sábado, 18 de abril de 2015

Dom Tomás de Aquino: A perversão do espírito

“Desde os anos 90, o superior geral da Fraternidade e seus conselheiros mais próximos empreenderam uma tenebrosa tarefa: conduzir a Tradição aos braços da Roma modernista. Conscientes ou não da gravidade de seu crime, é isto o que fazem. Mons. Fellay destrói a obra de Mons. Lefebvre. O infantilismo de Dom Gérard, como o estigmatizou Mons. Lefebvre, retorna desta vez na caneta e no pensamento de Mons. Fellay e seus assistentes: Lendo-os – escreve este a seus confrades no episcopado (carta de 14 de abril de 2012) – pode-se perguntar seriamente se vocês crêem que esta Igreja visível cuja sede está em Roma é a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo (...)”. Mons. Fellay confunde as coisas. Mons. Fellay semeia a confusão, esquecendo as distinções que fez Mons. Lefebvre junto a tantos outros teólogos eminentes e pensadores católicos. “A Fraternidade São Pio X jamais deixou a Igreja. Ela está no coração da Igreja”, escreve com razão Mons. Tissier (Rivarol, 13 de junho de 2012). Mas Mons. Fellay foi seduzido por uma idéia que deitou profundas raízes em seu espírito. A regularização canônica deve ser obtida a qualquer preço. Isto já foi esquecido – dirão alguns. Mons. Fellay acaba de opor-se às declarações de Mons. Pozzo sobre esta questão. Pois bem, Monsenhor Fellay engana os seus. Ele oculta a verdade há anos. Nada retirou de suas afirmações. “Esta situação concreta, com a solução canônica proposta, é muito diferente daquela de 1988” – escreveu em resposta à carta de Mons. Williamson, Mons. Tissier e Mons. de Galarreta.
Mas tudo isto está no passado, repetirão os partidários de Mons. Fellay. Mas então por que o Pe. Alain Nely disse a uma superiora de um monastério: “a solução para a Fraternidade será um reconhecimento unilateral”? E ademais: “Eles não nos pedirão para assinar, não haverá um documento e não será necessária uma assinatura”. Isto ocorreu há aproximadamente um ano.
Com seus passos para diante e passos para trás, Menzingen tem hipnotizado toda sua gente, que crê em sua boa fé. Seja qual for sua duvidosa e muito estranha boa fé na qual eu não creio em absoluto, o fato é que a conduta de Mons. Fellay, considerada em seu conjunto, indica com bastante clareza a causa final que o impulsiona. Esta causa é uma aproximação com uma Roma que supostamente está a caminho de converter-se. Esta causa é o pragmatismo das negociações gradativas de Mons. Fellay, pois Roma não se converterá de uma vez. Como se converterá Roma? Só Deus o sabe. O que sabemos todos é que a Roma modernista pode alinhar uma longa série de túmulos, onde suas vítimas repousam na sombra da morte: Padre Augustin, Dom Gérard, Pe. de Blignères, Fraternidade São Pedro, Campos, Redentoristas, Oásis, Irmãos da Imaculada, etc. Neste belo cemitério todavia há lugar para a FSSPX. Se fosse por Mons. Fellay, a coisa já teria sido feita. Mas para alguns na Fraternidade, as comunidades “Ecclesia Dei” não estão assim em tão má situação. A Fraternidade estaria em boa companhia neste belo entorno.
O que é surpreendente é ver o comportamento dos fiéis. Como explicar a pouca reação de sua parte? E ainda mais dos sacerdotes. Certamente que eles esperam algo pior para agir. Uma assinatura. Mas o Pe. Nely já o disse: “Eles não pedirão a assinatura, não haverá documento”.
A força de Menzingen está em ocultar a verdade. Mas sobretudo sua força está na debilidade dos bons. Menzingen pesou em sua balança a força da Tradição, e pôde dar-se conta de sua debilidade ou de sua ingenuidade. A Tradição tem princípios invencíveis, mas quanto à força de apego a estes princípios, é outra coisa. A isto deve-se agregar a cumplicidade da vida mesma. É mais fácil para quem não tem mulher e filhos tomar uma decisão difícil, mas não é o mesmo para quem tem dez filhos que colocar em uma boa escola. Para os sacerdotes, é outra coisa. Que cada um meça suas responsabilidades.
Menzingen dominou a arte de governar à maneira de Maquiavel. Privacidade dos correios eletrônicos divulgados, processos iníquos dos Padres Pinaud e Salenave. Sanções desapiedadas aos bons sacerdotes que se atrevem a defender o pensamento e as diretivas de Mons. Lefebvre.
Mas estes fatos parecem perder-se nas memórias. Mons. Fellay mudou, dizem alguns. Ele já não quer o acordo. As coisas se arranjarão. Não há fogo na casa. Puro subjetivismo! Puro sentimentalismo!
Quanto mais se analisam os documentos do Vaticano II e sua interpretação pelas autoridades da Igreja, mais nos damos conta que não se trata nem de erros superficiais nem de alguns erros particulares como o ecumenismo, a liberdade religiosa, a colegialidade, mas sim de uma perversão total do espírito, de toda uma nova filosofia fundada sobre o subjetivismo... É gravíssimo! Uma perversão total... É verdadeiramente espantoso” (Mons. Lefebvre, citado na carta de 7 de abril de 2012, dos três bispos a Mons. Fellay e seus assistentes). Está a Tradição mesma começando, também ela, a cair neste abismo? Desgraçadamente parece que sim. Um fraco rei faz fraca a forte gente, dizia um grande poeta português, Luiz de Camões. Mons. Fellay é este rei. Oxalá que não chegue a seus fins e que o amor da verdade possa de novo reflorir no seio da Tradição. Que o pequeno resto “pusillus grex” seja aguerrido para este novo combate, esta crise dentro da crise, esta crise no interior da Tradição, e que a hipocrisia de Menzingen seja conhecida e rechaçada com o vigor que convém aos discípulos d’Aquele que morreu porque veio ao mundo para dar testemunho da Verdade (Cf. João XVIII, 37).”

http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A idade não nos torna mais sábios

“As pessoas imaginam que precisamos de chegar a velhos para ficarmos sábios, mas, na verdade, à medida que os anos avançam, é difícil mantermo-nos tão sábios como éramos. De fato, o homem torna-se um ser distinto em diferentes etapas da vida. Mas ele não pode dizer que se tornou melhor, e, em alguns aspectos, é igualmente provável que ele esteja certo aos vinte ou aos sessenta. Vemos o mundo de um modo a partir da planície, de outro a partir do topo de uma escarpa, e de outro ainda dos flancos de uma cordilheira. De alguns desses pontos podemos ver uma porção maior do mundo que de outros, mas isso é tudo. Não se pode dizer que vemos de modo mais verdadeiro de um desses pontos que dos restantes.”
(Johann Wolfgang von Goethe, Conversações com Johann Peter Eckermann)

domingo, 12 de abril de 2015

O transitório e o duradouro

“Lastimo os que atribuem grande importância ao tema do transitório das coisas e que se perdem em minudências terrenas sem valor. Porque nós existimos precisamente para transformar o transitório em duradouro, e tal só acontece quando somos capazes de apreciar ambas as coisas.
A vida, por mais vulgar que pareça ser, por mais que dê a idéia de se satisfazer com coisas triviais e quotidianas, nunca deixa de se ocupar atentamente, ainda que em silêncio, de certas exigências superiores e de procurar os meios necessários à respectiva satisfação.”
(Johann Wolfgang von Goethe, Máximas e Reflexões)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Desvarios materialistas

“A tragédia aérea recente nos permite uma reflexão sobre os desvarios das sociedades que negam as realidades sobrenaturais. Trata-se de uma reflexão que sem dúvida soará estranha a positivistas, materialistas, empiristas e, definitivamente, a todos aqueles que, por preconceitos filosóficos, escrúpulos metodológicos ou simples desinteresse rejeitam toda tentativa metafísica de explicar a realidade através de suas causas últimas e recorrendo a entidades cuja substância (falamos de Aristóteles!) não se submete ao método científico. Desnecessário dizer que isto exclui a maioria de nossos contemporâneos; mas uma das vantagens de envelhecer é que, como o personagem do romance, só se diz a própria canção a "quem comigo vai", deixando os demais tão contentes com sua surdez; e também que se aprende a escrever sem respeitos humanos.
O primeiro desvario é de natureza trágica. A negação da realidade substancial e permanente da alma transformou a psicologia em uma barafunda informe que só estuda "acidentes", percepções ou fenômenos psíquicos, sãos ou avariados. Mas, uma vez negada a existência da alma, resulta de todo impossível compreender (e muito menos combater) enfermidades como a que pôde levar o piloto Andreas Lubitz a precipitar o avião com todos seus passageiros dentro, que não são meras enfermidades dos "acidentes" psíquicos, mas enfermidades da substância anímica, invadida e gangrenada pelo preternatural. Quando nos negamos a considerar as enfermidades da alma, nosso destino inevitável é sofrer cada vez mais enfermos deste tipo, como a experiência (viva o empirismo!) demonstra. Cada vez teremos mais destes tipos que precipitam aviões, mais destes tipos que metralham crianças nas escolas, mais destes tipos que esquartejam mulheres, etcétera. Antigamente, quando se cria na existência da alma, eram chamados de endemoniados; hoje, mais refinada e erroneamente, denominamo-los psicopatas.
O segundo desvario é mais de natureza tragicômica. Nas sociedades religiosas, a vida é uma preparação para a morte, na qual o principal empenho do homem é a salvação de sua alma (que, ao final, permitirá que seu corpo desfrute algum dia da glória). Nas sociedades materialistas, ao contrário, a vida se ensimesma na conservação de sua pobre realidade material; e é-nos prometido que a ciência, a técnica, a democracia, a ginástica e a dietética (o sacrossanto progresso!) velam pela glória dessa vida material (ainda que, ao final, tais promessas bajuladoras se resumam a um saudabilíssimo cadáver com a alma apodrecida). Em uma sociedade religiosa, uma tragédia aérea como a que acabamos de sofrer serviria para escutar sermões formidáveis sobre o poder igualitário da morte, sobre a obrigação de manter nossa lâmpada acesa (porque não sabemos nem o dia nem a hora) e sobre a necessidade de acumular tesouros no céu, onde não há traça nem ferrugem que os corroa, nem ladrões que os roubem; e com isto e com rezar pela alma dos mortos, as pessoas encontrariam consolo e alegria. Em uma sociedade materialista, ao invés, andamos como estouvados buscando caixas pretas, convocando minutos de silêncio ("a casca vazia da oração", chamou-os Foxá) e disparando responsabilidades civis e penais em todo lugar; mas nenhuma destas palhaçadas nos vai devolver os mortos, nem, muito menos, vai buscar a salvação de suas almas.
E telejornais, muitos telejornais, que são os sermões cretinizantes e aturdidores com os quais são adormecidas as sociedades materialistas."
(Juan Manuel de Prada, Desvaríos Materialistas)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Dom Tomás de Aquino: A verdade ocultada, ou a recusa de ver

“É com espanto que vemos a verdade, embora pública, sendo ignorada. Mas de que verdade estamos falando? De fatos os mais evidentes sobre a crise atual da Tradição em geral e da Fraternidade em particular, e que estão ao alcance de todos os que os querem conhecer. Verdade desconhecida, ocultada ou simplesmente não procurada; em todos os casos ignorada, para não dizer desprezada.
Alguns afirmam, como Dom Lourenço Fleichman que a resistência apresenta uma “argumentação vazia de fundamentos, baseada em falsas informações” (cf. “Sobre a Sagração Episcopal”).
Se for preciso reiterar o que já foi dito e pregar a tempo e a contratempo, não nos cansemos de fazê-lo, já que a isto nos exorta São Paulo. Se for preciso reproduzir os argumentos e relembrar os fatos, não nos cansemos de repeti-los e relembrá-los. Façamos mais uma vez o diagnóstico da doença que corrói a Tradição e ameaça a todos de morte. Este mal é o Liberalismo católico, pestilência dos tempos modernos, contradição encarnada na pessoa dos que o abraçam. Todos nós, que no mais das vezes nos consideramos imunes a este contágio universal, estamos susceptíveis a sermos vítimas deste mal.
E por isso é mister defender a obra, o pensamento, a linha intransigentemente católica de Dom Lefebvre, que não é outra senão a de São Pio X e a de todo o Magistério da Igreja desde sua fundação até a apostasia desencadeada pelo Concílio Vaticano II.
Mas entremos antes nos detalhes; aqueles detalhes sem os quais somos incapacitados de lograr qualquer diagnóstico real do desastre do qual somos testemunhas. Comecemos, pois, pelo movimento conhecido como GREC (Grupo para Reflexão Entre Católicos), e prossigamos até o dia de hoje numa brevíssima resenha de alguns fatos marcantes que nos apontarão a causa final que os motiva e explica.
Em 1995, pouco antes de falecer, o antigo embaixador da França no Vaticano, Gilbert Pérol, redigiu um artigo de “bons ofícios” com o intento de promover uma aproximação amistosa entre a Fraternidade e a Igreja oficial. A este projeto deu sequência sua esposa, a Sra. Huguette Pérol, e então uma primeira plataforma de trabalho foi constituída em 1998.
Pouco tempo depois este grupo tomou o nome já referido, GREC, e reuniu membros da Fraternidade São Pio X e do clero progressista. Com o passar dos anos este grupo atraiu a atenção do episcopado francês, não menos que a de Roma. O objetivo do GREC, como explica um de seus fundadores, o Pe. Michel Lelong, “é a necessária reconciliação entre a Tradição e Roma” [i]. Objetivo equívoco, pois como diz Dom Lefebvre: “Roma perdeu a fé... Roma está na apostasia” (cf. Conferência aos padres em Ecône por ocasião do retiro sacerdotal, em 1º de setembro de 1987). Mas para o GREC estas palavras de Dom Lefebvre não merecem atenção. São palavras ditas num “momento de angústia”, como diz um dos defensores da linha de Dom Fellay. Os integrantes do GREC creem ver os acontecimentos desde um ponto mais elevado, com mais serenidade, almejando assim uma “impossível reconciliação”, como diz muito bem o Pe. Rioult, reconciliação entre duas realidades opostas: entre a Igreja verdadeira, a Roma eterna, e a Igreja oficial, a Roma modernista. Na verdade aí está todo o drama por que está passando a Fraternidade, pois Menzingen não cessou, desde então, de procurar esta reconciliação preconizada pelo GREC, fazendo uso de sua autoridade para fazer cessar as críticas à Santa Sé, ou seja, aos modernistas que a ocupam.[ii] Está aí a razão de Dom Fellay ter pedido a Dom Williamson de cessar os seus “Comentários Eleison” e de não ter feito fortes críticas à última reunião ecumênica de Assis.
Lembremo-nos, ainda que sumariamente, de outros fatos:
* Resposta de 14 de abril de 2012, por Dom Fellay, aos três outros bispos da Fraternidade, na qual ele diz aos seus irmãos de episcopado que lhes “falta realismo e espírito sobrenatural”;
* Declaração doutrinal de 15 de abril de 2012. Esta declaração levantou uma reação tal, que Dom Fellay se viu impelido a retirá-la. Mas dela não se retratou até o dia de hoje. A Fraternidade não estava e não está todavia “madura” para aceitá-la.
* A 11 de maio de 2012, Dom Fellay dá uma entrevista ao canal de televisão americano CNS (Catholic News Service), na qual ele minimiza a gravidade do documento conciliar “Dignitatis Humanae”.
* Em julho de 2012 se reúne o Capítulo Geral da Fraternidade sem a presença de Dom Williamson, proibido de aí comparecer. O resultado deste capítulo foi o abandono da decisão do Capítulo Geral anterior (2006), o qual estabelecia que não se levaria a cabo nenhum acordo prático com Roma antes de um prévio “acordo doutrinal”. Em outros termos, antes da conversão de Roma.
* Pouco depois é notificada a expulsão de Dom Williamson da Fraternidade, expulsão que este considera nula; e Dom Williamson convida Dom Fellay a resignar o seu cargo a fim de que não se destrua a obra de Dom Lefebvre.
* Em 13 de junho de 2012 Dom Tissier de Mallerais se manifesta em entrevista ao jornal “Rivarol” contra a política de acordo, sem, entretanto, citar a pessoa de Dom Fellay. Note-se que Dom Tissier foi transferido de Ecône para um priorado nos Estados Unidos. Os seminaristas perderam assim o contato com o mais antigo colaborador de Dom Lefebvre.
Nos meses seguintes, declarações diversas, públicas e privadas, expressaram e reforçaram a política pragmática da Fraternidade com relação a Roma. “Reconhecimento unilateral” é a fórmula apta a obter a aceitação dos membros da Fraternidade. Mas esta é a mesma solução aceita por Dom Gérard (Barroux – França) em 1988, assim como por Campos em 2002. Um reconhecimento canônico tem sido suficiente, seja ele unilateral ou não, para criar uma dependência em relação às autoridades modernistas e desta feita lhes permitir que aniquilem toda a Tradição. Não são os inferiores que fazem os superiores, mas sim os superiores que fazem os inferiores, como observava Dom Lefebvre. É uma simples questão de bom senso. Mas o bom senso está desaparecendo da superfície da terra.
Convém lembrar igualmente os processos iníquos dos quais foram vítimas os padres Pinaud e Salenave, processos descritos e comentados pelo Pe. François Pivert no livro “Quel droit pour la Tradition catholique?”.
As comunidades religiosas que não aprovavam a política de Menzingen já haviam sido objeto de medidas diversas de pressão e vexação. A lista é longa. Recordemos o adiamento da ordenação dos diáconos dominicanos e capuchinhos em 2012. Os beneditinos de Bellaigue também foram ameaçados de ter a ordenação de seus candidatos delongada. Ora, isso se explica se considerarmos que os superiores destas três casas religiosas haviam estado em Menzingen para manifestar a Dom Fellay o seu desacordo.
No entanto, aqueles que apoiam Dom Fellay dizem que isso são águas passadas: o Capítulo Geral de 2012 deu uma solução satisfatória à questão; o que é falso. Tanto o Pe. Pflüger, primeiro assistente de Dom Fellay, como o Pe. Alain Nely, segundo assistente, retomaram o assunto, seja em conversas privadas, seja em retiros, seja ainda em entrevistas públicas.
Não se pode de modo algum dizer que tudo quanto era problemático está sanado na Fraternidade. Se isto fosse verdade, Dom Williamson teria que ser reabilitado, honrado e escutado, pois que foi sua iniciativa de redigir a carta ao Conselho Geral, assinada também por Dom Tissier e Dom de Galarreta, que salvou a Fraternidade em 2012 de um acordo com Roma. Três bispos contra os acordos era demais para Roma. Era melhor esperar por tempos mais propícios.
Para Dom Lefebvre este momento oportuno expressar-se-ia pela conversão de Roma e pela aceitação das doutrinas contidas nos documentos pontifícios Quanta Cura, Syllabus, Pascendi, Quas Primas, etc. Mas para Dom Fellay, os tempos propícios já chegaram e trazem consigo a diminuição do espírito de combate da parte da Fraternidade, ou seja, o alinhamento (“ralliement”, em francês) que culminou com sua declaração de 15 de abril de 2012 e que continua mesmo sem a assinatura de um acordo.
A conclusão de tudo isso é algo de espantoso e trágico. Estes fatos são públicos, na sua maioria. Por que não há uma maior reação à política de Dom Fellay? Ao que parece é porque o liberalismo e a apostasia já fazem sua obra dentro da própria Tradição. Dom Fellay, ajudado por muitos padres, criou um estado de desorientação tal que muitos fiéis já não são capazes de discernir mais nada do que está acontecendo com a obra de Dom Lefebvre.
É por isso que afirmamos que a verdade sobre estes acontecimentos permanece oculta embora seja pública. Seria a ocasião de citar a famosa frase de Chesterton, que segue: “o mundo moderno é dirigido por uma força oculta que se chama publicidade”. O que importa, como diria um amigo nosso, não são os fatos, mas a versão dos fatos. Ora, a versão triunfante é que Dom Williamson e Dom Faure são desobedientes e que os superiores da Fraternidade são os verdadeiros discípulos de Dom Lefebvre. Isto é falso, como o demonstramos. Eis aí o centro do drama.
Agora é vossa hora e o poder das trevas” (Luc. XXII, 53). Talvez a Resistência tenha de sobreviver como os apóstolos e os discípulos dispersos durante o tempo da Paixão. É útil rememorar uma reflexão do grande pensador brasileiro, Gustavo Corção: “Não creio em nenhuma obra nos tempos atuais que reúna um grande número de pessoas.” Talvez a Resistência permaneça o pusillus grex ao qual Nosso Senhor exortou a não temer porque foi do agrado do Pai lhes dar o reino. Que a proteção da Santíssima Virgem possa nos guardar fiéis até o fim: “Ut Fidelis inveniatur.

[i] Pour la nécéssaire réconciliation, Nouvelles Éditions Latines, 2011, p. 15.
[ii] Ibidem, p. 50.”

http://syllabus-errorum.blogspot.com.br

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Relógio da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

http://farfalline.blogspot.com.br

O horto de Getsêmani na paixão da Igreja

“Hoje mais do que nunca na história da História, isto é, a que tem por dono e senhor o Senhor da Criação toda, os acontecimentos parecem demonstrar quase sem dar lugar a dúvidas que a Grande Apostasia referida na carta aos Tessalonicenses prévia à aparição do Homem da Iniqüidade está presente.
No horto de Getsêmani, nosso Senhor, ao assinalar abatido que sua alma tinha uma tristeza de morte, pediu aos apóstolos que o acompanhavam: “Ficai aqui e velai comigo. Rezemos para não cair em tentação.” Contudo em nossos tempos, à semelhança daqueles, nossa atitude se assemelha à de Pedro, João e Tiago que, não entendendo a gravidade do momento apesar das claras advertências de seu Divino Mestre, dormiram.
É que a cotidianidade da convivência com o mal, com a perversidade em todas suas formas possíveis, e sobretudo com o esfriamento da caridade na Igreja nos fez tomar a atitude da rã esquentando-se em fogo lento, acostumando-nos aos poucos ao aquecimento da água, até chegar o momento em que tentar reagir será quase impossível.
Deste modo os Think Tanks da Nova Ordem Mundial trabalharam incansavelmente para fazer da população mundial, por um lado, uma massa tão oprimida que seria capaz de fazer qualquer coisa em troca de um pouco de pão e até de água, e por outro lado, no homem pós-moderno, gerar um estado de relaxamento e apatia tal, de maneira que nos tornemos as rãs antes mencionadas.
Hoje observamos impassíveis as terríveis matanças que se levam a cabo em muitos lugares do mundo; em alguns lugares, perpetradas por fanáticos islâmicos, em outros, com o objetivo de impor-lhes a “deusa democracia” dizendo-lhes como notava o Pe. Castellani: “faz-te livre ou te mato”, e outras, como o caso da Ucrânia, nas quais se pretende cercear países com o ânimo de “ajudar seus habitantes a decidir livremente a que nação querem pertencer”. Isto olvidando o imensíssimo genocídio perpetrado pela Rússia na Ucrânia no Holodomor, onde foram mortos de fome 10 milhões de pessoas em um fato historicamente comprovável e não como outros pretensos “holocaustos” aos quais tanto culto rendem nossos falsos pastores. E tudo isto precisamente com a vênia e o financiamento da alta finança judia e com o trabalho intelectual de abrandamento intelectual e espiritual da Franco-Maçonaria, hoje também enquistada nas altas hierarquias eclesiásticas.
Porém, apesar de ver como se preparam imensos exércitos e se realizam exercícios em grande escala, ou de como se posicionam os sistemas de defesa e de ataque das grandes potências nucleares em estado de alerta máximo, continuamos pensando que a possibilidade de uma 3ª Guerra Mundial não só é longínqua, mas que caso aconteça provavelmente não nos vai afetar, enquanto continuamos tranqüilos vendo nossas judaicas e promíscuas séries favoritas de televisão em HD, com nossa calefação ou refrigeração gerando o âmbito de conforto adequado para desfrutar dos benefícios do mundo moderno.
E uma das técnicas destes arquitetos da pós-modernidade para fazer com que nos sintamos tão tranqüilos é fazer com que nos esqueçamos de Deus, e isso se consegue com mais efetividade não pregando a falta d'Ele, mas tergiversando e desnaturalizando a noção do mesmo.
E ao considerar que Deus é tão misericordioso que não pode condenar ninguém eternamente, a conseqüência lógica é que não se faça nenhum esforço para alcançar a vida eterna. Recordemos Bergoglio dizendo: “O caminho da Igreja é o de não condenar ninguém eternamente”. E assim em várias oportunidades sustentou que os que pretendem ser santos são hipócritas, já que aparentemente, na nova concepção do homem, este ao pretender viver uma vida virtuosa quer ser diferente, e até melhor que os demais em um ato de terrível e imisericordiosa soberba anti-igualitarista, proposta essencialmente oposta à imposta pela deusa democracia, hoje idolatria oficial na neo-igreja e nos países do mundo inteiro. Diz-nos conseqüentemente o “bispo de Roma”: “O lugar privilegiado para o encontro com Jesus Cristo são os próprios pecados”, tergiversando as palavras do apóstolo que disse: “prefiro gloriar-me de minhas fraquezas” (II Cor 12; 9-10) que bem entendido implica que aos débeis e pequenos são dadas as ferramentas necessárias para vencer precisamente estes pecados através da graça, mas não convalidá-los em suas desviadas condutas, como parece pretender Bergoglio ao juntar-se sempre com promotores de vícios nefandos a quem nunca chama a deixar sua vida de pecado, mas a quem em vez disso diz: “quem sou eu para julgar?”.
O que resulta evidente é que a antropocêntrica neo-igreja propõe o vicioso como paradigma de quem pratica uma “virtude de humildade” já que é “sincero” com sua condição de pecador e se “gloria de seus pecados”, diferente de quem pretende viver virtuosamente, ao qual se chama de hipócrita, já que nem sempre faz o que prega e a quem se censuram as quedas, sem ter em conta seus esforços por levantar-se.
Há pouco escutei dizer que não se pode questionar o “papa” porque não somos protestantes, mas que acontece quando é esse “papa” quem promove o protestantismo? Podemos recordar que o vaticano vai participar oficialmente na “celebração” dos 500 anos da Reforma Protestante ou quando Bergoglio disse que para conseguir a união dos “cristãos” (entenda-se corretamente “hereges protestantes”), devemos “deixar de lado questões polêmicas ou apologéticas” e “refinadas discussões teóricas”, entre muitíssimas outras citações e situações similares.
E tornando ao tema do pecado, estas propostas de Bergoglio resultam coerentes com sua lógica sincretista, já que para o luteranismo a salvação não encontra obstáculo em nenhum tipo de viciosas condutas desde que se realize um ato de fé interior, embora se permaneça no pecado. Mas o “bispo de Roma” vai além do protestantismo e leva esta salvação automática a todo tipo de seitas e até aos ateus aos quais se disse que não precisavam crer em Deus para salvar-se, somente “fazer o bem”, tornando completamente desnecessária a Graça Divina e por conseguinte a evangelização, substituindo-a pelo “diálogo e cultura do encontro”.
Apesar destas tristes realidades da oficialidade eclesiástica, não podemos deixar de pregar a verdade evangélica dos novíssimos e a eternidade da “glória” e do inferno, recordando a visão de São João Bosco em suas visões daquele último, em cuja porta havia um cartaz que dizia: “Ubi non est redemptio!”, ou seja, “Aqui não há redenção!”. Isto como um dever essencial de caridade para prevenir os pecadores da necessidade da conversão e do arrependimento para não “serem arrojados ao inferno, ao fogo inextinguível, onde o verme que os rói nunca morre, e o fogo nunca se acaba” (Mc. 9; 45-45).
Relata a beata Catarina Emmerick que na agonia do horto se apresentaram a Jesus as ingratidões dos homens pelos quais Ele se oferecia como vítima expiatória; como através dos tempos sua Igreja se veria inundada de heresias, pela corrupção, frieza e malícia de um infinito número de cristãos, pela mentira e astúcia de doutores orgulhosos, pelos sacrilégios de todos os sacerdotes viciosos, a abominação e a desolação no santuário de Deus. Assinalou a beata: “Jesus viu todos; chorou por eles; quis sofrer por todos os que não o vêem e que não querem levar sua Cruz com Ele à cidade edificada sobre a pedra, à qual foi dado o Santíssimo Sacramento e contra o qual as portas do Inferno não prevalecerão nunca”; e continua relatando: “Jesus Cristo, o Filho do Homem, lutava e juntava as mãos; caía como sobrecarregado sobre seus joelhos e sua vontade humana travava um combate tão terrível contra a repugnância de sofrer tanto por uma raça tão ingrata, que o suor de sangue caía de seu corpo em gotas sobre o solo”.
Por tudo isto, longe de exaltar nossos pecados, não podemos deixar de sofrer por eles, sabendo que Nosso Senhor padeceu imensamente no Horto de Getsêmani ao ter que carregar os mesmos, para expiar em sua natureza humana ditos pecados, apesar de Ele mesmo estar isento deles. E nesta hora de trevas para a humanidade toda e para a Igreja, longe de sentirmo-nos satisfeitos de nós mesmos, estejamos em vez disso preparados para a Grande Tribulação, e desta vez sim atentemos à recomendação de Nosso Senhor ao nos advertir: “Velai e orai para que não caiais em tentação, pois embora o espírito esteja disposto, a carne é fraca” (Mt. 26, 41).”

http://nacionalismo-catolico-juan-bautista.blogspot.com.br

terça-feira, 31 de março de 2015

O solitário Andreas

“Sempre que se comete um crime, preferivelmente monstruoso, os noticiários televisivos incluem uma reportagem especialmente grotesca na qual vizinhos e conterrâneos do criminoso tratam de esboçar seu retrato. Naturalmente, são retratos atoleimados, cheios de vacuidades e necedades orgulhosíssimas de haver-se conhecido. “Era um rapaz muito calado”, dizem; ou ainda: “Falava de preferência pouco, mas sempre me cedia o lugar no elevador”; ou ainda: “Todas as manhãs cruzava com ele fazendo footing, e nunca deixava de saudar-me”; ou ainda, com uma pitada de patetismo: “Não consigo entender que tenha podido matar cento e cinqüenta pessoas! Se até se negava a fumigar o edifício, por amor aos cupins!”. Naturalmente, uma vez que se soube que o louco Andreas Lubitz havia assassinado com premeditação os passageiros do avião que pilotava, os repórteres viajaram até sua aldeia, para entupir os noticiários com um enxame de vacuidades e necedades de seus vizinhos e conterrâneos.
O que, ao final, resulta diáfano é que Lubitz era um solitário que ninguém conhecia deveras; só que sua vida solitária nem sequer chamava a atenção de seus vizinhos e conterrâneos, pela simples razão de que eles levam uma vida tão solitária quanto ele. E aqui chegamos ao cerne que nos importa. Nada foi criado desde os átomos até os anjos para sobreviver em solidão; e das três tendências naturais do ser humano, a conservação própria, a propagação da espécie e a vida comunitária, no mínimo as duas últimas estão ordenadas a evitá-la. Querer a solidão pela solidão em si mesma (quero dizer, sem anelar um fim mais alto) talvez seja o modo mais aberrante de desobedecer nossa vocação natural; e, talvez para justificar esta desobediência, costuma-se imbuir na pobre gente a crença maluca de que se pode ser eminente contemplativo, místico sutil, filósofo genial e artista arrebatado tão somente com buscar a solidão, que deste modo se apresenta como uma grande medicina espiritual. Mas o certo é que, salvo para uns poucos privilegiados (e mesmo para estes), a solidão é um terrível veneno que cedo ou tarde gangrena as almas, engendrando acídia, abulia, tédio, desespero e angústia, além de transtornos e condutas aberrantes, por ensimesmamento e falta de afetos humanos. É que a vida comunitária, ademais de velar pela saúde física e espiritual do homem, atua como freio moral insubstituível e sentinela daqueles demônios que buscam se aninhar na alma do solitário, para primeiro destruí-la e depois imbuir-lhe idéias criminosas que atentem contra a comunidade.
Refletindo sobre o Quixote, Thomas Mann contrapõe a liberdade cervantina com a liberdade do homem contemporâneo, assinalando a aziaga mania que nosso atual conceito de liberdade tem de “começar pelo eu, pelo espírito, pela solidão”. E enfatiza Mann: “Este processo deve se considerar mórbido, pois termina fazendo do homem um ser enfermo, solitário, melancólico, isolado, incompreendido”. Este afã de desvincular e isolar os homens, transformando-os em mônadas auto-suficientes, tem sido sem dúvida uma das maiores “conquistas” do mundo moderno; pois, desvinculando e isolando os homens, conseguiu adoecê-los, debilitá-los e fazê-los mais manipuláveis. E, inevitavelmente, em um mundo de homens solitários, melancólicos, isolados e incompreendidos é inevitável que surjam monstros como este Lubitz; como é inevitável que seus vizinhos fossem por completo incapazes de detectar sua enfermidade e agora também o sejam de fazer outro retrato seu que não seja um enxame de necedades e vacuidades. É a maldição que caiu sobre um mundo de solitários.”
(Juan Manuel de Prada, El Solitario Andreas)

sábado, 28 de março de 2015

Dom Tomás de Aquino: Uma confissão de Menzingen

“O comunicado de Menzingen de 19 de março, ainda que breve, nos ensina um bom número de coisas. Entre outras, encontramos ali uma confissão: que Monsenhor Williamson foi expulso da Fraternidade São Pio X por causa de sua oposição à política acordista de Mons. Fellay.
Até o presente, Menzingen falava de desobediência: Monsenhor Williamson era um indisciplinado, um mau subordinado que não obedece às ordens recebidas. Agora, Menzingen confessa a verdadeira razão: “as vivas críticas” de Mons. Williamson a respeito das relações de Menzingen com Roma. O mesmo para Mons. Faure. Eis aqui sua falha.
O affaire da carta dos três bispos a Mons. Fellay e a seus assistentes não foi digerido. Relações com Roma, Mons. Lefebvre bem que as teve, mas com a esperança de que Roma se recuperasse, que desse marcha a ré. De fato, Mons. Lefebvre era quem dirigia as negociações e o fazia com uma certeza invencível, porque seu critério foi a fé de sempre. Inclusive, ao fazê-lo, quase caiu na armadilha de Roma. “Fui demasiado longe”, disse.
Pelo contrário, com Mons. Fellay, as coisas acontecem de maneira completamente diferente. Não é ele quem dirige as negociações. Não é ele quem tem a força de dizer a Roma: “Sou eu, o acusado, quem vos deveria julgar”. Não, Monsenhor Fellay não se apresenta como juiz dos erros de Roma. Apresenta-se mais como um culpado “em situação irregular que deve reintegrar-se ao redil e que sofre porque “sua” Fraternidade não o segue.
Abramos um parêntese. Julgar Roma? Não é este o papel dos superiores e não dos inferiores? Decerto. Mas os superiores já julgaram. São Quanta Cura, Pascendi, Quas Primas, etc., que condenam aos papas liberais. É Roma, a Roma eterna, quem julgou à Roma neomodernista e neoprotestante. Monsenhor Fellay parece ter esquecido isto e o faz olvidar com sua “Igreja concreta de hoje em dia”. Fechemos o parêntese.
Monsenhor Williamson bloqueava as negociações de Menzingen. Ele constituía um entrave. Sabíamo-lo bem, mas a casa geral dava outra versão. Agora, ela confessa. São as “vivas críticas” de Mons. Williamson contra sua operação suicídio que foram a causa de sua expulsão. Já era tempo que Menzingen o dissesse. Já o fez agora.
No entanto, Menzingen falseia a questão ao dizer que estas vivas críticas eram sobre “toda relação com as autoridades romanas”. Não. Isto não é verdade. Elas eram sobre a incorporação a Roma, que poria a FSSPX sob o jugo modernista e liberal, pelo qual o demônio trata de chegar ao que Corção chamou “o pecado terminal”: fazer cair os últimos bastiões em uma última e monumental afronta a Deus.
E a isto não poderíamos prestar nosso concurso. O demônio não alcançará seus fins porque Nossa Senhora vela: Ipsa conteret. Eis aqui nossa esperança. Ela não será decepcionada, se nós somos fiéis pela graça de Deus: Fidelis inveniatur.”

Original em http://www.dominicainsavrille.fr

sexta-feira, 27 de março de 2015

Entrevista com Mons. Williamson imediatamente após a cerimônia de consagração de Mons. Faure

O senhor recebeu o apoio dos sacerdotes nesta consagração?
Sim, houve um grupo de sacerdotes da América Latina e dos Estados Unidos e outros lugares. Há sacerdotes que compreendem, não são numerosos, mas têm valor, têm a fé, e estão decididos a seguir adiante.
O que fez o senhor decidir realizar a consagração agora?
Cada dia era mais razoável diante da ameaça da guerra, que está muito próxima de nós, e por duas vezes foi evitada com a Síria e a Ucrânia, e o Ocidente delinqüente está provocando os russos e chegará o momento em que Putin dirá que já chega e atacará.
Excelência, já começaram a elevar-se as vozes que dizem que o senhor e Monsenhor Faure estão excomungados; que nos pode dizer a esse respeito?
A Verdade é mais importante que a autoridade. A autoridade existe para servir à Verdade, e as autoridades romanas abandonaram a Verdade, graças ao Concílio, e cada dia mais, desgraçadamente. Então seus castigos e suas censuras não têm peso, não têm valor.
Que qualidades considerou de Monsenhor Faure para consagrá-lo bispo?
É calmo, tem experiência, é velho, um pouco menos velho que eu, tem 73 anos, além disso é inteligente e tem a fé. Tem ademais a experiência da Revolução, porque teve que fugir da Argélia em sua juventude, perdeu tudo com esta Revolução e conheceu a traição do General De Gaulle, então compreende o mundo moderno.
Muitos dos sacerdotes jovens quase não têm experiência do mundo moderno nem da Revolução, então não compreendem perfeitamente o mal. Por exemplo, Mons. Fellay não compreende nada do que são as tentações e os perigos do Vaticano II e seu esforço por aproximar-se do mundo moderno. Não compreende, e igualmente muitos dos outros sacerdotes da Fraternidade. São demasiado jovens, e Monsenhor Faure, sendo velho e com experiência, evita esta armadilha da ignorância do que é verdadeiramente a Igreja moderna, o mundo moderno e tudo mais.
A base de Monsenhor Faure será a França. O senhor continuará visitando a América como antes?
Assim está previsto, embora os acontecimentos possam decidir outra coisa. Monsenhor Faure pode voltar à América Latina com bastante freqüência porque ali está seu coração. Provavelmente assim será.
Excelência, haverá mais consagrações?
É bem possível. Esta se fez discretamente, mas na próxima vez serão mais de um os consagrados e se publicará com antecipação.
Será de novo no Brasil?
Não, seria provavelmente na Europa. Graças a Deus tivemos o Brasil para realizar esta primeira consagração, porque está longe da Europa e longe de muitos problemas. Agora já não sou o único bispo e assim o perigo não é tão grande.
Espera da Fraternidade uma condenação a esta consagração?
Espero que não haja pois seria um mal e não desejo à Fraternidade o mal.
Um sacerdote da Fraternidade disse recentemente que a Resistência é um grupo de desequilibrados sem futuro.
Naturalmente, isso é o que disseram de Monsenhor Lefebvre. Mas não se julgam as coisas segundo as posições dos homens, pois são falíveis e podem se deixar enganar.
E se acusa também de orgulho.
Acusaram também Monsenhor Lefebvre de orgulho. Mas defender a Verdade e afirmar que a Verdade está acima de todos os homens, isso não é orgulho, é humildade. Há uma Verdade objetiva acima de nós, acima de Nosso Senhor enquanto homem, no Evangelho de São João ele disse muitas vezes, Eu não vim para fazer minha Vontade, mas a Vontade de meu Pai. Então Nosso Senhor como homem está abaixo de algo que está acima d’Ele. É humilde. E disse aos fariseus: Se Eu dissesse como vós que não conheço a Verdade, seria mentiroso. Se Eu baixasse minhas afirmações, seria mentiroso, baixar as pretensões, minhas exigências, seria levantar-me contra o Pai. As exigências, o absoluto vêm do Pai. Para todos nós, inclusive para Jesus homem.”

Original em http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br