sábado, 29 de dezembro de 2018

O valor sagrado da justiça


“Quero que me ensinem também o valor sagrado da justiça — da justiça que apenas tem em vista o bem dos outros, e para si mesma nada reclama senão o direito de ser posta em prática. A justiça nada tem a ver com a ambição ou a cobiça da fama, apenas pretende merecer aos seus próprios olhos. Acima de tudo, cada um de nós deve convencer-se de que temos de ser justos sem buscar recompensa. Mais ainda: cada um de nós deve convencer-se de que por esta inestimável virtude devemos estar prontos a arriscar a vida, abstendo-nos o mais possível de quaisquer considerações de comodidade pessoal. Não há que pensar qual virá a ser o prêmio de um ato justo; o maior prêmio está no fato de ele ser praticado. Mete também na tua idéia aquilo que há pouco te dizia: não interessa para nada saber quantas pessoas estão a par do teu espírito de justiça. Fazer publicidade da nossa virtude significa que nos preocupamos com a fama, e não com a virtude em si. Não queres ser justo sem gozares da fama de o ser ? Pois fica sabendo: muitas vezes não poderás ser justo sem que façam mau juízo de ti! Em tal circunstância, se te comportares como sábio, até sentirás prazer em ser mal julgado por uma causa nobre!”
(Sêneca, Cartas a Lucílio)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

O globalismo infiltrado no cristianismo


“Eu tenho que rir quando os líderes cristãos de hoje afirmam que “diversidade é força e divisão é fraqueza” quando o que ocorre é demonstrável e exatamente o oposto. Se em todas as aldeias e cidades européias existem medidas de proteção postas em prática para evitar que ataques terroristas terríveis ocorram nos mercados de Natal, como é que a diversidade é uma força? Nossos países não estão em perigo por causa daqueles “nazistas desagradáveis” que a mídia fica dizendo que causam “divisão”; nossas sociedades foram divididas pela imigração em massa e pela importação em massa de culturas hostis e pessoas que não têm interesse ou desejo em ver preservados nosso modo de vida e nossa cultura e muito menos nossa identidade étnica.
Não haverá cenário de cumbaiá com multiculturalismo e diversidade, só haverá conflitos, porque a natureza determina que diferentes grupos entram em conflito quando em proximidade. O ódio e o tribalismo são reações naturais a qualquer coisa que ameace o que você ama e o que você vê como sendo um perigo para a sobrevivência de si mesmo, sua família e seu grupo nacional/étnico.
O que eles chamam de "ódio" é essencialmente a percepção do que está sendo feito contra as nações ocidentais. Você deve permanecer dócil e apático. Atreva-se a sair do feitiço globalista lançado sobre você e será tachado como odiento, racista, intolerante etc.
O cristianismo não sobreviverá em uma sociedade assolada pela imigração em massa de não-cristãos, não sobreviverá em uma sociedade que está terminalmente doente com a doença do marxismo cultural. Líderes cristãos podem adotar o mantra do amor, da unidade e da irmandade dos homens o quanto quiserem; eles estão simplesmente facilitando a destruição de sua religião e cultura devido a um abjeto fracasso em entender as leis da natureza e o instinto tribalista humano.”
(Occidental Revival, em postagem no Facebook de 26.12.2018)

domingo, 23 de dezembro de 2018

David Mourão-Ferreira: Ladainha dos Póstumos Natais


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multidão


“Se nós nada fizermos senão de acordo com os ditames da razão, também nada evitaremos senão de acordo com os ditames da razão. Se quiseres escutar a razão, eis o que ela te dirá: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multidão! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do espírito, que só servem para amolecer as energias; deixa a ambição que não passa de uma coisa artificialmente empolada, inútil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, tão interessada em não ter superiores como em evitar até os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. Vê como de fato é infeliz quem, objeto de inveja ele próprio, tem inveja por outros.
Não estás a ver essas casas dos grandes senhores, as suas portas cheias de clientes que se atropelam na entrada? Para lá entrares, terias de sujeitar-te a inúmeras injúrias, mas mais ainda terias de suportar se entrasses. Passa frente às escadarias dos ricos senhores, aos seus átrios suspensos como terraços: se lá puseres os pés será como estares à beira de uma escarpa, e de uma escarpa prestes a ruir. Dirige antes os teus passos na via da sapiência, procura os seus domínios cheios de tranquilidade, mas também de horizontes ilimitados. Tudo quanto entre os homens é tomado como coisa eminente, muito embora de valor reduzido e só notável em comparação com as coisas mais rasteiras, mesmo assim só é acessível através de difíceis e duros atalhos. A via que conduz ao cume da dignidade é extremamente árdua; mas se te dispuseres a trepar até estas alturas sobre as quais a fortuna não tem poder, então poderás ver a teus pés tudo quanto a opinião vulgar considera eminentíssimo, e desse ponto em diante o teu caminho será plano até ao supremo bem.”
(Sêneca, Cartas a Lucílio)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Escravos por natureza


"Um dos trechos mais odiados e vilipendiados da literatura filosófica é aquele parágrafo da Política no qual Aristóteles afirma, sem pestanejar, que alguns homens são escravos por natureza: ainda que você os liberte e os cubra de direitos civis, pouco a pouco voltarão à condição escrava, pois nasceram com espírito servil e nada poderá curá-los.
O que já se escreveu contra isso daria para lotar bibliotecas inteiras. Alguns vêem naquela afirmativa um sinal do autoritarismo congênito da tradição aristotélico-escolástica, que em boa hora Bacon e Descartes exorcizaram, abrindo as portas para a era da democracia e da liberdade. José Guilherme Merquior chega a celebrar essa mudança como um fato de dimensões antropológicas, no qual os seres humanos teriam passado de uma existência determinada pelo fatalismo irrecorrível aos bons tempos do “destino livremente escolhido” (comentarei um dia esse argumento, que me parece completamente maluco). Até os admiradores mais devotos de Aristóteles tentam atenuar as culpas do trecho vexaminoso, atribuindo-o a preconceitos de época pelos quais o filósofo não deve ser responsabilizado pessoalmente.
No entanto, cada vez mais a asserção de Aristóteles vai me parecendo uma verdade incontestável.
Comecei a pensar nisso quando, ao ler o resumo biográfico de Michel Foucault por Roger Kimball*, me ocorreu a pergunta fatal: Se ninguém é escravo por natureza, por que raios existem clubes de sadomasoquismo? O sujeito está bem de vida, é respeitado e paparicado, tem sua liberdade e uma boa renda anual asseguradas pelo Estado paternal, mas de vez em quando volta as costas a tudo isso e desembolsa uma quantia considerável para ser chicoteado, esbofeteado e humilhado por garotões musculosos vestidos com roupas de tiras de couro semelhantes em tudo às dos soldados romanos. Mais que a nostalgie de la boue, é a saudade da escravidão.
Estamos tão acostumados à idéia da condição escrava como um destino imposto de fora, que interpretamos a afirmativa de Aristóteles às avessas, entendendo-a no sentido moderno de um determinismo exterior, e a rejeitamos precisamente por isso. Mas a natureza de um ente, para o filósofo do Liceu, era o que havia nele de mais íntimo, encontrando sua expressão imediata e espontânea no desejo. Nada mais inevitável, portanto, que, numa sociedade da qual a escravatura desapareceu como instituição e onde todo desejo explícito de submissão é estigmatizado como baixeza indigna, o instinto escravo só subsista como fantasia sexual, provando por meios obscenos a existência daquilo que o senso das conveniências nega.
Mas há outra expressão desse instinto, mais visível e por isso mesmo ainda mais necessitada de camuflagem. As hordas de arruaceiros que hoje espalham o caos pelas ruas de Londres, como fizeram em Paris em 1968, em Oslo em 2009 e em dezenas de outras capitais do Ocidente em datas diversas, constituem-se daqueles indivíduos que, invariavelmente, prezam e enaltecem os governos mais tirânicos do mundo. Em Cuba, no Irã, no Zimbábue, no Sudão ou na China, aceitariam docilmente o trabalho escravo e, nas grandes festividades cívicas, cantariam louvores ao regime. Seriam modelos de conduta disciplinada. Soltos numa democracia moderna, tornam-se rancorosos e anti-sociais, desprezam a ordem constitucional que os protege, e, inflados de arrogância sem fim, saem derrubando e queimando tudo o que encontram em torno.
Que é isso? Mentalidade escrava. Inaptos para viver em liberdade, respeitam somente o chicote, que obedecem quando está perto e celebram em prosa e verso quando está longe.
Se há um instinto da escravidão, é lógico que ele determina somente condutas gerais e não a busca de uma posição social determinada. As formas da inferioridade variam nas diferentes estruturas sociais, mas um mero instinto não pode escolher as vias específicas pelas quais vai se expressar conforme as circunstâncias variadas de momento e lugar. O mesmo impulso que leva à submissão num país induz à revolta em outro. É por isso que há mais rebeldes nas nações livres e prósperas do que nos países mais miseráveis, governados pelos tiranos mais sangrentos. Miséria e opressão raramente produzem rebeliões. Uma ascensão social parcial, suficiente para prover o indispensável mas não para aplacar todas as ambições e todas as invejas – eis a fórmula infalível para a fabricação de uma massa de fracassados odientos. Mas, por definição, é impossível satisfazer a todas as ambições, que mudam de conteúdo conforme o progresso gera novas formas de riqueza e, com elas, novos motivos de frustração e inveja. Por isso, o crescimento da previdência social não produz nunca um ambiente de gratidão e paz: produz ódio, inveja e rancor em doses centuplicadas. O simples fato de receber assistência estatal faz o sujeito espumar de ódio a quem não precise dela. Na mentalidade escrava, essa reação é praticamente incoercível. O indivíduo que, na sua miserável nação de origem, pedia esmolas de cabeça baixa, é o mesmo que, transplantado a um ambiente de liberdade, democracia e assistencialismo estatal, recebe como um chamamento dos céus a convocação dos demagogos para um bom quebra-quebra em nome da “justiça social”.
Quando você ler num filósofo antigo alguma afirmação que choque as convenções modernas que você toma como verdades inabaláveis, refreie a pressa de explicá-la, com um reconfortante sentimento de superioridade, pelos preconceitos de uma época extinta. Verifique se não é você quem está projetando sobre ela uma interpretação anacrônica, colocando na boca do filósofo uma bobagem de sua própria invenção."

*http://uwacadweb.uwyo.edu/Ashleywy/foucault.htm
http://www.olavodecarvalho.org

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O estilo rebuscado é próprio das almas fúteis


“Quando vires alguém com um estilo rebuscado e cheio de adornos podes ter a certeza de que a sua alma apenas se ocupa igualmente de bagatelas. Uma alma verdadeiramente grande é mais tranquila e senhora de si a falar, e em tudo quanto diz há mais firmeza do que preocupação estilística. Tu conheces bem os nossos jovens elegantes, com a barba e o cabelo todo aparado, que parecem acabadinhos de sair da fábrica! De tais criaturas nada terás a esperar de firme ou sólido. O estilo é o adorno da alma: se for demasiado penteado, maquiado, artificial, em suma, só provará que a alma carece de sinceridade e tem em si algo que soa falso. Não é coisa digna de homens o cuidado extremo com o vestuário! Se nos fosse dado observar 'por dentro' a alma de um homem de bem — oh! que figura bela e venerável, que fulgor de magnificente tranquilidade nós contemplaríamos, que brilho não emitiriam a justiça, a coragem, a moderação e a prudência! E não só estas virtudes, mas ainda a frugalidade, o autodomínio, a paciência, a liberalidade, a gentileza e essa virtude, incrivelmente rara no homem, que é a humanidade — também estas fariam jorrar sobre a alma o seu sublime esplendor! E mais ainda, a presciência, o juízo crítico e, acima de todas, a magnanimidade — oh! deuses, quanta beleza, quanta severa dignidade não acrescentariam à figura, quanta autoridade e graça se não juntariam nela! Ninguém contemplaria tal figura sem a declarar tão digna de amor como de respeito.”
(Sêneca, Cartas a Lucílio)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Um cristianismo “desviado”


“A espiritualidade do Vaticano II é uma desviação da espiritualidade cristã. Com efeito, é completamente orientada para o homem e não, como a espiritualidade tradicional, para Deus.
A espiritualidade do Vaticano II é um “pentecostes” pelo avesso: enquanto no primeiro pentecostes o céu e o Espírito Santo se derramaram sobre a terra e sobre os apóstolos, durante o Vaticano II o céu retirou-se da terra, abandonou-a, porque o homem moderno e o clérigo modernista já tinham abandonado o Deus transcendente pelo homem “onipotente”. De fato, “Deus não abandona se primeiro não é abandonado” (Santo Agostinho, citado pelo Concílio de Trento).
Assistimos no pós-concílio a uma desviação ou desmoronamento do cristianismo, que de teocêntrico passa a ser antropocêntrico. O fim último do neo-cristianismo conciliar é a paz entre as nações, a união entre as religiões, o diálogo entre os homens, o bem-estar, a harmonia ecológica, não mais a paz entre o homem e Deus, o culto de Deus, a pregação do Evangelho a todas as nações.
As promessas do Vaticano II revelaram-se falsas e ilusórias, como as que faz Satã ou o mundo. Realmente, a partir de 1962: 1) no mundo reina a guerra; 2) o homem é explorado, não há trabalho nem aposentadoria, perdeu todo ideal, é transviado, desorientado e desesperado; 3) o Evangelho é ignorado e desprezado, os pastores envergonham-se dele ou o camuflam filantropicamente.
Hoje os pastores não sabem e não querem falar em nome de Deus, negligentes quanto às opiniões e aos falsos dogmas da modernidade. E não só isso: hoje, quem ensina a verdade corre o risco do martírio midiático, do linchamento cultural e clerical.
Quando os cristãos se deixam atrair pela moda do mundo e se curvam ante ela e as fábulas (“ad fabulas autem convertentur” 2ª Tim. 4,4) para não serem perseguidos, abandonaram a via régia da Santa Cruz, que é a única a conduzir ao céu. Entretanto, também a maior parte dos tradicionalistas o fez. Nossa época é, verdadeiramente, uma época apocalíptica e anticristã, mas há quem queira iludir-nos dizendo que tudo vai bem e que os compromissos fortalecem a Igreja… o ambiente eclesial  não compreende mais qual seja a estrada a percorrer para ir ao céu: a larga ou a estreita. E contudo, Nosso Senhor no-lo ensinou (Mt. 26, 14) e deu-nos o exemplo.
Paulo VI proclamou ao 7 de dezembro de 1965 (Discurso de encerramento do Concílio Vaticano II): “A Igreja do Concílio ocupou-se suficientemente do homem como se apresenta em nossa época. O homem todo ocupado de si mesmo, que se faz o centro de tudo e ousa ser o princípio e o fim último de todas as realidades”. Não obstante, todo o discurso é um hino e este homem que desejaria ocupar o lugar de Deus, assinala o primado da antropologia sobre a teologia, é blasfemo e luciferino. O Vaticano II não é explicável sem o influxo nele da ação preternatural de Satã e dos seus acólitos (judaísmo talmúdico, maçonaria, marxismo, freudismo, panteísmo..). Como pensar poder conciliar Deus e Lúcifer? É impossível.
Parece que à terceira tentação de Satã dirigida a Cristo: “Dar-te-ei todo o mundo se prostrado por terra me adorares” (Lc. 4, 6), o Vaticano II não respondeu como Cristo “Aparta-te, Satanás. Está escrito: Adorarás somente a Deus” (Lc. 4, 8), mas “Eis me a teus pés e aos pés do homem que despreza a Deus para ser admirado e acolhido por ti”.
O ensinamento do Vaticano II não é mais o Evangelho de Deus ao homem mas a mensagem do “homem ao homem” (assim disse Paulo VI, discurso em Belém, aos 6 de janeiro de 1964).
Mas que coisa é o homem? Para São Bernardo de Claraval o homem reduzido a sua dimensão terrena “é um sêmen fedorento, é um saco de esterco e será alimento dos vermes”, ao passo que para Paulo VI é tudo, é a nova divindade do mundo moderno que – com Cartésio, Kant e Hegel – põe o Eu no lugar de Deus. Disse, outrossim, Paulo VI: “Honra ao homem, honra à ciência (…) honra ao homem rei da terra e hoje príncipe do céu” (Discurso por ocasião do Angelus de 7 de fevereiro de 1971). O Evangelho, ao contrário, nos diz que o “Príncipe (não do céu mas) deste mundo é Satanás” (Jo. 12. 31; 14, 30; 31, 11).
Este é o resultado ruinoso do diálogo do Vaticano II com o mundo moderno, como o resultado do diálogo de Eva e Adão com a serpente infernal foi o pecado original. O velho axioma sobre o qual se baseia toda a espiritualidade cristã (patrística, escolástica e neo-escolástica) “Não se discute com Satã” está fora de moda: cumpre, ao contrário “aggiornarsi” e converter-se ao mundo que “está entregue ao poder do Maligno” (1 Jo. 5, 19); esquecendo-se de que “Amar o mundo significa odiar a Deus” (Tg. 4, 4).
Para o cristianismo a última esperança não morre jamais porque se funda em Deus onipotente e próvido, enquanto para Paulo VI “os povos olham para as Nações Unidas como para a última esperança de concórdia e paz” (Discurso por ocasião do Angelus de 7 de fevereiro de 1971) e por isso que em todo o mundo reina a discórdia e a guerra que ameaça tornar-se atômica e mundial (cf. Síria 2016). O Pe. Dossetti, que participou do Vaticano II como teólogo do cardeal Giacomo Lercaro, disse: “Se fracassa o Evangelho, temos a Constituição!” (Ritorno a Monte Sole. Attualitá e autenticitá di don Giuseppe Dossetti, in Conquiste del lavoro, 27 de outubro de 2012, a cura de F. Lauria). Assim, a esperança teologal e sobrenaturalmente cristã torna-se naturalmente e materialmente demo-cristã.
Por que Deus se incarnou? Não para estabelecer a paz entre as nações, que é uma utopia. Não para eliminar a pobreza e a doença do mundo, outra utopia. Não para dar a saúde, o bem-estar, ao homem neste mundo, mas no céu.
A crise do ambiente eclesial hoje é gravíssima, mas Jesus vencerá também esta como venceu sempre. Nós devemos fazer nossa pequena parte: oração e penitência.”

http://santamariadasvitorias.org

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

A mente do coletivista


“A FSP informa que Jair Bolsonaro já nomeou metade de seus ministros, mas nenhum deles é do Norte-Nordeste. E o faz em tom de "denúncia". O autor da matéria é Gustavo Maia, o mesmo que em 5 de novembro "denunciou" que todos os membros da equipe de transição eram homens.
A mente do coletivista é interessantíssima. Extrapolando o conceito de consciência de classe, o coletivista do século XXI só consegue raciocinar em termos de grupos, categorias ou classes. A sociedade, assim, seria o ajuntamento não de indivíduos e famílias, mas de milhares de pequenos sindicatos de gente que nunca se viu nem se conheceu, mas que rema unida pelo fato de partilharem não só uma declaração de renda similar, mas também um local de nascimento, uma determinada cor de pele, um gênero ou uma orientação sexual.
Logo, o coletivista espera genuinamente que eu, sendo homem, branco, heterossexual e paulistano, direcione todos os meus atos a defender essa específica classe de seres humanos parecidos comigo, e a atacar gratuitamente qualquer um que não seja meu próprio reflexo no espelho. Assim é que o Neymar é mais rico e mais famoso que a Marta não porque em boa parte do mundo as pessoas estão mais dispostas a pagar pra assistir homens, e não mulheres, jogando futebol, e sim porque em algum momento o sindicato dos homens se reuniu e decretou em ata que, a partir daquele momento, todos iriam sabotar o esporte feminino em detrimento do masculino. E se porventura a maioria das mulheres também prefere ver o Neymar à Marta jogando, e se a maioria das mulheres vota em candidatos homens, mesmo tendo à disposição candidaturas de outras mulheres para escolher, é porque foram coagidas pelo sindicato dos homens, também conhecido por "patriarcado". Aliás, o pouco interesse que grande parte das mulheres naturalmente nutre pelos dois assuntos (futebol e política) só pode ser uma construção social, um veneno inoculado pelos homens na cabecinha de cada menina desde a mais tenra idade, cabendo aos bondosos engenheiros sociais a tarefa de "desconstruir" paradigmas forçando uma igualdade que as próprias partes supostamente beneficiadas nunca pediram.
Evidentemente o coletivista é muito seletivo quanto aos setores em que quer impor suas "cotas" de representatividade. 99% dos pedreiros são homens, mas o coletivista não tem interesse em equalizar as chances das mulheres nessa área. Interessam posições de poder apenas.
Obviamente ninguém nunca explicou a vantagem concreta de se impor representatividade em cargos de chefia. Ninguém nunca se deu ao trabalho de elaborar porque uma mulher, um negro, ou um gay, ou qualquer membro de qualquer minoria imaginável, é objetivamente um líder melhor que, digamos, um homem branco. Trata-se de um daqueles truísmos politicamente corretos que você deve aceitar bovinamente como auto-demonstrável, e evitar questionar a menos que queira ser taxado como misógino, supremacista branco ou homofóbico.
Se tivesse que escolher, o coletivista preferiria afundar o país com um governo que representasse as minorias de acordo com o censo do IBGE, que prosperar com um governo em que as minorias que ele cafetina não estivessem representadas, ainda que, na prática, essas minorias fossem beneficiadas por essa prosperidade. O gabinete de Trump, por exemplo, é composto por 16 pessoas, sendo 15 secretários (equivalentes aos nossos ministros) e mais o vice-presidente. 4 são da Florida, 2 são de Indiana, só um é da California (o estado mais rico) e não há ninguém de Nova Iorque ou do Texas, também estados ricos e populosos. Apenas 3 são mulheres, a despeito de elas serem 51% da população. Apenas um é negro, apesar de 12% da população daquele país ser negra. Mas gente comum está pouco se lixando se os secretários de Trump são homens, mulheres ou cosplays do Pablo Vittar, porque a taxa de desemprego do país é a menor em 49 anos, as Forças Armadas estão sendo reequipadas com um orçamento extra de US$ 700 bilhões e o crime está em franca queda.
TODOS estão vivendo melhor, e pra gente normal é isso que interessa. Menos para os engenheiros sociais. Esses não vão descansar enquanto não formos todos iguais. Mesmo que pra isso precisemos nos tornar igualmente miseráveis.”
(Rafael Rosset, em postagem no Facebook de 21.11.2018)

Previsão da Europa


"Ouvi, ainda, outra parábola: Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe.
E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos.
E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um, mataram outro, e apedrejaram outro.
Depois enviou outros servos, em maior número do que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo.
E, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho.
Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança.
E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram.
Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?
Dizem-lhe eles: Dará afrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos.
Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, E é maravilhoso aos nossos olhos?
Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos.
E, quem cair sobre esta pedra, despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.”
(Mateus 21, 33-44)