segunda-feira, 8 de abril de 2019

Cinco Momentos Cruciais na Vida de W. G. Sebald

“Todo autor que aspire a biografar W. G. Sebald deve enfrentar a ficcionalização que o Sebald autor levou a cabo com a vida do Sebald narrador/personagem que aparece em suas obras literárias. Datas de nascimento, de falecimento, seu emprego, a publicação de seus livros e outros acontecimentos certamente são transcendentais na vida empírica de W. G. Sebald, mas não em sua biografia interior e subjetiva, que sem dúvida é mais interessante para seus leitores. No entanto, como se pode distinguir entre fato biográfico e invenção? O próprio Sebald tornou deliberadamente esta distinção uma tarefa difícil, senão impossível: aparentemente seus narradores refletem sua vida real de professor/escritor nascido na Alemanha e residente na Inglaterra, mas seus livros não fazem nenhuma referência a, por exemplo, sua vida familiar com sua esposa e uma filha. O Sebald narrador sempre está sozinho, é o outsider e caminhante por antonomásia; o Sebald autor, não tanto. A seguir apresento uma lista de cinco dos acontecimentos mais importantes na vida de W. G. Sebald, começando por um que tem lugar inclusive antes de seu nascimento. Os primeiros três acontecimentos pertencem diretamente ao âmbito da biografia interior parcialmente inventada do narrador sebaldiano. Os dois últimos – de momentos muito posteriores de sua vida – têm uma validade histórica relacionada com sua própria posição geracional na Alemanha do pós-guerra.
1) A guerra aérea contra a Alemanha
Na noite de 28 de agosto de 1943, 528 aviões aliados bombardeiam a cidade de Nuremberg. Rose Sebald, nascida Egelhofer, se encontra de volta a casa depois de visitar seu marido – à época oficial da Wehrmacht – em Bamberg. Só pode chegar a Fürth, de onde vê Nuremberg em chamas; pouco depois se dá conta de que está grávida. Nascido oito meses depois, em 18 de maio de 1944, Sebald se criou na aldeia de sua mãe, ao pé dos Alpes, no sudoeste da Baviera, perto das fronteiras austríaca e suíça. Aquele lugar bucólico não foi nunca bombardeado, de maneira que Sebald cresceu sem nenhuma noção de destruição. Mas para o narrador de Do natural, no momento em que Rose Sebald se vira para olhar a destruição das instalações onde se celebravam os congressos do partido nazista, cria-se um vínculo pessoal direto do narrador com esta destruição quase bíblica, "como se eu já tivesse visto tudo antes", escreve. Os bombardeios da Alemanha perturbarão sua vida adulta e praticamente toda sua ficção. Ironicamente, Sebald viveu quase trinta anos na costa nordeste da Inglaterra, a pouca distância do lugar de onde os aviões ingleses iniciavam seus ataques aéreos contra a Alemanha.
2) Pais alheios
Em fins de janeiro ou princípios de fevereiro de 1947, Sebald não tem nem três anos quando a família viaja a Memmingen para receber a Georg Sebald, liberado recentemente de um campo de prisioneiros de guerra na França. É um momento arquetípico na vida das famílias alemãs que terá lugar desde o fim da guerra até 1956, quando finalmente são postos em liberdade os últimos prisioneiros alemães de seu confinamento soviético. O pai que regressa, objeto de muitas recordações familiares e de uma grande idealização durante sua ausência, apresenta na realidade uma série de contradições inquietantes a seus filhos: depauperado moral e fisicamente (pesa menos de cinqüenta quilos), mas autoritário e exigente; o usurpador severo em um universo familiar até então encabeçado benevolamente por sua mãe, sua irmã maior Gertrud e seus complacentes avôs maternos, Josef e Theresa Egelhofer. O filho menor, Winfried, nunca perdoará a seu pai. A relação fraturada com Georg Sebald, nome que seu filho compartilha mas que desterrará relegando-o a uma inicial ("W. G." = Winfried Georg), induzirá as decisões mais importantes de sua vida e será um catalisador oculto para sua produção literária.
3) O filósofo natural
O pai "autêntico" ou eleito de Sebald foi seu avô Josef Egelhofer, que serviu de polícia rural na aldeia de Wertach desde princípios do século XX até que se aposentou, nos anos trinta. Homem reconhecidamente sensível, afável e gracioso, não recebeu muita educação formal, mas era inteligente e curioso, sobretudo em relação ao mundo físico que o rodeava. Gertrud Sebald disse que é um Naturphilosoph ou filósofo natural. O Egelhofer aposentado, cuja profissão o havia levado a patrulhar os arredores a pé, levava seu neto a fazer longas caminhadas e lhe dava a conhecer as flores e as ervas, a meteorologia e a geologia das montanhas, mas também os habitantes da aldeia, já que conhecia muito bem suas histórias vitais. É o primeiro e mais querido mentor de Sebald, um papel que se viu reforçado pela ausência de seu genro, Georg, que trabalhava em uma população vizinha e até 1952 voltava a casa só nos fins de semana. Egelhofer morreu em abril de 1956, à noite, durante uma grande tempestade de neve, alguns meses antes de seu neto finalizar a educação primária. Sua morte deixará talvez a marca mais importante dentre todos os acontecimentos da paisagem interior de Sebald. Seu primeiro romance, escrito durante seus estudos universitários mas nunca publicado, gira em torno da longa descrição do funeral e do enterro de seu avô. Mas a presença de Engelhofer também se pode notar nas obras publicadas: no vínculo reverencial entre os narradores jovens de Die Ausgewanderten (em português publicado com o título de Os Emigrantes) e Austerlitz (publicado em português com o mesmo título) e em figuras masculinas de mentores mais velhos e mais sábios como Henry Selwyn, Max Faber ou Jacques Austerlitz, vítimas e sobreviventes melancólicos de uma catástrofe pessoal muito anterior.
4) Uma vida no exterior
A mudança de residência de Friburgo de Brisgóvia (na Alemanha) a Friburgo (na Suíça) em outubro de 1965 marca sua ruptura transcendental, embora involuntária, com a Alemanha e o início de sua emigração, primeiro à Suíça e depois à Inglaterra, onde viverá até sua morte, em 2001. Dita mudança não obedeceu a um plano deliberado para emigrar: o traslado à Friburgo suíça foi motivado por seu desejo de fugir ao entorno rígido e moralmente comprometido do professorado da faculdade de Filologia Alemã da Universidade de Friburgo, onde havia estudado inicialmente. Também lhe deu a oportunidade de estudar sem ter que pagar um aluguel, sem o apoio econômico de seu pai, já que vivia em um andar com sua querida irmã Gertrud e o marido suíço desta, Jean-Paul Aebischer. Durante sua estada em Friburgo, Sebald completa sua licenciatura com menção de nove meses de francês (uma língua que mal tinha estudado antes), trabalhando com um professor vienense que se havia oposto aos nazistas e havia emigrado à Suíça antes da guerra. Aqui começa a conexão de Sebald com as vítimas e os exilados dos nazistas, conexão que continua em relações importantes que estabelece na Inglaterra, onde havia encontrado refúgio grande quantidade de judeus alemães perseguidos. A estada em Friburgo lhe ensinará o que a vida pode oferecer em um país e uma língua estrangeiros quanto à libertação e ao alívio interiores da carga dos crimes de guerra da Alemanha de sua geração. Viver entre não-alemães fez-lhe ganhar consciência daquela carga e ao mesmo tempo tornou-a mais leve. A emigração formava parte do DNA familiar. Nos anos vinte, os três tios e tias maternos de Sebald emigraram da Alemanha aos Estados Unidos e lá permaneceram até sua morte; as duas irmãs de Sebald, Gertrud e Beate, foram morar na Suíça no começo de suas vidas, onde ainda vivem. Mas a emigração também formava parte de sua herança geracional como filho nascido durante o logo depois da guerra, a geração que chegará à maioridade durante os anos sessenta e, muito amiúde, buscará fortuna no exterior.
5) Onde tudo começou
No inverno de 1983, enquanto vivia em Norfolk, na Inglaterra, Sebald recebeu notícias da parte de sua mãe sobre o suicídio de um mestre muito querido da escola primária chamado Armin Müller. Rose lhe mandou recortes de jornal que informavam de sua horripilante morte – o mestre aposentado havia caído sobre os trilhos de trem na periferia de Sonthofen – e graças àqueles recortes Sebald descobriu que Müller, surpreendentemente, havia sido vítima dos nazistas nos anos trinta. Como neto de avôs judeus ou uma quarta parte judeu, no período inicial do regime nazista proibiram-no de ensinar alemão às crianças, muito embora em 1939, paradoxalmente, a Wehrmacht o convocaria aludindo a suas três quartas partes de alemão e serviria à pátria durante seis anos. O descobrimento de Sebald de um exemplo a mais da conspiração do silêncio perpetrada por pais e professores sobre a verdadeira implicação de sua aldeia natal na perseguição nacional-socialista engendra nele emoções contraditórias: raiva porque desde pequeno as figuras de autoridade lhe mentiram, mas também dolo culpável por um mestre querido, já que de repente se dá conta de que nunca havia entendido de todo a autêntica identidade daquele mestre nem a perseguição que havia sofrido no passado. As emoções mescladas são um potente catalisador para sua obra literária e o levam a escrever a história de Paul Bereyter, em Os Emigrantes. Esta história, uma das mais comoventes de Sebald, estabelece o modelo de sua ficção, semidocumental e eticamente comprometida, que se tornará sua assinatura literária."
(Mark M. Anderson, Cinco Momentos Cruciais na Vida de W. G. Sebald)

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quarta-feira, 3 de abril de 2019

São Ricardo Bachedine

"Ricardo Bachedine nasceu na Inglaterra em 1197, já em meio a uma tragédia familiar: os pais, que eram nobres e ricos, de repente caíram na miséria. Logo depois, morreram e deixaram-lhe como herança muitas dívidas e um casal de irmãos. Por isso Ricardo teve de deixar os estudos com os beneditinos em Worcester e voltou para casa para ajudar a restaurar as finanças. A situação melhorou e ele voltou para os estudos, deixando as propriedades aos cuidados de um bom administrador, resguardando, assim, os irmãos de qualquer imprevisto.
Ricardo completou sua formação na Universidade de Oxford, onde foi eleito reitor. Desde então, começou sua atuação em prol da Igreja, pois eram anos de grande corrupção moral.
O povo, ignorante e supersticioso, aceitava passivamente a vida devassa dos nobres e do clero, que há muito estava afastado da disciplina monástica. Ricardo, ao contrário, vivia com austeridade e passou a lutar por uma reforma geral nos meios católicos, para com isso elevar o nível de vida do povo, tanto material quanto espiritual. Na universidade, favoreceu a aceitação dos frades franciscanos e dominicanos, que aos poucos instituíram a volta da disciplina e da humildade entre os religiosos e seus agregados.
Essa postura acabou gerando retaliações do rei Henrique III ao bispo da Cantuária, sob a orientação de quem Ricardo agia. Perseguido pelo rei, o bispo buscou exílio na França e Ricardo o acompanhou fielmente até que morresse. Foi neste período que, por insistência do bispo, ordenou-se sacerdote, apesar dos seus quarenta e cinco anos. Os seus talentos e sua dedicação foram recompensados um ano depois, quando o arcebispo da Cantuária consagrou-o bispo de Chichester. Henrique III ficou furioso, apossando-se dos bens da diocese e proibindo Ricardo de assumir seu cargo.
Mas Ricardo não se intimidou, voltou disfarçado de mendigo e, na clandestinidade, atuou durante dois anos, organizando o trabalho pastoral da diocese junto ao povo explorado. Entretanto o papa Inocêncio IV perdeu a calma e ameaçou excomungar o rei, que teve de aceitar Ricardo como bispo de Chichester. Assim, ele pôde atuar com liberdade até morrer, em Dover, no dia 3 de abril de 1253, a caminho de uma cruzada.
Ricardo foi sepultado no cemitério da catedral de Chichester e sua santidade era tanta que, nove anos depois, o papa Ubaldo IV o canonizou. Em 1276, com a presença do casal real dos ingleses e outras cabeças coroadas da Europa, o corpo de são Ricardo foi transferido para um relicário dentro do altar maior da catedral, o qual depois foi destruído pelo cismático rei Henrique VIII, em 1528. Mas suas relíquias foram secretamente levadas para várias igrejas da diocese. Somente em 1990 elas foram reunidas e voltaram para a catedral de Chichester, onde foram depositadas na urna sob o mesmo altar.
São Ricardo é festejado, tanto pelos católicos como pelos anglicanos, no dia 3 de abril, sendo venerado como padroeiro dos cavaleiros e dos cocheiros."

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domingo, 31 de março de 2019

Uma triste efeméride: a reforma litúrgica de Paulo VI


"No dia 3 de abril p.f. transcorrerá uma triste efeméride: o cinquentenário da promulgação do missal de Paulo VI, uma obra que representa a criação de um rito litúrgico novo, composto ao sabor da mentalidade moderna, sob a influência da heresia modernista e da maçonaria, feito para agradar aos “irmãos separados” e, consequentemente, em flagrante contradição com a tradição bimilenar da Igreja.
Como se sabe, há uma vasta e douta literatura sobre a reforma litúrgica de Montini, que provocou uma indignação e um clamor, não só entre os católicos, mas também entre os intelectuais em geral, ao menos entre os que reconheciam o altíssimo valor cultural da tradição litúrgica romana que influenciou os costumes e padrões estéticos da mais fina civilização.
No que concerne ao problema teológico gerado pelo rito moderno da missa promulgado por Paulo VI, que suscitou um drama de consciência para os católicos, especialmente para os sacerdotes (um falecido bispo uma vez me disse: “Eu queria continuar com o missal antigo, mas Paulo VI impôs o novo missal a ferro e fogo e, depois, a obediência…), cumpre recordar algumas obras que apontaram os erros e ambiguidades do novus ordo missae, como, por exemplo, o Breve Exame Crítico dos cardeais Ottaviani e Bacci (no qual os autores dizem que o novo rito representa um impressionante afastamento da teologia católica da Santa Missa tal como definida pelo Concílio de Trento), o interessantíssimo estudo Le mouvement liturgique, do Pe. Bonneterre, La reforme liturgique en question, de mons. Gamber, que diz que a reforma de Paulo VI foi mais radical que a de Lutero (a referida obra conta com um prefácio do cardeal Ratzinger), O problema da reforma litúrgica, publicado pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que examina o problema da influência da teologia do mistério pascal sobre o novo rito (a qual teologia empanou o caráter sacrificial da missa no rito moderno). Citaria ainda Temoignage d’un expert au Concile, coletânea de conferências do cardeal Stickler, bem como a trilogia de Michael Davies. Há ainda muitas outras obras excelentes sobre o tema.
Salta aos olhos de qualquer católico que conheça o catecismo que a reforma litúrgica de Paulo VI representa um desastre completo para a preservação da fé. Seria fastidioso mencionar aqui as profanações e sacrilégios perpetrados diariamente na celebração da Santa Missa segundo o rito moderno. Basta pensar na intercomunhão ecumênica promovida na Alemanha, com aval da conferência episcopal daquele país, onde pastores evangélicos e padres católicos “concelebram a Eucaristia” lado a lado, diante da mesa da “ceia” e a comunhão é distribuída entre luteranos e católicos, levando-se em conta apenas a crença de cada um no mistério eucarístico. Aqui no Brasil, como se sabe, houve algo semelhante há alguns meses, no Rio Grande do Sul. E não consta que tenha havido nenhuma censura canônica dirigida aos responsáveis por tamanho sacrilégio. Com efeito, seria uma ingenuidade esperar uma pena, uma advertência que fosse, uma vez que o próprio bispo de Roma, durante uma visita a uma igreja evangélica na Cidade Eterna, de forma sutil, defendeu a intercomunhão. Declarou na mesma oportunidade que no Norte da Argentina, em um território de missão junto aos indígenas, católicos e protestantes se alternam no serviço religioso aos domingos, quando faltam ministros. E com aprovação da Congregação para a Doutrina da Fé.
Entretanto, é preciso reconhecer que a reforma litúrgica é um sucesso absoluto, se considerado o fim que se propôs ao fazê-la. Com efeito, Paulo VI disse a seu amigo Jean Guitton que era seu desejo reformar a liturgia católica expurgando-a de todos elementos, orações e sinais, que não fossem palatáveis aos protestantes. Dito e feito. Por exemplo, as orações do ofertório da missa que Lutero considerava abomináveis foram retiradas e substituídas pela oração da apresentação das oferendas (o fruto da terra e do trabalho do homem, que, segundo eruditos, tem origem na Cabala judaica). Tudo isto sem dizer que o famoso ponto 7 da Institutio generalis do novus ordo dá uma definição protestante da missa, definição que foi remendada, mas não corrigida, diante das críticas que levantou. Tudo só para tranquilizar os católicos que se sentiam angustiados; tudo só para neutralizar qualquer resistência à missa nova.
Considerado apenas o objetivo dos seus autores, a reforma litúrgica de 1969 foi um sucesso, porque logo após a promulgação do novo missal, houve uma declaração da parte dos protestantes dizendo que um dos frutos da “benfazeja” reforma era que os pastores evangélicos poderiam utilizar-se do novus ordo para celebrar a “ceia do Senhor”.
Sabe-se que uma das razões alegadas em defesa da reforma litúrgica era uma suposta necessidade de adaptar os ritos sagrados à mentalidade moderna. Aqui reside o sofisma. Ninguém contesta que o rito da missa conheceu um desenvolvimento orgânico ao longo dos séculos. À medida que surgiam os erros e heresias, a Igreja os debelava por meio da liturgia que expressava a verdade impugnada pelos inovadores. Acontece que na reforma de Paulo VI foi justamente o contrário que se verificou; foi uma reforma para incorporar à vida da Igreja, à sua doutrina, as novidades heterodoxas. Uma reforma feita, na verdade, para agradar aos protestantes, como o confidenciou Paulo VI a seu amigo Guitton.
No século XIX, o padre Roca, sacerdote apóstata e satanista, provavelmente filiado a uma seita maçônica, declarou:
“Creio que o culto divino tal como o regulam a liturgia, o cerimonial, o ritual e os preceitos da Igreja romana, sofrerá proximamente, em um concílio ecumênico, uma transformação que, ao mesmo tempo que lhe devolverá a venerável simplicidade da idade de ouro apostólica, o porá em harmonia com o novo estado da consciência e da civilização moderna.”
“O que quer construir a cristandade não é um pagode, é um culto universal onde estarão englobados todos os cultos.”
Transcorridos 50 anos da reforma litúrgica de Paulo VI, muita coisa mudou na Igreja e no mundo.
Para o bem da Igreja e das almas Deus serve-se de causas segundas. Permitiu que seus servos bons e fiéis como Dom Lefèbvre e Dom Mayer levassem o labéu de uma excomunhão, proferida por um papa que, provavelmente, morreu angustiado por tamanha injustiça que tinha cometido. Tudo isto, certamente, teve um peso enorme para que Bento XVI publicasse o motu proprio Summorum pontificum que, apesar daquela expressão inaceitável ”forma extraordinária do rito romano”, acabou incentivando muitos sacerdotes a abraçar o rito romano de sempre. Com isso, Bento XVI foi obrigado a reconhecer, ainda que implicitamente, que Paulo VI cometia um abuso de poder proibindo o uso do chamado missal de São Pio V e perseguindo os católicos que o queriam seguir. E agora, mais recentemente, Francisco suprime a Comissão Ecclesia Dei Adflicta, que, além de recordar a iníqua condenação de Dom Lefèbvre, tinha o único escopo de trabalhar para promover o sincretismo entre o rito romano tradicional e o rito moderno da igreja ecumenista. Algum bem Deus há de tirar desse enorme desastre que se abateu sobre a Igreja. Um desses possíveis bens seja, talvez, um aprofundamento da teologia católica sobre o magistério da Igreja, como, por exemplo, toda a questão da infalibilidade pontifícia no que diz respeito às leis universais da Igreja.
Passados 50 anos da reforma litúrgica de Paulo VI, a mentalidade moderna e mundana que Montini queria afagar invadiu a Igreja e mudou muito. O feminismo, por exemplo, recrudesceu até mesmo dentro da Igreja. As candidatas a diaconisas que o digam. As mulheres que querem “presidir a eucaristia”, como se viu em recente documento do Regional Norte da CNBB, em preparação para o Sínodo da Amazônia, que o confirmem. E Francisco pregando a diversidade e o pluralismo religioso nas pegadas de seu ilustre predecessor João Paulo II que inaugurou o espírito de Assis, cumpre as palavras do padre apóstata Roca e nos convence da clarividência de Mons. Henri de Lassus em sua obra A conjuração anticristã.
Contudo, non prevalebunt."

http://santamariadasvitorias.org

quinta-feira, 28 de março de 2019

"Russiagate" era mentira: relatório dá vitória inequívoca a Trump


"Donald Trump venceu uma eleição marcada pelo inusitado, pela novidade. O povo deu a vitória a alguém que nunca foi político para dar um sinal claro ao establishment: queremos vocês fora da Casa Branca. Não falo apenas dos democratas, Nancy Pelosi e cia. Falo também de alguns republicanos como John McCain e Paul Ryan – tão envolvidos com o Deep State quanto seus pares à esquerda.
Na ânsia de justificar a derrota por algum truque maquiavélico trumpiano, começaram a levantar as mais variadas justificativas. A clássica e repetida evidência de racismo, machismo e homofobia de metade do eleitorado americano foi a primeira desculpa esfarrapada. Desde a década de 1980, quando o movimento conservador americano dominou o Partido Republicano e recuperou os valores americanos legítimos, essa não cola mais. Alguma outra coisa deveria ser cogitada.
Então veio o Russiagate – uma suposta interferência russa do Kremlin para beneficiar a campanha de Trump. Sendo o presidente russo, Vladimir Putin, um pária para os americanos, o adesivo de fantoche do mesmo seria algo para perseguir e incomodar Donald Trump em seus quatro anos de mandato. Ou melhor: encontrar algo grave que pudesse levar ao sonhado impeachment.
O tempo foi passando e a estratégia de minar a popularidade do presidente parecia estar dando certo. Sua aprovação popular chegou a estar na faixa de 37-42%, nível mais baixo da história. Numa atitude irresponsável e politiqueira, típica de péssimos perdedores, atrapalharam o diálogo necessário entre Washington e Moscou para dar um basta na Guerra da Síria, como também no grupo terrorista Estado Islâmico.
Os democratas fizeram muita fumaça para pouco fogo. A narrativa do Russiagate era sedutora e viciante, mas no mundo real era frágil e enganosa. O procurador Robert Mueller teve uma investigação nas mãos com amplos poderes e orçamento ilimitado para vasculhar a vida de Trump e seus partidários de campanha. O tempo foi passando e nada de Mueller encontrar pelo menos um indício de conluio com os russos.
No domingo veio à tona o que era óbvio e claro para qualquer pessoa bem informada: não houve conluio. Trump foi declarado inocente. Nenhum cidadão americano foi denunciado pelo famigerado Russiagate.
Os 22 meses de perseguição ininterrupta a Trump e a sua presidência não deram em nada na esfera judicial. Acordos comerciais de décadas atrás também foram vasculhados – nada de comprometedor foi encontrado. Toda a narrativa vendida pelos democratas e a grande mídia cai por terra.
Não devemos, entretanto, nos esquecer de quem alimentou tal narrativa. A tríade iluminada CNN-NYT-The Washington Post deu como certa e incontestável as maiores alegações do Russiagate. Especularam o impeachment do presidente Trump já em suas primeiras semanas de mandato. Enquanto o ceticismo por uns foi tratado como colaboracionismo pela mesma tríade, as evidências derrubavam uma por uma as acusações feitas a Trump.
A grande mídia brasileira, sempre certa e cheia de si – apesar de errar previsões e análises faz muito tempo -, engoliu sem questionar a narrativa do Russiagate. Se o crédito que ela tinha para com a população mais esclarecida era inexistente, agora a vaca foi para o brejo mais uma vez. Como mentir descaradamente e noticiar narrativas ao invés de fatos é o modus operandi único da imprensa brasileira, não espere nenhuma retratação ou coisa do tipo.
Ela nunca parou para pensar na possibilidade de o presidente Trump estar certo em suas alegações, e se o fez, foi com o velho silêncio constrangedor. O fato foi trocado pela narrativa, a mentira fez-se verdade como se exige que dois mais dois dê cinco.
Tem que ser muito idiota para acreditar que notícias falsas e anúncios de Facebook pagos por russos fizeram Hillary Clinton perder a eleição de 2016. Além de idiota, precisa ter olhos vendados. Ou um cérebro inútil.
Como coisas tão banais iriam decidir o voto de eleitores pertencentes à mais sólida democracia do mundo? Aceitar o Russiagate e seu modus operandi não era apenas chamar o eleitorado republicano de burro; era jogar no lixo a credibilidade de instituições americanas junto com o seu sistema político.
Recentemente um artigo meu para mostrar o quanto a grande mídia mentiu sobre Trump foi publicado na RENOVA. Mostrei que o interesse da CNN era não apenas partidário, mas comercial: queriam alimentar a mentirosa interferência russa para ter audiência. Qualquer dúvida veja o que diz John Bonifield.
Mesmo que os democratas se apeguem a uma ou outra fala solta do relatório, parece muito claro que acabou. Sua credibilidade está em frangalhos, e Trump sai fortalecido do caso. Com 2020 batendo à porta, veio em ótima hora a revelação de que o Russiagate não passou de uma mentira política mal planejada. A hora de o Partido Democrata pagar por suas mentiras e tumultuarem a presidência de Trump não está muito distante.
Quando a mentira vira regra e o ceticismo é descartado, não há jornalismo, não há democracia, não há justiça. A coragem e a verdade devem prevalecer frente aos interesses políticos repugnantes que usam de artifícios sujos para derrotar seus inimigos de forma indigna.
Acabou da melhor forma possível um carma da política americana. O Russiagate era mentira, seus apologistas estavam a mentir e o presidente Trump é o vitorioso inequívoco do desfecho da investigação. Não só ele. Além dos republicanos e a Casa Branca, a verdade também é a grande vitoriosa. Triunfo tardio, porém, significante."

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segunda-feira, 25 de março de 2019

Gustave Thibon: A autoridade e o autoritarismo


“Se dizemos de um homem que ele “tem autoridade”, este juízo é um elogio. Mas se dizemos: ele “é autoritário” exprimimos uma crítica.
Onde está a diferença entre autoridade e autoritarismo?
A autoridade de um homem se mede pela sua capacidade de mandar, isto é, pela confiança que inspira em seu próximo e que o inclina a obedecer sem discutir. No célebre drama “Rei Lear”, Shakespeare nos mostra o velho rei deposto que vaga pela floresta. Um cavalheiro passando por lá, o encontra e lhe diz: “Não lhe conheço, mas sinto alguma coisa em você que me induz a lhe obedecer. – E que coisa seria essa? Pergunta o rei. – A autoridade”.
Autoridade vem da palavra latina augere, que significa: aumentar, fazer crescer. Nisto se encontra o sentido e o escopo da autoridade. Sentimos, diante daquele que a possui, que obedecendo as suas ordens não seremos enganados, nem assediados ou frustrados, mas que nos realizaremos, que a nossa personalidade se desenvolverá através da disciplina imposta. Em outros temos, sentimos que o chefe não manda em seu próprio nome, mas obedece a uma lei superior que é a do bem comum da qual ele é o representante e o intermediário. Assim, o bom pai de família exercita a autoridade no interesse dos filhos, o bom patrão naquele de todos os membros da empresa e o homem político digno deste nome em nome da nação inteira. Neste sentido, o chefe é o servidor de todos. O homem autoritário, pelo contrário, é aquele que manda sem ter em conta as exigências do bem comum e pelo único prazer de exercitar o próprio poder.
As suas ordens são arbitrárias, caprichosas e, nesta medida, vexatórias para aqueles que as recebem. Contrariamente à etimologia da palavra, a obediência a similares ordens degrada o executor em lugar de elevá-lo. Isto gera, dependendo do caráter do subordinado, o servilismo ou o rebelismo.
É importante notar que este autoritarismo é quase sempre típico daqueles que têm a paixão pelo poder sem terem recebido o dom natural da autoridade. Não possuindo as qualidades interiores do verdadeiro chefe, eles buscam preencher esta lacuna multiplicando e exagerando as manifestações exteriores da autoridade. O verdadeiro chefe é respeitado porque a sua autoridade se impõe por sua própria virtude e ele é amado porque sabemos que a exercita para o bem de todos. O chefe autoritário, ao contrário, é temido porque as suas ordens, inspiradas pelo egoísmo e pela vaidade e não pela clara visão do escopo a conseguir, são incoerentes e imprevisíveis, e, portanto, quase impossíveis de cumprir, fato que desencoraja a obediência e cedo ou tarde leva ao desprezo da autoridade.
O melhor exemplo de uma tal contradição interna nos é fornecido por aquela estranha fungibilidade de disciplina rigorosa e de negligência na execução que muitas vezes encontramos na organização militar. – “Não nos apressemos” me dizia um velho sargento, à espera de uma contraordem toda vez que recebia a ordem de um superior. A sã autoridade se exercita à maneira de um diálogo entre duas liberdades unidas em vista de um fim comum: aquela do homem que manda e aquela do homem que obedece. Mas o autoritarismo, ao deturpar esta relação humana, não pode criar nada além de tiranos que traem o poder de que abusam e dos escravos que são trapaceados pelo poder que sofrem.”
(Gustave Thibon, L’autorité et l’autoritarisme)

http://simsimnaonao.altervista.org

sexta-feira, 22 de março de 2019

Os efeitos intelectuais da submissão ao politicamente correto


“Uma das maneiras mais eficientes de alguém emburrecer rapidamente é submeter-se aos ditames do politicamente correto. Por isso, quem tiver o interesse de proteger sua inteligência, o primeiro passo é entender que sua subjetividade é muito valorosa para se deixar escravizar pelas ordens vindas de coletividades formadas por pessoas que há muito tempo abriram mão de seus cérebros em favor de uma mente amorfa e simiesca.
O fato é que o politicamente correto impede o desenvolvimento da inteligência. Isso porque ele não permite que o espírito humano se manifeste com espontaneidade, pois impõe, desde fora, as formas predeterminadas de linguagem. E são principalmente os adjetivos que sofrem mais intensa perseguição, criando-se uma verdadeira lista de palavras proibidas, ao mesmo tempo que cria outra com aquelas que devem ser usadas obrigatoriamente, sob pena de repreensões severas. Que em um ambiente assim as pessoas tenham sua capacidade de raciocínio atrofiada não é de se espantar.
Outro problema é que, baseado em eufemismos, o politicamente correto suga o espírito da coisa referida, arrancando o seu sentido verdadeiro, revestindo-a com nomenclaturas que apenas fazem referências distantes ao que ela é, de forma sempre a amenizar a realidade, parecendo dizer algo completamente diverso do que diz de fato. A questão é que quem se habitua a falar assim acaba perdendo contato com a realidade, passando não mais a descrevê-la como a percebe, mas fazendo o movimento contrário, enxergando-a pelas lentes da linguagem predeterminada. Não há como não perceber que essa forma de agir vicia o cérebro, que desacostumado de dizer o que realmente vê, começa a raciocinar apenas abstratamente, perdendo completamente a conexão com o mundo real e tornando dependente de algo exterior que lhe informe como cada coisa deve ser descrita. Disso para as pessoas não conseguirem mais narrar fatos simples de suas vidas ou expor as ideias mais banais é uma consequência óbvia.
Além de tudo isso, há ainda o fato de a submissão ao politicamente correto alijar a criatividade, impedindo sua plena manifestação. Como para ele, qualquer sinal de pensamento independente e de desprezo em relação às suas imposições é vista como arrogância e intolerância, qualquer um que se atreva a falar diferente dos demais, se referindo ao mundo em sua volta conforme o percebe, sofre um policiamento intenso e constante. A pessoa então, a fim de não ferir suscetibilidades, começa a falar de uma maneira excessivamente controlada, chegando ao ponto de ser o fiscal de si mesmo no uso da linguagem. É evidente que impedida da manifestação fora dos ditames rígidos do politicamente correto, a inteligência se tornará menos criativa e mais conformista, tendendo a repetir aquilo que já está definido, o que é a antítese do espírito artístico. Basta ver a escassez de uma arte de alto nível para confirmar isso. Alguns discordantes talvez levantem uma pequena objeção neste ponto, afirmando que em momentos de repressão a arte tende a se manifestar com mais força. E não demoram a citar o caso dos artistas brasileiros na época do governo militar. Nesta questão, deve-se considerar três hipóteses: 1) que a arte daquele período não seja tão boa assim; 2) que a repressão não fosse tão forte como dizem; 3) que a repressão não impede a boa arte. Considerando a arte produzida na Coréia do Norte, minha tendência é acreditar que somente as duas primeiras hipóteses podem ser verdadeiras.
Por tudo isso, permitir que o politicamente correto se imponha é o mesmo que castrar-se intelectualmente. Quem pretende preservar a integridade de sua inteligência deve mandar às favas toda norma de polimento bocó e uso forçado de eufemismos e preocupar-se unicamente em descrever as coisas como elas realmente são, da forma como são exatamente percebidas. Só assim poderá manter-se são em meio à loucura de uma sociedade que elevou o politicamente correto à norma indiscutível.”

http://www.fabioblanco.com.br

segunda-feira, 18 de março de 2019

Jorge Luis Borges: Limites


Dos caminhos que estendem o poente
Um (não sei qual) há de ser percorrido
A última vez, por mim, indiferente,
E sem que o adivinhe, submetido

A Quem prefixa onipotentes normas
E uma secreta e rígida medida
Às sombras, imaginações e formas
Que destecem e tecem esta vida.

Se para tudo há término e há compasso
E última vez e nunca mais e olvido,
Quem nos dirá de quem, em nosso espaço,
Sem sabê-lo, nos temos despedido?

Sob o cristal já gris a noite apaga;
Do alto dos livros que um borrão tisnado
Da sombra espalha pela mesa vaga,
Algum deles jamais será folheado.

Há no Sul um portão enferrujado
Com grandes jarras de alvenaria
E tunas que a mim estará vedado
Como se fosse uma litografia.

Para sempre fechaste a porta certa
E há um espelho que te aguarda insano;
A encruzilhada te parece aberta
E a vigília, quadrifonte, Jano.

Entre as memórias sempre existe aquela
Que se perdeu um dia no horizonte;
Não se verão descer àquela fonte
Nem o alvo sol nem a lua amarela.

Não achará tua voz o tom que o persa
Deu à sua língua de aves e de rosas,
Quando ao acaso, ante a luz dispersa,
Queiras dizer as coisas mais preciosas.

E o incessante Ródano e o logo,
Todo o ontem sobre o qual hoje me inclino?
Tão perdido estará como Cartago
Que no fogo e no sal viu o latino.

Creio ouvir na manhã o atarefado
Rumor de uma longínqua multidão.
É tudo o que foi caro e olvidado;
Espaço e tempo e Borges já se vão.


Tradução de Augusto de Campos

quarta-feira, 13 de março de 2019

Entendendo Francisco


“Imaginemos que você seja um comuna e, incidentalmente, o Papa. Uma das coisas que você fará (além de ser grosseiro, vulgar e arrogante o tempo inteiro, como convém a um velho comunista ressentido) é odiar os ricos. Ainda que, como o Papa, você agora se qualifique como um bilionário, ainda que com um par de asteriscos anexados.
Você é, acabamos de dizer, velho, arrogante, vulgar e geralmente insuportável (tem que ser, sendo um Papa comuna). Isto significa que você deformará a mensagem de Cristo à vontade a fim de satisfazer seu ódio aos ricos. Tem que ser assim, porque um Papa comuna realmente não pode fazer nada diferente.
E assim aconteceu que o tal Papa viaja aos EAU e convenientemente se esquece da parte “em espírito” das bem-aventuranças. Abençoados são os pobres. E nada mais.
Ora, o homem odeia os ricos, embora com costumeira coerência não desdenhe a companhia de alguns proprietários de jatinhos. Ele precisa avaliar seu público em relação ao fato. Portanto, aponta que muitos dos cristãos dos EAU presentes à costumeira missa ao ar livre são trabalhadores domésticos de pessoas ricas do lugar. Note-se aqui: o problema com os empregadores de tais trabalhadores domésticos não é que sejam – como muitos deles serão – muçulmanos.
Não.
É que eles são ricos.
Entendam o homem, por favor. Ele é um comunista. O ódio social o devora. Ele não acredita em Deus, de jeito nenhum. Por que se importará se um homem morrer muçulmano? Mas que um homem viva como um rico, esse é o problema.
Tudo bastante previsível em um comunista devorado pelo ódio social. Não me surpreendeu em nada sua última doutrina comuna caseira. Uma vez que você entenda o Comunismo, a inveja social e o ódio social, Francisco é um livro aberto.
O que me irrita é que inúmeras publicações católicas agora vão tentar dar às palavras de um velho comuna um verniz de Catolicismo, em vez de admitir que o homem não dá a mínima para o Catolicismo.”

https://mundabor.wordpress.com

domingo, 10 de março de 2019

A criação vertical do homem é um sinal do que tem que ser o homem em sua alma


“Quando Deus cria ao homem o cria vertical (…). Essa criação do corpo do homem vertical é um signo do que tem que ser o homem por dentro, em sua alma (…). Deus o criou com a cabeça acima do coração, com o coração acima do estômago, do sexo e dos pés. E essa hierarquia do homem vertical nos está indicando também o que o homem tem que ser por dentro:
Acima de tudo está a cabeça; quer dizer, a inteligência que me faz conhecer a realidade e conhecer a verdade. E essa verdade que a inteligência conhece se mostra ao coração, isto é, à vontade; para que a vontade ame o que é verdadeiro e o que é bom. E depois vêm também as paixões, os sentimentos e os instintos que, iluminados pela inteligência e governados pela vontade, servem para que o homem seja capaz de entusiasmar-se por tudo o que é verdadeiro e por tudo o que é bom.
Essa é a imagem do homem como Deus o criou: inteligência que conhece a verdade, se a mostra à vontade como algo bom sendo as paixões e os sentimentos governados pela vontade e dominados pela inteligência. Agora bem, o homem moderno é um homem posto “de pernas para o ar”. Ao homem vertical que Deus criou se lhe opõe um homem invertido. O que está acima? Acima de tudo estão as paixões, estão os instintos, estão os sentimentos. Pelo que se guia o homem? “Eu gosto”, “eu não gosto”; “tenho desejos”, “não tenho desejos”; “que lindo!”, “que feio!”. Nos guiamos pelos instintos. E depois vem a vontade. A vontade para satisfazer todos os caprichos dos instintos; e ao final, bem abaixo de tudo, vem a pobre inteligência. Para quê? Para justificar-me e dizer que tudo o que eu gosto está bem.”
(Alberto Ezcurra, Los Jóvenes y la Sociedad de Consumo)

http://www.sensusfidei.com.br

sexta-feira, 8 de março de 2019

Efeitos nefastos da ideologia da inclusividade


"É muito difícil para a discussão pública liberal rejeitar e suprimir os indícios claros da ciência e da erudição, mas a inclusividade deve fazê-lo para negar a teimosa diferença entre os grupos. É uma situação que deve de alguma forma ser resolvida, e o método adotado é redefinir a razão e a realidade para adequar-se às exigências da inclusividade e pisotear qualquer um que perceba haver um problema.
Toda investigação considerada legítima deve produzir resultados politicamente corretos, e o processo que levou até eles deve ser apresentado como inquestionavelmente livre e racional. O resultado é a corrupção da biologia, da sociologia e da psicologia, bem como do pensamento político e ético. A ciência e a erudição tornam-se distorcidas, o jornalismo, tendencioso e a educação, panfletária. O óbvio deve ser ignorado ou tratado como inconcebível, para que o mundo se torne incompreensível."
(James Kalb, Against Inclusiveness – How the Diversity Regime is Flattening America and the West and What to do About It)