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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Roberto de Mattei: Um Papa violento?


“Contra a evidência, pouco se pode argumentar. A mão estendida pelo papa Bergoglio à Fraternidade São Pio X é a mesma que cai nestes dias sobre a Ordem de Malta e sobre os Franciscanos da Imaculada.
O assunto da Ordem de Malta foi concluído com a rendição incondicional do Grande Mestre e a volta ao poder de Albrecht von Boeslager e do poderoso grupo alemão que ele representa.
Ricardo Cascioli resume a questão nestes termos em A Nova Bússola cotidiana: O responsável pela deriva moral da Ordem foi reabilitado, e despediram quem tentou detê-lo.
O ocorrido supõe um desprezo total pela soberania da Ordem, como se depreende da carta dirigida no passado 25 de janeiro pelo secretário de estado vaticano Pietro Parolin aos membros do Soberano Conselho em nome do Santo Padre, com a qual a Santa Sé interveio de fato na Ordem.
Seria lógico que os outros cem estados que mantêm relações diplomáticas com a Ordem de Malta retirassem seus embaixadores, dado que podem manter relações diretas com o Vaticano, do qual já depende totalmente a Ordem.
O desprezo que manifesta o papa Francisco pela lei se estende do direito internacional ao direito civil italiano.
Um decreto da Congregação dos Religiosos com a aprovação do Papa impõe ao padre Stefano Maria Manelli, superior dos Franciscanos da Imaculada, a proibição de dirigir-se aos meios de comunicação ou falar em público, assim como de participar de qualquer iniciativa ou encontro. E sobretudo, “devolver no prazo de 15 dias a contar do recebimento do presente decreto o patrimônio econômico administrado por associações civis e qualquer outra quantidade a sua disposição de cada um dos institutos”. Quer dizer, devolver à Congregação dos Religiosos os bens patrimoniais dos quais, como afirmou o Tribunal de Apelação de Avellino, o padre Manelli não pode dispor porque pertencem a associações legalmente reconhecidas pelo Estado italiano.
“Em 2017, na Igreja da Misericórdia”, comenta Marco Tosatti, “só faltam tormentos como a garrucha e a máscara de ferro para que o catálogo esteja completo”.
Como se não bastasse, monsenhor Ramon C. Argüelles, arcebispo de Lima (Filipinas), teve notícia de sua destituição por um comunicado da Sala de Imprensa Vaticana.
Desconhecem-se os motivos de tal medida, mas se podem intuir: monsenhor Argüelles reconheceu canonicamente uma associação que agrupa ex-seminaristas dos Franciscanos da Imaculada que abandonaram a ordem a fim de poderem estudar e preparar-se para o sacerdócio com plena liberdade e independência. Trata-se de uma culpa, por tudo que se vê, imperdoável.
Surge a pergunta de se não será Francisco um papa violento, se entendemos bem o sentido da palavra. A violência não é a força exercida de modo cruento, mas a força aplicada de maneira ilegítima, menosprezando o direito, com vistas a alcançar os próprios fins.
O desejo de monsenhor Bernard Fellay de regularizar a situação canônica da Fraternidade São Pio X mediante um acordo que não prejudique de modo algum a identidade de seu instituto é certamente admirável, mas cabe a pergunta: é oportuno colocar-se sob a tutela de Roma precisamente no momento em que se despreza o direito, ou inclusive se o utiliza como um meio para reprimir a quem quer ser fiel à fé e à moral católicas?”

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sábado, 8 de outubro de 2016

Da invasão migratória à guerra civil


"Até os mais resistentes já começam a abrir os olhos. Existe um plano organizado para desestabilizar a Europa mediante a invasão migratória. Este projeto vem de longe. Desde os anos noventa, no livro 1900-2000. Due sogni si succedono: la costruzione, la distruzione (Fiducia, Roma 1990), descrevi este projeto com as palavras de alguns de seus apóstolos, como Umberto Eco e o cardeal Carlo Maria Martini.
Eco escrevia: "Atualmente na Europa não nos encontramos diante de um fenômeno de imigração. Assistimos a um fenômeno migratório (...) e como todas as grandes migrações terá como resultado final uma reordenação étnica dos países de destino, uma inexorável mudança de costumes, uma hibridação indetível que mudará estatisticamente a cor da pele, cabelo e olhos da população." Por sua parte, o cardeal Martini considerava necessária "uma seleção profética" para entender que "o processo migratório em ação desde um Sul cada vez mais pobre para um Norte cada vez mais rico é uma grande oportunidade ética e civil para uma renovação, para inverter o processo de decadência consumista que está na Europa Ocidental."
Nesta perspectiva de destruição criadora – comentava em meu ensaio - , "não seriam os imigrantes os que teriam que integrar-se na civilização européia mas, ao contrário, a Europa é que teria que se desintegrar e regenerar graças à influência das etnias que a ocupam (...) É o sonho de uma desordem criadora, de uma comoção semelhante à que infundiu nova vida no Ocidente na época das invasões bárbaras para gerar a sociedade policultural do futuro."
O plano consistia, e continua consistindo, em destruir os estados nacionais e suas raízes cristãs, não para construir um superestado, mas para criar um não-estado, um horrendo vazio no qual tudo que tenha aparência de verdadeiro, de bom ou de justo desapareça no abismo do caos. A pós-modernidade é isto: não é um projeto de construção, como foi a pseudocivilização nascida do humanismo e do iluminismo que desembocou mais tarde nos totalitarismos do século XX, mas uma utopia nova e diferente: a da desconstrução e tribalização da Europa. O fim do processo revolucionário que há tantos séculos agride nossa civilização é o niilismo, "o nada em armas", segundo a feliz expressão de monsenhor Jean-Joseph Balmes (1802-1879).
Passaram os anos e a utopia do caos se transformou no pesadelo que estamos vivendo. O projeto de desagregação da Europa, descrito por Alberto Carosa e Guido Vignelli em seu documentado estudo L’invasione silenziosa. L'”immigrazionismo”: risorsa o complotto? (Roma 2002), tornou-se um fenômeno de proporções épicas. Quem denunciava este projeto era rotulado de profeta de desgraças. Hoje nos dizem que se trata de um processo indetível. Que deve ser dirigido mas não se pode frear.
O mesmo se dizia do comunismo nos anos sessenta e oitenta, até que chegou a queda do muro de Berlim e demonstrou que na história nada é irreversível exceto a cegueira dos idiotas úteis. Sem dúvida, entre esses idiotas úteis deviam-se contar os alcaides de Nova York, Paris e Londres, Bill de Blasio, Anne Hidalgo e Sadiq Jan, que no 20 de setembro passado, por ocasião da Assembléia Geral das Nações Unidas, em uma carta publicada no New York Times intitulada Os imigrantes são nossa força, fizeram um chamamento a "tomar medidas decisivas para garantir socorro e um refúgio seguro aos prófugos que escapam da guerra e aos imigrantes que fogem da miséria."
As centenas de milhares de imigrantes que chegam a nossas costas não fogem da guerra nem da miséria. São jovens que gozam de saúde perfeita, bem apresentados e sem sinais de feridas nem de desnutrição como as que têm os que procedem de onde há guerra ou fome.
Dirigindo-se ao Parlamento Europeu no 26 de setembro passado, o coordenador da luta antiterrorismo da União Européia, Gilles de Kerchove, denunciou uma infiltração maciça do ISIS entre os imigrantes. Mas ainda que os terroristas fossem uma ínfima minoria entre eles, todos os imigrantes clandestinos que desembarcam na Europa são portadores de uma cultura antitética à cultura cristã ocidental.
Os imigrantes não desejam integrar-se na Europa mas dominá-la; se não pelas armas, com o ventre de suas mulheres e das nossas. Onde quer que se instalam esses grupos de jovens varões maometanos, as européias ficam grávidas, formam-se novas famílias mistas submetidas à lei corânica, e essas novas famílias solicitam ao Estado mesquitas e subsídios econômicos. Tudo isso com o apoio dos alcaides, governadores provinciais e paróquias católicas.
A reação popular é inevitável, e em países com alto influxo migratório como França e Alemanha está se tornando explosiva. "Estamos à beira de uma guerra civil", declarou Patrick Calvar, diretor da Direção Geral de Segurança do Ministério do Interior francês, diante de uma comissão parlamentar (Le Figaro, 22 de junho de 2016). Por sua parte, o governo alemão redigiu um plano de defesa civil de 69 páginas no qual se convida a população a fazer estoque de alimentos e água e "preparar-se de modo apropriado para uma eventualidade que possa pôr em perigo nossa existência" (Reuters, 21 de agosto de 2016).
Quem são os culpados por esta situação? Seria preciso buscá-los em vários níveis. Como é natural, é a classe dirigente pós-comunista e sessentaeoitista, que tomou as rédeas da política européia; são também os intelectuais que elaboraram teorias disformes no campo da física, da biologia, da sciologia e da política; também os lobbies, a Maçonaria e os potentados financeiros que agem às vezes nas trevas e outras à luz do dia. Conhecido, por exemplo, é o papel desempenhado pelo financista George Soros e sua fundação internacional Open Society.
Por causa de um ataque de hackers, mais de 2.500 correios eletrônicos foram subtraídos do magnata húngaro-estadunidense e difundidos na Internet através do portal DC Leaks. Pela correspondência privada roubada de Soros se soube que financia atividades subversivas em todos os campos, desde a agenda LGBT até o movimento pró-imigração. Baseando-se em tais documentos, Elizabeth Yore, em uma série de artigos publicados em The Remnant, demonstrou também o apoio direto e indireto de Soros ao papa Bergoglio e alguns de seus mais próximos colaboradores, como o cardeal Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga e monsenhor Marcelo Sánchez Sorondo.
Observa-se uma objetiva convergência estratégica entre George Soros e o papa Francisco. A política de acolhimento, apresentada como a religião das pontes, oposta à religião dos muros, se tornou o fio condutor do pontificado de Francisco, até o ponto de que haja quem se pergunta se não se favoreceu sua eleição com vistas a oferecer aos artífices da invasão migratória o apoio moral de que necessitavam. O que é certo é que hoje em dia avançam juntas a confusão na Igreja e na sociedade. O caos político prepara a guerra civil, e o religioso abre a porta aos cismas, que são uma espécie de guerra civil religiosa.
O Espírito Santo, nem sempre correspondido pelos cardeais reunidos em conclave, não cessa no entanto de agir, e nutre atualmente o sensus fidei dos que se opõem aos projetos destinados a demolir a Igreja e a sociedade. A Divina Providência não os abandonará."
(Roberto de Mattei, De la invasión migratoria a la guerra civil)

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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Decisões do papa Francisco infligem uma grave ferida no matrimônio cristão


“Os dois Motu proprio do Papa Francisco, Mitis iudex Dominus Iesus para a Igreja latina, e Mitis et misericors Iesus para as Igrejas orientais, publicados em 8 de setembro de 2015, infligem uma grave ferida no matrimônio cristão.
A indissolubilidade do casamento é uma lei divina e imutável de Jesus Cristo. A Igreja não pode “anular”, no sentido de dissolver um casamento. Ela pode, por uma declaração de nulidade, verificar a inexistência, em razão da falta dos requisitos (condições) que assegurem a sua validade. Isto significa que em um processo canônico a prioridade da Igreja não é o interesse dos cônjuges na obtenção de uma declaração de nulidade, mas a verdade a propósito da validade do vínculo matrimonial. Pio XII nos lembra desse propósito que “no processo matrimonial o fim único é uma decisão conforme a verdade e o direito a respeito da alegada inexistência do vínculo matrimonial no referido processo de nulidade” (Discurso à Rota Romana, 2 de outubro de 1944).
O fiel pode enganar a Igreja para obter a nulidade, por exemplo, utilizando uma falsa testemunha, mas a Igreja não pode enganar a Deus e tem o dever de apurar a verdade de modo claro e rigoroso. No processo canônico deve ser defendido acima de tudo o supremo interesse de uma instituição divina, que é o casamento. O reconhecimento e a proteção desta realidade são formulados no âmbito jurídico com a sintética expressão “favor matrimonii”, ou seja, a presunção, até prova em contrário, da validade do casamento. João Paulo II explicou bem que a indissolubilidade é apresentada pelo Magistério como a lei comum de todo casamento celebrado, porque se pressupõe a sua validade, independentemente do sucesso da vida conjugal e da possibilidade, em certos casos, de uma declaração de nulidade (Discurso à Rota Romana, 21 de janeiro de 2000).
Quando o Iluminismo procurou ferir o matrimônio cristão de morte, o Papa Bento XIV, pelo decreto “De miseratione” de 3 de novembro de 1741, ordenou que em cada diocese fosse nomeado um “defensor vinculi” e introduziu, para obter a declaração de nulidade, o princípio da necessária concordância das sentenças nos dois graus de julgamento. O princípio da dupla sentença concordante foi consagrado pelo Código de Direito Canônico de 1917 e incorporado no código promulgado por João Paulo II em 25 de janeiro de 1983.
No Motu Proprio do Papa Francisco, essa ótica é invertida. O interesse dos cônjuges tem primazia sobre o do casamento. É o próprio documento que o afirma, resumindo nestes pontos os critérios fundamentais da reforma: abolição das duas sentenças concordantes, substituídas por uma única decisão a favor da nulidade, executável por si só; atribuição de um poder monocrático ao bispo, reputado único juiz; introdução de um processo sumário realmente incontrolável, com a substancial eliminação do papel da Rota Romana.
Como interpretar de outro modo, por exemplo, a abolição da dupla sentença? Quais são os graves motivos pelos quais, depois de 270 anos, esse princípio é revogado? O Cardeal Burke lembrou que existe nesse propósito uma catastrófica experiência. Nos Estados Unidos, de julho de 1971 a novembro de 1983, entraram em vigor as chamadas “Provisional Norms”, que eliminaram de fato a obrigatoriedade da dupla sentença. O resultado foi que a Conferência Episcopal não negou um só pedido de dispensa entre as centenas de milhares recebidas e, na percepção comum, o processo começou a ser chamado de “divórcio católico” (cf. Permanere nella Verità di Cristo. Matrimonio e comunione nella Chiesa cattolica) (ndt: en français “Demeurer dans la vérité du Christ“, ed Artège).
Mais grave ainda é a atribuição ao bispo diocesano da faculdade, como único juiz, de instruir discricionariamente um julgamento sumário e chegar à sentença. O bispo pode exercer pessoalmente o seu poder ou delegá-lo a uma comissão, não necessariamente constituída de juristas. Uma comissão formada à sua imagem, que seguirá naturalmente as suas instruções pastorais, como já é o caso dos “centros diocesanos da escuta”, privados até hoje de qualquer competência jurídica. A combinação entre o cânon 1.683 e o artigo 14 sobre as regras de procedimento a esse respeito tem um alcance explosivo. Sobre as decisões pesarão inevitavelmente considerações de natureza sociológica: os divorciados recasados terão, por razões de “misericórdia”, um tratamento preferencial. “A Igreja da Misericórdia – observa Giuliano Ferrara – se pôs a correr” (“Il Foglio”, 9 de setembro de 2015). Corre numa estrada não administrativa, mas “judiciária”, na qual de judiciário resta muito pouco.
Em algumas dioceses, os bispos procurarão garantir a seriedade do processo, mas é fácil imaginar que em muitas outras – por exemplo, da Europa Central – a declaração de nulidade tornar-se-á uma mera formalidade. Em 1993, Oskar Saier, Arcebispo de Friburgo em Brisgau, Karl Lehman, Bispo de Mainz, e Walter Kasper, Bispo de Rottenburg-Stuttgart, publicaram um documento em favor daqueles que estavam certos em consciência da nulidade do seu casamento, mas não tinham os elementos para prová-lo no tribunal (Evêques de l’Oberrhein, Accompagnement pastoral des personnes divorcées, “Il Regno Documenti”, 38 (1993), pp. 613-622). A Congregação para a Doutrina da Fé respondeu com a Carta “Annus Internationalis Familiae“de 14 de setembro de 1994, afirmando que essa via não era percorrível, porque o casamento é uma realidade pública: “não reconhecer este aspecto essencial significaria negar de fato que o casamento existe como realidade da Igreja, quer dizer, como um sacramento”. Mas a proposta foi retomada recentemente pelo serviço diocesano de pastoral de Friburgo em Brisgau (Directives pour la pastorale des divorcés, “Il Regno Documenti”, 58 (2013), pp. 631-639), segundo o qual os divorciados recasados, após a “nulidade de consciência” do casamento anterior, poderão receber os sacramentos e exercer funções nos conselhos paroquiais.
O “favor matrimonii” é substituído pelo “favor nullitatis”, que passa a constituir o elemento principal do direito, enquanto a indissolubilidade é reduzida a um “ideal” impraticável. A afirmação teórica da indissolubilidade do casamento é de fato acompanhada na prática pelo direito à declaração de nulidade de qualquer vínculo fracassado. Bastará acreditar em consciência que o próprio casamento é inválido para fazê-lo reconhecer como nulo pela Igreja. É o mesmo princípio pelo qual alguns teólogos consideram como “morto” um casamento em que, de acordo com ambos os cônjuges ou com um deles, “o amor está morto”.
Em 29 de janeiro de 2010, Bento XVI advertiu o Tribunal da Sagrada Rota Romana para não consentir na anulação de casamentos pela “condescendência aos desejos e às expectativas das partes, ou então aos condicionamentos do ambiente social”. Mas nas dioceses da Europa Central, a declaração de nulidade vai se tornar um ato de mera formalidade, como aconteceu nos Estados Unidos na época das Provisional Norms. Pela conhecida lei segundo a qual “a moeda falsa expulsa a boa”, no caos que virá a impor-se, o “divórcio sumário” está destinado a prevalecer sobre o matrimônio indissolúvel.
Fala-se há mais de um ano de cisma latente na Igreja, mas quem o diz agora é o cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que num discurso em Regensburg evocou o risco de uma divisão na Igreja, convidando a ser muito vigilante e não esquecer a lição do cisma protestante que inflamou a Europa há cinco séculos.
Na véspera do Sínodo sobre a família em outubro, a reforma do Papa Francisco não apaga nenhum incêndio, mas o alimenta e aplaina o caminho para outras desastrosas inovações. “Não é mais possível ficar calado”.”
(Roberto de Mattei, Una Ferita al Matrimonio Cristiano)

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