segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Profissão de fé de São Pedro Canísio diante dos erros protestantes


“Professo diante de Vós a minha fé, Pai e Senhor do Céu e da terra, meu Criador e Redentor, minha força e minha salvação, que desde os meus mais tenros anos não cessastes de nutrir-me com o pão sagrado da vossa Palavra e de confortar o meu coração.
A fim de que eu não vagasse, errando como as ovelhas transviadas que não têm pastor, Vós me congregastes no seio de vossa Igreja; colhido, me educastes; educado, continuastes a me ensinar com a voz daqueles pastores nos quais Vós quereis ser ouvido e obedecido como em pessoa pelos vossos fiéis.
Confesso em alta voz, para a minha salvação, tudo aquilo que os católicos sempre acreditaram de bom direito nos seus corações; não quero ter nada em comum com os que não falam nem ouvem retamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana.
Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensinada nas Escrituras, mas também quando julgada pela boca dos Concílios Ecumênicos e definida pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres.
Professo-me também filho daquela Igreja Romana que os ímpios blasfemos desprezam, perseguem e abominam como se fosse anticristã; não me afasto de nenhum ponto da sua autoridade, nem me recuso a dar a vida e derramar o meu sangue em sua defesa, e creio que os méritos de Cristo podem obter a minha salvação e a de outros somente na unidade desta mesma Igreja.
Confesso essa Fé e doutrina que aprendi ainda criança, confirmei na juventude, ensinei como adulto, e que, agora, com a minha débil força, defendo. Professo francamente, com São Jerônimo, ser uno com quem é uno à Cátedra de Pedro, e protesto, com Santo Ambrósio, seguir em todas as coisas a Igreja Romana que reconheço respeitosamente, com São Cipriano, como raiz e mãe da Igreja universal.
Ao fazer esta profissão, não me move outro motivo senão a glória e honra de Deus, a consciência da verdade, a autoridade das Sagradas Escrituras, o sentimento e o consenso dos Padres da Igreja, o testemunho de fé que devo dar aos meus irmãos e, finalmente, a salvação eterna que espero no Céu e a felicidade prometida aos verdadeiros fiéis.
Se acontecer de eu vir a ser desprezado, maltratado e perseguido por causa desta minha profissão, considerá-lo-ei uma graça e um favor extraordinários, porque isso significará que Vós, meu Deus, me destes a ocasião de sofrer pela justiça e não quereis que me sejam benevolentes aqueles que, como inimigos declarados da Igreja e da verdade católica, não podem ser vossos amigos.
No entanto, perdoai-os, Senhor, porque, instigados pelo diabo e cegados pelo brilho de uma falsa doutrina, não sabem o que fazem, ou não querem saber.
Concedei-me, contudo, esta graça: de que na vida e na morte eu renda sempre um testemunho autêntico da sinceridade e fidelidade que devo a Vós, à Igreja e à verdade, que não me afaste jamais do vosso santo amor, e que esteja em comunhão com aqueles que Vos temem e guardam os vossos preceitos na Santa Igreja Romana, a cujo juízo, com ânimo pronto e respeitoso, eu me submeto e toda a minha obra.
Todos os santos, triunfantes no Céu ou militantes na terra, que estais indissoluvelmente unidos no vínculo da paz na Igreja Católica, mostrai a vossa imensa bondade e rezai por mim.
Vós sois o princípio e o fim de todos os meus bens; a Vós sejam dados, em tudo e por tudo, louvor, honra e glória sempiterna. Amém.”

https://pt.aleteia.org

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Os bárbaros vão resolver tua existência estéril


“Por que não poderiam os muçulmanos, africanos e indianos ser mais civilizados que as pessoas do Ocidente? Por que eles insistem em se reproduzir se suas crianças não terão a chance de frequentar uma universidade da Ivy League? Não haveria maneira de ajudá-los a ver a luz da civilização, do pensamento racional e da higiene limpa? Tais são perguntas que podes ter feito em algum momento quando olhaste de cima para os bárbaros do terceiro mundo, mas da perspectiva da natureza não são eles o problema. Nós somos o problema. Nós somos os defeitos da natureza que serão erradicados.
A natureza não se importa com educação, descendência de “alta qualidade”, diplomas de faculdade, direitos iguais, sustentabilidade, filosofia, ou meio ambiente. Ela se importa com fertilidade e poder, e a espécie ou raça que for mais fértil e mais poderosa será recompensada com o butim que a Terra fornece. As pessoas capazes de assumir o comando do planeta em números absolutos, independentemente de sua inteligência e maneiras, virão a dominar o mundo, da mesma maneira como o homo sapiens atropelou os mais inteligentes Neandertais ao se reproduzir com uma velocidade superior. A raça mais inteligente do planeta pode usar sua inteligência para fortificar-se em cavernas enquanto os bárbaros mais numerosos assumem o controle do planeta, ainda que não sejam mais do que zumbis descerebrados.
O pensamento racional da era iluminista, quando levado a suas últimas consequências ao provar que as famílias, a divindade e os padrões tradicionais não são necessários, juntamente com a idéia de que o indivíduo é Deus, ocasiona o suicídio da sociedade. A análise racional, em sua forma civilizada e tão belamente querida, leva ao fim de qualquer raça que dela participe, ao passo que bárbaros estúpidos de QI de 95 ou menos, que seguem um livro de 1.400 anos que implora que eles conquistem e cortem cabeças, continuam a se multiplicar e assumir o controle de mais terras.
Nós somos os erros da natureza. Nós somos a abominação. Nós fomos condenados a sermos substituídos, abandonados por Deus por permitirmos mais de um bilhão de abortos em apenas algumas décadas enquanto tentamos mudar as regras da natureza para declarar que homem é mulher e mulher, homem. Nosso objetivo não é iluminação espiritual, mas a aquisição das façanhas mais vis da degeneração.
Por causa da nossa esterilidade cultural e biológica, acredito que estamos fadados à destruição. Ainda que este fim nos encare de frente, o máximo que faremos será postar alguns comentários raivosos em sites da internet, enquanto os bárbaros estupram, conquistam e se reproduzem. Eu te prometo que eles vencerão. A história mostra que os bárbaros sempre vencem. Eles são a solução para um povo doente. Eles adoram fielmente seus deuses enquanto nós adoramos nossas curtidas no Facebook e nossas celebridades. Nós somos tão desanimadoramente estéreis, tão antivida, que a natureza celebrará quando formos substituídos pelos que mal podem ler. Mas eles têm em grande valia a vida dos seus, e isso basta.
Ainda que resolvêssemos todos nossos problemas políticos atuais, e neutralizássemos os mais vulgares da nossa sociedade, que restaria em nossas mãos? Uma população que encolhe e cidadãos tão atomizados que estão até mesmo perdendo a capacidade de se comunicar entre si, que têm de usar aplicativos computadorizados e álcool para fornicar enquanto a mulher usa medicação para esterilidade, que seus pais lhe forneceram quando ela fez 16 anos de idade. Nosso castigo está chegando. Terras do Ocidente serão entregues, e ainda que a horda de bárbaros possa ser derrotada com tecnologia, haverá um dia quando não haverá mais homem que os enfrente e aperte o botão de matar. Os bárbaros herdarão o novo mundo até que se tornem eles mesmos civilizados e o ciclo se renove uma vez mais, como tantas vezes no passado.
A natureza não se importa com leis igualitárias ou teu QI superior. Ela se importa com reprodução e poder, e o que os bárbaros não possuem de inteligência, eles compensam com energia de vida. Nos somos as anomalias, nós somos os erros, e a menos que redescubramos o caminho para família, tradição e Deus, devemos estar prontos para aceitar o inevitável fim, que fomos nós que nos tornamos tão fracos como povo que nem mesmo nos importamos em ter um portão, e que tudo que os bárbaros tiveram que fazer foi entrar andando.”

Original em: http://www.rooshv.com

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Simão de Cirene


“Simão cireneu foi o homem que carregou a cruz de Jesus em parte do caminho até o Gólgota. Muitas vezes ele é designado como “Simão cirineu”, mas a designação correta é “cireneu”. O nome “cireneu” não é um sobrenome, mas uma indicação de seu lugar de origem, a cidade de Cirene. Portanto, a forma “Simão cireneu” é a mesma que “Simão de Cirene”.
Cirene, a cidade de Simão
Cirene era uma cidade que ficava localizada no norte da África. Ela estava situada na metade do caminho entre Alexandria e Cartago, numa planície a cerca de dezesseis quilômetros do mar Mediterrâneo. Atualmente essa região fica na Líbia, a oeste do Egito.
Estima-se que a cidade de Cirene foi fundada em 630 a.C. Durante o reinado de Alexandre o Grande, Cirene esteve debaixo de seu governo. Depois ela ficou sob a jurisdição dos Ptolomeus, e no primeiro século antes de Cristo passou a pertencer aos romanos.
Cirene chegou a ser reconhecida como um centro intelectual. Em seu auge, acredita-se que Cirene alcançou uma população de aproximadamente cem mil habitantes. Cirene é mencionada na Bíblia no Novo Testamento. No texto bíblico ela é conhecida principalmente em conexão à pessoa de um de seus habitantes, Simão, o cireneu. Esse foi o homem que ajudou Jesus a carregar a cruz de Jesus.
No livro de Atos, Cirene é relacionada na lista de cidades e regiões das quais se originavam os peregrinos que presenciaram o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes (Atos 2:10). Por isto mais tarde alguns cireneus aparecem envolvidos com a pregação do Evangelho (Atos 11:20; 13:1). Mas também alguns cireneus estavam entre aqueles que fizeram oposição à pregação de Estêvão (Atos 6:9). Tudo isso parece indicar que havia muitos judeus vivendo em Cirene.
A história de Simão cireneu
Pouco se sabe sobre quem foi Simão cireneu. A Bíblia apenas informa que ele foi forçado pelos soldados a carregar a cruz de Jesus em determinado ponto do caminho. O evangelista Marcos adiciona que ele era pai de Alexandre e Rufo, duas pessoas conhecidas dos cristãos romanos (Marcos 15:21; Romanos 16:13).
Se a Bíblia não fornece detalhes sobre a história de Simão cireneu, várias especulações tentam revelar os detalhes desconhecidos. Já foi dito que Simão cireneu era um gentio, pois ele colocou nomes gregos em seus filhos. Mas era muito comum entre os judeus adotar nomes gregos. Além disso, como já foi dito, em Cirene havia uma grande colônia judaica.
Assim como Marcos, o evangelista Lucas informa que naquela sexta-feira quando Simão cireneu cruzou com a comitiva que seguia para o Calvário, ele vinha do campo. Essa informação levou muita gente a afirmar que Simão cireneu era um agricultor. Mas essa é outra especulação forçada sobre sua pessoa. Ele poderia estar vindo do campo por muitos motivos, não apenas por trabalhar ali.
Seja como for, a maioria dos estudiosos sugerem que Simão cireneu era um judeu, obviamente de Cirene, que tinha ido a Jerusalém por ocasião da festividade da Páscoa. Nessa época era o costume de muitos judeus que viviam fora de Jerusalém, partirem para lá. Além disso, em Jerusalém havia uma sinagoga dos cireneus (Atos 6:9).
Simão cireneu ajudou Jesus a carregar a cruz
Na manhã da sexta-feira em que Jesus foi crucificado, Simão cireneu estava retornando à cidade de Jerusalém vindo do campo. Naquela época era costume que o condenado carregasse sua própria cruz até o local em que seria crucificado. Com Jesus não foi diferente, Ele teve de carregar sua própria cruz (João 19:16,17).
Mas naquele momento Jesus já estava muito debilitado fisicamente. Além de todo stress psicológico e dos interrogatórios e julgamento a que foi submetido, Ele ainda havia sido violentamente açoitado e depois escarnecido e espancado pelos soldados no pretório. Seu corpo estava bastante machucado com os açoites e sua cabeça machucada pela coroa de espinhos e pelas pancadas na cabeça que recebeu dos soldados.
Mas surpreendentemente Jesus ainda conseguiu carregar sua cruz por certa distância. Então quando finalmente suas forças físicas se esgotaram, os soldados obrigaram Simão cireneu a carregar a cruz de Jesus pelo restante do caminho. Pela forma com que o texto é construído, parece que a princípio Simão cireneu carregou a cruz com certa relutância.
Também não é possível afirmar em qual local Simão tomou sobre seus ombros a cruz. Tradicionalmente afirma-se que talvez isto tenha acontecido na Via Dolorosa. Então ele teria tomado a cruz e a carregado saindo pelo portão da cidade. Há também quem afirme que Simão cireneu carregou apenas uma extremidade da cruz, dividindo seu peso com o próprio Jesus.
Simão cireneu se tornou um cristão?
Embora a Bíblia não afirme isto diretamente, muito provavelmente Simão cireneu se tornou um cristão. Quem sabe ele tenha reconhecido Cristo como seu Salvador ao presenciar tudo o que ocorreu no Calvário?
De qualquer forma, seus filhos são mencionados como pessoas que pertenciam ao círculo cristão de Roma. Marcos faz questão de dizer: “Simão, o pai de Alexandre e de Rufo” (Marcos 15:21). Os cristãos obviamente sabiam de quem ele estava falando.
Em sua Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo muito provavelmente faz menção a esse mesmo Rufo, filho de Simão cireneu. Ele escreve: “Saúda a Rufo, eleito no Senhor, a sua mãe e minha” (Romanos 16:13). Se de fato for o mesmo Rufo, então o apóstolo tinha um apresso maternal para com a esposa de Simão cireneu. Alguns também identificam Simão cireneu com o Simeão citado em Atos 13:1
Realmente pouco se sabe sobre a história de Simão cireneu. Mas tudo parece indicar que aquele ato, inicialmente forçado, de carregar a cruz de Jesus, resultou numa bênção permanente que alcançou sua vida e sua casa. Embora Simão cireneu tenha carregado literalmente a cruz de Jesus, ele se tornou um exemplo da devoção esperada a todos os seguidores genuínos do Senhor.”

https://estiloadoracao.com

domingo, 27 de outubro de 2019

A arte (?) ideológica contemporânea


“A arte tradicional, na maior parte dos países, representa geralmente os quatro temas que constituem, segundo Heidegger, o “mundo” dos homens.
A divindade, os homens, a natureza, o ideal
Quando a arte representa a divindade: é o caso da arte grega clássica que tanto marcou a nossa. É o caso da arte da Idade Média, principalmente religiosa. A arte religiosa constitui a maioria das obras-primas apresentadas nos nossos museus de arte antiga. A arte que representa o Buda pertence também a essa categoria. O Islão recusa-se a representar deus mas os versos do Corão são representados de maneira decorativa.
Quando a arte representa os homens: é nomeadamente o caso da arte do retrato. O rosto humano é representado não somente nas telas mas também nos monumentos e sob a forma de esculturas. No cristianismo a representação de Deus e a representação dos homens convergem frequentemente, porque Deus encarna num homem, o Cristo. Mas o retrato pode também representar um rei, um guerreiro, um simples camponês, mulheres ou crianças.
A arte pode também representar a natureza, a terra que conduz os homens. É a arte paisagista. No século XIX a arte paisagista ganhou uma conotação patriótica. Mas a arte patriótica é mais antiga do que isso.
A arte representa, por fim, o ideal, os ideais da sociedade. Representamos nos nossos monumentos nacionais uma mulher que simboliza a justiça, a bravura ou a caridade. Algumas cenas podem representar batalhas, a caridade aos pobres, cenas realistas mas onde se encarna um ideal na ação.
Estas artes não são ideológicas, no sentido das ideologias modernas. Dizer que a arte cristã é ideológica seria abusivo.
Ideologias modernas e destruição das formas de arte da tradição
Mas as ideologias modernas destruíram, a pouco e pouco, as formas de arte saídas da tradição e que representavam o mundo dos homens, sobre a terra, sob o céu e perante a divindade. A arte do Gestell (sistema utilitarista que controla os homens ao seu serviço), para utilizar este conceito de Heidegger, destrói tudo aquilo que não se enquadra na sua lógica utilitária.
Deus deixa de ser representado porque passa a ser associado à superstição. A arte ideológica oficial elimina toda a forma de herança religiosa e de transcendência. Ela será por vezes blasfema (veja-se o “Piss Christ”, por exemplo), para chocar, porque o escândalo é mediático e isso vende.
O ideal passa a ser considerado como um utensílio da repressão, em conformidade com as ideias dos falsos profetas Marx e Freud. É por isso evacuado sem cerimônias. O homem deixa de ser representado porque são as massas que passam a ser louvadas, e as particularidades do indivíduo, da sua classe, da sua profissão, da sua raça, passam a ser coisas irritantes que é preciso fazer esquecer para que os homens se tornem perfeitamente permutáveis no processo econômico e social. A paisagem, a natureza, desaparecem porque representam elementos de enraizamento do homem na sua terra.
A arte contemporânea: inumana, abstrata e desencarnada
A arte contemporânea, que se tornou a arte oficial obrigatória (vejam-se as paredes dos ministérios, das câmaras e dos edifícios oficiais) obedece a estes imperativos ideológicos. Já não deve representar o mundo tradicional.
Rompe deliberadamente com a herança religiosa e humanista da nossa civilização. É uma arte de ruptura revolucionária.
É abstrata e desencarnada porque rejeita toda a forma de enraizamento. Não encarna nenhum ideal, em nome de um subjetivismo total. A sua tendência dominante é representar, se é que ainda representa alguma coisa, o mundo quotidiano naquilo que tem de mais insignificante, utilitário ou prosaico. Frequentemente, quer-se chocante, porque ao chocar, atrai a atenção dos Media e dos financiamentos oligárquicos.
Esta arte é inumana no sentido próprio do termo, já que nunca representa a figura humana, e se a representa, é para a desfigurar o mais possível: como escreveu Salvador Dali, “um homem normal não tem vontade de sair com as meninas de Avinhão de Picasso” (ver o seu livro “Les cocus du vieil art moderne”).
A arte moderna: uma arte autoritária que interdita toda a forma de crítica
Por fim, esta arte inumana ou desumana é de natureza profundamente autoritária, como é, na essência, toda a ideologia. Esta arte estende-se para todo o lado. Interdita toda a forma de crítica, que é menosprezada, senão mesmo diabolizada com violência. O bom conformista não ousará nunca assumir que não gosta de uma celebrada obra dita contemporânea. Esta arte autoritária é irresponsável porque não responde ao pedido de um rei, de um burguês ou de um príncipe da Igreja, como antigamente. Ela responde à procura de uma burocracia anónima: Façam um fresco para as entradas dos nossos escritórios. Ademais, esta arte contemporânea é tão sustentada pelos poderes públicos como pelas pessoas privadas. É frequentemente financiada pelo imposto, isto é, pela força, o que acentua ainda mais o seu carácter autoritário.
Arte desenraizada, ideológica, inumana e autoritária, é objeto de uma propaganda mediática constante. Reflete o inchamento do ego do artista, que pensa substituir-se ao Deus criador, favorece as especulações financeiras e é o dinheiro, frequentemente, o seu único imperativo categórico; é desenraizada, como a ideologia, porque quer ter uma vocação universal. Esta arte ideológica dificilmente tem a preferência do povo, supostamente inculto, mas é venerada pela oligarquia dominante.
A arte contemporânea versus a arte tradicional humanista e enraizada
A ideologia da arte oficial emprega o seu dinamismo em torno a quatro pólos:
O dinheiro
O ego
Os Media
Abstração (negação das raízes)
A arte tradicional, que sobrevive nomeadamente na Rússia (São Petersburgo tem hoje em dia a maior escola de arte figurativa) e nalguns meios dissidentes no Ocidente, pode ser representada pelo esquema seguinte:
Ideal (o Bem, o Belo)
Divindade
Os homens
Natureza
A arte tradicional é humanista e enraizada, tem na maior parte do tempo uma dimensão espiritual ou idealista a fim de direcionar o homem para o alto. A arte ideológica, dita contemporânea, e que parece ter o seu centro em Nova Iorque, despreza Deus e os homens para estabelecer o ego e o dinheiro, os seus fetiches, como motores do seu dispositivo autoritário. Esta arte ideológica, frequentemente financiada pela força (o imposto) não é nem humanista nem democrática, contrariamente ao discurso dos seus promotores: estamos, sim, perante uma arte ideológica oficial.”
(Yvan Blot, L'art (?) Idéologique Contemporain : Inhumain, Désincarné et Abstrait)

https://ofogodavontade.wordpress.com

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Por que não vou a Roma


“Não vou a Roma porque não me convidam.
Não me convidam porque segundo Francisco sou um personagem estranho e radicalizado com o qual não se pode falar.
Para ir a Roma deveria ser um personagem com o qual se possa falar, como Mons. Fellay, que é tão simpático, tão gentil, tão compreensivo, tão tolerante e tão normal.
Em Roma sabem que não sou assim. Sabem que não sou assim porque não penso assim, como Mons. Fellay. Sabem que não quero estar em plena comunhão… com a igreja conciliar.
Isso não me torna sedevacantista, eclesiovacantista ou como queiram chamar-me.
Se me chamassem a Roma sem ser eu “reconciliante” como Mons. Fellay, com quem se pode falar, seria uma armadilha. A melhor forma de desfazer esta armadilha seria dizer a verdade na frente de Francisco. Mas Francisco não aceita senão “verdades brandas” como diría Gómez Dávila dos liberais, ou seja, verdades manchadas, turvadas ou perfumadas com um sorriso como o de Mons. Fellay. Por isso Francisco não convoca personagens estranhos ou radicalizados, senão ecumenistas, diplomáticos e tolerantes com os hereges, apóstatas e cismáticos. E judeus, naturalmente. Que dúvida cabe.
Por isso não vou a Roma. Porque sou (dito isso sem pedanteria mas sem rodeios) “excomungado”, “retrógrado”, “troglodita”, “pelagiano restauracionista” e “indesejável”. Ou seja, católico antiliberal intragável.”

Original em http://castigatridendomoreselrustico.blogspot.com.br

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O Anticristo e a Parusia


As Duas Bestas
Quando a estrutura temporal da Igreja perder a efusão do Espírito e a religião adulterada se transformar na Grande Rameira, então aparecerá o Homem do Pecado e o Falso Profeta, um Rei do Universo que será ao mesmo tempo como um Sumo Pontífice do Orbe, ou terá sob suas ordens um falso Pontífice, chamado nas profecias o "Pseudoprofeta". ...
O Anticristo será ao mesmo tempo uma corporação e uma pessoa individual que a encarnará e a governará.
1) Uma corporação, porque assim diz a definição que dele formula São João (I Carta, Iv, 3), a saber “spiritus qui solvit Jesum”, “espírito de apostasia”: e dizer um espírito é dizer um modo de ser que informa a quantidade de pessoas.
2) Um indivíduo, porque São Paulo (II Tessal, II, 3-4) o chama: "o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus."
Este último texto é impossível de aplicar a um corpo colegiado de indivíduos, como a maçonaria ou o filosofismo do século XVIII...
... O Anticristo é provavelmente o filosofismo do século XVIII, prolongação da pseudo-reforma protestante e precursor desta nova religião que vemos formando-se hoje em dia diante de nossos olhos, chame-se como se quiser (modernismo, aloguismo, antropolatria) que será sem dúvida a última heresia, pois não se pode mais ir além em matéria de heresias. E o Anticristo será também um homem singular, dado que todo espírito objetivo não existe nem atua senão encarnado, e todo grande movimento histórico suscita um homem. Todo grande movimento sociológico suscita e reveste uma grande cabeça para ser formado; como, por exemplo, Mussolini criou e ao mesmo tempo foi criatura do nacionalismo italiano...
O Advento – Está próxima a Parusia?
O autor do Apocalypsis afirma que a Parusia (ou seja a presença justiceira de Cristo na história humana) está próxima; desde o começo, em que intitula o livro de "Revelação d'Ele que está próximo", até o final, onde diz: "Venho logo"; e também: "Eis que estou à porta e chamo. Agüente um pouco. Volto já".
Volto já? Esta expressão desconcertante, pedra de tropeço dos incrédulos de hoje – e de sempre -, se verifica de três maneiras. Transcendental, mística e literal.
1) Transcendentalmente. O período dos últimos dias (ou seja o tempo da revelação cristã entre a Primeira e a Segunda Vinda) será muito breve, comparado com a duração total do mundo.
Uma antiga tradição hebraico-cristã, muito respeitável, atribui a "este século" (ao ciclo adâmico, desde Adão ao Juízo Final) uma duração de sete milênios, correspondentes aos sete dias da criação, porque "para Deus mil anos são como um dia" (Salm. LXXXIX, 4; II Petr. III, 8), correspondentes a dois milênios para a Lei Natural, dois milênios para a Lei Mosaica e dois milênios para a Lei Cristã; e o último milênio, o Domingo, para a transformação feliz do universo no Trono do Verbo ("Eu farei novos céus e nova terra") mediante a ação parusíaca.
Assim pois, em um sentido transcendental Cristo pôde dizer com verdade que sua Segunda Vinda estava próxima.
2) Misticamente. Todos os homens, não menos que as nações, estamos próximos do juízo por causa da morte, a qual pode sobrevir a qualquer momento; e sobrevém sempre à eterna ilusão e distração humana de um modo inesperado. A pedagogia de Cristo em todo o Evangelho é alertar continuamente o homem acerca da morte iminente e imprevista. "Néscio, esta noite mesmo te pedirão a alma. O que acumulaste, para quem ficará?"
Nossa experiência nos ensina que mesmo nos velhos enfermos e doentes terminais, a morte os surpreende de repente: no sentido de que não a esperam; e quem a vai esperar? Um santo religioso vimos morrer, o qual se enfureceu quando o Superior lhe falou dos últimos sacramentos. “Eu não sou homem de morrer sem sacramentos – disse - : mas estes superiores jovens são tão precipitados, que basta alguém sofrer qualquer coisinha, e já aparecem com os Santos Óleos.” Recebeu-os, no entanto, porque era dócil; e nessa mesma tarde estava morto.
Pois bem: o mesmo será no fim, igual aos tempos do Dilúvio: os homens comprarão, venderão, farão política, se casarão e engendrarão filhos; e como o relâmpago que surge no Leste e no mesmo instante está no Oeste, assim será a vinda do Filho do Homem. O sensato, pois, é pensar no fim como sempre próximo, porque de fato pode ser hoje mesmo, quando estamos sem azeite na candeia, como aconteceu com as Virgens Insensatas; devemos nele pensar como próximo, mas não como coisa certa – o que paralisaria a atividade humana, como aconteceu com os Tessalonicenses -, mas como coisa possível, prevista e esperada. E também santamente desejada. Vem, Senhor Jesus!
3) Literalmente. Cumpriu-se em seguida a profecia na destruição de Jerusalém, e depois na queda do Império Romano étnico, os dois typos do fim do século, ou seja do término do ciclo, que usaram Jesus Cristo mesmo e o discípulo amado: cumpriu-se em sua primeira fase para os ouvintes do Messias; e se cumprirá em sua forma completa para nós, que pensamos menos no Fim do Mundo que os primeiros cristãos. E, sem dúvida, estamos mais próximos que eles!
Porque o drama da História se desenvolve em planos escalonados, como todo drama se desenvolve em cenas que contêm todas a mesma idéia fundamental, a desdobrar-se no desenlace. E assim todas as grandes quedas dos impérios perseguidores da Igreja, as grandes ressurreições triunfais do cristianismo e as grandes varreduras que faz Deus de raças inteiras apóstatas ou degeneradas, podem ser consideradas como realizações parciais e figurativas da Presença (parousía) de Cristo na História e de sua revelação (apokalypsis) definitiva.
(Pe. Leonardo Castellani, Cristo ¿Vuelve o No Vuelve?)

Original em: http://www.ncsanjuanbautista.com.ar

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Os santos mártires de Gorkum

“Depois que Lutero rompeu com a Igreja, sua revolução religiosa foi contaminando toda a Europa como uma erisipela. Surgiram então outros “reformadores”, como Calvino, que tiveram maior ou menor sucesso em suas revoltas. Embora pregassem o “livre exame”, às vezes eles se combatiam entre si, procurando os de uma corrente convencer os de outras da superioridade da “sua verdade”. No ano de 1571, houve na Holanda uma luta entre luteranos e calvinistas, tornando-se vitoriosos os segundos. Nesse mesmo ano, os calvinistas realizaram na cidade de Embden seu primeiro sínodo no país, que então pertencia à católica Espanha. No dia 1º de abril daquele ano, parte dessa seita –– a dos “mendigos do mar”, formada por ex-marinheiros ou ex-piratas — conquistou as cidades de Briel e Vlissingen, ameaçando Gorkum também na Holanda.
Gorkum era uma pequena cidade de seis a sete mil habitantes, às margens do rio Mosa, dedicada à agricultura e ao comércio. Se bem que aproximadamente 60% de seus habitantes fossem católicos, parte deles não era praticante, e temia-se que, pressionada em seus haveres, abandonasse a verdadeira fé para não perder bens materiais.
O centro do catolicismo na cidade era o convento dos capuchinhos. Estes eram pouco numerosos, mas o ardor de seu zelo e a pureza de sua vida multiplicavam sua influência, tornando-os modelos da vida cristã. Sobressaía entre eles sobretudo seu jovem superior, Frei Nicolau Pik, homem piedoso e de pulso forte, que dirigia seus subalternos com doce firmeza e determinação. Sua família era da cidade e, na iminência da invasão calvinista, pressionou-o para que deixasse Gorkum e procurasse asilo em outra cidade. Mas Frei Nicolau não queria ouvir falar disso: abandonar seus frades à própria sorte, fugindo ele só do perigo?
Entretanto, para evitar o perigo de profanações, recolheu os vasos sagrados e as relíquias dos santos na cidadela, por ser o local mais seguro.
Protestantes traem sua cidade
religiosos, alguns eclesiásticos e um grupo mais determinado de católicos refugiaram-se na cidadela, na esperança de que chegasse o reforço que o governador, Gaspar Turco, havia pedido para enfrentar os protestantes.
Entrementes, o prefeito da cidade, por ordem dos assaltantes, fez soar os sinos para reunir os habitantes na grande praça. Propôs então a todos jurar ódio aos espanhóis e ao Duque de Alba, e fidelidade ao duque Guilherme de Nassau (líder dos protestantes holandeses revoltosos) e aos “santos Evangelhos” –– expressão dúbia, para ainda não falar em apostasia.
Os “mendigos do mar” puseram cerco então à cidadela. Esta não tinha condições para resistir por muito tempo, por falta de víveres e munição. Pior ainda, havia somente uma vintena de defensores hábeis, pois grande parte dos refugiados era composta de mulheres e crianças, ou de religiosos não afeitos às armas.
O cerco foi se fechando. Os defensores tiveram que abandonar uma primeira muralha para refugiar-se na segunda, por fim na terceira e última. Nessa iminência, alguns dos defensores jogaram suas armas e passaram-se para o inimigo. As mulheres, chorando, pressionaram o governador para que entregasse a cidadela, a fim de evitar o pior. Gaspar Turco pediu uma trégua para parlamentar. As condições impostas pelos protestantes foram duras: eles se propunham a não fazer nenhum mal aos que se encontravam na cidadela, leigos ou eclesiásticos, e a deixá-los livres. A única condição era que tornar-se-ia propriedade dos assaltantes tudo o que lhes pertencesse.
Os defensores preparam-se para o pior
Apesar disso, os eclesiásticos e os religiosos que se encontravam na cidadela, temendo o pior, confessaram-se uns aos outros e aos leigos. O Pe. Nicolau Pik, que havia levado consigo o Santíssimo Sacramento para não ser profanado pelos calvinistas, deu a comunhão a todos, preparando-se para os acontecimentos.
Quando foram abertas as portas da cidadela, os defensores ficaram chocados ao ver quantos católicos engrossavam as fileiras dos hereges. Logo que entraram, os calvinistas se lançaram sobre as vítimas, gritando: “Mostrai-nos vossos esconderijos, porque tudo o que tendes nos pertence”. E as agarravam, revirando seus bolsos, arrancando-lhes a roupa com brutalidade e violência. A garantia dada por eles não passou de pura ficção. Cada um tinha como ponto de honra rivalizar-se no modo de maltratar os prisioneiros, que denominavam “defensores do papismo e do despotismo espanhol”, porcos e outros epítetos que uma pena católica não pode reproduzir.
A ira deles caiu em determinado momento sobre Teodoro Brommer, que estava com seu filho e era um dos principais campeões da fé católica. Apesar do prometido, os hereges o enforcaram numa praça pública de Gorkum.
Começa a "via crucis" dos religiosos
Enfim, todos os leigos, depois de terem pago grosso resgate, foram libertos. Mas não os eclesiásticos e religiosos. Estes foram postos na prisão junto aos outros presos. Como não tinham comido nada desde a véspera e era uma sexta-feira, os hereges lhes ofereceram uma refeição de suculenta carne para os ver romper a abstinência. Eles preferiram acrescentar a seus sofrimentos físicos e morais, além da abstinência, também o jejum.
Os protestantes, que souberam que o Pe. Nicolau Pik havia levado consigo o Santíssimo Sacramento, apontaram-lhe uma pistola ao peito e perguntaram: “Onde está o Deus que você se fabrica no altar? Você, que do púlpito ensinava tantas besteiras aos imbecis, que diz agora, que tem esta pistola ao peito?”. Esse confessor da fé respondeu resolutamente: “Eu creio em tudo o que crê e ensina a Igreja Católica, Apostólica, Romana, e em particular na presença real de meu Deus nas espécies sacramentais”.
Os interrogatórios, as torturas, os maus tratos aos prisioneiros foram diários, até que os mandaram para a cidade de La Brille para serem julgados. Lá presidia os hereges o conde de Marck, inimigo de morte dos católicos, e que havia jurado não deixar escapar nenhum eclesiástico que lhe caísse às mãos. Dizia que jurara vingar os condes de Horn e de Egmont, justiçados pela Espanha por sua revolta.
Outros dois eclesiásticos e dois religiosos premonstratenses, os Pes. Adriano Becan e Tiago Lacop, juntaram-se aos prisioneiros de Gorkum.
Os protestantes tinham esperança de fazer apostatar especialmente um jovem religioso capuchinho de 18 anos, muito simples. Perguntaram-lhe se ainda acreditava em todas as bobagens dos papistas. Ele respondeu: “Eu creio exatamente em tudo o que crê o padre superior”.
Perguntaram ao Pe. Leonardo por que cria na autoridade do Papa. Ele respondeu que considerava esse ponto a pedra angular da fé católica, e não compreendia como os protestantes podiam criticar essa crença, pois diziam que a fé era livre. Segundo eles, cada um tinha o direito de encontrar na Bíblia o que o Espírito Santo lhe inspirasse. Então, se o Espírito Santo inspirasse alguém a descobrir nela a primazia e a infalibilidade de Pedro e seus sucessores, a que título podiam eles condenar isso? Ficou sem resposta.
Consuma-se o martírio dos 19 heróis
Finalmente, na madrugada de 9 de julho de 1572, à uma hora da manhã, fizeram levantar todos os prisioneiros e os levaram para um edifício abandonado. Percebendo que sua hora chegara, esses heróis de Cristo deram-se mais uma vez a absolvição e esperaram o martírio.
Por um requinte de crueldade e só para humilhá-los, embora os fossem enforcar, fizeram todos se despir para serem sentenciados. Vendo o horror da morte que o esperava, um jovem noviço fraquejou e apostatou. Mais tarde teria a graça da reconversão e narraria os horrores a que assistiu nessa noite. Mas infelizmente não foi o único a fraquejar. Um outro religioso, Guilherme, ao chegar seu turno de morrer, gritou que renunciava ao Papa e a tudo que quisessem, mas que lhe poupassem a vida. Esse infeliz caiu depois em tantos excessos que, apenas dois meses depois do martírio de seus irmãos, pereceu também numa forca, perdendo a coroa da glória eterna...
Ao todo foram 19 mártires de Jesus Cristo que deram sua vida pela verdadeira fé naquele dia, sendo dez capuchinhos, seis padres seculares, dois premonstratenses e um agostiniano.
Logo que morreu o último, os protestantes atiraram-se sobre eles selvagemente, cortando a um o nariz, a outra orelha ou a mão, a outro até as partes pudendas do corpo. Depois desfilaram pela cidade levando esse sinistro troféu na ponta da lança. Alguns chegaram mesmo a retirar dos cadáveres a gordura, para vendê-la a fábricas de ungüentos.
No mesmo dia, um dos principais católicos de Gorkum, com risco de vida, foi ter com as autoridades protestantes, pedindo os corpos dos mártires para dar-lhes sepultura cristã. Os hereges apressaram-se então a enterrá-los em duas fossas comuns. O escritor Estius narrou em 1603: “É lá que repousam em terra estrangeira, em meio aos inimigos da Igreja, até que Deus, apaziguado por seus méritos e preces, dê a paz a esses países belgas tão longamente perturbados, e inspire a seus servidores a vontade de recolher esses restos sagrados para dar-lhes as honras devidas”.”

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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Discurso de ódio, ou a atribuição ao acusado do ódio sentido pelo acusador


“Em todas as causas às quais os otimistas inescrupulosos aderem há uma tendência de acusar os oponentes de ‘ódio’ e de ‘discurso de ódio’, embora esses oponentes sejam eles próprios o alvo desse ódio, e não a sua fonte. Os opositores do casamento gay na América regularmente recebem e-mails ameaçadores denunciando-os pelo ‘ódio’ que eles estão propagando. Duvidar da equivalência entre o sexo gay e o casamento heterossexual é evidenciar ‘homofobia’, o equivalente moral do racismo que levou a Auschwitz. Da mesma forma, a crítica pública ao Islã e aos islamitas é um sinal de ‘islamofobia’, agora transformada em crime no direito belga; e leis contra discursos que incitem o ódio fazem parte dos livros estatutários de muitos países europeus, tornando a mera discussão de questões que são da maior importância para o nosso futuro um crime. O ponto importante aqui não é o acerto ou engano das atitudes denunciadas, e sim o hábito de atribuir ao acusado o ódio sentido pelo acusador. Esse hábito encontra-se profundamente arraigado na psique humana e pode ser testemunhado em todas as caças às bruxas documentadas por Mackay e outros.”
(Roger Scruton, As Vantagens do Pessimismo)

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Como entender a Esquerda brasileira


“Antes de entrar numa discussão envolvendo política no Brasil, você precisa saber que as palavras aqui não significam o mesmo que em outras partes do mundo civilizado. Assim, rasgue seus manuais de filosofia política e acompanhe os ensinamentos do mestre João Santana:
1- "Esquerda", no Brasil, é o PT. Tudo que se alie ao PT ganha o direito de ser chamado de "progressista", como, por exemplo, o PMDB, o PP, Sarney, Collor, a Igreja Universal, o Ahmadinejad e as Farc. Não existe algo como “extrema esquerda”: a esquerda é SEMPRE moderada.
2- Por via reflexa, tudo o que se oponha ao PT é "direita", "extrema direita" e "ultra direita", incluindo o Partido Socialista do Brasil e o Partido Verde. Gente como Marina Silva, Fernando Gabeira, Ferreira Gullar e Luiza Erundina se tornam "conservadores", pra não dizer apóstatas mesmo, traidores da única e verdadeira fé (que é o petismo ortodoxo). Você só pode fazer oposição legítima ao PT se, antes de cada frase, anunciar que está fazendo oposição "à esquerda da presidenta", como faz o Jean Wyllys.
3- Usar o estado, através do BNDES, pra transferir 6% do PIB nacional para 700 grandes compadres escolhidos a dedo costumava ser chamado de "clientelismo" quando os militares faziam. Mas se a esquerda faz, é "nacional-desenvolvimentismo". E se você aponta que é tudo igual, então você é "reaça".
4- Fazer leis separando as pessoas em virtude da cor da pele costumava ser chamado de "racismo" quando Hitler e os sul africanos faziam, mas se a esquerda faz é "discriminação positiva". E se você critica, o racista é VOCÊ! (vide “reversal russa”).
5- Usar assistencialismo pra cooptar grandes porções do eleitorado costumava se chamar "voto de cabresto", quando os coronéis de norte a sul faziam. Mas se a esquerda faz é "justiça social". E se você discorda é porque você é "fascista".
6- Todo mundo que é de esquerda (ver item 1) é super favorável a liberdade de expressão e de comunicação (vide “tolerância”, adiante). Mas desde que seja pra elogiar o governo. Porque se falar mal, é "tentativa de golpe" (ver item 8), da "direita" (ver item 2) e do "PIG" (ver item 9).
7- “Tolerância” é um conceito que se aplica apenas a quem é de “esquerda” (vide item 1). Os guerreiros da justiça social abraçam o conceito de “tolerância repressiva” do Marcuse: se você não estiver no seu “local de fala” (na opinião revolucionária corrente), você será sumariamente censurado sem que se veja nisso qualquer ofensa ao princípio democrático. Em países em que a esquerda tenha conseguido obliterar qualquer oposição, “censura” é sinônimo de “paredão”.
8- O próprio conceito de "golpe", no Brasil, é relativo. Apear um governo de esquerda, sem dúvida alguma, é "golpe". Inclusive se for democraticamente, via eleições ou impeachment, já que nesse caso o povo é "alienado" (quando o povo alienado elege um governo de "esquerda", ele instantaneamente adquire consciência política. Nem precisa ler ou estudar, basta digitar "13 confirma" que a pessoa, no mesmo instante, se torna politizada). Agora, derrubar um governo de direita, mesmo que seja pela guerrilha armada e pelo terrorismo, nunca é "golpe". Nesse caso, é "luta popular”. Ainda que o povo não tenha nem queira ter nada a ver com isso.
9- "Partido da imprensa golpista", também conhecido como "PIG", são os jornalões como a Folha que, apesar de publicarem as colunas de Guilherme Boulos, Vladimir Safatle, Antonio Prata, Juca Kfouri, Janio de Freitas, Gregório Duvivier, Carlos Heitor Cony, Mario Sergio Conti e Ricardo Melo (e do Xico Sá, antes de ele dar piti porque não pôde declarar voto a Dilma em seu comentário sobre a 29ª rodada do Brasileirão de 2014), são "reacionários, "fascistas" e "coxinhas", tudo junto e misturado. A Globo, apesar do “Esquenta” vender o funk como alta cultura, e apesar de colocar casal gay até na Malhação, é “conservadora” e de “direita”.
10- "Atentado terrorista" é sempre coisa da "direita raivosa". Quando um cara da "esquerda" explode bombas e mata inocentes, ele é "revolucionário" (também conhecido como "herói" - vide o verbete "Cesare Battisti").
11- Chamar alguém pelo gentílico (por exemplo, “mineiro”, “cearense” ou “pernambucano”) é "preconceito de origem" e “xenofobia”. Mas chamar alguém de "elite branca paulista", não. E eu não sei explicar o porquê. Próximo tópico.
12- "Privatizar", assim entendido como transferir para a iniciativa privada o controle de uma companhia estatal deficitária e cujas diretorias são utilizadas para a prática de prevaricação, lavagem de dinheiro e tráfico de influência, é um crime hediondo. Quem defende privatização é "coxinha". Quem aponta que a sociedade em geral ganha com as privatizações é “entreguista”. A não ser que o governo que privatiza seja de "esquerda". Aí é "concessão", que é uma coisa muito progressista feita em benefício do povo. Mas só a “esquerda” sabe como fazer “concessões”. Quando outro governo faz concessões, ele também é “entreguista”. E não vamos discutir mais isso, por favor.”
(Rafael Rosset, Como Entender a Esquerda Brasileira (?!))

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Será uma desgraça o Sínodo da Amazônia?


“Sem questionar absolutamente a conclusão a que chegaram alguns ilustres dignitários eclesiásticos em seu juízo condenatório do Instrumentum laboris do próximo Sínodo da Amazônia, os quais o classificaram como herético e apóstata, desejaria apenas desenvolver algumas reflexões sobre a possibilidade de a referida assembléia episcopal, a ser mantida a orientação contida no Instrumentum laboris, constituir efetivamente, como pensam alguns, uma desgraça para a Igreja e uma ameaça para a soberania dos Estados da Região Amazônica.
Não me parece que as diretrizes que vierem a ser emanadas do Sínodo da Amazônia, ainda que tenham mais tarde uma repercussão e aplicação sobre toda a Igreja pós-conciliar, possam representar uma obra devastadora da Vinha do Senhor, corrompendo a fé e a moral dos pobres fiéis que ainda frequentam as paróquias Novus Ordo, com seus diáconos permanentes, suas ministras extraordinárias da Eucaristia, suas leitoras, salmistas, e as diversas pastorais e movimentos, como, por exemplo, a pastoral dos recasados, aliás, já admitidos, em grande medida, à recepção da sagrada Eucaristia.
Não creio que os católicos aggiornati, que em sua imensa maioria há décadas se acostumaram à nova liturgia e apoiam docilmente a famigerada campanha da fraternidade, venham a escandalizar-se e abandonar suas paróquias, caso as ministras da Eucaristia venham a ser “ordenadas” diaconisas e os diáconos permanentes se tornem padres casados. E caso sejam reincorporados os padres défroqués casados, os padres da Associação Internacional dos Padres Casados, que tinham apoio do então cardeal de Buenos Aires Jorge Maria Bergoglio, certamente a maioria dos católicos Novus Ordo não se oporá. Os católicos das paróquias renovadas por mais de cinqüenta anos de mudanças pós-conciliares vão encarar tudo com a maior naturalidade. E a Igreja do Vaticano II vai continuar sua marcha de ruptura com a Igreja de sempre, a Igreja Católica Romana, imutável em sua perene tradição.
Na verdade, o Sínodo da Amazônia vai limitar-se a divulgar urbi et orbi o que tem sido a prática pastoral e litúrgica constante dos rincões onde predomina a religiosidade reformada pela teologia neo-modernista do Vaticano II e dos ideólogos da teologia da libertação. Deste modo, o próximo sínodo cumprirá a missão para a qual foi estabelecido periodicamente na Igreja por Paulo VI: manter a Igreja em movimento, à luz do Vaticano II e da moderna produção teológica.
De maneira que todas aquelas aberrações litúrgicas e pastorais para as quais faziam vista grossa os predecessores de Bergoglio (se é que no fundo do coração não as aprovavam) agora, por ocasião do sínodo, vão conquistar maior amplitude, porque o erro é sempre mais contagioso quando promovido do alto. Este talvez seja o único problema do sínodo.
Causa-me aborrecimento ver alguns católicos conservadores (que eu chamaria filo-tradicionalistas por causa de sua simpatia pela liturgia romana antiga e por causa de algumas críticas que formulam a algumas reformas decorrentes do Vaticano II) desancando o bispo de Roma pela organização do Sínodo da Amazônia e acusando-o de romper com o magistério de seus predecessores imediatos, sobretudo no que concerne à teologia da libertação e à abertura aos ritos das religiões pagãs. Francisco poderia responder-lhes, se quisesse, dizendo que age com base no precedente da célebre controvérsia em torno dos ritos chineses. Estes ritos sincretistas, que produziram enorme confusão em detrimento das missões jesuíticas no Oriente ao tempo do Pe. Mateus Ricci, a princípio foram condenados e depois da supressão da Companhia de Jesus acabaram readmitidos. Francisco Bergoglio poderia também dizer aos católicos conservadores que admiram tanto João Paulo II que os novos ritos que provavelmente serão aprovados no próximo sínodo não serão nada extravagantes se comparados com a liturgia adotada nas viagens de João Paulo II a Papua-Guiné, quando uma mulher em topless fez leitura em sua missa, ou quando recebeu de uma sacerdotisa pagã o sinal de adorador de Shiva. Por que canonizar João Paulo II e desancar Francisco?
Inegavelmente cumpre dizer que há uma ruptura na Igreja pós-conciliar, mas é inaceitável que, por covardia, por oportunismo, por medo de escandalizar os devotos de João Paulo II que agora estão chocados com Francisco, não se diga onde reside a ruptura. Francisco não rompe com João Paulo II (nem sequer na questão da teologia da libertação), não rompe com Ratzinger (nem sequer na questão da admissão dos recasados à mesa da comunhão), não rompe com Montini nem com Roncalli. São todos estes que, na verdade, romperam com a tradição precedente ao Vaticano II. O que ocorre é que, ao contrário dos outros papas pós-conciliares que governaram a Igreja explorando as ambiguidades do Vaticano II e com isso conseguiram manobrar os incautos, os idiotas úteis, os companheiros de viagem, os ambiciosos por subir na carreira eclesiástica, Francisco não faz esse jogo político, não tenta enganar ninguém, mas diz claramente o que quer e aonde quer chegar.
Quanto à soberania do Brasil sobre a Amazônia, sinceramente parece-me ridículo pensar que as intrigas políticas de que o Sínodo possa vir a ser o teatro representem um perigo para a integridade do território nacional. O nosso presidente da República e o Exército Brasileiro têm plena consciência e responsabilidade para cumprir com valor sua missão de defesa da nação. Foi-se o tempo que as querelas teológicas podiam ter tanto alcance. Qual chefe de governo, hoje, lê as encíclicas papais e as põe em prática? Poderá haver muita verborragia demagógica e interesseira em torno da preservação das florestas, mas o Brasil saberá defender seus direitos.
De modo que, se cabe falar em desgraça para a Igreja ou ameaça para o Brasil decorrentes do Sínodo da Amazônia, é preciso que se aponte a sua fonte mais longínqua. A fonte não é o nosso Amazonas, a fonte não é o Tibre que passa a poucas quadras de distância do Vaticano, a fonte é o Reno, a fonte é a Nouvelle Theologie, que dominou a mente de todos os papas pós-conciliares e hoje avança sob o pontificado de Francisco.
Mas tenho plena confiança de que, se Deus permite tanta confusão em sua Igreja, é porque dessa barafunda toda há de tirar um bem muito maior; é porque obrigará os católicos a tomar uma posição (ou são católicos fiéis à tradição ou são modernistas, não é possível meio termo); é porque Deus obrigará os homens de fé, os teólogos de grande descortino, a aprofundar ainda mais seus estudos para esclarecer todos os pontos controvertidos, para fazer triunfar sobre o erro insidioso a verdade imutável e, por fim, o dogma brilhar com mais fulgor em toda a Igreja, para glória do nosso Divino Salvador e de nossa Mãe Maria Santíssima e para o bem de todos os que os amam e servem.
Portanto, se há desgraça e ameaça no Sínodo da Amazônia, os atingidos por tal desgraça não seremos nós os católicos da tradição. Desgraçados e ameaçados serão os católicos funâmbulos, os católicos do Instituto João Paulo II reestruturado por Francisco, os católicos ditos conservadores que preferiram ficar em cima do muro nestes últimos anos, servindo a uma Igreja que não é plenamente tradicional nem plenamente modernista. Estes serão os desgraçados.”

http://santamariadasvitorias.org