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sábado, 14 de abril de 2018

"O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo"

“Há quem pense que de modo algum participa nos dons do Espírito Santo. Devido à sua negligência em levar à prática os mandamentos, essas pessoas não sabem que quem mantém inalterada a fé em Cristo reúne em si mesmo todos os dons divinos. É natural que quando, por inércia, nos encontramos longe do amor ativo que devíamos ter por Ele – esse amor que nos mostra os tesouros de Deus escondidos em nós –, pensemos que não estamos a participar nos dons divinos.
Se “Cristo habita pela fé nos nossos corações”, segundo o apóstolo Paulo (Ef 3, 17), e se nele “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Col 2, 3), todos esses tesouros da sabedoria e da ciência estão escondidos nos nossos corações. Mas revelam-se ao coração na medida da purificação de cada um, dessa purificação que os mandamentos suscitam. Tal é o tesouro escondido no campo do teu coração, que ainda não encontraste, devido à tua preguiça. Porque, se o tivesses encontrado, terias vendido tudo, para adquirir esse campo. Mas agora abandonaste o campo e procuras em seu redor, onde apenas existem espinhos e silvas. É por isso que o Salvador afirma: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8). Vê-Lo-ão e verão os tesouros que estão nele, quando se tiverem purificado, pelo amor e pela temperança. E vê-Lo-ão tanto mais, quanto mais se tiverem purificado.”
(São Máximo, o Confessor, Quarta Centúria sobre a Caridade)

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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Em todas as nossas ações é a intenção o que Deus busca

“Tem o mundo muitos pobres de espírito, mas de modo não-conveniente; e muitos que choram, mas por ter perdido as riquezas ou os filhos; e muitos mansos, mas para com as paixões impuras; e muitos que têm fome e sede, mas de roubar as coisas alheias e de ter ganhos da injustiça; e muitos compassivos, mas para com o corpo e as coisas do corpo; e puros de coração, mas por vanglória; e pacíficos, mas que submetem a alma à carne; e muitos perseguidos, mas porque são imorais; e muitos desprezados, mas por causa de pecados vergonhosos. Bem-aventurados, em contrapartida, são somente aqueles que fazem e sofrem tais coisas por Cristo e conforme a Cristo. Por quê? Porque deles é o reino dos céus, e porque eles verão a Deus etc. E, assim, são bem-aventurados não porque fazem ou sofrem tais coisas – também aqueles outros fazem [ou sofrem] tais coisas – mas porque as fazem e sofrem por Cristo e conforme a Cristo.
Em todas as nossas ações é a intenção o que Deus busca, como se disse muitas vezes, ou seja, se fazemos isto ou aquilo por Ele ou por qualquer outro motivo. Quando queremos realizar algo bom, tenhamos por fim não o desejo de agradar aos homens, mas o desejo de agradar a Deus, a fim de que, olhando sempre para Ele, façamos tudo por Ele, para que, conquanto suportemos a fadiga, não percamos a recompensa.”
(São Máximo, o Confessor, Terceira Centúria sobre a Caridade)

Tradução de Carlos Ancêde Nougué e Clarice Rodrigues

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O conhecimento sem paixão das coisas divinas

“O conhecimento sem paixão das coisas divinas não move a mente a desprezar totalmente as coisas materiais, senão que a faz assemelhar-se ao pensamento simples de uma coisa sensível. Por isso é possível encontrar muitos homens que têm muita ciência mas se revolvem como porcos na lama das paixões da carne. Após terem sido purificados pela sua diligência e ter obtido o conhecimento, e se tornarem, depois, negligentes, fizeram-se semelhantes a Saul, que foi considerado digno do reino mas, tendo governado indignamente, foi expulso dele com terrível ira.
Assim como o pensamento simples das coisas humanas não obriga a mente a desprezar as coisas divinas, assim tampouco o simples conhecimento das coisas divinas a persuade a desprezar totalmente as coisas humanas, estando por isso a verdade entre luz e sombra. E por isso há necessidade da bem-aventurada paixão da santa caridade, que liga a mente às contemplações espirituais e a persuade a preferir as coisas imateriais às materiais, e as coisas espirituais e divinas às sensíveis.”
(São Máximo, o Confessor, Terceira Centúria sobre a Caridade)

Tradução de Carlos Ancêde Nougué e Clarice Rodrigues