quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A culpa de Bento XVI


"Não é a primeira vez que leio como o "pobre" Bento está sendo vítima de uma situação que ele mesmo contribuiu para criar. Permitam-me abrir os olhos grandes e azuis de algumas pessoas à realidade.
Bento, sempre o homem de meias medidas, ordena que McCarrick se aposente para uma vida de oração e penitência, mas não é homem o bastante para divulgar amplamente este fato. É difícil tanto se aposentar para uma vida de penitência em segredo, como fazer cumprir uma ordem tão estranha. Também não surpreende que tais "ordens" sejam então regularmente desobedecidas, pois não pode haver muita disciplina quando a pessoa no comando não tem a coragem de fazê-las cumprir. Mas sério: aquele que ordena uma punição da qual não quer que o mundo saiba está claramente não ordenando, mas miando. Especialmente quando se sabe como o homem é fraco em fazer cumprir qualquer coisa, do Summorum Pontificum à lealdade de seus próprios subordinados.
Bento também é, embora sem a intenção maldosa de um Francisco, parte do problema. O próprio pensamento de que um cardeal com uma longa história de décadas de comportamento homossexual não seja usado como exemplo diante do mundo inteiro, dando o tom de como as coisas devam ser feitas, dá idéia da falta de efetividade – não; completa falta de virilidade – desse homem.
Também se quisermos falar dos que "sabiam e não fizeram nada", reflitamos sobre isto: quando Bento recebeu o famoso relatório de 300 páginas sobre homossexualidade – um relatório cuja importância só agora começamos a perceber – ele era basicamente o homem mais informado na Igreja inteira sobre o flagelo homossexual que a está devastando.
O que ele fez então foi, na verdade, pior do que não ter feito nada: fugiu do seu posto sabendo – porque leu o relatório e estava muito mais informado que qualquer um de nós – que seu sucessor seria provavelmente ou um dos membros da máfia homossexual ou uma de suas marionetes. Depois elogiou o homem que elegeram.
Por favor, parem de defender esse homem apenas porque ele parece tão indefeso e não é um sujeito de mau caráter: os eventos que agora se desenrolam sob nossos olhos tornam perfeitamente claro que Bento sabia do tamanho do mal homossexual ao seu redor, e a única coisa que ele foi capaz de opor foram "punições secretas" ou a deserção absoluta.
Bento é indefensável, e o único aspecto positivo de sua situação é que, tendo validamente resignado, não pode ser reinstalado no trono papal, permitindo-o assim fazer mais dano por completa fraqueza e espírito gregário alemão.
Bento, também, deveria usar o tempo que lhe resta para se afastar para uma vida de oração e penitência, e evitar qualquer entrevista elogiadora de Francisco; refletindo sobre o enorme mal que sua covardia infligiu em todos nós e na Igreja de Cristo."

https://mundabor.wordpress.com

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Nascimento de novilha vermelha em Israel reacende debate sobre 3º Templo


“Esta semana, o Instituto do Templo de Jerusalém anunciou o nascimento de uma novilha vermelha. Segundo os rabinos do centro teológico, este é um pré-requisito para a retomada dos sacrifícios no Templo, pois suas cinzas são usadas em rituais de purificação descritos no Livro de Números.
Cerca de três anos atrás, o Instituto do Templo – organização que dedica-se à preparação do Terceiro Templo e segue à risca todos os preceitos da lei sacerdotal – iniciou um programa para gerar uma novilha vermelha de acordo com os requisitos bíblicos. Eles importaram dezenas de embriões da raça red angus e implantaram em vacas selecionadas.
Após uma série de insucessos, pois a novilha do padrão veterotestamentário não pode ter nenhuma mancha de outra cor, no dia 28 de agosto nasceu um animal que foi considerado “aceitável” por uma comissão de rabinos que examinaram o animal.
Embora eles saibam que a novilha, como aconteceu com outras no passado, possa apresentar mudanças na coloração do pelo, a expectativa é que o animal seja a retomada de um processo que não se vê em Israel desde a destruição do Segundo Templo, no ano 70.
Portanto, a novilha passará por exames periódicos até a idade adulta, explica uma nota do Instituto. Seus fundadores sempre defenderam que é preciso que assim que tudo estiver “pronto”, o Messias virá. A ausência de uma novilha que siga especificamente os requerimentos sempre foi um empecilho.
Segundo o mandamento de Números 19:2, os israelitas deveriam oferecer “uma novilha vermelha, sem defeito e sem mancha, sobre a qual nunca tenha sido colocada uma canga” para o sacrifício que geraria a chamada “água da purificação”.
Pela tradição rabínica, a vinda do Messias está intimamente relacionada com a reconstrução do Terceiro Templo em Jerusalém, no alto do Monte Moriá, onde hoje estão duas mesquitas. Atualmente, os judeus podem subir ao local, mas estão proibidos de fazerem orações ali.
Nas últimas décadas, todas as peças do Templo, segundo a instrução bíblica, foram refeitas pelo Instituto do Templo, incluindo o treinamento de sacerdotes para a restauração dos sacrifícios.”

https://noticias.gospelprime.com.br

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Lamentação de Jó


"Pereça o dia do meu nascimento e a noite em que se disse: 'Nasceu um menino!'
Transforme-se aquele dia em trevas, e Deus, lá do alto, não se importe com ele; não resplandeça a luz sobre ele.
Chamem-no de volta as trevas e a mais densa escuridão; coloque-se uma nuvem sobre ele e o negrume aterrorize a sua luz.
Apoderem-se daquela noite densas trevas! Não seja ela incluída entre os dias do ano, nem faça parte de nenhum dos meses.
Seja aquela noite estéril, e nela não se ouçam brados de alegria.
Amaldiçoem aquele dia os que amaldiçoam os dias e são capazes de atiçar o Leviatã.
Fiquem escuras as suas estrelas matutinas, espere em vão pela luz do sol e não veja os primeiros raios da alvorada, pois não fechou as portas do ventre materno para evitar que eu contemplasse males.
Por que não morri ao nascer e não pereci quando saí do ventre?
Por que houve joelhos para me receberem e seios para me amamentarem?
Agora eu bem poderia estar deitado em paz e achar repouso junto aos reis e conselheiros da terra, que construíram para si lugares que agora jazem em ruínas, com governantes que possuíam ouro, que enchiam suas casas de prata.
Por que não me sepultaram como criança abortada, como um bebê que nunca viu a luz do dia?
Ali os ímpios já não se agitam, e ali os cansados permanecem em repouso; os prisioneiros também desfrutam sossego, já não ouvem mais os gritos do feitor de escravos.
Os simples e os poderosos ali estão, e o escravo está livre do seu senhor.
Por que se dá luz aos infelizes, e vida aos de alma amargurada, aos que anseiam pela morte e esta não vem, e a procuram mais do que a um tesouro oculto, aos que se enchem de alegria e exultam quando vão para a sepultura?
Por que se dá vida àquele cujo caminho é oculto e a quem Deus fechou as saídas?
Pois me vêm suspiros em vez de comida; meus gemidos transbordam como água.
O que eu temia veio sobre mim; o que eu receava me aconteceu.
Não tenho paz, nem tranquilidade, nem descanso; somente inquietação."
(Livro de Jó, 3; 1-26)

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O socialismo é o irmão mais jovem do despotismo


"O socialismo é o fantasioso irmão mais jovem do quase decrépito despotismo, do qual quer herdar; suas aspirações, são, portanto, no sentido mais profundo, reacionárias. Pois ele deseja uma plenitude de poder estatal como só a teve alguma vez o despotismo, e até mesmo supera todo o passado por aspirar ao aniquilamento formal do indivíduo: o qual lhe aparece como um injustificado luxo da natureza e deve ser transformado e melhorado por ele em um órgão da comunidade adequado a seus fins.
Em virtude de seu parentesco, ele aparece sempre na proximidade de todos os excessivos desdobramentos de potência, como o antigo socialista típico, Platão, na corte do tirano siciliano: ele deseja (e propicia sob certas cirscunstâncias) o Estado ditatorial cesáreo deste século, porque, como foi dito, quer ser seu herdeiro.
Mas mesmo essa herança não bastaria para seus fins, ele precisa da mais servil submissão de todos os cidadãos ao Estado incondicionado como nunca existiu algo igual; e como nem sequer pode contar mais com a antiga piedade religiosa para com o Estado, mas antes, sem querer, tem de trabalhar constantemente por sua eliminação – a saber, porque trabalha pela eliminação de todos os Estados vigentes -, só pode ter esperança de existência, aqui e ali, por tempos curtos, através do extremo terrorismo.
Por isso prepara-se em surdina para dominar pelo pavor e inculca nas massas semicultas a palavra ‘justiça’ como um prego na cabeça, para despojá-las totalmente de seu entendimento (depois que esse entendimento já sofreu muito através da semicultura) e criar nelas, para o mau jogo que devem jogar, uma boa consciência.
O socialismo pode servir para ensinar, bem brutal e impositivamente, o perigo de todos os acúmulos de poder estatal e, nessa medida, infundir desconfiança diante do próprio Estado.
Quando sua voz rouca se junta ao grito de guerra ‘o máximo possível de Estado’, este, em um primeiro momento, se torna mais ruidoso que nunca. Porém logo irrompe também o oposto, com força ainda maior: ‘o mínimo possível de Estado’."
(Friedrich Nietzsche, Menschliches, Allzumenschliches)

sábado, 8 de setembro de 2018

Discurso de ódio e hipocrisia


"O escrutínio das causas que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff ainda não mereceu consideração nas avaliações internas do seu partido. Depoimentos só foram prestados e confissões só foram ouvidas em processos de colaboração premiada. O que mais aparece no noticiário é uma vitimização atacando o que denomina “discurso de ódio”, ante o qual o partido e suas iniciativas seriam vítimas indefesas e consternadas.
Entre as vantagens que advêm dos meus 73 anos, incluo, sem dúvida, o acompanhamento ao vivo da política nacional durante largo período de tempo. A isso agrego o fato de ser colunista de jornais ao longo das últimas três décadas e meia. Se houve um traço nítido na ação política do PT durante esse período, foi, precisamente, a incitação ao ódio em pluralidade de formas e expressões.
Quase como parte de minha atividade cotidiana acompanhei o surgimento e o crescimento desse partido, mas qualquer um que já tenha idade para estacionar em vaga de idoso também assistiu a tudo. Observei a natureza das ações, o trabalho de organização dos movimentos sociais, o lado trotskista que reconhecia a centralidade da política, e o diálogo com organizações da luta armada (as tais frentes de “libertação nacional” em países da América do Sul, na América Central e na África).
Em todas as atividades compareciam, sempre, os elementos apontados por José Hildebrando Dacanal em “A Nova Classe - o governo do PT no Rio Grande do Sul". São eles: 1) a culpa é do sistema; 2) a sociedade tem que se revoltar; 3) os que se revoltarem votarão em nós; 4) a solução virá com a revolução socialista que nós faremos. Cada passo dessa sequência não envolve qualquer generosa declaração de amor, mas exige a construção do antagonismo e a percepção do ódio como instrumento de luta.
Coerentemente, então, foram décadas de louvação a um homicida furioso como Che Guevara, para quem “O ódio é o elemento central de nossa luta! Ódio é tão violento que impulsiona o ser humano além de suas limitações naturais, convertendo-o em uma máquina de matar com violência e a sangue frio”. Não pensava diferente outro ícone frequentemente lembrado. Carlos Marighella, em seu minimanual do guerrilheiro urbano alerta que o guerrilheiro somente poderá sobreviver se estiver disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão e se for verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, dos latifundiários, e dos imperialistas. Não, a adoção de modelos não é uma tarefa inconsequente.
Como produto, a violência foi se tornando rotineira. Todo um divisionismo foi minuciosamente semeado entre raças, etnias, sexos, gerações, grupos e classes sociais. Gradualmente, num crescendo, desencadearam-se as invasões de propriedades rurais seguidas de corredor polonês para retirada dos proprietários, as destruições de patrimônio, as invasões de parlamentos e prédios públicos, os enfrentamentos às autoridades policiais, os trancamentos de rodovias e queimas de pneus, as destruições de lavouras, os black blocs, as campanhas pela mudança de nomes de ruas e todas as ações voltadas para o quanto pior melhor.
Não preciso que alguém me descreva os danos causados pelo ódio dentro de uma sociedade. Eu vi isso acontecer. Eu o rejeitei então e o rejeito agora. Ele não se confunde com a indignação contra a injustiça, contra o mal feito, nem com a denúncia do malfeitor. O que refugo, por absolutamente hipócrita, é a denúncia do “discurso de ódio” formulada como escudo protetor de quem dele se serviu para suscitar tanta divisão, antagonismo e malquerença no ambiente social e político brasileiro!"

http://www.puggina.org

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A ponta do iceberg


“Corrija-me se estiver errado, mas tanto quanto me lembro o então Cardeal Ratzinger publicou uma nova disciplina para casos de suspeita de pedofilia em ou cerca de 2000 ou 2002. A nova disciplina ordenava que todos os casos de suspeita de pedofilia fossem levados a Roma, para lá serem investigados longe da proteção permitida pelos poderes locais.
Agora mova o olhar para a Pensilvânia, e deixe que descanse de um extremo ao outro do mar (ou, se preferir, sobre toda a frutada planície). É óbvio que a Pensilvânia não é uma ilha, completamente separada do que acontece no restante do País. PA deve ser talvez a ponta de um enorme iceberg.
Reflitamos agora por um momento: quantos casos de desobediência à regra de Ratzinger devem ter acontecido neste tempo? Quantos Bispos devem estar envolvidos? Quantos deles se tornaram Arcebispos, ou Cardeais? Quantos deles são homossexuais, ou foram chantageados por aqueles que são?
E sejamos claros em uma coisa: se pensamos que o problema tinha sido em sua maior parte erradicado dez a quinze anos atrás, mas então descobrimos que não foi isso que aconteceu, quantos outros casos devem estar acontecendo agora, enquanto escrevo?
Onde existem padres homossexuais, devem existir padres pedófilos, pois mesmo que nem todo homossexual seja pedófilo, a maioria dos pedófilos é homossexual. Tem diminuído o número de padres homossexuais nos últimos quinze anos? Pode alguém dizer que o fenômeno do sacerdócio homossexual foi erradicado? O tão amistoso padre de paróquia na igreja perto de você dá a impressão de ter a necessária dose de testosterona? Penso que não...
Começo a suspeitar de que a organização da Igreja nos EUA (e em sabe-se lá quantos outros países) abriga uma vasta rede de pedófilos operando tanto nas sombras como à meia-luz, e com muitos que deveriam ver sendo incompetentes demais para ver, ou covardes demais para fazerem alguma coisa, ou eles próprios chantageados.
Digamos, como exemplo, que um Cardeal (digamos, também como exemplo: Wuerl) não seja pedófilo, mas homossexual. Ele sabe que pode ser esmagado a qualquer momento. Ele se depara com pedófilos entre os de sua mesma tribo. Será ele um infatigável perseguidor de molestadores de crianças? Ou ele se limitará a fazer o mínimo indispensável para ter alguma defesa no futuro, enquanto evita sua própria queda pelas mãos da camarilha pedófila? Quantas situações como esta devem existir por todo o Ocidente, se considerarmos o número de pessoas em púrpura e vermelho que clara e legitimamente podemos ver como suspeitas de homossexualidade? Pode-se realmente pensar que, digamos, o Cardeal Coccopalmerio é normal?
E que dizer do ex-Arcebispo de Buenos Aires? Sua conduta enquanto esteve lá, e antes de estar lá, era acima de qualquer suspeita? Penso que não...
Não. Este problema não pode ser resolvido pelas mesmas pessoas que o criaram. Precisamos ver padres, bispos e cardeais culpados apodrecendo na cadeia.
Isto poderá, com o tempo, ser dissuasão suficiente. Então quando as estruturas oficiais se tornarem tão corruptas que não puderem mais ser reformadas a partir de dentro, a Providência fornecerá o modo como poderão ser reformadas a partir de fora.”

https://mundabor.wordpress.com

domingo, 2 de setembro de 2018

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

De volta ao básico


“Leio sobre pessoas que se opõem à mais recente heresia de Francisco relativa à Pena de Morte enquanto ainda são factualmente contra ela de uma certa e menor maneira.
Vamos deixar algo claro: o problema com a palavra ‘inadmissível’ não tem nada a ver com a questão de se esta falta de legitimidade é proclamada para todas as situações ou não. Tem, isto sim, a ver com a rejeição de sua legitimidade fundamental.
O Papa Francisco nega que a Pena de Morte seja legítima em princípio; no que, penso eu, resta uma heresia tão grande quanto a Muralha Leonina, e que seria reconhecida imediatamente e sem hesitação por qualquer um em tempos cristãos pretéritos. Mas realmente não ajuda em nada se alguém diz que se opõe a Francisco por declarar que a Pena de Morte é um mal, enquanto ainda pensa que ela não deveria ter lugar em sociedades modernas. Simplesmente não há maneira de reconciliar isto com a doutrina católica.
Afirmar que a psicologia moderna ou métodos de reeducação tornam a Pena de Morte supérflua é o mesmo que dizer que remédios modernos e mundanos atingem partes da natureza humana que o Cristianismo jamais pôde atingir e que ensinou não existirem. Também envia uma clara mensagem de que não apenas a Pena de Morte, mas qualquer outro ensinamento da Igreja pode ser sabotado porque a moderna psicologia nos permitiu um entendimento mais profundo da natureza humana, que pode ser facilmente aplicado, digamos, ao suicídio, à gula, ou ao adultério.
Honestamente, não dou a mínima para supostas defesas da ortodoxia que estão profundamente incorporadas no pensamento do Vaticano II, o qual, para começo de conversa, solapa esta ortodoxia. O desgraçado pontificado de Francisco deve servir como encorajamento para recuperar as verdadeiras raízes do pensamento católico, e não simplesmente dar alguns passos para trás no que é e continua sendo a direção errada.
A solução para flagrante heresia é a verdade de sempre, não a velada heresia de décadas passadas. Já chega do veneno do Vaticano II. Precisamos voltar ao básico e aceitá-lo sem meios-termos.”

https://mundabor.wordpress.com

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Em defesa do preconceito


“As pessoas que desejam derrubar todos os preconceitos não se interessam tanto assim pela verdade, mas importam-se muito mais com a sua liberdade – o que vale dizer, uma liberdade concebida como o mais amplo campo para a satisfação de seus caprichos. O ceticismo dessas pessoas varia de acordo com o assunto. Elas acreditam que, ao apertarem o interruptor, a luz se acenderá, mesmo que lhes falte qualquer conhecimento sobre eletricidade. Todavia, um feroz e insaciável espírito investigativo as domina por completo no exato momento em que percebem que os seus interesses estão em jogo – o que significa, mais precisamente, a liberdade ou licença para que possam agir segundo os seus caprichos. Então, subitamente, todos os recursos da filosofia lhes são disponibilizados, e serão imediatamente usados para desqualificar a autoridade moral dos costumes, da lei e da sabedoria milenar.
Derrubar determinado preconceito não significa destruir o preconceito enquanto tal. Na verdade, implica inculcar outro preconceito. O preconceito que afirma ser errado criar um filho fora do casamento foi substituído por outro que diz que não há absolutamente nada de errado com isso. A ideia de que não gostar de alguém não constitui base suficiente para xingar esse alguém, o fato de relações sociais toleráveis requererem autocontrole, o fato de viver em sociedade implicar o dever de se submeter a limites – tudo isso são noções que infelizmente não foram inculcadas em nossa atual sociedade como preconceitos.
Algumas pessoas desejam escapar das convenções tanto quanto outras desejam escapar da necessidade de ganhar a vida. De fato, não ser convencional tornou-se para elas uma virtude em si, da mesma forma que a originalidade se tornou hoje uma muleta para aquelas pessoas cujas aspirações artísticas excedem em muito o seu talento. Infelizmente, o desejo de se furtar a uma convenção é, em si mesmo, uma convenção.
A filosofia – ou, talvez, a “atitude” seria um termo melhor para descrevê-la – do individualismo radical instila um preconceito profundo em favor do eu e do próprio ego. A vida passa a ser concebida como uma extensão ilimitada da escolha do consumidor, uma rede em volta do supermercado existencial, de cujas prateleiras diferentes estilos de vida podem ser adquiridos, da mesma forma que se faz com os alimentos industrializados, e sem quaisquer consequências mais profundas ou significativas. Aquela pessoa que se diz contrária a toda e qualquer autoridade é, na verdade, somente contrária a algumas autoridades, aquelas de que desgosta. A autoridade que ela realmente respeita, é claro, é a sua.
Um radicalismo individual como esse tem outro efeito paradoxal: aquilo que começa como busca por um individualismo ampliado ou mesmo total termina com o aumento do poder do governo sobre os indivíduos ao destruir toda a autoridade moral que se coloca entre a vontade individual humana e o poder governamental. Tudo aquilo que não é proibido pela lei será ipso facto permissível. Isso, é claro, torna as leis e, portanto, aqueles que as produzem, os árbitros morais da sociedade. A ausência de qualquer autoridade intermediária entre o indivíduo de um lado e o poder político soberano do outro permite que o último se insinue por entre os mais recônditos lugares da vida diária. A falta de autoridades intermediárias, tais como família, igreja, organizações profissionais etc., nos acostumou a esperar, e aceitar, o direcionamento centralizado de nossas vidas, mesmo quando resulta em absurdidades.
Uma coisa é dizer que este ou aquele preconceito é revoltante ou extremamente danoso, outra coisa é dizer que podemos nos virar sem absolutamente nenhum preconceito. Havia, no passado, operações cirúrgicas que causavam mais danos do que benefícios, e sem dúvida isso ainda acontece em alguns casos, mas certamente não há motivos pelos quais a humanidade devesse abrir mão das vantagens salvadoras da cirurgia por uma questão de princípio.
Se a maioria de nosso conhecimento factual sobre objetos particulares se funda na confiança e na autoridade – pois não é dado a nenhum homem, não importa quão brilhante seja, a condição de viver tempo suficiente para ser infinitamente investigador – por que seria diferente em relação à dicta dos julgamentos morais e estéticos? A vasta maioria dos homens simplesmente não consegue levar a vida como se ela fosse constituída de longas séries de enigmas morais e intelectuais.
Mesmo que não seja possível derivar uma afirmação de valor de uma de fato, é necessário e inevitável que façamos afirmações de valor. Na prática, ninguém vive ou poderia viver sem julgamentos estéticos e morais, e refiro-me àqueles que não podem ser meramente deduzidos dos fatos. Bom e ruim, bonito e feio, estão construídos na estrutura mesma de nossos pensamentos, e não podemos eliminá-los, não mais do que podemos eliminar a linguagem ou o sentido de tempo. Infelizmente, nenhum sistema de proposições éticas, ou mesmo nenhum outro sistema de proposições, pode existir sem pressuposições, isto é, sem preconceitos. Existe um ponto para além do qual a racionalidade, ou o naturalismo, não pode ir, mesmo entre criaturas que foram dotadas de razão pela natureza.
Mas não é verdade que muitos preconceitos são de fato danosos, cruéis, estúpidos e malignos? Certamente que sim. Mas, reitero, não é porque alguns preconceitos sejam danosos que podemos viver sem preconceitos. Todas as virtudes levadas ao excesso se tornam vícios, e se tornam manifestações de orgulho espiritual; o mesmo vale para os preconceitos, inclusive os melhores, e o mesmo valerá para a tolerância. Eu não me dedico a examinar os nossos preconceitos; isso seria ridículo. Temos que ter, ao mesmo tempo, confiança e discernimento para pensarmos logicamente a respeito de nossas crenças herdadas, e a humildade para reconhecermos que o mundo não começou conosco, e tampouco terminará conosco, e que a sabedoria acumulada da humanidade é muito maior do que qualquer coisa que podemos alcançar de forma independente. A expectativa, o desejo e a pretensão de que podemos sair nus no mundo, libertos de todos os preconceitos e preocupações, de modo que toda situação se apresente como algo completamente novo para nós, são em igual medida atitudes tolas, perigosas e nefastas.
Essa pretensão é nociva porque não estaremos apenas enganando os outros, mas a nós mesmos, e desconsideraremos aquela pequena e constante voz dentro de nós. Debates estridentes e agressões virão. Quanto mais insistirmos em público a respeito de coisas que sabemos, ou mesmo suspeitamos, que não são verdadeiras, mais veementes e intransigentes nos tornaremos. Quanto mais rejeitarmos o preconceito qua preconceito, mais difícil será para nós recuarmos das posições que tomamos, e recrudesceremos a fim de provar que estamos livres de preconceitos. Um dogmatismo ideológico será o resultado, e todos sabemos a devastação que um dogmatismo como esse pode provocar.
É preciso ter capacidade de discernimento para saber quando um preconceito deve ser mantido e quanto deve ser abandonado. Os preconceitos são como as amizades: devem ser mantidos em bom estado. Por vezes, os amigos se distanciam e por vezes o mesmo deve acontecer aos homens diante de certos preconceitos; mas a amizade frequentemente se aprofunda com a idade e a experiência, e o mesmo deve acontecer com alguns preconceitos. Eles são aquilo que dão caráter às pessoas, mantendo-as juntas. Não podemos viver sem eles.”
(Theodore Dalrymple, Em Defesa do Preconceito)

http://avidaintelectual.blogspot.com.br

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A esquerda e a direita


"Hoje os jornais estão cheios de proposta e artigos que distinguem sobejamente a direita da esquerda política. Eu quis escrever estas linhas porque o ilustre Celso Ming começou seu artigo dizendo que não há diferença entre direita e esquerda e depois todo o resto do artigo foi para mostrar a irracionalidade das posições de esquerda. Por elipse, a antípoda seria a direita. Por que ele disse então que não há diferença? Percebo que parte da imprensa insiste, e lamentavelmente Celso Ming faz coro, que não há diferença, mas há. Pretendo aqui listar algumas das diferenças. Como se sabe, ao lado dos jornalistas engajados com a revolução há outra penca que acha chique ser de esquerda enquanto tal. Praticamente não há jornalista no Brasil que não seja progressista (comuna).
Podemos ver diferença entre esquerda e direita em três campos distintos, pelo menos, sem contar os fundamentos filosóficos por detrás de cada posição, que não serão objeto deste artigo: no campo dos costumes, no campo econômico e no campo do Direito. Comecemos pelos costumes: a esquerda defende a liberação das drogas, do aborto, adora defender o gaysismo, o feminismo, defende as quotas, tudo isso para colocar as minoras incondicionalmente do seu lado. Durante décadas a maioria prejudicada fechou os olhos a essa militância danosa, mas agora não mais, pois as políticas de privilegiar as ditas minorias foram longe demais. A direita repudia tudo isso e afirma categoricamente a igualdade de todos perante a lei, igualdade diante das oportunidades, defende a boa moral cristã e os bons costumes. É no campo dos costumes que vemos já a diferença abissal.
No campo econômico a diferença não é menor: a esquerda tem uma visão de mundo completamente deturpada sobre três questões fundamentais: o que é poupança, o problema da moeda e o comércio exterior. A questão da poupança precede tudo porque a visão distorcida da esquerda afirma que a poupança se gera automaticamente, uma vez gerado o gasto. A direita afirma o princípio de realidade de que o ato de poupar precede o desenvolvimento e é a grandeza fundamental do processo econômico, sem a qual fica tudo estagnado. Na mesma linha, a visão da esquerda sobre a moeda é que ela é instrumento de desenvolvimento e a inflação deve ser tolerada, ignorando que ela é um imposto exorbitante sobre os pobres. Emitir moeda deveria ter licença porque seria onde o processo de desenvolvimento começaria, gerando inclusive a poupança necessária. Essa loucura teórica foi posta em prática por diversos governos, que nos levaram à hiperinflação, de triste memória. Do mesmo modo, a esquerda defende que o comércio internacional seja utilizado politicamente, privilegiando parceiros como Irã e China, em detrimento dos EUA. Essa balela esquece que o motor dinâmico da economia mundial é os EUA, inclusive como fonte geradora de tecnologia. A delirante entrevista de Marcio Porchman confirma a tola visão de mundo.
Já a direita, ao lado de afirmar a sã doutrina de que a poupança é o início de tudo, precede tudo, é pela disciplina monetária rígida e quer fazer dos EUA o óbvio parceiro para alavancar as trocas internacionais, pois o Brasil tem o que vender e o que comprar dos EUA. A isso a esquerda chama de “neoliberalismo”, que na linguagem dos círculos esquerdistas soa como um palavrão da pior espécie. A esquerda se recusa a ver a realidade como ela é. É claro que tudo isso tem consequência: a direita sabe que, em face da evolução da variável populacional, não há outro remédio do que fazer uma profunda reforma na Previdência, já a esquerda acha que tudo se resolveria mediante crescimento econômico manipulado pelos gastos do Estado e a emissão de moeda, como se mais despesa pagasse a despesa anterior ainda por pagar. Da mesma o desemprego desapareceria como passe de mágica se o Estado elevasse desmesuradamente seus gastos, ignorando o fato óbvio que o Estado está quebrado e esgotou sua capacidade de gastar.
Por fim, a questão do Direito, extensivo à Segurança. A direita quer abolir o Estatuto do Desarmamento, vendo o óbvio de que os bandidos continuam bem armados e não há como ignorar isso, que é o fator responsável principal pelas 60 mil mortes anuais de bons brasileiros nas mãos dos bandidos. Ao lado, a questão da redução da maioridade penal como instrumento de dissuasão do surgimento de novos criminosos. Para a direita, Justiça é dar a cada um o que é seu, a esquerda já acha que a ditas minorias podem ter renda e benefícios sem que tenham trabalhado e feito sacrifícios, como nas quotas de concursos públicos. A direita é veementemente contra a liberação das drogas, vendo os malefícios que elas trazem para a juventude. A esquerda vê tudo pelo sinal contrário e, no poder, tem patrocinado as deletérias políticas que prejudicam os brasileiros por ignorarem a realidade como ela é. Liberação das drogas é suicídio coletivo.
No fundo, é isso: a direita vê o real e quer respeitar a realidade como ela é. Já a esquerda tem ideias equivocadas sobre a realidade e quer que o mundo nelas se encaixe. Como a esquerda tem ditado a política nas últimas décadas, enlouquecendo e empobrecendo a Nação, a população cansou dos delírios esquerdistas e quer agora colocar alguém no poder que respeite o princípio de realidade."

http://nivaldocordeiro.net