quarta-feira, 30 de julho de 2014

O quirógrafo do Papa Francisco

“Esse documento assinado por Francisco é um ato de rebeldia contra o Papado.
Esse ato vem dos Cardeais na eleição de um novo Papa. É o assunto de que falavam os Cardeais nos corredores antes de entrarem no Conclave.
Quem são os Cardeais para dizerem que faz falta um órgão de governo que ajude o Papa em seu governo da Igreja?
Por que dizem isso, se o governo da Igreja é somente o Papa? Com que intenção o dizem, senão para chegarem ao Poder na Igreja, para fazerem a Igreja que eles querem?
Falavam os Cardeais nos corredores para dizerem essa heresia. Isso que faziam os Cardeais reflete o que há nos Cardeais antes de elegerem Francisco. É revelador como estão os corações desses Bispos que têm que se pôr em oração para decidirem o futuro da Igreja, e que só falam em como destruir a Igreja, aconselhando-se uns aos outros sobre o homem ideal para criar esse governo consultivo.
Francisco criou esse governo consultivo porque foi eleito para isso. É o homem ideal para arruinar o governo no Papado. Nenhum Papa aceitou de ninguém essa heresia. Francisco a aceitou porque para ele não existe o pecado. Para ele só existe o acordo entre os homens para buscarem as soluções para os problemas da Igreja. Devem-se reunir e ver como se soluciona o que há na Igreja. Devem-se reunir para falar, como se faz no mundo, como se faz em qualquer empresa, a portas fechadas, e ali ventilar os problemas da Igreja, que são problemas espirituais, não humanos, não materiais, não econômicos.
Por isso, o governo da Igreja é só de uma Cabeça, não de muitas cabeças, porque é um governo espiritual, não humano. E quem decide o governo é o Espírito, não os homens.
Mas essa Verdade, quem a ensina hoje? Quem a põe em prática? Ninguém. Não interessa, porque somos homens, e há muitos problemas na Igreja que são dos homens, e é preciso solucioná-los pelos caminhos dos homens.
Esse ato de rebeldia de Francisco faz dele o primeiro campeão do demônio na Hierarquia da Igreja. Francisco luta pelo pensamento do demônio. Não luta contra o pensamento do demônio. E, portanto, opõe-se a Cristo e à Igreja.
O quirógrafo vai contra toda a Igreja. Mas as almas, os fiéis da Igreja deram-se conta dessa verdade? Ninguém percebe o mal que vem desse governo consultivo. Ninguém sabe o que significa um governo consultivo na Igreja.
Não é uma consulta, porque – para isso – não é preciso constituir nada. Pergunta-se a uns, pergunta-se a outros, que é o que sempre fizeram todos os Papas.
O governo consultivo é para decidir na Igreja, é para eleger um caminho na Igreja. Não é só para questões econômicas e administrativas. Para isso, a Igreja já tem seus departamentos administrativos e econômicos, que vêem os problemas e consultam o Papa sobre esses problemas.
O governo consultivo é para consultar a mente dos homens e buscar a razão que convém para a Igreja, segundo as medidas dos homens, segundo o que pensam os homens, segundo o que vêem os homens.
O governo consultivo dá uma razão humana, um plano humano, uma filosofia humana da Igreja, mas nunca da Vontade de Deus, nunca põe em obra a Obra Divina na Igreja, mas as obras humanas.
Deus dá Sua Vontade somente ao Papa, não a um conjunto de homens na Igreja.
O governo consultivo só fala do que há na mente de cada um, mas não diz o que está na Mente de Cristo, que é quem governa a Igreja.
O governo consultivo vai contra a Mente de Cristo. Opõe-se à Mente de Cristo. Julga a Mente de Cristo. Põe uma coroa de espinhos na Mente de Cristo. Flagela o Corpo Místico de Cristo. Crucifica Cristo e sua Igreja e se ri deles para que desçam da Cruz, para que as almas sigam o que esse governo consultivo propõe como novidade na Igreja, como a reforma da Igreja, como o bem-estar da Igreja.
Quantas almas na Igreja continuam adormecidas depois das declarações de Francisco! Não se deram conta do que têm diante dos olhos, porque tampouco buscam a Verdade em suas vidas. Buscam ser felizes, e isso é o que oferece Francisco à Igreja: felicidade, prazer, amor sentimental, humano, palavras carinhosas, palavras cheias de falsidade e engano, que não sabem descobrir porque suas mentes também vivem para a mentira.
Uma Igreja que não sabe escutar é a Igreja do demônio. O demônio não escuta ninguém. O demônio usa sua razão para continuar em sua mentira.
Isso é o que acontece na Igreja. Uma Igreja que não escuta a verdade, mas que usa seus argumentos para continuar na mentira. Assim há tantas almas na Igreja, continuando o que o demônio lhes sugere em seu entendimento humano. E, claro, estão na Igreja cegas, surdas, sem luz verdadeira.
O desastre da Igreja já começou. É um desastre que poucos vêem agora. Um desastre que faz com que a Igreja se divida em duas. E essa divisão produzirá outra divisão. E o que vem à Igreja é a obra da mentira, escondida em uma verdade alegre, esperançosa, plena de maldade nos corações de muitos. E essa obra da mentira fará com que muitos a condenem, porque não souberam desprezar sua vida humana para viverem o que Deus oferece ao coração.
Por isso, o que acontece agora já estava escrito no Evangelho: é o Dragão que ataca a Igreja e que faz da Igreja seu reino na terra. Leiam o Apocalipse e o profeta Daniel, porque isso já está acontecendo.”

http://josephmaryam.wordpress.com

segunda-feira, 28 de julho de 2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Os verdadeiros racistas

“Alguns anos atrás, uma pessoa disse que, de acordo com as leis da aerodinâmica, um abelhão não pode voar. Mas os abelhões, alheios às leis da aerodinâmica, vão em frente, contrariam os dizeres dos especialistas, e voam assim mesmo.
Algo semelhante ocorre entre as pessoas. Enormes e tediosos estudos acadêmicos, bem como melancólicos e sombrios editoriais de determinados jornais, são produzidos às pencas lamentando o fato de que a maioria das pessoas pobres e negras não consegue ascender socialmente, e que isso seria uma fragorosa demonstração de discriminação.
O curioso é que, em vários países ao redor do mundo, inclusive naqueles países chamados de terceiro mundo, vários imigrantes extremamente pobres, principalmente oriundos da Ásia, não apenas conseguem prosperar mesmo sendo de uma cultura totalmente distinta, como também conseguem enriquecer sem jamais recorrer a favores especiais e a políticas de ação afirmativa.
Normalmente, estes imigrantes asiáticos chegam a um novo país praticamente sem nenhum dinheiro, sem nenhum conhecimento do novo idioma e sem nenhuma afinidade cultural. Eles freqüentemente começam trabalhando em empregos de baixa remuneração. Mas trabalham muito. A norma é trabalharem em mais de um emprego. Trabalham tanto que conseguem poupar e, após alguns anos, utilizam esta poupança para empreender. Muitos abrem um pequeno comércio, no qual continuam trabalhando longas horas e ainda continuam poupando, de modo que se tornam capazes de mandar seus filhos para a escola e para a faculdade. Seus filhos, por sua vez, sabem que seus pais não apenas esperam, como também exigem, que eles sejam igualmente disciplinados, bons alunos e trabalhadores.
Vários intelectuais já tentaram explicar por que os imigrantes asiáticos são tão bem-sucedidos tanto em termos educacionais quanto em termos econômicos. Freqüentemente chega-se à conclusão de que eles possuem algumas características especiais. Isso pode ser verdade, mas seu sucesso também pode ser atribuído a algo que eles não têm: "líderes" e autoproclamados porta-vozes lhes dizendo diariamente que são incapazes de prosperar por conta própria, que o sistema está contra eles, que eles não têm chance de ascender socialmente caso não sigam os slogans repetidos mecanicamente por estes líderes e sociólogos, e que por isso devem se juntar sob o rótulo de "vítimas do sistema" e exigir políticas especiais e tratamento diferenciado.
Vá a qualquer país, seja ele rico ou em desenvolvimento, e pesquise sobre a existência de "líderes" e de grupos de interesse voltados para a promoção de políticas de ação afirmativa para os asiáticos. Você não encontrará. Você não encontrará sociólogos dizendo que os imigrantes asiáticos, por serem minoria e por estarem culturalmente deslocados, estão em desvantagem e que por isso o governo deve criar leis de cotas para ajudá-los a ascender socialmente.
Infelizmente, é exatamente esta linha de raciocínio, só que em relação aos negros, que vem sendo diariamente propagada por acadêmicos e sociólogos irresponsáveis. Eles são a versão humana das leis da aerodinâmica, que dizem precipitadamente que determinadas pessoas não podem ascender e prosperar a menos que haja um empurrão do governo.
Aquelas alegações morais que foram feitas no passado por gerações de genuínos líderes negros — alegações que acabaram por tocar a consciência de várias nações e que viraram a maré em prol dos direitos civis para todos — hoje foram desvalorizadas e apequenadas por uma geração de intelectuais, sociólogos e autoproclamados "líderes" de movimentos raciais que tratam os negros como seres abertamente incapazes de prosperar sem a ajuda destes pretensos humanistas, os quais agem abertamente de acordo com uma agenda política de escusos interesses próprios.
O que é perfeitamente perceptível é que, ao longo das gerações, as pessoas que dizem falar em prol do "movimento negro" sofreram uma mutação de caráter: se antes possuíam uma alma nobre, hoje não passam de charlatães descarados. Após a implantação definitiva de políticas de ação afirmativa nos EUA, esses charlatães perceberam que era muito fácil ganhar dinheiro, poder e fama ao redor do mundo ao simplesmente se dedicarem à promoção de ações e políticas raciais que são totalmente contraproducentes aos interesses das pessoas que eles próprios dizem liderar e defender.
No passado, vários outros grupos de imigrantes também representavam minorias que tinham tudo para ser consideradas oprimidas e discriminadas, pois chegavam a outros países quase sem nenhum dinheiro, com pouquíssima educação e com total desconhecimento da cultura local, mas que não obstante ascenderam por conta própria, muito provavelmente porque não foram "privatizadas" por líderes raciais. Imigrantes e outras minorias que nunca tiveram "porta-vozes" e "líderes" raramente dependeram de subsídios do governo e quase sempre apresentaram altos níveis educacionais obtidos com o esforço próprio.
Grupos que ascenderam da pobreza à prosperidade raramente o fizeram por meio de líderes étnicos ou raciais. Ao passo que é fácil citar os nomes de vários líderes do "movimento negro" ao redor do mundo, tanto atuais quanto os do passado, quantos são os lideres étnicos que defendem os interesses dos asiáticos ou dos judeus em países em que eles são a minoria?
Ninguém pode negar que há anti-semitismo e que já houve discriminação aos asiáticos. Sempre houve. Mas eles nunca seguiram "líderes" cujas mensagens e atitudes serviram apenas para mantê-los presos à condição de bovinos.
Essa postura de dizer aos seus "seguidores" que eles são mais atrasados, tanto econômica quanto educacionalmente, por causa de outros grupos "opressores" — e que, portanto, eles devem odiar estas outras pessoas — tem paralelos na história recente. Essa foi a mesma motivação utilizada pelos movimentos anti-semitas no Leste Europeu no período entre-guerras, pelos movimentos anti-Ibo na Nigéria na década de 1960, e pelos movimentos anti-Tamil, que fizeram com que o Sri Lanka, outrora uma nação pacífica e famosa por sua harmonia intergrupal, se rebaixasse, por influência de intelectuais, à violência étnica e depois se degenerasse em uma guerra civil que durou décadas e produziu indescritíveis atrocidades.
Será tão difícil entender, mesmo com todos os exemplos históricos, que o progresso não pode ser alcançado por meio de líderes raciais ou étnicos? Tais líderes possuem incentivos em demasia para promover atitudes e políticas polarizadoras que são contraproducentes para as minorias que eles juram defender e desastrosas para o país. Eles se utilizam das minorias para proveito próprio, atribuindo a elas incapacidades crônicas que supostamente só podem ser resolvidas por políticas que eles irão criar. Eles são os verdadeiros racistas.”
(Thomas Sowell, Afinal, Quem São os Racistas?)

http://mises.org.br

terça-feira, 22 de julho de 2014

O PT e a Petrobrás

Dedinho de Prosa 1
Você lembra, há sete anos atrás, nosso então presidente afirmando que, pela primeira vez na história deste país, o Brasil alcançou a auto-suficiência na produção de petróleo?
Eu lembro.
E qual é a verdade passados 7 anos?
A verdade é que a Petrobrás tem produzido cada vez menos, mesmo encontrando cada vez mais jazidas.
Só em 2012 o Brasil importou R$ 15 bilhões em derivados de petróleo.
Nesses mesmos 7 anos a balança comercial do petróleo e derivados apresentou um déficit superior a R$ 57 bilhões. Para se ter uma idéia, esse número é maior do que os R$ 50 bilhões que o governo pretende investir esse ano em Infra-estrutura.
Em 2012 a produção da Petrobrás caiu 2%.
Começamos 2013 pior ainda: A produção de janeiro caiu 3,3% e fevereiro recuou 2,25%.
A Petrobrás está “crescendo” que nem rabo de cavalo: pra baixo.
Dedinho de Prosa 2
Você lembra que a primeira coisa que o presidente Lula fez (depois de ter tomado um Romanée Conti) foi cancelar as compras das plataformas para a Petrobrás que o antigo presidente tinha feito, pois era um absurdo comprar coisas do estrangeiro enquanto nossa indústria naval está sendo sucateada?
Eu lembro.
E qual a verdade passados 10 anos?
A verdade é terrível e passa pelo que esse governo aprendeu a fazer (não sei como): Maquiagem de balanço.
Esse governo atual levou a Petrobrás ao limite máximo, e perigoso, de endividamento, ou seja quase 3 vezes a sua geração de resultados.
Assim, decidiram não mais endividá-la, contabilmente, e como cada plataforma custa R$ 3 bilhões, cancelaram as compras nacionais, levando o SINAVAL – Sindicado Naval – a denunciar a perda constante de postos de trabalhos.
E como estão fazendo?
Simples! Em vez de comprar, alugam. Assim, a contabilização é em despesa e não em passivo a pagar.
Mas quanto fica esse aluguel? Mais barato que comprar?
Em 2011 a Petrobrás gastou R$ 4 bilhões em locação. Em 2012, R$ 6 bilhões.
Mas pelo menos contrataram-se empresas brasileiras?
Todas as locações de plataformas são de empresas estrangeiras.
Na realidade não sei se isso é maquiagem do balanço ou maquiagem do destino final do dinheiro.
Dedinho de Prosa 3
Você lembra que o PT, para ganhar as eleições, diz o tempo todo que é contrário às privatizações? E que exemplo de gestão pública é o caso da Petrobrás?
Eu lembro.
E qual é a verdade?
A resposta já seria fácil só pela simples leitura do acima. Mas deixem-me prosear mais um causo.
Em 2006 uma empresa belga comprou uma falida refinaria no Texas por US$ 42 milhões. Poucos meses depois essa empresa vendeu essa refinaria por US$ 1,2 bilhão. Adivinhe quem foi o felizardo comprador? Isso mesmo, a nossa Petrobrás.
Passado pouco tempo, acredite, a Petrobrás verificou que tinha feito um mau negócio e resolveu vender tal refinaria. Mandou avaliar. Foi avaliada por menos de US$ 100 milhões. Colocou à venda. O Tribunal de Contas da União resolveu investigar essas estranhas negociações que gerariam um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão. A Petrobrás suspendeu imediatamente a venda. Só no balanço do ano passado constam mais de R$ 450 milhões de despesas com essa estupenda refinaria.
Mas isso são negócios no exterior. Como são os negócios da Petrobrás no Brasil? São rentáveis?
Mais ou menos.
O antecessor da Dilma, aquele aposentado por invalidez (lembra, aquele que não tinha um dedo), selou um acordo com outro ex-presidente, grande estadista, o Chávez (infelizmente esse já morreu), para construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, terra natal do vivente. Os dois calcularam, na ponta do lápis, o desembolso da Petrobrás nessa parceria: R$ 5 bilhões.
Qual a realidade atual?
O último relatório da Petrobrás aponta um custo até hoje de R$ 35 bilhões.
Mais duas prosinhas:
Nas vésperas de eleições o nosso nordestino presidente lançou a construção de duas Refinarias Premiuns. Onde? Uma no Maranhão e outra no Ceará. E como estão? Projetos suspensos. Por quê? Agora constatou-se que não há certeza da rentabilidade na operação dessas refinarias.
Vendo tudo isso, me rebelo: Deus foi injusto em levar o Chávez.
Dedinho de Prosa 4
Você se lembra da cena daqueles 4 dedinhos sujos de petróleo? Aquele nosso ex-presidente em cima de uma plataforma sujando a mão no óleo (acho que foi a única vez na vida) para convencer os trabalhadores a retirarem o dinheiro do FGTS e investirem na Petrobrás?
Eu lembro.
E o que aconteceu?
Os trabalhadores perderam 50% do patrimônio que retiraram do FGTS.
Mas como isso aconteceu?
O Mercado Financeiro, que não é controlado ou subornado por ninguém, começou a perceber que empresa é de fato a Petrobrás e sua avaliação não pára de cair.
O Mercado, e os investidores, perceberam que a empresa está sendo manipulada com intuitos puramente políticos, ou como “cabides de empregos” ou para mascarar a inflação, não reajustando seus preços a parâmetros internacionais.
Pior ainda.
A Petrobrás ajuda nosso país vizinho, a Argentina, a aprimorar essa prática de mascarar a inflação.
Como assim?
Simples: na Argentina a gasolina é vendida nos postos a aproximadamente o equivalente a R$ 0,98 o litro (aqui você sabe que pagamos em média R$ 2,80).
Como consegue isso?
A Petrobrás exportou, durante anos, para a Argentina gasolina a R$ 0,65. Detalhe: exporta gasolina limpa, sem misturas com álcool ou outros aditivos.
É por essas, e outras, que a Petrobrás é uma amostra do que acontece na administração total do nosso país, inclusive levando o Brasil a registrar um déficit na balança comercial, no primeiro trimestre de 2013, de US$ 5,1 bi, algo que não acontecia há 12 anos.
Este ano a Petrobrás completará 60 anos. Teve como seu slogan mais forte: O Petróleo é Nosso.
A pergunta atual é: e o dinheiro vai pra quem?
Dedinho de Prosa 5
Peraí – estará dizendo meu infortunado leitor – o título preconiza 4 dedinhos de prosa e você chegou no 5 !!!
Pois é. Eu tenho 5 dedos em cada mão. Eu trabalho honestamente e não estou aposentado. E não poderia deixar de relatar minha visão sobre o futuro da Petrobrás, sua atual direção e o pré-sal.
Atualmente a Petrobrás é presidida por Graça Foster. Nasceu no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, começou a trabalhar com 21 anos como estagiária na Petrobrás, formou-se em engenharia na Universidade Fluminense, foi promovida para engenheira de perfuração e hoje é presidente da Petrobrás. Ah, quase esqueci o mais importante, de 2003 a 2005 acumulou também a função de secretária da Dilma.
Com essa vasta experiência acadêmica, profissional, internacional e de gestão, a Graça fechou o balanço da Petrobrás de 2012 apresentando um Passivo a Pagar de R$ 332,3 bilhões, tendo apenas como Ativo Realizável R$ 118,1 bilhões. Ou seja, a Petrobrás deve 3 vezes o que tem em caixa. Apresentou também em 2012 o menor lucro dos últimos 8 anos, R$ 20,9 bilhões, embora a receita bruta cresça em torno de 20% ao ano.
Diante desse cenário, a Graça resolveu “gerar” dinheiro, pois serão necessários para o pré-sal R$ 237 bilhões até 2016.
Tanto investimento no pré-sal, mas ele dará retorno?
Ninguém sabe.
Veja:
De 1980 a 2004, o barril de petróleo era negociado a US$ 40. De 2004 a 2009 a US$ 70 e hoje na casa dos US$ 90. Mas essa cotação está caindo pois as reservas mundiais de petróleo estão abarrotadas. Os EUA estão com o dobro da capacidade estocada. A tendência é de queda. Cada vez mais se descobrem, e são adotadas, novas alternativas energéticas.
Aí que mora o problema.
O petróleo do pré-sal custa em torno de US$ 50 a 70 para ser extraído.
E se o preço internacional cair abaixo disso? Gastaremos mais para vender por menos? E as outras soluções energéticas que estão chegando?
Mas a Graça tem que dar continuidade ao projeto, tem que gerar dinheiro. Mas como?
Vendendo os ativos da Petrobrás, atitude essa que qualquer empresa em fase pré-falimentar faria.
Ah, vendendo ativos não operacionais e defasados?
Não!
Vendendo tudo que gera energia renovável, como parques eólicos, centrais hidrelétricas e termelétricas.
Mas isso tem lógica? Ela decide tudo isso sozinha?
Não!
Ela recebe ordens do Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás: Sr. Guido Mantega.
E o Mantega responde a quem?
Bem, o chefe continua em plena atividade. Nos últimos meses, de jatinho particular, ele está “ajudando” o amigo Eike Batista e seu diretor Pires Neto (afastado no ano passado do Ministério dos Transportes por escândalos ligados aos mensaleiros) a vender sondas petroleiras que a OGX comprou no exterior e que não têm utilidade. E o “coitado” do Eike pediu auxílio ao companheiro pois as ações da OGX já caíram 90% este ano.
Adivinha como vão ajudá-lo? Adivinha para quem eles estão tramando a venda dessas inúteis sondas?
Petrobrás.
O chefe deu mais ordens: Em agosto de 2012 a Dilma lançou o “pacote ferroviário” de R$ 91 bilhões. Teria como principal meta escoar o petróleo do pré-sal. Advinha qual foi o principal beneficiado com as primeiras estradas de ferro?
Eike Batista.
Pior. Além de utilizarem dinheiro público para atender uma empresa privada, fizeram um acordo chamado Modelo Ferroviário.
Sabe como funciona?
Simples:
Por esse Modelo o Eike não precisará colocar nenhum centavo para o transporte. O governo pagará tudo. Funcionará assim: uma empresa constrói as ferrovias; o governo compra toda a capacidade de transporte e repassa para as empresas interessadas em usar os trilhos. Se não houver demanda, ou se for parcial, o governo paga totalmente a conta.
Não é um excelente negócio?
Não para a Petrobrás. Não para o País. E bom para...

Depois de relatar tudo isso, se você ainda estiver lendo, e eu puder dar um conselho antes das próximas eleições, aí vai:
Não compre ações da Petrobrás.
(Marco Antonio Pinto de Faria, 4 Dedinhos de Prosa sobre a Petrobrás – Uma Visão Contábil, Econômica e sobre o Futuro)

http://blogskill.com.br

sábado, 19 de julho de 2014

Em razão do tempo

“Se as coisas precisassem de simultaneidade para surtir efeito, isso seria mais um golpe em nossa precariedade ontológica. Mas Deus, em Sua infinita sabedoria e misericórdia, tal não fez e de certa forma, nestes casos, compartilha Sua eternidade conosco, pobres mortais pecadores. Pois as coisas no tempo se sucedem, mas seus efeitos podem ser antecipados em virtude da eternidade divina. Se na eternidade Ele sabe do que foi, teria sido, é, será e seria de modo perfeito, este conhecimento aplicado ao tempo significa que o presente pode também ter efeito no passado, isto é, que não é inútil ter esperança que nossas ações influam de alguma forma no que já aconteceu. Esta comunicabilidade entre passado, presente e futuro nas mãos de Deus diminui um pouco nossa angústia em relação a nossas limitações, ao fato de só sabermos depois, de não termos podido estar onde queríamos, ou ajudar quem poderíamos. Pois n’Ele temos essa garantia de que nossos atos têm um valor independente do tempo – de que é sempre possível apelar à majestade divina e pedir que o passado possa ser alcançado por nossas súplicas, mesmo já tendo acontecido, mesmo suas conseqüências já tendo agido no tempo – de que naqueles resultados está também nossa oração, nossa penitência, os rigores que nos impusemos para que o melhor acontecesse; e estando presentes no passado como deveríamos estar, nosso coração se consola de termos afinal participado do que, em razão do tempo apenas, não pudemos.”

http://lecarceridinvenzione.blogspot.com.br

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Uma lição de Hegel

“Na introdução à Filosofia do Direito, G. W. F. Hegel explica que uma das capacidades essenciais do ego humano é a de suprimir mentalmente todo dado exterior ou interior, quer este se imponha como presença física ou por quaisquer outros meios – a capacidade, em suma, de negar o universo inteiro e fazer da consciência de si a única realidade. Se não fosse esta faculdade, estaríamos presos no círculo dos estímulos imediatos, como os animais, e não teríamos o acesso aos graus mais elevados de abstração. A negação do dado – “a irrestrita infinitude da abstração absoluta ou universalidade, o puro pensamento de si mesmo”, segundo Hegel – é uma das glórias peculiares da inteligência humana.
No entanto, é uma força perigosa, quando exercida independentemente de outras capacidades que a compensam e equilibram, entre as quais, evidentemente, a de dizer “sim” à totalidade do real, capacidade da qual o próprio Hegel deu uma ilustração pitoresca no célebre episódio em que, após contemplar por longo tempo uma soberba montanha, baixou a cabeça e sentenciou: “É, de fato é assim.”
Quando o ego vivencia a negação abstrativa como uma experiência de liberdade, e a autodeterminação da vontade se apega a essa experiência, prossegue Hegel, “então temos a liberdade negativa, a liberdade no vazio, que se ergue como paixão e toma forma no mundo.” Vale a pena citar o parágrafo por extenso, tal a sua força analítica e profética:
Quando [essa liberdade] se volta para a ação prática, ela toma forma na religião e na política como fanatismo da destruição – a destruição de toda a ordem social subsistente –, como eliminação dos indivíduos que são objetos de suspeita e a aniquilação de toda organização que tente se erguer de novo de entre as ruínas. É só destruindo alguma coisa que essa vontade negativa tem o sentimento de si própria como existente. É claro que ela imagina querer alcançar algum estado de coisas positivo, como a igualdade universal ou a vida religiosa universal, mas de fato ela não quer que esse estado se realize efetivamente, porque essa realização levaria a alguma espécie de ordem, a uma formação particularizada de organizações e indivíduos, ao passo que a autoconsciência daquela liberdade negativa provém precisamente da negação da particularidade, da negação de toda caracterização objetiva. Conseqüentemente, o que essa liberdade negativa pretende querer nunca pode ser algo em particular, mas apenas uma idéia abstrata, e dar efeito a essa idéia só pode consistir na fúria da destruição.
Esse parágrafo deveria ser meditado diariamente por todos os estudiosos e homens práticos interessados em compreender o mundo da política. Ele elucida algumas constantes do movimento revolucionário que de outra maneira seriam inexplicáveis – tão inexplicáveis e paradoxais que a mente do observador comum se recusa a enxergá-las juntas, preferindo apegar-se a aspectos isolados, ocasionais e temporários, imaginando erroneamente ver aí a totalidade ou a essência do fenômeno.
Uma dessas constantes é a permanente negação de si mesmo, que permite ao movimento revolucionário tomar as mais variadas formas, mudando de rosto do dia para a noite e desnorteando não só o adversário como também uma boa parte dos seus próprios adeptos. Como a unidade de propósitos do movimento é uma pura abstração e seus objetivos proclamados de um momento são apenas encarnações imperfeitas e temporárias dessa abstração, ele pode se despir das suas manifestações particulares como quem troca de meias, sem nada perder e até elevando-se a novos patamares de poder mediante a mudança repentina de uma política para a política oposta, pronto a voltar à anterior sem aviso prévio se as circunstâncias o exigirem. Guerrilhas e terrorismo, por exemplo, jamais alcançam a vitória no terreno militar, mas produzem um anseio geral de paz, e este pode ser atendido negando a legitimidade da violência que ainda ontem se defendia como um direito inalienável, extraindo da casca violenta um núcleo de “reivindicações” supostamente “legítimas” e oferecendo a “paz” em troca do poder “legalmente conquistado”. A derrota transfigura-se em vitória, a negação em afirmação triunfante. O partido governante do Brasil chegou ao poder exatamente por esse artifício, cujo know how ele agora oferece às Farc. Quando uma parcela do movimento revolucionário renega sua própria violência, é que a violência está em vias de alcançar seus objetivos. Essas mutações não seriam viáveis se os fins e valores concretos proclamados pelo movimento revolucionário – sua “caracterização particular objetiva”, diria Hegel – tivessem alguma realidade em si mesmos e não fossem apenas figuras ilusórias projetadas temporariamente pela abstração de fundo.
Mas a autonegação não afeta só os discursos, os pretextos ideológicos da revolução. Ela atinge o corpo mesmo do movimento, periodicamente sacrificado no altar das suas próprias ambições.
A base última da sociedade humana, ensinavam S. Paulo Apóstolo e Sto. Agostinho, é o amor ao próximo. Tingida ou não de ódio ao estranho (que é por assim dizer a sua contrapartida demoníaca, reflexo da imperfeição inerente do amor humano e não um fator substantivo independente como pretendia Emmanuel Levinas), a comunidade do espírito, devoção comum a um sentido de vida aberto para a transcendência, reflui sobre cada um dos seus membros, aureolando-o de uma espécie de sacralidade aos olhos dos demais, seja nomeando-o um membro do corpo de Cristo ou da umma islâmica, um civis romanus, um descendente de Moisés, um herdeiro da tradição nhambiquara ou um simples “cidadão” da democracia moderna, partícipe na comunidade dos direitos invioláveis adquiridos, em última análise, de instituições religiosas milenares. Não é concebível nenhuma “fraternidade” sem uma “paternidade” comum. Mesmo na esfera mais imediata da vida econômica, nenhum comércio frutífero é possível sem a “sociedade de confiança” da qual falava Alain Peyrefitte, fundada na crença de que os valores sagrados de um não serão violados pelo outro.
Em contraste com essa regra universal, o movimento revolucionário diferencia-se pela constância com que, nas organizações e governos que cria, seus próprios membros se perseguem e se aniquilam uns aos outros com uma obstinação sistemática e em quantidades jamais vistas em qualquer outro tipo de comunidade humana ao longo de toda a história. A Revolução Francesa cortou mais cabeças de revolucionários que de padres e aristocratas. A Revolução Russa de 1917 não se fez contra o tzarismo, mas contra os revolucionários de 1905. O nazismo elevou-se ao poder sobre os cadáveres de seus próprios militantes, imolados ao oportunismo de uma aliança política na “Noite das Longas Facas” em 29 de junho de 1934. Mas seria uma ilusão imaginar que esses rituais sangrentos reflitam apenas o furor passageiro das hecatombes revolucionárias. Uma vez consolidados no poder, os partidos revolucionários redobram de violência, movidos pela suspeita paranóica contra seus próprios membros, matando-os aos milhões e dezenas de milhões com uma sanha que ultrapassa tudo o que os mais violentos próceres da reação jamais pensaram em fazer contra eles. Nenhum ditador de direita jamais prendeu, torturou e matou tantos comunistas quanto os governos da URSS, da China, do Vietnã, do Camboja, da Coréia do Norte e de Cuba. As lágrimas de ódio que sobem à face dos militantes de esquerda quando falam de Francisco Franco, de Augusto Pinochet ou mesmo da brandíssima ditadura brasileira, não expressam senão um mecanismo histérico de autodefesa moral – a “repressão da consciência”, como a chamava Igor Caruso –, a projeção inversa das culpas incalculavelmente maiores que o movimento revolucionário tem para com milhões de seus próprios fiéis.
A contrapelo da inclinação universal da natureza humana para fundar a vida social no amor ao próximo, o movimento revolucionário cria sociedades inteiramente baseadas no ódio, fazendo da unidade provisória inspirada no ódio a este ou àquele inimigo externo ou interno um arremedo satânico do amor.
Nada disso seria possível se os ideais e bandeiras erguidos pelo movimento revolucionário a cada passo da sua história tivessem alguma substancialidade em si mesmos. Neste caso a fidelidade comum aos valores sagrados protegeria os membros da comunidade revolucionária uns contra os outros. Mas esses ideais são como as figuras formadas pelas nuvens no céu, condenadas a dissipar-se ao primeiro vento, deixando atrás de si apenas o céu vazio. A única, central e permanente fidelidade do movimento revolucionário é à liberdade abstrata, que, com suas irmãs siamesas, a igualdade abstrata e a fraternidade abstrata, não pode encarnar-se perfeitamente em nenhuma forma particular histórica e, não consistindo senão de vazio absoluto, só pode encontrar a satisfação de um sentimento fugaz de existência no exercício da aniquilação, na insaciável “fúria da destruição”.”
(Olavo de Carvalho, Uma Lição de Hegel)

http://www.olavodecarvalho.org

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Em todas as nossas ações é a intenção o que Deus busca

“Tem o mundo muitos pobres de espírito, mas de modo não-conveniente; e muitos que choram, mas por ter perdido as riquezas ou os filhos; e muitos mansos, mas para com as paixões impuras; e muitos que têm fome e sede, mas de roubar as coisas alheias e de ter ganhos da injustiça; e muitos compassivos, mas para com o corpo e as coisas do corpo; e puros de coração, mas por vanglória; e pacíficos, mas que submetem a alma à carne; e muitos perseguidos, mas porque são imorais; e muitos desprezados, mas por causa de pecados vergonhosos. Bem-aventurados, em contrapartida, são somente aqueles que fazem e sofrem tais coisas por Cristo e conforme a Cristo. Por quê? Porque deles é o reino dos céus, e porque eles verão a Deus etc. E, assim, são bem-aventurados não porque fazem ou sofrem tais coisas – também aqueles outros fazem [ou sofrem] tais coisas – mas porque as fazem e sofrem por Cristo e conforme a Cristo.
Em todas as nossas ações é a intenção o que Deus busca, como se disse muitas vezes, ou seja, se fazemos isto ou aquilo por Ele ou por qualquer outro motivo. Quando queremos realizar algo bom, tenhamos por fim não o desejo de agradar aos homens, mas o desejo de agradar a Deus, a fim de que, olhando sempre para Ele, façamos tudo por Ele, para que, conquanto suportemos a fadiga, não percamos a recompensa.”
(São Máximo, o Confessor, Terceira Centúria sobre a Caridade)

Tradução de Carlos Ancêde Nougué e Clarice Rodrigues

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O conhecimento sem paixão das coisas divinas

“O conhecimento sem paixão das coisas divinas não move a mente a desprezar totalmente as coisas materiais, senão que a faz assemelhar-se ao pensamento simples de uma coisa sensível. Por isso é possível encontrar muitos homens que têm muita ciência mas se revolvem como porcos na lama das paixões da carne. Após terem sido purificados pela sua diligência e ter obtido o conhecimento, e se tornarem, depois, negligentes, fizeram-se semelhantes a Saul, que foi considerado digno do reino mas, tendo governado indignamente, foi expulso dele com terrível ira.
Assim como o pensamento simples das coisas humanas não obriga a mente a desprezar as coisas divinas, assim tampouco o simples conhecimento das coisas divinas a persuade a desprezar totalmente as coisas humanas, estando por isso a verdade entre luz e sombra. E por isso há necessidade da bem-aventurada paixão da santa caridade, que liga a mente às contemplações espirituais e a persuade a preferir as coisas imateriais às materiais, e as coisas espirituais e divinas às sensíveis.”
(São Máximo, o Confessor, Terceira Centúria sobre a Caridade)

Tradução de Carlos Ancêde Nougué e Clarice Rodrigues

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A campanha da pá


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domingo, 6 de julho de 2014

O problema do minimalismo

“À medida que o nosso combate espiritual se acirra, os campos de batalha vão ficando mais claros e distintos, de maneira que só os mais ingênuos e inadvertidos se deixam iludir por coisas secundárias e acidentais.
Com efeito, os últimos acontecimentos na Igreja e na França (a admirável luta dos católicos franceses contra o “casamento homossexual”) e as arruaças nas grandes cidades brasileiras vão obrigando as pessoas a abrir os olhos, a tomar posição e mostrar realmente o que querem. O silêncio de Roma diante da luta dos franceses foi um silêncio clamoroso.
Nas circunstâncias atuais verifica-se que a grande dificuldade do nosso combate ainda continua sendo de ordem intelectual. Perdeu-se a boa doutrina. Corrompeu-se a inteligência católica. A situação está de tal modo degradada que muitas vezes é preciso ter paciência de demonstrar e defender verdades triviais não só da doutrina católica mas também princípios comezinhos da lei natural. Tal é embrutecimento do homem moderno que tanto se orgulha das suas conquistas científicas e tecnológicas. E o mais triste é ver católicos adulando a modernidade por esse progresso ilusório. E tal cacoete vem de longe.
Xavier Martin, em seu precioso livro L’homme des droits de l’homme et sa compagne (DMM, Bouère, 2001), diz que o historiador Jean Vaguerie demonstrou a assustadora debilidade da formação teológica e filosófica do clero na época do iluminismo que lhe impossibilitava qualquer resistência ao espírito da Revolução.
É verdade que a Igreja, sob o regime do absolutismo monárquico, viu-se muitas vezes tolhida em seu direito de dar ao clero uma formação sólida porque os ministros “emperucados” dos déspotas esclarecidos (como o nefando marquês de Pombal, que se imiscuiu na vida da Igreja a tal ponto de querer determinar os currículos dos seminários e faculdades teológicas, além de expulsar os jesuítas) escarneciam da tradição escolástica da Igreja, acusada de ser responsável pelo atraso e obscurantismo das nações católicas.
Todavia, afora a deficiência intelectual, há um sério problema no domínio da vontade. Xavier Martin, na referida obra, diz que houve na época da Revolução Francesa padres que fizeram opção pelo minimalismo em sua dialética contra a ideologia revolucionária. Por exemplo, no combate ao contratualismo que negava o caráter social da natureza humana, limitavam-se a querer provar a sociabilidade natural do homem argumentando apenas com a relação entre mãe e filho! (O livro de Xavier Martin é realmente notável na refutação do iluminismo que, ao contrário do que se pensa, por causa da decantada declaração dos direitos do homem e do cidadão, tinha uma visão baixa do homem. Mas não é o que nos interessa agora.)
Efetivamente, o minimalismo é o veneno que vai destruindo a civilização cristã. Ao observador atento fica patente como em momentos trágicos da história da Igreja houve concessões inaceitáveis, para não dizer traições ignominiosas da parte daqueles que tinham o dever moral de afirmar os princípios da Lei da Deus e defender a ordem social legítima.
É o minimalismo que se pratica hoje diante dessa pretensão diabólica de impor a toda sociedade um novo modelo de casamento e família. Vemos autoridades eclesiásticas dizendo que a Igreja não tem nada a dizer contra a decisão soberana do Estado de legitimar essas uniões contra a natureza, contanto que não se diga ser o que a Igreja entende por matrimônio e família conforme a Bíblia. Houve até eclesiásticos que disseram que esses novos modelos de união homoafetiva representam um enriquecimento cultural da sociedade que experimentará um novo tipo de comportamento, assim como tantos outros que a sociedade já aceita e protege!
Como disse acima, tal situação imporá a necessidade de um posicionamento. Essas concessões, esses minimalismos, a meu ver, revelam que não temos os mesmos objetivos, os mesmos valores, para não dizer a mesma fé. É certo que pode haver problema de ignorância inculpável, que se poderia sanar com um trabalho de catequese e doutrinação. Mas além do problema de ordem intelectual parece haver um problema de ordem moral que envolve a vontade livre do homem. E há uma questão da Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, na I II°ae, a questão 8, sobre a vontade, artigos 2 e 3, que lança uma grande luz sobre o problema do minimalismo. Com efeito, o Doutor Comum pergunta, respectivamente, se a vontade se refere apenas ao fim ou também aos meios e se a vontade, pelo mesmo ato, se move ao fim e àquilo que se relaciona com o fim. Respondendo à primeira questão, diz Santo Tomás que nas coisas naturais pela mesma potência algo passa pelos meios e atinge o seu término. Ora, as coisas ordenadas ao fim são os meios pelos quais se chega ao fim como ao término. Portanto, se a vontade se refere ao fim, tem de referir-se também aos meios proporcionados ao fim.
Estupendo Santo Tomás! Cai como um raio sobre os modernistas minimalistas! Se esses hereges recusam os meios necessários para que na sociedade reine a virtude, impere a lei de Deus, mas querem que haja liberdade de perdição para todo tipo de vício, torpeza e tara, é porque no fundo não querem a Lei de Deus que dizem defender dentro do minimalismo. Realmente, quem não quer os meios não quer os fins. Desmascarados por Santo Tomás!
Na hipótese de o problema do minimalismo, no caso de alguns modernistas, situar-se no campo da inteligência, Santo Tomás também auxilia no esclarecimento do problema. Ele diz que não é com um mesmo ato que a vontade se move ao fim e às coisas ordenadas ao fim. Dá o exemplo do doente que quer primeiro a saúde e, depois, deliberando como pode restabelecer a saúde quer ir ao médico.
De modo que, se os minimalistas quiserem realmente o reino de Cristo sobre toda a sociedade e não o reino de Sodoma, hão de agir em conseqüência como o doente que quer a saúde e, em seguida, usando a inteligência, busca o médico. Terão de abandonar o minimalismo e lutar com coragem, sob a bandeira de Cristo Rei.
Quem quer o fim quer os meios!”
(Pe. João Batista Ferraz Costa, Quem Quer o Fim Quer os Meios)

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