domingo, 30 de novembro de 2014

Contra o Primeiro Mandamento

Eis o papa da nova igreja, rendendo homenagem a Alá. Como dizia São Ágato, quem reza com hereges (que negam a divindade de Cristo ou que Ele seja o Filho de Deus) é ele mesmo um herege.
O que é mais perturbador que esse gesto de apostasia explícita é o fato de que a maioria dos seguidores do novus ordo não sente a mínima repulsa que seja pelo comportamento desse papa de sua nova igreja! É como se estivessem encantados pelas ações negativas do “papa humilde” e sua necessidade constante de rejeitar nosso Divino Salvador enquanto chama a atenção para suas exibições públicas cuidadosamente planejadas junto com seus “irmãos separados”, que tal como ele praticam orgulhosamente a maligna arte da apostasia contra a Santa Madre Igreja.
Qual seu próximo passo? Vai dançar em Stonehenge com os druidas?

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Dante Milano: Música Surda

Como num louco mar, tudo naufraga.
A luz do mundo é como a de um farol
Na névoa. E a vida assim é coisa vaga.

O tempo se desfaz em cinza fria,
E da ampulheta milenar do sol
Escorre em poeira a luz de mais um dia.

Cego, surdo, mortal encantamento.
A luz do mundo é como a de um farol...
Oh, paisagem do imenso esquecimento.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Evolucionismo e teologia

“Sempre admirei as pessoas que dedicam sua vida à busca da verdade, tenham ou não tenham fé; e sempre me pareceram odiosas as pessoas que, para trapacear com o mundo, renunciam a buscar a verdade. Alguns desses trapaceiros encontrei debatendo sobre a tese darwiniana do evolucionismo e os dogmas teológicos do cristianismo; em seguida, quando você os confronta com essa espinhosa questão, saltam logo com réplicas: “Não há conflito algum entre evolucionismo e cristianismo”. E, certamente, não teria por que haver se ambos fossem certos, porque a ciência e a fé têm o mesmo fim, que é a descoberta da verdade, embora os procedimentos sejam diferentes (o método empírico na ciência, a Revelação na fé). Mas a crua verdade é que a tese de Darwin e o dogma cristão colidem frontalmente. Isso é algo que todos os evolucionistas ateus ou agnósticos com os quais conversei entendem com clareza (no que, pelo menos, demonstram probidade intelectual), mas que os evolucionistas crentes preferem ignorar, em um exercício flagrante de desonestidade intelectual. Darei aqui, apenas esboçadas, algumas dessas conclusões insuperáveis:
1) Segundo o dogma cristão, a Criação foi perfeita no começo e a morte apareceu como conseqüência do pecado. Porém, uma coisa é afirmar que a perfeição originária da Criação foi logo corrompida pelo pecado, que torna inevitável a luta pela existência, e outra completamente distinta... afirmar que essa luta pela existência havia sido o método escolhido por Deus para levar a cabo a perfeição da Criação originária! O cientista evolucionista Jacques Monod afirmou certa vez: “A seleção natural é o meio mais cego e cruel de desenvolver novas espécies. A luta pela existência e a eliminação dos mais fracos é um processo horrível... Surpreende-me que um cristão queira defender a idéia de que este é o processo que Deus estabeleceu para realizar a evolução”. Com efeito, é inconcebível segundo a fé cristã imaginar um mundo anterior à queda do homem onde a vida na terra fosse regida pela seleção natural. Contudo, parece evidente que a seleção natural, segundo as teses darwinianas, foi a lei que regeu a evolução das espécies desde que apareceu a vida na terra, e não só desde a queda do homem, que necessariamente teve de ser (segundo essas mesmas teses) muito posterior. É impressionante que um cientista ateu como Monod repare nesse paradoxo enquanto todos os cientistas crentes o evitam.
2) Mas se a lei da seleção natural pressupõe um Deus cruel, muito mais cruel todavia é tentarmos conciliar o dogma do pecado original com as teses evolucionistas. Na verdade, tal dogma só é assuntível desde uma concepção monogenista da espécie humana, pois o pecado original é uno em origem e se transmite por geração, ao modo de uma enfermidade hereditária. Porém, a lei de seleção natural exige aceitar o poligenismo: muitos, infinitos casais de hominídeos progressivamente evoluídos que, ao longo dos séculos, vão se transformando até se transformarem em seres humanos plenos. Aceitar que todo esse formigueiro de casais pecou seria como defender um funesto determinismo e negar a liberdade humana; ou, pior ainda, aceitar que um Deus maquiavélico os criou sem liberdade para resistirem ao pecado. Se não foi um o casal originário, para que batizar as crianças? E, ainda mais, se não há pecado original, que sentido tem a Redenção de Cristo? H. G. Wells, em sua História Universal, escreve sem rodeios: “Se todos os animais e o homem se desenvolveram mediante evolução, se não houve primeiros pais, nem Éden, nem Caim, todo o edifício do Cristianismo, a história do primeiro pecado e a razão de sua expiação caem como um castelo de cartas”. E o jornalista ateu G. Richard Bozarth o diz de forma ainda mais brutal: “O evolucionismo destrói por completo a razão pela qual a vida terrena de Cristo havia sido supostamente necessária. Demoli Adão e Eva e o pecado original e, entre os escombros, encontrareis os lamentáveis despojos do Filho de Deus”.
Em Monod, em Wells e até em Bozarth posso descobrir certa probidade intelectual. Não me parece assim nos trapaceiros que pretendem que não há conflito algum entre o evolucionismo e a fé cristã.”
(Juan Manuel de Prada, Evolucionismo y Teologia)

domingo, 23 de novembro de 2014

A atuação política e internacionalista da Maçonaria

“No texto de Gustavo Barroso publicado, "A Maçonaria", o notável Historiador cita documentos que desmentem a costumeira falácia maçônica de que a Ordem não se mete em política, bem como confirmam o caráter internacionalista da seita. Mas, como certamente vai aparecer algum bisonho dizendo que isso foi no passado, que hoje a maçonaria é boazinha, que só cuida de filantropia, serão transcritos abaixo trechos de um Livro português mais recente - é de 1998 -, que comprovam as afirmações de Barroso.
As passagens foram retiradas da Obra de A. H. de Oliveira Marques, A Maçonaria em Portugal. Lisboa: Gradiva/Fundação Mário Soares, 1998, 119 páginas. Colecção Cadernos Democráticos, Valores, Volume 6.
Os Políticos maçons não são representantes dos seus eleitores, nem dos Partidos em que estão formalmente filiados, mas, das Lojas:
“Dos 20 ao 90 anos, todo o maçon consciente sabe que pode e deve aprender com seu irmão maçon e aceita com abertura e humildade todos os ensinamentos e correctivos que sobrevierem da expressão das suas opiniões. Não é por mera disciplina ou simples eufeudamento hierárquico que os governantes maçons devem submeter projectos importantes de leis e outros actos governativos à apreciação dos seus confrades. É porque têm a certeza de que aí colherão, sem lisonja e com sinceridade, meios de aperfeiçoar a obra que visam. Cada loja maçónica surge assim como uma pequena assembleia de base onde o dirigente – na realidade, representante seu – constantemente se apoia, na busca da melhor fórmula para o bem de todos”. (p. 9)
O internacionalismo é um “dogma” maçônico, sendo o conceito de Nação transitório, devendo um dia ser superado, portanto, entre a “fraternidade” maçônica e a fidelidade à Pátria, o maçon deverá ficar com a Ordem:
“Através do ritual, que inclui vocabulário próprio e sinais de reconhecimento específicos, um maçon português pode contactar com um maçon japonês e receber dele ou transmitir-lhe ajuda e apoio de qualquer género. De facto, um dos deveres mais importantes do maçon, inserto nas Constituições do mundo inteiro, consiste em reconhecer como irmãos todos os maçons, tratá-los como tais e prestar-lhes auxílio e protecção, a suas viúvas e filhos menores. A história da Maçonaria está cheia de casos que provam o geral cumprimento deste dever.
“O internacionalismo da Ordem Maçônica estabelece-se através das Nações ou Estados politicamente constituídos. (...)”
Não quer isto dizer que a Maçonaria aceite a Nação como realidade última da organização da Humanidade. Tal equivaleria a contradizer o princípio da fraternidade universal e da existência de uma única família na face do globo. (...) “A Nação é a escola presente para a super-Nação futura”. Em caso de conflitos entre nações o maçon encara sem dúvida problemas de difícil resolução. Mas, se for obrigado, sem quaisquer sofismas nem disfarces, a optar entre a fraternidade com seus irmãos de outro país e a fidelidade à sua Pátria, ele deverá escolher a primeira.(...)” (p. 10 e 11)
A infiltração maçônica:
“Ao sobrevirem as Revoluções Americana e Francesa, os pedreiros-livres eram já muitos milhares. Mas a acção directa da Ordem na feitura dos movimentos revolucionários não está comprovada documentalmente. A Maçonaria actuou por trás, nos bastidores, sobre o ideário e a actividade dos muitos pedreiros-livres que, integrados noutras organizações mais pragmáticas, lutaram seguindo a via revolucionária e política. Os ideais das Revoluções Americana e Francesa haviam sido, de facto, pensados, teorizados e expostos muito antes delas. E assim iria suceder, quase sempre nas interligações Maçonaria-História. Prefiguração maçónica de ideais e de acções historicamente relevantes, encontramo-la desde a Revolução Americana ao movimento francês de Maio de 1968. Ligação directa entre Maçonaria e esses movimentos, raras vezes é possível detectá-la. Desde sempre, a acção maçónica exerceu-se nos indivíduos e não nos organismos”. (p. 24 e 25)
“Uma das perguntas que vulgarmente se faz é de que maneira actua a Maçonaria no mundo profano. A resposta é simples: em grande parte através de instituições que fomenta, cria ou dirige mas que têm a sua vida própria, desligada da vida maçónica interna. Não interessa à Maçonaria que, nestas instituições, todos os membros lhe pertençam. Pelo contrário, prefere que alguns ou muitos lhe sejam alheios, para que a relacionação com o mundo profano se mostre tão grande quanto possível. Basta-lhe assegurar que o espírito de tais instituições se mantenha maçónico e que, se possível, a orientação geral ou, pelo menos, um certo controle, estejam nas mãos de maçons. O número de instituições deste tipo, a que chamaremos paramaçónicas, é grande. (...)” (p. 65)
Eis em que consiste a tão propalada beneficência maçônica:
"Mas cultura e beneficência requerem um enquadramento político. A maçonaria não faz política partidária; faz, no entanto, política no melhor sentido da palavra, identificando política com intervenção no mundo profano visando o melhoramento da sociedade. E faz política sempre que é necessário lutar pela tolerância, pela liberdade, pela igualdade e pela fraternidade, contra o fanatismo, a intolerância, a opressão, enfim. Neste caso, intervir na política não constitui apenas um direito da Maçonaria; constitui um autêntico dever". (p. 68 e 69)
Tomei a liberdade de grifar (negrito) algumas partes. Que cada Leitor tire suas próprias conclusões.”

http://maconariaestudoscriticos.blogspot.com.br

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Marxismo é produto do Protestantismo

“Marx reflete na Reforma protestante, o passado teórico da Alemanha, uma revolução que começa pela especulação, que quebrou a fé na autoridade e instalou a autoridade de uma fé. Libertou o povo da religião externa mas deixou a religião interna. O protestantismo revelou a questão - combater o sacerdote - mas não deu a resposta certa. A luta contra o "padre exterior" foi ganha. Agora é preciso iniciar a luta contra o "padre de dentro". A guerra dos camponeses quebrou-se contra o muro da nova teologia protestante. Agora, no século XIX, ocorreu a destruição dos símbolos dogmáticos na geração de Strauss, Bauer, Feuerbach e Marx. Neste sentido, o marxismo é o produto final de um dos ramos do protestantismo liberal alemão.”
(Eric Voegelin, Estudos de Idéias Políticas – de Erasmo a Nietzsche)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ansiedade sedevacantista

“As palavras e atos do Papa Francisco desde sua eleição no início do ano passado são tão pouco católicas e tão ultrajantes, que a idéia de que os papas recentes não são verdadeiramente Papas (“sedevacantismo”) vem sendo reavivada. Notem que o Papa Francisco simplesmente expressa a loucura do Vaticano II mais ostensivamente do que seus cinco predecessores. Permanece a questão de se os seis Papas conciliares (com a possível exceção de João Paulo I) são realmente Vigários de Cristo ou não. A questão, porém, não é de primordial importância. Se eles não são Papas, a moral e a Fé católicas pelas quais eu devo “trabalhar por minha salvação com temor e tremor” (Fl 2, 12) seguem sem mudar um jota. E se eles são Papas, disto se segue que eu não posso obedecê-los enquanto estiverem afastados dessa fé e dessa moral, pois “nós devemos obedecer antes a Deus do que aos homens” (At 5, 29). No entanto, eu acho por bem responder a alguns argumentos dos sedevacantistas, pois há entre eles quem queira fazer da vacância na Sé de Roma um dogma no qual os católicos devem acreditar. Em minha opinião, não existe tal coisa. “Nas coisas duvidosas, a liberdade” (Agostinho).
Eu acho que a chave do problema de o sedevacantismo ser simplesmente uma expressão é que o Vaticano II foi um desastre sem precedentes em toda a história da Igreja de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, a conclusão lógica de um longo processo de decadência do clero católico que remonta ao final da Idade Média. Por um lado, a natureza divina da Igreja Católica e os princípios que governam quaisquer de suas crises, incluindo a conciliar, não podem mudar. Por outro lado, a aplicação desses princípios deve levar em consideração as circunstâncias humanas em constante mudança nas quais esses princípios operam. O atual grau de corrupção humana não tem precedente.
Pois bem, dois dos princípios imutáveis são aqueles em que, por um lado, a Igreja é indefectível, pois Nosso Senhor prometeu que os portões do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16, 18); e por outro lado, Nosso Senhor também perguntou se Ele encontrará fé na Terra em Sua Segunda Vinda (Lc 18, 8) – uma importante citação, porque claramente sugere que a Igreja estará quase que completamente deserta no fim do mundo, exatamente como ela parece estar quase completamente deserta em 2014. Pois, de fato, se nós não estamos hoje vivendo o fim do mundo, estamos certamente vivendo o ensaio geral para o fim do mundo, como Nossa Senhora de La Salete, o venerável Holzhauser e o Cardeal Billot sugeriram.
Assim, hoje, como no fim do mundo, a deserção pode ir muito longe. Porém ela não pode ir para além do poder de Deus Todo Poderoso, que garante que a Igreja nunca desaparecerá ou falhará completamente, mas pode ir tão longe quanto Deus permitir. Em outras palavras, nada precisa impedir que Sua Igreja seja destruída quase por completo. E até onde vai esse “quase por completo”? Só Deus sabe, e só o tempo poderá dizer, porque nenhum de nós homens está na mente de Deus, e apenas os fatos podem nos revelar, depois do evento, o conteúdo da mente divina. Mas Deus revela parcialmente Sua mente nas Escrituras.
Agora, quanto ao fim do mundo, muitos intérpretes do Capítulo 13, 11-17 do Apocalipse pensam que a segunda besta, que é como um cordeiro e serve ao Anticristo, representa as autoridades da Igreja, porque se essas autoridades resistissem ao Anticristo, ele nunca poderia prevalecer como as Escrituras dizem que irá. Seria então algo muito extraordinário se no ensaio geral para o fim do mundo os Vigários de Cristo falassem e se comportassem como inimigos de Cristo? Com base nesse quadro necessário, os Comentários da semana que vem proporão respostas a alguns dos principais argumentos dos sedevacantistas.
***
1. Ou se aceita todos os Papas Conciliares (como os liberais – Deus nos livre!), ou se recusa todos eles (como os sedevacantistas). Aceitá-los parte sim e parte não, é selecionar e escolher o que se deve ou não aceitar, como fez Lutero e como fazem todos os hereges (em grego, “escolhedores”).
Isso é certo se alguém seleciona e escolhe segundo a sua própria escolha pessoal, mas não é verdade se, como Monsenhor Lefebvre, se julga segundo a Tradição Católica, que pode ser encontrada no tesouro de 2000 anos de documentos magisteriais da Igreja. Nesse caso se está julgando com 260 Papas contra apenas seis, mas isto não prova a invalidade desses seis.
2. Mas os Papas conciliares têm envenenado a Fé e posto em perigo a salvação eterna de milhões e milhões de católicos. Isso é contrário à indefectibilidade da Igreja.
Na crise Ariana do século IV, o Papa Libério pôs a Fé em perigo ao condenar Santo Atanásio e apoiar os bispos arianos no Oriente. Durante algum tempo, a indefectibilidade da Igreja esteve assegurada não pelo Papa, mas por seu aparente adversário. Mas isso não quer dizer que Libério não foi Papa, nem que Atanásio o foi. De modo similar, a indefectibilidade da Igreja encontra-se atualmente nos fiéis seguidores da linha assumida por Monsenhor Lefebvre, mas isso não significa dizer que Paulo VI não foi Papa.
3. O que os bispos do mundo ensinam, em união com o Papa, é o Magistério Ordinário Universal da Igreja, que é infalível. Mas nos últimos 50 anos os bispos do mundo em união com os Papas conciliares vêm ensinando os absurdos conciliares. Portanto, esses Papas não são verdadeiros Papas.
Se o Magistério Ordinário da Igreja estivesse afastado da Tradição, ele não seria mais considerado “Ordinário”, mas do tipo mais extraordinário, pois a doutrina da Igreja não admite novidades, já que o “Universal” é tanto no tempo como no espaço. Ora, a doutrina conciliar se distancia da Tradição (por exemplo: liberdade religiosa e ecumenismo). Por isso a doutrina própria do Concílio não está sob o Magistério Ordinário Universal, e não pode servir para provar que os Papas conciliares não são Papas.
4. O Modernismo é “a síntese de todas as heresias” (São Pio X), e os Papas conciliares são todos modernistas “públicos e manifestos”, ou seja, hereges do tipo tal como os que São Roberto Belarmino declarou que não podem ser membros da Igreja, e muito menos seu chefe.
Vejam os “Comentários” da semana passada. As coisas eram muito mais claras – eram “públicas e manifestas” – na época de São Belarmino, do que elas são nos dias de hoje em meio à tamanha confusão de mentes e corações. A heresia objetiva dos Papas conciliares (ou seja, o que eles dizem) é pública e manifesta, mas não o é a sua heresia subjetiva ou formal (ou seja, sua intenção consciente e resoluta de negar o que reconhecem como dogma católico imutável). E provar sua heresia formal é algo que pode ser feito apenas por meio de uma confrontação com a autoridade doutrinal da Igreja, como, por exemplo, a Inquisição ou o Santo Ofício – chamem do que quiserem (“não importa que nome se dê a uma rosa, seu odor é sempre doce”, diz Shakespeare). Mas o Papa é a maior autoridade doutrinal, que está acima e por trás da atual Congregação para a Doutrina da Fé; como então pode ser provado que ele mesmo seja esse tipo de herege que é incapaz de ser chefe da Igreja?
5. Mas nesse caso, a Igreja está em um beco sem saída!
Novamente, vejam os “Comentários” da semana passada. As mentes dos homens estão hoje tão universalmente confusas que de tal situação só Deus pode livrá-las. De qualquer modo, essa objeção parece estar muito mais próxima de provar que Ele deve intervir (e logo!) do que provar que os confusos Papas não são Papas. Deus está nos pondo à prova, como Ele tem todo direito de fazer.”
(Mons. Richard Williamson, F.S.S.P.X, Sedevacantist Anxiety)

http://borboletasaoluar.blogspot.com.br

sábado, 15 de novembro de 2014

Konstantinos Kavafis: Terminado

Em meio ao temor e às suspeitas,
com espírito agitado e olhos de pavor,
nos consumimos e planejamos como fazer
para evitar o perigo certo
que tão terrivelmente nos ameaça.
E no entanto estamos equivocados, ele não está em nosso caminho:
falsas eram as mensagens (ou não as escutamos, ou não as entendemos
bem). Outra catástrofe, que não imaginávamos,
repentina, violenta cai sobre nós
e despreparados - há muito tempo já - nos arrebata.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O mau-caráter e a filosofia

“Pode um mau-caráter ser exímio matemático. Pode também notabilizar-se como astrofísico, gramático, geneticista, cirurgião, enxadrista, músico ou lixeiro. Mas ao mau-caráter a filosofia está formalmente vedada, se por filosofia se entende a inquirição das verdades íntimas e últimas da ordem do ser, as quais dão sentido e perspectiva à vida humana — partícipe do ser.
Em resumo, a filosofia pressupõe um tão grande amor à verdade que leva o homem a tomá-la como o fim a ser buscado, o fundamento de todos os valores. Ora, isto exclui ipso facto o mentiroso, o caluniador, o vanglorioso professor cuja atividade consiste em induzir os seus discípulos a venerá-lo como a um guru, o retórico embusteiro, o sofista ávido por vencer um debate a qualquer custo, fazendo uso dos mais deploráveis expedientes e truques. Como adiante veremos, o que se afirma aqui não é pura e simples opinião, mas uma verdade cientificamente demonstrável em clave metafísica.
No mau-caráter — ou seja, no sujeito que habitualmente fere a verdade e o bem para obter vantagens —, a razão especulativa e a razão prática estão dramaticamente afetadas, embora não possam ser suprimidos os primeiros princípios que lhes servem de esteio, pois radicam na forma entis humana como hábitos naturais inatos. E o sintoma primário da doença que afeta as potências superiores da alma do mau-caráter é o seguinte: com os seus reiterados atos movidos pela vanglória, pelo orgulho, pela cupidez, etc., ele priva-se da virtude supracapital no âmbito da razão prática, que é a prudência, definida por Santo Tomás de Aquino como reta razão no agir (recta ratio agibilium).
Ora, perdida a prudência, todas as demais virtudes, inclusive as intelectuais, contaminam-se, visto que estão radicadas na prudência como numa espécie de fonte comum. Sim, pois não pode o imprudente ser habitualmente sábio, nem justo, nem temperante, nem veraz, etc., embora possa ser detentor de alguma ciência particular — da qual faça uso em ocasiões específicas. Não pode, portanto, ser filósofo, porque a inquirição da verdade típica do labor filosófico exclui absolutamente os três principais frutos da imprudência: a inconsideração, a precipitação e a inconstância. Ao contrário, ela exige deliberação profunda, paciência e constância, pois, devido ao dificultoso modo humano de apossar-se da verdade, o filósofo precisa ser alguém cauteloso e perseverante.
Em poucas palavras, o mau-caráter age contra a natureza da razão, e com isso torna-se culpavelmente incapaz de perceber a hierarquia dos valores que devem reger as ações humanas; padece ele, portanto, de um gravíssimo déficit cognitivo que afetará a vontade na escolha dos bens com que depara cotidianamente. Neste contexto, vale aludir a dois luminosos artigos da Suma Teológica nos quais o Aquinate se pergunta se é possível haver virtude moral sem virtude intelectual, e se é possível haver virtude intelectual sem virtude moral. Sua demonstração filosófica para este problema nada desprezível parte de algumas premissas:
Ø a de que, para o homem agir bem, se requer que a razão esteja bem disposta pelas virtudes intelectuais, e que as faculdades apetitivas estejam bem dispostas pelas virtudes morais. Estas são precondições ontológicas para a inteligência e a vontade alcançarem os seus objetos formais próprios: a verdade e o bem, respectivamente;
Ø a de que as faculdades apetitivas não obedecem à razão com total disponibilidade, mas sim com certa resistência, ao ponto em que muitas vezes as paixões ou os hábitos radicados nos apetites obliteram o uso da razão. Daí ser necessário educar o apetite, orientá-lo aos seus fins devidos, o que pressupõe o conhecimento desses fins;
Ø a de que, se a virtude aperfeiçoa a razão especulativa ou prática, é virtude intelectual (ex.: a ciência enquanto hábito mental da verdade); se aperfeiçoa as potências apetitivas, é virtude moral (ex.: a temperança, que é certa continência no fruir alguns prazeres sensitivos).
Consideradas, pois, todas estas coisas, o Aquinate chegará à conclusão de que as virtudes morais podem de fato não estar acompanhadas de algumas virtudes intelectuais — como a da ciência, por exemplo. Mas não pode existir virtude moral sem a efetiva atualização dos primeiros princípios da razão especulativa, que, como se observou acima, é prejudicada em cheio pela perda da prudência (e, aqui, entenda-se por atualização dos princípios a sua simples aplicação aos casos particulares). Assim, é possível haver pessoas boníssimas ignorantes em várias ciências, mas não é possível haver pessoas boas privadas do entendimento atual dos primeiros princípios, que são reitores da ação humana.
Com relação às virtudes intelectuais, elas até podem existir sem algumas virtudes morais, mas não sem a virtude supracapital da prudência — recta ratio agibilium. Ora, a prudência não apenas aconselha bem, mas também julga bem. Ocorre que, de acordo com Santo Tomás, a prudência só pode existir, ou seja, julgar convenientemente, se as paixões que perturbam o juízo forem removidas (cf. Suma Teológica, II-IIª, q. 58, a.5, ad. 3).
Pode-se depreender de tudo o que acima se disse o seguinte: o mau-caráter jamais poderá transformar-se num verdadeiro filósofo, ou seja, no detentor da sabedoria dos princípios e dos fins que regem a ordem do ser. E tal conclusão está totalmente de acordo com a premissa de que a clara visão da verdade pressupõe que as potências superiores da alma humana não estejam acidentalmente impedidas de lograr os fins aos quais tendem.
Sendo assim, o mau-caráter, quando imiscuído nas coisas filosóficas, será na melhor das hipóteses uma espécie de prestidigitador, alguém que pode até enganar a alguns incautos persuadindo-os, a preços nada módicos, de que é um grande filósofo, e de que seus discípulos necessitam tanto da luz de sua excelsa “sabedoria” como de água para sobreviver. De Górgias — que, segundo consta, cobrava caríssimo por seus ensinamentos — até os dias atuais, esse tipinho jactancioso é bastante encontradiço na história da filosofia.
Mas não nos enganemos: ao perder a reta razão no agir, perdeu ele também a reta razão no pensar.”

http://contraimpugnantes.blogspot.com.br

sábado, 8 de novembro de 2014

Hans Pfitzner: Scherzo



Werner Andreas Albert
Bamberger Symphoniker

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Catolicismo e Comunismo

"Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem uma doutrina. Enganam-se os que supõem que ele a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.
O comunismo não é uma doutrina porque é uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é, de civilização e de cultura —, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem."
(Fernando Pessoa, Idéias Filosóficas)