sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Devaneios ambientalistas-ocultistas no “L’Osservatore Romano”


“Em editorial do dia 4 de janeiro de 2017, com o pretexto de libertar a cidade de Aleppo e a Síria da pobreza, das mudanças climáticas e do desequilíbrio demográfico, o jornal “L’Osservatore Romano” estampou uma apologia de métodos ocultistas pretensamente ambientalistas.
O autor da proposta anticristã é Carlo Triarico, presidente da Associação para a Agricultura Biodinâmica. Essa divulga o método de cultivo inventado há um século pelo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), idealizador da “antroposofia”, sistema derivado da Teosofia, com liturgias e rituais próprios voltados para as ciências ocultas.
O método apela para rituais de “adubação homeopática”. Estes incluem práticas supersticiosas como encher chifres de vaca com tripas de cervo macho para atrair “forças espirituais, cósmicas e astrais às plantas”.
O método foi definido de simples “magia” por quase todas as sociedades científicas que operam no setor agrícola italiano, em carta aberta ao ministro da Agricultura em novembro de 2015.
A publicação desses devaneios ocultistas no “L’Osservatore Romano” dá continuidade à pregação do mesmo autor. Em artigo de 28 de novembro, Triarico reivindicava com orgulho ter organizado uma conferência sobre a “Laudato Si”, a encíclica em favor da revolução ecológico-panteísta assinada pelo Papa Francisco I.
Triarico integrou as esquálidas dezenas de integrantes de “movimentos populares” que o pontífice recebeu no Vaticano no dia 5 de novembro de 2016.
Na ocasião, o Papa elogiou a revolução promovida por esses ativistas, entre os quais se encontrava João Pedro Stédile, líder do famigerado MST. Segundo o Pontífice, esses militantes da subversão fazem parte do “grande movimento de inovação pela casa comum que está crescendo no mundo”.
Agora é o jornal nascido para defender a Igreja e a boa ordem natural e social que se abre com frequência cada vez maior para esse ativista esotérico.
Foi também a Triarico que o “L’Osservatore Romano”, em artigo na edição de domingo, 18 de setembro, confiou a reprimenda apocalíptica à fusão entre a Bayer e Monsanto, lembrou o blog “Fratres in Unum”.
O editorial de janeiro estimulou um hino falacioso às virtudes milagrosas de um método de cultivo cheio de bruxedos “para acabar com a fome, criando condições para a resiliência camponesa às mudanças climáticas”, exorcizando a migração e as guerras, não só na Síria, mas em outros países como a “Jordânia, Irã, Egito, Argélia, Eritreia, Etiópia, Iêmen”, acrescentou “Fratres in Unum”.
O substrato comum à ecologia radical e à “teologia da libertação”, agora “teologia da libertação da Terra”, cheira fortemente a esoterismo ocidental, bruxaria oriental e satanismo planetário.
Durante sua longa existência, o quotidiano “L’Osservatore Romano”, editado pela Secretaria para a Comunicação da Santa Sé, manteve uma linha editorial independente que foi um farol da boa doutrina e da boa visualização dos problemas modernos.
Fundado em 1861 com o apoio do bem-aventurado Pio IX, então Papa felizmente reinante, sua finalidade explícita foi “apresentar com autoridade as posições da Santa Sé e opor-se eficazmente à imprensa liberal”.
A aprovação oficial do Estado Pontifício, do qual o Papa era rei, definia que o objetivo principal do jornal era “desmascarar e refutar as calúnias que são lançadas contra Roma e o Pontificado Romano”, com a certeza de que “o mal não terá a última palavra”.
Por isso “L’Osservatore Romano” tinha como dístico a promessa de Jesus Cristo ‘Non prævalebunt’ (“As portas do inferno não prevalecerão contra Ela”, São Mateus XVI, 18).
Entretanto, nova orientação foi imposta ao jornal no atual pontificado, adotando uma linha favorecedora dos movimentos e das ideologias tribalistas, subversivas, ambientalistas radicais afins com a teologia da libertação da Terra.
Para dor de inúmeros fiéis, essa orientação afina com a dos adversários anticatólicos que o jornal nasceu para combater.
Em recentes edições, essa nova tendência do “L’Osservatore Romano” vem superando os limites do acreditável. Não surpreendem então as informações de que os católicos já não mais o compram nas bancas, sua tiragem é mínima, e suas edições semanais em outras línguas beiram a extinção.”

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domingo, 25 de agosto de 2019

Dmitri Shostakovich: Concerto para Piano e Orquestra Nº 2


I. Allegro

II. Andante

III. Allegro

Boris Giltburg, piano
Vasily Petrenko, maestro
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

As grandes realizações da militância esquerdista


“Não existe algo como "esquerda democrática". A partir do momento em que você erige a igualdade material como único objetivo político, e admite a ação direta como instrumento para atingir esse objetivo, não existe nem democracia nem respeito à alteridade, na medida em que quem se opõe ao que você qualifica como BEM TOTAL só pode ser a pura expressão da maldade, da perversidade. Uma pessoa que eu considero perversa não pode ser tratada como adversária política, e sim como inimiga, e você não negocia com o inimigo, você o tratora.
Você só pode igualar pessoas que são essencialmente diferentes através da centralização política num ente que detenha poder suficiente para a consecução de seus fins, e para tanto este ente precisa ser um partido único operando num estado absoluto (como foram todos os regimes socialistas, sem exceção). Para atingir a igualdade material você pode tanto propor impostos progressivos pela renda e cotas baseadas em critérios sócio econômicos e de raça, como execução sumária e confisco de bens da "elite", mas a diferença entre essas duas proposições não é na essência, e sim no grau.
Dito isso, uma das grandes realizações da militância esquerdista foi conseguir atribuir ao inimigo (nós) todos os seus crimes e pecados. Os maiores genocídios politicamente motivados foram cometidos por regimes socialistas, mas "ditadura" é um termo impossível de ser associado à esquerda política, principalmente entre os mais jovens. Ao longo do século XX nada produziu mais fome e carestia que o socialismo, mas é ao capitalismo que se atribui o sofrimento material, onde quer que ele seja visto. Regimes socialistas SEMPRE contam com uma elite dirigente rica e parasita vivendo às custas do empobrecimento do povo, mas são os empreendedores num regime capitalista, os que geram empregos e pagam impostos, os vilanizados como exploradores do proletariado.
A segunda grande realização da militância esquerdista é a desinformação sistemática sobre o que é socialismo. Segundo o Gallup, 43% dos norte-americanos acham que o socialismo seria bom para os EUA, sendo que, destes, 25% afirmam que socialismo significa justiça social, enquanto que apenas 17% definem socialismo como propriedade estatal dos meios de produção (a definição correta). Ou seja, na cabeça de boa parte da população, numa era em que dados históricos, inclusive na forma de fotografias e vídeos dos horrores do socialismo, estão amplamente disponíveis e acessíveis, socialismo seria algo como o paraíso na Terra, enquanto que o capitalismo é nada menos que o inferno.
Todos aqueles que privilegiam a realidade empírica sobre a fabulação (ou seja, o que funciona na prática sobre as ideias brilhantes de intelectuais e "especialistas") têm a obrigação moral de denunciar esse engodo sempre que puderem.
Isso não é uma questão política, é uma questão de sobrevivência.”
(Rafael Rosset, em texto no Facebook de 02.08.2019)

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O naufrágio do Estado brasileiro


“Convém insistir em que o divórcio entre o País legal e o País real será inevitável. Criar-se-á então uma daquelas situações históricas dramáticas, nas quais a massa da Nação sai de dentro do Estado, e o Estado vive (se é que para ele isto é viver) vazio de conteúdo autenticamente nacional.
Em outros termos, quando as leis fundamentais que modelam as estruturas e regem a vida de um Estado e de uma sociedade deixam de ter uma sincronia profunda e vital com os ideais, os anelos e os modos de ser da nação, tudo caminha nesta para o imprevisto. Até para a violência, em circunstâncias inopinadas e catastróficas, sempre possíveis em situações de desacordo, de paixão e de confusão.
Para onde caminha assim a nação? Para o imprevisível. Por vezes, para soluções sábias e orgânicas que seus dirigentes não souberam encontrar. Por vezes, para a improvisação, a aventura, quiçá o caos. (…)
É de encontro a todas essas incertezas e riscos que estará exposto a naufragar o Estado brasileiro, desde que a Nação se constitua mansamente, jeitosamente, irremediavelmente à margem de um edifício legal no qual o povo não reconheça qualquer identidade consigo mesmo.
Que será então do Estado? Como um barco fendido, ele se deixará penetrar pelas águas e se fragmentará em destroços. O que possa acontecer com estes é imprevisível.”
(Plínio Corrêa de Oliveira, Projeto de Constituição Angustia o País)

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Por que o multiculturalismo fracassa e leva ao estatismo

“A linguagem é a expressão externa de processos mentais humanos fundamentais externalizados durante a formação inicial de uma comunidade.
A linguagem inevitavelmente surge na comunidade ao lado da religião, da história do grupo e dos valores morais, ajudando não apenas a expressar, mas também a moldar essas forças.
Religião e história se manifestam como narrativa, que é baseada na linguagem. A linguagem e a narrativa são essenciais para a religião e a história, que são, por sua vez, essenciais tanto para a identidade pessoal quanto para a identidade grupal baseada em uma cultura, sem a qual não pode haver comunidade.
O governo, a lei e a noção de Estado não podem substituir a realidade orgânica de uma comunidade regulada por uma cultura enraizada em uma linguagem, religião e história compartilhadas.
À medida que a comunidade orgânica é diminuída, o estatismo, o domínio do governo e da lei, aumenta.
Sabendo disso, os estatistas atacam deliberadamente a religião, o patriotismo, a língua principal e a narrativa histórica tradicional de um povo em um esforço para subjugá-los.”
(Kights of Saint Michael the Archangel, em postagem no Facebook em 28.07.2019)

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Oração a Nossa Senhora da Saúde

"Ó Mãe de misericórdia, Senhora da saúde, que, servindo a tua prima Isabel em suas necessidades e permanecendo firme ao pé da cruz do teu Filho agonizante, manifestaste na bodas de Caná a tua grande sensibilidade para conosco, ouve a voz e o clamor de todos os teus filhos enfermos que recorrem a ti com a certeza de encontrar uma Mãe que os acolhe e os assiste com ternura.
Intercede, Mãe querida, para que o teu Filho cure as nossas enfermidades, transforme as nossas lágrimas em oração e os nossos sofrimentos em momentos de crescimento, converta a nossa solidão em contemplação e a nossa espera em esperança, nos fortaleça na hora da agonia e transforme a nossa morte em ressurreição. Amém.
Saúde dos enfermos, rogai por nós!"

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A expulsão dos judeus em 1492: a lenda que construíram os inimigos da Espanha

"Diante da hegemonia militar que impulsionou o Império espanhol durante os séculos XVI e XVII em toda a Europa, seus inimigos históricos só puderam contra-atacar através da propaganda. Um campo onde a Holanda, a França e a Inglaterra se moviam com habilidade e que desembocou em uma lenda negra sobre a Espanha e os espanhóis ainda presente na historiografia atual. Assim como com a Guerra de Flandres, a Conquista da América ou a Inquisição espanhola, a propaganda estrangeira intoxicou e exagerou o que realmente ocorreu na expulsão dos judeus dos reinos espanhóis pertencentes aos Reis Católicos em 1492. Em suma, os vencedores são os encarregados de escrever a história e a Espanha não estava incluída neste grupo.
As expulsões e agressões a populações judias foram uma constante durante toda a Europa medieval. Exceto na Espanha, os grandes reinos europeus haviam cometido rajadas de expulsões desde o século XII, em muitos casos de um volume populacional similar ao de 1492. Assim, o Rei Felipe Augusto da França ordenou o confisco de bens e a expulsão da população hebraica de seu reino em 1182. Uma medida que no século XIV foi imitada outras quatro vezes (1306, 1321, 1322 e 1394) por distintos monarcas. Não sem efeito, a primeira expulsão maciça foi ordenada por Eduardo I da Inglaterra em 1290. Também foram registradas as que tiveram lugar no Arquiducado da Áustria e no Ducado de Parma, já no século XV.
A expulsão dos judeus da Espanha foi assinada pelos Reis Católicos em 31 de março de 1492 em Granada. Longe das críticas que séculos depois recebeu na historiografia estrangeira, a decisão foi vista como um sintoma de modernidade e atraiu as felicitações de meia Europa. Nesse mesmo ano, também a Universidade de Sorbonne de Paris transmitiu aos Reis Católicos suas felicitações. De fato, a maioria dos afetados pelo edito eram descendentes dos expulsos séculos antes na França e na Inglaterra.
A razão que se escondia por trás da decisão era a necessidade de acabar com um grupo de poder que alguns historiadores, como William Thomas Walsh, qualificaram como "um Estado dentro do Estado". Seu predomínio na economia e na banca tornava os hebreus os principais prestamistas dos reinos hispânicos. Com o intento de construir um estado moderno pelos Reis Católicos, fazia-se necessário acabar com um importante poder econômico que ocupava postos chaves nas cortes de Castela e de Aragão. Apesar disso, os que abandonaram finalmente o país pertenciam às classes mais modestas; os ricos não duvidaram em converter-se.
Portanto, o caso espanhol não foi o único, nem o primeiro, nem certamente o último, mas sim o que mais controvérsia histórica continua gerando. Como o historiador Sánchez Albornoz escreveu em uma de suas obras, "os espanhóis não foram mais cruéis com os hebreus que os outros povos da Europa, mas contra nenhum outro deles foram tão sanhosos os historiadores hebreus."
Que teve de diferente então esta expulsão? A maioria dos historiadores aponta que, precisamente, o chamativo do caso espanhol está no caráter tardio em relação a outros países e na importância social de que gozavam os judeus em nosso país. Ainda que não estivessem isentos de episódios de violência religiosa, os judeus espanhóis haviam vivido com menos sobressaltos a Idade Média que em outros lugares da Europa. Na corte de Castela – não assim na de Aragão – os judeus ocupavam postos administrativos e financeiros importantes, como Abraham Senior, desde 1488 tesoureiro-mor da Santa Irmandade, um organismo chave no financiamento da guerra de Granada.
Uma grande odisséia para os expulsos
Não obstante, o número de judeus na Espanha era especialmente elevado em comparação com outros países da Europa. Nos tempos dos Reis Católicos, sempre segundo dados aproximados, os judeus representavam 5% da população de seus reinos com cerca de 200.000 pessoas. De todos estes afetados pelo edito, 50.000 nunca chegaram a sair da península pois se converteram ao Cristianismo e uma terça parte regressou poucos meses depois alegando haver sido batizados no estrangeiro. Alguns historiadores chegaram a afirmar que só partiram definitivamente 20.000 habitantes.
Embora a expulsão de 1492 tenha sido superdimensionada em relação a outras na Europa, dando à Espanha uma imerecida fama de país hostil aos judeus, nada atenua que a decisão provocou um drama social que obrigou milhares de pessoas a abandonarem o único lar que haviam conhecido seus antepassados. Segundo estabelecia o edito, os judeus tinham um prazo de quatro meses para abandonarem o país. O texto permitia que levassem bens móveis mas lhes proibia retirarem ouro, prata, moedas, armas e cavalos. Os hebreus afetados pelo edito que decidiram refugiar-se em Portugal se viram logo na mesma situação: desterro ou conversão. Apesar disso, sua sorte foi melhor que os que viajaram ao norte da África ou a Gênova, onde a maioria foi escravizada. Na França, Luís XII também os expulsou. Começava naqueles dias uma odisséia para os chamados judeus sefarditas que duraria séculos, e que gerou uma nostalgia histórica pela terra de seus avôs ainda presente."

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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Isaías 59

“Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir.
Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.
Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; os vossos lábios falam falsidade, a vossa língua pronuncia perversidade.
Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniqüidade.
Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora.
As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há nas suas mãos.
Os seus pés correm para o mal, e se apressam para derramarem o sangue inocente; os seus pensamentos são pensamentos de iniqüidade; destruição e quebrantamento há nas suas estradas.
Não conhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz.
Por isso o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão.
Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos.
Todos nós bramamos como ursos, e continuamente gememos como pombas; esperamos pelo juízo, e não o há; pela salvação, e está longe de nós.
Porque as nossas transgressões se multiplicaram perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós; porque as nossas transgressões estão conosco, e conhecemos as nossas iniqüidades;
Como o prevaricar, e mentir contra o Senhor, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade.
Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a eqüidade não pode entrar.
Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado; e o Senhor viu, e pareceu mal aos seus olhos que não houvesse justiça.
E vendo que ninguém havia, maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; por isso o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.
Pois vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete da salvação na sua cabeça, e por vestidura pôs sobre si vestes de vingança, e cobriu-se de zelo, como de um manto.
Conforme forem as obras deles, assim será a sua retribuição, furor aos seus adversários, e recompensa aos seus inimigos; às ilhas dará ele a sua recompensa.
Então temerão o nome do Senhor desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira.
E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o Senhor.
Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o Senhor: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o Senhor, desde agora e para todo o sempre.”

sábado, 3 de agosto de 2019

Dificuldades gerais da psicologia contemporânea para compreender a natureza do amor


“A psicologia atual, tanto em sua vertente experimental, como em sua vertente clinica e outras, surge no fim do século XIX de uma matriz materialista, pelo qual se designou, com razão, como uma psicologia sem alma. Sem alma foi a psicologia experimental de Wundt, foram as psicologias funcionalistas americanas, a reflexologia e o conducionismo, e também a psicanálise. Desde uma perspectiva influenciada pelo positivismo, e antes pela crítica kantiana da psicologia racional, estas formas de psicologia consideram a alma em geral como um principio de explicação da mente e da conduta humana arcaica e mítica. O homem não seria outra coisa que matéria organizada que não se distinguiria qualitativamente de outras formas de organização da matéria. A matéria é princípio potencial, não real e determinante, receptora de perfeição, mas imperfeita por natureza. Todas as variedades de materialismo são filosofias da potência e não do ato, e, nessa medida, são incapazes de compreender a perfeição e o bem. Por isso, para a psicologia materialista a perfeição é uma espécie de utopia, quase que diríamos de anomalia. O normal seria a inércia e a imperfeição.
Este materialismo, em que se fundava a psicologia clássica do fim do século XIX e principio do XX, era em geral mecanicista, mas sobretudo era um biologismo evolucionista. O ser humano, mera organização da matéria sem dimensão transcendente, teria surgido da mutação casual da matéria. Ao ser esta mutação casual, e não dirigida inteligentemente, seu resultado não seria um bem, porque o bem é algo apetecido, querido. O homem não seria alguém querido, nem muito menos querido por si mesmo. Para ser querido por si mesmo deveria ser algo dotado de intimidade, ou seja, alguém dotado da capacidade de voltar sobre si mesmo por reflexão, e por tanto, alguém que pode possuir o bem de modo estável. Se o homem não é um bem, nem capaz de possuir o bem, se não foi querido inteligente e pessoalmente, tampouco é alguém que pode ser querido por si mesmo, ou seja, não é suscetível de amor de amizade.
O ponto de vista biológico, aliás, sustentado por todas estas correntes, concebe o ser humano como um mero ser da natureza, imerso em seu meio ambiente, em intercâmbio com este com a finalidade de adaptar-se. Os organismos biológicos implicam uma pluralidade de componentes em equilíbrio. Quando esse equilíbrio se rompe, surgem as necessidades que se traduzem na consciência como impulso para a superação do desprazer e para a realização do prazer. Isto leva a relação com o meio a fim de obter o necessário para restaurar o equilíbrio interno e o equilíbrio com o meio. Nesta perspectiva, todo ato mental e toda conduta exterior se explicariam em ultima instância como movimento para a compensação de uma privação, de uma carência ou debilidade. Ou seja, todo amor é amor de concupiscência. Não há lugar para a ação que brota da perfeição, do bem difusível de si (porque tal bem não existiria), da doação desinteressada. Todo amor seria egoísta, possessivo, voraz, mesquinho. Não pode haver amizade. Este materialismo biologista e evolucionista elimina ou reduz as faculdades superiores do homem a meros instrumentos ordenados a adaptação. A inteligência não seria uma faculdade pela qual o ser humano se ordena a verdade como seu bem, senão o homem de todas as ações adaptativas que supõem a resolução de problemas não previstos por instinto. Deste modo, o verdadeiro dá lugar ao útil. O pragmatismo é um pressuposto consciente ou inconsciente em quase todas estas correntes. Também o construtivismo se apoia sobre estes pressupostos, como se vê tão claramente em seu precursor, Jean Piaget. O conhecimento seria a construção de ações que são esquema de transformação da realidade. Para esta concepção, conhecer é transformar a realidade, manipulá-la. No fundo, não há verdadeira cognição. Se não há cognição, não há contemplação do bem. Sem contemplação do bem, não há amizade em seu sentido pleno, senão concupiscência, amizade deleitável e amizade útil. Mas não amizade bela, não esse amor pelo qual se ama a pessoa como tal, como outro eu, como uma alma em dois corpos.
Ainda mais deteriorada que a inteligência são as concepções de vontade, o apetite racional despertado pela cognição da verdade. Sem vontade, não há amor de amizade, só pode haver amor de concupiscência, não só no sentido do amor que é para alguém, mas amor como ato do apetite concupiscível, amor do bem deleitável, e derivadamente do que é meio para a obtenção do bem deleitável. Não é, portanto, estranha a atitude geral de desconfiança da psicologia contemporânea para a amizade. É que, neste contexto teórico, as relações humanas não podem ser outra coisa que mútua instrumentalização: Os pais usariam seus filhos para prolongar seu narcisismo; namorados se usariam mutuamente para obterem satisfação física ou controle moral sobre os outros; o psicoterapeuta não poderia considerar-se amigo de seu paciente, porque poderia ficar entrelaçado nos conflitos do paciente. Isto é assim porque em todo amor nos estaríamos buscando a nós mesmos, e não iria dirigido ao outro conservando sua própria personalidade e bem. Não é estranho, por tudo isto, que, falando muito sobre o amor, o desejo, as relações objetais ou interpessoais, as influências familiares e sociais sobre a personalidade, etc., a psicologia contemporânea em geral tem negligenciado quase completamente o tema da amizade, ou a relegou ao plano da quimera. Evidentemente, nenhum espaço se dá aqui para a ordem sobrenatural e o amor de caridade.”
(Martín Federico Echavarría, El Amor y la Amistad en la Psicologia Aristotélico-Tomista y en el Psicoanálisis)

Tradução de Rafael de Abreu Ferreira

sábado, 27 de julho de 2019

Liesel Mueller: Horas Tardias

Nas noites de verão o mundo
se move ao alcance do ouvido
na interestadual com seus silvos
e rugidos, uma ocasional sirene
que nos provoca arrepios.
Às vezes, em noites claras e serenas,
vozes flutuam em nosso quarto,
lunares e fragmentadas,
como se o céu as houvesse liberado
bem antes de nosso nascimento.

No inverno fechamos as janelas
e lemos Tchekhov,
quase a chorar por seu mundo.

Que luxo, sermos tão felizes
que podemos nos afligir
por conta de vidas imaginárias.


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