sábado, 27 de julho de 2019

Liesel Mueller: Horas Tardias

Nas noites de verão o mundo
se move ao alcance do ouvido
na interestadual com seus silvos
e rugidos, uma ocasional sirene
que nos provoca arrepios.
Às vezes, em noites claras e serenas,
vozes flutuam em nosso quarto,
lunares e fragmentadas,
como se o céu as houvesse liberado
bem antes de nosso nascimento.

No inverno fechamos as janelas
e lemos Tchekhov,
quase a chorar por seu mundo.

Que luxo, sermos tão felizes
que podemos nos afligir
por conta de vidas imaginárias.


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domingo, 21 de julho de 2019

O fim dos tempos


"Vigiem sobre a vida uns dos outros. Não deixem que sua lâmpada se apague, nem afrouxem o cinto dos rins. Fiquem preparados porque vocês não sabem a que horas nosso Senhor chegará.
Reúnam-se com frequência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhes servirá todo o tempo que viveram a fé se no último instante não estiverem perfeitos.
De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.
Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.
Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.
Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele". Então o mundo assistirá ao Senhor chegando sobre as nuvens do céu."
(Didaquê, Capítulo XVI)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Transgeneridade é um transtorno mental, afirma médico norte-americano


“Dr. McHugh, autor de seis livros e pelo menos 125 artigos médicos, fez essas afirmações em um comentário recente no Wall Street Journal, onde explicou que a cirurgia transexual não é a solução para as pessoas que sofrem dessa desordem – a noção de que a sua masculinidade ou feminilidade é diferente do que a natureza lhes atribuiu biologicamente.
Ele também falou sobre um novo estudo que mostra que a taxa de suicídio entre pessoas transexuais que fizeram a cirurgia de redesignação é 20 vezes maior do que a taxa de suicídio entre os não-transexuais. Dr. McHugh ainda mencionou que estudos da Universidade de Vanderbilt e da Portman Clinic, de Londres, observaram algumas crianças que haviam demonstrado comportamentos transexuais. Ao longo do tempo, de 70% a 80% dessas crianças deixaram espontaneamente esses comportamentos.
Enquanto o governo Obama, Hollywood e grandes meios de comunicação, como a revista Time, promovem o fenômeno transgênero como algo normal, disse o Dr. McHugh, “os legisladores e os meios de comunicação prestam um desfavor ao público e às pessoas transgêneras tratando suas confusões como um direito que precisa ser defendido e não como um transtorno mental que necessita de compreensão, tratamento e prevenção”.
Segundo o médico, a desordem do transgênero consiste na “suposição” de que eles são diferentes da realidade física de seu corpo, da sua masculinidade ou feminilidade, conforme atribuído pela natureza. É uma doença semelhante à de uma pessoa extremamente magra que sofre de anorexia, que se olha no espelho e pensa que está acima do peso.
Esta suposição de que o gênero é apenas uma condição mental, desprezando a anatomia, tem levado algumas pessoas transexuais a requerer que a sociedade aceite essa “verdade pessoal” subjetiva, disse o Dr. McHugh. Como resultado, alguns estados – Califórnia, New Jersey e Massachusetts – aprovaram leis barrando psiquiatras, mesmo com a autorização dos pais, de se esforçarem para restaurar os sentimentos de gênero naturais a um menor transgênero.
Os ativistas da causa transgênera não querem saber dos estudos que mostram que entre 70% e 80% das crianças que expressam sentimentos transexuais perdem espontaneamente esses sentimentos ao longo do tempo. Além disso, dos que fizeram a cirurgia de redesignação sexual, a maioria disse estar “satisfeita” com a operação, mas suas condições psico-sociais posteriores não são melhores do que aqueles que não fizeram a cirurgia.
“Assim, o Hospital Hopkins parou de fazer a cirurgia de redesignação sexual, uma vez que um paciente “satisfeito ” mas ainda perturbado parecia uma razão inadequada para amputar cirurgicamente os órgãos normais” disse o Dr. McHugh.
O ex-chefe do hospital também alertou contra permitir ou incentivar certos subgrupos, tais como os jovens, suscetíveis a apologia do “tudo é normal” presente na educação sexual, e aos “gurus da diversidade” que habitam as escolas, que, como “líderes culturais”, podem incentivar estes jovens a se distanciar de suas famílias e oferecer conselhos sobre como rebater argumentos contrários à cirurgia transexual.
“Mudança de sexo é biologicamente impossível”, disse McHugh. “As pessoas que se submetem à cirurgia de redesignação de sexo não mudam de homens para mulheres ou vice-versa. Em vez disso, eles se tornam homens feminilizados ou mulheres masculinizadas. Alegar que isso é uma questão de direitos civis e encorajar a intervenção cirúrgica é, na realidade, promover um transtorno mental.””

https://pautaprincipal.wordpress.com

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Corporativismo


“É uma doutrina político-econômica, que considera a sociedade humana naturalmente estruturada em grupos profissionais, concebidos como seus elementos básicos. Daí a ideia de constituir-se o governo não através de representantes de regiões geográficas, mas de representantes de agrupamentos profissionais ou corporações. Essa doutrina tem raízes nas ideias desenvolvidas pelas encíclicas Rerum Novarum (1891, Leão XIII) e Quadragesimo Anno (1931, Pio XI), que assinalaram e valorizaram o papel que a vida profissional desempenha na sociedade humana, acentuando que “o princípio de uma união para o conjunto das profissões, se acha no bem comum da sociedade, ao qual devem elas todas e cada uma por sua parte tender, pela coordenação de seus esforços” (Pio XI). No entanto, o moderno corporativismo se distanciou do pensamento da Igreja, estendendo o controle governamental a todas as esferas da vida e da atividade social, daí decorrendo a falta de autonomia e de liberdade em oposição às encíclicas citadas. “A ordem social exige que, no seio da sociedade civil, todas as comunidades inferiores possam desempenhar as funções que lhes são peculiares. Por isso, ao Estado compete não substituir-se aos grupos profissionais, e sim favorecer-lhes a expansão, quando necessário, a autoridade, no plano profissional, e coordenar-lhes as atividades para o bem comum nacional” (Pio XI). O corporativismo serviu como base ideológica para a política de controle, por parte do governo e do partido majoritário, das atividades patronais e do movimento operário, nos países de regime ditatorial, refletindo não a conjugação de esforços livres e conscientes de grupos profissionais, mas a imposição da vontade do ditador. No entanto, o corporativismo autêntico, baseado na organização de corporações livres, das quais participavam patrões e operários, tinha em vista institucionalizar as relações de classe, não à base da luta, mas do diálogo permanente. Por outro lado, porém, não pressupunha a extinção dos sindicatos, aos quais incumbia a defesa dos interesses dos operários de todas as corporações da mesma confissão. O tecido social devia assim ser urdido por linhas verticais, as corporações, e por linhas horizontais, os sindicatos.
O corporativismo seduziu o pensamento de Pio XI que o indicava como uma terceira via entre as democracias liberais, as quais lhe pareciam esgotadas, e os regimes totalitários de direita e de esquerda que cresciam com força ameaçadora. O corporativismo cristão foi de tal modo indevidamente identificado com as estruturas fascistas, que a derrocada do fascismo soterrou também a proposta alternativa cristã, que ainda Pio XII procurou resgatar. Só vários anos mais tarde, Paulo VI na Octogesima Adveniens, 1971, explicitava com clareza a ideia de que a Igreja renunciava a qualquer pretensão de propor modelos alternativos, considerando-os de responsabilidade das comunidades nacionais. Hoje o termo corporativismo vem assumindo o sentido pejorativo da defesa intransigente de interesses e privilégios cartoriais, sem nenhuma consideração com o bem comum.”
(Fernando Bastos de Ávila, Pequena Enciclopédia de Doutrina Social da Igreja)

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Santa Hildegarda sobre o Anticristo

“O Anticristo atrairá as pessoas dando-lhes completa liberdade de deixar de observar todos os mandamentos divinos e eclesiásticos, perdoando seus pecados e exigindo que somente creiam em sua divindade. Concederá liberdade total dos mandamentos de Deus e da Igreja e permitirá que todos vivam segundo suas paixões. Dirá que não é necessário jejuar nem amargar a vida com renúncias. Na verdade o Anticristo, possuído pelo diabo, quando abrir sua boca para seu ensinamento perverso, destruirá tudo que Deus havia estabelecido na Lei Antiga e na Nova, e afirmará que o incesto, a fornicação, o adultério e outros males semelhantes não são pecados.”
(Hildegarda de Bingen, Liber Divinorum Operum)

domingo, 7 de julho de 2019

França criminaliza sites pró-vida


“A lei de “interferência digital” dirige-se, segundo o texto da mesma, a impedir o funcionamento de sites que “deliberadamente enganem, intimidam e/ou exerçam pressão psicológica ou moral para desencorajar o recurso ao aborto” e prevê multas até 30 mil euros para quem os operar.
A lei foi aprovada pelos partidos de esquerda, os de direita votaram contra, com Bruno Retailleau, do Partido Republicano, a criticar a lei como sendo “totalmente contrária à liberdade de expressão”. O senador diz ainda que a nova lei contradiz o diploma que legalizou o aborto, em 1975, e que pede que as mulheres sejam informadas das alternativas a esta prática.
Do Partido Democrata Cristão também chegaram críticas, com Jean-Frédéric Poisson a apontar para a ironia de o Governo estar apostado em encerrar sites pró-vida enquanto se recusa a fazer o mesmo a páginas de internet que promovam uma visão fundamentalista e violenta do Islão, por exemplo.
Pelo menos dois bispos também condenaram a nova lei, nomeadamente o cardeal Vingt-Trois, de Paris que acusa o Governo de estar “obcecado” com o aborto e o arcebispo Georges Pontier, de Marselha, a dizer que a lei constitui um sério ataque aos princípios da democracia.
A nova lei surge poucos dias depois de o Governo ter proibido a transmissão de um anúncio dirigido a mulheres grávidas de crianças diagnosticadas com trissomia 21. No vídeo aparecem vários jovens com trissomia que explicam tudo o que as pessoas com esta condição podem alcançar na vida e na família, mas a entidade que regulamenta os conteúdos televisivos e, após recurso, o Conselho de Estado, consideram que o visionamento do anúncio pode perturbar a consciência de mulheres que tenham optado, na mesma situação, por abortar.”

http://rr.sapo.pt

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Apresentado nos EUA projeto de lei para acabar com a imunidade legislativa de grandes empresas de tecnologia


“O senador Josh Hawley (R-MO) propôs legislação na quarta-feira para acabar com a imunidade legislativa das grandes empresas de tecnologia, o que as impediria de censurar pontos de vista conservadores e alternativos praticamente sem recurso.
O Senador Hawley propôs a Lei do Fim do Apoio à Censura na Internet, que atualiza a maneira como o governo federal trata as empresas de redes sociais de acordo com a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações (CDA).
A legislação dos conservadores do Missouri remove a imunidade das grandes empresas de tecnologia recebida nos termos da Seção 230, a menos que elas se submetam a uma auditoria externa que provaria que seus algoritmos e políticas de remoção de conteúdo permanecem politicamente neutros. A legislação do senador Hawley só se aplica a grandes empresas de tecnologia, como Google, Facebook e Twitter, e não a pequenas e médias empresas de tecnologia.
"Com a Seção 230, as empresas de tecnologia obtêm um acordo bastante favorável do qual nenhum outro setor pode gozar: isenção completa da tradicional responsabilidade editorial em troca de fornecer um fórum livre de censura política", disse o senador Hawley em um comunicado na quarta-feira. “Infelizmente, e de maneira previsível, as grandes empresas de tecnologia fracassaram em cumprir com suas obrigações.”
A legislação de Hawley surge no momento em que o Departamento de Justiça de Donald Trump (DOJ) e a Comissão Federal de Comércio (FTC) devem começar investigações antitrustes nas maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
Outros conservadores, como o deputado Matt Gaetz (R-FL) e o senador Ted Cruz (R-TX), propuseram a eliminação ou a emenda da Seção 230 para restringir a capacidade das grandes empresas de tecnologia de censurarem pontos de vista conservadores e alternativos.
A legislação do Sen. Hawley iria:
Remover a imunidade automática, nos termos da Seção 230, de grandes empresas de tecnologia.
Dar às grandes empresas de tecnologia a capacidade de ganharem sua imunidade por meio de auditorias externas.
-No entanto, a Comissão Federal de Comércio só poderá certificar a imunidade das grandes empresas de redes sociais pelo voto de maioria absoluta da agência.
-As grandes empresas de tecnologia teriam que pagar pelo custo de conduzir as auditorias.
-As empresas teriam que renovar sua certificação de imunidade a cada dois anos.
Preservar a imunidade para pequenas e médias empresas.
-O projeto de lei não se aplica a empresas com menos de 30 milhões de usuários mensais ativos, com mais de 300 milhões de usuários ativos mensais em todo o mundo ou empresas que têm mais de US$ 500 milhões em receita anual global.
O senador continuou: “Há uma lista crescente de evidências que mostram grandes empresas de tecnologia tomando decisões editoriais para censurar pontos de vista dos quais discordam. Pior ainda, todo o processo está envolto em sigilo, porque essas empresas se recusam a divulgar seus protocolos”.
"Essa legislação simplesmente declara que, se os gigantes de tecnologia quiserem manter sua imunidade concedida pelo governo, eles devem trazer transparência e responsabilidade aos seus processos editoriais e provar que não discriminam", acrescentou Hawley.”

https://www.breitbart.com

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Marcel de Corte: A virtude da temperança


“A temperança liga-se estreitamente à prudência pois modera as paixões do concupiscível e conserva-as num justo meio razoável entre o excesso e a carência. Ela se une à justiça pelos atos e pela rejeição à intemperança, vício essencialmente próprio ao indivíduo dedicado ao seu prazer pessoal. Ela é companheira da força, que luta pelo bem comum, já que é impossível ser forte sem ser temperante.
(...)
Não há nenhuma outra virtude que esteja em mais estreita conexão com todas as demais ou que lhe seja mais extensível: quase todas as virtudes, cardeais ou não, têm necessidade da temperança para se levar a efeito. Seu uso é freqüente, cotidiano, e, se a força a supera “de um certo modo” (quoad aliquid) por seu aspecto social, por sua freqüência necessária e pelos vínculos concretos com as demais virtudes, a temperança pode encontrar a preferência do moralista, não somente em relação à força, mas “mesmo à justiça”. Ela é uma virtude viril e Santo Tomás, seguindo Aristóteles, comenta com precisão que seu contrário “é um pecado de concupiscência” excessiva que, de ordinário, atribuímos às crianças. Igualmente destaca, acompanhando “o mestre daqueles que sabem”, que a intemperança é um vício mais grave que a pusilanimidade, porque é mais voluntária, mais própria do homem feito. O pusilânime tem quase sempre o espírito paralisado diante do perigo da morte física ou moral; é mais sujeito aos impulsos exteriores que sofre, mais sensível aos riscos e às ameaças em geral. O intemperante é atraído pelos gozos particulares, adjacentes ou acessórios às concupiscências da natureza. Ora, “é pura e simplesmente mais voluntário o que é voluntário nas ações singulares, nas quais culminam a virtude ou o vício, no sentido próprio dos termos”.
Mas, indo um pouco além, estas ações singulares não estão isoladas de seus prolongamentos sociais. A vergonha que se associa à intemperança se opõe à honra e distinção da virtude contrária. Sem dúvida, a intemperança é freqüente em meio à humanidade, e sua repetição, por demais visível, parece diminuir a vergonha e a desonra que se associam a ela na opinião dos homens. Todavia, elas não se apagam completamente dali: a natureza do vício ao qual sucumbe o intemperante, marcada por sua gravidade, opõe-se a isto. Demais, os estigmas deixados pela intemperança sobre o aspecto do homem ― a abjeção de sua conduta libidinosa ― apagam, diz-nos Santo Tomás com profundeza, o brilho e a beleza inerentes ao homem temperante, equilibrado, dono de si, seguro das finalidades que persegue, e cuja razão ilumina, por sua transparência, os atos virtuosos. Um visível envilecimento caracteriza o libidinoso e, na mulher, os artifícios que o dissimulam só acentuam a ausência de castidade. Todos esses sinais, ao mesmo tempo individuais e sociais, cujos sentidos são evidentíssimos, manifestam que o homem ou a mulher entregues à intemperança se rebaixam ao nível do animal, destruindo em si as marcas do seu caráter verdadeiramente humano.”

http://muralhasdacidade.blogspot.com.br

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Da proibição do véu islâmico

“Alguns tolos na Direita rejubilam quando em França se proíbe o uso do véu islâmico. Julgam eles que essa é uma medida em prol das nacionalidades e da civilização europeia. Enganam-se. A República que proíbe o uso do véu islâmico é a mesma República que proíbe o uso de crucifixos. Por isso, tais medidas anti-véu não são feitas em favor das pátrias e da tradição católica da Europa. São feitas em favor da república, do laicismo, da maçonaria, e visam neutralizar o "extremismo" para favorecer um "moderantismo" bastardo e aglutinador.
Lembrem-se, direitistas, que o uso de véu ou de lenço na cabeça, não é algo anti-europeu. Pelo contrário, se observarem como vestiam os nossos antepassados, concluirão que as modas modernas é que são anti-europeias."

http://accao-integral.blogspot.com.br

terça-feira, 25 de junho de 2019

Navegantes e naufragantes


“Na travessia do mar tempestuoso desta vida há católicos que infelizmente preferem ouvir o canto da Sereia ao canto da Stella Maris, o canto da Senhora Soberana do céu e da terra. Certissimamente vão naufragar porque se recusam a sofrer todas as humilhações que a Providência Divina envia aos eleitos para purificá-los na demanda do reino do céu.
A vida do católico aqui na terra sempre foi e será um esforço constante para não desertar do combate a ser travado sob os estandartes de Cristo Rei contra o reino de Satanás e do Anticristo. É a doutrina exposta e defendida pelos grandes teólogos e mestres da vida espiritual com base na Sagrada Escritura. É a doutrina de Santo Agostinho na monumental Cidade de Deus. Em um regime de cristandade, em um estado confessional católico, onde as autoridades políticas se empenham em organizar a sociedade conforme a lei de Deus, a luta contra os inimigos da salvação pode ser menos renhida, mas, mesmo assim, a vida do católico será sempre uma luta.
Desgraçadamente, a partir do Vaticano II semelhante concepção da vida católica como um combate foi sendo deixada de lado para ser finalmente substituída pelo mito do diálogo. Não o diálogo como sempre o entendeu toda a tradição desde a antiguidade, como, por exemplo, Platão. Não o diálogo como uma investigação de pessoas que, tendo os mesmos princípios e valores, se unem em um esforço comum para chegar à solução de um problema ou sanar uma dúvida que aflige a todos. Mas um diálogo de céticos desesperados e contraditórios que, não vendo sentido em nada, se unem apenas no afã de descobrir uma regra geral de como compartilhar melhor as alegrias e penas de uma vida efêmera. Sinceramente, acho que não há exagero nestas palavras.
Foi assim que deixando de lado o hino Stella Maris, muitos católicos passaram a ouvir e a cantar o canto da Sereia e abraçaram os ídolos dos tempos modernos: democracia, liberdade, igualdade de oportunidades, direitos humanos. E agora vêem-se até defrontados com a necessidade de dialogar sobre questões que a princípio pode causar-lhes alguma repugnância mas terão de engolir se não quiserem receber a pecha de fundamentalistas. Refiro-me aos tópicos constantes da agenda da nova ordem mundial: direitos reprodutivos e sexuais da mulher, aborto, “casamento homossexual”, ideologia do gênero etc.
Com efeito, desprezando a Virgem Prudente, a Sede da Sabedoria, e ouvindo a Sereia, não puderam ou não quiseram esses católicos que agora naufragam e estão consternados com a rejeição do nome do jurista Ives Gandra para o Supremo Tribunal Federal, não puderam ou não quiseram entender que o mundo pós-moderno, herdeiro de todos os erros condenados pelo magistério tradicional da Igreja, não dá mais lugar a quem queira defender nas instâncias públicas valores morais baseados em princípios metafísicos ou teológicos. Não quiseram reconhecer que mais cedo ou mais seriam alijados por seus companheiros de viagem a quem adulavam ao mesmo tempo que zombavam dos católicos tradicionalistas tachados de fundamentalistas e cismáticos. Foram merecidamente devorados pelo grande monstro, pelo Leviatã moderno, chamado democracia laica ou secular, ao som do canto da Sereia, enquanto os católicos fiéis à tradição da Igreja escapam do naufrágio, escapam de ser comidos pelo monstro ou tragados pelo dilúvio porque preferem ser marginalizados, preferem ficar de fora, cantando Stella Maris e rezando o santo rosário.
O grande imperador Filipe II dizia “prefiro não reinar a reinar sobre hereges.” Palavras de grande valor moral, palavras de espantosa atualidade. Realmente, que pode fazer um rei católico em um país de hereges? Que pode fazer hoje um governante católico quando as famílias estão desestruturadas e as instituições completamente aparelhadas por bandidos revolucionários?
Que bem poderá fazer hoje um juiz católico na suprema corte? Certamente bem pouco para não dizer nada.
As palavras de Filipe II me convencem ainda mais de como estão errados os príncipes e monarquistas que sonham com a restauração do trono a qualquer custo. Que vale uma monarquia oca, uma monarquia cerimonial? Conta-se que o Conde de Chambord, prejudicado pelo ralliement de Leão XIII, teria dito que se tivesse cingido a coroa da França, não o teriam deixado governar porque não transigiria nos princípios fundamentais da política católica.
Do mesmo modo, que bem poderá fazer hoje um jovem sacerdote que aspire ao episcopado? Uma vez no governo de uma diocese, quanta resistência dos modernistas e dos progressistas da teologia da libertação não encontrará? Realmente, esses tais que aspiram ao episcopado não aquilatam a cruz que pedem. Uma cruz talvez não para a salvação mas para a própria condenação. Não se trata de recusar o exercício da autoridade por comodismo, por falta de fortaleza, mas de, com prudência, examinar as circunstâncias e reconhecer que hoje, como está a sociedade, não há lugar para homens de bem no governo. A sociedade está reduzida a uma quadrilha de bandidos e degenerados. As instituições faliram.
As palavras de Filipe II me fazem ver também como estão errados os leigos e clérigos que correm atrás de títulos nobiliárquicos e honoríficos. A dignidade de um título se mede pelo valor de quem o confere. Ser nomeado cavaleiro por um grande monarca sem dúvida é um notável galardão. Ser nomeado monsenhor por um santo papa também. Mas hoje tudo isso é impossível.
Das palavras de Filipe II me utilizo também para ilustrar a situação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Há católicos “conservadores” ou linha média que desejam um acordo da Fraternidade com o Vaticano de Francisco I, fazem campanha para que ela tenha reconhecimento canônico de direito pontifício. Que bem poderá fazer a Fraternidade uma vez reconhecida? Muito mais nobre será sofrer o labéu de ter sido esbulhada nos anos setenta da sua estrutura canônica do que agora obter mediante termos ambíguos um reconhecimento. Muito mais nobre será agora pedir ao Vaticano que declare nula a supressão canônica ao tempo de Paulo VI do que estudar agora a viabilidade da ereção de uma prelazia pessoal.
Conta-se que o Patriarca José Bonifácio recusou o título de marquês de Santos, por discordar das atitudes de Dom Pedro I. Este, para desfeiteá-lo, agraciou sua favorita Domitila com o título de marquesa de Santos. O grande Joaquim Nabuco, embora também monarquista, recusou um título de visconde que lhe oferecia Dom Pedro II. Ambos são exemplos de autêntica nobreza não titulada.
A sociedade corrompeu-se a tal ponto hoje, que os verdadeiros católicos, se não quiserem trair sua consciência e sua fé, não podem mais esperar cargos e honrarias das altas esferas. Todos estamos assistindo perplexos aos desafios à autoridade do presidente dos EUA, que está longe de ser um estadista defensor dos valores tradicionais. Serve apenas para demonstrar o descontentamento de uma grande parcela da opinião pública. Não se sabe ainda como terminará a história.
Se nos Estados Unidos, onde o povo é mais culto e a sociedade bem mais organizada que a nossa, a situação é calamitosa, que dizer do Brasil depredado pelo lulopemedemismopetista e pela teologia da libertação?
Só nos resta rezar, só nos resta pedir o socorro da Estrela do Mar, bem longe da Sereia. Só nos resta salvar nossas famílias e pequenas comunidades.
Deus, venerunt gentes in heriditatem tuam, polluerunt templum sanctum tuum, posuerunt Ierusalem in pomorum custodiam. (Ps. 78)

http://santamariadasvitorias.org