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sábado, 3 de dezembro de 2016

Cinco "dubia"


“Em um escândalo de gravidade sem precedentes mesmo no reinado escandaloso do Papa Francisco como Papa Católico desde 2013, quando foi desafiado por quatro honrados Cardeais em sua aparente negação da própria base do ensino da Igreja sobre a moral, ele acaba de dar respostas em público que praticamente afirmam a liberdade do homem em relação à lei moral do Deus Todo-Poderoso. Com essa afirmação papal da religião Conciliar do homem em oposição à religião católica de Deus, um cisma na Igreja Universal é iminente. Durante meio século desde o Vaticano II, os papas conciliares conseguiram manter-se, de certa forma, como chefes de duas religiões opostas, mas essa contradição não poderia durar indefinidamente e logo deveria resultar em uma divisão.
Em 2014 e 2015 Francisco realizou Sínodos em Roma para consultar os bispos do mundo sobre questões relativas à família humana. Em 19 de março deste ano ele publicou sua Exortação Apostólica pós-sinodal sobre “Amor na Família”, cujo oitavo de nove capítulos suscitou controvérsias desde o começo. Em 15 de setembro quatro Cardeais em particular enviaram ao Papa uma carta privada e perfeitamente respeitosa na qual pediram a ele, como Sumo Pontífice, que esclarecesse cinco “dubia” ou pontos duvidosos de doutrina deixados pouco claros na Exortação. Aqui está a essência dos cinco pontos:
1. Da Exortação nº 305, uma pessoa casada vivendo como marido e mulher com uma pessoa que não seja seu cônjuge legítimo a partir de agora pode receber a Absolvição e a Comunhão sacramentais enquanto eles continuam a viver em seu estado semimatrimonial?
2. Da nº 304, alguém precisa acreditar que existam ainda normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus, e que são sem exceção obrigatórias?
3. Da nº 301, alguém pode, ainda, dizer que uma pessoa vivendo em violação aos mandamentos de Deus, por exemplo, em adultério, está em uma situação objetiva de pecado habitual grave?
4. Da nº 302, alguém pode, ainda, dizer que as circunstâncias ou intenções em torno de um ato intrinsecamente mau em si mesmo nunca podem mudá-lo para que seja subjetivamente bom, ou aceitável como uma escolha?
5. Da nº 303, ainda, devemos excluir qualquer papel criador da consciência, e então esta consciência nunca poderá autorizar exceções às normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus por seu objeto?
Para estas cinco questões de sim-ou-não a resposta da Igreja Católica de Seu Divino Senhor em diante sempre foi clara e nunca mudou: a Comunhão não pode ser dada aos adúlteros; há normas morais absolutas; tal “pecado habitual grave” existe; as boas intenções não podem tornar atos maus em bons; a consciência não pode fazer com que atos maus sejam legítimos. Em outras palavras, para as cinco perguntas de sim ou não, preto ou branco, a resposta da Igreja sempre foi: 1. Não, 2. Sim, 3. Sim, 4. Sim, 5. Sim.
Em 16 de novembro, há apenas dez dias, os quatro Cardeais escreveram sua carta pública (cf. Mt. XVIII, 15-17). Em 18 de novembro, em uma entrevista concedida ao periódico italiano Avvenire, o Papa Francisco respondeu o exato oposto das questões sim-ou-não: 1. Sim, 2. Não, 3. Não, 4. Não, 5. Não. (Ele afirmou que cada vez que “tais coisas não sejam pretas ou brancas, somos chamados a discernir”, mas estava meramente tentando confundir as questões imutáveis de princípio com questões instáveis de aplicação de princípios que vêm após as questões de princípio).
Todo crédito aos quatro Cardeais por obterem luz e verdade para muitas ovelhas confusas que desejam entrar no Paraíso: Brandmüller, Burke, Caffara e Meisner. Eles podem estar imersos no Novus Ordo, mas obviamente não perderam toda a coragem ou senso de seu dever. Não se pode questionar que eles tenham agido de outra forma que não com o melhor dos motivos para pressionar o Papa a fazer-se a si mesmo mais claro. E onde essa clareza deixa a Igreja? Deve ser à beira do cisma.”
(Mons. Richard Williamson, Five “Dubia”)

http://borboletasaoluar.blogspot.com.br

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O Putsch da misericórdia

"Bergoglio foi levado ao balcão das bênçãos pelos que pensavam que havia chegado o momento de afundar finalmente a barca de Pedro. Para o povo de Deus bastou que lhe atirassem sem custo algum os amendoins da demagogia, aquela demagogia que depois do sessenta e oito comoveu as classes média e alta seduzidas pelo pobre fingido. O amor masoquista dos sacerdotes conciliares aos inimigos oficiais da Igreja de Cristo devia ser finalmente correspondido. Assim, cada maitresse à penser de Reppublica e arredores podia gritar ao mundo que a Igreja morreu e depois viva a nova Igreja!, por definição outra em relação à anterior: exilado um Papa, cria-se uma nova Igreja.
Mas em que consiste a nova Igreja, já não mais católica romana? É a que deve conquistar a primazia superando inclusive o protestantismo para pôr-se ao serviço e a reboque do século. Precisamente ao serviço da onda que está arrasando uma civilização junto com sua religião, depois da aniquilação da filosofia e da estética. Só a moral havia sobrevivido por algum tempo à filosofia e à estética por estar ligada ao espírito de sobrevivência da sociedade e dos indivíduos. A Igreja oficial com seu Magistério tratava de manter com vida a moral cristã, por muito debilitada que esta estivesse. Bento XVI advertiu: se se abandonam os princípios e se substituem pela liberdade do nada e de seu horror, não se salvará ninguém. Havia lançado o último alarme antes que se deflagrasse a guerra. Os princípios foram suprimidos, substituídos pela liberdade do nada, para o nada e para seu horror.
O sínodo da família foi estabelecido por Bergoglio como assembléia constituinte com a tarefa de decretar o fim da Igreja católica, com o repúdio de seu ensinamento a partir da moral da família. O programa desta morte anunciada está todo detalhado no parágrafo 9 da Relatio final do sínodo de 2014, que passou a ser a base para o sínodo definitivo de outubro próximo. Merece uma leitura cuidadosa. Lemos que se deve ter em conta principalmente isto: "... os indivíduos têm uma maior necessidade de cuidarem de si mesmos,... de se conhecerem interiormente, de viverem mais em sintonia com suas próprias emoções e seus sentimentos, de buscarem relações emocionais de qualidade", pelas quais "esta legítima aspiração pode estimular o desejo de comprometerem-se na construção de relações de doação e reciprocidade criativas, responsáveis e solidárias como as familiares", "... o desafio para a Igreja é o de ajudar os casais no amadurecimento da dimensão emocional e no desenvolvimento afetivo..."; e mais adiante, no parágrafo 10 – que em homenagem às bandeiras mencionará pelo menos o amor conjugal – se expressa a queixa de que "muitos tendem a permanecer nos estágios primários da vida emocional e sexual".
O alcance desta passagem representa provavelmente o verdadeiro manifesto da nova igreja de Bergoglio, que não tem mais nada que ver com a teologia e a moral católica. É o verdadeiro manifesto de uma revolução que deve ser proclamada oficialmente. Aquela que suprime a alma e consagra ao ídolo da matéria.
Quando Jesus se encontra com a mulher adúltera, não lhe pergunta qual foi o "caminho" psicológico que a conduziu à traição de seu marido, quais foram as pulsões e as emoções pelas quais se deixou levar. Não faz indagações psicológicas, mas diz-lhe simplesmente: "vai-te e não peques mais". Ordena-lhe recorrer à vontade e orientá-la pelos caminhos do bem. Fala do pecado que supõe a transgressão do mandamento divino. Fala ao espírito da mulher porque o homem, feito à imagem e semelhança de Deus, tem a capacidade de reconhecer o bem e é suscetível a persegui-lo: tem a sabedoria dada por Deus e a vontade para fazê-la frutífera. A transgressão ocorre quando o homem, por soberba, pensa alcançar uma sabedoria superior à que lhe foi dada e ordenar sua própria vontade numa direção oposta à desejada por Deus Criador e revelada por Jesus à consciência do homem individual.
Assim à Igreja foi dada a tarefa de perpetuar a paidéia cristã voltada à salvação da alma através da busca do bem que conduz à virtude e à felicidade duradoura, a despeito das tentações e da tirania da matéria. A Igreja a isto se dedicou durante séculos, apesar das insuficiências e das quedas de seus homens.
Mas eis que na visão do programa sinodal não há nada de tudo isto. Não há nenhuma indicação do bem a realizar e do mal que se deve evitar, da direção que se deve dar à vontade. Não consta a preocupação pela salvação das almas, mas pelo bem-estar dos corpos e das mentes. Não há um apelo à razão humana conformada ao logos divino revelado por Cristo, mas sim a atenção obsequiosa ao irracional que, abandonado a si mesmo, torna-se a anti-razão capaz de iluminar monstros. A Igreja teria que ensinar aquilo que os discípulos já sabem fazer muito bem por si mesmos: secundar impulsos, buscar emoções, trocar o bem pelo bem-estar, deixar de lado a razão e dar lugar precisamente ao irracional, como sugerem os sofistas anteriores a Sócrates e como prega o relativismo moderno. Por outra parte, inclusive fora de um ponto de vista religioso, dever-se-ia recordar com Jaspers que "rebelando-nos contra a razão, eludimos o elemento dialético de reflexão e tornamo-nos bárbaros no sentido grego da palavra, quer dizer, homens que falam uma linguagem sem sentido. Para este tipo de irracionalidade valem as palavras de Mefistófeles: 'despreza saber e razão, faculdades supremas do homem, deixa que o espírito de mentira te enrede cada vez mais em obras de falsidade e de feitiço, e eu já te terei em minhas mãos'".
Certamente a barbárie pós-moderna não precisava de estímulos "pastorais". Para ela trabalham o tempo todo movimentos homossexuais, pornografia e blasfêmia, Marco Pannella e Bill Gates, Elton John e a OMS, o abortismo de qualquer cor, a cultura da morte. Os frutos mais recentes são aqueles inomináveis daquele tipo genial que através da inseminação artificial pôde produzir a gravidez de sua mãe. Sem ter todavia o impulso – o que seria benéfico para ambos – de cegar-se com suas próprias mãos como o inculpável Édipo. E no entanto, e apesar de tudo isto, segundo a visão do mundo propagada por Bergoglio e outros marcianos (no sentido de "aquartelados em Santa Marta"), a Igreja não deve ensinar o que é objetivamente bom, os comportamentos não devem estar orientados ao que é bom para todos e que poderia ser irradiado por todos, mas devem voltar-se à satisfação de todas as forças que correspondem à subjetividade irracional do homem, ao mundo das pulsões e das emoções, a única lente com a qual ler a realidade para adaptá-la às próprias particulares exigências. É evidente que neste ambiente não há lugar para nenhuma outra norma que guie as ações humanas e ofereça inclusive um critério objetivo de juízo.
Por outra parte a massa festiva, faminta dos amendoins demagógicos, parece também totalmente inconsciente do que está acontecendo e incapaz de prever o que se vai passar, entre o ruído da mídia e as vozes persuasivas daqueles sacerdotes que se sentem também felizmente liberados.
Mas alguns na Igreja, assim como entre os fiéis, perceberam a traição ao Evangelho e a sua Igreja milenar, e não querem ser partícipes. Alguns não temem falar alto e claro. São homens que não se deixam intimidar pelas prepotências patronais nem pela indolência de seus irmãos, e muito menos pela propaganda de regime clérigo-comunista. Assim, o resultado do sínodo poderia ser tido como menos certo do que se tentou arranjar. Eis aqui, então, o golpe. Eis aqui a idéia formidável de outorgar veste sacra ao programa político revolucionário. Basta colocá-lo na forma solene do jubileu. Aquele que ocultará, inclusive aos desconcertados e aos ignorantes ou confundidos, a subversão da missão da Igreja sob uma carga de pathos religioso. A misericórdia de Bergoglio, a anistia geral com cancelamento retroativo do pecado, tem que ter uma veste teológica e sacra capaz de aniquilar qualquer resistência.
Para as religiões primitivas a exaltação mística representava também a sublimação do irracional e da carnalidade. O jubileu da misericórdia de Bergoglio aponta para a sublimação dos novos ritos da modernidade assumidos como ritos da nova Igreja do terceiro milênio, ecumênica, atéia e popular, e produzirá pela força mesma das coisas sua consagração definitiva. Um Vangi qualquer poderá forjar à sua maneira a estátua da nova misericórdia para colocar no lugar do São Pedro que abençoa.
A monarquia papal já foi substituída, em meio à indiferença geral, pela ditadura papal. Uma vez dissolvida a assembléia constituinte, se verá. Bergoglio diz ter pouco tempo. Mas não porque, como alguns pensam, já esteja avançado em anos. Pensa ter pouco tempo porque a revolução, para ser eficaz, deve jogar com o fator surpresa e talvez, no intento de domesticar os fiéis e de acostumá-los a tudo, se tenha abusado um pouco das surpresas, e até a náusea. Há pouco tempo porque a resistência, já preparada para o pior, quiçá se esteja organizando, e os frutos da nouvelle vague vaticana começam a parecer demasiado onerosos até para os simpatizantes de primeira hora.
Se as resistências forem rapidamente neutralizadas, depois com a misericórdia que tudo libera, que abre as portas da moral cristã à criatividade do século, todos se sentirão ébrios e liberados. Poder-se-á inclusive derrubar a basílica vaticana como se fez com a Bastilha, embora faça já tempo, ainda ali, que não haja quase ninguém para defendê-la. Enquanto isso, o Jubileu da Misericórdia se anuncia como a Declaração de Direitos de 89: dos que hoje se tornaram, sob renovados despojos, a carta de suicídio de uma civilização."
(Patrizia Fermani, Il Putsch della Misericordia)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Uma vitória da seita modernista

“Com seus documentos, a revolução conciliar age através de duas frentes: uma para os “bonistas”, geralmente distraídos e intoxicados de “papolatria” e outra para os entendidos, os que sabem até onde se quer chegar, tomando-se o tempo necessário para permitir que a infecção alcance o nível da septicemia. Seu pretexto favorito é que se devem erradicar “as rigidezes e os farisaísmos”, sem se agarrar à “aridez” da lei. Os primeiros se conformam com as referências a documentos do V-II mais ou menos passáveis, refugiados em uma “hermenêutica da continuidade” cada vez mais insustentável. E quando tropeçam em um texto ambíguo – os há para todos os gostos – se conformam com os “esclarecimentos”. Ou com os “esclarecimentos dos esclarecimentos”.
Para os segundos, é “o espírito” e não a letra, o que os alenta a prosseguir sua tarefa demolidora, podendo-se dizer que nem sequer a “letra” tem muita vida. Em pouco tempo, “o espírito” passa por cima dela e a esmaga (Dignitatis humanae e Nostra aetate, por exemplo). Amoris laetitia é o último e bom exemplo das táticas de subversão conciliar. Por um lado, as afirmações ortodoxas servem de ópio para os “conservadores” - ou simplesmente broncos? - que estão sempre na defensiva, sem se animarem a ir a fundo contra os modernistas. E por outro lado, a porta se abre mais para que a heresia e o erro consolidem seus avanços. Baste por hoje citar um só parágrafo da tagarelice:
“305. Por isso, um pastor não pode se sentir satisfeito somente aplicando leis morais aos que vivem em situações “irregulares”, como se fossem pedras lançadas sobre a vida das pessoas. É o caso dos corações fechados, que costumam se esconder atrás dos ensinamentos da Igreja “para sentar-se na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas”. [349]. … Devido aos condicionamentos ou fatores atenuantes, é possível que, em meio a uma situação objetiva de pecado – que não seja subjetivamente culpável ou que não o seja de modo pleno – se possa viver na graça de Deus, se possa amar, e também se possa crescer na vida da graça e da caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja [351]. O discernimento deve ajudar a encontrar os possíveis caminhos de resposta a Deus e de crescimento em meio aos limites. Por crer que tudo é branco ou preto, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos caminhos de santificação que dão glória a Deus.
E também uma das notas:
“[351] Em certos casos, poderia ser também a ajuda dos sacramentos. Por isso, “recordo aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma sala de torturas nas o lugar da misericórdia do Senhor”: Exhort. ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 44: AAS 105 (2013), 1038. Igualmente destaco que a Eucaristia “não é um prêmio para os perfeitos mas um generoso remédio e um alimento para os débeis” (ibid, 47: 1039).”
Belloc em seu livro sobre a Reforma diz que levou meio século para que os católicos se inteirassem de que eram anglicanos. E 50 anos cumpridos tem o V-II, embora muitos católicos não se dêem conta de que se lhes quis inculcar outra fé.
Amoris laetitia é outro passo triunfal da seita modernista.
Monsenhor Marcel Lefebvre, ora pro nobis.”

http://catapulta.com.ar