sábado, 28 de setembro de 2013

Luís Vaz de Camões: Que Vençais no Oriente tantos Reis

Que vençais no Oriente tantos Reis,
Que de novo nos deis da Índia o Estado,
Que escureçais a fama que hão ganhado
Aqueles que a ganharam de infiéis;

Que vencidas tenhais da morte as leis,
E que vencêsseis tudo, enfim, armado,
Mais é vencer na Pátria, desarmado,
Os monstros e as Quimeras que venceis.

Sobre vencerdes, pois, tanto inimigo,
E por armas fazer que sem segundo
No mundo o vosso nome ouvido seja;

O que vos dá mais fama inda no mundo,
É vencerdes, Senhor, no Reino amigo,
Tantas ingratidões, tão grande inveja.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Luís Vaz de Camões: Cá nesta Babilônia

Cá nesta Babilônia, donde mana
Matéria a quanto mal o mundo cria;
Cá, onde o puro Amor não tem valia,
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Cá, onde o mal se afina, o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega Monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;

Cá, neste labirinto, onde a Nobreza,
O Valor e o Saber pedindo vão
Às portas da Cobiça e da Vileza;

Cá, neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Um padre responde à carta do Bispo Fellay aos amigos e benfeitores

"Em 15 de abril veio a público o texto do Bispo Fellay que logo depois apareceria na Carta aos amigos e benfeitores da Fraternidade. Se considerado isoladamente, esse texto é particularmente forte, pois consiste principalmente de citações do Arcebispo Lefebvre. O Bispo Fellay reconheceu a “análise atual” de nosso fundador, que ainda é “o fio condutor de sua ação e posição doutrinal” na Fraternidade. “Sua muito justa percepção, teológica e prática, continua a ser válida.” A profissão de fé que abre o famoso discurso de 21 de novembro de 1974 “é também a de todos os membros da Fraternidade.” Enfim, “atualmente, seguindo a mesma linha, só podemos repetir o que o Arcebispo Lefebvre e depois dele o Pe. Schmidberger afirmaram. Todos os erros que eles denunciaram nós denunciamos.” Pronto, que isso sirva para acalmar os mais desconfiados!
Mas... se esse texto é analisado não como um texto isolado, mas no atual contexto da Tradição, não se pode deixar de perguntar: Pode-se acreditar no Bispo Fellay? Ou mais precisamente, deve-se acreditar no Bispo Fellay em sua declaração de 15 de abril de 2012 ou em sua carta de 15 de abril de 2013? De um 15 de abril ao outro, o contraste é impressionante. “A análise de Monsenhor Lefebvre” está realmente sendo “o fio condutor da ação e posição doutrinal” do Superior Geral da Sociedade em 2012? “A situação da Igreja está praticamente inalterada” na Páscoa de 2013: não é isso o que lemos no editorial de Cor Unum de março de 2012.
Então como é que se deve entender o texto de abril passado? Não podemos temer que esta mudança para a direita se destina a confirmar e pôr para dormir os que ainda resistem à política de união com Roma? Para que se possa acreditar no Bispo Fellay, três condições são necessárias:
1. Um sincero e inequívoco “mea culpa”: O Bispo Fellay reconheceu que “a Fraternidade encontrou-se em uma posição delicada (que eufemismo!) durante grande parte de 2012” (e hoje?). Mas imediatamente explicou que as dificuldades vieram das “exigências” e “falta de clareza” de Roma. O Superior Geral e a Casa Geral não teriam nada a ver com isso? É indispensável que o Bispo Fellay explicitamente se retrate de certos escritos e eventos do ano passado: entre muitos outros, simplesmente citaremos a vergonhosa resposta de 14 de abril aos três bispos, a escandalosa declaração do dia 15, a dolorosa declaração do Capítulo Geral, as odiosas sanções que caíram sobre um bispo, padres (exilados ou expulsos) e religiosos (atraso de ordenações)...
2. A reafirmação solene, em declaração dirigida simultaneamente à Santa Sé e a todos os bispos, padres e fiéis da Tradição, do princípio: “nenhum acordo prático sem acordo doutrinal”. Cuidadosamente especificando o significado das palavras para evitar qualquer ambigüidade e garantir que ninguém imagine que haveria "acordo doutrinal" pelo simples fato de que Roma nos aceita como somos.
3. A crítica firme e pública da Roma de hoje e de seu atual papa. O Arcebispo Lefebvre não se alegrava de denunciar os erros, mas não hesitava atacar, com respeito mas vigorosamente, os instigadores de erros, não apenas os bispos, mas até mesmo o papa. Na conclusão de seu texto, o Bispo Fellay parece quieta e timidamente criticar (sem ousar nomeá-lo) o papa Francisco, mas não denuncia os inúmeros escândalos que marcaram as primeiras semanas de seu pontificado. E DICI nos traz de volta a história de Enéias e Pio, uma tentativa de comparação pelo Pe. Celier em relação a Bento XVI em 2005. Depois de oito anos, o número dos que usam “óculos cor-de-rosa” aumentou dramaticamente.
Concluímos propondo em alta voz o que muitos padres e fiéis pensam em silêncio: quando um Superior coloca um trabalho que lhe foi confiado em tão grande perigo, é conveniente que, após reconhecer seus erros, ele renuncie ao cargo. Essa é pelo menos uma “condição desejável” para salvar a pequena parte ainda saudável na Fraternidade [de São Pio X]. Talvez até mesmo uma "condição sine qua non”.”

Original em francês: http://www.lasapiniere.info/dun-15-avril-a-lautre-mgr-fellay-est-il-credible/

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Estado imbecil do liberalismo

“O conceito da liberdade ilimitada e arbitrária, e o conceito agnóstico do mundo inacessível ao entendimento humano, aonde se relegam as verdades religiosas, produziram como aplicação política um monstro singular que se chama Estado neutro. A neutralidade do Estado em matéria religiosa! Em uma sociedade dividida em crenças, quer se refiram à ordem natural ou à sobrenatural, o Estado não pode ter mais que três posições e adotar três atitudes: pode representar a maioria das crenças dessa sociedade, pode representar um fragmento, ainda que seja a maioria delas, ou pode tentar a representação daquilo em que coincidam todos.
No primeiro caso, fará do comum regra, que tratará de estender-se e converter-se em única. No segundo, elevará a exceção a regra comum, não expressando a opinião dos mais, mas impondo a dos menos, embora, logicamente, invocando a democracia e a vontade coletiva. No terceiro caso, a representação do que é comum acima do que é diferente é a que se costuma invocar para disfarçar o segundo, que é o que se pratica. Pode existir esse Estado neutro?
Quando a divisão entre as crenças é tão profunda que da ordem sobrenatural transcende às primeiras verdades da ordem natural; quando os homens não estão de acordo nem acerca de sua origem, nem de sua natureza, nem de seu destino, nem, por conseguinte, acerca de suas relações, nem das normas de sua conduta, então a oposição é tão grande, que o Estado que cruze os braços em presença dessas diferenças se encontrará colocado em uma situação muito estranha: ele se declarará indiferente ante as diferenças, e não será raro que os crentes e os não-crentes dêem de ombros e se declarem também indiferentes, com uma indiferença que faça causa comum com o desprezo, a uma entidade que não toma parte naquelas coisas que mais interessam aos homens.
Estado neutro! Um Estado que não sabe nada nem afirma nada acerca das crenças em um mundo sobrenatural e das relações com ele, que não sabe nada acerca das origens do homem, que ignora qual é a natureza humana, qual é seu destino e quais são as normas de sua vida individual e social, é um Estado tão estranho, que, ao não afirmar nada do que aos homens mais importa, ao elevar a dogma a ignorância, que por ser de coisas supremas é a suprema ignorância, vem a declarar-se inútil e imbecil.
Imbecil, sim, porque o Estado idiota, como o chamava graficamente Campoamor, é aquele que não sabe nada dos problemas que o sepulcro levanta e dos problemas que o sepulcro resolve. Declara-se incapaz de governar alguém quem diz, referindo-se à ordem religiosa e à ordem moral e ao fundamentalmente jurídico: “Eu não posso afirmar nada dessas coisas, porque não sei de nada.” E qual é a conseqüência imediata desse conceito de Estado neutro? A de não intervir nesses problemas que ele mesmo declara que ignora, a de declarar-se incompetente e deixá-los aos que os conhecem, já que ele emite para si mesmo uma certidão de incompetência e até de imbecilidade.
E, no entanto, faz tudo ao contrário. É o Estado que mais intervém. E por que intervém? Porque sua neutralidade em relação a todas as crenças que lutam e que combatem na sociedade não é mais do que o resultado de um juízo em que as declara duvidosas, reduzindo-as a meras opiniões; e ao trasladar seu parecer aos atos e às leis, impõe esse juízo, afirmando a negação ou a dúvida, quer dizer, impondo a impiedade ou impondo o ceticismo como dogmas negativos de um Estado que, além de ser idiota, vem a declarar-se Pontífice ao revés.
Esse Estado intervém no ensino; e – coisa singular, senhores! - o Estado, que não é agricultor; o Estado, que não é industrial; o Estado, que não é comerciante, embora tenha a obrigação de cooperar e de favorecer o comércio, a agricultura e a indústria, o Estado se declara a si mesmo, não cooperador nem fomentador do ensino, mas pedagogo supremo e até mestre único. E que contradição tão singular! Não sabe nada dos problemas mais transcendentais, dos que foram sempre os primeiros em todos os momentos da História, e ao mesmo tempo não tolera competências e quer ser mestre único das gerações presentes e vindouras! Pode-se conceber que um Estado que afirme uma ordem natural e sobrenatural, que um Estado crente como o das idades cristãs, e até um Estado budista, ou um Estado muçulmano, trate, servindo como um instrumento à crença que professa, de levá-la à prática e de infundi-la; mas que um Estado que se declara a si mesmo interconfessional, que declara que não sabe nada do que ninguém deve ignorar, nem por obrigação, nem por cultura, se declare a si mesmo incompetente, primeiro, e o mais competente, depois, para intervir no ensino, isso é o absurdo. E, no entanto, vede como intervém. A gradação é a seguinte: primeiro se declara facultativo no ensino o ensino religioso; depois se declara neutra a escola, e mais tarde se suprime a religião até nas escolas privadas, centralizando o ensino nas públicas, e dispersando os mestres religiosos para que atrás da ignorância religiosa venha o ódio da escola francamente atéia.”
(Juan Vázquez de Mella y Fanjul, Examen del Nuevo Derecho a la Ignorancia Religiosa)

sábado, 14 de setembro de 2013

Manuel de Falla: Dança Ritual do Fogo



Ewa Jablczynska e Dariusz Kupinski, violões

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A pedagogia do crime

“A primeira e principal lição foi sendo ministrada aos poucos. Era difícil, mas não impossível. Tratava-se de fazer com que a sociedade ingerisse enrolada, como rocambole, a idéia de que a criminalidade deriva das injustiças do modelo social e econômico. Aceita essa tese, era imperioso importar alguns de seus desdobramentos para o campo do Direito. Claro. Seria perverso tratar com rigor ditas vítimas da exclusão social. Aliás, a palavra "exclusão" e seu derivado "excluído", substituindo "pobre" e "pobreza", foram vitais para aceitação da tese e sua absorção pelo Direito Penal.
Espero ter ficado claro aos leitores que a situação exposta acima representa uma versão rasteira da velha luta de classes marxista. Uma luta de classes por outros meios, travada fora da lei, mas, paradoxalmente, sob sua especial proteção. Por isso, a impunidade é a aposta de menor risco desses beligerantes. Por isso, no Brasil, o crime compensa. Por isso, também, só os muito ingênuos acreditarão que um partido que pensa assim pretenda, seriamente, combater a criminalidade. Afine os ouvidos e perceberá o escandaloso silêncio, silêncio aliás de todos os poderes de Estado sobre esse tema que é o Número Um entre nós. Ou não?
Portanto, olhando-se o tecido social, chega-se à conclusão de que o grande excluído é o brasileiro honesto, quer seja pobre ou não. O outro, o que enveredou para as muitas ramificações do mundo do crime, leva vida de facilidades sabendo que tem a parceria implícita dos que hegemonizam a política nacional. Nada disso estaria acontecendo sem tal nexo.
Viveríamos uma realidade superior se o governo construísse presídios, ampliasse os contingentes policiais e equipasse adequadamente os agentes da lei, em vez de gastar a bolsos rotos com Copa disto e daquilo, trem bala, mordomias, comitivas a Roma e por aí vai. Viveríamos uma realidade superior se o Congresso produzisse um Código Penal e um Código de Processo Penal não benevolentes, não orientados para o descumprimento da pena, mas ordenados à sua rigorosa execução. Viveríamos uma realidade superior se os poderes de Estado incluíssem entre os princípios norteadores de suas ações a segurança da sociedade e os direitos humanos das vítimas da bandidagem. Viveríamos uma realidade superior se o Direito "achado nas ruas", que inspira ideologicamente a atuação de tantos magistrados, fizesse essa coleta nas esquinas, mas ouvindo os cidadãos, os trabalhadores, os pais de família, em vez de sintonizar a voz dos becos onde a criminalidade entra em sintonia com a ideologia.
O leitor sabe do que estou tratando aqui. Ele reconhece que, como escrevi recentemente, já ocorreu a Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Perdemos a guerra. O crime já venceu. Estamos na fase de requisição dos despojos que devem ser entregues aos vencedores. Estamos pagando, em vidas, sangue e haveres, a dívida dos conquistados. Saiba, leitor, que a parcela da esquerda que nos governa há mais de duas décadas, mudando de nome e de pêlo, mas afinada, em tons pouco variáveis pelo mesmo diapasão ideológico, está convencida de que se trata disso mesmo. É a luta de classe por outros meios e com outros soldados. Queixemo-nos ao bispo, se o bispo não cantar na mesma toada.
É a pedagogia do crime. Ela já nos ensinou a não reagir. Ela já nos disse que a posse de armas é privilégio do bandido. Ela já advertiu os policiais sobre os riscos a que se expõem ao usar as suas. Ela já nos mostrou que não adianta reclamar: continuaremos sem policiais, sem presídios, sem uma legislação penal que sirva à sociedade e não ao bandido. Isso tudo já nos foi evidenciado. Trata-se, agora, de entender outras ordens do poder fora da lei. Devemos saber, por exemplo, que esse poder se enfurece quando encontra suas vítimas com tostões no bolso. O suposto direito nosso de carregarmos na carteira o dinheiro que bem entendermos confronta como o direito dos bandidos aos nossos haveres. Por isso, cada vez mais, agridem, maltratam e executam, friamente, quem deixa de cumprir seu dever de derrotado. Tornamo-nos súditos, sim, não do Estado brasileiro, mas daqueles que tomaram para si a Nação. Seja um bom discípulo da pedagogia que a esquerda nos proporcionou. Não desatenda as demandas dos bandidos. O leão da Receita é muito mais manso.”
(Percival Puggina, Pedagogia do Crime)

http://www.puggina.org

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O drama do Vaticano II

“O drama do Vaticano II consiste no fato de que ao invés de ter sido conduzido por santos, como o foi o Concílio de Trento, ele foi monopolizado por intelectuais. Acima de tudo ele foi monopolizado por certos teólogos, cuja teologia partiu do preconceito de atualizar a fé de acordo com as exigências do mundo e assim emancipá-la da pressuposta condição de inferioridade com respeito à civilização moderna. O lugar da teologia deixou de ser a comunidade cristã; ou seja, a Igreja tornou-se a interpretação de indivíduos. Nesse sentido o período pós-conciliar representou a vitória do Protestantismo dentro do Catolicismo.”
(Henri de Lubac, citado no livro de Mons. Lefebvre, They Have Uncrowned Him)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

É a misericórdia de Deus que nos converte

“É preciso que tenhamos sempre presente no nosso espírito o quanto todos os homens são rodeados por tantas manifestações do mesmo amor de Deus. Se a justiça tivesse precedido a penitência, o universo teria sido aniquilado. Se Deus estivesse pronto para o castigo, a Igreja não teria conhecido o apóstolo Paulo; não teria recebido um homem assim no seu seio. É a misericórdia de Deus que transforma o perseguidor em apóstolo; é ela que muda o lobo em cordeiro, e que fez de um publicano um evangelista (Mt 9,9). É a misericórdia de Deus que, comovida com o nosso destino, nos transforma a todos; é ela que nos converte.
Ao ver o glutão de ontem pôr-se hoje a jejuar, o blasfemador de outrora falar de Deus com respeito, o infame de antigamente não abrir a boca a não ser para louvar a Deus, pode-se admirar esta misericórdia do Senhor. Sim irmãos, se Deus é bom para com todos os homens, é-o particularmente para com os pecadores.
Quereis mesmo ouvir algo de estranho do ponto de vista dos nossos hábitos, mas verdadeiro do ponto de vista da piedade? Escutai: ao passo que Deus se mostra exigente para com os justos, para com os pecadores não tem senão clemência e doçura. Que rigor para com os justos! Que indulgência para com o pecador! É esta a novidade, a inversão, que nos oferece a conduta de Deus… E eis porquê: assustar o pecador, sobretudo o pecador inveterado, seria privá-lo de toda a confiança, mergulhá-lo no desespero; lisonjear o justo, seria embotar o vigor da sua virtude, fá-lo-ia afrouxar no seu zelo. Deus é infinitamente bom! O seu temor é a salvaguarda do justo, e a sua clemência faz mudar o pecador.”
(São João Crisóstomo, 7ª Homilia sobre a Conversão)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Deus não nos pede que tenhamos sucesso, mas que trabalhemos

“Hoje não persuadi o meu ouvinte, mas talvez o persuada amanhã, ou talvez dentro de três ou quatro dias. Às vezes, o pescador que em vão lançou as redes durante todo o dia apanha à noite, quando se vai embora, o peixe que não conseguiu pescar durante o dia. O lavrador não deixa de cultivar a terra mesmo que não obtenha grandes colheitas durante vários anos; por fim, é freqüente um só ano reparar, e com abundância, todas as perdas anteriores. […]
Deus não nos pede que tenhamos sucesso, mas que trabalhemos; ora, o nosso trabalho não será menos recompensado por não termos sido escutados. […] Cristo sabia perfeitamente que Judas não se converteria; e contudo, tentou convertê-lo até ao fim, censurando-lhe o seu pecado em termos comoventes: “Amigo, a que vieste?” (Mt 26, 50). Ora, se Cristo, que é o modelo dos pastores, trabalhou até ao fim pela conversão de um homem desesperado, quanto devemos fazer nós por aqueles por quem nos foi ordenado que esperemos sempre!”
(São João Crisóstomo, Homilia no Regresso do Exílio, sobre a Cananéia)