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sábado, 12 de junho de 2021

Imigração à beira de destruir a Suécia


“O paraíso feminista, secularista, multicultural e anticristão com o nome de Suécia está à beira de se tornar num país falhado. Para além da mundialmente famosa taxa de violações, este país, que era apontado pelos menos informados como exemplo de "sucesso" das políticas esquerdistas, tem também uma crescente taxa de tiroteios e ataques à bomba.
Sem surpresa alguma, o motivo para o lento declínio da qualidade de vida dos suecos está associado às políticas migratórias e ao asfixiante politicamente correto (que pode destruir a vida profissional de quem defende o que a elite não quer que seja defendido).
Mas agora, e como seria de esperar, a polícia local está a perder o controle do que resta do país; não só eles estão a ser atacados como já não se sentem seguros para levar a cabo as suas funções. No início deste ano as forças polícias emitiram um grito de socorro, e no mês passado um oficial admitiu que o medo tomou conta dos operacionais.
No dia 18 de outubro houve um ataque à bomba na estação da polícia de Helsingborg e mais tarde uma chuva de balas atingiu casa de família dum policial. Em novembro houve outro ataque sério à polícia. Uma granada de mão foi atirada à estação de polícia em Uppsala.
Mas os policiais receberam também ameaças. Uma policial disse que teve sua vida ameaçada por um suspeito que publicou na internet a sua informação privada, fotos de si, do cônjuge, e do filho. Segundo ela, nada poderia ter sido feito para remediar a situação, e como tal, ela viu-se forçada a mudar de casa.
Há algum tempo atrás, foi perguntado ao jornalista sueco Peter Imanuelsen sobre a situação no país e ele afirmou:
Na minha opinião, a solução óbvia para parar esta epidemia é o governo sueco enviar os militares para as zonas "No-Go", e expulsar esses grupos criminosos migrantes.
Mas ele não é o único. Políticos do Partido Moderado da Suécia querem também que o exército seja enviado, o que para eles é gesto perfeitamente justificado. Por exemplo, na semana passada as equipes SWAT foram necessárias para dar apoio a bombeiros que trabalhavam num subúrbio migrante em Uppsala. Segundo um antigo habitante deste subúrbio, este local era um local tranquilo. Emanuel Imanuelsen, o pai de Peter, afirma:
Eu vivi em Gottsunda no ano de 1991. O mesmo era um subúrbio tranquilo de Uppsala, onde nada acontecia. Todas as pessoas podiam andar pelas ruas sem ter qualquer tipo de medo. Lembro-me duma jovem mulher que vivia num apartamento perto do meu e que não receava nada. Ninguém poderia imaginar que 25 anos mais tarde as coisas teriam mudado tanto que seria preciso escolta policial.
Claramente, a Suécia está a mudar rapidamente e a polícia está a perder o controle. Há duas maneiras de continuar: uma é a velha, com o politicamente correto e com o devaneio surrealista. A outra é encarar a realidade: a polícia está a perder o controle e é necessário restaurar a lei e a ordem em várias grandes cidades e em zonas "No-Go". Só o exército tem o equipamento e as habilidades necessárias para dominar e subjugar os grupos migrantes que estão a causar problemas.
***
Quem sabe da agenda do Marxismo Cultural, sabe que o apelo para o "restauro da ordem" é o objetivo de quem abriu as portas da imigração aos maometanos. Os globalistas que trouxeram os imigrantes para a Europa fizeram-no tendo como um dos propósitos gerar caos suficiente de modo a que o povo nativo apelasse para uma maior militarização da sociedade.
Depois dos militares terem sido colocados nas ruas, os mesmos não vão ser usados para acabar com a violência dos migrantes, mas sim como forma de controlar a população nativa. A Suécia pode ser vista como um tubo de ensaio para o que vai acontecer noutros países da Europa Ocidental à medida que a violência islâmica e o caos vão aumentado, e à medida que o povo nativo vai ansiando cada vez mais por ordem e tranquilidade.
Claro que a outra opção para se acabar com a violência dos imigrantes é levar a cabo deportações pacífica dos mesmos. Mas como isso iria de fato funcionar e aumentar a tranquilidade dos europeus, os globalistas nunca irão aceitar esta opção. Portanto, podemos prever que ou a Suécia se torna num estado policial, ou se torna num país cada vez mais violento e cada vez menos funcional.
Outra coisa que se pode prever é que, com o passar do tempo, cada vez menos feministas apontem para a Suécia como exemplo dum país feminista de sucesso, cada vez menos ateus apontem para a Suécia como "país ateu" de sucesso, e cada vez menos esquerdistas se lembrem de que a Suécia existe.”

http://perigoislamico.blogspot.com.br

sábado, 7 de novembro de 2020

A Termodinâmica contraria o Marxismo

"Em primeiro lugar há uma matéria macrofísica, que vai desde o objeto conhecido às estrelas e galáxias. Está formada por sistemas de moléculas, de átomos, de partículas, e é governada pelo princípio da degradação de energia (em virtude da segunda lei da Termodinâmica). Num sistema fechado, a energia degrada-se, ou seja, passa de formas mais complexas de organização para outras menos complexas e menos estruturadas. Aqui encontra o materialismo dialético a sua sentença de morte, já que a matéria que ele perspectiva não é passível de evolução, ou seja, de passar a níveis superiores de organização e heterogeneidade. O que sucede é precisamente o contrário e por isso mesmo, no seu tempo, Marx e Engels se recusaram, com inteira lógica, a aceitar como verdadeira a segunda lei da Termodinâmica." 
(António Marques Bessa, Ensaio sobre o Fim da Nossa Idade) 

https://accao-integral.blogspot.com.br

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Marx e a esperança na história

"Marx foi um pensador burguês. Mal economista no sentido rigoroso e até científico do termo, não foi o melhor filósofo, mas teve o gênio de dar ao sentido exclusivamente econômico da vida um sopro de demência religiosa que desatou a esperança de uma mudança total provocada pela passagem dos meios de produção das mãos do capitalista às do povo organizado. Esta idéia foi semeada sobre uma consciência da qual não havia desaparecido a esperança escatológica no Reino de Deus e de uma transformação do homem provocada pelo fermento da graça divina e a conversão religiosa da vontade, mas em cujas convicções mais profundas havia entrado para sempre o culto do trabalho humano e a confiança em uma redenção puramente antropocêntrica.
Marx não examinou a atividade econômica em seu sentido lato, à luz da eficácia produtiva. Nessa ordem de reflexões o capitalismo tem sobre suas idéias todas as vantagens da eficiência e a seu favor o peso esmagador das estatísticas e o melhor standard de vida. Pensou a atividade econômica em termos de uma força transformadora da natureza e a dotou de um ímpeto soteriológico capaz de provocar o advento de um "homem novo", o produto de um salto qualitativo na evolução da espécie. Era uma idéia au jour, nascida de uma hipótese biológica e de um tremendo desejo de que fosse verdadeira para terminar com o dogma da criação a partir do nada. Marx nunca soube bem que coisa seria esse homem socialista, mas o sonho se harmonizava com suas ambições titânicas e coroava o esforço dialético de Hegel com um porvir. Naquele momento e até então a realização do socialismo não provocara a passagem da pré-história presente à verdadeira história, a visão deste fim último brotado do abraço da economia e do evolucionismo biológico iniciava a esperança na história.
Ter esperança na história é fundar o sentido da vida na fugidia mobilidade do tempo. Pessoalmente essa esperança é insustentável, porque supõe passar por cima da inevitável morte individual. Posso esperar para além da morte e se poderá discutir a sensatez de semelhante esperança. Mas esperar com o convencimento de que a morte tem a última palavra é indubitavelmente uma esperança desesperada, ou mais simplesmente uma forma bastante complicada de desesperação.
O marxismo não fala de esperanças pessoais e trata de fundar uma espécie de esperança coletiva. Eu espero por outros, mas não por outros que esperam pessoalmente isso que eu espero por eles, mas por outros que todavia não são e dos quais com certeza não sei o que esperarão, caso esperem algo. Minha esperança se adere a um especismo que permitirá às gerações sucessivas irem se sacrificando uma depois da outra atrás de uma ilusão que a morte de cada um apaga de um só golpe."
(Rubén Calderón Bouchet, Esperanza, Historia y Utopía)

sábado, 28 de julho de 2018

Marxismo no Direito e a nossa insegurança


“Você provavelmente se criou assumindo como verdadeiras algumas premissas, entre as quais a de que pagamos impostos para que o Estado nos proporcione serviços, ou a de que os poderes de Estado priorizam o interesse público.
O tempo e a vida lhe ensinaram, contudo, que há grande distância entre tais premissas e a realidade. No mundo dos fatos, é para manter o Estado que pagamos impostos. A prioridade número um dele é cuidar de si mesmo. E a preocupação maior dos poderes de Estado é com sua manutenção e com a qualidade de vida de seus membros.
Desnecessário provar o que afirmo. Prefiro dar um passo além e desnudar outro mal que se instalou no Estado brasileiro e, mais intensamente no nosso Direito. Refiro-me a uma visão marxista da criminologia, dita criminologia crítica. Ela vê o ato criminoso como consequência da estrutura de dominação e como reflexo de uma luta de classes da qual a própria lei penal é instrumento. A criminalização de condutas seria, então, a forma pela qual o grupo social superior sanciona e reprime certas ações do grupo social inferior. Dito isso, você começa a entender, por exemplo, a origem do uso permanente que as esquerdas fazem do verbo "criminalizar" quando se referem aos repúdios à invasão e à destruição de bens públicos e privados: "Vocês estão criminalizando os movimentos sociais!". Confere?
Pode não parecer muito (quando o bem agredido não nos pertence), mas se trata de algo com seriíssimos reflexos na criminalidade, na ordem pública e na nossa segurança pessoal. Quando estas ideias saem dos livros, descem com canudo na mão as escadarias das universidades e ganham vida nos tribunais e nos parlamentos, nossa segurança pessoal começa a perder a tutela do Estado e de suas instituições. Perde-a, pela convicção ideológica dos mais altos níveis institucionais. E perde-a, nos níveis inferiores, pela total incapacidade de corresponder à demanda social. Faltam vagas nos estabelecimentos penais e são insuficientíssimos os contingentes policiais. A estes, falta verba, viatura, armamento e munição. E ainda caem impiedosas sobre seus ombros acusações de brutalidade, preconceito, despreparo e cobranças incompatíveis com o cotidiano de quem ganha o pão com o sangue, a saúde, o medo e a vida.
Como o leitor destas linhas deve ter percebido, a questão que aqui abordo tem tudo a ver com seu dia a dia! Parte significativa da insegurança em que todos vivemos decorre dessa insidiosa penetração do marxismo no nosso Direito e na nossa Política. E ainda temos que assistir os defensores dessa ideologia em orgulhosa contemplação de si mesmos e de sua virtuosa benignidade para com os malfeitores que nos atacam...
Não haverá policiamento suficiente enquanto os mesmos criminosos, ainda que presos incontáveis vezes, continuarem retornando às ruas pelas mãos gentis do Estado. Nem enquanto a regra for a de prender pelo menor tempo possível. Quem disse que o sistema penal deve ser um carrossel sem fim, com mais gente fora do que dentro? A mesma mão que nos escorcha nos tributos estende a sua para quem nos toma a vida e o patrimônio. Por quê? Porque escolheram inverter os polos, fazendo de cada um de nós os verdadeiros autores do suposto ato criminal, culposo ou doloso, de não vivermos e não querermos viver numa sociedade socialista. Como se não nos bastassem os exemplos bem próximos da Venezuela e de Cuba!”

http://puggina.org

segunda-feira, 19 de março de 2018

A natureza do marxismo


“Investigando durante décadas a natureza do marxismo, acabei concluindo que ele não é só uma teoria, uma “ideologia” ou um movimento político. É uma “cultura”, no sentido antropológico, um universo inteiro de crenças, símbolos, valores, instituições, poderes formais e informais, regras de conduta, padrões de discurso, hábitos conscientes e inconscientes, etc. Por isso é autofundante e auto-referente, nada podendo compreender exceto nos seus próprios termos, não admitindo uma realidade para além do seu próprio horizonte nem um critério de veracidade acima dos seus próprios fins autoproclamados. Como toda cultura, ele tem na sua própria subsistência um valor que deve ser defendido a todo preço, muito acima das exigências da verdade ou da moralidade, pois ele constitui a totalidade da qual verdade e moralidade são elementos parciais, motivo pelo qual a pretensão de fazer-lhe cobranças em nome delas soa aos seus ouvidos como uma intolerável e absurda revolta das partes contra o todo, uma violação insensata da hierarquia ontológica.
A constituição da sua identidade inclui dispositivos de autodefesa que impõem severos limites à crítica racional, apelando, quando ameaçada real ou imaginariamente, a desculpas mitológicas, ao auto-engano coletivo, à mentira pura e simples, a mecanismos de exclusão e liquidação dos inconvenientes e ao rito sacrificial do bode expiatório.
Iludem-se os que acham possível “contestar” o marxismo por um ataque bem fundamentado aos seus “princípios”. A unidade e a preservação da sua cultura estão para o marxista acima de todas as considerações de ordem intelectual e cognitiva, e por isso os “princípios” expressos da teoria não são propriamente “o” fundamento da cultura marxista: são apenas a tradução verbal, imperfeita e provisória, de um fundamento muito mais profundo que não é de ordem cognitiva e sim existencial, e que se identifica com a própria sacralidade da cultura que deve permanecer intocável. Esse fundamento pode ser “sentido” e “vivenciado” pelos membros da cultura por meio da participação na atmosfera coletiva, nos empreendimentos comuns, na memória das glórias passadas e na esperança da vitória futura, mas não pode ser reduzido a nenhuma formulação verbal em particular, por mais elaborada e prestigiosa que seja. Por isso é possível ser marxista sem aceitar nenhuma das formulações anteriores do marxismo, incluindo a do próprio Marx. Por isso é possível participar do movimento marxista sem nada conhecer da sua teoria, assim como é possível rejeitar criticamente a teoria sem cessar de colaborar com o movimento na prática. A investida crítica contra as formulações teóricas deixa intacto o fundamento existencial, que atacado reflui para o abrigo inexpugnável das certezas mudas ou simplesmente produz novas formulações substitutivas que, se forem incoerentes com as primeiras, não provarão, para o marxista, senão a infinita riqueza do fundamento indizível, capaz de conservar sua identidade e sua força sob uma variedade de formulações contraditórias que ele transcende infinitamente. O marxismo não tem “princípios”, apenas impressões indizíveis em constante metamorfose. Como a realidade da vida humana não pode ser vivenciada senão como um nó de tensões que se modificam no tempo sem jamais poder ser resolvidas, as contradições entre as várias formulações do marxismo farão dele uma perfeita imitação microcósmica da existência real, dentro da qual o marxista pode passar uma vida inteira imune às tensões de fora do sistema, com a vantagem adicional de que as de dentro estão de algum modo “sob controle”, atenuadas pela solidariedade interna do movimento e pelas esperanças compartilhadas. Se o marxismo é uma “Segunda Realidade”, na acepção de Robert Musil e Eric Voegelin, ele o é não somente no sentido cognitivo das representações ideais postiças, mas no sentido existencial da falsificação ativa, prática, da experiência da vida. Por isso qualquer povo submetido à influência dominante do marxismo passa a viver num espaço mental fechado, alheio à realidade do mundo externo.”

http://www.olavodecarvalho.org

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A morte do marxismo revisitada


“Há cerca de dez anos, publiquei um livro, A Estranha Morte do Marxismo, que argumentava vigorosamente que a esquerda atual não é marxista, mas pós-marxista. Ao contrário dos marxistas tradicionais e dos socialistas democráticos europeus, o tipo de esquerda que ganhou terreno desde e até mesmo antes da queda do império soviético é culturalmente radical, mas apenas secundariamente interessada na mudança econômica.
Nossa esquerda atual faz as pazes com a iniciativa privada e até com as grandes corporações, de forma que ela possa impor sua ideia de transformação social e cultural a cidadãos cada vez mais impotentes e seus respectivos filhos, cada vez mais doutrinados.
Não que essa esquerda seja particularmente amigável com qualquer coisa que seja privada, incluindo transações econômicas. Mas ela trata a economia como algo que pode influenciar sem ter de nacionalizar, evitando, assim, aquelas políticas desastrosas que governos socialistas do passado tentaram decretar.
Nossa própria elite intelectual esquerdista concluiu com sensatez que é melhor permitir que as forças de mercado operem ao mesmo tempo que se asseguram de que a administração pública possa usurpar os lucros, sempre que houver um pretexto. Além disso, essa elite intelectual constantemente intimida o povo a acompanhá-la em orientações comportamentais cada vez mais complicadas, supostamente destinadas a lutar contra a “discriminação”.
É a cultura, e apenas instrumentalmente o governo, que a esquerda pós-marxista procura dominar; e o tipo de estado administrativo que se expandiu de forma explosiva em todos os países ocidentais desde a década de 1960 é um instrumento eficaz pelo qual engenheiros sociais e comissários da sensibilidade podem fazer o seu trabalho.
Embora eu não tenha mudado minha visão sobre como a esquerda se transformou desde que escrevi meu livro, parece que, de certa forma, tem havido mais continuidade entre o velho e o novo esquerdista, como sugeri.
Os antigos marxistas, aqui e na Europa, tornaram-se multiculturalistas quase que da noite para o dia, enquanto nossos esquerdistas atuais ainda admiram comunistas do passado (como Fidel Castro) e associam anticomunistas ao fascismo. Além disso, após assistir à histeria organizada anti-Trump, que tem cativado a indignação das massas, das autointituladas indústrias de entretenimento e da mídia desequilibrada, torna-se óbvio que a esquerda multicultural politicamente correta está seguindo a velha e mais cerebral esquerda marxista em três aspectos críticos.
1. Como os comunistas e também como os fascistas italianos, a esquerda multicultural nunca se vê ocupando posições de autoridade e/ou sendo capaz de forçar a falta de vontade em cumprir com suas exigências. Embora a esquerda compreenda a situação, está sempre se esforçando para tomar o poder. Também quando parece estar chegando a algum lugar (como na América de Obama), ainda corre o risco de ser esmagada por forças hostis. Exatamente como a (velha) esquerda certa vez argumentou, que nenhuma revolução socialista jamais havia sido plenamente realizada e que os países comunistas ainda estavam “no caminho para se tornarem socialistas”, também os regimes politicamente corretos de hoje, como vistos por seus defensores, são apenas os primeiros passos em direção à superação do passado. São os primeiros passos da longa marcha para o poder; mesmo que esses passos tenham sido ameaçados quando Hillary Clinton não conseguiu chegar à presidência.
2. Não há meios da esquerda abrir mão das mudanças que já implementou na sociedade sem que toda a estrutura de mudança esteja em perigo. Isto corresponde à fórmula de Trotsky de que se a revolução é feita para recuar do estágio D ao estágio C, então toda a marcha para a nova sociedade poderia ser revertida. Por conseguinte, a marcha para fora do passado sombrio e repressivo deve ser seguida incondicionalmente, e qualquer deslize será equivalente a uma contra-revolução — ou em um discurso esquerdista amedrontador, fazendo com que as mulheres sejam forçadas a fazer abortos em becos, re-impondo a segregação racial, e aprisionando homossexuais. Este tipo de pensamento faz todo sentido, se alguém começa a supor que está em uma situação de “tudo ou nada”.Também não importa que o presidente Obama tenha cancelado os voos do Iraque para os EUA em 2011 ou que Bill Clinton tenha falado em um discurso do Estado da União em 1994 sobre a interrupção da presença de ilegais nos EUA. Também não devemos perceber que o predecessor de Donald Trump tenha sido contrário ao “casamento” gay na época em que foi eleito para a presidência. É nosso, segundo os esquerdistas, o dever proteger qualquer revolução que esteja em andamento em seu estágio mais avançado.
3. Qualquer um que ameace o processo ainda frágil e reversível de mudança, deve ser desumanizado. Não pode haver desentendimentos honestos com aqueles que por desígnio ou por perigosa ignorância estejam trabalhando contra a “esperança e mudança”. Portanto, é justificado condenar esses reacionários como os mais vis e malignos dos seres. Como os comunistas, a esquerda atual, particularmente na Europa Ocidental, caracteriza seus oponentes como “fascistas”. Note que para a velha esquerda o “fascismo” tinha um significado quase científico. Referia-se aos defensores de uma forma de capitalismo tardio, que já havia atingido um ponto de crise mortal. “Fascistas” reprimiram a revolução socialista criando ditaduras nacionalistas de direita. No processo, os falsos revolucionários “fascistas” expulsaram os verdadeiros revolucionários de esquerda.
Para a esquerda multicultural, em contrapartida, o termo “fascista”, utilizado antigamente pelos marxistas foi reduzido a um borrão. Agora ele diz respeito àqueles que a esquerda está combatendo, isto é, aqueles que discordam de todos ou de algum aspecto da agenda social da esquerda. Aqueles que se opõem a essa agenda podem ou talvez devam ser atacados como nazistas e até mesmo negadores do Holocausto (que um conhecido meu recentemente me chamou por votar em Donald Trump). Se as pessoas sob ataque não negarem explicitamente os crimes nazistas, sua visão de “justiça social” será tão irremediavelmente negativa que se presumirá que eles teriam endossado entusiasticamente a Hitler. O que mais deve-se pensar de alguém que está tentando nos empurrar de volta para a idade das trevas, quem sabe para 2008?”
(Paul Gottfried, The Death of Marxism Revisited)

http://tradutoresdedireita.org

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Povo e ralé


"Karl Marx podia ter todos os defeitos do mundo, desde a vigarice intelectual até as hemorróidas, mas ele sabia que a palavra “proletário” significa “gente que trabalha” e não qualquer Zé-Mané.
Ele combatia o capitalismo porque achava que os ricos enriqueciam tomando o dinheiro dos pobres, o que é talvez a maior extravagância matemática que já passou por um cérebro humano, mas, reconheça-se o mérito, ele nunca confundiu trabalhador com vagabundo, povo com ralé.
Alguns discípulos bastardos do autor de “O Capital”, uns riquinhos muito frescos e pedantes, fundaram um instituto em Frankfurt com o dinheiro de um milionário argentino e resolveram que valorizar antes o trabalho honesto do que os vícios e o crime era uma deplorável concessão de Marx ao espírito burguês.
Usando dos mais requintados instrumentos da dialética, começaram ponderando que o problema não era bem o capitalismo e sim a civilização, e terminaram tirando daí a conclusão lógica de que para destruir a civilização o negócio era dar força aos incivilizados contra os civilizados.
Os frankfurtianos não apostavam muito no paraíso socialista, mas acreditavam que a História era movida pela força do “negativo” (uma sugestão de Hegel que eles tomaram ao pé da letra), e que, portanto, o mais belo progresso consiste em destruir, destruir e depois destruir mais um pouco.
Tentar ser razoável era apenas “razão instrumental”, artifício ideológico burguês. Séria mesmo, só a “lógica negativa”.
A destruição era feita em dois planos.
Intelectualmente, consistia em pegar um a um todos os valores, símbolos, crenças e bens culturais milenares e dar um jeito de provar que no fundo era tudo trapaça e sacanagem, que só a Escola de Frankfurt era honesta, precisamente porque só acreditava em porcaria – coisa que seu presidente, Max Horkheimer, ilustrou didaticamente pagando salários de fome aos empregados que o ajudavam a denunciar a exploração burguesa dos pobres.
Isso levou o nome hegeliano de “trabalho do negativo”. A premissa subjacente era:
– Se alguma coisa sobrar depois que a gente destruir tudo, talvez seja até um pouco boa. Não temos a menor ideia do que será e não temos tempo para pensar em tamanha bobagem. Estamos ocupados fazendo cocô no mundo.
No plano da atividade militante, tudo o que é bom deveria ser substituído pelo ruim, porque nada no mundo presta, e só a ruindade é boa. A norma foi seguida à risca pela indústria de artes e espetáculos. A música não podia ser melodiosa e harmônica, tinha de ser no mínimo dissonante, mas de preferência fazer um barulho dos diabos.
No cinema, as cenas românticas foram substituídas pelo sexo explícito. Quando todo mundo enjoou de sexo, vieram doses mastodônticas de sangue, feridas supuradas, pernas arrancadas, olhos furados, deformidades físicas de toda sorte – fruição estética digna de uma platéia high brow.
Nos filmes para crianças, os bichinhos foram substituídos por monstrengos disformes, para protegê-las da idéia perigosa de que existem coisas belas e pessoas boas. Na indumentária, mais elegante que uma barba de três dias, só mesmo vestir um smoking com sandálias havaianas — com as unhas dos pés bem compridas e sujas, é claro.
A maquiagem das mulheres deveria sugerir que estavam mortas ou pelo menos com Aids. Quem, na nossa geração, não assistiu a essa radical inversão das aparências? Ela está por toda parte.
Logo esse princípio estético passou a ser também sociológico. O trabalhador honesto é uma fraude, só bandidos, drogados e doentes mentais têm dignidade. Abaixo o proletariado, viva a ralé. De todos os empreendimentos humanos, os mais dignos de respeito eram o sexo grupal e o consumo de drogas.
De Gyorgy Lukacs a Herbert Marcuse, a Escola de Frankfurt ilustrou seus próprios ensinamentos, descendo da mera revolta genérica contra a civilização à bajulação ostensiva da barbárie, da delinquência e da loucura.
Vocês podem imaginar o sucesso que essas idéias tiveram no meio universitário. Desde a revelação dos crimes de Stálin, em 1956, o marxismo ortodoxo estava em baixa, era considerado coisa de gente velha e careta.
A proposta de jogar às urtigas a disciplina proletária e fazer a revolução por meio da gostosa rendição aos instintos mais baixos, mesmo que para isso fosse preciso a imersão preliminar em algumas páginas indecifráveis de Theodor Adorno e Walter Benjamin, era praticamente irresistível às massas estudantis que assim podiam realizar a coincidentia oppositorum do sofisticado com o animalesco.
Com toda a certeza, a influência da Escola de Frankfurt, a partir dos anos 60 do século passado, foi muito maior sobre a esquerda nacional que a do marxismo-leninismo clássico.
Sem isso seria impossível entender o fenômeno de um partido governante que, acuado pela revolta de uma população inteira, e não tendo já o apoio senão da ralé lumpenproletária remunerada a pão com mortadela e 35 reais, ainda se fecha obstinadamente na ilusão de ser o heróico porta-voz do povão em luta contra a “elite”.
Dois anos atrás, já expliquei neste mesmo jornal que uma falha estrutural de percepção levava a esquerda nacional a confundir sistematicamente o povo com o lumpenproletariado, de tal modo que, favorecendo o banditismo e praticando-o ela própria em doses continentais, ela acreditava estar fazendo o bem às massas trabalhadoras, as quais, em justa retribuição de tamanha ofensa, hoje mostram detestá-la como à peste.
O Caderno de Teses do V Congresso do PT é um dos documentos mais reveladores que já li sobre o estado subgalináceo a que os ensinamentos de Frankfurt podem reduzir os cérebros humanos."

http://www.olavodecarvalho.org

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O inverno demográfico


“Se as tendências atuais se mantiverem, não vamos ficar sem energia ou outros recursos naturais no futuro próximo. Vamos ficar sem pessoas. Essa catástrofe global será o resultado da fertilidade rapidamente declinante, conhecida como Inverno Demográfico.
Em 1960, no mundo inteiro, toda mulher em média tinha 5 filhos. Agora, esse número é 2.6 e está caindo – em outras palavras, um declínio de quase 50 por cento em pouco mais de 50 anos. Hoje, 59 países com 44 por cento da população mundial têm fertilidade abaixo da reposição. Muitas nações desenvolvidas têm taxas de fertilidade de 1.5 ou menores, sendo necessária uma taxa de 2.1 para somente repor a população atual.
Isso não aconteceu espontaneamente. O Inverno Demográfico é o resultado direto da Revolução Sexual – que começou a aparecer no final dos anos 60, quando, não por coincidência, as taxas de nascimento começaram a cair.
O dogma da Revolução Sexual – que se transformou em sabedoria social enraizada no Ocidente – pode ser resumido como segue:
1. O sexo é o aspecto mais importante da existência;
2. Quando o sexo é consensual, é sempre bom;
3. O principal propósito do sexo é o prazer, não a procriação ou a expressão física do amor;
4. O principal propósito da vida é o prazer;
5. As inibições levam a neuroses e devem ser superadas;
6. O sexo não tem nada a ver com a moralidade; e
7. O sexo deveria ser não apenas livre de culpa, mas livre de conseqüências – daí a contracepção, daí o aborto, daí o abandono do casamento.
Os profetas da Revolução Sexual incluem Sigmund Freud, “pesquisadores” como Alfred Kinsey e Masters e Johnson, pornógrafos como o fundador da Playboy, Hugh Hefner, e feministas como Margaret Sanger, Betty Friedan e Simone de Beauvoir. Nos Estados Unidos, a Revolução Sexual é liderada por grupos como a Planned Parenthood [Planejamento Familiar], a National Organization for Women [Organização Nacional pelas Mulheres], a (homossexual) Human Rights Campaign [Campanha pelos Direitos Humanos], e o Sexuality Information and Education Council of the U.S (SIECUS) [Conselho de Informação e Educação sobre Sexualidade dos EUA].
O impacto da Revolução Sexual sobre a fertilidade não pode ser subestimado.
Pela primeira vez na história, pouco menos da metade da população mundial em idade fértil faz uso de alguma forma de controle de natalidade. Em 2015, o mercado de contraceptivos vai gerar uma renda estimada de 17.2 bilhões de dólares por ano.
De forma espantosa, isso é financiado por governos, empresas e agências de ajuda internacionais. Outras espécies se extinguiram. A nossa pode ser a primeira a financiar sua própria extinção.
No mundo inteiro, há aproximadamente 42 milhões de aborto por ano. Isso é mais do que o dobro do número de militares mortos na Segunda Guerra Mundial.
De um ponto de vista demográfico, não estamos apenas perdendo 42 milhões de pessoas anualmente, mas também seus filhos, netos e outros descendentes através dos tempos. Estamos, literalmente, abortando nosso futuro.
A fuga do casamento afetou a fertilidade ainda mais profundamente do que os contraceptivos. Na França, em 2010, mais pessoas começaram a viver juntas do que casadas.
Nos Estados Unidos, em 1960, 59 por cento das pessoas entre 18 e 29 anos de idade (os que estavam no ápice de seus anos férteis) estavam casados, em comparação com apenas 20 por cento hoje.
Outrora uma realidade central da existência, o casamento está se tornando cada vez mais opcional. Em seu lugar veio a coabitação, as relações casuais e os nascimentos fora do matrimônio. Não surpreende que menos casamentos – especialmente os contraídos mais cedo – resultem em menos filhos.
Assim como o Inverno Demográfico é o resultado da Revolução Sexual, esta é o resultado do que se chama Marxismo Cultural – um movimento associado com Antonio Gramsci, a Escola de Frankfurt e Herbert Marcuse.
O Marxismo Cultural foi sua resposta ao fracasso da revolução mundial após a Primeira Guerra Mundial. Gramsci acreditava que família e igreja davam aos trabalhadores o que os comunistas chamavam uma “falsa consciência de classe” que os fazia imunes aos encantos do Marxismo.
A solução, então, era destruir a família e a religião – e que melhor meio de fazê-lo do que promover a licenciosidade sexual e uma sociedade orientada ao prazer irrefletido e longe de lareira e lar?
Embora não haja prova de que a fertilidade dramaticamente declinante seja o que o Marxismo Cultural desejava, é a conseqüência natural de se criar uma sociedade altamente erotizada onde a família é vista como um obstáculo à satisfação pessoal e as crianças, como um fardo.
Não encontraremos a saída da floresta do Inverno Demográfico até que a Revolução Sexual seja destruída – seus profetas, desmascarados e seu dogma, ridicularizado.
Em última análise, a Revolução Sexual tem a ver com morte – aborto, contracepção, doenças sexualmente transmissíveis, pornografia e promiscuidade, em lugar de casamento, fidelidade, procriação e responsabilidade.
Para combatermos tanto a Revolução Sexual quanto o Inverno Demográfico, devemos abraçar uma filosofia de vida. Pois não nos diz a Bíblia: “ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade”?”
(Don Feder, The Only Way to Beat Our Demographic Crisis Is to Confront the Sexual Revolution)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Ocidente, terrorismo e marxismo cultural


“O marxismo cultural não existiria sem o conhecimento teórico e o domínio do papel estratégico dos símbolos e da linguagem. Por isso, ele cria e difunde expressões que se tornam instrumentos eficientes de intervenção no ambiente sócio-político. Essas palavras, com o significado que lhes é atribuído, servem, entre outros fins, para danificar a imagem daquilo que os manipuladores da linguagem querem destruir e, também, para apresentar como bom algo que a sociedade habitualmente rejeita.
É o que acontece, de um lado, entre muitas outras, com enrolações tipo direito de decidir, educação cidadã, criminalização dos movimentos sociais, e com as contraposições "incluído-excluído" e "oprimido-opressor". De outro com os vocábulos neoliberal, conservador, mercado, capital, e por aí vai.
Outro caso típico de manipulação da linguagem é o que vem ocorrendo com o substantivo "fobia". Como se sabe, esse é um termo da psicopatologia. No entanto, de uns tempos para cá, qualquer objeção a teses esquerdistas vem sendo apontada como "fóbica". Outro exemplo, de impressionante eficácia, é a imposição de conteúdos empacotados com o rótulo de "politicamente corretos". Na maior parte das vezes, o rótulo encobre, de modo fraudulento, graves incorreções políticas.
Exagero? Não. O objetivo essencial do politicamente correto é o regramento da opinião pública, certo? Então, pergunto: como pode ser correta a pretensão de submeter a uma geometria, como se fossem rodas de automóvel, os pensamentos e as palavras alheias? O politicamente correto é o pensamento único marxista, cheio de si.
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O Ocidente é o alvo comum. O fundamentalismo e o terrorismo islâmico almejam sua destruição. O marxismo cultural quer abolir da vida sociopolítica ocidental os resistentes princípios e valores que, sustentando sua civilização, impedem-no de se propagar. É o sonho de Gramsci e da Escola de Frankfurt. Eis aí o motivo pelo qual, diante dos atentados de Paris, ficaram tão nítidos os esforços da esquerda mundial no sentido de retificar as reações da sociedade mediante imposições do "politicamente correto". Assim, surgem de toda parte opiniões que, traduzidas em linguagem comum, despidas das sutilezas de que se revestem, estão a nos advertir como fazem em relação aos crimes do cotidiano: a culpa é da vítima. E acrescentam: "Condene os atentados, senhor, se o aborrecem, mas não a matriz que os promove". Quem a condenar, quem insuflar o peito nos ares da liberdade de dizer o que pensa diante do que vê, expõe-se a execração que acompanha os "fóbicos", sujeito a ser retaliado e retalhado pelos pedagogos da opinião alheia.
Esperar que a sociedade, diante do que tem acontecido nas últimas décadas, e na extensão em que isso ocorre, reaja com ponderações benevolentes é insidiosa pretensão. Como reduzir a gravidade do momento? Devemos encobrir os ouvidos com potentes headphones para não escutar as ameaças feitas ao Ocidente por uma dúzia ou mais de organizações terroristas? Não é sensato alimentar com alienação e imprudência os genocídios de amanhã.”

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Marxismo é produto do Protestantismo

“Marx reflete na Reforma protestante, o passado teórico da Alemanha, uma revolução que começa pela especulação, que quebrou a fé na autoridade e instalou a autoridade de uma fé. Libertou o povo da religião externa mas deixou a religião interna. O protestantismo revelou a questão - combater o sacerdote - mas não deu a resposta certa. A luta contra o "padre exterior" foi ganha. Agora é preciso iniciar a luta contra o "padre de dentro". A guerra dos camponeses quebrou-se contra o muro da nova teologia protestante. Agora, no século XIX, ocorreu a destruição dos símbolos dogmáticos na geração de Strauss, Bauer, Feuerbach e Marx. Neste sentido, o marxismo é o produto final de um dos ramos do protestantismo liberal alemão.”
(Eric Voegelin, Estudos de Idéias Políticas – de Erasmo a Nietzsche)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A sociedade sem história

“Não existe, no “Brasil do B”, acusação maior que se possa fazer contra uma pessoa do que chamá-la de “preconceituosa.” Imagino eu que seria preciso entrar numa máquina do tempo e retornar à Idade Média para encontrar, na acusação de bruxaria, uma repercussão semelhante.
Ser chamado de preconceituoso no Brasil petista é como ser chamado de “looser” nos Estados Unidos – não existe ofensa maior, não é mesmo? Xenofobia, homofobia, racismo, sectarismo, machismo, enfim... a lista de barbaridades disponíveis para se acusar alguém não tem mais fim...
Então vamos lá, proponho nesse artigo o seguinte desafio: é possível, do ponto de vista filosófico que alguém viva sem preconceitos? O que define um pensamento como preconceituoso? É o fato dele – conforme o sentido da palavra – ser independente de uma experiência sensível? É o fato de não encontrar respaldo histórico? Ou será que preconceito é definido por uma casta, uma ralé de intelectuais que dita aquilo que deve ser entendido como “conceito” e estabelece como preconceito tudo aquilo que escapa do seu entendimento como sendo justo?
Meus amigos, uma vida plena de razão... rica na capacidade de julgar, não pode – no seu curto período de tempo – formar juízos que sejam todos fundados na experiência. Valores não se constroem dessa maneira pois dependem tanto de uma tradição verbal quanto escrita que são capazes de construir a cultura. O processo de “aculturamento”... as bases da civilização precisaram ser construídos a partir da aceitação de determinadas verdades independentemente da experiência individual. Nesse sentido, pode-se afirmar que seriam esses juízos fundados, sim, em preconceitos... Preconceitos esses capazes de permitir a acumulação de valores culturais sem a necessidade da experiência repetitiva por parte de cada membro da sociedade.
Já escrevi uma vez, e volto aqui a insistir, que vive-se hoje uma certa patologia do tempo. Nada parece, no Brasil, ter origem no passado... Nada se faz para permanecer para o futuro. A sociedade vive um eterno presente em que a construção do saber precisa, segundo os ditames do materialismo dialético, ser construída pela experiência. Ora, decorre daí que tudo aquilo que não seguir esse principio há de ser considerado um “preconceito”. A sociedade contra o preconceito é portanto a sociedade sem cultura haja vista que aceitamos acima que a própria base histórico-cultural de uma sociedade precisa de preconceitos.
Nada há de mais covarde e burro do ponto de vista filosófico do que confundir preconceito com injustiça. A primeira expressão tem cunho descritivo à medida que se refere à formação de determinados juízos que não tem como fundamento a experiência real. A segunda é de caráter qualificativo... freqüentemente utilizada de maneira pejorativa por aquele, ou aqueles, que ungidos por um Deus ou, no caso do Brasil, por um partido político tornaram-se os arautos... os verdadeiros conhecedores de uma verdade hermética chamada “justiça”...
Resta evidente, do que escrevi acima, que é impossível fazer história sem preconceito. Nossa capacidade de julgar, de nos organizarmos em sociedade, de acumular e transmitir saber não se pode – está claro – restringir à observação científica de determinados fenômenos físicos. A história não é uma ciência exata e, quando debruçada sobre ela para aprender seu significado, a razão há que ultrapassar os seus próprios limites utilizando-se inclusive, se necessário, de preconceitos estabelecidos e capazes de lhe fornecer a noção de transcendência tão necessária ao estudo imparcial da própria história.
A luta histérica por uma interpretação da história sem preconceito algum que assistimos no Brasil nada mais é do que uma luta suicida... Uma guerra contínua contra uma sociedade sem preconceitos e que há de terminar um dia... numa sociedade “perfeita” como quer todo marxista – uma sociedade sem história...”
(Milton Pires, A Sociedade sem História)

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