segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Como entender a Esquerda brasileira


“Antes de entrar numa discussão envolvendo política no Brasil, você precisa saber que as palavras aqui não significam o mesmo que em outras partes do mundo civilizado. Assim, rasgue seus manuais de filosofia política e acompanhe os ensinamentos do mestre João Santana:
1- "Esquerda", no Brasil, é o PT. Tudo que se alie ao PT ganha o direito de ser chamado de "progressista", como, por exemplo, o PMDB, o PP, Sarney, Collor, a Igreja Universal, o Ahmadinejad e as Farc. Não existe algo como “extrema esquerda”: a esquerda é SEMPRE moderada.
2- Por via reflexa, tudo o que se oponha ao PT é "direita", "extrema direita" e "ultra direita", incluindo o Partido Socialista do Brasil e o Partido Verde. Gente como Marina Silva, Fernando Gabeira, Ferreira Gullar e Luiza Erundina se tornam "conservadores", pra não dizer apóstatas mesmo, traidores da única e verdadeira fé (que é o petismo ortodoxo). Você só pode fazer oposição legítima ao PT se, antes de cada frase, anunciar que está fazendo oposição "à esquerda da presidenta", como faz o Jean Wyllys.
3- Usar o estado, através do BNDES, pra transferir 6% do PIB nacional para 700 grandes compadres escolhidos a dedo costumava ser chamado de "clientelismo" quando os militares faziam. Mas se a esquerda faz, é "nacional-desenvolvimentismo". E se você aponta que é tudo igual, então você é "reaça".
4- Fazer leis separando as pessoas em virtude da cor da pele costumava ser chamado de "racismo" quando Hitler e os sul africanos faziam, mas se a esquerda faz é "discriminação positiva". E se você critica, o racista é VOCÊ! (vide “reversal russa”).
5- Usar assistencialismo pra cooptar grandes porções do eleitorado costumava se chamar "voto de cabresto", quando os coronéis de norte a sul faziam. Mas se a esquerda faz é "justiça social". E se você discorda é porque você é "fascista".
6- Todo mundo que é de esquerda (ver item 1) é super favorável a liberdade de expressão e de comunicação (vide “tolerância”, adiante). Mas desde que seja pra elogiar o governo. Porque se falar mal, é "tentativa de golpe" (ver item 8), da "direita" (ver item 2) e do "PIG" (ver item 9).
7- “Tolerância” é um conceito que se aplica apenas a quem é de “esquerda” (vide item 1). Os guerreiros da justiça social abraçam o conceito de “tolerância repressiva” do Marcuse: se você não estiver no seu “local de fala” (na opinião revolucionária corrente), você será sumariamente censurado sem que se veja nisso qualquer ofensa ao princípio democrático. Em países em que a esquerda tenha conseguido obliterar qualquer oposição, “censura” é sinônimo de “paredão”.
8- O próprio conceito de "golpe", no Brasil, é relativo. Apear um governo de esquerda, sem dúvida alguma, é "golpe". Inclusive se for democraticamente, via eleições ou impeachment, já que nesse caso o povo é "alienado" (quando o povo alienado elege um governo de "esquerda", ele instantaneamente adquire consciência política. Nem precisa ler ou estudar, basta digitar "13 confirma" que a pessoa, no mesmo instante, se torna politizada). Agora, derrubar um governo de direita, mesmo que seja pela guerrilha armada e pelo terrorismo, nunca é "golpe". Nesse caso, é "luta popular”. Ainda que o povo não tenha nem queira ter nada a ver com isso.
9- "Partido da imprensa golpista", também conhecido como "PIG", são os jornalões como a Folha que, apesar de publicarem as colunas de Guilherme Boulos, Vladimir Safatle, Antonio Prata, Juca Kfouri, Janio de Freitas, Gregório Duvivier, Carlos Heitor Cony, Mario Sergio Conti e Ricardo Melo (e do Xico Sá, antes de ele dar piti porque não pôde declarar voto a Dilma em seu comentário sobre a 29ª rodada do Brasileirão de 2014), são "reacionários, "fascistas" e "coxinhas", tudo junto e misturado. A Globo, apesar do “Esquenta” vender o funk como alta cultura, e apesar de colocar casal gay até na Malhação, é “conservadora” e de “direita”.
10- "Atentado terrorista" é sempre coisa da "direita raivosa". Quando um cara da "esquerda" explode bombas e mata inocentes, ele é "revolucionário" (também conhecido como "herói" - vide o verbete "Cesare Battisti").
11- Chamar alguém pelo gentílico (por exemplo, “mineiro”, “cearense” ou “pernambucano”) é "preconceito de origem" e “xenofobia”. Mas chamar alguém de "elite branca paulista", não. E eu não sei explicar o porquê. Próximo tópico.
12- "Privatizar", assim entendido como transferir para a iniciativa privada o controle de uma companhia estatal deficitária e cujas diretorias são utilizadas para a prática de prevaricação, lavagem de dinheiro e tráfico de influência, é um crime hediondo. Quem defende privatização é "coxinha". Quem aponta que a sociedade em geral ganha com as privatizações é “entreguista”. A não ser que o governo que privatiza seja de "esquerda". Aí é "concessão", que é uma coisa muito progressista feita em benefício do povo. Mas só a “esquerda” sabe como fazer “concessões”. Quando outro governo faz concessões, ele também é “entreguista”. E não vamos discutir mais isso, por favor.”
(Rafael Rosset, Como Entender a Esquerda Brasileira (?!))

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Será uma desgraça o Sínodo da Amazônia?


“Sem questionar absolutamente a conclusão a que chegaram alguns ilustres dignitários eclesiásticos em seu juízo condenatório do Instrumentum laboris do próximo Sínodo da Amazônia, os quais o classificaram como herético e apóstata, desejaria apenas desenvolver algumas reflexões sobre a possibilidade de a referida assembléia episcopal, a ser mantida a orientação contida no Instrumentum laboris, constituir efetivamente, como pensam alguns, uma desgraça para a Igreja e uma ameaça para a soberania dos Estados da Região Amazônica.
Não me parece que as diretrizes que vierem a ser emanadas do Sínodo da Amazônia, ainda que tenham mais tarde uma repercussão e aplicação sobre toda a Igreja pós-conciliar, possam representar uma obra devastadora da Vinha do Senhor, corrompendo a fé e a moral dos pobres fiéis que ainda frequentam as paróquias Novus Ordo, com seus diáconos permanentes, suas ministras extraordinárias da Eucaristia, suas leitoras, salmistas, e as diversas pastorais e movimentos, como, por exemplo, a pastoral dos recasados, aliás, já admitidos, em grande medida, à recepção da sagrada Eucaristia.
Não creio que os católicos aggiornati, que em sua imensa maioria há décadas se acostumaram à nova liturgia e apoiam docilmente a famigerada campanha da fraternidade, venham a escandalizar-se e abandonar suas paróquias, caso as ministras da Eucaristia venham a ser “ordenadas” diaconisas e os diáconos permanentes se tornem padres casados. E caso sejam reincorporados os padres défroqués casados, os padres da Associação Internacional dos Padres Casados, que tinham apoio do então cardeal de Buenos Aires Jorge Maria Bergoglio, certamente a maioria dos católicos Novus Ordo não se oporá. Os católicos das paróquias renovadas por mais de cinqüenta anos de mudanças pós-conciliares vão encarar tudo com a maior naturalidade. E a Igreja do Vaticano II vai continuar sua marcha de ruptura com a Igreja de sempre, a Igreja Católica Romana, imutável em sua perene tradição.
Na verdade, o Sínodo da Amazônia vai limitar-se a divulgar urbi et orbi o que tem sido a prática pastoral e litúrgica constante dos rincões onde predomina a religiosidade reformada pela teologia neo-modernista do Vaticano II e dos ideólogos da teologia da libertação. Deste modo, o próximo sínodo cumprirá a missão para a qual foi estabelecido periodicamente na Igreja por Paulo VI: manter a Igreja em movimento, à luz do Vaticano II e da moderna produção teológica.
De maneira que todas aquelas aberrações litúrgicas e pastorais para as quais faziam vista grossa os predecessores de Bergoglio (se é que no fundo do coração não as aprovavam) agora, por ocasião do sínodo, vão conquistar maior amplitude, porque o erro é sempre mais contagioso quando promovido do alto. Este talvez seja o único problema do sínodo.
Causa-me aborrecimento ver alguns católicos conservadores (que eu chamaria filo-tradicionalistas por causa de sua simpatia pela liturgia romana antiga e por causa de algumas críticas que formulam a algumas reformas decorrentes do Vaticano II) desancando o bispo de Roma pela organização do Sínodo da Amazônia e acusando-o de romper com o magistério de seus predecessores imediatos, sobretudo no que concerne à teologia da libertação e à abertura aos ritos das religiões pagãs. Francisco poderia responder-lhes, se quisesse, dizendo que age com base no precedente da célebre controvérsia em torno dos ritos chineses. Estes ritos sincretistas, que produziram enorme confusão em detrimento das missões jesuíticas no Oriente ao tempo do Pe. Mateus Ricci, a princípio foram condenados e depois da supressão da Companhia de Jesus acabaram readmitidos. Francisco Bergoglio poderia também dizer aos católicos conservadores que admiram tanto João Paulo II que os novos ritos que provavelmente serão aprovados no próximo sínodo não serão nada extravagantes se comparados com a liturgia adotada nas viagens de João Paulo II a Papua-Guiné, quando uma mulher em topless fez leitura em sua missa, ou quando recebeu de uma sacerdotisa pagã o sinal de adorador de Shiva. Por que canonizar João Paulo II e desancar Francisco?
Inegavelmente cumpre dizer que há uma ruptura na Igreja pós-conciliar, mas é inaceitável que, por covardia, por oportunismo, por medo de escandalizar os devotos de João Paulo II que agora estão chocados com Francisco, não se diga onde reside a ruptura. Francisco não rompe com João Paulo II (nem sequer na questão da teologia da libertação), não rompe com Ratzinger (nem sequer na questão da admissão dos recasados à mesa da comunhão), não rompe com Montini nem com Roncalli. São todos estes que, na verdade, romperam com a tradição precedente ao Vaticano II. O que ocorre é que, ao contrário dos outros papas pós-conciliares que governaram a Igreja explorando as ambiguidades do Vaticano II e com isso conseguiram manobrar os incautos, os idiotas úteis, os companheiros de viagem, os ambiciosos por subir na carreira eclesiástica, Francisco não faz esse jogo político, não tenta enganar ninguém, mas diz claramente o que quer e aonde quer chegar.
Quanto à soberania do Brasil sobre a Amazônia, sinceramente parece-me ridículo pensar que as intrigas políticas de que o Sínodo possa vir a ser o teatro representem um perigo para a integridade do território nacional. O nosso presidente da República e o Exército Brasileiro têm plena consciência e responsabilidade para cumprir com valor sua missão de defesa da nação. Foi-se o tempo que as querelas teológicas podiam ter tanto alcance. Qual chefe de governo, hoje, lê as encíclicas papais e as põe em prática? Poderá haver muita verborragia demagógica e interesseira em torno da preservação das florestas, mas o Brasil saberá defender seus direitos.
De modo que, se cabe falar em desgraça para a Igreja ou ameaça para o Brasil decorrentes do Sínodo da Amazônia, é preciso que se aponte a sua fonte mais longínqua. A fonte não é o nosso Amazonas, a fonte não é o Tibre que passa a poucas quadras de distância do Vaticano, a fonte é o Reno, a fonte é a Nouvelle Theologie, que dominou a mente de todos os papas pós-conciliares e hoje avança sob o pontificado de Francisco.
Mas tenho plena confiança de que, se Deus permite tanta confusão em sua Igreja, é porque dessa barafunda toda há de tirar um bem muito maior; é porque obrigará os católicos a tomar uma posição (ou são católicos fiéis à tradição ou são modernistas, não é possível meio termo); é porque Deus obrigará os homens de fé, os teólogos de grande descortino, a aprofundar ainda mais seus estudos para esclarecer todos os pontos controvertidos, para fazer triunfar sobre o erro insidioso a verdade imutável e, por fim, o dogma brilhar com mais fulgor em toda a Igreja, para glória do nosso Divino Salvador e de nossa Mãe Maria Santíssima e para o bem de todos os que os amam e servem.
Portanto, se há desgraça e ameaça no Sínodo da Amazônia, os atingidos por tal desgraça não seremos nós os católicos da tradição. Desgraçados e ameaçados serão os católicos funâmbulos, os católicos do Instituto João Paulo II reestruturado por Francisco, os católicos ditos conservadores que preferiram ficar em cima do muro nestes últimos anos, servindo a uma Igreja que não é plenamente tradicional nem plenamente modernista. Estes serão os desgraçados.”

http://santamariadasvitorias.org

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Jacques Plocard d’Assac: História da loja maçônica B'nai B'rith


"New York, 1º de outubro de 1843. No Café Sinsberner, onze judeus imigrados da Alemanha fazem uma misteriosa reunião. Trata-se de criar uma obediência maçônica reservada exclusivamente aos judeus.
A concepção não deixa de ser curiosa. Com efeito, a franco-maçonaria se proclama por cima de todas as religiões e de todas as raças; portanto não parece impossível que os judeus possam iniciar-se em alguma das lojas maçônicas existentes. Parece, contudo, que neste ambiente do século XIX não estava ausente certo racismo na sociedade protestante norte-americana. Um pouco por todos os lados se encontram inscrições discriminatórias indicando: "só se admitem cristãos" ou "a clientela judia é indesejável". A questão é que os onze judeus do Café Sinsberner desejavam uma obediência maçônica reservada aos judeus unicamente. Sem dúvida haviam medido o interesse que poderia haver em contar com uma sociedade secreta a sua disposição exclusiva. Ademais, devem buscar um nome. De início o grupo era chamado Bruder Hundes – ou União Fraternal – mas logo vão encontrar um melhor: será o de B'nai B'rith.
É interessante saber como se chega a ele. B'nai vem da raiz hebraica Ben que significa "filho" mas que pode significar também "príncipe, habitante, comunidade, discípulo". Quanto a B'rith, que originalmente tinha o sentido de parte de animal nos sacrifícios rituais, derivou depois no de "tratado, aliança, promessa". A expressão completa significa portanto: os Filhos da Aliança, os Príncipes da Promessa, os Filhos da União. Amiúde se encontra a deformação iídiche de Bne Briss usada na Alemanha. Os judeus sefarditas, no entanto, pronunciam Beni Berith.
Eis aqui os onze fundadores providos de um nome. É indispensável supor que já eram maçons, afiliados a lojas norte-americanas, visto que elegeram um ritual que é uma mistura do rito de York com o rito norte-americano de Old Fellows. Sua primeira loja levará o nome de New-York Lodge, cujo primeiro presidente será Julius Bien, embora o fundador da obediência fosse o Irmão Henry Jones. Os B'nai B'rith de 1843 parecem ser judeus vindos exclusivamente da Alemanha e seus escritos estavam em alemão.
O êxito é veloz nesta comunidade fechada onde as notícias correm. Um ano depois de sua fundação a ordem está em condição de abrir uma nova loja em New York e uma terceira em Baltimore. Mas a B'nai B'rith tinha uma vocação internacional. Precisava responder aos requerimentos do povo judeu disperso. Já em 1849, em Cincinnati, uma loja atuará em inglês. Em 1850 existem 20 lojas B'nai B'rith nos Estados Unidos, as quais reúnem 2.218 membros no total. Começa a aparecer então o verdadeiro caráter desta maçonaria: o de ocupar-se das comunidades judias no mundo inteiro e antes de mais nada na Europa.
Em 1851 se a vê intervir frente às autoridades norte-americanas para protestar contra um tratado firmado entre os EUA e a Suíça porque certos cantões da Confederação Helvética impunham restrições aos direitos dos judeus. A B'nai B'rith era suficientemente poderosa para obter um triunfo. Em 1857 o tratado foi modificado. Dali em diante seu poder internacional não iria mais ceder, mas somente incrementar-se. A B'nai B'rith hoje em dia é membro consultor do Conselho da Europa, das Nações Unidas, da UNESCO e da OEA.
Na Europa, a B'nai B'rith até 1882, depois de haver-se propagado por toda a Alemanha – o que se explica pela origem de seus fundadores – , se havia difundido na Europa Central e Oriental: Bucareste, Praga, Constantinopla, Viena, Cracóvia. Em 1905, já se encontram lojas na Basiléia e em Zurique, em 1912 em Copenhague e em 1923 em Haia e Amsterdam. Estes nomes indicam por si mesmos que os B'nai B'rith primeiro se desenvolveram em países de forte população judia. Mas será nos EUA, contudo, onde seu poder se afirmará rapidamente. Em 1913 se os vê fundarem a Anti-Defamation League, liga contra o anti-semitismo, à maneira das organizações francesas similares LICRE e MRAP.
Na França a loja-mãe France 1151 é criada em Paris em 1932. Nos anos seguintes à "Liberation" terá por dirigente o Irmão Pierre-Jean Bloch e é através da personalidade deste último que se pode dar conta do poder oculto desta maçonaria. Pierre-Jean Bloch ocupa, em Londres, uma posição de capital importância ao redor do Gen. de Gaulle: é agregado ao gabinete particular do Chefe da "França Livre". Ali se ocupa em especial (cf. "Dictionnaire politique" de Costón, t. 1) dos serviços políticos: depuração, luta contra os petainistas, serviços secretos gaullistas. Na Argélia ocupa o cargo de delegado geral do Interior. De Gaulle em seu regresso à França o encarrega da liquidação dos bens da imprensa interdita. Finalmente, nos diz Costón, "funda e dirige uma agência de publicidade encarregada da distribuição do Orçamento de Israel".
Os B'nai B'rith durante o século XX exerceram, especialmente nos EUA, um papel político importante. Um deles, Samuel Rosenman, será, simultaneamente, presidente dos B'nai B'rith do Estado de New York e conselheiro íntimo do Irmão Roosevelt para quem, diz-se, preparava amiúde documentos e discursos. E continuará desempenhando o mesmo papel com o Irmão Truman.
Qual é o objetivo da Ordem?
O Guide Juif de France o resume assim: unir os judeus "por seus mais altos interesses e os da Humanidade" e mais precisamente "defender o patrimônio religioso e espiritual por uma ação educativa e cultural coerente especialmente entre os jovens e, consequentemente, reagir quando assim convenha contra as tendências assimiladoras". O qual é perfeitamente louvável do ponto de vista judeu.
A loja France 1151 havia sido fundada por um advogado russo, Henri Sliosberg, nascido em Mir e que fora deputado na Duma, refugiando-se depois na França quando o Irmão Kerensky deixou finalmente, por sua política liberal, a porta aberta para que os bolcheviques ficassem com o poder. Iniciado na maçonaria russa imigrada à França em 1921, foi depois fundador das lojas Astrée Hermés, Gamoione e Lotus do rito escocês. A loja France 1151 se instalou em Paris na rua Rembrand 6. Rapidamente se difundiu a tal ponto que as novas lojas tiveram que reunir-se em uma União das associações francesas B'nai B'rith. Destaquemos entre elas uma loja, Zadoc Kahn, fundada em 1963 e um capítulo, Anne Franck, criado em 1964. Conhecem-se lojas provinciais em Belfort, Clermont-Ferrand, Colmar, Granoble, Lille, Lyon, Marselha, Metz, Mulhouse, Nancy, Nice, Estrasburgo, Troyes e Villeurbaine. Os B'nai B'rith são mais de 500.000 iniciados espalhados em uma cinquentena de países. O orçamento anual da Ordem foi estimado em 1976 em cerca de 20 milhões de dólares.
Resta-nos ver, entretanto, quais são as ligações existentes entre esta maçonaria e a maçonaria comum. O grande historiador Bernard Lazare, em seu livro L’Antisemitisme, assegura que no berço mesmo da maçonaria já havia judeus, que se os torna a encontrar no século XVII "ao redor de Weishaupt e Martínez de Pasqualis, um judeu de origem portuguesa" que organizou numerosas sociedades secretas na França. Para Bernard Lazare, a maçonaria representa os dois costados do espírito judeu: o racionalismo prático e o panteísmo. Assim é que se congratulava de que os enciclopedistas e os jacobinos "apesar de sua oposição, chegaram ao mesmo resultado, isto é: ao debilitamento do cristianismo".
A revista maçônica “Le symbolisme” em 1962 escreve que o primeiro papel dos franco-maçons "será glorificar a raça judia que guarda inalterável o depósito divino da ciência. Por isso é que se apoiarão nela para apagar as fronteiras".
É conhecida, igualmente, uma curiosa declaração do Rabino Irmão Magnin, aparecida em B’nai B’rith Magazine, vol. XXIII, p.8: "Os B'nai B'rith são um mal necessário. Em todo lugar onde a maçonaria confessar sem perigo que é judia tanto por natureza como por seu fim, as lojas comuns bastam para essa tarefa".
Esta identificação entre as finalidades judias e maçônicas não é recente. Faz mais de um século a Varieté lsraelitéen 1631, t. V, p. 74, declarou que "o espírito da maçonaria é o espírito do judaísmo em suas crenças fundamentais, suas idéias, sua linguagem, quase sua organização". "O advento dos tempos messiânicos verá o coroamento desta maravilhosa casa de oração de todos os povos dos quais Jerusalém será o centro e símbolo triunfante". Trata-se de uma idéia que se voltará a encontrar sem dúvida na grande reunião das religiões em Assis, onde se a poderá meditar nas palavras de Elias Eberlin em Les juifs d’aujourd’hui: Israel cumpre inexoravelmente "sua missão histórica de redenção da liberdade dos povos, o messias coletivo dos direitos do homem". Estas fórmulas e estas idéias, tradicionalmente no judaísmo, recordam recentes diretrizes romanas convidando os católicos a "preparar o mundo para a vinda do Messias agindo em conjunto com os judeus pela justiça social" (cf. Present 29-6-1985 e Jean Madiran: La question juive dans l’Eglise. Em: Itineraires, 31 de março de 1986).
Não se pode permanecer indiferente ao fato de que várias personalidades da B'nai B'rith se encontrem na origem das reformas propostas ao Concílio Vaticano II com vista a modificar a doutrina tradicional da Igreja em relação ao Judaísmo. Entre elas há que reter especialmente a presença do Irmão Label Katz, a mais alta autoridade da Ordem. Se, segundo o presidente norte-americano das B'nai B'rith, a missão da Ordem é a manutenção da "continuidade judia", não se pode dizer que serviria igualmente bem à "continuidade católica", a qual não é certamente sua missão."

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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Devaneios ambientalistas-ocultistas no “L’Osservatore Romano”


“Em editorial do dia 4 de janeiro de 2017, com o pretexto de libertar a cidade de Aleppo e a Síria da pobreza, das mudanças climáticas e do desequilíbrio demográfico, o jornal “L’Osservatore Romano” estampou uma apologia de métodos ocultistas pretensamente ambientalistas.
O autor da proposta anticristã é Carlo Triarico, presidente da Associação para a Agricultura Biodinâmica. Essa divulga o método de cultivo inventado há um século pelo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), idealizador da “antroposofia”, sistema derivado da Teosofia, com liturgias e rituais próprios voltados para as ciências ocultas.
O método apela para rituais de “adubação homeopática”. Estes incluem práticas supersticiosas como encher chifres de vaca com tripas de cervo macho para atrair “forças espirituais, cósmicas e astrais às plantas”.
O método foi definido de simples “magia” por quase todas as sociedades científicas que operam no setor agrícola italiano, em carta aberta ao ministro da Agricultura em novembro de 2015.
A publicação desses devaneios ocultistas no “L’Osservatore Romano” dá continuidade à pregação do mesmo autor. Em artigo de 28 de novembro, Triarico reivindicava com orgulho ter organizado uma conferência sobre a “Laudato Si”, a encíclica em favor da revolução ecológico-panteísta assinada pelo Papa Francisco I.
Triarico integrou as esquálidas dezenas de integrantes de “movimentos populares” que o pontífice recebeu no Vaticano no dia 5 de novembro de 2016.
Na ocasião, o Papa elogiou a revolução promovida por esses ativistas, entre os quais se encontrava João Pedro Stédile, líder do famigerado MST. Segundo o Pontífice, esses militantes da subversão fazem parte do “grande movimento de inovação pela casa comum que está crescendo no mundo”.
Agora é o jornal nascido para defender a Igreja e a boa ordem natural e social que se abre com frequência cada vez maior para esse ativista esotérico.
Foi também a Triarico que o “L’Osservatore Romano”, em artigo na edição de domingo, 18 de setembro, confiou a reprimenda apocalíptica à fusão entre a Bayer e Monsanto, lembrou o blog “Fratres in Unum”.
O editorial de janeiro estimulou um hino falacioso às virtudes milagrosas de um método de cultivo cheio de bruxedos “para acabar com a fome, criando condições para a resiliência camponesa às mudanças climáticas”, exorcizando a migração e as guerras, não só na Síria, mas em outros países como a “Jordânia, Irã, Egito, Argélia, Eritreia, Etiópia, Iêmen”, acrescentou “Fratres in Unum”.
O substrato comum à ecologia radical e à “teologia da libertação”, agora “teologia da libertação da Terra”, cheira fortemente a esoterismo ocidental, bruxaria oriental e satanismo planetário.
Durante sua longa existência, o quotidiano “L’Osservatore Romano”, editado pela Secretaria para a Comunicação da Santa Sé, manteve uma linha editorial independente que foi um farol da boa doutrina e da boa visualização dos problemas modernos.
Fundado em 1861 com o apoio do bem-aventurado Pio IX, então Papa felizmente reinante, sua finalidade explícita foi “apresentar com autoridade as posições da Santa Sé e opor-se eficazmente à imprensa liberal”.
A aprovação oficial do Estado Pontifício, do qual o Papa era rei, definia que o objetivo principal do jornal era “desmascarar e refutar as calúnias que são lançadas contra Roma e o Pontificado Romano”, com a certeza de que “o mal não terá a última palavra”.
Por isso “L’Osservatore Romano” tinha como dístico a promessa de Jesus Cristo ‘Non prævalebunt’ (“As portas do inferno não prevalecerão contra Ela”, São Mateus XVI, 18).
Entretanto, nova orientação foi imposta ao jornal no atual pontificado, adotando uma linha favorecedora dos movimentos e das ideologias tribalistas, subversivas, ambientalistas radicais afins com a teologia da libertação da Terra.
Para dor de inúmeros fiéis, essa orientação afina com a dos adversários anticatólicos que o jornal nasceu para combater.
Em recentes edições, essa nova tendência do “L’Osservatore Romano” vem superando os limites do acreditável. Não surpreendem então as informações de que os católicos já não mais o compram nas bancas, sua tiragem é mínima, e suas edições semanais em outras línguas beiram a extinção.”

https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com.br

domingo, 25 de agosto de 2019

Dmitri Shostakovich: Concerto para Piano e Orquestra Nº 2


I. Allegro

II. Andante

III. Allegro

Boris Giltburg, piano
Vasily Petrenko, maestro
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

As grandes realizações da militância esquerdista


“Não existe algo como "esquerda democrática". A partir do momento em que você erige a igualdade material como único objetivo político, e admite a ação direta como instrumento para atingir esse objetivo, não existe nem democracia nem respeito à alteridade, na medida em que quem se opõe ao que você qualifica como BEM TOTAL só pode ser a pura expressão da maldade, da perversidade. Uma pessoa que eu considero perversa não pode ser tratada como adversária política, e sim como inimiga, e você não negocia com o inimigo, você o tratora.
Você só pode igualar pessoas que são essencialmente diferentes através da centralização política num ente que detenha poder suficiente para a consecução de seus fins, e para tanto este ente precisa ser um partido único operando num estado absoluto (como foram todos os regimes socialistas, sem exceção). Para atingir a igualdade material você pode tanto propor impostos progressivos pela renda e cotas baseadas em critérios sócio econômicos e de raça, como execução sumária e confisco de bens da "elite", mas a diferença entre essas duas proposições não é na essência, e sim no grau.
Dito isso, uma das grandes realizações da militância esquerdista foi conseguir atribuir ao inimigo (nós) todos os seus crimes e pecados. Os maiores genocídios politicamente motivados foram cometidos por regimes socialistas, mas "ditadura" é um termo impossível de ser associado à esquerda política, principalmente entre os mais jovens. Ao longo do século XX nada produziu mais fome e carestia que o socialismo, mas é ao capitalismo que se atribui o sofrimento material, onde quer que ele seja visto. Regimes socialistas SEMPRE contam com uma elite dirigente rica e parasita vivendo às custas do empobrecimento do povo, mas são os empreendedores num regime capitalista, os que geram empregos e pagam impostos, os vilanizados como exploradores do proletariado.
A segunda grande realização da militância esquerdista é a desinformação sistemática sobre o que é socialismo. Segundo o Gallup, 43% dos norte-americanos acham que o socialismo seria bom para os EUA, sendo que, destes, 25% afirmam que socialismo significa justiça social, enquanto que apenas 17% definem socialismo como propriedade estatal dos meios de produção (a definição correta). Ou seja, na cabeça de boa parte da população, numa era em que dados históricos, inclusive na forma de fotografias e vídeos dos horrores do socialismo, estão amplamente disponíveis e acessíveis, socialismo seria algo como o paraíso na Terra, enquanto que o capitalismo é nada menos que o inferno.
Todos aqueles que privilegiam a realidade empírica sobre a fabulação (ou seja, o que funciona na prática sobre as ideias brilhantes de intelectuais e "especialistas") têm a obrigação moral de denunciar esse engodo sempre que puderem.
Isso não é uma questão política, é uma questão de sobrevivência.”
(Rafael Rosset, em texto no Facebook de 02.08.2019)

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O naufrágio do Estado brasileiro


“Convém insistir em que o divórcio entre o País legal e o País real será inevitável. Criar-se-á então uma daquelas situações históricas dramáticas, nas quais a massa da Nação sai de dentro do Estado, e o Estado vive (se é que para ele isto é viver) vazio de conteúdo autenticamente nacional.
Em outros termos, quando as leis fundamentais que modelam as estruturas e regem a vida de um Estado e de uma sociedade deixam de ter uma sincronia profunda e vital com os ideais, os anelos e os modos de ser da nação, tudo caminha nesta para o imprevisto. Até para a violência, em circunstâncias inopinadas e catastróficas, sempre possíveis em situações de desacordo, de paixão e de confusão.
Para onde caminha assim a nação? Para o imprevisível. Por vezes, para soluções sábias e orgânicas que seus dirigentes não souberam encontrar. Por vezes, para a improvisação, a aventura, quiçá o caos. (…)
É de encontro a todas essas incertezas e riscos que estará exposto a naufragar o Estado brasileiro, desde que a Nação se constitua mansamente, jeitosamente, irremediavelmente à margem de um edifício legal no qual o povo não reconheça qualquer identidade consigo mesmo.
Que será então do Estado? Como um barco fendido, ele se deixará penetrar pelas águas e se fragmentará em destroços. O que possa acontecer com estes é imprevisível.”
(Plínio Corrêa de Oliveira, Projeto de Constituição Angustia o País)

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Por que o multiculturalismo fracassa e leva ao estatismo

“A linguagem é a expressão externa de processos mentais humanos fundamentais externalizados durante a formação inicial de uma comunidade.
A linguagem inevitavelmente surge na comunidade ao lado da religião, da história do grupo e dos valores morais, ajudando não apenas a expressar, mas também a moldar essas forças.
Religião e história se manifestam como narrativa, que é baseada na linguagem. A linguagem e a narrativa são essenciais para a religião e a história, que são, por sua vez, essenciais tanto para a identidade pessoal quanto para a identidade grupal baseada em uma cultura, sem a qual não pode haver comunidade.
O governo, a lei e a noção de Estado não podem substituir a realidade orgânica de uma comunidade regulada por uma cultura enraizada em uma linguagem, religião e história compartilhadas.
À medida que a comunidade orgânica é diminuída, o estatismo, o domínio do governo e da lei, aumenta.
Sabendo disso, os estatistas atacam deliberadamente a religião, o patriotismo, a língua principal e a narrativa histórica tradicional de um povo em um esforço para subjugá-los.”
(Kights of Saint Michael the Archangel, em postagem no Facebook em 28.07.2019)

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Oração a Nossa Senhora da Saúde

"Ó Mãe de misericórdia, Senhora da saúde, que, servindo a tua prima Isabel em suas necessidades e permanecendo firme ao pé da cruz do teu Filho agonizante, manifestaste na bodas de Caná a tua grande sensibilidade para conosco, ouve a voz e o clamor de todos os teus filhos enfermos que recorrem a ti com a certeza de encontrar uma Mãe que os acolhe e os assiste com ternura.
Intercede, Mãe querida, para que o teu Filho cure as nossas enfermidades, transforme as nossas lágrimas em oração e os nossos sofrimentos em momentos de crescimento, converta a nossa solidão em contemplação e a nossa espera em esperança, nos fortaleça na hora da agonia e transforme a nossa morte em ressurreição. Amém.
Saúde dos enfermos, rogai por nós!"

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A expulsão dos judeus em 1492: a lenda que construíram os inimigos da Espanha

"Diante da hegemonia militar que impulsionou o Império espanhol durante os séculos XVI e XVII em toda a Europa, seus inimigos históricos só puderam contra-atacar através da propaganda. Um campo onde a Holanda, a França e a Inglaterra se moviam com habilidade e que desembocou em uma lenda negra sobre a Espanha e os espanhóis ainda presente na historiografia atual. Assim como com a Guerra de Flandres, a Conquista da América ou a Inquisição espanhola, a propaganda estrangeira intoxicou e exagerou o que realmente ocorreu na expulsão dos judeus dos reinos espanhóis pertencentes aos Reis Católicos em 1492. Em suma, os vencedores são os encarregados de escrever a história e a Espanha não estava incluída neste grupo.
As expulsões e agressões a populações judias foram uma constante durante toda a Europa medieval. Exceto na Espanha, os grandes reinos europeus haviam cometido rajadas de expulsões desde o século XII, em muitos casos de um volume populacional similar ao de 1492. Assim, o Rei Felipe Augusto da França ordenou o confisco de bens e a expulsão da população hebraica de seu reino em 1182. Uma medida que no século XIV foi imitada outras quatro vezes (1306, 1321, 1322 e 1394) por distintos monarcas. Não sem efeito, a primeira expulsão maciça foi ordenada por Eduardo I da Inglaterra em 1290. Também foram registradas as que tiveram lugar no Arquiducado da Áustria e no Ducado de Parma, já no século XV.
A expulsão dos judeus da Espanha foi assinada pelos Reis Católicos em 31 de março de 1492 em Granada. Longe das críticas que séculos depois recebeu na historiografia estrangeira, a decisão foi vista como um sintoma de modernidade e atraiu as felicitações de meia Europa. Nesse mesmo ano, também a Universidade de Sorbonne de Paris transmitiu aos Reis Católicos suas felicitações. De fato, a maioria dos afetados pelo edito eram descendentes dos expulsos séculos antes na França e na Inglaterra.
A razão que se escondia por trás da decisão era a necessidade de acabar com um grupo de poder que alguns historiadores, como William Thomas Walsh, qualificaram como "um Estado dentro do Estado". Seu predomínio na economia e na banca tornava os hebreus os principais prestamistas dos reinos hispânicos. Com o intento de construir um estado moderno pelos Reis Católicos, fazia-se necessário acabar com um importante poder econômico que ocupava postos chaves nas cortes de Castela e de Aragão. Apesar disso, os que abandonaram finalmente o país pertenciam às classes mais modestas; os ricos não duvidaram em converter-se.
Portanto, o caso espanhol não foi o único, nem o primeiro, nem certamente o último, mas sim o que mais controvérsia histórica continua gerando. Como o historiador Sánchez Albornoz escreveu em uma de suas obras, "os espanhóis não foram mais cruéis com os hebreus que os outros povos da Europa, mas contra nenhum outro deles foram tão sanhosos os historiadores hebreus."
Que teve de diferente então esta expulsão? A maioria dos historiadores aponta que, precisamente, o chamativo do caso espanhol está no caráter tardio em relação a outros países e na importância social de que gozavam os judeus em nosso país. Ainda que não estivessem isentos de episódios de violência religiosa, os judeus espanhóis haviam vivido com menos sobressaltos a Idade Média que em outros lugares da Europa. Na corte de Castela – não assim na de Aragão – os judeus ocupavam postos administrativos e financeiros importantes, como Abraham Senior, desde 1488 tesoureiro-mor da Santa Irmandade, um organismo chave no financiamento da guerra de Granada.
Uma grande odisséia para os expulsos
Não obstante, o número de judeus na Espanha era especialmente elevado em comparação com outros países da Europa. Nos tempos dos Reis Católicos, sempre segundo dados aproximados, os judeus representavam 5% da população de seus reinos com cerca de 200.000 pessoas. De todos estes afetados pelo edito, 50.000 nunca chegaram a sair da península pois se converteram ao Cristianismo e uma terça parte regressou poucos meses depois alegando haver sido batizados no estrangeiro. Alguns historiadores chegaram a afirmar que só partiram definitivamente 20.000 habitantes.
Embora a expulsão de 1492 tenha sido superdimensionada em relação a outras na Europa, dando à Espanha uma imerecida fama de país hostil aos judeus, nada atenua que a decisão provocou um drama social que obrigou milhares de pessoas a abandonarem o único lar que haviam conhecido seus antepassados. Segundo estabelecia o edito, os judeus tinham um prazo de quatro meses para abandonarem o país. O texto permitia que levassem bens móveis mas lhes proibia retirarem ouro, prata, moedas, armas e cavalos. Os hebreus afetados pelo edito que decidiram refugiar-se em Portugal se viram logo na mesma situação: desterro ou conversão. Apesar disso, sua sorte foi melhor que os que viajaram ao norte da África ou a Gênova, onde a maioria foi escravizada. Na França, Luís XII também os expulsou. Começava naqueles dias uma odisséia para os chamados judeus sefarditas que duraria séculos, e que gerou uma nostalgia histórica pela terra de seus avôs ainda presente."

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