segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Radiografia espiritual do ódio

"O ódio como desejo do mal alheio
Diz o dicionário que ódio é "antipatia e aversão a algo ou a alguém cujo mal se deseja". Essa definição tão condensada exige uma explicação. Em parte porque o ódio não é simplesmente antipatia, nem tampouco mera aversão. O ódio se opõe em realidade ao amor, primeira tendência do ser humano. E assim como há um amor perfeito, afirmação e doação sem retorno, também existe um amor imperfeito, no qual não se cumpre algum aspecto dessa afirmação e doação. Paralelamente existe um ódio perfeito e um ódio imperfeito.
Quanto à oposição entre o ódio perfeito e o amor perfeito deve indicar-se que se opõem diretamente, visto que o ódio perfeito deseja para outro um efeito mau ou um prejuízo, da mesma forma que, em sentido contrário, a amizade quer para o amigo um efeito bom. Mas há um matiz importante que não deve passar despercebido: é que no ódio perfeito o efeito mau se reveste de aparência de um bem, devido a uma causa externa e em ordem a mim, visto que o dano que se faz a outro aparece como um bem para mim; no entanto, no amor perfeito, dado que o bem que desejo ao amigo é em si intrinsecamente um bem, não é preciso uma relação externa, para que por causa dela se torne um bem e uma coisa apetecível. Não obstante, é certo que o bem desejado para o amigo é também um bem para mim; pois toda amizade pelo outro começa pelo amor a si mesmo: certamente, eu pessoalmente não amaria o amigo se não visse que isso é conveniente e bom para mim.
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Amor perfeito e ódio perfeito
O desdobramento do ódio perfeito é paralelo ao do amor perfeito.
No amor perfeito eu desejo algo bom para o amado, mas não prioritariamente para mim. No amor imperfeito eu desejaria prioritariamente algo bom para mim, ainda que redundasse também no amado.
O ódio imperfeito é a fuga de um certo mal que me desagrada; e assim se opõe inclusive ao amor imperfeito; mas se distingue da ira, a qual deseja o mal de outro sob o aspecto de vingança e de satisfação.
Por sua vez, existe um ódio perfeito, pelo qual desejamos um mal ao outro, e lhe desejamos um mal sob o caráter formal de mal. Não teríamos aqui uma prova de que o mal é querido formalmente como mal, sem roupagem de bem? Não parece que o ódio perfeito deseja o mal a outro porque é para ele um mal? Acaso o ódio perfeito foge do mal? Não será que o deseja como um mal para outro? E, assim, o desejaria sob sua natureza de mal, já que por isso se distingue do ódio imperfeito e da ira.
Ademais o ódio perfeito se opõe diretamente ao amor perfeito; este amor perfeito deseja o bem para o outro, por ser um bem para ele, não por sê-lo para mim – pois assim seria amor imperfeito - ; logo o ódio perfeito, para opor-se perfeita e absolutamente ao amor perfeito, não deve ser levado contra o outro, desejando-lhe o mal precisamente porque é um mal para ele, não porque é um bem para mim, pois isto é próprio do desejo e não se opõe direta e formamente à amizade? Não deveríamos concluir que o ódio perfeito tende ao mal sob a razão formal de mal?
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Desejar o mal a outro
Essa dúvida, entranhada na mais profunda psicologia, traz consigo uma premissa capciosa: a saber, que "o ódio perfeito deseja o mal a outro, sob o aspecto de mal". Deveria entender-se que o ódio perfeito deseja o mal a outro sob o aspecto do mal próprio do objeto, ou do mal em sentido absoluto?
Certamente eu posso desejar algo mau, ou seja, nocivo ou destrutivo para outro, justo para que produza nele efeitos maus; no entanto, o que é um mal para ele, sendo nocivo e destrutivo, se reveste do caráter de um bem aparente, inclusive nesse aspecto pelo qual é destrutivo, visto que destruir meu contrário possui a aparência de bem; e, assim, supondo que estou mal disposto contra outro homem, e supondo que o considero como meu contrário, sua destruição e dano têm uma aparência de bem para mim.
Enquanto provoco um mal a outro, e enquanto represento isso como um bem, tal coisa é desejada sob essa aparência e representação. E ao contrário, quando o bem do outro aumenta, isso parece um mal para mim, que o vejo com maus olhos.
Caetano sublinhava que a vontade não pode querer o mal sob o aspecto de mal pura e simplesmente, ou enquanto mal para mim; mas pode-se desejar um mal a outro que é considerado como contrário; com efeito, o mal para outro que é visto como inimigo se reveste do caráter de bem pelo fato de ser captado como destrutivo do contrário. E, assim, nunca é desejado sob o aspecto de mal formalmente, mas sob o aspecto de bem; desta maneira, quando desejo um mal ao inimigo, como mal para ele, o desejo sob o aspecto de um bem meu que prejudica o inimigo, ou de um bem que destrói o que me é contrário. E destruir o contrário é um bem.
Quanto à distinção entre ódio perfeito e ódio imperfeito deve-se fazer um esclarecimento importante, desde o ponto de vista psicológico: o ódio perfeito deseja o mal a outro sob o aspecto de um bem meu, já que induz um efeito mau em outro, mas isso é para mim um objeto bom ou apetecível. Por outro lado, o ódio imperfeito não deseja o dano a outro, nem deseja um objeto que provoque em outro um mau efeito: a vontade rechaça de si o que lhe é nocivo e o que lhe produz um efeito mau. E neste momento os dois ódios procedem de modo diverso: o ódio perfeito tenta conseguir o efeito mau em outra pessoa; o ódio imperfeito foge do efeito que é mau para mim.
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A ira e o ódio
Por outra parte, o ódio perfeito se diferencia da ira em que esta não contempla o mal enquanto nocivo ou destrutivo do inimigo, mas enquanto vingativo e satisfatório, e assim, comparece como justo ou equitativo. Daí que a ira cesse no momento em que se recebe a satisfação; por sua vez, o ódio não cessa por satisfação alguma, mas persegue até o final o dano e a destruição de outro, enquanto dano ao contrário. E este dano, embora não apareça como o justo e satisfatório, sem embargo, aparece como bem útil ou deleitável, ao destruir o contrário sem buscar a satisfação da justiça, mas somente o dano ao outro. Daí que o ódio suponha uma péssima disposição na vontade: pois enfoca o mal alheio como bem próprio, e somente porque é um mal em outro. Com a presunção desta perversa disposição, o mal de outro se cobre com aspecto de bem, e, ao ter o caráter de um efeito mau para outro, se reveste de bem para mim.
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Um bem para mim
Resta um reparo, a saber: o que é desejado como um bem para mim, acaso não pertence ao amor imperfeito e, portanto, não pode ser objeto formal nem da amizade, nem da inimizade?
Este reparo é facilmente salvável. Porque o objeto formal do desejo não é um bem para mim de um modo qualquer, mas o é com esta condição: que esteja em mim como no sujeito para o qual quero o bem, visto que desejo possuí-lo. Ora, se não o tenho em mim como em seu sujeito, mas o transfiro a outro para o qual o quero, então isso faz que exista um amor perfeito, embora tenha seu início em mim, visto que aquela realidade é querida para outro e não se detém em mim.
E que isso pressuponha uma ordem para mim, não impede o amor perfeito; efetivamente, o amor não pode dar-se na amizade sem que se pressuponha e sem que tenha sua origem em um amor à pessoa destinatária, visto que o amigo é julgado como outro eu. Esta é a razão por que o amor ordenado começa por si mesmo; e as coisas admiráveis para outro têm sua origem nas coisas admiráveis para si mesmo.
Mas isto que acabo de dizer se aplica também ao ódio perfeito; efetivamente, este ódio só pode existir se se supõe o amor a si mesmo, visto que eu odeio o que é inimigo ou contrário, porque é incompatível comigo e porque eu pessoalmente me amo a mim e a minha conservação.
Por isso o amor perfeito e o imperfeito, assim como o ódio perfeito e o imperfeito não podem em absoluto prescindir da relação à própria pessoa que apetece; mas se distinguem em que, no amor perfeito, a pessoa destinatária da coisa querida é distinta do sujeito amante, e assim dita coisa não se detém neste; por sua vez, no amor imperfeito, a pessoa destinatária da coisa querida é o mesmo sujeito desejante, o qual se quer a si mesmo e se detém em si.
Apesar disso, também no amor perfeito, com o qual quero o bem para outro, quero algo para mim, visto que tudo que é querer o bem em proveito do outro é conveniente e bom para mim. Da mesma maneira que querer um mal para outro é um bem para mim; de modo que o prejudicar e destruir a outro foi querido antes e, ao realizar-se, é conveniente para mim.
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Suicídio como fruto do ódio a si mesmo
Acrescentarei um último ponto sobre aquele ódio dirigido contra si mesmo que desemboca no "suicídio". Pareceria que os suicidas se odeiam a si mesmos; por sua vez, parece que neles não há nada de bom que os motive a amar semelhante ação – pois a morte própria não tem causa para ser amada, já que o viver é algo necessariamente amado, quanto a sua especificação, ao não ter nada de mal em si - ; logo o fato de eliminar a vida parece que não pode ser amado sob aspecto algum de bem, visto que retira ou elimina aquilo em que nada de mal aparece.
Bem analisada, esta argumentação margeia importantes matizes de índole psicológica e mesmo ontológica. Quem se suicida ou se odeia, materialmente quer não existir, mas formalmente quer ser o existir de outro modo, visto que o caráter formal de querer não existir é carecer da miséria e do mal. Assim, não deseja não existir de um modo absoluto, mas deseja não existir sob a miséria e as penalidades; e, assim, não odeia a vida absolutamente, mas a odeia como submetida à miséria da qual foge."
(Juan Cruz Cruz: Radiografia Espiritual do Ódio)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A reserva dos derrotados


“Claro que há muita burrice e rabugice no que tantos profissionais da comunicação vêm escrevendo e dizendo. Assim como o uso do cachimbo entorta a boca, o hábito de falar sozinho sem ser contestado desenvolve deformações políticas. E faz carreira nos totalitarismos.
Não podemos esquecer que em todas as eleições presidenciais havidas entre 1994 e 2014, completando 20 anos e seis pleitos consecutivos, a nação foi constrangida a escolher entre dois partidos de esquerda – PSDB e PT. Contados os períodos dos respectivos mandatos, tem-se quase um quarto de século durante o qual a sociedade foi submetida a uma dieta política servida por legendas que apreciavam o mesmo cardápio. Não se discutiam outros pratos, outras receitas e, na maioria dos casos, o tempero era o mesmo: conversa fiada populista.
Liberais e conservadores, ou a direita (como queiram), ficaram sem pai nem mãe todo esse tempo. Situação inusitada. Algo análogo só se encontrará em países comunistas, creio. Pessoas e partidos que poderiam falar pela direita de modo orgânico no Congresso Nacional estavam, geralmente, capturados, ora por um, ora por outro dos dois projetos de poder em curso. A retórica política tornou-se monótona. Governo e oposição, ambos “de esquerda”, usavam o mesmo vocabulário, o mesmo glossário, se alinhavam com o infame “politicamente correto”, com o globalismo, com intervencionismo estatal, com o populismo de esquerda e suas articulações, com a Escola de Frankfurt, com George Soros e a Open Society. Consequentemente, tinham e têm o mesmo compromisso com a degradação das estruturas que sustentam a civilização ocidental e com uma ordem econômica não capitalista.
O rolar do tempo e a falta de concorrência no mercado das ideias foram criando uma espécie de pseudoconsenso em que qualquer expressão de base conservadora ou liberal era automaticamente repelida e expelida. Por não encontrar eco, sumia. Foi assim que o Brasil, empurrado pela política conforme era jogada, mas também pelas entidades representativas da tal “sociedade civil organizada” – OAB, CNBB, ABI, sindicatos e suas centrais, conselhos – aprendeu a falar a mesma linguagem e fez sumir as mesmas palavras. Quais? Pois é, será bom lembrá-las. Entre outras: ordem, tradição, honra, família, virtudes, princípios, fé, autoridade, capitalismo, propriedade. E mais: liberdade/responsabilidade e direitos/deveres, como binômios não fracionáveis.
O papel destruidor do que descrevo não poupou sequer a nação e sua história. Veio para cima das mesas, nas salas de aula, como refinado produto do saber, o lixo dos acontecimentos. Qualquer modo de contar a história do Brasil servia, desde que lhe suprimisse toda nobreza, todo sentimento de amor à pátria e valorização dos seus elementos unitivos, suas esplêndidas raízes, seus fundadores, suas grandes figuras humanas. Cobranças com vencimento à vista de supostas dívidas ancestrais são úteis a essa máquina de moer cidadania. Nenhuma nação de “credores” deu certo, mas a ideia nunca foi fazer dar certo. A ideia sempre foi trabalhar com os sentimentos menos nobres porque é com eles que se elegem os piores. Se me faço entender. E assim, nossas crianças – pasmem! –, há anos, ouvem a história do Brasil como quem testemunha uma delação premiada na qual o vício é narrado até onde não existe. E na qual toda virtude, merecimento, bem, gratidão e reverência são castigadas com silêncio. Escaneiam a consciência dos mortos e esquecem a própria!
O prêmio por falar mal do Brasil, pela delação histórica, vai para jornalistas, professores e intelectuais militantes. Cabe a eles, nestes dias, como braços do mesmo corpo, a tarefa de substituir, temporariamente, os políticos vencidos pelo descrédito. Para quase todos os efeitos visíveis, são os protagonistas da oposição nesta alvorada de 2019. E eles estão, já se vê, cumprindo seu papel, ostentando as vestes alvas de uma superioridade moral que ninguém confirma.”

http://www.puggina.org

domingo, 20 de janeiro de 2019

O ingrato e seu oposto

“O ingrato tortura-se e aflige-se a si mesmo; odeia os benefícios que recebe por ter de retribuí-los, procura reduzir a sua importância e, pelo contrário, agigantar enormemente as ofensas que lhe foram causadas. Há alguém mais miserável do que um homem que se esquece dos benefícios para só se lembrar das ofensas? A sabedoria, pelo contrário, valoriza todos os benefícios, fixa-se na sua consideração, compraz-se em recordá-los continuamente. Os maus só têm um momento de prazer, e mesmo esse breve: o instante em que recebem o benefício; o sábio, pelo seu lado, extrai do benefício recebido uma satisfação grande e perene. O que lhe dá prazer não é o momento de receber, mas sim o fato de ter recebido o benefício; isto é para ele algo de imortal, de permanente. O sábio não tem senão desprezo por aquilo que o lesou; tudo isso ele esquece, não por incúria, mas voluntariamente. Não interpreta tudo pelo pior, não procura descobrir o culpado do que lhe sucedeu, preferindo atribuir os erros dos homens à fortuna.
Não atribui más intenções às palavras ou aos olhares dos outros, antes procura dar do que lhe fazem uma interpretação benevolente. Prefere lembrar-se do bem que lhe fizeram, e não do mal; tanto quanto pode, guarda na memória os benefícios precedentes e não muda de disposição para com aqueles a quem deve algum favor a não ser que as suas más ações sejam de longe mais graves, numa desproporção evidente mesmo a quem não a quer ver; e até neste caso o sábio terá por eles, depois de uma considerável ofensa, sentimentos idênticos aos que tinha antes do favor recebido. Na realidade, mesmo quando a ofensa é equivalente ao benefício, permanece na nossa alma um certo sentido de benevolência.”
(Sêneca, Cartas a Lucílio)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Breaking News manuscritas em Patmos

"Enquanto a apostasia tem conseguido estabelecer-se na Igreja segundo um duplo parâmetro – em expansão e em intensidade -, as figuras afetadas por sua vis deletéria parecem correr a assumir os papéis que a Revelação lhes designou para os últimos tempos. O que não deve estranhar: se os príncipes da Igreja perdem massivamente a fé, as profecias os terão desprevenidos e não repararão no papel que puderam desempenhar no cenário escatológico cujas dramatis personae nos têm sido clamorosamente esboçadas há vinte séculos. Ocorre que o vórtice tem as propriedades do ímã e que, como o soube Ésquilo, "quando o homem corre desatento a seu destino, até o céu se lhe junta e o ajuda a despenhar-se". Os demônios, de fato, que não o céu, colaboradores eficazes daqueles que se têm rendido a seu horrendo influxo, hão de passear à vontade em dicastérios e congregações romanas como para que estes sejam assimilados sem delongas a outros tantos lupanares – e, ainda por cima, daqueles que só admitem varões na qualidade de alunos.
A apostasia cega seus atores, que "correm desatentos a sua ruína". Se os virgens que celebra o Apocalipse (14, 4ss.) são, segundo a mais recorrente exegese, aqueles que não menoscabaram a doutrina nem num til, nem numa vírgula porque "em sua boca não se encontrou mentira", a Grande Prostituta, acima de tudo, deve ser aquela que, depois de faltar à fidelidade ao depósito que lhe foi confiado, havendo fornicado com o reis da terra (Ap. 18, 3), termina seus infortúnios na degeneração de seus hábitos primários, tal como corresponde a sua podridão cordial. Que a prostituição, termo sempre alusivo ao comércio sexual, possa também aplicar-se à contaminação do magistério, revela em todo caso a afinidade profunda entre ambos registros e quanto um possa reclamar a solidariedade do outro. A pederastia – observação válida para qualquer ambiente no qual esta medre – vem indicar a exacerbação da conduta viciosa, o nec plus ultra da depravação, que é um fato antes de tudo espiritual.
As redes homossexuais que infestam a Igreja convêm, pois, à descrição da Grande Prostituta, como também convém a esta a contemporização do clero com as nauseabundas máximas da ONU e outros conventículos de notório credo antropolátrico. Ou com esse melífluo interconfessionalismo que porá logo nos altares Lutero e Melanchton, se Deus não quiser impedi-lo. Quando São João disse haver "ficado estupefato" (Ap. 17, 6) ao ver a Mulher "cujo nome é um mistério" (nome que revela imediatamente como o de "Babilônia a Grande"), ébria do sangue dos santos e dos mártires, a que atribuir sua estupefação, nunca assinalada a propósito das outras terríveis visões que desfilam diante de seus olhos? Será talvez ao haver reconhecido nesta má fêmea a Sé de Pedro usurpada por demônios? (importa recordar aqui que o Príncipe dos apóstolos conclui sua primeira epístola saudando "de Babilônia", em alusão a Roma). Santo Agostinho aponta outro tanto em sua De civitate Dei quando comenta aquela passagem da 2ª aos Tessalonicenses (2, 3ss.) onde se fala do "homem iníquo, o filho da perdição, aquele que se opõe e se subleva contra tudo aquilo que se refira a Deus e seja objeto de culto, até chegar a sentar-se no templo de Deus", arguindo que alguns "pensam que também em latim é mais correto dizer, como em grego, não no templo de Deus (in templo Dei) mas se senta na qualidade de templo de Deus (in templum Dei sedeat), como se ele fosse o templo de Deus que é a Igreja." O que sugere a confusão, aos olhos do vulgo, da Igreja com seu símio, com uma contra-igreja capaz de conservar as temporalidades daquela e sua organização hierárquica sem seu espírito.
Francisco, em seu vômito diário de insensatezes e heresias, é o vulgarizador mais reconhecido deste estado de espírito cuja rejeição tem por objeto o logos e o Logos, ávido de consagrar o princípio de indeterminação de todas as coisas, o caos primordial. Correndo a apropriar-se das qualidades das duas Bestas, imita a do mar naquilo de proferir "palavras arrogantes e blasfêmias", blasfemando "contra Deus, seu nome e sua Morada e os que habitam no céu" (Ap. 13, 5ss): assim o fez, v.g., quando em um de seus mais insuperáveis ápices verbais permitiu-se sugerir uma suposta discórdia no seio mesmo da Santíssima Trindade. Não falemos do muito que se lhe apropriam os atributos da outra Besta, a terrestre, que "tinha dois chifres, como os de um cordeiro, mas falava como um dragão" (Ap. 13, 11), com esse bilingüismo que é a arte dos vigaristas consumados. Que esta segunda Besta, desde sempre caracterizada como um poder religioso, faça "que a terra e seus habitantes adorem a primeira Besta" (poder civil) comportaria a voluntária submissão da espada espiritual à temporal: toda uma refutação pós-moderna da Unam Sanctam de Bonifácio VIII e dos Dictatus papae de Gregório VII em apoio àquele outro horríssono e já recorrente apelo ao laicismo do Estado, com o subsequente passo de pôr a Igreja sob o domínio do Princeps. O recente acordo com a China não exala outro fedor: bastará acaso que a grande potência do Oriente termine de impor-se no contexto internacional ao fim da alardeada guerra comercial com os EUA, ou que se tome exemplo desta submissão para repeti-la em relação a um hipotético Superestado mundial ainda não conformado, para que vejamos realizado este pesadelo diante de nossos horrorizados olhos.
O ataque concatenado dos meios de comunicação em massa à Igreja em relação aos abusos sexuais dos clérigos, à parte ilustrar que "o mundo não paga traidores" e que os melindres com que tanto prelado o presenteia não lhe garantem a imunidade desejada, parece poder aplicar-se àquela passagem que diz que "os dez chifres [reis] que viste na besta são os que odiarão a prostituta, e a colocarão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo" (Ap. 17, 16). A aliança do clero modernista com o mundo e suas máximas poderá outorgar àquele inicialmente um pouco de oxigênio nesta encruzilhada bissecular, mas a vitória do mundo sobre a Igreja reclama para si algo mais que a adulteração da doutrina e da missão da Esposa de Cristo, e é o cancelamento de toda recordação de sua passagem pela terra. Quando os poderes deste século tenham abatido a cruz dos campanários, quererão a seguir abater os mesmos campanários até suas fundações: tal é a natureza refratária do mundo à graça. A crescente retirada do favor dos meios jornalísticos a Francisco (dos mesmos meios que saudaram com abundante saliva sua eleição e perfídia), caracterizando-o agora inequivocadamente como encobridor de clérigos outrora denunciados, não faz mais que ilustrar isto mesmo. Faz mais de um ano que a corrente de fastio vem se espalhando entre esses mesmos pasquins esquerdosos que aplaudiam como focas o Papa progressista: "dizer que um papa, que prometeu aos quatro ventos uma limpeza e reformas concretas ao grito da "tolerância zero" contra os pedófilos e seus encobridores, mas que conscientemente se cerca desses personagens (para dizer o mínimo), é vítima de uma improvável conspiração é um insulto à inteligência humana".
Não queremos ser sonhadores nem iludidos ao identificar monsenhor Viganò como uma das duas Testemunhas, mas não deixa de ser significativo que estas sejam imoladas "na praça da grande cidade, que simbolicamente se chama Sodoma e Egito" (Ap. 11, 8). Que o ex-núncio nos EUA tenha centrado sua denúncia na hedionda trama sodomita da Igreja o faz uma vítima potencial dos serviços secretos vaticanos: ele o sabe e optou judiciosamente por se esconder. O encontro de seu paradeiro poderia acabar com seu cadáver na praça de São Pedro, fuzilado não pelos padres bolcheviques da visão de Bernanos, mas pelos clérigos sodomitas que Bergoglio esconde sob sua desfiada sotaina.
Que o denunciante destes horrores seja um prelado de origem conciliar, como o são hoje todos sem exceção, não deve fazer supor sua incompetência para encarnar um papel como o que lhe vislumbramos: sem dúvida, o vespeiro desta Igreja usurpada e desfigurada ferverá muito mais quando for um de seu próprio grupo quem lhe impinja as necessárias verdades, que quando o faça um clérigo em "situação canônica irregular". Falta só outro bispo que, depostos os respeitos humanos em sonolento vigor, peça a pira pública para os documentos do Vaticano II e se anime a recordar a correlação de causa e efeito entre o desfalecimento doutrinal e a desvirilização do clero. O álbum de figurinhas do Apocalipse estaria então completo, e poderíamos por fim levantar nossas abatidas cabeças."

https://in-exspectatione.blogspot.com

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Discurso do Presidente Donald Trump sobre a crise migratória


“Esta noite, estou falando com você porque existe uma crescente crise humanitária e de segurança em nossa fronteira sul. Todos os dias agentes de patrulha de fronteira e alfândega encontram milhares de imigrantes ilegais tentando entrar em nosso país. Estamos sem espaço para alojá-los e não temos como devolvê-los ao seu país. A América orgulhosamente recebe milhões de imigrantes legais que enriquecem nossa sociedade e contribuem para nossa nação. Mas todos os americanos são prejudicados pela migração ilegal descontrolada. Ela sobrecarrega recursos públicos e reduz empregos e salários. Entre os mais atingidos estão afro-americanos e hispano-americanos. Nossa fronteira sul é um canal para vastas quantidades de drogas ilegais, incluindo metanfetamina, heroína, cocaína e fentanil. Toda semana, 300 dos nossos cidadãos são mortos apenas com heroína, 90% da qual transborda pela fronteira sul. Mais americanos morrerão de drogas este ano do que foram mortos em toda a Guerra do Vietnã.
Nos últimos dois anos, os oficiais da ICE fizeram 266.000 detenções de estrangeiros com antecedentes criminais, incluindo os acusados ou condenados por 100.000 agressões, 30.000 crimes sexuais e 4.000 assassinatos violentos. Ao longo dos anos, milhares de americanos foram brutalmente mortos por aqueles que entraram ilegalmente em nosso país e milhares de outras vidas serão perdidas se não agirmos agora. Esta é uma crise humanitária, uma crise do coração e uma crise da alma.
No mês passado, 20.000 crianças migrantes foram levadas ilegalmente para os Estados Unidos, um aumento dramático. Essas crianças são usadas como joguetes por coiotes viciosos e gangues implacáveis. Uma em cada três mulheres é agredida sexualmente na perigosa caminhada pelo México. Mulheres e crianças são, de longe, as maiores vítimas do nosso sistema disfuncional. Esta é a trágica realidade da imigração ilegal na nossa fronteira sul. Este é o ciclo do sofrimento humano que estou determinado a terminar.
Meu governo apresentou ao Congresso uma proposta detalhada para proteger a fronteira e impedir as gangues de criminosos, contrabandistas de drogas e traficantes de seres humanos. É um tremendo problema. Nossa proposta foi desenvolvida por profissionais da lei e agentes de fronteira no departamento de segurança interna. Estes são os recursos que eles solicitaram para realizar sua missão e manter a América segura. Na verdade, mais segura do que nunca. A proposta da Homeland Security inclui tecnologia de ponta para detectar drogas, armas, contrabando ilegal e muitas outras coisas. Solicitamos mais agentes, juízes de imigração e espaço para leitos para processar o forte aumento da migração ilegal alimentada por nossa forte economia. Nosso plano também contém um pedido urgente de assistência humanitária e assistência médica. Além disso, pedimos ao Congresso que feche as brechas de segurança nas fronteiras para que as crianças imigrantes ilegais possam voltar segura e humanamente para casa. Finalmente, como parte de uma abordagem geral à segurança nas fronteiras, os profissionais da lei solicitaram US$ 5,7 bilhões para uma barreira física. A pedido dos democratas, será uma barreira de aço em vez de um muro de concreto.
Essa barreira é absolutamente essencial para a segurança das fronteiras. É também o que nossos profissionais da fronteira querem e precisam. Isso é apenas senso comum. O muro da fronteira se pagaria muito rapidamente. O custo das drogas ilegais ultrapassa US$ 500 bilhões por ano. Muito mais que os US$ 5,7 bilhões que pedimos ao Congresso. O muro será pago indiretamente pelo grande novo acordo comercial que fizemos com o México. O senador Chuck Schumer, de quem se ouvirá mais tarde hoje à noite, apoiou repetidamente uma barreira física no passado junto com muitos outros democratas. Eles mudaram de idéia somente depois de eu ser eleito presidente. Os democratas no Congresso se recusaram a reconhecer a crise. E eles se recusaram a fornecer aos nossos corajosos agentes de fronteira as ferramentas de que precisam desesperadamente para proteger nossas famílias e nossa nação. O governo federal permanece fechado por uma única razão: porque os democratas não querem financiar a segurança na fronteira. Meu governo está fazendo tudo ao nosso alcance para ajudar as pessoas afetadas pela situação. Mas a única solução é que os democratas passem um projeto de gastos que defenda nossas fronteiras e reabra o governo. Esta situação poderia ser resolvida em uma reunião de 45 minutos. Convidei a liderança do Congresso para a Casa Branca amanhã para fazer isso. Esperançosamente, podemos nos elevar acima da política partidária para apoiar a segurança nacional.
Alguns sugeriram que uma barreira é imoral. Então, por que políticos ricos constroem muros, cercas e portões ao redor de suas casas? Eles não constroem muros porque odeiam as pessoas do lado de fora, mas porque amam as pessoas do lado de dentro. A única coisa que é imoral é que os políticos não façam nada e continuem permitindo que mais pessoas inocentes sejam tão horrivelmente vitimizadas. O coração dos Estados Unidos se partiu no dia seguinte ao Natal, quando um jovem policial na Califórnia foi brutalmente assassinado a sangue frio por um estrangeiro ilegal que acabara de cruzar a fronteira. A vida de um herói americano foi roubada por alguém que não tinha o direito de estar em nosso país.
Dia após dia, vidas preciosas são interrompidas por aqueles que violaram nossas fronteiras. Na Califórnia, um veterano da Força Aérea foi estuprado, assassinado e espancado com um martelo até a morte por um estrangeiro ilegal com uma longa história criminal. Na Geórgia, um estrangeiro ilegal foi recentemente acusado de assassinato por matar, decapitar e desmembrar seu vizinho. Em Maryland, membros da gangue MS-13 que chegaram aos Estados Unidos como menores desacompanhados foram presos e acusados no ano passado, depois de terem espancado violentamente uma garota de 16 anos. Nos últimos anos, encontrei-me com dezenas de famílias cujos entes queridos tiveram sua vida roubada pela imigração ilegal. Segurei as mãos das mães chorando e abracei os pais aflitos. Tão triste. Tão terrível. Jamais esquecerei a dor em seus olhos, o tremor em suas vozes e a tristeza que agarra suas almas. Quanto mais sangue americano devemos derramar antes que o Congresso faça seu trabalho?
Para aqueles que se recusam a se comprometer em nome da segurança da fronteira, eu pergunto, imagine se fosse seu filho, seu marido ou sua esposa cuja vida tivesse sido tão cruel e totalmente destruída. Para todos os membros do Congresso, peço que aprovem um projeto de lei que encerre esta crise. Para todos os cidadãos, que liguem para o Congresso e digam-lhes para finalmente, após todas essas décadas, garantir nossa fronteira. Esta é uma escolha entre o certo e o errado, a justiça e a injustiça. É sobre cumprirmos nosso dever sagrado para com os cidadãos americanos que servimos. Quando fiz o juramento de posse, jurei proteger nosso país. E é isso que sempre farei, com a ajuda de Deus. Obrigado e boa noite.”

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Um pensamento sobre a paz

“A paz é um bem nobilíssimo e útil se for acompanhada do respeito à justiça, mas unida à covardia e à crueldade é entre todos os males o mais torpe e nocivo.”
(Políbio, Histórias)

sábado, 5 de janeiro de 2019

Esclarecimentos sobre a Resistência


“Aquilo que se passou a designar com o nome de Resistência parece-me que nem todos têm uma ideia precisa da noção real do que ela consiste. Parece-me que muitos pensam que é um grupo de bispos, padres e leigos que se afastaram voluntariamente da Fraternidade São Pio X na qualidade de “livres atiradores”.
A isso convém opor os seguintes fatos esclarecedores: alguns padres da Fraternidade começaram a fazer críticas públicas a seu superior pela posição pró-acordo que este começou a manifestar. Outros membros da Fraternidade (inclusive três bispos) fizeram o mesmo, ou em particular ou em público. Comunidades religiosas amigas também manifestaram seu desacordo. O resultado foi que, mantendo-se Dom Fellay no seu propósito acordista, expulsou da Fraternidade aqueles que o criticaram publicamente (de modo especial um dos bispos sagrados por Dom Lefebvre) e rejeitou aqueles que, não pertencendo à Fraternidade, também levaram a público seu repúdio. Entre estes menciono de modo especial os Mosteiros de Nossa Senhora da Fé e o da Santa Cruz. Assim, o que deu nascimento à “Resistência” foi a “foice” de Dom Fellay, e não a vontade explícita dos “resistentes” de se separarem.
Agora, poder-se-ia perguntar se essa oposição pública não foi imprudente e/ou desrespeitosa. Respondo que não, apoiado na doutrina da Igreja e na história, mestra da vida. Sabemos que um superior pode e, às vezes, deve ser arguido publicamente se ele põe em perigo a fé e a salvação das almas. Sabemos, igualmente, que assim o fez São Paulo com São Pedro; Dom Lefebvre com Paulo VI e João Paulo II, para não citar muitos mais exemplos que poderia aduzir. E a atitude de Dom Fellay põe em perigo a fé e a salvação das almas? Certamente, pois o exemplo do que já aconteceu com as comunidades que se uniram com a Roma modernista mostra o perigo que essa aproximação significa: aumento progressivo de uma nova mentalidade, que não é de Deus. Em outras palavras, estamos diante de um problema de grave importância, o qual não é para ser tido em pouca conta.
Poder-se-ia ainda levantar uma outra objeção: depois das primeiras reações, houve outras que não tiveram como resultado a expulsão dos que se opuseram à “nova política de Menzingen”. Penso que a resposta a isso seria uma semelhança entre as atitudes de Paulo VI e João Paulo II com relação à Tradição, e as de Dom Fellay com relação aos “resistentes”. Explico-me: Paulo VI, para impor as reformas conciliares, usou da punição, pois os membros da Igreja ainda tinham a cabeça bem tradicional. Mas no pontificado de João Paulo II, em que o Concílio Vaticano II já era bem aceito, pôde-se tentar “absorver” os “do contra”, sem perigo para a estabilidade da Igreja Conciliar. Assim, agora que Dom Fellay deve estar sentindo-se seguro no prosseguimento de seu intento, ele não expulsa um ou outro que se levante contra ele na Fraternidade.
Resta ainda deixar bem claro que a legitimidade da causa da “Resistência” não exime de haver membros da mesma que não honrem como deviam o “movimento” ao qual pertencem. Nosso Senhor mesmo já nos advertira que em Sua Igreja sempre haveria o joio. Por isso, a existência de dissensões e coisas semelhantes não é argumento contra a atitude que julgamos ser a mais correta a ser tomada na situação crítica em que passa a família da Tradição, ou seja, opor-se publicamente ao que Dom Fellay está fazendo.
Ainda uma reflexão: se a “regularização” da Fraternidade se fizer de um modo “unilateral”, sem nenhuma assinatura da mesma, isso não implica consequências diferentes; o perigo continua: a aproximação com os progressistas. E a presença de reações sem, no entanto, serem públicas e/ou consequentes nos fatos, está destinada ao desaparecimento total: a diplomacia vaticana conhece bem a eficácia do fator tempo: aos poucos ele fará calar todas as vozes discordantes, pela morte, gradual mas infalível…
Queira Deus se utilizar dessas pobres palavras do último dos filhos Seus para ajudar alguma boa alma que procurava se esclarecer sobre esses pontos.
Mãe de misericórdia, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!”

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Sobre o Estado


“Todo mundo já leu em algum lugar a famosa frase do francês Frédérik Bastiat:  “O Estado é a grande ficção pela qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo”.  Ele escreveu essa frase sarcástica no final do século XIX e a realidade desde então só piorou. Nos albores do século XX no mundo todo o Estado não se apropriava de mais do que 4% do PIB e, mesmo nos EUA, hoje em dia já leva para mais de 30% do PIB. No entanto, essa frase não é verdadeira por um simples motivo: o Estado é mais do que uma realidade distribuidora de renda. Muito mais. É o Poder. Temos, para explicar o Estado, que sair do sarcasmo de Bastiat e penetrar nas suas entranhas.
Quando digo que o Estado é o Poder quero dizer que ele tem em si um elemento numinoso que não pode ser esquecido. O Estado tem a função legisladora e aqui começa a trama infernal. Os antigos sabiam que a lei brotava essencialmente de sua fonte transcendente, daí falarem em lei natural e em direito natural. Os modernos transpuseram e esqueceram essa realidade e fizeram da razão humana a fonte legisladora, construindo um sistema legislativo inteiramente idealista. Aqui começa toda a confusão. Antes havia um balizamento claro e a lei nascia diretamente de Deus; agora o arbítrio do governante do dia e suas idiossincrasias é que legislam, transformando o Estado em fábrica de injustiça. São os novos tempos de Maquiavel e Gramsci.
É o Estado moderno (diferente do Estado antigo) um usurpador das coisas divinas e a tentação de querer produzir maná como Deus e de eliminar os problemas existenciais é mais do que um discurso. Os sacerdotes estatais (sim, o Estado é uma igreja de Satanás e tem a sua liturgia. Basta ver uma sessão do nosso STF) fazem o discurso seriamente e tentam de todas as formas alcançar suas metas impossíveis colocadas nas promessas vãs ao populacho. Quanto mais tentam superar a escassez, sua velha inimiga invencível, mais atolam o mundo em crises econômicas e políticas. Não conseguem superar a realidade de que o homem tem que ganhar a vida com o suor do próprio rosto. O Estado distributivista é um ladrão que sufoca aqueles que trabalham em nome do suposto bem estar social. Do vício jamais poderá brotar qualquer virtude ou bondade.
Eu quero dar minha própria definição de Estado. Ele é uma realidade organizacional (não uma ficção) que legisla e faz valer sua vontade sobre todos. A magia da legislação estatal acaba quando vemos que suas leis falsas e injustas só valem porque têm atrás de si polícias para todos os gostos, a começar pelas Forças Armadas que enquadram os recalcitrantes, passando pelos fiscais da Receita, Polícia Federal, Agências Controladoras, pelos fiscais das prefeituras até a delegacia de Polícia da esquina. É uma enorme máquina de repressão que não deixa brecha para a liberdade ou, melhor dizendo, a liberdade virou uma concessão em respiros estreitos naquilo que o Estado ainda não quis estender seu poder organizacional.
Essa realidade de organização repressora permite ao Estado manter a unidade de vontade de cima para baixo, aparecendo o legislador impessoal no topo da pirâmide. A Constituição é uma espécie de Bíblia que norteia seus movimentos como se lei sagrada fosse. A legislação ordinária também segue a trilha numinosa do poder transcendente. Qualquer esbirro da lei, seja militar, fiscal, delegado, juiz ou o que seja, se sente muito feliz de fazer valer sua letra, mesmo que mais das vezes se trate de uma flagrante injustiça e cassação plena da liberdade individual. A começar pelo escorchante sistema tributário, que sufoca e tunga aqueles que ganham a própria vida.
[É bom lembrar que, querendo ou não, há que se cumprir a lei natural, que desaba sobre a cabeça dos rebeldes como uma tijolo na cabeça. A isso chamamos de crise, econômica, política e social ou qualquer nome que a ela se queira dar. Guerras são o desdobramento mais catastrófico do império da lei natural contra os rebeldes. A natureza sempre irá agir.]
É claro que a classe política e a vasta burocracia se locupletam com a massa de impostos. Claro também que o sistema de legitimação impõe o discurso populista, que o povo miúdo em geral não compreende mas aceita, ansioso por receber um quinhão das verbas estatais. Bolsa família, aposentadoria, Saúde e Educação supostamente de graça, assim como Transporte estão na ordem do dia do discurso dos que querem se fazer governantes. A campanha eleitoral em curso é um resumo laboratorial dessa enorme loucura nascida da mentira.
Obviamente que o Estado não gera recursos e, antes de dar algo a alguém, precisa tirar de outro. É a fábrica de crises. No Estado antigo apenas uma pequena elite militar vivia às custas do contribuinte; agora é uma vasta chusma de parasitas que grita em praça pública pelo direito de viver às custas dos outros. Foi isso que Bastiat viu, um relance apenas de uma realidade mais vasta.
Toda uma produção supostamente teórica foi criada para justificar essa pletora estatal. Um exemplo é a obra de Karl Marx e seus discípulos, que radicalizaram na proposta de exercitar o poder no limite de todos virarem servos do Estado, renunciando à própria individualidade. Onde se construiu Estado sob a ótica marxista, eliminando o elemento natural da organização social, a sociedade das livres trocas, produziu-se a mais profunda escassez, a fome artificial, a pobreza desnecessária e por isso mais cruel. O caso atual da Venezuela é eloquente demais, fazendo lembrar o que houve na antiga URSS, em Cuba, na Coréia do Norte e em toda parte em que o credo marxista se fez presente. Sem esquecer a China de Mao Tse Tung, que matou muita gente de fome pelo artificialismo econômico.
Outra linha é a proposta por Keynes e seus apaixonados seguidores. Keynes se fez de sonso, esquecendo-se das lições que recebeu dos economistas clássicos. Viu falsamente que o Estado poderia interferir legitimando-se para combater as crises econômicas recorrentes. Crises são dados da realidade humana e não podem ser eliminadas com o voluntarismo, mas podem ser agravadas. No Ocidente, Keynes foi muito mais pernicioso do que Marx, pois sua obra influenciou a administração de praticamente todos os Estados nacionais contemporâneos. É o teórico preferido dos socialistas que empolgaram o poder em toda parte. Se tivesse um mínimo de senso não teria proposto a emissão de moeda falsa como caminho para superar a escassez. Moeda falsa nunca será transformada em maná. O keynesianismo é uma doença que está carcomendo todo o Ocidente.
O Estado se move como Poder e seus administradores querem apenas o poder. Se apossar de rendimentos é apenas uma consequência da posse do poder. Ocorre que os tempos de golpes de Estado para empossar novos príncipes já foram superados, com o triunfo da democracia moderna. Para se chegar ao poder é necessário cortejar as massas, que sempre invejaram aqueles que tinham renda estatal. Então os novos príncipes não têm pejo de propor a elas mais e mais serviços e rendimentos grátis, como se isso fosse possível. Estamos vendo agora a discussão sobre a Previdência Social no Brasil. A superação da sua crise se dará por cortes nos benefícios, pela elevação de contribuições e pela elevação da idade mínima, ou seja, seu financiamento só pode acontecer às custas dos próprios beneficiários. É simples assim.
O Estado é essa realidade organizacional construída verticalmente, que só sobrevive pelo poder de polícia e pelo poder militar. O braço estatal é sempre impiedoso contra aqueles que não cumprem a sua vontade, vale dizer, contra aqueles que infringem a lei. As distopias que visualizam o futuro próximo com a mais completa escravidão das pessoas relatam uma ameaça real. As novas tecnologias deram os meios para que o controle estatal alcance os recantos mais íntimos da vida das pessoas. As frestas de liberdade tendem rapidamente a desaparecer. Satã é o governante de fato dos reinos desse mundo.
Quem viver verá.”

www.nivaldocordeiro.net

sábado, 29 de dezembro de 2018

O valor sagrado da justiça


“Quero que me ensinem também o valor sagrado da justiça — da justiça que apenas tem em vista o bem dos outros, e para si mesma nada reclama senão o direito de ser posta em prática. A justiça nada tem a ver com a ambição ou a cobiça da fama, apenas pretende merecer aos seus próprios olhos. Acima de tudo, cada um de nós deve convencer-se de que temos de ser justos sem buscar recompensa. Mais ainda: cada um de nós deve convencer-se de que por esta inestimável virtude devemos estar prontos a arriscar a vida, abstendo-nos o mais possível de quaisquer considerações de comodidade pessoal. Não há que pensar qual virá a ser o prêmio de um ato justo; o maior prêmio está no fato de ele ser praticado. Mete também na tua idéia aquilo que há pouco te dizia: não interessa para nada saber quantas pessoas estão a par do teu espírito de justiça. Fazer publicidade da nossa virtude significa que nos preocupamos com a fama, e não com a virtude em si. Não queres ser justo sem gozares da fama de o ser ? Pois fica sabendo: muitas vezes não poderás ser justo sem que façam mau juízo de ti! Em tal circunstância, se te comportares como sábio, até sentirás prazer em ser mal julgado por uma causa nobre!”
(Sêneca, Cartas a Lucílio)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

O globalismo infiltrado no cristianismo


“Eu tenho que rir quando os líderes cristãos de hoje afirmam que “diversidade é força e divisão é fraqueza” quando o que ocorre é demonstrável e exatamente o oposto. Se em todas as aldeias e cidades européias existem medidas de proteção postas em prática para evitar que ataques terroristas terríveis ocorram nos mercados de Natal, como é que a diversidade é uma força? Nossos países não estão em perigo por causa daqueles “nazistas desagradáveis” que a mídia fica dizendo que causam “divisão”; nossas sociedades foram divididas pela imigração em massa e pela importação em massa de culturas hostis e pessoas que não têm interesse ou desejo em ver preservados nosso modo de vida e nossa cultura e muito menos nossa identidade étnica.
Não haverá cenário de cumbaiá com multiculturalismo e diversidade, só haverá conflitos, porque a natureza determina que diferentes grupos entram em conflito quando em proximidade. O ódio e o tribalismo são reações naturais a qualquer coisa que ameace o que você ama e o que você vê como sendo um perigo para a sobrevivência de si mesmo, sua família e seu grupo nacional/étnico.
O que eles chamam de "ódio" é essencialmente a percepção do que está sendo feito contra as nações ocidentais. Você deve permanecer dócil e apático. Atreva-se a sair do feitiço globalista lançado sobre você e será tachado como odiento, racista, intolerante etc.
O cristianismo não sobreviverá em uma sociedade assolada pela imigração em massa de não-cristãos, não sobreviverá em uma sociedade que está terminalmente doente com a doença do marxismo cultural. Líderes cristãos podem adotar o mantra do amor, da unidade e da irmandade dos homens o quanto quiserem; eles estão simplesmente facilitando a destruição de sua religião e cultura devido a um abjeto fracasso em entender as leis da natureza e o instinto tribalista humano.”
(Occidental Revival, em postagem no Facebook de 26.12.2018)