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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Assassinos de almas da Nova Ordem Mundial


“Algumas vezes, as notícias do dia são demasiado dolorosas para serem consideradas. Tenho filhos pequenos e, francamente, esta história me parte o coração. Não olhem para o travesti. Todos já temos visto antes estes pobres, confusos gritos de auxílio (e desesperada busca de atenção). Olhem para as crianças... olhem seus rostos... imaginem que são seus filhos, seus netos.
Só de pensar que as crianças estão sendo submetidas ao que acontece nessa biblioteca pública me enche de uma tristeza desesperadora. Suas pequenas mentes – tão inocentes, tão curiosas, tão confiantes – atacadas subitamente por uma carga de artilharia ideológica disparada pelos adultos em suas vidas, inclusive mães e pais em quem confiam implicitamente. Sem importar que opinião tenhamos sobre o tema da homossexualidade, tem que haver uma parte interior que reconheça algo muito mau em lavar o cérebro de crianças pequenas com uma questão que a maioria dos adultos não compreende por completo. Pode alguma civilização da história ser acusada de conduzir semelhante experimentação psicológica em suas próprias crianças?
Não faz muito, fazer isso com as crianças teria sido contra a lei, a de Deus e a dos homens. Costumávamos compreender o valor e a fragilidade da inocência, a tragédia da inocência perdida e o precioso equilíbrio da infância. As crianças eram protegidas, defendidas do que eram demasiado jovens para compreender e do que, se expostos cedo demais, teria destruído sua inocência e causado um dano psicológico permanente.
Costumávamos compreender isso, como o fez toda civilização da história. E então, um dia, decidimos começar a sacrificar nossos filhos no altar do politicamente correto. Começamos até mesmo a matar nossos bebês nos ventres de suas mães. Muitos deles, milhões, de fato. E evidentemente isto não se pode realizar sem maciças consequências psicológicas e morais. Assim, hoje desenvolvemos uma necessidade quase insaciável de corromper os pequenos que escaparam do aborto.
“Mas”, dirão nossos críticos, “nós, como sociedade, evoluímos para além de tais preocupações morais arcaicas”. Deveras? Estão certos disso? A civilização que desenvolveu as máquinas de assassinato mais eficientes da história – capazes de arrasar nações inteiras somente com o apertar de um botão – simultaneamente desenvolveu um melhor guia moral? Nós, que abusamos das crianças, coisificamos as mulheres, drogamos jovens aos milhões, desenvolvemos de alguma maneira um sentido mais agudo de moralidade que o que possuíam nossos avôs – uma consciência social evoluída que nos informa que está bem expor crianças inocentes (cujos corpos ainda não se desenvolveram plenamente) a exibicionistas sexuais travestis? Bem, e se nos informaram mal? E se nos equivocamos a respeito? E se perdemos a capacidade de conhecer a diferença entre o correto e o incorreto? E se na realidade estamos danificando nossos filhos – permanentemente?
A ninguém interessa a ciência e a psicologia que há por trás do que fazemos com nossos filhos em nome do politicamente correto? Porque, se não nos interessa sequer buscar os possíveis efeitos a longo prazo, então não se poderia dizer de nós – não que somos moralmente evoluídos – mas que não nos interessa o que acontece com nossos filhos? Arriscar sua saúde psicológica vale a pena para nós, se isso quer dizer que podemos justificar o que seja que estejamos fazendo aqui e agora.
Semelhantes sessões de controle mental orwelliano em bibliotecas públicas sugerem no mínimo que nos tornamos tão retorcidos – em mente, coração e alma – que simplesmente não suportamos a visão do que é bom, nem sequer nas crianças. Temos fobia à inocência e aos inocentes, e a maneira de nos sentirmos melhor em relação aos monstros nos quais nos transformamos é pedindo às crianças sua absolvição, aprovação e louvor. Novamente, se há algum precedente disto na história humana, gostaria de conhecê-lo.
Como vampiros alimentando-se do sangue de virgens, extraímos a inocência dos menores e mais puros dentre nós, para que em pouco tempo não reste nada de bom no mundo – só vício, morte e escuridão. Todos a nosso redor estarão morrendo ou estarão já mortos, e não será difícil para nós olhar no espelho e ver os zumbis espirituais em que nos tornamos. Quando todos se pareçam e fedam como nós, não haverá mais culpa e o processo de desumanização se terá completado.
Que Deus nos ajude. Que Deus nos perdoe. Somos piores que Sodoma, piores que a Roma pagã – somos assassinos cristofóbicos de almas na Nova Ordem Mundial.”
(Michael Matt, Soul-Killers of The New World Order)

domingo, 19 de junho de 2016

Como manipular as pessoas para aceitarem qualquer coisa, inclusive o canibalismo


“Ontem, RT traduziu para o espanhol um sugestivo artigo do colunista russo Evgueni Gorzhaltsan publicado em ADME. Gorzhaltsan aplica a «janela de Overton» a um caso extremo: o mecanismo de aceitação pública do canibalismo. Creio, porém, que não seja muito complicado substituir o exemplo por outros: divórcio, aborto, casamento gay, pederastia, incesto, eutanásia etc.
Joseph P. Overton, vice-presidente do Centro Mackinac de Políticas Públicas, postulou que, dentro de determinada área de política pública, por exemplo, a educação, só um pequeno conjunto de políticas, princípios ou medidas se considera politicamente aceitável. Esse conjunto, «janela», não se define pelo que prefiram os políticos, mas pelo que creem poder apoiar sem pôr em risco sua eleição. Essa janela pode estar mais aberta ou ser mais larga, conforme a metáfora que se prefira, conforme mudem as ideias da sociedade que os elege.
Overton atribui os graus de aceitação das ideias públicas a estas categorias:
-Inconcebível ou impensável
-Radical
-Aceitável
-Sensato
-Popular
-Política
Gorzhaltsan coloca o exemplo radical de como converter em aceitável a ideia de legalizar o canibalismo, passo a passo, desde a fase em que se considera uma ação repugnante e impensável, completamente alheia à moral pública, até converter-se numa realidade aceita pela consciência das massas e pela lei. Isso não se consegue mediante lavagem cerebral direta, mas por técnicas mais sofisticadas, que são efetivas graças à sua aplicação coerente e sistemática, sem que a sociedade se dê conta do processo.
Reproduzo o «sugestivo caminho» ao canibalismo legal proposto por Gorzhaltsan segundo as categorias de aceitação de Overton (negritos meus, redação original).
Primeira etapa: do impensável ao radical
Atualmente, é claro, a questão da legalização do canibalismo se encontra no nível mais baixo de aceitação na «janela de possibilidades» de Overton, já que a sociedade o considera um fenômeno absurdo e impensável, um tabu.
Para mudar essa percepção, pode-se, amparando-se na liberdade de expressão, transferir a questão à esfera científica, pois para os cientistas normalmente não há temas tabus. Portanto, é possível celebrar, por exemplo, um simpósio etnológico sobre rituais exóticos das tribos da Polinésia e discutir a história do tema de estudo e obter declarações autorizadas sobre o canibalismo, garantindo, assim, a transição da atitude negativa e intransigente da sociedade a uma atitude mais positiva.
Ao mesmo tempo, é preciso criar algum grupo radical de canibais, embora exista só na Internet, que seguramente será notado e citado por numerosos meios de comunicação. Como resultado da primeira etapa de Overton, o tabu desaparece e o tema inaceitável começa a ser discutido.
Segunda etapa: do radical ao aceitável
Nesta etapa, é preciso continuar citando os cientistas, argumentando que ninguém pode negar-se a ter conhecimentos sobre o canibalismo, já que se alguém se negar a falar disso será considerado um hipócrita intolerante.
Ao condenar a intolerância, também é necessário criar um eufemismo para o próprio fenômeno, para dissociar a essência da questão de sua denominação, separar a palavra de seu significado. Assim, o canibalismo se converte em ‘antropofagia’ e, mais tarde, em «antropofilia».
Paralelamente, se pode criar um precedente de referência, histórico, mitológico, contemporâneo ou simplesmente inventado, mas o mais importante é que seja legitimado, para que possa ser utilizado como prova de que a antropofilia pode, em princípio, ser legalizada.
Terceira etapa: do aceitável ao sensato
Para essa etapa, é importante promover ideias como as seguintes: «o desejo de comer pessoas está geneticamente justificado», «às vezes alguém tem de recorrer a isso, em circunstâncias extremas» ou «o homem livre tem o direito de decidir o que come».
Os adversários reais desses conceitos, isto é, o cidadão comum que não quer ser indiferente ao problema, intencionalmente se convertem para a opinião pública em inimigos radicais, cujo papel é representar a imagem de psicopatas enlouquecidos, opositores agressivos da antropofilia, que incitam a se queimar vivos aos canibais, junto com outros representantes das minorias.
Especialistas e jornalistas, nesta etapa, demonstram que durante a história da humanidade sempre houve ocasiões em que as pessoas se comiam umas às outras, e que isso era normal.
Quarta etapa: do sensato ao popular
Os meios de comunicação, com a ajuda de personalidades famosas e de políticos, já falam abertamente da antropofilia. Este fenômeno começa a aparecer em filmes, letras de música popular e vídeos. Nesta etapa, começa a funcionar também a técnica que supõe a promoção das referências aos personagens históricos de destaque que praticavam a antropofilia.
Para justificar os partidários da legalização do fenômeno, pode-se recorrer à humanização dos criminosos, mediante a criação de uma imagem positiva deles, dizendo-se, por exemplo, que eles são as vítimas, já que a vida os obrigou a praticar a antropofilia.
Quinta etapa: do popular ao político
Esta categoria implica em já começar a preparar a legislação para legalizar o fenômeno. Os grupos de pressão consolidam-se no poder e publicam enquetes que supostamente confirmam uma alta porcentagem de partidários da legalização do canibalismo na sociedade. Na consciência pública se estabelece um novo dogma: «A proibição de comer pessoas está proibida».
Esta é uma técnica típica do liberalismo, que funciona em razão da tolerância como pretexto para a proscrição dos tabus. Durante a última etapa do «movimento das janelas» de Overton do popular ao político, a sociedade já sofreu uma ruptura, pois as normas da existência humana foram alteradas ou foram destruídas, com a adoção das novas leis.
Gorzhaltsan conclui que o conceito de «janelas de possibilidades», inicialmente descrito por Overton, pode ser extrapolado para qualquer fenômeno e é especialmente fácil de aplicar numa sociedade tolerante, em que a chamada liberdade de expressão se converteu em desumanização e onde, ante nossos olhos, são eliminados, um após outro, todos os limites que protegem a sociedade do abismo da autodestruição.”
(Tradução do blog Christe Eleison de um artigo publicado no espanhol De Lapsis.)
http://www.christeeleyson.com
http://infocatolica.com/blog/delapsis.php

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O correto uso do papel higiênico


“O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente. Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3.28 por cento, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de tevê.
Tudo simples, como em todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, inclusive nossos próprios hábitos e preferências pessoais. Nos banheiros públicos, como os de aeroportos e rodoviárias, instalarão câmeras de monitoramento, com aplicação de multas imediatas aos infratores. Nos banheiros domésticos, enquanto não passa no Congresso um projeto obrigando todo mundo a instalar uma câmera por banheiro, as recém-criadas Brigadas Sanitárias (milhares de novos empregos em todo o Brasil) farão uma fiscalização por escolha aleatória. Nos casos de reincidência em delitos como esfregada ilegal, colocação imprópria do rolo e usos não autorizados, tais como assoar o nariz ou enrolar um pedacinho para limpar o ouvido, os culpados serão encaminhados para um curso de educação sanitária. Nova reincidência, aí, paciência, só cadeia mesmo.
Agora me contam que, não sei se em algum estado ou no país todo, estão planejando proibir que os fabricantes de gulodices para crianças ofereçam brinquedinhos de brinde, porque isso estimula o consumo de várias substâncias pouco sadias e pode levar a obesidade, diabetes e muitos outros males. Justíssimo, mas vejo um defeito. Por que os brasileiros adultos ficam excluídos dessa proteção? O certo será, para quem, insensata e desorientadamente, quiser comprar e consumir alimentos industrializados, apresentar atestado médico do SUS, comprovando que não se trata de diabético ou hipertenso e não tem taxas de colesterol altas. O mesmo aconteceria com restaurantes, botecos e similares. Depois de algum debate, em que alguns radicais terão proposto o Cardápio Único Nacional, a lei estabelecerá que, em todos os menus, constem, em letras vermelhas e destacadas, as necessárias advertências quanto a possíveis efeitos deletérios dos ingredientes, bem como fotos coloridas de gente passando mal, depois de exagerar em comidas excessivamente calóricas ou bebidas indigestas. O que nós fazemos nesse terreno é um absurdo e, se o estado não nos tomar providências, não sei onde vamos parar.
Ainda é cedo para avaliar a chamada lei da palmada, mas tenho certeza de que, protegendo as nossas crianças, ela se tornará um exemplo para o mundo. Pelo que eu sei, se o pai der umas palmadas no filho, pode ser denunciado à polícia e até preso. Mas, antes disso, é intimado a fazer uma consulta ou tratamento psicológico. Se, ainda assim, persistir em seu comportamento delituoso, não só vai preso mesmo, como a criança é entregue aos cuidados de uma instituição que cuidará dela exemplarmente, livre de um pai cruel e de uma mãe cúmplice. Pai na cadeia e mãe proibida de vê-la, educada por profissionais especializados e dedicados, a criança crescerá para tornar-se um cidadão modelo. E a lei certamente se aperfeiçoará com a prática, tornando-se mais abrangente. Para citar uma circunstância em que o aperfeiçoamento é indispensável, lembremos que a tortura física, seja lá em que hedionda forma — chinelada, cascudo, beliscão, puxão de orelha, quiçá um piparote —, muitas vezes não é tão séria quanto a tortura psicológica. Que terríveis sensações não terá a criança, ao ver o pai de cara amarrada ou irritado? E os pais discutindo e até brigando? O egoísmo dos pais, prejudicando a criança dessa maneira desumana, tem que ser coibido, nada de aborrecimentos ou brigas em casa, a criança não tem nada a ver com os problemas dos adultos, polícia neles.
Sei que esta descrição do funcionamento da lei da palmada é exagerada, e o que inventei aí não deve ocorrer na prática. Mas é seu resultado lógico e faz parte do espírito desmiolado, arrogante, pretensioso, inconsequente, desrespeitoso, irresponsável e ignorante com que esse tipo de coisa vem prosperando entre nós, com gente estabelecendo regras para o que nos permitem ver nos balcões das farmácias, policiando o que dizemos em voz alta ou publicamos e podendo punir até uma risada que alguém considere hostil ou desrespeitosa para com alguma categoria social. Não parece estar longe o dia em que a maioria das piadas será clandestina e quem contar piadas vai virar uma espécie de conspirador, reunido com amigos pelos cantos e suspeitando de estranhos. Temos que ser protegidos até da leitura desavisada de livros. Cada livro será acompanhado de um texto especial, uma espécie de bula, que dirá do que devemos gostar e do que devemos discordar e como o livro deverá ser comentado na perspectiva adequada, para não mencionar as ocasiões em que precisará ser reescrito, a fim de garantir o indispensável acesso de pessoas de vocabulário neandertaloide. Por enquanto, não baixaram normas para os relacionamentos sexuais, mas é prudente verificar se o que vocês andam aprontando está correto e não resultará na cassação de seus direitos de cama, precatem-se.”
(João Ubaldo Ribeiro, O Correto Uso do Papel Higiênico)

http://oglobo.globo.com

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O vocabulário diabólico da Unesco

“As coisas terríveis às quais aludirei neste texto estão documentadas no livro Maquiavel Pedagogo, de Pascal Bernardin (publicado em português pela VIDE Editorial): são ideias sistematicamente defendidas e propagadas, em documentos oficiais, por cientistas e pedagogos da Unesco. Se não refiro cada uma delas a seu específico lugar é por falta de tempo, e por saber que esse grosso trabalho já está feito e publicado. Por outro lado, mesmo que não houvesse provas textuais, há uma coisa que deveria trazer-me o benefício da dúvida: muito do que vou dizer aqui pode provocar no leitor, como provocou em mim, lembranças de uma idade mais inocente, em que um pervertido obteve permissão de meus pais para estuprar minha consciência, assim aviltando o nome e a glória da profissão de professor.
Não tratarei aqui dos fins das ações da Unesco. Ela possui um ideário que é, de resto, o mesmo da ONU, e que não deixa de ter muito em comum com a mentalidade jornalística brasileira (ou, o que dá no mesmo, com os liberais americanos). Tudo o que se diz nos documentos da organização é sempre justificado pela necessidade de acabar com o preconceito, a discriminação, o atraso cultural da sociedade, etc. Não preciso dizer que, múltiplas vezes, vemos essas lindas palavras ligadas à célula familiar (transmissora de preconceitos), às religiões e às culturas nacionais e tradicionais ("preconceito étnico"). Numa palavra, a Unesco sonha com uma "ética universal" (sic) fundamentada nos chamados direitos humanos - explicitamente, no internacionalismo, no materialismo, cientificismo, pacifismo radical ("não-violência") e ecologismo. Esse, porém, não é o meu objeto, porque já vem sendo discutido com seriedade por autores como o Mons. Juan Claudio Sanahuja.
Para eliminar os preconceitos e demais mazelas das nações, os pedagogos da Unesco vêm estudando, há décadas, uma disciplina chamada Psicologia Social (muitas vezes aludida com o nome genérico de "Ciências Sociais", mas facilmente interpretada no contexto como significando especificamente a Psicologia). Meu objetivo aqui é explicitar o significado concreto da terminologia (vaga e de difícil interpretação, aos olhos de um leigo) que vendo sendo utilizada nos documentos da Unesco e, conseqüentemente, no ensino universitário de Pedagogia.
O conceito-chave é, evidentemente, educação. A palavra tem um sentido muito específico, que é delineado pelas exigências que dela se fazem. Os maníacos da Unesco admitem que todo projeto educacional é determinado pelo seu objetivo, pelo seu fim; e neste caso, dizem eles, o fim não pode ser um "intelectualismo elitista", que privilegie o "acadêmico". A educação visa, ao contrário, ao desenvolvimento social. "Desenvolvimento social" quer dizer a construção de um certo tipo de sociedade, em que as pessoas se comportam assim-assado - e isso remete, evidentemente, à "ética universal" de que falei acima. A ideia é, numa primeira fase, desenvolver uma educação multicultural, isto é, uma educação que facilite a convivência de diversas "culturas" (no sentido de "sociedades distintas"). Em seguida, passar-se-á a uma educação intercultural, que deveria ser chamada "unicultural", pois visa à ética supracitada. A oposição multicultural x intercultural é importantíssima, pois diz respeito a uma fase de transição e ao objetivo propriamente dito.
Ora, uma "educação" que pretende produzir um conjunto de atitudes, visando ao "desenvolvimento social", não pode prescindir de um método adequado - o qual, como vimos, não pode ser o método tradicional, cuja fundamentação "acadêmica" é pouco eficaz na criação de culturas (os cientistas enfatizam bastante a ineficácia "prática" do método tradicional, "intelectualista" e "elitista"). Aqui entram as "Ciências Sociais", e por isso é que será feito um estudo intitulado A Mudança de Atitudes ("atitude" significa o comportamento, a conduta, behavior). A educação tem de tornar-se não-cognitiva ou, como os pedagogos preferem, ativa, multidimensional, experimental. Isso se deve a psicólogos comportamentais (behaviorists) terem demonstrado experimentalmente a eficácia de ações na mudança de comportamento.
Descobriu-se, por exemplo, um fenômeno chamado dissonância cognitiva. Suponha que uma pessoa faz, um pouco por acidente, algo incompatível com alguma de suas crenças. Não encontrando razão plenamente confessável para o ato, a mente tenderá a justificá-lo a posteriori (o que se chama normalmente de racionalização). Isso é particularmente comum em confissões escritas. Um prisioneiro americano que odiava a China comunista foi induzido a escrever um elogio do país, como uma espécie de jogo. Seu texto foi publicado na prisão e muito elogiado. Em alguns dias, o americano passou a defender convictamente o regime*. A dissonância cognitiva mostra que existe um modo praticamente seguro de mudar rapidamente o comportamento das pessoas. E esse não é o único método. A título de exemplo, há um outro chamado norma de grupo, que significa basicamente que se um grupo de pessoas começa a discutir um fenômeno elas tenderão a adotar um consenso. O que interessa aos "pedagogos" é que esse consenso não precisa ser verdadeiro. Ele pode ser influenciado de diversos modos. O mais simples é a inserção de uma figura de autoridade no grupo: as pesquisas mostram que em praticamente todos os casos a figura de autoridade determina o resultado da "discussão", e ainda assim permanece o efeito de "consenso".
Esses dois conceitos são especialmente relevantes porque o primeiro é a origem do uso pedagógico do psicodrama, enquanto o segundo resultou em diversas práticas de grupo. Toda vez que temos encenações em sala de aula, apresentações teatrais ou simulações as mais variadas, é o psicodrama que está em jogo. Os cientistas da Unesco comemoram que o psicodrama tem imenso sucesso na "modificação de atitudes". A criança que joga lixo no chão, depois de fazer o papel de um herói ecológico que passa sermão na plateia inteira, tende a tornar-se uma ecochata fanática (para a Unesco, um exemplo de santidade). Isso se dá porque o psicodrama é uma eficaz técnica hipnótica, usada por terapeutas para transformar crenças e hábitos. As práticas de grupo se manifestam nos supostos "debates" (que, como sabemos, são filtrados e controlados pelo professor para chegar à conclusão esperada). Também se estimula todo tipo de atividade que atribua mais autoridade ao grupo do que aos pais ou à tradição (ambas fontes de "preconceitos"). Segundo os psicólogos, é muito fácil influenciar a opinião dos grupos de jovens, o que os torna autoridades desejáveis (especialmente em comparação com outras como pais e sacerdotes).
Quando se fala de educação multidimensional, também surge a ideia de que a educação não deve "apenas" transmitir "informações", mas atingir a totalidade da personalidade. Fala-se que toda educação pressupõe a dimensão dos valores, e que deve assumi-los e trabalhar por eles. O significado concreto disso é que a educação deve moldar o comportamento dos estudantes, e essa formatação deve ser completa: emoções, convicções, hobbies, sonhos, tudo deve ser influenciado o quanto possível dentro do quadro dos "valores" da Unesco. Ensinar uma doutrina não é o bastante, nem é desejável, porque uma doutrina precisa persuadir a inteligência. O melhor é "modificar atitudes", isto é, condutas, de preferência sem que o sujeito perceba que está sendo induzido. Ele deve sentir que está fazendo tudo porque quer. A mudança é sub-reptícia. Repito que tudo isso está dito nos documentos da Unesco.
Quando escolas promovem atividades práticas (um outro jeito de dizer ativas ou experimentais), que colocam os estudantes numa posição ideologicamente comprometida, isso não deve ser encarado como acidental. Os pedagogos que citei preconizam explicitamente atividades extracurriculares que ajudem a internalizar as "atitudes" apropriadas. Quando se fazem discussões em grupo sobre temas "atuais", com intromissões sutis do professor, não se trata de coincidência. A Unesco vem promovendo artigos, manuais pedagógicos e cursos de atualização que ensinam os professores a fazer exatamente isso. E o poder dessa coisa sobre a mente de crianças e adultos está documentado. É a mais extensa lavagem cerebral já feita na História, com um grau elevadíssimo de sucesso. A primeira coisa que pretendo com este texto é divulgar a terminologia pseudopedagógica que vem sendo utilizada para esconder essas técnicas de manipulação mental.
Em segundo lugar, eu gostaria também que os leitores pensassem sobre os efeitos que essa pedagogia teve em seus próprios casos. Quaisquer pessoas que estiveram na escola nas últimas duas décadas devem ter sido submetidas a técnicas como as que descrevi. Quanto mais jovem a pessoa, pior, pois os métodos se desenvolveram e se disseminaram. Lembrem-se de que essa educação visa simplesmente a desenvolver reflexos condicionados, e despreza totalmente o desenvolvimento intelectual. Lembrem-se também de que, com o tempo, tendemos a nos dessensibilizar e achar natural que sempre reajamos a tudo de modo automático e semi-consciente. Achamos normal nunca termos lido os Lusíadas, não sabermos diferenciar uma oração subordinada de uma coordenada, não conseguirmos escrever um texto sem erros grotescos, demorarmos para fazer uma conta simples, não sabermos as diferenças situacionais entre um debate e um discurso, nunca termos lido uma fonte primária de algum evento histórico etc.
Isso significa que há grandes chances das minhas e das tuas capacidades lingüísticas, matemáticas, etc. estarem numa situação tenebrosa. É urgente que desenvolvamos uma grande desconfiança de nossas próprias inteligências, e que corramos contra o tempo para corrigir esse processo. É igualmente urgente que aqueles que possuem filhos passem, além de conscientizar as crianças a respeito dessas técnicas, a vigiar cada passo de seus professores e cobrar as escolas fazendo quanto escândalo possível. Quando falarem de "multidimensionalidade", digam que é bestialidade. Quando falarem de "habilidades sociais" digam que é engenharia social, estupro intelectual e abuso de menores. Quando falarem de "valores", digam que quem ensina valores a seus filhos são vocês, e que não vão aceitar que pressionem e induzam as crianças contra a família. Seu filho é um ser humano. Não deixe a escola adestrá-lo como um animal.
*A mesma técnica é aplicada diariamente na escola, quando se pede que alunos escrevam redações sobre temas que desconhecem totalmente. É claro que, antes da redação, eles têm uma "aula" em que o professor lhes diz exatamente tudo o que devem pensar a respeito. Depois de escrever o texto, as crianças adotam aquelas opiniões como se as tivessem formado sozinhas, com grande convicção.”
(Rafael Falcón, O Vocabulário Diabólico da Unesco (Notas a Pascal Bernardin))

http://www.adhominem.com.br/search?q=pascal+bernardin