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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Primeiro o conhecimento, depois o amor

“O conhecimento deve sempre preceder o exercício das afeições. Sentimos gratidão e amor, sentimos indignação e desgosto, quando temos informações verdadeiramente colocadas diante de nós, as quais nos despertam aquelas muitas emoções. Amamos nossos pais, quando sabemos que são nossos pais; devemos conhecer a Deus, antes que possamos sentir amor, temor, esperança ou confiança em relação a Ele... A fórmula que expressa um dogma para um teólogo prontamente sugere um objeto para o crente. Parece um truísmo dizê-lo, embora eu sempre o tenha dito, mas na religião a imaginação e as afeições devem sempre estar sob o controle da razão. A teologia pode se manter como uma ciência substantiva, embora sem a vida da religião; mas a religião não se mantém de jeito nenhum sem a teologia.”
(Cardeal John Newman, An Essay in Aid of A Grammar of Assent)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Quando os leigos mantiveram a tradição


“É bastante notável que, embora falando historicamente, o século IV seja a época dos doutores, aquele que foi iluminado por santos como Atanásio, Hilário, os dois Gregórios, Basílio, Crisóstomo, Ambrósio, Jerônimo e Agostinho (tendo sido bispos todos esses santos, com uma única exceção), contudo, nessa mesma época, tenham sido os leigos que mantiveram a tradição divina confiada à Igreja.
Efetivamente, isso exige alguma explicação: dizendo isso, não nego evidentemente que, em sua expressiva maioria, os bispos tenham sido ortodoxos, no mais íntimo de sua fé; tampouco nego que tenha havido membros do clero para assistir os leigos e servir-lhes de guia e fonte de inspiração; nem desconheço que os leigos tenham recebido certamente a fé, em primeira mão, dos bispos e do clero; não nego que haja entre os leigos alguns ignorantes e que outros se tenham corrompido por pregadores arianos, os quais conseguiram apoderar-se das sedes episcopais e ordenar sacerdotes heréticos. No entanto, persisto em dizer que, nessa época de imensa confusão, o dogma divinamente revelado da divindade de Nosso Senhor foi proclamado, afirmado e mantido e, falando humanamente, preservado muito mais pela “Ecclesia docta” do que pela “Ecclesia docens”; que o corpo dos bispos foi infiel à sua missão, ao passo que os leigos permaneceram fiéis ao seu batismo; que ora o Papa, ora uma sede patriarcal, metropolitana ou outras sedes importantes, ora concílios gerais disseram o que jamais deveriam ter dito, ou realizaram atos que obscureceram ou puseram em perigo a verdade revelada. Entrementes, foi o povo cristão que, sob a orientação da Providência, constituiu a força cristã de Atanásio, de Eusébio, de Verceil e de outros confessores solitários da fé, que sem esse povo não teriam resistido.”
(Cardeal John Newman, On Consulting the Faithful in Matters of Doctrine)

http://atanasiano.blogspot.com/2009/07/cardeal-newman-quandos-os-leigos.html

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Cardeal John Newman e as diferenças entre Santo Agostinho e Lutero quanto à justificação


“A questão principal é se a Lei Moral pode em sua substância ser obedecida e cumprida pelos regenerados. Agostinho diz que embora sejamos por natureza condenados pela Lei, somos também capazes, pela graça de Deus, de cumpri-la para nossa justificação; Lutero [e igualmente Calvino], que, embora condenados pela lei, Cristo mesmo a cumpriu para nossa justificação; Agostinho, que nossa retidão é ativa; Lutero, que é passiva; Agostinho, que é dada, Lutero, que é só imputada; Agostinho, que ela consiste em uma modificação do coração; Lutero, em uma modificação de estado. Lutero afirma que os mandamentos de Deus são impossíveis ao homem; Agostinho acrescenta, impossíveis sem Sua graça; Lutero, que o Evangelho se compõe só de promessas; Agostinho, que ele é também uma lei; Lutero, que nossa sabedoria mais alta é não conhecer a Lei; Agostinho diz, ao contrário, que é conhecê-la e cumpri-la – Lutero diz que a Lei e Cristo não podem viver juntos no coração. Agostinho diz que a Lei é Cristo; Lutero nega e Agostinho afirma que obediência é uma questão de consciência. Lutero diz que um homem se faz cristão não trabalhando, mas ouvindo; Agostinho exclui só aquelas obras feitas antes que a graça seja dada; Lutero diz que nossas melhores ações são pecados; Agostinho, que elas são realmente agradáveis a Deus.”
(Cardeal John Newman, Lectures on Justification)