Mostrando postagens com marcador Igualitarismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Igualitarismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de julho de 2024

As tarântulas


"Olha: esta é a toca da tarântula! Queres vê-la a ela mesma? Está aqui a sua teia; toca-lhe para a veres tremer. Olha: eis ela aqui, sem se fazer rogar. Bem-vinda tarântula! No teu escuro lombo negreja a característica marca triangular, e eu também sei o que há na tua alma. Em tua alma aninha-se a vingança; onde quer que fiques, forma-se uma crosta negra. A vingança levanta na tua alma torvelinhos de vingança. Assim vos falo em parábola a vós que levantais torvelinhos na alma, pregadores da igualdade! Vós outros sois, para mim, tarântulas sedentas de secretas vinganças. Eu, porém, acabarei de revelar os vossos esconderijos, por isso me rio na vossa cara com o meu riso das alturas! Por isso despedaço a vossa teia, para que a cólera vos faça sair do vosso antro de mentira e para que a vossa vingança apareça por detrás das vossas palavras de "justiça". Seja o homem salvo da vingança; é esta para mim a ponte da esperança superior, e um arco-íris anuncia grandes tormentas. As tarântulas, todavia, compreendem doutra forma. "Justamente quando as tempestades da nossa vingança enchem o mundo, é quando nós dizemos que haja justiça." Assim falam elas entre si. "Queremos exercer nossa vingança e lançar nossos ultrajes sobre todos os que não são semelhantes a nós outras." Isso juram a si mesmas as tarântulas. E acrescentam: "Vontade de igualdade, isto será daqui por diante o nome da virtude, e queremos erguer o grito contra tudo o que é poderoso!" Sacerdotes da igualdade: a tirânica loucura da vossa impotência reclama em brados a "igualdade," por detrás das palavras de virtudes esconde-se a vossa mais secreta concupiscência de tiranos! Vaidade acre, inveja contida - talvez a vaidade e a inveja de nossos pais - de vós saem essas chamas e essas loucuras de vingança. O que o pai calou, fala o filho, e muitas vezes vi revelado no filho o segredo do pai. Parecem-se com os extáticos; não é, porém, o coração que os extasia, mas a vingança. E se tornam frios e sutis, não é por agudeza, mas por inveja.
Também levam os zelos à senda dos pensadores; é este o sinal da sua emulação; sempre vão tão longe, tão longe, que afinal o seu cansaço tem sempre que adormecer até o meio da neve. Todos os seus lamentos têm acentos de vingança. Todos os seus elogios ocultam malefícios, e para eles serem juízes é a suprema felicidade. Eis aqui, todavia, o conselho que vos dou, meus amigos: desconfiai de todos os que sentem poderosamente o instinto de castigar! São pessoas de má raça e de má casta; por eles assomam o policial e o verdugo. Desconfiai de todos os que falam muito da sua justiça! Não é só mel o que falta às suas almas. E caso chamem a si mesmos "os bons e os justos" não esqueçais que, agora, para serem fariseus só lhes falta... o poder.”
(Friedrich Nietzsche, Also Sprach Zarathustra)

domingo, 28 de março de 2021

Igualitarismo, imoralidade, injustiça e impiedade

“No centenário da Revolução Comunista Russa e das Aparições de Nossa Senhora de Fátima, desejaria registrar a publicação de duas obras muito boas que contribuem notavelmente para a compreensão do erro do igualitarismo, um dos erros espalhados pela Rússia comunista, conforme profetizou Nossa Senhora.
Com efeito, o igualitarismo representa um atentado, que diria de inspiração satânica, contra a obra da criação. Deus estabeleceu uma ordem hierárquica no reino da criação. No reino mineral há minerais mais preciosos ou nobres e outros mais vis; igualmente no reino vegetal onde se vêem, por exemplo, árvores mais nobres como o carvalho e o cedro e outras mais baixas. Assim também no reino animal. Nenhum criador de cavalo da raça manga-larga diria que um cavalo desta raça substitui perfeitamente a outro da mesma raça e muito menos pode ser substituído por um pangaré. Nenhum chefe de família, nenhum pai, dirá que um filho seu substitui a outro ou que sua mulher amada pode ser substituída por outra. Cada um é único e insubstituível com suas qualidades e defeitos próprios.
O que quero dizer é que igualdade plena só pode haver entre os artefatos humanos produzidos em série: um parafuso pode ser igual a outro e ser substituído por outro, uma fechadura pode ser trocada por outra igual que venha a ocupar o seu lugar e desempenhar perfeitamente sua função. Mas nas criaturas de Deus não há jamais igualdade.
O igualitarismo denunciado pelas obras que passarei a resenhar em seguida tem consequências perniciosas, produzindo um caos em todas as instituições sociais a partir da família, comprometendo o progresso cultural e sócio-econômico de toda uma civilização, na medida em que impede o desenvolvimento das qualidades e aptidões humanas que se encontram distribuídas pelo Criador de forma escalonada e harmoniosa, de maneira que cada criatura concorra para o bem comum. É por isto que Santo Agostinho diz Ubi enim nulla est invidentia, concors est differentia (Onde não há inveja a diferença gera a concórdia). E como não há sociedade sem autoridade, o igualitarismo, se não destrói a autoridade, ao menos lhe diminui o prestígio, o que a impede de coordenar as atividades e esforços de todos os membros da sociedade em prol do bem comum.
Uma das boas contribuições para entender os malefícios do igualitarismo no centenário da Revolução Comunista (que prometeu o paraíso da igualdade na terra e instaurou o pior regime de escravidão que jamais houve na história do mundo) é o livro Utopia igualitária – Aviltamento da dignidade humana, do Eng. Adolpho Lindenberg, publicado pela editora Ambientes e Costumes.
De leitura amena e rica de informações e conceitos, a referida obra trata do problema do igualitarismo em uma perspectiva, diria, histórico-sociológica, tantos são os exemplos tirados da história e do dia-a-dia. Recordando inicialmente a igualdade essencial entre os homens decorrente da mesma natureza humana, o autor em seguida desenvolve uma boa explicação das razões pelas quais as desigualdades acidentais são justas e benfazejas. O autor refuta um erro muito comum em nossos dias, segundo o qual a proximidade física entre ricos e pobres é fator de desunião e conflito. O Eng. Adolpho Lindenberg mostra que, pelo contrário, tal proximidade, quando bem concebida, promove a cooperação. E a título de ilustração recordo um fato da vida do grande pintor brasileiro Batista da Costa. Quando era menino pobre, retratava paisagens nos carreadores das fazendas no interior Estado do Rio de Janeiro. Um belo dia um fazendeiro passeando a cavalo encontrou o menino, reconheceu-lhe o talento e a partir de então tornou-se seu benfeitor. Depois que se tornou um artista afamado, Batista da Costa expressava ao benfeitor sua gratidão, presenteando-o com suas belas obras. É um exemplo de uma mentalidade nobre anti-igualitária que vê sempre no superior um benfeitor.
O autor se reporta também a grandes historiadores franceses que estudaram a fundo o Antigo Regime e mostraram como as desigualdades acidentais entre os homens, quando vividas em uma sociedade realmente cristã, não ferem mas sempre concorrem para o bem e aperfeiçoamento de toda a sociedade. O autor analisa como o igualitarismo moderno está destruindo a noção do respeito e da reverência devidos aos mais velhos e aos mestres que se sacrificaram pelas novas gerações. Explica também que defender a autoridade em nome da desigualdade entre os homens não significa defender um regime centralizado, autoritário e muito menos ainda totalitário. Para tanto, o autor explana muito bem o conceito de sociedade orgânica, traçando um paralelo entre a monarquia orgânica medieval e o regime absolutista centralizador. Na minha modesta opinião, poderia ter acrescentado que tal tendência à centralização só fez crescer após a Revolução Francesa como observa Alexis de Tocqueville em O Antigo Regime e a Revolução. Quem sabe, em uma desejável segunda edição, se acrescente esta observação além de uma revisão de alguns lapsos de digitação.
Vale assinalar que o Eng. Adolpho Lindenberg faz ver uma arguta relação de causa e efeito entre o igualitarismo e o ateísmo contemporâneo citando um teórico marxista francês. Com efeito, o igualitarismo, o sufrágio universal, o republicanismo revolucionário, a meu ver, sempre impediram que o homem visse a bondade de Deus no mistério da Encarnação do Verbo. Como um igualitarista poderá reconhecer o aniquilamento de um Deus que se faz homem? Achará que o Verbo Encarnado e ele são iguais.
Por fim, cumpre dizer que são saborosas as recordações do autor com relação a algumas personalidades marcantes que foram exemplos de autoridade moral depois de uma vida de servidos prestados à nação. O autor refere-se ao prestígio do Presidente Wenceslau Brás, à gratidão de toda uma cidade de que gozava a Professora Mimi (que golpeou com sua sombrinha um milico bajulador do Getúlio Vargas) e o respeito de que era cercado o Presidente Washington Luís Pereira de Sousa. deposto em 1930. De fato, as pessoas mais velhas testemunham como o melhor da sociedade paulistana acorreu ao Pacaembu em 1946 para saudá-lo quando o estadista retornou do exílio.
A outra obra que me parece recomendável para compreender o problema do igualitarismo é Le dérèglement moral de l’Occident, de Philippe Bénéton. Infelizmente, até o momento, conheço-a apenas por meio de uma entrevista concedida pelo autor à revista Valeurs Actuelles. Em uma perspectiva filosófica o autor disseca o igualitarismo, dizendo que a igualdade moderna é vazia de substância: “O outro é meu igual, não porque tenhamos em comum algo de substancial que nos distingue como seres humanos, mas porque nós não temos nada em comum senão a liberdade de não ter nada em comum. Os indivíduos são iguais porque eles são livres de ser diferentes e as diferenças não fazem a diferença (…) A orientação geral é clara: trata-se de despojar a natureza para guarnecer o cesto da vontade. Todos somos senhores. Nenhuma ordem criada, nenhuma natureza das coisas que fixe uma hierarquia nas maneiras de viver, nenhuma diferença de natureza que seja uma diferença significativa.”
Na mesma entrevista Philippe Bénéton mostra o absurdo da nova ideologia dos direitos humanos: “Os direitos do homem tornaram-se essencialmente os direitos do indivíduo e esses direitos individuais multiplicaram-se. Não há, no fundo, senão duas categorias legítimas: o indivíduo e a humanidade. Desaparecem então os direitos do cidadão, os direitos da nação e os dos corpos intermediários (em particular os da família), entrementes a lista dos direitos não cessou e não cessa de crescer: direito ao aborto, à criança, à igualdade de gêneros, às diversas 'orientações sexuais'.”
Desenvolvendo sua reflexão, Bénéton diz que o que mudou é o fundamento dos direitos: “Todos esses direitos novos podem basicamente ser agrupados em duas categorias: o direito à autonomia pessoal, o direito a não discriminação. Os princípios que os justificam são as novas versões da liberdade e da igualdade. Em consequência, os novos direitos estão no fundamento de uma nova moral que se substituiu por completo à moral tradicional. A moral das virtudes cede lugar à moral dos que podem tudo (la morale des ayants droit). Sirvam de exemplo as coisas da carne (empregando uma linguagem dos tempos obscuros): a falta não está mais na impureza, ela se encerra, confunde-se doravante com a violação dos direitos do outro. A libertinagem é uma excelente coisa contanto que nenhuma suspeita de desigualdade lance uma sombra sinistra sobre os entretenimentos que se deseja sejam os mais livres possível.”
E conclui Bénéton: “A consciência moral tende, pois, a confundir-se com a consciência jurídica. O permitido e o proibido delimitam o bem e o mal. O direito dos direitos do homem tornou-se nossa nova bússola. Por outro lado, ele é hoje um direito metapolítico que se impõe aos cidadãos sem que os cidadãos possam dizer sua palavra. Os juízes (na Europa, os juízes da Corte europeia dos direitos do homem) desempenham um papel chave em consonância com as minorias ativas. O pequeno número decide pelo grande número.”
Como se vê pela análise do filósofo Philippe Bénéton, o igualitarismo é um dos pilares da democracia totalitária moderna. Esta, baseada no igualitarismo, no individualismo e no relativismo, vem destruindo a sociedade orgânica tradicional. A família tradicional, instituída conforme o direito natural e divino pela união de um homem e de uma mulher para a propagação da espécie, está sacrificada nas aras dos direitos e garantias individuais. Não pode mais haver homens membros de uma família com história e glória próprias. Só pode haver indivíduos. Não pode haver mais cidadãos de uma república e muito menos ainda súditos de um reino. Só pode haver indivíduos representantes da humanidade, membros de uma república maçônica universal. É esta ideologia dos direitos humanos que está destruindo a Europa com a invasão de muçulmanos que conta com as bênçãos de Francisco I. É esta ideologia, tão bem denunciada por Philippe Bénéton, que influenciou o Vaticano II (Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa e Gaudium et spes sobre a Igreja e o mundo contemporâneo) que está originando uma nova religião do igualitarismo que não reconhece mais a diferença entre o Criador e a criatura, não dá mais glória à Majestade Divina e zomba do Onipotente. Mas de Deus não se zomba.
A primeira parte das profecias de Fátima já se cumpriu (A Rússia espalhará seus erros pelo mundo). Aguardemos com fé e esperança o cumprimento da segunda parte: Por fim, meu Imaculado Coração triunfará.”

http://santamariadasvitorias.org

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Não percamos a oportunidade


"Parece que, infelizmente, há muitos brasileiros, sobretudo entre os católicos, que ainda não se deram conta do momento favorável que vivemos no Brasil hoje. Quando digo momento favorável, não me refiro apenas à esperança bem fundada de que a nossa economia melhore a partir do próximo ano graças às reformas que a nova equipe econômica deve realizar, mas ao clima espiritual que se introduziu na sociedade brasileira e vem se consolidando após a vitória do Bolsonaro. Esse clima espiritual representa, com efeito, um vasto campo para um trabalho de apostolado e de formação doutrinária para debelar de vez, do seio da nossa sociedade, o veneno da mentalidade revolucionária.
A meu ver, chegou a hora de esclarecer uma grande parcela da opinião pública, que nas últimas eleições manifestou não só um descontentamento com a malversação do dinheiro público e o descalabro econômico da era petista mas também uma simpatia pelo discurso conservador sobre os valores morais da religião, da família e da pátria, um apreço por toda a tradição; chegou a hora de esclarecê-la sobre o grande embuste da democracia moderna com tudo que esta tem de ruim: o igualitarismo, a libertinagem, o sufrágio universal, o individualismo, a soberania popular etc.
Chegou a hora dizer claramente que a democracia é o vestíbulo do inferno e os profissionais da grande mídia são quase todos diabos diplomados, conforme aquela figura do velho diabo criada por C. S. Lewis em sua obra As cartas do coisa ruim. Imagina Lewis um velho diabo, bem astuto, paraninfando uma turma de novos diabos, concluintes do curso de tentador, prestes a partir pelo mundo afora para enredar os homens. E diz o velho diabo em seu discurso: “Democracia é a palavra com a qual segurais os homens pelo nariz. O bom serviço, já realizado pelos nossos peritos filólogos na corrupção da linguagem humana, torna desnecessário advertir que jamais deveis ajudar a criatura humana a obter dessa palavra um significado claro e definitivo.”
Por essa alegoria de Lewis vê-se claramente que a democracia moderna é o reino da mentira, o regime do Pai da Mentira, e os jornalistas que a vivem exaltando como o único regime compatível com a dignidade humana na verdade são diabos diplomados pelo velho Diabo e estão a seu serviço para infelicidade dos homens.
Todo o discurso em defesa da democracia, a pretexto de combater regimes totalitários desumanos, na realidade só tem promovido a difusão do erro, como a corrupção dos costumes, o desprestígio da autoridade e o igualitarismo, a tal ponto que hoje desapareceu o respeito devido à autoridade paterna. Hoje em dia os pais mão conseguem mais impor aos seus filhos a disciplina necessária para a vida doméstica e um professor não pode sequer corrigir um erro gramatical cometido por seu aluno porque não se admite mais que a linguagem do professor seja mais escorreita que a do seu aluno. Não se aceita nenhuma forma de superioridade. Cria-se uma mentalidade de ignorância orgulhosa e invejosa. E tudo isto decorre, é claro, do sufrágio universal igualitário. Eu mesmo tive uma vez uma oportunidade de ouvir um soberbo ignorante expressar sua satisfação invejosa porque tanto os ricos quanto os pobres, tanto os inteligentes quanto os burros, na hora da morte e na hora do voto valem a mesma coisa! Quer dizer, o imbecil não temia o juízo de Deus e muito menos tinha consciência do que significa concorrer para os destinos da nação por meio de um voto.
Mas graças a Deus parece que a parte ainda sã da sociedade brasileira está despertando e reagindo. Aqueles que viviam numa letargia foram obrigados a acordar para a realidade nas últimas eleições. Observou-se que muitas famílias que só estavam apreensivas com a crise econômica e com a corrupção tomaram consciência de que o problema do Brasil é de outra ordem, é um confronto com os inimigos de toda a tradição cristã das nossas raízes históricas.
Essa tomada de consciência de que há um confronto com os inimigos da ordem social cristã tradicional está apenas começando. E são pessoas das mais diversas condições sociais que se aproximam de nós, ávidas por ouvir e aprender a verdade, ávidas por redescobrir uma grande tradição espiritual. Para ilustrar a realidade que vivemos hoje no Brasil, vale a pena compará-la com dois momentos históricos do século passado.
Em princípio do século passado havia na França uma juventude já um tanto farta do discurso positivista e cientificista, avesso a qualquer metafísica e hostil às virtudes militares. Raïssa Maritain retrata admiravelmente bem esse ambiente cultural em Grandes amizades. Muitos daqueles jovens franceses se interessaram pela filosofia de Bergson, que, a despeito de suas deficiências, já representava uma abertura para a metafísica, e começaram a querer servir a França no Exército. Foi quando, por assim dizer, redescobriram a grandeza espiritual da França católica. Um desses jovens, Ernest Psichari, neto do célebre escritor Renan, foi servir a França na Mauritânia. O contato com místicos muçulmanos, a consciência moral de que ele tinha de agir com toda a justiça naquela terra miserável de infiéis, foi o meio de que se serviu a Providência para ajudá-lo a voltar para a fé católica, para voltar a amar a verdadeira França, a França de São Luís, a França de Santa Joana d’Arc, a França que qualquer homem educado ama.
Outro momento histórico significativo ocorreu há quase quarenta anos atrás, durante a guerra do Afeganistão; houve então algo semelhante à presença do exército francês na Mauritânia. Os soldados russos, confrontados com um povo que vivia até recentemente sob um regime monárquico quase feudal, um povo profundamente apegado a sua fé e identidade nacional, redescobriram suas próprias tradições e valores religiosos espezinhados pelo comunismo. Há quem diga que isto contribuiu muito para o fim da União Soviética. Que esta não teria ruído apenas em consequência da política armamentista de Ronald Reagan.
Como se vê, parece que a polarização da sociedade brasileira, a radicalização política provocada pelas últimas eleições, poderão ter um efeito benéfico. Mas dependerá do nosso trabalho de esclarecimento, de combate doutrinário, a produção de frutos duradouros. Na França, infelizmente, o momento oportuno vivido no começo do século passado não produziu frutos mais duradouros porque houve a estúpida condenação da Ação Francesa e não se aproveitou a instabilidade política gerada pela crise econômica de 1929 para dar um golpe de estado e derrubar a república como pretendia Charles Maurras.
Não percamos, pois, a oportunidade que a Providência nos oferece para trabalharmos para instaurar um regime de ordem. Para instaurar todas as coisas em Cristo na Terra da Santa Cruz."

http://santamariadasvitorias.org