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sexta-feira, 10 de abril de 2020

As três causas da ingratidão


"Se não me engano, três causas há da ingratidão dos homens: ou inveja, que, tomando por injúria os benefícios que se fazem a outros, não olha os que a ela se conferem; ou soberba, que cuida merecer mais do que lhe dão, e não sofre que alguém lhe seja preferido; ou cobiça, cujo fogo se não apaga com as mercês de Deus, antes se acende mais e, cobiçando o que está por ganhar, não se lembra do ganhado. Para esta não há serviço que não seja desserviço, nem liberalidade que não seja escasseza.
Estas três pestes da alma procedem da falta do conhecimento do verdadeiro bem e da perversidade de falsas opiniões, e de ser firme e mais dura nos homens a memória das ofensas que a dos benefícios, dos quais se perdem muitos por culpa de quem os dá ou de quem os recebe: aquele porque os assoalha e encarece, e este porque os não publica e deles se esquece. Mas a verdade é que entre todos os animais não há outro mais desagradecido que o homem."
(Frei Amador Arrais, Diálogos)

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sexta-feira, 24 de maio de 2019

É lícito desejar um mal físico ou temporal sob o aspecto de um bem maior


“O homem, enquanto pecador e culpável, não é digno de amor, mas sim de ódio, já que, enquanto permaneça nesse estado, é aborrecível aos olhos de Deus. Mas enquanto criatura humana, capaz todavia da glória eterna pelo arrependimento de seus pecados, deve ser amado com amor de caridade. E precisamente o maior amor e serviço que lhe podemos prestar é ajudá-lo a sair de sua triste e miserável situação (...). Do mesmo modo, não é lícito jamais desejar ao pecador algum verdadeiro mal (e.g, o pecado da condenação eterna). Mas é lícito desejar-lhe algum mal físico ou temporal sob o aspecto de um bem maior, como seria, por exemplo, uma enfermidade ou adversidade para que se torne (...) o bem comum da sociedade (e.g, a morte de um escritor ímpio ou de um perseguidor da Igreja para que não continue fazendo mal aos demais).”
(Antonio Royo Marin, Teologia Moral para Seglares)