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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Marina Tsvetaeva: Insinuar-se


Talvez a melhor vitória seja
sobre o tempo e a atração,
passar sem deixar ondas,
passar sem deixar sombras

nas paredes...

Talvez renunciando
vencer? Quem do espelho se apaga?
Tal como Lermontov no Cáucaso
entrar sem inquietude nas fragas.

É talvez a melhor diversão
com os dedos de Sebastian Bach
do órgão provocar o som?
Despedaçar-se sem deixar

cinzas para a urna...

Talvez por engano
vencer? De toda latitude dar-se alta?
Assim no tempo tal oceano
entrar sem inquietar as águas...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Marina Tsvetaeva: Andas, Pareces Comigo


Andas, pareces comigo,
Com os olhos abaixados.
Eu também os abaixava!
Passante, queira parar!

Leia – deixe seu buquê:
Botão de ouro, papoula –
Que me chamavam Marina
E quantos anos eu tinha.

Não ache que é um túmulo,
Que surgirei, assombrando…
Eu amei demais sozinha
Ria, quando não podia!

Sangue fluía na pele
E meus cachos enrolavam…
Eu, passante, também fui!
Passante, queira parar!

Pegue um galho selvagem
E depois uma amora:
Morango de cemitério
Não há maior nem mais doce.

Só não fique aí sombrio,
Cabeça baixa no peito.
Em mim pense levemente,
E me esqueça levemente.

Como luz te ilumina!
Coberto de pó de ouro…
– Que não te deixe confuso
Minha voz que vem da terra.


Tradução de Helder da Rocha

sábado, 22 de agosto de 2015

Marina Tsvetaeva: Abro as Veias

Abro as veias: irreprimível,
Irrecuperável, a vida vaza.
Ponham embaixo vasos e vasilhas!
Todas as vasilhas serão rasas,
Parcos os vasos.

Pelas bordas - à margem -
Para os veios negros da terra vazia,
Nutriz da vida, irrecuperável,
Irreprimível, vaza a poesia.


Tradução de Augusto de Campos

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Marina Tsvetaeva: À Vida

Não colherás no meu rosto sem ruga
A cor, violenta correnteza.
És caçadora - eu não sou presa.
És a perseguição - eu sou a fuga.
Não colherás viva minha alma!
Acossado, em pleno tropel,
Arqueia o pescoço e rasga
A veia com os dentes - o corcel
Árabe


Tradução de Augusto de Campos

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Marina Tsvetaeva: Meus Versos, Escritos Tão Cedo

Meus versos, escritos tão cedo
que não sabia ainda que era poeta,
inquietos como gotas de uma fonte,
como faíscas de um cometa,

lançados como ágeis diabretes ao assalto
do santuário onde tudo é sonho e incenso,
meus versos de juventude e de morte
- meus versos, que ninguém lê! -,

no pó das estantes dispersos
- que mão nenhuma toca! -,
como vinhos preciosos, meus versos
também terão sua hora.