimentos profundos, compartilhados pelos povos da bacia do Danúbio, de pertencerem a uma comunidade de destino, encarnada em uma família, a casa dos Habsburgos, e cimentada pela Fé Católica – o apoio ancestral ao trono.
Carlos, que rezava o rosário todos os dias, seja sozinho no fronte ou com seus filhos quando de regresso a Viena, viu tudo. Ele descia às trincheiras e falava à vontade com seus soldados. Armas, oficiais, campos de batalha, tudo lhe era familiar, e ele fazia um relato fiel de tudo ao Imperador, deplorando, por exemplo, que os alemães estivessem cada vez mais nas posições de comando e na condução das operações.
Contudo, como se livrar de um aliado que estava animado com fúria tão belicosa?
Um soberano amante da paz
Quando o imperador Francisco José morreu em 21 de novembro de 1916, após um reinado de sessenta e oito anos, alguém se perguntaria se a Áustria imperial teria também chegado ao fim. Durante seu funeral, todos suspeitavam disso.
“O imperador, contudo, estava lá. Ele tinha agora o rosto de um homem que mal tinha trinta anos de idade, ao lado do qual andava uma mulher jovem, já mãe de quatro filhos, coberta de luto da cabeça aos pés.”
Carlos e Zita foram coroados em 30 de dezembro de 1916, em Budapeste, de acordo com tradicional pompa e ritual. “Do ponto de vista religioso”, escreve Sévillia, “os soberanos, devotos Católicos, foram tocados pela dimensão espiritual da coroação. Do ponto de vista político, o ato apenas os obrigou, estritamente falando, na Hungria. Apesar disso, educados no fervor monárquico, julgaram que a unção por eles recebida lhes conferia o significado definitivo da missão na qual foram investidos: enquanto rei e rainha, eram os responsáveis diante de Deus por seus povos e sua coroa.” (p. 70)
A bem da verdade, sua responsabilidade em tais circunstâncias era esmagadora. Carlos a cumpriu no exercício diário das virtudes de seu estado em grau heróico. Tomando ele mesmo o supremo comando do exército, teve sucesso em impor sua própria visão das coisas: nenhum combate de infantaria sem longa e intensa preparação da artilharia. Uma nova vida começou a animar todo o exército. De sua parte, as populações civis começaram a sofrer penosamente as conseqüências do bloqueio: o reabastecimento de suprimentos começou a ficar cada vez mais difícil e a escassez de alimentos, a ocorrer... A piedade que inundou o coração do imperador, junto com seu ardente sentido de dever como soberano, obrigaram-no a procurar por todo e qualquer meio pôr um fim às hostilidades que já estavam durando demais.
Tentou, em vão, opôr-se ao plano alemão de combates submarinos em excesso, que causaram a entrada dos Estados Unidos, defensores da liberdade nos mares, no conflito. “É terrível! A Alemanha subestima a América e superestima suas forças. Berlim foi tomada pela cegueira e nos empurrará a todos nós no abismo”, confidenciou Carlos a Polzer-Hoditz, chefe do gabinete civil.
Da mesma forma, considerou loucura o apoio dado pelo quartel-general do Kaiser a Lênin em 1917, permitindo-o atravessar a Suíça até a Rússia com o único propósito de deflagrar sua revolução.
Se, em seu coração e em suas conversas, ele era oposto a seus “aliados”, na prática estava privado dos meios de pressioná-los. “Esse é todo o drama do soberano”, nota Sévillia.
Foi assim até o dia que decidiu entrar em negociações secretas com a Entente, ou seja, com a França e a Inglaterra, com vistas a concluir a paz entre soldados, com honra.
Negociações de paz
Após contato com a mãe, a Duquesa de Parma, os dois irmãos da Imperatriz Zita, Sixtus e Xavier de Bourbon-Parma, que tinham-se alistado desde o início do conflito no exército belga, entraram incógnitos na Suíça e de lá foram até Viena, onde se encontraram com o Imperador. No relato dessa tentativa de diplomacia dinástica, poder-se-ia começar a sonhar: era então possível a paz na primavera de 1917?
Em 24 de março, o Imperador Carlos confiou a seu cunhado uma carta manuscrita a ser entregue às autoridades francesas, na qual podia-se ler:
“A França tem mostrado uma força magnífica de resistência e de ímpeto. Nós todos admiramos, sem reservas, a esplêndida bravura tradicional de seu exército e o espírito de sacrifício de todo o povo francês [a batalha de Verdun acabara de ser vencida!]. É-me também particularmente agradável perceber que, embora no momento sejamos adversários, nenhuma real divergência de visões ou aspirações separa meu império da França, e que tenho o direito de esperar que minhas intensas simpatias pela França, associadas às que reinam por toda a Monarquia, evitarão para sempre o retorno do estado de guerra pelo qual nenhuma responsabilidade pode ser-me imputada... ”
Carlos ofereceu à Entente termos consideráveis: reconhecimento da neutralidade belga, reestabelecimento da Sérvia com acesso ao Adriático, apoio às “justas reivindicações francesas” na Alsácia-Lorena; em troca, pediu apenas que a integridade do estado austríaco se mantivesse. Reiterou sua oferta em uma segunda carta de 9 de maio. Seu objetivo, conforme confessou ao Conde Czernin, seu ministro de assuntos estrangeiros, era, “depois da paz, estar aliado à França como um contrapeso à Alemanha.”
Ele foi na verdade o único chefe de estado de seu tempo que desejou e propôs a paz honestamente. Outro motivo também o apressava: a revolução que acabara de eclodir em São Petersburgo podia por sua vez espalhar-se pelos impérios centrais. Carlos revelou seus pensamentos a esse respeito ao núncio em Viena, que não os levou a sério. O Imperador se entristeceu com isso: “O núncio acredita que falo pela minha própria casa, mas nada é menos correto. Na verdade, trata-se de coisas que são muito mais importantes do que manter o trono; trata-se da segurança e da paz da Igreja, assim como da salvação eterna de muitas almas que estão em perigo.””
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