sexta-feira, 21 de junho de 2019

Dom Félix Sardá y Salvany: Modos de ter religião que equivalem a não a ter


“O homem, diga-se o que quiser, é naturalmente religioso e, como disse Tertuliano, sua alma é naturalmente cristã. O ateísmo cru e desavergonhado é repulsivo por si próprio, e somente depois de muita corrupção e embrutecimento de seu coração o homem consegue torná-lo familiar e conatural. Por necessidade, pois, hão de ser poucos os ateus francos e descarados. Dá uma olhada ao teu redor e tu te convencerás desta verdade.
Mas o diabo, grande mestre de artimanhas, não parou até inventar e encontrar um modo que transformasse em verdadeiros ateus uma multidão de homens que se espantariam só com a palavra se lha chegassem a propor. Sim, senhor! Inventou o maldito certas formas de encoberto e vergonhoso ateísmo, com as quais ele tem em suas garras os desgraçados que se deixaram apanhar pelo laço, sem que eles mesmos se espantem, se embaracem, se deem conta, talvez, de sua situação miserabilíssima.
Tais formas de ateísmo disfarçado e vergonhoso, e muitas vezes inconsciente, são as que chamo aqui de modos de ter religião que equivalem a não a ter. E são, à primeira vista, três, às quais todas as demais podem se reduzir.
1º – Crer na religião, mas não praticar ato algum dela.
2º – Crer e praticar algo da religião, mas não a crer ou a praticar por completo.
3º – Praticar os atos da religião somente para parecer bom ou por outro motivo meramente natural e humano.
Eis aqui os três disfarces mais comuns do ateísmo vergonhoso, mais por desgraça do que muitos costumam imaginar. Um após o outro iremos apresentando aqui à guisa de refutação.
Vejamos o primeiro.
Dizer que crê na religião, mas não praticar ato algum dela.
É a forma mais comum do ateísmo vergonhoso que reina em nossa sociedade. Milhares de indivíduos não sentem ódio algum ao catolicismo, nem a seus dogmas, nem a seus preceitos, nem a seus ministros. Mais ainda: se perguntas à maior parte deles sobre sua religião, te dirão sem embaraço que são cristãos, e até se irritarão se tu lhes negas este título. E, contudo, não vão à missa aos domingos, porque, é claro, a manhã de domingo já está um tanto ocupada; nem jejuam nos dias de preceito, porque isso é coisa de padre e de freira; nem confessam nem comungam na Quaresma, porque essas banalidades são para as mulheres; nem rezam um minuto ao dia, porque essas coisas a mãe bem lhes ensinou quando eram pequenos, mas eles as esqueceram depois, na juventude. Crer? Ah, sim, isso sim, creem em tudo perfeitamente! Alguma vez lhes ouviram negar alguma coisa? Se bem que, para dizer a verdade, tampouco afirmá-la? De cabo a rabo afirmarão toda a profissão de fé que há no Ritual da Igreja, ainda que não saibam nada do que se diz nela. E não lhes venham com histórias de missa, de jejuns ou de sacramentos, pois que não querem ser beatos, ou, no máximo, guardam isto para a velhice.
Os tais são ateus práticos em toda forma, e a seu ateísmo só falta um rótulo que o chame assim. Religião que não se pratica não é religião, porque a religião ou é coisa prática ou não é nada. Pode-se ser um matemático muito bom somente em conhecer teoricamente a matemática, porque esta, como outras, é ciência especulativa que basta professar com o entendimento. Mas assim como não será sapateiro quem não faça sapatos, nem carpinteiro quem não trabalhe na madeira, nem pintor quem não maneje o pincel, também não é cristão quem não pratica obras cristãs, por mais que em seu interior diga que crê e que pensa como manda crer e pensar o cristianismo. Crer e obrar exige a lei. Crer é o fundamento, obrar é o edifício: e ninguém dirá que é construção perfeita a que conste somente de cimento sobre o qual ninguém se preocupou em edificar. Aquele que tem somente crença, uma vez que a tenha firme e verdadeira, porque mesmo disto se pode duvidar, nada tem se não acrescenta a ela as obras que serão sua consequência necessária. Um Apóstolo disse isto com frase de irrecusável autoridade: A fé sem obras é morta.
Vamos ao segundo.
Crer e praticar algo da religião, mas não a crer nem a praticar por completo.
Este é o segundo dos disfarces com que se costuma encobrir o ateísmo de certas pessoas, e é o que em outra parte chamamos de a meia religião. Alguns pegam do catolicismo, tanto de seus dogmas quanto de suas práticas, não o que este prescreve, mas o que a eles se acomoda, guiando-se não pela autoridade soberana da fé, mas segundo seu espírito privado, talvez por mera afeição ou capricho ou humor. Assim, creem em Deus e na Virgem, mas não na infalibilidade do Papa, que é tão dogma de fé quanto os dois primeiros; admitem o Céu e o Inferno, mas riem do Purgatório; confessam que há de se ir à missa nos dias de preceito, mas não que em outros dias igualmente preceituados se tenha de jejuar. Portam-se eles com certa autoridade independente acima do catolicismo, e dizem com uma desenvoltura sem igual: “Até aqui acho que está bom para mim; até lá, nem tanto; tal coisa admito sem pestanejar; esta outra não me desce de jeito nenhum”. Eles não reparam que, agindo com este critério, não são católicos “nem aqui nem na China”, senão que perfeitíssimos livres-pensadores.
Ora, religião assim mutilada e em farrapos não é a verdadeira religião. Não é a fé de Cristo, que exige a submissão absoluta: é fé humana a gosto do consumidor. A religião tem igual força de obrigar numa coisa e outra, entre as quais declarou obrigatórias. Supor que é falsa em algo, por mais que este algo seja tão pequeno como ponta de alfinete, é tomá-la por embusteira até em seus dogmas fundamentais. Ou em algo me pode enganar, ou em tudo me diz a verdade. E se em algo me pode enganar, não devo crê-la em nada; e se em tudo me diz a verdade, devo crê-la em tudo. Isto é o lógico e nada mais.
Quando, pois, nos assalte uma dúvida sobre algo de religião, convém averiguar se aquele ponto é livre ou de fé obrigatória. Se é o primeiro, estuda-se e decide-se pelo que aconselha as razões mais fortes. Se é o segundo, admite-se-lhe incontinentemente e sem vacilação. Deste modo se é católico; de outro modo não se passa de pobre racionalista. Também há sobre isto, nas Escrituras, sentença decisiva: Ainda que alguém guarde toda lei, se rechaça um de seus mandamentos, vem a ser réu de todos.
Eis aqui o terceiro.
Praticar os atos da religião somente para parecer bom ou por outro motivo meramente natural e humano.
É o terceiro e mais sutil invólucro com que se disfarça o ateísmo no mundo atual, e por isto temos de consagrar-lhe maior atenção. A alma de toda obra moral é a intenção ou o motivo formal que a vivifica. Por conseguinte, por mais recomendável que seja um ato, ele perde toda essência e valor se o motivo que interiormente o anima não é bom e legítimo como deve ser. Assim, as obras de religião devem ser praticadas por Deus, para obedecer a Deus, para honrar e servir a Deus. Se se exclui esta intenção, deixam de ser obras religiosas e são rebaixadas à categoria de obras meramente humanas e, ainda, mera hipocrisia. Venham os exemplos, que estes mais que as regras ilustrarão a questão.
Praticar as obras de religião somente para não se diferenciar dos demais, ou para lhes agradar, ou para não ser taxado, não é religião, porque não é servir a Deus, mas servir àquele fulano ou sicrano ao qual se trata de não descontentar.
Praticar as obras de religião puramente por profissão ou ofício a fim de ganhar com isto o sustento material, ou com aspiração ambiciosa de prosperar no mundo e adquirir um posto elevado ou até certo renome entre as pessoas não é ter religião, porque não é servir a Deus, mas servir à cobiça, à ambição ou à vaidade, isto é, ao miserável eu.
Praticar as obras de religião e recomendá-las somente como meio humano para deter as massas (como hoje se diz que se faz), pregando que a tranquilidade pública necessita do contrapeso poderoso das ideias religiosas; que sem religião não há respeito possível para a vida nem para a propriedade, fazendo da religião um mero guardamonte das propriedades ameaçadas pelo socialismo, ou uma simples bomba de auxílio nos momentos críticos de conflagração social, sem levar em conta para nada os interesses espirituais, que são os primeiros, sem pensar em Deus, na alma e na outra vida… tampouco é ter religião, porque isto não é servir a Deus, mas aos interesses materiais, como lhes servem o policial ou o guarda civil. Secundariamente, é claro que a religião também serve a isto, mas o primeiro nela deve ser a glória de Deus e a salvação da alma.
Praticar a religião somente pelo consolo ou bem-estar sensível que nela se encontre, pelas emoções que causa o culto, pela beleza de suas cerimônias, pela poesia de suas festas, pela grandeza de suas lembranças, por sua civilizadora influência na humanidade… tampouco é ter religião ou piedade, é somente ter pietismo e sentimentalismo humano, que não é, por certo, coisa igual. A poesia da religião é somente seu aroma exterior, e assim como não se diria que se alimenta de um manjar aquele que se contentasse em aspirar seus aromas, também não se pode dizer que tenha religião aquele que reduzisse todo seu catolicismo a recrear-se com a fragrância das obras católicas. Também há sobre isto, nas Escrituras, um texto que pode servir de punhal ou golpe de misericórdia a esta parte da questão: Nem todo aquele que me diz “Senhor! Senhor!” entrará no reino dos céus (disse Jesus), mas aquele que vive e obra conforme a vontade de meu Pai celestial.
Como se vê, amigo leitor, sobram ateus no mundo mesmo entre as pessoas que mostram ter certo horror a esta palavra. São ateus práticos, mas de que outro modo viveriam se fossem ateus até em teoria? Pela prática baseada na fé nós seremos julgados. Mas que importa ao diabo se prática ou teoricamente irão ao inferno os que ele deseja conduzir até lá? Como eles irão de um modo ou de outro, ele faz seu agosto negro, pois que isto ele leva em conta e nada mais. Sobretudo quando esta maneira de se condenar, suave e mansa, e até certo ponto decente e honrada, oferece a vantagem de não espantar a caça que com outros modos mais desavergonhados talvez não se deixasse apanhar. Estamos em tempos em que não é a impiedade feroz e aberta a que mais devemos temer, mas a mansa e compungida, que é a pior. Mais me espanta o ateísmo dos homens honrados, ou dos que se chamam assim, que o feroz e vociferador dos mais fogosos revolucionários. Aquela frase de muitos – “sou honrado!” –, fez condenar mais almas do que todos os crimes que se registram em todos os códigos. Aquele “sou honrado!” é o adormecedor de muitíssimas consciências, o paliativo de muitíssimas iniquidades, o verdadeiro ídolo que muitos interpuseram entre seu coração e seu Deus, para que não O vissem, não O amassem e não O obedecessem como é devido. Com este “sou honrado!” se pretende justificar toda indiferença, toda apostasia, toda impiedade formal. O ateísmo nunca soube encontrar um disfarce mais cômodo e que mais bobos pudesse enganar. Não, não se é honrado se não se tem religião; e não se tem religião se não se a pratica; e não se a pratica se não se a pratica toda e por seu verdadeiro motivo formal. Lúcifer foi o primeiro honrado deste tipo e não fez mais em substância que se rebelar contra Deus. Só por isso (só por isso!) foi e é o primeiro condenado.
Ah, meu amigo! Cuida que não sejas tu um dos tais honrados, decentes e de boa reputação que, por ter religião em um destes modos que equivale a não a ter, há de chorar por toda uma eternidade!”

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terça-feira, 18 de junho de 2019

A nacionalidade de Lênin


“Em Os Governantes da Rússia (3ª edição, pp. 28, 30), mencionei várias opiniões a respeito da nacionalidade de Lênin sem examiná-las criticamente. A principal razão foi que eu não tinha sido capaz de rastrear a origem da “lenda” de que Lênin foi casado com uma judia e que seus filhos falavam ídiche. Desde então, descobri o que parece ser a origem da história em O Judeu Internacional de Henry Ford, vol. I, p. 214. Lá lemos, junto com muitas informações úteis sobre o Bolchevismo e a Revolução Russa, as seguintes frases: “Talvez ele (Lênin) seja um gentio, mas por que seus filhos falam ídiche? ... A explicação para tudo isso parece ser que ele se casou com uma judia. Isso é um fato. Mas outra explicação pode ser que ele mesmo era judeu.” Nenhuma autoridade para tais alegações é citada em O Judeu Internacional. Ora, é certo que a esposa de Lênin era russa. Lênin pode ter aprendido ídiche, pois estava sempre em companhia de judeus que falavam essa língua, mas com sua esposa teria falado russo. Jamais houve qualquer menção a filhos desse casamento.
Os pesquisadores parecem concordar em que a aparência facial de Lênin não era a de um russo. “Astrakan, na costa noroeste do Cáspio”, escreve o Pe. E. A. Walsh, S.J, “foi o local de nascimento do pai de Lênin, Ilia Ulianov, que vinha de uma respeitável linhagem de classe média que tinha de algum modo cruzado com sangue mongol: a miscigenação era claramente visível no semblante do futuro ditador. Foi em Simbirsk sobre o Volga que Vladimir nasceu, em 10 de abril de 1870, enquanto seu pai trabalhava como Inspetor das Escolas Rurais, uma posição que lhe dava direito a ser chamado “Sua Excelência”. Na mesma cidade vivia a família de Alexander Kerensky.”
Por sua vez, o Inspetor Fitch da Scotland Yard, cuja tarefa era observar Lênin e Trotsky na Grã-Bretanha, testemunha a mesma aparência não-russa. “Foi a primeira vez que o havia visto,” escreve o ex-detetive, “um típico judeu de cabeça lisa, de forma oval, olhos apertados, com uma segurança demoníaca em cada linha de sua poderosa face magnética. A seu lado estava um diferente tipo de judeu, do tipo que se pode ver em qualquer loja do Soho, de nariz forte, rosto pálido, bigodes longos, com um pequeno tufo de barba balançando de seu queixo e uma grande massa de cabelo desgrenhado – Leiba Bronstein, depois conhecido como Lev Trotsky.”
O Pe. Walsh atribui a aparência não-russa nos traços de Lênin a uma mistura com sangue mongol. O Inspetor Fitch menospreza-o como judeu. M. de Poncins, que examina todas essas questões cuidadosamente, diz que “a origem de Lênin não é clara nem bem definida. Do lado de seu pai, há uma mistura de russo e tártaro, tão comum na Rússia. Do lado de sua mãe, há suspeita de algum sangue judeu. Sua mãe foi Maria Alexandrovna Blank, filha de um médico, Alexander Dimitrievitch Blank. Segundo Pierre Chasle (Vida de Lênin, Paris, 1929, p. 3), Alexander Blank veio da Volínia e era médico militar. Sua esposa, avó de Lênin, é tratada como alemã na publicação A Família Oulianoff em Simbirsk (Instituto Lênin, Moscou e Leningrado, 1925, p. 20). Alexander Blank era considerado em círculos judaico-soviéticos como sendo um judeu batizado. O nome Blank é muito comum na Alemanha e é um nome alemão, mas também é encontrado entre os judeus.” O relato desse autor parece ser um excelente resumo do presente estado da questão.”
(Pe. Denis Fahey, C.S.Sp., The Mystical Body of Christ and The Reorganization of Society)

sábado, 15 de junho de 2019

O privilégio sabatino

“Uma das promessas de Nossa Senhora do Carmo a São Simão Stock se refere ao "privilégio sabatino": consiste que aquele que morrer usando o escapulário, sairá do Purgatório no primeiro sábado após sua morte. Este privilégio foi confirmado pela Bula "Sacratissimo uti culmine" do Papa João XXII, que tem também o relato de uma visão sua sobre este privilégio. Porém, esta bula, analisada pela moderna crítica histórica, foi considerada como não-autêntica e infundada pela Igreja e pelos historiadores. Porém, a Igreja permitiu aos carmelitas pregarem que "o povo cristão pode acreditar piamente na ajuda que as almas dos seus irmãos e membros, que partiram desta vida na caridade, que usaram o escapulário durante a sua vida, que já observaram a castidade, que recitaram o Pequeno Ofício de Nossa Senhora, ou, se não conseguirem ler, observaram os dias de jejum da Igreja e abstiveram-se de carne às quartas e sábados (exceto quando o Natal for em tais dias), serão socorridos após a morte - especialmente aos sábados, o dia consagrado pela Igreja à Santíssima Virgem - através da intercessão incessante de Maria, das suas piedosas petições, dos seus méritos e da sua proteção especial" (citação retirada da Súmula de indulgências e privilégios concedidos à Confraria do Escapulário do Carmo, aprovada no dia 4 de julho de 1908 pela Congregação das Indulgências). Se uma pessoa pecar contra a castidade ou deixar um dia de fazer a obra prescrita, poderá recuperar o privilégio ao confessar-se e cumprir a penitência.
É de salientar o fato de que esta súmula, baseada num outro documento anterior do Santo Ofício (1613), não menciona nem a bula de João XXII nem as visões deste Papa sobre o privilégio sabatino. Mas, por outro lado, este documento exprime a apreciação e aprovação da Santa Sé à fidelidade ao Escapulário do Carmo. Apesar de o documento não mencionar a libertação imediata do purgatório no primeiro sábado após a morte (o privilégio sabatino em sentido estrito), ele faz referência à especial proteção e intercessão incessante de Maria para os verdadeiros devotos do Escapulário. E o documento prefere também usar o termo mais lato "aos sábados", nunca mencionando o termo "no primeiro sábado". Neste sentido, a idéia do primeiro sábado "teria que ser entendida em sentido largo ou translato, visto que a sucessão de dias da semana só pode ser critério na terra, onde o tempo é medido pelo movimento dos corpos; no purgatório há apenas almas separadas de seus corpos". Ou seja, segundo esta interpretação, o termo "no primeiro sábado" foi formulado apenas para uma melhor compreensão dos crentes ao privilégio sabatino, que consiste num auxílio especial da Virgem Maria aos devotos do Escapulário, que podem assim sair do Purgatório o mais rapidamente possível (em linguagem humana e figurada, "no primeiro sábado").
O privilégio sabatino, no seu sentido mais alargado dado pela Santa Sé, é válido e foi confirmado por vários Papas, tais como Alexandre V (1409), Clemente VII (1530), Paulo III (1534), Pio IV (1561), São Pio V (1566), Gregório XIII (1577), Paulo V (1613), Urbano VIII (1628), Clemente X (1673), Inocêncio XI (1678), São Pio X (1906), Pio XI (1922) e Pio XII (1950).[3][5] Em 1950, o Papa Pio XII afirmou que "certamente a piedosa Mãe não deixará de fazer que os filhos expiem no Purgatório suas culpas, alcancem o antes possível a pátria celestial por sua intercessão, segundo o chamado privilégio sabatino, que a tradição nos transmitiu". Apesar de toda esta confirmação, os católicos não são obrigados a acreditar no privilégio sabatino, porque ele pertence às revelações privadas, que não fazem parte da Revelação divina.”

https://pt.wikipedia.org

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Joseph Brodsky: Eu era apenas quanto


Eu era apenas quanto
a tua mão tocasse
ou sobre o que inclinavas,
no breu da noite, a face.

Eu era, embaixo, quanto
notavas turvo, apenas:
traços, no início, vagos;
feições, mais tarde, plenas.

Foste quem logo, ardente,
criou-me a sussurrar,
seja à direita, à esquerda,
a concha auricular.

Foste, a agitar cortinas,
quem, na umidade cava
da boca, introduziu-me
a voz que te chamava.

Eu era cego e, vindo,
sumindo-te de mim,
doaste-me a visão.
Fica um vestígio, assim.

E, assim, criam-se mundos
que são postos de lado,
girando, quando prontos,
presente abandonado.

Em meio, pois, de treva
e luz, calor e frio,
prossegue o nosso globo
seu giro no vazio.


Tradução de Boris Schnaidermann e Nelson Ascher

segunda-feira, 10 de junho de 2019

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Locke nunca teve filhos


“Locke nunca teve filhos. Nem os teve Descartes, Hobbes, Spinoza ou Kant. Rousseau teve filhos mas os deu para adoção. Em outras palavras, o racionalismo iluminista foi uma construção de homens que não tinham experiência de vida familiar ou do que é necessário para fazê-la funcionar.
A maior parte do pensamento político ocidental de hoje gira em torno da teoria de indivíduos livres e atomizados que só assumem obrigações quando consentem.
Esta teoria foi inventada por homens que viveram mais ou menos desta maneira. Mas qualquer um que eduque filhos sabe que esta teoria não é verdadeira. Não sou livre para escolher meus filhos e eles não são livres para me escolherem. Muito frequentemente a obrigação tem pouco ou nada a ver com consentimento.
O mesmo é verdade para a sociedade política de um modo mais geral. Se meus país é atacado, minha obrigação de defendê-lo não surge do consentimento, mas das ligações de lealdade a família e vizinhos e ao modo de vida que herdei. Isto não é verdadeiro para todos, mas é verdadeiro para a maioria.
Até quando estas verdades simples e óbvias serão suprimidas? O racionalismo iluminista ensina uma teoria política feita à imagem de indivíduos solteiros e sem filhos.
Quanto mais as pessoas repetirem os princípios desta teoria política, mais elas vão agir como indivíduos solteiros e sem filhos.
Mas nenhuma nação consegue sobreviver deste jeito. A liberdade dos filósofos solteiros e sem filhos não é algo que as pessoas de uma nação verdadeira possam realmente ter.
Será que não merecemos uma teoria política que se baseie na vida real? Nas coisas de que realmente precisamos, e nas obrigações que realmente temos? Até quando nossas universidades e escolas não terão algo mais inteligente para ensinar que as fantasias dos eternos solteirões do Iluminismo?”
(Yoram Hazony, em postagem no Twitter de 20/05/2019)

domingo, 2 de junho de 2019

Por que a FSSPX está errada sobre a carta contra as heresias do Papa Francisco

“A FSSPX escreveu uma declaração sobre a carta, mencionada aqui várias vezes, que pede aos bispos que convidem Francisco a se retratar de suas muitas heresias ou o deponham. A declaração é bastante crítica. Penso que seja, também, um grande erro.
A Fraternidade obviamente ressalta as muitas heresias deste Pontificado. Eles destacam que Francisco é o resultado de um movimento, o Vaticano II, que vem acontecendo há décadas. Mas então eles condenam a carta baseados no argumento de que as chances de sucesso são inexistentes, e que os bispos destinatários não são suficientemente instruídos e afinal de contas não desejam agir.
Com este raciocínio, minha pergunta à FSSPX é por que eles mesmos pensam que deveriam existir, para início de conversa. A probabilidade de o Colégio dos Cardeais (para não falar dos bispos do mundo inteiro) se converter ao Catolicismo Tradicional é ainda menor que a probabilidade de eles acusarem o Papa de heresia.
Se é suficiente orar e não fazer nada, esperando que Deus modifique a situação, então a FSSPX poderia da mesma forma se dissolver e explicar a todos seus seguidores que “é bastante provável, até mesmo certo, que a maior parte dos bispos não irá reagir” a seu convite de abandonarem as inovações do Vaticano II.
Nem pode a FSSPX dizer, em sua defesa, que agem esperando que futuras gerações voltarão à sanidade; porque isto é exatamente o que os signatários da carta estão fazendo.
O princípio básico, que escapa completamente aos autores da declaração, é que as coisas são feitas porque são corretas. A probabilidade de sucesso não está aqui nem ali. Não consigo imaginar Atanásio, ou os guerrilheiros franceses lutando contra a ocupação nazista, ou tantos guerreiros em tantas guerras, físicas e espirituais, pensando na “probabilidade de sucesso” como elemento decisivo para lutar ou não.
Quando o Arcebispo Lefebvre se recusou a fechar seu seminário, ou quando nomeou seus bispos, ele assim o fez porque era a coisa correta a fazer. Esta foi a luz guia por trás das decisões que foram, de certo modo, inéditas na história da Igreja. Mas se olharmos para o mundo, não podemos certamente dizer que a FSSPX tem sido um “sucesso”, pois quase cinquenta anos depois a Igreja só ficou mais corrupta. Será que devemos, então, dizer, a respeito da FSSPX, que “o fracasso de uma tal iniciativa ridicularizou o autor (Lefebvre) e sua causa”?
Certamente que não.
Você faz o que tem que fazer. Se o resultado é zero nesta época em que vivemos, o céu ainda perceberá a ação. Além disso, todas estas iniciativas são como o fermento que, com a graça de Deus, trará resultados algum dia.
Um dia, a história vai registrar que vozes corajosas se levantaram exigindo ação em vista do espetáculo impressionante de um Papa herético. Eles saberão que nem todos ficaram silentes, e nem todos estavam prontos para aceitar a passividade dos bispos. Eles saberão que os assinantes da carta, com todos seus simpatizantes, quiseram desmascarar a vergonha da passividade de seus bispos para todas as futuras gerações. Eles saberão que tais iniciativas querem dar testemunho de que a Igreja é indefectível e, quaisquer que sejam os problemas, sempre haverá aqueles que permanecem leais à verdadeira fé.
Isto é, mais uma vez, o raciocínio por trás da existência mesma da FSSPX. Que eles a critiquem, e cheguem ao ponto de dizer que esta iniciativa “pode ridicularizar os autores e sua causa” é profundamente infeliz e deveria, se me perguntam, ser causa de um profundo constrangimento dentro da organização.
A FSSPX não deveria criticar esta carta. Eles deveriam ser os que a escreveram.
Não com alguma esperança de “sucesso”, é claro. Mas a fim de dar testemunho às futuras gerações da luta dos fiéis, e da vergonha dos mercenários.”

https://mundabor.wordpress.com

quinta-feira, 30 de maio de 2019

A origem traumática da homossexualidade masculina


“Como um psicólogo que trata homens de orientação homossexual, assisto com desânimo o movimento LGBT convencer o mundo que a palavra ‘gay’ precisa de uma revisão da compreensão da pessoa humana.
A profissão da psicologia tem muita culpa nessa mudança. Uma vez, era geralmente consenso que a normalidade é “aquilo que funciona de acordo com seu propósito.” Não havia algo como “uma pessoa gay”, porque a humanidade era reconhecida como naturalmente e fundamentalmente heterossexual. Nos meus mais de 30 anos de prática clínica, eu pude ver como é verdade esse entendimento antropológico inicial.
Homossexualidade é, na minha opinião, primariamente um sintoma de trauma de gênero. Apesar de que algumas pessoas podem ter nascido com algum condicionamento biológico (influência de hormônios pré-natais, sensitividade emocional interna) que as tornaria especialmente vulneráveis a este trauma, o que distingue a condição homossexual humana é que houve uma interrupção no processo natural de identificação masculina.
O comportamento homossexual é uma tentativa sintomática de “reparar” a ferida original que deixou o menino alienado de sua masculinidade inata que ele falhou em reclamar. Isso o diferencia da heterossexualidade, que surge naturalmente no desenvolvimento imperturbado da identidade de gênero.
O conflito básico na maioria da homossexualidade é a seguinte: o menino – normalmente uma criança sensível, mais inclinada que a maioria à feridas emocionais – deseja o amor e aceitação do seu progenitor de mesmo sexo, mas sente frustração e raiva contra ele porque esse progenitor é tido por essa criança em especial como abusivo ou insensível. (Vale notar que essa criança pode ter irmão que experiencia o mesmo progenitor de maneira diferente).
A atividade homossexual pode ser um encenação erótica desse relacionamento de amor e ódio. Como todas as “perversões” – e eu uso esse termo não para ser rude, mas no sentido de que o desenvolvimento homossexual “perverte”, ou “distancia a pessoa de”, seu biologicamente apropriado objeto de ligação erótica – o eroticismo ao mesmo sexo contém uma dimensão de hostilidade intrínseca.
Assim, a homossexualidade é inerentemente enraizada em conflito: conflito de aceitação do gênero natural de uma pessoa, conflito no relacionamento pai e filho, e geralmente, conflito em relação ao ostracismo por pares do mesmo sexo. Isso significa que observamos o surgimento de temas de submissão/dominação contaminando os relacionamentos homossexuais.
Para os homens de orientação homossexual, sexualidade é uma tentativa de incorporar, “acolher”, e “dominar” outro homem. Funciona como uma “possessão” simbólica da outra pessoa que é geralmente mais agressiva do que carinhosa. Um cliente descreveu sua sexualização de homens que provocam medo como “a vitória do orgasmo”. Outro, como “analgésico orgásmico”.
Existem algumas exceções para o modelo traumático do desenvolvimento homossexual. Temos encontrado em nossa clínica uma outra forma de homossexualidade que é caracterizada como apego mútuo, afetivo, normalmente observado mais comumente em nossos clientes adolescentes e adultos imaturos. Nesse tipo de atração homossexual não há características dependentes de hostilidade, mas de uma qualidade romântica adolescente – um entusiasmo que tem uma manifestação sexual. Tais ligações podem ocorrer por períodos de meses ou anos e então serem abandonadas, para nunca mais serem retomadas, por essa fase de atração passar.
Ainda assim, a regra geral permanece: Se uma criança é traumatizada de uma forma particular que afeta o gênero, ele se tornará homossexual, e se não se traumatiza essa criança dessa maneira particular, o processo natural de desenvolvimento heterossexual se manifesta.
Muitos homossexuais (homens) reportam abusos sexuais por parte de pessoas do mesmo sexo durante sua infância. Molestação sexual é abuso, porque acontece disfarçada de amor. Aqui está um relato de um cliente sobre um adolescente mais velho que o molestou:
“Eu queria amor e atenção, e isso se misturou com o sexo. Aconteceu em uma época em que eu realmente não tinha interesse sexual em outros meninos… Eu pensei que ele (o abusador) era descolado. Ele nunca me dava atenção a não ser que quisesse investir sexualmente. Quando se tornava sexual, parecia especial… Era excitante e intenso, alguma coisa entre a gente, um segredo compartilhado. Eu não tinha outros amigos e meu relacionamento com meu pai não ajudou. Eu estava procurando amizade…. [mas] a intensidade da memória… Eu a odiava. Toda a coisa é nojenta, perturbador… Essa é a raíz da minha atração pelo mesmo sexo.”
Esse cliente fez a seguinte associação: “Para receber o benefício: i.e. ‘amor’ e ‘atenção’, eu preciso aceitar a mim mesmo como vergonhoso e mau: engajar em uma atividade que é ‘assustadora’, ‘proibida’, ‘suja’ e ‘nojenta’”.
Em terapia, enquanto esse cliente prestava atenção nas sensações de seu corpo durante um momento não desejado de excitação homossexual, ele descobriu que antes de ter um sentimento homossexual, ele invariavelmente experimentava um sentimento como o de ter sido envergonhado por outro homem. Em uma reencenação de seu abuso na infância, o “eu envergonhado” provou-se um pré requisito necessário para sua excitação homossexual.
A relação entre o abuso passado deste cliente e sua atuação homossexual atual é um exemplo de uma compulsão de repetição. Em sua busca para encontrar amor e aceitação, ele se enreda em repetir um comportamento autodestrutivo e autopunitivo, através do qual ele busca inconscientemente obter a vitória final e resolver sua ferida central. Compulsão de repetição contém 3 elementos: (1) tentativa de auto domínio, (2) uma forma de autopunição, (3) evitar o conflito subjacente.
Para esses homens, a procura por realização através do eroticismo com o mesmo sexo é estimulado pela antecipação temerosa de que sua auto-afirmação masculina irá inevitavelmente falhar e resultar em humilhação. Eles optam por uma reencenação ritualizada com a esperança que, diferentemente de todas as ocasiões passadas, “Dessa vez, eu definitivamente vou conseguir o que eu quero; com esse homem, encontrarei poder masculino para mim,” e “dessa vez, o sentido cicatrizado de vazio interior irá finalmente desaparecer.” No entanto, ele acaba de dar a mais uma pessoa o poder de rejeitá-lo, envergonhá-lo, e fazê-lo se sentir sem valor. Quando o cenário produtor de humilhação é repetidamente realizado, isso somente reforça sua convicção de que ele realmente é uma vítima sem esperança e, finalmente, indigno de amor.
Homens gays frequentemente relatam um “tiro de adrenalina” acentuado pelo elemento do medo bruto. Existe entre gays uma subcultura de sexo público, que festeja na emoção de encenar em lugares como parques, banheiros públicos e paradas de caminhões, e é eroticamente dirigido pelo medo de ser descoberto e exposto.
O próprio ato de sodomia é intrinsecamente masoquista. Sexo anal, como uma violação do design corporal, é insalubre e anatomicamente destrutivo, prejudicando o reto e espalhando doença porque os tecidos retais são frágeis e porosos. Psicologicamente, o ato humilha e degrada a dignidade e masculinidade do homem.
Encenação sexual compulsiva – com seu super drama e a promessa de gratificação – mascara o caminho oculto, mais profundo e saudável de ganhar afeto autêntico.
A disfunção do mundo gay masculino é inegável. Estudos científicos nos oferecem evidências para as tristes comparações a seguir:
Compulsão sexual é mais de seis vezes maior entre homens gays.
Homens gays participam de violência interpessoal com o parceiro três vezes mais do que heterossexuais.
Homens gays participam das práticas sadistas em taxas muito maiores do que heterossexuais.
A incidência de transtornos de humor e transtornos de ansiedade é quase três vezes maior entre homens gays.
A síndrome do pânico é mais de quatro vezes maior do que em homens heterossexuais.
A bipolaridade é mais de cinco vezes maior do que em heterossexuais.
O transtorno de conduta é quase quatro vezes maior (3,8) do que em heterossexuais.
Agorafobia (medo de estar em lugares públicos) é mais de seis vezes maior do que entre homens heterossexuais.
Transtorno obsessivo-compulsivo é mais de 7 vezes maior (7,8) do que em heterossexuais.
Auto flagelo deliberado (suicídio) é de mais de 2 vezes (2.58) a mais de 10 vezes (10.23) maior do que entre homens heterossexuais.
Dependência em nicotina é cinco vezes maior do que em homens heterossexuais.
Dependência do álcool é perto de três vezes maior do que entre homens heterossexuais.
Dependência de outras drogas é mais de quatro vezes maior do que em homens heterossexuais.

A promiscuidade é bem ilustrada na pesquisa clássica de McWhirter e Mattison, dois homens gays que relataram em seu livro O Casal Masculino (The Male Couple – 1984), que de 165 relacionamentos estudados por eles, nem um único par foi capaz de manter fidelidade por mais de cinco anos. Os autores – eles mesmos um casal gay – ficaram surpresos ao descobrirem que casos extraconjugais não apenas não prejudicavam o relacionamento, quanto eram na verdade essenciais para sua própria sobrevivência.. Eles concluem: “O único e mais importante fator que mantém casais juntos além da marca de dez anos é a falta de possessividade que eles sentem” (p. 256).
Ao reconhecer a dimensão de amor-ódio nas atividades homoeróticas, podemos simpatizar com a tentativa reparativa do homossexual na resolução de seu trauma de infância. Isso nos oferece uma janela de entendimento acerca de por que continua a existir a profunda insatisfação na comunidade gay apesar de ganhos imprecedentes em sua aceitação social.
Homossexualidade não tem significância no mundo natural além de um mero sintoma, uma consequência de eventos trágicos. De outra maneira é transcendental, uma imaginação feita de fantasia e desejo. Mas através da ajuda das mídias sociais, Hollywood e forças políticas (mais recentemente a administração de Obama), uma nova definição da pessoa humana foi inventada. Este truque linguístico criou uma invenção da imaginação ; um ilusão erótica que sequestrou a realidade. A antropologia clássica teve sua mente transformada e um novo tipo de homem foi inventado. Quando uma pessoa se rotula “gay”, ele se move para fora da esfera natural e se desqualifica da completa participação no destino humano.
De pai para filho para neto para bisneto, a semente do homem é sua semente para as gerações. Através de seu DNA, ele vive em outras vidas. Quando implantado no útero da mulher, sua semente produz vida humada. Mas no sexo homossexual, a semente do homem só pode resultar em decadência e morte.
Na relação sexual natural, a raça humana é preservada, e o homem vive através de gerações futuras. Mas no sexo traumatizado que viola o propósito do nosso corpo, seu poder produtor gera morte e aniquilação. E então a sabedoria do corpo apresenta seu contraste: Nova vida vs. decadência e morte.
Não nos admira que vejamos tanta insatisfação no mundo homossexual; não somente por causa da desaprovação da sociedade, mas porque o homem que vive naquele mundo, sente a futilidade de uma identidade homossexual. Ela representa o término da longa linha de seus ancestrais que eram antes conectados, através do tempo, no casamento natural.
No mundo real, uma identidade gay não faz sentido. Unicamente como sintoma, como uma reparação erotizada da falta de afeto, a homossexualidade tem sentido.”
(Joseph Nicolosi, The Traumatic Foundation of Male Homosexuality)

http://www.midiasemmascara.org

segunda-feira, 27 de maio de 2019

sexta-feira, 24 de maio de 2019

É lícito desejar um mal físico ou temporal sob o aspecto de um bem maior


“O homem, enquanto pecador e culpável, não é digno de amor, mas sim de ódio, já que, enquanto permaneça nesse estado, é aborrecível aos olhos de Deus. Mas enquanto criatura humana, capaz todavia da glória eterna pelo arrependimento de seus pecados, deve ser amado com amor de caridade. E precisamente o maior amor e serviço que lhe podemos prestar é ajudá-lo a sair de sua triste e miserável situação (...). Do mesmo modo, não é lícito jamais desejar ao pecador algum verdadeiro mal (e.g, o pecado da condenação eterna). Mas é lícito desejar-lhe algum mal físico ou temporal sob o aspecto de um bem maior, como seria, por exemplo, uma enfermidade ou adversidade para que se torne (...) o bem comum da sociedade (e.g, a morte de um escritor ímpio ou de um perseguidor da Igreja para que não continue fazendo mal aos demais).”
(Antonio Royo Marin, Teologia Moral para Seglares)