domingo, 27 de setembro de 2015

Excepcionalismo, assimilação e imperialismo


“Esta abordagem abstrata da assimilação deriva, no fim das contas, da convicção – tão ingênua quanto chauvinista – de que a América é um país excepcional, que não se baseia em sangue, solo e parentesco, mas é uma nação “dedicada à proposição de que todos os homens nascem iguais”. Seus proponentes são rápidos em rotular a posição mais desatualizada, de que a nação é metaforicamente uma família expandida, como preconceito, mas nenhuma repetição ou extravagância retórica pode maquiar a lógica perigosa que está em ação. Se amo meu país porque ele é meu, então devo ser-lhe leal, ainda que discorde de suas políticas, mas não necessariamente considero-o superior ao país de qualquer pessoa, e posso não ter a disposição de dizer que todos os outros países, na medida em que são legítimos e dignos de respeito, devem se aproximar do meu.
Mas isso é exatamente em que ficam insistindo os advogados da “nação proposicional”. Os Estados Unidos não são apenas a melhor nação da história do mundo, mas também o farol da humanidade, o lar natural de todas as pessoas boas e decentes do mundo e o inimigo de todos os regimes que negam a seus súditos direitos iguais. Deste modo, pelo mesmo argumento, uma nação proposicional é obrigada a abrir suas fronteiras a estrangeiros “que anseiam por respirar a liberdade”, mas também está justificada a empenhar-se em infinitas cruzadas para impor suas proposições ao restante do mundo.”
(Thomas Fleming, Up Mexico Way)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Poder civil, laicismo e fim último do homem


“Se ao poder civil corresponde ordenar a vida em comum para que esta seja possível, justa e virtuosa, à Igreja compete manter essa noção de virtude e o termo para o qual deve ordenar-se. Não pode a sociedade civil por si mesma (neutra ou “laicamente”) orientar os homens para a consecução da virtude sem a colaboração da Igreja que, mantendo o depósito da fé, poderá outorgar fundamento e sentido último às leis, fervor à comunidade e enlace ou orientação transcendente à ordem temporal. A independência dentro de seus limites do poder temporal e do espiritual exige uma simultânea complementação e harmonia dentro do que pode chamar-se sociedade global humana e nos assuntos mistos que visam tanto a um fim temporal quanto ao sobrenatural. Daí que quando a Igreja abandona os postos retores e a representação que organicamente lhe corresponde em uma sociedade cristã a título de ‘renunciar a todo poder terreno’, ou quando deixa de defender a unidade religiosa de um país onde esta existe e é reconhecida, não realiza um ato de generosa renúncia ao que é renunciável, nem outorga uma liberdade que está em suas mãos outorgar, mas realiza uma deserção daquilo que é o seu dever e que constitui uma parte fundamental de sua missão. Porque uma sociedade sem laços para com Deus, sem pontes com a Eternidade (labor do pontífice), é, como o homem sem fé, uma Cidade sem esperança, regida pelas paixões desregradas, seja de poder, de conforto ou de igualdade; paixões insaciáveis em si mesmas, via que leva à indolência, à inconformidade ambiental, à violência e à corrupção. A partir da Revolução [francesa], e consonante com a básica antropologia racionalista, a ‘ortodoxia pública’ moderna estabelece que o fim único do homem – tanto individual como politicamente – é a sua própria realização ou desenvolvimento, sempre em luta contra toda forma de obstáculo, constrição, mitologia ou (em linguagem já atual) alienação. A Cidade humana, como a casa na definição de Le Corbusier, será uma mera ‘máquina para viver’. Já não significará palácio nem pátria, não terá rosto humano diferenciado e estável, nem rosto divino: não será sede da família nem da estirpe, nem pátria ou terra dos pais: apenas habitação planificada e administração tecnocrática. O conforto, a dinâmica social, o desenvolvimento e o ‘nível de vida’ se declaram únicos objetivos humanos em uma civilização que – em frase de Gustave Thibon – dotou o homem de todos meios de vida ao mesmo tempo que lhe retirou as razões para viver. Hoje assistimos, como em um pesadelo alucinante, a incorporação – ao menos aparente – de importantes setores da Igreja Católica a esta mentalidade anti-religiosa, tanto no plano da antropologia filosófica como no da laicização político-social. Desde as mais altas alocuções às mais modestas pregações dos ‘novos padres’ uma tênue e declinante tintura religiosa trata de mascarar uma nova pseudo-religião do Homem, do Desenvolvimento e da Paz. Em séculos anteriores surgiram no seio da Catolicidade germes desta mentalidade laicista e antropocêntrica. O protestantismo, em nome da intimidade da fé, propôs desde logo uma dessacralização, não apenas da ordem política, mas da própria Igreja; o modernismo, no século passado, e começo deste, sugeriu uma paulatina dissolução da Igreja na humanidade inteira – ‘povo de Deus’ – e a interpretação das promessas evangélicas como o cumprimento do progresso científico e social. Uma e outra tendência foram prontamente expelidas da ortodoxia católica.
À nossa época estava reservado um novo e generalizado germe de tais tendências até atingir a aparente supremacia no seio da própria Igreja. A concepção sustentada por Maritain da nova Cidade laica-cristã e as tendências da Democracia cristã que buscam a todo transe a harmonização entre o cristianismo e o Estado novo nascido da Revolução; o teilhardismo e o progressismo que pretendem uma identificação da fé cristã (previamente desmitificada) com as supostas conquistas da Ciência e técnica modernas e do evolucionismo, abrem caminho a uma absurda interpretação do Cristianismo como um ‘serviço à Humanidade’, ou como um auxiliar ‘espiritual’ da Democracia e do Socialismo universais. Não outro é o sentido de boa parte das palavras que as hierarquias muito autorizadas da Igreja Pós-conciliar nos fazem passar como ‘palavra de Deus’.”
(Rafael Gambra Ciudad, Sociedad y Religación: la Ciudad como Habitáculo Humano)

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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Decisões do papa Francisco infligem uma grave ferida no matrimônio cristão


“Os dois Motu proprio do Papa Francisco, Mitis iudex Dominus Iesus para a Igreja latina, e Mitis et misericors Iesus para as Igrejas orientais, publicados em 8 de setembro de 2015, infligem uma grave ferida no matrimônio cristão.
A indissolubilidade do casamento é uma lei divina e imutável de Jesus Cristo. A Igreja não pode “anular”, no sentido de dissolver um casamento. Ela pode, por uma declaração de nulidade, verificar a inexistência, em razão da falta dos requisitos (condições) que assegurem a sua validade. Isto significa que em um processo canônico a prioridade da Igreja não é o interesse dos cônjuges na obtenção de uma declaração de nulidade, mas a verdade a propósito da validade do vínculo matrimonial. Pio XII nos lembra desse propósito que “no processo matrimonial o fim único é uma decisão conforme a verdade e o direito a respeito da alegada inexistência do vínculo matrimonial no referido processo de nulidade” (Discurso à Rota Romana, 2 de outubro de 1944).
O fiel pode enganar a Igreja para obter a nulidade, por exemplo, utilizando uma falsa testemunha, mas a Igreja não pode enganar a Deus e tem o dever de apurar a verdade de modo claro e rigoroso. No processo canônico deve ser defendido acima de tudo o supremo interesse de uma instituição divina, que é o casamento. O reconhecimento e a proteção desta realidade são formulados no âmbito jurídico com a sintética expressão “favor matrimonii”, ou seja, a presunção, até prova em contrário, da validade do casamento. João Paulo II explicou bem que a indissolubilidade é apresentada pelo Magistério como a lei comum de todo casamento celebrado, porque se pressupõe a sua validade, independentemente do sucesso da vida conjugal e da possibilidade, em certos casos, de uma declaração de nulidade (Discurso à Rota Romana, 21 de janeiro de 2000).
Quando o Iluminismo procurou ferir o matrimônio cristão de morte, o Papa Bento XIV, pelo decreto “De miseratione” de 3 de novembro de 1741, ordenou que em cada diocese fosse nomeado um “defensor vinculi” e introduziu, para obter a declaração de nulidade, o princípio da necessária concordância das sentenças nos dois graus de julgamento. O princípio da dupla sentença concordante foi consagrado pelo Código de Direito Canônico de 1917 e incorporado no código promulgado por João Paulo II em 25 de janeiro de 1983.
No Motu Proprio do Papa Francisco, essa ótica é invertida. O interesse dos cônjuges tem primazia sobre o do casamento. É o próprio documento que o afirma, resumindo nestes pontos os critérios fundamentais da reforma: abolição das duas sentenças concordantes, substituídas por uma única decisão a favor da nulidade, executável por si só; atribuição de um poder monocrático ao bispo, reputado único juiz; introdução de um processo sumário realmente incontrolável, com a substancial eliminação do papel da Rota Romana.
Como interpretar de outro modo, por exemplo, a abolição da dupla sentença? Quais são os graves motivos pelos quais, depois de 270 anos, esse princípio é revogado? O Cardeal Burke lembrou que existe nesse propósito uma catastrófica experiência. Nos Estados Unidos, de julho de 1971 a novembro de 1983, entraram em vigor as chamadas “Provisional Norms”, que eliminaram de fato a obrigatoriedade da dupla sentença. O resultado foi que a Conferência Episcopal não negou um só pedido de dispensa entre as centenas de milhares recebidas e, na percepção comum, o processo começou a ser chamado de “divórcio católico” (cf. Permanere nella Verità di Cristo. Matrimonio e comunione nella Chiesa cattolica) (ndt: en français “Demeurer dans la vérité du Christ“, ed Artège).
Mais grave ainda é a atribuição ao bispo diocesano da faculdade, como único juiz, de instruir discricionariamente um julgamento sumário e chegar à sentença. O bispo pode exercer pessoalmente o seu poder ou delegá-lo a uma comissão, não necessariamente constituída de juristas. Uma comissão formada à sua imagem, que seguirá naturalmente as suas instruções pastorais, como já é o caso dos “centros diocesanos da escuta”, privados até hoje de qualquer competência jurídica. A combinação entre o cânon 1.683 e o artigo 14 sobre as regras de procedimento a esse respeito tem um alcance explosivo. Sobre as decisões pesarão inevitavelmente considerações de natureza sociológica: os divorciados recasados terão, por razões de “misericórdia”, um tratamento preferencial. “A Igreja da Misericórdia – observa Giuliano Ferrara – se pôs a correr” (“Il Foglio”, 9 de setembro de 2015). Corre numa estrada não administrativa, mas “judiciária”, na qual de judiciário resta muito pouco.
Em algumas dioceses, os bispos procurarão garantir a seriedade do processo, mas é fácil imaginar que em muitas outras – por exemplo, da Europa Central – a declaração de nulidade tornar-se-á uma mera formalidade. Em 1993, Oskar Saier, Arcebispo de Friburgo em Brisgau, Karl Lehman, Bispo de Mainz, e Walter Kasper, Bispo de Rottenburg-Stuttgart, publicaram um documento em favor daqueles que estavam certos em consciência da nulidade do seu casamento, mas não tinham os elementos para prová-lo no tribunal (Evêques de l’Oberrhein, Accompagnement pastoral des personnes divorcées, “Il Regno Documenti”, 38 (1993), pp. 613-622). A Congregação para a Doutrina da Fé respondeu com a Carta “Annus Internationalis Familiae“de 14 de setembro de 1994, afirmando que essa via não era percorrível, porque o casamento é uma realidade pública: “não reconhecer este aspecto essencial significaria negar de fato que o casamento existe como realidade da Igreja, quer dizer, como um sacramento”. Mas a proposta foi retomada recentemente pelo serviço diocesano de pastoral de Friburgo em Brisgau (Directives pour la pastorale des divorcés, “Il Regno Documenti”, 58 (2013), pp. 631-639), segundo o qual os divorciados recasados, após a “nulidade de consciência” do casamento anterior, poderão receber os sacramentos e exercer funções nos conselhos paroquiais.
O “favor matrimonii” é substituído pelo “favor nullitatis”, que passa a constituir o elemento principal do direito, enquanto a indissolubilidade é reduzida a um “ideal” impraticável. A afirmação teórica da indissolubilidade do casamento é de fato acompanhada na prática pelo direito à declaração de nulidade de qualquer vínculo fracassado. Bastará acreditar em consciência que o próprio casamento é inválido para fazê-lo reconhecer como nulo pela Igreja. É o mesmo princípio pelo qual alguns teólogos consideram como “morto” um casamento em que, de acordo com ambos os cônjuges ou com um deles, “o amor está morto”.
Em 29 de janeiro de 2010, Bento XVI advertiu o Tribunal da Sagrada Rota Romana para não consentir na anulação de casamentos pela “condescendência aos desejos e às expectativas das partes, ou então aos condicionamentos do ambiente social”. Mas nas dioceses da Europa Central, a declaração de nulidade vai se tornar um ato de mera formalidade, como aconteceu nos Estados Unidos na época das Provisional Norms. Pela conhecida lei segundo a qual “a moeda falsa expulsa a boa”, no caos que virá a impor-se, o “divórcio sumário” está destinado a prevalecer sobre o matrimônio indissolúvel.
Fala-se há mais de um ano de cisma latente na Igreja, mas quem o diz agora é o cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que num discurso em Regensburg evocou o risco de uma divisão na Igreja, convidando a ser muito vigilante e não esquecer a lição do cisma protestante que inflamou a Europa há cinco séculos.
Na véspera do Sínodo sobre a família em outubro, a reforma do Papa Francisco não apaga nenhum incêndio, mas o alimenta e aplaina o caminho para outras desastrosas inovações. “Não é mais possível ficar calado”.”
(Roberto de Mattei, Una Ferita al Matrimonio Cristiano)

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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Invasão silenciosa

"As igrejas, a maior parte dos partidos, uma variedade de instituições e associações, o mundo do espetáculo, durante anos têm lutado pela entrada de imigrantes, pela abertura de fronteiras, pela impossibilidade de expulsão dos clandestinos. Motivados por um certo etnomasoquismo? Por xenofilia? Por ingênuas interpretações da religião dos direitos humanos? Por esnobismo antirracista ou politicamente correto? Por vontade deliberada de miscigenar a França e a Europa, por ódio à integridade étnica europeia? Sem dúvida um pouco de tudo. Em todo o caso constata-se uma mistura de fatalismo, caro à imigração descontrolada, considerada já incontrolável. Um fatalismo autodestrutivo em relação ao próprio povo: 'Sim, invadam-nos, fazem-nos um favor!'"
(Guillaume Faye, La Colonisation de l'Europe)

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terça-feira, 15 de setembro de 2015

A verdade sobre a crise de refugiados

As Verdades sobre Refugiados

O vídeo que explica TUDO sobre esta crise de "refugiados". PARTILHEM é preciso que a verdade chegue a todos aqueles que ainda estão a comer tudo que a comunicação social debita dia após dia!Ajudem os Portugueses que realmente necessitam!https://www.facebook.com/events/976358885760076

Posted by Não aos refugiados em Portugal on Quarta, 9 de setembro de 2015

sábado, 12 de setembro de 2015

Nota oficial do governo húngaro sobre a migração

Nota Informativa sobre a Situação da Migração na Hungria
Resumo Executivo
- Foram realizados 160.000 cruzamentos fronteiriços ilegais para a Hungria, o percentual mais alto per capita de qualquer país da UE em meio a uma crise migratória sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.
- A Hungria não atua livremente, está obrigada por todas as leis da UE, tal como estabelece o Acordo de Schengen sobre a proteção das fronteiras exteriores comuns e o Regulamento de Dublin sobre o registro de refugiados. A Hungria não pode permitir que os refugiados saiam do país sem o consentimento da Áustria e da Alemanha.
- No passado dia 4 de setembro, Áustria e Alemanha, devido às circunstâncias extraordinárias, concordaram com a suspensão destas regras. Graças a isso a Hungria se encontrava em condições de oferecer transporte aos migrantes até a fronteira com a Áustria.
- A Hungria proporcionou alimentos, água, medicamentos de emergência e abrigo a todas aquelas pessoas que iam até os abrigos destinados a alojá-las.
Perguntas e Respostas
Qual é a envergadura do desafio?

A situação atual é dramática, é a maior onda migratória na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Até o dia 2 de setembro foram realizados 159.968 cruzamentos fronteiriços ilegais para a Hungria e foram apresentados 148.643 pedidos de asilo. Em termos per capita o percentual é, com folga, o maior da UE e até em termos absolutos é um dos mais altos. Isto supõe uma enorme carga para a Hungria. Nenhum dos desafios fundamentais foram abordados adequadamente mediante as ações realizadas pela UE, que quando muito criaram um fator de atração.
Que faz a Hungria para resolver o problema?
A Hungria está fazendo tudo que está a seu alcance para manter o processo dentro do marco jurídico da União Européia. O Governo húngaro se comprometeu a fazer cumprir o Acordo de Genebra, de Schengen e outras normas e regulamentos da UE, inclusive o Regulamento de Dublin. A Hungria considera que a proteção das fronteiras de Schengen, o registro de todas as solicitações de asilo e uma resposta decidida e firme para o tráfico ilegal de pessoas têm uma importância especial.
A chegada de quase 160.000 pessoas encontrou todos desprevenidos. As autoridades húngaras e a sociedade húngara em geral estão fazendo todo o possível para proporcionar auxílio a todos que chegaram a nosso país. Continuamos prestando assistência a todos que se encontram nas instalações criadas para alojar os migrantes, onde ao mesmo tempo podem registrar sua entrada na UE e solicitar asilo.
Por que a Hungria está indiferente à difícil situação dos migrantes?
O Governo da Hungria, assim como a sociedade húngara em geral, estão profundamente comovidos pela situação dos migrantes, independentemente de terem chegado à Hungria legalmente ou de maneira ilegal. A sociedade civil húngara, as organizações beneficentes e os voluntários apressaram-se a responder em massa às necessidades humanitárias dos migrantes. O Governo húngaro adotou um enfoque duplo e enfatizou tanto o respeito às leis e obrigações da UE em matéria de proteção das fronteiras exteriores e as considerações de segurança nacional, quanto a necessidade de um tratamento humano dos migrantes. Foi por razões humanitárias que o Governo húngaro finalmente decidiu proporcionar transporte de emergência a milhares de pessoas que queriam sair em direção à Alemanha, em seguida à decisão da Áustria e da Alemanha de permitir dita passagem.
Por que a Hungria construiu um muro em sua fronteira?
A Hungria construiu uma barreira em suas passagens fronteiriças para proteger a fronteira comum da UE e para assegurar que todo aquele que chega à UE possa se registrar. A legislação da UE estabelece claramente a responsabilidade de proteger as fronteiras de Schengen, pelo que se o Governo húngaro não tivesse cumprido dita norma, teria violado suas obrigações internacionais, segundo as quais todos os que cruzam as fronteiras devem ser detidos e registrados.
A prática de certos países de renunciar aos controles fronteiriços mais básicos e permitir que os migrantes passem sem nenhum tipo de triagem não é a correta. Isto permite aos migrantes chegar às fronteiras dos países da UE que respeitam nossas leis comuns, de forma rápida e sem obstáculos. Esta é uma das principais razões que obrigaram a Hungria a construir o muro fronteiriço. A falta de proteção das fronteiras põe em perigo a pertença da Hungria ao espaço Schengen e representa um risco para toda a Europa. A Hungria não rompeu nenhum tratado ou lei internacional com a construção do muro de proteção na fronteira, a qual tampouco é uma medida sem precedentes; a Bulgária, a Espanha, a Grécia têm muros similares, assim como os Estados Unidos.
Que causou a confusão na estação de trem Keleti?
A caótica situação na estação de trem Keleti em Budapeste foi o resultado de mal-entendidos e de uma falta de comunicação clara, fora do controle do Governo da Hungria. Houve um entendimento generalizado entre os migrantes de que a Alemanha aceitaria todos os cidadãos sírios, baseando-se em alguns comentários mal interpretados das autoridades alemãs. Isto foi negado pela própria chanceler alemã, e nossos colegas alemães deixaram claro que o Regulamento de Dublin continua em vigor, segundo o qual todos têm de registrar-se e solicitar asilo no país da UE onde primeiro entrou no território da União. O que isto significa para a Hungria, um país que respeita todas as normas da UE, é que não podemos simplesmente deixar passar os migrantes para outros países da UE. Os migrantes não estavam dispostos a aceitar dita norma, negaram-se a registrar-se ante as autoridades húngaras e transladar-se a albergues habilitados para eles. Nesta situação tão tensa, as autoridades húngaras tentavam persuadi-los a registrar-se, não obstante durante a crise o objetivo das autoridades húngaras para fazer frente à situação continua sendo evitar a violência. Com o fim de reduzir a magnitude da situação, a liderança da Companhia Ferroviária Estatal Húngara decidiu cancelar os trens que partem para a Áustria e a Alemanha. Após uma interrupção de alguns dias, o tráfego ferroviário internacional voltou a por-se em funcionamento ao longo da manhã do passado dia 5 de setembro, pelo que as rotas internacionais voltaram a funcionar desde Budapeste até a Europa Ocidental e Central (Áustria, Alemanha, Eslováquia, República Tcheca, Polônia etc).
Qual é a posição da Hungria?
A posição da Hungria não mudou. O Governo da Hungria tem constantemente pedido que sejam abordadas as causas fundamentais da crise e que se preste ajuda para proteger a vida e os direitos humanos das pessoas afetadas em seus países de origem. A comunidade internacional deve ajudar a estabilizar os países de origem, a nível político e econômico e em primeiro lugar eliminar as condições que conduzem ao êxodo massivo. Esta foi a principal razão por trás da decisão da Hungria de enviar tropas terrestres para combater o ISIS e ajudar o povo sírio a viver em paz e em liberdade.
A Hungria também tem chamado a atenção da comunidade internacional ao problema da rota de migração dos Balcãs Ocidentais, muito antes do interesse atual dos meios de comunicação. Dada a complexidade do problema, a Hungria propôs organizar em Budapeste (Hungria) uma cúpula internacional de alto nível sobre a rota de migração dos Balcãs Ocidentais. O Governo húngaro dá especial importância à cooperação com os países de origem e os países de trânsito na luta contra o tráfico ilegal de pessoas e na prevenção do regresso dos imigrantes ilegais. A Hungria pede um rápido progresso nestas áreas, assim como no uso mais seletivo e eficaz da Ajuda ao Desenvolvimento Exterior.
A sociedade húngara não está pronta para enfrentar a imigração massiva e isto é uma realidade política que todo governo democrático deve respeitar. Não obstante, ao mesmo tempo a Hungria está totalmente preparada para cumprir com todas suas obrigações legais e morais para com os refugiados.
5 de setembro de 2015.”

http://www.mfa.gov.hu/kulkepviselet/ES/es/

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Mais de 4.000 terroristas do EI chegaram à Europa fazendo-se passar por refugiados


“Mais de 4.000 extremistas do Estado Islâmico (EI) entraram na UE fazendo-se passar por refugiados, informa o periódico britânico ‘Sunday Express’, citando uma fonte na organização terrorista. Segundo a mesma, a operação de transferência se realizou com sucesso.
De acordo com a fonte citada, os extremistas se misturam no fluxo de refugiados nas cidades portuárias turcas de Esmirna e Mersin, de onde partem e atravessando o Mediterrâneo chegam à Itália. Depois os terroristas se dirigem a outros países europeus, na maioria dos casos à Suécia e Alemanha, informa Sunday Express.
Esta informação foi confirmada por dois contrabandistas locais. “Segundo afirmou um deles, ajudou a mais de uma dezena de terroristas a entrar na Europa. Alguns diziam que queriam visitar suas famílias, outros para estar prontos [para agir]”, ressaltou.
Por outra parte, a fonte no EI confirmou que a infiltração de extremistas é o começo de uma vingança pelos ataques aéreos da coalização internacional liderada pelos Estados Unidos.
“Queremos estabelecer um califado não só na Síria, mas em todo o mundo”, asseverou. Entretanto sugeriu que seus ataques se concentrarão nos governos ocidentais e não contra a população civil.
O ex-militar e diretor do website ‘O espião digital’, Juan Antonio Aguilar opina que os meios de inteligência europeus estão conscientes dessa situação. “Sabem perfeitamente quem pode estar vindo entre toda essa multidão de refugiados. Disse-o o próprio EI que vai tentar infiltrar comandos na Europa para responder ao que eles consideram agressão pelos bombardeios” da coalizão internacional, disse à RT o especialista.”

Original em http://actualidad.rt.com

domingo, 6 de setembro de 2015

Trecho de uma entrevista com Alain Escada, presidente de Civitas, sobre a onda migratória que ameaça a Europa

MPI: Justamente, você é católico. Hoje em dia tem-se quase a impressão de que um católico deve ser “acolhedor” e não pode, portanto, rejeitar a imigração.
AE: Aqui também, nosso dever é de denunciar uma interpretação abusiva da caridade cristã. A caridade não consiste em deixar que se instale o caos e promover o desenraizamento. E a caridade política (quando se trata da organização da sociedade) não pode contradizer a responsabilidade política. As autoridades têm o dever de organizar o bem comum dos cidadãos de sua entidade. Elas não podem levar a entidade sobre a qual têm responsabilidade ao desastre sob o pretexto de serem caridosas com os cidadãos externos a essa entidade.
Além disso, a sociedade organizada por Deus não é uma anarquia nem um mundo sem fronteiras. O católico tem mesmo o dever de honrar sua pátria, a terra de seus ancestrais. A identidade e o enraizamento são conceitos legítimos e naturais.
MPI: Mas dizem-nos que esses migrantes estão fugindo da guerra, estão na pobreza, necessitando de abrigo, comida...
AE: Há muitas mentiras que devemos dissecar.
A primeira: não, nem todos esses migrantes estão fugindo da guerra. Os que fogem são uma ínfima minoria dentre eles. Mente-se sobre sua origem. Todos os árabes vêm da Síria ou do Iraque. Todos os negros vêm da Eritréia ou da Nigéria. Isso é besteira! É uma mentira destinada a nos fazer mais facilmente engolir a entrada deles na Europa. Todo imigrante, seja árabe ou da África subsariana, sabe exatamente o que nos deve contar sobre suas pseudo-origens. Quem realmente pode controlar? As autoridades responsáveis pela recepção dos requerentes de asilo estão todas sobrecarregadas.
Em seguida, deve-se notar que a maioria destes migrantes são homens jovens. Se o seu país está em guerra, ele precisa deles. Quando a Europa estava em guerra, eram as mulheres, as crianças e os velhos que partiam nas estradas do êxodo, não os homens em idade de combate.
Segunda mentira: estes imigrantes estão em situação de pobreza. No entanto, eles gastaram milhares de euros para vir para a Europa. E muitos ainda estão dispostos a gastar grandes somas aos contrabandistas para serem levados ao país que imaginam ser mais vantajoso.
Veja então como eles se comportam, se mostram reivindicativos, exigentes… Alguém já viu uma pessoa faminta ser recebida e criticar em seguida o conteúdo de seu prato e a qualidade de seu colchão? Essa é a situação inacreditável a que estamos assistindo freqüentemente da parte de quem não pedimos que viesse até nós.
MPI: E os cristãos orientais?
AE: Eles são sem dúvida os mais legítimos beneficiários de nosso acolhimento. Mas novamente isso seria um desserviço a lhes prestar. Organize o exílio dos cristãos do Oriente e você fará desaparecer o cristianismo no Oriente, o que só vai dar razão ao Estado Islâmico.
Se desejamos sinceramente ajudar os cristãos do Oriente, devemos ajudá-los a viver como cristãos em seus países.
MPI: Sua petição também aponta um paradoxo: a maioria dos imigrantes são muçulmanos mas eles não escolhem como destino os ricos países muçulmanos do Golfo.
AE: Exatamente, e isso demonstra que há um plano por trás desse fenômeno, uma orquestração. Um dos objetivos essenciais é a descristianização da Europa pela substituição de sua população.”

Original em ancejeunessecivitas.hautetfort.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A inteligência corrompida pela tecnologia

“Comprova-se entre os homens de nosso século um nervosismo doentio, provocado por uma atividade dos sentidos desproporcional às forças físicas que Deus nos deu. O rádio, o cinema e, em geral, as invenções modernas são em grande medida a causa disso.
Mas elas seriam um mal menor se se soubesse usá-las com moderação. Ora, não vemos, pelo contrário, a precipitação e a avidez com a qual se perseguem estas sensações e estas impressões violentas? As conseqüências se fazem sentir muito claramente na inteligência, que depende em sua atividade de nosso sistema nervoso.
É assim que as crianças e os jovens mostram uma grande dificuldade para manter uma atenção contínua em classe, que as pessoas maduras mostram repugnância a um trabalho intelectual contínuo, a um esforço de atenção prolongado.
Que será então quando se trate de questões religiosas, nas quais os sentidos têm mais que uma parte reduzida, onde será necessário, desde as coisas sensíveis, elevar-se até as realidades espirituais?”
(Arcebispo Marcel Lefebvre, Carta Pastoral nº 1, A Ignorância Religiosa)

domingo, 30 de agosto de 2015

O clericalismo moderno

“No sentido geralmente aceito, o clericalismo é o abuso do poder pelos clérigos. (...) Com efeito, o clericalismo tal qual foi conhecido no passado consistiu em abusar da autoridade para defender uma situação, uma ordem de coisas que favorecia – ou ao menos aparentava favorecer – a manutenção ou o progresso dos valores religiosos. (...) O clericalismo atual difere sensivelmente do antes descrito. (...) No entanto, o clericalismo subsiste em seu afã de domínio. Sua diferença essencial com o passado consiste em que enquanto o clericalismo “clássico” abusava de seus atributos para a sustentação da fé, o clericalismo “progressista” abusa de sua autoridade para propiciar uma ordem de coisas contrária à fé e à moral cristãs. (...) O paradoxal – na aparência – é que a prepotência do clericalismo progressista se exerce para fazer com que os fiéis abandonem sua fé, sua vida sacramental, sua oração, suas responsabilidades temporais de cristianização do mundo, em virtude de sua autoridade sacerdotal. O mesmo clero que faz ostentação de seu desprezo pela batina, pelo latim, pelo celibato, por tudo tradicional, é o mesmo clero que afirma que o sacerdócio deve ser secularizado e transformado em uma espécie de pai de família que parte o pão entre os seus, é o mesmo clero que utiliza sua condição sacerdotal para submeter por coação moral os fiéis, obrigando-os a aceitar por via de autoridade espiritual suas aberrantes teses. Tudo isso não faz senão colocar de manifesto a comunidade de métodos entre o modernismo denunciado por São Pio X no começo do século e os atuais progressistas. Em nome da fé, impõe-se a destruição da fé. Em nome da autoridade espiritual exige-se o abandono das práticas religiosas, em nome da competência teológica proíbe-se a difusão da doutrina social da Igreja, em nome do Evangelho proíbe-se cristianizar a economia, a política, a cultura.”
(Carlos Alberto Sacheri, La Iglesia Clandestina)