quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Controle populacional e Nova Ordem Mundial (II)

“Planejamento familiar”: A linguagem do inimigo
A família numerosa era sinônimo de família cristã durante o pontificado de Pio XII e antes dele. Mas os anos 60 trouxeram uma mudança. As profundas mudanças sociais representadas pela revolução sexual foram tão profundas que nem a Igreja Católica as evitou. A propósito, a nova orientação eclesiástica depois do Concílio Vaticano II não será também definida pelas mudanças e novidades? Até na Igreja, tudo deve ser apresentado de uma maneira nova — temos a Nova Missa (o novo rito da Missa), a nova evangelização, o novo Código de Direito Canônico, temos mudanças na maneira como a Igreja encara as falsas religiões e o mundo moderno, etc., etc.
Neste contexto, não surpreende que também com respeito à procriação encontremos uma linguagem e uma metodologia semelhantes às que são usadas pelos nossos inimigos. Embora a famosa encíclica Humanae Vitae mantivesse os ensinamentos tradicionais contra a contracepção artificial, neste importante documento papal encontramos as palavras seguintes:
As mudanças que se têm verificado são de importância considerável e variadas na sua natureza. Em primeiro lugar, há um rápido aumento da população, que fez com que muitos receiem que a população mundial irá crescer mais depressa do que os recursos disponíveis.
O fato de poder ter havido um crescimento demográfico com resultados potencialmente desastrosos não é posto em causa na encíclica. Desde então, continuamos a ler ou a ouvir dos púlpitos comentários sobre a “paternidade responsável”, sobre como é sinal de responsabilidade limitar o número dos filhos, mesmo não havendo razões sérias para evitar a gravidez e ter mais um filho. Nos círculos católicos conservadores, que não aprovam o uso da contracepção, popularizam uma prática largamente aceite pelos jovens católicos de hoje, os programas de “planejamento familiar natural” (PFN).
Pela minha experiência pessoal de há alguns anos, posso atestar o fato de que nunca me disseram nada sobre as condições em que é legítimo limitar as relações maritais aos dias de infertilidade. Quando li a literatura do PFN, vi que tratava sobretudo de como evitar a gravidez, em vez de ajudar a compreender melhor o ciclo da mulher para facilitar a concepção. O que é perturbador é que encontrei a mesma linha de pensamento do PFN numa literatura, escrita em tcheco, a favor de contracepção. O PFN é ali apresentado como um meio de os casais de mentalidade religiosa ou ecológica evitarem a gravidez!
Não estou a dizer que o PFN é idêntico à contracepção artificial; estou a dizer que pode ser mal usado com grande facilidade para fins condenáveis.
Como se conseguiu esta mudança de mentalidade, uma mudança da abertura perante a vida para evitar o nascimento sem haver uma razão séria para tal? Devemos compreender que a Igreja Católica era o maior obstáculo aos programas de controle da população e ao seu sucesso em todo o mundo. A Igreja e os seus ensinamentos sobre a procriação tinham, portanto, de ser atacados, e atacados de dentro, pelos próprios católicos. Os revolucionários precisavam desesperadamente de alguns católicos bem conhecidos que trabalhassem a favor da mudança de mentalidade a partir do interior das estruturas católicas.
John Rock e a Pílula
Por detrás do projeto de eugenia da população encontram-se nomes famosos pelo que eles chamam “filantropia”: os Rockefellers, a Fundação Ford, e outros financeiros bem conhecidos da revolução moderna. Isto certamente já saberão. Mas sabiam que foram estas bolsas que alimentaram um obstetra católico, o Dr. John Rock, no seu trabalho, coroado de sucesso, de fabricar a Pílula? Sim, a Pílula foi inventada por um católico!
Rock estudou a função, o tempo e o desencadeamento químico da ovulação e da concepção. O seu trabalho levou a uma compreensão mais clara dos ciclos de fertilidade, o que forneceu um ponto de partida para o desenvolvimento do método do “ritmo” do controle da natalidade. Em 1939, fundou a primeira “clínica de ritmo” nos Estados Unidos, para pacientes do Hospital Livre de Boston para Mulheres. Rock sublinhou que a sua “clínica de ritmo” tinha por fim ajudar as mulheres não-férteis, permitindo-lhes que identificassem a melhor altura para a concepção. A sua intenção — no tempo em que era jovem — era auxiliar os casais a atingirem a gravidez, não a evitá-la.
O seu trabalho sobrepunha-se ao de Gregory Pincus, outro investigador de Boston, que estava a experimentar o efeito da progesterona em coelhos. Nesta altura, porém, Pincus e Rock tinham objetivos diferentes. Pincus não desejava aumentar a possibilidade da gravidez, mas evitá-la. Queria desenvolver uma pílula que detivesse a ovulação nos seres humanos.
Em 1951, Margaret Sanger, que há muito fazia uma campanha a favor do controle da natalidade, apresentou Gregory Pincus a Katharine McCormick, uma viúva rica que se tinha dedicado à causa do controle da natalidade. Katharine McCormick deu a Pincus um cheque de 40.000 dólares para desenvolver o seu trabalho. Acabaria por contribuir com mais de um milhão de dólares para ajudar uma investigação que era demasiado controversa para ser subsidiada por fontes convencionais. Mas Pincus tinha um problema. Como não era médico acreditado, não podia fazer legalmente experiências com fármacos. Lembrou-se de colaborar com o seu conterrâneo de Boston, John Rock. Sabia que Rock tinha tido algum sucesso com um tratamento hormonal para controlar os tempos e frequências da ovulação nas mulheres não-férteis.
Em 1952 Gregory Pincus pediu a John Rock que trabalhasse com ele para fazer com que o tratamento fosse eficaz como contraceptivo oral. O Dr. Rock já tinha mais de 60 anos e estava a aproximar-se da aposentadoria quando Pincus lhe fez a sua proposta controversa. Como acreditava tão firmemente na necessidade do controle mundial da população e de as mulheres casadas poderem evitar gravidezes indesejadas, John Rock concordou. Esta história trágica não tem um fim feliz. Não foi só o caso de um católico ter ajudado a espalhar a praga da mentalidade contraceptiva; Rock acabou por abandonar a religião e morreu apóstata.
Mesmo assim, o seu envolvimento direto na produção da pílula contraceptiva teve um grave impacto mental na população católica. A revolução sexual dos anos 60 foi, podemos afirmá-lo, um ataque demográfico, não só contra outras nações em todo o mundo, mas também contra os católicos. E teve tal sucesso que, numa década ou duas, neutralizou efetivamente a única oposição eficaz ao regime eugênico demo-liberal, a Igreja Católica.
Há gente a mais? Ratos a mais?
Como nós todos já sabemos, o cenário da bomba da população era falso. Não só não há um verdadeiro problema de crescimento da população, mas o que se tem tornado um problema grave, pelo menos nos países do Ocidente, é a falta de nascimentos e não o excesso. Recentemente, a União Européia deu o alarme sobre a taxa de natalidade, que está perigosamente baixa, e que terá como resultado uma quebra de 20 milhões de trabalhadores em 2030. Não havia países europeus com uma taxa de fertilidade inferior a 1,3 filhos por mulher em 1990. Em 2002, havia 15 países, e mais seis estavam abaixo de 1,4. Atualmente, nenhum país europeu está a manter a sua população através da natalidade, e só a França — com uma taxa de 1,8 — ainda tem potencial para tal. Os países do antigo bloco soviético tiveram grandes reduções nas taxas de natalidade durante a última época, com uma média alarmante de 1,2 filhos por mulher na República Tcheca, Eslovênia, Letônia e Polônia — ainda mais baixa do que nos países recordistas da Europa Ocidental, a Espanha, Grécia e Itália, todos eles mantendo uma taxa de 1,3 partos por mulher há pelo menos uma década. Nunca nos últimos 650 anos, desde o tempo da Peste Negra, as taxas de natalidade e fertilidade caíram tanto, tão depressa, para tão baixo, por tanto tempo, em tantos países.
Uma pessoa verdadeiramente católica é incapaz de dizer que há “gente a mais”. Isso quereria dizer que há alguém, um grupo, ou toda uma nação, que é supérfluo, e que seria melhor se não vivessem. Isto é produto de uma mentalidade materialista. Os seres humanos afetam as vidas uns dos outros, às vezes ajudando, outras vezes prejudicando, e não podemos debruçar-nos sobre os nossos números com um tal distanciamento. Contam para alguma coisa. Mas e os ratos? Há ratos a mais quando incomodam o bem- estar dos humanos, não é? Poderemos usar a mesma frase se se tratar de gente? Isso fazia com que houvesse pessoas que afirmassem a sua primazia sobre outras pessoas, da mesma maneira como os homens afirmam a sua primazia sobre os animais. Mas é este, precisamente, o espírito das conferências sobre o crescimento da população: que há algumas nações que se multiplicam como ratos e que incomodam o bem-estar destas elites ricas, sem filhos e hedonistas do regime do Iluminismo.
A ideologia do controle da população reduz o valor da vida humana à produtividade material e à eficiência. É assim que se mede a qualidade de vida, pelo grau de utilidade que possa ter para a sociedade. Esta citação do famoso livro de Dennis Meadows Limites do Crescimento fala claramente: “O ponto da questão não é apenas se a raça humana irá sobreviver, mas ainda mais se poderá sobreviver sem cair num estado de existência sem préstimo.” Ah, e nós somos tão humanistas que, em vez de deixar que uma pessoa viva nesse estado, fazemos todo o possível para que não chegue a viver. O fato de não existir é melhor para ela. O nada é, portanto, melhor do que o Ser, no mundo pervertido da modernidade maniquéia.
Mas Deus não pode ter “gente a mais”. A única atitude totalmente cristã em relação à maternidade é esta: “O Senhor poderá dar ou não; o Senhor poderá tirar ou não; bendito seja o Nome do Senhor.” Esta conversa de “gente a mais” usurpa uma prerrogativa divina.
Contra-Contracepção
Os pecados e as más ações têm conseqüências. A carência populacional e os problemas econômicos que vamos todos sofrer num futuro próximo são uma delas. Mas o que é muito pior é o preço espiritual que estamos a pagar. A falta de crianças nas nossas sociedades reflete a falta de confiança na Providência de Deus e, por conseguinte, um afastamento cada vez maior do nosso Criador e Redentor e da ordem da salvação.
Até o Cardeal Ratzinger, no livro da sua entrevista com Vittorio Messori, atestou o fato de que o período que se seguiu ao Concílio Vaticano II não trouxe a revivificação da Igreja que se esperava, mas, em vez disso, trouxe o caos. Assim, em vez de multiplicarmos as graças que correm, enfrentamos uma situação em que este fluxo de graças foi bloqueado. Há obstáculos que são colocados a obstruir o fluxo de graças — falta de oração, falta de formação religiosa como deve ser, e os pecados contra os Mandamentos (entre eles o Sexto, de que estamos a tratar nesta palestra), tudo isto leva à desorientação diabólica de que falou a Irmã Lúcia de Fátima. Isto significa que há menos graças a penetrar nos corações do rebanho dos batizados. E porque é que eu falo disto numa palestra sobre o controle da população?
Há uma relação entre o grau ou intensidade da vida sobrenatural da alma e a perfeição ou virtudes da vida natural — a graça desenvolve-se a partir da natureza. Quando não se segue a lei natural, as graças deixam de ter um efeito positivo. As mudanças liberalizantes trazidas pelas “reformas” do Concílio Vaticano II são para a vida sobrenatural e para o elemento humano da Igreja o que a contracepção é para a vida natural de uma família.
O que nós, católicos, devemos fazer é declarar guerra à mentalidade contraceptiva que é uma praga do nosso tempo. Separemo-nos do “espírito da época”, sejamos contra- revolucionários ao abrirmo-nos à vida, confiando em Deus e em Nossa Senhora, Que amam todos e cada um dos Seus filhos, e para Quem não há uma só alma imortal que não seja desejada.”
(Michal Semin, Para Onde Foram Todos os Católicos?)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Controle populacional e Nova Ordem Mundial (I)

“Na minha palestra anterior, na sexta-feira, falei dos aspectos diabólicos da mentalidade moderna, o espírito do Iluminismo, a Revolução moderna e os desafios que representam para os católicos em todo o mundo. Hoje quero concentrar-me num aspecto particular da Revolução, que tem a ver com a sexualidade humana e a sua regulação social — o controle da população. Não podemos compreender o fenômeno do controle da população sem termos em conta a revolução sexual do Século XX.
No número de maio de 2006 de Chronicles, Thomas Fleming apresentou um ensaio sobre os resultados da revolução sexual, chamado Vinho Novo em Odres Velhos. Escreveu que “A revolução que nos fez o que somos começou durante a grande revolta contra o Cristianismo que se chama o Renascimento, e entrou numa fase aguda com a Revolução Francesa. Embora tenha assumido muitas formas e tenha sido apontada a uma variedade de alvos... quase não se desviou do seu objetivo mais básico: a libertação do que um dos revolucionários mais virulentos chamou a libido...”
Quando Nossa Senhora nos avisou em Fátima sobre os erros da Rússia, estaria também a falar dos erros relativos ao campo da sexualidade humana? Provavelmente, porque foi a União Soviética comunista o primeiro país a legalizar o aborto e promover abertamente a contracepção e outros pecados contra o Sexto Mandamento. A Europa Ocidental, influenciada pelas idéias do Iluminismo e do Liberalismo, trouxe também um grande ataque contra os ensinamentos da Moral Cristã, com a legalização do divórcio e a luta para separar o Estado da Igreja. Hoje estamos a observar uma disseminação em escala mundial destes mesmos erros da Rússia e há muito pouca oposição a eles.
Mas a liberalização da libido será apenas um assunto pessoal, um fruto natural da ética hedonista, ou haverá algo de mais sinistro nos bastidores? Claro que o hedonismo é parte de todo o cenário, porque o hedonismo é um produto natural da rejeição da metafísica no pensamento ético. Quando o comportamento humano não é regulado por normas morais objetivas, que possam ser descobertas e conhecidas pelos seres humanos, os apetites acabam por dominar a razão e a vontade.
A ética hedonista é um dos muitos frutos envenenados do Iluminismo, com a sua noção pervertida de “liberdade”, no sentido de licença, que é o direito de fazer tudo o que se quer. A libertação sexual não começou na década de 1960; aquela década só representa o clímax de forças desencadeadas muitas décadas antes. E. Michael Jones, no seu livro Libido Dominandi: Libertação Sexual e Controle Político, apresenta de forma sólida e bem documentada o seguinte cenário: a liberalização da sexualidade humana durante e depois da queda da Cristandade é um ato consciente e orquestrado da parte de quem o quer usar como meio para controlar as massas. A filosofia materialista e mecanicista da modernidade fez nascer a vontade nua, emancipada das normas morais fundamentadas transcendentalmente. Mas o materialismo não pode inspirar, e o problema de como controlar o homem e dirigir a sociedade na ausência das restrições morais tradicionais manteve-se.
Libido Dominandi é, em grande parte, uma denúncia da desonestidade intelectual da modernidade, começando com a idéia de que libertação sexual é igual a liberdade. Pelo contrário, a libertação sexual significou, e continua a significar, um aumento enorme do poder dos governos, dirigidos pelas elites do dinheiro, assim como um aumento cada vez maior do controle subliminal.
“Só há duas opções,” escreveu Jones:
“Ou nos controlamos segundo a lei moral, ou as nossas paixões passam a controlar-nos — ou alguém passa a controlar-nos através da manipulação das nossas paixões. Ou há o governo da razão e do auto-controle, ou há a revolução sexual e a tirania. O regime moderno sabe isto, e explora esta situação para seu proveito. Por outras palavras, a ‘liberdade sexual’ é, de fato, uma forma de controle social, uma maneira de manter o regime no poder através da exploração das paixões de pessoas que, em seguida, se identificam com o regime que ostensivamente lhes permite gratificar essas mesmas paixões.
“Assim sendo, não nos deve surpreender que o proponente mais importante da libertação sexual no Iluminismo tivesse sido também o primeiro a descrever o sexo como uma forma de controle político. Estou a referir-me ao Marquês de Sade, que estava preso na Bastilha no verão de 1789, a escrever novelas pornográficas e a engordar com a comida que ele pagava para lhe ser trazida do exterior. A partir de julho, construiu um megafone primitivo a partir de uma folha de papel, e incitou a multidão que rodeava a prisão a assaltá-la e a libertá-lo e a mais seis outros presos. As suas novelas posteriores, escritas durante o período da Revolução, explicam que, se a república revolucionária quiser vencer a Cristandade, as paixões humanas devem ser totalmente libertadas, para que possam derrubar a ordem social.
“O potencial para o controle e a insurreição sofre uma mudança quântica quando a sexualidade deixa de ser regulada e tem liberdade para atuar como estimulante de perpétua agitação. De fato, como o regime revolucionário se baseia na subversão da moral, só pode existir se explorar a sexualidade desta maneira. O que propõe às massas como se fosse a liberdade é, na realidade, apenas uma forma de controle social e político. É a partir deste ângulo que devemos ver a legalização da pornografia. Não é só uma espécie de efeito secundário infeliz do regime revolucionário, que deve ser tolerado se quisermos todos gozar de liberdade, o que é o argumento dos liberais em todo o mundo.
“A pornografia é a essência de um regime político revolucionário, porque só controlando as paixões dos cidadãos consegue manter o seu controle sobre eles. Gratificando os desejos ilícitos, evoca a gratidão dos escravos e cria o controle político a partir dessa gratidão.”
Mas o que tem isto a ver com o controle da população, que é o foco principal da minha palestra? O controle da população é um programa de regulação dos nascimentos, orquestrado pelo regime, por meio da libertação sexual. O controle do número dos nascimentos só é possível se se subverter e perverter o objetivo da sexualidade humana, que é a procriação, fazendo das paixões o rei do corpo e alma de cada um.
O controle da população é, portanto, o sine qua non da Nova Ordem Mundial, sobre a qual Marylin Ferguson, luminária da Nova Era, disse:
“Pela primeira vez na história, a humanidade tem acesso ao painel de controle da mudança, à compreensão da maneira como se produzem as transformações … O paradigma da Conspiração do Aquário concebe a humanidade como enraizada na natureza e encoraja o indivíduo autônomo numa sociedade descentralizada, considerando-nos como feitores de todos os nossos recursos, interiores e exteriores. Vê- nos como herdeiros das riquezas da evolução, capazes de imaginação, invenção e experiências que temos mas ainda mal lobrigamos.”
Mudança, novidade, transformação, evolução — são tudo palavras de código do regime liberal moderno. Baseado nos dogmas da filosofia moderna, não há uma natureza humana fixa, nada que defina a humanidade e a finalidade da vida humana, independentemente do tempo, cultura e costumes locais. A vida humana, o homem, é apenas um elemento no continuum panteísta do processo evolutivo. Esta é a fonte ideológica da “cultura da morte” — aborto, contracepção, experimentação com embriões, fertilização in vitro, mas também as políticas dos gêneros ou a roupa unisexo, e, claro, o controle da população de inspiração eugênica.
As Nações Unidas e o controle da população
Desde a sua criação em 1945, altura em que substituiu o Vaticano como árbitro internacional de influência, as Nações Unidas tornaram-se a sede de um futuro governo mundial. E o sine qua non deste estado coletivista mundial é, como já indiquei, o controle total da população mundial. Não foi por coincidência que, um mês depois da criação do Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) na primavera de 1945, as Nações Unidas estabeleceram uma Comissão da População para recolher dados demográficos e estudar as relações demográficas com os fatores econômicos e sociais. Semearam influências poderosas da Nova Era em todas as agências especializadas e interligadas da ONU, incluindo a Organização Internacional do Trabalho (ILO), a Organização Alimentar e Agrícola (FAO), a Organização Econômica, Científica e Cultural das Nações Unidas (UNESCO), a Organização Mundial da Saúde (WHO), o Fundo Internacional de Emergência das Crianças das Nações Unidas (UNICEF), e o Banco Mundial, todos eles subscrevendo institucionalmente a ideologia da sobrepopulação.
Este “novo paradigma” não se limita, de modo nenhum, a estas organizações supra-nacionais, elas também dominam os centros de poder de muitas nações-estados; trabalham lado a lado para fazer do “novo paradigma” a estrutura política e legal de toda a humanidade. A razão para imporem programas de controle da população, como condição para a ajuda humanitária e de desenvolvimento aos países mais pobres, não é apenas para limitar o número dos menos ricos ou alegadamente mais atrasados (os programas eugênicos de controle da população foram, desde o princípio, inspirados por um racismo declarado), mas sobretudo como meio de controle político e social. Os poderes estabelecidos sabem que, no fim de contas, o crescimento da população é um fato positivo, e não um embaraço, e sentem-se ameaçados, tanto política como militarmente, devido à confrontação crescente entre o Ocidente rico mas moribundo e os chamados países subdesenvolvidos, com taxas de natalidade muito mais altas.
Assim, depois de ter causado a quebra da população nos países do Ocidente através do movimento da libertação sexual, o regime do Iluminismo precisa minar o crescimento populacional noutros países, para manter em equilíbrio as estruturas globais do poder. Foi do receio de que estas nações ou culturas, que não seguem o plano ideológico do Iluminismo, pudessem sobrepovoar as nações que sucumbiram à mentalidade darwiniana, que nasceu a idéia do controle da população.
Na sua fase inicial, chamava-se movimento eugênico, mas, como Hitler deu má fama ao nome, depois da 2ª Guerra Mundial a Sociedade de Eugenia mudou o nome para Planejamento Familiar. Mas os objetivos continuam a ser os mesmos; só os meios é que mudaram. As mesmas pessoas que apoiavam e financiavam o programa da eugenia capturaram os meios de comunicação e começaram a apresentar o controle demográfico como uma preocupação com a “saúde” e a libertação.
Até que ponto, devíamos perguntar a nós próprios, foram os católicos de hoje seduzidos por esta sereia falsa e perigosa da necessidade de “limitar o crescimento demográfico”? Como todos sabemos, a Igreja lutou sempre contra a relutância maniquéia em relação à procriação, apelando aos católicos para que fossem generosos a dar vida a novos seres humanos. Como disse Pio XII na sua alocução de 1958:
Onde quer que se encontrem famílias numerosas em grande número, elas apontam para: a saúde física e moral de um povo cristão; uma fé viva em Deus e confiança na Sua Providência; a santidade fecunda e feliz do casamento católico.
(Michal Semin, Para Onde Foram Todos os Católicos?)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Escola pública

http://swordofpeter.blogspot.com.br/

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Judaísmo e Marxismo

“Não é por acaso que o Judaísmo deu à luz o Marxismo, e não é por acaso que os judeus prontamente assumiram o Marxismo; tudo isso estava em perfeito acordo com o progresso do Judaísmo e dos judeus. Os judeus deveriam perceber que Jeová não mora mais nos céus, mas em nós mesmos aqui na terra; não devemos procurar por Jeová como se ele estivesse acima e fora de nós, mas vê-lo exatamente dentro de nós. (...) Como os judeus são o melhor e o mais culto povo sobre a terra, eles têm o direito de subordinar a si mesmos o restante da humanidade e de se fazerem senhores da terra inteira. Ora, de fato, esse é o destino histórico dos judeus. (...) Judaísmo é comunismo, internacionalismo, a irmandade universal dos homens, a emancipação das classes trabalhadoras e da sociedade humana. É com essas armas espirituais que os judeus vão conquistar o mundo e a raça humana.”
(Rabbi Harry Waton, A Program for The Jews and An Answer To All Anti-Semites: A Program for Humanity)

sábado, 25 de janeiro de 2014

A modesta proposta da Europa para acabar com o desemprego: escravidão

“Após passarem semanas discutindo entre si sobre a elevação crônica e perigosa do desemprego dos jovens na Europa, o Centro de Planejamento e Pesquisa Econômica na Grécia propôs uma medida controversa. De acordo com uma reportagem do GreekReporter, a medida inclui trabalho não pago para os jovens e desempregados até 24 anos de idade, para que as companhias tenham um forte motivo para contratar jovens empregados. Trabalho “não pago” nos soa um bocado como escravidão... mas isso ainda fica melhor; a reportagem também sugeriu “a exportação de jovens desempregados.” Sem comentários...
O problema do desemprego dos jovens na Europa é épico – 24,4% da população da Europa abaixo dos 25 anos estão desempregados...
O GreekReporter mostra a solução para os problemas da Grécia...
O centro de Planejamento e Pesquisa Econômica na Grécia propôs uma medida controversa a fim de lidar com o problema do crescente desemprego no país.
A medida inclui trabalho não pago para os jovens e desempregados até 24 anos de idade, para que as companhias tenham um forte motivo para contratar jovens empregados. Praticamente, o que se propõe é a abolição do salário base por um ano. Ao mesmo tempo, a “exportação” de jovens desempregados também foi proposta para outros países no exterior, pois os negócios gregos não parecem capazes de contratar novo pessoal.
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio Helênico, o desemprego atinge especialmente as idades entre 15-24. A taxa de desemprego na Grécia permanece em 24,6% enquanto 57,2% dos jovens estão sem emprego. A maioria dos desempregados (71%) não teve trabalho por 12 meses ou mais, enquanto 23,3% do total jamais trabalharam. Havia 3.635.905 pessoas empregadas e 1.345.387 desempregadas.

Seja na Europa dos anos 30 ou nos Estados Unidos do mesmo período (conflitos entre grevistas, a Guarda Nacional e milícias armadas), o desemprego pode criar um poderoso coquetel de inquietação.
Mas tornar escravos os jovens de sua nação não nos parece ser a melhor solução...”
(Tyler Durden, Europe's Modest Proposal To End Unemployment: Slavery)

http://www.zerohedge.com

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A religião moderna é mera expressão da subjetividade

“Esperar moderação de um religioso é negar-lhe o que ele possui de mais característico: a posse de uma cosmovisão totalizante. O que é uma religião senão uma explicação da existência, do universo e das razões últimas das coisas? E se explica tudo, tudo abarca. Nada, dessa forma, se encontra fora do seu campo de interesse, nada deixa de ser penetrado por ela. Por isso, não existe laicidade para o religioso, já que nada se encontra separado de sua fé. Sendo assim, buscará “impor” o que acredita ser o melhor para todos. E se o melhor se encontra no que sua própria religião ensina, é em favor disso que lutará.
E antes que os apóstolos deste século reclamem dessa impostura beata, saibam que nem mesmo os maiores adeptos da laicização escapam desse desejo de a todos impor o que acreditam. Os valores podem ser diferentes, mas o objetivo é o mesmo. Ninguém que atua em jogos políticos faz isso para ver os interesses dos outros aplicados. Cada um busca impor seus próprios interesses. Se puderem, farão que todos aceitem suas idéias. Se não puderem, aguardarão o momento certo de fazer isso. Pensando dessa maneira, qual a diferença entre abortistas que requerem o chamado direito de escolha e fiéis que lutam pelo direito à vida? Em termos práticos de política, nenhuma. Todos buscam impor suas convicções. E para isso existe a política.
Quando um religioso atua politicamente, o mínimo que se espera dele é que tente impor seus valores também. Seria até injusto, enquanto todos lutam para verem suas convicções aplicadas, apenas o religioso não poder fazer isso. Ele, sem ferir a liberdade comum, deve lutar até o fim para aquilo que ele acredita ser o melhor, aquilo que representa o bem, seja recepcionado pelas normas de seu país. O religioso, em sua atuação política, não faz nada diferente de ninguém. O que ele busca é o que todos buscam: a imposição de regras para uma sociedade melhor. O problema é que cada um tem a sociedade ideal segundo suas próprias convicções.
Portanto, quando alguns atores políticos esperneiam contra os religiosos na política, fazem isso apenas como tática para desmoralizá-los, para afastá-los do jogo e, por fim, acabar impondo suas próprias idéias. Na verdade, eles sabem que suas próprias atuações em nada diferem da dos pastores e leigos que publicamente se movem no mundo da política. Teoricamente, todos estão trabalhando por uma sociedade melhor, segundo suas próprias convicções do que é melhor.
Por que um religioso afirmar que aborto é crime se torna uma imposição sufocante e afirmar que afirmar isso é crime não é? São duas faces da mesma moeda. São duas visões que lutam para se impor. Por que, então, apenas o religioso é visto como um louco fascista tentando enfiar goela abaixo suas convicções? Na verdade, todos querem fazer isso, e se não fazem é apenas porque não conseguem.
Porém, de alguma maneira, eu compreendo por que as coisas acontecem desse jeito. Lembremos que vivemos em um mundo moderno. Neste mundo moderno, a religião também é moderna. Sendo moderna, seu papel é ser uma opção, não uma explicação. O homem moderno busca a religião para se sentir bem, não para saber a verdade.
A religião moderna é, com efeito, uma mera expressão da subjetividade. Não trata de valores universais, de uma explicação da existência. Religião é apenas um refúgio, para o homem moderno se esconder de vez em quando, aliviando as tensões acumuladas em sua vida laica.
Essa é a religião que eles querem, a religião de uma Nova Ordem: sem vocação política, sem soluções para os homens. A religião ideal para a modernidade é áfona, retraída, irrelevante.
No fim, são os anti-religiosos que assumem o papel de profetas, de pregadores, de donos da verdade. São eles que se apresentam como os portadores das virtudes que devem ser impostas a todos. São eles que sabem o que é melhor para o mundo. Eles são os promotores do bem.
E o que eles esperam da religião é que ela seja uma expressão de fé tão íntima e tão pessoal que não tenha capacidade de oferecer qualquer resposta aos problemas da sociedade. Na verdade, querem que ela seja apenas morna, talvez para que, no fim, seja vomitada pelo seu próprio Deus.”
(Fábio Blanco, A Religião Que Eles Querem)

http://campograndecatolica.blogspot.com.br

domingo, 19 de janeiro de 2014

A Organização Mundial de Saúde e a Nova Ordem Mundial

“As crianças devem ser livres para pensar em todas as direções, independentemente das idéias peculiares dos pais, que muitas vezes selam as mentes das crianças com as idéias preconcebidas e falsas das gerações passadas. Se não tivermos muito cuidado, muito cuidado mesmo, e não formos muito conscienciosos, haverá um perigo ainda maior de que nossos filhos se tornem o mesmo tipo de gente que nós somos. (...) O mundo estava doente, e as mazelas das quais estava sofrendo eram principalmente devidas à perversão do homem, sua inabilidade de viver em paz consigo mesmo. O micróbio não era mais o pior inimigo; a ciência estava suficientemente avançada para ser capaz de lidar com ele admiravelmente. Mas ainda havia as barreiras da superstição, ignorância, intolerância religiosa, miséria e pobreza. (...) Em vez de criar nossos filhos de acordo com nossas próprias regras preconceituosas de bem e mal, deveríamos ensiná-los a questionar tudo. Diga a seu filho que você acredita em Deus, mostre que algumas pessoas não acreditam. (...) A reinterpretação e eventual erradicação da idéia de certo e errado, que tem sido a base do treinamento infantil, a substituição da fé nas certezas das pessoas idosas pelo pensamento racional e inteligente, tais são os objetivos atrasados de praticamente toda psicoterapia efetiva. (...) Para se chegar ao governo mundial, faz-se necessário remover das mentes dos homens seu individualismo, a lealdade à família, o patriotismo nacional e os dogmas religiosos.”
(Dr. George Brock Chisholm, ex-Diretor-Geral da Organização Mundial de Saúde, na edição de fevereiro de 1946 da revista Psychiatry)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Santa Anne Line, mártir católica inglesa, momentos antes de ser enforcada

"Fui condenada por ter dado hospitalidade a um sacerdote católico, e estou tão longe de arrepender-me de ter feito tal coisa, que o que mais lamento, de todo meu coração, é não ter podido socorrer a um milhar deles, e não somente a um."

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Andreas Hofer

“O Tirol, essa pitoresca província austríaca no centro da cadeia dos Alpes, no início do século XIX limitava-se a oeste com a Suíça e o Vorarlberg austríaco; ao norte, com a Baviera; e ao sul, com a Itália. Região montanhosa — dezenas de seus picos se elevam a mais de três mil metros de altitude — suas comunicações se faziam pelos vales, principalmente os dos rios Inn e Adige. Constituía uma província do Sacro Império Romano Alemão.
Por sua altitude, a neve cobria o Tirol durante seis meses. Sendo suas vilas distantes umas das outras, era normal que os entroncamentos das estradas fossem salpicados de albergues, não só onde os viajantes pudessem passar a noite, mas que servissem também de ponto de encontro para o povinho em busca de notícias.
Foi num desses albergues, o de Sandhof, que nasceu Andreas Nikolaus Hofer à meia-noite do dia 22 de novembro de 1767. Seu pai, Josef Hofer, atingira já os quarenta e três anos, e sua mãe, Maria Hofer, tinha pouco menos e já havia dado à luz três meninas. Ela morreria apenas três anos depois. Josef contrairá segundas núpcias, mas morrerá em 1774, deixando Andreas, com apenas sete anos de idade, duplamente órfão.
O menino foi criado pela irmã mais velha e o cunhado, que tomaram a direção do albergue que desde o século XVII pertencia à família. Formado no cadinho das tribulações, Andreas habituou-se a resolver por si só seus problemas, o que lhe deu uma precoce maturidade.
Nessa região extremamente religiosa, Andreas aprendeu em casa e na igreja os fundamentos da Religião católica; uma fé viva e profunda piedade marcarão seu futuro. Na escola comunal, instituída pela imperatriz Maria Teresa anos antes, ele aprendeu a ler, escrever e contar.
O “General Barbone”, presença marcante no Tirol
Apenas entrado na adolescência, Andreas deixou o lar para ir ao extremo sul do Tirol trabalhar com alberguistas e comerciantes de vinho. Nessa área italiana da província, aprendeu com facilidade a língua local, falando-a fluentemente.
Aos 20 anos de idade, voltou para Sandhof e tomou a direção do albergue familiar; a irmã e cunhado instalaram-se em outra província.
O jovem e esforçado alberguista, para liquidar as dívidas pendentes do estabelecimento, resolveu acrescentar a ele o comércio de vinho, licores e cavalos.
No ano seguinte, em 21 de julho de 1789, com 21 anos de idade, Andreas contraiu matrimônio com Anna Ladurner. Nascerão dessa união seis meninas (das quais duas morrerão cedo) e um menino.
Andreas era então, por sua maturidade e determinação, um homem feito. Seu porte era mediano, largo de espáduas, de uma força física admirável. Tinha o rosto arredondado, pequenos olhos castanhos e cabelos pretos. Mas o que destacava mais sua presença era uma abundante e prestigiosa barba negra, que mais tarde fará com que o chamem de “General Barbone”. Andreas era jovial, afável, sempre contente, e se comprazia em conversar. Em breve ele se tornou uma das figuras mais populares no sul do Tirol.
Reação católica contra despotismo revolucionário de José II
O Imperador José II, imbuído das idéias revolucionárias da época, sancionou várias leis de caráter igualitário e totalitário, as quais visavam nivelar as autoridades locais segundo um modelo administrativo uniforme, com funcionários diretamente ligados a Viena. Isso era muito mal-visto pelo conservador Tirol. Mas foram sobretudo suas medidas em relação à Igreja católica que mais violentamente repercutiram na região. O monarca dissolveu conventos das ordens contemplativas, instituiu um seminário único em Innsbruck, capital do Tirol, dotado de professores adeptos das idéias novas, e chegou a suspender as peregrinações e as procissões seculares, até decretar quantas velas se podiam acender nas igrejas, quais preces públicas estavam autorizadas e quantas badaladas podiam dar os sinos paroquiais durante o dia.
Os tiroleses eram profundamente católicos. Em toda parte erigiam oratórios e calvários. Passando diante deles, o viandante persignava-se. Se estava com tempo, ajoelhava-se e rezava o terço. Encontrando um conhecido, saudava-o com o tradicional “Grüs Gott” (Deus vos abençoe). Aos domingos toda a aldeia assistia devotamente, de joelhos, ao santo Sacrifício da Missa. E à tarde, participava das Vésperas ou de alguma procissão.
Isso explica a reação generalizada da província contra as reformas do Imperador José II: “O Tirol entrou em resistência aberta. As práticas piedosas proibidas foram mantidas, a despeito da lei. Os editos imperiais afixados nos povoados foram arrancados. No púlpito os padres tronavam contra o Imperador, invocando a cólera do Céu sobre ele”.
Não é pois de se admirar que também, quando as tropas revolucionárias francesas invadiram a Áustria, os tiroleses considerassem Napoleão como o Anticristo, por ter prendido o Papa.
Tirol, profundamente vinculado à Casa d´Áustria
Em agosto de 1805, na guerra da coalizão contra a França, o Arquiduque João, de 23 anos, foi nomeado comandante-em-chefe das forças imperiais na região dos Alpes. A estima entre o príncipe e o povo tirolês foi recíproca, e deveria durar até mesmo na derrota.
No início de novembro desse mesmo ano, massacrando uma guarnição tirolesa em Scharnitz, o general napoleônico Ney penetrou em Innsbruck. No fim desse mês, os franceses foram substituídos pelos bávaros. E no dia 26 de dezembro desse ano a Áustria assinava a paz. No acordo estabelecido nessa ocasião, o Tirol ficaria pertencendo à Baviera, se bem que “com os mesmos títulos, direitos e prerrogativas que ele possuía sob Sua Majestade, o Imperador da Áustria ou os príncipes de sua Casa, e não de outro modo”.
Apesar de serem vizinhos, de terem uma língua comum e a mesma Religião, tiroleses e bávaros não se estimavam. Imbuído dos princípios da Revolução Francesa e pertencendo à franco-maçonaria, o rei bávaro, Maximiliano José, aderira plenamente às idéias liberais.
Mesmo tendo prometido salvaguardar integralmente o direito de propriedade e das pessoas, o monarca bávaro não era bem visto pelos tiroleses, que o julgavam um anticlerical, e sobretudo porque um vínculo muito profundo os ligava à Casa d’Áustria.
Todos acorrem para lutar por Deus, pelo Imperador, pelo Tirol
De 1806 a 1808 o governo bávaro, imbuído das idéias do livre-pensamento do século XVIII, procurou aplicar no Tirol uma política religiosa que feria os sentimentos, os costumes e as aspirações da população. Foram proibidas a Missa do Galo, as cerimônias religiosas noturnas, a bênção do Santíssimo depois da Missa cantada; foram interditadas as rogações, as novenas, a Via Sacra, as procissões, as peregrinações, etc. De acordo com o pensamento unânime dos historiadores, essa foi a causa principal da insurreição de 1809.
Em uma reunião clandestina, no fim do ano de 1807, os tiroleses comprometeram-se a fazer tudo para salvar o catolicismo no Tirol. Entre os presentes estava Andreas Hofer.
O recrutamento de soldados para engrossar o exército bávaro também foi outra medida mal-recebida, tanto mais que tal medida visava o combate à antiga pátria, a Áustria. Os conscritos fugiam para as montanhas e não se apresentavam.
Começou então a insurreição. De todas as vilas alpinas acorreram voluntários para lutar por Deus, pelo Imperador e pelo Tirol. Os tiroleses infligiram duas tremendas derrotas às tropas franco-bávaras, inclusive uma delas contra o famoso marechal de Napoleão, Lefèbvre. Andreas Hofer se fez notar como líder nato. Seu prestígio era imenso. Compreendendo suas limitações, nas batalhas deixou o comando tático para companheiros que julgava mais competentes. Seu papel era o de, com sua presença, dar segurança e confiança aos combatentes.
Andreas Hofer é escolhido como regente do Tirol
Depois dessas grandes vitórias, ele assina por vez primeira: “Andreas Hofer, comandante nomeado pela Casa d’Áustria”. Ele pede preces públicas de ação de graças. E, fiel ao voto que havia feito antes da batalha, promulgou um edito estipulando que a festa do Sagrado Coração de Jesus deveria ser erigida perpetuamente, em uma solenidade inscrita em vermelho no calendário tirolês.
Tendo as autoridades bávaras fugido, e não havendo outras nomeadas pelo Imperador da Áustria, os tiroleses escolheram Andreas Hofer como regente do Tirol. Durante dois meses ele governou o Tirol de uma maneira singular. Formou seu conselho escolhendo os membros entre seus amigos. Todos levantavam-se às cinco horas da manhã e começavam o dia assistindo à Missa no palácio do governo. À noite, depois do jantar, recitavam de joelhos um Rosário completo.
Entretanto, no dia 14 de outubro de 1809 a Áustria assinou outro tratado de paz com a França, que não alterou a situação do Tirol. Em outros termos, ele continuaria pertencendo à Baviera! Ao mesmo tempo, Napoleão confiou a Eugênio de Beauharnais a missão de submeter o Tirol. O general francês, auxiliado pelas tropas bávaras, infligiu derrotas sucessivas aos tiroleses. O filho adotivo de Napoleão conclamou os vencidos a entregar as armas e a reconhecer as autoridades bávaras como legítimas governantes do Tirol. Os tiroleses receberam ao mesmo tempo mensagem do Arquiduque João, comunicando o seguinte: “Eu devo fazer-vos saber que o desejo de Sua Majestade é que os tiroleses permaneçam tranqüilos, e não se sacrifiquem inutilmente”.
Mancha temporária e piedosa morte
A constatação desse abandono por parte do Imperador austríaco provocou em Andreas Hofer profunda depressão. E ele que era tão religioso, estranhamente, em vez de buscar conforto na Religião, procurou-o infelizmente na bebida, tornando-se um líder indeciso, à mercê de todas influências. Isso o levou a uma imprudente batalha contra os bávaros, na qual os tiroleses foram arrasados.
Andreas Hofer escondeu-se então nas montanhas. Uma soma de 1.500 florins foi oferecida a quem denunciasse seu esconderijo. Na longa solidão, Hofer se recompôs, rezou, meditou e ofereceu seus sofrimentos pela salvação de sua alma e pelas dos que morreram pelo Tirol.
Como sucede com freqüência na história humana, apareceu um Judas, pronto para entregá-lo. Franz Raffl visitara Hofer em seu esconderijo. Tinha participado também da insurreição. Mas a recompensa oferecida pela delação tentou-o e ele traiu. No dia 27 de janeiro, Andreas foi preso juntamente com a esposa e filho, que o haviam ido visitar, e um amigo, Sweth, que com ele se encontrava.
Condenado à morte, confessou-se e recebeu a sagrada Comunhão na manhã de sua execução. E escreveu uma carta a seu amigo Vinzenz von Pühler, repleta de piedosos sentimentos e da crença no Purgatório e na vida eterna.
Andreas Hofer permanece na memória popular
Em janeiro de 1823, cinco soldados de um regimento de caçadores que estava em Mântua levaram de volta para o Tirol os restos mortais de Andreas Hofer. O Imperador Francisco I determinou que fosse sepultado em Innsbruck, na igreja da corte. Ordenou também que um monumento lhe fosse dedicado, encimado com uma estátua do valoroso chefe contra-revolucionário.
Francisco I, enfim, fez algo pelo vassalo tão fiel desaparecido. Concedeu uma pensão à esposa e filhas de Andreas Hofer, e renovou o certificado de nobilitação de seu filho, assegurando sua educação.
Os tiroleses não se esqueceram do grande líder. Em cada lar havia uma estampa sua. E a tradição oral manteve viva sua memória. Sua figura encontra-se por toda parte: em soldadinhos de chumbo, em xícaras de café ou cinzeiros.
Uma estátua gigante do chefe tirolês foi inaugurada em Bergisel pelo Imperador austríaco Francisco José. Em Sandhof foi erigida uma capela ornada com afrescos interiores que narram sua vida.
Em 1919, pelo tratado de Saint Germain, as regiões do Trentino e do Alto-Adige passaram a pertencer à Itália. Entre outras medidas tomadas por Mussolini em 1923, figurava a proibição de se ter retratos de Andreas Hofer nessa antiga província do Tirol.
Hofer, devido à sua posição contra-revolucionária, tornou-se um símbolo do patriotismo austríaco contra os inimigos do norte e a anexação da Áustria à Alemanha, em 1938.
Em 1945 o governo de Innsbruck renovou o voto ao Sagrado Coração de Jesus, feito por Hofer, e a constituição provincial adotada em 1960 começa com a “fidelidade a Deus” em primeiro lugar, como Andreas Hofer teria feito.”
(José Maria dos Santos, Andreas Hofer, Líder Contra-Revolucionário do Tirol)

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Mago ou pastor

“‘Procura ser pastor, se não és mago’, escreveu Eugenio d’Ors, recordando-nos que somente a simplicidade e a sabedoria (que não são antitéticas, mas complementares) permitem uma vida nobre. A única vida ignóbil é a do ignorante letrado – a vida própria de nossa época – que enquanto cega as fontes da autêntica sabedoria exalta a soberba humana com uma pletora de conhecimentos de segunda mão em cuja digestão a inteligência está ausente; e ainda se atreve a se considerar culta esta época ignóbil. Mas ser culto é o pior que pode ocorrer a um homem que aspire a uma vida nobre, que só encontrará sendo mago ou sendo pastor.”
(Juan Manuel de Prada, El Dia Más Hermoso)