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domingo, 29 de agosto de 2010

Partícipes da natureza divina


“Mas se verdadeiramente nos tornamos partícipes da natureza divina e intimamente semelhantes a ela pelo fato de nossa sobrenatureza até ela se elevar, então fomos também levados ao âmbito de sua vida; então Deus imediatamente e em Sua própria natureza, como Ele é em Si mesmo, torna-se o objeto de nossa atividade. Então, iluminados por Sua luz, nós O conheceremos ao chegarmos à Sua presença; não mais estaremos limitados a vê-Lo no espelho da criação. Permeados pelo fogo de Deus e elevados a Seu parentesco, nós O abraçaremos diretamente com nosso amor; pois O amaremos como Deus que comunica Sua natureza a nós, não meramente como o Criador de nossa natureza. Nossa confiança será dirigida exclusivamente a Deus como Ele é em Seu próprio poder divino e transcendente a toda criação, pelo qual Ele nos leva em direção a um fim que nenhum poder criado pode atingir ou impedir, pelo qual Ele quer nos trazer à posse de Si em Sua divina glória; e assim repousaremos no coração de nosso Pai. Em suma, se nos tornamos partícipes da natureza divina, nossas vidas e nossa atividade devem ser especificamente semelhantes às de Deus. Nossa atividade deve, portanto, ter o mesmo objeto formal e específico que caracteriza a atividade divina. A essência divina deve ser o objeto e o motivo imediato e determinante da atividade sobrenatural em nossas vidas.”
(Matthias Scheeben, Natur und Gnade)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Matthias Scheeben e a natureza da justificação cristã


“O mistério do estado original leva-nos ao mistério do estado de graça característico do Cristianismo, mas por essa mesma razão a justificação cristã deve ser considerada nos termos de sua oposição, do mistério do pecado. Contudo, o pecado que a justificação cristã destina-se a destruir não pode ser considerado simplesmente segundo seu lado natural, como o desvio da ordem natural. O pecado deve aqui ser considerado conforme o caráter misterioso que ele possui em sua oposição à ordem sobrenatural da graça, particularmente da graça do estado original. Nesse contexto, o estado de pecado é mais do que uma desordem da vontade. É uma completa alienação e separação do homem em relação a Deus e seu fim sobrenatural, e encontra em Deus não apenas um simples desgosto – envolvendo desfavor no sentido moral – mas também uma ejeção violenta do estado das crianças de Deus, um despojamento das vestes sobrenaturais da graça. A fim de unir de novo os fios cortados do vínculo sobrenatural com Deus, nenhuma mudança na direção da vontade do homem será suficiente. Se o homem deve-se reunir a Deus como seu Pai, Deus mesmo deve pô-lo de pé novamente ao Seu lado e, por meio do Espírito Santo, derramar no coração do homem o amor filial a Deus. Se o pecador deve-se libertar do desfavor de Deus, de maneira nenhuma bastará que Deus cubra os feitos pecaminosos com o manto do esquecimento e simplesmente remita a culpa em resposta ao arrependimento do pecador. Para perdoar o pecado completamente, Deus deve de novo conferir ao homem o mesmo favor e graça que lhe deu antes que ele pecasse. Deus deve novamente trazer o homem a Seu seio como Sua criança, regenerá-lo para a nova vida divina e vesti-lo de novo com a vestimenta de Seus filhos, o esplendor de Sua própria natureza e glória. Só assim pode a justificação completa e perfeitamente exterminar o pecado como existe concretamente em seu caráter misterioso. Dessa forma, a justificação mesma, que abole um mal tão misterioso, deve ser reconhecida como um mistério sobrenatural, e conseqüentemente o mistério do pecado, como também o mistério da justiça original, olha para a justificação como um terceiro mistério, que destrói o primeiro e restaura o segundo.”
(Matthias Scheeben, Die Mysterien des Christentums)

sábado, 5 de junho de 2010

Matthias Scheeben e a graça divina


“A graça põe a criatura tão perto de Deus que a alma, quando em estado de graça, não pode se separar de Deus por nenhuma barreira de culpa. A graça, que faz a ponte sobre o abismo infinito escancarado entre a criatura e a natureza divina, estende-se sobre a fenda muito maior causada pela revolta do pecado. Ao transformar o homem de escravo em filho de Deus, a graça também o torna um amigo de Deus, pois Deus não pode deixar de permanecer em relação de amizade com Suas crianças desde que elas mesmas continuem sendo tais. Por essa razão a graça é chamada tanto de gratia santificans (graça santificante) porque ela abole inteiramente a desordem do pecado, como de gratia gratum faciens (graça concedida para agradar) porque ela torna a criatura tão agradável à vista de Deus que Deus deve tratá-la como Sua amiga e filha.”
(Matthias Scheeben, Die Mysterien des Christentums)