"Uma das tendências de nossa época é usar o sofrimento das crianças para desacreditar a bondade de Deus e, depois que você desacreditou sua bondade, não quer mais saber dele... Ocupados ceifando a imperfeição humana, estão avançando também na matéria-prima do bem.
Ivan Karamazov não pode acreditar, enquanto uma única criança estiver em tormento; o herói de Camus não pode aceitar a divindade de Cristo, por causa do massacre dos inocentes.
Nesta piedade popular, marcamos nosso ganho em sensibilidade e nossa perda em visão. Se outras épocas sentiram menos, elas viram mais, ainda que tenham visto com o olho cego, profético e não-sentimental da aceitação, ou seja, da fé. Na ausência hodierna desta fé, governamos pela ternura.
É uma ternura que, há muito separada da pessoa de Cristo, é envolta em teoria. Quando a ternura se desconecta da fonte de ternura, seu resultado lógico é o terror. Termina nos campos de trabalhos forçados e nas fumaças da câmara de gás."
(Flannery O'Connor, Introduction to a Memoir of Mary Ann)
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quarta-feira, 6 de julho de 2016
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Flannery O’Connor e a resistência à graça
“Na hora de responder às perguntas das pessoas sobre religião, a lábia é o grande perigo. Não responderei às tuas, porque a elas tu mesma podes responder; mas dar-te-ei, se te interessares, minha própria visão delas. Toda tua insatisfação com a Igreja me parece que procede de uma insuficiente compreensão do pecado. Isso talvez te surpreenda, porque és muito consciente dos pecados dos católicos; no entanto, parece que o que pedes é que a Igreja traga o reino dos céus à terra agora mesmo, que o Espírito Santo se encarne imediatamente. O Espírito Santo raramente se mostra na superfície de algo. Estás pedindo que o homem volte imediatamente ao estado em que Deus o criou, estás deixando de lado o terrível orgulho que está na raiz do homem e que causa a morte. Cristo foi crucificado na terra e a Igreja é crucificada no tempo, e crucificada por nós mesmos, mais particularmente por seus membros, porque a Igreja é uma Igreja de pecadores.Cristo nunca disse que a Igreja iria agir de forma inteligente ou imaculada, e sim que não ensinaria algo errôneo. Isso não quer dizer que um sacerdote não possa ensinar algo errôneo, e sim que a Igreja toda, falando através do Papa, não ensinará nada errôneo em matéria de fé. A Igreja está fundada sobre Pedro, que negou Cristo três vezes e não pôde caminhar sobre a água sozinho. Tu esperas que seus sucessores caminhem sobre a água. Toda a natureza humana resiste vigorosamente à graça, porque a graça nos transforma e a mudança é dolorosa. Os sacerdotes resistem tanto quanto os outros. Para que a Igreja fosse o que tu queres, deveria haver uma contínua intervenção de Deus nos assuntos humanos, enquanto nossa dignidade consiste em que se nos permite avançar em maior ou menor grau com essas graças que nos chegam mediante a fé e os sacramentos, e que agem através de nossa natureza humana. Deus escolheu agir dessa maneira. Não podemos entendê-lo, mas não podemos rejeitá-lo sem rejeitar a vida.”
(Flannery O’Connor, The Habit of Being)
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Flannery O'Connor e as verdadeiras leis da carne e da matéria
“Pessoalmente creio que quando eu conhecer de verdade as leis da carne e da matéria conhecerei Deus. Nós as conhecemos como as vemos, não como Deus as vê. Para mim, o nascimento virginal, a encarnação e a ressurreição são as verdadeiras leis da carne e da matéria. A morte, a deterioração e a destruição são a suspensão dessas leis. Sempre me surpreende a ênfase que a Igreja dá ao corpo. Não diz que ressuscitará a alma, e sim o corpo, glorificado. Sempre pensei que a pureza é a mais misteriosa das virtudes, mas me parece que a pureza nunca teria formado parte da consciência humana a não ser pela esperança na ressurreição do corpo, que unirá carne e espírito em harmonia, do modo que estavam em Cristo. A ressurreição de Cristo parece ser o ápice da lei da natureza.”(Flannery O’Connor, The Habit of Being)
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