domingo, 1 de janeiro de 2017
Béla Bartók: Concerto para Piano e Orquestra n° 3
I. Allegretto
II. Adagio religioso
III. Allegro vivace
András Schiff, piano
Sir Mark Elder
Hallé Orchestra
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
O tédio na Idade Média: rabiscos de 800 anos atrás
"A mania de rabiscar nas margens dos livros durante os momentos de tédio é tão antiga quanto a própria leitura, e nem sequer alguns dos manuscritos mais antigos conservados até hoje estão livres da mão ociosa de algum escriba.
Erik Kwakkei há anos estuda os rabiscos e esboços em manuscritos e livros antigos. Segundo Kwakkei, pode-se obter mais informação sobre a origem do escriba e sua educação a partir dos rabiscos do que estudando o estilo no qual foi escrito o livro, muitas vezes circunscrito às normas locais e à ordem religiosa onde a obra foi escrita. Não obstante, quando o tédio deixava a mente livre, estes escribas esboçavam, através dos seus rabiscos, rostos e outras figuras em um estilo que resultava mais natural, tornando, assim, possível desvendar a origem do autor.
Ainda que muitas das descobertas de Kwakkei não passem de testes para ver se uma determinada pena estava escrevendo bem ou para saber se tinha tinta suficiente, alguns outros rabiscos mais elaborados mostram que quando o tédio está à espreita não há nada que se possa fazer. Alguns dos rabiscos foram feitos em livros que haviam sido escritos séculos antes."
Fonte: Perplexos
Erik Kwakkei há anos estuda os rabiscos e esboços em manuscritos e livros antigos. Segundo Kwakkei, pode-se obter mais informação sobre a origem do escriba e sua educação a partir dos rabiscos do que estudando o estilo no qual foi escrito o livro, muitas vezes circunscrito às normas locais e à ordem religiosa onde a obra foi escrita. Não obstante, quando o tédio deixava a mente livre, estes escribas esboçavam, através dos seus rabiscos, rostos e outras figuras em um estilo que resultava mais natural, tornando, assim, possível desvendar a origem do autor.
Ainda que muitas das descobertas de Kwakkei não passem de testes para ver se uma determinada pena estava escrevendo bem ou para saber se tinha tinta suficiente, alguns outros rabiscos mais elaborados mostram que quando o tédio está à espreita não há nada que se possa fazer. Alguns dos rabiscos foram feitos em livros que haviam sido escritos séculos antes."
Fonte: Perplexos
sábado, 24 de dezembro de 2016
Pásztorok, pásztorok...
Pásztorok, pásztorok örvendezve
sietnek Jézushoz Betlehembe.
köszöntést mondanak a kisdednek,
ki váltságot hozott az embernek.
Angyalok szózata minket is hív,
értse meg ezt tehát minden hű szív:
a kisded Jézuskát mi is áldjuk,
mint a hív pásztorok magasztaljuk.
Üdvöz légy, kis Jézus, reménységünk,
aki a váltságot hoztad nékünk.
Meghoztad az igaz hit világát,
megnyitod Szentatyád mennyországát.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Sagração de Dom Faure: entrevista com o prof. Carlos Nougué

Entrevista com o professor Carlos Nougué feita pelo confrade Eugênio Lima, fiel da Resistência, conforme publicada no blog Borboletas ao Luar.
"Fiz algumas perguntas simplórias ao Prof Carlos Nougué, para auxílio dos fiéis da tradição e certeza do combate aos fiéis da resistência. Simplórias não pela capacidade do Prof. em responder, mas pela incapacidade dos fiéis, às vezes, de compreender.
1) Quais as conseqüências desta sagração?
RESPOSTA. O fortalecimento da Resistência à abominação da desolação instalada no lugar santo e às tentativas de entregar qual Judas, por 30 dinheiros, a tradição aos hereges instalados na hierarquia da Igreja. Trata-se, claro, das tentativas da Neo-FSSPX.
2) Os bispos e os fiéis sofrerão pena de excomunhão justa de fato?
RESPOSTA. Uma excomunhão feita por hereges não só não é justa, mas é inválida; inexiste. Esta é tão inválida como a feita contra Dom Lefebvre e seus quatros bispos.
3) O estado de necessidade, como se aplica nessa situação?
RESPOSTA. Como sempre se aplicou: enquanto a hierarquia for herética, temos por necessidade de salvaguardar a fé e o sacerdócio. E fazemo-lo, como diz o Mandato Apostólico escrito e lido na sagração por Dom Williamson, com a esperança de um dia depositar todos os nossos atos nas mãos de um papa outra vez verdadeiramente católico.
4) Qual o caminho futuro da Igreja?
RESPOSTA. Creio que só Deus o sabe.
5) Existe esperança de Roma abdicar do modernismo e voltar a fé?
RESPOSTA. Humanamente falando, não. Mas, se Deus submergir o mundo no terrível castigo que este merece já há muitos séculos e cada vez mais, quem sabe?
6) Ou esse é um caminho sem volta?
RESPOSTA. São segredos da providência divina. Mas dou-lhe meu parecer (apenas uma opinião): já se cumpriram os sinais que, como profetizado nos Evangelhos, antecedem o último e terrível Anticristo: a apostasia geral das nações e a abominação da desolação instalada no lugar santo (ou seja, a heresia instalada na hierarquia católica). Mas atenção: isto não quer dizer que devamos ficar parados. Ao contrário, e digo-lhe o que vemos todos por aqui: a Resistência cresce a um ritmo inesperado; o que Deus nos prepara, só ele obviamente o sabe. Mas não devemos, como quer que seja, entristecer-nos pelo fim dos tempos. Ao contrário, devemos rezar com os apóstolos: Maranata, Vinde Senhor Jesus – mas vinde logo, para levar-nos enfim à nossa verdadeira Pátria, a Jerusalém Celeste.
Um abraço, espero ter ajudado de alguma forma, e fique com Deus.
Carlos Nougué”
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sábado, 17 de dezembro de 2016
A eleição de Trump

“A coisa essencial a dizer sobre a eleição no mês passado de Donald Trump como o próximo presidente dos Estados Unidos é que é uma suspensão temporária dada por Deus depois de anos e anos de governo liberal, mas a menos que o próprio povo americano se volte seriamente para o Deus Todo-Poderoso, então essa suspensão será varrida por um retorno dos liberais que se dará com toda a força para destruir os Estados Unidos de uma vez por todas, tal como Hilary Clinton faria se tivesse sido eleita.
Ora, é verdade que muitas pessoas hoje não pensam na política a relacionando a Deus Todo-Poderoso, mas esse é exatamente o problema. Excluí-Lo da vida, especialmente da política, tem sido uma cruzada para maçons e liberais desde o final do século XVIII, que foi deles. O libertar-se de Deus tem sido a cruzada de sua religião substituta, o humanismo secular. Do mesmo modo, no século XX, o comunismo com ou sem este nome triunfou contra a natureza em todo o mundo porque age como uma religião, sendo, como diz Pio XI, o messianismo do materialismo. E o liberalismo e o comunismo são a razão pela qual todo o mundo ocidental se tem inclinado para a esquerda por centenas de anos.
E isso explica sem dúvida por que um grande número de eleitores na eleição americana votou na candidata que perdeu. Ela era conhecida em toda a nação por suas mentiras, imoralidades e traições. Seu registro criminal era notório, incluindo a suspeita de ter sido responsável com seu marido pelo assassinato de mais de cinquenta homens e mulheres que se puseram no caminho de sua ambição e de suas carreiras. Como alguém medianamente decente poderia ter até mesmo pensado em votar nela, e que dizer da metade dos americanos ter votado (ela não venceu no Colégio Eleitoral)? O próprio Paul Craig Roberts, excelente comentarista da cena poltica americana, ficou perplexo com essa questão. A resposta que falta é certamente que aquela mulher encarnou a guerra contra Deus. Para os liberais, a liberdade é a sua religião. Que ela quebrou orgulhosamente todos os mandamentos de Deus foi um argumento não contra ela, mas a favor. Ela é uma santa do liberalismo.
Pois bem, seu conquistador, Donald Trump, não é, aparentemente, um homem especialmente piedoso, e ele ainda é liberal de várias maneiras – quem não é? – mas ele tem dentro de si uma boa dose daquela decência e generosidade antiquadas que costumavam ser típicas dos melhores na América e nos americanos. Portanto, ele está instintivamente contra pessoas ímpias, e depois de anos e anos de liberais presunçosos sob uma série de presidentes liberais a pisotear todos os americanos decentes, ele teve o suficiente, e entrou na política “para devolver a este país um pouco do que ele me deu”. E depois dos mesmos anos e anos do que de fato vinha sendo um sistema unipartidário, porque não havia desde o tempo do governador Wallace “um centavo de diferença entre os republicanos e os democratas”, Trump sacudiu o sistema, deu voz à frustração do povo, e uma multidão de almas decentes elegeu-o para o cargo. Mas o Sistema está furioso.
Portanto, ele deve agora pensar muito bem. Tornou-se presidente eleito com a força de instintos decentes contra a ideologia liberal. Mas isso é um êxito passageiro, porque lutar contra a ideologia com instintos é como combater tanques com uma zarabatana de atirar ervilhas. Para lutar contra uma ideologia falsa é preciso uma ideologia verdadeira e, para lutar contra a guerra a Deus é preciso paz com Deus, que dependerá dos termos de Deus e não dos homens. Ora, Deus é todo-poderoso e infinitamente bom, e pode desfazer o pior que seus inimigos podem tentar fazer contra Ele com o simples toque de Seu dedo mindinho, por assim dizer. Mas Ele não vai conceder a vitória sobre a Sinagoga de Satanás se sabe que as pessoas que está salvando vão voltar direto para Satanás. As pessoas devem afastar-se de Satanás e retornar sinceramente a Deus, que não pode ser enganado.
No mínimo o próprio Donald Trump deve orar – ACTS – com Adoração, Contrição, Ação de Graças (Thanksgiving) e Súplica. Deus tem estado com ele, para conceder essa suspensão. Incluamos todos a ele e ao Presidente Putin em nossas próprias orações, para prolongar a suspensão. De outro modo, logo ela poderá acabar.”
(Mons. Richard Williamson, Trump’s Election)
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Que se pode esperar da interpelação dos cardeais “rebeldes”?

“A parte sã do catolicismo tomou conhecimento, possuída de um sentimento misto de surpresa e conforto, da interpelação dirigida ao santo padre por quatro cardeais a propósito de problemas de teologia moral suscitados pela exortação pós-sinodal Amoris Laetitia. A solene interpelação, que restou ignorada pelo destinatário, consistiu nas dubia referentes, basicamente, a duas questões: podem ou não os divorciados “recasados” civilmente receber os sacramentos da confissão e da eucaristia; há ou não há ações intrinsecamente más, ou seja, há normas morais absolutamente obrigatórias independentemente das circunstâncias?
O motivo da surpresa da parte sã do catolicismo diante da reação dos cardeais à revolução bergogliana é que os eminentes purpurados são eclesiásticos que, ao que consta, jamais manifestaram uma discordância quanto ao curso percorrido pela Igreja desde o Vaticano II. Aliás não seriam criados cardeais pelos papas da Igreja conciliar.
Quer dizer, são dignitários que aceitam, por exemplo, a Gaudium et spes, documento conciliar que introduz uma mudança na doutrina da Igreja sobre a hierarquia de fins do matrimônio (o que, sem dúvida, favorece a ideia tão cara aos católicos modernos, de aceitar a possibilidade de reconstruir uma vida feliz após o fracasso de um primeiro casamento, esquecidos do dogma da indissolubilidade do vínculo). São cardeais que aceitam Dignitatis humanae, a declaração conciliar sobre a liberdade dos cultos, que dá primazia à consciência errônea sobre a verdade objetiva. Declaração que escarnece o bem comum da sociedade representado pela unidade do povo cristão em torno da religião católica como sua alma. Declaração que, em germe, contém os erros flagrantes da exortação pós-sinodal ora impugnada.
São cardeais que aceitam do mesmo modo a nova exegese proposta pela Dei Verbum, que nega a inerrância absoluta da Sagrada Escritura, restringe a divina inspiração bíblica às verdades salvíficas e adota a teoria protestante de uma única fonte bíblica da revelação. De maneira que, nesta perspectiva, os purpurados autores da interpelação contra o pontífice, em princípio, não são teólogos da tradição em sentido estrito.
Em suma, os interpelantes aceitam perfeitamente o concílio, o espírito do concílio, a reforma litúrgica, o ecumenismo, o espírito de Assis, a nova eclesiologia da Lumen gentium, com a sua infeliz expressão subsistit. A qual expressão também favorece os erros que consideram encerrados em Amoris Laetitia, na medida em que diz que a Igreja de Cristo é constituída pelas igrejas cismáticas que há milênios aceitam as orientações da exortação de Francisco I.
De modo que o motivo da surpresa ou espanto é que os senhores cardeais sabem apontar os problemas doutrinários da exortação pós-sinodal sem, todavia, verem a relação dos mesmos com o Concílio Vaticano II, quando Francisco I, com toda razão, diz seguir o concílio e o caminho traçado por seus predecessores. É realmente desejável que os cardeais interpelantes verifiquem que há tal relação e se lembrem de que um pequeno erro no princípio se torna grande no fim. Se é que se pode dizer que os erros do Vaticano II são pequenos!
Com efeito, acode-me à memória a história do rei Acab. Diz o III livro dos Reis que quando o Senhor quis induzi-lo em erro consultou todo o exército do céu e perguntou quem enganaria a Acab. Então o espírito maligno se adiantou e disse: “Eu o enganarei”. E o Senhor lhe disse: “De que modo?” E ele respondeu: “Eu sairei, e serei um espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas”. E o Senhor disse: “Tu o enganarás, e prevalecerás: Sai, e faze-o assim.”
O Doutor Santo Agostinho comenta a passagem bíblica dizendo que “era justo que Acab, que não tinha crido no Deus verdadeiro, fosse enganado pelo falso.”
O que quero dizer é que todos os teólogos que desprezaram ou relativizaram o alto alcance da Pascendi de São Pio X e não quiseram ouvir a Humani generis de Pio XII, mas aderiram à Nouvelle Theologie e constituíram a “linha média” da Igreja pós-conciliar, e motejaram dos católicos da tradição como uns estouvados, uns exagerados e radicais que não sabiam interpretar bem o Vaticano II, e hoje estão perplexos com a desenvoltura de Francisco I, foram merecidamente enganados pelo espírito mentiroso por uma especial permissão divina, justamente por terem desprezado, por exemplo, o alcance do magistério tradicional e menoscabado daqueles que, como Dom Lefèbvre e Dom Antonio de Castro Mayer, (a quem acusavam de ser rebeldes e cismáticos, as mesmas injúrias que hoje são assacadas contra eles) diziam que as inovações do Vaticano II levariam à ruína da Igreja.
Sem dúvida, a linha média, que hoje se sente enganada e escandalizada com as atitudes de Francisco I, paga o preço da aliança que fez com a ala mais radical da Nouvelle Theologie para vencer, nos embates do concílio Vaticano II, os católicos que queriam permanecer fiéis aos anátemas lançados pelos grandes papas contra o liberalismo e o modernismo. Na verdade, queriam o aggiornamento. Mas agora não querem colher seus frutos mais amargos.
Bem sabemos: Nosso Senhor não abandona a sua Igreja. Não permitirá que o espírito mentiroso chegue a destruí-la. Serve-se dele apenas para castigar os infiéis. Este é o nosso conforto.
De modo que cremos que Deus Nosso Senhor, por intercessão da Imaculada Conceição, poderá conceder a todos os católicos da linha média, que hoje estão escandalizados, a graça de que cessem de ouvir os falsos profetas inspirados pelo espírito mentiroso, tomem consciência dos problemas não só da exortação Amoris Laetitia mas também dos “pequenos erros” do Vaticano e de todas as problemáticas reformas pós-conciliares.
Mas se acolherem essa graça terão de sofrer como Miqueias, o profeta verdadeiro desprezado por Acab. Miqueias foi condenado à cadeia e a ser sustentado com o pão de tribulação e a água de angústia. Semelhante sorte parece reservada aos quatro cardeais, pelo que disse há pouco o presidente da Rota Romana.
Tenho esta esperança. Rogo a Deus pelos cardeais interpelantes.
Oxalá possa alguém escrever sobre eles um livro semelhante àquele que há muitos anos atrás foi escrito por Dr. Ricardo Dip: “Monseigneur Marcel Lefèbvre: rebelde ou católico?”
http://santamariadasvitorias.org
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
A hierarquia é celestial, a igualdade é infernal
"Porque, na verdade, Aquele que criou e governa todas as coisas dispôs, com a Sua providência e sabedoria, que as coisas inferiores alcançassem o seu fim pelas médias e estas pelas superiores. Pois assim como no Reino dos Céus Ele quis que os coros angélicos fossem diferentes e uns subordinados aos outros, assim como na Igreja Ele instituiu vários graus de ordens e diversos ofícios para que "nem todos fossem apóstolos, nem todos doutores, nem todos pastores" (Rom. XIII, 1-7), assim também Ele dispôs que na sociedade civil houvesse várias ordens distintas em dignidade, direitos e poderes, ou seja, que o Estado, como a Igreja, fosse um só corpo com muitos membros, uns mais nobres do que outros, mas todos necessários e solícitos ao bem-comum."
(Papa Leão XIII, Quod Apostolici Muneris)
http://accao-integral.blogspot.pt
(Papa Leão XIII, Quod Apostolici Muneris)
http://accao-integral.blogspot.pt
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
A realeza de Cristo sobre a História

“Há uma verdade fundamental da dogmática cristã que a chamada nova teologia busca obscurecer ou debilitar. É a Realeza universal de Cristo sobre toda a criação e por isso mesmo sobre a história. Sem embargo, esta verdade constitui a substancia mesmo do Kerygma evangélico, que consiste na pregação do Reinado de Deus e de seu Cristo sobre a terra. A Nova Teologia obscurece e diminui a luz desta verdade porque ela se opõe diretamente ao laicismo da vida e da história que em sua versão liberal, socialista e comunista impera hoje sobre os povos. O laicismo constitui a substancia do mundo moderno e a nova busca pactuar com o mundo moderno. Logo se vê impelida a ofuscar e a diminuir uma verdade que tão radicalmente se opõe à sua intenção profunda.
Sem embargo, a encíclica Quas Primas, de Pio XI, sobre Cristo Rei, permaneceu como um documento que desafia os propósitos da impiedade em seu intento de diminuir os méritos deste título glorioso do Redentor. As páginas da Escritura, tanto do Antigo como do Novo Testamento, a Tradição dos Padres, a liturgia e os documentos do magistério, abundam em testemunhos desta verdade. Os salmos de Davi cantam sob a imagem e representação de um Rei opulentíssimo e sapientíssimo que havia de ser Rei de Israel.
O teu trono, ó Deus, permanece pelos séculos; O cetro de teu reino é cetro de retidão. Neles se prediz que seu reino não terá limites e que estará enriquecido com os dons da justiça e da paz. Florescerá em seus dias a justiça e a abundancia da paz. E dominará de um mar a outro e desde um a outro extremo do orbe da terra.
Portanto, não é de maravilhar que ao encerrar os livros santos o Apostolo João o chame de Príncipe dos Reis da terra que traz escrito em sua veste e em seu manto: Rei de reis e Senhor dos que domina.
A História, a história concreta dos povos, deve sujeitar-se ao reinado de Cristo. Cristo enquanto homem, por sua preeminência e por direito de conquista da Redenção, tem direito a que os povos o reconheçam em seu caráter de Rei. É evidente que os povos podem se rebelar. E assim canta o salmo: Porque se amotinam as gentes e traçam as nações planos vãos? Reúnem-se os reis da terra e confabulam os príncipes contra Yavé e contra seu ungido. Rompamos o seu jugo, longe de nós suas sujeições... Mas isto é vão. O que mora nos céus sorri. Yavé zomba deles.
A história serve ao reinado de Cristo de bom grado ou de mal grado, mas o serve. É claro que o correto e o que todos devemos desejar e no que devemos nos empenhar é em servi-lo de bom grado.
O diabo, Príncipe deste mundo, tem algum senhorio sobre a história
Teríamos uma imagem muito imperfeita da história se fizéssemos intervir tão somente, como protagonistas principais, o homem e Cristo. Por isso, Santo Tomás na mesma questão em que trata de Jesus Cristo, Cabeça da Igreja, dedica um artigo – o sétimo – a resolver se o diabo é cabeça dos maus. E responde afirmativamente, demonstrando que exerce função de governante quem influi sobre os demais para atraí-los ao seu próprio fim. Pois bem, o fim do demônio é afastar a criatura racional da obediência a Deus, e este fim é alcançado com o afastamento de Deus da criatura com seu livre arbítrio, segundo preceitua Jeremias: Rompeste o jugo e as cadeias e disseste: não servirei. Quando, pois, os homens, pecando, se dirigem para este fim, cai de cheio sob o regime e o governo do demônio, e por isto é chamado de cabeça deles. O nome de Príncipe deste mundo (João 12, 31; 14, 30; 16, 11) que a palavra divina atribui ao demônio não é um mero título, senão que expressa o verdadeiro domínio que o diabo conquistou sobre a história dos homens. É claro que este domínio não é absoluto, mas é muito real e se exerce não apenas sobre o homem individual, senão também, e sobretudo, sobre a ordem temporal e sobre as civilizações.
Digo, sobretudo. Porque a arte do demônio é dominar os meios temporais para por ali perder o interior do homem. Daí que trate de dominar os meios do prazer, da riqueza e do poder para ter amarrado o homem por completo. São estas as três tentações com que se atreveu a atacar ao Senhor no deserto. São as três tentações da tríplice concupiscência, que menciona o Apóstolo São João.
Junto com o diabo e sob o seu domínio também devemos nos referir a influência do Anticristo na história. Na mesma questão oitava, artigo 8, Santo Tomás nos diz que também o Anticristo deve ser tido como cabeça dos maus. Porque embora não o seja na ordem do tempo nem por sua influência, o é pela perfeição de sua malicia. Pois como em Cristo habitou a plenitude da divindade, assim no Anticristo há de brilhar a plenitude da malicia. Esta caracterização do Anticristo como um personagem no qual se concentra, no final dos tempos, a malícia humana, dá uma significação ao processo histórico dirigido a um ponto culminante de malícia. Longe de favorecer a tese que a nova teologia costuma sustentar de um progresso histórico, a ela se opõe e mostra que, embora a história sustente o progresso incessante da edificação do Corpo Místico de Cristo, ela mesma pode empreender e seguir um caminho de regresso. Por outra parte, que o Anticristo haja de encarnar a malícia perfeita não significa que a humanidade tenha que ser assumida pelo diabo tal como a humanidade de Cristo foi assumida pelo Filho de Deus, senão que o diabo lhe a de comunicar por sugestão sua malícia em grau superior a todos os demais. Neste sentido todos os demais malvados que lhe precederam são como que figuras do Anticristo, e por isso, o mistério de iniquidade já está operando. Também, por este lado, há como que uma exigência do progresso do mal na história mesmo, porquanto as figuras nunca chegam a alcançar o grau daquilo cujo significado levam.
Significação da “Sinagoga de Satanás” na história
Com o problema do diabo e do Anticristo está ligado o problema da malícia dos judeus fariseus e de seu significado na história. É claro que o mal não é patrimônio de algum homem, e menos ainda de algum povo. Todos os homens são pecadores e são capazes das piores aberrações. Assim como a graça de Deus tampouco tem relação especial com algum homem nem com um povo determinado. Sem embargo, Deus pode escolher um caminho determinado para nos dispensar sua graça e para permitir expressar-se a malícia humana. De fato, Deus escolheu esse caminho. O povo judeu, como é sabido, foi escolhido diretamente por Deus para nos trazer em seu sangue o Messias Jesus Cristo, que havia de ser a Saúde do mundo. Parte principal desse povo, contrariando toda a tradição autêntica dos Patriarcas e Profetas, carnalizou a esperança do Messias e se sujeitou a uma falsa tradição humana de dominação de outros povos. Parte do povo judeu, sob a influência e o governo desse grupo de fariseus, se constituiu de modo especial desde a vinda de Jesus Cristo no que São João, em seu Apocalipse (2,9), chama a “Sinagoga de Satanás”. Desde então parte do povo judeu dominada por essa minoria cheia de malícia se dedica à tarefa de perversão e de dominação de outros povos. A essa minoria se aplica com toda verdade as palavras que Jesus dirigia aos judeus fariseus: “Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.”
São Paulo estampou em letras inalteráveis que ficam como lei da história a conduta dessa minoria de judeus entre as nações. Disse o Apóstolo (1 Tes. 2, 14 ss.):
“Irmãos, vós vos tornastes imitadores das igrejas de Deus em Cristo Jesus da Judéia, pois tivestes que sofrer da parte dos vossos compatriotas o mesmo que eles sofreram dos judeus, aqueles judeus que mataram o Senhor Jesus e aos profetas, que nos perseguem e que não são do agrado de Deus, que são inimigos de todos os homens, visto que nos proíbem pregar aos gentios para que se salvem”.
De acordo com esta lei que enuncia aqui o Apóstolo Paulo, uma minoria farisaica de judeus desempenha na história um papel de inimigos primeiros dos povos cristãos, empenhados em perdê-los, impedindo sua cristianização. Para isso buscam o domínio total da vida dos povos apoderando-se das molas propulsoras do poder: do poder econômico primeiro e em seguida do próprio poder político. Seria longo historiar o processo histórico que cumpre essa minoria farisaica.
Mas uma vez derrubada a sólida estrutura da cristandade medieval, fundada na fé e na caridade, os judeus conseguiram penetrar dentro dos povos cristãos e dali corrompê-los com o liberalismo e escravizá-los com o comunismo. A Revolução moderna – liberalismo, socialismo, comunismo – é o grande instrumento de dominação de que se valem. Com ela conseguiram suprimir a civilização cristã e substituí-la por uma civilização laicista e atéia.
Os cristãos, por sua vez, não têm outra defesa eficaz contra a judaização que uma adesão efetiva à vida cristã, o que implica no cumprimento privado e público da lei natural e sobrenatural. Quando os cristãos se debilitam neste cumprimento, vão caindo de modo insensível, mas seguro, no domínio judaico.
A história consiste em uma disputa entre Cristo e o diabo por apoderar-se dos homens
Do que dissemos fica claro que na história intervêm três protagonistas principais. O homem que, dedicado a múltiplas atividades profissionais, econômicas, políticas e culturais, deverá decidir com seu ato livre e em cada ato que destino e que sentido quer dar ao curo da história. O diabo que, operando através do exterior e, sobretudo, através dos grandes meios do poder, trata de sugerir em cada homem o amor de si próprio. Deus que, agindo no mais recôndito do coração humano, o move suavemente, mas com força, para a prática do amor autentico. Destes três protagonistas, apenas Deus tem um domínio total e soberano sobre a história, que exerce de acordo com os desígnios inescrutáveis de sua sabedoria e vontade.
A história é concretamente o campo aonde o divino semeador semeou a boa semente e aonde o diabo semeou também o joio. É o mar e a rede que se joga no mar e recolhe peixes de toda espécie. Nela, o mal está misturado com o bem e isso na proporção que só Deus conhece, e assim há de ser sempre até o fim da história.
A história é o campo da disputa entre Cristo e o demônio pela posse total do homem. Cristo emprega sobre todos meios sobrenaturais operando no interior dos corações aonde se determina verdadeiramente a intenção pela qual o homem age. Nessa intenção do agir humano se determina se o homem aceita a Deus como fim ultimo de sua vida ou, em troca, se aceita a si mesmo. Ao determinar o fim ultimo da vida nessa intenção última, se dá, por conseguinte, sentindo e significação a todos os outros bens em que a vida se desenvolve. Nesta luta se decide o juízo ultimo de todos os acontecimentos humanos, sejam públicos, sejam privados, porque todos eles, seja qual for sua natureza e suas dimensões, se resolvem definitivamente nessa intenção última e suprema aonde o homem decide por Deus ou pela criatura.
Na história há, definitivamente, dois grandes adversários que disputam entre si a totalidade do homem: Cristo e o diabo. Porque se cada ato humano deve decidir-se definitivamente pôr um fim último – Deus ou a criatura, Cristo ou o diabo – toda a história, que por ser humana é determinada por atos humanos, também ela pertence a Cristo ou ao diabo e, em absoluto, só a Cristo na medida em que até o diabo cai sob o seu domínio.
Daí resulta que Cristo é sempre o vitorioso da história, o Senhor da vida e da morte, o Alfa e o Ômega. Triunfa pelo amor e pela misericórdia nos predestinados, triunfa também pela justiça nos réprobos. A história escreve sempre o nome de Cristo e só o nome de Cristo. Cristo que transcende a história é também imanente a todo o devir histórico. Todo o curso da história marcha para Cristo por caminhos que só Deus conhece.
A disputa entre Cristo e o demônio se trava no domínio da civilização temporal
A disputa entre Cristo e o diabo se cumpre no interior do coração do homem. Mas seria um erro concluir daí que o campo da vida temporal do homem é terreno neutro de disputa. De nenhuma maneira. Porque, embora o destino da vida humana se decida no interior do coração, se decide ali sobre o que se faz na vida temporal. O homem desenvolve sua vida em atividades temporais que satisfaçam suas necessidades elementares e façam progredir os meios de satisfazer essas mesmas necessidades. Sua vida de familiar, laboral, cultural, forma o tecido de ações e de atividades de onde emerge a civilização temporal e nas quais há de tecer sua decisão última e seu destino eterno. Daí a importância do sentido que se atribua a essa civilização temporal na relação com a vida eterna.
Essa civilização ajuda com o seu sentido na cristianização da vida ou, ao contrário, a dificulta? É claro que uma civilização que favorece a degradação das ideias e dos costumes, que corrompe a instituição familiar, que paganiza a vida pública, não pode ajudar a catequização de um povo. A civilização chamada ocidental, laicista e de ateísmo libertário, não é propicia para devolver o sentido de Deus às almas. Muito menos o é a civilização ateia e de trabalho forçado dos países comunistas. O fato de que apesar disso Deus consiga influir sobre os corações e salve nessas civilizações a muitos escolhidos, não pode deixar de nos convencer que são civilizações perversas que perdem a muitas almas, que postas em condições propicias e favoráveis à Fé cristã, se salvariam. Com essas civilizações o diabo consegue que a mensagem Cristã não chegue aos gentis e que estes se salvem (I Tes., 2, 14 e ss.).
É claro que deus pode deixar entregue ao domínio temporal dos povos e civilizações em poder do diabo e mesmo assim ganhar a verdadeira batalha, que é a saúde dos escolhidos. Mas o fato de que Deus possa atingir seus fins apesar das civilizações anticristãs, não nos autoriza estimular estas civilizações e deixar de trabalhar pra que impere a verdadeira civilização cristã.
A tarefa necessária, hoje, em prol da civilização cristã
Daí que a Igreja com insistência, desde os dias de Leão XIII, clama pela restauração da civilização ou da Cidade Católica. Mais adiante traremos as recordadas palavras de São Pio X que são clássicas na matéria. Mas podemos citar também as de Pio XI e de Pio XII. Este pontífice deu ao mundo inteiro em 19 de setembro de 1944 uma mensagem sobre este tema da “civilização cristã”. Ali manifesta textualmente que “a fidelidade ao patrimônio da civilização cristã, sua defesa intrépida contra todas as correntes ateias ou anticristãs, é chave de abóboda, que nunca poderá ser sacrificada nem diante de uma vantagem transitória nem diante de qualquer combinação mutável”.
Para a Igreja, esta palavra “civilização cristã” não é uma mera palavra vazia de conteúdo. Ao contrário, a considera apontando para um patrimônio vivo que ainda alimento substancialmente a vida de muitos povos. Por isso Pio XII neste mesmo documento diz umas palavras que merecem ser lembradas: “Europa – expressa- e os outros continentes vivem ainda, em grau diverso, graças às forças vitais e aos princípios que a herança do pensamento cristão lhes dá testemunho quase como uma transfusão espiritual de sangue. Alguns chegam a esquecer este precioso patrimônio, a depreciá-lo, inclusive a desprezá-lo; mas subsiste sempre o fato daquela sucessão hereditária. Até certo ponto um filho pode renegar sua mãe; mas não por isso deixa de estar unido biológica e espiritualmente. Assim também os filhos que se afastam da casa paterna e se consideram estranhos a ela, ouvem sempre, no entanto, às vezes inconscientemente e a seu pesar, como voz do sangue, o eco daquela herança crista, que muitas vezes em seus intentos e em sua conduta lhes preserva de se deixar dominar totalmente e guiar pelas falsas ideias, as que, intencionalmente ou de fato, aderem”.
Nestas palavras se encerra toda uma teologia da civilização moderna que dá sentido àquelas palavras da proposição 80 do “Syllabus” que negava a possibilidade de conciliação da Igreja com a civilização moderna. Porque, com efeito, se esta é a tarefa pesada que a Igreja tem pela frente, fazer a civilização moderna conforme o evangelho, é porque esta civilização se encontra na tentativa absurda de querer edificar-se fora de Deus.
Há que refazê-la totalmente, como ensina Pio XII.
Mas antes de considerar o tipo de tratamento profundo que necessita, a civilização moderna deverá considerar em que espécie de aberração caiu.”
(Padre Julio Meinvielle, El Comunismo em la Revolución Anticristiana)
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016
O matrimônio homossexual ou a politização da natureza
“A intenção do reconhecimento legal do matrimônio homossexual (demandado agora pelo primeiro ministro David Cameron) é um fato político que busca eliminar a identidade do verdadeiro matrimônio, uma conseqüência da politização que se fez da natureza humana com o fim de modificá-la e refundá-la a partir da legislação. Deve-se dizê-lo desde o princípio: nunca houve norma alguma, em nenhuma cultura, que pretendesse reconhecer as uniões homossexuais como verdadeiro matrimônio.
A niilista revolução francesa já não tomou como base da ordem humana a natureza humana, conforme a idéia de uma ordem natural, mas segundo a nova ordem constitucional: o homem como questão de direitos, modificável até a decomposição. É moderno – sustentava Nicolás Gómez Dávila – o que seja produto de um ato inicial de soberba, o que pareça permitir-nos eludir a condição humana.
A Igreja católica britânica já apertou o botão de alarme diante do projeto do governo britânico de legalizar o matrimônio homossexual. Segundo o cardeal Keith O’Brien, trata-se de “uma grotesca subversão de um direito humano universalmente aceito”, afirmando, assim mesmo, que “nenhum governo tem a autoridade moral para desmantelar a definição universalmente reconhecida do matrimônio”.
O matrimônio homossexual é um contrasenso, um erro conceitual, uma incoerência dos princípios que se contrapõem de um modo inaceitável, uma manipulação, uma mentira e uma injustiça, enquanto não respeita a gramática da linguagem corporal entre um homem e uma mulher. Não se trata de rejeitar um conflito, mas de negá-lo, declarando abertamente sua falta de existência: não existe o matrimônio homossexual. Submeter a natureza, em lugar de reconhecê-la, modificar a linguagem do amor terá como resultado contradizer uma noção universalmente admitida, que não perdeu nenhuma vigência.
Ademais, não pode a legislação decidir o matrimônio, fundado só no afeto e na satisfação pessoal, na liberdade e na cultura, no desejo como a categoria que leva à união ou à rápida separação. O reconhecimento do matrimônio homossexual e sua equiparação com a família é uma injustiça cometida pelo legislador, que não pode conceder aos homossexuais os direitos reservados aos esposos.
Em sua Alocução ao Tribunal da Rota Romana (21-I-1999), o Papa João Paulo II afirmou a incongruência de pretender atribuir uma realidade conjugal à união entre pessoas do mesmo sexo. Opõe-se a isso, sobretudo, “a impossibilidade objetiva de fazer frutificar o matrimônio mediante a transmissão da vida, segundo o projeto inscrito por Deus na estrutura do ser humano”, e se opõe igualmente “a ausência dos pressupostos para a complementariedade interpessoal querida pelo Criador, no plano físico-biológico, entre o varão e a mulher”. A idéia de equiparar as relações homossexuais com o matrimônio no que se refere a suas conseqüências jurídicas significaria tratar “igualmente” o desigual, o que vai contra o próprio princípio de igualdade. Tratar os homossexuais com igualdade significa tratá-los de maneira diferente que aos esposos, porque são duas realidades distintas.
É uma obviedade – que brota da mesma constituição somática e psíquica do ser humano – a alteridade homem-mulher ordenada a uma vida sexual especificamente humana. A sexualidade é a fecunda linguagem corporal do amor entre um homem e uma mulher, e tem seu lugar próprio no matrimônio, único “lugar digno” para trazer ao mundo um ser humano, como afirmara há dias Bento XVI.
Já percebia com perspicácia E. Fromm que a polaridade sexual ensaiava desvanecer-se, e com ela o amor erótico, fundado na dita polaridade. Homens e mulheres querem ser idênticos, não iguais como polos opostos. Segundo Fromm, o desvio homossexual é um fracasso na realização da união polarizada, e por isso o homossexual sofre a dor da “separatividade” nunca resolvida; fracasso, contudo, que compartilha com o heterossexual corrente que não pode amar.
Neste horizonte, a homossexualidade se apresenta como algo estranho à natureza. Ninguém poderá discutir que as relações sexuais são estéreis, considerando que no plano biológico a sexualidade adquire seu primeiro sentido na reprodução. Assim mesmo, a estrutura do corpo humano não permite uma verdadeira união amorosa entre dois corpos do mesmo sexo. O intento de submeter a realidade à ideologia só será causa de sofrimentos.
A legislação não poderá nunca destruir a natureza, visto que o matrimônio é a união de um homem e uma mulher, ordenada à procriação e educação dos filhos. Nenhum parlamento tem poder algum sobre a realidade. Os homossexuais não podem casar-se porque não está em seu poder fazê-lo: não se pode fazer depender o verdadeiro e o falso, o bem e o mal, das diferentes pulsões, da vontade ou dos desejos das pessoas.
Ninguém poderá discutir tampouco a essencial contribuição ao bem comum da família, uma contribuição que os homossexuais não estão em condições de oferecer. Exigir prestações sem dar nada em troca é algo essencialmente injusto. É a família quem assegura, graças aos filhos, o futuro inclusive das pensões, oferecendo uma notável segurança a seus membros e sendo, assim mesmo, o lugar onde se mantém viva a identidade de um povo. O próprio Estado se encontra obrigado a reconhecer a família como célula autêntica da sociedade, já que não existe outra forma de vida capaz de prestar sua contribuição ao bem comum na mesma medida. Matrimônio e família se encontram em uma melhor situação que qualquer outra fórmula de convivência alternativa, não em razão de privilégios políticos ou infundados, mas precisamente em virtude de sua inestimável contribuição ao bem da comunidade.
Os homossexuais deverão ter todos os direitos como os demais cidadãos, mas não por sua homossexualidade, e sim à margem dela. Não está nos homossexuais o poder casar-se. Nenhuma lei poderá fazer de uma relação homossexual um matrimônio sem perverter, ao mesmo tempo, as leis da natureza na assunção de um falso direito à autodeterminação.”
(Roberto Esteban Duque, El Matrimonio Homosexual o la Politización de la Naturaleza)
A niilista revolução francesa já não tomou como base da ordem humana a natureza humana, conforme a idéia de uma ordem natural, mas segundo a nova ordem constitucional: o homem como questão de direitos, modificável até a decomposição. É moderno – sustentava Nicolás Gómez Dávila – o que seja produto de um ato inicial de soberba, o que pareça permitir-nos eludir a condição humana.
A Igreja católica britânica já apertou o botão de alarme diante do projeto do governo britânico de legalizar o matrimônio homossexual. Segundo o cardeal Keith O’Brien, trata-se de “uma grotesca subversão de um direito humano universalmente aceito”, afirmando, assim mesmo, que “nenhum governo tem a autoridade moral para desmantelar a definição universalmente reconhecida do matrimônio”.
O matrimônio homossexual é um contrasenso, um erro conceitual, uma incoerência dos princípios que se contrapõem de um modo inaceitável, uma manipulação, uma mentira e uma injustiça, enquanto não respeita a gramática da linguagem corporal entre um homem e uma mulher. Não se trata de rejeitar um conflito, mas de negá-lo, declarando abertamente sua falta de existência: não existe o matrimônio homossexual. Submeter a natureza, em lugar de reconhecê-la, modificar a linguagem do amor terá como resultado contradizer uma noção universalmente admitida, que não perdeu nenhuma vigência.
Ademais, não pode a legislação decidir o matrimônio, fundado só no afeto e na satisfação pessoal, na liberdade e na cultura, no desejo como a categoria que leva à união ou à rápida separação. O reconhecimento do matrimônio homossexual e sua equiparação com a família é uma injustiça cometida pelo legislador, que não pode conceder aos homossexuais os direitos reservados aos esposos.
Em sua Alocução ao Tribunal da Rota Romana (21-I-1999), o Papa João Paulo II afirmou a incongruência de pretender atribuir uma realidade conjugal à união entre pessoas do mesmo sexo. Opõe-se a isso, sobretudo, “a impossibilidade objetiva de fazer frutificar o matrimônio mediante a transmissão da vida, segundo o projeto inscrito por Deus na estrutura do ser humano”, e se opõe igualmente “a ausência dos pressupostos para a complementariedade interpessoal querida pelo Criador, no plano físico-biológico, entre o varão e a mulher”. A idéia de equiparar as relações homossexuais com o matrimônio no que se refere a suas conseqüências jurídicas significaria tratar “igualmente” o desigual, o que vai contra o próprio princípio de igualdade. Tratar os homossexuais com igualdade significa tratá-los de maneira diferente que aos esposos, porque são duas realidades distintas.
É uma obviedade – que brota da mesma constituição somática e psíquica do ser humano – a alteridade homem-mulher ordenada a uma vida sexual especificamente humana. A sexualidade é a fecunda linguagem corporal do amor entre um homem e uma mulher, e tem seu lugar próprio no matrimônio, único “lugar digno” para trazer ao mundo um ser humano, como afirmara há dias Bento XVI.
Já percebia com perspicácia E. Fromm que a polaridade sexual ensaiava desvanecer-se, e com ela o amor erótico, fundado na dita polaridade. Homens e mulheres querem ser idênticos, não iguais como polos opostos. Segundo Fromm, o desvio homossexual é um fracasso na realização da união polarizada, e por isso o homossexual sofre a dor da “separatividade” nunca resolvida; fracasso, contudo, que compartilha com o heterossexual corrente que não pode amar.
Neste horizonte, a homossexualidade se apresenta como algo estranho à natureza. Ninguém poderá discutir que as relações sexuais são estéreis, considerando que no plano biológico a sexualidade adquire seu primeiro sentido na reprodução. Assim mesmo, a estrutura do corpo humano não permite uma verdadeira união amorosa entre dois corpos do mesmo sexo. O intento de submeter a realidade à ideologia só será causa de sofrimentos.
A legislação não poderá nunca destruir a natureza, visto que o matrimônio é a união de um homem e uma mulher, ordenada à procriação e educação dos filhos. Nenhum parlamento tem poder algum sobre a realidade. Os homossexuais não podem casar-se porque não está em seu poder fazê-lo: não se pode fazer depender o verdadeiro e o falso, o bem e o mal, das diferentes pulsões, da vontade ou dos desejos das pessoas.
Ninguém poderá discutir tampouco a essencial contribuição ao bem comum da família, uma contribuição que os homossexuais não estão em condições de oferecer. Exigir prestações sem dar nada em troca é algo essencialmente injusto. É a família quem assegura, graças aos filhos, o futuro inclusive das pensões, oferecendo uma notável segurança a seus membros e sendo, assim mesmo, o lugar onde se mantém viva a identidade de um povo. O próprio Estado se encontra obrigado a reconhecer a família como célula autêntica da sociedade, já que não existe outra forma de vida capaz de prestar sua contribuição ao bem comum na mesma medida. Matrimônio e família se encontram em uma melhor situação que qualquer outra fórmula de convivência alternativa, não em razão de privilégios políticos ou infundados, mas precisamente em virtude de sua inestimável contribuição ao bem da comunidade.
Os homossexuais deverão ter todos os direitos como os demais cidadãos, mas não por sua homossexualidade, e sim à margem dela. Não está nos homossexuais o poder casar-se. Nenhuma lei poderá fazer de uma relação homossexual um matrimônio sem perverter, ao mesmo tempo, as leis da natureza na assunção de um falso direito à autodeterminação.”
(Roberto Esteban Duque, El Matrimonio Homosexual o la Politización de la Naturaleza)
sábado, 3 de dezembro de 2016
Cinco "dubia"

“Em um escândalo de gravidade sem precedentes mesmo no reinado escandaloso do Papa Francisco como Papa Católico desde 2013, quando foi desafiado por quatro honrados Cardeais em sua aparente negação da própria base do ensino da Igreja sobre a moral, ele acaba de dar respostas em público que praticamente afirmam a liberdade do homem em relação à lei moral do Deus Todo-Poderoso. Com essa afirmação papal da religião Conciliar do homem em oposição à religião católica de Deus, um cisma na Igreja Universal é iminente. Durante meio século desde o Vaticano II, os papas conciliares conseguiram manter-se, de certa forma, como chefes de duas religiões opostas, mas essa contradição não poderia durar indefinidamente e logo deveria resultar em uma divisão.
Em 2014 e 2015 Francisco realizou Sínodos em Roma para consultar os bispos do mundo sobre questões relativas à família humana. Em 19 de março deste ano ele publicou sua Exortação Apostólica pós-sinodal sobre “Amor na Família”, cujo oitavo de nove capítulos suscitou controvérsias desde o começo. Em 15 de setembro quatro Cardeais em particular enviaram ao Papa uma carta privada e perfeitamente respeitosa na qual pediram a ele, como Sumo Pontífice, que esclarecesse cinco “dubia” ou pontos duvidosos de doutrina deixados pouco claros na Exortação. Aqui está a essência dos cinco pontos:
1. Da Exortação nº 305, uma pessoa casada vivendo como marido e mulher com uma pessoa que não seja seu cônjuge legítimo a partir de agora pode receber a Absolvição e a Comunhão sacramentais enquanto eles continuam a viver em seu estado semimatrimonial?
2. Da nº 304, alguém precisa acreditar que existam ainda normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus, e que são sem exceção obrigatórias?
3. Da nº 301, alguém pode, ainda, dizer que uma pessoa vivendo em violação aos mandamentos de Deus, por exemplo, em adultério, está em uma situação objetiva de pecado habitual grave?
4. Da nº 302, alguém pode, ainda, dizer que as circunstâncias ou intenções em torno de um ato intrinsecamente mau em si mesmo nunca podem mudá-lo para que seja subjetivamente bom, ou aceitável como uma escolha?
5. Da nº 303, ainda, devemos excluir qualquer papel criador da consciência, e então esta consciência nunca poderá autorizar exceções às normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus por seu objeto?
Para estas cinco questões de sim-ou-não a resposta da Igreja Católica de Seu Divino Senhor em diante sempre foi clara e nunca mudou: a Comunhão não pode ser dada aos adúlteros; há normas morais absolutas; tal “pecado habitual grave” existe; as boas intenções não podem tornar atos maus em bons; a consciência não pode fazer com que atos maus sejam legítimos. Em outras palavras, para as cinco perguntas de sim ou não, preto ou branco, a resposta da Igreja sempre foi: 1. Não, 2. Sim, 3. Sim, 4. Sim, 5. Sim.
Em 16 de novembro, há apenas dez dias, os quatro Cardeais escreveram sua carta pública (cf. Mt. XVIII, 15-17). Em 18 de novembro, em uma entrevista concedida ao periódico italiano Avvenire, o Papa Francisco respondeu o exato oposto das questões sim-ou-não: 1. Sim, 2. Não, 3. Não, 4. Não, 5. Não. (Ele afirmou que cada vez que “tais coisas não sejam pretas ou brancas, somos chamados a discernir”, mas estava meramente tentando confundir as questões imutáveis de princípio com questões instáveis de aplicação de princípios que vêm após as questões de princípio).
Todo crédito aos quatro Cardeais por obterem luz e verdade para muitas ovelhas confusas que desejam entrar no Paraíso: Brandmüller, Burke, Caffara e Meisner. Eles podem estar imersos no Novus Ordo, mas obviamente não perderam toda a coragem ou senso de seu dever. Não se pode questionar que eles tenham agido de outra forma que não com o melhor dos motivos para pressionar o Papa a fazer-se a si mesmo mais claro. E onde essa clareza deixa a Igreja? Deve ser à beira do cisma.”
(Mons. Richard Williamson, Five “Dubia”)
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