sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Monsenhor Lefebvre: A hierarquia romana é uma máfia ligada à maçonaria

“Penso que quanto mais se avança, é mais abominável. Sempre rezei muito para que Nosso Senhor nos mostrasse o retorno de Roma à Tradição ou, pelo contrário, que se agravasse o distanciamento de Roma da Tradição a fim de que isso se tornasse claro.
Assim, atualmente é cada vez mais evidente – e isso há muito mais que um ano ou dois – que a Hierarquia se afasta de maneira ostensiva da Igreja.
Penso que podemos falar de descristianização e que estas pessoas que ocupam Roma hoje são anticristos. Disse anticristos, como descreve São João em sua primeira Carta: “O Anticristo já faz estragos em nosso tempo”. O Anticristo, os anticristos, eles o são, é absolutamente certo.
Eu disse ao Cardeal Ratzinger: “Nós estamos em tudo por Cristo e eles estão contra Cristo. Como querem que possamos nos entender?”
Quando recordava este tema com um Cardeal de Roma – buscando um pouco qual seria o leitmotiv que tem toda essa gente – ele me disse: “Monsenhor, é isto...”, fazendo o gesto tão conhecido para designar o dinheiro. Podemos então imaginar tudo que pode acontecer. Tive a ocasião de dizê-lo a alguns que ainda têm dúvidas sobre Roma. Estou intimamente persuadido de que nós não sabemos a metade do que acontece em Roma: e se já estamos escandalizados pela metade que conhecemos, é necessário pensar na outra metade. Se conhecêssemos tudo, ficaríamos espantados. Verdadeiramente tratamos com uma incrível máfia, ligada certamente à maçonaria.
Neste momento eles estão em ruptura com seus predecessores. Não aceitam mais as Encíclicas desde Mirari Vos até Humani Generis do Papa Pio XII. Não querem levar em consideração estas Encíclicas. Não as querem ter em conta. Eles já não estão dentro da Igreja.”
(Trechos da conferência no retiro sacerdotal em Êcone, em 14 de setembro de 1987)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Pio VI: A liberdade religiosa é um direito monstruoso

"O efeito necessário da Constituição decretada pela Assembléia é aniquilar a religião católica e, com ela, a obediência devida aos reis.
Com este propósito ela estabelece como um direito humano na sociedade essa liberdade absoluta, que não só assegura o direito de permanecer indiferente às opiniões religiosas, como também concede plena autorização para livremente pensar, falar e escrever, e até mesmo imprimir tudo o que qualquer um queira em matéria religiosa, inclusive as mais desordenadas idéias.
Não obstante, é um direito monstruoso, o que a Assembléia reivindica como resultado da igualdade e da liberdade natural do homem.
Mas o que poderia ser mais insensato, do que estabelecer entre os homens essa igualdade e essa liberdade sem limites, que reprime a razão – o mais precioso dom natural dado ao homem e que o distingue dos animais?
Depois de haver criado o homem em um lugar provido com coisas deleitáveis, Deus não o ameaçou com a morte se comesse a fruta da árvore do bem e do mal? E com essa primeira proibição Ele não estabeleceu limites para a sua liberdade? Depois que o homem desobedeceu a ordem, incorrendo por meio disso em culpa, Deus não lhe impôs novas obrigações, por meio de Moisés? E apesar de deixar ao homem o livre arbítrio para escolher entre o bem e o mal, Deus não lhe forneceu os preceitos e mandamentos, que poderiam salvá-lo "se ele os observasse"?
De onde, então, é a liberdade de pensamento e ação, que a Assembléia outorgou ao homem na sociedade, como um indiscutível direito natural? A invenção desse direito não é contrária ao direito do Supremo Criador, a quem nós devemos nossa existência e tudo o que temos? Podemos ignorar o fato de que o homem não foi criado apenas para si próprio, mas para ser útil ao seu próximo? ...
O homem deve usar sua razão antes de tudo para mostrar-se agradecido ao seu Soberano Criador, para honrá-lo e admirá-lo, e para submeter toda a sua pessoa a Ele. Para isso, desde a sua infância, deve ser submisso àqueles que são superiores a ele em idade; deve ser educado e instruído por suas lições; deve ordenar sua vida de acordo com as leis da razão, da sociedade e da religião.
Essa exageração da igualdade e da liberdade, portanto, são para ele, desde o momento em que nasce, não mais do que sonhos imaginários e palavras sem sentido."
(Pio VI, Breve Quod Aliquantum)

http://www.sacralidade.com

sábado, 23 de agosto de 2014

Uma profecia sobre a destruição dos Estados Unidos

O Pe. Paul Kramer escreve em Fatima Crusader nº 82, página 11, "Sobre este ponto existe uma outra assombrosa profecia no século XIX que parece resumir o que se encontra no Terceiro Segredo. Não estou sugerindo que seja autêntica, mas ela se encaixa com o restante do quadro. Existe um livro escrito em francês, compilado por um padre na França de nome Pe. Fatteccelli ou Fatticioli. Não cheguei realmente a ler o texto, mas ouvi-o sendo lido em uma gravação de áudio. O nome do livro é Dia da Ira: A Mão de Deus sobre Um Império. As revelações foram feitas por um judeu armênio, um certo Zacarias, que mais tarde foi batizado católico. Esse livro, publicado no começo da década de 1850, contém revelações (feitas a Zacarias na década de 1840) que tratam das dimensões exatas de um império comunista, Rússia e China e seus satélites. Diz que haveria uma détente; que um pacto seria alcançado entre o Ocidente capitalista e o Oriente marxista.
Então, diz a profecia, os comunistas conquistariam o Ocidente, disparando seus mísseis – eles disparariam seus mísseis – e a palavra "mísseis" foi usada na década de 1840! Eles disparariam seus mísseis nos litorais da América do Norte – vindos da Rússia e da China – e o mundo ocidental seria levado à escravidão, após o que "o primogênito do inferno dominará o mundo". Repito, não estou dizendo que a profecia é autêntica, mas apenas que é consistente com a outra evidência que temos das grandes catástrofes previstas no Terceiro Segredo.
E esta profecia de Zacarias explicaria o que Malachi Martin disse no Show de Art Bell. Malachi disse que havia algo terrivelmente assustador no Terceiro Segredo – mais assustador que a Terceira Guerra Mundial. E a coisa assustadora a que Malachi Martin se referiu foi isto: depois que a Rússia vencer a guerra, parecerá que o demônio derrotou Cristo."

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

John Donne: Meditação n° 17

“Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido um promontório, ou perdido o solar de um teu amigo, ou o teu próprio. A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”

Tradução de Paulo Vizioli

domingo, 17 de agosto de 2014

Galileu e Brecht

“Galileu Galilei foi sem dúvida um homem de gênio. Bertolt Brecht, que o celebrou no teatro, foi no mínimo um talento extraordinário. Também é fato que ambos foram levados a interrogatório, o primeiro pela Inquisição, o segundo por uma CPI do Congresso americano. Mas sua verdadeira afinidade de personagem e autor não está nisso.
Na época do iluminismo, o físico rebelde da Renascença foi consagrado como mártir da ciência, vítima da tirania obscurantista. Mas não foi nada disso. Galileu não sofreu processo por suas idéias, mas por ter insultado o Papa. O pontífice não podia suportar calado a ofensa nem queria castigar o insolente, que era seu afilhado de batismo. Montou então um arremedo de processo, uma “pizza”: seu protegido se submeteria por uns instantes à humilhação de desdizer-se em público e em seguida seria liberado para continuar lecionando o que bem entendesse, sem voltar a ser perturbado pelos inquisidores.
É muito pouco para fazer um mártir, dirá o leitor. Mas o senso das proporções nunca foi o ponto forte da modernidade. Tanto que ela inaugurou a época dos direitos humanos condenando à morte, no prazo de um ano, dez vezes mais gente do que a Inquisição havia matado em quatro séculos. Lembrar essa diferença substantiva entre as trevas medievais e as luzes modernas é, porém, considerado sintoma de mau gosto e prova de reacionarismo. Também não é coisa de pessoa educada lembrar que o próprio termo “iluminismo” não significa só o esclarecimento das idéias, como o pretendia Kant — inventor da “coisa em si”, a doutrina mais obscura e impenetrável que alguém já concebeu —, mas também o culto do “magnetismo animal”, do hipnotismo, do sonambulismo, das sociedades secretas que proliferavam no subsolo como ratazanas alucinadas, bem como de todas as formas de ocultismo, magia negra e satanismo, sem contar o sucesso livreiro das narrativas do marquês de Sade sobre virgens acorrentadas em porões, surradas, estupradas e obrigadas a beber sangue humano. Iluminismo significa, ademais, o amor à eletricidade, energia recém-descoberta que o poeta-filósofo Percy B. Shelley, iluminista retardatário (além de teórico e praticante do incesto, nas horas vagas), viria a celebrar como uma grande esperança para o controle estatal do comportamento: se, como pretendia o iluminista Helvétius, o homem era apenas uma máquina elétrica, deveria ser possível ajeitar-lhe os fios de modo a eliminar as condutas indesejáveis, como por exemplo o cristianismo. Baseado em Helvétius, Shelley fez mil e uma experiências esquisitas que, cientificamente, não deram em nada, mas literariamente inspiraram à sua esposa Mary Shelley os personagens do dr. Viktor Frankenstein e de seu monstro eletricamente controlado. O iluminismo é a filosofia do dr. Frankenstein. A única diferença é que o desventurado médico — formado pela Universidade de Ingolstadt, a mesma onde lecionara Adam Weishaupt, fundador da sinistríssima irmandade secreta dos “Iluminados” — criou um ser estéril, ao passo que aqueles inventados pelos Helvétius, Weishaupts e Shelleys foram tremendamente férteis, gerando o positivismo, o anarquismo, o fascismo, o comunismo, a “New Age”, o abortismo indiscriminado e o império mundial das drogas. A democracia propriamente dita, que nossos manuais escolares celebram como criatura do iluminismo, só vingou então na Inglaterra, onde os discursos iluministas foram rejeitados com vigor e onde o maior sucesso de livraria, na época, foi a “História do jacobinismo”, do abade Barruel, horripilante relato dos crimes iluministas. Foi lendo Barruel que Mary Shelley percebeu a verdadeira natureza dos experimentos de seu marido.
Assim, pois, não espanta que essa época iluminada às avessas tivesse celebrado um peixinho do Papa como mártir da liberdade, ao mesmo tempo que condenava ao esquecimento, como inimigos dessa mesma liberdade, os milhares de padres e freiras decapitados por recusar-se a jurar fidelidade à nova religião estatal de Robespierre.
Mas ainda há pessoas que acreditam na “época das luzes”, e essas pessoas são as que fazem os programas escolares para as nossas crianças e redigem as notícias para gente grande nos jornais e na TV.
Por isso, quando crianças e adultos assistem à peça de Bertolt Brecht sobre Galileu, acreditam estar conhecendo uma versão aproximadamente exata da verdade histórica. Fugitivo do nazismo e vítima de perseguição macartista nos EUA, Brecht estaria especialmente qualificado para compreender a situação existencial de um mártir da ciência.
Mas Brecht não foi propriamente um fugitivo. Muito menos um perseguido. Ele era membro do mesmo partido que ajudara a destruir a social-democracia para entregar a Alemanha aos nazistas que, segundo Stálin, seriam o “navio quebra-gelo da revolução”, a vanguarda do caos que levaria os comunistas ao poder. Desde 1933, a URSS, fingindo hostilidade ao nazismo, colaborava intensamente com o governo de Hitler mediante o intercâmbio de informações entre seus serviços secretos, para a liquidação violenta de suas respectivas oposições internas, bem como emprestando território soviético para o treinamento militar alemão em troca de ajuda técnica para o Exército Vermelho. Brecht não foi para os EUA como refugiado: foi a serviço de Stálin, que tinha planos especiais para o Partido Comunista Americano. Sendo muito difícil coordenar uma revolução desde o outro lado do oceano, o ditador soviético concluíra que o PCA não devia perder tempo tentando organizar o proletariado. Deveria, isto sim, arrebanhar “companheiros de viagem” entre as celebridades das letras e das artes, para dar respaldo moral “neutro” às iniciativas comunistas, assim como entre os milionários de Nova York e de Hollywood, para subsidiar a revolução em outros países. Dois dos principais agentes da operação foram os irmãos Gerhart e Hans Eisler, este último um compositor, autor da “Marcha do Comintern”. Outro foi Grigory Kheifetz, comprovadamente um espião.
Hoje sabemos que Brecht foi estreito colaborador de Kheifetz e dos Eisler. Mas, quando compareceu ao Comitê de Atividades Anti-Americanas, foi apenas como testemunha, não como suspeito. Deu um show de evasivas, recebeu os agradecimentos dos parlamentares e prosseguiu tranqüilamente suas atividades em prol do Comintern, sempre rodeado das atenções do beautiful people de Hollywood. Mais tarde foi para a Alemanha Oriental, onde se tornou dramaturgo oficial do regime, desfrutou das mais gordas verbas teatrais do governo, assinou com notável cara de pau peças escritas por sua mulher, aplaudiu a matança de seus compatriotas pelas tropas russas que sufocaram a rebelião anti-stalinista de 1953 e levou enfim às últimas conseqüências a lógica de sua própria vida, que pode ser resumida em duas de suas frases imortais: “Para um comunista, a verdade ou a mentira são igualmente boas, quando servem ao comunismo” e “Primeiro, o meu estômago; depois, a vossa moral”.
Em Brecht, Galileu veio a encontrar, pois, um dramaturgo à altura do espírito da modernidade que o beatificou.”
(Olavo de Carvalho, Galileu e Brecht)

http://www.olavodecarvalho.org/semana/02232002globo.htm

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Novena ao Menino Jesus de Praga

“Ó Jesus, que dissestes: Peça e receberá, procure e achará, bata e a porta se abrirá. Por intermédio de Maria, vossa sagrada mãe, eu bato, procuro e vos rogo que a minha prece seja atendida (menciona-se o pedido).
Ó Jesus, que dissestes: Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome ele atenderá. Por intermédio de Maria, vossa sagrada mãe, eu humildemente rogo ao vosso Pai em vosso nome que minha oração seja ouvida (menciona-se o pedido).
Ó Jesus, que dissestes: O céu e a terra passarão, mas a minha palavra não passará. Por intermédio de Maria, vossa sagrada mãe, eu confio que minha oração seja ouvida (menciona-se o pedido).”

Rezar 3 Ave-Marias e 1 Salve Regina. Em casos urgentes esta novena poderá ser feita em 9 horas.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Reconhecer os tempos do Anticristo

“Minha inquietude, minha preocupação quase exclusiva – minha “obsessão” pelos “temas apocalípticos” me foi criticada por alguns, estranhos e mais chegados. Não me dou ao trabalho de justificar-me diante dos que desprezam ocupar-se de tudo o que se refere à consumação dos tempos, e que nadam no nirvana de uma despreocupação beatífica. Mas me parece bastante digna de consideração a objeção dos que, talvez tão “parusíacos” ou mais que eu, rejeitam, no entanto, minha insistência em destacar as características negativas – aterradoras, na realidade – do mundo em que vivemos. Tanto como a mim, a eles também lhes parecem tremendamente negativas e prenúncio de acontecimentos “apocalípticos”. Só se afastam de minha atitude por uma questão de prioridades, de “ênfase”. Pensam que ficar tão atentos aos horrores do mundo acorvadaria os fiéis receptivos ao nosso ensinamento. Que isso privaria sobretudo os jovens da esperança necessária para viver de maneira cristã...
A atenção preferencial aos aspectos negativos do mundo atual se justifica, a meu ver, pelo fato de que eles são precisamente o prenúncio e ante-sala da Glória a que aspiramos. Sua extrema negatividade realça a extrema positividade dAquilo por que esperamos. Aviva em nós a consciência do Triunfo vindouro, por oposição. Por Contraste.
Esse efeito, por assim dizer, “dialético”, que a suma perversidade de nosso mundo engendra em nós, não teria lugar se não fosse porque sabemos que o desenlace é dialético.
Por que o sabemos? Não por algum cálculo de análise política ou histórica. Sabemo-lo pela Fé. Sabemo-lo porque nos foi revelado taxativamente:
Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação. (Lc. XXI, 28)
“As coisas” a que se refere o texto não são, precisamente, fáceis e prazerosas. São terrivelmente duras e tenebrosas. Mas são prenúncio e ante-sala do Triunfo definitivo do Bem. “Está próxima a vossa libertação”, disse. Ou seja, esse triunfo é definitivo, permanente. É eterno, não há retorno. Portanto, se alguma vez existiu, aqui se acaba a “dialética da história”.
Mas nessa “dialética” anterior ao final, de que Bem e de que Mal se trata? De Cristo e do Anticristo: o Bem histórico. Então, se isso é assim, se isso é como Nosso Senhor nos anuncia, se o Mal, chegado à sua plenitude no Anticristo, anuncia o triunfo definitivo de Cristo e de nossa libertação, então quase, quase deveríamos querer que o Mal se intensificasse. “Politique de pire”: quanto pior, melhor. E dizia, e volto a dizê-lo agora, que isso que sabemos pela fé devemos desejar com a esperança fundada na fé. Porque Cristo nos ordenou, imperativamente: “Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, levantai vossas cabeças”. Devemos desejá-lo, supondo – que creio esteja vigente – que nada nos falte humanamente por fazer; porque, caso contrário, é claro, deveríamos tentar corrigir o Mal. Esperemos, portanto, confiantes na palavra de Cristo, que também disse:
Eu disse-vos essas coisas para que, quando chegar esse tempo, vos lembreis de que eu vo-las disse. (Jo. XVI, 4)
Ou seja, estava escrito. Estava escrito que essas coisas haviam de acontecer, e acontecem. O Senhor as tem previstas, o Senhor mantém em suas mãos as rédeas. E quando ao discípulo de Cristo não falta mais nada que fazer, senão padecer – como era o caso para aqueles a quem foi dito, e como creio que seja o caso para nós –, só resta... olhar. Olhar para manter a esperança. “Quando virdes que tudo isso acontece...”
E por isso digo eu, agora, que se deve olhar para o Anticristo. Olhá-lo não por masoquismo – já está dito – mas para ver como se cumpre nele o anunciado: a intensificação do Mal, que precede o triunfo definitivo de Cristo.”
(Federico Mihura Seeber, El Anticristo)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A maldade insolente

“Disse: ‘digo o que penso’. E isto é o que penso, em primeiro lugar: que o mundo em que vivemos chegou a um nível tão alto de maldade impune, que está clamando ao Céu por castigo. E isso é para mim um sinal, embora exterior à Revelação Cristã. Um sinal que todo homem de mente sã – se é que ainda existe algum – está em condições de reconhecer: que ‘isto, assim como está, não pode continuar’.
Que o ‘Mundo’ seja mais mau hoje do que antes é algo que talvez se me poderia objetar: ‘... o mundo sempre foi mau.’ Embora creia eu que se possa provar que o mundo hoje seja mais mau, que chegou a conhecer as ‘profundezas de Satanás’ (Ap. 2, 23), de qualquer modo, não é isso o que sustento aqui. Digo outra coisa. Digo que a maldade é impune; e, isto sim, como nunca o foi antes. Se o que uma mente sã entende por ‘maldade’: adultério, perversão contra a natureza, filicídio, escândalo dos pequenos, latrocínio do pobre, traição, impiedade, fraude... se todas essas coisas são realmente males, quem não concordará que tudo isso hoje é impune? E isso, não por desídia ou debilidade, mas sistematicamente? É, portanto, mais que uma mera impunidade: é o incentivo ao mal.
É a maldade insolente, de que fala o tango de Discépolo. Porque todos os erros que mencionei são considerados no mundo atual direitos, ‘direitos humanos’. A maldade é, portanto, mais que impune, incentivada... e a virtude e o bem são punidos. Que entendo aqui por ‘virtude’?
Precisamente, os contrários dos mencionados: a fidelidade da mulher, a lealdade ao chefe, a veracidade, o amor filial e paterno, a honestidade, o sacrifício... todas essas coisas para castigar as quais o mundo, embora não tenha usado de capangas armados, difundiu a zombaria e o escárnio. E, além disso, a ameaça de condenação legal contra quem quer que, por dever de estado, pretenda corrigir até essas virtudes a natureza rebelde de algum súdito.
E por que isso é um ‘sinal’, sinal de iminência? Porque o é da proximidade de um Juízo. De um Juízo último e ‘terminal’, como última e terminal é a Iniqüidade a que chegou uma justiça humana que incentiva o mal e castiga o bem, sistematicamente.
Quando estudava em Filosofia o tema da Justiça, ocorreu-me a idéia de que a realidade da Injustiça no mundo era uma prova, uma prova a mais – uma ‘sexta via’ –, da existência de Deus. Porque é prova da necessidade do Juízo. Porque a injustiça, ou seja, ‘o castigo dos bons e o prêmio dos maus’, é algo que nossa consciência moral nos indica que não pode ser. Mas, mesmo assim, é. Portanto exige um ato de reparação que restitua a realidade moral ao equilíbrio da ordem. E como sempre existiu injustiça no mundo, e como essa correção não acontece sempre no mundo, deve haver uma correção ‘fora do mundo’. Mas esse ‘fora do mundo’ me levava antes à Transcendência divina. Porque a justiça divina sempre corrigiu algo. A remissão a uma instância sobrenatural restituidora da ordem se explicava pelos ‘resquícios’ do que a justiça humana não corrigia. E então cabia esperar por uma restituição no ‘além’. E também se podia esperar que a justiça humana corrigisse diferidamente seus erros: aquilo que na injustiça da honra violada chamávamos o ‘juízo da história’. Mas agora a justiça humana não corrige mais nada. Porque a injustiça já não é parcial e sim, ‘global’... e sistemática.
Isso significa que o Juízo divino se aproximou. A correção das injustiças parciais podia esperar por um juízo ‘no além’ ou, ainda, no futuro histórico. Hoje já não é assim: a ordem da Transcendência se aproximou e já ‘toca’ a ordem do terreno e histórico. Quando as injustiças eram parciais, de cada uma delas se podia dizer: ‘... esta injustiça, esta iniqüidade, este pecado, clama ao Céu’. A esse Tribunal se diferia, como a uma Ordem Final, a restituição. E o Céu nem sempre contestava o clamor, na história. O Céu ‘podia esperar’, porque a justiça humana podia todavia corrigir algo, e porque dava tempo à correção do iníquo: ‘Não se atrasa o Senhor... mas usa de paciência para convosco’.
Mas hoje já não são injustiças parciais as que clamam ao Céu: hoje é uma Injustiça total e irredimível, porque veste com o manto da Justiça (direitos ‘humanos’) o que é sua mais diametral oposição. O que hoje clama ao Céu é o Mundo como totalidade: é o massacre dos inocentes no seio materno, amparado como um ‘direito’, é a difusão universal do pecado de Sodoma, incentivado como ‘opção legítima’, é o latrocínio dos pobres pelos ricos, justificando-se por trás das ‘leis’ da economia.
Não, o Céu já não pode esperar, o Céu não pode fazer ouvidos surdos para o clamor.
O dito é, pois, um sinal, sinal de iminência, de iminência do Juízo. E é um sinal cuja interpretação está ao alcance de todos, não somente dos cristãos. Todo homem, com sua razão natural – se sua razão natural não foi obscurecida até o ponto de não ver o que se está julgando –, pode vê-lo, e assumir sua culpa: de que, quando a Injustiça chegou ao ponto em que se tornou irreparável na terra, pede uma intervenção ‘do Alto’.
Contudo, ainda cabe acrescentar algo. A essa incapacidade da justiça humana de corrigir-se a si mesma deve-se acrescentar uma circunstância do mundo que nos toca viver. É a que chamaria ‘a enervação’ da natureza, e com isso quero dizer a perda de ‘nervo’ da mesma, isto é, de sua capacidade de reação. E isso é um sinal pelo seguinte: deve-se saber que, se Deus não intervém sempre por si mesmo para castigar as iniqüidades humanas, é porque normalmente deixa essa tarefa nas mãos da Natureza, por Ele criada. As grandes catástrofes, naturais e sociais, que marcam a história do homem pecador são, vistas com os olhos da Fé, castigos pelo Pecado.
Não são castigos diretos de Deus, emanados do Tribunal Transcendente.
Não precisam ser, porque Deus criou a Natureza com uma Ordem, e quando essa ordem é violada pelo Pecado, a própria natureza reage a essa perturbação com uma reação que é ao mesmo tempo ‘reintegradora da ordem’, e violenta e dolorosa.
Tem, assim, um sentido penal. Mas essa reação saneadora e punitiva da Natureza às transgressões a sua ordem parece estar sendo ‘quebrada’. Quebrada em seu nervo reativo por obra de uma tecnologia de inspiração diabólica. Com efeito, trata-se de uma tecnologia que não só faz alarde de violar a natureza, como se presume capaz de amenizar suas catastróficas reações: às quais chama ‘efeitos não desejados’. E cegou, também, a visão da inteligência, para que o homem não veja seus efeitos, e os interprete como o que são: efeitos punitivos.
Que aconteceu com a AIDS, castigo patente do pecado contra a natureza? Provocou remorso, ‘golpes no peito’ e revisão? Longe disso, só produziu um recrudescimento inaudito do vício abominável: ‘... blasfemaram do Deus do céu por suas dores e por suas chagas, e não se arrependeram de suas obras’.
E este é, portanto, um sinal a mais, ou uma acentuação de seu significado: a Suma Iniqüidade já não tem sanção na história, nem por obra do homem, nem por obra da Natureza, administradora do castigo divino. Uma vez mais: o Juízo Transcendente se aproximou e já ‘toca’ este final de história.”
(Federico Mihura Seeber, De Prophetia y Otros Temas de Actualidad)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Como se realiza a reforma educativa em termos de ideologia de gênero

“Por ser uma antropologia falaz, o gênero só pode ser imposto pela força bruta – e não por força da razão. A chave para isso é o sistema educativo formal. E quanto menor a idade das crianças doutrinadas, mais promissores serão os resultados. Para implementá-la, foi realizada em muitos países – especialmente os menos desenvolvidos – uma reforma educativa integral. No caso dos países pobres, foi devidamente financiada pelos organismos multilaterais de crédito. Para garantir a eficácia, a reforma baseou-se nos seguintes pilares:
a) substituição dos planos de estudo – com ou sem modificação dos ciclos -, acrescentando algumas matérias – em geral de tecnologia – e eliminando outras – as de humanidades -, mudando a carga horária e modificando os programas das matérias;
b) a ideologia de gênero foi incorporada como conteúdo “transversal”. Essa estratégia “implica impregnar absolutamente toda a realidade educativa em conteúdos transversais, que devem estar presentes em toda grade curricular, constituindo-se no eixo em torno do qual gire a temática.” Sem eufemismos, foi dito que “se baseia numa estratégia multidimensional e transversal, de alcance nacional e gestão inter-setorial... Foi concebido como um programa multidimensional... que incide em todos os projetos e ações que o ministério desenvolve”;
c) como conseqüência lógica, todos os livros de texto tiveram que ser substituídos, adaptando-os aos novos programas;
d) todos os docentes, além disso, tiveram que ser “capacitados” novamente. Para garantir os resultados, as nomeações dos professores primários e secundários tornaram-se invalidadas. Para revalidá-las tinham que, num lapso determinado, cursar um número mínimo de créditos, atribuídos por diversos cursos de capacitação. O estado foi o principal, senão o único a ter autorização para realizar os cursos de capacitação docente.
Com um financiamento internacional abundante – a ser devolvido com seus juros -, foram modificados os planos e programas de estudo, incluindo a temática do gênero como um conteúdo que atravessa todas as matérias e ciclos. Além disso, todos os livros de texto foram substituídos pelos que contemplaram as modificações de programas e planos de estudo. E, finalmente, a maioria dos docentes foi treinada nessa ideologia.
Vejamos alguns textos que ilustram essa questão. Em alguns países, a proposta foi chegar a uma radicalização da educação mista: “Progressivamente fomos avançando para um enfoque coeducativo, cuja intenção é produzir mudanças nas identidades e papéis tanto de mulheres como de homens, afetando igualmente a vida pública e privada... Seus principais objetivos são: desenvolver as capacidades individuais independentes dos estereótipos genéricos e sustentar o surgimento de habilidades múltiplas e da confiança necessária para pô-las em prática.”
Para facilitar a tarefa, a proposta é começar com a “perspectiva de gênero”, desde a escola inicial, porque “modificando a personalidade da criança desde esse nível escolar, o resto da tarefa será muito mais fácil”, já que “nesta etapa as meninas e os meninos começam a ampliar seu espectro de saberes e de relações sociais. A escola enriquece o mundo do conhecido e pequenas (ou significativas) rupturas com os modelos e pautas transmitidas no lar podem começar a ser produzidas.” Mais claro é impossível.
E com relação à participação dos docentes, esta foi colocada sem ambigüidades: “O objetivo geral dos novos Conteúdos Básicos Comuns é modificar pela raiz a compreensão da realidade por parte do aluno, desde a mais tenra idade e em todo o país... Trata-se de uma mudança de mentalidade que deve começar pelo docente. Este deverá ser ‘atualizado’ e ‘capacitado’ para pode então ‘conduzir’ e ‘dirigir’ a mudança da mentalidade da criança.”
Este processo já está em curso. Como tudo o que concerne à educação, os resultados serão vistos dentro de alguns anos.”
(Jorge Scala, Ideologia de Gênero – O Neototalitarismo e a Morte da Família)

sábado, 2 de agosto de 2014

A promessa auto-adiável

“Quando o nosso presidente diz: “Ainda não sabemos que tipo de socialismo queremos”, ele ecoa aquilo que é talvez o mais clássico Leitmotiv do pensamento revolucionário. Karl Marx já opinava que era inútil tentar descrever como seria o socialismo, já que este iria se definindo a si mesmo no curso da ação anticapitalista. O argumento com que Lula justifica sua afirmativa – leiam em America Libre – é exatamente esse. Em 1968, entre as explosões de coquetéis Molotov que tiravam o sono do establishment francês, Daniel Cohn-Bendit declarava, com orgulho, que os estudantes revolucionários queriam “uma forma de organização social radicalmente nova, da qual não sabem dizer, hoje, se é realizável ou não”. E a versão mais sofisticada do marxismo no século XX, a Escola de Frankfurt, baseou-se inteiramente na convicção de que qualquer proposta definida para a construção do socialismo é bobagem: só o que importa é fazer “a crítica radical de tudo quanto existe”. Critiquem, acusem, caluniem, emporcalhem, destruam tudo o que encontrem pela frente, e alguma coisa melhor vai acabar aparecendo espontaneamente. Se não aparecer, tanto melhor: a luta continua, como diria Vicentinho. Herbert Marcuse resumiu o espírito da coisa em termos lapidares: “Por enquanto, a única alternativa concreta é somente uma negação.” Tal como o Deus da teologia apofática, o alvo final do movimento revolucionário é sublime demais para que seja possível dizer o que é: só se pode dizer o que não é – e tudo o que não participa da sua indefinível natureza divina está condenado à destruição. Destruição que não virá num Juízo Final supramundano, com a repentina absorção do tempo na eternidade – coisa na qual os revolucionários não acreditam –, e sim dentro da História terrestre mesma, numa sucessão macabra de capítulos sangrentos: não podendo suprimir todo o mal num relance, só resta ao movimento revolucionário a destruição paciente, progressiva, obstinada, sem limite, nem prazo, nem fim. Cumpre-se assim a profecia de Hegel, de que a vontade de transformação revolucionária não teria jamais outra expressão histórica senão “a fúria da destruição” (v. meu artigo “Uma lição de Hegel”, aqui publicado em 14 de novembro de 2008, http://www.olavodecarvalho.org/semana/081114dc.html).
Nessas condições, é óbvio que duzentos milhões de cadáveres, a miséria e os sofrimentos sem fim criados pelos regimes revolucionários não constituem objeção válida. O revolucionário faz a sua parte: destrói. Substituir o destruído por algo de melhor não é incumbência dele, mas da própria realidade. Se a realidade não chega a cumpri-la, isso só prova que ela ainda é má e merece ser destruída um pouco mais.
É claro que, na política prática, os revolucionários terão de apresentar algumas propostas concretas, uma aqui, outra acolá, seduzindo mediante engodo os patetas que não compreendem a sublimidade do negativo. Mas essas propostas não visam jamais a produzir no mundo real os benefícios que anunciam: visam somente a enfatizar a maldade do mundo e a aumentar, na mesma proporção, a força de empuxe do movimento destruidor. Eis a razão pela qual este último não conhece fracassos: como o processo avança mediante contradições dialéticas, todo fracasso de uma proposta concreta, aumentando a quota de mal no mundo, se converte automaticamente em sucesso da obra revolucionária de destruição. Nada incrementou o poder do Estado comunista como o fracasso retumbante da coletivização da agricultura na URSS e na China (50 milhões de mortos em menos de dez anos). O fracasso de Stalin em usar o nazismo como ponta-de-lança para a invasão das democracias ocidentais converteu-se em aliança destas com os soviéticos e na subseqüente concessão de metade do território europeu ao domínio comunista: precisamente o objetivo inicial do plano. A queda da URSS, em vez de extinguir o comunismo, espalhou-o pelo mundo todo sob novas identidades, confundindo o adversário ao ponto de induzir os EUA à passividade cúmplice ante a ocupação da América Latina pelos comunistas. E assim por diante.
Mais ainda: como as propostas concretas não têm nenhuma importância em si mesmas, não apenas cabe trocar uma pela outra a qualquer momento, mas pode-se com igual desenvoltura defender políticas contraditórias simultaneamente, por exemplo incentivando o sex lib, o feminismo e o movimento gay no Ocidente, ao mesmo tempo que se fomenta o avanço do fundamentalismo islâmico que promete matar todos os libertinos, feministas e gays. Só se escandaliza com isso quem seja incapaz de perceber a beleza dialética do processo.
Se não têm nenhum compromisso com qualquer proposta concreta, muito menos podem os revolucionários ter algum sentimento de culpa ante os resultados medonhos das suas ações. O que quer que aconteça no trajeto é sempre explicado, seja como destruição necessária, justa portanto, seja como reação do mundo mau, que deste modo atrai sobre si novas destruições, ainda mais justas e necessárias. Isso é tanto mais assim porque o estado paradisíaco final a ser atingido (ou a demonstrar-se impossível por ser o mundo ainda mais mau do que o revolucionário supunha no começo) não pode ser descrito ou definido de antemão, mas tem de criar-se por si mesmo no curso do processo. Por isso o movimento revolucionário não pode reconhecer como obra sua nenhum estado de coisas que ele venha a produzir historicamente. O que quer que esteja acontecendo não é jamais – “ainda” não é – o socialismo, o comunismo, a jóia perfeita na qual o movimento revolucionário poderá reconhecer, no momento culminante do Fim da História, o seu filho unigênito: é sempre uma transição, uma etapa, uma conjuntura provisória, criada não pelo movimento revolucionário, mas pelo confronto entre este e o mundo mau; confronto que por sua vez faz parte, ainda, do próprio mundo mau, ao qual portanto cabem todas as culpas.
Por sua própria natureza, a promessa indefinida é auto-adiável, e nenhum preço que se pague por ela pode ser considerado excessivo, não sendo possível um cálculo de custo-benefício quando o benefício também é indefinido.
A oitava maravilha do mundo, na minha modesta opinião, é que pessoas alheias ou hostis aos ideais revolucionários imaginem ser possível uma convivência pacífica e democrática com indivíduos que, pela própria lógica interna desses ideais, se colocam acima de todo julgamento humano e só admitem como medida das suas ações um resultado futuro que eles mesmos não podem nem querem dizer qual seja ou quando virá. Só o conservador, o liberal-democrata, o crente devoto da ordem jurídica, pode imaginar que a disputa política com os revolucionários é uma civilizada concorrência entre iguais: o revolucionário, por seu lado, sabe que seu antagonista não é um igual, não é nem mesmo um ser humano, é um desprezível mosquito que só existe para ser esmagado sob as rodas do carro da História.”
(Olavo de Carvalho, A Promessa Auto-adiável)

http://www.olavodecarvalho.org