quinta-feira, 30 de julho de 2015

Igreja e pena de morte

“Algumas pessoas podem se surpreender de que a Igreja Católica, que ensina que devemos perdoar nossos inimigos pessoais, possa defender a imposição da pena de morte nos condenados por crimes hediondos contra o bem comum. Essa surpresa, no entanto, não se justifica à luz dos ensinamentos da Igreja e de Seu Fundador, Jesus Cristo, e da aplicação desses ensinamentos.
O Estado e o Indivíduo Têm Deveres Diferentes
A Igreja sempre ensinou que o dever da autoridade pública não é o mesmo do indivíduo. O dever da caridade obriga o indivíduo a perdoar o criminoso que possa ter matado um membro de sua família.
Contudo, a Igreja ensina que o principal dever de caridade do Estado é proteger a ordem pública; defender o bem-estar físico e espiritual dos que lhe são sujeitos. Quando a pena capital é necessária para garantir a segurança pública, o Estado e até mesmo a própria Igreja podem recorrer a ela.
O Catecismo do Concílio de Trento (cap. 33, 1) e o Catecismo da Igreja Católica publicado pelo Papa João Paulo II (arts. 2265, 2266, 2267) reconhecem a legitimidade da pena capital.
Jesus Cristo e os Santos Condenam a Pena de Morte?
Deve-se notar que do imenso exército de santos da Igreja, nenhum jamais negou que Estados constituídos legitimamente tenham o direito e o dever de impor a pena capital. Pelo contrário, Santo Tomás de Aquino, o Príncipe dos Teólogos, justifica a execução de criminosos, ressaltando que o medo da morte muitas vezes faz com que se convertam. De fato, os capelães de prisão freqüentemente testemunham o fato de que é raro ver um prisioneiro condenado que vá para sua execução sem se confessar com um padre ou exprimir seu arrependimento pelo crime que cometeu.
Assim, a pena temporal da morte permite que o criminoso evite a pena de morte eterna que é o inferno. Deste modo, o Estado pratica verdadeira caridade aos condenados por crimes hediondos. Desta perspectiva católica, negar a pena capital, sob o pretexto de perdoar a pena temporal nesta vida, é dar ao criminoso ocasião de reincidir no pecado e perder sua alma por toda a eternidade.
Por fim, não temos exemplo mais comovente do que o de Nosso Senhor Jesus Cristo mesmo, que, quando em pé diante de Pilatos, reafirmou que Pilatos, que era o Estado naquele momento, tinha autoridade vinda do alto para ordenar sua execução. Nosso Senhor mesmo, injustamente condenado a uma morte ignominiosa, não apenas não condenou a pena de morte, mas aceitou-a sem ódio ou rebelião aos que a infligiam n’Ele.
Uma Questão de Doutrina ou de Preferência Pessoal?
Portanto, deve ser afirmado sem equívocos que a minoria de católicos, sejam eles membros do clero ou do laicato, que se opõe à pena capital o faz estritamente por preferência pessoal, e não em razão do ensinamento ou doutrina de Jesus Cristo ou Sua Igreja. Os católicos que apóiam a pena capital o fazem com todo o peso de mais de dois mil anos de Ensinamento e Tradição Católicos atrás de si, e estão na feliz companhia dos maiores santos, doutores e pensadores da Cristandade.”
(Eladio Jose Armesto, Capital Punishment: What do Jesus Christ and the Saints Teach?)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Países quebram!


“A Grécia está mostrando ao mundo o que acontece com os Estados perdulários que gastam riqueza não produzida e buscam manter seu padrão de vida usando a poupança alheia. Por esse caminho, formam-se dívidas dotadas de uma extraordinária capacidade de multiplicação. Um dos fatores determinantes dessa multiplicação leva o nome antipático de taxa de juros. Outro consiste em tomar dinheiro novo para pagar dívida velha. Outro ainda é a irresponsabilidade fiscal que leva governantes a não enquadrarem a despesa pública na capacidade contributiva da sociedade.
Países quebram. Leva bom tempo para isso acontecer, mas a estrada acaba. Um dia, não há mais pista para rodar. No horizonte só se avista, então, terra inóspita, mata cerrada, montanhas e rios sem pontes. É a situação grega, um país que deve quase dois anos inteiros de seu decrescente PIB e já perdeu 400 mil jovens para outras oportunidades de trabalho e de vida no exterior. Os gregos creram que seu ingresso na Zona do Euro era um cartão de crédito ilimitado para implantar no país um estado de bem-estar social. Com o dinheiro dos outros. E isso, simplesmente, não existe no mundo real.
Países quebram. No mundo irreal, os políticos que seduziram os gregos e deles colheram votos com a ideia de um Estado provedor, benfazejo, inexaurível em sua prodigalidade, trataram de convencer a opinião pública de que o resto do mundo tem o dever de subsidiá-los com novos empréstimos. A Grécia deve 360 bilhões de euros, não conseguiu pagar uma parcelinha de 1,5 bilhão (ou seja, 0,5% do que deve) e segundo os cálculos dos principais credores (ministros da Zona do Euro), pode estar precisando de mais 83 bilhões de euros. Além de ser difícil estabelecer um consenso sobre esse atendimento, muito mais difícil será obter acordo interno na sociedade grega e em seu círculo de poder para as duríssimas e necessárias medidas de contenção de gastos, aumento de tributos, venda de patrimônio, redução de salários e pensões.
Países quebram. Estados da federação quebram. Durante a campanha eleitoral de 2014 no Rio Grande do Sul, alguns analistas denunciavam hecatombe fiscal em que se constituiu o governo Tarso Genro. Ele estava deixando a seu sucessor uma situação de insolvência que em breve se tornará nacionalmente conhecida. Perante tais acusações, os políticos petistas afirmavam em orgulhosos rompantes: "Nós não nos submetemos a essa lógica neoliberal". O que chamavam lógica neoliberal era, simplesmente, o zelo pelos recursos do contribuinte, contendo-os nos limites da receita, conforme impõe a lei de responsabilidade fiscal.
O governo petista no Brasil, indo pelo mesmo caminho das pedaladas e da gastança desmedida, jogou-nos numa crise pela qual não precisaríamos estar passando. Vínhamos bastante bem. Nossos governantes dos últimos 13 anos, porém, gastaram demais, fizeram loucuras demais, jogaram dinheiro fora e mandaram dinheiro para fora, torraram reservas demais, locupletaram-se demais. Foram longe demais. E agora chamam golpistas quem busca uma saída política e constitucional para que não sejamos mais golpeados por tanto desmando, incompetência e irresponsabilidade.”

http://www.puggina.org

terça-feira, 21 de julho de 2015

A profundidade de nossa separação

“O homem está dividido dentro de si. A vida volta-se contra si própria através da agressão, do ódio e do desespero. Estamos habituados a condenar o amor-próprio; mas aquilo que pretendemos realmente condenar é o oposto do amor-próprio. É aquela mistura de egoísmo e aversão por nós próprios que permanentemente nos persegue, que nos impede de amar os outros e que nos proíbe de nos perdermos no amor com que somos eternamente amados. Aquele que é capaz de se amar a si próprio é capaz de amar os outros; aquele que aprendeu a superar o desprezo por si próprio superou o seu desprezo pelos outros.
Mas a profundidade da nossa separação reside, justamente, no fato de não sermos capazes de um grande amor, clemente e divino, por nós próprios. Pelo contrário, existe em cada um de nós um instinto de autodestruição, tão forte como o nosso instinto de autopreservação. Na nossa tendência para maltratar e destruir os outros existe uma tendência, visível ou oculta, para nos maltratarmos e nos destruirmos.
A crueldade para com os outros é sempre também crueldade para com nós próprios. Deste modo, o estado de toda a nossa vida é o distanciamento dos outros e de nós próprios, porque estamos distanciados da Razão do nosso ser, porque estamos distanciados da origem e do objetivo da nossa vida. E não sabemos de onde viemos nem para onde vamos. Estamos separados do mistério, da profundidade e da grandeza da nossa existência. Ouvimos a voz dessa profundidade, mas os nossos ouvidos estão fechados. Sentimos que algo radical, total e incondicional nos é exigido; mas rebelamo-nos contra isso, tentamos fugir à sua urgência e não aceitamos a sua promessa.”
(Paul Tillich, És Aceite)

sábado, 18 de julho de 2015

“Proletários de todo o mundo, uni-vos!”

“Com essas palavras termina o “Manifesto comunista” de Marx e Engels. Só faltou esse explícito grito de guerra ao discurso que pronunciou o Papa ontem na Bolívia no encerramento do segundo Encontro Mundial dos Movimentos Populares, convocado por ele mesmo, mas estava quase explícito quando disse:
“O futuro da humanidade... está fundamentalmente nas mãos dos povos... Este sistema já não se agüenta, não o agüentam os trabalhadores, não o agüentam os povos e tampouco o agüenta a Terra, a irmã mãe Terra... terra, teto e trabalho para todos. Disse e repito, são um direito sagrado. Vale a pena lutar por eles. Que o clamor se escute na América latina e em todo o mundo... Vocês, os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos, podem fazê-lo e fazem muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, em suas mãos, em sua capacidade de organizar-se e promover alternativas criativas na busca cotidiana dos três “t” (trabalho, teto e terra) e também em sua participação protagônica nos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais. Não se intimidem!... O destino universal dos bens não é um adorno discursivo na doutrina social da Igreja. É uma realidade anterior à propriedade privada.”
Elogiou a união dos governos da Ibero-América, elogio que não pode ser interpretado, no contexto de seu discurso, senão como um reconhecimento ao bloco neomarxista do qual participam, com distinta intensidade, Cuba, Venezuela, Nicarágua, Honduras, Equador, Bolívia, Argentina, El Salvador, Uruguai e Brasil: “Os governos da região uniram esforços para fazer respeitar sua soberania, a do conjunto regional, que tão belamente, como nossos pais de antanho, chamam a “Pátria Grande”... (contra) o novo colonialismo (que se esconde) “por trás do poder econômico do dinheiro”, que chamou de “esterco do diabo” e condenou o sistema econômico atual como algo “que degrada e mata”.
Insolitamente, este discurso não improvisou, senão que o leu das seis páginas que levava preparadas, de tal maneira que cada palavra foi premeditada e deliberada. Para culminar, foi precedido por outro longo discurso do tirano comunista boliviano Morales que atacou o “imperialismo castrador”, referindo-se claramente aos EUA. Nunca um Papa pode ser acompanhado e precedido em sua tribuna por um político e muito menos por um de ideologia marxista (todas estas citações estão em “La Nación” de 10/07/2015, págs. 1 e 2).
A exortação aos “explorados” a “organizar-se” indica a necessidade, segundo o Papa, de armar uma estrutura revolucionária que dirija a luta de classes rumo à comunhão de bens, ou seja, à abolição ou subordinação extrema da propriedade privada até torná-la praticamente inoperante. Ou seja, uma vez mais coincide com o Manifesto comunista que diz: “A teoria dos comunistas pode ser resumida nesta única proposição: abolição da propriedade privada.”
Essa luta organizada e até a morte para acabar com os exploradores e seu sistema econômico atual (não há outra maneira de que os explorados deixem de sê-lo) é a velha luta de classes proposta pelo Manifesto comunista em sua antepenúltima frase:
“Os comunistas desdenham ocultar sua visão e seus objetivos. Declaram abertamente que seu propósito só pode ser alcançado pela violenta derrubada de todos os condicionamentos sociais. Os proletários não têm nada a perder, a não ser suas correntes. Têm um mundo todo para ganhar.” E termina com a já citada frase clássica: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”
Não deixou de atacar também a gloriosa Conquista da América, como se tivesse sido uma agressão injusta aos “povos originários”, quando qualquer historiador sabe que aquela gloriosa gesta, mais que uma Conquista foi uma evangelização e um ensinamento de uma cultura mil vezes superior ao canibalismo das grandes tribos indígenas (os astecas, por exemplo), pagãos todos eles e, como tais, “sentados à sombra da morte”.
Todo o discurso está tingido de ódio, de um ódio intenso e excitante, capaz de contagiar seus ouvintes e o mundo inteiro; de um ódio a todos aqueles que têm algo obtido com seu trabalho, por modesto que seja, e que, por direito natural, como ensina a verdadeira Doutrina social da Igreja, têm direito a guardá-lo como próprio. Todo o discurso está muito longe do amor misericordioso do divino Redentor que morreu na Cruz por pobres e ricos e nunca incitou à luta de classes mas a nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou. É um discurso que não tem nada de católico.
Para simbolizar ainda mais a horrenda submissão de Nosso Senhor e de Sua Igreja ao comunismo, recebeu de Morales um Cristo cravado sobre o signo comunista da foice e do martelo. “La Nación” publica uma foto do momento em que o recebe e parece estar observando indiferente e friamente o aborto, mas na capa do “Clarín” se o vê tomando o objeto com as duas mãos e um sorriso, enquanto de seu pescoço pende um colar com a réplica do mesmo que o tirano da Bolívia acaba de lhe colocar, sem que se veja de sua parte intenção alguma de tirá-la. Como sempre, “La Nación” trata de insinuar falsamente um desgosto papal que não existiu, enquanto o “Clarín” põe em evidência sua complacência. Esse é o sistema da “imprensa séria”: jogar com as insinuações e as imagens.
Vi tudo isso na televisão e ao vivo e posso confirmar, como testemunha quase presencial, que em nenhum momento o Papa mostrou rejeição nem disse algo que denotasse incômodo com a situação.
Para mais dados, o porta-voz do Vaticano, Padre Federico Lombardi, “destacou que Francisco não teve uma particular reação negativa” ao crucifixo (“La Nación”, 10/07/2015, pág. 2, 6ª col.).
Deus meu! Até quando estaremos submersos nesta perversa confusão? O pior é que à pobre gente humilde que o ouve, aos “explorados” segundo os define, é difícil pensar que o Papa os está enganando e provocando ao ódio. Para eles, é o Papa e, sem querer nem dar-se conta, voltam para casa com a alma manchada por esse ódio que, de alguma maneira, nela deixou o Sumo Pontífice.
Peçamos à Santíssima Virgem, Mãe de Misericórdia, que se apiede de nós e nos dê luzes para resistir às incitações ao mal que nos vêm da própria Cátedra de Pedro, que nos faça amar cada dia mais a Nosso Senhor, Fundador da Santa Igreja, e à instituição do papado, por mais que hoje uma escura nuvem a cubra até torná-la quase irreconhecível.”
(Cosme Beccar Varela, “¡Proletarios del mundo, uníos!”)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Do báculo modernista à cruz “foice e martelo” de Francisco

“O sacrílego presente ofertado pelo presidente da República da Bolívia ao bispo de Roma causou perplexidade e revolta entre os católicos, não só porque a foice e martelo são o símbolo do comunismo, o regime político diabólico que perseguiu os católicos com mais crueldade do que a antiga Roma pagã, mas sobretudo porque o mimoseado com o esdrúxulo regalo, segundo informou o porta-voz do Vaticano, não manifestou nenhum desagrado.
A Roma dos césares perseguia os cristãos porque estes eram intolerantes, não aceitavam a política ecumênica do império que punha nos nichos do panteão todos os deuses da gentilidade, ao passo que o comunismo tentou a ferro e fogo apagar do coração do homem qualquer crença em Deus e na vida eterna, bem como destruir todas as instituições sociais da cristandade, sobretudo a família e a propriedade privada.
Como bem sabemos, as mais diversas seitas gnósticas e satanistas sempre se distinguiram pelo gosto perverso de profanar a cruz, enquanto a Igreja e seus filhos sempre a exaltaram e se refugiaram sob a sua poderosa proteção. E nós brasileiros somos, com orgulho, filhos da Terra da Santa Cruz.
Contudo, cumpre dizer que, infelizmente, desde o Vaticano II, com sua fracassada reforma litúrgica, a santa cruz passou a ser objeto de trabalhos “artísticos”, não só de inegável mau gosto, mas de manifesta intenção de escárnio da fé. O mais deplorável desses trabalhos “artísticos” foi o famoso báculo de Paulo VI, utilizado por João Paulo ao longo de todo seu pontificado, aposentado por Bento XVI e ressuscitado adrede por Francisco.
Com efeito, não se pode negar o propósito de escárnio da fé nestas modernas representações da cruz, pois há altos dignitários eclesiásticos que declaram que está ultrapassada a crença em um sacrifício redentor da cruz. A cruz representaria apenas o sofrimento, a opressão, de que o homem moderno, mais maduro e consciente de suas próprias forças, certamente se libertará. De modo que se deve representar a cruz, não como o instrumento da salvação do mundo, como libertação do pecado e do poder do diabo (não se crê mais neste ser mitológico segundo o modernismo), mas como o mal a ser vencido pela revolução do homem moderno emancipado de qualquer autoridade humana ou divina.
Lembro-me de que há uns trinta anos houve um grande evento no Brasil, semelhante ao Encontro Mundial dos Movimentos Sociais promovido pelo Vaticano na Bolívia, em que centenas de católicos das famigeradas comunidades eclesiais de base, na presença de bispos, celebraram o ritual “Pisoteio da Cruz”. Para gente desse jaez, do drama do calvário a única lição que se deve tirar é o grito de Cristo “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparastes”, interpretado como um grito de desespero a fim de que o homem se convença de que do céu não se deve esperar nada, mas só lutar (a praxis) para revolucionar o mundo. As palavras do Redentor “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” não têm sentido, porque não crêem na existência da alma imortal e muito menos na vida eterna.
No episódio recente do encontro entre o bispo de Roma e o cacique bolivariano, o que me pareceu lamentável foi verificar mais uma vez a falta de informação de muitos católicos sobre o pontificado de João Paulo II, considerado por eles como um modelo de conservadorismo e ortodoxia em contraposição ao revolucionário e libertário pontificado de Francisco.
Ora, sabe-se perfeitamente que a encíclica social Laborem exercens de João Paulo II emprega categorias marxistas para analisar o mundo moderno. Isto foi dito pelo prof. Buttiglione, da Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. A referida encíclica exalta tanto o trabalho como se isto não fosse uma espécie de idolatria e condena o capital como se apenas este fosse uma idolatria instigada pelo diabo. Pois eu digo que a idolatria do trabalho pode rebaixar e infelicitar mais o homem do que a idolatria do dinheiro à medida que lhe impede o necessário ócio (não a preguiça) para a contemplação e o aprimoramento do espírito. E não foi apenas o professor Buttiglione, mas também o redator da edição polaca do Osservatore Romano, Pe. Boniecki, amigo pessoal de João Paulo II, que disse que a encíclica Laborem exercens está mais próxima do pensamento de Marx que ao de Leão XIII. Ademais, sabe-se que João Paulo II não queria censurar Leonardo Boff e só o fez porque Ratzinger lhe disse que renunciaria a seu cargo se o processo contra o teólogo da libertação ficasse em vão.
Não bastasse tudo isso, tanto João Paulo II quanto Ratzinger se esforçaram por operar uma síntese entre a tradição católica e a modernidade e nisto se mostraram adeptos do método dialético e de um conceito de verdade evolutiva.
Realmente, se não fosse assim, Francisco não teria canonizado João Paulo II e não teria “ressuscitado” o seu báculo que tem um crucificado próprio das seitas gnósticas medievais.
Portanto, pode-se falar de uma relação de causa e efeito entre o espantoso báculo dos papas da Igreja Conciliar e a cruz “foice e martelo” regalada ao bispo de Roma. E não nos iludamos: este novo modelo de cruz será colocado nos altares “Novus Ordo” de muitas igrejas que adotam a nova teologia da misericórdia revolucionária!”

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terça-feira, 14 de julho de 2015

O "crucifixo" marxista com que Evo Morales presenteou o papa

“Evo Morales, depois de condecorá-lo com o Condor dos Andes e a distinção Luis Espinal, presenteou o papa Francisco com uma réplica do “crucifixo” elaborado pelo padre Luis Espinal – jesuíta espanhol simpatizante da teologia da libertação, crivado de balas pelos paramilitares em 22 de março de 1980 – no qual este mostrou e esculpiu em madeira sua ideologia ao representar um Cristo crucificado sobre o símbolo marxista da foice e do martelo. O papa chegou a dizer “não sabia disso”, referindo-se a que desconhecia a história desse crucifixo, depois que escutou a explicação do presidente da Bolívia. Alguns meios de informação católicos tergiversaram a frase de Francisco e disseram erroneamente que o papa condenou – de imediato – a desrespeitosa imagem e disse a Evo: “não está bem isso”.
No trajeto de El Alto a La Paz, Francisco já havia se detido no caminho para homenagear o jesuíta, no lugar onde foi executado. Destacou: “Detive-me aqui para saudá-los e sobretudo para recordar. Recordar um irmão, um irmão nosso, vítima de interesses que não queriam que se lutasse pela liberdade da Bolívia”.
Muita tinta correu em todo o mundo pelo presente de Evo Morales ao Papa. Criticou-se o “presente” (o obséquio) com diferentes qualificativos, desde inapropriado até blasfemo, pois no “crucifixo” se substitui a Cruz redentora pela foice e o martelo marxistas. Inclusive, muitos estranharam que o papa Francisco, passada a surpresa, o tenha aceitado sem dizer algo contra essa deformação da Cruz. Daí terem até inventado que disse “não está bem isso” em lugar do que realmente afirmou: “não sabia disso”.
Morales quer agora matizar sua postura por conveniência circunstancial e capitalizar algumas declarações do Papa sobre a Bolívia. Na realidade o presidente Evo é um marxista radical que em 24 de junho de 2009 declarou: “A Igreja Católica é um símbolo do colonialismo europeu e portanto deve desaparecer da Bolívia”. De onde lhe vem, agora, a “cordialidade” para com a Igreja?
A carga ideológica do “presente” entregado por Morales é evidente, por mais explicações – de um ou de outro lado – com que queiram diplomaticamente suavizá-la. O paradoxal é que o simbolismo de cravar Cristo na foice e no martelo pode-se voltar para Evo, pois realmente a intenção marxista é acabar com a religião de paz e amor que Jesus veio pregar e crucificá-lo de novo no símbolo do ódio e da luta de classes, pois consideram – com Marx – que a religião é “o ópio do povo” e deve desaparecer. No desenho acima encontramos o número de vítimas que o marxismo cobrou e que bem poderíamos considerar como o verdadeiro significado do falso e irreverente “crucifixo”.”

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sábado, 11 de julho de 2015

J. D. Salinger sobre os homens instruídos

"Não estou a tentar dizer-te que só os homens instruídos e com estudos estão preparados para dar alguma coisa ao mundo. Não é verdade. Mas afirmo que os homens instruídos e com estudos, se, para começar, forem inteligentes e criativos, o que infelizmente, raramente acontece, tendem a deixar atrás deles memórias mais valiosas do que os homens simplesmente brilhantes e criativos. Tendem a exprimir-se mais claramente, e normalmente têm a paixão de seguir os seus próprios pensamentos até ao fim. E, o que é mais importante, nove em cada dez vezes são mais humildes do que os pensadores sem estudos."
(J. D. Salinger, À Espera no Centeio)

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O otimismo cristão

"O otimismo cristão baseia-se no fato de NÃO nos encaixarmos no mundo. Eu tentara ser feliz dizendo a mim mesmo que o homem é um animal como outro qualquer que procurava seu alimento provindo de Deus. Mas agora eu estava realmente feliz, pois aprendera que o homem é uma monstruosidade. Eu estivera certo ao sentir que todas as coisas eram estranhas, pois eu mesmo era simultaneamente pior e melhor que todas elas.
O prazer do otimista era prosaico, pois baseava-se na naturalidade de tudo; o prazer cristão era poético, pois residia na antinaturalidade de tudo à luz do sobrenatural. O filósofo moderno me dissera muitas e muitas vezes que eu estava no lugar certo, e eu ainda me sentia deprimido mesmo aceitando isso. Mas eu ouvira que estava no lugar ERRADO, e minha alma exultou de alegria, cantando como um pássaro na primavera. O conhecimento revelou e iluminou aposentos esquecidos da casa escura da infância. Agora eu sabia por que a relva sempre me parecera estranha como a barba verde de um gigante, e por que eu podia sentir saudades de casa estando em casa."
(Gilbert Keith Chesterton, Orthodoxy)

domingo, 5 de julho de 2015

A ideologia do gênero e a deusa democracia


“Há algo de desconcertante no debate que se tem travado nos últimos dias sobre a ideologia do gênero que os esquerdistas, aliados aos liberais, tentam impingir por todos os meios às nossas crianças da rede pública de ensino, após o Congresso Nacional ter recusado incluir no plano nacional de educação o vocabulário próprio desse discurso insano sobre o homem.
Com efeito, alguns articulistas parecem mais preocupados em denunciar a artimanha de que se valem os degenerados em sua empreitada de promover a revolução dos costumes e valores como uma violação das regras do jogo democrático do que em argumentar contra a tal ideologia do gênero como uma ameaça à sobrevivência da humanidade e uma gravíssima ofensa à ordem moral estabelecida pelo Criador. A impressão que se tem é que o valor supremo, que querem defender de qualquer ataque, de qualquer afronta é a democracia que se viu violada pela estratégia empregada pelo governo federal, ficando relegados a segundo plano a crítica e o combate à ideologia do gênero.
A esta lamentável insuficiência discursiva acresce outro problema: a patente incapacidade de alguns articulistas católicos de ver que há uma relação de causa e efeito entre o democratismo moderno e a rápida e crescente degenerescência da humanidade nos últimos anos desde quando a subcultura do democratismo, do “inclusivismo” e do discurso antidiscriminação passou a predominar em todos os âmbitos da sociedade.
Ora, é incontestável que a ideologia do gênero é apenas um fruto sazonado desse jardim do democratismo, no qual qualquer canalha atrevido, gozando da liberdade e da igualdade asseguradas pela constituição “cidadã”, sem sentir-se vinculado a nada e a ninguém a não ser à vontade própria, se julga soberano e a própria lei, acima de todo o resto da sociedade, que deve “respeitar” seu comportamento, porque cada um pode viver como quiser, com tal que não perturbe a “ordem democrática” ou o “Estado democrático de direito”.
É evidente que a democracia laica, fundada no dogma da soberania popular e inspirada pela nova religião cientificista, tem de aprovar a ideologia do gênero. Está na lógica dos seus princípios. A ideologia do gênero está em perfeita harmonia com a ideologia democratista moderna na medida em que ambas advogam em favor da soberania do indivíduo. É um grande equívoco pensar que a democracia é o regime da lei que organiza a sociedade em vista do bem comum, estabelecendo direitos e deveres dos homens segundo suas condições. A verdade é que não temos nenhuma garantia jurídica; basta ver que o Supremo Federal legisla, o Executivo atropela o Legislativo, e este último só negocia seus próprios interesses. O resultado é que não há autoridade política séria que governe a nação com prudência e conforme a lei.
Dentro dessa triste realidade é uma rematada tolice querer, na luta contra a implantação da ideologia do gênero, argumentar em defesa da legalidade democrática, não ousar afrontar os sentimentos democráticos do homem moderno e deixar de denunciar que a liberdade de “opção sexual”, o transexualismo, enfim a ideologia do gênero, é um dos sintomas de uma patologia moderna ainda maior chamada democratismo que fez do homem o Ser Supremo no lugar de Deus Nosso Senhor Rei das Nações.
Se Deus não existe, ou se cada um inventa o seu deus, se a sociedade não reconhece uma ordem moral objetiva, porque o poder emana do povo, se a liberdade individual não tem outro limite senão a própria conciliação dos arbítrios, é claro que tem de haver não só eutanásia, aborto, “casamento” homossexual, necrofilia, zoofilia, mas também mudança de “sexo”. Quem pode o mais pode o menos. Quem pode a eutanásia, por que não pode também a mudança de sexo? Se nas escolas se deve ensinar que a eutanásia é uma coisa normal diante do sofrimento físico, por que não se poderá ensinar a licença absoluta dos costumes?
Diante desse niilismo ético da democracia moderna, que deriva do dogma da soberania popular e da transmutação do dogma fora da Igreja não há salvação para o dogma fora da democracia não há salvação, só há um remédio: os católicos declararem um combate intrépido não só à ideologia do gênero, mas a sua causa natural, o democratismo. Um combate doutrinário que esclareça o verdadeiro sentido da política, como organização da cidade formada por um conjunto de famílias e não simples soma de indivíduos soltos, como a arte de promover o bem comum, a vida virtuosa em ordem ao fim último. É preciso também deslindar o erro que se formou em torno da noção de cultura e de sua relação com a natureza. Infelizmente, também neste ponto há vários jornalistas católicos que não têm sabido explicar essa questão ao tratar do erro da ideologia de gênero.
O fundamental, porém, é que se desmascare o erro da religião moderna: a tentativa que se verifica, desde o Vaticano II, de conciliar o inconciliável: a visão teocêntrica e a visão antropocêntrica do mundo, a concepção do mundo fundada na lei de Deus, na vontade de Deus, e a concepção do mundo em que o homem é soberano, “cidadão”, uma concepção de mundo em que só o homem é rei e Cristo, no máximo, será presidente por um mandato, sem direito à reeleição, de uma república universal, eclética, em que todas as religiões e indivíduos, sem nenhuma distinção, viverão como quiserem na nova Babilônia. Não haverá mais homens e mulheres procedentes de famílias e linhagens, mas só indivíduos. Só assim, não havendo mais homens nem mulheres, mas só indivíduos, em pé de igualdade, haverá liberdade absoluta. Sob a batuta do Anticristo, é claro.”

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quinta-feira, 2 de julho de 2015

O casamento gay é um ardil cabalista

"A mentira fundamental da Cabala é que a realidade é uma função do pensamento. Pelo contrário, embora sua "magia negra" permita manipular nossa percepção da realidade, ela não pode modificar a realidade em si.
Entretanto, invertendo o que é bom, natural e verdadeiro a fim de prestarem homenagem a seu deus Lúcifer, eles vão mais longe em seu desejo de nos ver sucumbir à sua possessão satânica.
A legalização do "casamento" de mesmo sexo implica necessariamente (se as palavras conservam o menor sentido) que o "casamento" de mesmo sexo é fundamentalmente igual, a saber, é essencialmente a mesma coisa que consideramos até aqui como o casamento. Mas este é realmente o caso? Ele consiste verdadeiramente na mesma coisa?
A união heterossexual e a união homossexual não são a mesma coisa, nem sequer podem ser consideradas como equivalentes. Quando colocamos um homem e uma mulher juntos, novas coisas são produzidas. Em primeiro lugar, um homem e uma mulher podem se entregar a uma união genital baseada em sua complementariedade biológica. Eles podem igualmente desfrutar de uma união pessoal mais profunda sobre a base de certa complementariedade especial psicológica, afetiva, espiritual tornada possível pela polaridade masculina e feminina.
Enfim, a união heterossexual é caracterizada por um potencial procriador, a saber, a possibilidade de que sua união física envolva o aparecimento de uma nova vida.
Ao invés, essas características, que são a justo título consideradas como benéficas para o bem-estar dos cônjuges, a estabilidade da sociedade, e o futuro da civilização, estão totalmente ausentes da relação homossexual. A união heterossexual é única e exclusiva.
Se posso fazer uma analogia brutal, quando colocamos uma chave e a fechadura correspondente juntas, algo de novo vem à existência: o poder de trancar e destrancar as portas. Duas chaves ou duas fechaduras são totalmente inúteis para um tal fim. Claramente, a relação entre a fechadura e a chave é qualitativamente diferente da relação entre duas chaves ou duas fechaduras. De maneira nenhuma elas podem ser consideradas iguais.
Utilizar a mesma palavra e conceito para descrever tanto a “união” heterossexual como a homossexual é uma tentativa de redefinir a realidade mudando nossa língua e nossa lei.
Seria como declarar por força de lei que a forma até aqui conhecida como um triângulo deve ser chamado um quadrado e deve ser tratado como se fosse um quadrado. A modificação da definição de um triângulo ou o fato de chamar quadrados os triângulos não pode funcionar.
Enquanto os ângulos interiores de um quadrado devem fazer uma soma de 360, os ângulos interiores de um triângulo devem ser de 180 graus. Esses estados de coisas são independentes da percepção ou das preferências de quem quer que seja e podem ser conhecidos com uma certeza apodítica.
No entanto, o fato de que a legalização do "casamento" de mesmo sexo agora é apoiado em nome da "igualdade" também se presta a uma espécie de reductio ad absurdum de uma tal posição. Os bissexuais não teriam também o direito à "igualdade"?
Segundo a mesma lógica, os bissexuais devem ser autorizados a formar um casamento legal de três pessoas com um cônjuge de mesmo sexo e um cônjuge de sexo oposto. Não se pode "discriminar" os bissexuais agora, não é verdade?... e se um dos cônjuges é também bissexual... e assim por diante? Ora, então podemos ter uma longa cadeia de casais casados que, se passasse um tempo suficiente, poderiam com efeito eventualmente englobar um enorme grupo de pessoas... "O amor é lindo!"
Tudo isso é ridículo, mas é o que acontece quando se insiste na redefinição do casamento para servir a uma agenda oculta (judaica satânica), em lugar de insistir no fato de que nossas palavras e conceitos correspondem à ordem natural.
Com efeito, creio que o objetivo oculto por trás da legalização do "casamento" de mesmo sexo é diluir o significado do casamento a fim de provocar a destruição desta instituição (e com ela a destruição da família natural).
Tendes lido recentemente Admirável Mundo Novo? Nossos líderes (os banqueiros centrais internacionais) querem garantir que o indivíduo atomizado seja impotente diante do Estado. Infelizmente, esses banqueiros têm uma visão global perniciosa para toda a humanidade. Segundo as palavras do fundador do Crédito Social, C. H. Douglas (1879-1952): "A maioria das pessoas têm uma resistência natural a aceitarem o fato de que o ocultismo exerce um papel considerável nos assuntos mundiais. Este é um grande erro. Ele é o adversário principal da civilização cristã. As forças de que ele dispõe são provavelmente amorais; mas a intenção das pessoas que dele se utilizam é satânica. A cabala judaica é uma de suas principais raízes".
(Tom Bothwell, Le Développement de la Domination Mondiale)