sábado, 31 de outubro de 2009

Hilaire Belloc e o Cristianismo


“Não existe essa religião chamada “Cristianismo” – jamais existiu tal religião.
Existe e sempre existiu a Igreja, e as várias heresias procedentes da rejeição de algumas das doutrinas da Igreja por homens que desejam ainda manter o restante de Seu ensinamento e moral. Mas jamais existiu e jamais poderá existir ou existirá uma religião cristã genérica professada por homens que aceitam algumas doutrinas centrais importantes, enquanto concordam em diferir a respeito de outras. Sempre existiu desde o início e sempre existirá a Igreja, e diversas heresias fadadas à decadência, ou, como o Maometanismo, a transformar-se em uma religião separada. De um Cristianismo comum jamais houve nem poderá haver uma definição, pois nunca existiu.
Não há nenhuma doutrina essencial, de modo que, se concordarmos com ela, possamos diferir acerca do restante, por exemplo, aceitar a imortalidade, mas negar a Trindade; um homem dizer-se cristão, embora negue a unidade da Igreja Cristã; dizer-se cristão, embora negue a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento; dizer-se alegremente cristão, embora negue a Encarnação.”
(Hilaire Belloc, The Great Heresies)

sábado, 24 de outubro de 2009

As quinze marcas da Igreja


“As quinze características da verdadeira Igreja desenvolvidas por São Roberto Belarmino (1542-1621), cardeal, Arcebispo de Cápua e Doutor da Igreja. Contemporâneo dos primeiros Reformadores Protestantes, ele expandiu as tradicionais quatro marcas a quinze, conforme se segue: 1. o nome da Igreja, Católica, universal, e mundial, e não confinada a qualquer nação ou povo específico; 2. antiguidade em rastrear sua ancestralidade diretamente a Jesus Cristo; 3. constante duração em permanecer substancialmente inalterada por tantos séculos; 4. vastidão no número de seus membros fiéis; 5. sucessão episcopal de seus bispos dos primeiros Apóstolos na Santa Ceia até a atual hierarquia; 6. concordância doutrinária de sua doutrina com o ensinamento da Igreja antiga; 7. união de seus membros consigo mesmos e com sua cabeça visível, o Romano Pontífice; 8. santidade de doutrina refletindo a santidade de Deus; 9. eficácia de doutrina em seu poder de santificar os crentes e inspirá-los a grandes realizações morais; 10. santidade de vida dos defensores e escritores representantes da Igreja; 11. a glória de milagres realizados na Igreja e sob seus auspícios; 12. o dom de profecia encontrado entre os santos e porta-vozes da Igreja; 13. a oposição que a Igreja desperta entre os que a atacam nos mesmos termos que Cristo foi enfrentado por seus inimigos; 14. o fim infeliz daqueles que a combatem; e 15. a paz temporal e a felicidade terrena dos que vivem segundo o ensinamento da Igreja e defendem seus interesses.”
(Pe. John A. Hardon, S. J., Pocket Catholic Dictionary)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Santa Teresa d'Ávila


“Fundadora e mística. Nasceu em Ávila, em 1515; morreu em Alba de Tormes, em 1582. Canonizada em 1622. Comemoração: 15 de outubro.
Teresa de Cepeday Ahumada foi, ao lado de Santa Catarina de Siena, uma das primeiras mulheres declaradas oficialmente doutoras da Igreja, em 1970. Teresa, pertencente a família de boa linhagem, teve excelente educação; era prendada, talentosa e animada. Entrou para o convento carmelita da Encarnação, em Ávila, Castela, aos quase vinte anos de idade. Tornou-se freira com determinação mas sem entusiasmo: não suportava a idéia de afastar-se da família. A comunidade era grande e complacente; seus membros desfrutavam do uso de seus próprios pertences e tinham contato livre com o mundo exterior. A princípio Teresa teve sérios problemas de saúde mas perseverou em suas intenções, a despeito de condições desfavoráveis, e começou a fazer profundos progressos na vida contemplativa. À medida que os anos passavam, freqüentemente entrava em êxtase. Entre suas experiências espirituais conta-se a notável penetração mística em seu coração por uma lança de amor divino. Ela escreveu muito sobre essas experiências, mas não lhes deu importância, discriminando claramente os perigos nelas existentes. Teresa sofreu forte influência do dominicano Domingo Bañes, o qual lhe ensinou, pela primeira vez, que Deus pode ser amado em e através de todas as coisas.
Quando atingiu a idade madura, Teresa, encorajada por São Pedro de Alcântara e outros, resolveu fundar um convento sob a forma original e rigorosa da regra carmelita. Em 1562, após muitos reveses, foi aberto o convento de São José, em Ávila, sendo esta a primeira casa das carmelitas reformadas ou “descalças” (as seguidoras da regra mitigada eram chamadas carmelitas “calçadas”). Nos vinte anos seguintes madre Teresa viajou por toda a Espanha e fundou dezessete conventos, muitas vezes em condições extremamente penosas. Tais comunidades deveriam ser pequenas, pobres, estritamente fechadas, altamente disciplinadas, com preces mentais diárias como parte de sua regra. Sob a influência de Teresa, a reforma espalhou-se aos frades carmelitas, sendo São João da Cruz o mais eminente dentre eles. Mas tanto os frades quanto as freiras, os “descalços” sofreram violenta oposição e embaraços por parte de alguns “calçados”. Finalmente, a Ordem Carmelita foi reconstituída com dois ramos independentes.
Santa Teresa é o exemplo clássico de alguém que uniu a vida de contemplação religiosa a uma atividade intensa e eficiente bom senso quanto aos assuntos práticos, cujos resultados registrou sob forma literária. Suas obras mais importantes são: Vida, escrita a conselho de seus confessores, narrando sua própria vida até 1562; Caminho da perfeição, dirigida para instruir suas freiras; Livro de fundações, bem-humorado raconto da fundação de seus conventos; e O castelo interior, obra que, mais que qualquer outra, fez de Teresa doutora da vida espiritual. Santa Teresa foi uma mulher de personalidade dominadora e muito atraente, franca, afetuosa, alegre e espirituosa. Tornou-se proverbial a referência de Richard Crashaw a seu respeito: “A águia e a pomba”.”
(Donald Attwater, The Penguin Dictionary of Saints)

Tradução de Maristela R. A. Marcondes e Wanda de Oliveira Roselli