"A maior epidemia da história do Ocidente foi a Peste Negra no século XIV. Neste contexto, surgiu uma classe de médicos especializados no tratamento da doença que usavam um traje especial, embora houvesse uma variedade de peças de vestuário. O traje de proteção consistia em um sobretudo de tecido pesado, que era encerado, uma máscara com aberturas de olhos de vidro e um nariz em forma de cone, como um bico para segurar substâncias aromáticas e palha. A maioria dos médicos da peste também usavam um chapéu de aba, tipicamente utilizado para identificar sua posição profissional.
Alguns dos materiais perfumados eram âmbar, folhas de hortelã, erva-cidreira, cânfora, cravo, láudano, mirra, pétalas de rosa, estoraque. Isto foi pensado para proteger o médico do ar miasmático ruim. A palha fornecia um filtro para o 'mau ar'. Um bastão ponteiro de madeira era usado para ajudar a examinar o paciente sem a necessidade de tocá-lo.
Embora boa parte desse vestuário já fosse usado nos séculos XIV a XVI, foi o médico pessoal de Louis XIII, Charles de L'Orme, quem ficou famoso por reunir a caracterização completa.
Criou-se um vasto complexo sanitário para o combate da peste. Em Veneza, o clero inventou os lazaretos, uma verdadeira indústria da prevenção e da cura da epidemia. Os doentes eram divididos entre casos suspeitos e confirmados, isolados do mundo externo por 40 dias, dando origem ao termo 'quarentena'. Esse era o primeiro e fundamental passo para reduzir a difusão da doença. Como os hospitais de hoje, os lazaretos eram organizados em repartições e unidades, que de acordo com o lugar ou a época se chamavam 'contumácias' ou 'navios'. Em Portugal, a Rainha Leonor de Lencastre institui as Santas Casas de Misericórdia e a caridade se torna o motor propulsor do combate à doença. Enquanto quem pode refugia-se no campo, é o clero católico quem fica e se sacrifica para tratar dos doentes, juntamente, claro, com os célebres médicos remunerados."
(O Imperialista, em postagem no Facebook de 23.03.2020)
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