Mostrando postagens com marcador Konstantinos Kavafis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Konstantinos Kavafis. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Konstantinos Kavafis: Vozes


Vozes ideais e amadas
daqueles que morreram, e daqueles que são
para nós perdidos como os mortos.

Às vezes nos nossos sonhos falam;
às vezes no pensamento as ouve a mente.

E com o seu som por um momento regressam
sons da primeira poesia da nossa vida -
qual música, à noite, longínqua, que se apaga.


Tradução de Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Konstantinos Kavafis: Quanto Puderes


E se não podes fazer a tua vida como a queres,
pelo menos procura isto
quanto puderes: não a aviltes
na muita afinidade com o mundo,
nos muitos movimentos e conversas.

Não a aviltes levando-a,
passeando-a frequentemente e expondo-a
em relações e convívios
da parvoíce do dia-a-dia,
até se tornar como uma estranha pesada.


Tradução de Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis

sábado, 15 de novembro de 2014

Konstantinos Kavafis: Terminado

Em meio ao temor e às suspeitas,
com espírito agitado e olhos de pavor,
nos consumimos e planejamos como fazer
para evitar o perigo certo
que tão terrivelmente nos ameaça.
E no entanto estamos equivocados, ele não está em nosso caminho:
falsas eram as mensagens (ou não as escutamos, ou não as entendemos
bem). Outra catástrofe, que não imaginávamos,
repentina, violenta cai sobre nós
e despreparados - há muito tempo já - nos arrebata.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Konstantinos Kavafis: O Deus Abandona Antônio

Quando, à meia-noite, de súbito escutares
um tiaso invisível a passar
com músicas esplêndidas, com vozes -
a tua Fortuna que se rende, as tuas obras
que malograram, os planos de tua vida
que se mostraram mentirosos, não os chores em vão.
Como se pronto há muito tempo, corajoso,
diz adeus à Alexandria que de ti se afasta.
E sobretudo não te iludas, alegando
que tudo foi um sonho, que teu ouvido te enganou.
Como se pronto há muito tempo, corajoso,
como cumpre a quem mereceu uma cidade assim,
acerca-te com firmeza da janela
e ouve com emoção, mas ouve sem
as lamentações ou as súplicas dos fracos,
num derradeiro prazer, os sons que passam,
os raros instrumentos do místico tiaso,
e diz adeus à Alexandria que ora perdes.


Tradução de José Paulo Paes