terça-feira, 2 de outubro de 2018

Luis de Góngora y Argote: Enquanto, ao Competir com Teu Cabelo

Enquanto, ao competir com teu cabelo,
ouro brunido ao sol deslumbra em vão;
enquanto com desprezo ao rés-do-chão
olha tua alva frente o lírio belo;

enquanto atrás do lábio, por querê-lo,
mais olhos que da rosa agora vão;
e enquanto triunfa com afetação
do luzente cristal teu ser de gelo;

goza gelo, cabelo, lábio e frente,
antes que esta que foi hora dourada
– ouro, lírio, rosal, cristal luzente –

não só em prata ou flor estiolada
se torne, mas tu e tudo juntamente
em terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada.


Tradução de Érico Nogueira

sábado, 29 de setembro de 2018

As mentiras do Alcorão


“O Alcorão supostamente é a palavra perfeita de Deus, mas não leva muito tempo para descobrirmos uma miríade de mentiras, imprecisões históricas, fábulas roubadas da literatura judaica e declarações sem sentido.
Considere o seguinte, por exemplo:
1. Na Sura 41: 9-12 Allah afirma ter feito o nosso planeta Terra em primeiro lugar e depois o sol e outras estrelas. Isso é claramente falso pois sabemos que a Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos e o Universo cerca de 13,7 bilhões;
2. A Sura 78: 6-7 declara que Allah colocou montanhas na Terra para estabilizá-la e impedi-la de tremer, mas as montanhas são o resultado de instabilidade quando placas tectônicas colidem ou vulcões entram em erupção;
3. Na Sura 28: 9 somos informados de que a esposa do Faraó descobriu Moisés no rio. Mas a história demonstra que foi a filha de Faraó quem tirou Moisés do rio;
4. Confundindo genealogia, a Sura 19:28 afirma que Maria, mãe de Jesus, era a irmã de Aarão e a Sura 3:35 afirma que a mãe de Maria foi casada com Imran, o pai de Aarão. Moisés e Aarão viveram cerca de 1400 anos antes de Maria e assim a Sura 19:28 é um absurdo;
5. A Sura 5: 116 sugere que os cristãos adoram Maria como uma parte da Santíssima Trindade. No entanto não há nada no cânone da literatura cristã que coloca Maria na Trindade;
6. Enquanto isso a Sura 21: 51-71 apresenta uma fábula judaica a partir do segundo século com base em um erro de transcrição feita por um escriba hebreu chamado Jonathan Ben Uziel. Ele escreveu a palavra “or”, que significa fogo, em vez de “ur” o lugar de onde saiu Abraão. Daí a história apresentar Abraão saindo do fogo;
7. Em um caso clássico de reescrever a história, a Sura 37: 99-113 relata a história de como Allah pede a Abraão para sacrificar seu filho para testar sua lealdade a Deus. Ao contrário do relato de Gênesis nos capítulos 21-22, onde Abraão envia Hagar e Ismael embora depois de Isaac nascer, o Alcorão afirma que Isaac foi o único nascido depois de Abraão ser convidado a sacrificar seu filho Ismael. Esta reescrita é uma tentativa de levantar Ismael acima de Isaac em importância.
A partir desses poucos exemplos, só podemos concluir que se o Alcorão é a palavra perfeita de Allah, então Allah não é o Deus criador pois não faria tais erros elementares. Claro, qualquer crítica a Allah, ao Alcorão ou ao profeta pode ser fatal.”

http://logosapologetica.com

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Cai em Roma o teto da igreja titular do Cardeal Coccopalmerio


"Se tens duvidado de nossa tese de que a Igreja do Vaticano II está implodindo, agora podemos oferecer uma confirmação literal disso. Informa-se na mídia italiana e internacional que o teto da igreja de São José Artesão (San Giuseppe dei Falegnami), em Roma, caiu. Esta igreja foi construída sobre a chamada Prisão Mamertina, onde os Santos Pedro e Paulo estiveram encarcerados antes de seus respectivos martírios. Mais interessante ainda é que esta é a igreja titular do Cardeal Francesco Coccopalmerio.
Um artigo inicial da Reuters afirma: "O teto de uma igreja construída sobre uma antiga prisão na qual se diz que esteve preso São Pedro antes de sua crucificação caiu na quinta-feira em Roma. Não há notícia de feridos." A foto mostrada acima foi publicada pelo site italiano askanews.it. (...)
O Pe. Cocopalmerio, agora com 80 anos, foi criado cardeal Novus Ordo por Bento XVI em 2012 e se aposentou no princípio deste ano como presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos. Coccopalmerio é um notório defensor de Amoris Lætitia, sugeriu que os sacramentos não deveriam ser considerados válidos ou inválidos, e foi notícia em 2017 quando seu secretário, um tal Mons. Luigi Capozzi, foi preso pela polícia do Vaticano por "organizar uma orgia homossexual na qual se consumiu cocaína em um apartamento dentro de um edifício exatamente ao lado da Basílica de São Pedro". Ontem mesmo foi revelado que o Papa Francisco "havia sido informado com antecedência por alguém sobre os problemas de Luigi Capozzi", mas de qualquer modo permitiu-lhe ter o apartamento próximo a São Pedro."

https://caballerodelainmaculada.blogspot.com

domingo, 23 de setembro de 2018

Os católicos liberais e a falência do estado laico


“Diante do avanço da legislação anticristã no Brasil, as lideranças dos diversos grupos religiosos estão em busca de um entendimento para empreender uma reação comum e impedir a aprovação de leis que agridem a consciência moral da imensa maioria da população brasileira. Em princípio, essa atitude poderia ser compreensível e louvável, contanto que observadas todas as regras da prudência para afastar qualquer perigo de um falso ecumenismo e irenismo.
Mas há uma coisa que merece reparo nessa frente ampla das “religiões” contra as forças maçônicas a serviço do Reino do Anticristo e da Sinagoga de Satanás. É que no embate com o inimigo, quando este defende sua plataforma política contra o Direito Divino e Natural e recusa uma interferência das religiões nos debates em curso no Congresso Nacional argumentando que o Estado brasileiro é laico, os representantes da frente ampla das religiões, principalmente os católicos liberais, saem em defesa do Estado laico dizendo que os verdadeiros inimigos deste são os políticos ateus ou agnósticos que se mostram intolerantes e incapazes de manter um diálogo democrático com seus adversários.
Dizem também os parlamentares da frente ampla das religiões que os seus adversários estão esquecidos de que o Brasil não é um Estado ateu, visto que no preâmbulo da Constituição Federal se diz que os representantes do povo brasileiro promulgam a carta magna sob a proteção de Deus. E argumentam que Estado laico significa que o Estado não sofre uma incidência direta das instituições religiosas em sua organização.
Na minha opinião, toda essa arenga é um paralogismo, se não for, de fato, um sofisma.
Com efeito, a invocação de Deus é anulada pelo princípio da soberania popular consagrado nas constituições de todas as repúblicas modernas nascidas da Revolução Francesa. Deus, nas constituições modernas, não significa nada, ainda mais quando se sabe que, conforme o direito político moderno, o Estado resulta de um contrato social. Soberano é o indivíduo que se põe no lugar de Deus. Não prevalece o princípio de que Deus criou o homem como ser naturalmente social.
Como deputados constituintes, os representantes do povo não declaram que querem organizar o Estado conforme a lei de Deus ou da santa religião. Portanto, a invocação de Deus (ou do Grande Arquiteto) na Constituição Federal não passa de um artifício para selar um compromisso político ou tranquilizar as consciências que ainda tenham algum sentimento religioso.
Quanto à argumentação de que Estado laico significa apenas que o Estado não sofre incidência direta das instituições religiosas em sua organização, os erros implicados nesta afirmação são mais insidiosos e difíceis de ser compreendidos pelas pessoas mais simples.
Neste ponto, os católicos liberais agem com manifesta má-fé. Porque querem dizer que Estado laico se opõe a Estado teocrático, ou seja, o Estado dominado por uma casta sacerdotal. Isto é falso. O Estado laico (condenado reiteradamente pelo magistério da Igreja e aceito pelo Vaticano II), opõe-se, na história do ocidente, ao Estado confessional, sempre defendido pela Igreja como o único Estado legítimo, conforme o plano de Deus que criou o homem para viver como membro de duas sociedades perfeitas, distintas, mas em harmonia: a sociedade civil e a sociedade eclesiástica, aquela subordinada a esta, indiretamente, nas questões de interesse para a salvação eterna. Estado confessional não é a mesma coisa que estado teocrático.
Ao contrário, o argumento dos católicos liberais da frente ampla das religiões reduz a Igreja a uma instituição de direito privado que teria direito, como qualquer outra instituição, a fazer-se ouvir no Congresso Nacional. Será que esses católicos liberais não sabem que a lógica do Estado laico é que a religião é assunto privado e a tal âmbito deve restringir-se e que o Estado só cuida da esfera pública, ou seja, daquilo que é do interesse de todos enquanto membros do Estado laico, não enquanto católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos, espíritas etc?
Na verdade, o que falta aos católicos liberais é a honestidade de reconhecer que o Estado laico é uma agressão contra a sociedade civil majoritariamente católica, porque é um ordenamento jurídico, uma estrutura burocrática, que se sobrepõe à sociedade não para servi-la mas para oprimi-la.
Não procede o argumento de que Estado laico significa dizer que o Estado não manda na Igreja e a Igreja não manda no Estado, mas que tal separação não impede que haja colaboração e boa convivência entre ambas as esferas.
Acabo de ler um artigo interessantíssimo do The Economist (traduzido pel’O Estado de S. Paulo) a respeito da expansão do Islão sobre a Europa e os vários problemas surgidos. A matéria diz que o Reino da Bélgica (que adota o modelo de Estado laico propugnado pelos católicos liberais) subsidia o culto e o ensino religioso nas escolas públicas e o Islão tem sido beneficiado: mais de metade dos imãs é remunerada pelo governo e metade das crianças belgas opta por aulas do Corão! A França, mais fiel à tradição republicana de um laicismo radical que estabelece uma separação total entre religião e estado, vê-se agora obrigada, pelas palavras do primeiro-ministro Manuel Valls, a promover o estudo da religião islâmica sob a supervisão da República Francesa, a fim de impedir que entre em seu território uma teologia islâmica incompatível com os “valores” da sociedade secular.
Como se pode ver pela notícia acima, o Estado laico será destruído pelas suas próprias mentiras e irresponsabilidades. A Bélgica promove, suavemente, sua própria islamização; dentro de alguns anos deixará de ser um reino laico ao gosto dos católicos adeptos da Dignitatis Humanae do Vaticano II para transformar-se em república islâmica, talvez teocrática. A França, mais pretensiosa em sua temeridade maçônica, tenta influenciar os estudos teológicos corânicos como o fez com a teologia católica na época da Revolução.
Tudo indica, porém, que a Bélgica e a França, como de resto toda a União Européia, morrerão pela força do veneno que engoliram. Merecido castigo.
Conta-se que o príncipe Filipe Von Hessen fez mais pela causa protestante que milhares de livros do doutor Martinho Lutero. Hoje, os católicos da declaração Dignitatis Humanae, os católicos da frente ampla das religiões, fazem muito mais pela causa secularista do que todos os escritores e panfletários da ideologia do gênero. Fazem mais do que todos os imãs pelo avanço do Crescente sobre toda a antiga cristandade.”

http://santamariadasvitorias.org

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A culpa de Bento XVI


"Não é a primeira vez que leio como o "pobre" Bento está sendo vítima de uma situação que ele mesmo contribuiu para criar. Permitam-me abrir os olhos grandes e azuis de algumas pessoas à realidade.
Bento, sempre o homem de meias medidas, ordena que McCarrick se aposente para uma vida de oração e penitência, mas não é homem o bastante para divulgar amplamente este fato. É difícil tanto se aposentar para uma vida de penitência em segredo, como fazer cumprir uma ordem tão estranha. Também não surpreende que tais "ordens" sejam então regularmente desobedecidas, pois não pode haver muita disciplina quando a pessoa no comando não tem a coragem de fazê-las cumprir. Mas sério: aquele que ordena uma punição da qual não quer que o mundo saiba está claramente não ordenando, mas miando. Especialmente quando se sabe como o homem é fraco em fazer cumprir qualquer coisa, do Summorum Pontificum à lealdade de seus próprios subordinados.
Bento também é, embora sem a intenção maldosa de um Francisco, parte do problema. O próprio pensamento de que um cardeal com uma longa história de décadas de comportamento homossexual não seja usado como exemplo diante do mundo inteiro, dando o tom de como as coisas devam ser feitas, dá idéia da falta de efetividade – não; completa falta de virilidade – desse homem.
Também se quisermos falar dos que "sabiam e não fizeram nada", reflitamos sobre isto: quando Bento recebeu o famoso relatório de 300 páginas sobre homossexualidade – um relatório cuja importância só agora começamos a perceber – ele era basicamente o homem mais informado na Igreja inteira sobre o flagelo homossexual que a está devastando.
O que ele fez então foi, na verdade, pior do que não ter feito nada: fugiu do seu posto sabendo – porque leu o relatório e estava muito mais informado que qualquer um de nós – que seu sucessor seria provavelmente ou um dos membros da máfia homossexual ou uma de suas marionetes. Depois elogiou o homem que elegeram.
Por favor, parem de defender esse homem apenas porque ele parece tão indefeso e não é um sujeito de mau caráter: os eventos que agora se desenrolam sob nossos olhos tornam perfeitamente claro que Bento sabia do tamanho do mal homossexual ao seu redor, e a única coisa que ele foi capaz de opor foram "punições secretas" ou a deserção absoluta.
Bento é indefensável, e o único aspecto positivo de sua situação é que, tendo validamente resignado, não pode ser reinstalado no trono papal, permitindo-o assim fazer mais dano por completa fraqueza e espírito gregário alemão.
Bento, também, deveria usar o tempo que lhe resta para se afastar para uma vida de oração e penitência, e evitar qualquer entrevista elogiadora de Francisco; refletindo sobre o enorme mal que sua covardia infligiu em todos nós e na Igreja de Cristo."

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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Nascimento de novilha vermelha em Israel reacende debate sobre 3º Templo


“Esta semana, o Instituto do Templo de Jerusalém anunciou o nascimento de uma novilha vermelha. Segundo os rabinos do centro teológico, este é um pré-requisito para a retomada dos sacrifícios no Templo, pois suas cinzas são usadas em rituais de purificação descritos no Livro de Números.
Cerca de três anos atrás, o Instituto do Templo – organização que dedica-se à preparação do Terceiro Templo e segue à risca todos os preceitos da lei sacerdotal – iniciou um programa para gerar uma novilha vermelha de acordo com os requisitos bíblicos. Eles importaram dezenas de embriões da raça red angus e implantaram em vacas selecionadas.
Após uma série de insucessos, pois a novilha do padrão veterotestamentário não pode ter nenhuma mancha de outra cor, no dia 28 de agosto nasceu um animal que foi considerado “aceitável” por uma comissão de rabinos que examinaram o animal.
Embora eles saibam que a novilha, como aconteceu com outras no passado, possa apresentar mudanças na coloração do pelo, a expectativa é que o animal seja a retomada de um processo que não se vê em Israel desde a destruição do Segundo Templo, no ano 70.
Portanto, a novilha passará por exames periódicos até a idade adulta, explica uma nota do Instituto. Seus fundadores sempre defenderam que é preciso que assim que tudo estiver “pronto”, o Messias virá. A ausência de uma novilha que siga especificamente os requerimentos sempre foi um empecilho.
Segundo o mandamento de Números 19:2, os israelitas deveriam oferecer “uma novilha vermelha, sem defeito e sem mancha, sobre a qual nunca tenha sido colocada uma canga” para o sacrifício que geraria a chamada “água da purificação”.
Pela tradição rabínica, a vinda do Messias está intimamente relacionada com a reconstrução do Terceiro Templo em Jerusalém, no alto do Monte Moriá, onde hoje estão duas mesquitas. Atualmente, os judeus podem subir ao local, mas estão proibidos de fazerem orações ali.
Nas últimas décadas, todas as peças do Templo, segundo a instrução bíblica, foram refeitas pelo Instituto do Templo, incluindo o treinamento de sacerdotes para a restauração dos sacrifícios.”

https://noticias.gospelprime.com.br

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Lamentação de Jó


"Pereça o dia do meu nascimento e a noite em que se disse: 'Nasceu um menino!'
Transforme-se aquele dia em trevas, e Deus, lá do alto, não se importe com ele; não resplandeça a luz sobre ele.
Chamem-no de volta as trevas e a mais densa escuridão; coloque-se uma nuvem sobre ele e o negrume aterrorize a sua luz.
Apoderem-se daquela noite densas trevas! Não seja ela incluída entre os dias do ano, nem faça parte de nenhum dos meses.
Seja aquela noite estéril, e nela não se ouçam brados de alegria.
Amaldiçoem aquele dia os que amaldiçoam os dias e são capazes de atiçar o Leviatã.
Fiquem escuras as suas estrelas matutinas, espere em vão pela luz do sol e não veja os primeiros raios da alvorada, pois não fechou as portas do ventre materno para evitar que eu contemplasse males.
Por que não morri ao nascer e não pereci quando saí do ventre?
Por que houve joelhos para me receberem e seios para me amamentarem?
Agora eu bem poderia estar deitado em paz e achar repouso junto aos reis e conselheiros da terra, que construíram para si lugares que agora jazem em ruínas, com governantes que possuíam ouro, que enchiam suas casas de prata.
Por que não me sepultaram como criança abortada, como um bebê que nunca viu a luz do dia?
Ali os ímpios já não se agitam, e ali os cansados permanecem em repouso; os prisioneiros também desfrutam sossego, já não ouvem mais os gritos do feitor de escravos.
Os simples e os poderosos ali estão, e o escravo está livre do seu senhor.
Por que se dá luz aos infelizes, e vida aos de alma amargurada, aos que anseiam pela morte e esta não vem, e a procuram mais do que a um tesouro oculto, aos que se enchem de alegria e exultam quando vão para a sepultura?
Por que se dá vida àquele cujo caminho é oculto e a quem Deus fechou as saídas?
Pois me vêm suspiros em vez de comida; meus gemidos transbordam como água.
O que eu temia veio sobre mim; o que eu receava me aconteceu.
Não tenho paz, nem tranquilidade, nem descanso; somente inquietação."
(Livro de Jó, 3; 1-26)

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O socialismo é o irmão mais jovem do despotismo


"O socialismo é o fantasioso irmão mais jovem do quase decrépito despotismo, do qual quer herdar; suas aspirações, são, portanto, no sentido mais profundo, reacionárias. Pois ele deseja uma plenitude de poder estatal como só a teve alguma vez o despotismo, e até mesmo supera todo o passado por aspirar ao aniquilamento formal do indivíduo: o qual lhe aparece como um injustificado luxo da natureza e deve ser transformado e melhorado por ele em um órgão da comunidade adequado a seus fins.
Em virtude de seu parentesco, ele aparece sempre na proximidade de todos os excessivos desdobramentos de potência, como o antigo socialista típico, Platão, na corte do tirano siciliano: ele deseja (e propicia sob certas cirscunstâncias) o Estado ditatorial cesáreo deste século, porque, como foi dito, quer ser seu herdeiro.
Mas mesmo essa herança não bastaria para seus fins, ele precisa da mais servil submissão de todos os cidadãos ao Estado incondicionado como nunca existiu algo igual; e como nem sequer pode contar mais com a antiga piedade religiosa para com o Estado, mas antes, sem querer, tem de trabalhar constantemente por sua eliminação – a saber, porque trabalha pela eliminação de todos os Estados vigentes -, só pode ter esperança de existência, aqui e ali, por tempos curtos, através do extremo terrorismo.
Por isso prepara-se em surdina para dominar pelo pavor e inculca nas massas semicultas a palavra ‘justiça’ como um prego na cabeça, para despojá-las totalmente de seu entendimento (depois que esse entendimento já sofreu muito através da semicultura) e criar nelas, para o mau jogo que devem jogar, uma boa consciência.
O socialismo pode servir para ensinar, bem brutal e impositivamente, o perigo de todos os acúmulos de poder estatal e, nessa medida, infundir desconfiança diante do próprio Estado.
Quando sua voz rouca se junta ao grito de guerra ‘o máximo possível de Estado’, este, em um primeiro momento, se torna mais ruidoso que nunca. Porém logo irrompe também o oposto, com força ainda maior: ‘o mínimo possível de Estado’."
(Friedrich Nietzsche, Menschliches, Allzumenschliches)

sábado, 8 de setembro de 2018

Discurso de ódio e hipocrisia


"O escrutínio das causas que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff ainda não mereceu consideração nas avaliações internas do seu partido. Depoimentos só foram prestados e confissões só foram ouvidas em processos de colaboração premiada. O que mais aparece no noticiário é uma vitimização atacando o que denomina “discurso de ódio”, ante o qual o partido e suas iniciativas seriam vítimas indefesas e consternadas.
Entre as vantagens que advêm dos meus 73 anos, incluo, sem dúvida, o acompanhamento ao vivo da política nacional durante largo período de tempo. A isso agrego o fato de ser colunista de jornais ao longo das últimas três décadas e meia. Se houve um traço nítido na ação política do PT durante esse período, foi, precisamente, a incitação ao ódio em pluralidade de formas e expressões.
Quase como parte de minha atividade cotidiana acompanhei o surgimento e o crescimento desse partido, mas qualquer um que já tenha idade para estacionar em vaga de idoso também assistiu a tudo. Observei a natureza das ações, o trabalho de organização dos movimentos sociais, o lado trotskista que reconhecia a centralidade da política, e o diálogo com organizações da luta armada (as tais frentes de “libertação nacional” em países da América do Sul, na América Central e na África).
Em todas as atividades compareciam, sempre, os elementos apontados por José Hildebrando Dacanal em “A Nova Classe - o governo do PT no Rio Grande do Sul". São eles: 1) a culpa é do sistema; 2) a sociedade tem que se revoltar; 3) os que se revoltarem votarão em nós; 4) a solução virá com a revolução socialista que nós faremos. Cada passo dessa sequência não envolve qualquer generosa declaração de amor, mas exige a construção do antagonismo e a percepção do ódio como instrumento de luta.
Coerentemente, então, foram décadas de louvação a um homicida furioso como Che Guevara, para quem “O ódio é o elemento central de nossa luta! Ódio é tão violento que impulsiona o ser humano além de suas limitações naturais, convertendo-o em uma máquina de matar com violência e a sangue frio”. Não pensava diferente outro ícone frequentemente lembrado. Carlos Marighella, em seu minimanual do guerrilheiro urbano alerta que o guerrilheiro somente poderá sobreviver se estiver disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão e se for verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, dos latifundiários, e dos imperialistas. Não, a adoção de modelos não é uma tarefa inconsequente.
Como produto, a violência foi se tornando rotineira. Todo um divisionismo foi minuciosamente semeado entre raças, etnias, sexos, gerações, grupos e classes sociais. Gradualmente, num crescendo, desencadearam-se as invasões de propriedades rurais seguidas de corredor polonês para retirada dos proprietários, as destruições de patrimônio, as invasões de parlamentos e prédios públicos, os enfrentamentos às autoridades policiais, os trancamentos de rodovias e queimas de pneus, as destruições de lavouras, os black blocs, as campanhas pela mudança de nomes de ruas e todas as ações voltadas para o quanto pior melhor.
Não preciso que alguém me descreva os danos causados pelo ódio dentro de uma sociedade. Eu vi isso acontecer. Eu o rejeitei então e o rejeito agora. Ele não se confunde com a indignação contra a injustiça, contra o mal feito, nem com a denúncia do malfeitor. O que refugo, por absolutamente hipócrita, é a denúncia do “discurso de ódio” formulada como escudo protetor de quem dele se serviu para suscitar tanta divisão, antagonismo e malquerença no ambiente social e político brasileiro!"

http://www.puggina.org

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A ponta do iceberg


“Corrija-me se estiver errado, mas tanto quanto me lembro o então Cardeal Ratzinger publicou uma nova disciplina para casos de suspeita de pedofilia em ou cerca de 2000 ou 2002. A nova disciplina ordenava que todos os casos de suspeita de pedofilia fossem levados a Roma, para lá serem investigados longe da proteção permitida pelos poderes locais.
Agora mova o olhar para a Pensilvânia, e deixe que descanse de um extremo ao outro do mar (ou, se preferir, sobre toda a frutada planície). É óbvio que a Pensilvânia não é uma ilha, completamente separada do que acontece no restante do País. PA deve ser talvez a ponta de um enorme iceberg.
Reflitamos agora por um momento: quantos casos de desobediência à regra de Ratzinger devem ter acontecido neste tempo? Quantos Bispos devem estar envolvidos? Quantos deles se tornaram Arcebispos, ou Cardeais? Quantos deles são homossexuais, ou foram chantageados por aqueles que são?
E sejamos claros em uma coisa: se pensamos que o problema tinha sido em sua maior parte erradicado dez a quinze anos atrás, mas então descobrimos que não foi isso que aconteceu, quantos outros casos devem estar acontecendo agora, enquanto escrevo?
Onde existem padres homossexuais, devem existir padres pedófilos, pois mesmo que nem todo homossexual seja pedófilo, a maioria dos pedófilos é homossexual. Tem diminuído o número de padres homossexuais nos últimos quinze anos? Pode alguém dizer que o fenômeno do sacerdócio homossexual foi erradicado? O tão amistoso padre de paróquia na igreja perto de você dá a impressão de ter a necessária dose de testosterona? Penso que não...
Começo a suspeitar de que a organização da Igreja nos EUA (e em sabe-se lá quantos outros países) abriga uma vasta rede de pedófilos operando tanto nas sombras como à meia-luz, e com muitos que deveriam ver sendo incompetentes demais para ver, ou covardes demais para fazerem alguma coisa, ou eles próprios chantageados.
Digamos, como exemplo, que um Cardeal (digamos, também como exemplo: Wuerl) não seja pedófilo, mas homossexual. Ele sabe que pode ser esmagado a qualquer momento. Ele se depara com pedófilos entre os de sua mesma tribo. Será ele um infatigável perseguidor de molestadores de crianças? Ou ele se limitará a fazer o mínimo indispensável para ter alguma defesa no futuro, enquanto evita sua própria queda pelas mãos da camarilha pedófila? Quantas situações como esta devem existir por todo o Ocidente, se considerarmos o número de pessoas em púrpura e vermelho que clara e legitimamente podemos ver como suspeitas de homossexualidade? Pode-se realmente pensar que, digamos, o Cardeal Coccopalmerio é normal?
E que dizer do ex-Arcebispo de Buenos Aires? Sua conduta enquanto esteve lá, e antes de estar lá, era acima de qualquer suspeita? Penso que não...
Não. Este problema não pode ser resolvido pelas mesmas pessoas que o criaram. Precisamos ver padres, bispos e cardeais culpados apodrecendo na cadeia.
Isto poderá, com o tempo, ser dissuasão suficiente. Então quando as estruturas oficiais se tornarem tão corruptas que não puderem mais ser reformadas a partir de dentro, a Providência fornecerá o modo como poderão ser reformadas a partir de fora.”

https://mundabor.wordpress.com