terça-feira, 3 de setembro de 2013

Deus não nos pede que tenhamos sucesso, mas que trabalhemos

“Hoje não persuadi o meu ouvinte, mas talvez o persuada amanhã, ou talvez dentro de três ou quatro dias. Às vezes, o pescador que em vão lançou as redes durante todo o dia apanha à noite, quando se vai embora, o peixe que não conseguiu pescar durante o dia. O lavrador não deixa de cultivar a terra mesmo que não obtenha grandes colheitas durante vários anos; por fim, é freqüente um só ano reparar, e com abundância, todas as perdas anteriores. […]
Deus não nos pede que tenhamos sucesso, mas que trabalhemos; ora, o nosso trabalho não será menos recompensado por não termos sido escutados. […] Cristo sabia perfeitamente que Judas não se converteria; e contudo, tentou convertê-lo até ao fim, censurando-lhe o seu pecado em termos comoventes: “Amigo, a que vieste?” (Mt 26, 50). Ora, se Cristo, que é o modelo dos pastores, trabalhou até ao fim pela conversão de um homem desesperado, quanto devemos fazer nós por aqueles por quem nos foi ordenado que esperemos sempre!”
(São João Crisóstomo, Homilia no Regresso do Exílio, sobre a Cananéia)

sábado, 31 de agosto de 2013

Mais uma bergoglioíce!

No dia 29 passado, Francisco recebeu a rainha muçulmana Rania da Jordânia no Vaticano e se inclinou diante dela.
O devido protocolo para o Papa, que detém o mais alto posto na terra enquanto Vigário de Cristo, é que ele não se inclina diante de nenhum ser humano na terra: nenhum rei, rainha, presidente, príncipe, princesa, dignitário, seja quem for.
Ele só se inclina diante de Cristo e Nossa Senhora.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Um cristão deve ser útil ao seu próximo

“Há algo mais irrisório do que um cristão que não se preocupa com os outros? Não tomes como pretexto a tua pobreza: a viúva que pôs duas pequenas moedas na arca do tesouro (Mc 12,42) levantar-se-ia contra ti; Pedro também, ele que dizia ao coxo: “Não tenho ouro nem prata” (Ac 3,6), e Paulo, tão pobre que tinha muitas vezes fome. Não uses a tua condição social, pois os apóstolos também eram humildes e de baixa condição. Não invoques a tua ignorância, porque eles eram homens iletrados. Mesmo se tu eras escravo ou fugitivo, tu podias sempre fazer o que dependia de ti. Assim era Onésimo que Paulo elogiou. Serás tu de saúde frágil? Timóteo também o era. Sim, seja o que for que sejamos, não importa quem pode ser útil ao seu próximo, se ele quer verdadeiramente fazer o que ele pode.
Vês quantas árvores da floresta são vigorosas, belas, esbeltas? E contudo, nos jardins, preferimos árvores de fruto ou oliveiras cobertas de frutos. Belas árvores estéreis..., assim são os homens que apenas consideram o seu próprio interesse...
Se o fermento não levedasse a massa, não seria um verdadeiro fermento. Se um perfume não perfumasse os que estão perto, poderíamos chamá-lo de perfume? Não digas pois que é impossível teres uma boa influência sobre os outros, porque se és verdadeiramente cristão, é impossível que não se passe nada; isso faz parte da essência própria do cristão... Será tão contraditório dizer que um cristão não pode ser útil ao seu próximo como negar ao sol a possibilidade de iluminar e aquecer.”
(São João Crisóstomo, Homilia 20 sobre os Atos dos Apóstolos)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os trabalhadores da última hora

“É bem evidente que esta parábola se dirige, ao mesmo tempo, tanto aos que são virtuosos desde a sua tenra idade, como aos que se tornam tais na sua velhice: aos primeiros para os preservar do orgulho e os impedir de censurarem os da hora undécima; aos segundos para lhes ensinar que podem merecer o mesmo salário em pouco tempo. O Salvador acabava de falar da renúncia às riquezas, do desprezo de todos os bens, de virtudes que exigem grande ânimo e coragem. Para tal, era preciso o fervor e a força de uma alma cheia de juventude; o Senhor, portanto, reacende neles a chama da caridade, fortalece os seus sentimentos e mostra-lhes que mesmo os últimos a virem recebem o salário de um dia inteiro…
Todas as parábolas de Jesus: as das virgens, da rede, dos espinhos, da árvore estéril, convidam-nos a manifestar a nossa virtude nas nossas ações. Fala pouco de dogmas, porque estes não exigem muito esforço. Mas fala freqüentemente da vida, ou antes, fala sempre, porque sendo a vida uma luta contínua, o esforço também resulta contínuo.”
(São João Crisóstomo, Homilias sobre São Mateus)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Os sacrifícios no Templo e o fio escarlate

Seattle Catholic: Que é o “milagre do fio escarlate” e como ele é interpretado pelos estudiosos católicos e judeus?
Roy Schoeman: A maioria dos cristãos sabe das muitas maneiras com que o Velho Testamento apóia a crença do Cristianismo de que Jesus foi o Messias judeu, mas poucos estão familiarizados com as passagens do Talmude – uma “escritura” estritamente judaica baseada em tradição oral escrita séculos após a morte de Jesus – que fazem a mesma coisa. Eu trato de cerca de doze dessas passagens em meu livro. Provavelmente minha favorita é o “Milagre do Fio Escarlate”. Em poucas palavras, o Talmude conta que, quando o Templo ainda estava de pé em Jerusalém, os pecados do povo judeu eram tirados todos os anos em um dia, o Yom Kippur, o mais sagrado do ano, quando o Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos com um sacrifício para expiar os pecados do povo cometidos no ano anterior. Todos os anos, um fio escarlate era preso à entrada do Santo dos Santos e, milagrosamente, quando o sacrifício lá dentro era aceito, o fio ficava branco como um sinal de que os pecados haviam sido perdoados. Bem, o Talmude conta que, por nenhuma razão claramente discernível, o milagre deixou de acontecer cerca de 40 anos antes da destruição do Templo. Em outras palavras, depois de aproximadamente 30 A.D. o fio jamais ficou branco de novo! Nós sabemos, como cristãos, que foi exatamente então que os sacrifícios no Templo perderam sua eficácia – no momento da Crucificação, por volta de 30 A.D., quando, como um sinal do fato, a cortina no Templo rasgou-se em duas (Mateus 27:51). Desta forma, para os cristãos é evidente que o próprio Talmude prova a verdade do Cristianismo. Os estudiosos judeus têm uma explicação alternativa, não muito convincente, para o milagre ter deixado de acontecer: Deus parou de perdoar os pecados dos judeus porque muitos deles tinham cometido o pecado imperdoável de seguir Jesus!”
(Roy Schoeman, em entrevista a Seattle Catholic de 15.12.2003)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A relíquia do beato e a ira de Deus

UMA RELÍQUIA DE JOÃO PAULO II SERÁ LEVADA A LOURDES
“Cidade do Vaticano, 19 de Outubro de 2012 (Vatican Information Service - VIS) – Uma relíquia do Beato João Paulo II será transportada ao santuário francês de Lourdes durante uma peregrinação organizada pela UNITALSI (União Nacional Italiana para Transporte dos Doentes a Lourdes e Santuários Internacionais). A peregrinação deve acontecer de 21 a 27 de outubro. O Arcebispo Zygmunt Zimowski, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, deu permissão à UNITALSI para levar o relicário contendo sangue de João Paulo II, para que possa ser visto e venerado por peregrinos de todo o mundo. Falando à Rádio Vaticano, Salvatore Pagliuccia, presidente da UNITALSI, destacou que estamos atualmente no Ano da Fé, e o Sínodo dos Bispos está reunido para examinar a questão da nova evangelização, “um tema muito próximo do coração de João Paulo II”. A influência desse Papa “ainda é sentida na Igreja e entre os fiéis”, disse. Portanto, “a presença do relicário do beato na peregrinação é um sinal muito significativo, porque representa a presença de suas idéias e sentimentos, acima de tudo a presença do amor que, como homem e pastor, ele deu ao povo, aos fiéis, e em particular aos doentes e aos deficientes.””

CENTENAS DE PESSOAS SÃO EVACUADAS DURANTE ENCHENTES EM LOURDES
“Lourdes, França, 20 de Outubro de 2012 (Agence France-Presse - AFP) — Enchentes causadas por chuva ininterrupta no sudoeste da França causaram o fechamento da maior parte do santuário católico de Lourdes ontem e a evacuação de centenas de peregrinos, disseram as autoridades locais. Ônibus transportavam hóspedes de hotéis na cidade baixa para um centro de convenções e um complexo esportivo depois que autoridades disseram que os locais ficariam fechados por muitos dias.
Dois acampamentos também foram evacuados e muitas estradas fechadas ao redor de Lourdes, onde os católicos acreditam que a Virgem Maria apareceu à jovem camponesa Bernadette Soubirous em uma gruta em 1858, enquanto o rio Gave de Pau transbordava de suas margens. A água estava a um metro de altura em frente à gruta e 80 centímetros na Avenida du Paradis, onde a maioria dos hotéis para peregrinos se localiza, no que as autoridades disseram ter sido a pior enchente em 25 anos.
Somente a maciça basílica, construída em terreno elevado, ainda era acessível. “O local em frente à gruta está completamente coberto de água, o altar está submerso”, disse Thierry Castillo, o zelador dos santuários. “Há correntezas de lama”, disse, predizendo danos maiores que seriam caros de reparar. Castillo destacou a usina hidrelétrica que fornece energia aos santuários, que ficou gravemente danificada por troncos flutuantes de árvores.
O Gave de Pau estava dez metros acima de seu nível normal no sábado pela manhã e ainda subindo, quando meteorologistas previram que a chuva que tinha caído sem interrupção desde quinta-feira continuaria até domingo. Um pesado aguaceiro é previsto para a tarde e a noite de domingo. Na mesma região 3.500 lares ainda estavam sem eletricidade depois que ventos fortes na quinta e sexta-feira derrubaram os fios de eletricidade. “Não vi nada parecido em 40 anos”, disse o proprietário de hotel Pierre Barrere enquanto observava os peregrinos sendo evacuados.
Catherine Brun de Grenoble, no sudeste da França, foi avisada para partir às 8:30 da manhã. Ela disse que mal teve tempo de tirar o carro da garagem quando as águas começaram a subir. Salva-vidas evacuaram sua mãe, de saúde frágil, em um barco algumas horas mais tarde. As duas mulheres foram levadas para outro hotel. Lourdes atraiu mais de seis milhões de visitantes ano passado. A Igreja Católica reconhece 68 milagres ligados ao local e muitas pessoas deficientes ou doentes vão lá para rezar por uma cura.”

sábado, 17 de agosto de 2013

O despotismo do homem vulgar

“A história européia parece, pela primeira vez, entregue à decisão do homem vulgar como tal. Ou dito em voz ativa: o homem vulgar, antes dirigido, resolveu governar o mundo. Esta resolução de avançar para o primeiro plano social produziu-se nele, automaticamente, mal chegou a amadurecer o novo tipo de homem que ele representa. Se, atendendo aos defeitos da vida pública, estuda-se a estrutura psicológica deste novo tipo de homem-massa, encontra-se o seguinte: 1º, uma impressão nativa e radical de que a vida é fácil, abastada, sem limitações trágicas; portanto, cada indivíduo médio encontra em si mesmo uma sensação de domínio e triunfo que, 2º, convida-o a afirmar-se a si mesmo tal qual é, a considerar bom e completo o seu haver moral e intelectual. Este contentamento consigo mesmo leva-o a fechar-se em si mesmo para toda a instância exterior, a não ouvir, a não pôr em tela de juízo as suas opiniões e a não contar com os demais. A sua sensação íntima de domínio incita-o constantemente a exercer predomínio. Atuará, pois, como se somente ele e os seus congêneres existissem no mundo; portanto, 3º, intervirá em tudo impondo a sua vulgar opinião, sem considerações, contemplações, trâmites nem reservas; quer dizer, segundo um regime de “ação direta”.”
(José Ortega y Gasset, La Rebelión de las Massas)

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O homem-massa

“Numa boa ordenação das coisas públicas, a massa é o que não atua por si mesma. Tal é a sua missão. Veio ao mundo para ser dirigida, influída, representada, organizada – até para deixar de ser massa, ou, pelo menos, aspirar a isso. Mas não veio ao mundo para fazer tudo isso por si. Necessita referir a sua vida à instância superior, constituída pelas minorias excelentes. Discuta-se quanto se queira quem são os homens excelentes; mas que sem eles – sejam uns ou outros – a humanidade não existiria no que tem de mais essencial, é coisa sobre a qual convém que não haja dúvida alguma, embora leve a Europa todo um século a meter a cabeça debaixo da asa, ao modo dos estrúcios, para ver se consegue não ver tão radiante evidência. Porque não se trata de uma opinião fundada em fatos mais ou menos freqüentes e prováveis, mas numa lei da “física” social, muito mais incomovível que as leis da física de Newton. No dia em que volte a imperar na Europa uma autêntica filosofia – única coisa que pode salvá-la –, compreender-se-á que o homem é, tenha ou não vontade disso, um ser constitutivamente forçado a procurar uma instância superior. Se consegue por si mesmo encontrá-la, é que é um homem excelente; senão, é que é um homem-massa e necessita recebê-la daquele.”
(José Ortega y Gasset, La Rebelión de las Massas)

domingo, 11 de agosto de 2013

As idéias religiosas heréticas de Piotr Ilitch Tchaikovsky

“Os métodos cristãos eram muito rigorosos, austeros e frios para Tchaikovsky, ao passo que o elemento místico de toda religião entrava em choque com as “faculdades racionais” do homem e as conclusões “alcançadas pelos processos críticos da mente”. O dogma da punição pelos pecados parecia a Tchaikovsky “monstruosamente injusto e irracional”. Por outro lado, a idéia do além como uma existência serena e imperturbável e um estado de felicidade eterna ele considerava não apenas fantástica, mas extraordinariamente insípida, aborrecida e pouco atraente. “Cheguei à conclusão de que, se existir realmente vida após a morte, ela existe apenas no sentido em que a matéria não morre e também na concepção panteísta da eternidade da natureza na qual constituo um fenômeno microscópico. Em suma, não consigo compreender a imortalidade individual. De fato, como podemos imaginar uma eterna vida futura de prazeres eternos? Para que haja prazer e felicidade é preciso que haja seu oposto – o sofrimento eterno. Este último eu repudio completamente. Por fim, nem mesmo sei se alguém deveria desejar uma vida após a morte, pois o único encanto que a vida tem é o revezamento de alegrias e tristezas, a luta entre o bem e o mal, a luz e as trevas, em suma, a unidade dos opostos. Como se pode imaginar que a eternidade é uma felicidade infinita? Segundo nosso entendimento mundano, também um dia nos cansaríamos da felicidade, se ela jamais nos abandonasse. Como resultado desse raciocínio, cheguei à conclusão de que não há eternidade. Contudo, convicção é uma coisa, instinto e sentimento são outra. Enquanto nego que haja um além eterno, é com indignação que rejeito ao mesmo tempo o pensamento monstruoso de que jamais verei de novo meus entes queridos que já estão mortos. Apesar da força triunfante de minhas convicções, jamais me reconciliarei com o pensamento de que minha mãe, a quem tanto amei e que foi uma pessoa tão maravilhosa, desapareceu para sempre e que nunca mais poderei dizer-lhe que mesmo depois de vinte e três anos de separação eu ainda a amo da mesma maneira.”
(Dmitri Shostakovich et al, Russian Symphony: Thoughts about Tchaikovsky)

“Sim, meu amigo! É melhor morrer todos os dias durante milhares de anos do que perder os que amamos e procurar consolo na idéia hipotética de que nos encontraremos de novo no outro mundo! Será que nos encontraremos de novo? Felizes são os que conseguem não ter dúvidas a esse respeito.”
“Que abismo infinitamente profundo entre o Velho e o Novo Testamento! Estou lendo os Salmos de David e não entendo por que, em primeiro lugar, eles são tão apreciados em termos artísticos e, em segundo, de que maneira eles poderiam ter qualquer coisa em comum com o Evangelho. David é completamente mundano. A humanidade inteira ele divide em duas partes desiguais: a dos ímpios, à qual pertence a grande maioria, e a dos justos, em cuja liderança ele se coloca. Sobre os ímpios, ele invoca em cada salmo o castigo divino, e sobre os justos, a recompensa; mas tanto o castigo quanto a recompensa são materiais. Os pecadores serão aniquilados; os justos colherão os benefícios de todas as bênçãos da vida terrena. Quão diferente de Cristo que orava por seus inimigos e para seus companheiros prometia não bênçãos materiais, mas o Reino dos Céus. Que poesia eterna e, tocante até as lágrimas, que sentimento de amor e piedade pela humanidade nas palavras: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados.” Todos os Salmos de David nada são se comparados a essas simples palavras.”
“Como me foi estranho ler que 365 dias atrás eu ainda tinha medo de reconhecer que, apesar de todo o fervor de sentimentos de simpatia despertados por Cristo, eu ousava duvidar de Sua Divindade. Desde então, minha religião se tornou infinitamente mais clara; eu pensava muito sobre Deus, sobre a vida e a morte durante todo esse tempo, e especialmente em Aachen as questões vitais: por quê? como? por qual razão? ocupavam-me e pendiam sobre mim de um modo perturbador. Gostaria de algum dia expor em detalhe minha religião, nem que seja para explicar minhas crenças a mim mesmo, de uma vez por todas, e a fronteira onde, depois da especulação, elas começam. Mas a vida passa rápido com seus estímulos e não sei se terei sucesso em expressar esse meu Credo que recentemente se desenvolveu em mim. Ele se desenvolveu muito claramente, mas ainda não o adotei em minhas orações. Ainda rezo como antes, como me ensinaram a rezar. Mas Deus dificilmente precisa saber como e por que alguém reza. Deus não precisa de reza. Mas nós precisamos.”
(Wladimir Lakond, The Diaries of Tchaikovsky)

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Os protestantes são idólatras

"O que é idolatria? Idolatria é prestar a uma criatura honras que são devidas ao Criador apenas, considerá-la igual ou superior a Deus.
É comum vermos protestantes acusando católicos de idolatria, devido ao culto aos Santos. Isso ocorre por uma razão muito simples: os protestantes não adoram a Deus, mas O veneram. Os católicos adoram a Deus e veneram Seus Santos. Assim, ao ver um católico venerando um Santo, o protestante - que venera a Deus - acha que o católico está prestando a um Santo uma homenagem que só compete a Deus.
A veneração é aquilo que os filhos têm para com seus pais: eles pedem ao pai e à mãe, eles agradecem e eles louvam seus pais. A adoração é aquilo que um macumbeiro faz com seus orixás (oferecendo-lhes sacrifícios de bichos) e um católico faz de maneira incruenta e infinitamente superior para Deus (no Sacrifício único e perfeito de Cristo, tornado novamente presente em cada Missa).
O protestante presta a Deus um culto de veneração, reunindo-se com outros protestantes para cantar louvores a Deus, pedir-Lhe graças e agradecer as graças concedidas por Sua Misericórdia. Ao ver assim um católico prestando culto de veneração a um Santo, reunindo-se com outros católicos para cantar louvores ao que um Santo fez pela graça de Deus, para pedir ao Santo que peça a Deus graças e para agradecer as graças concedidas por Deus em resposta ao pedido feito pelo Santo, o protestante acha imediatamente que o católico estaria dando a um Santo - uma criatura, que não é Deus - o que é devido a Deus. É um lamentável engano. O mais engraçado, porém, neste engano é ver que os protestantes fazem exatamente a mesma coisa que os católicos, mas em referência a pessoas que ainda estão aqui na terra, pessoas que ainda podem cair em pecado e afastar-se de Deus. O protestante pede aos amigos que orem por ele a Deus, como um católico pede a um Santo; o protestante agradece aos amigos que intercederam por ele junto a Deus quando suas orações são atendidas; o protestante louva o que é feito por outro protestante e que ele acha ser devido à graça de Deus.
Apesar de acusar injustamente os católicos de idolatria, porém, o protestante parece não perceber que quem aponta um dedo para alguém está apontando três para si mesmo: os protestantes vivem e pregam a idolatria.
Como assim?
Ora, Nosso Senhor Jesus Cristo disse e fez muitíssimas coisas que não estão na Bíblia. São João afirma isto com todas as letras no fim de seu Evangelho (Jo 20,30; Jo 21,35). Do mesmo modo, vemos por exemplo Nosso Senhor explicando no caminho de Emaús (Lc 24,27) as profecias do Antigo Testamento referentes à Sua Paixão e Ressurreição; a explicação dada por Ele, porém, não está escrita na Bíblia, do mesmo modo como muitíssimas pregações e explicações que fez aos Apóstolos. Ora, Ele disse para os Apóstolos ensinarem *tudo* o que Ele ensinou a eles (Mt 28,20).
O protestante, porém, afirma que o que não está na Bíblia não interessa, esquecendo-se de que não só não está escrito na Bíblia que só vale o que lá está, quanto que não está escrito na Bíblia que Nosso Senhor mandou escrever Bíblia alguma.
A Bíblia, esquece ele, é porém uma mera criatura de Deus. Criatura santa, inspirada e boa, mas criatura. Ao dar maior importância à criatura (a Bíblia) que ao Criador (os atos e palavras de Cristo que não estão contidos na Bíblia e que Ele mandou que fossem ensinados), o protestante está caindo em idolatria. Ele coloca a criatura (a Bíblia) como sendo mais importante que o Criador.
Esta idolatria torna-se ainda mais negra quando percebemos que os protestantes na verdade colocam acima da própria Bíblia a sua idéia particular do significado da Bíblia. Assim, por exemplo, apesar das claríssimas palavras do próprio Senhor (Jo 6,32-59) - corroboradas por São Paulo, aliás (1Cor 11,23-29) -, os protestantes negam que Seu Corpo e Seu Sangue sejam verdadeira comida e bebida, sem a qual ninguém terá a vida eterna, assim como negam, contra as palavras de Cristo (Jo 20,23) que o pecado que não for perdoado por um homem que recebeu de Cristo este poder não será perdoado.
Temos, portanto, que:
Idolatria é colocar criaturas acima do Criador.
Ora, os protestantes colocam criaturas (a Bíblia e suas interpretações pessoais da Bíblia) acima do Criador.
Logo, os protestantes são idólatras.”
(Carlos Ramalhete, A Bíblia e a Idolatria)