Mostrando postagens com marcador Anticristo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anticristo. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de maio de 2021

Ou o Estado paternal, ou o Estado das feras tirânicas


“As nações ocidentais, perdida a religiosidade, vão-se tornando aos poucos as “Feras” da Escritura. O Estado moderno se torna aos poucos tirano. O “Estado” é uma consequência do pecado original, não é uma criação direta de Deus, é a “criação maior da razão prática” do homem, ensina Santo Tomás. No Paraíso Terrestre, se Adão não tivesse caído, teria havido governo, por certo; mas não governo estatal, e sim familiar e paterno. Isso já não se pode mais obter com perfeição. Entre os extremos do governo tirânico e do governo paterno, oscilam todos os regimes políticos humanos, depois do Pecado.
Nos grandes séculos cristãos tendeu-se a realizar o ideal do governo paterno: São Luís rei da França, São Fernando da Espanha, São Eduardo o Confessor. Havia um monarca que vinha ao trono com a naturalidade da fruta nas árvores, que tentava fazer-se respeitar e amar por todos, e que dava conta de suas ações só a Deus; e havia uma quantidade de forças políticas e sociais que tendiam a mantê-lo dentro da retidão; das quais a religião era a principal. Isso se chamou a Monarquia Cristã: durou dez séculos, fez a Europa; e caiu. O ideal tendia a “uma família”: ideal inexequível em sua totalidade, porque sempre haverá díscolos, a massa sempre será obscura, e o Estado sempre tenderá a usar da força; mas pelo menos havia um conato contínuo para sujeitar a força à razão e a razão ao amor; e para fazer chegar a nação a algo como “uma família”. Por isso justamente há mais sublevações nos países católicos que nos outros, e são mais difíceis de governar; o ideal atávico da “nação como uma família” trabalha terrivelmente nos franceses, nos italianos, nos hispânicos. “Os países protestantes são mais fáceis de conduzir, mas se são conduzidos mal, não têm remédio” – disse o líder irlandês Parnell.
Os homens hoje em dia preferem ter por cima tiranetes irresponsáveis, agitados e passageiros, que os oprimam em nome da “liberdade”. As condições mudaram, os homens já não podem confiar tanto uns nos outros para pôr à cabeça do bem público uma família permanente e inamovível, com poderes absolutos. Portanto ficou mais fácil o advento da “Fera”, que é o outro extremo do eixe político, o polo oposto ao “Pai”. Os grandes impérios pagãos que precederam a Cristo: Assíria, Pérsia, Grécia macedônica e Roma, foram pintados pelo profeta Daniel na figura de quatro feras; e com muita razão.
Na atual economia do mundo, a rejeição a Cristo leva necessariamente ao outro extremo da ordenação política; quer dizer, ao Estado pagão duro e implacável. Da quarta fera, o Império Romano, que Daniel descreve como uma mescla das outras e a mais terrível de todas, profetizou o vidente que surgirá, depois de muitos séculos e diversos avatares, a “Besta do Mar”, ou seja o Anticristo: um poder pequeno que se fará grande, um poder morto que ressuscitará, um poder iníquo que por causa da apostasia do mundo chegará a assenhorear-se de todo o mundo; afortunadamente, por pouco tempo.
Entretanto temos que ir vivendo e tendendo ao governo paternal no político e à obediência nobre e cavalheiresca; embora sejam ideais hoje em dia quase inexequíveis – pelo menos neste país sem esqueleto; quero dizer sem “estruturação política”; sem “instituições”.”
(Pe. Leonardo Castellani, El Evangelio de Jesucristo)

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O Anticristo e a Parusia


“As Duas Bestas
Quando a estrutura temporal da Igreja perder a efusão do Espírito e a religião adulterada se transformar na Grande Rameira, então aparecerá o Homem do Pecado e o Falso Profeta, um Rei do Universo que será ao mesmo tempo como um Sumo Pontífice do Orbe, ou terá sob suas ordens um falso Pontífice, chamado nas profecias o "Pseudoprofeta". ...
O Anticristo será ao mesmo tempo uma corporação e uma pessoa individual que a encarnará e a governará.
1) Uma corporação, porque assim diz a definição que dele formula São João (I Carta, Iv, 3), a saber “spiritus qui solvit Jesum”, “espírito de apostasia”: e dizer um espírito é dizer um modo de ser que informa a quantidade de pessoas.
2) Um indivíduo, porque São Paulo (II Tessal, II, 3-4) o chama: "o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus."
Este último texto é impossível de aplicar a um corpo colegiado de indivíduos, como a maçonaria ou o filosofismo do século XVIII...
... O Anticristo é provavelmente o filosofismo do século XVIII, prolongação da pseudo-reforma protestante e precursor desta nova religião que vemos formando-se hoje em dia diante de nossos olhos, chame-se como se quiser (modernismo, aloguismo, antropolatria) que será sem dúvida a última heresia, pois não se pode mais ir além em matéria de heresias. E o Anticristo será também um homem singular, dado que todo espírito objetivo não existe nem atua senão encarnado, e todo grande movimento histórico suscita um homem. Todo grande movimento sociológico suscita e reveste uma grande cabeça para ser formado; como, por exemplo, Mussolini criou e ao mesmo tempo foi criatura do nacionalismo italiano...
O Advento – Está próxima a Parusia?
O autor do Apocalypsis afirma que a Parusia (ou seja a presença justiceira de Cristo na história humana) está próxima; desde o começo, em que intitula o livro de "Revelação d'Ele que está próximo", até o final, onde diz: "Venho logo"; e também: "Eis que estou à porta e chamo. Agüente um pouco. Volto já".
Volto já? Esta expressão desconcertante, pedra de tropeço dos incrédulos de hoje – e de sempre -, se verifica de três maneiras. Transcendental, mística e literal.
1) Transcendentalmente. O período dos últimos dias (ou seja o tempo da revelação cristã entre a Primeira e a Segunda Vinda) será muito breve, comparado com a duração total do mundo.
Uma antiga tradição hebraico-cristã, muito respeitável, atribui a "este século" (ao ciclo adâmico, desde Adão ao Juízo Final) uma duração de sete milênios, correspondentes aos sete dias da criação, porque "para Deus mil anos são como um dia" (Salm. LXXXIX, 4; II Petr. III, 8), correspondentes a dois milênios para a Lei Natural, dois milênios para a Lei Mosaica e dois milênios para a Lei Cristã; e o último milênio, o Domingo, para a transformação feliz do universo no Trono do Verbo ("Eu farei novos céus e nova terra") mediante a ação parusíaca.
Assim pois, em um sentido transcendental Cristo pôde dizer com verdade que sua Segunda Vinda estava próxima.
2) Misticamente. Todos os homens, não menos que as nações, estamos próximos do juízo por causa da morte, a qual pode sobrevir a qualquer momento; e sobrevém sempre à eterna ilusão e distração humana de um modo inesperado. A pedagogia de Cristo em todo o Evangelho é alertar continuamente o homem acerca da morte iminente e imprevista. "Néscio, esta noite mesmo te pedirão a alma. O que acumulaste, para quem ficará?"
Nossa experiência nos ensina que mesmo nos velhos enfermos e doentes terminais, a morte os surpreende de repente: no sentido de que não a esperam; e quem a vai esperar? Um santo religioso vimos morrer, o qual se enfureceu quando o Superior lhe falou dos últimos sacramentos. “Eu não sou homem de morrer sem sacramentos – disse - : mas estes superiores jovens são tão precipitados, que basta alguém sofrer qualquer coisinha, e já aparecem com os Santos Óleos.” Recebeu-os, no entanto, porque era dócil; e nessa mesma tarde estava morto.
Pois bem: o mesmo será no fim, igual aos tempos do Dilúvio: os homens comprarão, venderão, farão política, se casarão e engendrarão filhos; e como o relâmpago que surge no Leste e no mesmo instante está no Oeste, assim será a vinda do Filho do Homem. O sensato, pois, é pensar no fim como sempre próximo, porque de fato pode ser hoje mesmo, quando estamos sem azeite na candeia, como aconteceu com as Virgens Insensatas; devemos nele pensar como próximo, mas não como coisa certa – o que paralisaria a atividade humana, como aconteceu com os Tessalonicenses -, mas como coisa possível, prevista e esperada. E também santamente desejada. Vem, Senhor Jesus!
3) Literalmente. Cumpriu-se em seguida a profecia na destruição de Jerusalém, e depois na queda do Império Romano étnico, os dois typos do fim do século, ou seja do término do ciclo, que usaram Jesus Cristo mesmo e o discípulo amado: cumpriu-se em sua primeira fase para os ouvintes do Messias; e se cumprirá em sua forma completa para nós, que pensamos menos no Fim do Mundo que os primeiros cristãos. E, sem dúvida, estamos mais próximos que eles!
Porque o drama da História se desenvolve em planos escalonados, como todo drama se desenvolve em cenas que contêm todas a mesma idéia fundamental, a desdobrar-se no desenlace. E assim todas as grandes quedas dos impérios perseguidores da Igreja, as grandes ressurreições triunfais do cristianismo e as grandes varreduras que faz Deus de raças inteiras apóstatas ou degeneradas, podem ser consideradas como realizações parciais e figurativas da Presença (parousía) de Cristo na História e de sua revelação (apokalypsis) definitiva.
(Pe. Leonardo Castellani, Cristo ¿Vuelve o No Vuelve?)

Original em: http://www.ncsanjuanbautista.com.ar

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Santa Hildegarda sobre o Anticristo

“O Anticristo atrairá as pessoas dando-lhes completa liberdade de deixar de observar todos os mandamentos divinos e eclesiásticos, perdoando seus pecados e exigindo que somente creiam em sua divindade. Concederá liberdade total dos mandamentos de Deus e da Igreja e permitirá que todos vivam segundo suas paixões. Dirá que não é necessário jejuar nem amargar a vida com renúncias. Na verdade o Anticristo, possuído pelo diabo, quando abrir sua boca para seu ensinamento perverso, destruirá tudo que Deus havia estabelecido na Lei Antiga e na Nova, e afirmará que o incesto, a fornicação, o adultério e outros males semelhantes não são pecados.”
(Hildegarda de Bingen, Liber Divinorum Operum)

domingo, 4 de novembro de 2018

Depois de 2 mil anos, Israel conseguiu produzir azeite puro para o Terceiro Templo


“Judeus que promovem a construção do Terceiro Templo em Jerusalém conseguiram, pela primeira vez em 2 mil anos, produzir azeite de oliva puro para ser usado nas instalações do futuro templo.
Já se fizeram muitos progressos na criação dos utensílios sagrados para o Terceiro Templo, o véu do lugar santíssimo, as vestimentas que utilizarão os sacerdotes levitas, contudo as leis de pureza bíblicas falam do azeite que se usa para acender a menorá de ouro de sete braços que é conhecido como o candelabro, informa a organização The Temple Institute em sua página do Facebook.
Na semana passada, o Instituto do Templo deu outro grande passo com a produção de azeite de oliva puro, de acordo com os padrões bíblicos de pureza que se deve cumprir para a menorá.
Vários rabinos e funcionários do Instituto do Templo, inclusive o rabino Chaim Richman, viajaram a Moshav Ramot nas Colinas de Golã e ali, com o grupo Einat Ziv (Mulheres para o Templo Sagrado) e o professor Hillel Weiss, da Universidade Bar Ilan, colheram cerca de 150 quilos de azeitonas orgânicas de árvores que não haviam sido tratadas com fertilizantes, de acordo com as leis de pureza da Torá.
Eles transportaram as azeitonas à cidade de Katzrin, onde, no centro de prensagem de oliva, o rabino Azarias e o pessoal do Instituto do Templo fizeram todos os preparativos e arranjos especiais necessários à fabricação do azeite e a produção cumpriu as normas bíblicas.
Estas regras de pureza são uma área complexa e requerem um estudo altamente especializado que muito poucos dominaram em nossos tempos. Alguns inclusive pensaram que o conceito de pureza bíblica era muito difícil de voltar a introduzir em nossos tempos, razão pela qual o fato foi considerado um “milagre”.
Agora, realizou-se a produção de azeite de oliva puro pela primeira vez em 2.000 anos, destinado especificamente à menorá do futuro Templo Sagrado, o que aumenta a esperança dos rabinos de conseguir a construção do templo.”

http://cronicadelfindelostiempos.blogspot.com

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Nascimento de novilha vermelha em Israel reacende debate sobre 3º Templo


“Esta semana, o Instituto do Templo de Jerusalém anunciou o nascimento de uma novilha vermelha. Segundo os rabinos do centro teológico, este é um pré-requisito para a retomada dos sacrifícios no Templo, pois suas cinzas são usadas em rituais de purificação descritos no Livro de Números.
Cerca de três anos atrás, o Instituto do Templo – organização que dedica-se à preparação do Terceiro Templo e segue à risca todos os preceitos da lei sacerdotal – iniciou um programa para gerar uma novilha vermelha de acordo com os requisitos bíblicos. Eles importaram dezenas de embriões da raça red angus e implantaram em vacas selecionadas.
Após uma série de insucessos, pois a novilha do padrão veterotestamentário não pode ter nenhuma mancha de outra cor, no dia 28 de agosto nasceu um animal que foi considerado “aceitável” por uma comissão de rabinos que examinaram o animal.
Embora eles saibam que a novilha, como aconteceu com outras no passado, possa apresentar mudanças na coloração do pelo, a expectativa é que o animal seja a retomada de um processo que não se vê em Israel desde a destruição do Segundo Templo, no ano 70.
Portanto, a novilha passará por exames periódicos até a idade adulta, explica uma nota do Instituto. Seus fundadores sempre defenderam que é preciso que assim que tudo estiver “pronto”, o Messias virá. A ausência de uma novilha que siga especificamente os requerimentos sempre foi um empecilho.
Segundo o mandamento de Números 19:2, os israelitas deveriam oferecer “uma novilha vermelha, sem defeito e sem mancha, sobre a qual nunca tenha sido colocada uma canga” para o sacrifício que geraria a chamada “água da purificação”.
Pela tradição rabínica, a vinda do Messias está intimamente relacionada com a reconstrução do Terceiro Templo em Jerusalém, no alto do Monte Moriá, onde hoje estão duas mesquitas. Atualmente, os judeus podem subir ao local, mas estão proibidos de fazerem orações ali.
Nas últimas décadas, todas as peças do Templo, segundo a instrução bíblica, foram refeitas pelo Instituto do Templo, incluindo o treinamento de sacerdotes para a restauração dos sacrifícios.”

https://noticias.gospelprime.com.br

quinta-feira, 22 de março de 2018

Como será o Anticristo?

“Como será o Anticristo? Sabemos que, em Paulo, nas cartas de João e no Apocalipse, existem espalhados por toda parte vários avisos prévios de uma realidade na tradição cristã identificada como (e eu vou citar um livro de Teologia) “o príncipe do mal que virá e reinará sobre o mundo no fim dos tempos, antes do retorno definitivo do Filho do homem estabelecer os novos céus e nova terra”.
Em muitas eras, os crentes pensaram identificar com aquela misteriosa figura algum personagem histórico sanguinário: Nero, Átila, Napoleão, Lenin, Stalin e Hitler.
No entanto, há também uma tradição cristã, mesmo se minoritária, que coloca o perigo do Anticristo (“homem do pecado” e “filho da perdição” de São Paulo) não em violência e sangue, mas no mimetismo dissimulado de uma persuasiva e convidativa realidade. O livro de Robert H. Benson, de 1907, O Senhor do Mundo, só recentemente foi traduzido para o italiano e nele o grande adversário de Jesus se apresenta sob o disfarce de “humanista”, um mestre da tolerância, pluralismo, irenismo e ecumenismo; [Ele é] um corruptor sorridente, mais do que um antagonista estridente do Evangelho; um anulador de dentro mais do que um assaltante do exterior.
Talvez, até agora, poucos souberam que alguns anos mais tarde, em 1916, a mesma tese foi reproposta por Carl Schmitt. Schmitt morreu em 1985 com quase 100 anos de idade, e está entre os que mais vamos ouvir a respeito nos próximos anos: já há uma indicação exata disto (aumentando a cada dia) na esmagadora bibliografia de sua obra, que foi por décadas reprimida e exorcizada, uma vez que ele era, de fato, suspeito de nacional-socialismo. Na realidade, este brilhante jurista alemão e especialista em política foi rapidamente descartado pelo Terceiro Reich (no qual, inicialmente, ele viu tão bem o cumprimento de alguns pontos de sua teoria política) na medida em que ele foi acusado de “insuficiente e superficial anti-semitismo ” e acima de tudo por causa de suas “corrupções católicas”.
Na realidade – como estudos recentes têm confirmado – o catolicismo de Schmitt não era simplesmente cultural e determinado por seus estudos de juventude em escolas religiosas, mas foi uma fé professada e vivida até o fim. O que torna este pensador tão inquietantemente fascinante (redescoberto agora ainda por ex-esquerdistas, em sua busca confusa por “mestres”, após o colapso de todos os seus pontos de referência) é que ele inseriu [no seu trabalho], com o realismo maquiavélico e hobbesiano, temas religiosos como culpa, redenção, salvação, Cristo e o Anticristo. Foi dito que fazia uma espécie de “teologia política”, embora para aqueles que o leiam atentamente, o seu trabalho seja, talvez, “política teológica”: uma discussão sobre a ordem humana das coisas, 1) por ter também em conta o transcendente e 2) por um confronto com a história, com a consciência de que não é o quadro geral, mas está destinada a fluir para um mistério que vai muito além dela.
A partir de 1916, como militar no exército bávaro, o Carl Schmitt de 28 anos de idade começou suas reflexões sobre o Anticristo, com um livro dedicado ao Nord-licht (“Luzes do Norte” ou seja, “a aurora”) por Theodor Däubler. O jovem Schmitt, nestas páginas, cita um texto que ele encontrou em “Latin Sermo de fine mundi” de Santo Efrém. Vale a pena citar o original daquela passagem realmente singular, segundo a qual, o grande enganador irá provocar a apostasia de muitos antes da definitiva vitória de Cristo: «erit omnibus subdole placidus, munera non suscipiens, personam non praeponens, amabilis omnibus, quietus universis, xenia non appetens, affabilis apparens in proximos, ita ut beatificent eum omnes homines dicentes: Justus homo hic est!». O que significa dizer: “dissimuladamente, ele vai agradar a todos, ele não vai aceitar cargos ou funções, ele não vai mostrar favoritismo para com as pessoas, vai ser amável para com todos, calmo em todas as coisas, irá recusar presentes, parecerá afável com o próximo, e assim, todos irão elogiá-lo exclamando: ‘Eis um homem justo!'”. Este trecho, do latim de São Efrém, tem uma perspectiva inquietante: o anticristo sob o disfarce enganoso de “um homem de diálogo”; um pacífico, contido, honesto “humanista”? É precisamente a essa identidade do adversário que Schmitt parece favorável: para ele, o Anticristo surgirá a partir de uma sociedade semelhante ao Ocidente moderno, em que: “os homens são pobres diabos que sabem de tudo e não acreditam em nada”; uma sociedade onde “os mais novos e as coisas mais importantes são secularizadas: a beleza tornou-se o bom gosto, a Igreja é uma organização pacifista e no lugar da distinção entre o bem e o mal, o que é útil e prejudicial.”
Em tal cultura, o dissimulado, “dialogador” Anticristo fará crer que a salvação depende de certezas sociais e de desenvolvimento. Acima de tudo, (e esta é uma das intuições mais inquietantes do ainda jovem Schmitt), o Anticristo não será um materialista, nem um inimigo da religião: antes,”ele irá prover todas as necessidades, incluindo aquelas de ordem espiritual”.
Ele irá satisfazer o desejo do homem para a transcendência, falando sobre espiritualidade, propondo uma “religião da humanidade”, onde todos estão de acordo com tudo e onde qualquer divergência é banida, e, acima de tudo, qualquer dogma é visto como um mal radical.
No momento da sua escrita, logo no início do século 20, a prospectiva de Schmitt passou praticamente despercebida, parecendo decididamente improvável. No entanto, não é talvez o caso de refletir sobre isso hoje, quando o que está nos ameaçando, na esfera religiosa, certamente não é mais a intolerância, mas se alguma coisa, o seu oposto: a “tolerância” que se transforma em indiferença, recusando-se a considerar as várias religiões como algo mais do que uma forma única (diferenciadas apenas por fatores históricos e geográficos) de venerar o mesmo, idêntico Deus? Onde o “inimigo” não é mais o velho, honesto materialismo, mas talvez um insidioso “humanitário” espiritualismo?”
(Vittorio Messori, Pensare la Storia)

Tradução de Frates in Unum

terça-feira, 5 de abril de 2016

O Mistério da Iniqüidade


“O Mistério da Iniqüidade é o ódio a Deus e a adoração do homem. As Duas Bestas são o poder político e o instinto religioso do homem voltados contra Deus e dominados pelo PseudoCristo e pelo Pseudoprofeta. O Obstáculo é, em nossa interpretação, a vigência da Ordem Romana. A Grande Rameira é a religião decomposta e entregue aos poderes temporais, e é também a Roma étnica, onde este Mistério da Iniqüidade se verificou pela primeira vez, aos olhos deslumbrados de João, o último Apocaleta.
A adoração ao homem com o ódio a Deus sempre existiu. “Já opera o Mistério da Iniqüidade – disse São Paulo aos de Tessalônica - ; somente está retido, e vós sabeis qual é o Obstáculo.”
O Mistério da Iniqüidade é o princípio da Cidade do Homem, que luta contra a Cidade de Deus desde o início; é a raiz de todas as heresias e o fogo de todas as perseguições; “é a quietude incestuosa da criatura assentada em sua diferença específica”; é a contínua rebelião do intelecto pecador contra seu princípio e fim, eco multiplicado nas idades do “Não servirei” de Satanás.
O cúmulo do Mistério da Iniqüidade é o ódio a Deus e a adoração idolátrica do Homem.
O Mistério da Iniqüidade tende a materializar-se em corpo político e esmagar os santos. Foi ele quem condenou a Sócrates, perseguiu os profetas, crucificou a Jesus, e depois multiplicou os mártires; e será ele quem destruirá a Igreja, quando, retirado o Obstáculo, encarnar-se em um homem de satânica grandeza, plebeu genial e perverso, talvez de raça judia, de intelecto sobre-humano, de maldade absoluta, a quem Satã emprestará seu poder e sua acumulada fúria.
A Igreja, assistida pelo Espírito Santo, obstaculiza essa manifestação e a reduz, apoiada na ordem humana que o Império Romano organizou em corpo jurídico e político; mas chegará um dia, que será o fim desta idade, em que desaparecerá o Obstáculo. O Espírito Santo abandonará talvez este corpo social histórico, chamado Cristandade, arrebatando consigo à solidão mais total os seus, dando-lhes duas asas de águia para voar ao deserto. E então a estrutura temporal da Igreja existente será presa do Anticristo, fornicará com os reis da terra – pelo menos uma parte ostensiva dela, como já aconteceu em sua história - , e a abominação da desolação entrará no lugar santo. “Quando virdes a desolação abominável entrar aonde não deve, então já é.”
Será o reinado de um Antipapa, ou Papa falso? Será a destruição material de Roma? Será a entronização nela de um culto sacrílego? Não o sabemos. Sabemos que o Apocalipse, ao descobrir a Grande Prostituta, indica com toda precisão “a cidade das sete colinas”: interpretação dada pelo mesmo anjo que a São João endoutrina.”
(Pe. Leonardo Castellani, Cristo Vuelve o No Vuelve)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O modernismo será a religião do Anticristo

“O modernismo é a última evolução do protestantismo liberal e é a heresia mais sutil e complexa que já existiu e pode existir, de modo que sem dúvida será a religião do Anticristo; porque concilia em si as duas notas antagônicas com que São Paulo descreve misteriosamente o Homem do Pecado, e que até hoje pareciam incompatíveis: 1°, será adversário de toda religião e culto; 2°, se sentará no templo fazendo-se adorar como Deus. O modernismo desfaz toda religião existente, apropriando-se não obstante de suas formas exteriores, as quais esvazia de conteúdo para preenchê-las com a idolatria do Homem.”
(Pe. Leonardo Castellani, Comentarios en la Suma de Teologia de Santo Tomás)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Uma descrição dos tempos do Anticristo

“O Homem do Pecado tolerará e se aproveitará de um cristianismo adulterado... Imporá por todas as partes o reino da iniqüidade e da mentira, o governo puramente exterior e tirânico, a “Liberdade” desenfreada dos prazeres e diversões, a exploração do homem; e seu modo de proceder hipócrita e sem misericórdia. Haverá em seu Reino uma estrondosa alegria falsa e exterior, cobrindo o mais profundo desespero.
Em seu tempo acontecerão os mais estranhos distúrbios cósmicos, como se os elementos se houvessem revoltado. A humanidade estará numa grande expectativa e reinará grande confusão e dissipação entre os homens. Rompidos os laços de família, de amizade, de lealdade e bom relacionamento, os homens não poderão confiar em ninguém, e correrá no mundo como um tremor frio, um universal e ímpio “salve-se quem puder”. Será atropelado o que há de mais sagrado e nenhuma palavra terá mais fé, nem pacto algum terá vigor, senão pela força. A caridade heróica de alguns fiéis, transformada em amizade até a morte, manterá no mundo ilhotas de fé; porém mesmo ali, ela estará continuamente ameaçada pela traição e pela espionagem. Ser virtuoso será um castigo em si mesmo e como uma espécie de suicídio”.
(Pe. Leonardo Castellani, Los Papeles de Benjamin Benavides)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A apostasia de Roma

“Os escritores da Igreja nos contam como nos últimos dias a cidade de Roma vai provavelmente apostatar da Igreja e do vigário de Jesus Cristo; e que Roma será de novo punida, pois Ele se afastará dela; e o julgamento de Deus cairá sobre o lugar do qual Ele havia reinado sobre as nações do mundo. Pois que faz de Roma sagrada, senão a presença do vigário de Jesus Cristo? Que tem ela que a faz querida aos olhos de Deus, que não a presença do vigário de Seu Filho? Saia de Roma a Igreja de Cristo, e Roma não será mais aos olhos de Deus do que a Jerusalém de outrora.
A apostasia da cidade de Roma em relação ao vigário de Cristo, e sua destruição pelo Anticristo, pode ser um pensamento tão novo para muitos católicos, que tenho por bem recitar o texto de teólogos da maior reputação. Em primeiro lugar Malvenda, que escreve expressamente sobre a matéria, afirma como sendo a opinião de Ribera, Gaspar Melus, Viegas, Suárez, Belarmino e Bosius que Roma vai apostatar da fé, expulsar o vigário de Cristo e retornar a seu antigo paganismo. São palavras de Malvenda: — 'Mas a própria Roma, nos últimos tempos do mundo, retornará a sua antiga idolatria, poder, e grandeza imperial. Ela expulsará seu pontífice, apostatará completamente da fé cristã, perseguirá terrivelmente a Igreja, derramará o sangue dos mártires mais cruelmente que nunca, e recobrará seu estado anterior de abundante riqueza, ou até maior do que teve sob seus primeiros governantes.’
Lessius diz: — ‘No tempo do Anticristo, Roma será destruída, como vemos abertamente no décimo-terceiro capítulo do Apocalipse;’ e em seguida: — ‘A mulher que viste é a grande cidade, que tem reinado sobre todos os reis da terra, na qual está simbolizada Roma em sua impiedade, tal como era no tempo de São João, e será de novo no fim do mundo.’ E Belarmino: — ‘No tempo do Anticristo, Roma será desolada e queimada, como aprendemos no décimo-sexto verso do décimo-sétimo capítulo do Apocalipse.’ Sobre tais palavras comenta o jesuíta Erbermann o seguinte: — ‘Todos confessamos, com Belarmino, que o povo de Roma, um pouco antes do fim do mundo, retornará ao paganismo, e expulsará o Pontífice Romano.’
Então a Igreja vai-se dispersar, fugindo para o deserto, e será durante algum tempo como era no começo, escondida invisível nas catacumbas, em cavernas, em montanhas, em esconderijos; por algum tempo parecerá como que varrida da face da terra. Tal é o testemunho universal dos Padres da Igreja primitiva.”
(Cardeal Henry Manning, The Present Crisis of the Holy See)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Reconhecer os tempos do Anticristo

“Minha inquietude, minha preocupação quase exclusiva – minha “obsessão” pelos “temas apocalípticos” me foi criticada por alguns, estranhos e mais chegados. Não me dou ao trabalho de justificar-me diante dos que desprezam ocupar-se de tudo o que se refere à consumação dos tempos, e que nadam no nirvana de uma despreocupação beatífica. Mas me parece bastante digna de consideração a objeção dos que, talvez tão “parusíacos” ou mais que eu, rejeitam, no entanto, minha insistência em destacar as características negativas – aterradoras, na realidade – do mundo em que vivemos. Tanto como a mim, a eles também lhes parecem tremendamente negativas e prenúncio de acontecimentos “apocalípticos”. Só se afastam de minha atitude por uma questão de prioridades, de “ênfase”. Pensam que ficar tão atentos aos horrores do mundo acorvadaria os fiéis receptivos ao nosso ensinamento. Que isso privaria sobretudo os jovens da esperança necessária para viver de maneira cristã...
A atenção preferencial aos aspectos negativos do mundo atual se justifica, a meu ver, pelo fato de que eles são precisamente o prenúncio e ante-sala da Glória a que aspiramos. Sua extrema negatividade realça a extrema positividade dAquilo por que esperamos. Aviva em nós a consciência do Triunfo vindouro, por oposição. Por Contraste.
Esse efeito, por assim dizer, “dialético”, que a suma perversidade de nosso mundo engendra em nós, não teria lugar se não fosse porque sabemos que o desenlace é dialético.
Por que o sabemos? Não por algum cálculo de análise política ou histórica. Sabemo-lo pela Fé. Sabemo-lo porque nos foi revelado taxativamente:
Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação. (Lc. XXI, 28)
“As coisas” a que se refere o texto não são, precisamente, fáceis e prazerosas. São terrivelmente duras e tenebrosas. Mas são prenúncio e ante-sala do Triunfo definitivo do Bem. “Está próxima a vossa libertação”, disse. Ou seja, esse triunfo é definitivo, permanente. É eterno, não há retorno. Portanto, se alguma vez existiu, aqui se acaba a “dialética da história”.
Mas nessa “dialética” anterior ao final, de que Bem e de que Mal se trata? De Cristo e do Anticristo: o Bem histórico. Então, se isso é assim, se isso é como Nosso Senhor nos anuncia, se o Mal, chegado à sua plenitude no Anticristo, anuncia o triunfo definitivo de Cristo e de nossa libertação, então quase, quase deveríamos querer que o Mal se intensificasse. “Politique de pire”: quanto pior, melhor. E dizia, e volto a dizê-lo agora, que isso que sabemos pela fé devemos desejar com a esperança fundada na fé. Porque Cristo nos ordenou, imperativamente: “Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, levantai vossas cabeças”. Devemos desejá-lo, supondo – que creio esteja vigente – que nada nos falte humanamente por fazer; porque, caso contrário, é claro, deveríamos tentar corrigir o Mal. Esperemos, portanto, confiantes na palavra de Cristo, que também disse:
Eu disse-vos essas coisas para que, quando chegar esse tempo, vos lembreis de que eu vo-las disse. (Jo. XVI, 4)
Ou seja, estava escrito. Estava escrito que essas coisas haviam de acontecer, e acontecem. O Senhor as tem previstas, o Senhor mantém em suas mãos as rédeas. E quando ao discípulo de Cristo não falta mais nada que fazer, senão padecer – como era o caso para aqueles a quem foi dito, e como creio que seja o caso para nós –, só resta... olhar. Olhar para manter a esperança. “Quando virdes que tudo isso acontece...”
E por isso digo eu, agora, que se deve olhar para o Anticristo. Olhá-lo não por masoquismo – já está dito – mas para ver como se cumpre nele o anunciado: a intensificação do Mal, que precede o triunfo definitivo de Cristo.”
(Federico Mihura Seeber, El Anticristo)

domingo, 23 de maio de 2010

Uma comparação entre os Anticristos de Vladimir Soloviev e Robert Benson


“A imaginação profética de Soloviev e Benson descreve o Anticristo como um leigo. Soloviev, como vimos, associa o Anticristo, que é um político obcecado com religião, a um certo tipo de mago – o bispo apóstata Apolônio, que serve junto ao altar do poder. Benson também vê o Anticristo como um político, um leigo americano que se apresenta como o senhor do mundo, em cujos dons está o conceder a paz universal, o progresso e a concórdia fraternal entre as nações. É fascinante observar que ambos, Soloviev e Benson, apresentam seus personagens sob uma luz positiva. Enquanto a Bíblia descreve o Anticristo como o homem da iniqüidade, os personagens literários de Soloviev e Benson não são impostos pela força das armas. Pelo contrário, eles se apóiam no consenso popular e universal. Gozam da adulação da imprensa, do apoio de outras figuras poderosas e do povo. O Anticristo é o homem mais popular que já apareceu sobre a face da terra.
É fácil ver que ele é a antítese de Cristo: Cristo foi eliminado, crucificado, assassinado vergonhosamente e condenado como um criminoso. O Anticristo, a imagem reversa de Cristo, torna-se senhor do mundo por consenso popular: será proclamado um deus, supremo senhor e supremo salvador. Seu domínio universal baseia-se na aclamação popular.
Em certo sentido, Soloviev e Benson concordam em que o Anticristo é visto como uma pessoa positiva em termos mundanos; ele traz a paz e o progresso. Ele convence o homem que ele mesmo, o Anticristo, é a primeira manifestação de Deus. De acordo com Benson, ele é um homem perfeitamente calmo, frio, fascinante e poliglota. Ele é o homem da paz, do destino e da providência. O mundo o reconhece como rei, senhor e imperador.
O ódio a Cristo é a única característica em comum do Anticristo como é descrito por Soloviev e Benson.
Aqui eu gostaria de contrastar ambos escritores para destacar suas profundas diferenças. O inimigo do Anticristo segundo Soloviev é a própria pessoa de Cristo. Para o católico Benson, é a Igreja Católica. Soloviev faz seu Anticristo negar a Cristo aos gritos: “Ele não ressuscitou! Ele apodreceu! Apodreceu no túmulo!” Já o Anticristo de Benson premedita a destruição da Igreja Católica metódica, obstinada e perfeitamente, a qual é vista como a origem de todo mal e heresia e a praga da humanidade. O lema de Felsenburgh é: “Ecclesia Catholica delenda est!” A Igreja Católica deve ser destruída. A mim isso me parece muito mais relevante, ainda que a intuição aguda de Soloviev consiga focar a disseminada e contemporânea intolerância à unidade de Cristo numa tentativa – como acredita o Cardeal Biffi – de destruir a pessoa de Cristo como Filho de Deus e apresentar o Cristianismo meramente como um sistema de valores humanitários.
Benson, por outro lado, e este é um aspecto bem interessante de sua visão, enfatiza o desejo do mundo e do espírito do mundo de destruir a Igreja Católica, porque ela é a única testemunha verdadeira do sobrenatural.
Talvez essas duas peculiaridades que caracterizam o Anticristo em sentido profético devam ser colocadas juntas: hoje testemunhamos a intolerância a Cristo que foi, por assim dizer, “degradado” pela negação de Sua divindade e de Sua unidade. Ele é apresentado apenas como homem – ainda que um dos maiores que já existiram. Ao mesmo tempo, o inimigo a ser destruído hoje, admitamo-lo, é a Igreja Católica.
Gostaria também de realçar outro contraste entre Soloviev e Benson. Ambos escritores vêem o Anticristo como um leigo, um político, na verdade um homem de poder. É interessante, contudo, notar que enquanto Benson situa o Anticristo no fim do mundo e cuja suprema manifestação coincidirá com a vinda de Cristo no fim da história, Soloviev vê a chegada do Anticristo no final de um período histórico, após o qual segue-se um período de iluminação, no qual Cristo habitará e viverá entre os homens por um milhar de anos. Parece que ambos escritores inspiraram-se em tradições diferentes. Uma delas situa o Anticristo no fim do mundo, enquanto a outra aguarda um período de paz e intimidade com Deus (o reinado dos mil anos) para os que sofreram a última provação na época do aparecimento do Anticristo.
A visão de Benson baseia-se na Segunda Epístola de São Paulo aos Tessalonicenses e na correta interpretação do Apocalipse de São João segundo as quais o aparecimento do Anticristo coincide com o Juízo Final e com o fim da história humana. Essa tradição não vê nenhum reinado de mil anos. Naturalmente, é uma questão aberta à exegese descobrir se João e Paulo pretendiam colocar o aparecimento do Anticristo no fim do mundo. Virá o Anticristo no fim do mundo? João e Paulo parecem responder afirmativamente.
A visão de Soloviev baseia-se no capítulo vinte do Apocalipse de São João, o qual, tomado literalmente, presta-se à interpretação de que ao aparecimento do Anticristo seguir-se-á um reinado de mil anos. Tal interpretação tem sido constantemente repudiada pela Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 676).
Considero Benson um escritor mais complexo que Soloviev. Seu romance é mais completo e, de certo modo, mais moderno. Enquanto o principal protagonista na obra de Soloviev é o Anticristo em pessoa, em Benson é a oposição entre duas realidades: uma, maior e mais populosa, consistindo da humanidade ou dos que Benson chama de “os humanitários” que afirmam nada existir superior ao homem e que consideram o homem como Deus. A menor parcela da humanidade consiste de “supernaturalistas” e é identificada com um pequeno grupo de católicos que afirmam a existência de Deus distinto do homem e a divindade de Cristo. De acordo com Benson, todas as religiões, à exceção do Catolicismo, serão absorvidas pelo humanitarismo. Assim, esta importante diferença deve ser considerada: em Soloviev a figura do Anticristo é preponderante, enquanto em Benson tal preponderância é representada pelo “espírito do mundo” e o Anticristo é meramente sua “epifania”. O espírito do mundo, que é, praticamente, um mundo que perdeu a fé e deifica o homem, está determinado a erradicar o Cristianismo ao destruir todos os católicos e ao obrigar a humanidade a professar a crença no ateísmo absoluto – que projeto tremendo! Aqui, prezados amigos, não estamos falando de meras fábulas, mas de algo que espreita na consciência do nosso tempo.”
(Pe. Livio Fanzaga, Wrath of God)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O espírito do Anticristo


"Importa muito notar e considerar atentamente que com a descristianização das sociedades e nações os conhecimentos e a sabedoria que Cristo nos proporcionou deixam de ser usados segundo o Seu Espírito, o Espírito de Deus, para serem utilizados de um modo anti-messiânico, satânico. É o espírito do anticristo. O que nos foi dado e nós fomos conquistando, no sentido de cooperação, não se exprime agora em obras de amor e de vida mas sim de aversão e de morte. O que era usado para conceder a saúde (saúde significa salvação), para salvar, é agora utilizado para matar, aniquilar, esmagar. E, por isso, os sistemas de saúde (de salvação) têm vindo a ser transformados em campos de extermínio – através da experimentação em seres humanos na sua etapa embrionária, da clonagem dita “terapêutica, da “redução fetal”, do aborto químico, mecânico e cirúrgico, do suicídio assistido, da eutanásia e o que mais se verá.”
(Pe. Nuno Serras Pereira, A Irrupção do Logos e o Anticristo)